Campos Harmonicos No Violao Guia Completo
Campos Harmonicos No Violao Guia Completo
Completo
Este guia completo apresenta uma jornada pelo universo dos campos harmônicos aplicados ao violão.
Começando pelos fundamentos teóricos das escalas maiores e menores, avançamos para a
construção prática dos acordes em cada grau, sua aplicação no instrumento e análise em músicas
brasileiras. Com exercícios, diagramas visuais e exemplos práticos, este material foi desenvolvido para
ajudar estudantes e professores a compreenderem e aplicarem os campos harmônicos de forma
eficiente e musical.
Introdução aos Campos Harmônicos
O campo harmônico representa o conjunto de acordes que podem ser formados a partir dos graus de
uma escala musical. É como uma família de acordes que funcionam harmoniosamente entre si,
criando a base para composições e improvisações. Compreender os campos harmônicos é
fundamental para qualquer músico que deseja compor, arranjar ou mesmo interpretar músicas com
maior profundidade.
Nos campos harmônicos maiores e menores, cada nota da escala serve como nota fundamental para
formar um acorde, seguindo regras específicas de construção. Esses acordes são identificados por
numerais romanos (I, II, III...) que representam sua posição ou "grau" dentro da escala, permitindo que
músicos comuniquem progressões harmônicas independentemente da tonalidade.
A beleza dos campos harmônicos está em sua universalidade - uma vez que você compreende como
eles funcionam, esse conhecimento pode ser aplicado a qualquer tonalidade. Por exemplo, o campo
harmônico de Dó maior terá a mesma estrutura e relação entre acordes que o campo harmônico de
Sol maior, apenas em notas diferentes.
Transpor músicas para tonalidades mais confortáveis para sua voz ou instrumento
Criar acompanhamentos harmonicamente ricos e coerentes
Improvisar com confiança sobre qualquer progressão de acordes
Analisar músicas para compreender sua estrutura harmônica
Compor suas próprias peças com fundamentação teórica sólida
Nos próximos capítulos, vamos explorar em detalhes como construir e aplicar esses conhecimentos
de forma prática no violão, começando pelos fundamentos da escala maior.
Escala Maior: A Base do Campo
Harmônico Maior
A escala maior é o ponto de partida para compreendermos o campo harmônico maior. Ela possui uma
sequência específica de tons (T) e semitons (S) que determina seu som característico. Essa estrutura
é representada pelo padrão T-T-S-T-T-T-S, onde T representa um tom (dois trastes no violão) e S
representa um semitom (um traste no violão).
Tomando como exemplo a escala de Dó maior (C), temos as notas: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si e
novamente Dó. Observando os intervalos entre essas notas, vemos o padrão T-T-S-T-T-T-S em ação:
de Dó para Ré (um tom), de Ré para Mi (um tom), de Mi para Fá (um semitom), de Fá para Sol (um
tom), de Sol para Lá (um tom), de Lá para Si (um tom) e de Si para Dó (um semitom).
Cada nota da escala maior recebe uma numeração chamada "grau", representada por numerais
romanos de I a VII. Por exemplo, na escala de Dó maior, os graus são: I (Dó), II (Ré), III (Mi), IV (Fá), V
(Sol), VI (Lá) e VII (Si). Essa identificação dos graus é fundamental para compreender a formação dos
acordes no campo harmônico.
Para praticar no violão, é importante familiarizar-se com os padrões da escala maior em diferentes
regiões do braço. Comece aprendendo a escala de Dó maior na primeira posição (primeiros trastes),
depois pratique em Sol maior e Ré maior, que são tonalidades amigáveis para o violão. Toque as
escalas lentamente, prestando atenção no som de cada nota e memorizando os padrões de
dedilhado.
Construção do Campo Harmônico Maior
Construir um campo harmônico maior significa formar acordes a partir de cada nota da escala maior,
utilizando apenas as notas pertencentes a essa escala. Cada acorde é formado sobrepondo-se terças
(pulando uma nota) a partir de cada grau da escala. Este processo sistemático resulta em uma família
de acordes que funcionam harmoniosamente entre si.
Para formar uma tríade (acorde de três notas), escolhemos uma nota da escala como fundamental e
adicionamos a terceira e a quinta nota acima dela, sempre dentro da escala. Por exemplo, no campo
harmônico de Dó maior, o acorde do I grau (Dó) será formado pelas notas Dó (fundamental), Mi (terça)
e Sol (quinta) - resultando em um acorde de Dó maior (C).
I Dó - Mi - Sol Maior C
ii Ré - Fá - Lá Menor Dm
IV Fá - Lá - Dó Maior F
V Sol - Si - Ré Maior G
vi Lá - Dó - Mi Menor Am
vii° Si - Ré - Fá Diminuto B°
Observe o padrão que emerge: os acordes dos graus I, IV e V são maiores; os acordes dos graus ii, iii e
vi são menores; e o acorde do vii° grau é diminuto. Este padrão é consistente em todos os campos
harmônicos maiores, independentemente da tonalidade, o que torna esse conhecimento
extremamente valioso para o violonista.
Para praticar, escolha uma tonalidade maior amigável ao violão, como G (Sol) ou D (Ré), e construa seu
campo harmônico completo, identificando cada acorde e seu tipo. Em seguida, pratique tocar esses
acordes sequencialmente no violão, sentindo a sonoridade e a relação entre eles.
Graus do Campo Harmônico Maior
Os graus do campo harmônico maior, representados por numerais romanos (I, II, III, IV, V, VI, VII),
possuem funções harmônicas específicas que determinam seu papel dentro da tonalidade. Essas
funções são fundamentais para entender como os acordes se relacionam e criam movimento
harmônico nas músicas.
Um exercício prático é tocar sequências de acordes que demonstrem essas funções. Por exemplo:
Pratique essas progressões no violão, prestando atenção à sensação de movimento e resolução entre
os acordes. Experimente também tocar as mesmas progressões em outras tonalidades, como G maior
(G - C - D - G) ou D maior (D - G - A - D).
Acordes do Campo Harmônico Maior
Agora vamos aprofundar nossa compreensão sobre a formação dos acordes no campo harmônico
maior, explorando tanto as tríades (acordes de três notas) quanto as tétrades (acordes de quatro
notas, incluindo a sétima). Esse conhecimento amplia significativamente as possibilidades harmônicas
no violão.
Maior: Fundamental + terça maior + quinta Grau I: Acorde maior com sétima maior
justa (Cmaj7)
Menor: Fundamental + terça menor + quinta Grau ii: Acorde menor com sétima menor
justa (Dm7)
Diminuto: Fundamental + terça menor + Grau iii: Acorde menor com sétima menor
quinta diminuta (Em7)
Grau IV: Acorde maior com sétima maior
No campo harmônico de Dó maior, por exemplo,
(Fmaj7)
formamos as seguintes tríades: C (maior), Dm
(menor), Em (menor), F (maior), G (maior), Am Grau V: Acorde maior com sétima menor
(menor) e B° (diminuto). (G7)
Grau vi: Acorde menor com sétima menor
(Am7)
Grau vii°: Acorde meio-diminuto (Bm7b5)
É importante observar que o acorde do V grau (G) recebe uma sétima menor, formando o acorde
dominante (G7), que cria forte tensão e necessidade de resolução para o acorde da tônica. Este é um
dos acordes mais importantes na música tonal.
I C Cmaj7 Dó - Mi - Sol - Si
ii Dm Dm7 Ré - Fá - Lá - Dó
IV F Fmaj7 Fá - Lá - Dó - Mi
V G G7 Sol - Si - Ré - Fá
vi Am Am7 Lá - Dó - Mi - Sol
vii° B° Bm7b5 Si - Ré - Fá - Lá
No violão, as tétrades podem parecer mais complexas de executar, mas existem diversas formas de
tocá-las usando posições simplificadas ou omitindo notas menos essenciais. Por exemplo, em um
acorde Cmaj7, podemos tocar apenas as notas Mi (3ª corda, 4º traste), Sol (4ª corda, 5º traste), Si (2ª
corda, 3º traste) e Dó (1ª corda, 3º traste), criando uma sonoridade rica sem precisar tocar todas as
seis cordas.
Pratique tocar progressões usando tanto tríades quanto tétrades, percebendo como as segundas
enriquecem a sonoridade harmônica. Um bom exercício é tocar a progressão I - VI - II - V (Cmaj7 -
Am7 - Dm7 - G7 em Dó maior), muito comum no jazz e na bossa nova.
Escala Menor Natural: A Base do Campo
Harmônico Menor
A escala menor natural (também chamada de modo eólio) é a base para a construção do campo
harmônico menor. Ela possui uma sequência específica de tons (T) e semitons (S) diferente da escala
maior, seguindo o padrão T-S-T-T-S-T-T. Esta estrutura intervalar confere à escala menor seu som
característico, frequentemente associado a sensações de melancolia ou introspecção.
A escala menor natural pode ser compreendida como o sexto modo da escala maior relativa. Por
exemplo, a escala de Lá menor natural contém exatamente as mesmas notas da escala de Dó maior,
porém começando pela nota Lá (o sexto grau de Dó maior). Assim, a escala de Lá menor natural é: Lá,
Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol e novamente Lá.
Cada nota da escala menor natural também recebe uma numeração em graus, representada por
numerais romanos de i a vii (tradicionalmente em minúsculas para diferenciar da escala maior). Por
exemplo, na escala de Lá menor, os graus são: i (Lá), ii (Si), III (Dó), iv (Ré), v (Mi), VI (Fá) e VII (Sol).
Vale observar que existem outras variações da escala menor, como a escala menor harmônica (que
eleva o VII grau em um semitom) e a escala menor melódica (que eleva o VI e VII graus na ascendente),
cada uma gerando campos harmônicos diferentes. Porém, para nosso estudo inicial, focaremos na
escala menor natural.
Para praticar no violão, experimente tocar as escalas menores naturais em diferentes regiões do
braço. Comece com a escala de Lá menor, que é uma das mais acessíveis no violão por utilizar muitas
cordas soltas. Em seguida, pratique Mi menor e Ré menor. Toque lentamente, prestando atenção no
som característico da escala menor e comparando-o com o som da escala maior.
Construção do Campo Harmônico Menor
A construção do campo harmônico menor segue o mesmo princípio do campo harmônico maior:
formamos acordes a partir de cada nota da escala, utilizando apenas as notas pertencentes à escala
menor natural. Assim como no campo maior, cada acorde é formado sobrepondo-se terças a partir de
cada grau da escala.
Quando construímos acordes de três notas (tríades) no campo harmônico menor natural, obtemos
uma distribuição de acordes maiores, menores e diminutos diferente daquela do campo harmônico
maior. Esta diferença é responsável pela sonoridade característica das músicas em tonalidade menor.
i Lá - Dó - Mi Menor Am
ii° Si - Ré - Fá Diminuto B°
iv Ré - Fá - Lá Menor Dm
v Mi - Sol - Si Menor Em
VI Fá - Lá - Dó Maior F
Observe o padrão que emerge no campo harmônico menor natural: os acordes dos graus i, iv e v são
menores; os acordes dos graus III, VI e VII são maiores; e o acorde do ii° grau é diminuto. Este padrão é
consistente em todos os campos harmônicos menores naturais, independentemente da tonalidade.
Uma observação importante: na música tonal tradicional, é comum alterarmos o acorde do v grau
(menor) para um acorde maior com sétima (V7), derivado da escala menor harmônica. Esta alteração
fortalece a sensação de resolução na tônica. Por exemplo, em Lá menor, muitas vezes o acorde Em (v)
é substituído por E7 (V7), criando mais tensão antes de resolver em Am.
Para praticar, construa o campo harmônico de outras tonalidades menores comuns no violão, como
Em (Mi menor) e Dm (Ré menor). Em seguida, pratique tocar os acordes sequencialmente, observando
a sonoridade característica do modo menor.
Graus do Campo Harmônico Menor
Assim como no campo harmônico maior, os graus do campo harmônico menor (representados por
numerais romanos i, ii°, III, iv, v, VI, VII) possuem funções harmônicas específicas que determinam seu
papel dentro da tonalidade. No entanto, devido à estrutura diferente da escala menor, a distribuição
dessas funções apresenta algumas particularidades.
Na música tonal, a progressão v - i (Em - Am em Lá menor) não possui a mesma força resolutiva que a
progressão V - i (E - Am). Por isso, na música tradicional, é comum "emprestar" o acorde E (V) da
escala menor harmônica para criar cadências mais conclusivas. Esta prática é tão comum que muitos
músicos consideram o acorde dominante maior (V7) como parte integrante do campo harmônico
menor, mesmo que ele contenha uma nota (sol#) que não pertence à escala menor natural.
Você sentirá que a segunda progressão tem uma resolução mais forte e definida. Este é um exemplo
claro de como pequenas alterações no campo harmônico podem criar efeitos dramáticos na música.
Acordes do Campo Harmônico Menor
Neste capítulo, vamos explorar em detalhes a formação dos acordes no campo harmônico menor,
analisando tanto as tríades (acordes de três notas) quanto as tétrades (acordes de quatro notas). A
compreensão dessas estruturas amplia significativamente as possibilidades harmônicas e expressivas
no violão.
Acorde Menor: graus i, iv e v (Am, Dm e Em Grau i: Acorde menor com sétima menor
em Lá menor) (Am7)
Acorde Maior: graus III, VI e VII (C, F e G em Grau ii°: Acorde meio-diminuto (Bm7b5)
Lá menor) Grau III: Acorde maior com sétima maior
Acorde Diminuto: grau ii° (B° em Lá menor) (Cmaj7)
Grau iv: Acorde menor com sétima menor
Estas tríades são a base para a construção de
(Dm7)
progressões harmônicas em tonalidade menor.
Grau v: Acorde menor com sétima menor
(Em7)
Grau VI: Acorde maior com sétima maior
(Fmaj7)
Grau VII: Acorde maior com sétima menor
(G7)
É importante notar que o acorde do VII grau (G) recebe uma sétima menor, formando o acorde
dominante secundário (G7), que tem uma forte tendência a resolver no acorde do III grau (C). Esta é
uma característica interessante do campo harmônico menor natural.
i Am Am7 Lá - Dó - Mi - Sol
ii° B° Bm7b5 Si - Ré - Fá - Lá
iv Dm Dm7 Ré - Fá - Lá - Dó
v Em Em7 Mi - Sol - Si - Ré
VI F Fmaj7 Fá - Lá - Dó - Mi
VII G G7 Sol - Si - Ré - Fá
Como mencionado anteriormente, na música tonal é comum substituir o acorde do v grau (Em7) pelo
acorde dominante V7 (E7), derivado da escala menor harmônica. Esta substituição cria uma resolução
mais forte para o acorde da tônica.
No violão, podemos tocar estes acordes em várias posições e inversões. Por exemplo, o acorde Am7
pode ser tocado na posição básica (X02010), ou em formas mais complexas que incluam todas as
notas da tétrade. Experimente as seguintes posições para o Am7:
Pratique progressões harmônicas usando as tétrades do campo harmônico menor. Uma progressão
comum na música popular é i - VI - VII - i (Am7 - Fmaj7 - G7 - Am7 em Lá menor), que você
encontrará em várias músicas brasileiras e internacionais.
Campo Harmônico no Violão: Aplicação
Prática
Agora que compreendemos a teoria dos campos harmônicos maior e menor, vamos explorar como
aplicar esse conhecimento de forma prática no violão. O domínio dos campos harmônicos permite
que o violonista navegue pelo instrumento com mais segurança, criando acompanhamentos ricos e
versáteis.
Utilizando Pestanas
As pestanas são essenciais para tocar acordes em diferentes tonalidades. Ao dominar as
formas básicas de pestanas, você pode transpor facilmente todos os acordes do campo
harmônico. Por exemplo, a forma básica de acorde maior pode ser movida pelo braço para
tocar qualquer acorde maior no campo harmônico.
Inversões de Acordes
As inversões permitem tocar o mesmo acorde em diferentes regiões do braço, facilitando a
transição entre acordes e criando variações sonoras. Para criar uma inversão, basta
reorganizar as notas do acorde, colocando outra nota que não a fundamental no baixo.
Técnicas Facilitadoras
Utilize técnicas como "drop 2" (omitir a segunda nota mais aguda) ou acordes com cordas
soltas estrategicamente para criar sonoridades interessantes sem precisar fazer posições
muito difíceis, especialmente útil para tétrades.
Vamos explorar algumas formas práticas de tocar os acordes do campo harmônico de Dó maior no
violão:
I - IV - V - I (C - F - G - C)
I - vi - IV - V (C - Am - F - G)
ii - V - I (Dm - G - C)
Vamos explorar os diagramas dos principais acordes dos campos harmônicos maior e menor,
começando pelos acordes tríades maiores. Nos diagramas abaixo, cada linha representa uma corda
do violão (da 6ª à 1ª), e os números indicam em qual casa pressionar a corda. Um "X" significa que a
corda não deve ser tocada, e um "0" indica corda solta.
Uma técnica fundamental para navegar pelo braço do violão é o sistema CAGED. Este sistema se
baseia nas cinco formas básicas de acordes (C, A, G, E, D) que, quando combinadas com pestanas,
permitem tocar qualquer acorde maior em qualquer região do braço. Por exemplo, a forma de C pode
ser movida com uma pestana na 3ª casa para tocar D#/Eb, na 5ª casa para tocar F, e assim por
diante.
Para os acordes com sétima, que enriquecem significativamente o campo harmônico, temos:
Para maximizar o aprendizado, crie mapas de acordes para referência rápida, organizados por
tonalidade. Por exemplo, um mapa do campo harmônico de Dó maior incluiria todos os acordes desse
campo (C, Dm, Em, F, G, Am, B°) em diferentes posições ao longo do braço.
Pratique transições entre acordes em diferentes regiões do braço, procurando o caminho mais
eficiente (com menor movimento) entre um acorde e outro. Por exemplo, para ir de C (X32010) para G
(320003), você pode manter o dedo 2 no mesmo lugar e apenas reposicionar os outros dedos,
tornando a transição mais fluida.
Exercícios para Montar Campos
Harmônicos
Nesta seção, vamos explorar exercícios práticos para desenvolver sua habilidade em montar campos
harmônicos a partir de diferentes escalas. Estes exercícios ajudarão a fixar o conhecimento teórico e
desenvolver a fluência no reconhecimento e aplicação dos campos harmônicos no violão.
Análise de Progressões
Comparação entre Comuns
Montagem do Campo Campo Maior e Menor Estude progressões harmônicas
Harmônico Menor Escreva lado a lado os campos comuns como I-IV-V-I, ii-V-I, I-
Natural harmônicos de C maior e seu vi-ii-V e identifique os acordes
Escolha uma tonalidade menor relativo A menor. Observe quais correspondentes em diferentes
(Am, Em, Dm, etc.) e escreva acordes são compartilhados tonalidades. Por exemplo, em C
todas as notas da escala menor entre eles e como as funções maior: C-F-G-C, Dm-G-C, C-
natural. Construa os acordes harmônicas diferem. Repita Am-Dm-G. Repita em outras
tríades e tétrades para cada com outros pares de relativos, tonalidades.
grau, identificando-os como como G maior/E menor e F
maior, menor, diminuto ou maior/D menor.
meio-diminuto. Observe as
diferenças em relação ao
campo harmônico maior.
Para praticar o reconhecimento auditivo dos campos harmônicos, tente este exercício avançado:
Toque uma sequência de acordes do campo harmônico de C maior em ordem aleatória, sem olhar
para o violão. Tente identificar os graus de cada acorde apenas pelo som. Comece com tríades e
avance para tétrades conforme sua percepção auditiva melhora.
Outro exercício valioso é criar "mapas mentais" dos campos harmônicos. Escolha uma tonalidade e
tente visualizar todos os acordes desse campo harmônico ao longo do braço do violão, identificando
diferentes posições para cada acorde. Isso desenvolve tanto seu conhecimento teórico quanto sua
familiaridade com o instrumento.
Lembre-se de praticar esses exercícios regularmente, escolhendo novas tonalidades a cada semana.
A consistência é fundamental para internalizar os campos harmônicos até que se tornem uma
segunda natureza, permitindo que você aplique esse conhecimento intuitivamente em situações
musicais reais.
Reconhecimento de Campos
Harmônicos
Reconhecer campos harmônicos em músicas existentes é uma habilidade valiosa que amplia sua
compreensão musical e enriquece sua interpretação. Nesta seção, exploraremos métodos para
identificar o campo harmônico em que uma música está baseada e como reconhecer os graus e
progressões harmônicas utilizadas.
Um exercício prático particularmente útil é ouvir músicas populares e tentar identificar seu campo
harmônico e progressões sem o instrumento, depois verificar suas suposições tocando junto. Comece
com canções brasileiras simples como "Asa Branca" (Luiz Gonzaga), "Trem das Onze" (Adoniran
Barbosa) ou "Garota de Ipanema" (Tom Jobim).
Progressão I-IV-V-I
Esta é possivelmente a progressão mais fundamental da música ocidental, conhecida
como "cadência autêntica" quando termina com V-I. Em Dó maior, seria C-F-G-C.
Encontrada em inúmeras canções populares como "Asa Branca" (Luiz Gonzaga) e "Lá
Vem o Sol" (versão de "Here Comes the Sun" dos Beatles).
Progressão I-V-vi-IV
Extremamente popular na música pop contemporânea. Em Dó maior, seria C-G-Am-F.
2
Variações desta progressão aparecem em "Garota de Ipanema" (Tom Jobim), onde
temos uma variante com I-V-I-IV-I-V-vi-IV em forma mais elaborada.
Progressão I-vi-IV-V
Conhecida como progressão dos anos 50 ou "doo-wop", muito comum no rock clássico
e baladas. Em Dó maior, seria C-Am-F-G. Pode ser ouvida em "Duas Metades" (Jorge e
Mateus) e em versões adaptadas em várias canções da MPB.
Progressão ii-V-I
A progressão mais comum no jazz e na bossa nova. Em Dó maior, seria Dm-G-C.
Presente em "Chega de Saudade" (Tom Jobim) e em inúmeras composições de João
Gilberto e outros mestres da bossa nova.
Estas progressões podem ser enriquecidas com variações e substituições de acordes. Algumas das
técnicas mais comuns incluem:
Vamos analisar exemplos concretos de músicas brasileiras que utilizam estas progressões:
Para praticar estas progressões no violão, comece tocando-as em tonalidades amigáveis como C, G e
D maior. Experimente diferentes ritmos e batidas para cada progressão, adaptando-as a diversos
estilos musicais. Tente também criar suas próprias variações, adicionando acordes de passagem ou
alterando a ordem dos acordes na progressão.
À medida que você se familiariza com estas progressões, tente identificá-las nas músicas que ouve no
dia a dia. Esta prática desenvolverá seu ouvido harmônico e enriquecerá seu repertório de recursos
para composição e arranjo.
Progressões Harmônicas Comuns no
Campo Menor
As progressões harmônicas em tonalidades menores possuem um caráter expressivo distinto,
frequentemente associado a sensações de melancolia, dramaticidade ou introspecção. No campo
harmônico menor, encontramos progressões características que formam a base de muitas
composições em diversos gêneros musicais, desde o choro e o samba-canção até o rock e a música
erudita.
Progressão i-iv-v-i
Similar à progressão I-IV-V-I do campo maior, mas com a sonoridade característica do
modo menor. Em Lá menor, seria Am-Dm-Em-Am. No entanto, é muito comum
substituir o v menor pelo V maior (com sétima), resultando em Am-Dm-E7-Am, para
criar uma resolução mais forte.
Progressão i-VI-III-VII
Muito popular em baladas e canções românticas. Em Lá menor, seria Am-F-C-G. Esta
2
progressão utiliza os mesmos acordes da progressão vi-IV-I-V em Dó maior,
demonstrando a relação entre tonalidades relativas.
Progressão i-VII-VI-V
Cria uma sensação de movimento descendente e tensão crescente. Em Lá menor, seria
Am-G-F-E7. Aparece em muitas canções dramáticas e é comum no flamenco e nas
músicas latino-americanas.
Progressão i-iv-V-i
Similar à primeira, mas usando o V grau maior (frequentemente com sétima). Em Lá
menor, seria Am-Dm-E7-Am. Esta é a progressão menor mais comum em estilos como
choro, bossa nova e jazz.
Assim como no campo harmônico maior, estas progressões podem ser enriquecidas com
substituições e variações:
Vamos analisar exemplos de músicas brasileiras que utilizam progressões em tonalidade menor:
Para praticar estas progressões no violão, comece com tonalidades menores amigáveis como Am, Em
e Dm. Experimente diferentes padrões rítmicos para cada progressão, adaptando-as a diversos estilos
como bossa nova, samba, balada ou rock. Trabalhe também a transição entre a tonalidade menor e
sua relativa maior, algo muito comum na música brasileira.
Uma prática valiosa é comparar as mesmas progressões em modo maior e menor. Por exemplo, toque
C-F-G-C e depois Am-Dm-E7-Am, observando como a mudança de modo afeta profundamente o
caráter emocional da música, mesmo mantendo uma estrutura harmônica similar.
Análise de Músicas Brasileiras (Campo
Maior)
A música brasileira é rica em exemplos de uso criativo e sofisticado dos campos harmônicos. Nesta
seção, analisaremos algumas canções populares brasileiras em tonalidade maior, identificando os
acordes utilizados, seus graus no campo harmônico e as funções tonais presentes. Esta análise
ajudará a compreender como os conceitos teóricos são aplicados em composições reais.
Vamos começar com uma análise detalhada de "Garota de Ipanema", uma das composições mais
famosas de Tom Jobim:
Db - D°7 - Eb7 - Ab7 (I - i°7 - II7 - V7) 4. Modulação temporária: A parte B modula
para Db maior (relação de trítono com a
Db - A7 - D7 - G7 (I - VI7 - VII7 - III7) ³
tonalidade original)
retorno a F maior
5. Retorno criativo à tonalidade original:
Sequência de dominantes Db-A7-D7-G7 que
conduz de volta a F
Uma análise mais simples pode ser feita com "Asa Branca" de Luiz Gonzaga:
"Chega de Saudade" (Tom Jobim): Demonstra uso extensivo de progressões ii-V-I e dominantes
secundárias em D maior
"Aquarela do Brasil" (Ary Barroso): Apresenta modulações entre tonalidades maiores (C maior
para F maior)
"O Barquinho" (Roberto Menescal): Usa progressões I-vi-ii-V em G maior com rica harmonização
"Mas Que Nada" (Jorge Ben Jor): Exemplo de progressões I-IV-V em E maior com influências do
samba e do jazz
Vamos começar com "Insensatez", uma composição icônica de Tom Jobim inspirada no Prelúdio Op.
28 Nº 4 de Chopin:
Retorno à parte A Cm - Fm - G7 - Cm i - iv - V7 - i T - SD - D - T
Final Ab - Fm - G7 - Cm VI - iv - V7 - i T - SD - D - T
"Carinhoso" é um excelente exemplo de alternância entre a tonalidade menor e sua relativa maior,
técnica muito comum no choro brasileiro.
Estas análises demonstram que compreender o campo harmônico menor é essencial para interpretar,
arranjar ou compor música brasileira, especialmente em gêneros como o choro, a bossa nova, o
samba-canção e a MPB.
Modulação entre Campos Harmônicos
A modulação é a transição de uma tonalidade para outra dentro de uma mesma peça musical. Esta
técnica enriquece significativamente a composição, criando contraste, interesse e expressividade.
Compreender como modular entre diferentes campos harmônicos é uma habilidade valiosa para
compositores, arranjadores e intérpretes.
Existem várias técnicas de modulação, cada uma com características e efeitos distintos:
Um recurso muito usado na música brasileira é a modulação entre tonalidades relativas (maior e sua
relativa menor, que compartilham as mesmas notas em suas escalas). Vamos analisar essa técnica:
Os campos harmônicos representam muito mais que uma simples organização de acordes. Eles
constituem a estrutura harmônica que sustenta toda a música tonal ocidental, fornecendo o mapa
que permite ao músico navegar com segurança pelo território da harmonia. Compreender os campos
harmônicos é como aprender a gramática de uma língua: permite-nos não apenas reproduzir o que
outros criaram, mas também expressar nossas próprias ideias musicais com clareza e coerência.
Improvisação
Composição
Compreender os campos
O conhecimento dos campos
harmônicos permite improvisar
harmônicos fornece um
com confiança, sabendo quais
arcabouço estrutural para a
notas funcionarão bem sobre
criação musical, permitindo
cada acorde e como criar linhas
escolher progressões harmônicas
melódicas que sigam o fluxo
coerentes e expressivas.
harmônico.
Técnica Instrumental
Percepção Musical
A aplicação dos campos
4 O estudo dos campos
harmônicos no violão desenvolve
harmônicos aguça a percepção
a técnica e amplia o
auditiva, permitindo reconhecer
conhecimento do braço do
progressões, modulações e
instrumento, permitindo tocar
nuances harmônicas nas músicas
em diferentes posições e
que ouvimos.
tonalidades.
O campo harmônico é o elemento que conecta teoria e prática musical. Ao estudar um novo
repertório, a identificação do campo harmônico permite compreender a estrutura da música,
memorizar mais facilmente as progressões de acordes e transpor para tonalidades mais adequadas à
sua voz ou instrumento. Na composição, o conhecimento dos campos harmônicos oferece infinitas
possibilidades criativas, desde progressões simples e diretas até modulações sofisticadas e coloridas.
A música brasileira, em particular, demonstra uma utilização rica e criativa dos campos harmônicos.
Da simplicidade harmônica de uma música regional como "Asa Branca" à sofisticação harmônica de
"Garota de Ipanema", os campos harmônicos são a base sobre a qual os compositores brasileiros
construíram um dos repertórios mais ricos e diversificados do mundo.
Vale ressaltar que o estudo dos campos harmônicos não deve ser encarado como um conjunto de
regras rígidas, mas como um ponto de partida para a exploração e a experimentação. A história da
música está repleta de exemplos de compositores que expandiram os limites da harmonia tradicional,
criando novas sonoridades a partir do conhecimento dos campos harmônicos convencionais.
Que este guia tenha iluminado seu caminho no estudo da harmonia e inspirado você a continuar sua
jornada musical com curiosidade, criatividade e paixão. Bons estudos e boa música!