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Aula 10

A aula aborda a importância da ludicidade no contexto educacional, destacando como as atividades lúdicas favorecem a interação e o desenvolvimento das crianças nas dimensões moral, cognitiva, afetiva e físico-motora. Os objetivos incluem classificar jogos segundo a teoria de Piaget e reconhecer a relevância do lúdico para o aprendizado. O documento enfatiza que brincar não é apenas entretenimento, mas uma ferramenta essencial para a formação humana e a aprendizagem.
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Aula 10

A aula aborda a importância da ludicidade no contexto educacional, destacando como as atividades lúdicas favorecem a interação e o desenvolvimento das crianças nas dimensões moral, cognitiva, afetiva e físico-motora. Os objetivos incluem classificar jogos segundo a teoria de Piaget e reconhecer a relevância do lúdico para o aprendizado. O documento enfatiza que brincar não é apenas entretenimento, mas uma ferramenta essencial para a formação humana e a aprendizagem.
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Ludicidade e interação –

10
AULA
o olhar psicopedagógico
Aliny Lamoglia
Mara Monteiro da Cruz

Meta da aula
Valorizar a atividade lúdica no contexto educacio-
nal, relacionando-a à ampliação de possibilidades
de interação do ser humano com o meio, favore-
cendo seu desenvolvimento nas dimensões da lin-
guagem moral, cognitiva, afetiva e físico-motora.
objetivos

Esperamos que, ao final desta aula, você seja


capaz de:
1. classificar os jogos, segundo a teoria de Piaget;
2. reconhecer a importância do lúdico para o
desenvolvimento do ser humano;
3. identificar recursos lúdicos que podem ser
utilizados na escola.
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

INTRODUÇÃO Na Aula 9, vimos como é importante o desenvolvimento da linguagem,


que possibilita a comunicação entre as pessoas e organiza o pensamento,
favorecendo a aprendizagem. Você deve estar se perguntando como esti-
mular a comunicação e a interação, ampliando, assim, as possibilidades de
aprendizagem na escola. Nesta aula, perceberemos que as atividades lúdicas
proporcionam momentos de interação fundamentais para o processo edu-
cacional. A psicopedagogia se utiliza destes recursos em diversas situações,
como, por exemplo, na avaliação de alunos com dificuldades no processo
de aprendizagem. A escola também deve se apropriar destas atividades para
tornar o processo de ensino-aprendizagem mais prazeroso e produtivo, res-
peitando o estágio de desenvolvimento das crianças.

BRINCAR... POR QUÊ?

O adjetivo lúdico é derivado do substantivo ludus, em latim, que


significa “jogo” e está relacionado a entretenimento, passatempo e diver-
são. Entretanto, segundo Brougère, na Antiguidade, gregos e romanos
utilizavam a palavra ludus tanto para designar a atividade livre e espon-
tânea, quanto a atividade imposta que caracterizava a escola e os treinos
dos gladiadores, por exemplo. Isso significa que escola era sinônimo de
treino e exercícios. Esta definição não parece atual se considerarmos
algumas escolas da atualidade?
Segundo Winnicott (1975), a brincadeira é universal e própria
da saúde, facilita o crescimento e conduz aos relacionamentos grupais.
Vygotsky afirma que a atividade imaginativa e o jogo de faz de
conta ou jogo dramático são muito importantes para o desenvolvimento
da criança. Através do brinquedo ou da brincadeira, a criança experi-
menta as regras, ao vivenciar os papéis que representa. Por exemplo, na
escola, na Educação Infantil, você já deve ter visto crianças brincando
de casinha, quando representam cenas do cotidiano familiar. Por outro
lado, em casa, algumas crianças costumam brincar de escolinha, imitando
a professora e reproduzindo cenas que vivenciaram na escola.

30 CEDERJ
Daniel Andres Forero

10
AULA
Figura 10.1: Crianças brincando de casinha.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1148550

No contexto da atividade lúdica, a criança também busca a rea-


lização de seus desejos e necessidades no seu universo do faz de conta.
Assim, a imaginação teria origem na ação da criança bem pequena, evo-
luindo ao longo de sua vida. Segundo Vygotsky (1989): “O velho adágio
de que o brincar da criança é a imaginação em ação deve ser invertido;
podemos dizer que a imaginação nos adolescentes e nos adultos é o
brinquedo sem ação” (p. 122).
Vygotsky observou que a brincadeira infantil proporciona intensa
atividade simbólica. Assim, transformando caixas em carrinhos e cabos de
vassoura em cavalos, a criança experimenta a ação regida por regras e deter-
minada pelas ideias, não pelos objetos em si. Conceição (2010) ressalta que:

A intensa elaboração imaginativa, a motivação para a realização e/


ou supressão do desejo/necessidades, a habilidade em ressignificar
objetos, bem como o desenvolvimento de regras, permite, por
meio das atividades lúdicas, o desenvolvimento da criança (p. 37).

Este exercício da imaginação que reelabora a realidade percebida


cria, segundo Vygotsky (1994), uma zona de desenvolvimento proximal,
ou seja, um espaço do desenvolvimento onde é possível interferir e provo-
car transformações/aprendizagens, favorecendo, assim, a internalização
de conceitos e o desenvolvimento das funções psíquicas, porque:

CEDERJ 31
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comporta-


mento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário;
no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade.
Como foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas
as tendências do desenvolvimento sob forma condensada, sendo,
ele mesmo, uma grande fonte de desenvolvimento (p. 134).

Na Aula 5, vimos que zona de desenvolvimento proximal corresponde


à distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz
de fazer com a intervenção de um adulto; é uma potencialidade para
aprender, que não é a mesma para todas as pessoas, ou seja, consiste
na distância entre o nível de desenvolvimento real (onde se localizam as
aprendizagens consolidadas) e o potencial (as aprendizagens futuras).

Piaget afirma que, no brincar, a aprendizagem ocorre através


dos processos de assimilação e acomodação dos conteúdos vivenciados
(reveja estes conceitos na Aula 4) e relaciona os tipos de jogos ao estágio
de desenvolvimento da criança, classificando-os desta forma:
– Jogos de exercício
Atividade presente no desenvolvimento infantil até 18 meses, estes
jogos reaparecem, depois, em outras situações. Consistem em uma longa
repetição motora que dá prazer. É provável que você já tenha visto um
bebê lançar um objeto ao chão repetidas vezes, parecendo divertir-se ao
ver que o adulto sempre o pega de volta. Da mesma forma, a criança de
3 ou 4 anos que pergunta “por quê” inúmeras vezes está mais interessada
no jogo de repetição do que propriamente nas respostas.
– Jogo simbólico
Possível a partir da formação do símbolo na criança, do desen-
volvimento da linguagem, começa aproximadamente aos 2 anos de idade
e corresponde à brincadeira de “faz de conta”. A criança brinca com
bonecos, miniaturas que representam objetos de seu cotidiano, como
panelinhas, móveis, eletrodomésticos etc. ou transforma objetos, imagi-
nando serem outros instrumentos, como, por exemplo, cantar utilizando
uma escova como microfone.

Quando utilizam a linguagem do faz-de-conta, as crianças enri-


quecem sua identidade, porque podem experimentar outras for-
mas de ser e pensar, ampliando suas concepções sobre as coisas e

32 CEDERJ
pessoas ao desempenhar vários papéis sociais ou personagens. Na

10
brincadeira, vivenciam concretamente a elaboração e negociação

AULA
de regras de convivência, assim como a elaboração de um sistema
de representação dos diversos sentimentos, das emoções e das
construções humanas (BRASIL, 1998).

– Jogos sociais (ou de regras)


O interesse por estes jogos surge aos 7 anos, aproximadamente.
Podem ser desportivos, cooperativos, de tabuleiro, jogos de rua etc. Nos
dias atuais, principalmente nos grandes centros urbanos, a escola é a
grande responsável pela realização dos jogos de regras. Nestas regiões,
as crianças não podem mais brincar nas ruas e o apelo dos videogames
é muito forte.

Horton Group

Figura 10.2: Crianças brincando na rua – jogo de regras.


Fonte: http://www.sxc.hu/photo/909359

CEDERJ 33
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

Veja crianças brincando na rua em Belo Horizonte nos anos


1950, acessando:
http://www.youtube.com/watch?v=a2Fd6Gn88-c&feature=fvsr

– Jogos de construção
É o meio termo entre trabalho e jogo. Busca-se manipular objetos
ou elementos do espaço na construção de um novo ambiente. Consiste
na utilização de brinquedos, como blocos, quebra-cabeças e jogos de
encaixe, por exemplo.

Anissa Thompson

Figura 10.3: Criança brincando com jogo de encaixe.


Fonte: http://www.sxc.hu/photo/472031

34 CEDERJ
Kishimoto (2009) acrescenta, como tipos de brincadeiras infantis,

10
o jogo educativo e as brincadeiras tradicionais.

AULA
O jogo educativo tem por objetivo ensinar conceitos escolares.
O uso do jogo potencializa as situações de aprendizagem, desde que
sejam respeitadas as condições para a expressão do jogo, ou seja, a ação
intencional da criança para brincar. A autora ressalta, portanto, que, se
uma criança empilha as peças de um quebra-cabeça para construir um
castelo, em vez de uni-las para aprender a nomear cores, como havia sido
planejado pelo professor, jamais deve ser corrigida ou reprimida. Neste
caso, ela não atingirá o objetivo proposto, mas vivenciará o lúdico, o
faz de conta, a criatividade e a habilidade para empilhar as peças, o que
também deve ser valorizado.
As brincadeiras tradicionais infantis são folclóricas, transmitidas
de pai para filho e têm a função de desenvolver formas de convivência
social e permitir o prazer de brincar. Como exemplos destas brincadeiras,
podemos citar as brincadeiras de roda e outras, como passa-anel.

Michael Lorenzo

Figura 10.4: Criança soltando pipa.


Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1040395

CEDERJ 35
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

ATIVIDADE

Atende ao Objetivo 1

1. Observando o quadro Jogos e brinquedos infantis, pintado por Pieter


Brueghel, identifique três brincadeiras, classificando-as de acordo com a
teoria de Piaget.

Figura 10.5: Jogos e brinquedos infantis, 1560. Obra de Pieter Brueghel que
retrata crianças brincando em uma aldeia medieval.
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5331

RESPOSTA COMENTADA
Jogo simbólico: crianças brincando de cavalinho na cerca.
Jogos sociais: três-marias, rodar pião, corrida de aro, bolinhas de
gude, carniça.

36 CEDERJ
Christie (1991, citada por KISHIMOTO, 2009, p. 25) relaciona

10
as seguintes características dos jogos:

AULA
1. Não literalidade: as situações de brincadeira caracterizam-se por um
quadro no qual a realidade interna predomina sobre a externa. Novos
sentidos são criados (não literais) para substituir os sentidos habituais.
O ursinho de pelúcia servir como filhinho é exemplo de uma situação
em que o sentido não é literal.
2. Efeito positivo: brincar gera prazer e alegria. Quando brinca livremente
e se satisfaz, isso confere efeitos positivos aos aspectos corporal, moral
e social da criança.
3. Flexibilidade: as crianças estão mais dispostas a ensaiar novas combi-
nações de ideias e de comportamentos em situações de brincadeira que
em outras atividades não recreativas. Brincar leva a criança a tornar-se
mais flexível e buscar alternativas de ação para as situações‑problema.
4. Prioridade do processo de brincar: enquanto a criança brinca, sua
atenção está concentrada na atividade em si e não em seus resultados
ou efeitos. O objetivo do jogo deve ser somente este: brincar.
5. Livre escolha: o jogo infantil só pode ser chamado jogo se for escolhido
espontânea e livremente pela criança.
6. Controle interno: são os próprios jogadores que determinam o desen-
volvimento dos acontecimentos.

ATIVIDADE

Atende ao Objetivo 2

2. Leia a citação a seguir e comente-a, abordando a importância da atividade


lúdica para o desenvolvimento humano: “Brincar não é perder tempo, é
ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas mais triste é vê-los enfilei-
rados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação
humana” (Carlos Drummond de Andrade).

CEDERJ 37
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

RESPOSTA COMENTADA
Carlos Drummond de Andrade faz uma crítica à escola que não
considera os interesses e características das crianças, oferecendo
exercícios descontextualizados, sem valor para sua formação. Ao
afirmar que “brincar não é perder tempo”, aponta para o valor da
brincadeira para a aprendizagem. De acordo com Vygotsky, no
contexto da atividade lúdica, a criança busca a realização de seus
desejos e necessidades no seu universo do faz de conta. Brincar
favorece a aprendizagem e o desenvolvimento, criando zonas de
desenvolvimento proximal. Por este motivo, o brincar deve ser valo-
rizado principalmente na educação de crianças.

O BRINCAR E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Para trabalhar com crianças, é preciso apren-

der a jogar com elas antes de interpretar

E. Pavlovsky

No contexto psicopedagógico, o brincar é um importante recurso


de avaliação e de intervenção nos casos de dificuldades no processo de
aprendizagem. Paín (1992) descreve a Hora do Jogo como primeira
ferramenta utilizada para este fim. Utilizada com crianças de até 9 anos,
aproximadamente, tem por objetivo descobrir como a criança brinca e
em que condições é capaz de brincar. Fernandez (1991) também utiliza a
Hora do Jogo Pedagógico como estratégia de avaliação. Em suas palavras:

O saber se constrói fazendo próprio o conhecimento do outro,


e a operação de fazer próprio o conhecimento do outro só se
pode fazer jogando. Aí encontramos uma das interseções entre o
aprender e o jogar (PAÍN, 1992, p. 165).

A terapeuta apresenta à criança, dentro de uma caixa fechada,


elementos com as seguintes características: para desenhar, para recortar,

38 CEDERJ
para pegar, para costurar, para olhar, para ler, para escrever, para guardar

10
(caixinhas de diferentes tamanhos que possam ser colocadas umas dentro

AULA
das outras), para modelar, para juntar... Também elementos diferentes
com a mesma ação (como cola e fita adesiva, por exemplo).
Enquanto a criança brinca com os materiais da caixa, a terapeuta
observa e faz registros. A análise destes dados pode revelar analogias
com a forma de aprender daquela criança, observando-se como ela se
comporta em relação à terapeuta e à utilização do material. A criança
tenta classificar o material disponível antes de utilizá-lo (faz um inventário
experimentando ou simplesmente olhando)? A criança utiliza o material
em função de uma organização simbólica e se “apropria dele” – relaciona
seus elementos, levanta hipóteses, propõe um jogo?
A criança que tem um problema de aprendizagem devido a uma
inibição cognitiva não consegue se organizar nesta atividade, apresen-
tando dificuldades no inventário, na organização e/ou na apropriação
dos materiais.
Na sala de aula, o professor também pode organizar espaços com
diferentes materiais para que o aluno escolha e utilize como quiser, em
algum momento livre, como, por exemplo, ao concluir uma tarefa antes
do restante da turma.
Os jogos devem ser utilizados como privilegiados recursos de
estimulação da aprendizagem, tanto na clínica psicopedagógica quanto
no ambiente educacional escolar. Educadores como Fröebel e Montessori
abordaram, em seus trabalhos, a importância do aprender brincando.
Atualmente, com tantos recursos que seduzem a criança fora da escola,
como os brinquedos tecnológicos, é cada vez mais necessário valorizar
o lúdico e resgatar o prazer de aprender.
Friedmann (1996), baseando-se nos estudos de Piaget, afirma que
a atividade lúdica favorece o desenvolvimento humano nas seguintes
dimensões:
• linguagem: o jogo funciona como um canal de comunicação de pen-
samentos e sentimentos;
• moral: nas atividades lúdicas, se evidencia o processo de construção
de regras, o que deve acontecer numa relação de confiança e respeito.
A criança pequena tem dificuldade em aceitar perder o jogo, devido
ao egocentrismo intelectual. No entanto, vivenciando os momentos de
ganhos e perdas, e evoluindo cognitivamente, torna-se naturalmente

CEDERJ 39
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

capaz de lidar com estas situações, o que não acontecerá se sempre


for protegida das frustrações, o que ocorre em muitas famílias em que
os pais nunca deixam as crianças perderem nos jogos. Estas crianças
tendem a ter dificuldades em lidar com regras, mesmo quando já se
encontram em estágios de desenvolvimento cognitivo que não justifi-
cam mais tais dificuldades;
• cognitiva: o jogo favorece o acesso a novas informações, que podem
originar novos conhecimentos;
• afetiva: a atividade lúdica pode facilitar a expressão dos sentimentos
e emoções;
• físico-motora: esta dimensão será contemplada nas atividades em que
a criança explora o corpo e o espaço, interagindo com o meio, como

Julien/Tromeur

Figura 10.6: Menino jogando bola.


Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1159097

40 CEDERJ
nos jogos desportivos ou nas brincadeiras de rua.

10
As atividades lúdicas podem ser livres ou dirigidas. No ambiente

AULA
educacional, o professor deve utilizar estes momentos para observar e
conhecer melhor seus alunos. Nas atividades dirigidas, deve colocar-se
como mediador, propondo desafios e enriquecendo o ambiente para
favorecer a construção de conhecimentos.

O professor não educa sozinho. Pais, profissionais, outras crian-


ças e a comunidade, todos fazem parte deste conjunto de atores
responsáveis pela educação. O primeiro passo da educação é a
descoberta do que a criança gosta, seus interesses, o que já sabe e
o que gostaria de saber. O brincar é excelente recurso para obser-
vação dos interesses e ações da criança. Pelo brincar, a criança
evidencia saberes e interesses, além de propiciar condições para
aprendizagens incidentais (KISHIMOTO, 2011).

Kishimoto (2011) dá algumas sugestões para a utilização de jogos


e brinquedos na sala de aula:

1. Necessidade de escolher os brinquedos. Não se pode utilizar


brinquedos destinados ao consumo familiar, de uso individualizado
de uma criança, para uso institucional. Os brinquedos destinados
ao uso coletivo devem ser seguros, ter durabilidade e resistência.
Pratos e xícaras não podem ser de miniatura e de plástico pouco
resistente. Melhor os de tamanho normal, feitos de material resis-
tente. As panelas devem ser de alumínio e as conchas de madeira.
2. Ao selecionar e organizar os brinquedos nas salas é necessário
pensar nas temáticas simbólicas significativas no contexto em
que a criança vive, sem fazer distinções de gênero, classe social
ou etnia. Verificar a faixa etária das crianças para selecionar tais
brinquedos. [...] 3. Verificar a utilidade do brinquedo ou objeto
colocado na área da brincadeira, questionando qual o uso que a
criança fará, que tipo de experiência poderá adquirir com o objeto.
Pensar nas experiências significativas das crianças para a seleção
dos brinquedos. 4. Separar os brinquedos em áreas ou setores de
modo que a criança possa utilizá-los sem se desorganizar. Se o
brinquedo serve para construir é preciso que estejam disponíveis
em áreas em que a construção seja possível. Se os brinquedos se
destinam ao faz de conta é preciso que estejam juntos para faci-
litar o aparecimento de temáticas simbólicas. Se o brincar requer
uso de água ou terra é preciso providenciar espaço e materiais.
Brinquedos misturados, quebrados e mal conservados dentro de
caixas não auxiliam o desenvolvimento do imaginário das crianças
5. É importante dar opções de brincadeiras coletivas e individuais

CEDERJ 41
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

que representem a diversidade da cultura lúdica do país. 6. Toda


criança deve ter o direito ao brinquedo e brincadeira independente
de questões de gênero, etnia e classe social, o que equivale dizer
que não se pode separar os brinquedos para meninos e meninas
ou pobres e ricos. A diversidade cultural brasileira deve ser con-
templada na inserção de brincadeiras dos segmentos culturais aos
quais pertencem as crianças. 7. Os brinquedos devem ser organi-
zados em ambientes que favoreçam o uso autônomo da criança,
junto a mobiliário na altura da criança para que favoreça o uso
e a guarda do material.

CONCLUSÃO

Além de ser um momento propício à aprendizagem e ao desenvolvi-


mento, a atividade lúdica precisa ser respeitada, porque é inerente à natu-
reza da criança, e preservada. Em tempos de computador e videogame, que
estimulam o desenvolvimento de algumas habilidades, mas muitas vezes
favorecem o isolamento social, e da violência que impede a brincadeira
de rua, se os profissionais da educação não se responsabilizarem por
oferecer este tipo de atividade à criança, correm o risco de se extinguir
tanto a riqueza cultural dos brinquedos e brincadeiras infantis quanto
a condição saudável do desenvolvimento da criança que se descobre

42 CEDERJ
Thomas Aceytuno

10
AULA
Figura 10.7: Criança brincando com bolinha de sabão.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/781028

descobrindo o mundo de forma livre, espontânea e natural.

ATIVIDADE FINAL
Atende ao Objetivo 3

A partir das teorias estudadas nesta aula, imagine que você precisa providenciar
recursos lúdicos para uma turma de crianças de três anos de idade. Que recursos
você adquiriria? Justifique sua resposta.

CEDERJ 43
Psicopedagogia | Ludicidade e interação – o olhar psicopedagógico

RESPOSTA COMENTADA
A criança de três anos de idade precisa ter garantido o espaço do jogo simbólico,
que pode ser estimulado com um espaço, na sala de aula, com roupas e acessórios
(para brincar de faz de conta), ou com bonecos e miniaturas de móveis e utensílios
(para brincar de casinha). Uma caixa com sucata (limpa e que não ofereça riscos à

RESUMO

criança) também pode servir para este fim. Também são importantes
jogos de construção, com peças grandes (blocos, jogos de encaixe),
para que experimentem diferentes combinações e formas de encaixe.
Brinquedos e jogos educativos adequados a esta faixa etária também
são interessantes e podem ser encontrados no mercado.
As atividades lúdicas proporcionam momentos de interação fundamentais para
o processo educacional. Autores como Winnicott, Vygotsky e Piaget descrevem
a importância de jogos e brincadeiras para o desenvolvimento da criança, nas
dimensões da linguagem, moral, cognitiva, afetiva e físico-motora.
Piaget afirma que, no brincar, a aprendizagem ocorre através dos processos de
assimilação e acomodação dos conteúdos vivenciados e relaciona os tipos de
jogos ao estágio de desenvolvimento da criança, classificando-os como jogos
de exercício, jogo simbólico, jogos sociais (ou de regras) e jogos de construção.
Kishimoto acrescenta, como tipos de brincadeiras infantis, o jogo educativo e as
brincadeiras tradicionais.
No contexto psicopedagógico, o brincar é importante recurso de avaliação e de

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