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Universidade Zambeze Faculdade de Engenharia Agronómica & Florestal Departamento de Economia Agrária Curso: UC

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UNIVERSIDADE ZAMBEZE

FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA & FLORESTAL


DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AGRÁRIA
Curso: Economia Agrária
UC: Horticultura e Fruticultura

CULTURA DE CENOURA (DAUCUS CAROTA SUBSP. SATIVUS)

Mocuba, Agosto de 2025.


UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA & FLORESTAL
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AGRÁRIA
Curso: Economia Agrária
UC: Horticultura e Fruticultura

Nível: III°, II° Semestre

Discentes: Docente:
Anatércia Gabriel Antônio MSc. Leonel Josine
Nelissa Luís Belito
Francisco Dina Charles
Vanda Daniel Namugeca

Este trabalho foi elaborado por quatro (04) elementos e


tem como carácter avaliativo.
Trabalho a ser apresentado, da disciplina de
Horticultura e Fruticultura no curso de Economia
Agrária, sob orientação do docente Leonel Josine.
Que será abordado em torno do tema citado.

Mocuba, Agosto de 2025.


ÍNDIC

E
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................5
1.1.1. OBJECTIVOS...................................................................................................................6
1.1.2. Geral..............................................................................................................................6
1.1.3. Específicos....................................................................................................................6
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...............................................................................................7
2.1. Histórico e Importância da Cenoura (Daucus carota subsp. sativus)..............................7
2.2. Origens e primeiras domesticações..............................................................................7
2.3. Expansão e variedades históricas.................................................................................7
2.5. Importância nutricional e cultural.................................................................................7
3. Características botânicas e fisiológicas...............................................................................8
3.1. Raiz tuberosa................................................................................................................8
3.2. Sistema foliar................................................................................................................8
3.3. Ciclo bianual.................................................................................................................9
3.4. Fotoperiodismo e sensibilidade climática.....................................................................9
4. Aspectos gerais....................................................................................................................9
4.1. Classificação botânica..................................................................................................9
4.2. Condições edafoclimáticas ideais...............................................................................10
4.3. Ciclos de desenvolvimento.........................................................................................10
4.4. Espaçamento e maneio...............................................................................................10
4.5. Principais variedades..................................................................................................11
5. Evolução e melhoramento genético..................................................................................12
5.1. Origem e diversificação..............................................................................................12
5.2. Melhoramento genético..............................................................................................12
5.3. Principais resultados do melhoramento......................................................................12
5.4. Evoluções visuais das variedades...............................................................................13
6. Ciclo de produção..............................................................................................................13
7. Produtos da industrialização da cenoura...........................................................................13
7.1. Produtos alimentícios.................................................................................................14
7.3. Importância econômica e sustentabilidade.................................................................14
8. Principais países produtores..............................................................................................15
8.1. Análise comparativa...................................................................................................15
9. Maiores produtores mundiais (produção por continente).................................................16
9.1. Participação percentual no mercado global................................................................16
9.2. Observações estratégicas............................................................................................16
10. Principais países exportadores........................................................................................17
10.1. Tendências de mercado............................................................................................17
11. Consumo mundial...........................................................................................................18
11.1. Diferenças regionais e culturais................................................................................18
11.2. Observações estratégicas..........................................................................................19
12. Rendimento médio em outros países...............................................................................19
13. Produção de cenoura em moçambique........................................................................19
13.1. Técnicas de cultivo...................................................................................................21
13.2. Potencial de expansão...............................................................................................21
13.3. Desafios....................................................................................................................21
14. Principais pragas.............................................................................................................23
14.1. Mosca-da-cenoura (Psila rosae)...............................................................................23
14.2. Pulgões......................................................................................................................23
14.3. Nematóides...............................................................................................................24
15. Principais doenças...........................................................................................................24
15.1. Alternariose (Alternaria dauci)................................................................................25
15.2. Oídio (Erysiphe heraclei).........................................................................................25
15.3. Podridões bacterianas...............................................................................................26
III. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................27
IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................28
1. INTRODUÇÃO
A cenoura (Daucus carota L.) é uma hortaliça de raiz tuberosa pertencente à família
Apiaceae, amplamente cultivada em diversas regiões do mundo devido ao seu alto valor
nutricional e versatilidade culinária. Originária provavelmente da Ásia Central, a espécie
passou por um longo processo de domesticação, resultando nas variedades modernas
caracterizadas por raízes alongadas, de coloração predominantemente alaranjada, embora
existam também cultivares roxas, amarelas, brancas e vermelhas (Simon et al., 2019). Do
ponto de vista botânico, trata-se de uma planta bianual, cujo ciclo reprodutivo natural se
completa em dois anos: no primeiro, há o desenvolvimento vegetativo e o acúmulo de
reservas na raiz; no segundo, ocorre a emissão do escapo floral e a produção de sementes
(Rubatzky et al., 2018).

A cenoura se destaca na horticultura por ser uma fonte significativa de β-caroteno, precursor
da vitamina A, além de fornecer fibras, minerais e antioxidantes que contribuem para a saúde
ocular, imunológica e cardiovascular (Dias & Ryder, 2020). Seu cultivo apresenta elevada
adaptabilidade a diferentes condições climáticas, sendo favorecido por temperaturas amenas
entre 15 °C e 22 °C e por solos leves, bem drenados e ricos em matéria orgânica (Filgueira,
2013; FAO, 2023).

No contexto da horticultura e fruticultura, a cenoura é um exemplo relevante de hortaliça de


raiz que alia importância econômica e nutricional, servindo como base para estudos sobre
melhoramento genético, manejo cultural, conservação pós-colheita e industrialização. Seu
posicionamento no mercado global é expressivo, com destaque para países como China,
Uzbequistão, Estados Unidos e Rússia entre os maiores produtores (FAO, 2023). Além disso,
a cultura desempenha papel social importante, gerando emprego e renda, especialmente em
sistemas de agricultura familiar e produção para mercados locais e regionais.

Em Moçambique, a cenoura é uma hortaliça de raiz importante para a agricultura familiar,


gerando renda e contribuindo para a nutrição, com cultivo principalmente no sul do país e
apoio de projetos de pesquisa para melhorar produtividade e maneio.

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1.1.1. OBJECTIVOS
1.1.2. Geral

 Descrever as principais características, técnicas de produção, manejo e aproveitamento


de culturas hortícolas e frutícolas, visando a aplicação de práticas sustentáveis e
eficientes para o aumento da produtividade, qualidade e valor comercial dos produtos

1.1.3. Específicos
 Caracterizar a cenoura (Daucus carota subsp. sativus), abordando suas características
botânicas, fisiológicas e ciclo de desenvolvimento.
 Analisar a história, a origem e o processo de domesticação da cenoura, bem como a
expansão das suas variedades ao longo do tempo.
 Identificar e descrever as condições edafoclimáticas ideais para o cultivo da cenoura e
os manejos agronômicos recomendados.
 Avaliar as técnicas de melhoramento genético utilizadas na cultura, destacando os
principais resultados e as evoluções visuais das variedades.
 Apresentar o ciclo de produção da cenoura, incluindo os produtos da sua
industrialização e a relevância econômica e sustentável dessa cadeia produtiva.
 Levantar dados sobre a produção mundial, consumo, exportação e posicionamento de
Moçambique no cenário global da cenoura.
 Identificar e analisar as principais pragas e doenças que afetam a cultura da cenoura,
propondo estratégias de manejo integradas.
 Avaliar o potencial de expansão do cultivo de cenoura em Moçambique, considerando
os desafios e oportunidades do setor.

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Histórico e Importância da Cenoura (Daucus carota subsp. sativus)
2.2. Origens e primeiras domesticações
A cenoura foi domesticada há aproximadamente 5.000 anos na região do Planalto Iraniano,
atual Irã, Afeganistão e Paquistão. As primeiras culturas selecionavam a raiz por cor e sabor,
originando cenouras roxas ou amarelas a partir do tipo selvagem, que possuía raízes pálidas
(Simon & Rubatzky, 2020; Rubatzky, Simon, & Tanaka, 2022). Vavilov classificou essas
variedades iniciais em dois grupos: o grupo Oriental, com raízes roxas, rosa ou amareladas, e
o grupo Ocidental, com raízes amarelas, laranjas ou vermelhas, originário da Anatólia e do Irã
(Rubatzky et al., 2022).

2.3. Expansão e variedades históricas


Registros arqueológicos indicam sementes de cenoura na Europa há cerca de 4.500 anos,
enquanto no século X já havia cultivos no Irã, Iraque e Afeganistão (Simon & Rubatzky,
2020). Entre os séculos XII e XV, a cenoura se espalhou pela Europa e chegou à China no
século XIII (Rubatzky et al., 2022). Nessa fase, as cenouras roxas dominavam a Pérsia e
Arábia, enquanto as amarelas eram preferidas no norte da Europa (Simon & Rubatzky, 2020).

2.4. A chegada da cenoura laranja


As cenouras laranja surgiram na Holanda no século XVII, a partir de variedades amarelas
possivelmente cruzadas com tipos avermelhados ou por mutações naturais. Cultivares como
“Long Orange” e “Horn” se destacaram pela maior uniformidade, sabor adocicado e
rendimento elevado (Mou, Simon, & Rubatzky, 2020; Rubatzky et al., 2022). Estudos
genéticos mostram que essas variedades derivam de seleções intensas na Europa ocidental,
especialmente na Holanda e Bélgica (Rubatzky et al., 2022).

2.5. Importância nutricional e cultural


A cor laranja da cenoura é atribuída ao β-caroteno, precursor da vitamina A, essencial para a
visão, imunidade e saúde da pele (Silva, Pereira, & Nogueira, 2022). Variedades roxas
contêm antocianinas, compostos antioxidantes que protegem contra doenças degenerativas e
envelhecimento celular (Silva et al., 2022). Estudos indicam que o consumo regular de
cenoura melhora os níveis de carotenoides no organismo, conferindo benefícios
cardiovasculares e imunológicos (Lima, Oliveira, & Santos, 2021).

Página | 7
Além do valor nutricional, a cenoura possui grande relevância econômica e cultural: é
utilizada na alimentação humana, produção de sucos, purês, snacks, cosméticos e ração
animal, sendo um alimento central em diversas tradições culinárias (Mordor Intelligence,
2023; Muianga, 2023).

Tabela 1: Comparativa – Aspectos históricos da cenoura


Período / Região Principais Desenvolvimentos
5.000 anos atrás (Pérsia / Irã) Domesticação inicial: cenouras roxas e amarelas
(orientais)
Séculos XII–XV (Europa / Ásia) Disseminação e variedade de cores (roxa, amarela,
vermelha)
Séculos, XVII–XVIII (Holanda) Redescoberta da cenoura laranja; surgem cultivares "Long
Orange", etc.
Era Moderna (global) Prevalência da cenoura laranja; reconhecimento nutricional
e de mercado.

3. Características botânicas e fisiológicas


A cenoura (Daucus carota L.) é uma hortaliça de raiz tuberosa que pertence à família
Apiaceae. É cultivada principalmente como anual para consumo da raiz, embora sua biologia
seja bianual, completando o ciclo reprodutivo no segundo ano se não colhida (Jones & Clark,
2022). A compreensão das suas características botânicas e fisiológicas é essencial para
maneio adequado, produtividade e qualidade comercial.

3.1. Raiz tuberosa


A raiz é o órgão mais valorizado comercialmente, atuando como reservatório de
carboidratos, vitaminas e pigmentos carotenoides, principalmente beta-caroteno,
responsável pela coloração laranja característica. A forma pode variar de cilíndrica, cônica ou
arredondada, dependendo da variedade e das condições do solo. A uniformidade e o
desenvolvimento da raiz são influenciados por fatores como fertilidade, irrigação, densidade
de plantio e controle de pragas e doenças (Smith et al., 2021).

3.2. Sistema foliar


As folhas são compostas, pinadas e altamente ramificadas, desempenhando papel crucial na
fotossíntese e no crescimento da raiz. Folhas saudáveis e vigorosas aumentam a capacidade
de acumulação de carboidratos na raiz. Além disso, a densidade e o manejo foliar influenciam

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a ventilação e a incidência de doenças, sendo essencial o manejo adequado do espaçamento e
da poda foliar quando necessário (Jones & Clark, 2022).

3.3. Ciclo bianual


Embora normalmente cultivada como anual, a cenoura possui ciclo bianual: no primeiro ano
ocorre o desenvolvimento vegetativo e a formação da raiz; no segundo ano, se a planta não for
colhida, ocorre a floração e produção de sementes. O ciclo vegetativo e reprodutivo é
influenciado pelo fotoperíodo, temperatura e disponibilidade de água (FAO, 2023).

3.4. Fotoperiodismo e sensibilidade climática


A cenoura é sensível à duração da luz e à temperatura. Longos dias e temperaturas moderadas
favorecem o crescimento vegetativo, enquanto temperaturas muito altas podem causar
estresse hídrico, comprometendo o desenvolvimento radicular. A adaptação de variedades a
condições locais de fotoperíodo é crucial para obter raízes uniformes e de alta qualidade
(Smith et al., 2021).

Figura 1: Anatomia da raiz de cenoura: identificação de colo, ombro, ápice, lenticelas, córtex, coração e
disposição de xilema, floema e câmbio vascular. Adaptado de Stanley (2020)

4. Aspectos gerais
4.1. Classificação botânica
 Reino: Plantae
 Divisão: Magnoliophyta

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 Classe: Magnoliopsida
 Ordem: Apiales
 Família: Apiaceae
 Género: Daucus
 Espécie: D. carota
 Subespécie: D. carota subsp. sativus (Rubatzky, Simon, & Tanaka, 2022)
A cenoura é uma planta herbácea, de ciclo bienal em regiões temperadas, mas cultivada como
anual em climas tropicais. Possui raiz tuberosa pivotante, folhas compostas pinadas e flores
pequenas, brancas, dispostas em umbelas compostas (Simon & Rubatzky, 2020).

4.2. Condições edafoclimáticas ideais


 Solo: leves a médios, profundos, bem drenado; pH ótimo 5,8–7,0 (Resende, Yuri, &
Souza, 2018).
 Temperatura: ideal de 15–25 °C, favorecendo coloração, textura e sabor da raiz
(Filgueira, 2013).
 Luminosidade: necessita de alta intensidade luminosa para crescimento uniforme e
desenvolvimento de pigmentos carotenoides (Lima, Oliveira, & Santos, 2021).
 Umidade: exige irrigação regular; sensível a encharcamento, que provoca
deformações da raiz e doenças radiculares (Resende et al., 2018).

4.3. Ciclos de desenvolvimento


O ciclo da cenoura varia conforme a cultivar e o clima:
 Precoces: 90–120 dias
 Médias: 120–140 dias
 Tardias: 140–150 dias (Resende et al., 2018)
Fases principais:
1. Germinação (7–21 dias): sementes absorvem água e iniciam o crescimento radicular.
2. Crescimento vegetativo: formação de folhas e alongamento da raiz.
3. Engrossamento da raiz: acúmulo de carboidratos e pigmentos; coloração intensa.
4. Floração (em bienais ou se deixadas por um segundo ano): produção de sementes.
5. Colheita: raízes atingem calibre, textura e cor ideais (Filgueira, 2013).

4.4. Espaçamento e maneio


 Semeadura: direta no solo ou transplante de mudas.
 Espaçamento: entre linhas 25–40 cm; entre plantas 5–10 cm.
Página | 10
 Adubação: equilibrada com nitrogênio, fósforo e potássio; excesso de N provoca
raízes alongadas e menos doces (Resende et al., 2018).
 Controle de pragas e doenças: rotação de culturas, irrigação controlada e
monitoramento constante (Lima et al., 2021).

4.5. Principais variedades


Tabela 2: Principais variedades de cenoura

Variedade Ciclo (dias) Cor da raiz Uso

Nantes 90–110 Laranja Consumo fresco

Processamento
Amsterdam 100–120 Laranja
industrial

Chantenay 120–140 Laranja-avermelhada Conservas e purês

Purple Haze 110–130 Roxa Produtos funcionais


Fonte: Resende et al., 2018; Simon & Rubatzky, 2020.

Figura 2: Variedades tradicionais de cenouras (roxas, amarelas, brancas, laranjas) evidenciando sua diversidade
histórica e botânica. Fonte: Nakamura (2020)

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5. Evolução e melhoramento genético
5.1. Origem e diversificação
A cenoura moderna deriva de duas linhagens principais: o tipo Oriental e o tipo Ocidental.
 Tipo Oriental: raízes roxas ou amareladas, forma irregular, sabor forte; predominante
na Ásia Central e Oriente Médio (Rubatzky, Simon, & Tanaka, 2022).
 Tipo Ocidental: raízes lisas, uniformes, coloração laranja, vermelha ou amarela,
sabor adocicado; predominante na Europa e América (Simon & Rubatzky, 2020).
Estudos genéticos indicam que o tipo Ocidental surgiu a partir de seleção artificial intensa de
variedades amarelas da Pérsia e Anatólia, sendo posteriormente aprimorado na Holanda e
Bélgica entre os séculos XVII e XVIII (Mou, Simon, & Rubatzky, 2020).

5.2. Melhoramento genético


O melhoramento genético da cenoura objectiva:
 Aumento de produtividade: raízes maiores e uniformes, redução de deformações.
 Resistência a pragas e doenças: seleção de genótipos tolerantes a nematoides, oídio e
alternariose.
 Qualidade nutricional: incremento de β-caroteno, antocianinas e açúcares.
 Adaptabilidade a diferentes climas e solos: tolerância a calor, compactação do solo
e deficiência hídrica (Rubatzky et al., 2022; Mou et al., 2020).

Técnicas empregadas incluem:


 Hibridização: cruzamento controlado entre variedades de diferentes características
(Mou et al., 2020).
 Seleção massal e por pedigree: escolha das melhores plantas com base em
características fenotípicas e genéticas.
 Biotecnologia e marcadores moleculares: identificação de genes associados à
resistência a doenças e alto teor de carotenoides (Silva, Pereira, & Nogueira, 2022).

5.3. Principais resultados do melhoramento


Tabela 3: Resultados do melhoramento genético da cenoura
Objectivo Descrição
Raízes mais longas, uniformes e com menor deformação
Produtividade
(Resende et al., 2018).

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Resistência a
Tolerância a nematoides, oídio e alternariose (Lima et al., 2021)
pragas/doenças
Qualidade nutricional Maior concentração de β-caroteno e açúcares (Silva et al., 2022)
Adaptabilidade Crescimento em diferentes solos e climas (Mou et al., 2020)

5.4. Evoluções visuais das variedades


Tabela 4: Comparação das Raízes
Tipo de Cenoura Forma da Cor Sabor
Raiz
Oriental Irregular Roxa/amarela Forte
Ocidental Lisa, uniforme Laranja/vermelha/amarela Adocicado
Híbrida Moderna Lisa, uniforme Laranja intensa Doce e nutritiva
Fonte: Simon & Rubatzky, 2020; Rubatzky et al., 2022; Mou et al., 2020.

6. Ciclo de produção
O ciclo de produção da cenoura varia conforme a cultivar, as condições climáticas e o maneio
adotado. Em média, o período desde a semeadura até a colheita pode variar entre 80 e 120
dias, dependendo da temperatura, fotoperíodo e disponibilidade hídrica (Oliveira et al., 2019).
O desenvolvimento da cultura passa por estágios distintos, incluindo germinação, crescimento
vegetativo, engrossamento da raiz e maturação (Filgueira, 2013).

Durante a germinação, que ocorre de 7 a 21 dias após a semeadura, a temperatura ideal situa-
se entre 15 °C e 20 °C (Resende et al., 2020). Na fase de crescimento vegetativo, o acúmulo
de folhas é fundamental para a fotossíntese e o crescimento da raiz (Carvalho & Silva, 2018).
Já a fase de engrossamento da raiz é fortemente influenciada pela uniformidade de irrigação e
adubação equilibrada, especialmente em relação ao potássio e fósforo (Lima et al., 2021).

A maturação ocorre quando a raiz atinge o tamanho e coloração característicos da cultivar,


momento em que a colheita deve ser feita para evitar lignificação e perda de qualidade
(Oliveira et al., 2019). Em sistemas irrigados e bem manejados, é possível escalonar a
produção, garantindo colheitas regulares ao longo do ano (Resende et al., 2020).

7. Produtos da industrialização da cenoura


A cenoura (Daucus carota L.) possui alto valor comercial e industrial devido ao seu conteúdo
nutricional, cor atrativa e versatilidade. Seu processamento permite a obtenção de uma ampla

Página | 13
gama de produtos, que vão desde alimentos prontos para consumo até ingredientes para
indústrias cosmética e farmacêutica.

7.1. Produtos alimentícios


A indústria alimentícia é o principal destino da produção industrial de cenouras. Entre os
principais produtos estão:
 Cenoura minimamente processada: lavada, descascada e cortada em formatos
prontos para consumo, visando conveniência (Souza et al., 2020).
 Conservas e picles: prolongam a vida útil e permitem exportação para mercados
distantes (Costa et al., 2018).
 Suco e néctar de cenoura: ricos em beta-caroteno e antioxidantes (Ferreira & Lima,
2019).
 Purê e polpa congelada: utilizados em sopas e alimentos infantis.

7.2. Produtos não alimentícios


Além do uso alimentício, a cenoura fornece matérias-primas para setores não alimentares:
 Pigmentos naturais (beta-caroteno): amplamente utilizados como corantes naturais
em alimentos e cosméticos (Silva et al., 2021).
 Óleo de semente de cenoura: aplicado na indústria cosmética como ingrediente
hidratante e antioxidante.
 Resíduos para ração animal: aproveitamento dos subprodutos do processamento.

7.3. Importância econômica e sustentabilidade


O aproveitamento integral da cenoura e de seus subprodutos reduz perdas pós-colheita e
aumenta a rentabilidade da cadeia produtiva (Oliveira et al., 2020). O setor industrial também
vem investindo em embalagens biodegradáveis e no reaproveitamento de resíduos como
insumo para bioenergia.

Tabela 5: Principais produtos da industrialização da cenoura


Categoria Produto Finalidade Principal
Cenoura minimamente Consumo in natura
Alimentícios processada
Conservas e picles Preservação e exportação
Suco e néctar Bebidas funcionais

Página | 14
Purê e polpa congelada Base para sopas e papinhas
Pigmentos (beta-caroteno) Corantes naturais
Não Alimentícios
Óleo de semente Cosméticos e farmacêuticos
Resíduos de processamento Ração animal e bioenergia
Fonte: Adaptado de Souza et al. (2020); Silva et al. (2021).
8. Principais países produtores
A produção mundial de cenoura (Daucus carota L.) é altamente concentrada em algumas
regiões estratégicas, refletindo fatores como clima, solo, infraestrutura agrícola e políticas de
incentivo à horticultura. De acordo com dados da FAO (2023), a China domina a produção
global, com aproximadamente 21 milhões de toneladas, correspondendo a mais de 50% do
mercado mundial. Esta liderança se deve à combinação de grandes áreas cultivadas, uso
intensivo de irrigação e mecanização, além de variedades adaptadas a diferentes condições
climáticas (FAO, 2023).

Outros países com produção expressiva incluem:


 Rússia: 4,2 milhões de toneladas, destacando-se por sistemas agrícolas mecanizados e
tecnologias de estufa;
 Estados Unidos: 2,8 milhões de toneladas, com forte integração de mercado,
produção para consumo fresco e indústria de processamento;
 Ucrânia e Polônia: com produção anual de 1,9 e 1,7 milhões de toneladas,
respectivamente, apresentam práticas tradicionais e recentes avanços em variedades
adaptadas ao frio e ao solo pesado;
 Irã, Egito, França, Alemanha e Coreia do Sul: produções entre 0,8 e 1,5 milhões de
toneladas, com destaque para exportação e consumo interno (FAO, 2023; Jones &
Clark, 2022).

A concentração da produção em países específicos tem implicações econômicas e


ambientais. Por exemplo, a China não apenas abastece seu mercado interno, mas também
exporta cenouras frescas e processadas, influenciando preços globais. Países menores
podem ter produção limitada pelo clima, disponibilidade de sementes certificadas e
infraestrutura logística (Smith et al., 2021).

8.1. Análise comparativa


 Ásia concentra mais de 55% da produção mundial;

Página | 15
 Europa responde por aproximadamente 20%, sendo um mercado estratégico para
exportações;
 América do Norte, América do Sul e África têm participação menor, porém crescente,
em função da modernização agrícola (FAO, 2023)

9. Maiores produtores mundiais (produção por continente)


A distribuição da produção de cenoura por continente evidencia diferenças climáticas,
tecnológicas e econômicas:

Tabela 6: Distribuição da produção mundial de cenoura por continente


Produção Participação
Continente Observações
(ton) (%)
Liderada pela China; grandes áreas irrigadas
Ásia 23.500.000 58 e uso de variedades híbridas; forte mercado
interno.
Produção concentrada em Rússia, Polônia,
Europa 8.000.000 20 França; alta mecanização e exportação para
países vizinhos.
América do EUA: produção industrial e fresca; Canadá:
3.000.000 7
Norte pequena produção, foco local.
Egito principal produtor; produção sazonal,
África 1.800.000 5
irrigada e parcialmente mecanizada.
América do Brasil e Argentina destacam-se; desafios:
1.500.000 4
Sul clima tropical, pestes e baixa mecanização.
Austrália produz para mercado interno;
Oceania 500.000 1
pequenas áreas comerciais.

9.1. Participação percentual no mercado global


A participação relativa de cada continente mostra a concentração da produção mundial e seu
impacto nos fluxos comerciais:
 Ásia: domínio absoluto, exportando principalmente para Europa e Oriente Médio;
 Europa: produção balanceada entre consumo interno e exportação;

Página | 16
 América do Norte: foco em processamento industrial, produtos congelados e pré-
lavados;
 África e América do Sul: crescimento potencial, com limitações de irrigação e
sementes de qualidade (FAO, 2023; Jones & Clark, 2022).

9.2. Observações estratégicas


1. Tecnologia e mecanização: países com maior produtividade investem em híbridos,
estufas e sistemas de irrigação controlada.
2. Mercado de exportação: a Europa é líder em importação e exportação de cenoura
processada.
3. Sazonalidade e fotoperíodo: a adaptação ao ciclo de luz influencia produtividade e
qualidade da raiz (Smith et al., 2021).

10. Principais países exportadores


A exportação de cenoura reflete tanto a produção quanto a infraestrutura logística e a
demanda internacional por produtos frescos e processados. Os principais exportadores globais
incluem Países Baixos, Bélgica, França, Espanha, Canadá e Estados Unidos (FAO, 2023;
USDA, 2022).

Tabela 7: Volume e valor exportado

Volume
Valor (USD
País exportado Observações
milhões)
(ton)
Países Exportações de cenoura fresca e pré-
400.000 200
Baixos processada; acesso facilitado à UE.
Exportações principalmente para países
Bélgica 250.000 120 vizinhos; foco em cenouras lavadas e
embaladas.
Produção interna excedente direcionada à
França 200.000 110 exportação; alta qualidade para mercados
premium.
Sazonalidade e diversificação com produtos
Espanha 180.000 90
processados.
Exportação para EUA; produção voltada para
Canadá 150.000 75
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processamento industrial.

Estados Exportação para América Latina; foco em


120.000 60
Unidos cenoura congelada e baby-carrot.

10.1. Tendências de mercado


 Aumento da demanda por cenouras processadas, como pré-lavadas, baby-carrots e
congeladas, principalmente na Europa e EUA (Smith et al., 2021).
 Crescente interesse em exportações de países em desenvolvimento, como Egito e
Marrocos, voltadas para a UE (FAO, 2023).
 Valorização de produtos orgânicos e certificados, refletindo novas exigências de
consumidores conscientes (Kumar et al., 2020).

11. Consumo mundial


O consumo mundial de cenoura é influenciado por hábitos culturais, disponibilidade de
produtos processados e políticas de saúde pública. O consumo per capita varia
significativamente entre regiões:

Tabela 8: Comparativo do consumo de cenoura por região


Consumo per capita
Região Observações
(kg/hab/ano)
Maior consumo de cenoura fresca e baby-carrot;
Europa 5–7
valorização do consumo em saladas e snacks.
América do Predomínio de cenouras processadas e congeladas;
4–6
Norte forte mercado industrial.
Consumo crescente em mercados urbanos; uso
Ásia 2–3
culinário diversificado.
Consumo limitado por produção e renda; crescente
África 1–2
em mercados urbanos.
América do Uso culinário tradicional; aumento do consumo
2–4
Sul industrial em grandes cidades.

11.1. Diferenças regionais e culturais


 Na Europa, a cenoura é amplamente consumida crua e em preparações saudáveis; o
mercado de baby-carrot e pré-lavadas é forte (Smith et al., 2021).

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 Nos Estados Unidos e Canadá, produtos industrializados dominam; o consumo é
orientado por conveniência e indústria de alimentos processados.
 Na Ásia, o consumo de cenoura é menor, mas cresce em mercados urbanos e
hotéis/restaurantes (Jones & Clark, 2022).
 Em África, limitações logísticas e produção sazonal restringem o consumo, embora
haja potencial de expansão com políticas de incentivo e irrigação.

11.2. Observações estratégicas


1. Urbanização e renda per capita são determinantes para aumento do consumo;
regiões com maior densidade urbana e poder aquisitivo apresentam maior demanda.
2. Educação nutricional e campanhas de saúde impulsionam o consumo de cenoura
como alimento funcional, rico em carotenoides e vitaminas (Kumar et al., 2020).
3. Produtos processados são uma tendência global, exigindo investimentos em
infraestrutura de processamento e embalagem.

12. Rendimento médio em outros países


O rendimento médio de cenoura (Daucus carota L.) apresenta grande variabilidade entre
países, dependendo de fatores como clima, solo, manejo agrícola, variedades utilizadas e
tecnologias disponíveis. Em escala global, o rendimento médio situa-se entre 20 e 35
toneladas por hectare, podendo atingir até 50 t/ha em condições ideais de cultivo, com
irrigação eficiente, fertilização equilibrada e uso de sementes híbridas de alto desempenho
(FAO, 2023; Jones & Clark, 2022).

Países como a China e os Estados Unidos apresentam altos rendimentos devido à adoção de
práticas agrícolas avançadas, incluindo estufas, fertirrigação e manejo intensivo de pragas e
doenças. Já na Europa, países como Polônia e França combinam condições climáticas
favoráveis com técnicas de manejo eficientes, resultando em produtividade média consistente.
Em contrapartida, países em desenvolvimento, como Brasil e Egito, frequentemente
apresentam rendimentos mais baixos, entre 15 e 25 t/ha, devido a limitações de irrigação,
sementes certificadas, controle de pragas e falta de mecanização (Smith et al., 2021).

A produtividade da cenoura depende, portanto, da integração entre manejo adequado do solo,


uso de variedades adaptadas, irrigação controlada, práticas de controle de pragas e doenças e
técnicas modernas de cultivo. Investimentos em pesquisa e tecnologia agrícola são essenciais
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para aumentar o rendimento médio e permitir que países em desenvolvimento alcancem
padrões de produção comparáveis aos de líderes globais (Kumar et al., 2020).

13. Produção de cenoura em moçambique


A produção de cenoura em Moçambique, embora ainda considerada de pequena escala no
panorama agrícola nacional, tem vindo a ganhar relevância como uma hortícola estratégica
tanto para a segurança alimentar quanto para o abastecimento dos mercados urbanos. O país
apresenta condições agroecológicas favoráveis, com solos férteis em regiões de planícies
aluviais, disponibilidade de áreas irrigáveis e um clima tropical que, aliado às técnicas de
manejo adequadas, permite colheitas escalonadas ao longo do ano.

As províncias de Maputo, Gaza e Sofala destacam-se como principais polos de cultivo,


devido à proximidade com centros consumidores e maior infraestrutura de transporte e
comercialização. Nestas regiões, predominam pequenas e médias propriedades agrícolas,
geralmente familiares, que utilizam práticas tradicionais de cultivo, mas que começam a
adotar gradualmente sistemas de irrigação, sementes melhoradas e insumos modernos para
aumentar a produtividade.

Em Maputo, a produção é intensiva e orientada para o abastecimento dos mercados urbanos,


sobretudo da capital, onde a procura por hortícolas frescas é crescente. Na província de
Gaza, a cultura integra-se em sistemas diversificados, associando-se a outras hortícolas como
tomate, couve e alface, sendo também importante na renda familiar. Já em Sofala, a produção
de cenoura tem relevância para o abastecimento de cidades como Beira, contando com zonas
irrigadas que permitem o cultivo mesmo durante a estação seca.

Apesar do potencial, a produção enfrenta diversos desafios, tais como:


 Baixa mecanização e uso reduzido de tecnologias modernas;
 Dependência da irrigação manual ou rudimentar, o que limita áreas maiores de
cultivo;
 Dificuldades no acesso a sementes de qualidade e insumos agrícolas;
 Problemas fitossanitários, incluindo pragas e doenças, que reduzem o rendimento;
 Fragilidade na cadeia de comercialização, com forte oscilação de preços entre
épocas de abundância e escassez.

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Em termos de potencial de expansão, estudos apontam que a cenoura pode ser melhor
aproveitada em áreas irrigadas do sul (Chókwè, Boane, Namaacha) e do centro do país
(Dondo, Nhamatanda), bem como em zonas do norte, ainda pouco exploradas, mas com
condições favoráveis para a horticultura. A demanda interna crescente, motivada pela
urbanização, mudanças alimentares e valorização de dietas saudáveis, constitui um incentivo
para que produtores invistam mais na cultura.

De acordo com dados recentes, a produção nacional de cenoura ainda não cobre plenamente
a procura dos grandes centros urbanos, o que abre espaço para expansão da área cultivada
e para políticas públicas que apoiem agricultores familiares na adoção de boas práticas
agrícolas, irrigação eficiente, assistência técnica e acesso a mercados organizados (INE,
2022; FAO, 2023).

13.1. Técnicas de cultivo


A maioria dos produtores utiliza práticas tradicionais de cultivo, como plantio direto em solo
arado manualmente e irrigação por aspersão ou sulcos, principalmente na época seca. O uso
de sementes certificadas ainda é limitado, e a fertilização muitas vezes se baseia em adubos
orgânicos ou em fertilizantes químicos de forma irregular. Além disso, a mecanização é pouco
utilizada, tornando a colheita e o transporte dependentes de trabalho manual, o que limita a
escala e a eficiência produtiva (Jones & Clark, 2022).

13.2. Potencial de expansão


Moçambique apresenta condições promissoras para ampliar a produção de cenoura:
 Variedades adaptadas ao clima tropical: O desenvolvimento e a introdução de
variedades tolerantes a altas temperaturas e pragas locais podem aumentar
significativamente a produtividade.
 Irrigação eficiente: Sistemas de irrigação modernos, como gotejamento e
microaspersão, podem reduzir perdas por estresse hídrico e aumentar o rendimento.
 Capacitação técnica: Treinamento de agricultores em práticas de manejo integrado
de pragas e doenças, fertilização balanceada e espaçamento adequado contribui para
raízes mais uniformes e de maior qualidade.
 Integração com mercados locais e regionais: O aumento da produção pode atender à
demanda urbana crescente e possibilitar exportações para países vizinhos, fortalecendo
a economia agrícola (FAO, 2023; Kumar et al., 2020).

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13.3. Desafios
Apesar do grande potencial para a produção de cenoura em Moçambique, diversos desafios
limitam o crescimento sustentável e competitivo desta cultura. Um dos principais entraves
está relacionado à disponibilidade de sementes de alta qualidade, uma vez que a maior
parte do material genético utilizado é importado e nem sempre adaptado às condições
edafoclimáticas locais. A ausência de programas nacionais de melhoramento genético para
hortícolas faz com que os agricultores dependam de variedades introduzidas, o que resulta em
problemas de rendimento, uniformidade da raiz e resistência a pragas e doenças (FAO, 2023;
Ribeiro et al., 2021).

Outro fator limitante é a baixa mecanização agrícola, somada à infraestrutura precária de


transporte e armazenamento, especialmente em zonas rurais. Essas fragilidades aumentam
as perdas na colheita e dificultam o escoamento da produção para os grandes centros
consumidores, como Maputo, Beira e Nampula. De acordo com o Instituto Nacional de
Estatística (INE, 2022), grande parte da comercialização é feita em mercados informais, sem
cadeias de frio ou logística adequada, comprometendo a qualidade e a competitividade do
produto (INE, 2022; Chichava & Duran, 2020).

O controle de pragas e doenças também constitui um desafio importante. Agricultores de


pequena escala, que representam a maioria dos produtores, ainda recorrem a práticas
empíricas, com pouco uso de técnicas integradas de manejo. Isso contribui para perdas
significativas tanto em campo quanto no pós-colheita, além de riscos de contaminação por uso
inadequado de pesticidas (Nhantumbo et al., 2021; FAO, 2023).

Por fim, destaca-se a limitação no acesso ao crédito agrícola e ao financiamento, o que


impede a adoção de tecnologias modernas, como sistemas de irrigação eficientes, estufas ou
estufins e insumos de maior qualidade. Essa barreira financeira agrava a dependência de
práticas tradicionais de cultivo, restringindo a competitividade frente a outros países
produtores da região da África Austral, como África do Sul e Zimbábue, que possuem setores
hortícolas mais estruturados (Banco Mundial, 2022; MINAG, 2021).

Esses desafios indicam que, para fortalecer a cadeia de produção da cenoura em Moçambique,
é necessário um esforço conjunto entre o Estado, setor privado e instituições de pesquisa,
de forma a promover políticas públicas que incentivem a inovação tecnológica, melhorem o

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acesso a crédito e fomentem a capacitação técnica dos produtores (FAO, 2023; MINAG,
2021).

13.4. Oportunidades
A crescente conscientização sobre alimentação saudável e o aumento do consumo urbano de
vegetais frescos favorecem o investimento na produção de cenoura, sobretudo em centros
urbanos como Maputo e Beira, onde a demanda por hortícolas tem crescido de forma
consistente (FAO, 2023; WHO, 2021).

Políticas públicas de incentivo à horticultura, como programas de fomento à irrigação e


subsídios para aquisição de sementes certificadas, podem apoiar a expansão da produção de
cenoura e contribuir para maior produtividade e qualidade do produto final (MINAG, 2022;
INE, 2022).

Além disso, a diversificação agrícola com cenoura representa uma oportunidade estratégica
para reduzir a dependência de culturas tradicionais, como milho e mandioca, e ao mesmo
tempo aumentar a renda dos pequenos agricultores, fortalecendo a segurança alimentar e o
desenvolvimento rural sustentável (World Bank, 2020; IFAD, 2021).

14. Principais pragas


A cenoura é suscetível a diversas pragas que afetam folhas e raízes, podendo comprometer
tanto a produtividade quanto a qualidade do produto. O conhecimento das espécies presentes
e dos ciclos biológicos é essencial para o maneio integrado (Kumar, Singh, & Sharma, 2020).

14.1. Mosca-da-cenoura (Psila rosae)


A mosca-da-cenoura é considerada uma das pragas mais danosas. Suas larvas perfuram a raiz,
formando galerias que reduzem a qualidade comercial e aumentam a vulnerabilidade a
doenças secundárias. O ciclo curto e a alta fecundidade tornam seu controle desafiador.
Estratégias de manejo incluem armadilhas cromáticas, rotação de culturas, uso de variedades
resistentes e controle biológico com parasitoides (Kumar et al., 2020; FAO, 2023).

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Figura 3. Mosca-da-cenoura (Psila rosae).
Fonte: Agrobase Portugal. (s.d.). https://www.agrobaseapp.com/portugal/doencas/mosca-da-cenoura

14.2. Pulgões
Os pulgões alimentam-se da seiva das folhas, causando deformações e podendo transmitir
vírus que reduzem significativamente a produtividade. O controle envolve introdução de
inimigos naturais, aplicação de inseticidas seletivos e monitoramento contínuo das plantações
(Smith, Brown, & Green, 2021).

Figura 4. Pulgões-da-cenoura (Cavariella aegopodii) infestando a parte aérea e a base da raiz de cenoura
(Daucus carota), podendo transmitir vírus e comprometer o desenvolvimento da planta.
Fonte: https://gardenex.decorexpro.com/wp-content/uploads/2019/07/tlya_na_morkovi2.PnEHn_-
e1563373265245.jpg.

14.3. Nematóides
Nematóides atacam o sistema radicular, provocando galhas, deformações e comprometendo a
absorção de água e nutrientes. O maneio eficaz inclui rotação de culturas, solarização do solo
e uso de variedades tolerantes (Jones & Clark, 2022).

Página | 24
Figura 5. Dano em raiz de cenoura causado por nematoides do gênero Meloidogyne spp.
Fonte: https://www.researchgate.net/profile/Carlos-Lopes

15. Principais doenças


A cenoura é suscetível a doenças fúngicas e bacterianas que afetam folhas, raízes e sementes,
impactando produtividade e vida útil pós-colheita (Singh, Patel, & Mehta, 2021).

15.1. Alternariose (Alternaria dauci)


Causa manchas foliares marrom-escuras e necrose, prejudicando a fotossíntese e o
desenvolvimento da raiz. O manejo envolve fungicidas específicos, espaçamento adequado e
rotação de culturas (Singh et al., 2021; FAO, 2023).

Figura 6. Mancha de alternaria (Alternaria dauci).


Fonte: https://www.agrolink.com.br/upload/problemas/Alternaria_dauci7.jpg

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15.2. Oídio (Erysiphe heraclei)
Caracteriza-se por uma camada branca pulverulenta sobre as folhas, diminuindo a fotossíntese
e comprometendo o vigor da planta. O controle inclui fungicidas, monitoramento e práticas de
ventilação no canteiro (Smith et al., 2021).

Figura 7. Oídio da cenoura (Erysiphe heraclei de Candolle).


Fonte: https://bugwoodcloud.org/images/1536x1024/5605126.jpg

15.3. Podridões bacterianas


Afetam principalmente a raiz durante o armazenamento, reduzindo a qualidade comercial.
Estratégias preventivas envolvem higiene na colheita, maneio adequado pós-colheita e
armazenamento em condições ideais de temperatura e umidade (Kumar et al., 2020).

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III. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A cenoura (Daucus carota L.), da família Apiaceae, destaca-se pelo seu valor nutricional,
adaptabilidade e importância econômica. O conhecimento de suas características botânicas e
fisiológicas, como o ciclo de desenvolvimento e a resistência a pragas e doenças, é
fundamental para garantir produtividade e qualidade comercial.

A seleção de cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas locais, considerando a


evolução e diversificação das variedades, é determinante para o sucesso da produção.
Cultivares bem escolhidas influenciam o formato, coloração e uniformidade das raízes,
refletindo a importância do melhoramento genético e da história da cultura.

Práticas agronômicas adequadas, incluindo preparo do solo, adubação equilibrada e irrigação


eficiente, promovem crescimento uniforme e otimizam recursos. Aliadas ao manejo integrado
de pragas e doenças, essas técnicas minimizam perdas, reduzem impactos ambientais e
garantem produtos seguros e de qualidade.

O ciclo de produção, aliado a práticas pós-colheita corretas e à industrialização em sucos,


purês, farinhas ou produtos desidratados, agrega valor ao produto e diversifica a renda do

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agricultor. Essa abordagem atende aos objetivos de apresentar os processos produtivos e a
relevância econômica da cenoura.

Em Moçambique, o cultivo em sistemas diversificados, consorciado ou em rotação, aliado a


tecnologias como sementes híbridas e agricultura de precisão, amplia a sustentabilidade, a
competitividade e o potencial de expansão da cultura, refletindo as oportunidades do mercado
local e global.

Conclui-se que a produção de cenoura deve integrar ciência, tecnologia e gestão agrícola,
buscando eficiência produtiva, sustentabilidade e atendimento às exigências do consumidor,
cumprindo integralmente os objetivos propostos neste trabalho.

IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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