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TRIBUTÁRIO

O documento aborda a estrutura e a função do sistema tributário brasileiro, destacando a distinção entre tributos originários e derivados, bem como suas funções fiscal e extrafiscal. Discute a competência tributária dos entes federativos, a natureza dos tributos, e as especificidades de impostos, taxas, contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. Além disso, menciona a recente introdução do imposto seletivo, que visa desencorajar o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

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TRIBUTÁRIO

O documento aborda a estrutura e a função do sistema tributário brasileiro, destacando a distinção entre tributos originários e derivados, bem como suas funções fiscal e extrafiscal. Discute a competência tributária dos entes federativos, a natureza dos tributos, e as especificidades de impostos, taxas, contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. Além disso, menciona a recente introdução do imposto seletivo, que visa desencorajar o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

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TRIBUTÁRIO

Estado precisa de recurso para satisfazer as necessidades.


Pode ser por meio do seu patrimônio ou da tributação (receita do patrimônio – função fiscal).
Originarias – obtida por meio do patrimônio do estado. Relações geralmente reguladas pelo
direito privado.
Derivadas – cria obrigação para o particular. Relação de direito publico. Não importa a vontade
do estado
Tributo pode ser usado como forma de intervenção direcionar comportamento atingir
determinado finalidade econômica ou social.
Ex. aumento imposto cigarro – função extrafiscal
Função fiscal e extrafiscal não se excluem – arrecada recurso e intervenção estado
Parafiscal – instituído pelo estado em favor de outro ente para aplicação nas finalidades
públicas
Ex. Sistema S, repassa para aplicar Ás suas finalidades

CTN é LO, mas foi recepcionado como LC. – art 146 III da CF

Conceito de tributo - artigo 3


a dação em pagamento é admitida como forma de extinção do crédito tributário desde que
preenchidas três condições: a) existência de lei específica autorizando; b) haja manifesto
interesse do fisco no bem; c) o bem oferecido seja imóvel
extrafiscalidade - o Poder Público pode se valer de instrumentos tributários com efeito
sancionatório (não são sanções políticas, portanto) para estimular ou desestimular
determinado comportamento do contribuinte

Competência tributária é a aptidão para criar tributos - Todos os entes federativos – União,
Estados, Distrito Federal e Municípios – têm, dentro de certos limites, o poder de criar
determinados tributos e definir seu alcance, obedecidos os critérios de partilha de
competência estabelecidos pela Constituição.

A competência tributária é indelegável. Ao seu destinatário é dado não exercê-la, ou fazê-lo


parcialmente, mas não lhe é permitido transferir a competência. O princípio da
indelegabilidade da competência tributária está previsto no CTN

#
capacidade tributária ativa, que corresponde à aptidão, de natureza administrativa, de cobrar
ou arrecadar tributos aos cofres públicos.
Embora a competência tributária seja indelegável, nada impede a delegação legal da
capacidade tributária ativa, e isso ocorre por meio da denominada parafiscalidade
Competência privativa - Atribuída com exclusividade a determinado ente político
Competência residual Atribuída à União para instituir, por lei complementar, impostos não
previstos na Constituição Federal e novas fontes de custeio da Seguridade Social.
Competência comum Atribuída a todos os entes políticos

teoria tripartite (ou tricotômica), foi a adotada expressamente pelo CTN

teoria pentapartida (ou quinária), é a teoria adotada pelo Supremo Tribunal Federal (RE
138.284 e RE 146.733) e, segundo a Corte, pela Constituição Federal, e identifica a existência
de cinco espécies tributárias: os impostos, as taxas, os empréstimos compulsórios, as
contribuições especiais e as contribuições de melhoria.
Tributo – Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Sempre instituído por lei ou medida provisória (150, I CF – vedado exigir ou aumentar –
legalidade)

Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva
obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:
I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei;
II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.
ESSE ARTIGO NÃO APLICA A CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL E NEM AOS EMPRESTIMOS
COMPULSORIOS, pois se diferenciam pela destinação dos recursos arrecadados.

ESPÉCIES

IMPOSTOS: fato gerador uma situação independente de qualquer atividade específica


relativa ao contribuinte.
Tributo não vinculado.
Usados para custeio da atividade do estado em geral.
167, inciso IV – veda vinculação (não vinculação ou não afetação. Tem exceções)
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do
produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de
recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do
ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado,
respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações
de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º
deste artigo;
(união tem competência residual podendo criar impostos não previstos desde que por LC e
que seja não cumulativo e base de calculo e fato gerador diverso)
Não cumulatividade – compensar o pago nas operações seguintes evitando que incida varias
vezes.
CF NÃO INSTITUI IMPOSTO, estabelece competência para que cada ente federativo possa
instituir
146 – CABE LC estabelecer fato gerador, base de cálculo e contribuinte.
As alíquotas não precisam ser definidas por lei complementar.
Terão caráter pessoal e graduado segundo a capacidade econômica de cada um
Imposto real – incide sobre coisa e patrimônio

TAXAS

taxas são tributos cujo fato gerador é configurado por uma atuação estatal específica, referível
ao contribuinte, que pode consistir no exercício regular do poder de polícia OU na prestação
ao contribuinte, ou colocação à sua disposição, de serviço público específico e divisível.
Art. 77 CTN
Cobrada por qualquer dos entes, de acordo com a competência para prestar o serviço.
Ex. M – taxa de comercio

são criadas e disciplinadas sempre por meio de lei ordinária. Taxa deve respeitar a
anterioridade nonagesimal e anual.
não podem ter base de cálculo ou fato gerador idêntico ao de imposto (e evita a bitributação).

a) Taxa de polícia: é cobrada em razão da atividade do Estado, que verifica o cumprimento das
exigências legais pertinentes e concede a licença (ou o ato administrativo correspondente); são
instituídas pelo ente político a que couber a atribuição.
Somente cobrada se houver efetivo exercício do poder de policia
Ex. NÃO CABE COBRAR TAXA ANUAL DE RENOVAÇÃO SE M NÃO POSSUI ORGAO QUE
FISCALIZE
STF ENTENDE QUE NÃO PRECISA CADA CONTRIBUINTE SEJA FISCALIZADO, BASTA QUE EXISTA
ORGAO PARA ISSO
b) Taxa de serviço: tem por fato gerador uma atuação estatal consistente na execução de um
serviço público, específico e divisível, efetivamente prestado ou posto à disposição do
contribuinte. Serviços divisíveis são aqueles suscetíveis de ser fruídos por cada usuário.
Serviços indivisíveis, portanto, não comportam taxação
efetiva – usufruído ex. passaporte
potencial – disponibilizado ex. taxa de lixo
potencial ou efetiva é a utilização, mas E não pode cobrar por algo que não foi instituído.

Especifico – pode ser destacado em unidades autônomas de intervenção, de utilidade ou


necessidade publica. Pode ser identificado pelo contribuinte. Sabe o que esta pagando.
Divisível – suscetível de utilização separada por parte dos usuários
Limpeza urbana não é, não da pra mensurar, presta para toda coletividade. Mas a taxa de lixo
sim.
Uti singuli –
Uti universi – gerais que não são divisíveis e específicos.

Não podem ter base de calculo idêntico ao imposto ou ser calculada em função do capital da
empresa (não influencia no serviço prestado). Base de calculo é a grandeza econômica sobre a
qual incide o tributo.

Súmula vinculante 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais


elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra
É Comum que o valor do imóvel, por exemplo, para fins de cobrança do IPTU seja calculado
pelo valor do metro quadrado e valor da área do imóvel previamente fixado, a área do imóvel é
um elemento da base. Nada impede que seja utilizado esse valor para cobrança da taxa de lixo
ou policia, já que não há identidade integral.
A vedação visa evitar que exista dissociação entre o custo da atividade estatal e o valor cobrado
do constituinte promovendo proporcionalidade entre o valor do serviço prestado e aquele
pago pelo contribuinte

# preço públicoou tarifa – cobrado por PJ de direito privado que presta serviço publico
Ex. agua e energia, transporte
Tarifa não é tributo porque sujeita a regime contratual de direito privado.
Obrigação de pagamento depende do agente e Cobrança somente daquele que utilizou o
serviço, de forma proporcional. Não pode cobrar pela utilização potencial do serviço

Taxa é tributo e sujeita a regime público não contratual e cobrada de forma compulsória e por
serviços meramente ou potencialmente utilizado
STF custas judiciais e emolumentos tem natureza de taxa
É tributo vinculado pois depende de uma atividade especifica, porém, não é tributo de
arrecadação vinculada não precisando que o produto da arrecadação seja utulizado com a
atividade ou serviço, salvo uma exceção – ( 98, §2 CF custas e emolumentos destinadas para
essas atividades da justiça)

Superando entendimento anterior o STF entendeu que a taxa estadual pela utilização efetiva
ou potencial dos serviços públicos de prevenção ao combate a incêndio pelos corpos de
bombeiros militares, estando em consonância com os artigos 144, §5º e 145, inciso II, da
CRFB/88. Em um primeiro momento, a jurisprudência do STF considerava a taxa de
bombeiros inconstitucional. Isso ocorria porque os serviços prestados, de combate a
incêndios, busca e salvamento, eram entendidos como gerais e indivisíveis, indo de encontro
aos requisitos previstos no art. 77 do CTN. Entretanto, houve uma mudança de
entendimento no Tribunal sobre a natureza dos serviços prestados pelos bombeiros, no
sentido de que poderiam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, além de
serem suscetíveis de utilização por cada um de seus usuários, nos termos do art. 79, II e III,
do CTN, culminando na compreensão que a referida taxa é, atualmente, constitucional.

É constitucional a instituição de taxa por serviços prestados por órgãos de segurança pública
relativos (i) à segurança preventiva em eventos esportivos e de lazer com cobrança de
ingresso, bem como (ii) à emissão de certidões e atestados, desde que não se destinem à
defesa de direitos ou ao esclarecimento de interesse pessoal (CF/1988, art. 5º, XXXIV, b).
Como regra, serviço de segurança pública não pode ser remunerado por taxa, uma vez que se
insere nos denominados serviços uti universi, dada a impossibilidade de individualização. No
entanto, ha alguns serviços que podem ser oferecidos de modo especifico e divisível. O serviço
de segurança em eventos lucrativos não pode ser cobrados de toda a coletividade, assim como
serviços de copias, etc. Taxa de segurança preventiva relativa a eventos não gratuitos e a
emissão de certidões para defesa de direitos - ADI 3.717/PR info 1184

Existe diferença entre taxa e preço público? A taxa é um tributo, sendo, portanto, objeto de
uma obrigação instituída por lei (VINCULAÇÃO DO SERVIÇO COM A ATIVIDADE ESTATAL); já o
preço é obrigação contratual, assumida voluntariamente – ao contrário da taxa, que é imposta
pela lei a todas as pessoas que se encontrem na situação de usuários (efetivos ou potenciais)
de determinado serviço estatal.

E a tarifa?
A tarifa, uma espécie de preço público, é o preço de venda do bem, exigido por empresas
prestacionistas de serviços públicos (concessionárias e permissionárias), como se fossem
vendedoras.

HAVENDO desvinculação deste serviço com a ação estatal, inexistindo óbice ao desempenho da
atividade por particulares, teremos a tarifa

E o pedágio?
Conforme entendimento do STF (ADI 800), o pedágio cobrado pela efetiva utilização de
rodovias conservadas pelo Poder Público, cuja cobrança está autorizada pelo inciso V, parte
final, do art. 150 da Constituição de 1988, não tem natureza jurídica de taxa, mas sim de preço
público, não estando a sua instituição, consequentemente, sujeita ao princípio da legalidade
estrita”.
CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA –
Art.81 CTN
Cobrada por todos os entes federativos
conecta-se com determinada atuação estatal, qual seja, a realização de uma obra pública de
que decorra, para os proprietários de imóveis adjacentes, uma valorização de suas
propriedades.
O valor exigido do sujeito passivo a título de contribuição de melhoria encontra dois limites
estabelecidos pela legislação: a) limite total; b) limite individual. O limite total ou global é a
despesa realizada (custo da obra). O limite individual está vinculado à condição de cada
imóvel isoladamente analisada

EMPRESTIMO COMPULSORIO - ao ingresso de recursos temporários nos cofres do Estado,


gerando, em sequência, a obrigação do Estado de restituir a importância auferida. Os recursos
arrecadas devem ser destinados ao atendimento das despesas que fundamentaram a
instituição do empréstimo. A competência para instituição dos empréstimos compulsórios é
exclusiva da União. Sua instituição ocorre por meio de LEI COMPLEMENTAR
duas situações:
a) despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública e de guerra externa
efetiva ou iminente; não se sujeitando nem à anterioridade anual, nem à nonagesimal,
podendo ser cobrado no dia seguinte ao da publicação da lei complementar
b) investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional - deve
observar simultaneamente a anterioridade anual e nonagesimal.

NÃO INDICA FATO GERADOR, APENAS A SITUAÇÃO, LC QUE IRA DEFINIR

Contribuições sociais, econômicas e corporativas - são de competência da União, que deve


utilizá-las como instrumento de sua atuação nas respectivas área
são, portanto, tributos finalísticos qualificados pela destinação. Em regra, compete à União
instituir contribuições especiais, com exceção daquelas previstas nos arts. 149, §1º, e 149-A, da
CF

Contribuições para intervenção no domínio econômico


São tributos federais utilizados pela União como ferramenta de regulação sobre setores
estratégicos da economia. Submetem-se às duas anterioridades (anual e nonagesimal).
Existem atividades econômicas que necessitam sofrer intervenção do Estado Federal, de modo
a se provocar ora um controle fiscalizatório, regulando o fluxo de produção, ora uma atividade
de fomento, tendente à melhoria do setor beneficiado, pontualmente selecionada. sob a égide
do art. 170, I a IX e seguintes da CF.
Segundo as regras constitucionais específicas, não incidirão sobre receitas decorrentes de
exportação; incidirão sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; poderão ter
alíquotas: a) ad valorem (variáveis conforme o valor do bem): tendo por base o faturamento, a
receita bruta ou o valor da operação e, no caso da importação, o valor aduaneiro; b) específica:
tendo por base a unidade de medida adotada.

Cosip - Municípios e ao Distrito Federal basta a edição de lei ordinária municipal, não sendo
necessário atender ao disposto no art. 146, III, “a”, da CF/88. Quer dizer, não seria necessária a
edição de lei complementar nacional
IMPOSTO SELETIVO1
A recente reforma tributária trouxe uma inovação significativa ao introduzir no art. 153 da
Constituição o inciso VIII, que cria um novo tipo de imposto sob competência da União. Este
imposto é denominado 'imposto seletivo' (IS) ou popularmente conhecido como 'imposto
sobre o pecado'. Ele é aplicável a bens e serviços que são considerados prejudiciais à saúde ou
ao meio ambiente
desencorajar o consumo desses produtos por meio de uma tributação específica. Essa
característica é dotada de 'extrafiscalidade'
FINALIDADE VAI ALEM DA simples arrecadação: influenciar comportamentos
Diferente de um imposto arrecadatório, cujo objetivo principal é gerar receita para o Estado, o
IS tem um propósito de intervenção. Ou seja, ele busca desestimular o consumo de
determinados produtos, como tabaco e bebidas alcoólicas, por meio de uma carga tributária
elevada.
A seletividade está atrelada à propósito extrafiscal e não essencialidade do bem
A ideia não é taxar mais ou menos algo que é ou não essencial, mas sim taxar mais algo que é
prejudicial desestimulando seu consumo
A gradação das alíquotas chegando a zero reforça isso.

Pontua-se, ainda que não haverá Bitributação, pois o imposto atual – IPI será extinto
gradualmente e o IS será aplicado apenas em 2027, mantendo-o apenas para os produtos da
zona franca de Manaus

diferenças fundamentais. Vejamos:

1) Tributação atual com o IPI: No sistema tributário atual do Brasil, o IPI é usado para
tributar produtos industrializados, incluindo aqueles considerados prejudiciais à saúde, como
cigarros, bebidas alcoólicas e armas. O IPI permite aplicar alíquotas maiores a esses produtos,
resultando em uma carga tributária significativa sobre seu preço final.

2) Novidade do Imposto Seletivo: A proposta do Imposto Seletivo, trazida pela


reforma tributária, difere do IPI principalmente no critério utilizado para determinar as
alíquotas. Enquanto o IPI baseia-se na "essencialidade" dos bens (por exemplo, alíquotas zero
para alimentos essenciais), o imposto seletivo focaria em tributar bens e serviços considerados
nocivos à saúde e ao meio ambiente. Assim, a ideia do IS é desencorajar o consumo desses
produtos através da tributação.
lei complementar definirá o que são exatamente 'bens e serviços prejudiciais à saúde
ou ao meio ambiente'. No entanto, a instituição do imposto em si pode ser feita por uma lei
ordinária.
Vejamos alguns aspectos práticos desse Imposto Seletivo:

1) Ele incidirá sobre atividades de produção, extração, comercialização ou


importação desses bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
2) Ele incidirá apenas uma vez sobre o bem ou serviço, ao contrário do IPI, que é
plurifásico.
3) Não será incluído em sua própria base de cálculo, mas fará parte da base de
cálculo de outros impostos como ICMS, ISS (enquanto existirem), IBS e CBS.

1
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. EC 132/2023: Altera o Sistema Tributário
Nacional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
f3f27a324736617f20abbf2ffd806f6d>.
4) As alíquotas podem ser fixadas por lei ordinária e podem ser específicas (por
unidade de medida) ou ad valorem (percentual sobre o valor).
5) O IPI apresenta exceção à anterioridade de exercício para alteração da alíquota. Já
o IS deverá observar a anterioridade de exercício e a anterioridade nonagesimal.
6) O IPI não incidirá de forma cumulativa com o IS (alínea b do inciso III do art. 126 do
ADCT).

Especificamente na extração, o Imposto Seletivo terá uma alíquota máxima de 1% do


valor de mercado, com foco nos impactos ambientais locais.

Por fim, o Imposto Seletivo não incidirá:


1- sobre as exportações (à exceção da extração de bens);
2- sobre as operações com energia elétrica e com telecomunicações; e
3- sobre os bens ou serviços cujas alíquotas sejam reduzidas nos termos do § 1º c/c §
9º do art 9º da EC, dentre os quais se destaca:
i) produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in
natura - que podem incluir defensivos agrícolas;
ii) insumos agropecuários e aquícolas;
iii) alimentos destinados ao consumo humano a serem definidos em lei
complementar (inciso I do § 6º do art. 153 c/c § 9º do art. 9º da EC).

Outras classificações
tributos têm finalidade arrecadatória (ou fiscal) ou finalidade regulatória (ou
extrafiscal). A extrafiscalidade, em maior ou menor grau, pode estar presente nas várias figuras
tributárias.

Outra classificação dos tributos, que os separa em reais ou pessoais, depende de se


verificar se predominam características objetivas ou subjetivas na configuração do fato gerador.
Se o tributo leva em consideração aspectos pessoais do contribuinte (nível de renda, estado
civil, etc.), ele se diz pessoal. Real será o tributo que ignore esses aspectos.

Os tributos podem, ainda, ser vinculados ou desvinculados (tributos bilaterais ou


unilaterais). Vinculados são aqueles que pressupõem uma atividade estatal a ser por eles
remunerada. Os desvinculados independem de uma atividade estatal relativa ao contribuinte.

Uma classificação, de fundo econômico, mas com reflexos jurídicos, é a que divide os
tributos em diretos e indiretos. Os primeiros são devidos, ‘de direito”, pelas mesmas pessoas
que, “de fato”, suportam o ônus do tributo (exemplo clássico é o Imposto de Renda). Os
indiretos, ao contrário, são devidos, “de direito”, por uma pessoa (dita “contribuinte de
direito”), mas suportados por outra (“contribuinte de fato”): o “contribuinte de direito” recolhe
o tributo, mas repassa o respectivo encargo financeiro para o “contribuinte de fato”. Exemplo
clássico dessa última divisão são os impostos que gravam o consumo de bens e serviços (IPI,
ICMS e ISS).

Consoante grave apenas uma das fases do processo produtivo, ou mais de uma delas,
o tributo diz-se monofásico (exemplo: IOF) ou plurifásico (exemplo: IPI e ICMS).

A classificação dos tributos em cumulativos e não cumulativos diz respeito à técnica


de aplicação dos tributos multifásicos; os cumulativos incidem em várias fases de circulação do
bem, sem se computar ou sem se deduzir o valor que já incidiu nas fases anteriores. Não
cumulativo é o tributo que, em cada fase, incide apenas sobre o valor que nela se agregou, ou
grava todo o valor acumulado do bem, descontando-se, porém, o valor que já gravou as fases
anteriores (exemplo: IPI e ICMS).
Os tributos podem, ainda, ser progressivos ou não progressivos; seletivos ou não
seletivos. Os tributos progressivos têm alíquotas graduadas conforme a capacidade econômica
do contribuinte. Os tributos não progressivos são cobrados de modo uniforme em relação a
todos os contribuintes, sem levar em consideração a capacidade econômica de cada um. Os
tributos seletivos têm sua força econômica graduada conforme a relevância social do produto
ou do serviço. Os tributos não seletivos são cobrados sem levar em consideração a
importância social do objeto tributado.

#RESUMEAÍPROF:
Pertencem aos:
Estados e DF - IR pagos por eles, suas autarquias e pelas fundações que
instituírem e mantiverem;
20% dos impostos residuais
Municípios - IR pagos por eles, suas autarquias e pelas fundações que
instituírem e mantiverem;
-50% do ITR dos imóveis neles situados ou 100% se fiscalizar e
cobrar
-50% do IPVA licenciados em seus territórios e, em relação a
veículos aquáticos e aéreos, cujos proprietários sejam domiciliados
em seus territórios
-50% do ICMS circulação de mercadorias, transporte e
comunicação
-50% da parte do Estado no Imposto do 156-A
-as parcelas de receita do 50% do ICMS, serão creditadas aos Municípios conforme os
seguintes CRITÉRIOS:

65%, no mínimo até 35%


na proporção do valor adicionado nas de acordo com o que dispuser lei estadual,
operações relativas à circulação de observada, obrigatoriamente, a distribuição
mercadorias e nas prestações de serviços, de, no mínimo, 10 pontos percentuais com
realizadas em seus territórios; base em indicadores de melhoria nos
resultados de aprendizagem e de aumento
da equidade, considerado o nível
socioeconômico dos educandos.

-as parcelas de receita do 50% da parte do Estado no Imposto do 156-A, serão creditadas aos
Municípios conforme os seguintes CRITÉRIOS:

80% na proporção da população


10% com base em indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e de
aumento da equidade, considerado o nível socioeconômico dos educandos, de
acordo com o que dispuser lei estadual;
5% com base em indicadores de preservação ambiental, de acordo com o que
dispuser lei estadual;
5% em montantes iguais para todos os Municípios do Estado

União entregará
50% da seguinte forma:
-IR -21,5% ao Fundo de Participação dos Estados e do DF
-22,5% ao Fundo de Participação dos Municípios
- IPI - 3% para aplicação em programas de financiamento ao setor
produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de
-Imposto de bens suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os
prejudiciais à saúde ou planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao
ao meio ambiente semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à
Região, na forma que a lei estabelecer
-1% ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue
no primeiro decêndio do mês de julho de cada ano
-1% ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue
no primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano
1% ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue
no primeiro decêndio do mês de setembro de cada ano
10% aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das
- IPI respectivas exportações de produtos industrializados
-Imposto de bens
prejudiciais à saúde ou
ao meio ambiente
29% da CIDE para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei,
combustível observadas as destinações a que se referem as alíneas "c" e "d"
do inciso II art. 177, § 4º.

Classificação
Competência
FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL
Quem pode instituie

Competência impositiva
Privativos> somente instituído por ente politico ex. iptu
Comum – qualquer ente – ex. taxa e contribuição de melhoria
Residuais – não estão previstos, mas podem ser criados pela U
Ex impostos e novas contribuições para seguridade social

Finalidade
Fiscal – servem para arrecadar
Extrafiscal – intervenção do estado direcionando comportamento do particular
Parafiscal – lei atribuí a ente diverso do que instituiu o produto da arrecadação

Quanto a hipótese de incidência


Vinculado – exige atividade específica do ente tributante em relação ao contribuinte
(referibilidade / retributivo)
Ex. taxa
Não vinculado – cobra independente da atividade estatal

Quanto ao destino da arrecadação


Arrecadação vinculada – cujos recursos devem ser aplicados em uma determinada despesa
Ex. empréstimo compulsório
Não vinculada – usado livremente
Todo tributo cobrado mediante atividade administrativa vinculada - nesse caso a vinculação
diz respeito a cobrança, obrigatoriedade sem margem de discricionariedade e não ao fato
gerador ou destino

Repercussão
DIRETO – sujeito passivo é quem sobre o encargo
Indireto – tributo cujo encargo e repassado a terceiro
Ex. ICMS
Nele classifica como Contribuinte de direito – sujeito passivo
Contribuinte de fato – quem arca com o tributo

Limitações
Princípios e imunidades são as chamadas limitações ao poder de tributar. Há outras garantias
tb previstas.
As limitações são direitos fundamentais do contribuinte, sendo clausula petrea.

146 – LC regula as limitações

Princípios
Art 5 II CF – legalidade
Art. 150 – precisa de lei para exigir ou aumentar
Pode Medida provisória – tem força de lei
Alguns tributos exigem LC – impostos e contribuições residuais (empréstimo compulsória e IGF)
Aplica tb ao aumento – majoração da alíquota ou base de calculo

Art. 97. Sòmente a lei pode estabelecer:


I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57
e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no
inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos
arts. 21, 26, 39, 57 e 65;
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos,
ou para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa
ou redução de penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe
em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II dêste artigo, a
atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.
(limitada a inflação do período – não precisa de lei)
Ex. IPTU e IPVA
Se for além da inflação ai o aumento precisa de lei
S 160 STJ
Não aceita taxa Selic – engloba juros e correção

Exceções à legalidade:
- alíquotas do II, IE, IPI, IOF
Finalidade é extrafiscal e por isso podem ser alteradas sem lei
- CIDE combustíveis – alíquotas reduzidas ou restabelecer por meio de ato do poder executivo
Perceba que não pode majorar.

- ICMS combustível – alíquota fixada por deliberação do estado no âmbito do convenio do


CONFAZ
- Fixação de prazo para pagamento pode ser estabelecido por ato que não seja lei
Isonomia
Art. 5 CF
Art 150 II CF
Horizontal – veda tratamento desigual a quem esteja na mesma situação
Vertical – obriga que quem esteja em situação diversa deve ser tratada de maneira diferente.
Materializa pela capacidade contributiva. Quem tem mais paga mais
A progressividade tb materializa esse principio
A capacidade foi prevista para os impostos, mas o STF entende que pode ser estendido aos
demais
O STF editou
S 656
STF 668
Constitucional lei RS que estabeleceu alíquota progressiva do ITCMD dependendo do valor do
quinhão recebido – não fere a capacidade contribuinte e nem a CF
As sumulas estão vigentes
Não permite progressividade no ITBI, porém no caso do ITCMD ou impostos reais
Iptu – tb pode alíquota progressivas
- LEI QUE CONCEDE ISENÇÃO A OFICIAS, ISENTA SERVIDOR DE IPTU, INCONSTITUCIONAIS
- TRATAMENTO DESIGUAL A ME, PODE.
-DECISOES DO STF
Pode tratamento diferenciado quando justificado politica de extrafiscalidade

Irretroatividade
1. Sistema Tributário Nacional
1.1 Noções Iniciais e Conceito de Tributo
• Conceito: A tributação tem sido historicamente uma fonte de conflito, o que levou ao
desenvolvimento do constitucionalismo como ferramenta para controlar o poder estatal de
tributar. O Sistema Tributário Nacional (STN) é o conjunto de normas constitucionais que
regem o financiamento da máquina e serviços públicos pela sociedade, através de tributos.
• Embasamento Legal: Art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN).
• Conceito de Tributo: É toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
• Pontos Importantes – Requisitos Cumulativos do Tributo:
◦ Prestação Pecuniária: Obrigação de pagar em dinheiro. A expressão "ou cujo valor nela se
possa exprimir" permite a fixação de valores por indexadores ou, excepcionalmente, dação
em pagamento.
◦ Compulsória: O dever de pagar é determinado pela Constituição e leis, independente da
vontade do contribuinte.
◦ Não Constitui Sanção de Ato Ilícito: Esta é a principal diferença entre tributo e multa.
Ambos são receitas derivadas, mas a multa é uma sanção por ato ilícito, enquanto o tributo
não o é.
◦ Instituído por Lei: Só pode ser criado por lei (ordinária ou complementar) ou ato
normativo de igual força, como medida provisória.
◦ Cobrado Mediante Atividade Administrativa Plenamente Vinculada: A autoridade
tributária não possui discricionariedade; a cobrança é obrigatória e sem margem de
conveniência.
• Insight: A rigorosa definição e estruturação do tributo refletem a busca por equilíbrio entre
a necessidade de financiamento estatal e o respeito aos direitos fundamentais do
contribuinte.
1.2 Espécies Tributárias
O tributo é o gênero, do qual se originam as seguintes espécies:
1.2.1 Imposto
• Conceito: Tributo exigível independentemente de qualquer atividade estatal específica
relativa ao contribuinte. Suas receitas são destinadas ao custeio geral das atividades do
Estado, sem vinculação a um serviço específico. Incide sobre manifestações de riqueza do
contribuinte.
• Embasamento Legal: Art. 145, § 1º da CF/88.
• Pontos Importantes:
◦ É um tributo não vinculado.
◦ Sempre que possível, terá caráter pessoal e será graduado segundo a capacidade
econômica do contribuinte (Princípio da Capacidade Contributiva).
1.2.2 Taxa
• Conceito: Tributo exigível em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização
efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou
postos à sua disposição.
• Embasamento Legal: Art. 145, II da CF/88 e Art. 77 do CTN.
• Diferenciações e Pontos Importantes:
◦ É um tributo vinculado a uma atividade estatal específica.
◦ As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos (Art. 145, § 2º da CF/88).
• Jurisprudência e Súmulas:
◦ O Supremo Tribunal Federal (STF) entende que o valor das taxas deve ter uma correlação
razoável com o custo do serviço que as motiva ou com a atividade de polícia desenvolvida.
◦ Súmula Vinculante nº 29-STF: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de
um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não
haja integral identidade entre uma base e outra.
◦ Súmula Vinculante nº 19-STF: A taxa cobrada exclusivamente pelos serviços públicos de
coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis,
não viola o Art. 145, II da CF/88.
1.2.3 Contribuições de Melhoria
• Conceito: Tributo cujo fato gerador é a valorização imobiliária decorrente de obra pública.
• Origem: Considera-se que sua origem remonta a 1605, na Inglaterra, para obras de
requalificação de rios.
• Base de Cálculo: O custo total da obra pública, rateado entre os beneficiários na proporção
da valorização de cada propriedade.
• Pontos Importantes – Limites:
◦ Limite Individual: O valor máximo que cada contribuinte pode pagar não pode
ultrapassar a valorização que seu imóvel teve.
◦ Limite Global: O total arrecadado com todas as contribuições de melhoria não pode
exceder o custo total da obra pública.
• Insight: Sua razão de ser é aplicar o princípio da igualdade material, prevenindo o
enriquecimento ilícito decorrente de obras públicas custeadas com recursos de todos.
1.2.4 Empréstimos Compulsórios
• Conceito: São empréstimos forçados, coativos, porém restituíveis, instituídos por
determinação legal, não por contrato.
• Embasamento Legal: Art. 148 da CF/88.
• Pontos Importantes:
◦ Competência exclusiva da União.
◦ Devem ser instituídos por lei complementar. Não podem ser instituídos por medida
provisória (Art. 62, III da CF/88).
◦ Fatos Geradores Possíveis:
▪ Para atender a despesas extraordinárias decorrentes de:
• Calamidade Pública: Situações de emergência, como desastres naturais.
• Guerra Externa ou sua iminência: Preparação ou enfrentamento de conflitos
armados.
▪ No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.
◦ Nos casos de guerra externa/iminência e calamidade pública, a cobrança pode ser feita
de imediato, sem necessidade de obediência aos princípios da anterioridade e noventena.
◦ São tributos de arrecadação vinculada, ou seja, os recursos obtidos devem ser aplicados
na despesa que fundamentou sua instituição (Art. 148, Parágrafo único da CF/88).
1.2.5 Contribuições Especiais
• Espécies Constitucionais: Contribuições sociais (gerais e de seguridade social), de
intervenção no domínio econômico (CIDE), de interesse de categorias profissionais ou
econômicas, de iluminação pública (COSIP) e as novas contribuições sobre produtos
primários e semielaborados (introduzidas pela EC nº 132/23).
• Embasamento Legal - Competência: Compete exclusivamente à União instituir as
contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias
profissionais ou econômicas (Art. 149, caput da CF/88).
• Diferenciações e Exceções à Competência da União:
◦ Contribuições para Regime Próprio de Previdência Social: A União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios podem instituir, por lei, contribuições para custeio de seus regimes
próprios, cobradas de servidores ativos, aposentados e pensionistas, com alíquotas
progressivas (Art. 149, § 1º da CF/88).
◦ Reforma da Previdência (EC nº 103/2019): Incluiu previsões para:
▪ § 1º-A: Em caso de déficit atuarial, a contribuição de aposentados e pensionistas pode
incidir sobre valores que superem o salário-mínimo.
▪ § 1º-B: Possibilidade de contribuição extraordinária para servidores ativos,
aposentados e pensionistas, se a medida anterior for insuficiente.
▪ § 1º-C: A contribuição extraordinária deve ser temporária e instituída com outras
medidas para equacionar o déficit.
◦ Contribuição de Iluminação Pública (COSIP):
▪ Embasamento Legal: Art. 149-A da CF/88.
▪ Competência: Municípios e Distrito Federal.
▪ Cobrança: Facultada na fatura de consumo de energia elétrica.
▪ Origem: Criada após o STF firmar na Súmula Vinculante nº 41 que o serviço de
iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa, por não atender aos requisitos
de especificidade e divisibilidade.
▪ Alteração EC nº 132/23 (Reforma Tributária): Ampliou o escopo da COSIP para custeio,
expansão e melhoria do serviço de iluminação pública, e para sistemas de monitoramento
para segurança e preservação de logradouros públicos.
◦ Contribuições sobre Produtos Primários e Semielaborados (EC nº 132/23):
▪ Embasamento Legal: Art. 136 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT).
▪ Competência: Estados que possuíam fundos similares em 30 de abril de 2023.
▪ Finalidade: Investimentos em infraestrutura e habitação.
▪ Características: Devem respeitar limites de alíquota e base de incidência vigentes em
30/04/2023, ter a mesma destinação de receita e serão extintas em 31 de dezembro de 2043.
▪ Crítica: Cria complexidade e contraria o objetivo de simplificação da Reforma
Tributária.
• Normas Comuns às Contribuições Sociais e de Intervenção no Domínio Econômico (Art.
149, § 2º, § 3º, § 4º da CF/88):
◦ Não incidirão sobre receitas decorrentes de exportação.
◦ Incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços.
◦ Poderão ter alíquotas:
▪ Ad valorem: Baseadas no faturamento, receita bruta, valor da operação, ou valor
aduaneiro na importação.
▪ Específicas: Baseadas na unidade de medida (por exemplo, por litro, quilograma).
◦ A pessoa natural destinatária de importações poderá ser equiparada à pessoa jurídica.
◦ A lei definirá as hipóteses de cobrança uma única vez (monofasia), evitando duplicidade.
1.3 Nota Introdutória à Reforma Tributária: Emenda Constitucional nº 132 de 2023
• Críticas ao Modelo Anterior: O modelo pré-Reforma era caracterizado por complexidade,
fragmentação da base de incidência, limitações à não cumulatividade e a prática de cobrança
do ICMS na origem, que resultava em "guerra fiscal". Exemplos como a reclassificação fiscal
da casquinha do McDonald’s e do bombom Sonho de Valsa ilustram as distorções e a
pulverização da base tributária.
• Objetivo da Reforma: Superar os problemas do modelo anterior, simplificar o sistema,
reduzir distorções econômicas e promover maior equidade e eficiência.
• Novos Tributos Centrais: A EC nº 132/23 reestruturou o sistema de tributação sobre o
consumo, substituindo IPI, ICMS, ISSQN, COFINS e PIS por apenas dois tributos principais:
◦ Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS):
▪ Conceito: Tributo compartilhado por Estados e Municípios.
▪ Característica: Será cobrado no destino das mercadorias ou serviços, visando eliminar
desequilíbrios e combater a guerra fiscal.
▪ Embasamento Legal: Detalhado no Art. 156-A e seguintes da CF/88.
◦ Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS):
▪ Conceito: Tributo de competência da União, com alíquota definida e receita
pertencente a ela.
▪ Característica: É uma espécie de contribuição para a seguridade social, prevista no Art.
195, V da CF/88.
• Sistemática: A instituição do IBS e CBS implementa no Brasil um sistema de IVA-Dual
(Imposto sobre Valor Agregado Dual), combinando um IVA federal (CBS) e um IVA
estadual/regional (IBS).
• Outros Aspectos da Reforma:
◦ Criação do Imposto Seletivo, focado em bens e serviços com impactos negativos à saúde
ou ao meio ambiente.
◦ Criação de uma nova contribuição estadual sobre produtos primários e semielaborados
para financiar infraestrutura e habitação, substituindo antigas "contribuições voluntárias".
• Extinção/Manutenção de Tributos:
◦ Extintos: ICMS, ISSQN, PIS, COFINS.
◦ Mantido (com alterações): IPI, apenas para operações com industrialização incentivada
na Zona Franca de Manaus e outras áreas de livre comércio (Art. 92-B do ADCT).
• Quadro-Resumo da Transformação.
1.4 Limitações ao Poder de Tributar
• Conceito: Obstáculos estabelecidos na Constituição Federal para evitar que o poder de
tributar exceda as atribuições, impondo carga onerosa insuportável ao contribuinte.
1.4.1 Princípio da Legalidade
• Conceito: Nenhuma exigência ou aumento de tributo pode ocorrer sem a prévia instituição
por lei. É uma conquista histórica contra tributações arbitrárias.
• Embasamento Legal: Art. 150, I da CF/88 e, genericamente, Art. 5º, II da CF/88.
• Pontos Importantes – Reserva Legal:
◦ Regra Geral: Exigência de lei ordinária.
◦ Lei Complementar (Exceções): Alguns tributos federais exigem lei complementar para
instituição/majoração devido à sua importância e ao quórum qualificado:
▪ Empréstimos Compulsórios (Art. 148, I e II da CF/88).
▪ Imposto sobre Grandes Fortunas (Art. 153, VII da CF/88).
▪ Impostos Residuais (Art. 154, I da CF/88).
▪ Contribuições Sociais Previdenciárias Residuais (Art. 195, §4º c/c Art. 154, I da CF/88).
◦ A lei também é exigida para extinção, redução de tributo e concessão de benefícios fiscais
(Art. 150, § 6º da CF/88 e Art. 97 do CTN), em obediência ao princípio do paralelismo das
formas.
• Exceções ao Princípio da Legalidade (atos infralegais):
◦ Atualização do Valor Monetário da Base de Cálculo do Tributo: Não constitui majoração e
pode ser feita por ato infralegal, desde que não configure aumento da base de cálculo em si.
▪ Súmula nº 160 do STJ: "É defeso, ao Município, atualizar o Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU), mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção
monetária".
◦ Fixação do Prazo para Recolhimento do Tributo: O STF admite alteração por ato infralegal.
◦ Majoração de Tributos Específicos: O Poder Executivo Federal pode alterar, dentro dos
limites legais, as alíquotas de:
▪ Imposto de Importação (II) e Imposto de Exportação (IE).
▪ Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF).
◦ Exceções da EC nº 33/2001 (tributação sobre combustíveis): Permite ao Executivo reduzir
e restabelecer alíquotas da CIDE-combustíveis por decreto, e aos Estados/DF definir, por
convênio no CONFAZ, as alíquotas do ICMS-monofásico para combustíveis.
• Medida Provisória em Matéria Tributária:
◦ É possível o uso de Medida Provisória (MP), desde que observados os requisitos de
relevância e urgência.
◦ Regra de Efeitos: MP que institua ou majore impostos (exceto II, IE, IPI, IOF e Impostos
Extraordinários de Guerra) só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se convertida
em lei até o último dia do exercício de sua edição (Art. 62, § 2º da CF/88).
◦ Impedimentos Constitucionais:
▪ Vedada a edição de MP sobre matéria reservada a lei complementar (Art. 62, § 1º, III
da CF/88).
▪ Vedada a adoção de MP na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação
tenha sido alterada por emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 e 11 de setembro
de 2001 (Art. 246 da CF/88).
1.4.2 Princípio da Isonomia
• Conceito: Vedado instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em
situação equivalente, e exigir tratamento desigual aos que se encontrem em situação
distinta, na medida em que se diferenciam.
• Embasamento Legal: Art. 150, II da CF/88.
• Jurisprudência do STF:
◦ Considerou inconstitucional a diferenciação na base de cálculo da contribuição
previdenciária entre servidores da União e de outros entes federativos por ofensa à isonomia
(ADI nº 1305/DF).
◦ Considerou inconstitucional a isenção de IPTU baseada exclusivamente na qualidade de
servidor público (AI 157.871-AgR).
◦ Entendeu que a exclusão de sociedades de profissionais liberais do regime do Simples
(antes da LC 147/2014) não violava a isonomia, pois essas sociedades tinham condições de
disputar o mercado sem assistência estatal.
• Relação com o Princípio da Capacidade Contributiva:
◦ Embasamento Legal: Art. 145, § 1º da CF/88.
◦ Conceito: Os impostos devem ter caráter pessoal e ser graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte.
◦ O STF entende que, embora o Art. 145, § 1º mencione apenas impostos, o princípio da
capacidade contributiva pode se aplicar às demais espécies tributárias (RE 562.045/RS).
1.4.3 Princípio da Não Surpresa
• Conceito: Protege a previsibilidade no âmbito tributário, garantindo que os contribuintes
possam se programar financeiramente. Impede a aplicação retroativa de leis, a oneração por
regras inexistentes no momento do fato gerador, ou a cobrança imediata de novos
tributos/majorações.
• Desdobramentos: Irretroatividade, Anterioridade do Exercício Financeiro e Anterioridade
Nonagesimal.
[Link] Princípio da Irretroatividade
• Conceito: A lei tributária possui vigência prospectiva, ou seja, não pode atingir fatos
geradores ocorridos antes de seu início de vigência.
• Embasamento Legal: Art. 150, III, “a” da CF/88 e Art. 105 do CTN.
• Diferenciação: O Art. 105 do CTN menciona fatos geradores pendentes (que se iniciam sob
uma lei e se completam sob outra, aplicando-se a lei nova), o que pode gerar incongruência
com a irretroatividade.
• Exceções (Art. 106 do CTN) – Possibilidade de Efeito Retroativo: A lei pode retroagir apenas
nos seguintes casos:
◦ Quando for expressamente interpretativa, desde que não aplique penalidade à infração
dos dispositivos interpretados.
◦ Quando tratar de ato não definitivamente julgado e for mais benéfica ao sujeito passivo
(ex: deixe de definir ato como infração, deixe de tratá-lo como contrário a exigência de
ação/omissão – se não fraudulento e sem falta de pagamento –, ou comine penalidade
menos severa).
• Ponto Importante: Garante a previsibilidade das obrigações fiscais, permitindo retroagir
apenas em benefício do contribuinte.
[Link] Princípio da Anterioridade do Exercício Financeiro
• Conceito: Proíbe a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que a lei que os
instituiu ou aumentou foi publicada.
• Embasamento Legal: Art. 150, III, “b” da CF/88.
• Pontos Importantes – Entendimento do STF:
◦ Súmula Vinculante nº 50-STF: "Norma legal que altera o prazo de recolhimento de
obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade".
◦ A mera atualização monetária do valor do tributo ou da sua base de cálculo não é
majoração, logo, não se sujeita à anterioridade.
◦ A redução ou extinção de desconto para pagamento de tributo não é equiparada à
majoração e, portanto, não incide o princípio da anterioridade.
• Exceções ao Princípio da Anterioridade Anual (não se sujeitam):
◦ Empréstimos compulsórios de guerra ou calamidade.
◦ Imposto de Importação (II).
◦ Imposto de Exportação (IE).
◦ Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
◦ Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
◦ Impostos Extraordinários de Guerra.
◦ Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Art. 195, § 6º da CF/88).
• Exceções Parciais:
◦ ICMS monofásico sobre Combustíveis (Art. 155, § 4º, IV da CF/88).
◦ CIDE-combustíveis (Art. 177, § 4º, I, “b” da CF/88).
◦ Nesses casos, a CF permite a redução e o restabelecimento das alíquotas sem obediência
à anterioridade. No entanto, se um restabelecimento resultar em majoração que ultrapasse o
teto do percentual anterior, deve obedecer à anterioridade.
• Revogação/Redução de Benefícios Fiscais:
◦ O STF firmou a tese de que a revogação ou supressão de benefícios ou incentivos fiscais
que resultem em majoração indireta de tributos se aplica o princípio da anterioridade
tributária (geral e nonagesimal) (Tema 1.383 - RE 1.473.645/PA).
• Medida Provisória: A MP que implique instituição ou majoração de impostos (exceto II, IE,
IPI, IOF e Impostos Extraordinários de Guerra) só produzirá efeitos no exercício financeiro
seguinte se for convertida em lei até o último dia daquele exercício em que foi editada (Art.
62, § 2º da CF/88).
[Link] Princípio da Anterioridade Nonagesimal ou Noventena
• Conceito: Vedado cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que a lei
que os instituiu ou aumentou haja sido publicada.
• Embasamento Legal: Art. 150, III, “c” da CF/88. A regra foi inserida pela EC nº 42/2003,
embora regra similar já existisse para as Contribuições para o Financiamento da Seguridade
Social (Art. 195, § 6º da CF/88).
• Regra Geral: Em caso de instituição ou majoração de tributo, os princípios da anterioridade
anual e nonagesimal devem ser observados cumulativamente. A cobrança só pode ser
efetuada após 90 dias da publicação da lei E no início do exercício subsequente.
• Exceções à Noventena (não se sujeitam):
◦ Imposto de Importação (II).
◦ Imposto de Exportação (IE).
◦ Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
◦ Impostos Extraordinários de Guerra.
◦ Empréstimos Compulsórios de guerra ou calamidade.
◦ Imposto de Renda (IR).
◦ Base de cálculo do IPTU e do IPVA.
• Ponto Importante: O IPI não se sujeita ao princípio da anterioridade de exercício, mas se
submete ao princípio da anterioridade nonagesimal ou noventena, devido à sua importância
na arrecadação federal e à necessidade de proteção do contribuinte.
1.4.4 Princípio da Vedação ao Confisco
• Conceito: Proíbe o uso do tributo com efeito confiscatório, ou seja, a criação de tributos
com alíquotas desproporcionais que absorvam significativamente parte do patrimônio ou da
receita do cidadão.
• Embasamento Legal: Art. 150, IV da CF/88.
• Jurisprudência do STF:
◦ O caráter confiscatório de um tributo não deve ser analisado isoladamente, mas sim pelo
efeito cumulativo das múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade
estatal, que afete de maneira irrazoável o patrimônio e/ou rendimentos do contribuinte.
◦ Não se aplica às taxas da mesma forma que aos impostos, pois nas taxas, verifica-se a
correspondência entre o pagamento e o custo da atividade estatal.
◦ Aplica-se às multas tributárias. O STF tem entendido que multas punitivas que
ultrapassem 100% do valor da obrigação tributária principal podem ser consideradas
confiscatórias.
1.4.5 Princípio da Liberdade de Tráfego
• Conceito: Garante a livre passagem de pessoas ou bens no território nacional, proibindo a
instituição de tributos interestaduais ou intermunicipais que restrinjam esse direito.
• Embasamento Legal: Art. 150, V da CF/88.
• Exceções:
◦ Cobrança de ICMS Interestadual: É uma limitação ao tráfego de bens, mas é considerada
válida por ter fundamento na própria Constituição.
◦ Cobrança de Pedágio pela Utilização de Vias Conservadas pelo Poder Público: A
Constituição legitima essa cobrança.
• Ponto Importante – Natureza Jurídica do Pedágio:
◦ STF (ADI nº 800): Consolidou o entendimento de que o pedágio tem natureza jurídica de
preço público (tarifa), e não de taxa. Isso ocorre porque o pedágio é uma retribuição
facultativa, paga apenas por quem utiliza a rodovia voluntariamente, não sendo
compulsório.
◦ Súmula nº 545 do STF: "Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque
estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia
autorização orçamentária, em relação à lei que as instituiu". Assim, o pedágio pode ser
instituído e ajustado por atos infralegais, sem estar sujeito ao princípio da legalidade estrita.
1.4.6 Princípio da Uniformidade Geográfica
• Conceito: Vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, Distrito Federal ou
Município, em detrimento de outro.
• Embasamento Legal: Art. 151, I da CF/88.
• Exceção: É admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País (ex: Zona Franca de
Manaus).
• Jurisprudência: O STF reconheceu a constitucionalidade de normas que alteraram o marco
regulatório das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) para promover o
desenvolvimento socioeconômico, pois não violam a isonomia ou a uniformidade geográfica
(ADI 7.174/DF).
1.4.7 Princípio da Uniformidade da Tributação da Renda
• Conceito: Proíbe a União de tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos de seus
agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas próprias obrigações e agentes.
• Embasamento Legal: Art. 151, II da CF/88.
• Ponto Importante: Visa evitar a concorrência desleal da União, tanto no "mercado" de
títulos da dívida pública quanto na seleção de servidores.
1.4.8 Princípio da Proibição das Isenções Heterônomas
• Conceito: Vedado à União instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios, em respeito ao pacto federativo. Por simetria, Estados
não podem conceder isenções de tributos municipais.
• Embasamento Legal: Art. 151, III da CF/88.
• Exceções (Válidas Constitucionalmente, mas em trânsito para o ocaso com a Reforma
Tributária):
◦ A União pode, mediante lei complementar, conceder isenção heterônoma do ICMS
incidente nas operações com serviços e outros produtos destinados ao exterior (Art. 155, §
2º, XII, “e” da CF/88). (Obs: Essa previsão perdeu utilidade em razão da imunidade já prevista
na CF para essas operações, mas ainda existe no texto constitucional).
◦ A União pode, mediante lei complementar, conceder isenção heterônoma do ISS da
competência dos municípios nas exportações de serviços para o exterior (Art. 156, § 3º, III da
CF/88).
• Tratados Internacionais: O STF já entendeu que a concessão de isenção de tributos
estaduais e municipais por meio de tratado internacional não configura isenção heterônoma.
Isso porque o Presidente da República, ao firmar tratados, age em nome da soberana
República Federativa do Brasil (Chefe de Estado), e não em nome da autônoma União.
1.4.9 Princípio da Não Discriminação Baseada em Procedência ou Destino
• Conceito: Vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou
destino.
• Embasamento Legal: Art. 152 da CF/88.
• Ponto Importante: Garante o pacto federativo e impõe equivalência de tratamento entre o
produto importado (ao ingressar no território nacional) e o produto similar nacional.
1.4.10 Princípios da Simplicidade, da Transparência, da Justiça Tributária, da Cooperação e da
Defesa do Meio Ambiente
• Embasamento Legal: Inseridos pela EC nº 132/23 (Reforma Tributária) no Art. 145, § 3º da
CF/88.
• Conceitos e Pontos Importantes:
◦ Simplicidade: Busca um sistema tributário menos complexo e mais acessível, reduzindo o
custo de conformidade para os contribuintes e facilitando a adimplência. A Reforma
Tributária buscou isso pela aglutinação de tributos.
◦ Transparência: Exige clareza e facilidade de acesso à legislação, práticas administrativas e
informações sobre a carga tributária, fomentando o diálogo e prevenindo corrupção e abuso
de poder.
◦ Justiça Tributária: Introduz a equidade, considerando as capacidades econômicas
individuais e buscando equilíbrio entre tributos vinculados e não vinculados para uma
distribuição de carga mais equitativa.
◦ Cooperação: Prioriza uma relação colaborativa entre fisco e contribuintes, com as
autoridades agindo como orientadoras para prevenir litígios e auxiliar na aplicação da lei.
◦ Defesa do Meio Ambiente: Insere a responsabilidade ecológica no contexto tributário,
incentivando práticas sustentáveis e desencorajando ações prejudiciais ao ambiente por
meio de instrumentos fiscais.
• Insight: Estes novos princípios demonstram um esforço legislativo para modernizar o STN,
promovendo um sistema mais equitativo, transparente e alinhado aos desafios
contemporâneos.
1.4.11 Princípio da Atenuação dos Efeitos Regressivos
• Embasamento Legal: Inserido pela EC nº 132/23 (Reforma Tributária) no Art. 145, § 4º da
CF/88.
• Conceito: A regressividade na tributação ocorre quando os impostos oneram
proporcionalmente mais os indivíduos de menor renda em comparação aos de maior renda
(ex: impostos indiretos sobre consumo).
• Ponto Importante: O princípio visa garantir que as alterações na legislação tributária sejam
realizadas com uma perspectiva de justiça distributiva, buscando aliviar a carga tributária
sobre os segmentos mais vulneráveis da população. Isso implica medidas como
progressividade fiscal acentuada, isenções para produtos/serviços essenciais e
créditos/devoluções fiscais para baixa renda.
1.5 Exigência de Lei Específica para Concessão de Benefícios Fiscais
• Conceito: Qualquer benefício fiscal (subsídio, isenção, redução de base de cálculo, crédito
presumido, anistia ou remissão) só poderá ser concedido mediante lei específica.
• Embasamento Legal: Art. 150, § 6º da CF/88.
• Finalidade: Impedir as chamadas "caudas legais" ou "contrabandos legislativos", que são a
inserção de benefícios fiscais em leis com conteúdos totalmente alheios à matéria tributária.
• Jurisprudência do STF: O Poder Judiciário não pode estender a outras pessoas benefícios
fiscais que a lei só destinou expressamente a determinada categoria de contribuinte,
invocando o princípio da isonomia.
• Ponto Importante – ICMS e a Guerra Fiscal:
◦ A concessão de benefícios fiscais relativos ao ICMS possui uma restrição adicional:
depende de decisão unânime dos Estados no CONFAZ (Conselho Nacional de Política
Fazendária) para evitar a "guerra fiscal" entre os entes. Sua revogação total ou parcial
depende da aprovação de quatro quintos dos representantes presentes.
◦ O STF relativizou essa restrição em casos onde não há risco de guerra fiscal, como a
isenção de ICMS em contas de serviços públicos para templos de qualquer culto (ADI nº
3.421-PR).
◦ Esta questão do ICMS perderá sentido com a substituição do imposto pelo IBS.
1.6 Imunidades
• Diferenciações Essenciais:
◦ Não Incidência: O legislador não previu ou excluiu determinados eventos ou situações
como fato gerador de tributo (ex: produção de gêneros agrícolas in natura não sujeita ao IPI).
◦ Isenção: É uma dispensa legal do pagamento de um tributo, dada em situações
específicas e para casos particulares definidos em lei. O fato gerador acontece, mas o
legislador dispensa o pagamento. Pode ser revogada por outra lei.
◦ Imunidade: É uma limitação ao poder de tributar do Estado, prevista na própria
Constituição Federal. Impede que os entes federativos instituam impostos sobre certas
pessoas, patrimônios, rendas ou serviços. Protege direitos fundamentais e o pacto
federativo.
• Ponto Importante: As imunidades, por estarem no texto constitucional e protegerem
interesses fundamentais, são consideradas cláusulas pétreas e não podem ser revogadas por
lei ou mesmo por emenda constitucional.
1.6.1 Imunidade Tributária Recíproca
• Conceito: Proíbe a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem
impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros.
• Embasamento Legal: Art. 150, VI, “a” da CF/88. É uma cláusula pétrea que assegura a
autonomia financeira das entidades federativas e o pacto federativo.
• Extensão (Art. 150, § 2º da CF/88): A vedação é estendida a autarquias e fundações
instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de serviço postal
(ECT), no que se refere ao patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes.
◦ A EC nº 132/23 (Reforma Tributária) incluiu expressamente a ECT neste parágrafo,
consolidando o entendimento jurisprudencial.
• Exceções à Extensão (Art. 150, § 3º da CF/88): A imunidade não se aplica ao patrimônio, à
renda e aos serviços relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas
normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou
pagamento de preços ou tarifas pelo usuário.
• Jurisprudência do STF:
◦ Flexibilização para a ECT (Correios): O STF (RE 601392/PR) estendeu a imunidade
tributária à ECT para todas as suas atividades, inclusive as econômicas, justificando que a
receita dessas atividades subsidia serviços essenciais e deficitários que a empresa é obrigada
a manter (subsídio cruzado).
◦ Sociedades de economia mista com participação acionária negociada em Bolsas e
voltadas à remuneração do capital de seus controladores não estão abrangidas (RE 600.867).
◦ Súmula nº 583-STF: "O promitente comprador de imóvel residencial transcrito em nome
de autarquia é contribuinte do imposto predial territorial urbano".
◦ A imunidade não veda a imposição de obrigações acessórias aos entes públicos (ACO
1.098).
◦ Bens e direitos do fundo vinculado ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR)
gozam de imunidade (RE 928902/SP).
◦ A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e as Caixas de Assistência de Advogados gozam
de imunidade tributária recíproca, por desempenharem atividade própria de Estado (RE
259976 AgR, RE 405267).
• Estados Estrangeiros: É assegurada uma "imunidade" (na verdade, uma isenção por tratado
internacional, com hierarquia de lei ordinária) a impostos e taxas no Brasil, salvo aquelas
decorrentes da prestação de serviços individualizados.
1.6.2 Imunidade Tributária Religiosa
• Conceito: Norma que protege a liberdade de culto e religião, um direito fundamental.
• Embasamento Legal: Art. 150, VI, “b” e § 4º da CF/88.
• Aplicação: Aplica-se somente aos impostos.
• Abrangência: Cobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades
essenciais das entidades religiosas, não se restringindo apenas ao local físico de culto.
• Alteração EC nº 132/23 (Reforma Tributária): Modificou a alínea "b" para incluir
expressamente as "entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas
organizações assistenciais e beneficentes", consolidando a interpretação subjetiva do STF,
que já estendia a imunidade à entidade religiosa em sua totalidade.
• Jurisprudência do STF:
◦ Imóvel alugado pela entidade religiosa permanece imune se os proventos forem
revertidos para suas finalidades essenciais.
◦ Aplica-se a cemitérios que funcionam como extensões de entidades religiosas, sem fins
lucrativos e dedicados exclusivamente a serviços religiosos e funerários (RE 578562).
◦ Organizações maçônicas não estão incluídas no conceito de "templos de qualquer culto"
ou "instituições de assistência social" para fins de imunidade, pois a maçonaria é
considerada uma ideologia de vida e não uma religião (RE 562351/RS).
• Alteração EC nº 116/2022: Incluiu o Art. 156, § 1º-A da CF/88, estabelecendo que o IPTU
não incidirá sobre imóveis utilizados por templos mesmo que esses templos não sejam os
proprietários, mas sim locatários do imóvel.
• Quadro-Resumo de Aplicações Específicas.
1.6.3 Imunidade dos Partidos Políticos, Sindicatos de Trabalhadores e Entidades Educacionais
e Assistenciais Sem Fins Lucrativos
• Conceito: Tem como objetivo garantir o pluralismo político e proteger a liberdade de
associação sindical.
• Embasamento Legal: Art. 150, VI, “c” e § 4º da CF/88.
• Abrangência: Aplica-se a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços de:
◦ Partidos Políticos, inclusive suas fundações.
◦ Entidades Sindicais dos Trabalhadores (exclui sindicatos patronais).
◦ Instituições de Educação e de Assistência Social, sem fins lucrativos.
• Requisitos Legais: Para as instituições de educação e assistência social, a imunidade é de
eficácia limitada e exige o atendimento aos requisitos da lei. O Art. 14 do CTN cumpre o
papel de lei complementar:
◦ Não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas entre os
mantenedores (é permitido pagar salários razoáveis, o que se proíbe é a apropriação do
lucro).
◦ Aplicar integralmente seus recursos no País.
◦ Manter escrituração contábil em dia.
• Jurisprudência do STF:
◦ Há presunção de que o patrimônio, renda e serviços dessas entidades estão vinculados às
suas finalidades essenciais, exigindo-se prova em contrário para afastar a imunidade.
◦ Súmula Vinculante nº 52-STF: "Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao
IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo Art. 150, VI, “c”, da
Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as
quais tais entidades foram constituídas".
◦ A EC nº 116/2022 estendeu a não incidência de IPTU sobre imóveis utilizados por templos
de qualquer culto, mesmo se locatários.
◦ Súmula nº 730-STF: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social
sem fins lucrativos pelo Art. 150, VI, “c”, da Constituição, somente alcança as entidades
fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários".
• Quadro-Resumo de Abrangência e Requisitos.
1.6.4 Imunidade Tributária Cultural
• Conceito: Objetivo de facilitar o acesso à cultura e à livre manifestação do pensamento,
bem como fomentar a liberdade de atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação.
• Embasamento Legal: Art. 150, VI, “d” da CF/88.
• Aplicação: É uma imunidade puramente objetiva, recaindo sobre os seguintes objetos:
◦ Livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
• Jurisprudência do STF:
◦ Afastou qualquer possibilidade de aferição do valor cultural ou pedagógico das
publicações para conceder ou não a imunidade.
◦ Apostilas também são protegidas (RE 183.403/SP).
◦ Encartes com exclusiva finalidade comercial não são imunes (RE 213.094/ES).
◦ A presença de propaganda no corpo da publicação, se inseparável, não retira a imunidade
(RE 330817/RJ).
◦ Súmula nº 657-STF: "A imunidade prevista no Art. 150, VI, d, da Constituição Federal
abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos".
◦ Filmes destinados à produção de capas de livros são imunes (RE 392.221/SP).
◦ Não abarca o maquinário utilizado no processo de produção de livros, jornais e
periódicos (ARE 1100204/SP).
◦ Livros eletrônicos (e-books) e os suportes próprios para sua leitura são alcançados pela
imunidade.
◦ Súmula Vinculante nº 57-STF: "A imunidade tributária constante do Art. 150, VI, d, da
CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-
book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros
eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias".
1.6.5 Imunidade Tributária Musical
• Conceito: Introduzida pela Emenda Constitucional nº 75/2013.
• Embasamento Legal: Art. 150, VI, “e” da CF/88.
• Aplicação: É uma imunidade mista, pois imuniza objetos específicos, mas com exigência de
características das pessoas a eles vinculadas.
• Abrangência: Aplica-se a impostos sobre:
◦ Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil.
◦ Contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral
interpretadas por artistas brasileiros.
◦ Bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham.
• Ressalva: Exceto na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser (o que
significa que a replicação de vinil, por não ser mídia óptica, é abrangida).
• Ponto Importante: Não se estende a imunidade à importação de suportes materiais
produzidos fora do território nacional, mesmo que contenham obra musical de artista
brasileiro (ARE 1.244.302/SP, Tema 1083).
1.7 Repartição de Receitas Tributárias
1.7.1 Noções Gerais
• Conceito: É a distribuição das receitas tributárias entre os entes federativos após a
arrecadação. É um pressuposto para a autonomia financeira dos entes, essencial ao pacto
federativo.
• Sistema Adotado: O Brasil adota um sistema misto de discriminação de rendas tributárias,
que combina:
◦ Competência tributária própria (discriminação por fonte).
◦ Participação dos entes menores na receita arrecadada pelos entes maiores (discriminação
por produto).
• Fluxo de Repasses: A União repassa para os Estados e o Distrito Federal, e os Estados
repassam para os Municípios. Não ocorre repasse inverso (de entes menores para maiores).
1.7.2 Espécies de Repartição
• Repartição Direta: O ente beneficiado recebe as receitas diretamente, sem intermediários
ou fundos constitucionais (ex: Municípios recebem metade do IPVA arrecadado pelos
Estados).
• Repartição Indireta: Os recursos a serem repartidos são destinados a um fundo de
participação, cujas receitas são divididas entre os beneficiários segundo critérios legais e
constitucionais (ex: Fundo de Participação dos Municípios – FPM, que recebe recursos do IR e
IPI).
1.7.3 Tributos cujas Receitas estão sujeitas à Repartição
• Regra Geral: Apenas os impostos e a CIDE-combustíveis têm suas receitas sujeitas à
repartição.
• Diferenciação: As demais espécies tributárias (taxas, contribuições de melhoria,
empréstimos compulsórios e, em regra, contribuições especiais) não se sujeitam à
repartição, devido ao caráter vinculado do destino de seus recursos.
• Exceções (Impostos cujas receitas pertencem totalmente ao ente instituidor, não sujeitos à
repartição):
◦ Todos os impostos arrecadados pelos Municípios (ITBI, IPTU e ISS).
◦ Os impostos estaduais (e municipais) arrecadados pelo Distrito Federal (dada a vedação
de divisão do DF em municípios).
◦ O imposto estadual sobre transmissão causa mortis e doações (ITCMD).
◦ Os impostos federais: Imposto de Importação (II), Imposto de Exportação (IE), Imposto
sobre Grandes Fortunas (IGF – ainda não regulamentado), e Impostos Extraordinários de
Guerra (IEG).
1.7.4 Casos de Repartição de Receitas Previstos na Constituição
• Repartição Direta do IOF-Ouro: A União entrega integralmente (100%) ao DF, ou 30% aos
Estados e 70% aos Municípios, o valor do IOF incidente sobre o ouro (quando ativo financeiro
ou instrumento cambial).
• Repartição Direta da União com os Estados e o DF (Art. 157 da CF/88):
◦ IR sobre renda paga por eles: Os Estados e o DF ficam com 100% do produto da
arrecadação do Imposto de Renda incidente na fonte sobre rendimentos pagos por eles, suas
autarquias e fundações (Art. 157, I).
▪ Súmula 447 do STJ: "Os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de
restituição de imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores".
◦ Imposto Residual da União: Recebem 20% do produto da arrecadação de imposto que a
União instituir no exercício de sua competência residual (Art. 157, II).
• Repartição Direta da União com os Municípios (Art. 158 da CF/88):
◦ IR sobre renda paga por eles: Os Municípios ficam com 100% do produto da arrecadação
do Imposto de Renda incidente na fonte sobre rendimentos pagos por eles, suas autarquias e
fundações (Art. 158, I).
◦ ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural): Pertence aos Municípios 50% do
produto da arrecadação do ITR sobre os imóveis neles situados. Se o Município optar por
fiscalizar e cobrar o ITR, ele fará jus à totalidade da arrecadação (100%) (Art. 158, II, com
redação da EC nº 42/2003).
• Repartição Direta dos Estados com os Municípios (Art. 158 da CF/88):
◦ IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores): 50% do produto da
arrecadação do imposto do Estado sobre veículos licenciados em seus territórios e, em
relação a veículos aquáticos e aéreos, cujos proprietários sejam domiciliados em seus
territórios (Art. 158, III, com redação da EC nº 132/2023).
◦ ICMS e IBS: 25% do produto da arrecadação do ICMS (Art. 158, IV, "a") e 25% do produto
da arrecadação do IBS (Art. 158, IV, "b"), (ambos com redação da EC nº 132/2023).
▪ Critérios de Distribuição do ICMS para os Municípios (Art. 158, § 1º):
• Mínimo de 65% na proporção do valor adicionado nas operações e prestações de
serviços em seus territórios.
• Até 35% conforme lei estadual, que deve obrigatoriamente incluir no mínimo 10
pontos percentuais com base em indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e
aumento da equidade na educação.
▪ Critérios de Distribuição do IBS para os Municípios (Art. 158, § 2º):
• 80% na proporção da população.
• 10% com base em indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e
aumento da equidade na educação (conforme lei estadual).
• 5% com base em indicadores de preservação ambiental (conforme lei estadual).
• 5% em montantes iguais para todos os Municípios do Estado.
• Repartição da União para Fundos de Desenvolvimento Regional (Art. 159 e 159-A da CF/88,
com EC nº 132/23):
◦ O Art. 159 detalha como 50% do IR, IPI e outros são redistribuídos para os Fundos de
Participação dos Estados e do DF (FPE) e para os Fundos de Participação dos Municípios
(FPM), incluindo alocações para o desenvolvimento do setor produtivo nas regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste (com ênfase no semiárido Nordestino).
◦ O Art. 159-A institui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, com o objetivo de
reduzir desigualdades regionais e sociais, financiando infraestrutura, atividades produtivas,
desenvolvimento científico e inovação. Prioriza projetos com sustentabilidade ambiental e
redução de emissões de carbono.
• Vedação de Condicionamentos (Art. 160 da CF/88): É vedada a retenção ou qualquer
restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos aos Estados, DF e Municípios.
◦ Exceções: A União e os Estados podem condicionar a entrega de recursos:
▪ Ao pagamento de seus créditos, inclusive de suas autarquias (Art. 160, Parágrafo único,
I).
▪ Ao cumprimento do disposto no Art. 198, § 2º, incisos II e III, que trata dos percentuais
mínimos de recursos que devem ser aplicados em ações e serviços públicos de saúde (Art.
160, Parágrafo único, II). Não é permitido o condicionamento ao cumprimento do percentual
mínimo de despesas com educação.
• Jurisprudência do STF: As regras de repartição não alteram a competência tributária
estabelecida pela Constituição (RE 705423/SE). Isso significa que renúncias fiscais efetuadas
pela União (ex: IR e IPI), que resultem na diminuição dos fundos de participação, são
constitucionais.

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