SOLACE - CONSELHO DOS MAGOS
APOSTILA 10
O EQUACIONAMENTO CÓSMICO
A ANCORAGEM NO OCULTISMO
A MECÂNICA QUÂNTICA
Brasil, 27 de Setembro de 2019
O EQUACIONAMENTO CÓSMICO
Todas as coisas possuem uma origem. Chamemos esta origem de causa. Toda
causa engendra consequências e suas derivações, toda derivação segue
direcionamentos infindáveis seguindo a lei cósmica da transformação. Imaginemos
uma mesa de madeira. Ela tem sua origem na parte lenhosa das arvores, cada árvore
é o resultado de milhões de anos de evolução, de transformação, a partir das mais
simples moléculas de aminoácidos formados através das reações químicas a partir
das combinações do átomo de carbono com inúmeros outros elementos. Voltemos
novamente à mesa e sigamos as outras interações além de sua matéria prima; esta
ganhou forma sob o laborioso trabalho das mãos humanas, seguindo técnicas e
maquinários desenvolvidos desde a aurora da humanidade aprimorando-se desde o
período paleolítico. Adentremos no período paleolítico, que compreende um
segmento de mais de dois milhões de anos até dez mil anos atrás, conhecidos
também como período da “pedra-lascada”, quando os hominídeos começaram a
empreender seus primeiros artefatos. Os hominídeos são os ancestrais do homo
sapiens, seres humanos atuais, que surgiram por volta de 300 mil anos atrás, e estes
ancestrais humanos também são o resultado de milhões de anos de evolução de
espécies, cada vez mais simples, também formadas a partir dos mesmos aminoácidos
dos quais se formaram os mesmos espécimes vegetais mencionados logo acima. Este
é o ponto de convergência entre o homem, fabricante e modelador da mesa, e a
matéria prima, a madeira, proveniente das árvores que seguiram sua linha evolutiva
paralela à linha evolutiva humanoide. Anterior aos aminoácidos os elementos se
combinaram em uma gradual sequencia de complexidade, e, em algum momento,
ainda num ambiente onde o oxigênio ainda era inexistente, os primeiros organismos
teriam surgido na forma de seres unicelulares heterótrofos, nutrindo-se de matéria
orgânica.
Não devemos esquecer que a Terra possui mais de quatro bilhões de anos. Da
formação do planeta terra, até toda a diferenciação que conhecemos, poderemos
dar o nome de sequenciamento. Se formos seguindo à contra mão da cronologia
veremos que a terra se formou a partir da aglomeração contínua de massas devido à
atração gravitacional. O Sistema Solar, por sua vez, foi formado a partir de uma
nuvem de poeira e gás. Esta é conhecida como Nebulosa Solar Primitiva, à qual após
o fim do equilíbrio gravitacional, ocorreu a contração, dando inicio ao Sistema Solar.
Não é o objetivo aqui, contudo, detalhar cientificamente cada etapa da formação das
galáxias, ou mesmo do universo que, segundo a teoria cosmológica, se formou a
partir de um momento, de um ponto, o qual se denominou “Big Bang” há cerca de
catorze bilhões de anos.
Big Bang é uma expressão incrivelmente pobre para se tentar descrever aquilo
que é quase intraduzível à linguagem humana. Adentrando no campo metafisico,
poderemos dizer que o Big Bang é o Fohat, a força de interação entre a Ideação
Cósmica e a Substância Cósmica, ou seja, a energia pura que fecunda o espaço puro,
dando origem ao Mulaprakriti, que significa raiz da matéria. A matéria é, portanto,
formada à partir de Fohat, a energia primordial que se densifica formando a matéria
densa que conhecemos. A matéria nada mais é que uma ilusão. Voltemos à mesa de
madeira: ela é formada por celulose, a celulose por inúmeros átomos cujo elemento
principal é o carbono. Poderemos adentrar em qualquer outro átomo, mas
visualizemos esquematicamente o carbono, seu essencial formador. O núcleo do
carbono é formado por seis prótons e seis nêutrons, cada um destes elementos,
tanto o próton quanto o nêutron, são formados por quarks, interagidos por glúons.
Estas subpartículas atômicas são nada mais, que conglomerados de energias,
formadas sempre da conjugação de outras energias mais sutis até chegarmos à
energia primordial, que estrutura a essência do universo. Esta energia primordial é a
onipresença divina, o Fohat é a força ativa da própria divindade, em sua imanência,
em sua manifestação. Todas as coisas se fazem presentes e existentes alicerçadas
nesta energia primordial, tudo se equaciona a partir desta energia primordial. Tudo
se origina na sutileza e se densifica. A mecânica celeste, a expansão do universo, os
ciclos dos elementos, a formação da terra, seus seres, suas historias, tudo é um
sequenciamento onde está presente a sua própria energia formadora. Somos a
poeira das estrelas. Em cada um de nós há átomos que se renovam aos milhões a
cada dia. Uma pessoa que vemos agora daqui a uma semana não será a mesma, pois
terão seus átomos totalmente renovados na constante transformação da matéria.
Pode haver em nosso corpo, em um determinado momento, átomos que já fizeram
parte do corpo de um Moisés, de um Eliseu, de um simples pardal ou da árvore cuja
madeira fora transformada na mesa, tão importante no presente texto.
Todas as coisas se reciclam sob as leis da transformação que se dá através do
dinamismo e do equacionamento da energia primordial. A vida é um fluxo constante
das incomensuráveis trajetórias das diferenciações. Compreender a fundo este
equacionamento é discernir os propósitos da existência, discernir seus detalhes é
aquilo que se chama sabedoria. Sabemos a sua origem e seu destino, pois tanto sua
origem quanto o seu destino estão contidos na própria essência das energias.
Viemos desta energia primordial e caminhamos novamente para ela. O segredo da
existência é a descida à matéria densa e seu retorno à energia sutil. Viemos de deus
e regressaremos novamente ao seio da divindade. Posso dizer até algo mais: nunca
deixamos o seio da divindade, pois a energia primordial está em nós, estruturando
tudo aquilo que somos, vemos e sentimos. A verdadeira alegria não está
condicionada a um futuro retorno ao seio da divindade, mas a noção e a certeza que
estamos inseridos nele, e que Deus está presente em nós e em todas as coisas a todo
o momento, aqui e agora.
Um simples esquema cabalístico como a Árvore da Vida demonstra tudo o que
fiz referencia neste texto. As energias nascem em Kether, derivam através de sua
descida até chegar à densidade de Malkuth, o mundo material. Ela tanto desce
quanto sobe, e sua via dupla representa o caminho do retorno, sem jamais deixar de
esquecer que a energia de Kether está presente em todas as nove esferas
subsequentes. Tudo se resume em uma Respiração Divina, o Manvântara e o Pralaya
da teosofia, o dia e a noite de Brahmna. O infinito e a eternidade estão presentes no
hoje, no momento que se perpetua através desta energia divina, onde o espaço se
integra na sua inescrutável dimensionalidade, onde o tempo se anula no ponto em
que todos os momentos se encontram.
Om Tat Sat
A ANCORAGEM NO OCULTISMO
É muito comum ouvirmos a palavra "ancoragem" em trabalhos espirituais, orações, e
ritualísticas associadas a inúmeros sistemas mágicos. O verdadeiro significado em
esoterismo muitas vezes, porém, tem sido desfigurado através dos anos e do
advento de muitas ideias fantasiosas surgidas a partir da má interpretação de
profundos conceitos teosóficos. Sem deixar de lado a grandeza da Teosofia, o
entendimento da ancoragem psíquica e espiritual deve seguir os simples caminhos
de sua própria etimologia. Ancorar é a ação de se lançar uma ou várias âncoras,
artefato pontiagudo de considerável peso que, unido a cordas ou correntes, eram
lançadas ao mar para que as naus se estabilizassem em determinado ponto, afim de
que não defletissem ao sabor das correntes marítimas. O navio ancorado estava
posicionado em uma localização desejável. Estabilizado dentro dos padrões
necessários para que fossem cumpridas as tarefas específicas à sua função mercantil,
ou mesmo bélicas.
Baseado na correspondência do efeito da ancoragem em sua aplicação náutica
poderia perguntar: Qual a maior "ancoragem" para o espírito humano?
Um sensato estudante de qualquer escola esotérica certamente iria me
responder: "a Fé".
E sua resposta estaria correta. Mais correta impossível.
"Porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda,
direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será
impossível”. —Disse Jesus.
Quantas pessoas conhecemos que conseguem movimentar uma montanha, ou
mesmo um simples pedregulho com o poder de "sua fé"?
Contudo está frase, transcrita do Evangelho Canônico de Matheus, está longe de
ser uma quimera, uma metáfora ou mesmo uma alegoria bíblica.
Se acreditamos que existe Deus, e este se faz onipresente, e está dentro de nós
representado pela centelha divina, existe este poder latente intrínseco ao nosso ser.
Esta frase está longe de ser uma mentira, e talvez a maior verdade do grande
mistério do universo.
Há, dentro de nós, o poder divino, ou seja, a própria divindade. "Não sabeis vós
que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?"—Disse Paulo
em sua primeira carta aos coríntios.
Existe, portanto, todo o poder inerente ao nosso ser, e este poder é acionado
pela fé. A fé que não temos e que não alcançamos pela própria condição humana,
atrelada ao ego, e toda sua ignorância em relação à verdadeira realidade, suplantada
pelo mundo das ilusões.
Não possuímos, portanto, a mais perfeita ancoragem para fazermos uso do
poder divino dentro de nós.
Desprovido da fé o ser humano buscou o poder espiritual através de diversas
ancoragens que fortalecessem seu rudimento de fé. São essas ancoragens que
conhecemos, e que usamos como um recurso, ainda que precário, para alcançarmos
o domínio da Espiritualidade. Não falo domínio das forças espirituais, mas o nosso
domínio interior capaz de canalizar e direcionar as energias que sempre estiveram à
nossa disposição.
...Mas quais são essas ancoragens que fortalecessem nossos rudimentos de fé?
Vamos começar falando da magia, dos rituais, de todas as estruturações que
estabelecem um sistema mágico, com seus sigilos, símbolos e indumentárias.
Toda simbologia e ritualística potencializa a fé para que sejam alcançadas as
canalizações que conferem o poder aos inúmeros e variados sistemas.
São necessárias todas as prescrições para a eficácia da canalização?
Para o homem comum, sim. Para o homem que possui um grau mais elevado no
conhecimento de seu próprio poder inerente, não. Esse poder se chama fé, e é mais
forte que qualquer ritual de qualquer sistema ou de qualquer civilização.
Mas e as magias poderosas existem?
Certamente. Pois representam o próprio rudimento de fé potencializado em
diferentes níveis em conformidade com o amadurecimento espiritual de cada ser.
Ritualísticas, símbolos, orações e todos os caminhos que o ser humano
desembaraça na concepção de Deus, são as ancoragens. Não podemos esquecer o
detalhe que Deus está dentro de nós, imanente e não transcende como muitos
acreditam ser.
A ancoragem é tão psíquica quanto espiritual, pois a fé é a essência da
espiritualidade, e, para que seja potencializada, é necessário que utilizemos as
ferramentas psíquicas, as únicas capazes de descortinar a virtude de "crer". Essas
ferramentas são os graus de consciência, cuja elevação suplanta a dúvida, a grande
pedra de tropeço para a auto-realização.
Existem relíquias milagrosas em quase todas as religiões do mundo. Muitas delas
extremamente poderosas com histórico de milagres inexplicáveis à ciência oficial.
Mas vejamos: uma relíquia cristã não tem valor algum para um budista, e,
consequentemente não terá também poder algum. Do mesmo modo, poderosos
símbolos da alta magia Cabalística não terá poder algum para um cristão,
especialmente se, para este é um símbolo negativo em seu conjunto de crenças.
Cada símbolo, relíquia, imagem, possui poder dentro de seu próprio aspecto de
crença. Dessa maneira é simples concluir que são "potencializadores" da fé de cada
um. O poder está na fé e não na relíquia em si. São todos, pois, ancoragens,
instrumentos para a realização do poder divino dentro de cada ser.
Essa é a fé que remove montanhas e que, infelizmente, necessita de "pontes"
para suprir nossa condição humana impregnada de dúvidas e incertezas.
A oração talvez seja a mais acessível das ancoragens, e muitas vezes mais forte
que ritualísticas de inúmeros sistemas mágicos. Tudo dependerá da maturidade
espiritual, da capacidade de crer no grande poder intrínseco da centelha divina.
Lembremos: Pedro andou sobre as águas. Fez isso pelo poder de Jesus? Claro que
não. Pois quando teve medo caiu sobre o mar agitado. E caiu justamente porque
temeu, esvaindo seu próprio poder cuja ancoragem era a imagem de seu Mestre.
Os "decretos", tão beneficamente utilizados, sempre citam na doxologia a
própria ancoragem. Mas os decretos são por si só, fortes ancoragens, assim como as
orações quânticas.
Todos dependem da fé que, embora fraca, pode se tornar forte, potencializada
com a ancoragem compatível com a crença.
“Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e
meu servo será curado”—Disse o centurião de Cafarnaum.
Sim. Uma só palavra, ancorada na verdadeira fé, transforma mundos e recria
universos, pois dispensa dogmas, doutrinas, preceitos ou ritualísticas. É a ancoragem
na certeza. Certeza de nossa natureza divina, a espera de um novo nascimento.
Namastê
A MECÂNICA QUÂNTICA
Disseram, certa vez , que a ciência caminha do visível para o invisível e a filosofia
do invisível para o visível. Porém, até que ponto pode-se chegar , cada uma ,
seguindo sua trilha a partir de se ponto de origem? E , qual este ponto de origem ,
uma vez que a ciência nasceu da filosofia, e a filosofia nunca deixou de ser uma
ciência?
Acredito que existam dois tipos de ciência : A ciência sob o ponto de vista dos
céticos, e a ciência sob o ponto de vista dos sábios. Assim como também dois tipos
de filosofia : A filosofia sob o ponto de vista dos fundamentalistas, e a filosofia sob o
ponto de vista dos sábios. Quero, desde já, excluir os primeiros tipos , tanto de
cientistas quanto de filósofos, e contemplar junto a sábios cientistas e sábios
filósofos, a maior aproximação evidenciada entre essas duas formas de compreensão
do universo , a científica e a filosófica.
A física quântica trouxe à grande tela científica um novo panorama. Digo novo,
apenas à luz da ciência, pois à luz da filosofia já fora descortinado há tempos
incontáveis. Em fim , uma realidade oculta à antiga comunidade científica começou a
ser plasmada como uma nova visão da concepção do universo.
Mas, qual a relação existente entre os fenômenos quânticos e o espiritualismo?
Uma ponte entre a ciência e a filosofia começa a tomar forma. Pois a matéria foi
despojada de sua função, até então consagrada, de alicerce da complexidade
universal. Não pode mais ser decomposta em partículas fundamentais como se
supunha nos tempos pretéritos. A matéria, pois, não possui uma existência real e
independente, mas vem ser a expressão dos substratos imateriais que são as
energias. Sendo toda a concretude da materialidade uma densificação de energias
que compõem toda a arquitetura estrutural na qual a velha ciência baseava sua
concepção decrépita do materialismo.
Nos mundos infinitamente "pequenos" o tempo e o espaço tornam-se
impossíveis de serem estabelecidos como grandezas físicas, "eles" simplesmente
perdem a configuração realista diante do racionalismo humano. Surge um universo
no qual não se consome tempo e não se percorre o espaço, dentro do princípio
denominado da "incerteza". Neste panorama partículas podem ocupar dois lugares
ao mesmo tempo , dando , "lances" quânticos por um desconhecido espaço à revelia
da percepção cronológica. Porém, o que foi demonstrado de maior relevância é que
as "potencialidades energéticas" permeiam tudo aquilo que era tido como vazio ,
dando razão à grande premissa filosófica a qual sempre afirmou "que a natureza
aborrece o vazio". Simplesmente porque o "nada" configura a própria inexistência.
A interconexão de todas as coisas existentes descortinou-se diante da antiga
concepção cartesiana com a qual eram estruturados os valores científicos,
verdadeiramente dogmáticos. E esses valores se desmoronaram diante da nova
perspectiva onde a filosofia e a ciência podem caminhar de mãos dadas.
Em sua magnífica obra "A Grande Síntese", Pietro Ubaldi fez uma exposição
monística do universo, demonstrando o entrelaçamento de todo o universo , desde a
insondável infinitude do cosmo até a intimidade mais ínfima das partículas. A
manifestação dos processos quânticos preenchem os interstícios na eterna
infinitude.
A realidade ondulatória ou quântica é um domínio que prescinde do tempo e do
espaço. A realidade espiritual está fundamentada "cientificamente" nos princípios sa
física quântica. Porém a ciência agora que chegou nos lindes da filosofia . Uma vez
que esta sempre admitiu uma realidade alternativa, asseverando que a matéria é a
energia densificada, ou seja, tudo se resume em densificação e desdensificação, e
aquilo que se concebe como real é, na verdade , irreal. A realidade está naquilo que
não se vê, na própria espiritualidade além dos sub níveis das partículas , do denso ao
mais sútil , a infinita divisibilidade.
Imaginemos agora se fosse possível existir um "super microscópio" capaz de
penetrar nos insondáveis domínios do microcosmo. Observaríamos, inicialmente, a
matéria visível. Aumentando o grau de resolução visualizaríamos as moléculas que
compõem essa matéria. Aumentando mais uma vez o grau de resolução
visualizaríamos as estruturas atômicas, em seguida os prótons, nêutrons, as camadas
eletrônicas; aumentando ainda mais o grau chegaríamos nos quark , depois fótons
,grávitons... o quantum, o menor valor que apresentam as grandezas físicas.
Adentraríamos no mundo das partículas-onda. E , se possível fosse ir mais além
defrontaríamos com o insondável mundo das energias mais sutis. Pois se fosse
possível aumentar infinitamente a resolução deste hipotético aparelho,
infinitamente mergulharíamos em infinitas realidades incompreensíveis à razão
humana, muito além das concepções, muito além do dimensionalismo, além daquilo
que, mesmo sem conhecer, chamamos pensamento, que é a mágica da voz da alma.
E o que é o pensamento senão uma sútil energia, e o que é a matéria densa
senão também uma densificação de energia? O diferencial de cada coisa está no grau
de sutileza. Assim como existe um plano palpável à materialidade, há também um
plano dos pensamentos, das emoções, e para tantas outras manifestações que ainda
desconhecemos. Dentro destes planos a filosofia sempre atestou a existência de
vida, pois tudo é vida. As vibrações estão presentes em todas as coisas, e a vida é
vibração. Cada plano possui sua sequência vibratória. Além do físico há o plano
astral, o mental concreto, o mental abstrato, o búdhico, o átmico... Há "roupagens",
como é uma "roupagem" nosso corpo físico; E, perdendo a roupagem física, nosso
"eu pensante" assume a roupagem astral quando adentra a este novo nível de
existência, e assim sucessivamente, em cada plano uma "roupa" constituída da
"energia" deste plano, até o retorno ao plano físico, dentro de um grande ciclo, que
os hindus denominam "a roda do sansara", o ciclo das reencarnações. Pois no
universo tudo cíclico. Vemos os ciclos eletrônicos e suas "afinidades", o ciclo da água,
do oxigênio, os ciclos das rotações e translações dos astros , o dia , a noite , o retorno
do dia. Nada cessa, nada morre, tudo se transcorre sob uma lei imutável, cíclica, e se
transmuta, se aperfeiçoa, se sutiliza dentro da mobilidade universal, sob os auspícios
de uma grande "respiração" celeste.
As energias se reciclam, transformando, modulando-se sempre em um ir e vir
infinito e eterno. Semelhante às aguas que se tornam mais puras quando filtradas
através do calcário, as energias sutis se purificam através das densificações, nossa
alma passando pelo corpo físico. Os mundos espirituais que antigamente eram
conhecidos através das práticas místicas dos grandes mestres, estão sendo
plasmados diante dos olhos frios da própria ciência. Àqueles que, como "nós"
testificamos a realidade dos mundos espirituais, não vêm a nova visão científica
como um avivamento da fé, mas como um prelúdio de uma nova era onde o
materialismo será suplantado pelo renascimento da espiritualidade, abrindo um
novo horizonte para os desesperançosos e para os céticos, para que , diante da
magnitude da verdade que se desabrocha como uma flor na primavera, possa exalar
se perfume de alegria e esperança, referendando a certeza de que a morte física
nada mais é que uma mudança de estado. Nossos pensamentos perduram-se nos
planos sutis na eternidade. Deus existe.