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VI.5- ENSAIO DE COMPACTAÇÃO
Parte fundamental para o bom desempenho de uma barragem, é a
adequada compactação do aterro, de acordo com as especificações
determinadas a partir dos resultados de ensaios de compactação realizados
em laboratório.
Com a compactação do solo, objetiva-se uma redução de seu volume,
devido à redução do volume de vazios, tornando-o mais denso, e resultando
um solo com maior resistência ao cisalhamento, menor permeabilidade e
menor compressibilidade.
Em outras palavras, pode-se dizer que com a compactação, se esta
procurando aumentar o volume de massa sólida por unidade de volume.
Conseqüentemente, quanto mais sólidos houver por unidade de volume,
mais denso vai ser o solo, e maior sua resistência e menor sua
permeabilidade e deformabilidade.
Observa-se em laboratório, para uma dada energia de compactação,
que a quantidade de massa sólida que se consegue colocar por unidade de
volume, é função da umidade do solo. Ou seja, para uma mesma energia de
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compactação, consegue-se fazer com que o solo fique mais, ou menos,
compacto, dependendo da umidade em que o mesmo foi compactado.
Para quantificar a quantidade de sólidos que esta se colocando por
unidade de volume na compactação de um solo, utiliza-se a Massa
Específica Seca γd = MS / VT, que é a relação entre a massa seca de uma
amostra de solo, ou massa de sólidos (MS) e o volume total desta amostra
(VT) antes de estar seca, ou em seu estado natural.
No laboratório o ensaio de compactação tem a finalidade de determinar
a função de variação da Massa Específica Seca (γd) com o teor de umidade,
para uma dada energia de compactação e que é aplicada ao solo através de
um processo dinâmico. Essa função define um ponto cujas coordenadas,
Teor de Umidade Ótimo x Massa Específica Seca Máxima, são
características reprodutíveis desse solo, para as mesmas condições de
ensaio. No resultado do ensaio, mostrando a curva obtida, geralmente, são
também apresentadas algumas curvas de igual Grau de Saturação,
preferencialmente, aquelas que passam próximo do ponto de máximo da
curva de compactação. Apresenta-se na Figura IV.5.1, o resultado de um
ensaio de compactação.
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No Brasil o Ensaio de Compactação foi normatizado pela ABNT por meio da MB-33 e NBR
7182. É conhecido como ensaio Proctor. Pode-se usar três energias para compactação do solo, que
são a energia normal, a energia intermediária e a energia modificada.
A energia mais utilizada é a energia normal, sendo o ensaio conhecido como Proctor
Normal. Esta energia normal é representativa da energia que as máquinas comumente utilizadas em
obras de pequeno e médio porte, aplicam ao solo.
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Figura VI.5.1 – Curva de Ensaio de Compactação -
Resultados: γdmáximo = 1,726 g/cm3; Wótima = 16,5 % (in Nogueira,
2001)
IV.5.1- ENSAIO PROCTOR NORMAL.
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O ensaio Proctor Normal consiste em compactar uma porção de solo
em um cilindro com 1000cm3, com um soquete de 2,5 kg, caindo em queda
livre de uma altura de 30 cm. Apresenta-se na Figura VI.5.2, um detalhe
deste cilindro e do soquete utilizado.
Figura VI.5.2- Cilindro e soquete para o ensaio Proctor Normal.
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Para a realização do ensaio, solo deve ser colocado dentro do
cilindro, em três camadas.
Sobre cada camada se aplicam 26 golpes do soquete, distribuídos
sobre a superfície do solo. As espessuras das finais das três camadas
devem ser aproximadamente iguais.
Após a compactação de cada uma delas, a superfície é escarificada
com o propósito de dar uma continuidade entre as camadas. O topo da
terceira camada, após a compactação, deverá estar rasante com as bordas
do cilindro.
Este procedimento deve ser repetido 5 vezes, cada uma delas com o
solo em um Teor de Umidade, para que se possa traçar uma curva do tipo
apresentada na Figura VI.5.1. Procura-se que nos ensaios os dois primeiros
Teores de Umidade estejam abaixo da Umidade Ótima esperada para o solo,
que um Teor de Umidade se aproxime da Umidade Ótima prevista, e os
outros dois estejam acima dela.
Para o primeiro ponto a ser ensaiado, recomenda-se que o Teor de
Umidade do solo seja inferior ao Teor de Umidade Ótima prevista, em torno
de 5%.
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Após a compactação, deve-se obter a massa do corpo de prova e se
retirar três porções do solo, coloca-las em cápsulas e levá-las à estufa para
determinação do Teor de Umidade. Desta maneira, obtém-se os dados para
determinação da Massa Específica Seca, através de:
γd = γ / ( 1 + w )
Em seguida, adiciona-se uma quantidade de água ao solo, calculada de forma que, em relação ao ponto anterior, o seu Teor de Umidade se eleve
em torno de 2%. Repete-se este procedimento, até a obtenção de 5 valores de Massa Específica Seca ( γd), que com os 5 valores de Teores de
Umidade utilizados, possibilita a construção da curva de compactação do solo.
A partir da curva de compactação, Figura VI.5.1, obtém-se o valor de Massa Específica Seca Máxima ( γdmáx.), a qual tem como
correspondente o Teor de Umidade Ótimo ( wótim.).
O par de valores γdmáx. e wótim., é uma característica de cada solo, devendo sua determinação ser feita para cada solo a ser
compactado. Apresenta-se na Figura VI.5.3, curvas de compactação de diversos solos brasileiros
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Figura VI.5.3- Curvas de compactação de diversos solos brasileiros ( in Pinto, 2000).
Em campo, o aterro deve ser construído com este Teor de Umidade Ótimo ( w ótim.), procurando-se atingir a Massa Específica Seca
Máxima ( γd máx.) obtida no ensaio Proctor Normal.
São traçadas também as curvas de saturação, que podem ser obtidas a partir da equação:
γd = (γs . Sr . γw) / (Sr . γw + γs . w)
O ensaio pode ser realizado com reuso do solo, ou seja, após
compactado em determinada umidade, o solo é destorroado e reutilizado
na próxima umidade.
Nas Figuras VI.5.5 a VI.5.11, são apresentadas fotos da realização do
Ensaio Proctor Normal.
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VI.5.2- ENERGIA DE COMPACTAÇÃO
A energia aplicada pelo ensaio Proctor de Compactação é dada pela
fórmula:
E = (p . L . n . N) / V , em que:
E = energia aplicada ao solo por unidade de volume;
P = peso do soquete;
L = altura de queda do soquete;
n = número de camadas;
N = número de golpes aplicados a cada camada;
V = volume do cilindro.
VI.5.2- ENERGIA DE COMPACTAÇÃO INTERMEDIÁRIA
E MODIFICADA
Com a construção de grandes obras, houve a construção de grandes máquinas de compactação, conhecidas como “fora de estrada”, as quais
passaram a aplicar uma energia ao solo, maior do que as máquinas comuns aplicam. Para simular estas energias, desenvolveu-se o ensaio Proctor
Intermediário e o Proctor Modificado. Apresenta-se na Figura VI.5.4, curvas de compactação de um mesmo solo, compactado com estas energias.
Apresenta-se na Tabela VI.5.1 a características dos equipamentos para estes ensaios.
Tabela VI.5.1- Dimensões dos equipamentos.
TIPO PROCTOR PROCTOR PROCTOR
NORMAL INTERMEDIÁRIO MODIFICADO
Diâmetro (cm) 10,16 15,24 15,24
Altura (cm) 12,34 11,46 11,46
Volume (cm3) 1000 2090 2090
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Peso do Soquete (kgf) 2,5 4,5 4,5
Altura de queda (cm) 30 45 45
Diâmetro da base (cm) 5 5 5
Número de camadas 3 5 5
No de golpes / camada 26 26 55
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Figura VI.5.4- Curvas de compactação de um solo compactado
com diferentes energias (in Pinto, 2000).
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Figura VI.5.5- Equipamentos para compactação.
Figura VI.5.6- Umedecimento e homogeneização do solo.
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Figura VI.5.7- Compactação do solo no cilindro.
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Figura VI.5.8- Cilindro preenchido com solo compactado
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Figura VI.5.9- Pesagem de cilindro + solo compactado.
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Figura VI.5.10- Retirada de solo compactado do cilindro.
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Figura VI.5.11- Retirada de amostras para determinação do teor de umidade.
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ATERRO EXPERIMENTAL – PCH ZÉ FERNANDO
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VERIFICAÇÃO DO MATERIAL DO ATERRO – PCH ZÉ FERNANDO
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