UNIVERSIDADE SÃO TOMÁS DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE ÉTICA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE SAÚDE PÚBLICA
Economia e Saúde
Tema:
Econometria
Porque uma disciplina separada
Metodologia econométrica
Discentes: Docente:
Chudy João Mavie Dr. Hélio Inácio Militão
Gervásia Dércia Mathonhana
Clementina Elísio Matsimbe
Dulce Manuel Magaia
Júlia António
Laurinda Cesar Massango
Paulo Almeida Enecai
Maputo, Junho 2025
Chudy João Mavie
Gervásia Dércia Mathonhana
Clementina Elísio Matsimbe
Dulce Manuel Magaia
Júlia António
Laurinda César Massango
Paulo Almeida Enecai
Economia e Saúde
Trabalho científico referente a cadeira de economia e
saúde a ser apresentado na Universidade São Tomás
de Moçambique, Faculdade de Ética e Ciências
Humanas, sob orientação do Dr. Hélio Inácio Militão.
Universidade São Tomás de Moçambique
Maputo
2025
Índice
1. Introdução...........................................................................................................................7
1. 1. Objectivos de pesquisa.................................................................................................7
1. 1. 1 . Objectivo geral.......................................................................................................7
1. 1.2. Objectivos específicos..........................................................................................7
1. 1.3. Metodologia............................................................................................................8
Capítulo II Revisão da literatura................................................................................................8
2. Econometria........................................................................................................................9
2.1. Por que uma disciplina separada.....................................................................................9
2.2. Metodologia econométrica............................................................................................11
2.2.1. Metodologia econométrica tradicional......................................................................11
2.2.2.Exposição da teoria ou hipótese......................................................................................11
2.2.3. Especificação do modelo matemático da teoria.............................................................12
2.2.4. Especificação do modelo estatístico ou econométrico...................................................13
2.2.5. Obtenção dos dados........................................................................................................14
2.2.6. Estimação dos parâmetros do modelo econométrico.....................................................14
2.2.7. Teste de hipóteses..........................................................................................................14
2.2.9. Uso do modelo para fins de controle ou de política.......................................................16
3. Escolha do modelo...............................................................................................................17
3. Considerações finais.........................................................................................................17
4. Referências Bibliográficas................................................................................................18
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1. Introdução.
O presente trabalho científico é referente a cadeira de economia e saúde, debruça sobre a
econometria básica concretamente sobre Econometria, Porque uma disciplina separada e
aspectos Metodológicos da econometria.
A econometria é utilizada em diversos campos, como na análise macroeconômica, estudo do
comportamento da economia como um todo, utilizando variáveis como o PIB, a taxa de juros
e a inflação, análise microeconômica como o estudo do comportamento de indivíduos,
empresas e mercados, utilizando variáveis como oferta, demanda e preços.
Política econômica avaliação e implementação de políticas governamentais, como políticas
fiscais e monetárias, tomada de decisão em negócios, análise da performance de empresas e
dos factores que afetam o desempenho, para auxiliar na tomada de decisão.
A econometria utiliza diferentes modelos para representar as relações econômicas, sendo que
o modelo de regressão linear é um dos mais comuns.
A econometria é fundamental para a ciência econômica, pois permite testar teorias e validar
modelos econômicos, além de auxiliar na tomada de decisões informadas.
Em relação a estrutura o trabalho encontra-se organizado da seguinte forma: A primeira parte
é referente a introdução, objetivos e metodologia; a segunda parte corresponde a revisão
bibliográfica; e por último temos as considerações finais e referências bibliográficas.
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1. 1. Objectivos de pesquisa
1. 1. 1 . Objectivo geral
Estudar de forma exaustiva as metodologias da econometria.
1. 1.2. Objectivos específicos
Definir econometria;
Caracterizar a Metodologia econométrica;
Descrever o Porque uma disciplina separada a econometria.
1. 1.3. Metodologia
Para efeitos da realização do trabalho, fiz o uso do método de revisão bibliográfica, e tive
como o recurso de apoio na colecta de dados o uso da técnica de ficha de leitura.
O presente trabalho resultou da consulta de manual de econometria básica existente na
internet, obedecendo os seguintes descritores: economia básica. É portanto, um estudo
qualitativo de cunho exploratório. A metodologia de pesquisa qualitativa é aquela capaz de
incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerente aos actos, às relações
e às estruturas sociais, sendo estas ultimas tomadas, tanto no seu advento quanto na sua
transformação, como construções humanas (Prodanov e Freitas, 2013).
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Capítulo II Revisão da literatura
O presente capítulo apresenta as definições de alguns conceitos que achamos mais
apropriados para o estudo. A apresentação das definições visa essencialmente, clarificar as
concepções teóricas fundamentais, que permitam a compreensão das ideias-chave que
corporizam esta pesquisa.
2. Econometria
Segundo Tintner, (1968) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), Em uma
interpretação literal, econometria significa “medição econômica”. Embora a medição seja
uma parte importante da econometria, seu escopo é muito mais amplo.
Samuelson, P; Koopmans, C; Stone N, (1954) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D,
(2011), a econometria pode ser definida como a análise quantitativa dos fenômenos
econômicos ocorridos com base no desenvolvimento paralelo da teoria e das observações e
com o uso de métodos de inferência adequados.
Goldberger, A, (1964) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), A econometria pode
ser definida como a ciência social em que as ferramentas da teoria econômica, da matemática
e da inferência estatística são aplicadas à análise dos fenômenos econômicos.
Theil, H, (1971) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), A econometria diz respeito à
determinação empírica das leis econômicas.
Malinvaud, E, (1966) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), A arte do econometrista
está em encontrar o conjunto de hipóteses suficientemente específicas e realistas que lhe
permitam tirar o melhor proveito dos dados de que dispõe.
Darnell, A & Evans, J, (1990) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), Os
econometristas são um auxílio positivo na tentativa de dissipar a imagem pública negativa da
economia (seja ela quantitativa ou não) como assunto em que caixas vazias são abertas
supondo-se a existência de abridores de lata para revelar conteúdos que dez economistas
interpretarão de 11 maneiras distintas.
Haavelmo, T, (1944) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011), O método da pesquisa
econométrica visa, essencialmente, a conjugação da teoria econômica com medições
concretas, usando a teoria e a técnica da inferência estatística como uma ponte.
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2.1. Por que uma disciplina separada
Como as definições apresentadas sugerem, a econometria é um amálgama de teoria
econômica, economia matemática, estatística econômica e estatística matemática. Contudo, o
assunto merece ser estudado de modo independente pelas seguintes razões.
A teoria econômica faz declarações ou hipóteses principalmente de natureza qualitativa. Por
exemplo, a teoria microeconômica afirma que, tudo o mais permanecendo igual, uma redução
no preço de uma mercadoria deve resultar no aumento da quantidade demandada por esta
mercadoria. Portanto, a teoria econômica postula uma relação negativa ou inversa entre o
preço e a quantidade demandada de uma mercadoria. Mas a teoria em si não oferece nenhuma
medida quantitativa da relação entre as duas variáveis; ela não nos informa quanto a
quantidade aumentará ou diminuirá em consequência de determinada variação no preço da
mercadoria. Cabe ao econometrista oferecer essas estimativas numéricas. Em outras palavras,
o econometrista proporciona conteúdo prático à maior parte da teoria econômica. Gerhard
Gujarati, D, & Porter, D, (2011)
A principal preocupação da economia matemática é expressar a teoria econômica de forma
matemática (equações) sem levar em conta se a teoria pode ser medida ou verificada
empiricamente. A econometria, como já mencionado, está principalmente interessada na
verificação da teoria econômica. Conforme veremos, o econometrista frequentemente usa as
equações matemáticas formuladas pelo economista matemático, mas as aplica de forma que
possam ser testadas na prática. E essa conversão de equações matemáticas em equações
econométricas requer bastante engenhosidade e habilidade. Gerhard Gujarati, D, & Porter, D,
(2011)
A estatística econômica busca principalmente a coleta, processamento e apresentação dos
dados econômicos na forma de gráficos e tabelas. Essa é a tarefa do estatístico econômico. É
ele o principal responsável por coletar dados sobre o produto nacional bruto (PNB), o
emprego, o desemprego, os preços etc. As informações coletadas constituem os dados brutos
do trabalho econométrico. Mas o trabalho do estatístico econômico não vai além disso; seu
foco não é usar os dados para testar as teorias econômicas. É claro, se fosse, ele se tornaria
um econometrista. Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011)
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Embora a estatística matemática proporcione muitas das ferramentas usadas em sua
actividade, os econometristas em geral precisam de métodos especiais em vista da natureza
específica da maioria dos dados econômicos, isto é, por serem dados que não foram gerados
por meio de experimentos controlados. O econometrista, como o meteorologista, depende em
geral de dados que não podem ser controlados directamente. Gerhard Gujarati, D, & Porter,
D, (2011).
Na econometria, quem modela muitas vezes se depara com dados provenientes de
observações em oposição aos dados experimentais. Isso tem duas implicações importantes
para a modelagem empírica na econometria. Primeiro, quem modela deve dominar
habilidades muito diferentes das necessárias à análise de dados experimentais [...]. Segundo,
a diferença entre quem coleta dados e quem os analisa exige que quem modela esteja
profundamente familiarizado com a natureza e a estrutura dos dados em questão. Spanos, A,
(1999) apud Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011)
2.2. Metodologia econométrica
2.2.1. Metodologia econométrica tradicional
Em termos gerais, a metodologia econométrica tradicional segue os seguintes passos:
Exposição da teoria ou hipótese.
Especificação do modelo matemático da teoria.
Especificação do modelo estatístico ou econométrico.
Obtenção dos dados.
Estimação dos parâmetros do modelo econométrico.
Teste de hipóteses.
Projeção ou previsão.
Uso do modelo para fins de controle ou de política. Gerhard Gujarati, D, & Porter, D,
(2011)
Para ilustrarmos esses passos, vejamos a conhecida teoria do consumo keynesiana.
2.2.2. Exposição da teoria ou hipótese
Keynes afirmou: A lei psicológica fundamental [...] é que os homens [as mulheres] estão
dispostos, como regra e em média, a aumentar seu consumo conforme sua renda aumenta,
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mas não na mesma proporção que o aumento na renda. Keynes, J, (1936) apud apud Gerhard
Gujarati, D, & Porter, D, (2011)
Em resumo, Keynes postulava que a propensão marginal a consumir (PMC), a taxa de
variação do consumo por variação de uma unidade (digamos, um dólar) de renda, é maior que
zero, mas menor que 1. Gerhard Gujarati, D, & Porter, D, (2011)
2.2.3. Especificação do modelo matemático da teoria
Embora Keynes postulasse uma relação positiva entre consumo e renda, ele não especificou a
forma exata da relação funcional entre as duas variáveis. Para simplificar, um economista
matemático poderia sugerir a seguinte forma para a função de consumo keynesiana:
y=β1+β2X 0< β2<1 equação (I.3.1)
em que y despesas de consumo e X renda, e β1 e β2, conhecidos como os parâmetros do
modelo, são, respectivamente, o intercepto e o coeficiente angular.
O coeficiente angular, β2, mede a PMC. A Figura 1.1 mostra a representação geométrica da
Equação (I.3.1). Essa equação, que especifica que o consumo se relaciona linearmente à
renda, é um exemplo de modelo matemático da relação entre consumo e renda e é conhecida
como função consumo em economia. O modelo é apenas um conjunto de equações
matemáticas. Se o modelo tem apenas uma equação, como no apresentado, denomina-se
modelo uniequacional, enquanto se tiver mais de uma equação será denominado modelo de
múltiplas equações.
Na Equação (I.3.1), a variável que aparece do lado esquerdo do sinal de igualdade é chamada
de variável dependente e a(s) variável(eis) do lado direito é(são) chamada(s) de variável(eis)
independente(s) ou explanatória(s). Assim, na função consumo keynesiana, o consumo
(despesa) é a variável dependente e a renda é a variável explanatória.
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2.2.4. Especificação do modelo estatístico ou econométrico
O modelo puramente matemático da função consumo apresentado na Equação (I.3.1) é de
interesse limitado para o econometrista, pois supõe que existe uma relação exata ou
determinística entre o consumo e a renda. Mas as relações entre variáveis econômicas são, em
geral, inexatas. Portanto, se coletarmos dados sobre despesas de consumo e renda disponível
(a renda depois de descontados os impostos) de uma amostragem de, digamos, 500 famílias
americanas e traçarmos um gráfico em que o eixo vertical representa as despesas de consumo
e o eixo horizontal, a renda disponível, não devemos esperar que as 500 observações se
situem exatamente na reta dada pela Equação (I.3.1). Isso porque, além da renda, outras
variáveis afetam as despesas de consumo. O tamanho da família, a idade de seus integrantes,
a religião etc., por exemplo, provavelmente exercem certa influência sobre o consumo.
Para levar em conta as relações inexatas entre as variáveis econômicas, o econometrista deve
modificar a função consumo determinística da Equação (I.3.1) do seguinte modo:
y=β1+β2X +U equação (I.3.2)
Em que U, conhecido como distúrbio, ou termo de erro, é uma variável aleatória (estocástica)
que tem propriedades probabilísticas conhecidas. O termo de erro U pode representar bem
todos esses factores que afectam o consumo, mas que não são levados em conta
explicitamente. A Equação (I.3.2) é um exemplo de modelo econométrico. Mais
tecnicamente, é um exemplo de modelo de regressão linear. A função consumo econométrica
baseia-se na hipótese de que a variável dependente Y (o consumo) se relaciona linearmente
com a variável explanatória X (a renda), mas que a relação entre ambas não é exata: está
sujeita a variações individuais.
O modelo econométrico da função consumo pode ser representado pelo gráfico da Figura 1.2.
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2.2.5. Obtenção dos dados
Para estimarmos o modelo econométrico da Equação (I.3.2), isto é, para obtermos os valores
numéricos de β1 e β2, precisamos de dados. a variável Y corresponde às despesas de consumo
pessoal agregada (isto é, para a economia como um todo) e a variável X ao produto interno
bruto, um indicador de renda agregada, ambas medidas em termos de bilhões de dólares de
um determinado ano. Portanto, os dados são apresentados em termos “reais”, isto é, foram
medidos a preços constantes dum determinado ano.
2.2.6. Estimação dos parâmetros do modelo econométrico
A estimativa numérica dos parâmetros fornece conteúdo empírico à função consumo. a
técnica estatística da análise de regressão é a principal ferramenta para obter as estimativas.
Aplicando essa técnica aos dados da Tabela I.1, obtemos as seguintes estimativas de β 1 e β2,
especificamente, - 299,5913 e 0,7218. Portanto, a função consumo estimada é:
Ŷt= -299,5913 + 0,7218Xt Equação 1.3.3
O acento circunflexo em cima do Y indica que se trata de uma estimativa.A Figura I.3 mostra
a função consumo estimada (isto é, a linha de regressão).
Como indica a Figura I.3, a linha de regressão ajusta-se bem aos dados, no sentido de que os
pontos no gráfico que representam os dados ficam muito próximos da linha de regressão. A
figura nos mostra que, para o período 1960-2005, o coeficiente angular (a PMC) era de quase
0,72, indicando que, no período amostrado, um aumento de um dólar na renda real levava, em
média, a um aumento de cerca de 72 centavos nas despesas reais de consumo. Dizemos em
média porque a relação entre consumo e renda é inexata; como fica claro na Figura I.3, nem
todos os pontos dos dados estão exatamente sobre a linha de regressão. Em termos simples,
podemos dizer que, de acordo com nossos dados, as despesas médias de consumo aumentam
cerca de 70 centavos a cada aumento real de um dólar na renda real.
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2.2.7. Teste de hipóteses
Considerando que o modelo ajustado seja uma aproximação razoavelmente boa da realidade,
é preciso desenvolver critérios adequados para verificar se as estimativas obtidas, digamos,
na Equação (I.3.3) estão de acordo com as expectativas da teoria que está sendo testada.
Segundo economistas “positivos” como Milton Friedman, uma teoria ou hipótese que não for
verificável com evidências empíricas pode não ser admissível como parte de uma pesquisa
científica.
Conforme observado anteriormente, Keynes esperava que a PMC fosse positiva, mas menor
que 1. Em nosso exemplo, a PMC é de cerca de 0,72. Entretanto, antes de aceitarmos esse
valor como uma confirmação da teoria do consumo keynesiana, precisamos nos perguntar se
essa estimativa está suficientemente abaixo da unidade para nos convencer de que não é um
resultado devido ao acaso ou uma peculiaridade dos dados que utilizamos. Em outras
palavras, 0,72 é estatisticamente menor que 1? Se for, será um respaldo para a teoria de
Keynes.
Tal confirmação ou refutação de teorias econômicas com base em evidências amostrais se
alicerça em um ramo da teoria estatística conhecido como inferência estatística (teste de
hipóteses).
2.2.8. Projecção ou previsão
Se o modelo escolhido não refutar a hipótese ou teoria considerada, podemos utilizá-lo para
prever o(s) valor(es) futuro(s) da variável previsão Y, ou variável dependente, com base no(s)
valor(es) futuro(s) conhecidos ou esperados da variável previsora X, ou variável explanatória.
Para fins de ilustração, suponha que desejemos prever as despesas médias de consumo para
2006. O valor do PIB nesse ano foi de $ 11319,4 bilhão. Colocando o valor do PIB no lado
direito da Equação (I.3.3), obtemos:
Ŷ2006 = -299,5913 + 0,7218(11319,4) equação 1.3.4
= 7870,7516
ou cerca de $7.870 bilhões. Assim, dado o valor do PIB, as despesas de consumo médias
previstas são de cerca de $7.870 bilhões. O valor dessas despesas efetivamente registrado em
2006 foi de $ 8.044 bilhões. Portanto, o modelo estimado (I.3.3) subestimou as despesas de
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consumo reais em cerca de $ 174 bilhões. Podemos dizer que o erro de previsão é de cerca
$174 bilhões, que é aproximadamente de 1,5% do valor do PIB registrado em 2006.
Há outro uso para o modelo estimado na Equação (I.3.3). Suponha que o presidente decida
propor uma redução na alíquota do imposto de renda. Qual seria o efeito dessa política sobre
a renda e, por conseguinte, sobre as despesas de consumo e, por fim, sobre o emprego?
Suponha que, como resultado da mudança proposta, as despesas com investimento
aumentem. Qual seria o efeito sobre a economia? Como mostra a teoria macroeconômica, a
mudança na renda que se segue, digamos, à variação de um dólar nas despesas com
investimento é dada pelo multiplicador da renda M, que é definido como:
1
M= equação 1.3.5
1−PMC
Se utilizarmos a PMC de 0,72 obtida na Equação (I.3.3), esse multiplicador será de cerca de
M= 3,57. Isto é, um aumento (redução) de um dólar no investimento levará por fim a um
aumento (redução) de mais de três vezes na renda; observe que o multiplicador demora a
produzir seu efeito.
Um valor crítico nesses cálculos é a PMC, pois o multiplicador depende dela. E essa
estimativa da PMC pode ser obtida por meio de modelos de regressão como o da Equação
(I.3.3). As estimativas quantitativas da PMC proporcionam informações valiosas para a
formulação da política econômica. Conhecendo a PMC, podemos prever o curso futuro da
renda, das despesas de consumo e do emprego após uma alteração da política fiscal do
governo.
2.2.9. Uso do modelo para fins de controle ou de política
Suponha que tenhamos estimada a função consumo da Equação (I.3.3). Suponha, ainda, que o
governo acredite que as despesas de consumo de cerca de $ 8.750 bilhões (em dólares de
2000) manterão a taxa de desemprego em seu nível atual de cerca de 4,2% (no início de
2006) . Que nível de renda garantirá o montante almejado (meta) de despesas de consumo?
Se os resultados da regressão da Equação (I.3.3) parecem razoáveis, um cálculo aritmético
simples mostrará que:
8.750 =-299,5913 + 0,7218 (PIB2006) equação (I.3.6)
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o que dá aproximadamente X = 1.2537. Ou seja, um nível de renda de cerca de $ 1.2537
bilhões, dada uma PMC de cerca de 0,72, gerará uma despesa de cerca de $ 8.750bilhões.
Como esses cálculos sugerem, um modelo estimado pode ser usado para fins de controle ou
de formulação de políticas. Com uma combinação apropriada de políticas fiscais e
monetárias, o governo pode manejar a variável de controle X para gerar o nível desejado da
variável meta Y.
3. Escolha do modelo
Milton Friedman desenvolveu um modelo de consumo, chamado hipótese da renda
permanente. Robert Hall também formulou um modelo de consumo, conhecido como
hipótese da renda permanente no ciclo de vida.
Em resumo, a dúvida com que o pesquisador se depara na prática é como escolher entre as
diferentes hipóteses ou modelos para um dado fenômeno, como a relação consumo-renda.
Como Miller argumenta: Nenhum encontro com os dados é uma etapa no sentido de
confirmação autêntica a menos que a hipótese lide melhor com os dados que algum rival
natural [...]. O que fortalece uma hipótese, nesse caso, é a vitória que, ao mesmo tempo, é a
derrota para outra hipótese plausível.
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4. Considerações finais
Findo trabalho o grupo compreende que a econometria é crucial na saúde pública para
entender e optimizar a utilização dos recursos, avaliar o impacto de políticas e programas de
saúde, e identificar fatores que influenciam a saúde da população. Ao utilizar ferramentas
estatísticas, a econometria ajuda a tomar decisões mais informadas e baseadas em evidências,
contribuindo para melhorar a qualidade dos serviços de saúde e a saúde geral da população.
A econometria permite analisar os custos e benefícios de diferentes intervenções em saúde,
como programas de prevenção, tratamento e atenção médica, ajudando a determinar qual a
melhor maneira de otimizar o uso dos recursos públicos, identificar as relações entre fatores
socioeconômicos, como renda, educação, acesso a serviços de saúde e condições de vida, e a
saúde da população.
Ainda pode ajudar a prever tendências em doenças e necessidades de saúde, auxiliando na
organização dos serviços e na alocação de recursos, avaliar o impacto de políticas públicas,
como legislação sobre tabaco ou regulamentação de alimentos, na saúde da população.
A econometria pode avaliar o custo da vacinação em comparação com os custos de
tratamento e internação de doenças preveníveis, demonstrando a eficácia da vacinação e
pode analisar o impacto da disponibilidade de água potável na redução de doenças
infecciosas e melhorar a saúde da população.
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5. Referências Bibliográficas
Gujarati, D. & Porter, D, (2011). Econometria básica. 5a Edição. AMGH Editora Ltda.
Santana