PRÉ-MODERNISMO NO BRASIL
No início do século XX, a literatura brasileira, de modo geral, não apresentava sinais de
renovação. Os movimentos artísticos que agitavam a Europa não repercutiam no ambiente
artístico brasileiro, ainda bastante acanhado. Alguns escritores, porém, contrariavam esse
estado de coisas. Eram os pré-modernistas.
COMO ERA NOSSA LITERATURA:
A literatura brasileira, nos primeiros anos do século XX, passava longe dos problemas
mais sérios da sociedade brasileira.
Era encarada apenas como uma forma de entretenimento das elites.
Nossa poesia era quase toda parnasiana, com sua linguagem artificial e temas repetidos.
A prosa buscava velhos recursos do Realismo e até do Romantismo.
A DESCOBERTA DE UM OUTRO BRASIL
No entanto, alguns poucos escritores – Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Lima
Barreto e Graça Aranha – destoaram dos demais e produziram obras que mostravam
uma visão crítica da realidade brasileira. Eles foram então chamados de pré-
modernistas.
Segundo o crítico Alfredo Bosi: “Creio que se pode chamar de pré-modernista
tudo o que, nas primeiras décadas do século, problematiza a nossa
realidade brasileira.”
UM PAÍS QUE CRESCE COM MUITOS PROBLEMAS
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“O general que nunca viu uma batalha.
O almirante que jamais comandou um navio.
O que faria um apaixonado pela pátria, um
nacionalista, se topasse com pessoas como essas
ocupando o poder?”
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A MARCA DA ANGÚSTIA E DO PESSIMISMO – LINGUAGEM: CIÊNCIA E SÍMBOLOS
“Ah! Um urubu pousou na minha sorte!”
“Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,”
“A mão que afaga é a mesma que apedreja.”
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Autores:
PROSA
Euclides da Cunha (1866-1909)
Foi colaborador do jornal O Estado de São Paulo, que , em 1897, enviou-o a Canudos,
povoado no interior da Bahia, para escrever sobre as operações que o Exército estava
realizando com o objetivo de sufocar a rebelião de sertanejos liderada por Antônio Maciel, o
Conselheiro. Euclides da Cunha ficou em Canudos até quase o fim das lutas. Com base nas
pesquisas e reportagens feitas para o jornal, publicou, em 1902, Os Sertões.
A obra causou um grande um grande impacto não só pela exuberância e originalidade
de seu estilo como também pela corajosa crítica às ações do Exército que, obedecendo às
ordens do governo republicano recém-proclamado, massacrou os habitantes de Canudos.
Lima Barreto (1881-19220
Afonso Henriques de Lima Barreto fez uma crítica contundente da sociedade carioca (e,
por extensão, da sociedade brasileira) do início do sec. XX. Denunciou o preconceito racial e a
corrupção das nossas elites e falou com carinho do povo sofrido dos subúrbios, de suas vidas
tristes e sem horizontes.
Monteiro Lobato (1882-1948)
Os princípios estéticos de Lobato ainda possuía características clássicas da língua
portuguesa, mas a visão crítica da realidade brasileira e o nacionalismo lúcido e objetivo
revelam a face moderna de Lobato.
Ele descobriu o homem do interior do Brasil em uma nova dimensão da literatura
brasileira, nacionalizando-a.
POESIA
Augusto dos Anjos (1884-1911)
É um poeta único em nossa literatura. Fez uma poesia formalmente trabalhada, em
linguagem cientificista-naturalista e, ao mesmo tempo marcada por uma vulgaridade incrível.
Pessimismo e angústia em face dos problemas e distúrbios pessoais, as incertezas do novo
século e a ameaça de uma guerra mundial, por isso a presença constante da morte em sua obra;
depois dela a desintegração e os vermes apenas.
Uma atitude comum caracteriza postura literária de autores pré-modernistas, a exemplo
de Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha. Pode ela ser
definida como:
A) a necessidade de superar, em termos de um programa definido, as estéticas românticas e
realistas;
B) a pretensão de dar um caráter definitivamente brasileiro à nossa literatura, que julgava
por demais europeizada;
C) uma preocupação com o estudo e com a observação da realidade brasileira;
D) a necessidade de fazer crítica social, já que o Realismo havia sido ineficaz nessa
matéria;
E) o aproveitamento estético no que havia de melhor na herança literária brasileira, desde
suas primeiras manifestações.