Neurose, Psicose e Perversão em Lacan
Neurose Psicose
→ O sujeito neurótico está → O sujeito psicótico sofre um colapso
excessivamente fixado no no Simbólico (foraclusão do Nome-
Simbólico, sempre tentando do-Pai)
interpretar e dar um sentido ao
Real. → Isso faz com que o Real seja um
invasor em sua vida psíquica, pois
→ Mas o Real é o que é impossível de ele não consegue mediar o Real
ser interpretado pois escapa ao através da Linguagem, como o
Simbólico, já que é o sofrimento neurótico faz.
inexplicável e insuportável em si.
→ É como se o Simbólico fosse uma
→ O neurótico tenta domesticar o Real peneira que filtra as experiências
usando o Simbólico, mas fracassa. brutas, ele traduz as coisas
confusas e assustadoras da vida (da
→ E é essa fracasso que mantém o dimensão do Real). Mas na psicose
desejo em movimento. essa peneira se rompe.
→ A insistência neurótica em → Se rompe porque faltou o pilar
interpretar e controlar é uma básico do Simbólico, o Nome-do-
defesa contra o horror do Real. O Pai, que estrutura a função da lei,
Real mostra o sofrimento bruto que ordem e limite.
resiste às palavras.
Sem esse pilar, a pessoa fica
→ A fuga para a significação é o que desprotegida psiquicamente contra
Lacan chamava de "gozo do o Real.
sintoma", onde o neurótico prefere
sofrer com os significados do que → Já que o psicótico não tem proteção
enfrentar o vazio do Real. psíquica do Simbólico, o Real se
torna um invasor.
→ Na Clínica: o analista não deve
oferecer interpretações definitivas, O que para o outro é normal, para
pois isso reforça a ilusão neurótica ela é um ataque ou um sinal de
de controle sobre o Real. catástrofe.
→ Na psicose, a linguagem fica solta e
bagunçada.
→ As palavras perdem sentido comum,
e a pessoa passa a criar palavras
novas que só fazem sentido na
realidade psíquica dela.
→ Em sua realidade psíquica, ouvir
vozes ou achar que a TV fala com ela
é a forma de encontrar alguma
mínima segurança (a depender do
caso)
→ Enfim, na psicose, o sujeito vive o
inexplicável direto, levando choques
emocionais o tempo todo.
→ O psicótico não inventa. Se faz parte
da sua realidade psíquica, ele está
criando formas de sobreviver a um
colapso interno.
→ Os delírios e alucinações são
tentativas desesperadas de dar
sentido a um mundo cheio de
estímulos.
Perversão
→ O sujeito perverso tenta dominar o Real
a todo custo, principalmente através de
cenários fetichistas que tentam
preencher a falta.