PERSONALIDADE
O termo personalidade é empregado pelo senso comum com diferentes significados. Algumas
vezes, a personalidade é entendida como uma avaliação da imagem social do indivíduo. “Ele não
tem nenhuma personalidade” ou “Ele tem muita personalidade”. Sugerindo uma escala de valores,
dentro da qual um determinado traço está sendo considerado pelo observador. Outras vezes, o
termo é empregado não apenas como sinônimo de uma única característica, mas também de um
conjunto de características que são socialmente eficientes. Um vendedor que procura “melhorar
sua personalidade” tenta falar fluentemente sobre diversos assuntos, ser bem-humorado,
adaptável, ter certa postura em público etc.
Não existem pessoas com “mais” ou “menos” personalidade do que as outras. Cada um tem sua
individualidade, ou seja, sua personalidade. A singularidade é a característica fundamental do ser
humano.
De maneira geral, a personalidade pode ser definida como a maneira pela qual um indivíduo age,
pensa e sente. A personalidade, portanto, representa as características duradouras de um
indivíduo, que o diferenciam dos demais. Essa definição, embora genérica, inclui aspectos
estruturais e dinâmicos.
ASPECTOS ESTRUTURAIS DA PERSONALIDADE
Ao se tentar descrever como uma pessoa é, verifica-se um conjunto de traços. Eles constituem-se
em uma série de reações ou de tendências para agir de uma determinada maneira em diferentes
situações, caracterizando os ajustamentos típicos de uma pessoa. O que determina
comportamentos regulares e constantes. Dessa forma, uma pessoa submissa é aquela que é
obediente, dócil, respeitosa, humilde, que é incapaz de tomar decisões por conta própria.
Ao descrever-se as pessoas em termos de traços, temos a tendência de situá-las em pólos
extremos. Contudo, ninguém é sempre “gentil” nem é sempre extremamente “ganancioso”. As
características variam de acordo com as situações enfrentar. Para uma descrição correta do
comportamento dos indivíduos é necessário admitir-se a variabilidade. As pressões do ambiente
físico ou social podem adiar, aumentar, deformar ou inibir a conduta que normalmente
esperaríamos de alguém a partir de seus traços. Na atividade de uma pessoa, portanto, existe uma
parte constante e uma parte variável. A parte constante é designada pelo conceito de
personalidade e é descrita por um conjunto de traços.
ASPECTOS DINÂMICOS DA PERSONALIDADE
Os aspectos dinâmicos da personalidade referem-se às razões, aos porquês das ações de um
indivíduo. Pelo menos em parte, vivemos nossas vidas de acordo com nossos valores, intenções e
planos conscientes. No entanto, nem sempre conseguimos explicar por que às vezes agimos ou
pensamos em agir de maneira contrária a nossos desejos conscientes. Isto sugere que, na
dinâmica da personalidade, é necessário admitir a existência de motivos inconscientes.
Os motivos conscientes são baseados na percepção atual do mundo exterior ou de uma sensação
interior. São aqueles que estão claramente definidos em nossa mente. Motivos inconscientes são
traumas, conflitos ou sensações que não têm acesso fácil à nossa mente e que em geral são
expressos de forma camuflada ou distorcida.
Além de conscientes e inconscientes, os motivos podem ser transitórios ou [Link]
um mosquito do rosto é um ato motivado, ainda que transitoriamente. Um jovem que treina
arduamente para ser campeão olímpico está também motivado. Nesse caso, contudo, a motivação
persistirá por um longo período de sua vida.
No estudo da personalidade interessam os motivos duradouros, uma vez que os transitórios não
produzem padrões de comportamentos característicos do indivíduo. Uma pessoa muito calma, por
exemplo, pode perder ocasionalmente o controle frente a uma situação de muita tensão. Isso não
significa que a agressividade seja um traço de sua personalidade.
Por fim, a hierarquia de motivos de um indivíduo e a maneira de satisfazê-los variam ao longo de
sua vida.
Durante a primeira infância, a criança depende inteiramente de seus pais. O adolescente tem uma
independência relativa e o adulto deve desenvolver certo grau de responsabilidade social. Essa
transformação da personalidade necessariamente significa mudanças básicas na motivação.
Uma criança é exigente e não suporta adiamentos na satisfação de seus desejos. Ela só se
interessa por sua fome, seu cansaço, sua necessidade de atividade, de brinquedo e de carinho.
Não se preocupa com o bem-estar dos outros nem tolera rivalidades ou frustrações. Para ela, as
pessoas que a cercam devem dedicar-se à satisfação imediata de seus desejos. Esse egocentrismo
tende a diminuir com o decorrer da idade. Contrariamente à criança, uma parte dos motivos do
adulto envolve responsabilidade social. Ele se preocupa com sua família, sua empresa, sua
comunidade ou mesmo com o bem-estar da humanidade.
A AUTOPERCEPÇÃO OU AUTOCONSCIÊNCIA
O único critério seguro de nossa identidade pessoal é a consciência que temos de nós mesmos.
Nessa parte da personalidade, às vezes denominada Eu, outras vezes Ego, predominam aspectos
conscientes. No entanto, nem sempre podemos saber se aquilo de que temos consciência é
objetivamente verdadeiro. Alguns pensamentos e atos parecem ser mais significativos para o Eu
do que outros, embora não saibamos se para isso contribuíram fatores conscientes ou
inconscientes.
O Eu refere-se ao conjunto de conhecimentos, sentimentos e atitudes que uma pessoa tem em
relação à sua aparência, às suas potencialidades, às suas emoções, aos seus motivos e aos seus
comportamentos.
A consciência que uma pessoa tem de si mesma dá identidade e sentimento de continuidade às
suas experiências. Se uma pessoa, por exemplo, se percebe inferior a seus pares, essa percepção
afetará a maioria de suas ações, mesmo que inferioridade não seja objetivamente verdadeira.
Provavelmente ela evitará expor publicamente suas idéias, manter ou defender um ponto de vista
ou assumira a liderança em algumas atividades porque acha que irá fracassar ou que será
ridicularizada.
A autoconsciência desenvolve-se gradualmente e emerge durante os primeiros seis anos de vida.
Os maiores avanços ocorrem no segundo ano, com o aparecimento da linguagem. Podemos dizer
que autoconsciência é processo mais importante da vida de uma pessoa e constitui o sistema
central que vai dirigir e integrar as informações e forças resultantes das várias formas de interação
com pessoas ou objetos. Portanto, o sentido do Eu é o núcleo da personalidade.