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Dor Pélvica Crônica

A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição prevalente, afetando até 26,6% das mulheres em idade reprodutiva, com uma taxa de recorrência de 33%. A DPC é multifatorial, podendo ser causada por diversas condições, incluindo endometriose, e impacta negativamente a qualidade de vida das pacientes. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo fisioterapia, educação em dor e, em alguns casos, intervenções farmacológicas ou cirúrgicas.
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Dor Pélvica Crônica

A dor pélvica crônica (DPC) é uma condição prevalente, afetando até 26,6% das mulheres em idade reprodutiva, com uma taxa de recorrência de 33%. A DPC é multifatorial, podendo ser causada por diversas condições, incluindo endometriose, e impacta negativamente a qualidade de vida das pacientes. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo fisioterapia, educação em dor e, em alguns casos, intervenções farmacológicas ou cirúrgicas.
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DOR PÉLVICA CRÔNICA

DEFINIÇÃO DE DOR
EPIDEMIOLOGIA:

SEGUNDO A DEFINIÇÃO DA INTERNACIONAL ASSOCIATION - A DPC é afecção de alta prevalência em todo o mundo, atingindo até
FOR THE STUDY OF PAIN (IASP): 26,6% das mulheres em idade reprodutiva e sua taxa de recorrência
ao longo da vida pode chegar a 33%.
“Uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a, ou
semelhante àquela associada a, dano tecidual real ou potencial”. - Há uma predominância do sexo feminino de cerca de 10:1, mas
possivelmente não existe diferença na raça ou etnia.
- A definição é complementada por 6 notas explicativas:
- A queixa de DPC responde por 10% a 20% das consultas
ginecológicas.
2. Dor e nocicepção são
1. A dor é sempre uma
fenômenos diferentes. A dor
experiência pessoal que é - BRASIL= prevalência em mulheres varia de 11,5 a 19%.
não pode ser determinada
influenciada,variáveis, por
exclusivamente pela
fatores biológicos, - A alta prevalência da DPC nessa população resulta em altos
atividade dos neurônios
psicológicos e sociais. gastos para o setor saúde→ Acomete uma parcela significa das
sensitivos.
mulheres e tem um impacto negativo no curso de vida delas, estando
associada a reduzida qualidade de vida, sintomas depressivos,
ansiedade, diminuição da produtividade no trabalho e reduzida
3. Através das suas satisfação sexual.
experiências de vida, 4. O relato de uma pessoa sobre
as pessoas uma experiência de dor deve ser OBSERVAÇÃO!!!
aprendem o conceito respeitado.
de dor.
Além disso, está associada a um significativo impacto
econômico na vida das mulheres e da comunidade como um
todo.

5. Embora a dor 6. A descrição verbal é apenas


geralmente cumpra um um dos vários comportamentos ETIOLOGIA DA DPC
papel adaptativo, ela para expressar a dor; a
pode ter efeitos incapacidade de comunicação
adversos na função e no não invalida a possibilidade de
bem-estar social e um ser humano ou um animal - A DPC tem natureza MULTIFATORIAL e, em decorrência da
psicológico. sentir dor. complexa inervação da pelve, o acometimento de diferentes órgãos e
sistemas pode levar a uma mesma manifestação clínica.

CLASSIFICAÇÃO:
DOR PÉLVICA CRÔNICA
Classificação da EAU
Subdividida em (EUROPEAN
CID-11
condições ASSOCIATION OF
UROLOGY)

Com patologia clássica Dor Pélvica


Dor pélvica associada a
bem definida (como Secundária
doença específica
infecção ou câncer): Crônica

Sem patologia óbvia, Dor Pélvica


Síndrome de dor pélvica
mas ainda incluindo Primária
crônica
mecanismos biológicos: Crônica

INTRODUÇÃO:
PRINCIPAIS CAUSAS:
- A dor pélvica crônica é a dor crônica ou persistente, contínua ou
recorrente durante pelo menos 6 meses, percebida em órgãos e / ou
estruturas relacionadas com a pelve de homens ou mulheres,
suficientemente intensa para interferir em atividades habituais e que
necessita de tratamento clínico ou cirúrgico.

- A dor pélvica crônica (DPC) se apresenta como uma das principais


causas de encaminhamento de mulheres aos serviços de saúde.

- Não se trata de uma doença especificamente, mas de um sintoma que


pode ser deflagrado ou estar associado a diferentes afecções ou
mesmo a outras queixas clínicas, como disfunção sexual, transtornos
do humor, sangramento anormal, queixas urinárias e intestinais
diversas etc.
OBSERVAÇÃO!!!

Deve-se ter em mente, no entanto, que pode não haver doença orgânica justificando o quadro de algia crônica e que em até um terço
das pacientes nenhuma causa é identificada.

Classificação da EAU (EUROPEAN ASSOCIATION OF UROLOGY):

FISIOPATOLOGIA ▪ Já as dores de origem neurológica se originam por


comprometimento da fibra neuronal em si, e não nos
nociceptores periféricos. Estão associadas a mecanismos
- Por se tratar de uma condição que pode ter inúmeras causas primárias desregulados de excitabilidade neuronal e são deflagradas por
e estar associada a outras tantas, a fisiopatologia da dor pélvica crônica um processo inflamatório ou compressivo aplicado
complexa, para não dizer incerta. diretamente sobre a fibra neuronal→ Como essas fibras
neuronais estão agrupadas e carreiam estímulos diversos além do
- No entanto, alguns pontos são importantes e serão ressaltados. nociceptivo, comum a presença de outros sintomas, como
hipoestesia, disestesia, parestesia ou mesmo anestesia no
dermátomo correspondente
I. DORES DE ORIGEM VISCERAL=
ENDOMETRIOSE E SUA RELAÇÃO COM A DPC
▪ São percebidas em decorrência de estímulos aferentes que
caminham de terminações neurais periféricas (nociceptores)
localizadas nas paredes das vísceras e atingem a medula espinhal
através de fibras aferentes, predominantemente do tipo C, o que lhes
confere a característica de terem localização “imprecisa”.

▪ Na maioria das vezes, são deflagradas por um processo de distensão


ou inflamação, ou mesmo contratilidade aumentada da estrutura.

II. DORES NEUROMUSCULARES=

▪ Podem ter duas origens distintas.

o Aquelas oriundas de fáscias, músculos, tendões e outras


estruturas somáticas que não as especificamente nervosas - Endometriose é uma modificação no funcionamento normal do
também se originam de terminações nervosas periféricas, organismo em que as células do tecido que reveste o útero
similares aos nociceptores viscerais, mas cuja aferência se dá, (endométrio), em vez de serem expulsas durante a menstruação, se
predominantemente, por fibras do tipo A delta, o que lhes movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade
confere a característica de serem “mais precisas”, “mais bem abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.
localizadas”→ Normalmente, têm os mesmos desencadeantes da
dor de origem visceral, sendo os traumas diretos e os processos - O principal diagnóstico orgânico encontrado nessas mulheres,
inflamatórios crônicos os mais comuns. comprovadamente relacionado à DPC durante as laparoscopias é a
endometriose, em cerca de 1/3 delas.
OBSERVAÇÃO!!! - O diagnóstico da DPC é de difícil conclusão em razão da etiologia
multifatorial da doença, e já está claro na literatura ser impossível
Embora a laparoscopia tenha como alvo as lesões endometriais, abordar e tratar a mulher com DPC somente com base em um
ela não aborda diretamente a dor devido à sensibilização central diagnóstico fechado.
do sistema nervoso e à disfunção miofascial, que pode continuar
a gerar dor a partir de pontos-gatilho miofasciais, mesmo após a - A abordagem multidisciplinar da DPC tem sido de fundamental
otimização dos tratamentos tradicionais. importância para o alívio dos sintomas→ emprega modalidades
fisiológicas, físicas, emocionais, cognitivas e sociais para se chegar
- Ela pode se manifestar como pequenos focos na cavidade ao alívio da dor.
peritoneal, ovários, órgãos abdominais ou bexiga. Os focos também
podem crescer na parede muscular do útero (adenomiose).
Avaliação da dor pélvica crônica (DPC)
- O tecido endometrial ectópico e o sangramento causado por ele
podem causar irritação nos tecidos próximos→ Assim, pode haver
a formação de tecidos cicatriciais, às vezes na forma de faixas de
tecido fibroso (adesões) entre as estruturas abdominais. O tecido
endometrial ectópico e as adesões podem interferir no funcionamento
dos órgãos.

SINTOMAS:

• Dor em forma de cólica durante o período menstrual (independente


da fase) que pode incapacitar as mulheres de exercerem suas
atividades habituais;

• Dor durante as relações sexuais;

• Dor e sangramento ao urinar e evacuar, especialmente durante a


menstruação;

• Fadiga;

• Diarreia;

• Dificuldade de engravidar= A infertilidade está presente em cerca


de 40% das mulheres com endometriose.

DIAGNÓSTICO DA DPC

Algoritmo fenotípico e abordagem para a DPC

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA DPC

1. DOR DE ORIGEM MUSCULOESQUELÉTICA

▪ Início em um trauma, não necessariamente recente (em geral,


queda);

▪ Piora aos esforços físicos;

▪ Melhora com o repouso;


FISIOTERAPIA:
▪ Pode estar associada à dispareunia, conforme a posição adotada
durante a relação sexual; • A fisioterapia tem se mostrado especialmente útil no alívio dos
sintomas dolorosos de mulheres com DPC, independentemente da
▪ Localização difusa; origem do problema.

▪ Pode ter irradiação para membros inferiores; • A base da fisioterapia no manejo da dor pélvica está em produzir
mudanças físicas na musculatura lisa/estriada, nas vísceras
▪ História de posicionamento prolongado na mesma postura; pélvicas e no SNC, alterando o mecanismo da dor por meio de
reeducação motora e sensorial.
▪ Pode estar associada às diferenças no comprimento de membros
inferiores. • Mulheres com DPC geralmente apresentam desequilíbrio e falta de
coordenação do assoalho pélvico, características importantes nas
OBSERVAÇÃO!!! dores pélvicas e perineais.

Alterações posturais típicas nas mulheres com dor pélvica - O tratamento pode ser facilitado quando se há a confiança da
crônica: paciente→ oferecer acolhimento, escuta, validar a queixa, oferecer
explicações.
o Anteriorização pélvica;
o Aumento da nutação sacral; TIPOS DE TRATAMENTO:
o Aumento da lordose lombar;
o Rotação interna dos quadris; - Tratamento Conservador:
o Hiperextensão dos joelhos;
o Encurtamento dos músculos psoas; o Educação em dor;
o Hipertonia de piriforme e obturador; o Fisioterapia;
o Diferenças de comprimento em MMII; o Acupuntura;
o Fraqueza abdominal; o Psicoterapia;
o Diminuição de ADM de quadril. o Alimentação;
o Estilo de vida;

2. DOR DE ORIGEM REUMÁTICA - Tratamento Farmacológico;

A) Fibromialgia: - Tratamento Cirúrgico.

o Doença reumática, não articular, caracterizada por dores e tensões FISIOTERAPIA MULTIMODAL:
musculoesqueléticas disseminadas;
- Abordagens abrangentes dentro do escopo da fisioterapia,
o Mais frequente em mulheres de pele branca, entre 40 e 50 anos de envolvendo várias modalidades diferentes=
idade;
o Exercícios de MAP;
o Pontos dolorosos múltiplos: lombar, pescoço, ombros, mãos, braços, o Estimulação de campo magnético;
joelhos etc; o Estimulação transcraniana por corrente contínua;
o Terapia a laser de baixa intensidade;
o Fadiga crônica associada; o Massagem, alongamento manual e técnicas miofasciais;
o Biofeedback;
o Sono insuficiente; o Educação sobre modificações de estilo de vida.

o Outros sintomas associados= cefaleia, dismenorreia, constipação - Cinesioterapia é composta de exercícios e alongamentos das
intestinal e diarreia. fáscias toracolombar, dos músculos piriforme, iliopsoas,
abdominais e assoalho pélvico→ Esses exercícios objetivam
prevenir a incontinência urinária e conscientizar sobre os MAP, parte
B) Síndrome miofascial: integrante da estabilização do tronco, em associação com os
multifídios, transverso e diafragma.
o Caracterizada por dor localizada, acompanhada de ponto de gatilho e
sensação de edema local. - Os exercícios que visam à harmonização da cintura pélvica e
escapular, ao alongamento de cadeias (posterior e anterior) e ao
o É mais comum em mulheres por volta dos 40 anos. fortalecimento abdominal devem ser realizados para prevenir,
amenizar ou reverter as alterações posturais adotadas pelas
pacientes com DPC.
3. DOR DE ORIGEM PSICOLÓGICA
- Pode-se utilizar um programa de trabalho aeróbico leve e
▪ Mal definida; moderado recomendado para o condicionamento geral, redução
▪ Não irradia; do estresse físico diário e prevenção de dores miofasciais
▪ De difícil localização; recorrentes, o que pode diminuir a depressão e aliviar a dor pela
▪ Sintomas desconexos; liberação de endorfinas.
▪ Relacionada com eventos emocionais;
▪ História de dificuldades pessoais e sociais.

TRATAMENTOS

- A discrepância entre sintomas e achados no exame físico é


frequente nas síndromes dolorosas→ Em decorrência da
neuroplasticidade e mecanismos de amplificação da sensibilidade à
dor, em algumas ocasiões a queixa parece desproporcional aos
achados limitados do exame físico e exames de imagem, e nenhuma
das alterações encontradas parece explicar, por si só, o quadro de dor.

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