Leonildo Oliveira
Professor de
Filosofia
O que é
Filosofia?
• Razão e crítica
• A filosofia é um (se constituiu
como) pensamento racional e
sistemático, no qual o
homem, estabelece um
caminho seguro para sua
existência.
Como os gregos definiam Filosofia?
•Uma forma de conhecimento capaz
de explicar as diversas mudanças que
ocorriam na natureza, era a apreensão
do mundo e das coisas através do
olhar
Φιλοςοφία
Philos
▼
Amor de Amigo
+
Sophia
▼
Sabedoria
Filosofia
Sistematização do mundo, a
partir do olhar sobre a
realidade
A Filosofia, desde sua definição
originária, se faz compreender
como um saber sobre o homem,
sobre o mundo, sobre a própria
realidade.
“A filosofia grega
parece começar com
uma ideia absurda, • Tales de Mileto
com a proposição: a é considerado
água é a origem e a por
matiz de todas as historiadores
coisas. da filosofia
como o
primeiro
filósofo
Tem início entre
os Séculos VII e
VI aC.
Períodos da Filosofia antiga
Período Pré-Socrático
Filosofia Antiga Período Clássico
Período Pós-Socrático
Sócrates (469-399 a.C.) é tradicionalmente considerado um
marco divisório da história da filosofia grega.
Para que serve a
Filosofia?
A Filosofia se apresenta como exercício
que possibilita ao Sujeito desenvolver
estilo próprio de pensamento. O ensino
de Filosofia é um espaço para análise e
criação de conceitos, que une a Filosofia
ao filosofar como atividades
indissociáveis que dão sentido a
existência.
Conhecimento como
instrumento para a Aconhecimento
Filosofia é um tipo de
•
que se justifica
realização de coisas por si!
materiais.
•
Salvador
Dalí
A Filosofia caracteriza-se pela capacidade de
indagação e crítica; qualidades de
sistematização, de fundamentação; combate
a qualquer forma de dogmatismo e
autoritarismo; disposição para levantar novas
questões, além da defesa radical da
emancipação humana do pensamento e da
ação livres de qualquer forma de dominação.
Qual o sentido da
Filosofia?
• Capacidade de
Problematizar!
• Promover a
Desbanalização!
• Forma de encarar o mundo,
uma busca, um
questionamento
permanente!
A verdadeira
filosofia é
reaprender
a ver o
Mundo!
(Merleau Ponty - 1908 – 1961)
De onde surge a
Filosofia?
No Século VII a.C., a atual Grécia estava constituída por
diferentes polis
Mileto, Esparta, Atenas
A ORIGEM DA FILOSOFIA
Deve-se a diversos fatores
Comérci Liberdade
o religiosa
O contato com Por não haver monopólio
outras culturas permitiu religioso, existia “tolerância” e
o intercâmbio de ideias. respeito a opiniões
A divisão da sociedade e questionamentos.
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A
1. Curiosidade
2. Admiração
2. Admiração
3. Angústia
Características da
Filosofia
1. Criar Conceitos:
Abstrações, modelos
abstratos que podem ser
usados sempre que
tentamos identificar ou
entender os diversos
aspectos da realidade ou
de nós mesmos.
2. Baseado na
Reflexão:
Pensamento que tem a
capacidade de voltar-se
contra si mesmo,
questionando o que já
foi pensado.
3. Reflexão Filosófica é
Critica:
Examinar minuciosamente,
e sobretudo com critério e
rigor, sem extremismos e
considerando a diversidade
de opiniões.
Como nasceu a Filosofia?
➢A filosofia possui um conteúdo ao nascer: é uma
cosmologia (cosmos = mundo ordenado e
organizado; logia = pensamento racional, discurso
racional, conhecimento). Assim, a filosofia nasce
como conhecimento racional da ordem do mundo ou
da natureza
O pensamento filosófico, em sua origem, tinha
como traços principais:
➢ tendência à racionalidade, isto é, à razão
e somente a razão, com seus princípios e
regras; é o critério da explicação de alguma
coisa;
➢tendência a oferecer respostas conclusivas
para os problemas, isto é, diante de um
problema, sua solução é submetida à analise, à
crítica, à discussão e à demonstração; nunca é
aceito como verdade algo, se não for provado
racionalmente que é verdadeiro;
➢ Exigência de que o pensamento apresente suas
regras de funcionamento, isto é, o filósofo é aquele
que justifica suas ideias provando que segue regras
universais do pensamento. Para os gregos, é uma lei
universal do pensamento que a contradição indica
erro ou falsidade. Uma contradição acontece quando
afirmo e nego algo sobre a mesma coisa. Assim,
quando uma contradição aparecer numa exposição
filosófica, ela deve ser considerada falsa;
➢ recusa de explicações pré-
estabelecidas e, portanto, exigência de
que, para cada problema, seja
investigada e encontrada a solução
própria exigida por ele;
➢tendência à generalização, isto é, mostra-se que
uma explicação tem validade para muitas coisas
diferentes porque, sob a variação percebida pelos
órgãos de nossos sentidos, o pensamento
descobre semelhanças e identidades;
A filosofia nasceu fortalecida
por fatos históricos que, ao
acontecerem, contribuíram
para esclarecer diversas
modificações ocorridas.
Fatos históricos que marcaram o nascimento da
Filosofia:
➢ viagens marítimas;
➢ invenção do calendário;
➢invenção da moeda;
➢surgimento da vida urbana;
➢invenção da escrita alfabética;
➢invenção da política.
Viagens marítimas
Navegando por territórios antes desconhecidos, os
gregos perceberam que as criaturas imaginárias
criadas pela mitologia grega não eram reais e que
também não existiam deuses em outras regiões, como
sugeria a mitologia; o que existia, de fato, eram seres
humanos. Também concluíram que os mares não
eram moradia de monstros e de outros seres. Com as
viagens, o mundo perdeu seu caráter mítico ou
lendário; os exploradores descobriram um mundo
repleto de belezas e conhecimentos; seu surgimento
foi sendo esclarecido pouco a pouco, mistério este que
a mitologia já não conseguia explicar.
Invenção do calendário
Os gregos aprenderam que era possível contar o
tempo das estações do ano, definindo quando e de
que forma aconteciam as mudanças do clima e do
dia. Notaram também que as transformações pelas
quais o tempo passava ocorriam espontaneamente
e não por intervenções divinas.
Invenção da moeda
Os gregos aprenderam a arte de negociar; não mais
se efetuava o comércio de uma mercadoria
aceitando-se como pagamento a troca por
mercadoria semelhante. Assim, o pagamento
tornou-se monetário, ou seja, a moeda substituiu o
poder de troca.
Surgimento da vida urbana
O desenvolvimento da cidade trouxe aos gregos uma
situação financeira mais igualitária; o prestígio social,
que antes era benefício de apenas algumas famílias,
diminuiu. As artes ganharam patrocinadores, o que
estimulou o surgimento de novos artistas. Ocorreu
também invenção da escrita alfabética, o que levou os
gregos a se expressarem de forma mais clara; isso
colaborou para que suas ideias fossem melhor
compreendidas e difundidas pelo mundo afora, levando
a sabedoria às pessoas.
A invenção da escrita alfabética
Da mesma maneira do calendário e a da moeda, o
surgimento da escrita revela o crescimento da
capacidade de abstração e de generalização, uma
vez que a escrita alfabética ou fonética,
diferentemente de outras escritas - como, por
exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os
ideogramas dos chineses - supõe que não se
represente uma imagem da coisa que está sendo
dita, mas a ideia dela, o que dela se pensa e se
transcreve.
Invenção da política
Surgiram novas fontes de informação e a lei passou
a abranger muitas outras coisas e chegou até as
pessoas. Criou-se uma área pública voltada para
discursos e debates, local no qual os gregos
debatiam e propagavam suas ideias a respeito da
política.
A invenção da política introduz três aspectos
novos e decisivos para o nascimento da filosofia,
conforme veremos a seguir.
➢ A ideia da lei como expressão da vontade de uma
coletividade humana que decide por si mesma o que
é melhor para si e como ela definirá suas relações
internas. Isso servirá de modelo para a filosofia
propor o aspecto legislado, regulado e ordenado do
mundo como um mundo racional.
➢ O surgimento de um espaço público, que faz
aparecer um novo tipo de discurso, diferente
daquele que era proferido pelo mito. A política,
valorizando o humano, o pensamento, a discussão,
a persuasão e a decisão racional, passou a
valorizar também o pensamento racional e criou
condições para que surgisse o discurso filosófico.
➢ A política estimula um discurso que procura ser
público, ensinado, transmitido, comunicado e
discutido. A ideia de um pensamento que todos
podem compreender e discutir, que todos podem
comunicar e transmitir é fundamental para a filosofia.
A filosofia terá, no correr dos séculos, um conjunto de
preocupações, indagações e interesses que lhe
vieram de seu nascimento na Grécia.
Mito
Tentativa de explicação dos
fenômenos, as origens e os
principais acontecimentos da vida;
Busca de explicação da realidade;
Cosmogônicos, teogônicos, antropogônicos e
escatológicos;
Variados conforme a região, a cultura e a raça;
Caráter místico: criaturas sobrenaturais;
FONTE: conhecimentos, comportamentos,
crenças e atitudes.
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v=3PMF_YQ50SY
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v=_Tjmt3c4tno
➢ A filosofia chegou timidamente, tentando
mostrar à humanidade que o mundo não era
perigoso e cheio de monstros como a mitologia
pregava e, aos poucos, foi conquistando seu
espaço, avançando cada vez mais nas
profundezas do saber.
➢ A ruptura entre essas duas formas de
pensamento (a mitológica e a filosófica) como
resultante de transformações na sociedade grega
da época, que se seculariza, torna-se importante
até para a atividade comercial.
➢ O surgimento do pensamento filosófico nas
colônias gregas da Jônia é significativo, uma vez
que ali se dava um maior contato com outras
culturas, o que produz uma relativização do mito e
das práticas religiosas.
A physis
Denominados estudiosos ou
teóricos da natureza, os primeiros
filósofos elegem o mundo natural
como objeto de sua investigação.
A causalidade
É interpretada em termos
estritamente naturais.
A arqué
Determina a existência de um elemento
primordial (água – Tales de Mileto).
O cosmo
Compreende ideias de ordem,
harmonia e beleza (universo).
O logos (discurso)
É fundamentalmente uma
explicação, em que razões
são dadas.
O caráter crítico
Compreende teorias que
eram apresentadas como
passíveis de serem
discutidas, de permitirem
formulações e propostas
alternativas
Os Pré-socráticos
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v=hbDr8L4M1T8
a passagem “do mito ao logos”.
Trata-se de encontrar explicação sobre o que nos rodeia,
utilizando a razão em substituição às explicações
mitológicas.
OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS
Concentraram-se, basicamente, em duas questões:
Qual é a origem, a matéria Qual é a autêntica
ou principio da Natureza?
realidade?
Dependendo das escolas,
haverá diferentes respostas: O que nos oferece os
sentidos ou o que oferece a
fogo, água, ápeiron, etc.
razão?
Os pré-socráticos filósofos
da natureza
Investigação cosmológicas (racionais)
Investigavam a natureza e os processos naturais
perceberam o dinamismo das mudanças que ocorrem
na physis - realidade primeira, originária e
fundamental (natureza).
procuravam uma substância básica, um princípio
primordial (arché) causa de todas as transformações
da natureza
Escola Jônica
Tales
Anaximandro
Anaxímenes
• São físicos, e seu interesse centra-se em compreender de que a
matéria ou “arché” é composta na Natureza.
• Substituem as explicações antropomórficas dos mitos por
elementos naturais.
Tal
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ge
A origem da Natureza é um m:
Tal
elemento natural e determinado
es
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Mil
eto
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Água
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De
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•Não se conhecem textos de Tales. Do
Inquieto, viajante, matemático,
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• Aristóteles via em Tales o primeiro astrônomo e político Image
Pú
(Aprox. “físico” (equivalente a filósofo). blic
o.
m:
624-546 éclips
a.C.) •É o mais antigo dos Sete Sábios. e de
Lune
en
Belgiq
ue à
Teorema de Tales Previu um Eclipse do Hamoi
Sol s/ Luc
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(585 a.C) r/
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Escola Pitagórica
Diferencia-se de todas as demais escolas
por seu caráter religioso. Principal
Nome: Ima
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•Pitágoras de Samos; Filo
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Escola Pitagórica: Image
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“todas as coisas são Autor
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Licens
Influirá na ideia platônica da transmigração das almas: e
um modo de vida consciencioso e pautado pela moderação para salvá-lo
Sa das sucessivas reencarnações (orfismo)
mos O conhecimento como Introduz a dualidade mente e corpo
(584-496 instrumento de purificação da
a. C.) alma
•A Justa medida entre os opostos (métron): a sua inexistência seria o caos.
•Sua doutrina, durante muito tempo, foi transmitida apenas oralmente e as
lendas se encarregaram do restante.
Escola Eleata
Esta escola é de caráter exclusivamente
filosófico; as anteriores foram físicas ou
religiosas
• Parmênides
• Heráclito
• Zenão de Eléia
Parmênides (540-470 a.C.)
Opõe-se a Heráclito
Não admite a mudança e o
movimento
O ser é único, imutável e
eterno = Ideias platônicas
Imagem: Parmênides / Autor Desconhecido /
Introduz a diferença entre
SENSAÇÃORAZÃO
Símbolo da Escola / GNU Free conhecimento
Documentation License.
• Pensa o Uno-Eterno-Imóvel.
• Mostra o Múltiplo-Cambiante.
• Única via para o conhecimento.
• Não válida para o conhecimento.
He Suas reflexões tratam sobre:
rác • O Mundo :
a) Está em estado de contínua
lito mudança: a luta entre contrários;
b) Está impregnado de constantes
opostos:
de • “O ser é e não é ao mesmo tempo”;
Éfe
Imagem: Heráclito / Recorte de “Escola de
• “Tudo flui” – tudo está em movimento Atenas” / Rafael Sanzio / Domínio Público.
e nada dura para sempre;
so • “Não podemos entrar no mesmo rio •
duas vezes”;
Introduz a ideia
de que os
(544-484 a. sentidos nos
C.)
• A essência de todas as coisas é o
enganam.
Fogo. • Considerado o
“pai” da
Dialética.
Luta dos contrários
Belo e feio Alegria e a tristeza
A guerra é harmonia
➢ Nada existira sem o seu oposto.
Saúde e doença
só a mudança e o movimento são reais
identidade das coisas iguais a si mesmas é
ilusória
Nessa dualidade, que é uma guerra, no fundo é
harmonia entre os contrários
O que mantém o fluxo do movimento é a luta dos
contrários, pois “a guerra é pai de todos, rei de
todos”
Doutrina dos contrários
O ser é múltiplo, por estar constituído de oposições
internas.
a forma do ser é devir pelo qual todas as coisas são
sujeitas ao tempo e à sua relativa transformação
Heráclito chamou seu princípio de
logos, que significa regra segunda a
qual todas as coisas se realizam e lei
comum que a todos governa– incluiu
racionalidade e inteligência.
Devir- vir a ser
• “Nunca nos banhamos duas vezes no
mesmo rio”, pois na segunda vez
não somos os mesmo, e também o
rio mudou.
Filosofia clássica
Após o surgimento da democracia na Grécia
antiga, vários transformações ocorreram na
sociedade, exigindo novas formas de se relacionar.
A democracia era o sistema de governo que
pressupunha a escolha periódica de executores e
elaboradores das leis. E para isso, não havia
nenhum critério.
Neste período, em que já estão avançadas as questões
cosmológicas, a busca pelo ser das coisas deixa de ser o foco
principal das questões filosóficas, que agora se ocupa com o
homem e suas potencialidades. Era preciso saber falar para fazer
valer seus interesses nas assembleias. Surgem, então, os famosos
oradores denominados Sofistas, palavra que significa sábio em
grego.
Esses homens, portadores de uma eloquência
incomum, propunham ensinar qualquer coisa aos
cidadãos que almejassem os cargos públicos ou
simplesmente que se defenderiam em um caso
litigioso.
No entanto, suas técnicas nada mais eram do que
ensinar a persuadir convencendo seu interlocutor em
um debate, seja pela emoção, seja pela passividade
deste. Ardilosos oradores, os sofistas fascinavam
àqueles que ouviam suas palestras, ensinando como
transformar um argumento fraco em um argumento
forte e vice-versa.
Para eles, fácil era convencer conforme seus interesses. O
importante era convencer a qualquer custo.
Mediante salários (ou seja, cobravam pelo ensino), eles
ensinavam a quem pudesse pagar, sobre qualquer coisa,
dizendo serem portadores de um saber universal.
Mas na prática, ensinavam como refutar o seu adversário, não
se preocupando com a relação que as palavras tinham com as
coisas, articulando-as segundo as necessidades do debate para
convencer e derrotar seu oponente.
São famosos e numerosos os sofistas que atuaram na
Grécia antiga, em especial em Atenas, onde a cultura
floresceu com mais evidência. Híppias, Pródico,
Antístenes, Trasímaco são apenas alguns exemplos
históricos destes que inventaram um certo modo de
viver numa política que pressupunha a isonomia (leis
iguais para todos os cidadãos).
No entanto, podemos destacar especialmente dois dos
maiores sofistas de todos os tempos: Górgias e
Protágoras.
Protágoras é conhecido como o primeiro sofista.
Sua fama se estendia por todas as colônias e era um
homem culto e bem sucedido.
Aliás, a estima do público,
a vaidade e o
reconhecimento era algo
de que todos os sofistas se
valiam, pois para eles o
que importa é o momento
e jamais o que se tem
depois de morto. Questões
espirituais eram
descartadas, gerando
algumas acusações de
impiedade, das quais o
próprio Protágoras
conseguiu escapar.
Este eminente orador vivia uma forma de absoluto
subjetivismo relativista. Sua máxima “o homem é a
medida de todas as coisas” ilustra bem o modo de pensar
das diferentes pessoas. Isto quer dizer que cada pessoa,
pensa, deseja e busca algo para si, de tal forma única que
impossibilita que exista uma verdade absoluta.
A verdade, segundo Protágoras, depende de cada um,
depende de como cada coisa aparece para cada um em seu
juízo. O que pode ser verdade para um, pode não o ser
para outro. Com esse relativismo moral, ele rejeita toda
verdade universal. Se algo te parece bom, faça. Se isso traz
benefício a você e prejuízo aos outros, faça assim mesmo.
Com isso, Protágoras também desacreditava dos
deuses. Seu pragmatismo imediatista afirmava que
se você nada pode saber dos deuses, eles não
servem para nada e, assim, você pode ser
indiferente a eles. Esse foi um dos motivos pelos
quais ele foi acusado de impiedade.
Outro ilustre sofista e não menos importante foi
Górgias. Descartando qualquer noção de moral ou
virtude, ele determinou a persuasão como algo
essencial ao homem. Segundo ele, o domínio dessa
técnica permite ao homem conhecer todas as coisas
e, com isso, ser feliz.
Górgias acentua o seu ceticismo, evidenciando a
impossibilidade de um conhecimento definitivo e
propiciando um ambiente em que o mundo só
tem o valor daquilo que o homem confere,
consciente de sua efemeridade, ou seja, que o
homem é um ser passageiro e que age apenas
para satisfazer seus interesses pessoais.
Sócrates
A morte de Sócrates, Jacques Louis David, 1787
469 – 399 a.C.
O Divisor de águas na filosofia
grega.
Ironia e Maiêutica, Método Socrático.
Influenciou Platão, Aristóteles, Aristipo de
Cirene, Antístenes, Filosofia Ocidental.
Aspectos da Vida:
• Filho de Sofronisco
(escultor)
e Fenarete (parteira).
• Casou-se com Xantipa.
• filhos:
* Lamprocles,
* Sophroniscus
* Menexenus
O oráculo de Delfos
O Oráculo de Delfos era dedicado a Apolo
e centrado num grande templo, ao qual os
gregos vinham colocar questões aos deuses
Foi confiada a Sócrates pelo deus de Delfos
uma missão, que o tornaria um “vagabundo
loquaz”
“Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás
os deuses e o universo”.
— Inscrição no oráculo de Delfos.
• Desapegado dos bens materiais tinha o
hábito de caminhar pela cidade proponde
diálogos aos atenienses.
• Os diálogos eram, aparentemente, sobre
temas comuns
• Através de perguntas reflexivas,
abordava temas mais complexos,
levando seus interlocutores a questionar
suas certezas.
➢Sócrates é considerado o “Patrono da
Filosofia” por procurar atingir a verdade a
partir da prática filosófica do diálogo.
➢Para ele a busca pelo conhecimento
verdadeiro passava pelas questões humanas,
pela reflexão sobre o Homem.
➢Diferencia-se dos filósofos anteriores que
procuravam refletir sobre a natureza ou
praticar a retórica.
Parteiro de ideias: seu objetivo era dar à
luz Ideias!
MAIÊUTICA:
A verdade é acessível a todos e o
filósofo (como a parteira) auxilia o
encontro com a verdade, por meio das
perguntas, do diálogo!
O primeiro passo para se chegar a verdade era
reconhecer a própria ignorância!
Só sei que nada sei!
Conhece-te a ti mesmo!
Usava a Ironia nos diálogos para abalar as
crenças e expor a fragilidade das
argumentações.
(Atenas = égua
Sócrates = mosquito)
Princípio Ético:
Por ser racional, o homem tem a
capacidade de conhecer a verdade, que
não se encontra somente Nele, mas
também na Natureza.
O Homem faz parte da Natureza e
portanto, participa da verdade,
podendo atingi-la pela razão.
➢ Com o conhecimento o homem passa
a ter Autonomia, determinando sua
própria conduta e suas próprias regras.
➢ Assim torna-se importante a
Consciência Ética: ao determinar sua
conduta, o homem deveria,
necessariamente considerar sua relação
com a verdade, pré-requisito para se
fazer o Bem!
O Método Socrático
Filosofia desenvolvida mediante diálogos
críticos com seus interlocutores, esses
diálogos desenvolviam-se em dois momentos:
Ironia (do grego eironeia – interrogação) –
A ironia socrática tinha um caráter
purificador, pois levava os discípulos a
confessarem suas próprias contradições e
ignorâncias, onde antes só julgavam possuir
certezas e clarividências
Maiêutica (do grego maieutiké – relativo ao
parto das ideias) – mediante o
questionamento dos seus interlocutores,
Sócrates levava-os a colocar em causa os
seus "preconceitos" acerca de determinado
assunto, conduzindo-os a novas ideias acerca
do tema em discussão.
maiêutica
➢ Maiêutica: método para chegar ao conhecimento.
➢ Para Sócrates o papel do filósofo fazer com que as
pessoas chegassem ao conhecimento e para isso
criou a maiêutica.
➢ Sócrates tinha um método de diálogo para levar o
seu interlocutor (pessoas com quem estava
debatendo) a perceber por si só sua própria
ignorância sobre os assuntos tratados.
➢ Por meio da ironia, fazendo perguntas e
respondendo as perguntas com outras perguntas,
levava o interlocutor a cair em contradição,
Sócrates o conduzia a confessar a própria
ignorância.
➢ Uma vez confessada a ignorância, o interlocutor
estaria disposto a percorrer o caminho da verdade.
Quando se diz que a maiêutica é a arte de
dar à luz as ideias, está se subentendendo que
o conhecimento está dentro da pessoa e por
meio da maiêutica ela vai “parir” o
conhecimento.
A objetivo mais importante do diálogo é
encontrar o conceito. Ele pergunta, por
exemplo, o que é justiça? E, aos poucos,
eliminando definições imperfeitas, ele vai
chegando a um conceito mais puro, mais
correto.
➢ Para Sócrates, uma mente submetida a
um interrogatório adequado seria capaz de
explicitar conhecimentos que já estavam
latentes na alma. Afinal, tanto para
Sócrates quanto para Platão, a alma, antes
de se unir ao corpo, contemplara as idéias
na sua essência, no mundo das Ideias.
Bastava, portanto, fazer um esforço para
recordar. Conhecer é recordar.
“Só sei que nada sei”
A sabedoria começa pelo reconhecimento da própria
ignorância, o “Só sei que nada sei” é o princípio da
sabedoria, atitude em que se assume a tarefa
verdadeiramente filosófica de superar o enganoso saber
com base em ideias pré-concebidas
➢ Para viver bem (de acordo com a virtude) é
preciso ser sábio.
➢ Como atingir a sabedoria?
➢ Para Sócrates a sabedoria é fruto de muita
investigação que começa pelo conhecimento de si
mesmo.
➢ Segundo ele, deve-se seguir a inscrição do templo
de Apolo: conhece-te a ti mesmo.
➢ À medida que o homem se conhece bem, ele
chega à conclusão de que não sabe nada.
➢ Para ser sábio, é preciso confessar, com
humildade, a própria ignorância. Só sei que nada
sei, repetia sempre Sócrates.
• Com o desenvolvimento das cidades (polis)
gregas, a vida em sociedade passa a ser uma
questão importante.
• Sócrates vive em Atenas, que é uma cidade de
grande importância, nesse período de expansão
urbana da Grécia, por isso, a sua preocupação
central é com a seguinte questão: como devo
viver?
As pessoas precisavam desenvolver
normas de convivência para o espaço da
cidade que era um fenômeno
relativamente novo na história da
humanidade, diferente da vida do campo,
com mais agitação política, comercial e
social. Nesse sentido, debatiam questões
importantes para o convívio em sociedade,
ex: ética, fazer o bem, virtudes, política,
etc.
Toda a sua filosofia é exposta em diálogos
críticos com seus interlocutores.
Sócrates andava pela cidade (feiras, mercados,
praças, prédios públicos, etc.)e debatia com as
pessoas interessadas sobre assuntos referentes a
vida em sociedade.
O conteúdo dos diálogos chegou até nós por
meio de seus discípulos, especialmente de
Platão, pois Sócrates não deixou nada escrito.
O destino de Sócrates
A maior arte de Sócrates era a investigação, feita
com o auxílio de seus interlocutores. Aquele que
investiga, questiona. Aquele que questiona, perturba
a ordem estabelecida. Isso faz surgir muitos inimigos
de Sócrates.
Sócrates é acusado de corromper a juventude e de
desprezar os deuses da cidade. Com base nessas
acusações ele é condenado a beber cicuta (veneno
extraído de uma planta do mesmo nome).
Segundo testemunho de Platão em
Apologia de Sócrates, ele ficou
imperturbável durante o julgamento e,
no final, ao se despedir de seus
discípulos, ele diz:
Já é hora de irmos; eu para a morte,
vós para viverdes. Quanto a quem vai
para um lugar melhor, só deus sabe.
➢ Costumava caminhar descalço, em certas ocasiões, parava o que
quer que estivesse fazendo, ficando imóvel por horas, meditando
sobre algum problema.
➢ Não recebia pagamento por suas aulas, por uma questão
ideológica
➢ Nunca proclamou ser sábio
.
O objetivo principal de Sócrates era problematizar sobre
conceitos que as pessoas tinham dogmas e verdades absolutas,
De tanto questionar, principalmente os sábios,
começou a arrebanhar inimigos.
O abalo as instituições
➢ Acusado de não reconhecer os deuses do Estado, introduzir
novas divindades e corromper a juventude.
➢ “As ideias pertencem a um mundo que somente os sábios
conseguem entender”
➢ Se opunha à democracia aristocrática que era praticada em
Atenas.
➢ Acreditava que ao se relacionar com os membros de um
parlamento a própria pessoa estaria se fazendo de hipócrita.
Platão 428-348 a. C
Ateniense, filho de família aristocrática
discípulo de Sócrates, assistiu
inconformado à morte do mestre,
herdou ideias socráticas no que diz
respeito à moral, justiça e virtude.
Abriu uma escola no jardim chamado
Academus, de onde lhe veio o nome de
Academia.
Queria ser político, mas desiludiu-se com
a morte de Sócrates
Ambiente Filosófico de Atenas no séc. IV a.C
• O ambiente filosófico de Atenas no séc. IV a. C estava, basicamente,
dividido entre os Socráticos X Sofistas.
*Dominavam a arte da oratória -a arte de bem falar,
ensinavam-na em troca de pagamento. Usavam
sofismas.
*Tudo depende dos interesses do homem e da realidade
social: regras morais, relacionamentos, posições
políticas : verdade subjetiva.
Sofistas
*Valores relativos, inexistência de moral coletiva.
* Destruição do conhecimento segundo Sócrates.
Platão e o Mundo das Ideias-Idealismo
• Explicou o mundo das ideias através do Mito
da Caverna contido em A República.
Real; supra-sensível; causa o mundo
Mundo dos Ideias sensível; contém ideias, o
verdadeiro ser das coisas; possui
P
ar
hierarquia; a ideia de Bem e Uno
tic ocupa o ápice.
ip
a
do
Mundo Sensível Não se explica a si mesmo; cópia
imperfeita do mundo das ideias;
existe por participação.
Cf. Mito da Caverna.
Teoria da participação: cada coisa no mundo, reproduz
infielmente as ideias. As coisas estão para as ideias
como as sombras estão para os objetos. Exemplo: as
rosas que vejo são brancas ou amarelas, podem ter ou
não perfume e espinhos. Onde está a verdadeira rosa?
Segundo a teoria platônica, no Mundo das Ideias.
As coisas desse mundo são uma mistura de ser não
ser (uma rosa é esta rosa ao mesmo tempo não é a
verdadeira rosa). As coisas SÃO enquanto participam
das Ideias e NÃO–SÃO enquanto são meras
participações.
A Alma
• Concepção dualista de homem: corpo X alma. O
corpo seria o cárcere da alma (psiché)
• Alma existiria no Mundo das Ideias, e se
encarnaria, alojando-se num corpo mantendo
suas características imortais e espirituais.
• Fédon: diálogo platônico que aborda o tema.
• Dialética permite relembrar os conhecimentos
puros das almas antes de alojarem-se no corpo.
As sensações atrapalham.
Mundo das Ideias- Idealismo o Conhecimento
O conhecimento se dá através da anamnese- recordação
do conhecido.
Tipos de conhecimento:
Espisteme = Ciência Conhecimento da causa,
isto é, a Ideia, refere-se ao
inteligível
Firmada pelo conhecimento
da causa Refere-se ao mundo sensível;
Mutável; quase sempre
Doxa = Opinião enganadora; conhecimento
intermediário entre ciência e
ignorância.
Idealismo o Conhecimento
Dianóia : conhecimento
matemático e geométrico.
Episteme (inteligível)
Noésis: Conhecimento das ideias,
por hipóteses e captação pura.
Simples Imaginação : sombras
e imagens sensíveis das coisas.
Doxa(sensível)
Crença : coisas e objetos
sensíveis
A Arte no mundo Platônico
A Beleza tem valor em si, pois pertence ao mundo das
Ideias e é Absoluta.
Já a Arte: é a Imitação da Imitação do belo.
Retrata o mundo sensível que é
cópia do mundo absoluto.
Arte Pode servir ao verdadeiro ou ao
falso, não tem valor em sí.
Ps. Lembrar que a Verdade se identificava
com o Bem no ideário platônico e ocupava o
topo dos valores absolutos.
Sociedade e Política
Constrói um modelo de sociedade Justa.
Conceito de justiça para Platão: “a cada um faça
o que lhe compete fazer”
A justiça só existe exteriormente se existir antes
interiormente na alma.
O Estado deve ser governado por Filósofos, que
seriam as pessoas mais prudentes e honestas para
alcançar o bem da cidade.
Sociedade e Política
Modelo da Sociedade Justa, onde cada um deveria desempenhar
uma função social.
Filósofos: mente do Estado. Deveriam possuir a virtude
da sabedoria.
Guerreiros : o peito, o coração da sociedade;
encarregados da defesa; não teriam direitos políticos.
Deveriam possuir a virtude da fortaleza
Trabalhadores ou operários: encarregados da
subsistência, não teriam nenhum direito político.
Exercitariam a virtude da temperança.
Sociedade e Política
Formas de Governo segundo a Filosofia Platônica.
Distinta da tirania, governo do Rei-
Monarquia Filósofo.
Distinta da Oligarquia, governo de
Aristocracia Filósofos.
Formas detestáveis:
Governo do Povo, neste caso a divisão
do poder causaria dano ao exercício
Democracia da virtude da prudência –excelência
exclusiva dos Filósofos.
Alegoria da
Caverna
“ A descrição platônica é dramática: o
caminho em direção ao mundo
exterior é íngreme e rude; o
prisioneiro libertado sofre e se
lamenta de dores no corpo; a luz do
Sol o cega; ele se sente arrancado,
puxado para fora por uma força
incompreensível.
Caverna – corresponde ao mundo
sensível onde vivemos.
Exterior da caverna – esfera
inteligível.
Fogo na caverna – reflexo da luz
verdadeira ( do Bem e das ideias).
Prisioneiros – todos os que vivem sob
o domínio dos sentidos e das
opiniões.
Sombras projetadas pelo fogo – as sensações
produzidas pelos sentidos que produzem as
opiniões e as conjecturas.
As correntes – nossos preconceitos e opiniões
distorcida pelos sentidos e pelo discurso de
outras pessoas.
Muro – a linha divisória entre as coisas
sensíveis e supra-sensíveis.
A confiança em nossos sentidos – nossas
paixões e opiniões.
Instrumento que rompe as
correntes e nos liberta da prisão
da caverna – o método dialético
de conduzir o pensamento.
O prisioneiro que escapa – é o
filósofo, que, no texto, apesar de
não ser explícito, é uma
referência que Platão faz a seu
mestre, Sócrates.
As coisas situadas no lado de
fora da caverna –
representação simbólica do ser
verdadeiro e das Ideias.
A luz que o filósofo vê para fora
da caverna – é a ação do Bem,
que ilumina as instâncias do
mundo inteligível, assim como
o sol ilumina o mundo sensível.
O Alegoria da Caverna coloca
o proceder filosófico como
agente libertador da
ignorância e da servidão dos
sentidos e nos lança a um
mundo novo onde a verdade
e a compreensão é a ordem
normal das coisas.
Uma vez que a consciência se
expande, lhe é impossível
retornar ao que era.
Presenciamos hoje multidões de
pessoas sem identidade – rostos
sem face – vivendo basicamente
em função da satisfação de seus
instintos fundamentais.
A pergunta que fica,
obviamente, é: Como é
possível que ninguém
perceba que o mundo está
desabando?
Platão, de uma certa forma,
já nos deu a resposta 2.400
anos atrás.
Para ele, os sofistas eram aqueles
que carregavam as marionetes que
faziam as sombras na parede.
Através de uma retórica
estrategicamente arquitetada
convenciam qualquer um sobre
qualquer coisa. Na medida em que
não pensamos por nós mesmos,
podemos ser facilmente enganados
por discursos de outros mais
astutos.
Aristóteles
• Nasceu em Estagira,
Macedônia, em 384 a.C.
• Considerado em mais
importante discípulo de
Platão
• Foi professor de
Alexandre, o Grande;
O ponto de partida para conhecermos a
filosofia de Aristóteles vem de sua
discordância em relação à teoria do
conhecimento proposta por Platão:
Segundo o “estagirita”, alma e corpo
constituem uma só “coisa”
O conhecimento é percebido pelos
sentidos e, então, elaborado pela razão.
“Aristóteles achava que Platão tinha virado tudo
de cabeça para baixo. Ele concordava com seu
mestre em que o exemplar isolado do cavalo
“flui”, passa, e que nenhum cavalo vive para
sempre. Ele também concordava que, em si, a
forma do cavalo era eterna e imutável. Mas a
‘ideia’ cavalo não passava, para ele, de um
conceito criado pelos homens e para os homens,
depois de eles terem visto um certo número de
cavalos. A ‘ideia’ ou a ‘forma’ cavalo não existia,
portanto, antes da experiência vivida. Para
Aristóteles, a ‘forma’ cavalo consiste nas
características do cavalo, ou seja, naquilo que
chamaríamos de espécie”.
“Para Platão, o grau máximo de realidade está em
pensarmos com a razão. Para Aristóteles, ao contrário,
era evidente que o grau máximo de realidade está em
percebermos ou sentirmos com os sentidos. Platão
considera tudo o que vemos ao nosso redor na natureza
meros reflexos de algo que existe no mundo das ideias e,
por conseguinte, também na alma humana. Aristóteles
achava exatamente o contrário: o que existe na alma
humana nada mais é do que reflexos dos objetos da
natureza. Para Aristóteles, Platão foi prisioneiro de uma
visão mítica do mundo, que confundia as ideias dos
homens com a realidade do mundo”.
Gaarder, J. O mundo de Sofia
Como é possível conhecer???
Sensações, experiências Formam os
conceitos;
Estes devem ser organizados em categorias, de modo
que as afirmações deles resultantes não tornem-se
sofismas;
Assim, Aristóteles elaborou uma classificação das
categorias; de acordo com o que cada uma
representa;
Assim, Aristóteles realizou um profundo estudo no
campo da linguagem, com o objetivo de estabelecer
os limites e as possibilidades da mesma. Para ele, o
uso correto da linguagem (entenda-se, a aplicação
das palavras corretas na elaboração do raciocínio),
era a chave para uma compreensão segura da
realidade.
Estabeleceu o que é “sujeito” (a essência, ou
substância) do que é “predicado” (o acidente)
TELEOLOGIA
•“ESTUDO DAS FINALIDADES”
•Aristóteles considera que tudo no Universo
possui uma finalidade, uma razão de ser;
◦ Nem sempre essa finalidade se manifesta
nas formas iniciais;
◦ Um ser pode modificar-se para alcançar
sua finalidade;
•Exemplo: uma semente = finalidade de ser
árvore
ÉTICA
Segmento da filosofia que debate as questões
relativas ao “bem viver”;
É uma reflexão racional acerca da moral;
Aborda os aspectos da existência humana em
comunidade;
Aristóteles: aplica sua TELEOLOGIA ao debate
ético.
CIÊNCIA DA CONDUTA; PARTE DA
FILOSOFIA PRÁTICA QUE TEM POR
OBJETIVO ELABORAR UMA REFLEXÃO
SOBRE OS PROBLEMAS FUNDAMENTAIS
DA MORAL;
PRINCÍPIOS; REFLEXÃO SOBRE AS RAZÕES
DE SE DESEJAR A JUSTIÇA E A HARMONIA
E SOBRE OS MEIOS DE ALCANÇÁ-LAS
MORAL: CONSTRUÇÃO DE UM CONJUNTO
DE PRESCRIÇÕES DESTINADAS A
ASSEGURAR UMA VIDA EM COMUM JUSTA
E HARMONIOSA
O SUPREMO BEM
• AÇÃO HUMANA – FIM / BEM
• CONJUNTO DAS AÇÕES HUMANAS –
FIM ÚLTIMO / SUPREMO BEM
(FELICIDADE)
O QUE É A FELICIDADE?
(EUDAIMONÍA)
•Homem: ser dotado de razão que busca a
realização da felicidade (eudaimonia);
◦ Pode ser alcançada através das virtudes
racionais;
•Virtudes intelectuais: provenientes do ensino,
da educação e da experiência;
•Virtudes morais: provenientes do hábito;
◦ É o ponto de equilíbrio entre o excesso e a
falta de uma virtude;
•Deve-se buscar um “meio termo de ouro”.
•Exemplo:
•Generosidade (virtude)
•Avareza (falta da virtude)
•Prodigalidade (excesso da virtude)
O SUPREMO BEM
• ÉTICA TELEOLÓGICA: (TELOS – FIM,
FINALIDADE E LOGOS – TEORIA,
CIÊNCIA)
• Tanto os múltiplos seres existentes, quanto
o universo como um todo direcionam-se
em última instância a uma finalidade
• HIERARQUIA DE BENS:
• Bens relativos e intrínsecos ao homem
• Os relativos são aqueles necessários para a vida
cotidiana (bens materiais, prazeres vitais, etc.).
Estes mudam constantemente, pois sempre
desejam outros e maiores.
• Bens intrínsecos, não visam outros porque eles
são auto-suficientes, ou seja, os bens intrínsecos
são bens supremos.
O SUPREMO BEM
• O BEM SUPREMO REALIZÁVEL PELO
HOMEM CONSISTE EM APERFEIÇOAR-
SE ENQUANTO HOMEM
• CONSISTE NA ATIVIDADE QUE
DIFERENCIA O HOMEM DE TODAS AS
OUTRAS COISAS
O SUPREMO BEM
• A ATIVIDADE DA RAZÃO
• O HOMEM QUE QUER VIVER BEM
DEVE VIVER SEMPRE SEGUNDO A
RAZÃO
• ARISTÓTELES PROCLAMA OS
VALORES DA ALMA COMO VALORES
SUPREMOS
• RECONHECE TAMBÉM A
IMPORTÂNCIA DOS BENS MATERIAIS
JUSTO MEIO
VIRTUDE: REPETIÇÃO DE UMA SÉRIE DE
ATOS SUCESSIVOS / HÁBITO
OS IMPULSOS, AS PAIXÕES E OS
SENTIMENTOS TENDEM AO EXCESSO OU
À FALTA
A RAZÃO DEVE IMPOR A “JUSTA MEDIDA”,
O “JUSTO MEIO” ENTRE OS DOIS
EXCESSOS
JUSTO MEIO
VITÓRIA DA RAZÃO SOBRE OS
INSTINTOS
JUSTIÇA: A MAIS IMPORTANTE DAS
VIRTUDES
“NA JUSTIÇA ESTÁ ABARCADA TODA
VIRTUDE”
A VIRTUDE EM ARISTÓTELES
• O QUE É SER FELIZ?
• É POSSÍVEL SER FELIZ EM NOSSA
SOCIEDADE?
• EXISTE ALGUMA RELAÇÃO
ENTRE A FELICIDADE, A JUSTIÇA
E A BONDADE?
PROCESSO HISTÓRICO DE CONSTITUIÇÃO
• MORAL: ALGO CONSTITUTIVO DA
VIDA SOCIAL
• AVALIAÇÃO ACERCA DOS
COSTUMES PARA ACEITAR OU
REPROVAR
• NÃO SE PODE PENSAR A VIDA
SOCIAL SEM A PRESENÇA DE
REGRAS DE CONDUTA
Em Aristóteles, a reflexão ética diz
respeito à melhor ação entre os
indivíduos para que a felicidade exista
◦ APLICA-SE À POLÍTICA!
POLÍTICA
•É um desdobramento das suas reflexões éticas:
◦Homem: animal político (naturalmente social)
◦ Bem: deve ser considerado em termos
coletivos;
◦A felicidade verdadeira é a felicidade do grupo;
◦O bom governo é aquele capaz de promover a
felicidade coletiva (bem comum);
•Demanda vigilância dos cidadãos;
Helenismo
A Macedônia
• A Macedônia é uma região situada ao
norte da Grécia.
• Os macedônicos consideravam-se
gregos. Porém, os gregos os
consideravam os macedônicos como
povos bárbaros.
• Na antiguidade, constituiu-se como uma
civilização guerreira que dependia da
agricultura e do pastoreio para sua
subsistência.
Expansão Macedônica
Com Filipe II, a Macedônia
começou a conhecer seu período
expansionista, ou seja, conquistar
outros povos e territórios com o
apoio de um poderoso exército, a
falange macedônica.
Os dois maiores desejos de Filipe
II era dominar a Grécia e o
Império Persa, regiões ricas em
terras.
As conquistas macedônicas
Conquista da Grécia (338 A.C)
Filipe II aproveitou-se do enfraquecimento
das Cidades-Estado gregas para dominar
toda a Grécia.
Essa conquista foi marcada
pela batalha final de Queroneia
II. Conquista da Pérsia (331 A.C)
Já sob o comando de Alexandre,
os persas foram dominados
pelos macedônicos Além dessas ricas
na batalha de civilizações, outras
Gaugamela. regiões como o Egito e
a Índia, também
fizeram parte das
ambições de Alexandre.
Alexandre, O Grande
• Alexandre foi muito além de um general
ou imperador. Por ter sido educado na
Grécia, o imperador macedônico
admirava o conhecimento.
• Dessa forma, soube respeitar e aprender
com as culturas dominadas por seu
império.
• Esse respeito tornou-se o principal
elemento de consolidação de seu vasto
império
A cultura Helenística
Com a expansão do Império
Macedônico para a Ásia, a
cultura grega, ocidental, acabou
fundindo-se com as culturas
orientais.
Essa fusão cultural deu origem ao
que denominamos de Cultura
Helenística.
O Império de Alexandre
Para ver, ouvir e refletir...
• Alexandre o Grande - Construindo um império
• https://www.youtube.com/watch?v=DQBGoBafZl8
• (documentário)
Período Helenístico
338 a.C. – Felipe da Macedônia derrotou os
atenienses na Batalha de Queronéia.
Tebas incendiada e população escravizada.
A grande expedição de Alexandre Magno (334 –
323 a.C.) provocou uma reviravolta radical no
espírito do mundo grego. Marcou o início de uma
nova era.
323 a.C. - Morte de Alexandre
Conseqüência política: o desmoronamento da importância
sociopolítica da Pólis.
As pólis não decidem mais os seus destinos, passam a
integrar vasto império onde o poder está centralizado (perda
da liberdade política)
O homem grego tornou-se súdito
• Durante o conturbado Período Helenístico, o homem
deixou de ser o componente mais importante de uma
comunidade restrita para se tornar um simples súdito de
vastos impérios. A perda da importância política
individual fez muitos se dedicarem cada vez mais à
busca da felicidade pessoal através da religião, da
magia ou da Filosofia.
• As principais escolas filosóficas do Período Helenístico
foram o cinismo, o ceticismo, o epicurismo e o
estoicismo. Todas procuravam, basicamente,
estabelecer um conjunto de preceitos racionais para
dirigir a vida de cada um e, através da ausência do
sofrimento, chegar à felicidade e ao bem-estar.
OS CÍNICOS
• O Cinismo surgiu em Atenas por volta
dos séculos III e IV a.C. e deve-se a
Antístenes (440 – 336 a.C.), um filósofo
grego, o crédito de iniciador de tal
filosofia.
• Apesar de ter sido Antístenes o iniciador
do cinismo e o criador de suas principais
teses, é impossível falar de cinismo sem
falar de Diógenes de Sínope (413 – 323
a.C.), que fora discípulo de Antístenes
(embora esse inicialmente o repelisse a
pauladas) e tornara-se o maior expoente
do cinismo.
Filipe II e Diógenes
cachorro"(kýon,kynos=cão)
Estava Diógenes jantando seu costumeiro prato de lentilhas, quando
Arístipos se aproximou. Arístipos, de Cirene, era também filósofo, adepto do prazer
como único bem absoluto na vida. Para poder levar uma vida confortável, vivia sempre
bajulando o Rei.
Disse, então, Arístipos a Diógenes: —Se aprendesses a bajular o Rei, não precisarias
reduzir tua alimentação a um prato de lentilhas. Por sua vez, Diógenes retrucou: — E tu,
se tivesses aprendido a te satisfazeres sempre com um prato de lentilhas, não precisarias
passar tua vida bajulando o Rei.
DIÓGENES
A missão que Diógenes se propôs foi trazer à vista aqueles
fáceis meios de vida, e demonstrar que o homem tem
sempre à sua disposição o que é necessário para ser feliz,
desde que saiba dar-se conta das efetivas exigências da sua
natureza.
Desprezar a riqueza e rejeitar as convenções sociais. As
matemáticas, a física, a astronomia e a música são, para ele,
"inúteis e desnecessárias".
É um animal que indica ao cínico o modo de viver: um viver
sem metas (que a sociedade propõe como necessárias),
sem necessidade de casa e de morada fixa e sem o conforto
das comodidades oferecidas pelo progresso.
• Diógenes proclamou a liberdade de palavra. O
cínico diz o que pensa a todos. Junto com a
liberdade de palavra, Diógenes proclamou a
liberdade de ações, uma liberdade às vezes levada
ao limite da imprudência.
• O método de Diógenes, que pode conduzir à
liberdade e à virtude e, portanto, à felicidade,
resumi-se nos dois conceitos essenciais de
"exercício" e "fadiga", que consistiam numa prática
de vida própria para temperar o físico e o espírito
ante as fadigas impostas pela natureza e, ao mesmo
tempo, apta para habituar o homem ao domínio dos
prazeres e ao "desprezo" deles.
• O desprezo do prazer é fundamental
na vida do cínico.
• Seu ideal supremo era o bastar-se a
si-mesmo. O não ter necessidade de
nada, a "autarquia" já pregadas
pelo mestre, assim como a "apatia"
e a "indiferença.
Anécdotas de cínicos
• Diógenes de Sinope - Cuando Diógenes llegó Atenas, quiso ser discípulo de Antístenes, pero
este no quiso. Ante su insistencia, Antístenes le amenazó con su cayado, pero Diógenes le
dijo: “no hay un bastón lo bastante duro para que me aparte de ti, mientras piense que tengas
algo que decir”. - Cuando fue puesto a la venta como esclavo, le preguntaron que era lo que
sabia hacer, y el contestó: “mandar, comprueba si alguien quiere comprar un amo” - Una vez
le preguntaron por qué la gente daba limosna a los pobres y no a los filósofos, a lo que
respondió: “Porque piensan que pueden llegar a ser pobres, pero nunca a ser filósofos ” -
Cuando le invitaron a una lujosa mansión le advirtieron de no escupir al suelo, acto seguido
escupió al dueño, diciendo que no había encontrado otro sitio más sucio. - En un banquete,
algunos, para reírse de él le pusieron unos huesos, como un perro. Él, acto seguido, orino
encima, como un perro.
• Antístenes - Una vez le preguntaron que había aprendido de la filosofía, respondió: “A ser
capaz de hablar conmigo mismo” - Hay que prestar atención a nuestros enemigos, porque son
los primeros en descubrir nuestras debilidades. - La virtud del hombre y de la mujer son la
misma. - Decía que por todo equipaje se debería llevar solo el que en el caso de naufragio,
pudiera nadar con él. - Al preguntarle qué cosa era mejor para los hombres, dijo: "Morir
felices".
EPICURISMO
EPICURO
(341 –270 a.C.)
• Descendente de uma família de
Atenas.
• Em 306 a.C., fundou sua escola numa
casa que tinha um grande jardim
• A filosofia deve servir para libertar o
homem do medo do destino, da
morte e das divindades.
• A alma seria composta de partículas
imateriais, muito leves e
imperceptíveis (átomos) – Conceito
herdado de Demócrito.
• A finalidade da vida é o PRAZER.
EPICURISMO
➢ A finalidade da vida é a busca da felicidade, obtida ao se
atingir a ataraxia (gr. ἀταραξία), a "ausência de
distúrbios", a tranquilidade da alma.
FRAGMENTOS - Epicuro
➢ Todo desejo incômodo e inquieto se dissolve no amor
da verdadeira filosofia.
➢ Habitua-te a pensar que a morte nada é para nós, visto
que todo o mal e todo o bem se encontram na
sensibilidade: e a morte é a privação da sensibilidade.
➢ O limite da magnitude dos prazeres é o afastamento de
toda a dor. E onde há prazer, enquanto existe, não há dor
de corpo ou de espírito, ou de ambos.
FRAGMENTOS - Epicuro
➢ Nem a posse de riquezas nem a abundância das coisas
nem a obtenção de cargos ou o poder produzem a
felicidade e a bem aventurança; produzem-na a ausência
de dores, a moderação nos afetos e a disposição do
espírito que se mantenha nos limites impostos pela
natureza.
➢ A quem não basta pouco, nada basta.
➢ De todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a
felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da
amizade.
Epicuro escreveu:
Quando se é jovem, não se pode evitar de filosofar e, quando se é
velho, não se deve cansar de filosofar. Nunca é muito cedo ou muito
tarde para cuidar de sua alma. Aquele que diz que não é ainda, ou
que não é mais tempo de filosofar, parece àquele que diz que não é
ainda, ou não é mais tempo de atingir a felicidade. Deve-se, então,
filosofar quando se é jovem e quando se é velho, no segundo caso
(...) para rejuvenescer ao contato do bem, pelas lembranças dos
dias passados, e no primeiro caso (...) afim de ser, ainda que jovem,
tão firme quanto um velho diante do futuro.
1- que são vãos os temores em relação aos deuses e ao
além.
Não devemos ter medo (nem esperar nada) dos
deuses, eles conosco não se preocupam.
2 - que o pavor em relação à morte é absurdo, pois
ela não é nada.
Enquanto estamos presente a morte está ausente;
quando ela se apresenta, já não estamos.
3- A intensidade suprema dos prazeres é a máxima
redução de todas as dores. O prazer, quando o
entendemos corretamente, está a disposição de
todos.
4 - o mal dura pouco ou é facilmente suportado.
ESTOICISMO
Zenão de Cítio• Zênon
(334 –262 a.C.)
(333-262 a.C.), o fundador do
estoicismo, era oriundo da Ilha de Chipre.
Considerado fenício por seus contemporâneos,
praticamente nada se sabe de sua vida
pessoal, exceto que em 308 a.C. começou a
ensinar na stoá poikíle ("pórtico pintado") em
Atenas. Da palavra stoá derivou o nome da
Escola Estóica.
• De sua obra restam apenas curtos fragmentos
e títulos de livros; é praticamente impossível
determinar com certeza sua contribuição
individual à doutrina estóica. Segundo a
tradição, conservada pelos filósofos que o
sucederam, para Zênon a virtude era
aparentemente o objetivo final da vida e o
prazer e a dor não tinham importância.
Sêneca - Lucius Aneus Seneca
(4a.C. - 65d.C.)
A origem dos vícios reside numa
vontade fraca que subordina a
razão aos prazeres fortuitos,
porque "aquele que persegue o
prazer coloca todas as coisas
em segundo plano, é
indiferente à liberdade e
sacrifica tudo ao seu estômago,
não comprando de modo
nenhum os prazeres, mas, pelo
contrário, a eles se vendendo".
O homem sábio, pelo contrário,
opta pelos prazeres da alma, os
quais são calmos, inesgotáveis,
ternos, moderados e discretos.
Para os estóicos, o supremo bem está em viver de acordo com a
natureza. As pessoas comuns correm atrás das paixões,
submetem-se aos desejos e, com isso, apenas conseguem
intranquilidade e angústia. O estóico, pelo contrário, sabe que
tudo o que acontece não pode deixar de acontecer, pois nada se
pode evitar nem nada se pode deplorar. Ao homem apenas resta a
sua liberdade interior e a paz de espírito só se atinge com o
autodomínio: "para um estóico, o princípio da moralidade
assenta em distinguir o que depende de nós daquilo que nos é
estranho. Segundo Zenão, o homem deve aceitar essa
fatalidade universal, refugiar-se na sua interioridade, da qual
poderá chegar a ser dono e senhor, e organizá-la segundo uma
estrita consequência. Viver consequentemente é a forma de
responder com elegância a essa certeza da própria situação"
A liberdade atinge-se quando se controlam as
paixões e os bens exteriores. As paixões são
impulsos que alteram a ordem universal. E são
enganosas. O estóico domina as paixões não
desejando nada. A apatia estóica é sinônimo de
austeridade e ascetismo. Se o estóico desprezar
os bens exteriores nunca sente falta daquilo que
não tem: consegue ficar imperturbável.
ESTOICISMO
• Escola localizada no Pórtico (Stoa em grego)
• Propunha um modo de viver
• Estado de tranqüilidade plena, que só podia ser atingida
por meio da prática virtuosa.
• Consistia na indiferença dirigida a todas as expectativas
da vida
• O máximo de virtude seria alcançado quando o homem
ficasse alheio a tudo
• O único valor é a sabedoria
• Cosmopolitismo – o homem não pertencia a um país ou a
CETICISMO
Pirro (365/360 - 275/270 a.C.)
• O fundador do ceticismo grego é Pirro (fim do IV
séc. a.C.). Ele não deixou nenhum escrito
filosófico. Nasceu em Élis, pequena vila do
Peloponeso, onde viveu inicialmente como
pintor, depois se interessou pela filosofia,
principalmente sob a influência de Anaxarco de
Abdera, em companhia de quem seguiu
Alexandre, o Grande, por ocasião da campanha
da Ásia. Retornando à Élis, fundou uma escola
filosófica que lhe valeu uma enorme reputação
junto a seus concidadãos. Ele vivia de maneira
pobre e simples em companhia de sua irmã,
Filista, que exercia a profissão de parteira
• As coisas são em si indiferenciadas,
incomensuráveis e indiscrimináveis, ou
seja, não têm em si uma essência
estável, e por isso seu ser se reduz a
pura aparências. Seu caráter de
provisoriedade e de inconsistência e
inconsistência emerge quando as
comparamos com a natureza do divino,
que é absolutamente estável e sempre
igual.
• A atitude que o sábio deverá assumir é a
da afasia , ou seja, calar e jamais
expressar qualquer julgamento definitivo,
e assim atingir a ataraxia ou
imperturbalidade (não se deixará
perturbar por nada). Pondo-se à parte de
tudo aquilo que pode perturbá-lo ou tocá-
lo, o sábio poderá viver a vida “mais
igual” e, portanto, mais feliz.