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Rascunho Do Rascunho

O documento discute a importância dos eventos culturais, especialmente samba e pagode, para a identidade comunitária e a economia local, destacando a necessidade de um planejamento eficaz para evitar impactos negativos. A pesquisa propõe investigar como o Planejamento e Controle da Produção (PCP) pode ser aplicado na organização desses eventos, visando melhorar a eficiência e a experiência do público, sem perder a essência cultural. Além disso, aborda a relevância da divulgação e da gestão financeira na sustentabilidade dos eventos.

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Rascunho Do Rascunho

O documento discute a importância dos eventos culturais, especialmente samba e pagode, para a identidade comunitária e a economia local, destacando a necessidade de um planejamento eficaz para evitar impactos negativos. A pesquisa propõe investigar como o Planejamento e Controle da Produção (PCP) pode ser aplicado na organização desses eventos, visando melhorar a eficiência e a experiência do público, sem perder a essência cultural. Além disso, aborda a relevância da divulgação e da gestão financeira na sustentabilidade dos eventos.

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1 INTRODUÇÃO

1.1 Justificativa

Os eventos culturais não se limitam ao entretenimento. Eles ajudam a fortalecer a


identidade de uma comunidade, movimentam a economia local e mantêm vivas tradições que
se transformam em patrimônio simbólico. Knupp et al. (2019) lembram que, em cidades
como Ouro Preto, essas iniciativas reduzem a sazonalidade turística, criam postos de
trabalho, fazem a renda circular e estimulam a convivência social. São benefícios que
ultrapassam a festa em si e reverberam no cotidiano da cidade e de seus moradores. Ao
mesmo tempo em que trazem benefícios evidentes, tais eventos exigem atenção especial ao
planejamento, já que a ausência de organização pode ocasionar impactos negativos, como
sobrecarga da infraestrutura, insatisfação da população residente e dificuldades na logística
urbana (TOMAZZONI et al., 2011 apud KNUPP et al., 2019).

Dentro desse panorama, o samba e o pagode destacam-se por sua força cultural e
afetiva. Diniz (2012) lembra que o samba nasceu como expressão de resistência e de
sociabilidade popular, consolidando-se ao longo do século XX como símbolo nacional, em
parte impulsionado pelo rádio e pelas políticas de incentivo cultural. Mais do que um gênero
musical, o samba e suas vertentes tornaram-se uma forma de construção de memória coletiva,
atravessando gerações e assumindo diversas linguagens, do partido-alto ao pagode romântico.
Essa vitalidade explica sua permanência no cotidiano das festas, shows e festivais brasileiros,
confirmando a relevância de investigar como tais eventos podem ser melhor organizados e
sustentados ao longo do tempo.
Com efeito, nos eventos de samba e pagode, a força cultural que os sustenta raramente
vem sozinha. Além da memória de um momento especial, vêm também diversos obstáculos
para quem opera nos bastidores: o orçamento apertado, a montagem atrasada, a comunicação
falha, a ausência de uma rotina que dê segurança ao processo. Então, entra o improviso e a
experiência do público pode até ser prejudicada. Matias (2013) e Freiberger (2021) chamam a
atenção para essa contradição: não se trata de eliminar a espontaneidade que o samba carrega
consigo, mas achar maneiras de organização que possam manter viva a sua essência popular
ao mesmo tempo em que a tornam mais eficiente. É neste ponto que o Planejamento e
Controle da Produção, o PCP, pode ter valor. Estruturando etapas, antecipando prazos e
minimizando falhas, o PCP é uma forma de tornar a execução mais previsível, sem que a
cultura precise ser engessada.

É nesse ponto que o Planejamento e Controle da Produção (PCP) entra em cena.


Almeida e Braga (2020) mostram que ele ajuda a organizar prazos, cuidar da distribuição dos
recursos e acompanhar cada etapa de forma mais previsível. Na prática, isso significa menos
atropelos, mais segurança e um público que consegue aproveitar o show sem sentir os
bastidores em crise. O PCP, portanto, pode ser a ponte entre a emoção que o samba carrega e
a eficiência necessária para que o evento aconteça de forma fluida.

Assim, a escolha por estudar a aplicação do PCP em eventos de samba e pagode


justifica-se tanto pela relevância social e cultural desses gêneros quanto pela necessidade
prática de aprimorar sua organização. Trata-se de uma oportunidade de unir teoria e prática:
de um lado, reconhecer a importância do samba como manifestação histórica e afetiva da
cultura brasileira; de outro, propor soluções de gestão que ampliem a sustentabilidade dos
eventos e melhorem a experiência de todos os envolvidos, do público ao artista, do produtor
ao patrocinador.
1.2 Objetivos

Este estudo procura entender como o Planejamento e Controle da Produção (PCP)


pode ser colocado em prática na organização de eventos de samba e pagode. Mais do que
discutir apenas técnicas de gestão, a ideia é observar de que forma essas ferramentas ajudam
a dar ritmo e previsibilidade ao processo, garantindo eficiência e melhorando a experiência de
quem participa. Ao mesmo tempo, o trabalho se preocupa em valorizar o aspecto cultural que
está na base desses eventos, para que a profissionalização não acabe por apagar sua
identidade popular.

1.3 Objetivos Específicos

a) Identificar, a partir da percepção de músicos, produtores e demais profissionais do


setor, as principais forças, fraquezas, oportunidades e ameaças presentes na produção
de eventos de samba e pagode;
b) Mapear os processos organizacionais por meio da utilização de ferramentas de gestão,
como fluxogramas, gráfico de Gantt e matriz SWOT, relacionando-os às etapas
práticas de planejamento e execução;
c) Avaliar de que forma as dificuldades logísticas, comunicacionais, financeiras e de
segurança impactam a produção dos eventos e como podem ser minimizadas com o
uso do PCP;
d) Investigar o papel das ferramentas digitais (Trello, Google Planilhas, Google Agenda,
Canva, entre outras) na coordenação em tempo real das tarefas, destacando suas
contribuições e limitações.
2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Contextualização de eventos e seus tipos

Os eventos representam manifestações organizadas que mobilizam pessoas em torno


de ideias, celebrações, causas ou ações com objetivos definidos. Conforme Coutinho (2010),
evento pode ser compreendido como uma atividade planejada, com data e local determinados,
que visa engajar um público específico. O SENAC (2000 apud COUTINHO, 2010) reforça
esse entendimento ao definir evento como um acontecimento estruturado que busca otimizar
a comunicação, promovendo a interação entre os participantes. Para Zanella (2003 apud
COUTINHO, 2010), trata-se de uma reunião formal ou solene com propósitos culturais,
comerciais, sociais ou religiosos. Nesse contexto, Matias (2013) destaca a importância dos
eventos como atividades que assumem relevância econômica e social, exigindo planejamento
profissionalizado.

A evolução histórica dos eventos mostra que eles têm acompanhado o


desenvolvimento das sociedades humanas desde a Antiguidade. Segundo Freiberger (2021),
os eventos remontam aos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, em 776 a.C., e, ao longo dos
séculos, foram se diversificando em termos de formato e finalidade. No Brasil, de acordo
com Matias (2013), o primeiro evento registrado com estrutura organizada foi um baile de
carnaval, em 1840. Depois disso, os eventos adquiriram complexidade, incluindo desde festas
populares até congressos internacionais, feiras comerciais e exposições culturais.

A tipologia dos eventos pode variar de acordo com o porte, periodicidade, público e
objetivos. Segundo Coutinho (2010), os eventos podem ser classificados como pequenos (até
200 pessoas), médios (entre 200 e 500), grandes (de 500 a 5.000) e megaeventos (acima de
5.000 participantes). Essa classificação é crucial para o planejamento, pois afeta diretamente
na logística, nos requisitos legais, na comunicação e na estrutura necessária para o seu
acontecimento.

Page e Connell (2012) dizem que os eventos, mais do que a sua função representativa
e cultural, têm se garantido como importantes vetores de desenvolvimento econômico e
gestão de marca territorial. A chamada "economia da experiência" destaca que os eventos não
se limitam a diversão, mas são programas de desenvolvimento de identidades, pertencimento
e consumo simbólico. Pine e Gilmore (1998) apontam que o diferencial competitivo está na
formação de experiências imersivas que estimulam os sentidos e originam memórias afetivas.
De acordo com Cesca (1997) e Freiberger (2021), há distinções entre eventos abertos
e fechados, conforme o tipo de acesso do público. Também se diferenciam quanto à natureza:
eventos artísticos, culturais, comerciais, cívicos, científicos, promocionais, religiosos,
esportivos, turísticos, de lazer ou sociais. Além disso, podem ser organizados em diversos
formatos, como congressos, simpósios, conferências, seminários, workshops, feiras,
exposições, entre outros, cada um com finalidades e estruturas específicas, conforme destaca
Bettega (2001).

Dentre os eventos artísticos, segundo Lara (2017), estão aqueles relacionados a


manifestações como música, pintura, poesia, literatura, entre outras formas de expressão.
Nesse contexto, os eventos musicais se destacam por seu potencial de engajamento sensorial
e emocional do público, e serão o foco do próximo tópico.

2.2 Evento musical

Organizar um evento musical envolve uma série de decisões práticas e estratégicas


que exigem muito cuidado e coordenação. Desde a escolha da data e do local até a
contratação de artistas, fornecedores e a obtenção das licenças necessárias, tudo deve ser
cuidadosamente pensado para garantir que o evento seja bem-sucedido. Quando algum desses
pontos é deixado de lado, não apenas a experiência do público pode ser afetada, mas a saúde
financeira do evento também pode estar em risco.

Além disso, segundo Mota et al.(2020), megaeventos musicais impactam ainda mais
na mobilidade da cidade e do trânsito, sendo indispensável uma coordenação com as
instituições públicas para que as atividades da cidade aconteçam da melhor forma. Isso deixa
claro que o planejamento de eventos vai além da execução do evento em si, requerendo
também uma visão ampla da gestão do espaço urbano, que possibilita o alívio de impactos
ambientais, controle de acessos e reparos na infraestrutura pública. Portanto, o sucesso de um
evento está intimamente ligado à capacidade de antecipar e planejar essas interações entre o
evento e a cidade, minimizando transtornos e maximizando a experiência dos participantes.
Nesse sentido, conhecer os estilos musicais mais consumidos pelo público é
fundamental para a curadoria artística e para a definição de estratégias de marketing e
comunicação. De acordo com Marques (2023), os gêneros musicais mais populares no Brasil
atualmente são o sertanejo, o funk e o arrocha, com ênfase em subgêneros como o sertanejo
universitário, o funk ostentação e o funk MTG (Montagem). Segundo dados do Spotify Brasil
(2023 apud Marques, 2023), houve um crescimento de 43% nas playlists dedicadas a esses
estilos em relação ao ano anterior, o que reforça sua relevância no cenário musical nacional.

Outros gêneros que mantém forte presença nas paradas são o pop nacional e o pagode,
ambos impulsionados por artistas com grande alcance midiático e forte engajamento nas
redes sociais. O pagode, em especial, é um dos gêneros mais duradouros no gosto popular
brasileiro, sendo constantemente requisitado para eventos de médio e grande porte (Silva
Júnior et al., 2023). A seguir, será apresentada uma análise mais específica sobre os eventos
de samba e pagode, gêneros que, além da expressividade musical, carregam importantes
dimensões culturais, afetivas e sociais.
2.3 Eventos de Samba e Pagode: organização, divulgação e gestão financeira.

Os eventos de samba e pagode ocupam um lugar de destaque no panorama cultural


brasileiro, pois combinam celebração, tradição e resistência em ambientes de sociabilidade
marcados pela música, dança e coletividade. Segundo Diniz (2006), o samba se consolidou
como o principal gênero musical do Rio de Janeiro ao longo do século XX, resultado de
séculos de interação etnocultural entre populações negras, brancas e mestiças. A partir do
incentivo estatal ao carnaval e à radiodifusão, o gênero foi alçado à condição de símbolo
nacional, expandindo-se dos morros e festas populares para os palcos de grandes espetáculos.
Nesse processo de expansão, o pagode emergiu como um desdobramento do samba
tradicional, incorporando novas sonoridades, instrumentos e dinâmicas performáticas que
ampliaram seu alcance e facilitaram sua inserção no mercado fonográfico (AMARAL, 2008).
Essa trajetória de profissionalização exige que produtores e organizadores saibam equilibrar a
autenticidade cultural com as exigências operacionais e comerciais dos eventos atuais. Dentro
da tipologia proposta por Freiberger (2021), essas produções se enquadram como eventos
artísticos, por sua expressividade musical e performática; eventos culturais, por manterem
viva a tradição popular brasileira; e eventos de lazer, ao oferecerem experiências de
entretenimento ao público.

A organização é o fator crucial para garantir o sucesso de qualquer evento.Planejar


um evento abrange diversas fases, desde a concepção até a execução, e requer decisões
cruciais em pontos chave, como a definição de objetivos, seleção do local, análise da
infraestrutura disponível, contratação de fornecedores, elaboração de cronogramas e
negociação com patrocinadores. Em cada fase, seja antes, durante ou após o evento, as
escolhas feitas têm um grande impacto na experiência do público (Matias, 2013; Freiberger,
2021). Como pontua Zanelli (2012 apud LARA, 2017), a complexidade das ações exige a
integração entre equipe técnica, artistas, parceiros e serviços terceirizados, o que reforça a
importância de um planejamento coordenado e bem estruturado desde os primeiros esboços
do projeto.
Além dos aspectos operacionais, a divulgação exerce papel determinante na
mobilização do público e na construção da identidade do evento.Além de todos os aspectos
operacionais, a forma como o evento é divulgado tem grande impacto na mobilização do
público e na construção da sua identidade. Matias (2013) aponta que o marketing de eventos
deve buscar um equilíbrio entre os meios tradicionais, como jornais, rádio e cartazes, e as
novas mídias digitais e alternativas. Essas ferramentas digitais têm ganhado relevância
justamente por ampliarem o alcance das campanhas, permitindo que se chegue a públicos
mais segmentados de forma eficiente. A autora ainda destaca que a clareza da mensagem e a
escolha certa dos canais de comunicação são decisivas, pois precisam estar alinhadas às
características do público que se pretende envolver. Na mesma direção, Watt (2004)
apresenta vinte pontos de atenção essenciais para o marketing de eventos, abrangendo desde a
construção da imagem institucional até o uso estratégico de brindes, parcerias com
influenciadores e ações que fortalecem o relacionamento com diferentes stakeholders.
Complementando esse debate, Medeiros (2017) enfatiza que o marketing de eventos
contemporâneo deve ser ágil, personalizado e atento às transformações do ambiente digital,
incorporando recursos como transmissões ao vivo, produção de conteúdos curtos e estratégias
de influência.

A profissionalização da divulgação não pode ser dissociada do planejamento


financeiro, já que o sucesso de um evento depende da viabilidade econômica do projeto.
Segundo Matias (2013), comprometer-se com a realização sem garantir previamente os
recursos necessários é um dos principais riscos enfrentados pelos organizadores. O orçamento
detalhado, o controle de despesas, a análise de mercado e a definição das fontes de receita –
como ingressos, vendas de alimentos e bebidas, merchandising e patrocínio – são etapas
essenciais para a sustentabilidade financeira do evento.

Watt (2004) ressalta que, ao planejar um evento, é fundamental estar atento desde o
início a fatores como impostos, inflação e possíveis imprevistos. Além disso, ele destaca a
importância de manter a transparência nos processos financeiros e no controle dos gastos.
Quando a estrutura financeira do evento é bem planejada, ela oferece maior segurança e
flexibilidade para enfrentar os desafios que surgem ao longo da execução.
Neste contexto, é crucial prestar atenção ao recolhimento dos direitos autorais pela
execução de músicas em eventos. Esse processo é fundamental para garantir que os artistas e
compositores recebam o reconhecimento e a compensação que merecem pelo uso de suas
músicas, fazendo com que tudo seja feito corretamente e dentro da lei, evitando problemas no
futuro. Segundo o Regulamento de Arrecadação do ECAD (2024), qualquer pessoa ou
empresa que organize um evento com música ao vivo ou gravada precisa garantir uma licença
prévia. Esse pagamento pode variar conforme a receita do evento, os custos musicais ou até
mesmo a área que será coberta pelo som. Os critérios variam conforme o tipo de evento,
cobrança de ingresso, espaço utilizado e número de cortesias. A ausência dessa regularização
pode acarretar punições e prejuízos à imagem do produtor. Estar em conformidade com o
ECAD exige planejamento antecipado, coleta e envio de documentos como borderôs de
bilheteria e contratos de prestação de serviço, além de diálogo constante com a instituição
para cálculo correto da licença.

Diante de todas essas exigências, estruturais, comunicacionais, legais e financeiras,


torna-se evidente a necessidade de ferramentas que auxiliem os organizadores a sistematizar
os processos. O Planejamento e Controle da Produção (PCP) desponta como um recurso
estratégico especialmente útil nesse contexto. Ele permite alinhar recursos humanos,
materiais e financeiros, antecipar gargalos, reduzir desperdícios e garantir a execução
eficiente de cada etapa do evento. Nos eventos de samba e pagode, em que tradição, emoção
e profissionalização caminham juntas, o PCP contribui para que a produção cultural não
perca sua essência, mas seja realizada com organização, previsibilidade e qualidade,
valorizando tanto o público quanto os profissionais envolvidos.

2.3 Planejamento e Controle da Produção (PCP)

Como descrito anteriormente, eventos de samba e pagode carregam uma identidade


própria: são marcados pela valorização da cultura popular, por produções muitas vezes
independentes e pela construção de uma atmosfera de informalidade organizada. Essa
valorização simbólica do “popular” como espaço de alegria, pertencimento e resistência
cultural tem raízes históricas e foi potencializada ao longo do século passado, quando o
samba e o pagode se consolidaram como expressões de afirmação identitária das classes
populares urbanas (VIANNA, 1995; SANDRONI, 2001 apud TROTTA, OLIVEIRA 2015).
Esse contexto exige uma produção cuidadosa, mesmo que aparentemente descomplicada. A
diversidade do público, a logística descentralizada e a constante adaptação a orçamentos
reduzidos tornam o planejamento ainda mais essencial. Para além da celebração, há uma
complexa engrenagem produtiva que precisa funcionar com precisão. É nesse cenário que o
Planejamento e Controle da Produção (PCP) se insere como um elemento central para
garantir a fluidez e a qualidade do evento, uma vez que sua aplicação possibilita a
organização estratégica dos processos e contribui para a sustentabilidade da produção.
(OLIVEIRA; JUNG, 2024)

O Planejamento e Controle da Produção (PCP) é uma função estratégica da


administração que transforma planos em ações concretas, coordenando recursos, atividades e
prazos (CORRÊA; GIANESI; CAON, 2022). Em setores de eventos, que lidam com
imprevistos e alta pressão de tempo, o PCP oferece previsibilidade, alinhando produção,
fornecedores, segurança, comunicação e experiência do público, conforme Moreira (2021).

Em ambientes de serviços, o PCP deve ser dinâmico e flexível, garantindo a


integração de todas as etapas do processo, desde o planejamento até a execução operacional.
A adoção dessas práticas em eventos musicais, por exemplo, permite o alinhamento entre
produção, fornecedores, segurança, comunicação e experiência do público.

O Planejamento e Controle da Produção (PCP) oferece ferramentas, como


cronogramas, fluxogramas e gráficos de Gantt, que otimizam os processos, alocando os
recursos de maneira eficiente e garantindo maior previsibilidade na execução de cada etapa
do evento (LARSON; GRAY, 2016). O PCP também permite o controle dos custos, a
previsão de demandas, além de facilitar a tomada de decisões em tempo real, com base em
indicadores e fluxos bem definidos (SLACK; BRANDON-JONES; BURGESS, 2020).

Entre os benefícios do PCP, destaca-se sua capacidade de integrar diferentes setores


da produção, aumentar a confiabilidade da operação e melhorar a satisfação do público final.
Bonney (2000) salienta que o PCP busca sempre a produção mais eficiente possível,
independentemente do setor. Em eventos, isso se traduz na redução de falhas operacionais,
como atrasos na montagem, falhas na segurança ou na recepção, e improvisos que
comprometem a experiência do público.

No caso de eventos de samba e pagode, que costumam ter produções independentes,


orçamentos enxutos e grande variabilidade de público, a aplicação do PCP é ainda mais
importante. Ele permite estimar demanda de ingressos, dimensionar equipe, planejar
abastecimento (de bebidas e alimentação, por exemplo) e organizar todas as etapas da
produção de forma coordenada. Como reforçam Corrêa et al. (2022), o PCP também
contribui para uma visão sistêmica da operação, evitando que gargalos localizados afetem o
todo.

Em resumo, o PCP não é apenas uma ferramenta operacional, ele pode ser um
diferencial competitivo para quem trabalha com produção cultural. Ao aplicar seus princípios
e ferramentas como cronogramas, fluxogramas e análises de cenários, os produtores
conseguem organizar processos, mitigar riscos, prever custos e entregar uma experiência de
maior qualidade ao público. Nesse sentido, para que o Planejamento e Controle da Produção
(PCP) se concretize de forma eficaz no contexto dos eventos musicais, especialmente aqueles
organizados por produtores independentes de samba e pagode, é imprescindível o uso de
ferramentas que permitam mapear processos, prever prazos, organizar recursos e acompanhar
a execução em tempo real. São essas ferramentas que tornam possível a aplicação prática dos
princípios do PCP, promovendo maior controle e eficiência em todas as etapas da produção.
A seguir, serão apresentadas as principais ferramentas adotadas neste estudo, com destaque
para suas funcionalidades, contribuições operacionais e limitações no cenário específico da
produção cultural independente.

2.4 Ferramentas utilizadas no estudo

Entre as ferramentas utilizadas neste estudo, destacam-se o fluxograma, o gráfico de


Gantt e a matriz SWOT, além do uso de plataformas digitais como o Trello para gestão visual
de projetos.

A escolha das ferramentas utilizadas no estudo parte das exigências da própria


estrutura organizacional de um evento. Como aponta Matos (2013), ainda na fase de
concepção, é preciso levantar informações detalhadas sobre objetivos, necessidades,
participantes e viabilidade técnica e econômica. Essa complexidade exige o uso de
instrumentos capazes de estruturar visualmente as etapas, distribuir responsabilidades e
facilitar a tomada de decisões. Ferramentas como fluxograma, gráfico de Gantt e matriz
SWOT foram escolhidas por responderem diretamente a essas necessidades, oferecendo
clareza na definição de processos, controle de prazos e análise estratégica do ambiente.

O fluxograma é uma representação gráfica do fluxo de processos, que permite


identificar e visualizar de forma clara os passos envolvidos em uma atividade ou sistema.
Utilizado como ferramenta de gestão e análise, ele contribui para mapear os procedimentos,
identificar gargalos e promover melhorias operacionais (REIS; DAVID, 2010). Em eventos, o
fluxograma permite visualizar os caminhos que o público, fornecedores e equipe percorrem,
desde o planejamento até a execução.

Segundo Bellucci Júnior e Matsuda (2012), o uso do fluxograma também permite a


identificação de gargalos no atendimento, a organização de fluxos complexos e o incentivo à
auto análise das equipes. Seu principal benefício é tornar visível o processo de trabalho,
promovendo organização, segurança e humanização. No entanto, seu uso exige envolvimento
coletivo, clareza na definição das etapas e pode ser limitado pela resistência de profissionais à
mudança e por relações hierárquicas pouco colaborativas

O gráfico de Gantt é uma ferramenta de gerenciamento do tempo, utilizada para


programar visualmente tarefas, prazos e responsáveis. Sua função principal é permitir o
controle e acompanhamento do progresso de um projeto, facilitando o sequenciamento lógico
das atividades (CARRAVILLA, 1996). Em eventos musicais, o gráfico de Gantt auxilia na
definição de datas para montagem, passagem de som, contratação de serviços, e execução do
evento em si, evitando atrasos e sobreposição de tarefas.

Entre os benefícios do Gantt, destaca-se a clareza na visualização dos prazos, que


facilita o acompanhamento do andamento do projeto. Além disso, ele ajuda a distribuir os
recursos de maneira eficiente, especialmente em períodos críticos, evitando sobrecarga e
garantindo que tudo aconteça dentro do tempo planejado. Por outro lado, ele pode apresentar
limitações quando há múltiplas tarefas interdependentes ou necessidade de atualizações
constantes em projetos com alta variabilidade. Nessas situações, sua aplicação requer
softwares complementares e atualização contínua para manter sua eficácia.

A matriz SWOT (do inglês Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), é uma


ferramenta estratégica amplamente utilizada no planejamento e gestão de organizações de
diferentes portes (PORTER, 1999). Sua principal função é identificar variáveis internas e
externas que impactam a empresa, permitindo uma visão integrada da realidade
organizacional e orientando a tomada de decisão.

Segundo Cordeiro e Ribeiro (2002), a análise de desempenho oferece uma visão mais
clara sobre o ambiente de trabalho, ajudando a entender se a gestão adotada é realmente
eficaz e se está preparada para sustentar o processo ao longo do tempo. Para Oliveira (2007),
a aplicação da SWOT possibilita distinguir entre forças e fraquezas, variáveis controláveis
que influenciam diretamente a competitividade da empresa, e oportunidades e ameaças, que
representam fatores externos incontroláveis, mas que podem ser monitorados para reduzir
riscos e potencializar resultados. Já Gonçalves Júnior et al. (2020) destacam que a SWOT
favorece o posicionamento estratégico da empresa no mercado e facilita a elaboração de
planos de negócios com base em dados reais. Entre seus benefícios, estão a simplicidade e a
aplicabilidade em diversas áreas. Contudo, sua limitação está na subjetividade das análises,
que depende da qualidade das informações e do julgamento de quem a aplica.

Além das ferramentas clássicas, o uso de plataformas digitais de gerenciamento, como


o Trello, tem ganhado destaque. É uma ferramenta digital de organização colaborativa que se
apoia em quadros, listas e cartões para estruturar tarefas de forma simples e visual. Baseado
no método Kanban, ele permite atribuir prazos, distribuir responsabilidades e acompanhar o
progresso em tempo real. Além da versão gratuita, acessível em navegadores e dispositivos
móveis, sua principal vantagem é a facilidade de uso, que favorece a colaboração entre
equipes (PEREIRA JUNIOR; SCHROEDER; DOLCI, 2019). Em eventos culturais, como
shows de samba e pagode, esse recurso pode otimizar o cronograma, integrando produtores,
fornecedores e artistas.

Por outro lado, também apresenta limitações digitais que podem comprometer sua
efetividade. Barreiras de acesso, falta de habilidades tecnológicas e uso inadequado são
alguns dos principais desafios (PEREIRA JUNIOR; SCHROEDER; DOLCI, 2019 apud
BELLINI et al., 2010). Em produções musicais, isso significa que falhas na atualização das
informações podem gerar atrasos na logística, na divulgação ou na comunicação com os
artistas, impactando diretamente a experiência do público. Assim, embora seja uma
ferramenta acessível e prática, sua eficácia depende do engajamento e da disciplina dos
envolvidos.

Ferramentas como o Google Planilhas continuam sendo amplamente utilizadas na


organização de eventos. Elas possibilitam o controle de tarefas, orçamentos, cronogramas e
listas de fornecedores de maneira personalizada e colaborativa. Entre seus principais
benefícios estão a facilidade de compartilhamento em tempo real, a integração com outras
ferramentas do Google e a possibilidade de edição simultânea por diferentes usuários. Como
limitação, exige conexão estável à internet e um nível básico de familiaridade com planilhas
para uso mais avançado de fórmulas e funcionalidades.
Outra ferramenta relevante no planejamento é o Canva, utilizado para a criação de
materiais visuais como convites digitais, sinalizações e postagens em redes sociais. Trata-se
de uma ferramenta online, intuitiva, com interface de “arrastar e soltar”, acesso gratuito e
compatibilidade com navegadores. Entre os benefícios do Canva estão sua ampla biblioteca
de templates, ícones e fontes, além da facilidade para produção de conteúdo gráfico atrativo,
inclusive por iniciantes. Segundo Rocha e Moraes (2022), o Canva favorece a criatividade e a
autonomia, especialmente quando utilizado com metodologias colaborativas. Sua principal
limitação é que, em sua versão gratuita, alguns recursos e elementos gráficos são restritos,
além de depender de conexão com a internet para funcionamento.

Por fim, como checklists operacionais, cronogramas visuais e aplicativos como o


Google Agenda, também se mostram úteis para garantir o cumprimento das tarefas e o
controle dos prazos. O Google Agenda permite criar e compartilhar compromissos com
alertas personalizados, sincronização entre dispositivos e integração com e-mail e outras
plataformas. Como limitação, é uma ferramenta mais voltada à organização individual do
tempo, podendo ser menos eficiente para gerenciamento colaborativo de tarefas quando
comparada a softwares de projetos como Trello ou Notion.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 Delineamento

O presente estudo possui natureza qualitativa e aplicada, com o objetivo de analisar


práticas de organização e produção em eventos musicais de samba e pagode, a partir da
perspectiva de profissionais que atuam diretamente nesse setor. De acordo com Gil (2008), a
pesquisa aplicada busca gerar conhecimentos para aplicação prática e resolução de problemas
concretos. Assim, este trabalho visa contribuir com estratégias para o aperfeiçoamento do
planejamento de eventos culturais, especialmente em produções independentes.

Em relação aos seus objetivos, caracteriza-se como uma pesquisa exploratória e


descritiva. A pesquisa exploratória, segundo Triviños (1987), é apropriada quando o
pesquisador busca aprofundar a compreensão sobre um fenômeno ainda pouco estudado, com
o intuito de torná-lo mais claro. Já a pesquisa descritiva, conforme Minayo (2001), procura
detalhar e interpretar as percepções, comportamentos e práticas de determinados grupos,
como é o caso dos profissionais envolvidos na produção de shows.
A abordagem qualitativa foi escolhida por permitir a interpretação de significados,
discursos e práticas que não podem ser mensurados numericamente, como expõe Minayo
(2001). De acordo com Severino (2017), essa abordagem visa compreender a realidade a
partir da perspectiva dos sujeitos envolvidos, sendo particularmente útil quando se deseja
compreender a lógica interna de um grupo ou processo social. Assim, a pesquisa aqui
apresentada busca interpretar as experiências dos participantes quanto às etapas de produção
de eventos musicais populares.

3.2 Processo de Coleta de Dados

Os dados foram coletados por meio de um questionário online, contendo questões


abertas e fechadas, estruturadas com base na matriz SWOT — Forças, Fraquezas,
Oportunidades e Ameaças — e complementadas por perguntas sobre práticas de organização,
ferramentas utilizadas, principais desafios e percepção sobre planejamento. O instrumento foi
direcionado a músicos, produtores, técnicos de som, contratantes e demais profissionais
diretamente envolvidos em eventos musicais. O questionário foi disponibilizado entre os dias
01 e 05 de julho, e todos os 20 participantes preencheram dentro desse período. A amostra foi
composta principalmente por homens, todos residentes em Ouro Preto, Minas Gerais, o que
assegura que as respostas estejam alinhadas ao contexto regional dos eventos analisados.Para
assegurar a ética na pesquisa e a segurança dos participantes, todos foram previamente
informados sobre os objetivos do estudo, a finalidade acadêmica do uso das respostas e a
garantia de anonimato. A participação foi totalmente voluntária, sem qualquer tipo de
obrigação, e os dados fornecidos não permitem a identificação individual, assegurando que as
informações coletadas reflitam com confiança a experiência profissional de cada
respondente..

A amostragem adotada foi do tipo não probabilística, com uso da técnica de bola de
neve. Apesar de o público-alvo ser bem delimitado, como músicos, produtores e demais
profissionais ligados à organização de eventos musicais, o acesso direto a esses participantes
ocorreu, na maioria dos casos, por meio de redes pessoais e informais. Segundo Gil (2008), a
técnica é adequada quando o pesquisador tem dificuldade de localizar diretamente os
elementos da população, sendo necessário contar com a indicação de novos participantes por
parte dos próprios respondentes iniciais. No entanto, é importante destacar uma limitação
dessa abordagem. Como aponta Vinuto (2014, p. 208), “um ponto delicado no uso da
amostragem em bola de neve é o possível inconveniente de acessar apenas argumentações
semelhantes, já que os indivíduos necessariamente indicarão pessoas de sua rede pessoal, o
que pode limitar a variabilidade de narrativas possíveis”. Assim, embora essa técnica tenha
permitido a expansão progressiva da rede de contatos, totalizando aproximadamente 20
respostas válidas, é necessário reconhecer que ela pode ter restringido a diversidade de perfis
e experiências acessadas.

O questionário foi organizado em blocos temáticos, começando com perguntas sobre


o perfil do respondente, seguido por seções sobre experiências passadas com eventos,
avaliação de aspectos organizacionais, uso de tecnologias, dificuldades enfrentadas, ameaças
ao sucesso dos shows e ferramentas utilizadas na organização. A coleta de dados foi feita de
forma remota, garantindo autonomia e respeito ao tempo de cada participante. Como destaca
Thiollent (2022), a participação ativa dos sujeitos em processos de pesquisa relacionados à
sua prática é essencial para que a investigação seja verdadeiramente aplicada e
transformadora.

3.3 Processo de Análise de Dados

A elaboração do questionário foi guiada por referenciais teóricos e revisada com base
em critérios de clareza, relevância e coerência com os objetivos do estudo. Ao utilizar tanto
perguntas abertas quanto fechadas, procurou-se captar não apenas as percepções individuais,
mas também identificar padrões recorrentes, o que ajudou a tornar as informações coletadas
mais consistentes e confiáveis. Além disso, o uso de uma abordagem qualitativa permitiu
interpretar os dados respeitando o contexto e a complexidade dos discursos, o que, segundo
Minayo (2001), contribui para aprofundar a compreensão do fenômeno estudado.

A análise dos dados coletados foi realizada com base em uma leitura do material
obtido por meio do questionário , seguindo os princípios da análise de conteúdo qualitativa.
De acordo com Bardin (2016), a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas sistemáticas
que visa interpretar e extrair significados a partir de comunicações verbais, escritas ou
simbólicas. a pesquisa, o objetivo foi identificar padrões e tendências nas respostas, com foco
nas etapas do planejamento de eventos, nos principais desafios enfrentados durante a
produção e no possível uso do PCP.

Ao fazer a leitura inicial, foi possível perceber as principais categorias que surgiram,
alinhadas à matriz SWOT. As respostas foram agrupadas conforme suas semelhanças,
formando grupos de ideias que destacaram tanto as boas práticas quanto os problemas
recorrentes nos processos de produção musical. Diversos pontos, como a estrutura do evento,
logística, comunicação com o público, questões operacionais, inovação tecnológica e
sustentabilidade, se mostraram como os tópicos mais discutidos

Além da análise qualitativa do conteúdo discursivo, os dados foram utilizados como


base para a construção de três instrumentos de apoio gerencial: um fluxograma, ilustrando os
principais processos operacionais, da pré-produção à execução final; um gráfico de Gantt,
que simula o cronograma idealizado de um evento musical independente e uma matriz
SWOT, representando os principais pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças
percebidos pelos participantes.

A organização das respostas do questionário foi importante para alimentar


diretamente cada ferramenta. Comentários sobre um bom planejamento, rapidez na execução
e boa comunicação entre a equipe e os artistas, por exemplo, foram classificados como
"forças" na matriz SWOT. Já relatos sobre dificuldades logísticas, dependência de terceiros e
comunicação falha com fornecedores compuseram o campo das “fraquezas”. Esse processo
segue a orientação de Fernandes (2012), que destaca a matriz SWOT como ferramenta útil
para organizar fatores internos e externos de forma estratégica, permitindo a análise cruzada
de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças para formulação de planos de ação assertivos.
Da mesma forma, as etapas mencionadas com maior frequência pelos participantes ajudaram
a compor a sequência do fluxograma, enquanto os prazos médios estimados por eles
subsidiaram a construção do cronograma representado no gráfico de Gantt.

Ao final, os resultados interpretados permitiram compreender não apenas como o PCP


pode ser implementado no contexto dos eventos musicais de samba e pagode, mas também
quais fatores operacionais, humanos e simbólicos interferem diretamente na qualidade da
experiência do público e na eficiência da produção. A análise dos dados, juntamente com a
teoria, gerou insights que poderão ser utilizados tanto por organizadores independentes
quanto por profissionais que buscam otimizar sua prática no campo da cultura popular
brasileira.
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 Análise do Público Respondente

Foram coletadas 20 respostas no questionário, todas provenientes de pessoas que


atuam no ambiente musical, sejam músicos ou profissionais diretamente envolvidos com a
organização de eventos musicais. Dos respondentes, 19 eram homens e 1 mulher, e todos
residem na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, e o questionário foi disponibilizado entre
os dias 1º e 5 de julho. Esse perfil de respondentes é essencial para garantir que as
informações coletadas reflitam de forma genuína a realidade de quem realmente está imerso
na produção de eventos de samba e pagode. Ao ouvir diretamente aqueles com experiência
prática, conseguimos acessar dados mais aprofundados e reais sobre os desafios e as
oportunidades desse setor.

O perfil etário dos respondentes foi uma variável importante para entender a
distribuição do público dentro deste contexto musical. Ao analisarmos a faixa etária dos
participantes, observamos que a maior parte deles (50%) está na faixa etária de 18 a 24 anos,
seguida de 40% na faixa de 25 a 34 anos. Apenas 10% dos respondentes se encontram nas
faixas etárias de 35 a 44 anos e acima de 65 anos, respectivamente. Isso revela que a maior
parte dos profissionais e músicos envolvidos na organização de eventos de samba e pagode é
jovem, refletindo um mercado dinâmico e de forte presença de novas gerações.

Gráfico 1

Fonte: Própria (2025)


A segunda pergunta do questionário investigou se os participantes trabalham
diretamente com eventos ou shows. Os resultados indicaram que 60% dos respondentes estão
envolvidos diretamente na organização e produção de eventos musicais, enquanto 40% não
atuam nessa área. Esse dado destaca que a maior parte da amostra é composta por
profissionais com experiência prática na organização de eventos musicais. Essa informação é
importante, pois os dados vêm de pessoas que vivenciam diretamente os desafios e as
particularidades desse setor, oferecendo uma base sólida para a análise das práticas e
dificuldades na organização de eventos de samba e pagode.

Gráfico 2

Fonte: Própria (2025)

Além disso, perguntamos aos participantes se já haviam organizado ou participado da


organização de algum evento musical. A maioria (85%) respondeu que já participou ou
organizou eventos musicais, enquanto apenas 15% indicaram que nunca estiveram
envolvidos nesse processo. Esse alto percentual de participantes com experiência prática
reforça a confiabilidade e relevância das respostas, já que os dados vêm de pessoas
familiarizadas com os detalhes operacionais e organizacionais de um evento musical.
Gráfico 3

Fonte: Própria (2025)

A frequência com que os respondentes organizam ou participam de eventos musicais


também foi analisada. Os resultados mostraram que 40% dos participantes organizam ou
participam de eventos mensalmente, enquanto 20% o fazem semanalmente e 20% raramente.
Outros 20% participaram de eventos algumas vezes ao ano. Esses dados indicam uma grande
diversidade no nível de envolvimento dos profissionais com eventos musicais, o que é
importante para compreender a amplitude e as exigências operacionais do setor. A
diversidade de frequência sugere que enquanto alguns profissionais estão imersos no universo
de eventos musicais de forma constante, outros participam mais pontualmente, dependendo
do tipo e porte do evento.
Gráfico 4

Fonte: Própria (2025)

Esses dados são fundamentais para a análise, pois nos ajudam a compreender o perfil
do público que contribui para o planejamento, organização e execução de eventos musicais.
O alto envolvimento prático dos respondentes valida os dados coletados, uma vez que os
participantes são profissionais experientes e bem posicionados para fornecer informações
detalhadas sobre os desafios e práticas do setor. O perfil do público contribui para a
relevância e confiabilidade dos dados, permitindo uma análise mais assertiva dos aspectos
operacionais, financeiros e comunicacionais nos eventos de samba e pagode.
4.2 Análise da Matriz SWOT com base nos dados coletados

4.2.1 Forças

A análise das respostas do Bloco 2, referente às "forças" percebidas pelos


participantes, revela que, para a maioria dos profissionais envolvidos na organização de
eventos, a qualidade do som é de extrema importância para o sucesso de um show. Com 80%
dos respondentes avaliando a qualidade do som como extremamente importante (nota 5), fica
evidente que a música, enquanto elemento central do evento, exerce um impacto direto na
experiência do público. De acordo com uma das respostas, "o som afeta diretamente a marca
(memória) emocional no público", evidenciando a importância de uma boa qualidade sonora
não apenas para o sucesso do evento, mas também para a construção de uma identidade
duradoura na mente do público.

Gráfico 5

Fonte: Própria (2025)


Quando questionados sobre o que mais chamou sua atenção positivamente nos
melhores shows que participaram ou contrataram, organização e qualidade do som se
destacaram, com 35% e 30% dos respondentes mencionando essas características,
respectivamente. Outros aspectos importantes como engajamento com o público (20%) e
pontualidade (5%) também foram citados. Um respondente destacou que, para ele,
"organização alinha a pontualidade, que por sua vez alinha a qualidade de som, que
proporciona um evento melhor e melhora o engajamento com o público". Isso sugere que a
boa organização do evento não se limita apenas ao planejamento do tempo, mas também à
harmonia entre diversos fatores, como a qualidade do som e o engajamento com o público.

Gráfico 6

Fonte: Própria (2025)

Em relação aos três principais pontos fortes de uma boa produção de shows,
organização foi mencionada por 45% dos respondentes como um fator essencial, seguida pela
qualidade do som e pontualidade. Outros aspectos como segurança, acessibilidade e a
experiência do público também foram destacados como vitais para o sucesso do evento.
Como exemplificado por um dos participantes, "para um evento ser bom, precisa de todos os
itens acima, como organização em questões técnicas e de experiência do cliente". Esse
comentário destaca a necessidade de uma produção bem planejada, que assegure não apenas a
qualidade técnica do evento, mas também proporcione uma experiência envolvente e positiva
tanto para o público quanto para os artistas.
Além disso, na avaliação de aspectos específicos de um show, como estrutura do
show (iluminação, cenografia), segurança do local, atendimento da equipe e estrutura do local
(banheiros, alimentação), a maioria dos respondentes deu notas 5 para esses itens. A estrutura
do show obteve 5 de 9 respostas, enquanto segurança do local teve 5 de 14 respostas. Isso
mostra que, para os participantes do estudo, a infraestrutura do evento vai muito além da
qualidade do som. Eles também consideram fundamentais a segurança e a organização do
local, destacando a importância desses aspectos para o sucesso do evento.

Gráfico 7

Fonte: Própria (2025)

Essas respostas indicam que os profissionais do setor veem a organização e a


qualidade do som como os principais elementos para o sucesso de um evento musical,
particularmente no caso de shows de samba e pagode. Além disso, fatores como a experiência
do público, pontualidade e acessibilidade também são altamente valorizados. Isso sugere que
o êxito de um evento depende de uma abordagem holística, onde a parte técnica, a logística e
o atendimento ao público estão bem alinhados, garantindo uma experiência de alta qualidade
para todos os envolvidos.
4.2.2 Fraquezas

A análise das respostas do Bloco 3, referente às fraquezas percebidas pelos


participantes, evidencia que atrasos na montagem são o problema mais citado, com 35% dos
respondentes apontando essa questão. Outros problemas citados com certa frequência
incluem falhas na comunicação com o contratante (20%) e dificuldades logísticas ou de
transporte (15%). Embora mencionados com menor frequência, questões como a estrutura do
espaço, a falta de banheiros e a discrepância entre o público esperado e o real também foram
apontadas, indicando que esses fatores, apesar de menos recorrentes, têm impacto na
qualidade geral do evento.

Gráfico 8

Fonte: Própria (2025)


Entre os respondentes que citaram atrasos na montagem como problema, diversas
justificativas foram apontadas. Algumas respostas abertas exemplificam a complexidade da
questão: "Falta de preparo e compromisso, por exemplo marcam uma banda de 16:00 às
19:00 e DJ de 19:00 às 22:00, sendo que há um tempo para desmontar e montar
equipamentos e eles não contam isso no planejamento"; "Falta de organização"; "Falta de
comunicação entre fornecedores"; "Sim, pois o mesmo atrapalha toda a organização do
evento. São características inegociáveis para um bom evento"; e "No que diz respeito aos
atrasos na montagem, uma solução eficaz é a utilização de mesas digitais que permitem
salvar as configurações de cada músico durante a passagem de som". Essas respostas
evidenciam que atrasos, em grande parte, derivam de falhas de planejamento e comunicação,
além da dependência de serviços terceirizados.

Quando questionados sobre quais etapas da produção são mais difíceis de gerenciar, a
maioria dos participantes destacou logística, montagem e divulgação como os pontos críticos.
Outras respostas mencionaram: "A produção em si já não é fácil, mas acredito que ali no
making off todos os setores têm dificuldades", "Montagem, logística e coordenação da equipe
no dia do evento" e "Considero que a etapa mais desafiadora seja lidar com o público. As
pessoas são muito diferentes entre si, e é difícil prever com precisão o perfil do público até
que o evento esteja em andamento. O mais importante, no entanto, é garantir sempre a
segurança, o bem-estar e uma experiência positiva para todos os presentes". Estes relatos
indicam que a gestão de pessoas e a coordenação entre diferentes setores representam
desafios significativos que podem impactar diretamente a execução e a percepção de
qualidade do evento.

Em relação à frequência de problemas como filas excessivas, dificuldades de


encontrar informações, problemas com segurança e preços abusivos, a maior parte dos
respondentes relatou encontrá-los com certa regularidade. Filas excessivas foram relatadas
como frequentes ou sempre por 8 dos 20 respondentes; dificuldades em encontrar
informações ocorreram muitas vezes para 4 respondentes; e preços abusivos foram
percebidos como frequentes ou sempre por 12 participantes. Este padrão sugere que, além de
planejamento logístico e técnico, a experiência do público também é impactada por fatores de
organização operacional e comunicação pré-evento.
Gráfico 9

Fonte: Própria (2025)

Quanto à percepção sobre o preço dos ingressos, a avaliação foi majoritariamente de


que os valores praticados estão entre caros (40%) e muito caros (30%), enquanto justos
também foram mencionados por 30% dos respondentes. Nenhum participante considerou os
preços baratos ou muito baratos. Esse resultado reforça a necessidade de planejamento
financeiro cuidadoso, com análise de mercado e definição de políticas de preço que estejam
alinhadas à expectativa do público e à viabilidade econômica do evento.
Gráfico 10

Fonte: Própria (2025)

De maneira geral, os resultados demonstram que os principais gargalos em eventos


musicais independentes de samba e pagode estão relacionados à logística, à montagem da
estrutura, à comunicação e ao planejamento financeiro. Esses dados destacam a importância
do Planejamento e Controle da Produção (PCP), que possibilita a identificação de processos,
a coordenação de recursos, o alinhamento das equipes e a antecipação de problemas. Com
isso, é possível minimizar atrasos, falhas de comunicação e desafios operacionais,
promovendo maior previsibilidade e eficiência na realização dos eventos.
4.2.3 Oportunidades

A análise das respostas sobre as oportunidades em eventos musicais, principalmente


no universo do samba e do pagode, mostra que os participantes apontam diversas maneiras de
aprimorar tanto a organização quanto a experiência do público, sugerindo mudanças e
inovações para tornar esses eventos ainda mais envolventes.Todos os 20 respondentes, que
atuam diretamente na área musical como músicos ou organizadores, sugeriram aspectos que
podem ser aprimorados, o que demonstra não apenas experiência prática, mas também uma
visão crítica dos desafios enfrentados na produção de shows. As oportunidades mais
apontadas pelos participantes incluem o uso de tecnologias para melhorar a gestão e a
interação com o público, destacadas por 40% deles. Além disso, 35% mencionaram a
importância de estabelecer parcerias estratégicas com fornecedores. Outros 20% consideram
essencial o uso de planejamento visual, como cronogramas e fluxogramas, e 5% destacaram a
necessidade de uma divulgação mais profissional para otimizar os resultados.

Gráfico 11

Fonte: própria (2025)


Entre as tecnologias mencionadas, os respondentes destacaram soluções inovadoras,
como aplicativos para compra de ingressos com QR code, reconhecimento facial na entrada,
sistemas de gestão com inteligência artificial para análise preditiva e ferramentas que
centralizam informações sobre horários, mapas do local, banheiros, pontos de venda e até
emergências. Alguns participantes enfatizaram que esses recursos não apenas melhoram a
logística e a segurança, mas também aumentam o engajamento do público: “Caixa móvel,
ingresso online, fotos pós-show para as pessoas não precisarem tirar e poder melhor
aproveitar o evento, que por sua vez gera mais engajamento com o mesmo.” Outros
destacaram a centralização de informações em aplicativos, permitindo que cada espectador
tenha seu assento garantido e acesso a alertas sobre filas ou horários de abertura dos portões.

Além das tecnologias já mencionadas, os participantes trouxeram várias sugestões de


como a interação digital pode enriquecer a experiência do público, tanto antes, quanto
durante e depois do show. Entre as ideias mais populares estão playlists exclusivas,
conteúdos dos bastidores e transmissões ao vivo. Como um dos participantes compartilhou:
"Antes do evento, adoraria receber playlists exclusivas e ver vídeos de ensaios e montagem
do palco. Durante o show, interações ao vivo, como enquetes, escolher músicas para o bis e
transmissões rápidas dos bastidores seriam sensacionais. Depois do evento, seria ótimo ter
acesso a fotos, vídeos dos melhores momentos e uma mensagem de agradecimento
personalizada." Além disso, outras sugestões incluíram guias interativos do local do evento e
áreas de descanso.

Quando questionados sobre a disposição de investir financeiramente em melhorias, os


participantes demonstraram grande abertura. A maioria se mostrou disposta a pagar mais por
experiências que incluíssem tecnologias interativas, maior conforto, experiências
gastronômicas diferenciadas e transporte facilitado, sendo que apenas uma pequena parcela
recusaria algumas dessas opções.
Gráfico 12

Fonte: própria (2025)

Esses resultados indicam que os participantes percebem oportunidades que vão além
do planejamento tradicional, incorporando inovação tecnológica, conforto, personalização e
estratégias de engajamento do público. Tais elementos, quando integrados à produção,
contribuem diretamente para a eficiência operacional, a segurança e a satisfação dos
frequentadores. Dessa forma, os eventos de samba e pagode podem ser planejados de maneira
mais previsível, com redução de falhas operacionais e aumento da qualidade da experiência
oferecida ao público.
4.2.4 Ameaças

A análise das respostas sobre as ameaças revelou que os participantes estão cientes
dos diversos fatores, tanto internos quanto externos, que podem afetar a realização e a
qualidade dos eventos. O grupo de 20 respondentes apontou preocupações recorrentes com
questões como custos, reputação, logística e segurança, destacando esses pontos como
críticos para o sucesso dos eventos. Entre os fatores avaliados em escala de 1 a 5, os custos de
ingresso e produção muito altos obtiveram maior preocupação, com 7 respostas no nível 4 e 7
respostas no nível 5. A reputação do produtor também se destacou, com 9 respondentes
atribuindo preocupação máxima. A disponibilidade de transporte público ou privado foi
considerada relevante por 6 participantes no nível 5, e a sustentabilidade do evento
apresentou preocupação distribuída entre os níveis intermediários e altos da escala.

Gráfico 13

Fonte: Própria (2025)

Gráfico 14
Fonte: Própria (2025)

Quando questionados sobre os motivos que os levam a desistir de contratar ou


comparecer a um evento, surgiram respostas bastante diversas, refletindo experiências
práticas e vivências em diferentes contextos. Entre os destaques, aparecem valores elevados
ou lotação inadequada: “Preço e normalmente feitos em lugares que não comportam um certo
limite de pessoas... então fica hiper mega apertado”, e “Preços exorbitantes em valores dos
ingressos ou dos artistas.” Outros fatores incluíram falhas na organização e na infraestrutura
do local: “Falta de seriedade e organização, contratos e afins”, e problemas com o público
presente, bem como incompatibilidades com datas ou condições climáticas, que geram
incerteza e demandam planejamento preventivo.

A ocorrência de imprevistos também se revelou como um fator crítico. Alguns


respondentes relataram situações em que eventos foram cancelados ou tiveram alterações de
agenda, incluindo questões de clima e compromissos pessoais: “Sim, clima principalmente ou
compromissos pessoais relacionados ao lifestyle” e “Cancelamento ou mudança de agenda do
artista principal.” A combinação de condições externas e limitações operacionais evidencia a
importância de planejamento e de ferramentas que permitam a rápida adaptação diante de
imprevistos.
Em termos de segurança, embora a maioria dos respondentes não tenha presenciado
incidentes graves, algumas situações pontuais chamaram atenção. Foram citados relatos de
queda de estruturas e necessidade de evacuação do público devido à chuva: “Apenas uma vez
participei de um evento com mais de 20 mil pessoas que precisou ser evacuado devido à
chuva. Todos saíram de forma organizada e retornaram após a chuva passar. O curioso é que,
nesse caso, o seguro do evento não cobria cancelamento por chuva, o que poderia ter gerado
um grande prejuízo se o evento não tivesse sido retomado.” Outros mencionaram brigas,
furtos ou falhas no controle de entrada: “Sim, já vi brigas e confusões por falta de revista ou
controle na entrada.” Estes dados reforçam a necessidade de atenção à segurança e à gestão
de riscos na produção de eventos.

A partir dessas respostas, é possível perceber que os desafios de custo, logística,


segurança, reputação e condições externas impactam diretamente a previsibilidade e o
controle sobre os eventos. Essas ameaças ressaltam a importância do Planejamento e
Controle da Produção (PCP), que oferece instrumentos capazes de antecipar problemas,
alinhar recursos e processos, reduzir riscos e manter a experiência do público dentro do
esperado, mesmo diante de fatores imprevistos ou adversos. O PCP permite estruturar
cronogramas, fluxos de trabalho e estratégias de contingência, integrando todas as etapas da
produção de forma eficiente, garantindo que eventos de samba e pagode mantenham
qualidade, segurança e organização, mesmo com limitações orçamentárias ou operacionais.

4.3 Aplicação prática das ferramentas


A análise das respostas relacionadas ao planejamento e organização de eventos
musicais revelou informações relevantes sobre a percepção dos profissionais quanto à
utilização de ferramentas e cronogramas. Todos os 20 participantes informaram o tempo
médio de antecedência com que iniciam o planejamento de um show ou evento, variando
entre 30 dias para eventos menores e até 1 ano para eventos de maior porte. Observou-se que,
na prática, a maioria dos profissionais planeja com antecedência de 3 a 6 meses, mas casos
específicos indicam períodos de planejamento mais longos, principalmente para blocos de
carnaval e eventos de grande porte.

A partir das respostas sobre ferramentas utilizadas, verificou-se que os instrumentos


mais comuns para organizar a produção são o Excel/Planilhas Google (50%) e o Google
Agenda (30%), enquanto softwares mais especializados, como Notion e plataformas de
gestão colaborativa, foram mencionados por uma minoria. Quanto às dificuldades
encontradas, a principal limitação relatada foi a "falta de interação com avanços da
tecnologia", seguida de barreiras relacionadas ao custo das ferramentas. No que diz respeito
às etapas do processo que mais consomem tempo, comunicação com clientes e logística se
destacaram, com 30% cada, seguidos de divulgação (25%) e passagem de som/montagem
(10%). Esses dados evidenciam a relevância de ferramentas que permitam a integração de
tarefas e a otimização do fluxo de trabalho, alinhadas aos princípios do PCP.

Gráfico 15

Fonte: Própria (2025)


Gráfico 16

Fonte: Própria (2025)

Gráfico 17
Fonte: Própria (2025)

Em relação aos meios de comunicação utilizados para organizar os eventos, o


WhatsApp foi citado como mais eficaz por 50% dos respondentes, seguido por reuniões
presenciais (25%), chamadas de vídeo (5%) e softwares de gestão de projetos (5%). Outros
meios, mencionados por 15% dos participantes, incluem soluções digitais variadas que
complementam o contato direto com a equipe. Além disso, quando perguntados sobre
possíveis melhorias no processo de organização, os respondentes sugeriram: "Implementar
uma plataforma integrada e colaborativa em tempo real para toda a equipe (produção, técnica,
marketing, segurança, artistas, fornecedores), com atualizações instantâneas e clareza
absoluta sobre responsabilidades, prazos e status das tarefas" e "Eu mudaria a comunicação
entre os envolvidos. Muitas falhas em eventos acontecem por falta de alinhamento entre
produção, artistas, fornecedores e contratantes. Um processo mais organizado, com
cronogramas claros, responsabilidades bem definidas e reuniões regulares, faria toda a
diferença para o sucesso do evento". Essas respostas reforçam a necessidade de utilização de
ferramentas estruturadas que apoiem o planejamento e a execução de eventos de samba e
pagode.

Gráfico 18
Fonte: Própria (2025)

4.3.2 Matriz Swot

A seguir, apresentamos a matriz SWOT elaborada com base nos dados do


questionário, que sintetiza as percepções dos profissionais sobre os pontos fortes, fracos,
oportunidades e ameaças dos eventos de samba e pagode. A matriz permite visualizar de
forma organizada como os elementos internos (forças e fraquezas) e externos (oportunidades
e ameaças) interagem na prática da produção cultural.

Quadro 1 - Matriz Swot

Forças (S) Fraquezas (W)

● Qualidade do som ● Atraso na montagem


● Organização Eficiente ● Comunicação Falha com Cliente e
● Infraestrutura Completa Contratante
● Engajamento do Público ● Dificuldades de Logística e
Financeiras
● Dependência de Terceiros

Oportunidades (O) Ameaças (T)


● Uso de Tecnologias ● Custos Elevados
● Planejamento com Ferramentas de ● Imprevistos no Evento
Gestão ● Reputação do Produtor e Qualidade
● Parcerias Estratégicas Percebida
● Experiências Interativas e ● Segurança
Personalizadas
Fonte: Própria (2025)

As forças identificadas na matriz refletem os aspectos considerados cruciais para o


sucesso de um evento musical, como qualidade do som, organização eficiente, infraestrutura
completa e engajamento do público. Estes elementos, apontados pelos participantes, mostram
que uma produção bem estruturada e atenta às necessidades do público pode gerar
experiências positivas e memoráveis. Por exemplo, um respondente destacou que
"organização alinha a pontualidade, que por sua vez alinha a qualidade de som, que
proporciona um evento melhor e melhora o engajamento com o público".

As fraquezas, por outro lado, evidenciam desafios recorrentes que demandam atenção
especial no planejamento e execução, incluindo atrasos na montagem, comunicação falha
com cliente e contratante, dificuldades de logística e financeiras e dependência de terceiros.
Essas questões reforçam a relevância do PCP como instrumento que permite mapear
processos, coordenar equipes e reduzir falhas operacionais.

Quanto às oportunidades, os dados indicam caminhos claros para melhorias, como o


uso de tecnologias, planejamento visual com ferramentas de gestão, parcerias estratégicas e
experiências interativas e personalizadas. Alguns respondentes mencionaram exemplos
práticos, como: "Caixa móvel, ingresso online, fotos pós-show para as pessoas não
precisarem tirar e poder melhor aproveitar o evento, que por sua vez gera mais engajamento
com o mesmo" e "Antes do evento, gostaria de receber playlists exclusivas e conteúdos de
bastidores, como vídeos de ensaios e montagem do palco. Durante o show, interações ao vivo
como enquetes, escolha de músicas para o bis e transmissões rápidas dos bastidores seriam
incríveis. Depois do evento, seria ótimo ter acesso a fotos, vídeos dos melhores momentos e
uma mensagem de agradecimento personalizada".

As ameaças, por fim, refletem fatores externos que impactam diretamente a


previsibilidade e segurança do evento. Entre os elementos mais destacados estão custos
elevados, imprevistos no evento, reputação do produtor e qualidade percebida e segurança. A
preocupação com ingressos caros, superlotação e problemas de infraestrutura, como relatado
por alguns participantes, reforça a importância de um planejamento detalhado e do uso de
ferramentas do PCP para mitigar riscos e garantir a experiência do público.
4.3.3 Caso prático: Show do RepSamba na Copa Bauxita

Para exemplificar a aplicação prática das ferramentas apresentadas, utilizou-se o caso


de um show realizado pela banda universitária RepSamba, natural de Ouro Preto, Minas
Gerais, composta por cavaquinho e voz, pandeiro, tantan e surdo. O show da Copa Bauxita,
realizado dia 1º de junho, foi um evento de grande importância para a banda RepSamba,
exemplificando a aplicação prática do planejamento e das ferramentas de controle utilizadas
para garantir o sucesso da produção. O contratante do evento foi a equipe organizadora da
Copa Bauxita, que procurou a banda para uma apresentação de samba e pagode na República
Peripatus, localizada em Ouro Preto, MG. O evento contou com a participação de
aproximadamente 500 pessoas, sendo realizado em um espaço dedicado à festa e
confraternização.

O evento, realizado na Copa Bauxita, foi utilizado como referência para validar tanto
a matriz SWOT quanto as ferramentas visuais de gestão, fluxograma e no diagrama de Gantt.
Evidenciando como as tarefas planejadas podem ser organizadas de forma eficiente e
coordenada e permitindo verificar a efetividade do Planejamento e Controle da Produção
(PCP) na prática.

Desde o primeiro contato com o cliente até o registro final do evento, todas as etapas
foram acompanhadas em tempo real, respeitando os pré-requisitos e durações definidas
previamente no diagrama de Gantt. Entre as principais atividades destacam-se: contato e
negociação com o cliente, verificação da disponibilidade da banda, planejamento pré-evento
com definição de responsáveis, transporte, som e repertório, montagem da infraestrutura no
local, passagem de som, execução do show e atividades pós-evento, incluindo conferência
financeira, pagamento da equipe e registro para portfólio.

O uso de ferramentas digitais, como Trello e Google Planilhas, foi integrado a todas
as etapas, garantindo atualizações em tempo real, atribuição clara de responsabilidades e
acompanhamento contínuo do progresso das atividades. Durante o planejamento, cada
atividade crítica foi registrada, permitindo identificar antecipadamente possíveis gargalos,
alinhar recursos e minimizar riscos. Por exemplo, a etapa de planejamento digital com
cronogramas e checklists possibilitou que a equipe previsse atrasos e ajustasse a sequência de
montagem dos instrumentos e do equipamento de som, reforçando a previsibilidade e o
controle operacional.
A aplicação do PCP também se refletiu na execução do dia do evento, quando o fluxo
planejado permitiu que a equipe realizasse deslocamento, chegada ao local, montagem de
instrumentos, passagem de som e ajustes finais sem interrupções, respeitando a ordem das
tarefas previstas e mantendo a qualidade do show. O acompanhamento digital possibilitou
intervenções imediatas caso algum imprevisto ocorresse, demonstrando a eficiência de
integrar planejamento, execução e controle em tempo real.

Por fim, o pós-evento seguiu o mesmo padrão: conferência financeira, pagamento da


banda e equipe, registro de comprovantes e feedback com o cliente foram sistematizados,
permitindo que o aprendizado do evento fosse incorporado a futuras produções. Este caso
evidencia que a aplicação estruturada do fluxograma e do diagrama de Gantt, em conjunto
com os princípios do PCP, proporciona maior organização, previsibilidade e eficiência,
mesmo em eventos independentes de música popular, como os de samba e pagode.

4.3.4 Fluxograma

O fluxograma elaborado para os eventos de samba e pagode reflete a sequência


operacional completa, desde o primeiro contato com o cliente até a avaliação pós-evento. Ele
permite visualizar de forma clara e estruturada como cada etapa do processo está conectada,
garantindo previsibilidade, organização e eficiência, elementos centrais do Planejamento e
Controle da Produção (PCP). A construção do fluxograma foi embasada tanto nas respostas
do questionário quanto na prática observada durante o show da banda RepSamba,
evidenciando como as atividades se desdobram na realidade de uma produção musical
universitária. Para a representação gráfica, utilizou-se a ferramenta Miro, versão livre,
disponível em https://miro.com/app, permitindo detalhar cada fase do planejamento,
execução e pós-evento.

O início do fluxo contempla o contato inicial com o cliente, momento em que são
coletadas informações sobre disponibilidade, expectativas e objetivos do evento. Todas essas
informações são registradas em ferramentas digitais, como planilhas ou aplicativos de
gerenciamento de projetos, permitindo um acompanhamento centralizado e a rápida tomada
de decisão em caso de ajustes.
Diagrama 1 - Contato do Cliente

Fonte: Própria (2025)

Em seguida, a verificação da disponibilidade da banda e análise da viabilidade técnica


garante que os recursos artísticos e logísticos estejam alinhados antes de qualquer
compromisso financeiro. Caso algum item não esteja de acordo, a equipe pode realizar
ajustes ou descartar a proposta, evitando retrabalho e desperdício de tempo e recursos. Este
passo demonstra a importância do PCP em antecipar problemas e assegurar que os recursos
disponíveis sejam utilizados de forma eficiente.
Diagrama 2 - Verificação de disponibilidade da banda

Fonte: Própria (2025)


Caso o cliente não aceite a proposta inicial, a etapa de ajustes ou descartes permite
reorganizar o planejamento, reavaliar custos, fornecedores e condições do evento, garantindo
que decisões estratégicas sejam tomadas antes da confirmação final. Quando o cliente aceita a
proposta, inicia-se o registro financeiro e acompanhamento digital, que documenta todas as
transações e compromissos de forma transparente e auditável. Em seguida, a elaboração e
envio do contrato formaliza o acordo, assegurando que todos os detalhes da produção estejam
claros para ambas as partes. Por fim, a confirmação do sinal e a assinatura digital garantem
segurança jurídica e rastreabilidade, integrando essas informações ao sistema de
gerenciamento do evento. Essa sequência evidencia como o PCP, aliado a ferramentas
digitais, promove previsibilidade, controle e organização desde a negociação inicial até a
formalização contratual.

Diagrama 3 - Proposta
Fonte: Própria (2025)

O planejamento pré-evento envolve a definição de responsabilidades, transporte,


contratação de som e iluminação, organização do repertório e ajustes técnicos. Neste
momento, o uso de checklists digitais e cronogramas permite que cada etapa seja monitorada,
com atribuição clara de responsáveis e prazos, minimizando falhas operacionais e atrasos na
montagem, problemas apontados pelos respondentes do questionário. Como um dos
participantes mencionou: "Falta de preparo e compromisso, por exemplo, marcam uma banda
de 16:00 às 19:00 e DJ de 19:00 às 22:00, sendo que há um tempo para desmontar e montar
equipamentos e eles não contam isso no planejamento". A utilização de ferramentas digitais,
como Trello ou Google Planilhas, ajuda a mitigar exatamente essas situações.
Diagrama 4 - Planejamento pré-evento

Fonte: Própria (2025)

Durante a execução no dia do evento, o fluxograma prevê deslocamento, chegada ao


local, montagem de instrumentos, passagem de som, checagem de riscos e ajustes finais.
Cada etapa conta com checklists digitais, garantindo que aspectos como som, iluminação,
segurança e entradas estejam de acordo com o planejado. Atualizações em tempo real
permitem que todos os envolvidos na produção acompanhem o status das atividades,
facilitando a comunicação e a tomada de decisão imediata, o que é especialmente importante
diante de imprevistos, como alterações climáticas ou atrasos.
Diagrama 5 - Execução no dia do evento

Fonte: Própria (2025)

A fase de pós-evento abrange conferência financeira, pagamento dos músicos e


equipe, registro de comprovantes e feedback com o cliente. Essa etapa também utiliza
ferramentas digitais para consolidar dados sobre o evento, permitindo aprendizado
organizacional e aprimoramento contínuo do processo, reforçando a aplicação prática do PCP
na redução de falhas e na melhoria da experiência do público.

Diagrama 6 - Fase de pós-evento


Fonte: Própria (2025)

O fluxograma demonstra não apenas a sequência operacional típica de um evento de


samba e pagode, mas também como o PCP atua de maneira transversal, integrando
planejamento, execução, controle de recursos, comunicação e avaliação de resultados. A
validação com o caso da RepSamba reforça que cada etapa do processo, desde o contato
inicial até o registro pós-evento, se conecta aos insights obtidos no questionário , incluindo
planejamento antecipado, uso de ferramentas digitais, gestão logística e atenção à experiência
do público. Com isso, o fluxograma funciona como uma ferramenta estratégica, permitindo
que produtores independentes organizem seus eventos de forma eficiente, coordenada e
adaptável, incorporando tanto a teoria quanto a prática observada.

4.3.5 Diagrama de Gantt


O diagrama de Gantt é uma ferramenta essencial para a visualização, organização e
acompanhamento temporal de todas as atividades envolvidas na produção de um evento
musical. Ele permite que gestores identifiquem dependências entre tarefas, planejem a
duração de cada etapa e antecipem possíveis gargalos, garantindo uma execução mais
eficiente e previsível. No contexto dos eventos de samba e pagode analisados, o Gantt foi
elaborado a partir das informações coletadas no questionário e validado com base na prática
observada durante o show da banda RepSamba, evidenciando a aplicação real dos conceitos
de planejamento e controle. Essa integração reforça a importância do planejamento
antecipado e do uso de ferramentas digitais, como Trello e Google Planilhas, para gerenciar
cada etapa do processo produtivo.

A análise dos dados do questionário indicou que o planejamento de eventos deve


iniciar com ampla antecedência, variando de 3 a 6 meses para produções independentes e
podendo chegar a 12 meses em eventos de maior porte, conforme apontado pelos
respondentes. A primeira etapa do diagrama, “Contato do cliente”, dá início ao ciclo de 1.108
horas, seguida de coleta de informações, registro em aplicativos ou planilhas digitais,
verificação da disponibilidade da banda e análise de viabilidade técnica. Cada atividade
possui duração e pré-requisitos específicos, garantindo que nenhuma tarefa crítica seja
executada antes do cumprimento das etapas anteriores, alinhando teoria e prática observada
no show do RepSamba.

Quadro 2 - Atividades do processo de planejamento de eventos de samba e pagode (Show da


Copa Bauxita – RepSamba)

Número Atividade Dependência Duração (horas)

1 Contato do cliente - 24

2 Coleta de 1 48
informações iniciais

3 Registrar no 2 24
app/planilha digital

4 Verificar 3 48
disponibilidade da
banda

5 Analisar viabilidade 4 96
técnica
Número Atividade Dependência Duração (horas)

6 Atualizar status de 5 24
artistas no app de
gerenciamento

7 Envio de orçamento 6 144


e negociação

8 Confirmação do 7 120
cliente

9 Registro financeiro e 8 24
acompanhamento
digital

10 Elaboração e envio 9 24
do contrato

11 Assinatura digital e 10 24
registro em sistema

12 Confirmação do 11 168
sinal

14 Definir responsável - 3
pelos instrumentos

15 Verificar transporte - 3

16 Verificar qual som - 1


será contratado

17 Definir figurino - 1

18 Planejamento digital - 5
com cronogramas e
checklists

19 Organizar repertório - 48
para o evento

20 Confirmação do 18 24
evento com o cliente

22 Deslocamento até o 21 2
local (previsão de
imprevistos)

23 Chegada no local e 22 1
abordagem ao
contratante
Número Atividade Dependência Duração (horas)

24 Montagem dos 23 1
intrumentos

25 Checklist digital para 24 1


cada etapa (som,
iluminação,
segurança, entradas)

26 Atualizações em 25 1
tempo real para toda
a equipe no Trello ou
Google Planilhas

27 Passagem de som, 26 1
ajustes e checagem
de riscos

28 Realização do show 27 2

29 Encerramento 28 1

30 Desmontagem dos 29 1
equipamentos

31 Deslocamento de 30 2
volta

33 Conferência e 32 96
cobrança do
pagamento

34 Pagamento dos 33 6
músicos e
profissionais
envolvidos

35 Controle financeiro 34 6
integrado com
planejamento de
recursos

36 Registro digital de 35 2
pagamentos e
comprovantes para
auditoria e
rastreabilidade

37 Feedback com o 36 96
cliente
Número Atividade Dependência Duração (horas)

38 Avaliação de 37 24
resultados,
identificação de
gargalos e melhoria
contínua

39 Upload de fotos, 38 6
vídeos e dados no
Trello, Google Drive
ou Notion para
histórico e
aprendizado
organizacional

40 Registro para 39 6
portfólio
Fonte: Própria (2025)

No Gantt, observa-se que atividades relacionadas ao planejamento pré-evento, como


definição de responsáveis pelos instrumentos, verificação de transporte, contratação de som e
organização do repertório, estão distribuídas estrategicamente, permitindo que o produtor
visualize o encadeamento das tarefas e planeje a alocação de recursos com antecedência.
Além disso, tarefas como “Planejamento digital com cronogramas e checklists” e
“Atualizações em tempo real para toda a equipe” estão posicionadas de forma a acompanhar
simultaneamente múltiplas etapas, refletindo o princípio do PCP de integração entre
planejamento, execução e controle.

Durante o dia do evento, atividades como deslocamento até o local, chegada e


abordagem ao contratante, montagem dos instrumentos, checklist digital e passagem de som
foram estruturadas para ocorrer de forma sequencial e coordenada. Isso permite que a equipe
responda rapidamente a imprevistos, minimize falhas operacionais e garanta que o show seja
executado conforme o planejado.

Já no pós-evento, tarefas como conferência financeira, pagamento de músicos,


controle de recursos e feedback do cliente asseguram que os processos de avaliação e registro
sejam realizados de forma organizada, promovendo aprendizado contínuo e melhoria da
produção em eventos futuros.

A antecipação de atividades, o uso de ferramentas digitais, a distribuição clara de


responsabilidades e a definição de pré-requisitos permitem que toda a produção funcione
como um sistema coeso, reduzindo desperdícios, conflitos e riscos.

Diagrama 7 - Diagrama de Gantt


Fonte: Própria (2025)

O diagrama reflete, assim, a totalidade do ciclo de produção do show da Copa Bauxita


da banda RepSamba, desde o contato inicial com o cliente até o registro final para portfólio,
totalizando 1.108 horas (aproximadamente 46 dias) de planejamento e execução. A escala de
tempo da matriz foi escolhida em horas, pois algumas tarefas são muito curtas para tomar o
tempo de um dia inteiro. Um exemplo disso são as tarefas do dia do evento, que ocorrem ao
longo de um único dia, e, portanto, requer uma visualização mais detalhada e precisa para o
acompanhamento da execução. Dessa forma, a escolha por horas permite um planejamento
mais minucioso e ajustado à realidade das atividades que compõem o evento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar a organização e a gestão de eventos


musicais de samba e pagode, com foco na aplicação do Planejamento e Controle da Produção
(PCP) e das ferramentas de apoio, a fim de compreender como tais instrumentos contribuem
para a previsibilidade, eficiência e qualidade da produção.
Os resultados obtidos a partir do questionário aplicado a profissionais do setor
evidenciam que, apesar dos desafios recorrentes relacionados à logística, comunicação,
planejamento financeiro e coordenação da equipe, a implementação de práticas de
Planejamento e Controle da Produção (PCP) pode trazer melhorias significativas.
Atualmente, os organizadores ainda enfrentam dificuldades que resultam em atrasos,
retrabalho e sobrecarga operacional. A aplicação do PCP visa estruturar de maneira mais
eficiente todas as etapas do evento, desde o contato inicial com o cliente até o registro pós-
evento, com o objetivo de minimizar esses problemas e otimizar o processo como um todo.

A utilização de instrumentos como matriz SWOT, fluxogramas e o diagrama de Gantt


mostrou-se fundamental para a identificação de gargalos, a definição de responsabilidades, a
previsão de prazos e o alinhamento entre as diferentes etapas da produção. Esses recursos
possibilitaram que os eventos fossem executados de forma ordenada, minimizando falhas
operacionais e aumentando a eficiência no gerenciamento de tempo e recursos, sem
comprometer a experiência do público.

Além disso, os resultados indicaram que a integração de ferramentas digitais, como


Trello, Google Planilhas e checklists online, contribuiu para o acompanhamento em tempo
real das atividades, permitindo ajustes imediatos em caso de imprevistos e facilitando a
comunicação entre todos os envolvidos. Com isso, os eventos puderam manter o padrão de
qualidade esperado, garantindo segurança, conforto e engajamento dos participantes.

Conforme demonstrado pelo estudo, o Planejamento e Controle da Produção


proporciona não apenas maior eficiência operacional, mas também reduz significativamente a
sobrecarga dos organizadores, permitindo que eles concentrem atenção em decisões
estratégicas, como marketing, experiência do público e negociação com artistas e
fornecedores.

Como recomendação para pesquisas futuras, sugere-se explorar o impacto do PCP e


das ferramentas de gestão em eventos de diferentes portes e estilos musicais, bem como
investigar métricas quantitativas relacionadas ao custo-benefício das intervenções e à
satisfação do público. Essa análise permitirá consolidar ainda mais as práticas de
planejamento e gestão, oferecendo subsídios para a profissionalização e sustentabilidade de
eventos musicais independentes.

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