ADOÇÃO
A adoção é um ato jurídico
solene e voluntário, no qual é
estabelecido um vínculo
socioafetivo de maternidade-
paternidade-filiação.
- Art. 227, § 6º, CF.
- Arts. 1.618 e 1.619, CC.
- Arts. 39 a 52-D, ECA.
- Lei nº 12.010/09.
Art. 227, § 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação.
Art. 1.618. A adoção de crianças e adolescentes será deferida na forma prevista pela
o
Lei n 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.
Art. 1.619. A adoção de maiores de 18 (dezoito) anos dependerá da assistência efetiva
do poder público e de sentença constitutiva, aplicando-se, no que couber, as regras
gerais da Lei n º 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.
A Lei nº 12.010/09 (que dispõe sobre adoção e altera Leis do ECA, entre outras)
estabelece uma listagem de prazos e cria um cadastro nacional da adoção.
Princípio da proteção integral e do melhor interesse da criança e do
adolescente: sempre presente.
Art. 39, § 1º - A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve
recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou
adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art.
25 desta Lei.
Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou
qualquer deles e seus descendentes.
Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se
estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por
parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém
vínculos de afinidade e afetividade.
É preciso a destituição do poder familiar.
A excepcionalidade da adoção e da destituição do poder familiar fica evidenciada
em diversos artigos do ECA.
Exemplo: o art. 100, parágrafo único, inc. X, fala sobre a prevalência da família.
Deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua
família natural ou extensa. Apenas se isso não for possível, que promovam a sua
integração em família adotiva.
Medidas de proteção: art. 101, ECA (rol não taxativo): encaminhamento aos pais
ou responsável, mediante termo de responsabilidade; orientação, apoio e
acompanhamento temporários; matrícula e freqüência escolar; inclusão em
serviços e programas oficiais ou comunitários; requisição de tratamento médico,
psicológico ou psiquiátrico; inclusão em programa oficial ou comunitário de
auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. Medidas mais
graves: acolhimento institucional; inclusão em programa de acolhimento
familiar; colocação em família substituta.
Art. 101, § 1º - O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas
provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração
familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não
implicando privação de liberdade.
OBS: Família substituta é aquela que assume a responsabilidade de cuidar de
uma criança ou adolescente quando a família natural não pode ou não está
apta a fazê-lo.
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou
adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos
termos desta Lei.
§ 1º Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por
equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de
compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente
considerada.
Sobre o consentimento para a adoção:
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante
legal do adotando.
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente
cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder
familiar.
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será
também necessário o seu consentimento.
Requisitos para poder adotar (art. 42):
Ser maior de 18 anos, independentemente do estado civil;
Ser 16 anos mais velho que o adotando;
Não pode ser ascendente ou irmão do adotando;
Adoção conjunta: é preciso ser casado ou ter união estável. Divorciados e ex-
companheiros podem adotar, desde que acordem sobre guarda/convivência;
tenham iniciado o estágio de convivência durante o relacionamento e
comprovem a existência de vínculos de afinidade e afetividade com ambos;
O tutor ou curador não pode adotar o pupilo ou curatelado enquanto não der
conta de sua administração e saldar o seu alcance (art. 44) — a adoção não pode
ser uma forma de evitar uma prestação de contas.
POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE ADOÇÃO AVOENGA:
RECURSO ESPECIAL. ADOÇÃO DE MENOR PLEITEADA PELA AVÓ PATERNA E SEU
COMPANHEIRO (AVÔ POR AFINIDADE). MITIGAÇÃO DA VEDAÇÃO PREVISTA NO § 1º
DO ARTIGO 42 DO ECA. POSSIBILIDADE. (...) 5. Nada obstante, sem descurar do
relevante escopo social da norma proibitiva da chamada adoção avoenga, revela-se
cabida sua mitigação excepcional quando: (i) o pretenso adotando seja menor de
idade; (ii) os avós (pretensos adotantes) exerçam, com exclusividade, as funções de
mãe e pai do neto desde o seu nascimento; (iii) a parentalidade socioafetiva tenha
sido devidamente atestada por estudo psicossocial; (iv) o adotando reconheça os -
adotantes como seus genitores e seu pai (ou sua mãe) como irmão; (v) inexista
conflito familiar a respeito da adoção; (vi) não se constate perigo de confusão mental
e emocional a ser gerada no adotando; (vii) não se funde a pretensão de adoção em
motivos ilegítimos, a exemplo da predominância de interesses econômicos; e (viii) a
adoção apresente reais vantagens para o adotando. Precedentes da Terceira Turma.
(...). (REsp n. 1.587.477/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado
em 10/3/2020, DJe de 27/8/2020)
Adoção post mortem: poderá ser deferida ao adotante que, após
inequívoca manifestação de vontade, vier a falecer antes da sentença (art.
42, § 6º, ECA).
Adoção de maiores: é possível a adoção de maiores de 18 anos, desde
que o adotando já esteja sob guarda ou tutela dos adotantes (art. 40).
Adoção unilateral: ocorre quando um cônjuge ou companheiro adota o
filho do outro (art. 41, § 1º). Pode ocorrer: 1) quando não consta o nome de
um dos genitores ou este tenha perdido o poder familiar; ou 2) sem
rompimento dos laços de parentesco originais. Neste caso, o outro pai
precisa ser ouvido.
Adoção X Filiação Socioafetiva:
Na adoção, os vínculos com os pais e parentes biológicos deixam de existir;
Na filiação socioafetiva, esses vínculos continuam existindo.
Nas relações familiares, os filhos biológicos, socioafetivos e adotivos possuem os
mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios.
Art. 57, §8º, LRP - possibilidade de averbar o sobrenome do padrasto ou madrasta,
desde que haja expressa concordância, sem prejuízo de seus sobrenomes de
família (não é necessária autorização judicial).
É possível o reconhecimento voluntário da paternidade ou da maternidade
socioafetiva de pessoas acima de 12 anos direto no registro civil.
Observação: existe a possibilidade de os cônjuges ou companheiros
adotarem separadamente. O ECA não proíbe isso, apenas exige a
qualificação completa do requerente e de seu eventual cônjuge, ou
companheiro, com expressa anuência deste (art. 165, I, ECA).
Adoção brasileira (ou simulada): quando a paternidade ou maternidade
é assumida sem o devido processo legal; situação fática.
* Quando alguém registra um filho como se fosse seu, sabendo que é de
outra pessoa, pode responder criminalmente.
Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de
recém-nascido:
Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem;
ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito
inerente ao estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.
Adoção internacional: quando os adotantes (estrangeiros ou não) são domiciliados
fora do Brasil. Esse tipo de adoção possui procedimentos próprios e regulação
específica. Tal modalidade é excepcional (com o objetivo de impedir o tráfico
internacional de menores e de proteger a criança e o adolescente de morar no
exterior, fora da proteção imediata da justiça brasileira) e só será feita quando
restarem esgotadas todas possibilidades de adoção nacional.
Sobre o estágio de convivência (art. 46):
A adoção será precedida de estágio de convivência pelo prazo máximo de 90
dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiaridades do caso.
Poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda do
adotante durante tempo suficiente para que seja possível avaliar o vínculo. Obs:
a simples guarda de fato não autoriza, por si só, essa dispensa.
O prazo máximo pode ser prorrogado por até igual período, mediante decisão
fundamentada da autoridade judiciária.
Em caso de adoção por pessoa ou casal domiciliado fora do País, o estágio de
convivência será de 30 a 45 dias, prorrogável por até igual período, uma única
vez. Mas o estágio será cumprido no território nacional, preferencialmente na
comarca de residência do adotando.
O estágio de convivência será acompanhado pela equipe interprofissional a
serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio
dos técnicos responsáveis pela execução da política de garantia do direito à
convivência familiar, que apresentarão relatório minucioso acerca da
conveniência do deferimento da medida (§4º do art. 46).
Efeitos pessoais e patrimoniais da adoção:
Parentesco que se estabelece entre adotante e adotado.
Novo registro de nascimento (nenhuma observação sobre a origem do ato poderá
constar nas certidões do registro; art. 47, §4º, ECA).
Reciprocidade do direito sucessório entre adotado, adotante e familiares.
Evidentemente, com o rompimento do parentesco com os pais biológicos, não
haverá sucessão por morte dos parentes consanguíneos do adotado.
Direito de receber alimentos.
A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença, exceto
na adoção post mortem, que terá força retroativa à data do óbito (art. 47, §7º).
Com relação ao vínculo da adoção, modificação do nome e prazo para a
conclusão da adoção:
Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no
registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão.
§ 5º A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido de qualquer
deles, poderá determinar a modificação do prenome.
§ 6o Caso a modificação de prenome seja requerida pelo adotante, é obrigatória a
oitiva do adotando, observado o disposto nos §§ 1 o e 2 o do art. 28 desta Lei.
§ 10. O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte)
dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamentada
da autoridade judiciária.
Direito de conhecer a origem biológica:
Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem
como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada
e seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos.
Parágrafo único. O acesso ao processo de adoção poderá ser também
deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido,
assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica.
Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA):
Foi criado em 2019 e nasceu da união do Cadastro Nacional de
Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA).
É um sistema de informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
que consolida dados sobre crianças e adolescentes em condições de
adoção, bem como dados de pretendentes à adoção, com o objetivo
de facilitar o processo de adoção em todo o país.
Art. 50, ECA.
A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um
registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro
de pessoas interessadas na adoção (art. 50, caput).
Antes de deferir a inscrição, é preciso prévia consulta aos órgãos técnicos do
juizado, assim como ouvido o MP (§1º).
Antes da inscrição de postulantes à adoção, será exigido um período de
preparação psicossocial e jurídica, orientado pela equipe técnica da Justiça
da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos
responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à
convivência familiar (§ 3º).
Sempre que possível e recomendável, essa preparação incluirá o contato
com crianças e adolescentes em condições de serem adotados (§ 4º).
Serão criados e implementados cadastros estaduais, distrital e nacional, que
deverão obrigatoriamente ser consultados pela autoridade judiciária em qualquer
procedimento de adoção, ressalvadas algumas hipóteses: § 13 e particularidades
das crianças e adolescentes indígenas ou provenientes de comunidade
remanescente de quilombo previstas no inciso II do § 6º do art. 28 desta Lei (§ 5º).
Haverá cadastros distintos para pessoas ou casais residentes fora do País, que
somente serão consultados na inexistência de postulantes nacionais habilitados
nos cadastros mencionados acima (§ 6º).
Enquanto não localizada pessoa interessada em sua adoção, a criança ou o
adolescente, sempre que possível e recomendável, será colocado sob guarda de
família cadastrada em programa de acolhimento familiar (§ 11).
Fiscalização do MP para alimentação do cadastro e convocação dos postulantes à
adoção (§ 12).
Exceção: possibilidade de adoção por pessoa não cadastrada no SNA:
§ 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor de candidato domiciliado no
Brasil não cadastrado previamente nos termos desta Lei quando:
I - se tratar de pedido de adoção unilateral;
II - for formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos
de afinidade e afetividade;
III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança maior de 3
(três) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivência comprove a
fixação de laços de afinidade e afetividade, e não seja constatada a ocorrência de má-
fé ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei.
OBS: Ainda é necessário comprovar que preenche os requisitos necessários à
adoção (§ 14).
Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob
sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação
em lar substituto:
Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa.
Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro,
mediante paga ou recompensa:
Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a
paga ou recompensa.
Prioridade e a regra da adoção feita de acordo com ordem cronológica
de habilitação:
Art. 50, § 15. Será assegurada prioridade no cadastro a pessoas interessadas em
adotar criança ou adolescente com deficiência, com doença crônica ou com
necessidades específicas de saúde, além de grupo de irmãos.
Art. 197-E. Deferida a habilitação, (...) a sua convocação para a adoção feita de
acordo com ordem cronológica de habilitação e conforme a disponibilidade de
crianças ou adolescentes adotáveis.
§ 1º A ordem cronológica das habilitações somente poderá deixar de ser observada
pela autoridade judiciária nas hipóteses previstas no § 13 do art. 50 desta Lei,
quando comprovado ser essa a melhor solução no interesse do adotando.
No site do CNJ, é possível consultar o guia
de utilização do SNA para pretendentes à
adoção.
Outro cadastro importante: Cadastro
Nacional de Crianças e Adolescentes
Desaparecidos, cujo desaparecimento,
administrativamente, tenha tido registro
em algum órgão de segurança pública.
Sugestão: consultar o passo a passo da
habilitação para adoção e os dados
estatísticos.
Indicação de série: This is Us.
REFERÊNCIAS
DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 4. ed. em e-book, baseada na 11 ed. impressa, São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. Disponível em: https://ceaf.mpac.mp.br/wp-content/uploads/2-
Manual-de-Direito-das-Familias-Maria-Berenice-Dias.pdf.
FERNANDES, Alexandre Cortez. Direito Civil: direito de família. Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2015. E-book.
ISBN 9788570617699. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Loader/47895/epub.
TJDFT). Adoção X Filiação Socioafetiva. 2024. Disponível em:
https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-
semanal/adocao-x-filiacao-socioafetiva.