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NOS ÚLTIMOS ANOS, MOÇAMBIQUE TEM SOFRIDO BASTANTE COM CHEIAS E

CICLONES, CAUSANDO CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS À VIDA DA POPULAÇÃO E


À ECONOMIA NACIONAL.

Nos últimos anos, temos assistido a um agravamento significativo da ocorrência de


eventos climáticos extremos em Moçambique, particularmente cheias e ciclones.
Esta realidade não é por acaso. A localização geográfica do nosso país coloca-nos
numa posição de elevada vulnerabilidade: a extensa linha costeira com cerca de
2.470 km banhada pelo Oceano Índico expõe Moçambique directamente às
tempestades tropicais e ciclones originados no Canal de Moçambique (INE, 2010).

O clima predominante é tropical Húmido, com duas estações bem definidas — a


estação chuvosa (de Novembro a Abril) e a seca (de Maio a Outubro). Durante a
época chuvosa, as fortes precipitações combinadas com sistemas de baixa pressão
no Oceano Índico resultam frequentemente em cheias nas principais bacias
hidrográficas, como as do Zambeze, Limpopo e Licungo. Além disso, ciclones como
o Idai e o Kenneth (em 2019) ou o Freddy (em 2023) demonstraram o enorme
potencial destrutivo destas tempestades, afectando milhões de pessoas, destruindo
infra-estruturas, campos agrícolas e comprometendo a economia nacional.

Do ponto de vista socioeconómico, os impactos são profundos: milhares de famílias


perdem as suas habitações, as redes de transporte e comunicação são
interrompidas, a produção agrícola — principal sustento da maioria da população
— sofre perdas massivas, e as actividades económicas entram em colapso
temporário. O Banco Mundial (2011) aponta que eventos climáticos severos
provocam prejuízos equivalentes a vários pontos percentuais do PIB de
Moçambique, atrasando o desenvolvimento e agravando a pobreza.

Em termos de políticas ambientais, Moçambique tem adoptado instrumentos


importantes, como a Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação das Mudanças
Climáticas (ENAMMC) e o Plano Nacional de Redução de Risco de Desastres, que
visam reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência das comunidades.
Contudo, a implementação destas políticas ainda enfrenta desafios, como a
insuficiência de recursos financeiros e técnicos, a falta de infra-estruturas
resilientes e a necessidade de uma maior sensibilização comunitária (MICOA,
2012).
Na minha perspectiva, para reduzir as consequências nefastas destes fenómenos, é
essencial fortalecer o sistema de alerta precoce, investir em obras de protecção
costeira, melhorar a gestão integrada das bacias hidrográficas e garantir a
implementação efectiva das políticas ambientais. A adaptação às mudanças
climáticas não é apenas uma opção — é uma necessidade urgente para proteger
vidas e garantir o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Instituto Nacional de Estatística (INE). (2010). Perfil Geográfico de Moçambique.


Maputo: INE.

Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGC). (2013).


Relatório sobre eventos climáticos extremos em Moçambique. Maputo: INGC.

Banco Mundial. (2011). Mozambique Economic Update: Setting the Stage for
Recovery. Washington, D.C.: World Bank.

Ministério para a Coordenação da Ação Ambiental (MICOA). (2012). Estratégia


Nacional de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas. Maputo: MICOA.

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