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O documento explora a relação entre epilepsia e linguagem, destacando como a epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por convulsões, pode impactar a produção e compreensão da linguagem devido à sua influência em áreas cerebrais específicas. A plasticidade cerebral desempenha um papel crucial, permitindo que o cérebro se adapte, mas também pode ser comprometida pela frequência das crises epilépticas. A interseção entre epilepsia e afasia é complexa, exigindo uma abordagem multidisciplinar para tratamento e compreensão das interações neurofisiológicas subjacentes.

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O documento explora a relação entre epilepsia e linguagem, destacando como a epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por convulsões, pode impactar a produção e compreensão da linguagem devido à sua influência em áreas cerebrais específicas. A plasticidade cerebral desempenha um papel crucial, permitindo que o cérebro se adapte, mas também pode ser comprometida pela frequência das crises epilépticas. A interseção entre epilepsia e afasia é complexa, exigindo uma abordagem multidisciplinar para tratamento e compreensão das interações neurofisiológicas subjacentes.

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AULA 4

NEUROCIÊNCIA DA
LINGUAGEM

Prof. Everton Adriano de Morais


INTRODUÇÃO

Vamos falar um pouco sobre aspectos de epilepsia e linguagem, qual a


relação entre essas duas condições temáticas. Em fins de definição, podemos
considerar a epilepsia como uma condição neurológica caracterizada por episódios
recorrentes de atividade elétrica disfuncionais no cérebro. Essa condição complexa
afeta diversas pessoas em todo o mundo, e influencia não apenas aspectos físicos,
mas também cognitivos e emocionais. Uma questão desafiadora da epilepsia é sua
relação com a linguagem, um dos pilares fundamentais da comunicação humana.
Este trabalho busca explorar a interseção entre a epilepsia e a linguagem,
destacando as complexidades dessa relação e suas implicações para o
entendimento da mente humana.
Para compreender a interação entre epilepsia e linguagem, é essencial
primeiro ter entendimento dos mecanismos de funcionamento dessa condição
neurológica. A epilepsia é caracterizada por convulsões recorrentes, resultantes de
descargas elétricas anormais no cérebro. Essas descargas podem afetar diferentes
áreas do cérebro, levando a uma variedade de sintomas que vão desde simples
tremores até convulsões generalizadas. A diversidade de manifestações da
epilepsia reflete a complexidade do cérebro e os desafios enfrentados pelos
profissionais de saúde na compreensão e tratamento dessa condição.
Além das convulsões evidentes, a epilepsia muitas vezes está associada a
disfuncionalidades cognitivas, emocionais e comportamentais. Essas mudanças
podem impactar diretamente a maneira como uma pessoa se expressa e
compreende a linguagem. A plasticidade cerebral, condição na qual o cérebro se
reorganiza e se adapta em resposta a lesões ou mudanças, desempenha um papel
crucial na forma como a epilepsia afeta as habilidades de desenvolvimento de
linguagem. Essa complexidade torna a epilepsia uma condição fascinante de
estudo, desafiando os pesquisadores a desvendar os mecanismos que ligam essa
condição neurológica à linguagem.
A interação entre epilepsia e linguagem é multifacetada, envolvendo
diversas áreas do cérebro responsáveis pela produção, compreensão e
processamento da linguagem. Em muitos casos, as regiões afetadas pela epilepsia
são aquelas intimamente ligadas às funções linguísticas, o que resulta em desafios
únicos para indivíduos que vivem com essa condição. Desde distúrbios na
articulação até dificuldades na compreensão de conceitos mais abstratos, a

2
influência da epilepsia na linguagem é vasta e varia significativamente de pessoa
para pessoa.
Além dos desafios óbvios relacionados à comunicação verbal, a epilepsia
também pode afetar a linguagem escrita e outras formas de expressão. A
compreensão dessas interações complexas entre o cérebro e a linguagem não
apenas lança luz sobre os mecanismos subjacentes à epilepsia, mas também
oferece insights valiosos sobre a organização e a plasticidade do cérebro humano.
Nesse contexto, explorar as nuances da relação entre epilepsia e linguagem é
fundamental não apenas para avanços clínicos, mas também para uma
compreensão mais profunda da mente humana e suas extraordinárias capacidades
adaptativas. A partir desta introdução acerca do tema, vamos a um aprofundamento
sobre as questões apresentadas. Boa leitura!

TEMA 1 – NEUROBIOLOGIA DA LINGUAGEM NA EPILEPSIA

1.1 Epilepsia, cérebro e linguagem

Conforme já apresentado na introdução, a neurobiologia da linguagem e


sua relação com a epilepsia proporcionam uma visão profunda das redes neurais
do sistema nervoso como um todo e que sustentam a capacidade humana de
comunicação. A linguagem, sendo considerada um processo cognitivo, tem raízes
profundas em diversas áreas do cérebro, e quando a epilepsia afeta essas
regiões, as consequências podem ser vastas e variadas (Fernandes, 2013, p. 85-
86). Ao examinar as estruturas cerebrais mais diretamente associadas à
linguagem, a Área de Broca, localizada na região frontal inferior do hemisfério
cerebral esquerdo, desempenha um papel crucial na produção e articulação da
linguagem. As células nervosas nessa área coordenam a atividade motora
necessária para articular palavras e formar frases. Em casos de epilepsia que
comprometem a Área de Broca, o resultado pode ser a afasia de Broca, uma
condição em que a capacidade de articular palavras é prejudicada (Altmann et al.,
2019).
Paralelamente ao funcionamento expressivo, há também o processo de
compreensão de linguagem, mediante a uma circuitaria específica, a Área de
Wernicke. Esse sistema de funcionamento localiza-se no hemisfério esquerdo.
Um distúrbio nessa área pode resultar na afasia de Wernicke ou afasia de
compreensão, caracterizada por dificuldades na compreensão da linguagem

3
sonora ou pictográfica. A conexão entre essas duas áreas é estabelecida pelo
fascículo arqueado, um feixe de fibras nervosas essencial para a integração das
habilidades linguísticas. Além dessas áreas clássicas, a linguagem também tem
uma base no giro angular, uma região importante na associação entre a linguagem
escrita e falada. Dificuldades nessa área podem levar a distúrbios como alexia
(dificuldade em ler) e agrafia (dificuldade em escrever), enquanto a fala
permanece relativamente intacta (Pimentel, 2020). Durante a história das
Neurociências, houve diversos autores explicando como os funcionamentos das
circuitarias da linguagem são processados. A Figura 1 descreve alguns desses
circuitos.

Figura 1 – A. Circuitaria descrita por Jean Charcot. B. Modelo polígono de


processamento de linguagem apresentado por Grasset. C. Modelo descrito por
Wernicke que apresenta a interconexão entre áreas de compreensão e articulação
da linguagem. D. Circuito apresentado por Geschwind que descreve a
interconexão entre o fascículo arqueado das áreas motoras e sensitivas da
linguagem. E. Modelo descrito por Hickok e Poeppel que traz uma ênfase na via
de processamento ventral e dorsal, além de mencionar o fascículo arqueado que
também promove a interconexão de áreas da linguagem em nível expressivo e
compreensivo (Aguirre-Cruz et al., 2022)

Créditos: Wasteresley Lima.

4
Quando a epilepsia se manifesta nessas áreas, seja por causas genéticas,
lesões cerebrais ou outros fatores, as funções linguísticas podem ser
drasticamente afetadas. As crises epilépticas nesses locais podem levar a
interrupções na produção ou compreensão da linguagem, tornando o diagnóstico
e tratamento precoces fundamentais para mitigar os impactos a longo prazo. A
plasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de se reorganizar e adaptar,
também desempenha um papel significativo nesse cenário. Em alguns casos,
pacientes com epilepsia podem desenvolver uma reorganização funcional das
áreas afetadas, permitindo a recuperação de algumas habilidades linguísticas. No
entanto, em situações mais graves, a plasticidade pode ser comprometida,
dificultando a recuperação total (Aguirre-Cruz et al., 2022). Além das áreas
clássicas associadas à linguagem, a epilepsia pode afetar o lobo temporal, uma
região vital para a memória. A epilepsia do lobo temporal pode resultar em perda
de memória verbal, contribuindo para as complexidades da relação entre
linguagem e epilepsia (Fonseca et al., 2021).

1.2 Bases neurais da epilepsia

A partir da compreensão das suas bases neuronais, é possível desenvolver


estratégias de entendimento mais eficazes no que se refere à epilepsia. Conforme
observado por Fonseca et al. (2021), as redes neuronais desenvolvem um
funcionamento peculiar na gênese da epilepsia, destacando a importância da
conectividade sináptica na regulação da atividade cerebral. Fernandes (2013)
explora a temática e explica como alterações sinápticas podem contribuir para a
excitabilidade neuronal, um fenômeno observado em pacientes com epilepsia.
Essas modificações estruturais e funcionais do cérebro têm implicações diretas
na predisposição a crises epilépticas, mudanças de aspectos psicológicos,
emocionais e comportamentais.
No âmbito da neurotransmissão, estudos, como o de Belgo et al. (2021)
ressaltam o papel crítico de neurotransmissores específicos, como o glutamato e
o GABA, na regulação da excitabilidade neuronal. Desajustes nesse sistema
podem desencadear crises epilépticas, destacando a importância de compreender
os mecanismos moleculares subjacentes. Além disso, avanços em técnicas de
neuroimagem, conforme apontado por Figueiredo (2021), em sua tese de
doutorado, têm permitido a visualização direta de alterações estruturais e
funcionais no cérebro de pacientes epilépticos. A ressonância magnética

5
avançada tem sido instrumental na identificação de áreas específicas associadas
a crises epilépticas, fornecendo insights valiosos para estratégias de intervenção
mais direcionadas.
Apesar dos progressos significativos, a heterogeneidade da epilepsia e a
complexidade dos mecanismos envolvidos continuam a ser desafios persistentes.
Como ressaltado por diversos pesquisadores, a pesquisa contínua é essencial
para aprofundar nosso entendimento sobre essa condição neurológica
multifacetada e desenvolver abordagens terapêuticas mais eficazes (Figueiredo,
2021). Em síntese, a epilepsia é uma condição neurológica complexa, e a
pesquisa nas bases neuronais dessa condição é fundamental para melhorar a
qualidade de vida dos pacientes.
A integração de descobertas recentes, tanto em termos de redes neuronais
quanto de aspectos moleculares e de imagem, contribui para uma compreensão
abrangente dessa patologia e orienta a busca por abordagens terapêuticas mais
precisas e eficazes. A heterogeneidade dessa condição, refletida nas diversas
causas e manifestações clínicas e neurofisiológicas, continua a ser um desafio
considerável, pois a compreensão dos mecanismos subjacentes é de complicada
pela interação complexa entre fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos.
Como apontado por Figueiredo (2021), a diversidade de aspectos clínicos e
etiológicos demanda uma abordagem contínua e abrangente da pesquisa para
melhor compreender e tratar a epilepsia de maneira mais eficaz.

1.3 Plasticidade cerebral e epilepsia

A plasticidade cerebral refere-se à capacidade do cérebro de se adaptar e


reorganizar ao longo do tempo em resposta a experiências, lesões ou mudanças
ambientais, conforme já descrito anteriormente. Essa capacidade é fundamental
para o aprendizado, memória e a recuperação após lesões em diversos níveis
cerebrais. A plasticidade cerebral ocorre em diferentes níveis, desde as sinapses
entre neurônios até mudanças estruturais em regiões específicas do cérebro
(Carvalho et al., 2021). A epilepsia, por outro lado, é uma condição neurológica
caracterizada por atividade cerebral anormal que leva a crises epilépticas
recorrentes. Essas crises podem variar em intensidade e manifestação, e a
epilepsia pode resultar de várias causas, como lesões cerebrais, predisposição
genética, infecções ou distúrbios metabólicos (Aguirre-Cruz et al., 2022).

6
A relação entre plasticidade cerebral e epilepsia é de extrema
complexidade no que se refere à interconectividade e processo neurobiológico.
Por um lado, a plasticidade cerebral pode ser um mecanismo adaptativo que ajuda
o cérebro a compensar os efeitos da epilepsia. Em alguns casos, regiões cerebrais
adjacentes àquelas afetadas pela atividade epileptiforme podem reorganizar suas
funções para manter as funções cognitivas normais (Carvalho et al., 2021). Por
outro lado, as crises epilépticas podem impactar negativamente a plasticidade
cerebral. As convulsões frequentes podem causar danos às células cerebrais e
interferir nos processos normais de aprendizado e memória. Além disso, a
epilepsia pode levar a alterações estruturais no cérebro, como atrofia de
determinadas áreas, o que pode comprometer ainda mais a plasticidade cerebral
(Fonseca et al., 2021).
É importante notar que a relação entre plasticidade cerebral e epilepsia não
é uniforme ou segue uma linha única e pode variar de acordo com a causa
subjacente específica da epilepsia, a idade do paciente, a frequência das crises e
outros fatores. Além disso, os avanços na pesquisa neurocientífica estão
proporcionando uma compreensão mais profunda dessas interações complexas.
Abordagens terapêuticas para a epilepsia muitas vezes visam não apenas
controlar as crises, mas também preservar ou restaurar a plasticidade cerebral.
Isso pode envolver o uso de medicamentos antiepilépticos, estimulação cerebral
profunda, terapias comportamentais ou reabilitação cognitiva (Fonseca et al.,
2021; Fernandes, 2013).

TEMA 2 – EPILEPSIA E AFASIA

2.1 Compreendendo epilepsia e a afasia

A epilepsia e a afasia são duas condições neurológicas complexas que


impactam significativamente a qualidade de vida dos indivíduos afetados.
Conforme já mencionado anteriormente, de acordo com Fernandes (2013), a
epilepsia, caracterizada por convulsões recorrentes, traz disfuncionalidades ao
sistema nervoso de modo geral. Essa condição se manifesta de diversas formas,
desde convulsões generalizadas até episódios mais sutis, como ausências. O
resultado de toda essa condição clínica promove alterações em nível sensorial e
cognitivo. A respeito da Afasia, esta refere-se a dificuldades no processamento de
linguagem, afetando a capacidade de compreensão e expressão verbal, isso em

7
todo o circuito de funcionamento do sistema nervoso, por exemplo.
Consequentemente, e por muitas vezes, está associada a danos cerebrais, e pode
ser causada por diversos fatores, incluindo acidentes vasculares cerebrais,
traumatismos cranianos ou doenças neurodegenerativas (Altmann, 2019).
A interseção entre epilepsia e afasia adiciona uma camada de
complexidade ao quadro clínico, uma vez que as convulsões epilépticas podem
influenciar diretamente as áreas cerebrais responsáveis pela linguagem. Por
exemplo, uma alta descarga elétrica em áreas temporais e parietais do cérebro
pode diretamente afetar compreensão de linguagem e funcionamento sensitivo
auditivo. Isso pode resultar em desafios adicionais para os pacientes, já que a
comunicação eficaz pode ser prejudicada tanto durante quanto após as crises
epilépticas (Altmann, 2019; Pimentel, 2020). É crucial uma abordagem
multidisciplinar para o tratamento dessas condições, envolvendo neurologistas,
fonoaudiólogos, neuropsicólogos e outros profissionais de saúde. Estratégias
terapêuticas integradas podem abordar tanto os aspectos neurológicos das
convulsões quanto as dificuldades de linguagem, proporcionando uma abordagem
holística para melhorar a qualidade de vida dos pacientes (Martins, 2023).
Além disso, a compreensão aprofundada das causas subjacentes e dos
mecanismos neurofisiológicos envolvidos na epilepsia e afasia é fundamental para
desenvolver tratamentos mais eficazes e personalizados. Pesquisas contínuas
são essenciais para aprimorar o conhecimento sobre essas condições e identificar
intervenções inovadoras que possam otimizar os resultados clínicos. Em resumo,
a inter-relação entre epilepsia e afasia apresenta um desafio clínico e terapêutico
significativo para diversos profissionais. No entanto, abordagens integradas e uma
compreensão abrangente das complexidades envolvidas podem oferecer
esperança e melhorar substancialmente a qualidade de vida daqueles que
enfrentam essas condições neurológicas como Alzheimer e Doença Fronto
Temporal (DFT), por exemplo (Silva et al., 2021).

2.2 Manifestações da epilepsia na linguagem

As manifestações da epilepsia na linguagem variam amplamente,


dependendo da área do cérebro afetada durante as crises. Em alguns casos, as
crises epilépticas podem levar a distúrbios na fala, resultando em afasia, como já
mencionado anteriormente. Durante as crises, o paciente pode apresentar
dificuldades em formar frases coerentes ou encontrar as palavras corretas. Além

8
disso, a repetição de sons ou palavras pode ocorrer durante as crises epilépticas
(Altmann, 2019). Outra manifestação comum é a disartria, que afeta a
coordenação muscular envolvida na produção da fala. Os pacientes podem
experimentar dificuldades na articulação das palavras, resultando em uma fala
arrastada ou pouco clara. Além disso, a apraxia da fala, que é a incapacidade de
planejar e coordenar os movimentos necessários para a fala, também pode
ocorrer (Bernardo et al., 2021).
Em casos mais complexos, algumas pessoas com epilepsia podem
desenvolver formas específicas de linguagem, como a geração de discurso
automático, no qual palavras ou frases são produzidas involuntariamente. Isso
pode dificultar a comunicação eficaz e impactar a qualidade de vida do paciente
(Bernardo et al., 2021). É importante destacar que as manifestações da epilepsia
na linguagem podem variar de uma pessoa para outra, dependendo da
localização exata das descargas elétricas no cérebro durante as crises. Além
disso, o tratamento adequado da epilepsia, muitas vezes envolvendo
medicamentos antiepilépticos, pode ajudar a controlar esses sintomas
linguísticos, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Pesquisas contínuas na área da neurologia (Bernardo et al., 2021; Fonseca
et al., 2021; Belgo et al., 2021) estão buscando entender melhor as interações
entre a epilepsia e a linguagem, proporcionando insights valiosos para o
desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficazes. A conscientização
sobre as manifestações da epilepsia na linguagem é crucial não apenas para
profissionais de saúde, mas também para educadores e familiares, a fim de
oferecer um suporte adequado e promover a inclusão social desses indivíduos.

2.3 Epilepsia como consequência ou causa da afasia

Tanto a epilepsia como a afasia são manifestações complexas que podem


estar interligadas de diversas maneiras, seja como consequência ou até mesmo
causa. A relação entre epilepsia e afasia não é unidirecional, e a compreensão
dessa interação exige uma análise abrangente dos mecanismos neurofisiológicos
envolvidos (Altmann et al., 2019). Em alguns casos, a epilepsia pode surgir como
uma consequência da afasia, especialmente quando esta é decorrente de lesões
cerebrais traumáticas ou acidentes vasculares cerebrais. O comprometimento da
linguagem pode desencadear alterações na atividade elétrica cerebral,
predispondo o indivíduo a episódios epiléticos (Paula, 2019). Em contrapartida, a

9
epilepsia também pode desempenhar um papel como causa da afasia. As
convulsões e as descargas elétricas em áreas específicas no encéfalo
relacionadas à linguagem levam a dificuldades na expressão e compreensão
verbal. Nesses casos, a afasia é uma manifestação direta das perturbações
neurológicas provocadas pela epilepsia.
A complexidade dessa relação é evidenciada pela variedade de tipos de
epilepsia e afasia, bem como pela diversidade de sintomas apresentados por
indivíduos afetados (Aguirre-Cruz et al., 2022). Além disso, fatores como idade,
gravidade das convulsões e localização das lesões cerebrais desempenham
papéis significativos na forma como a epilepsia e a afasia se entrelaçam. Estudos
neurocientíficos têm buscado elucidar os mecanismos moleculares e celulares
que fundamentam essa conexão.
O conhecimento sobre processo de desenvolvimento cerebral, processos
psicológicos básicos, plasticidade cerebral na compreensão da relação entre
epilepsia e afasia, sugere que a capacidade adaptativa do cérebro pode
influenciar a manifestação e a gravidade dessas condições. À medida que se
avança na compreensão dessas condições, abre-se um horizonte de
possibilidades para abordagens terapêuticas inovadoras e personalizadas,
oferecendo esperança àqueles que enfrentam os desafios decorrentes dessa
interação neurobiológica única.

TEMA 3 – ASPECTOS EMOCIONAIS, EPILEPSIA E DESENVOLVIMENTO DA


APRENDIZAGEM

3.1 Impacto emocional, manejo emocional e promoção do bem-estar

O impacto emocional, o manejo emocional e a promoção do bem-estar são


elementos interligados que desempenham um papel crucial na saúde mental e na
qualidade de vida. As emoções exercem uma influência profunda em nosso
estado psicológico, moldando nossas experiências diárias e afetando nossas
relações interpessoais (Morais, 2020). O impacto emocional refere-se à resposta
que as emoções provocam em uma pessoa, seja ela positiva ou negativa.
Compreender esse impacto é fundamental para o desenvolvimento de estratégias
eficazes de manejo emocional.
Para Morais (2020), o manejo emocional envolve a capacidade de
reconhecer, compreender e regular as próprias emoções. Isso inclui a habilidade
10
de lidar com o estresse, superar desafios e manter um equilíbrio emocional
saudável. Estratégias como a prática da atenção plena, a expressão criativa e a
busca por apoio social desempenham um papel vital no manejo emocional,
permitindo que as pessoas enfrentem as adversidades de forma construtiva.
A promoção do bem-estar vai além do simples controle emocional. Envolve
a busca ativa por experiências que tragam satisfação e significado à vida. Isso
inclui a promoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades
físicas, uma dieta equilibrada e a manutenção de relacionamentos interpessoais
positivos. Investir no autoconhecimento e na autocompaixão também é essencial
para promover um estado duradouro de bem-estar (Morais, 2023). No cotidiano,
o impacto emocional muitas vezes se manifesta em reações imediatas a eventos
externos. O estresse no trabalho, problemas de relacionamento, perdas pessoais
ou conquistas significativas podem desencadear uma gama de emoções. O
manejo emocional, nesse contexto, permite que as pessoas processem essas
emoções de maneira saudável, evitando respostas impulsivas e cultivando
resiliência (Morais, 2020).
A promoção do bem-estar, por sua vez, está intimamente ligada a escolhas
de estilo de vida e atitudes mentais. A prática de hábitos saudáveis, como a
meditação, a prática regular de exercícios físicos e a alimentação balanceada
contribui para o equilíbrio emocional e a saúde mental. Além disso, cultivar
relacionamentos saudáveis e dedicar tempo a atividades que proporcionem
alegria e realização pessoal são componentes essenciais da promoção do bem-
estar (Oliveira, 2021). É importante reconhecer que o impacto emocional, o
manejo emocional e a promoção do bem-estar são processos contínuos e
interconectados.
Desenvolver a inteligência emocional, que envolve a capacidade de
compreender e gerenciar as emoções, é fundamental para navegar pelas
complexidades da vida moderna (Morais, 2020; Oliveira, 2021). A busca constante
por um estado de bem-estar não apenas beneficia o indivíduo, mas também
contribui para a construção de comunidades mais saudáveis e resilientes. A
consciência do impacto emocional, o desenvolvimento de habilidades de manejo
emocional e a busca ativa pela promoção do bem-estar são pilares fundamentais
para uma vida equilibrada e gratificante. Ao integrar esses elementos em nossa
rotina diária, podemos construir uma base sólida para enfrentar os desafios da
vida e cultivar um estado de bem-estar duradouro.

11
3.2 Desafios na aprendizagem de pessoas com epilepsia

A aprendizagem de pessoas com epilepsia enfrenta uma série de desafios


que vão além das dificuldades típicas encontradas no processo educacional. A
epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por convulsões recorrentes,
pode impactar significativamente a vida acadêmica, social e emocional dos
indivíduos afetados (Fonseca et al., 2021). Em primeiro lugar, a estigmatização
associada à epilepsia muitas vezes resulta em discriminação e isolamento social,
afetando negativamente a autoestima e a confiança dos estudantes (Braga, 2023).
A falta de compreensão sobre a condição por parte de colegas e professores pode
levar a atitudes preconceituosas e a uma atmosfera educacional desfavorável.
Portanto, é fundamental promover a conscientização e a educação sobre a
epilepsia para criar um ambiente mais inclusivo.
De acordo com Braga et al. (2023), as limitações físicas e cognitivas
decorrentes das convulsões podem interferir no processo de aprendizagem, na
autonomia, relacionamentos interpessoais e relacionamentos afetivos. Episódios
frequentes de convulsões podem levar à fadiga, dificuldades de concentração e
problemas de memória, prejudicando o desempenho acadêmico. Estratégias
pedagógicas personalizadas e apoio especializado são essenciais para atender
às necessidades individuais desses alunos, garantindo que recebam a educação
adequada.
A medicação utilizada no tratamento da epilepsia também pode apresentar
efeitos colaterais que afetam a cognição e o estado emocional. A gestão dos
efeitos colaterais medicamentosos pode ser desafiadora, demandando uma
abordagem integrada que envolva profissionais de saúde, educadores e
familiares. A comunicação aberta e eficaz entre essas partes é crucial para
garantir um suporte adequado ao aluno (Fonseca et al., 2021). Outro desafio
importante é a gestão de emergências durante crises epilépticas. Professores e
colegas devem ser treinados para responder adequadamente a convulsões,
minimizando o risco de lesões e proporcionando um ambiente seguro. A
implementação de planos de emergência individualizados é uma prática
recomendada para lidar com diferentes manifestações da epilepsia (Carvalho et
al., 2021).
A legislação e as políticas educacionais desempenham um papel vital na
garantia dos direitos e oportunidades para pessoas com epilepsia. A existência de

12
leis que protejam contra a discriminação e promovam a inclusão é crucial. Além
disso, é necessário assegurar que os recursos e apoios adequados estejam
disponíveis nas instituições educacionais, de modo a garantir a participação plena
e igualitária dos estudantes com epilepsia (Lopes et al., 2020). Em resumo, os
desafios na aprendizagem de pessoas com epilepsia são multifacetados e exigem
uma abordagem geral e multidisciplinar. A conscientização, o suporte
personalizado, a adaptação do ambiente educacional e a colaboração entre
profissionais da saúde e educadores são elementos essenciais para superar
essas barreiras, garantindo que esses indivíduos possam alcançar todo o seu
potencial acadêmico e desenvolvimento pessoal.

3.3 Desenvolvimento da Aprendizagem e Epilepsia na Infância

O desenvolvimento da aprendizagem na infância é um processo complexo


que pode ser desafiado pela presença da epilepsia, uma condição neurológica
caracterizada por atividade cerebral anormal que resulta em convulsões
recorrentes. Este texto explora os impactos da epilepsia no desenvolvimento
cognitivo e educacional de crianças, destacando os desafios enfrentados por elas,
bem como as estratégias e abordagens que podem ser adotadas para promover
um ambiente educacional inclusivo e favorável ao seu desenvolvimento (Costa et
al., 2020).
De acordo com Costa et al. (2020), desde os primeiros anos de vida, as
crianças com epilepsia podem enfrentar desafios no desenvolvimento de
habilidades cognitivas, motoras e sociais. As convulsões frequentes podem afetar
a aquisição de marcos importantes do desenvolvimento, como a linguagem, a
coordenação motora e as interações sociais. Portanto, é crucial uma avaliação
contínua por profissionais de saúde e educadores para identificar a necessidade
de intervenções precoces e adaptativas. No contexto escolar, a epilepsia pode
influenciar o desempenho acadêmico das crianças. Dificuldades de concentração,
fadiga e efeitos colaterais de medicamentos podem impactar negativamente a
participação ativa na sala de aula. Os educadores desempenham um papel
fundamental na compreensão das necessidades específicas desses alunos,
implementando estratégias pedagógicas adaptadas e garantindo um ambiente de
aprendizado inclusivo (Braga et al., 2023).
A epilepsia infantil também pode resultar em desafios emocionais e sociais.
O estigma associado à condição pode levar a uma autoestima reduzida e à

13
necessidade de apoio emocional (Lopes, 2020). Iniciativas de sensibilização e
educação devem ser promovidas para criar um ambiente escolar que promova a
compreensão, a aceitação e o respeito pela diversidade, auxiliando no
desenvolvimento psicossocial positivo das crianças com epilepsia.
O envolvimento dos pais e cuidadores é crucial no processo de
desenvolvimento da aprendizagem de crianças com epilepsia. Segundo Lopes
(2020) e Braga et al. (2023), a parceria entre escola e família é essencial para
compartilhar informações relevantes, garantir a administração adequada de
medicamentos e implementar estratégias de suporte em casa e na escola. A
comunicação aberta e colaborativa entre todos os envolvidos é fundamental para
criar um sistema de apoio abrangente. O desenvolvimento da aprendizagem na
infância de crianças com epilepsia é um processo que requer atenção
especializada e um esforço colaborativo entre profissionais de saúde, educadores,
pais e cuidadores. Ao abordar os desafios específicos associados à epilepsia, é
possível criar um ambiente educacional que promova o pleno desenvolvimento
cognitivo, emocional e social dessas crianças, capacitando-as a alcançar seu
máximo potencial.

TEMA 4 – EPILEPSIA SENSORIAL E LINGUAGEM EXPRESSIVA

4.1 Compreendendo a interseção entre epilepsia e comunicação

A epilepsia traz impactos para a comunicação, pois as convulsões e outros


sintomas associados podem afetar diretamente as habilidades de articulação de
linguagem e processos cognitivos. Durante uma crise de epilepsia, o indivíduo se
desorienta e altera temporariamente os níveis de consciência, o que pode resultar
em dificuldades de expressão verbal. Além disso, algumas formas de epilepsia
estão associadas a alterações cognitivas, como déficits de memória e dificuldades
de concentração, que também influenciam a comunicação (Braga et al., 2023).
O desconhecimento sobre a condição epilética frequentemente leva a
atitudes discriminatórias e estereótipos negativos. Esses estigmas podem afetar
a comunicação interpessoal, levando os indivíduos afetados a se sentirem
isolados e relutantes em compartilhar sua condição. Os desafios sociais e
profissionais enfrentados por pessoas com epilepsia também têm implicações
diretas na comunicação (Lopes, 2020). O medo do preconceito pode levar à
ocultação da condição, resultando em falta de apoio e compreensão por parte dos

14
colegas de trabalho, amigos e familiares. A falta de conhecimento sobre as
necessidades específicas de comunicação desses indivíduos pode perpetuar a
exclusão, impedindo seu pleno envolvimento na sociedade.
Para melhorar a comunicação e a qualidade no dia a dia das pessoas com
epilepsia, é essencial promover ambientes inclusivos, e isso inclui a
implementação de políticas públicas de nível educacional, programas de
conscientização sobre a temática e suporte emocional para aqueles que vivem
com a condição. Ao criar uma sociedade mais informada e compreensiva, pode-
se superar questões associadas à interseção entre epilepsia e comunicação
(Oliveira et al., 2021).

4.2 Tipos de sensações na epilepsia sensorial

A epilepsia sensorial é uma forma específica de epilepsia que se


caracteriza pela ocorrência de sensações atípicas antes, durante ou após uma
crise epiléptica. Essas alterações sensoriais ocorrem de forma variada e
significativamente entre os indivíduos impactados, e compreender os diferentes
tipos de sensações é essencial. Uma das formas mais reconhecíveis de epilepsia
sensorial é a presença de alterações exacerbadas de sensações visuais,
conhecidas como aura visual (Fonseca et al., 2021). Estas podem incluir visões
de luzes intermitentes, cores vivas, padrões geométricos ou até mesmo
alucinações complexas. Para muitas pessoas com epilepsia, essas sensações
visuais servem como um sinal de alerta de que uma crise epiléptica iminente está
prestes a ocorrer.
Além das sensações visuais, a epilepsia sensorial pode se manifestar
através de sensações auditivas incomuns. Isso pode incluir zumbidos, tinidos,
vozes distorcidas ou até mesmo a percepção de sons que não têm fonte externa.
Essas experiências podem variar em intensidade e duração, mas são
características distintivas da epilepsia sensorial em alguns casos. Essas
condições estão interligadas a um aumento exagerado de substâncias como
dopamina, que estimulam funções específicas do cérebro, como audição e visão
(Fernandes, 2013; Fonseca et al., 2021).
A sensação de formigamento, dormência ou outros distúrbios táteis pode
ocorrer durante uma crise epiléptica em alguns pacientes. Essas sensações,
conhecidas como sensações somatossensoriais, podem afetar partes específicas
do corpo e são muitas vezes descritas como estranhas ou desagradáveis

15
(Fonseca et al., 2021). É importante destacar que a natureza e a intensidade das
sensações na epilepsia sensorial podem variar consideravelmente de uma pessoa
para outra. Alguns indivíduos podem experimentar apenas um tipo específico de
sensação, enquanto outros podem vivenciar uma combinação de sensações
visuais, auditivas e táteis.
Além dos desafios físicos associados às crises epilépticas, as sensações
na epilepsia sensorial podem ter um impacto significativo na saúde mental,
qualidade de vida dos pacientes e no desenvolvimento de linguagem e
comunicação. O medo antecipado das crises, a ansiedade relacionada às
sensações específicas e as possíveis restrições nas atividades diárias são
aspectos que merecem atenção na gestão global da epilepsia (Figueiredo et al.,
2021).

4.3 Avaliação da linguagem expressiva em pacientes com epilepsia


sensorial

A avaliação da linguagem expressiva em pacientes com epilepsia sensorial


é abrangente e requer muita atenção em aspectos físicos, psicológicos e
comportamentais. As crises podem resultar em dificuldades temporárias e na
produção e compreensão da linguagem, como já mencionado em tópicos
anteriores, afetando a capacidade de o paciente desenvolver linguagem de modo
geral. A avaliação da linguagem expressiva nesses casos envolve a análise de
vários aspectos, incluindo a fluência verbal, a gramática, o vocabulário e a
capacidade de organização das ideias. Profissionais de saúde, como
fonoaudiólogos e neurologistas, utilizam diferentes instrumentos e técnicas para
avaliar essas habilidades linguísticas (Fonseca et al., 2021).
Além disso, é essencial considerar o impacto psicossocial da epilepsia
sensorial na comunicação do paciente. O estigma associado à condição pode
levar a dificuldades emocionais e sociais, afetando ainda mais a expressão verbal
(Altmann et al., 2019). A compreensão dessas condições é essencial para
desenvolver estratégias e utilizar recursos de intervenção personalizadas que
visem melhorar a qualidade de vida do paciente, por exemplo, instrumentos
psicológicos que avaliem processos cognitivos e aspectos sociais. A tecnologia
moderna desempenha um papel significativo na avaliação da linguagem
expressiva em pacientes com epilepsia sensorial.

16
Métodos como a ressonância magnética funcional (fMRI) permitem aos
pesquisadores observar as alterações neurofisiológicas durante as crises
epilépticas, proporcionando uma compreensão mais aprofundada dos
mecanismos subjacentes aos distúrbios de linguagem associados a essa
condição (Martins et al., 2023). A avaliação da linguagem expressiva em pacientes
com epilepsia sensorial é uma área altamente complexa que requer uma
abordagem multidisciplinar. Mapear e compreender a interação entre os aspectos
neurológicos, emocionais, cognitivos e sociais é de suma importância para
fornecer intervenções eficazes e melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.

TEMA 5 – EPILEPSIA PSÍQUICA E LINGUAGEM EXPRESSIVA

5.1 Epilepsia psíquica e o impacto na linguagem

A epilepsia psíquica representa uma forma peculiar de epilepsia que se


manifesta predominantemente por meio de sintomas psíquicos, em vez de
convulsões físicas tradicionais. Entre os sintomas notáveis estão alterações na
percepção, emoções intensificadas, alucinações e até mesmo episódios de
despersonalização. Essa condição única pode ter um impacto significativo na
linguagem e na comunicação, uma vez que as áreas cerebrais afetadas muitas
vezes desempenham papéis cruciais na produção e compreensão da linguagem
(Costa et al., 2020).
A relação entre a epilepsia psíquica e a linguagem em seu funcionamento
global varia de acordo com a região do cérebro afetada durante as crises. Em
alguns casos, os pacientes podem experimentar interrupções temporárias na fala,
conhecidas como afasia, durante os episódios (Braga et al., 2023). Além disso, as
alucinações auditivas e visuais associadas à epilepsia psíquica podem influenciar
a interpretação do discurso e a comunicação interpessoal. Esses desafios
linguísticos podem afetar a qualidade de vida dos indivíduos afetados, bem como
suas interações sociais e profissionais. No que se refere a formas de tratamento
farmacológico, intervenções psicológicas e terapias de reabilitação ou de
aspectos neuropsicológicos da linguagem podem desempenhar um papel
fundamental no acompanhamento dos impactos na comunicação.

17
5.2 Mecanismos neurológicos

Os mecanismos neurológicos relacionados à epilepsia psíquica ainda não


estão completamente elucidados. Entretanto, conforme Fernandes (2013), sabe-
se que as crises são desencadeadas por descargas elétricas exacerbadas e
excessivas em áreas específicas do cérebro. Essas descargas podem afetar
regiões relacionadas ao processamento emocional, memória, cognição e
comportamento. Uma parte importante do cérebro envolvida na epilepsia psíquica
é o lobo temporal, especialmente o hipocampo. Segundo Fonseca et al. (2021), o
hipocampo desempenha um papel crucial na formação e consolidação da
memória, e as alterações nessa região podem levar a fenômenos psíquicos
durante as crises. A atividade elétrica anormal no lobo temporal pode afetar a
percepção, emoções e memórias.
Além do lobo temporal, localizado no córtex posterior, outros locais no
cérebro podem estar envolvidos na epilepsia psíquica, dependendo da extensão
e da propagação das descargas elétricas. A conectividade entre diferentes áreas
cerebrais desempenha um papel fundamental, uma vez que as descargas podem
se espalhar para outras regiões, amplificando os sintomas e impactando
diferentes funções mentais (Figueiredo et al., 2021).
De acordo com Figueiredo (2021), os avanços na neuroimagem, como a
ressonância magnética funcional e a eletroencefalografia (EEG), têm sido úteis
para mapear as alterações na atividade cerebral durante as crises de epilepsia
psíquica. No entanto, a individualidade do cérebro de cada paciente e a
variabilidade das manifestações clínicas tornam desafiadora a compreensão
completa dos mecanismos específicos em cada caso.

5.3 Variações na expressão linguística e a epilepsia psíquica

A epilepsia psíquica refere-se a uma forma específica de epilepsia que se


manifesta predominantemente por meio de sintomas psíquicos, como alterações
de humor, pensamento e comportamento, em contraste com as convulsões físicas
mais comumente associadas à epilepsia. O cérebro é um órgão no qual as áreas
responsáveis pela linguagem estão interligadas com regiões associadas a
distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo a epilepsia psíquica (Fonseca et al., 2021).
Pacientes com essa condição muitas vezes experimentam variações na
expressão linguística que podem ser sutis ou proeminentes, dependendo da área

18
cerebral afetada (Figueiredo, 2021). Em alguns casos, as alterações linguísticas
podem se manifestar como distorções na fluência verbal, com o paciente
apresentando uma fala acelerada, desorganizada ou até mesmo incoerente
durante os episódios epilépticos. Essas variações podem ser um reflexo direto da
atividade elétrica atípica no cérebro, interferindo nos circuitos responsáveis pela
produção e compreensão da linguagem.
A investigação neurobiológica dessas variações na expressão linguística
em pacientes com epilepsia psíquica revela insights valiosos sobre a interconexão
entre o sistema nervoso central e as funções cognitivas, especialmente aquelas
relacionadas à linguagem. Estudos de neuroimagem, como ressonância
magnética funcional, têm contribuído para mapear as áreas cerebrais envolvidas
nesses processos, proporcionando uma compreensão mais profunda das bases
neurais das variações linguísticas associadas à epilepsia psíquica (Figueiredo,
2021; Fernandes, 2013).

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