0% acharam este documento útil (0 voto)
19 visualizações16 páginas

Universidade Católica de Moçambique Instituto de Educação À Distância Centro de Recurso de

O documento aborda os problemas socioeconômicos e ambientais resultantes do crescimento populacional na província da Zambézia, Moçambique, destacando a importância da Demografia Ambiental como um campo interdisciplinar. A pesquisa é bibliográfica e qualitativa, focando em como a dinâmica demográfica influencia o consumo e as implicações ambientais. O trabalho é estruturado em introdução, objetivos, metodologia, revisão da literatura, conclusão e referências bibliográficas.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
19 visualizações16 páginas

Universidade Católica de Moçambique Instituto de Educação À Distância Centro de Recurso de

O documento aborda os problemas socioeconômicos e ambientais resultantes do crescimento populacional na província da Zambézia, Moçambique, destacando a importância da Demografia Ambiental como um campo interdisciplinar. A pesquisa é bibliográfica e qualitativa, focando em como a dinâmica demográfica influencia o consumo e as implicações ambientais. O trabalho é estruturado em introdução, objetivos, metodologia, revisão da literatura, conclusão e referências bibliográficas.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

Instituto de Educação à Distância

Centro de Recurso de

Tema:

Discente:

Código de estudante:

Licenciatura em Ensino de Geografia

Discente:

Docente:

Curso de Geografia,

Disciplina:

\ Ano

Quelimane, Junho de 2021


i

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE


Instituto de Educação à Distância

Centro de Recurso de

Tema:

Discente:

Código de estudante:

Quelimane, Junho de 2021


ii

Folha de Feedback

Classificação
Padrões Pontuaçã Nota Subtotal
Categorias Indicadores o máxima do
tutor

Capa 0.5
Índice 0.5
Introdução 0.5
Aspectos Discussão 0.5
Padrões Organizacionais
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos
objectivos
Introdução 1.0
Metodologia adequada
ao objecto do trabalho
2.0

Articulação e domínio
Conteúdo do discurso academico
(expressão escrita 2.0
cuidada, coerência/
coesão textual).
Revisão bibliográfica
Análise e nacional e
Discussão internacionais 2.0
relevantes na área de
estudo
Exploração dos dados
2.0
Contributos teóricos
Conclusão práticos 2.0

Paginação tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Gerais Formatação paragrafo, 1.0
espaçamento entre
linhas
Referencias Normas APA 6ͣͣͣ edição Rigor e coerência das
bibliograficas em citações e citações /referências 4.0
bibliografia bibliográficas
iii

Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

Índice Pág
2

.
1. Introdução...............................................................................................................................3

1.1. Objectivos............................................................................................................................4

1.1.1. Objectivo geral..................................................................................................................4

1.1.2. Objectivos especificos......................................................................................................4

2. Metodologia............................................................................................................................4

3. Revisao da literatura...............................................................................................................5

3.1. Descrição da província da Zambézia...................................................................................5

3.1.1. A Demografia Ambiental como importante ramo do conhecimento interdisciplinar.......5

3.1.2. Estudos contemporâneos sobre população e ambiente.....................................................6

3.1.4. População, consumo e ambiente: transformações demográficas e implicações


ambientais...................................................................................................................................7

3.1.5. Impactos ambientais do Crescimento da População no terceiro mundo...........................9

4. Conclusao..............................................................................................................................11

5. Referencias Bibliografias......................................................................................................12
3

1. Introdução
O presente trabalho tem como tema problemas socio economicos e ambientais decorrentes do
crescimento populacional na provincia da Zambezia, localidade de Maquival.

Nas últimas décadas, a questão ambiental evoluiu bastante diante da multiplicidade de


preocupações que passaram a ser incorporadas nessa temática. Com isso, a ideia de impacto
ambiental amadureceu, não se limitando mais às consequências físicas da atuação humana,
passando a levar em consideração, também, os aspectos sociais, econômicos e culturais nas
diversas escalas de análise. Se nos anos 1970, sobretudo após a Declaração de Estocolmo
(1972), as atenções praticamente se restringiram aos desafios criados pelo aumento dos níveis
de poluição e contaminação, atualmente, os problemas ambientais têm sido pensados de
maneira mais ampla. O conceito de ambiente, cada vez mais, tem sido apreendido sob
diferentes perspectivas. As Ciências Sociais demoraram muito para incorporar as questões
ambientais em seus respectivos temas de pesquisa e, apenas recentemente, é possível perceber
mais estudos sistemáticos sobre população e ambiente. Assim, no universo das abordagens
interdisciplinares, tem sido crescente a participação da demografia nesse tipo de discussão,
oferecendo novas ferramentas e novas perspectivas para o tema. No entanto, ainda há muito
que fazer em busca de uma Demografia Ambiental mais estruturada e influente nos círculos
acadêmicos (Maradola Jr.; Hogan, 2007). A dimensão humana deve assumir papel de
destaque na literatura sobre as mudanças ambientais globais. O homem é multidimensional e
pode ser estudado no plano individual e familiar, sendo parte de uma população que vive um
dado contexto social e cultural. O meio é multiescalar e as análises devem estar atentas para
as transformações ambientais locais, regionais e globais no tempo. Segundo Hogan et al
(2010, p.14), “a relação entre estas dimensões e escalas expressa a natureza da questão
ambiental: uma população busca no ambiente a reprodução e a sustentabilidade de sua vida”
(Hogan et al, 2010).

Neste sentido, o presente trabalho de cunho bibliográfico tem como propósito compreender os
problemas socio economicos e ambientais decorrentes do crescimento populacional na
provincia da Zambezia, localidade de Maquival. Relativamente a estrutura do trabalho, o
mesmo comporta: introdução, objectivos, metodologia, fundamentação teórica, conclusão e
por fim apresentam-se as referencias bibliográficas.
4

1.1. Objectivos

1.1.1. Objectivo geral


 Compreender os problemas socio economicos e ambientais decorrentes do
crescimento populacional na provincia da Zambezia, localidade de Maquival.

1.1.2. Objectivos especificos


 Conhecer a Demografia Ambiental como importante ramo do conhecimento
interdisciplinar;
 Explicar a população, consumo e ambiente: transformações demográficas e
implicações ambientais;
 Descrever os impactos ambientais do Crescimento da População no terceiro mundo.

2. Metodologia
Quanto aos procedimentos adoptados na colecta de dados trata-se de um estudo do tipo
bibliográfico. De acordo com Zanella (2013, p. 36), um estudo bibliográfico é aquele que
fundamenta-se, exclusivamente, no uso de fontes bibliográficas. A pesquisa bibliográfica é
feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios
escritos e electrónicos, como livros, artigos científicos, páginas de Web sites (Gerhardt &
Silveira, 2009, p. 37). Quanto a abordagem, a pesquisa é qualitativa. A escolha deste tipo de
pesquisa é porque a mesma fundamenta-se principalmente em análises qualitativas,
caracterizando-se, em princípio, pela não utilização de instrumentos estatísticos na análise dos
dados. Não só, o pesquisador busca em textos a solução para o problema de sua pesquisa e
detém-se nela (Zanella, 2013, p. 35).
5

3. Revisao da literatura

3.1. Descrição da província da Zambézia

Zambézia é uma provincia situada na região centro de Moçambique. A sua capital é a cidade
de Quelimane, localizada a cerca de 1 600 quilómetros ao norte de Maputo, a capital do país.
Com uma área de 105 008 quilómetros quadrados e uma população de 5 110 787 habitantes
em 2017, está dividida em 22 distritos, e possui, desde 2013, seis municípios: Alto
Molócuè, Gurúè, Maganja da Costa, Milange, Mocuba e Quelimane.

Tanto em termos de área como de população a província está em segundo lugar, em área atrás
de Niassa e quanto à população depois de Nampula.

3.1.1. A Demografia Ambiental como importante ramo do conhecimento interdisciplinar


O movimento ambientalista vem ganhando força de forma rápida e tem encontrado espaço em
todas as esferas da vida social. Se a Rio 92 foi um importante marco para o aumento das
preocupações ambientais, nos últimos anos, todos os esforços que culminaram no 4º relatório
(AR-4) do International Panel on Climate Change (IPCC) e na conferência Rio +20
demonstraram que a sociedade, de uma forma geral, evoluiu bastante nas discussões
ambientais (Hogan eT aL, 2010). Nesse contexto, ganha destaque o maior volume de
publicações científicas na área e a incorporação dos temas ambientais por outros campos do
conhecimento.

Recentemente, a demografia tem se dedicado mais as questões ambientais a partir de


abordagens interdisciplinares. A incorporação da temática ambiental pela demografia está em
sintonia com o que tem sido observado em praticamente todos os campos do conhecimento,
diante da nítida valorização das preocupações relacionadas à sustentabilidade no planeta. No
Brasil e no exterior, tem crescido o número de fóruns, eventos, grupos e projetos de pesquisa
que se dedicam aos estudos sobre população e ambiente. (Maradola Jr.; Hogan, 2007)

Na literatura, os estudiosos ressaltam que a consolidação do que pode ser entendido como
Demografia Ambiental, em um primeiro momento, esbarrou nas interpretações simplistas
entre crescimento populacional e degradação ambiental (Hogan, 1991; Martine, 1993a;
Sawyer, 1993). Nas discussões sobre população, ambiente e desenvolvimento, estas questões
foram bastante recorrentes com a valorização de visões distorcidas que confundiram os
planejadores, gestores e pesquisadores menos atentos a uma análise mais aprofundada da
realidade. Durante muito tempo na história da população houve grande temor sobre os
6

possíveis impactos do crescimento demográfico exagerado, sobretudo nos países mais pobres.
Na Europa, a noção de que o aumento populacional desenfreado impediria o bem estar geral,
sendo responsável pelo surgimento dos mais graves problemas sociais, teve grande
repercussão nas rodas de discussão acadêmica após a publicação do trabalho de Thomas
Malthus em 1798.

A visão de que o crescimento exagerado da população atuaria no aumento da poluição e da


degradação ambiental ganhou força num dado momento histórico. Vários trabalhos buscaram
entender esta relação com base em uma perspectiva Neomalthusiana (ver Eirlich, 1968;
Ehrlich; Holdren, 1971; Meadows, et al, 1972; Kahn ett al, 1976 & Eirlich; Eirlich, 1990).

Atualmente, a transição demográfica vem garantindo a redução das taxas de natalidade e de


mortalidade, apresentando diferentes estágios de evolução em todas as partes do mundo (LEE,
2003; Lestaegh 2010). Considerando as relações entre população e ambiente, as variações nos
componentes da dinâmica demográfica sugerem que as discussões não podem ser
direcionadas apenas para os desdobramentos do crescimento populacional e sua pressão sobre
os recursos ambientais. Também, deve incorporar a distribuição da população, a estrutura
etária e o envelhecimento demográfico, entre outros aspectos (Carmo; D´Antona, 2011).

3.1.2. Estudos contemporâneos sobre população e ambiente


Nos estudos contemporâneos sobre população e ambiente, a questão do consumo é
fundamental. O aumento do consumo esbarra, a todo o momento, nos limites ambientais do
planeta e nas mudanças observadas na natureza. Pautada em uma perspectiva interdisciplinar
que leve em consideração as principais questões econômicas, sociais e culturais, a demografia
deve estar atenta as variações dos componentes da dinâmica demográfica para entender suas
implicações no consumo mundial. Nesses estudos, se o homem é multidimensional e o meio
pode ser estudado em suas diversas escalas (local, regional, global), o tempo também assume
papel de destaque.

De acordo com Hogan et al (2010),

como a questão envolve mudanças de curto, médio e longo prazo, é necessário pensar o tempo
enquanto componente do processo, não apenas porque o ritmo das mudanças é central na discussão, mas também
porque, afinal de contas, os ritmos e os metabolismos alteram, por si sós, a composição da população e o meio
em que ela vive (Hogan et al, 2010, p. 15)

Davis (1991) argumenta que muitos pesquisadores investiram muito tempo em pesquisas
voltadas para a criação de mecanismos para frear o crescimento populacional, visto como
fator que exerce grande pressão sobre os recursos naturais. Paradoxalmente, existe o
7

argumento de que as causas centrais dos problemas ambientais não são demográficos,
ressaltando a importância das instituições sociais, da eficiência dos mercados, do nível
tecnológico e da distribuição de renda (Pebley, 1998). Por outro lado, Keyfitz (1992) ressalta
que o excesso de peso dado a estas questões podem levar a muitos cientistas sociais a
interpretação errônea de que as questões populacionais têm pouco ou nenhum impacto nas
transformações ambientais. Outro elemento que distancia a demografia dos estudos
ambientais é a dificuldade de dialogo dos estudiosos da população com outras áreas, a
exemplo da biologia, bioquímica, agronomia e climatologia. Também, Pebley (1998) ressalta
que, na década de 1990, a carência de dados longitudinais locais para o estudo dos impactos
ambientais também agravou esta situação (Pebley, 1998). As abordagens mais recentes sobre
população e ambiente têm incorporado novos aspectos, buscando refletir sobre as relações
entre as transformações demográficas (envelhecimento populacional, estrutura etária e
distribuição espacial) e questões como qualidade e disponibilidade de água, geração de lixo,
biodiversidade, paisagem, desastres naturais, entre outras (Rcep, 2011). Já nas abordagens
sobre população e mudanças climáticas, os Assessment Reports do IPCC ainda subutilizam as
informações demográficas e se restringem as análises que consideram apenas as variações de
volume populacional. A Demografia Ambiental aparece como um ramo bastante promissor e
em crescimento contínuo. Estas novas abordagens demográficas podem oferecer alternativas
mais acuradas para a mitigação dos principais problemas ambientais nas suas diversas escalas.
De acordo com Hogan et al (2010, p.96), “já está na hora de assumirmos uma demografia
ambiental, que contribua de forma sistemática para a compreensão e construção de um mundo
sustentável”. Os autores completam o raciocínio da seguinte forma: “esse é um esforço
coletivo para o futuro que agrega à reflexão ambiental um olhar propriamente demográfico”.

3.1.4. População, consumo e ambiente: transformações demográficas e implicações


ambientais
O volume de estudos que exploram as relações entre população e consumo aumentou
consideravelmente nos círculos de debates ambientais. As novas abordagens estão focadas no
crescimento do consumo da população, aspecto que foi deixado de lado por décadas (Mello;
Hogan, 2007). Assim, como se não bastasse o enorme volume de problemas ambientais
acumulados pela sociedade e que precisam ser resolvidos, o mundo deve se preparar para
enfrentar os novos desafios advindos do aumento dos níveis de renda e do consumo nas
sociedades capitalistasNo entanto, esta proposição assume implicitamente que não existe a
necessidade de intervenção governamental nas questões ambientais uma vez quem no longo
8

prazo, os problemas seriam minimizados. Arrow et al. (1995) defendeu a ideia de que os
problemas ambientais não irão se resolver automaticamente com o crescimento econômico e
sem nenhuma intervenção governamental. Os principais países que irão contribuir para este
aumento demográfico são aqueles com menor nível de desenvolvimento. No entanto, estas
projeções já consideram um cenário de queda expressiva na natalidade também nestes países
durante o séc. XXI. Nas porções mais desenvolvidas do globo, a natalidade já atingiu níveis
tão baixos que os nascimentos verificados nos últimos anos não serão capazes de repor a atual
geração de pais. Assim, existe uma lacuna na produção de abordagens reflexivas que buscam
entender como as variáveis demográficas podem influenciar os padrões e os níveis de
consumoHogan et al (2010) ressalta que, com isso,

“o foco da análise da relação população e ambiente se deslocaria da discussão


sobre crescimento populacional, mas buscaria entender, com mais detalhamento, a dimensão
da estrutura doméstica, dos padrões de sucessão geracional, dos usos e dos padrões de
consumo e do estágio em que determinada população se encontra no processo de transição
demográfica (HOGAN ET AL, 2010, p. 38).

De uma forma geral, ainda existe uma carência de estudos que exploram com profundidade
esta questão., O´Neill et al (2001) não apresentam uma visão otimista e alegam que a
transição demográfica tem diminuído o tamanho médio domiciliar e isso não está sendo
acompanhada de uma redução no consumo médio das moradias. De acordo com O´Neill e
Chen (2002), a ideia de economia de escala também deve ser levado em consideração já que
maiores domicílios significam menor custo per capita para manter o padrão de vida dos
indivíduos. Nesta mesma linha, Hogan (2009) destaca a possível influência do aumento do
número de domicílios no volume de emissões de gases no planeta. Assim, as variações da
estrutura etária também são importantes uma vez que, o aumento no número de domicílios
pode ser resultado de mudanças nos padrões de casamentos e do envelhecimento
populacional, com impactos nas emissões de CO2. O autor também destaca que a distribuição
urbano-rural da população também está relacionada com o crescimento nas emissões de gases
(HOGAN, 2009). Não obstante aos efeitos da queda da fecundidade e do aumento da
expectativa de vida no mundo, outro componente importante da dinâmica demográfica que
tem conquistado algum espaço nas análises das questões ambientais é a migração. Nas
relações entre migração e ambiente, a distribuição e a utilização dos recursos naturais, tendo
em vista o possível esgotamento e degradação, assim como as conseqüências das mudanças
ambientais na mobilidade humana ganham destaque (Hogan, 2005). A distribuição espacial da
9

população está condicionada a processos dinâmicos da relação humana com o ambiente.


Mesmo tendo em vista que os estudos migratórios nunca deixaram de entender que as
condições ambientais são importantes fatores que podem influenciar a decisão de migrar,
apenas recentemente este tema passou a ser explorado mais profundamente (Hogan et al,
2010), sobretudo diante do aumento das preocupações relacionadas às mudanças climáticas
globais (Adamo; Izazola, 2010). Oliveira (2010) destaca que o deslocamento forçado pelas
mudanças ambientais gera três categorias de refugiados:

a) aqueles que têm se deslocados temporariamente devido a pressões ambientais, tais como
um abalo sísmico, um ciclone (ou furação), ou uma tempestade que causa alagamentos – e que após passada,
provavelmente os habitantes da região irão regressar a seu habitat natural; b) aqueles que se deslocaram
permanentemente devido a mudanças definitivas do seu habitat, tais como represas ou lagos artificiais; e, c)
aqueles que se deslocam permanentemente em busca de melhor qualidade de vida, posto que seu habitat natural
encontra-se incapaz de provê-los em suas necessidades mínimas devido a degradações progressivas dos seus
recursos naturais básicos (Oliveira, 2010, p.125).

Ainda, tendo em vista as principais transformações demográficas que o mundo passou nas
últimas décadas, os movimentos migratórios que garantiram a maior concentração de pessoas
nas cidades em relação ao que se observava no passado causaram algumas implicações
importantes para a questão ambiental, com destaque para a realidade dos países em
desenvolvimento. De acordo com Hogan (2009), “a expansão urbana transforma e fragmenta
a paisagem, comprometendo tanto a diversidade biológica quanto a capacidade de
ecossistemas de amortizar as conseqüências da atividade humana”.

3.1.5. Impactos ambientais do Crescimento da População no terceiro mundo

O crescimento populacional vem causando sérios impactos degradadores sobre o meio


ambiente neste século. O desenvolvimento da indústria, comércio bem como os diversos
ramos do meio rural e urbano são considerados determinantes para as mudanças ambientais.
Neste sentido, nota-se que existem muitos tipos de ameaças ao meio ambiente, causados pelo
aumento da população. Nessa trajetória de análise, Hogan (2005) aborda que o vínculo entre
mobilidade populacional e ambiente, possui uma flecha causal que geralmente tem ido de
população a ambiente, aonde os efeitos vão da concentração de população sobre a integridade
ecológica do território. Como conseqüências do impacto ambiental o autor ressalta que:

Terra e água são os maiores exemplos da finitude dos recursos naturais. Mesmo que os avanços
tecnológicos possam diminuir a quantidade de terra necessária para a produção de alimentos, não podem
aumentar a superfície da Terra. E a água, elemento básico da vida, já mostra sinais de ter alcançado seus limites
(Hogan, 2005, p.324).
10

Segundo Hogan(1991), em seu artigo “Crescimento Demográfico e Meio Ambiente”, sabe-se


que a pressão demográfica já foi responsabilizada por todos os males do mundo moderno, tais
como: desertificação, fome, esgotamento de recursos, degradação ambiental, etc. O que pôde
ser constatado com esse argumento é que está longe de ser resolvida a questão do crescimento
populacional sem que ocorra a degradação do meio ambiente. Existe, ainda, uma problemática
maior que tem-se intensificado a cada ano. É a questão do lixo.

A título de exemplo, recentemente, os possíveis impactos das mudanças climáticas globais


têm se destacado nas rodas de discussão acadêmica uma vez que estas variações ambientais
podem causar novos problemas para muitas cidades e populações com alto nível de
vulnerabilidade (Harboy; Pandela, 2009). Nesse sentido, alterações nos padrões de
precipitação podem provocar a escassez de água, com destaque para regiões em que a oferta e
a distribuição já são insuficientes. A concentração de chuvas poderá criar mais problemas
para os sistemas de drenagem nas cidades. Os eventos extremos, caso se tornem mais
freqüentes, irão causar danos a infraestrutura urbana (Hogan; Maradola Jr, 2007). As secas e
ondas de calor terão reflexos na saúde, agravando problemas cardiorrespiratórios, sobretudo
para a população jovem e idosa (Ziska et al, 2008). No caso brasileiro, que possui mais 8.000
Km de litoral, a vulnerabilidade das cidades localizadas na região costeira também deve ser
levada em consideração (Hogan, 2009).

Ainda, as estratégias individuais dessas cidades poderão reduzir as emissões em até 248
milhões de toneladas por ano, o que corresponde à soma de emissões anuais da Argentina e de
Portugal (Magalhaes, 2012). Não há dúvida de que a incorporação das perspectivas
demográficas nas questões ambientais pode trazer ganhos significativos nos esforços que
buscam a resolução dos conflitos entre população e ambiente, sobretudo nas áreas urbanas. Os
estudos que exploram as perspectivas humanas dos problemas ambientais já contribuíram
significativamente para a busca de alternativas mais acuradas para a construção de um mundo
melhor. Não obstante os benefícios alcançados com a ampliação desses debates sobre a
questão ambiental, as iniciativas devem ser multiplicadas em prol de uma Demografia
Ambiental mais influente e participativa
11

4. Conclusao
Conclui-se desta forma que, ainda que não ocorra uma mudança generalizada no desejo de
consumo da população é possível construir um mundo melhor com mudanças nas formas de
consumo e no aumento da consciência ambiental. Assim, as inovações tecnológicas ou
mudanças na prioridade de investimentos podem tornar o consumo mais sustentáveis,
promovendo uma relação mais harmoniosa entre população e ambiente. É possível encontrar
algumas soluções plausíveis para minimizar os problemas ambientais em suas diversas escalas
numa perspectiva de curto, médio e longo prazo. A própria ideia de economia verde, muito
falada e tratada com base em várias interpretações, pode ser uma luz caso seja levada a sério.
A título de exemplo, maiores investimentos em pesquisa poderiam criar alternativas
economicamente viáveis para o uso de energias limpas e renováveis; transformações no
modelo de transporte poderiam levar a uma realidade mais sustentável com a troca do
automóvel pelo transporte coletivo via metrô; melhor distribuição da população no território
poderia gerar uma conformação espacial mais equilibrada diante da atual excessiva
concentração demográfica em algumas megacidades ao redor do mundo o que geraria ganhos
significativos na resolução das questões ambientais urbanas, entre outras possibilidades.
Provavelmente muitas outras soluções que ainda não foram pensadas, ou ainda não são
possíveis de implantação, irão fazer parte das pautas de discussões nos próximos anos. O
mundo aguarda por iniciativas concretas na promoção de um desenvolvimento mais
equilibrado e mais sustentável. Estas iniciativas de cooperação global são importantes e
devem ser encaradas com muita seriedade por todos os setores da sociedade. A final de
contas, como disse o Diretor Executivo da UNFPA, Dr. Babatunde Osotimehin, “A hora de
agir é agora. As ações individuais, multiplicadas muitas vezes, podem fazer diferença. Juntos,
somos 7 bilhões de pessoas; contamos uns com os outros”.
12

5. Referencias Bibliografias
Carmo, R. L.; D’Antona, A. O. (2011). Dinâmicas demográficas e ambiente. Campinas:

Nepo/Unicamp.

Ehrlich, P.R. (1971). The Population Bomb. New York, 1968. EHRLICH, Paul R. and John P.

Holdren. Impact of Population Growth Source: Science, New Series, Vol. 171, No. 3977,

pp. 1212-1217 Published by: American Association for the Advancement of Science.

Ehrlich, P.R.; A.H. Ehrlich. (1990).The Population Explosion. London,

Gerhardte, T. E., & Silveira, D. T. (2009). Métodos de pesquisa. Porto Alegre, Editora da
UFRGS
GIL, Antonio Carlos. (2006). Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas.

Hogan, D. J. (1991).Crescimento Demográfico e Meio Ambiente. Revista Brasileira de Est

tudos de População (Impresso), ABEP - Belo Horizonte - MG, v. 8, n. 1/2, p. 61-71,

Hogan, D. J.; Maramndola JR., E.; Ojma, R. (2010). População e ambiente: desafios à

sustentabilidade. São Paulo, v.1, p. 105,

Lesthaeghe, R. (2010). The Unfolding Story of the Second Demographic Transition.

Conference on Fertility in the History of the 20th Century - Trends, Theories, Public

Discourse, and Policies, January 21-23, 2010, Berlin,

Martine, G. (org.). (1993). População, meio ambiente e desenvolvimento: verdades e

contradições. Campinas, Ed. da UNICAMP, p.21-41,

Marandola JR., Eduardo ; Hogan D. J. (2007). Vulnerabilities and risks in population and

environment studies. Population and Environment v. 28, p. 83-112,

Pebley, A. R. (1998). Demography and the Environment. Santa Monica, v. 35, n. 4, p. 377-

389,

Sawyer, D. (1993). População, meio ambiente e desenvolvimento no Brasil. Brasília: ISPN,


13

Zanella, L. C. H. (2013). Metodologia de Pesquisa. 2ª ed. reimp. – Florianópolis,


Departamento de Ciências da Administração/ UFSC.

Você também pode gostar