A Guerra de Troia, um dos eventos mais emblemáticos da mitologia grega, é uma epopeia que
mistura história, lenda e drama humano. Embora muitos detalhes sejam mitológicos, estudiosos
acreditam que a lenda se baseou em conflitos reais entre povos gregos e uma cidade na atual
Turquia, por volta do século XII a.C. A narrativa principal é imortalizada nos poemas de Homero, a
Ilíada e a Odisseia.
O Contexto e a Origem do Conflito
A lenda atribui a causa da guerra a um evento mitológico conhecido como O Julgamento de Páris.
Eris, a deusa da discórdia, não foi convidada para um banquete e, em retaliação, jogou uma maçã
dourada com a inscrição "Para a mais bela" entre as deusas Hera, Atena e Afrodite. Zeus, para evitar
o conflito, pediu ao príncipe troiano Páris que julgasse a disputa. Cada deusa tentou suborná-lo: Hera
ofereceu poder político, Atena prometeu sabedoria e glória na guerra, e Afrodite ofereceu o amor da
mulher mais bela do mundo, Helena de Esparta. Páris escolheu Afrodite.
Helena era casada com o rei espartano Menelau. Quando Páris a raptou ou a seduziu (as versões
variam), Menelau pediu a ajuda de seu irmão, Agamenon, o poderoso rei de Micenas. Agamenon
reuniu uma vasta coalizão de reinos gregos para sitiar a cidade de Troia e resgatar Helena, o que
iniciou a guerra.
Os Protagonistas e o Desenrolar da Guerra
A Guerra de Troia durou dez longos anos, com batalhas épicas e duelos memoráveis. Entre os heróis
gregos destacam-se:
Aquiles: O mais poderoso guerreiro grego, invulnerável exceto por seu calcanhar. Ele é o
protagonista central da Ilíada, e sua raiva e retirada do combate quase levaram à derrota dos
gregos.
Odisseu: Rei de Ítaca, conhecido por sua astúcia e inteligência. É o cérebro por trás do
Cavalo de Troia.
Agamenon: O comandante-chefe das forças gregas.
Do lado troiano, os principais defensores da cidade eram:
Heitor: Príncipe de Troia e o maior guerreiro da cidade. Ele era o principal adversário de
Aquiles, e a sua morte nas mãos do herói grego é um dos momentos mais trágicos da Ilíada.
Páris: O príncipe que causou a guerra. Apesar de ter sido a causa, ele era um guerreiro
menos experiente que seu irmão Heitor.
As batalhas eram ferozes, mas as muralhas de Troia eram impenetráveis. O impasse só foi quebrado
no décimo ano, quando Odisseu teve a ideia de construir um gigantesco cavalo de madeira.
O Fim da Guerra e o Cavalo de Troia
O plano de Odisseu consistia em fazer com que os gregos fingissem desistir do cerco e partir.
Deixaram o cavalo de madeira como um presente para os troianos, supostamente uma oferta à
deusa Atena para garantir uma viagem segura para casa. Os troianos, apesar dos avisos de alguns de
seus cidadãos, como Laocoonte, trouxeram o cavalo para dentro das muralhas da cidade como um
troféu de guerra.
Durante a noite, enquanto os troianos celebravam a vitória, um grupo de guerreiros gregos,
liderados por Odisseu, saiu de dentro do cavalo. Eles abriram os portões da cidade para o restante do
exército grego, que havia retornado sorrateiramente. Troia foi saqueada e destruída, encerrando a
guerra. A maioria dos homens troianos foi morta e as mulheres, escravizadas.
Legado e Significado
A Guerra de Troia, embora lendária, ressoa até hoje. Ela serviu como base para a literatura ocidental,
explorando temas como honra, heroísmo, traição, e as consequências devastadoras da guerra. A
lenda do Cavalo de Troia se tornou uma metáfora universal para engano e traição. O mito de Troia
não é apenas uma história de batalhas e heróis, mas um profundo retrato das complexidades da
natureza humana.