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O documento aborda a evolução da gestão escolar, destacando a transição de um modelo de direção estática e autocrática para uma direção dinâmica e participativa. O papel do gestor escolar é enfatizado como mediador e líder, responsável por envolver a comunidade e implementar práticas pedagógicas eficazes. A gestão participativa é apresentada como uma abordagem que valoriza a colaboração e a corresponsabilidade entre todos os envolvidos na educação.
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O documento aborda a evolução da gestão escolar, destacando a transição de um modelo de direção estática e autocrática para uma direção dinâmica e participativa. O papel do gestor escolar é enfatizado como mediador e líder, responsável por envolver a comunidade e implementar práticas pedagógicas eficazes. A gestão participativa é apresentada como uma abordagem que valoriza a colaboração e a corresponsabilidade entre todos os envolvidos na educação.
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1.

Princípios e Concepções de Gestão Escolar


Introdução

Olá! Você está pronto(a) para iniciar seus estudos sobre gestão escolar? Este é um tema muito
importante e que permeia todas as áreas e os aspectos do cotidiano das escolas. Vamos começar
nossos estudos explorando o conceito e as possibilidades da liderança escolar e destacando a
importância da gestão democrática para uma escola.

Ao longo das últimas décadas, o sistema educacional sofreu muitas mudanças, e, com isso, a figura
do gestor também foi modificada. Se antes, ao pensar no diretor de uma escola, a imagem que vinha
à mente era de rigidez e liderança autocrática, hoje o que se espera do gestor da escola é o
exercício da mediação e o incentivo à participação de toda a equipe, dos alunos e da comunidade, a
fim de atingir os objetivos propostos no planejamento didático e pedagógico.

Todo esse movimento, que altera o sentido e a concepção de educação, de escola e da relação da
sociedade com a escola, tem exigido um esforço enorme por parte dos gestores escolares. Por
exigência, eles necessitam de novas atenções, conhecimentos e habilidades. Sendo assim, convido
você a refletir sobre o conceito de gestor, alguns tipos de gestão e seus principais resultados
pedagógicos. Vamos lá? Bons estudos!

Objetivos de Aprendizagem
 Compreender o papel e as funções do gestor escolar.
 Analisar as formas possíveis de gestão escolar.
 Refletir sobre a gestão participativa e o envolvimento de pais e comunidade na escola.
 O que é ser gestor escolar?

 Pare um instante e reflita sobre estas perguntas: quais funções são desempenhadas pelo
gestor escolar? Quais competências o educador deve ter para assumir a gestão? Qual o
contexto em que as escolas estão inseridas na sociedade atual e o quanto isso influencia a
figura do gestor? Quais são os públicos que o gestor escolar atende?
 Todos esses questionamentos e outros que poderíamos levantar servem de diagnóstico para
ajudar a responder à pergunta que nomeia nosso tópico de estudo: o que é ser gestor
escolar? Para responder isso, vamos analisar o conceito de gestão.
 Fazer a gestão é administrar ou gerenciar algo, no caso específico, gerenciar os processos,
os recursos e as pessoas envolvidas no universo da escola. Assim, o gestor exerce o papel
de líder na comunidade em que está inserido.
 É importante entender a atuação de líder, pois, ao contrário do que o senso comum imagina,
liderança não é algo impositivo e massacrante. Liderar está muito mais relacionado a inspirar
e influenciar a fim de que todos atinjam o objetivo proposto. Conforme define Lück (2014, p.
96):
 Liderança corresponde a um conjunto de ações, atitudes e comportamentos assumidos por
uma pessoa, para influenciar o desempenho de alguém, visando a realização de objetivos
organizacionais. Corresponde à capacidade de influenciar pessoas individualmente ou em
grupo, de modo que ajam voltadas para a realização de uma tarefa, a efetivação de um
resultado, ou o cumprimento de objetivos determinados, de modo voluntário e motivado, a
partir do reconhecimento de que fazem parte de uma equipe e que compartilham em comum
responsabilidades sociais a que devem atender.
 Sendo assim, o papel do gestor escolar configura-se numa missão de conduzir sua equipe a
proporcionar a melhor experiência de aprendizado para os alunos, envolvendo as famílias e a
comunidade. Para isso, o gestor escolar deve atuar no adequado planejamento pedagógico,
acompanhar sua execução, administrar recursos e nortear todo o trabalho que é desenvolvido
na escola. Uma tarefa desafiadora e de extremo valor.
 Atenção!

 Lideranças informais
 Em um ambiente, muitas pessoas podem exercer a liderança mesmo que informal. Muitas
vezes, pessoas que têm determinadas características ou têm posicionamentos específicos
ou, ainda, são carismáticas exercem liderança informal. Não há nada de mal nisso. Pelo
contrário, para o gestor escolar é essencial reconhecer as lideranças em sua comunidade e
aproveitar este potencial para o benefício da escola como um todo.
 Vale ressaltar que o gestor escolar é um agente mobilizador e atua em diferentes dimensões
da gestão educacional: na área administrativa, de pessoas, do currículo, dos resultados
qualitativos e quantitativos.
 É uma atividade que exige conhecimento pedagógico e administrativo sem que nenhum deles
seja colocado acima do outro, em um ambiente cada vez mais dinâmico. É preciso ser
inovador, planejar ações de médio e longo prazos, ter o foco em pessoas e fortalecer os
vínculos por meio da confiança.
Direção estática da escola
Há algumas décadas, o modelo de direção estática era o estilo de gestão vigente nas escolas. O
poder estava sob a ordem do diretor, que exercia um cargo superior e, portanto, sujeitava os demais
(alunos, professores e funcionários) a seguir as normas e regras preestabelecidas de forma
autocrática. A figura, a seguir, ainda que de forma hiperbólica, ilustra o modelo de direção estática.

FIGURA 1Direção estáticaFONTE: ljupco / 123RF.


Seguindo definições impostas pelo Estado, os diretores exerciam as funções de supervisão e
controle, impondo autoridade e seguindo a hierarquia. O papel dos professores era estritamente
técnico em sala de aula, e aos alunos cabia estudar e obter boas notas. Este modelo servia aos
interesses do Estado de oferecer educação, mas, em contraponto, quem não se submetesse aos
princípios definidos era excluído do processo. Havia um excesso de burocracia, e a sociedade era
mais uma vítima que uma beneficiária do serviço prestado.
Muitas são as críticas a este período. Machado (2000, p.15) expõe que:
durante muito tempo, a escola foi castrada na possibilidade de cumprir, plenamente, a sua missão
institucional, visto que durante as décadas de 1970 e 1980, as políticas expansionistas marcaram
pelo centralismo, autoritarismo e pelas estruturas burocráticas verticais.
O conceito de estática vem da falta de dinamismo, uma vez que cada um estava obrigatoriamente
“parado” no cumprimento de sua função imposta pelo Estado. São características desse modelo:
 obrigatoriedade de seguir normas;
 dicotomia absolutista: certo x errado, verdadeiro x falso;
 processos mecânicos para cumprir tarefas;
 foco no controle e na objetividade;
 exclusão dos que não seguem os padrões.
Essa forma de gestão escolar serviu aos interesses de determinado tempo histórico e também
influenciou e influencia a forma como os gestores e a sociedade em geral compreendem os
ambientes escolares e vivem neles.
Uma das consequências dessa forma de direção foi a verticalização e a hierarquização do sistema
de ensino, ou seja, a preocupação com a estrutura deixou de lado a função social da escola.
Também como resultado desse tipo de gestão está a fragmentação da aprendizagem e a perda de
referência ou de comprometimento com os resultados da educação.
Direção dinâmica da escola

A partir da década de 1980, as mudanças políticas, econômicas e sociais ocorridas no Brasil


levaram o modelo de direção estático a uma necessidade eminente de mudança. As transformações
no mercado de trabalho e na forma de interação social forçaram as escolas a caminhar para um
ambiente heterogêneo e popular.
Neste novo contexto, os sistemas educacionais passaram a ser compreendidos como organismos
vivos, ou seja, tudo que envolve a dinâmica escolar se inter-relaciona e se completa. Mais do que
uma nova forma de direção, trata-se de um novo paradigma, uma mudança na forma de pensar e
entender os relacionamentos no ambiente das escolas.
A função de direção da escola deixa a centralidade da administração e do controle para se voltar
para a gestão propriamente dita. A partir daí, inicia-se o processo de evolução e liderança que vem
sendo aprimorado até os dias de hoje.
FIGURA 2Direção dinâmicaFONTE:goodluz / 123RF.

São características da direção dinâmica:


 inter-relação entre todos os aspectos escolares e comunitários;
 dinamismo social construído coletivamente;
 foco na orientação e coordenação, uma vez que o ambiente não é controlável, e sim imprevisível;
 gestor como facilitador na busca por bons resultados para todos;
 participação de todos (equipe, alunos e comunidade) na construção escolar;
 respeito às peculiaridades de cada escola;
 equilíbrio entre gestão pedagógica, de pessoas, administrativa e de resultados.
Claramente podemos perceber que a direção estática e a direção dinâmica apresentam
características opostas. Elas representam diferentes momentos históricos e tiveram e têm seu valor
no contexto em que foram ou são aplicadas.
Considerando essa diferença entre os modelos de direção, é importante lembrar que, para
caminharmos de um até o outro, houve um processo de transição, o qual certamente é sentido no
ambiente escolar até os dias de hoje. É importante que o gestor escolar tenha essa perspectiva bem
clara e compreenda a necessidade de estar sempre desenvolvendo competências e trabalhando
para atender às necessidades da escola e da comunidade onde atua.
Saiba mais!

Aprendizado contínuo do gestor


Um gestor precisa sempre buscar atualização, principalmente pensando na equipe escolar. Por isso,
é importante sempre ter um canal aberto com todos os integrantes da equipe, para manter um
diálogo que vise à construção e à atualização de saberes. Nesse sentido, recomendamos a leitura
da obra Gestão escola: enfrentando os desafios e cotidianos de escolas públicas. Essa é uma obra
que apresenta vários artigos que discutem questões relevantes sobre o fortalecimento do trabalho
pedagógico de uma escola.
Vale a pena a leitura atenta!

Falaremos mais sobre as atribuições do gestor escolar no contexto da direção dinâmica. É


importante não perder de vista que essa forma de direção está associada ao modelo de gestão
democrática que será abordado de modo aprofundado mais à frente. Neste momento, não esqueça
que o dinamismo na gestão sempre estará associado à coparticipação dos atores que compõem a
comunidade escolar.

Funções do gestor escolar

Ao observarmos a evolução na forma de direção escolar, no contexto atual, as funções do gestor


referem-se à mediação e ao envolvimento da coletividade a fim de atingir os objetivos educacionais.
O gestor está envolvido em todo o processo de produção, implementação e avaliação do projeto
político-pedagógico da escola. Ele exerce uma função social, de gerar significado aos alunos em seu
processo de aprendizagem, e política, no que se refere à formação dos indivíduos.
Há ainda a função pedagógica propriamente dita de integrar disciplinas e saberes e atuar na relação
professor-aluno e em todas as demais variáveis que levarão a um aprendizado pleno e repleto de
sentido.
É função do gestor escolar também apresentar competência técnica relacionada à ação de gerir o
ambiente escolar e liderança no espaço em que está inserido, bem como assumir um compromisso
com a educação.
Para traçar um comparativo do volume de atribuições do gestor escolar, Toledo (2016) desenhou o
esquema a seguir:

INSTITUIÇÃO COMERCIAL/
INSTITUIÇÃO ESCOLAR: ATRIBUIÇÕES DO GESTOR INDUSTRIAL,
ATRIBUIÇÕES DE:

Planejamento e desenvolvimento da formação em serviço de


funcionários, acompanhar e validar a frequência e pontualidade dos
Profissional de recursos humanos
colaboradores, bem como providenciar sua substituição, quando
necessário

Planejamento e gerenciamento organizacional


Profissional da administração

Documentação contábil, tomadas de preço, compras, contas a pagar,


Profissional contábil
documentação fiscal, prestação de contas

Supervisão da manutenção predial e a limpeza Profissional de zeladoria

Acompanhar, supervisionar o controle e providenciar o abastecimento


Profissional de almoxarifado
de materiais

Acompanhar e avaliar a qualidade do serviço prestado pela merenda Profissional da área de saúde
escolar alimentar

Acompanhar casos de alunos com deficiências, no que tange à


assistência realizada fora da escola (fonoaudiologia, psicologia,
fisioterapia, psiquiatria, etc.) Profissional da área da saúde
Acompanhar e supervisionar a abertura de portões, entrada e saída de
Portaria
alunos
Quadro 1 - Comparativo das atribuições do gestor escolar.
Fonte: Toledo (2016, p. 20).
São muitas as funções do gestor, você não acha? Por isso, esse profissional deve ter uma formação
adequada, experiência escolar e disposição para assumir tantas responsabilidades.

FIGURA 3Gestor multitarefasFONTE:harunatsukobo / 123RF.

O Ministério da Educação (MEC) também reconhece a amplitude designada a esta função na


escola, conforme descrito:
O gestor escolar desempenha múltiplas funções e atende a demandas diversas que dependem de
sua ação gerencial. Deve possuir competências e habilidades que lhe permitam exercer forte
liderança para adotar medidas que levem à construção de uma escola efetiva, com base em uma
cultura de sucesso, gerada e gerenciada no interior da própria escola, alinhada aos princípios da
gestão democrática e participativa (BRASIL, 2008, p. 77).

A fim de concluir com êxito a tarefa, o gestor escolar deve saber gerir sua equipe e atuar de forma
ativa, proporcionando espaços de participação de todos e compartilhando decisões e
responsabilidades. Para isso, o MEC orienta que a direção se desenvolva em seis diferentes áreas,
que veremos a seguir.
Saiba mais!

Um diretor contra todos


O filme Um diretor contra todos (“The principal”), lançado em 1987, nos Estados Unidos, retrata a
história de um diretor escolar que consegue um emprego numa escola com diversos problemas.
Entretanto, ao longo do filme, ele, por meio de sua atuação e relacionamento com os demais,
consegue resolver problemas e obter excelentes resultados com sua equipe e alunos.
Saiba mais no link a seguir:

Efetividade do processo de ensino-aprendizagem

O termo efetividade remete à capacidade de agir e completar determinado objetivo. Assim, ter
efetividade no processo de ensino-aprendizagem diz respeito a proporcionar acesso, continuidade e
formação completa dos alunos, formando sujeitos inteiros, críticos e plenos em conhecimento.

FIGURA 4Efetividade na aprendizagemFONTE:yarruta / 123RF.

Nesse sentido, cabe ao gestor dedicar esforços na elaboração e implementação da proposta


pedagógica, inter-relacionando as diretrizes gerais da educação ao currículo e ao plano de ensino.
Nesse contexto, as novas tecnologias da educação apresentam-se como aliadas, enriquecendo e
apoiando o processo de ensino-aprendizagem. É necessário incentivar seu uso, a fim de promover
mais interatividade e dinamismo em sala de aula.
Efetividade também diz respeito a observar e, se preciso, intervir no progresso dos alunos. Compete
ao gestor realizar esse acompanhamento, com base nos marcos de aprendizagem definidos para
cada nível de ensino e apoiar pedagogicamente os professores e educandos.
Do ponto de vista prático, o gestor acompanha a efetividade pelo cumprimento do regimento interno
e do calendário escolar em relação ao currículo que deve ser seguido e o que foi definido no projeto
pedagógico. É ele também quem coordena reuniões, analisa resultados e propõe intervenções. Para
isso, dispõe de registros, avaliações e diários de classe. É importante manter todos esses
documentos atualizados e organizados.
Uma atuação atenta, organizada, com suporte e proximidade com a coordenação pedagógica da
escola, garante excelentes resultados no processo de ensino-aprendizagem.
Gestão participativa de processos
A direção dinâmica deu início a uma nova forma de gestão - a gestão participativa - em que na
direção dos processos as decisões e responsabilidades são compartilhadas. Nesse contexto, o
gestor atua em parceria com o conselho escolar, formado por representantes da comunidade
escolar, levando as decisões da esfera individual para o formato de colegiado.

FIGURA 5Gestão participativa - trabalho em equipeFONTE:rawpixel / 123RF.

Isso permite mais representatividade e, ao mesmo tempo, corresponsabilidade por parte de todos os
que formam esse colegiado. O gestor assume um papel de coordenador, que elabora e implementa
o regimento interno, é parceiro na gestão junto ao conselho e busca atingir os objetivos propostos
pelo grupo.
Essa forma colaborativa facilita encontrar soluções inovadoras para os problemas da escola e
estabelece normas e diretrizes que acabam por envolver diferentes segmentos de ensino.
Compete ao gestor, com aval do conselho escolar, elaborar o plano de gestão escolar, alinhado a
todas as outras normas e regulamentos já definidos.
Também faz parte da gestão participativa as decisões inerentes aos espaços físicos da escola:
biblioteca, laboratórios, quadras, salas de aula, etc. Como otimizar os recursos financeiros para a
execução do orçamento e investimentos necessários? É um grande desafio.
As rotinas escolares, bem como as atividades esportivas e culturais, também são definidas pelo
gestor e pelo conselho escolar, assim como todo o monitoramento de mobilidade dentro da unidade
escolar.
Clima escolar
O clima tem relação direta com o ambiente. Refere-se a como as pessoas se sentem no ambiente
da escola, se estão engajadas ou não, qual o nível de satisfação individual e como isso é percebido
coletivamente. Uma das atribuições do gestor educacional é desenvolver o ambiente a ponto de
levar a comunidade escolar a se responsabilizar pela escola e ser parte integrante e ativa do
processo de ensino-aprendizagem. É engajar todos para o alcance dos objetivos.
FIGURA 6Clima escolar favorávelFONTE:dolgachov / 123RF.

Para isso, o gestor deve se utilizar de estratégias gerenciais, conhecendo o ambiente e antecipando
possíveis problemas. Isso é possível quando há cuidado e atenção para cumprir a legislação,
atenção às normas e manutenção de um elevado padrão de qualidade no ensino.
O gestor pode envolver a comunidade da escola por meio de relacionamentos, da gestão
democrática, mantendo abertos os canais de comunicação, coordenando ações socioeducativas e
reforçando práticas que garantam um ambiente de confiança, aberto e acessível.
Envolvimento dos pais e da comunidade
Nunca antes na história da educação brasileira houve tanta necessidade de aproximar os pais e a
comunidade das escolas. Em diversos lugares já foi demonstrado que o envolvimento das famílias e
da comunidade na escola reflete em benefícios para os alunos, os professores e para a própria
comunidade.
Dessa necessidade de participação e relacionamento, foram estabelecidas associações de pais,
professores e alunos, no intuito de ampliar o engajamento nos assuntos escolares.
O gestor escolar deve incentivar essa prática com a criação de associações e conselhos
comunitários e deve, ainda, estimular o envolvimento dos pais na educação dos filhos,
acompanhando o desempenho e ampliando os canais de comunicação.
Quanto maior a integração escola-família-comunidade, melhores serão os resultados sociais e
pedagógicos advindos da escola.

Desenvolvimento do patrimônio humano


Trabalhar o patrimônio humano refere-se a desenvolver um espaço favorável e oportuno para a
formação profissional, pesquisa, reflexão pedagógica e melhoria da prática educativa. Um ambiente
saudável em que é possível crescer em todos os sentidos.
Para isso, cabe ao gestor ter uma conduta transparente, com prestação de contas à comunidade,
cuidado com o orçamento escolar, conhecimento legal e normativo.
O gestor também faz a mediação dos relacionamentos internos, com vistas a manter um ambiente
de confiança e agradável.

Instalações, materiais e a responsabilidade do gestor


O ambiente físico tem um papel preponderante no alcance das metas de ensino-aprendizagem, e,
portanto, sua conservação também é atribuição do gestor escolar. A ele cabe lutar por uma
infraestrutura básica que funcione adequadamente, com as manutenções em dia, bem como
disseminar a necessidade de cuidado e valorização dos bens públicos.

FIGURA 7Instalações escolaresFONTE:tele52 / 123RF.

Nesse contexto, é preciso analisar sistematicamente os ambientes e equipamentos a fim de


identificar alvos de manutenção, além de fazer a gestão dos recursos financeiros para a obtenção
dos materiais necessários para o bom funcionamento da escola.
Também entram neste item os materiais dos quais os professores precisam dispor para executar
suas atividades. Sempre que possível, o gestor deve promover campanhas de conscientização da
comunidade escolar em relação ao cuidado e à preservação do patrimônio e dos materiais.
Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos videos a seguir, temas que
complementarão seus estudos:
Videoaula
Videoaula

Indicação de Leitura

Livro: Gestão educacional: uma questão paradigmática


Autora: Heloisa Lück
Ano: 2006
Editora: Vozes
ISBN: 9788532632968
Comentário: esta leitura é recomendada, pois Heloisa Lück é uma das maiores autoridades do país
em gestão escolar. Seu livro apresenta o conceito de forma contextualizada e bastante aprofundada.
Atividade
Sobre a gestão democrática, observe a seguinte pergunta: há alguma diferença entre a gestão
democrática que se deseja para a escola pública e a gestão democrática praticada pela
administração em geral, especialmente a empresarial?
A.Sim, a, gestão democrática da escola pública visa a formar integralmente o cidadão, enquanto o meio
empresarial visa ao comando e à qualidade total.
B.Não, não há nenhuma diferença, pois a escola e o mercado terão sempre os mesmos objetivos de lucro e
de um ambiente inclusivo e integrador.
C.Não, pois a construção coletiva é algo que cria um caos incompatível com a entrega de resultados
necessária no mundo contemporâneo.
D.Em partes, existem diferenças, mas não são muitas: a diferença é que empresas têm preocupações
orçamentárias e uma escola não tem.
E.Sim, pois a gestão escolar deve ter uma concepção estática de escola e de direção, orientada pelos
princípios da racionalidade linear.
Resposta Correta

A alternativa está correta, pois em uma empresa, se algo não é eficiente e eficaz, pode ser cortado.
Porém, em uma escola, deve-se preocupar com a formação integral. Assim, uma escola precisa ter
um compromisso com a formação de cidadãos e, por isso, sempre irá buscar alternativas para fazer
interferências nos alunos que não estão indo bem. A construção coletiva sempre irá buscar a
integração.
Atividade
Vimos que o gestor escolar trabalha com vários conflitos no dia a dia escolar e conhecemos também
alguns perfis de gestores, que possuem características capazes de facilitar o diálogo e a solução de
problemas. O gestor precisa ser, sobretudo, um bom líder.

Observe as afirmativas a seguir.

I. Um líder precisa saber observar as características e habilidades principais dos integrantes de sua equipe. Ele
deve ter a pretensão de mudar o modo de ser das pessoas para que elas possam se adequar à equipe.
II. Quase todos os gestores escolares já foram professores. Por isso, a maioria traz consigo o ideal de ter todas
as respostas na ponta da língua. E isso é esperado: que todo gestor seja um sabe tudo e tenha todas as
respostas.
III. Um bom gestor precisa ter conhecimento das principais ações de sua equipe. Mas, para isso, não é
necessário vigiar ou se meter no trabalho do outros. Ele deve gerenciar o trabalho, inspirar, mas jamais ser
invasivo.
IV. O bom gestor estabelece diretrizes: estabelecer um plano de ação é fundamental, ou seja, é preciso deixar
claro, para todos os membros de sua equipe, qual o curso da ação, os objetivos, as possibilidades e os
obstáculos.
A respeito do papel de um líder, está correto o que se afirma em:

A.I e III, apenas.


B. I, III e IV, apenas.
C.III e IV, apenas.
D.II e IV, apenas.
E.I, II, III e IV.
Resposta Correta

A alternativa está correta, pois a afirmativa I está incorreta, já que, apesar de um líder poder inspirar
pessoas, ele não deve ter isso como foco. A II está incorreta, pois o bom líder tem humildade para
aprender com os outros e constrói conhecimento coletivamente. Já as afirmativas III e IV apontam
corretamente características de bons gestores.
Atividade
Há dois modelos de gestão escolar que foram amplamente discutidos no nosso material: o modelo
de gestão estático e o modelo de gestão dinâmico. A partir da década de 1980, as mudanças
sociais, políticas e econômicas brasileiras levaram as escolas de um modelo ao outro, em uma
transição que pode ser sentida até os dias de hoje.

Em relação a eles, analise as afirmativas a seguir.

I. Produziu na educação diretores que não lideram, professores que não ensinam, alunos que não aprendem.
Todos esperando que o “outro” faça alguma coisa, para resolver os problemas ou dificuldades do sistema de
ensino.
II. Possui enfoque mecanicista de emprego de pessoas e recursos para realizar apenas os objetivos
organizacionais. Dessa forma, reduz os processos de ensino a tarefas mecânicas, realizadas
automaticamente e sem vida.
III. Esse modelo considera a escola como organizações vivas, caracterizadas por uma teia de relações e
diversos elementos. E por isso, sua direção também precisa ter um novo enfoque e nova organização.
IV. De acordo com essa teoria, administrar corresponde a comandar, a controlar a realidade escolar para que
absolutamente nada fuja do controle e do conhecimento do gestor.
V. A fundamentação teórica que embasa o trabalho da direção da escola muda completamente e passa a ser
entendida como uma equipe. Essa equipe precisa ter uma grande consciência da realidade social e das
necessidades da comunidade escolar.
Sobre as características do modelo dinâmico, está correto o que se afirma em:

A.III e V, apenas.
B.I, II e IV, apenas.
C.I, II e III, apenas.
D.II, III e V, apenas.
E.III e IV, apenas.
Resposta Correta

A alternativa está correta, pois as afirmativas I, II e IV apresentam características do modelo


estático, um modelo rígido em que o diretor exerce autoridade total na escola e não há margem para
a construção coletiva. Já as afirmativas III e V apresentam características de um modelo dinâmico
que se abre para a possibilidade democrática.

Síntese
Chegamos ao final deste material de estudo! Esperamos que tenha ficado claro para você o que
significa o termo gestor e a importância dessa função para o desenvolvimento escolar.

Refletir sobre o conceito de gestão e sua relação com o estilo de liderança como propulsor da
atuação do diretor escolar é essencial para a construção de uma gestão democrática. O processo é
dinâmico, a escola é um organismo vivo e há muitos atores
envolvidos.

Na sequência, tomamos conhecimentos das funções e atribuições do gestor. Por meio delas,
percebemos o quanto sua atuação na escola é importante, pois o gestor escolar realiza múltiplas
funções, atendendo a demandas diversas, que abrangem desde os procedimentos pedagógicos até
os administrativos e financeiros. Para dar conta de tantas responsabilidades, ressaltamos a
importância do trabalho em equipe e da construção de uma equipe competente. Afinal, é essa
equipe que levará a sua escola ao sucesso
Introdução
A escola é a principal instituição promotora da cultura e do aprendizado de um indivíduo. Associada
à família e à sociedade de forma geral, esta não pode ser vista como uma parte separada de um
todo que envolve o ser humano.
Ao longo dos anos, muitos foram os cenários, contextos e mudanças pelos quais a escola passou,
ora sendo apoiada, ora sendo criticada pela sociedade em seus diversos segmentos. Por isso, não é
possível acreditarmos que a formação do indivíduo contempla apenas questões técnicas.

O ser humano, em toda sua complexidade, exige flexibilidade (de forma consciente ou não). Essa
flexibilidade, quando no campo profissional, é de extrema necessidade, para que paradigmas sejam
destruídos e novos conhecimentos sejam criados.

Na área da gestão escolar, o princípio democrático e a aprendizagem dos alunos precisam


desenvolver-se em relações de interação e comunicação entre pais, profissionais e alunos, para que
as políticas educacionais e o sistema de ensino, de forma geral, acompanhem as demandas e
necessidades da sociedade. Assim, o gestor é a chave-mestra para um ambiente mais propício para
a aprendizagem pautado na igualdade de oportunidades para todos os envolvidos.

Diante desse contexto, vamos estudar sobre os saberes, as competências e as habilidades


necessárias a um gestor diante do que já discutimos até o momento. Além disso, vamos conhecer
sobre os espaços educativos, o planejamento e a elaboração da proposta de atuação do pedagogo
na gestão escolar.

A reflexão e a discussão sobre esses aspectos trarão, para nós, condições para repensarmos
novas posturas e atuações em nosso dia a dia escolar, de forma consciente e responsável.

Objetivos de Aprendizagem
 Estudar sobre os saberes, as competências e as habilidades necessárias a um gestor.

O Gestor Educacional

Qual é o papel de um gestor no ambiente educacional? Há atribuições específicas para este


profissional?
A resposta para as questões anteriores dependem unicamente do profissional que, consciente de
suas atribuições, busca saberes para desenvolver suas competências, que vão influenciar em sua
prática e em todo o seu contexto.
Um gestor comprometido com sua profissão parte do princípio de que o conhecimento é algo a ser
“construído” constantemente; é sobre esta ideia que vamos trabalhar a seguir.

Atribuições e saberes de um gestor


Quando falamos em ambiente democrático na gestão escolar, referimos-nos a um período que se
iniciou na década de 1980, cujo objetivo foi superar entraves burocráticos e centralizadores na
administração das escolas, proporcionando maior autonomia, reorganização e fortalecimento da
instituição escolar e, ao mesmo tempo, proporcionando a participação efetiva da comunidade
escolar, fortalecendo, assim, a gestão do diretor escolar.
Garantida pela Constituição Federal de 1988, a gestão democrática foi apresentada como um
princípio constitucional, no artigo 206, que descreve' “o ensino será ministrado com base nos
seguintes princípios: [...] VI. Gestão democrática do ensino público, na forma da lei” e reafirmada na
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, no artigo 3º, inciso VIII. Na LDB, o Artigo
14 estabelece que
os sistemas de ensino definirão as normas da gestão de ensino público na educação básica, de
acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I. Participação dos profissionais
da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II. Participação das comunidades
escolares e local em Conselhos Escolares ou equivalentes (BRASIL, 1996, Art. 14).
Dentro desta participação mais ativa do indivíduo na sociedade, Saviani (2013), em sua perspectiva
sobre a prática educativa, defende que a apropriação do saber é uma condição indispensável para
que o indivíduo desenvolva-se e, assim, consequentemente, todo o seu contexto também. Nessa
perspectiva democrática, todos estão envolvidos e comprometidos com a busca pela educação de
qualidade: alunos, pais/responsáveis e equipe escolar (diretor, professores, coordenadores, agentes
administrativos, etc.). O gestor envolvido com este princípio desenvolve sua prática baseada na
interação e na comunicação com todos esses atores, participando, de forma ativa, de grupos de
trabalho, capacitações e discussões necessárias ao bom andamento das políticas e do sistema
educacional de forma geral.
Libâneo (2004) definiu, como atribuições e saberes necessários para um gestor:
a. Supervisionar e responder às questões administrativas e pedagógicas da escola diante de alunos, pais e
comunidade.
b. Assegurar condições e meios de manutenção para garantir um ambiente favorável de trabalho e aprendizado,
para atingir aos objetivos da escola.
c. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade, por meio de conselhos e mediante
atividades pedagógicas, culturais, científicas e esportivas.
d. Organizar e coordenar atividades que envolvam o planejamento e o projeto pedagógico do currículo escolar e
acompanhar todo o andamento do processo que garanta sua execução.
e. Conhecer, compreender e respeitar a legislação educacional, bem como as normas dos órgãos competentes
e do regimento escolar assegurando seus cumprimentos.
f. Aplicar diretrizes para o funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando irregularidades de
qualquer natureza de forma transparente.
g. Conferir e assinar documentos escolares, dar andamento à processos e correspondências referentes à
escola, alinhado à secretaria local.
h. Supervisionar e se responsabilizar pela organização financeira da escola.
i. Acompanhar a produtividade da escola, incluindo a avaliação do projeto pedagógico, da organização escolar,
currículo e dos professores.
j. Buscar meios e condições para que a atividade de professores e demais membros da equipe escolar tenham
condições para desenvolver um trabalho de qualidade na escola.
Trata-se de um constante check-list profissional (Figura 1.1), podendo ser semanal, mensal ou
bimestral, enfim, o mais importante é que este acompanhamento seja realizado, para que o
profissional possa auto avaliar-se e verificar o que está de acordo ou não com a sua atuação.
FIGURA 1Atribuições de um gestorFONTE:Manop Jankan / 123RF.

O trabalho do gestor é fundamental para que o papel social da escola seja cumprido, nesse sentido,
Libâneo, Oliveira e Tochi (2008) defendem que o processo educativo, em sua natureza, inclui o
conceito de direção, bem como sua estrutura e funcionamento são fatores essenciais para atingir os
objetivos de formação, dando intencionalidade ao processo educativo.
Mas, para que esses saberes e atribuições sejam cumpridos, algumas competências são
necessárias ao gestor, conforme veremos a seguir.

Competências para um gestor


A qualidade da educação está relacionada à competência dos profissionais que a representam, pois
é desta que habilidades e atitudes são desenvolvidas, além da construção do conhecimento.
Para Luck (2008, p. 10), a competência pode ser compreendida sob dois aspectos: o da
função/profissão e o da pessoa que a exerce.
Quanto à profissão, competência pode ser definida como um conjunto sistêmico de padrões mínimos
necessários para o bom desempenho das responsabilidades que caracterizam determinado tipo de
atividade profissional. Em relação à pessoa, é a capacidade de executar uma ação específica ou dar
conta de uma responsabilidade específica [...].
A atividade da gestão não acontece apenas diante de saberes e atribuições. Para que esta
aconteça, de fato, competências e habilidades são necessárias.
No ambiente escolar, considera-se um conjunto de ações necessárias para que um gestor possa
desenvolver um trabalho de qualidade, independentemente do tipo ou da fase escolar ao qual ele
pertence. É notório que cada fase possui suas exigências específicas, mas de forma geral, um perfil
que atenda às necessidades citadas pode traçar um caminho mais consciente e responsável nos
caminhos da gestão.
Bordigno e Gracindo (2000, p. 174) destacam dois aspectos de grande importância para o perfil do
gestor escolar, que são:
 Qualificação técnica: exige o conhecimento dos fundamentos da Educação e da Pedagogia, acrescida da
necessária base docente, bem como dos processos de gestão de uma organização em nível de escola e de
sistema;
 Qualificação política: exige sensibilidade para perceber todos os movimentos da realidade, capacidade
dialética de negociação de conflitos nas relações interpessoais, considerando as individualidades (diferenças
individuais), e coordenando o potencial da instituição para atingir sua finalidade, vindo, então, a instituição a
cumprir seu papel.
Além dos autores citados, outros diversos apresentam-nos competências nesta área, por exemplo,
Phillip Perrenoud (1944), que é considerado uma referência entre os pesquisadores na área da
Educação e está presente em documentos oficiais, como os Novos Parâmetros Curriculares
Nacionais e programas de alfabetização, que foram estabelecidos pelo Ministério da Educação a
partir da década de 90. Embora as competências citadas pelo autor refiram-se diretamente ao
professor, o gestor não pode esquecer ou desconhecê-las, pois todo o processo educativo está
pautado em exigências, saberes, habilidades, atribuições e competências, que são comuns a todos
aqueles que convivem no cenário educativo.
Dessa forma, percebe-se a ligação entre a atuação do professor e do gestor em cada uma das dez
competências citadas por Perrenoud (2000, p. 171):
1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
2. Administrar a progressão das aprendizagens.
3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação.
4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho.
5. Trabalhar em equipe.
6. Participar da administração da escola.
7. Informar e envolver pais e comunidade.
8. Utilizar novas tecnologias.
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão.
10. Administrar sua formação contínua.
Cada competência citada envolve o gestor, seja na supervisão ou no próprio ato de desenvolver,
auxiliando sua equipe escolar (na motivação, na estimulação, na resolução de possíveis problemas
ou dificuldades na execução). Porém, por tratar-se de uma gestão, competências como as citadas
na Figura 1.2, a seguir, também precisam estar inseridas neste perfil profissional.
FIGURA 2Competências de um gestorFONTE:Elaborada pela autora.

A atividade de gestão ou gerenciamento no ambiente escolar traz, ao gestor, a responsabilidade


para que os processos funcionem e as pessoas trabalhem por estes em um ambiente saudável e
produtivo, no sentido de que o desenvolvimento seja possível para todos da comunidade escolar.
A gestão, em si, apresenta, em seu conceito, conforme Luck (2005) descreve, a associação de
talentos e esforços coletivos e organizados em uma ação conjunta, orientada por uma vontade
coletiva.
Se na área pedagógica podemos basear-nos em Perrenoud, na gestão administrativa, Luck (2005,
p. 84) pode apresentar-nos importantes pontos:
visão de conjunto e de futuro sobre o trabalho educacional e o papel da escola na comunidade;
conhecimento de política e da legislação educacional; habilidade de planejamento e compreensão
do seu papel na orientação do trabalho conjunto; habilidade de manejo e controle do orçamento;
habilidade de organização do trabalho educacional; habilidade de acompanhamento e
monitoramento de programas, projetos e ações; habilidade de avaliação diagnóstica, formativa e
somativa; habilidade de tomar decisões eficazmente; habilidade de resolver problemas criativamente
e de emprego de grande variedade de técnicas.
Esta visão de conjunto sobre o trabalho educacional (Figura 1.3) é uma forma saudável de
compartilhar, com a equipe, conhecimentos e habilidades.
FIGURA 3O gestor e a equipe escolarFONTE:MiroAlt / Pixabay.

Compartilhar a responsabilidade de projetos e avaliações aproxima os profissionais e pode propor


grandes parcerias no ambiente, além de demonstrar a confiança do gestor em sua equipe e no
potencial que podem desenvolver e representar.
Atenção!

E Agora?

Diante do que discutimos até o momento, você consegue identificar vantagens e desvantagens na
atuação de um gestor escolar? Pode parecer difícil, mas este exercício pode lhe trazer a reflexão
que estamos buscando. Quando você consegue perceber os dois lados de uma mesma situação,
você visualiza pontos conhecidos ou ainda desconhecidos por você. Refletir sobre o que você está
estudando pode auxiliar na sua prática e nos estudos, trazendo foco para áreas que você precisa se
dedicar mais, ou conhecer um universo a ser explorado.

Fonte: Elaborado pela autora.

Caracterização dos Espaços de Educação do Pedagogo na Gestão Educacional

De forma geral, as características encontradas em uma instituição escolar evidenciam, potencializam


ou até comprometem as aprendizagens. Desde a sua regularização prevista no regimento escolar, o
funcionamento de uma instituição de ensino precisa estar de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (BRASIL, 1996).
Diante disso, a estrutura do ambiente precisa ser uma preocupação do gestor, no sentido de buscar
oferecer condições para que alunos, professores e comunidade possam aprender, serem recebidos,
além de desenvolverem seus trabalhos em um ambiente livre de riscos, exclusões ou dificuldades
em todos os sentidos que o termo apresente.
FIGURA 4O gestor e a espaço educativoFONTE:LTDatEHU / Pixabay.

A realidade financeira de um gestor dificilmente é tranquila, no sentido de dispor de verbas, repasses


ou recursos em abundância. Sendo assim, o controle financeiro e o planejamento estratégico de um
gestor é o que diferencia uma gestão de outra. As prioridades estabelecidas por um gestor devem,
sempre, atender às necessidades locais e planejar o que for necessário para que o aprendizado não
encontre barreiras para acontecer.
Não há como estabelecer um padrão do espaço educativo, tendo em vista a diversidade de
condições que o ambiente pode estar envolvido (o ambiente pode ter sido construído com a
finalidade escolar ou adaptado, doado, alugado, reformado para cumprir tal finalidade, etc.), porém
há requisitos e características que são recomendados aos ambientes escolares que, além de
atender questões básicas de atendimento e funcionamento, atuam como atrativos, contribuindo para
um ambiente que favoreça a aprendizagem e a convivência escolar. Por isso, na atualidade,
podemos encontrar escolas, colégios e universidades que investem na questão estrutural, de forma
que, de fato, agradem e convençam a sua comunidade. Contudo, condições básicas devem ser
respeitadas e todas estas incluem a segurança e o direito de acessibilidade de todos que usufruem
daquele local.
O espaço na educação é constituído como uma estrutura de oportunidades. É uma condição externa
que favorecerá ou dificultará o processo de crescimento pessoal e o desenvolvimento das atividades
instrutivas. Será estimulante ou, pelo contrário, limitante, em função do nível de congruência em
relação aos objetivos e dinâmica geral das atividades que forem colocadas em prática ou em relação
aos métodos educacionais e instrutivos que caracterizem o nosso estilo de trabalho. O ambiente de
aula, enquanto contexto de aprendizagem, constitui uma rede de estruturas espaciais, de
linguagens, de instrumentos e, finalmente, de possibilidades ou limitações para o desenvolvimento
das atividades formadoras (ZABALZA, 1998, p. 236).
Esta caracterização do espaço educativo é um ponto importante, que deve ser bem descrito e
observado nos relatórios de estágio do aluno do curso de Pedagogia, pois este pode trazer
demonstrações claras da atuação e preocupação da gestão.
Atenção!

O Espaço Educativo

O espaço educativo é um “conjunto de espaços” e, por isso, “[...] deve compor um todo coerente,
pois é nele e a partir dele que se desenvolve a prática pedagógica, sendo assim, ele pode constituir
um espaço de possibilidades, ou de limites; tanto o ato de ensinar como de aprender exigem
condições propícias ao bem-estar docente e discente”.

Fonte: Ribeiro (2004, p. 105).


Lembre-se: não podemos pensar no espaço educativo com restrição ou limitação; precisamos
pensar em um “conjunto de espaços”.

Planejamento e Elaboração da Proposta de Atuação no Espaço Educativo

Diante do que discutimos até agora, você saberia pontuar qual é o papel do gestor (ou diretor, como
também é conhecido) no espaço educativo?
O planejamento é a base do trabalho de todo gestor. No ambiente escolar, esse planejamento
envolve uma proposta de atuação que pode ser definida e conduzida de forma que seja
determinante nos resultados que envolve os processos de ensino-aprendizagem.
Adotando a critérios da Administração, o gestor escolar que trabalhar com metas pode conseguir
mais facilidades para estabelecer parâmetros em seus resultados e, com isso, evitar problemas
administrativos mais graves em sua instituição.
A gestão não é apenas uma dessas coisas, mas todas elas: é o controle, a ação, os negócios, o
pensamento, a liderança, a decisão e muito mais, não somados, mas misturados. Elimine qualquer
um desses papéis e você deixa o trabalho de gestão incompleto (MINTZBERG, 2010, p. 56).
A gestão escolar, para Machado (2014, p. 7), integra várias instâncias, desde “[...] o nível macro
(órgãos superiores do sistema – instâncias federal, estadual e municipal) até o nível micro (a
escola), buscando garantir o desdobramento de políticas e diretrizes, além de sua operacionalização
no contexto da escola”.
Saiba mais!

Gestão Escolar

O vídeo traz uma analogia sobre a gestão escolar, retratando a postura do gestor dentro do
ambiente educacional, demonstrando a necessidade de determinação dentro de um trabalho, bem
como a criatividade, domínios e estratégias pedagógicas a serem implantadas.
Acesse o link:Acesso em: 21 ago. 2019.

Fonte: Elaborado pela autora.


Dessa forma, o planejamento trata de um sistema integrado de decisões, o qual remete o gestor ao
processo de pensar, criar, moldar e “controlar o futuro da organização dentro de um horizonte
estratégico” (PEREIRA, 2010, p. 44).
Seja o planejamento destinado ao setor pedagógico, financeiro ou voltado aos recursos humanos,
imprevistos acontecem e, por isso, o planejamento é necessário para manter o foco e seguir adiante.
Para Vasconcelos (1995), podemos definir o planejamento como uma ação, que significa antecipar
(de forma mental), a ser realizada e agir de acordo com o previsto.
Assim, quando o gestor escolar planeja a sua ação educativa (relação teoria-prática), este busca
interferir na realidade encontrada, seja para manter ou para melhorar. Esta tomada de decisão
acontece a todo momento e precisa estar presente no Plano Político Pedagógico (PPP), seja no
planejamento de atividades ou na avaliação da realidade em si. Por isso, compreender a dinâmica
pedagógica (o que acontece na sala de aula, no currículo, entender crenças e valores locais, etc.)
interfere nas formas de organização do trabalho pedagógico e na gestão adotada.
A promoção de conselhos formados pela comunidade escolar (Figura 1.5) é uma forma de ouvir
outros lados a respeito de questões importantes, sejam estas pedagógicas ou comportamentais, e
garante que a gestão democrática não se desvie de seu caminho.
O desenvolvimento de conhecimento e formação de profissionais entendidos em gestão
educacional, capazes de implementar e operar as transformações necessárias dos sistemas de
ensino e escolas, é prioritário, por ser condição fundamental para o imprescindível salto qualitativo
da educação brasileira (LUCK, 2011, p. 24).
A comunidade escolar é uma parceria valiosa para o gestor, pois pode auxiliá-la em questões
cotidianas. A questão da segurança local, por exemplo, pode ser uma atividade compartilhada com a
comunidade, desenvolvida em projetos ou eventos mais simples, como uma palestra sobre os
cuidados na conservação ou preservação do patrimônio, até mesmo quanto à questão da
aproximação de pessoas ou atividades estranhas nas proximidades, etc. Estando cientes da
contribuição que podem oferecer à escola, a comunidade absorve a tarefa com facilidade e
responsabilidade; depende do gestor trabalhar tais ideias nos conselhos formados.

FIGURA 5O gestor e o planejamentoFONTE:GraphicMama-team / Pixabay.

Esta formação de conselhos pode favorecer parcerias importantes, como contar com a ajuda dos
pais na organização de eventos ou pequenos acertos que envolvam a comunidade; contar com o
apoio e o feedback de alunos a respeito de atividades necessárias a serem desenvolvidas, etc. É um
recurso/ferramenta interessante, quando bem aproveitado(a).
Saiba mais!

Influência
Você sabia que o gestor pode influenciar na maneira como é constituída a cultura escolar e
contribuir (ou não) para um ambiente inclusivo? Pois é, pode sim! Como o texto a seguir apresenta,
a democratização da gestão e a educação inclusiva estão relacionadas, o que sugere que uma
escola inclusiva é, antes de tudo, uma escola democrática. “A experiência como professora também
motivou a diretora a ter uma atitude empática com as dificuldades encontradas pelos professores de
alunos com necessidades educacionais especiais: Eu sei... pela experiência que tive, eu tive uma
aluna de inclusão: para o professor também é desgastante. Proporcionar boas condições de trabalho
ao professor pela possibilidade de debater com o grupo as dificuldades, e encontrar nessa discussão
boas formas de intervenção, é um objetivo da diretora, relacionado com sua experiência profissional”
(SILVA; LEME, 2009, on-line). Fique por dentro, acessando: Acesso em: 21 ago. 2019.
Fonte: Silva e Leme (2009, on-line).
Saiba mais!

Perfil da Gestão Escolar no Brasil


A tese de Ângelo Ricardo de Souza, defendida na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São
Paulo, em 2006, traz o perfil da gestão escolar no contexto brasileiro, discutindo a concepção de
autores e a realidade encontrada em escolas. “Os estudos ao longo do século XX no campo da
gestão escolar no Brasil compreendem que o diretor é um educador que tem a tarefa de coordenar o
esforço coletivo desenvolvido na escola, pois a gestão escolar é, antes de tudo, a coordenação
deste trabalho com vistas aos objetivos educacionais” (SOUZA, 2006, p. 310). Para saber mais,
acesse o link:Acesso em: 21 ago. 2019.

Fonte: Souza (2006, p. 310).


Atenção!

Gestão = AÇÃO

Basicamente, a Gestão significa influenciar a ação. Gestão é sobre ajudar as organizações e as


unidades a fazerem o que tem de ser feito, o que significa ação.

Fonte: Mintzberg (2010).


Vamos pensar em um “resumo” deste material?
Podemos pensar em um infográfico, o qual reúne os nossos pontos mais importantes e, a partir dele,
você pode recordar o que estudou. Vamos lá? Veja-o a seguir.
O gestor é o grande maestro de uma orquestra em constante mudança. Existe toda uma sequência
em uma gestão escolar e cabe, ao gestor, desenvolver sua orquestra para um grande espectáculo.
Pense nisto!
Saiba mais!

A função do diretor de escola - Conexão Futura - Canal Futura


Link:. Acesso em: 21 ago. 2019.

O vídeo de 2015 apresenta uma consulta realizada pelo MEC sobre o que a população brasileira
pensa a respeito da função do diretor nas escolas públicas de educação básica. O vídeo foi exibido
no quadro Gestão Escolar e abre espaço para a discussão sobre o papel e a diferença que um bom
diretor pode fazer no ambiente escolar.

Fonte: Elaborada pela autora.


Saiba mais!

O desafio da gestão escolar


Para saber mais sobre o desafio da gestão escolar, acesse:

O vídeo sugerido relata a estrutura do processo de Gestão Escolar, abordando dimensões


necessárias ao trabalho do gestor.

Fonte: Elaborada pela autora


Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos vídeos a seguir, temas que
complementarão seus estudos:
Videoaula
Videoaula

Indicação de Leitura
Livro: Organização e gestão da escola: teoria e prática.
Autor: José Carlos Libâneo
Ano: 2004
Editora: Alternativa
ISBN: 858825325-9
Sinopse: Libâneo trata das questões que envolvem os conhecimentos da organização escolar, das
formas de gestão e da tomada de decisões, bem como as competências e procedimentos
necessários para a participação do gestor na escola.
Questão 1
Leia o trecho a seguir com atenção e escolha a opção que preencha as lacunas da forma mais
adequada. Diante dos desafios que a ________ enfrenta na atualidade, cabe à _________ definir
quais ___________ estão vinculadas à definição do modelo de sociedade que se deseja construir.

A.Família; organização; metas.


B.Igreja; família; dificuldades.
C.Escola; gestão; responsabilidades.
D.Família; direção da escola; perfis.
E.Nenhuma das alternativas preenche as lacunas.
Resposta Correta
Diante dos desafios que a escola enfrenta na atualidade, cabe à gestão definir quais responsabilidades estão
vinculadas à definição do modelo de sociedade que se deseja construir.

Questão 2
Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2008, p. 318), gestão é a “[...] atividade pela qual são
mobilizados os meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização, envolvendo,
basicamente, os aspectos gerenciais, os aspectos gerenciais e técnico-administrativos”. Assim, os
gestores escolares necessitam de algumas competências profissionais específicas, por exemplo:

Fonte: LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA J. F.; TOSCHI M. S. Educação escolar: políticas estrutura e
organização. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
A.Simpatia; desempenho; capacitação; autoritarismo.
B.Ética; confiança; estratégia; flexibilidade.
C.Empatia; afeição; união; igualdade.
D.Comunicação; cerimônia; trabalho em equipe.
E.Capacitação financeira; centralização de atividades; organização.
Resposta Correta
Ética, confiança, estratégia e flexibilidade são competências necessárias a todo gestor que queira
proporcionar um ambiente saudável de trabalho e desenvolvimento humano.

Questão 3
Joana é uma gestora muito querida pela comunidade local de sua escola. Quando chegou, logo
trouxe pais e alunos para contribuir em sua gestão com ideias e projetos interessantes ao bairro.
Pensando em uma gestão democrática que envolve a comunidade, podemos afirmar que o espaço
educativo:
A.Deve ser sempre lúdico, com materiais e recursos tecnológicos atuais.
B.Deve ser um ambiente sério e com regras, pois precisa ser um exemplo para a comunidade.
C.Vai depender dos recursos que a gestão tiver disponível para seu trabalho. Não depende do gestor,
apenas.
D.Precisa atender às necessidades escolares primeiramente e ser acessível a todos.
E.Precisa ter rampas para as pessoas com deficiência e ser seguro para toda a comunidade.
Resposta Correta
O ambiente precisa ser acessível para toda comunidade; isso significa acessibilidade em termos físicos,
sociais e educacionais. O acesso e a acessibilidade precisam ser a preocupação inicial de toda gestão, pois é
daí que todo planejamento deve partir.

Síntese
Uma gestão, para ser considerada de sucesso, precisa estar consolidada pela participação de toda a
comunidade escolar. Alunos, pais, professores e a equipe escolar, de forma geral, contribuem para
bons resultados dentro do ambiente escolar.

O gestor precisa apoiar-se em princípios administrativos eficazes para que sua gestão esteja no
caminho da realização, e não da omissão ou dos prejuízos a curto, médio ou longo prazo.

Como todo profissional, competências, habilidades e saberes são necessários para aquele que está
na gestão, porém não se pode esquecer da importância dos conhecimentos pedagógicos, que são
os alicerces de um bom gestor.

A literatura mostra-nos um caminho a seguir, que é identificado por autores renomados da área de
gestão, mas de nada adianta a teoria afastada da prática. O planejamento é uma ferramenta
poderosa dentro de uma instituição e é preciso saber utilizá-la na busca por resultados.

A Situação Atual da Escola Pública e a Gestão dos Sistemas de Ensino

Introdução
A educação brasileira, sistema que compõe o aparelho burocrático do Estado, é estruturada em
diferentes níveis, de acordo com a faixa etária dos estudantes e modalidades de ensino. Esses
níveis vão desde os atendimentos da creche, para crianças de zero a três anos, até o doutorado,
grau máximo da pós-graduação. Em cada uma dessas etapas, os alunos têm de cumprir certas
exigências e atingir determinados graus de habilidade, sendo o seu desempenho avaliado requisito
para avançar no sistema de níveis.

No presente material, vamos entender o funcionamento formal da escola pública no Brasil,


compreendendo todo o seu aparelho burocrático, os diferentes níveis de ensino, quais as principais
exigências de cada um e as modalidades diversas que compõem o sistema, desde a educação
básica até o ensino superior. Além disso, vamos discutir os principais instrumentos utilizados pelo
poder público para avaliar a qualidade do ensino, tanto na educação básica como no ensino
superior.

Objetivos de Aprendizagem
 Compreender a estrutura da educação básica no Brasil, suas etapas, seus níveis, suas
competências e suas habilidades.
 Conhecer as diversas modalidades que formam a educação básica.
 Analisar as principais ferramentas avaliativas da educação básica e do ensino superior no Brasil.
A Situação Atual da Escola Pública Regulada e Regulamentada

Ao compreendermos o aparato legal que embasa o cotidiano da escola, seus objetivos centrais, sua
historicidade, conseguimos ter uma visão panorâmica do que são as instituições de ensino no Brasil
e qual a situação atual das escolas.
Primeiramente, precisamos entender o que é escola, no caso deste material, a escola pública, para
além de sua infraestrutura física. É imprescindível ter em mente que uma escola não é apenas uma
estrutura composta de prédios, quadras de esporte, salas e corredores, quadros e pátios, tampouco
apenas um lugar de circulação de pessoas, professores, alunos e funcionários. O fundamento dela é
a ideia.
Todo o conhecimento humano é centrado no espaço sagrado da escola. Desde a verbalização das
primeiras palavras da criança até as pesquisas mais avançadas feitas em universidades e
laboratórios, a escola está presente no cotidiano dos indivíduos. É dentro dos seus muros que se
conserva, se cria, se reproduz, se renova, se contesta e se valida o conhecimento humano. Por esse
motivo, é fundamental a liberdade dos professores para ensinar, porque ela extrapola o simples
conteúdo pelo conteúdo. É a valorização da prática humana, a produção e reprodução do
conhecimento, que nos diferencia do restante dos animais.
Em termos históricos, as escolas avançaram muito nas últimas décadas no Brasil. Todavia, ainda
existem obstáculos gigantescos para fornecermos uma educação de qualidade a todos os
brasileiros. Desde as influências das escolas jesuíticas no período colonial, passando pela
Pedagogia Nova dos anos de 1930 até os debates em torno da democratização do ensino no final
dos anos de 1980, a educação no Brasil evolui paulatinamente. Há diversas dificuldades
encontradas no âmbito da educação, como problemas de infraestrutura, a necessidade de expansão
do ensino, a urgência de melhoria na formação e remuneração dos professores, bem como na
qualidade de um ensino que atenda às demandas dos novos tempos, além da busca pela equidade
e pela valorização das diferenças. Porém, mesmo com tantos problemas, a educação no Brasil
avança. As escolas têm assumido e cumprido seus compromissos. Não é possível dizer que não
estejamos caminhando para um desenvolvimento, mesmo que a duras penas.

Níveis da Educação Escolar no Brasil: Educação Básica e Ensino Superior


Um dos documentos mais importantes que estruturam a legislação educacional brasileira é a Base
Nacional Curricular Comum (BNCC). A BNCC é um documento construído coletivamente por
diversos profissionais da educação e cujo objetivo é definir o conjunto orgânico e progressivo das
aprendizagens essenciais em cada nível e em cada modalidade da educação básica (BRASIL,
2018).
A BNCC objetiva também uma unificação dos conteúdos nas diversas etapas da educação básica
em âmbitos federal, estadual e municipal. Assim, a BNCC integra a política educacional alinhando
ações nacionais no sentido de centralizar a formação dos professores, as formas de avaliação, a
elaboração e a aplicação dos conteúdos educacionais e a infraestrutura mínima necessária para o
funcionamento de todas as escolas do país. A promulgação da BNCC é a tentativa de superar a
fragmentação das políticas educacionais, criando uma integração entre as três esferas do poder
público e dispondo diretrizes para todos os níveis de ensino.
A educação básica é formada por três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino
médio. Essas três frentes de ação articulam a construção de conhecimentos, o desenvolvimento de
habilidades e a formação de atitudes e valores de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
FIGURA 1 A educação básicaFONTE:racorn / 123RF.

Quais as competências gerais da educação básica? Segundo a BNCC, compete à educação básica:
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital
para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade
justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a
reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses,
formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das
diferentes áreas.

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar
de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora
e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e
partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que
levem ao entendimento mútuo.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na
vida pessoal e coletiva.

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que


lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias,
pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em
relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade
humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o


respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de
grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer
natureza.

10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação,
tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários
(BRASIL, 2018, p. 9).
Como é possível notar, os objetivos da educação básica são bastante complexos e implicam um
longo período de aprendizagem, além de uma infraestrutura adequada para a sua efetiva
assimilação por parte dos alunos. Para que todas essas competências sejam cumpridas, a formação
dos professores também é ponto fundamental.
Saiba mais!

A Educação Básica no Brasil


Para compreender melhor as mudanças na educação básica desde 1988, entendendo temas como
as consequências do pacto federativo, a desigualdade social, as ligações internacionais e a própria
noção de educação básica, sugerimos o artigo do conceituado professor Carlos Roberto Jamil Cury.
O autor propõe-se a não separar as políticas educacionais do contexto socioeconômico do Brasil.

Para saber mais, acesse o artigo disponível em:

Educação Infantil
A primeira etapa da educação básica é a educação infantil, dividida entre a creche e a pré-escola.
Assim, o ensino começa nas creches, com os bebês (de zero a um ano e seis meses) e as crianças
bem pequenas (um ano e sete meses a três anos e onze meses). Posteriormente, as crianças
pequenas (de quatro a cinco anos e onze meses) passam para a pré-escola. Nessa fase, o ensino é
praticado principalmente por meio de interações e brincadeiras, respeitando os direitos de
aprendizagem e desenvolvimento previstos na legislação, que são:
1. Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens,
ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.

2. Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros
(crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua
imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas,
sociais e relacionais.

3. Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das
atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a
escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando
conhecimentos, decidindo e se posicionando.

4. Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações,
relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes
sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.

5. Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas,
hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens.

6. Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e
de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e
linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário (BRASIL, 2018, p. 38).
A BNCC garante que, durante a educação infantil, a criança desenvolva cinco campos de
experiência:
 O eu, o outro e o nós;
 Corpo, gestos e movimentos;
 Traços, sons, cores e formas;
 Escuta, fala, pensamento e a imaginação;
 Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
Vamos tomar como exemplos de aprendizagem experimental o campo “traços, sons, cores e
formas”. A educação infantil prevê que, nesse caso, os bebês exploram sons produzidos pelo seu
próprio corpo (gritos, choro, risadas) e a interação com os objetos do ambiente (brinquedos, seus
objetos pessoais, etc.). No caso das crianças bem pequenas, criam-se sons com materiais, objetos e
instrumentos musicais, para acompanhar os diversos ritmos de músicas infantis. As crianças
pequenas, por sua vez, aprendem a utilizar os sons produzidos pelos instrumentos e pelos objetos
durante as brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais e festas.
Percebam que o objetivo desse nível de ensino não é que as crianças aprendam conteúdos formais,
mas sim adquiram habilidades mínimas de coordenação motora e compreensão do meio, realizando
exercícios imaginativos por meio de brincadeiras, jogos, cantigas e interações com outras crianças.
Com isso, o educador infantil permite à criança conhecer a si mesma e aos outros e compreender as
relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica, que são expressas nos
cuidados pessoais, como alimentar-se da maneira correta, vestir-se, cuidar de sua higiene pessoal,
escovar os dentes e lavar as mãos.
Desde quando o indivíduo é bebê, a escola tem o papel fundamental de estimular o corpo a
expressar os sentimentos e experimentar habilidades corporais, como pular, correr, dançar, até nos
anos finais da educação infantil, quando os pequenos aprendem a ter o autocuidado com higiene e
alimentação. O desenvolvimento de todas essas habilidades e competências compõe a educação
infantil.

Ensino Fundamental
O ensino fundamental no Brasil tem nove anos de duração e é a etapa mais longa da educação
básica. Para ingressar nesse nível, os estudantes devem ter entre 6 e 14 anos, fase muito delicada
na vida dos indivíduos, devido às diversas transformações que o corpo passa, afetando os aspectos
emocionais.
O ensino fundamental é dividido em duas outras fases: os anos iniciais ou ensino fundamental I, e os
anos finais, ou ensino fundamental II. A primeira fase valoriza situações lúdicas de aprendizagem,
articulando-se todo o campo de experiências vivenciadas na educação infantil. Outro foco dessa
primeira fase é o desenvolvimento da oralidade, pré-requisito central para a apropriação do sistema
de escrita alfabética e de outros sistemas de representação, como os sinais matemáticos e os
registros artísticos, além das concepções de tempo e espaço.
Os primeiros dois anos do ensino fundamental são quase que integralmente dedicados à
alfabetização, garantindo aos alunos oportunidades de se apropriarem do sistema de escrita
alfabética, desenvolvendo, concomitantemente, as habilidades de leitura.
FIGURA 2AlfabetizaçãoFONTE:Cathy Yeulet / 123RF

Nos anos finais ou ensino fundamental II, os desafios se tornam bem mais complexos. Ocorre, nesta
fase, fragmentação do currículo em disciplinas e a substituição de um único professor por vários.
Antes, no ensino fundamental I, havia um único professor que ministrava todos os conteúdos; já
nesta segunda fase, há um professor especializado para cada disciplina, o que exige dos alunos um
grande esforço de organização e adaptação para dar continuidade à aprendizagem.
Um dos maiores desafios do professor no cotidiano da escola é o surgimento da cultura digital. A
introdução de tecnologias de informação tem trazido mudanças na forma de incorporar
computadores, tablets, smartphones, entre outros aparelhos, ao cotidiano das instituições sem
prejuízo às aprendizagens tradicionais. Nesse sentido, para evitar alienação por parte dos alunos ou
o fracasso no ensino fundamental, é crucial saber lidar com o uso dessas tecnologias em sala de
aula. Na BNCC, podemos ler:
Nessa direção, no Ensino Fundamental – Anos Finais, a escola pode contribuir para o delineamento
do projeto de vida dos estudantes, ao estabelecer uma articulação não somente com os anseios
desses jovens em relação ao seu futuro, como também com a continuidade dos estudos no Ensino
Médio. Esse processo de reflexão sobre o que cada jovem quer ser no futuro, e de planejamento de
ações para construir esse futuro, pode representar mais uma possibilidade de desenvolvimento
pessoal e social (BRASIL, 2018, p. 62).
Vistos os objetivos do ensino fundamental, vamos a um estudo pormenorizado de cada componente
do currículo, os quais se encontram divididos em cinco áreas do conhecimento: Linguagens,
Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso.
A área das Linguagens, segundo a BNCC, é composta pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Arte,
Educação Física, e, nos anos finais, ocorre a introdução da Língua Inglesa. Nesse contexto, as
competências específicas de linguagens para o ensino fundamental, conforme a BNCC, são:
1. Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica,
reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e
identidades sociais e culturais.

2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos
da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social e
colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva.

3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora
e digital –, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes
contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à resolução de conflitos e à cooperação.

4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e promovam os direitos
humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, atuando
criticamente frente a questões do mundo contemporâneo.

5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações artísticas e
culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio cultural da humanidade, bem
como participar de práticas diversificadas, individuais e coletivas, da produção artístico-cultural, com respeito
à diversidade de saberes, identidades e culturas.

6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa,


reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar por meio das
diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos autorais e
coletivos (BRASIL, 2018, p. 65).
Na disciplina de Língua Portuguesa, o texto é a unidade de trabalho fundamental do professor e dos
alunos. O objetivo é desenvolver as habilidades de leitura e produção de textos em várias formas, de
modo que os alunos aprendam a relacionar o texto com as condições de produção (autor, época e
discurso), bem como reconhecer o tema e extrair as ideias principais. A disciplina também visa
desenvolver estratégias de leitura, como estabelecer relações entre o conhecimento prévio e o que o
texto traz. Em suma, a língua portuguesa no ensino fundamental é composta de oralidade, análise
linguística e semiótica (alfabetização) leitura/escuta e produção de textos.
A disciplina de Arte inclui artes visuais, dança, música e teatro. Por intermédio dos fenômenos
artísticos, os professores envolvem as crianças nas práticas de criar, ler, produzir, construir,
exteriorizar e refletir sobre a sensibilidade, a intuição, o pensamento, as emoções e a subjetividade.
Por meio da música, elas reconhecem o timbre, o ritmo e a melodia. Pelo teatro, reconhecem as
situações do cotidiano. Pelas artes visuais, reconhecem os elementos de cor, espaços, movimento,
identificando diversas manifestações artísticas, como desenho, pintura, colagem, dobradura, etc.
A Educação Física, também pertencente à área das Linguagens, fica a cargo das práticas corporais
por intermédio de jogos e brincadeiras e dos esportes. É nessa disciplina que os alunos aprendem
as marcas que comparam os resultados em segundos, metros ou quilos e desenvolvem a precisão
dos movimentos, como o ato de arremessar lançar objetos. Também é nessa disciplina que se
desenvolvem as primeiras noções de competitividade, de trabalho em equipe, com o uso de técnicas
e táticas para alcançar objetivos predeterminados.
Por fim, nos anos finais, se introduz a disciplina de Língua Inglesa, como forma de atender às
demandas da sociedade globalizada. Em um mundo cada vez mais transnacional, é elementar a
aprendizagem desse idioma, compreendendo composições interculturais entre a língua portuguesa e
a inglesa.
Outra área do ensino fundamental é a da Matemática, a qual já se encontra em estágio bem
complexo. Segundo a BNCC:
A Matemática não se restringe apenas à quantificação de fenômenos determinísticos – contagem,
medição de objetos, grandezas – e das técnicas de cálculo com os números e com as grandezas,
pois também estuda a incerteza proveniente de fenômenos de caráter aleatório. A Matemática cria
sistemas abstratos, que organizam e inter-relacionam fenômenos do espaço, do movimento, das
formas e dos números, associados ou não a fenômenos do mundo físico. Esses sistemas contêm
ideias e objetos que são fundamentais para a compreensão de fenômenos, a construção de
representações significativas e argumentações consistentes nos mais variados contextos (BRASIL,
2018, p. 265).
De acordo com essa perspectiva, a Matemática do ensino fundamental tem por objetivo criar
habilidades que progridem ano a ano, com base na compreensão de novas ferramentas de cálculo
para resolver problemas e situações cada vez mais complexas.
A terceira área mencionada pela BNCC é a das Ciências da Natureza, cujo objetivo é preparar os
alunos para o letramento científico. Nesse processo, os alunos aprendem, por intermédio da
observação do mundo à sua volta, a fazer questionamentos, definindo problemas que depois serão
solucionados pelo método científico. Assim, os estudantes do ensino fundamental aventam
hipóteses, fazem o levantamento de dados e propõem intervenções para soluções de problemas
cotidianos, utilizando o método científico. Os conteúdos de Ciência estão organizados em três
unidades temáticas: matéria e energia; vida e evolução; e terra e universo.
A área das Ciências Humanas, por sua vez, contempla as disciplinas de História e Geografia, as
quais se ocupam de construir conhecimentos a respeito de tempo e espaço, cognição e contexto. A
BNCC versa sobre as Ciências Humanas no ensino básico afirmando que:
As Ciências Humanas devem, assim, estimular uma formação ética, elemento fundamental para a
formação das novas gerações, auxiliando os alunos a construir um sentido de responsabilidade para
valorizar: os direitos humanos; o respeito ao ambiente e à própria coletividade; o fortalecimento de
valores sociais, tais como a solidariedade, a participação e o protagonismo voltados para o bem
comum; e, sobretudo, a preocupação com as desigualdades sociais. Cabe, ainda, às Ciências
Humanas cultivar a formação de alunos intelectualmente autônomos, com capacidade de articular
categorias de pensamento histórico e geográfico em face de seu próprio tempo, percebendo as
experiências humanas e refletindo sobre elas, com base na diversidade de pontos de vista (BRASIL,
2018, p. 354).
No campo da Geografia, o objetivo central é criar o chamado raciocínio geográfico, que é uma
maneira de pensamento espacial para compreender aspectos fundamentais da realidade, desde a
localização de fatos e fenômenos terrestres até a composição física-natural do planeta Terra em
suas diversas localidades. Este raciocínio implica sete princípios, cujas descrições constam no
quadro a seguir.
Princípio Descrição

Um fenômeno geográfico sempre é comparável a outros. A identifica


Analogia
compreensão da unidade terrestre.

Conexão Um fenômeno geográfico nunca acontece isoladamente, mas sempre e

Diferenciação É a variação dos fenômenos de interesse da geografia pela superfície

Distribuição Exprime como os objetos se repartem pelo espaço.

Extensão Espaço finito e contínuo delimitado pela ocorrência do fenômeno geo

Posição particular de um objeto na superfície terrestre. A localização


Localização
relativa (expressa por meio de relações espaciais topológicas ou por in

Ordem ou arranjo espacial é o princípio geográfico de maior complex


Ordem
regras da própria sociedade que o produziu.
Quadro 1 - Descrição dos princípios do raciocínio geográfico.
Fonte: Brasil (2018, p. 362).
Por fim, no campo da História, no ensino fundamental, o objetivo é desenvolver a noção de processo
histórico a partir de habilidades como identificação, comparação, contextualização, interpretação e
análise de um objeto no tempo. Assim, a História tem o papel de fornecer os meios necessários para
a compreensão de acontecimentos históricos, relações de poder e mecanismos de transformação e
manutenção de estruturas sociais ao longo do tempo, fornecendo subsídios para o entendimento de
aspectos políticos, econômicos e culturais em diferentes espaços.
Aqui concluímos o tópico referente ao ensino fundamental, a mais longa das etapas do ensino e que
cobre uma parte fundamental da vida, que é a transição entre a infância e a adolescência. Todos os
processos aqui descritos estão detalhados com maior profundidade na BNCC, que é o documento
fundamental que deve guiar o planejamento de aulas de todo profissional da educação.
Ensino Médio
O ensino médio é a etapa final do ensino básico. Nessa fase, os alunos passam a ser uma categoria
sociocultural conhecida como juventude. Nesse contexto, uma escola voltada aos jovens deve
entendê-los em sua singularidade, reconhecendo a juventude como uma categoria de participantes
ativos da sociedade. Implica também na adoção de uma escola que acolha das diversidades,
garantindo direitos básicos e promovendo o respeito à pessoa humana.
Um dos principais objetivo do ensino médio, para além de um aprofundamento dos conteúdos
trabalhados no ensino fundamental, é a articulação desses conhecimentos com um projeto de vida,
tanto no que diz respeito aos estudos – a escolha de um curso de ensino superior ou
profissionalizante – quanto na definição de uma área de trabalho que vá ao encontro dos interesses
pessoais, das ambições de vida de um estudante. É papel do professor e da escola auxiliar os
alunos nessa fase da vida, aconselhando-os a mesclar suas habilidades pessoais com um plano de
vida que lhe forneça uma profissão digna.
Para que isso ocorra, há a expansão dos itinerários formativos em conjunto com o aumento das
disciplinas curriculares. As áreas no ensino médio são compostas por: Linguagens e suas
Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
No ensino médio, Linguagens e suas Tecnologias continua a abarcar as mesmas disciplinas (Língua
Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa), com o foco no desenvolvimento de uma
autonomia de produção na prática de diferentes linguagens e no uso criativo das mídias. Em
Matemática e suas Tecnologias, o foco é o aprofundamento dos conhecimentos desenvolvidos no
ensino fundamental, aperfeiçoando as operações básicas e lidando com operações cada vez mais
complexas com maior nível de reflexão e abstração. A área de Ciências da Natureza e suas
Tecnologias se especializa em três disciplinas, Física, Química e Biologia, as quais lidam com
complexidades que antes só ficavam a cargo das Ciências. No campo das Ciências Humanas e
suas Tecnologias, a área passa a incorporar quatro disciplinas: História, Geografia, Sociologia e
Filosofia.
A formação desses itinerários formativos objetiva uma maior flexibilização da organização curricular,
possibilitando a escolha do estudante pelas áreas com as quais mais se identifica, compondo,
assim, os itinerários integrados, que são os seguintes:
I. Linguagens e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplicação de diferentes
linguagens em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam estudos em
línguas vernáculas, estrangeiras, clássicas e indígenas, Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), das artes,
design, linguagens digitais, corporeidade, artes cênicas, roteiros, produções literárias, dentre outros,
considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;

II. Matemática e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplicação de diferentes
conceitos matemáticos em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam
estudos em resolução de problemas e análises complexas, funcionais e não lineares, análise de dados
estatísticos e probabilidade, geometria e topologia, robótica, automação, inteligência artificial, programação,
jogos digitais, sistemas dinâmicos, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta
pelos sistemas de ensino;

III. Ciências da natureza e suas tecnologias: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplicação de
diferentes conceitos em contextos sociais e de trabalho, organizando arranjos curriculares que permitam
estudos em astronomia, meteorologia, física geral, clássica, molecular, quântica e mecânica, instrumentação,
óptica, acústica, química dos produtos naturais, análise de fenômenos físicos e químicos, meteorologia e
climatologia, microbiologia, imunologia e parasitologia, ecologia, nutrição, zoologia, dentre outros
considerando o contexto local e as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino;

IV. Ciências humanas e sociais aplicadas: aprofundamento de conhecimentos estruturantes para aplicação de
diferentes conceitos em contextos sociais e de trabalho, estruturando arranjos curriculares que permitam
estudos em relações sociais, modelos econômicos, processos políticos, pluralidade cultural, historicidade do
universo, do homem e natureza, dentre outros, considerando o contexto local e as possibilidades de oferta
pelos sistemas de ensino;

V. Formação técnica e profissional: desenvolvimento de programas educacionais inovadores e atualizados que


promovam efetivamente a qualificação profissional dos estudantes para o mundo do trabalho, objetivando sua
habilitação profissional tanto para o desenvolvimento de vida e carreira quanto para adaptar-se às novas
condições ocupacionais e às exigências do mundo do trabalho contemporâneo e suas contínuas
transformações, em condições de competitividade, produtividade e inovação, considerando o contexto local e
as possibilidades de oferta pelos sistemas de ensino (Resolução CNE/CEB nº 3/2018, art. 12) (BRASIL, 2018,
p. 479).
É durante o ensino médio que ocorre o aprofundamento dos conteúdos trabalhados no ensino
fundamental e que, geralmente, os estudantes passam a pensar com seriedade sobre a carreira
profissional, o vestibular e os cursos técnicos. É fundamental que os profissionais da educação
estejam preparados para aconselhar os alunos para que realizem escolhas conscientes, de acordo
com as suas competências e habilidade individuais.

Modalidades de Educação
Além das etapas que compõem a educação básica, a legislação educacional brasileira prevê seis
modalidades de ensino com o objetivo de atender a demandas específicas da sociedade. Veja a
seguir.
As modalidades da educação básica visam atender a demandas específicas de alguns setores
sociais que precisam de uma educação com certas particularidades. É importante sublinhar que
cada modalidade foi alcançada ou estruturada a partir das pressões políticas de cada grupo ou da
necessidade do poder público de incorporar as exigências desses setores.
A educação especial atende também alunos que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem,
problemas de conduta ou mesmo alunos superdotados. A educação especial está inserida nas
escolas regulares a fim de integrar essas pessoas à sociedade, para que não se desenvolvam em
instituições isoladas do meio social. Conforme a LDBEN de 1996, que regulamenta o ensino
especial, algumas disciplinas precisam ser incorporadas na formação dos professores, como noções
mínimas de libras (MANTOAN, 2006).
Por sua vez, a educação de jovens e adultos (EJA) foi criada com o objetivo de promover a
alfabetização, além do incentivo à profissionalização. Trata-se de um fundamento essencial da
cidadania, o qual visa vincular o trabalho intelectual ao profissional (ALMEIDA; CORSO, 2015).
Já em relação à educação do campo, ao invés de um entendimento depreciativo a respeito do
camponês, a educação rural visa à valorização dos conhecimentos e das práticas dos trabalhadores
rurais, enfatizando o campo como lugar de trabalho por práticas sustentáveis (SOUZA, 2008).
Na educação escolar indígena, existe a preocupação com a formação de uma consciência a respeito
da cidadania e do pertencimento desses indivíduos na sociedade (SOBRINHO; SOUZA; BETTIOL,
2017).
Na educação escolar quilombola, os desafios se organizam em mesclar os conteúdos regulares com
metodologias que dialoguem com a realidade social em que vivem os quilombolas, respeitando os
aspectos referentes à sua etnia, aos seus costumes e às suas memórias presentes.
Por fim, a educação a distância (EAD) trata-se de uma modalidade em amplo crescimento que visa a
autonomia e o uso de processos tecnológicos como ferramentas auxiliares ao ensino. A EAD tem
proporcionado aos estudantes a possibilidade de organizarem seus próprios horários de estudo,
conforme seu ritmo e seu estilo de aprendizagem. A EAD objetiva a construção de uma comunidade
de ensino virtual que mantenha o aspecto tradicional da coletividade na produção e na reprodução
do conhecimento (COSTA, 2017).

Gestão dos Sistemas de Ensino

Um dos pontos fundamentais de uma política pública é o período de avaliações. Após o


cumprimento das metas ou da passagem de um determinado período, é elementar que os
profissionais da educação, em conjunto com o poder público e a sociedade, avaliem as conquistas e
as incompletudes de uma determinada política educacional. A avaliação sistemática e periódica do
sistema educacional é de extrema importância, pois fornece os dados para a construção de novas
políticas ou para a reformulação das já existentes. Neste tópico, vamos analisar as principais formas
de avaliação da educação no Brasil e como são importantes para a gestão do sistema educacional,
principalmente em médio e longo prazo.
Atenção!

Gerenciamento dos Conteúdos nas Escolas


Além do Plano Nacional de Educação (PNE), cada escola elabora o seu Projeto Político-Pedagógico
(PPP). Um dos grandes desafios da gestão escolar é articular os objetivos do PNE com os
conhecimentos elaborados pela escola. Isso se deve ao fato de que, por exemplo, estudantes do
ensino médio de uma escola no interior do Amazonas possuem conhecimentos prévios e formas de
assimilação completamente diferentes das que apresentam estudantes de ensino médio de um
colégio no centro do Rio de Janeiro. Reflita sobre como a escola pode construir um projeto que
inclua as especificidades dos seus alunos com os PNEs.

Fonte: Hora (2010).

Avaliação no Sistema Educacional Brasileiro: um Foco na Educação Básica


Foi durante a década de 1960 que, no Brasil, engendrou-se uma preocupação específica com os
processos avaliativos escolares construídos sobre uma perspectiva clara de melhora na qualidade
do ensino. Esses sistemas tiveram como modelo avaliações que eram aplicadas principalmente na
Inglaterra e nos Estados Unidos. Essas provas tinham um caráter objetivo, com base nos modelos
que eram adotados nos vestibulares para acesso às universidades. Em 1966, a Fundação Getúlio
Vargas (FGV) criou o Centro de Estudos de Testes e Pesquisas Psicológicas (CETPP), onde se
elaboraram os primeiros testes objetivos e os primeiros materiais de avaliação.
Para Bernadette Gatti (2002), os anos 1980 foram um marco na história dos métodos avaliativos da
educação no Brasil. Foi a primeira vez que ocorreu, para além da avaliação de conteúdos objetivos,
um levantamento de dados completos a respeito da condição socioeconômica dos estudantes, da
formação dos professores, das especificidades locais e dos fatores familiares (GATTI, 2002).
Com a consolidação do debate em torno da criação de um sistema nacional de ensino no final da
década de 1980 e início de 1990, o Ministério da Educação (MEC), em conjunto com as Secretarias
estaduais, criou o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Esse sistema passou a realizar
avaliações anuais em todos os estados da federação. Abordaremos adiante as contribuições da
Saeb e dos sistemas secundários de que ele é composto.
O Inep e as Avaliações Nacionais da Educação Básica: Saeb – Ideb, Enem e Encceja
Em 1993, foi criado o Saeb, o qual, desde então, passou a aplicar provas objetivas anuais a todas
as séries do ensino fundamental e médio. Atualmente, os dados levantados pelo Saeb têm sido base
de informação para a tomada de decisão em diversos aspectos das políticas educacionais. A base
de dados do Saeb é composta por dois grandes eixos, um que visa aferir o acesso ao ensino básico,
no qual se verificam as taxas de escolarização; e outro, que mede as taxas de produtividades e
eficiência dos estudantes (GATTI, 2002).
Além dos sistemas de avaliação, foram criados também os índices que medem o desenvolvimento
da educação pública. Nacionalmente, foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb), um indicador que monitora a qualidade da educação por meio de dados concretos. Por meio
dele, a sociedade, em conjunto com o poder público e os profissionais da educação, pode se
mobilizar em busca de melhorias. O cálculo do Ideb é feito a partir de dois componentes: a taxa de
rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os índices de aprovação são
obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente.
Em 1998, o governo criou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), objetivando aferir a qualidade
do ensino nos anos finais da educação básica. Em 2009, o governo passou a adotar medidas para
estimular o uso do Enem como forma de acesso ao ensino superior. Assim, foi criado o Sistema de
Seleção Unificada (Sisu), o qual possibilitou o acesso de estudantes a universidades federais nos
mais variados locais do país. Todavia, a mobilidade proporcionada pelo sistema Enem/Sisu ainda é
baixa. Os estados da federação com o maior produto interno bruto (PIB) dominam a exportação de
alunos para as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). O Enem tem evoluído
progressivamente como uma das principais formas de acesso às universidades, mas tem suscitado
intensos debates sobre a sua forma e o seu conteúdo (SILVEIRA; BARBOSA; SILVA, 2015).
Em 2002, o MEC instituiu o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos
(Encceja). Segundo a portaria do MEC, tratava-se de um “[...] instrumento de avaliação para aferição
de competências e habilidades de jovens e adultos em nível do ensino fundamental e do ensino
médio” (Brasil. MEC, 2002). O Encceja está inserido nas políticas de EJA, com dois objetivos: 1) ser
um exame supletivo aplicado nos Estados como forma de certificar a conclusão do ensino
fundamental e médio e 2) completar o ciclo de avaliação da educação básica, em conjunto com o
Saeb e o Enem.
Nos últimos anos, o Encceja tornou-se um importante instrumento de certificação da educação
básica, tendo aumentado gradativamente o número de participantes. Porém, como afirma Roberto
Catelli Jr., Gisi e Serrao (2013), o Encceja, como instrumento de avaliação, ainda é muito precário e,
em quase vinte anos de existência, ainda não conseguiu tornar-se uma ferramenta avaliativa com
um banco de dados preciso. Segundo Catelli Jr., Gisi e Serrao (2013), isso se deve muito à política
descontinuada do Inep, responsável pela condução do Encceja.

Sistema de Avaliação do Ensino Superior: Sinaes – Enade


Em 2004, foi criado pelo MEC o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes). O
sistema tem três frentes de ação: a avaliação da qualidade e infraestrutura das instituições, o exame
dos competências e habilidades dos alunos e a estruturação e capacidade dos cursos.
Entre as diversas composições do Sinaes, está o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
(Enade). Segundo Francisco e Monteiro (2016, p. 10), o Enade:
[...] surge com o objetivo de se constituir em um instrumento de avaliação do desempenho
estudantil, de modo que seja garantida a observância das Diretrizes Curriculares Nacionais em seu
percurso formativo. Nesse sentido, considerando a estrutura da avaliação que se aplica ao
estudante, a intenção inicial era a de constituir um instrumento com a capacidade de fortalecer o
desenvolvimento de uma área específica de conhecimento, de modo a considerar um amplo
conjunto de análises em seus resultados. Para isso, o ENADE conta com o questionário do
estudante e com o questionário do coordenador, que são dois instrumentos que auxiliam os órgãos
de regulação na compreensão dos desafios que envolvem uma determinada área em avaliação.

O ENADE é realizado periodicamente em todas as instituições de ensino superior, públicas e


particulares, com o intuito de validar o conhecimento transmitido nos cursos de graduação. O
resultado da prova permite o desenvolvimento de medidas diretas de intervenção por parte do MEC
que podem ser positivas (como o aumento do repasse financeiro) ou negativas (se um curso tiver
seguidas notas baixas na avaliação do Enade, ele pode ser fechado pelo MEC).
Saiba mais!

Avaliação da Educação Básica no Brasil

Neste vídeo, o professor José Francisco Soares debate os sistemas de avaliação da educação
básica no Brasil e os resultados apresentados nos últimos anos. A indagação central feita pelo
jornalista Antônio Gois, do Canal Futura, é: será que estamos sabendo tirar todo o potencial que
essas avaliações nos trazem para melhorar a qualidade do ensino?

Para ficar por dentro do assunto, assista ao vídeo disponível em:

Avaliações Internacionais – Pisa


Em conjunto com as avaliações nacionais, outros indicadores internacionais são instrumentos
importantes para a avaliação da educação no Brasil. Entre as principais condutoras dessas
avaliações internacionais, está a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
(OCDE). A OCDE desenvolveu o Programme for International Student Assessment (PISA), que é
aplicado no Brasil. O programa Pisa possui um grande reconhecimento em nível internacional,
sendo um dos maiores produtores de informação sobre o sistema educativo de muitos países no
mundo. Concomitantemente, a produção da avaliação padronizada influi, em diferentes níveis, na
produção das políticas públicas na área da Educação. O Pisa pode ser considerado um instrumento
de política do conhecimento (VILLANI; OLIVEIRA, 2018).
Apesar de um crescimento contínuo nas áreas avaliadas pelo Pisa (Matemática, Ciências e Leitura),
o Brasil tem ocupado as últimas colocações nas avaliações das quais participam 70 países. Em
2015, a educação brasileira ocupou a 63ª posição em Ciências, a 59ª em Leitura e a 66ª em
Matemática. O Inep questiona os dados do Pisa, afirmando que ele não leva em consideração
fatores elementares em suas avaliações. Apesar disso, o Pisa tem composto a base de dados para
a formulação das políticas públicas na área da Educação.
Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos videos a seguir, temas que
complementarão seus estudos:
Videoaula
Videoaula

Indicação de Leitura

Livro: Ensinar: tarefa para profissionais


Autoras: Beatriz Cardoso, Neide Nogueira e Tereza Perez (organizadoras)
Ano: 2007
Editora: Ática
ISBN: 9788501078520
Sinopse: Este livro tem por objetivo promover uma reflexão sobre a formação dos professores do
ensino fundamental e médio no Brasil, tendo como bases os sistemas públicos de ensino. A obra foi
escrita com base na experiência chamada Programa Escola que Vale, um processo de formação
continuada destinado a professores da rede municipal de ensino. Além de questões teóricas e
pedagógicas, o livro traz entrevistas e depoimentos de vários docentes sobre suas experiências em
sala de aula.
Questão 1
A BNCC objetiva também uma unificação dos conteúdos nas diversas etapas da educação básica
em âmbitos federal, estadual e municipal. Assim, a BNCC integra a política educacional alinhando as
ações nacionais no sentido da formação dos professores, as avaliações, a elaboração dos
conteúdos educacionais e a infraestrutura mínima necessária em toda escola. A promulgação da
BNCC é a tentativa de superar a fragmentação das políticas educacionais, criando uma integração
entre as três esferas do poder público. Nesse sentido, assinale a alternativa correta.

A.A educação básica está dividida em três etapas: ensino infantil, ensino fundamental e ensino médio. Essa
formulação foi concebida para facilitar o desenvolvimento educacional voltado para a economia.
B.ntre os dez objetivos da BNCC, estão as questões de formação ao cidadão, por exemplo, construção de
uma sociedade justa e inclusiva, análise crítica, valorização das diversidades culturais e saberes e
argumentação com base em fatos, entre outros pontos que auxiliam na formação social do aluno.
C.A BNCC foi criada a partir de uma perspectiva da política neoliberal, que buscava melhorar a educação e a
economia brasileira e estimular a classe menos favorecida a desenvolver o poder de compra.
D.A BNCC surgiu como ferramenta de formação dos professores, em prol de dar o conteúdo necessário para
ser aplicado em sala de aula. A partir desses conteúdos pré-elaborados, os professores poderão escolher
entre dois e três temas para aprofundar a discussão com os alunos em sala de aula.
E.Um dos objetivos da BNCC é conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional,
compreendendo-se como parte importante da humanidade e reconhecendo a superioridade de suas
emoções, sem autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Resposta Correta
Segundo a BNCC, compete à educação básica: “valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente
construídos; exercitar a curiosidade intelectual; valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e
culturais; utilizar diferentes linguagens; compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e
comunicação de forma crítica; valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais; argumentar com base
em fatos, dados e informações confiáveis; conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional;
exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação; agir pessoal e coletivamente com
autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação”.
Questão 2
O ensino fundamental no Brasil tem nove anos de duração e é a etapa mais longa da educação
básica. Para ingressar nesse nível, os estudantes devem ter entre 6 e 14 anos, fase muito delicada
na vida dos indivíduos, devido às diversas transformações que o corpo passa, afetando os aspectos
emocionais. Nesse sentido, assinale a alternativa correta.

A.O ensino fundamental inicia com apenas um professor e, na segunda fase do ensino fundamental, um
mesmo aluno terá 18 matérias com 18 professores diferentes.
B.O ensino fundamental inicia com alunos já com plenos conhecimentos e habilidades de escrita e leitura.
C.O ensino fundamental, fase mais longa da formação no ensino básico, compreende a fase da transição do
aluno da infância à adolescência. A maior mudança que o aluno terá neste nível de ensino ter apenas um
professor ministrando todas as áreas de conhecimento até o quinto ano, quando, a partir do sexto ano, terá
vários professores com suas especificações.
D.A primeira fase do ensino fundamental é focada em desenvolver o sistema motor da criança, por meio de
atividades de desenho e pintura. Apenas na segunda fase do ensino fundamental é que será desenvolvida a
alfabetização.
E.O ensino fundamental é formado por três etapas: ensino infantil, ensino adolescente e ensino a distância.
Resposta Correta
Está correto, pois é assim que funciona o ensino fundamental pela BNCC. O que diferencia os anos iniciais
dos anos finais é a fragmentação do currículo em disciplinas e a substituição do professor generalista dos
anos iniciais para os professores especialistas nos diferentes componentes curriculares.

Questão 3
A legislação educacional brasileira prevê seis modalidades de ensino com o objetivo de atender a
demandas específicas da sociedade. A respeito de quais são essas modalidades, assinale a
alternativa correta.

A.As seis modalidades são: ensino especial, EJA, educação no campo, educação indígena, educação
litorânea e EAD.
B.As seis modalidades são: ensino especial, EJA, educação no campo, educação indígena, educação
quilombola e EAD.
C.As seis modalidades são: ensino especial, EJA, educação do campo, educação LGBTQ+, educação
quilombola e EAD.
D.As seis modalidades são: ensino especial, EJA, educação interiorana, educação indígena, educação
quilombola e EAD.
E.As seis modalidades são: ensino doméstico, EJA, educação do campo, educação indígena, educação
quilombola e EAD.
Resposta Correta
São modalidades permitidas pelo Estado Brasileiro, além da educação básica normativa.

Síntese
Neste material, discutimos a composição principal da educação básica no Brasil, passando pela
educação infantil, pelo ensino fundamental e pelo ensino médio e compreendendo as etapas e as
diferentes modalidades que compõem o nosso sistema de ensino. Discutimos também as
competências e as habilidades necessárias para a passagem de cada etapa da educação básica.
Além disso, vimos a importância dos instrumentos avaliativos da educação, como o Enem, o Ideb, o
Encceja e o Enade.
Tais instrumentos são de extrema importância para que possamos gerir o sistema de ensino com
eficácia, sabendo exatamente onde o dinheiro público deve ser aplicado e de que forma podemos
melhorar a formação dos profissionais e a qualidade do ensino, uma vez que a política educacional
brasileira precisa contar com bases de dados, informações e índices de avaliação periodicamente
atualizados.

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