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Direitos Reais

Resumos de direitos reais - Portucalense

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Direitos Reais

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Direitos Reais

Aula Teórica – 18/02

Trata da estática do direito patrimonial.


Situa-se no livro III do CC
I – Introdução
II – Posse – DR Provisório – Objetivo de ser propriedade
III – Propriedade
IV – Direitos Reais limitados

Legislação: Código Civil; Código de Registo Predial – DC 224/84 (6/7); Regime Jurídico de
habitação periódica – DL 275/93 (5/8)

Conceito – é necessário diferenciar de outros conceitos


Direitos:
 De crédito – dinâmica  Assegura a distribuição
 Reais – estática  Assegura a propriedade

Direitos das Coisas – domínio das pessoas sobre as coisas


Ação Reivindicatória (1311º) – exigir a coisa
O direito de propriedade é informado pelo poder de sequela e o direito de sequela é o direito
de exigir.

Menezes Cordeiro: O direito real é um direito absoluto e inerente a uma coisa corpórea, que
permite ao seu titular determinada forma de aproveitamento jurídico desta.
Carvalho Fernandes: O direito real é o poder jurídico absoluto atribuído a uma pessoa
determinada para a realização de interesses jurídico-privados, mediante o aproveitamento
imediato de utilidades de uma coisa corpórea.
Teoria Clássica  Relação de uma pessoa e uma coisa (protege a relação sobre tudo)
 Poder direto e imediato
 Poder absoluto
Teoria Personalista  Relação de uma pessoa e todas as outras
 Obrigação passiva universal
Teoria Mista:
 Lado Interno: Poder direto e imediato sobre a coisa
 Lado Externo: Impõe-se à generalidade das pessoas
Faz uma conjugação entre as duas teorias

Características:
 O carácter absoluto
 A inerência
 A sequela
 A prevalência (característica e principio)

Carácter Absoluto
 Oponível contra qualquer pessoa/contra todos
 Não se estrutura numa relação jurídica com outrem
 Imprescritibilidade da ação de reivindicação
[eficácia ERGA OMNES]
 Vem da teoria clássica
Inerência

1
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 O direito não pode ser separado da coisa (ex: servidões)


 Independente da relação de facto ou de direito subjacente  Não confundir com a
dispensa de intermediário (imediação)
A coisa não pode ser separada do usufruto

Sequela
 O titular pode ir buscar a coisa, independente de quem seja o atual possuidor ou
detentor
 Mesmo que ela venha a ser objeto de uma cadeira de transmissões
 Eliam si per mille manus ambulaverit
 Disponibilidade de meios para a prossecução dos fins do titular

Prevalência
 Circunstância de os direitos reais constituídos sobre uma coisa prevalecerem, quer
sobre os direitos de crédito relativos a esta coisa, quer sobre os direitos reais
posteriormente constituídos sobre a mesma coisa e que se revelam total ou
parcialmente incompatíveis com o anterior. Este é um principio que vale para todos os
direitos reais – Hörster, H

407º - Direitos pessoais

Aula Prática – 20/02

DR – RES – COISAS
Trata-se dos direitos que as pessoas podem exercer sobre as pessoas.
Coisas imóveis: prédio
Coisas móveis: computador, carro, barco
Coisas não têm direitos.
Direito de propriedade (direito real máximo) – confere ao titular a plenitude de
direitos sobre as coisas

Direito Romano fala-nos de três poderes:


o Uso (o proprietário da casa vive lá)
o Fruição (o proprietário não vive lá, tem outra casa e arrenda essa a terceiro)
o Dispor (o proprietário vende a casa)
Código civil divide-se em 5 partes, uma Parte Geral e 4 ramos do direito, sendo estes:
o Obrigações
o Reais
o Família
o Sucessões
Direito civis patrimoniais – ocupam-se de questões de interesses avaliáveis em
dinheiro
Sucessão pode ser: testamentária; legitima; legitimaria
Distinção entre direitos obrigacionais e direitos reais:

2
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 Diz-se que as obrigações disciplinam a dinâmica patrimonial, isto é, os aspectos


relacionados com a circulação e a troca de bens, pelo contrário, os direitos reias
disciplinam a estática patrimonial.

A vende a B um prédio urbano, por força do contrato, a propriedade do prédio vai se


transmitir da esfera jurídica do vendedor para a esfera jurídica do comprador – dinâmica
 A forma que o do contrato tem de revestir – tem de ser por escritura pública; por
documento escrito, contrato verbal?
 Qual o lugar onde se deve pagar o preço/qual momento? Qual o momento em que
se deve entregar o bem?
 O que acontece se o comprador descobre que o prédio tem algum defeito?
Questões de direito das obrigações
 Se o contrato estiver cumprido, não há mais obrigações. O comprador é agora
titular do direito real de propriedade, é proprietário – direitos reais.

As obrigações são dotadas de uma eficácia meramente relativa, enquanto os direitos reais
se caracterizam pela sua eficácia absoluta
 Contrato de mútuo (empréstimo de dinheiro) – relativa
 Oponibilidade a terceiros [ERGA OMNES]– absoluta

Direito real de habitação periódica – DL 275/93, de 5 de agosto


Código de Registo Predial
(892º - venda de coisa alheia  nulo)
Automóveis, navios, aeronaves  bens móveis sujeitos a registo

Menezes Leitão - manual


Exame final  100%
Aula Teórica – 25/02

Prevalência – qualititativa. Falasse em prevalência quando estamos diante de algum


conflito, quando há uma disputa entre direitos.

Artigo 407º

Direito real provisório - posse (arts. 1251º a 1301º)


Direito real máximo – propriedade (arts. 1251º a 1301º)

Direitos reais limitados


 usufruto (art. 1439º/ 1523º)
 uso e habitação (art. 1484º/ 1490º)
 superfície (art. 1524º/1542º)
 servidões prediais (art. 1543º/1575º)
 direito real de habitação duradoura (DL 1/2000 de 09-01); periódica (DL 275/1993, de
05-08); do cônjuge sobrevivo (art. 1707º - A, nº3 e 10); do membro sobrevivo da união
de facto (lei 7/2001, de 11-05, art. 5º, nº1)

Direitos reais de garantia


 conjugação de rendimento (art. 656º/665º)

3
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 penhor (art. 666º/686º)


 hipoteca (art. 686º/732º)
 privilégios creditórios (art. 733º/753º)
 direito de retenção (art. 754º/761º)

Direitos reais de aquisição: no momento da aquisição foi conferido este direito real
 contrato promessa com eficácia real (art. 413º)
 direito de preferência com eficácia real (art. 421º)
 direito de preferência legal (arts. 1380º, 1409º e 1535º CC, art. 6º do DL nº89/2021 de
03-11 Lei de Bases da Habilitação)

Princípios:
 Tipicidade
 Especialidade
 Elasticidade
 Transmissibilidade
 Publicidade
 Boa-fé

Tipicidade
Não é possível inventar um direito real, somente aqueles direitos reais que existem no
ordenamento jurídico é que as pessoas podem ser titulares
Artigo 1306º - “Numerus clausus”

Especialidade – destacar, distinguir (conecta-se com a inerência)


Para existir direito real é preciso que exista coisa e que seja determinada
Determinação: não existem direitos reais sobre universalidades (representada por uma
massa de bens)
Atualidade: a coisa deve ter existência presente
Autonomização ou totalidade: o direito real incide sobre o todo, não incidindo sobre
parte (incorporada) da coisa.
*assim também é sempre feita uma descrição distinta de “cada” prédio

Elasticidade
“(...) direitos reais limitados restringem de acordo e na medida do seu conteúdo, o
conteúdo do direito da propriedade que pertence a outrem ( Hörster)
“(…) em consequência da extinção de um direito menor, o direito real maior pode
retomar o seu conteúdo originário …” (Leitão, M.)
- Compressão e expansão das figuras parcelares
- Uma coisa, diferentes titulares com diferentes (in)compatíveis entre si

Transmissibilidade
Garante o direito de transmitir em vida, ou para depois da morte e garante ao Estado
de conseguir expropriar bens, fará com que haja indemnização
Direito de transmitir os direitos reais
Artigo 62º
Exceções: art. 1443º Usufruto/1490º - Uso e Habitação

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Amplitude: art.676º/727º cessão do direito real de garantia 34

Boa-fé
Art. 291º, nº3
Elementos:
Boa – Média, exigível de qualquer pessoa | Proteção, informação, lealdade
Fé – Consciência
Para efeitos:
- da posse (arts. 1260º,1269º)
- da usucapião (arts. 1295º e 1298º)
- da acessão industrial (arts. 1333º e ss. E 1340º e ss.)
- da proteção de terceiro (art. 291º CC, 17º n2 Cod. Reg. Predial)

Prevalência: Arrasta-se por todos os princípios. A prevalência e a Boa-fé conectam-se


porque quando falamos em prevalência falamos num conflito de direitos sobre a mesma coisa,
senão houver uma disputa de direitos sobre o mesmo bem, não faz sentido falar em
prevalência.

Publicidade – atividade de dar a conhecer, evidenciar


Evidências:
i. Posse: a realidade possessória coincide com a realidade substantiva (em
princípio) 1268º
ii. Registo: bens imóveis e móveis sujeitos a registo – Presunção (art. 7º
Cod.Reg.Predial \ art 2º DL 277/95)

Aula Prática – 27/02


1. Conceção clássica tradicional ou realista – resulta do direito romano. Poder direto e
imediato sobre coisa e determinada. Três poderes: uso, fruição e dispor.
Poder direto e imediato – o proprietário tem o poder, e pode exercer os seus
poderes diretamente e independente da colaboração ou autorização de qualquer
intermediário, e o arrendatário não tem esse poder pois carece dessa autorização do
senhorio (ex: das casas germinadas em que um é proprietário e o outro e o
arrendatário).
Sobre coisa certa e determinada – é necessário saber ao certo qual bem está a
adquirir
2. Conceções personalistas – o direito é um fenómeno intersubjetivo que pressupõe uma
pluralidade de sujeitos. Nas relações jurídicas reais existem um sujeito ativo, o
proprietário do direito real, e quem é o sujeito passivo? Todas as outras pessoas =
dever de nada fazer, que possa prejudicar o direito real alheio.
3. Conceção ecléctica/integradora – reúne o que melhor se aproveita das duas
anteriores. Realmente quer os clássicos, quer os personalistas têm cada um a sua
razão, temos é de por as coisas nos seus devidos lugares. O Direito real tem, por um
lado, um lado interno (o seu conteúdo), sendo um poder sobre uma coisa. Também
tem um lado externo, que tem a ver com a sua eficácia (eficazes a toda a gente).

Características do direito real:

 Eficácia absoluta – oponibilidade a terceiros. [ERGA OMNES] É a que melhor


distingue os direitos reais (eficácia absoluta) dos obrigacionais (eficácia meramente relativa).

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Artigo – 1142º do CC (contrato de mútuo)


 Sequela ou direito de sequela – o titular de um direito real pode seguir (recuperar)
a coisa, fazendo valer os seus poderes sobre ela, ainda que a mesma ainda se encontre na
esfera material de outrem. Consequência da eficácia absoluta. A sequela é uma característica
dos direitos reais.
Artigo 1315º do CC
Pode ser exercida de várias formas:
 Meio processual – ação de reivindicação, artigo 1311º do CC
 Instrumento de exercício do direito de sequela
 Aplica-se a todos os direitos reais

 Prevalência ou direito de prevalência :

1. Os direitos reais prevalecem sobre todos os direitos de crédito (obrigacionais),


ainda que anteriormente constituído.
2. Os direitos reais primeiramente constituídos prevalecem sobre os que lhes
sejam ulteriores (que venham depois).

Relação jurídica obrigacional

Exemplo:

AB

Artigo 1129º - contrato de comodato

1. A empresta uma casa (imóvel) a B, aconteceu em 2024, temos um comodato


(1129º), empresta por 2 anos (até 31/12/2025). Entretanto A vendo o prédio a
C em fevereiro de 2025.
Prior in tempore, potior in iure – primeiro no tempo, e primeiro no direito -
aqui não acontece isso porque no contrato de comodato o direito do
comodatário é um direito meramente obrigacional, oponível a terceiros. Quem
tem o direito de ocupar a casa é C!
2. A proprietário de um prédio, vende a B em 2024 e A volta a vender para C em
2025

Norma do 408º nº1 CC


Independente da prática de formalidades (exemplo: registo) ou material (entrega da
coisa)
Quais as coisas que estão sujeitas a registo: imoveis, automóveis, barcos e terrenos
A vendeu e B não registou, o registo é obrigatório, artigo 8º do código de registo
predial. A venda tem que ser feita por escritura ou documento particular autenticado, se não
tiver, é nulidade.
Apesar de não ter registado B é proprietário? Sim, 408º nº1, por mero efeito do
contrato.
Outra norma, que tem haver com o contrato de compra e venda, artigo 892º - é nula a
venda de bens alheios.
O direito de propriedade pertence a B, a palavra prevalência que não é adequada, não
podemos dizer que o direito de B prevalece sobre o direito de C, pois C não tem direito, pois

6
Inês Cerqueira
Direitos Reais

adquiriu um negócio que é nulo. Para haver prevalência tem que ter dois direitos validos
constituídos, e neste caso só existe um direito valido.
Só há uma classe de direitos reais que se pode falar de prevalência – que são os
direitos reais de garantias, se chamam de garantia porque garantem alguma coisa, neste caso
o cumprimento de obrigações.
Exemplos:
 Hipoteca – artigo 686º CC – podem ser os imóveis ou equiparados (móveis sujeitos a
registo, navios, aviões…), pode o mesmo prédio ser hipotecado várias vezes a favor de
vários credores? 713º - Não impede de ser hipotecado novamente a favor de outro
credor.
 Conjugação de rendimento
 Penhor
 privilégios creditórios
 direito de retenção

Prevalência existe nos direitos reais de garantia

Aula Prática – 6/03

Prevalência não é de fato uma característica dos direitos reais.

 A vende a B um imóvel (casa) em 2024 e em 2025 A vende o mesmo imóvel a C.


 A pode fazer isso? Não pode, mas fez.
 Quem é o proprietário? Artigo 408º nº1 – por mero efeito do contrato – quer dizer
duas coisas:
1 – Independentemente da observância de quaisquer formalidades adicionais;
2 – Independentemente da observância de quaisquer atos materiais.
 B não registou. É obrigatório registo? Sim, artigo 8º - A, e também tem prazo para o
fazer.
 2025 quando A vende a C, o que isto implica? Esta a vender uma coisa que já não o
pertence, então esta a vender coisa alheia (892º), então o negócio é nulo.
 Artigo 407º
 Incompatibilidade de direitos pessoais (não reais/obrigacionais) de gozo (usar uma
coisa, ex: arrendamento) sobre uma coisa.
 não se pode falar de prevalência, no entanto, pode haver circunstâncias que a
propriedade vai ficar com C (1º, 2º CRP).
 Se C regista o negócio é dele, então o negócio entre A e C é nulo ou não? O artigo 6º
nº1 diz que o negócio inscrito primeiro é o que prevalece.

 A em 2024 arrenda por 5 anos a B e em 2025 arrenda a C, com efeitos imediatos por
3 anos
 Quem tem direito de morar? B, pois é o mais antigo, mas o segundo é valido então A
tem de indemnizar.

 Invalidades sequenciais – A, por negócio nulo (por exemplo negócio simulado),


vende a B, que regista por escritura pública. B vende a C, que também regista por escritura
pública.
 Se o negócio era nulo, B não era proprietário.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

 C torna-se proprietário. Aquisição “a non domino” (“dominus” = dono) – adquiriu


de quem não era dono, adquiriu um negócio que era nulo de acordo com o artigo 892º; outro
caso dessa aquisição é o 291º
 C – terceiro de boa-fé
 291º nº3 – quando comprou, não sabia do negócio anterior – Boa-fé
 291º nº2 – Só pode ficar descansado depois de passarem três anos, até lá o seu
direito não é protegido
 Inerência a coisa do seu titular – no sentido de poder alcançar a coisa/reaver.
Designação em um sentido diferente do direito de sequela.
 6º nº1 CRP – norma muito importante!!!

Permanência:
 A permanência dos direitos reais por contraposição à transitoriedade dos direitos
de crédito
 É meramente tendencial

Diferença entre característica e princípio:


Característica – é algo endógeno, vem de dentro
Princípio – é algo exógeno, vem de fora
 Tipicidade taxativa – só são direitos reias aquele que a lei qualifica como tais. Os
direitos reais são dotados de eficácia absoluta, dele resulta obrigações para todas as
pessoas. Existem 14 direitos reais, apenas 13 no CC, o outro é o decreto-lei do Direito
real de habitação periódica – DL 275/93, de 5 de agosto (presente no código civil físico,
como legislação avulsa).
 Elasticidade – uma vez extinto um direito real limitado sobre coisa alheia, a
propriedade reconstitui-se na sua plenitude, recuperando o proprietário a plenitude
dos seus poderes.
Direito real pleno – confere a plenitude aos seus poderes (uso, fruição e
dispor). Usufruto – 1439º e seguintes (1443º - duração)
 Especialidade – do objeto, o direito real tem que recair sobre coisa certa e
determinada. Nemo plus iuris transfere potest quam ipse habet (ninguém transfere
mais direitos dos que aquele que tem).
 Princípio da compatibilidade ou exclusão – não pode existir mais do que um direito
real com o mesmo conteúdo sobre o mesmo objeto. Ex: Se A vende a B, e não regista,
e A depois vende a C, os direitos de B e C são incompatíveis, agora o que é possível é
sobre a mesma coisa incidir o direito de propriedade a favor de A e um usufruto a
favor de B.
 Transmissibilidade – os direitos reais são por norma transmissíveis, quer entre vivo
quer mortis causa. Os direitos são de natureza patrimonial, e que se podem transferir.
Exceções: usufruto – é intransmissível mortis causa, isto resulta da norma do artigo
1439º. Os direitos de uso e habitação (absolutamente intransmissível) – 1484º, são de
todo em todo intransmissíveis, quer entre vivos quer mortis causa.

Aula Teórica – 11/03


Prevalência – prevalecer sobre direitos; quando duas pessoas invocam o direito de
propriedade sobre o mesmo bem

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Principio da publicidade: ligado à prevalência e ao registo; modo organizado e modo


espontâneo (espontânea – posse)
1316º - modos de aquisição
Artigo 2º crp – factos sujeitos a registo
Consensualidade (suficiente para transferir a propriedade):
 Consenso – acordo recíproco das partes para se fazer ou desfazer um negócio jurídico.
 Consensualidade com princípio – produção de efeitos jurídicos como resultado do consenso
[… mero efeito do contrato (Art. 408º)]
 Efeitos obrigacionais e reais do contrato de contra e venda (art. 879º) e do contrato de
doação (Art. 954º)
 Sistemas de aquisição
 O princípio da Consensualidade e o Principio da Causalidade (vs. Abstracção)

Modo
Mod e titulo

Aula Prática – 13/03


Princípio da publicidade – estabelece que a constituição e a transmissão de direitos
reais sobre coisas, deve revestir carácter de notoriedade, isto é, deve ser acessível ao
conhecimento público. Qualquer pessoa tem que saber quais são os direitos reias que incide
sobre o que ela quer comprar, ex: vou comprar uma casa, preciso mesmo saber se a casa é da
pessoa que vou comprar. Tem que haver de fato um registo, e não apenas o registo predial,
mas também o registo de automóvel, navio, etc.
 Nas coisas não sujeitas a registo, a publicidade é assegurada pela posse.
 Nas coisas sujeitas a registo, é assegurada pelo registo.
Artigo 874º - noção e 875º - forma

Escritura pública – é um documento elaborado por um notário na 1ª pessoa, na qual


ele reproduz as vontades das partes, manifestada perante si, ou seja, a escritura pública é uma
forma e não um conteúdo. Chama-se escritura pública porque de acordo com a lei os notários
são privados, mas tem que ser licenciado em direito e dotado de fé pública.

Enquanto as conservatórias são dotadas de uma competência territorial, os notários


não estão sujeitos a nenhuma competência territorial.

Documento particular autenticado – é um documento elaborado pelas partes, cujo


conteúdo é depois confirmado por elas perante o notário, advogados e solicitadores.

 Artigo 1º do CRP  Proporcionar segurança na validade do negócio


Forma de compra e venda de navios – liberdade de forma (219º)
Forma de compra e venda de navios – documento escrito

Contrato comercial – Locação financeira


 Artigo 2º CRP – sujeitos sujeitos a registo

Penhora  Apreensão de bens em processo executivo (as partes:


exequente/executado)
Processo declarativo  Visa declarar o direito aplicável ao caso (as partes: Autor e Réu)

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Processo executivo  Responde com o património do devedor

Insolvência – situação que se encontra a pessoa em que o património é insuficiente


para pagar as dividas, ou seja, deve mais do tem aquilo que tem. O património é apreendido
para ser vendido e repartido.

 artigo 4º - eficácia entre as partes


 artigo 5º - é oponível erga omnes, só não é oponível a terceiros (enquanto não
registar)
 artigo 6º  inscrição no registo em 1º lugar
 artigo 7º - presunções legais do registo
 artigo 8º - registo é obrigatório
 Artigo 8º-C - deve ser realizado no prazo de 2 meses
 artigo 17º nº2 – terceiro registal/registral (ambas estão corretas) – falamos dele
quando há uma nulidade não no negócio jurídico, mas sim no ato do registo.
O notário não faz registo, ele remete para o seu colega conservador do registo predial.
Inscrições no registo dão a conhecer a situação jurídica.

Aula Teórica – 18/03

Características dos direitos reais


 Carácter absoluto – poder ERGA OMNES
 Inerência
 Sequela
 Prevalência – não tem um dispositivo caracterizador
a. Artigo 407º para direitos pessoais
b. Para os direitos reais vale o 1º direito que se constituir

 Como/quando se constitui um direito real?


Consensualidade  408º | 1316º e 1440º | 879º e 954º
 Sistema de título – causalidade
 Manifestação da vontade livre e esclarecida – publicidade  posse e registo
 Função do registo (8º-A = alteração 116/2008 CRP (tornou obrigatório o registo))
*Declarativa
A. Primado da realidade substantiva
B. Primado da realidade registal
Fé-pública artigo 68º e 7º Código registo predial

 Regimes de Proteção de Terceiros (rever)


1º. Artigo 5º, n1 e 4 Código registo predial (nulidade substantiva/autor comum)
2º. Artigo 17º, n2 Código registo predial (nulidade registal)
3º. Artigo 291º Código civil (invalidade substantiva)
4º. Artigo 1301º Código civil

Aula Prática – 20/03

3º para efeitos de registo - nº 4 do artigo 5º CRP

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Pergunta de oral – compra e venda de um imóvel, B compra, mas não regista a aquisição, esse
direito é oponível erga omnes? Sim, no entanto, o artigo 5º nº1 CRP, o facto de B ter
comprado e não ter registado, não significa que agora qualquer pessoa pode ter acesso à casa.
(terceiros para efeito de registo – artigo 4º CRP)

Princípio do trato sucessivo – 34º CRP – ex: veiculo automóvel furtado que depois foi vendido,
e esse adquirente vai na conservatória fazer o registo que vai ser recusado, porque há “falta de
trato sucessivo”

Empréstimo com hipoteca

Escritura pública – Documento elaborado pelo notário (será feito por ele na primeira pessoa)

Coisa particular – significa feita pelas partes e o notário vai apenas autenticar

Mediador  Alguém que medeia a oferta e a procura

Classificação dos direitos reais:

Ao contrário das obrigações, por via do princípio da liberdade contratual, nos direitos reais
vigora o princípio da tipicidade taxativa. As partes podem, dentro dos limites da lei, inventar os
contratos que lhes aprouver.

1. Direito real pleno – conferem ao seu titular a plenitude dos poderes a uma coisa 
Apenas existe um direito real pleno: direito de propriedade – 1302º
2. Direitos reais limitados – conferem ao seu titular certos poderes sobre coisa, mas
justamente não todos. Divide-se em 3 subcategorias:
 De gozo - são 5 – permite usar a coisa
o Usufruto (1439º e seguintes)
o Uso e habitação (1484º)
o Direito de superfície (1524º)
o Servidões prediais (1543º)
o Direito real de habitação periódica (decreto-lei 275/93, de 5 de
agosto)
 De garantia – são 5 – garantem o cumprimento de uma obrigação
o Consignação de rendimentos (656º)
o Penhor (666º)
o Hipoteca (686º)
o Privilégios creditórios especiais (733º)
o Direito de retenção (754º)
 De aquisição – são 2 – são aqueles que permitem ao seu titular adquirir, ou
adquirir preferencialmente, uma coisa, com prevalência sobre terceiros.
o Direito do promitente comprador no contrato de promessa com
eficácias reais (413º)
o Direito de preferência com eficácia real (421º)
 Direito real “sui generis” (termo do professor) – não encaixa nos termos
daquela classificação – posse (1251º)

202º - Definição de coisa

Aula Teórica – 25/03

1268º - Presunção da titularidade do direito

11
Inês Cerqueira
Direitos Reais

Propriedade e posse  Posse Causal


Posse  Posse formal

Posse  1251º a 1286º


Disposições legais, caracteres da posse, Aquisição e perda da posse, efeitos da posse, defesa
da posse
1251º  Noção de posse

Concepção objetiva: corpus – animus (basta o corpus), o possuidor é aquele que tem o
controlo sobre a coisa
Concepção subjectiva: corpus + animus (é necessário ter o bem na sua posse e ter a vontade
de agir como proprietário desta)

Mero detentor ou simples detenção – possuidores precários, não têm nenhuma titularidade
sobre a coisa que tem sobre seu controlo – não tem intenção de agir como proprietário -
1253º
 Extensão da proteção – ir a tribunal para ser mantido na sua posse ou reaver a sua
posse
Autorização do possuidor/proprietário para exercer o poder sobre a coisa, mas são
simples detentores
 Locatário (1037º)
 Parceiro pecuniário (1125º)
 Comodatário (1133º)
 Depositário (1188º)
Artigo 1251º e 1253º a)
1253 – Detenção

Inversão do titulo da posse – ex. arrendatário deixar de pagar rendas e agir como proprietário,
informando o proprietário. Se este nada disser, este mero detentor caminha para ser
possuidor
Determinado modo de agir – 1251º
Poder de facto – 1252º n2

É o controlo humano de coisas corpóreas (M Cordeiro)


A posse é um direito real provisório (Hörster)
É a sombra da propriedade. Uma propriedade presumida (Savigny)

Presunções de posse - 1º em caso de duvida, decidir entre duas pessoas que se dizem
possuidores, presume-se a posse de facto a quem controlar a coisa; 2º quem prova que
começou a posse, é possuidor. – 1254º

Quer diferenciar uma posse nova de uma continuação de posse


Quem adquire uma coisa, há uma nova posse, agora outra coisa é receber uma coisa que já
começou a posse noutra pessoa
Sucessão da posse – (não é derivada nem originária) é uma continuação da posse já existente –
sucessão mortis causa – 1255º
Acessão da posse – menor âmbito = menos favorável 1256º

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Caracteres da posse – 1258º ao 1262º


 Titulada ou não titulada (não titulada – não foi um modo legitimo de adquirir)
 De boa-fé ou de má-fé (presume-se, consoante se é titulada ou não titulada)
 Pacífica ou violenta (para inovar usucapião, é necessário cessar a violência – violência
é sempre má-fé – presunção absoluta)
 Pública ou oculta (para invocar usucapião, é necessário que a posse passe de oculta
para pacifica) – pública: é e conhecimento público

O prazo da posse só começa a contar quando cesse a violência e a posse seja pública.

Aula Prática – 27/03

1251º - Direito real suis generis (Posse)


Alguém atua materialmente sobre uma coisa, como se fosse sua propri
etária.
Exemplo: o proprietário, agricultor, de um prédio rústico, sendo um terreno de cultivo,
observa que o prédio rústico ao lado, também um terreno de cultivo, está com evidentes sinais
de abandono, não aparece lá ninguém e então aproveita e começa a cultivar também nesse
terreno alheio. Com isto adquire a posse, mas não adquire a propriedade.

Duas conceções de posse (origem no estudo do direito romano)


 Conceção subjectiva – Savigny
Nem sempre uma pessoa que pratica atos sobre uma coisa, pode ser considerado posse.
a) Posse
 Elemento Material (“corpus”) – prática de atos materiais sobre a coisa
 Elemento Psicológico (“animus”) – intenção ou vontade de se comportar como
o titular de direito real sobre a coisa
Só existe posse quando se encontram reunidos estes dois elementos. É uma
conceção subjectiva porque faz apelo a um elemento subjetivo, que é a tal
intenção de querer se comportar como se posse proprietário.

b) Mera detenção
São aqueles casos em que quem pratica os atos materiais sobre a coisa, não tem,
no entanto, qualquer intenção de se comportar como proprietário. Exemplo: Eu
tenho uma empregada doméstica e ela pratica atos materiais dentro de minha
casa, mas ela não tem a intenção de ser a proprietária.

 Conceção objetiva – Ihering


Ao exigir para a posse um elemento psicológico, torna tudo inseguro e incerto
Sempre que alguém pratique atos materiais sobre uma coisa, considera-se posse
Basta o “corpus” para haver posse.

(adicionar a lápis “de gozo” no artigo 1251º do CC)

1253º a) – Interpretado à contrário sensu

Corpus – não exige um contacto físico permanente com a coisa basta que a mesma esteja
virtualmente dentro da esfera de atuação do possuidor. Exemplo: Tenho 80 pares de sapatos,

13
Inês Cerqueira
Direitos Reais

mas apenas consigo usar um de cada vez, para ter a posse, não é necessário ter contacto físico
permanente sobre a coisa.
Embora, o corpus se traduza geralmente na prática de atos de uso, pode também consistir em
atos de fruição. Exemplo: A arrendou a casa a B, B não tem a posse, mas A sim, mesmo que
não esteja lá a viver, recebe as rendas como sinal de posse e propriedade.

Windscheid – Teoria da vontade abstrata  Vontade com intenção que se pode deduzir do
comportamento da pessoa

Nem todas as posses são iguais e nem todas merecem o mesmo tratamento.

Caracteres da posse
 1258º - Espécies de posse
4 Grupos:
 Titulada ou não titulada (1259º)
 De boa-fé ou má-fé (1260º)
 Pacífica ou violenta (1261º)
 Pública ou oculta (1262º)

Titulada ou não titulada:


Fundada em justo titulo, modo legítimo de adquirir. Exemplo: Quem compra uma casa por
escritura pública, então tem a posse, é uma posse titulada.
Ressalvas (exceções):
1º Ressalva – independentemente do direito do transmitente. Exemplo: A vende a B, no ano
passado, um quadro famoso convencional que a entrega seria feita passado 6 meses. Mais
tarde, A vende a C, em 2025, o mesmo quadro, com entrega imediata. De quem é o quadro? B,
por mero efeito do contrato – 408º, a venda entre A e C é nula, pois estamos perante venda de
coisa alheia – 892º. Contudo, C não tem a propriedade, mas tem a posse, C tem posse titulada,
mas não é modo legítimo de adquirir.
2º Ressalva – independente de subtrair da validade substancial do negócio. Fala-se quando à
validade do negócio jurídico quanto a validade formal e validade substancial. Temos três
aspectos jurídicos que se relacionam com a validade substancial, sendo elas:
 Capacidade das partes
 Vontade das partes
 Licitude do objeto negocial
Exemplo: 1259º n1 – A vende a B, um quadro, mas vende com coação moral exercida sobre o
vendedor. É um negócio anulável. B tem a posse do quadro, é posse titulada, pois é
independente da validade substancial do negócio (2º Ressalva)

Quando é que a posse é não titulada?


 Quando exista num negócio jurídico um vício de forma. Exemplo: A vende a B um
prédio de forma verbal.
 Quando a modo de adquirir seja de todo em todo ilegítimo (furto)

De Boa-fé ou má-fé:
Para efeitos de posse, a Boa-fé significa que quando ao adquiri-la o possuidor ignorava (não
tem conhecimento) que lesava o direito de outra, o direito do proprietário legítimo.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Exemplo: B furtou a A em 2021, um quadro de um pintor famoso, e depois B vendeu a C


também em 2021. C é proprietário? Não, e nem B é proprietário. A venda de B e C é nula, pois
trata-se de venda de coisa alheia – 892º, mas C tem a posse. C tem posse titulada, mas o furto
de B a A é posse não titulada. A posse de C é de Boa-fé, se não souber que o quadro foi
anteriormente furtado, mas a posse de B é de má-fé.

Usucapião – artigo 1287º e ss


A manutenção da posse durante certos números de anos, permite que o possuidor adquira a
propriedade (existem vários prazos).
Art 1298.º e 1299.º - Usucapião de Bens Móveis: Coisas sujeitas a registo e não sujeitas a
registo.
Exemplo: Se A, proprietário legitima do quadro, vem hoje legalizar esse quadro na posse de C e
C vai ter com o advogado dizer que recebeu uma carta de A a dizer que o quadro que C
comprou pertence a A, e agora C quer saber se é seu ou não. A posse de C é titulada, de boa-
fé, podendo invocar a usucapião, desde que o prazo estipulado no artigo 1299º tenha sido
cumprido.

Aula Teórica – 1/04

1263º - Aquisição da posse


a. Apossamento – Aquisição originária
b. Acessão, Aquisição derivada
c. Aquisição derivada (1264º)
d. Aquisição originária

Sucessão, Acessão, Conservação de posse


 Devolução do artigo 2024º
 Sucessão é a continuação, não é posse nova
 Acessão = união de posses
 Conservação: o exercício irregular mantém (o direito) a posse

1282º - Caducidade
1265º
Aula Prática – 3/04
Caracteres da posse: continuação
 Pacífica ou violenta (1261º)
Violenta – quando para adquiri-la foi utilizada coação física ou moral (coação física – existe
força física irresistível – divergência entre a vontade e a declaração)
(coação moral – vício da vontade)
 Pública ou oculta (1262º)
- Exercida de forma a ser conhecida pelo interessado

Se a posse for violenta ou oculta, os prazos da usucapião não se conta  1297º (1300º)

Modos de aquisição da posse – 1263º


a) Originária – 1263º a) (apossamento – prática reiterada/repetida ao longo do tempo),
inversão do título de posse (1263º d) + 1265º). Esbulho – privação total ou parcial da
posse de outrem (ex.: furto de um coisa móvel) – instantâneo.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

b) Derivada – 1263º b) (Traditio longa manu), 1263º c) + 1264º (constitutivo possessório).


“Traditio brevi manu” – conversão do detentor em possuidor por acordo com a pessoa
em cujo nome possuía (tradição de mão leve)

1264º - “Titular”  Proprietário e possuidor


Mera detenção  Posse precária ou posse em nome alheio

Inversão do título: A arrenda a B e B vende a C

1255º  Sucessão da posse – a posse é transmitida mortis causa.

A vendeu a B em 2000 um apartamento. Em 2020 B morreu e a posse passou para C (seu


sucessor). Tem a duração de 25 anos.
Para que exista corpus não é necessário contrato físico permanente com a coisa.
1256º  acessão da posse
B em 2021 furtou um bem móvel não sujeito a registo (relógio) a A. Em 2023, vendeu esse bem
a C.
B tem posse não titulada e por má-fé. O tipo de aquisição foi originário por esbulho.
C tem posse titulada e por boa-fé presumida. O tipo de aquisição é derivado pelo artigo 1263º
b) – traditio longa manu.
A vai recorrer à ação reivindicatória em 2025 – 1311º.
Usucapião  1299º - C não pode recorrer à usucapião porque não cumpre os prazos
Mecanismo da Acessão  Aos seus 2 anos de posse, pode juntar a posse do antecessor, para
facilitar a aquisição. Poderia somar 2, dando 4 anos de posse.

1256º  É de menor âmbito, aquela que se mostrar menos favorável em matéria de usucapião
(se o antecessor estiver de má-fé, aplica-se esse prazo).

Regras relativas à acessão


 A acessão não é do conhecimento oficioso do tribunal
 A acessão só é invocada num único grau, ou seja, só se pode juntar uma posse
(anterior) à posse anterior
 Só é possível invocar a acessão relativamente posse imediatamente anterior à atual
 Só é possível invocar acessão quando a posse atual tenha sido adquirida de modo
derivado

Caso Prático sobre posse e usucapião


1) Qualificar a situação jurídica dos interessados (se é mesmo posse ou mera detenção)
2) Caracteres da posse
3) Modos de aquisição da posse
4) Determinação e aplicação da norma adequada da usucapião
-----
5) Se não passou o prazo para adquirir por usucapião  Ver hipótese da acessão

Aula Teórica – 8/04

Defesas da posse: de atos de turbação ou esbulho


Prevenção Diretiva/judicial

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Judicial Manutenção Instituição

Código civil – artigos 1276º a 1288º


Processo civil – artigos 377º/379º + 595º, 609º

Prevenção
Prevenir significa antecipar-se (CPC, art 362º)
 Uma situação de posse
 A posse ainda
 O possuidor está sob ameaça de ser perturbado

Direta – 336º

Manutenção  turbação
Restituição  Esbulho

 Esbulho violento – defesa pelo CPC artigo 377º


 Efeitos da manutenção na contagem do prazo
- Código civil artigo 1283º

Melhor posse de outrem


Esbulhado só tem posse e a posse de outrem tem mais de um ano (1267º)
Esbulhado tem a propriedade (há hipótese em que o direito de propriedade cede)

CPC – artigo 30º  Conceito d legitimidade

Ação de manutenção
 Ativa – o perturbado ou seus herdeiros
 Passiva – (contra o) perturbado

Ação de restituição
 Ativa: o perturbado ou os seus herdeiros
 Passiva: (contra o) perturbado ou seus herdeiros

Aula Prática – 10/04

Casos práticos de posse e usucapião


1
Em 2020, B furta a A um quadro valioso, quadro esse que em 2021 empresta a C, a quem o
vem a vender em 2023. Imaginando que hoje (2025), A localizou a pintura na posse de C e
pretende reivindicá-la (1311.º), poderá essa pretensão ter sucesso?

▪ Em 2020 B tinha a posse adquirida originariamente por esbulho (caracteres: não titulada e
de má-fé presumida). Em 2021 há um contrato de comodato de B para C, logo este é um mero
detentor (tem em seu poder, há corpus, mas não há animus, porque ele não pretende
comportar-se como proprietário), se não há posse não há caracteres da posse.

17
Inês Cerqueira
Direitos Reais

▪ No entanto em 2023, B vende a C o quadro, passando C a ter a intenção de se comportar


como proprietário (já tem animus), adquirindo a posse de modo derivado (o anterior possuidor
transmitiu a posse) e por “traditio brevi manu” (tradição de mão breve), que é um modo de
aquisição derivada da posse que consiste na conversão do detentor em possuidor, por acordo
com o possuidor anterior. C que era o detentor por comodato faz acordo com B para compra e
venda.
▪ A norma de usucapião aplicável é a 1299.º (coisas móveis não sujeitas a registo). C pode
invocar a acessão porque adquiriu de modo derivado, mas aos seus 2 anos de posse soma
apenas + 3 relativos à posse de B, ficando com um total de 5 anos. C adquiriu por posse
titulada, de boa-fé, no entanto de acordo com o art 1256.º, nº2 a acessão só se fará dentro dos
limites da que tem menor âmbito. A posse de B é não titulada e de má-fé (logo tem menor
âmbito), a de C é titulada e de boa-fé (tem maior âmbito) e como tal a acessão pode ser
invocada, mas só dentro dos limites de menor âmbito, o que não dá o direito a C de adquirir
por usucapião, pois necessitaria de pelo menos 6 anos, em vez dos 3. Aplica-se o prazo
correspondente aos caracteres menos favoráveis.

2
Em 2016, A empresta a B, pelo prazo de um ano, um quadro. Em 2017, porém, vindo a
encontrar, B não devolve a coisa, passando a furtar-se sistematicamente a todas as tentativas
de contacto de A. Vindo em 2018 , a vender o mesmo a C, quando finalmente me 2020, o
quadro é furtado da residência de C por D, que mantem a posse até hoje. Poderá este ultimo
adquirir desde já a propriedade por usucapião?

▪ A empresta a B (comodato); B vende a C. B apropriou-se da coisa, em 2017, e adquire a posse


de modo originário, podemos falar de inversão de título da posse (1265º), B tem posse não
titulada e de má-fé (2017 findo comodato; B não restitui).
▪ C tem posse titulada e de boa-fé – 1263º b).
▪ D tem posse não titulada e de má-fé, adquirida por esbulho. Face aos outros caracteres, na
falta de indicação em contrário, partimos do princípio que a posse é pacífica e pública. Poderá
adquirir por usucapião? D tem 5 anos de posse, não titulada e de má-fé, sendo que adquiriu de
modo originário, não podendo adquirir por usucapião nem invocar a acessão. Se aparecer uma
ação de reivindicação, D será obrigado a pagar.

3
Em 2016, A dá de aluguer a B, pelo prazo de ano, um iate à vela, pois este pretendia dar a volta
ao mundo. Nos termos acordados, o navio deve ser restituído a A, na marina de cascais,
pontualmente, até determinada hora e dia de 2017. No entanto tal não sucedeu, não tendo A
recebido desde então, qualquer notícia de B, uma vez que o mesmo deixou de responder às
suas tentativas de contacto. No ano seguinte (2018), B vende a embarcação a C pelo prazo de
100000€. Sucede que A, casualmente, acaba de ver a embarcação atracada na marina de
Vilamoura e pretende naturalmente recupera-la. Poderá faze-lo?

▪ A dá de aluguer um iate a B; B é um mero detentor; não restitui dentro do prazo e nunca


responde; B adquire a posse por inversão de título e tem posse não titulada e de má-fé.
▪ B vende a C e essa compra e venda exige forma (documento escrito, no mínimo particular).
Se tiver sido feito de forma verbal, incorre em vício de forma.
▪ C tem posse titulada e de boa-fé – 1263º b).

18
Inês Cerqueira
Direitos Reais

▪ C não conseguiria registar, pois seria violação de um principio – trato sucessivo – artigo 34º
n2 CRP (registo predial)
▪ Usucapião – 1298º; A posse de C durou 7 anos, pode invocar acessão; 7 + 1 anos de posse
▪ Ação de reivindicação por parte de A– 1311º

4
Em 2001, A, proprietário de um prédio rústico situado em Amarante, emigra para o Brasil, para
aí abrir um negócio de pastelaria. Aproveitando-se dessa ausência, um seu vizinho B, ainda
nesse ano, começa a cultivar o prédio, como se o mesmo lhe pertencesse fazendo além do
mais constar publicamente na terra que A lhe tinha vendido. A situação prolonga-se até 2006,
ano em que, por documento particular o vende a C. Este porem morre subitamente de enfarte,
logo no ano seguinte, sobrevindo-lhe como único herdeiro o seu filho D, dentista e residente
em Lisboa, o qual totalmente desinteressado da agricultura dá de arrendamento o terreno a E
em 2008, vindo a vender-lhe em 2009.
(A – Qualifique devidamente a situação jurídica dos diversos intervenientes na situação,
nomeadamente quanto ao seu enquadramento como possessório ou não, caracteres da posse
e modos da respectiva aquisição. B – imaginando que A, acaba agora mesmo (2025) de
regressar do Brasil, como poderia agir para defender os seus interesses e em que prazo)

▪ B ocupa em 2001 o prédio; B tem posse não titulada e de má-fé; modo de aquisição originária
- 1263º a)
▪ B vende a C em 2007 e a posse de C é não titulada, pois é impossível este negócio ter sido
feito por escritura pública, pois seria o nome de A a constar no registo como proprietário do
prédio, havendo uma quebra no trato sucessivo – Artigo 34º CRP (registo predial). Nenhum
notário iria autenticar este documento. Presume-se de posse de má-fé.
▪ D sucede na posse, mantendo os mesmos caracteres (sucede mortis causa) – 1255º
▪ D arrenda em 2008 a E, sendo este um mero detentor, sendo que em 2009, quando compra,
passa a ser possuidor, sendo uma posse não titulada e de má-fé presumida, falamos de
“Traditio Brevi manu”
▪ Usucapião – 1294º, 1295º, 1296º, único possível, visto que não registaram; 3 + 16 anos de
posse (2025); E pode invocar a acessão, pois adquiriu a posse de modo derivado.

Aula Teórica – 22/04

Direito da propriedade privada  artigo 62º (amplo)  artigo 1302º CC – restrito


Artigo 1305º  propriedade das coisas
Artigo 1316º  modos de aquisição

Noção de usucapião  1287º

Elementos substanciais e força jurídica


 É uma forma originária de adquirir um direito real
 É um facto constitutivo de direitos reais de gozo (efeitos de posse)
 É a transformação de uma situação de facto em uma situação jurídica
 Desliga-se de qualquer valoração ética (artigos. 1263º/a; 1267º/d; 1281º/2)
 (Res)salva pela lei (artigos: 118º; 1313º; 1255º; 1573º; 2075º)

Fundamentos da Usucapião

19
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 Afasta a “diabólica probatio” (prova sem fim),


 Consolida o direito real por parte de quem já o exerce de facto através da posse;
 Regulariza a situação jurídica do possuidor, consolidando-a no comércio jurídico;
 Protege a posse (para o caso de falhar o registo, p.ex);

Pressupostos da usucapião
 Posse
 Qualificada (publica e pacifica)
 Um direito usucapável (vide objeto)
 O decurso do prazo

 Posse boa para usucapião (1297º) = » Pacifica » Publica » contínua


 Importância das presunções do artigo 1254º/1
 Sucessão e acessão da posse
 É preciso invocar (judicial ou extrajudicial)
(poder potestativo vs terceiros e credores – artigo 305º)

Regras da presunção (aplicação)  1292º

Objeto
a) Propriedade (1316º)
b) A nua-propriedade (por ilação artigos 1471º e 1473º)
c) O usufruto (artigo 1439º/1440º)
d) O direito de superfície (artigo 1524º/1528º)
e) As servidões aparentes (artigo 1547º)
f) As servidões de vistas (artigo 1362º)
g) “Usucapião libertatis” (artigo 1574º)

Direitos excluídos
 Servidões prediais não aparentes
 Direito de uso e habitação
 Art. 55º DL nº 83/85 de 4-03 (CDADC) “O direito de autor ao pode adquirir-se por
usucapião.”
 Bens do domínio público do estado (CRP, artigo 84º | Decreto-lei nº 280/2007)
 Domínio do estado: artigo 1304º (DL 477/80 de 15/10) / 1345º

Património
do estado

Bens do Bens do
Domínio Domínio
Privado Público

Indisponível
Disponivel
(Administrati
(financeiro)
vo)

Aula Prática – 24/04

20
Inês Cerqueira
Direitos Reais

Caso Prático
Em 2002, A proprietário de um prédio rústico, vende por escritura pública esse prédio a B,
residente no estrangeiro. Aproveitando-se dessa ausência, em 2003, C ocupa o prédio,
começando a cultiva-lo, mas no ano seguinte, morre, sucedendo como herdeiro D, o qual,
vende em 2010, o prédio a E. Quem será o proprietário?

▪ A vende em 2002 o prédio a B, por escritura pública (celebrada pelo notário), sendo que B
registou
▪ B é proprietário e possuidor; Posse de B é titulada e de boa-fé. Modo de aquisição derivada –
1263º b)  Tradição da coisa
▪ C adquire a posse do prédio, quando o “ocupa”, modo de aquisição originária – 1263º a)
(apossamento); Posse não titulada e de má-fé
▪ Sucessão da posse – 1255º
▪ D tem posse não titulada e de má-fé. (Trata-se de modo de aquisição derivada, mas não se
encaixa nos critérios do 1263º, caso especial)
▪ Posse de E é não titulada e presume-se de má-fé – presunção relativa 1260º n2 (admite prova
em contrário). Modo de aquisição derivada – 1263º b)
▪ Usucapião  Falta de registo, não existe justo título – falta de trato sucessivo – 1267º 
Prazo: 20 anos, porque E está de má-fé. Poderá invocar acessão? Critério: modo de aquisição
derivada – tem! 15 Anos de posse de E + 7 (C + D).
▪ Pode invocar usucapião e adquirir a propriedade, com recurso à acessão.

Usucapião extrajudicial  Por exemplo, existir uma nulidade por vício de forma. Escritura de
justificação notarial – documento necessário para invocar a usucapião.
Usucapião existe por uma questão de segurança jurídica

Meios de defesa da posse – 1276º e ss

Aula Teórica – 29/04

Efeitos no tempo
 Retroatividade: artigo 1288º (e 1371º)
 Entrega material ou simbólica para efeitos de usucapião
 Posse violenta: retroage ao momento em que cessou a violência
 Na sucessão na posse (artigo 1255º): retroage à posse do de cujus
 Na acessão (artigo 1256º): retroage até ao momento em que o novo possuidor a
adquiriu

Capacidade
 Uso da razão (artigo 1266º) = consciência de que se está a praticar atos materiais de
posse
 Capacidade de gozo (1289º, n1)
 Capacidade de exercício (1289º, n2)
 Detentores ou possuidores precários não podem usucapir: artigo 1290º
 Compossuidores: regra = solidariedade
* Boa-fé de um aproveita a todos
** Violência de um prejudica a todos

21
Inês Cerqueira
Direitos Reais

Critérios:
 Móveis | Imóveis
 Justo título
 Boa-fé | Má-fé

Registo da mera Posse  código civil, artigo 1295º + CPP, artigo 2º/1 e)

Usucapião de bens imóveis


1294º
Posse + justo título + registo + boa-fé = 10 anos
Posse + justo título + registo + má-fé = 15 anos

1295º
Posse + registo da mera posse + boa-fé = 5 anos
Posse + registo da mera posse + má-fé = 10 anos

1296º
Posse + boa-fé = 15 anos
Posse + má-fé = 20 anos

Usucapião de bens móveis


1298º (sujeitas a registo)
Posse + título + registo + boa-fé = 2 anos
Posse + título + registo + má-fé = 4 anos
Posse (com ou sem título, registo, de boa ou má-fé) = 10 anos

1299º (não sujeitas a registo)


Posse + justo título + boa-fé = 3 anos
Posse (com ou sem título, registo, de boa ou má-fé) = 6 anos

1300º
Posse violenta ou oculta = art 1300º/1 » 1297º
Posse violenta ou oculta passada a terceiro com titulo = 4 anos
Posse violenta ou oculta passada a terceiro sem titulo = 7 anos
1301º
*coisa (sem registo) comprada a comerciante (artigo 1301º)

Direito da Propriedade
NOTAS DISTINTIVAS 1 – Abrangência Código Civil
 É um direito sobre coisas corpóreas – os direitos de autor e a “propriedade” industrial são
direitos sobre coisas, mas em sentido técnico não são diretos de propriedade.
 Animais: Código civil artigo1302º/2, artigos 201º-B à 201º-C, Lei nº8/2017
 Domínio do Estado: Código civil artigo 1304º, 1345º, 1527º, DL 477/80 de 15/10)

Conceito
 Propriedade: qualidade ou característica do que é próprio;
 Próprio: que pertence a quem se faz referência

22
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 Pertença: qualquer coisa que, por disposição de lei ou destinação natural, encontra-se
ligada ao uso de uma pessoa (domínio)

Poderes da proprietária/do proprietário


 Usar da coisa
 Fruir da coisa
 Dispor da coisa = empreender melhoramentos físicos, destruir, alterar a destinação
económica, onerar (constituir direitos reais limitados, de garantia ou de aquisição),
ceder o uso e a fruição,
 Reivindicar
 Excluir terceiros
 Demarcar (coisas imóveis) artigo 1353º

Limites aos poderes da proprietária/do proprietário


 Relações de vizinhança (artigo 1344º, n2)
 Proteção da natureza e da biodiversidade – DL nº142/2008, de 24-07 regime jurídico
da conservação da natureza e da biodiversidade
 Regras condomínios (artigo 1422º)
 Fraccionamento (art. 1376º e 1382º) e o emparcelamento do solo
 Expropriações e requisições (indemnizações): artigo 1308º a 1301º código civil/ CRP,
artigo 62º/2
 Regras do arrendamento (v. arts. 1094º e 1101º)

Aula Teórica – 13/05

1305º - Propriedade das coisas

NOTAS DISTINTIVAS 1 – Abrangência Código Civil


 É um direito sobre coisas corpóreas – os direitos de autor e a “propriedade” industrial são
direitos sobre coisas, mas em sentido técnico não são diretos de propriedade.
 Animais: Código civil artigo1302º/2, artigos 201º-B à 201º-C, Lei nº8/2017
 Domínio do Estado: Código civil artigo 1304º, 1345º, 1527º, DL 477/80 de 15/10)

NOTAS DISTINTIVAS 2
 É o direito de maior extensão (no que diz respeito ao aproveitamento da coisa)
 A propriedade é a atribuição final de uma coisa corpórea, isto é, o aproveitamento último.
 Os outros direitos reais sobre a coisa são limitados, são direitos sobre coisa alheia (“ius in
re aliena”)
 LEITÃO, L. Menezes 10ª ed, p.297 e seguintes (p.309)
 Define a propriedade como “o direito real, que permite ao seu titular, dentro dos limites
da lei, o aproveitamento pleno e exclusivo de todas e quaisquer utilidades proporcionadas
por uma coisa corpórea.”
 Aponta como características:
 O cariz indeterminado;
 A exclusividade;
 A elasticidade;
 * Perpetuidade.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

NOTAS DISTINTIVAS 3
 Perpetuidade e não uso: artigo 298º/3 [Usufruto 1476º/1 c) – por extensão, Direito de uso
1490º]
 Perpetuidade e propriedade resolúvel: o facto translativo é afectado na sua eficácia por
uma incidência posterior (exs.: Divórcio, art. 1790º; Doação entre casados, art.1765º;
Regresso do Ausente, art.119º)
 Perpetuidade e propriedade temporária: ex.: substituição fiduciária

Defesas da propriedade
 Reivindicação (artigo 1311º)
 A ação de reivindicação é uma ação real, petitória e condenatória, destinada à defesa
da propriedade.
 O pedido é o reconhecimento do direito de propriedade do reivindicante sobre a coisa
e restituição desta àquele.
 Ação direta (artigo 1314º »» artigo 336º)
 Ação demarcatória: prevista no art. 1353º do Código Civil, objetiva obrigar os donos dos
prédios confiantes a concorrerem para a demarcação das estremas entre o seu prédio e os
deles.
 Direito de tapagem: artigo 1356º

Acórdão TRG 1955/15.66T8BR.G1 de 18-12-2017. (exemplo)


1. A causa de pedir as ações de demarcação é complexa, e exige a alegação: (a) da
titularidade por Autor e Réu de prédios distintos; (b) da confinância desses prédios;
(c) da controvérsia quanto aos limites e/ou da inexistência de linha divisória
sinalizada no terreno.
2. Na ação de demarcação as partes não discutem os títulos de aquisição dos prédios,
como na reivindicação, mas tão só a extensão dos prédios.
3. Só na insuficiência dos títulos é que se faz a demarcação de harmonia com a posse em
que estejam os confinantes, nos termos do artigo 1254º do código civil.

Aquisição da propriedade
 Modos 1316º
 Momento 1317º
Aula Prática – 15/05

Direitos reais previstos no Código Civil:


Propriedade
1251º - Posse
1439º - Usufruto
1524º - Direito de Superfície
1543º - Servidões prediais

Propriedade – 1302º - propriedade privada é algo que, no ponto de vista histórico, está
enraizado na consciência jurídica das pessoas, é uma noção “intuitiva”. A propriedade privada
– sinal de liberdade, todos os sistemas políticos caracterizam por ataques ferozes à
propriedade privada, porque é um sinal de liberdade, uma pedra basilar.
1305º - acaba indiretamente por definir a propriedade privada – uso, fruição e disposição – a
que mais se adequa ao direito de propriedade.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Mesmo o proprietário tendo poderes sobre a coisa, existem restrições de:


 Direito público  Impostas em razão de interesse comum
 Direito privado  Impostas em razão de interesses particulares; mais incisivas nas
vizinhanças

Expropriação: privação do direito definitivo por imposição do direito administrativo – não há


expropriação sem indemnização.

O direito da propriedade apenas recai nas coisas corpóreas e nos animais.


De coisa incorpórea – propriedade intelectual ou direito de autor (ex.: compôs uma música;
escreveu uma música) – 1303º/1. Propriedade industrial – propriedade de marcas, modelos e
patentes (intervenções). 1303º/2 - Aplica-se subsidiariamente.

Defesa de propriedade
o Ação de reivindicação – 1311º
(meios de defesa da posse  1276º; 1285º)
Não há um pedido, há dois, pode exigir o seu reconhecimento do direito de propriedade:
1. Que se reconheça/declare que ele é o proprietário (mas o possuidor continua lá)
2. Pedir a condenação do réu a restituir a coisa.
A questão da prova (provar a propriedade), e como se prova o direito de propriedade? O
direito da coisa sujeita a registo, prova-se pelo registo – 7º do Código de registo predial. É uma
presunção relativa ou absoluta? Relativa. E quando são coisas não sujeitas a registo?
1. Invocando factos constitutivos de uma aquisição originária, como por exemplo,
usucapião.
2. 1368º - Presunção de uma posse – é uma presunção relativa
1313º - não está sujeita a qualquer prazo, pode ser a todo o tempo instaurada uma ação de
reivindicação.

1315º - Existem outros direitos de gozo que não a propriedade. É um contencioso aberto.
Exemplo: A é proprietário de um prédio urbano composto por terreno e o prédio vizinho,
funciona no r/chão um estabelecimento de restauração e o proprietário do terreno observa
que depois do estabelecimento fechar, os funcionários vão lá deixar o lixo ao terreno. Este ato
é ilícito e instaura uma ação de reivindicação – 1311º - mas não faz sentido ser ação de
reivindicação, pois não tem o 2º pressuposto desse artigo, que é a restituição, ninguém lhe
tirou o terreno. Então tem que ser alguma ação adequada par esta situação. O 1º pressuposto
que é provar que é proprietário, está aqui provado. Então exigia que o réu fosse condenado a
limpar tudo o que lá está – isto é a ação que melhor se adequa ao caso concreto.

1306º - Modos de aquisição da propriedade – esta disposição é paralela ao artigo 1263º


quanto à posse.

1316º - Esses 5 modos gerais de adquirir são modos gerais de adquirir a propriedade  Qual
contrato? Compra e venda; doação; permuta (troca) – aquisição derivada. Usucapião –
aquisição originária, no sentido de que ninguém transmitiu nada. Ocupação (1318º) e acessão
– aquisição originária – acessão aqui tem um significado diferente do semântico normal.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

Ocupação – abandonadas, perdidas ou escondidas pelo seu proprietário legítimo, quem as


encontrar pode adquirir a respectiva propriedade por ocupação – não se aplica a coisas
imóveis.
1323º - Norma central em matéria de ocupação – passado 1 ano de ter publicado o anúncio,
pode adquirir por ocupação.
1322º e 1324º (1324º/2  Mudar onde diz n1, para n2 – legislador enganou-se)

Aula Teórica – 20/05

Contrato:408º/1; 879º a) e 954º


Sucessão por morte: 2024º
(Lei/testamento e, excecionalmente, por contrato: 1700º)

Sistemas de aquisição da propriedade


Título e modo  Confiança na titularidade que confirma a palavra (trato) como ato necessário
e subsequente.
Titulo  Confiança na palavra (trato) a quem se adquire, o conteúdo do registo presume-se
correto
Modo  Confiança na titularidade a quem se adquire, o conteúdo do registo é tido como
correto.

Usucapião  Artigos 1287º a 1300º


Ocupação  Artigos 1318º a 1324º
Acessão  Artigos 1325º a 1343º

Acessão
 Industrial
 Mobiliária – união, confusão e especificação
 Imobiliária
 Natural

Aquisição da propriedade. Demais modos previsto na lei

 Aquisição a non domino – pelo registo – do art.291º. A aquisição neste caso resulta da
lei que atribui efeitos a negócios nulos.
 Aquisição nos contratos de mútuo de coisa fungível (art.1142º/1144º) e Depósito de
coisa fungível ou depósito irregular (art.1205º e 1206º)
 Contrato de empreitada: o art.1212º refere à “propriedade da obra” no caso da coisa:
1) Móvel se for construída com materiais fornecidos no todo ou em parte pelo
empreiteiro (a aceitação da coisa importa a transferência da propriedade para
o dono da obra) – e, no caso de a coisa ser construída com materiais
fornecidos pelo dono da obra (a coisa continua a ser de propriedade dele,
como será depois da obra ser concluída)
2) Imóvel se o solo ou a superfície pertencer ao dono da obra, a coisa é
propriedade deste, ainda que o empreiteiro forneça os materiais. A obra
considera-se adquirida pelo dono da obra à medida que os materiais vão
sendo incorporados no solo, Assim, é a incorporação no solo e não o

26
Inês Cerqueira
Direitos Reais

consentimento que determina a transferência da propriedade (art.1212º/1


ultima parte)
 Aquisição em virtude da renúncia do co-proprietário – 1411º
 Achador da coisa perdida (aquisição originária) – art.1323º/2
 Caso de aquisição da propriedade do terreno na acessão imobiliária – art.1340º a
1343/2º
 Pela percepção dos frutos – art.213º: possuidor de boa-fé (art.1270º), frutos que
pertencem ao herdeiro donatário obrigado à colação (art.2111º)
 Pela comunhão forçada (art.1370º)
 Para afastamento da servidão (art.1551º/1)

Extinção do Direito de Propriedade


a) Expropriação por utilidade pública
b) Perda ou destruição completa da coisa
c) Abandono de coisas móveis
d) Inoponibilidade do registo a terceiro
e) Confusão e especificação de boa-fé
f) Usucapião contra o anterior proprietário
g) Renúncia (abdicativa ou liberatória)
a. Abdicativa: em favor de ninguém (art.1113º; 1179º)
b. Liberatória: em favor de alguém, exoneração de uma obrigação propter rem
(arts.1375º/5; 1398º/2; 1411º; 1472º; 1485º; 1567º)

1345º - Coisas imóveis não são consideradas abandonadas, tornam-se património do estado.

Compropriedade
Ler acórdão – 4517/16.7T80ER.L1-1

Aula Prática – 22/05

Acessão – 1325º a 1343º


Aquisição originária
Há duas coisas pertencentes a dominus diferentes, que se juntam e não é possível separa-las.

Espécies de Aceessão:
Natural  Quando resulta exclusivamente de forças da natureza
Industrial  Quando resulta de um facto humano
 Mobiliaria  1333º
 Imobiliária  1339º
Acessão natural é sempre industrial, imobiliária.
Art 1327º  Associados a recursos de água

Construção de terreno alheio, boa-fé (1340º)  se a construção tiver um valor superior ao que
o prédio tinha, o proprietário da construção adquire por acessão o terreno.
 União de duas coisas que não dá para separar.

Construção de terreno alheio, má-fé (1341º)  Existe em livre direito de opção por parte do
proprietário do terreno, pode demolir o que já está construído ou ficar com o prédio já

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

construído na sua propriedade, tendo que efetuar o pagamento ao outro sob enriquecimento
sem causa.

Restrições aos poderes do proprietário  Estão em causa interesses meramente particulares.


(restrições de direito privado – 1346º e ss)

1308º  Expropriação  Restrição severa de direito público aos poderes do proprietário –


privação definitiva de um direito de propriedade sobre um imóvel (apenas de direito público).
Não há expropriação sem indemnização (62º n2 CRP – constituição)

1344º e ss – regras gerias sobre propriedade de imóveis – limites materiais de propriedade.


A propriedade de um imóvel é mais do que a superfície do terreno e tudo que nele exista,
inclui-se também o espaço aéreo e o subsolo.

Titularidade de propriedade de coisas imóveis (1345º)


o Não existem coisas imóveis sem dono
o Aquela que não for possível aferir o dono, pode-se considerar que pertencem ao
Estado
o A propriedade de imóvel não se perde por ato bilateral (renúncia), perde-se por
expropriação, pela destruição da coisa
o O proprietário pode ser considerado u m “escravo” da propriedade

As restrições dividem-se em sete categorias:


 De carácter geral  1346º
Emissão de fumo, produção de ruídos e factos semelhantes (1346º) 1347ª/1348º/1349º
 Direito de demarcação  1353º
Fixar os seus limites; estrema – linha divisória entre dois prédios (imaginária,
acompanhada de sinais físicos; decisão salomónica – repartir, vai metade para cada um, se
não houver uma decisão na disputa; diligência de cravação de marcos  Pedras enormes
que demarcam a estrema de um terreno (destruição de marcos é crime)
 Direito de tapagem  1356º
Vedar, murar, valar
 Restrições em matéria de construção e edificação  1360º e ss
É o ato sujeito a licenciamento administrativo, sujeito ao principio da legalidade também.
1360º n1 – questão de privacidade, não é bem por isso, é para impedir que um prédio
domine o outro (situação de desconforto). Este metro e meio tem de ser preservado. Ex.:
sucede que o vizinho que está a construir uma casa e a parede está encostada à estrema e
tem janelas, mas tem que ter pelo menos uma distância de um metro e meio, se não tenho
como pedir isso, então poderei fazer o meu direito valer por via judicial, condenado a
mudar o projeto, tapando a janela. Esta distância de metro e meio é “sagrado” e ainda
pode ser alargada, mas nunca encurtada.
1362º - Outro direito real de gozo – servidão de vista – é para poder ver prédios alheios
(remeter n2 para 1547º)
(1543º - servidão predial – o prédio dominante tem proveito exclusivo, e tem o prédio
serviente – 1547º)
Há, no entanto, aberturas que não então sujeitas à distância de metro e meio – 1363º -
não são propriamente janelas. Não se destinam a proporcionar visão. A sua função é a
iluminação natural do interior, ventilação e podem ser tapadas. Não há restrições.

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

1364º - Tem grades de ferro ou outro metal nas janelas, a malha não pode ter mais que
cinco centímetros.
1365º - Estilicídio – qual o problema do gotejar? Pode ser agressivo para os materiais.
N2  Por usucapião, por exemplo
 Restrições em matéria de plantação de árvores e arbustos  1366º
Os ramos e raízes vão invadir a propriedade – o que o proprietário pode fazer? Cortar os
ramos ou as raízes, e se o dono, sabendo do aviso, não o fizer no prazo de 3 dias – se fizer
o aviso verbalmente, convém que haja testemunhas. N2  Fala das restrições mais severas
em algumas espécies de árvores
1367º - Restrição recai sobre os poderes do proprietário (responsabilidade por factos
lícitos – terá de responder pelos prejuízos causados)
 Restrições relativas a paredes e muros de meação  1370º´
Comunhão do muro –Pode pagar metade do valor do muro e fica como proprietário do
muro, tornando assim em dois donos (comum), sendo comum não se pode fazer obras
sem o consentimento dos dois.
Modos de aquisição da propriedade – 1316º (remeter 1370º - ultima parte da norma).
Porque então já não aparece lá? Pois os outros 5 são gerais e esse é um modo especial.
Curiosidade  1371º - Presunção da compropriedade – remete um pouco para a
propriedade rústica.
 Restrições ao fraccionamento de prédios rústicos  1376º
Possibilidade de dividir o prédio.
Quanto a prédios urbanos  Podem ser divididos? Sim, de 3 maneiras:
1. A constituição de um direito de superfície - 1524º (define o direito de superfície -
direito de construir/manter construção em terreno alheio) – direito real que
permite fraccionar a propriedade nos seguintes termos  a superfície e o que
nela existir pertencem a uma pessoa e o subsolo pertence a outra pessoa.
2. Propriedade horizontal – 1414º - forma específica do direito de propriedade –
permite que um edifício seja dividido em varias unidades independentes = frações
autónomas.
3. Loteamento – direito urbano, divisão urbana em lotes. Carece de projeto de
loteamento e está sujeito a licenciamento
1376º n1  Unidade de cultura = área definida por lei para cada área de cultivo do país
1380º - direito de preferência

1385º - propriedade das águas

Aula Teórica – 27/05

Compropriedade – 1403º
Conjugalidade, comunhão (geral ou adquiridos), compropriedade
Separação
1404º - Aplicação das regras da compropriedade a outras formas de comunhão

DISTINÇÕES – outras espécies do género Comunhão (lat. communio,önis)


(I) Concurso de direitos: sobre a mesma coisa incidem dois ou mais direitos reais
distintos
(II) Condomínio: simultaneidade da comunhão e da autonomia

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Inês Cerqueira
Direitos Reais

(III) Comunhão de mão comum: durante a conjugalidade e, após o divórcio e antes da


partilha, herança, sociedade.
(IV) Propriedade coletiva: ex.: baldios
(V) Compropriedade: contitularidade sobre a mesma coisa

Natureza jurídica da compropriedade


1. Teoria do direito sobre quotas
2. Teoria da pluralidade de direitos sobre a mesma coisa
3. Teoria do direito único pluralidade de titulares
4. Teoria da compropriedade como pessoa coletiva

São qualitativamente iguais, embora possam ser quantitativamente diferentes – quotas.

Posição dos comproprietários – 1405º (quais os poderes? Dispor, usar e fruir)


Uso da coisa comum – 1406º - direitos e encargos – é possível usucapir uma quota  Haver
inversão do título
Administração da coisa – 1407º (985º  1407º n1)
Disposição e oneração da quota – 1408º
Direito de preferência – 1409º
Ação de preferência – 1410º
Benfeitorias necessárias – 1411º (renúncia liberatória – fica livre de contribuir/fica sem a sua
quota)
Direito de exigir a divisão – 1412º
Processo da divisão – 1413º

Artigo 925º CPC – petição


 Divisão em substância
 Adjudicação
 Venda e repartição da coisa indivisível

Propriedade Horizontal – artigo 1414º


1415º
 Frações autónomas que constituem unidades independentes;
 Distintas e isoladas entre si;
 Com saída própria para uma parte comum do prédio ou para a via pública.
Vide art 1438-A

Moradias geminadas não são propriedade horizontal.

Zamira Assis  A propriedade horizontal existe quando as frações autónomas de que um


edifício se compõe, em condições de constituírem unidades independentes, distintas e
isoladas entre si, com saída própria para uma parte comum do prédio ou para a via pública,
pertençam a proprietários diversos.

(1) Falta de requisitos legais (art.1416º): sujeição ao regime da compropriedade


(2) Formas de constituição (art.1417º):
a) Negócio jurídico
b) Usucapião

30
Inês Cerqueira
Direitos Reais

c) Decisão administrativa ou judicial (proferida em ação de divisão de coisa


comum ou em processo de inventário)
(3) Conteúdo do título constitutivo (art.1418º) – requisitos obrigatórios
a) Especificação das pares correspondentes às várias frações
b) Fixação do valor relativo de cada fração (percentagem ou permilagem)
c) O fim a que se destina cada fração
 Observação 1: novidade do artigo 1422º-B (trata da alteração do uso a
que se destina cada fração)
 Observação 2: o problema do alojamento local
 Observação 3: a (não) coincidência entre a especificação e o fim a que
se destina
(4) Requisitos não obrigatórios do título constitutivo (art.1419º)
a) Menção do fim a que se destina cada fração ou parte comum
b) Regulamento do condomínio
c) Previsão do compromisso arbitral

Aula Prática – 29/05

Compropriedade – 1403º (1403º a 1413º)


Forma especial de propriedade – quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares
de direitos de propriedade sobre a mesma coisa.
Contitularidade de direitos – o legislador não gosta de compropriedade:
1. A compropriedade é uma fonte latente de conflitos sociais;
2. A compropriedade não favorece o melhor aproveitamento económico da coisa (“o que é
de todos, não é de ninguém”)

Aula Teórica – 3/06

Aspetos gerais
1. Direitos dos condóminos (art.1420º)
2. Partes comuns do prédio (art. 1421º)
3. Limitações ao exercício dos direitos (art.1422º)
 Junção e divisão de frações autónomas (artigo 1422º-A)
 Alteração do uso da fração para habitação (Artigo 1422º-B)
4. (não) direito de preferência e divisão

Órgão deliberativo – Assembleia


Órgão administrativo – Administração

Aula Prática – 12/06

Compropriedade resume-se a três tipos de atos que os comproprietários podem


 Atos que podem ser praticados isoladamente pelos consortes/comproprietários
 Uso da coisa comum – 1406º – na falta de acordo, qualquer um dos consortes
a pode usar, desde que não a empregue para um fim diferente nem que prive
os outros de a usar (o legislador dá a entender a que melhor coisa a fazer é
haver um acordo)

31
Inês Cerqueira
Direitos Reais

 Possibilidade de disposição ou oneração da quota ideal – 1408º - o direito de


propriedade dos consortes recai sobre uma quota ideal da coisa; cada
comproprietário do dispor da sua quota, mas não pode dispor da coisa comum
no seu todo, porque ele apenas tem uma parte.
Restrição  1409º - Temos A, B e C e cada um tem a sua quota ideal. A vai ter
com B e vende-lhe a sua parte, ficando B com 2/3. C goza do direito de
preferência? Não, porque a venda não foi feita a estranhos. Se A decidisse
vender a D, aí sim B e C poderiam invocar o seu direito de preferência.
Forma exigida para um imóvel: escritura pública ou documento particular
autenticado (remeter artigos pacto de preferência).
 Direito de exigir a divisão – 1412º - qualquer um dos comproprietários pode a
todo o tempo exigir a divisão da coisa comum, a menos que tenham
convencionado que a coisa se conserve indivisa – não pode exceder cinco
anos, salvo renovação desta convenção
 Atos que exigem maioria dos consortes/comproprietários
 Administração da coisa comum – 1407º (remete para o 985º) – 985º n4: se
houver vários administradores, para haver maioria é preciso que dois votem a
favor; 1407º n1: para haver maioria é necessário haver, pelo menos, metade
do valor total das quotas – tem de se verificar estes dois requisitos para haver
maioria (se as quotas forem quantitativamente iguais, os dois requisitos
estarem sempre em uniformidade; agora, se A tiver 80%, B 10% e C10%, A
votando a favor sozinho não conseguiria porque não seria maioria dos
comproprietários, e se B e C votassem a favor, não conseguiriam porque a sua
quota iria ser de apenas 20%, muito inferior à quota ideal da outra parte). Se
alguém vender a sua quota ideal, e ficarem apenas dois consortes, deve-se
reger apenas pela maioria das quotas.
1407º/2  Ex aequo et bono – não estrita à lei, mas segundo o que acha que é
justo
 Atos que exigem unanimidade dos consortes/comproprietários
 Disposição ou oneração da coisa comum no seu todo ou de partes dela –
1408º - a coisa comum é de todos, se todos não decidirem vender, de forma a
vender-se a coisa no seu todo, o comproprietário só poderá vender o
correspondente à sua quota; não poderá vender uma parte especificada da
coisa comum, todos terão de vender

32
Inês Cerqueira

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