O NARIZ: O ÓRGÃO DO OLFATO E DA RESPIRAÇÃO
Página 1 – Introdução
O nariz é uma estrutura proeminente e multifuncional localizada no centro do rosto,
desempenhando papéis essenciais na respiração, olfato, filtração do ar, umidificação,
aquecimento do ar inalado e ressonância vocal. Além disso, possui grande valor estético,
emocional e simbólico na cultura humana. Anatomicamente, o nariz é formado por ossos,
cartilagens, mucosa nasal e milhões de receptores olfativos, que juntos permitem ao ser
humano detectar milhares de odores e respirar com eficiência. O sistema olfativo está
diretamente ligado ao cérebro, especialmente ao sistema límbico, o que explica por que certos
cheiros evocam memórias e emoções profundas. Este texto explora a anatomia do nariz, o
processo do olfato, funções respiratórias, doenças comuns (como rinite, sinusite e desvio de
septo), cirurgias (como rinoplastia), alterações no olfato (como anosmia) e o simbolismo
cultural do nariz ao longo da história.
Página 2 – Anatomia do Nariz
O nariz é dividido em duas partes principais: a parte externa (visível) e as fossas nasais
(internas). A parte externa é sustentada por ossos (nasais, maxila) e cartilagens (dorsal, alar,
septal), cobertas por pele e tecido conjuntivo. As narinas (ou orifícios nasais) são a entrada
para as fossas nasais, que são duas cavidades separadas pelo septo nasal, uma parede formada
por cartilagem e osso. Dentro das fossas, destacam-se os cornetos nasais (superior, médio e
inferior), estruturas em forma de concha que aumentam a superfície de contato com o ar. A
mucosa que reveste as fossas é rica em células ciliadas, glândulas produtoras de muco e
vasos sanguíneos, essenciais para filtrar, umedecer e aquecer o ar antes de chegar aos
pulmões.
Página 3 – Funções Respiratórias
Uma das funções primárias do nariz é a respiração. Ele atua como o principal canal de entrada
do ar para o sistema respiratório. Ao inalar, o ar passa pelas narinas e é submetido a um
processo de preparação antes de atingir os pulmões:
Filtragem: os pêlos nasais (vibrissas) e o muco retêm partículas de poeira, pólen, bactérias
e vírus.
Umidificação: as glândulas mucosas liberam muco, evitando o ressecamento das vias
aéreas.
Aquecimento: os vasos sanguíneos na mucosa nasal aquecem o ar frio, protegendo os
pulmões.
Resistência ao fluxo de ar: o nariz regula a velocidade do ar, otimizando a troca gasosa
nos alvéolos pulmonares.
Quando o nariz está obstruído (por gripe, alergia ou desvio de septo), a respiração bucal pode
ocorrer, mas é menos eficiente e pode causar ressecamento da boca, infecções e alterações no
desenvolvimento facial em crianças.
Página 4 – O Sistema Olfativo e o Sentido do Olfato
O nariz abriga o órgão do olfato: a mucosa olfativa, localizada na parte superior das fossas
nasais, sobre o septo e o corneto superior. Essa região contém milhões de neurônios olfativos,
cujas terminações dendríticas possuem cílios que detectam moléculas odoríferas no ar.
Quando essas moléculas se dissolvem no muco nasal, ligam-se a receptores específicos,
gerando impulsos elétricos que viajam pelo nervo olfativo (par craniano I) até o bulbo
olfativo, no cérebro. Diferentemente de outros sentidos, o olfato tem conexão direta com o
sistema límbico, responsável pelas emoções, memórias e comportamentos. Por isso, cheiros
como o de pão quente, flores ou perfume de um ente querido podem evocar lembranças
intensas e imediatas.
Página 5 – Capacidade Olfativa e Alterações
O ser humano pode identificar entre 10.000 e 1 trilhão de odores diferentes, graças a cerca de
400 tipos de receptores olfativos (segundo pesquisas recentes). A sensibilidade olfativa varia
entre indivíduos e pode ser afetada por idade, sexo, genética e hábitos (como fumar). Algumas
condições comuns que alteram o olfato incluem:
Anosmia: perda total do olfato, temporária ou permanente. Causas comuns são resfriados,
sinusite, trauma craniano, neurodegeneração (como Parkinson e Alzheimer) e infecções
virais (como COVID-19).
Hiposmia: redução parcial da capacidade olfativa.
Parosmia: distorção na percepção de odores (ex: algo bom cheirar mal).
Fantomosmia: sensação de cheiro sem estímulo externo (cheiro alucinado).
A perda do olfato impacta diretamente o paladar, já que cerca de 80% do sabor dos alimentos
vem do olfato (percepção retronasal).
Página 6 – Principais Doenças Nasais
Várias condições afetam o nariz e suas funções. As mais comuns são:
Rinite: inflamação da mucosa nasal, com sintomas como coriza, espirros, congestão e
coceira. Pode ser alérgica (pólen, ácaros, animais), infecciosa (vírus, bactérias) ou não
alérgica (mudanças de temperatura, irritantes químicos).
Sinusite: inflamação dos seios paranasais (cavidades ósseas ao redor do nariz), causando
dor facial, secreção amarelada, febre e dor de cabeça. Pode ser aguda ou crônica.
Desvio de septo nasal: desvio da cartilagem ou osso que separa as fossas nasais, causando
obstrução unilateral, ronco e dificuldade respiratória.
Pólipos nasais: crescimentos benignos na mucosa, comuns em pessoas com rinite alérgica
ou asma, que obstruem o fluxo de ar.
Traumas e fraturas: comuns em acidentes ou esportes de contato.
O diagnóstico envolve exame clínico, rinoscopia, tomografia dos seios paranasais e testes
alérgicos.
Página 7 – Cirurgias e Tratamentos
O tratamento das doenças nasais varia conforme a causa:
Medicamentos: anti-histamínicos, corticoides nasais, descongestionantes, antibióticos (em
infecções bacterianas).
Imunoterapia: vacinas para alergias (sublinguais ou injetáveis).
Cirurgias:
Septoplastia: correção do desvio de septo.
Rinosseptoplastia: correção funcional e estética do nariz.
Polipectomia: remoção de pólipos.
Cirurgia endoscópica dos seios paranasais (FESS): drenagem e abertura dos seios em
casos de sinusite crônica.
A rinoplastia, além de funcional, é uma das cirurgias plásticas mais realizadas no mundo, com
objetivos estéticos e/ou respiratórios.
Página 8 – O Nariz e o Paladar
O nariz desempenha papel crucial no paladar. Quando mastigamos, moléculas voláteis dos
alimentos sobem pelas vias nasais posteriores (via retronasal), onde são detectadas pela
mucosa olfativa. É por isso que, quando estamos com o nariz entupido, os alimentos parecem
"sem gosto". O paladar verdadeiro (detectado pela língua) reconhece apenas cinco sabores
básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami. Já os sabores complexos (como o de café,
vinho ou frango com alecrim) dependem fortemente do olfato. Essa interação entre olfato e
gustação é chamada de percepção flavorosa e é essencial para o prazer alimentar e a nutrição.
Página 9 – Avanços Científicos e Pesquisas
A rinologia e a neurociência do olfato têm avançado significativamente:
Testes de olfato clínicos: usados para detectar doenças neurológicas precoces, como
Parkinson e Alzheimer.
Terapias com células-tronco: pesquisas buscam regenerar neurônios olfativos danificados.
"Nariz eletrônico" (e-nose): dispositivos que detectam compostos voláteis no ar ou no
hálito, usados para diagnosticar câncer, infecções e doenças metabólicas.
Genética do olfato: estudos identificam variações genéticas que explicam por que algumas
pessoas não sentem certos cheiros (ex: androstenona, cheiro de urina em pessoas que
comem aspargos).
Neuroplasticidade olfativa: o cérebro pode se adaptar após perda do olfato, e terapias
com estimulação olfativa (cheirar óleos essenciais diariamente) mostram resultados
promissores na recuperação.
Página 10 – Simbolismo Cultural e Conclusão
O nariz tem um forte simbolismo em diversas culturas. Em muitas línguas, expressões como
"ficar de nariz empinado" (orgulho), "ter faro para negócios" (intuição) ou "estar com o nariz
entupido" (ficar doente) refletem sua presença no cotidiano. Na arte, esculturas gregas e
romanas idealizam o nariz reto e proporcional. Em algumas culturas africanas, indígenas da
América do Sul e tribos da Papua-Nova Guiné, enfeites, argolas e alongamentos nasais indicam
beleza, status ou rito de passagem. Na literatura, personagens como Pinóquio (cujo nariz
cresce quando mente) ou Cyrano de Bergerac (orgulhoso de seu nariz grande) destacam seu
valor simbólico. Concluindo, o nariz é muito mais que uma estrutura facial: é um órgão vital
para respirar, sentir, saborear e se conectar com o mundo. Cuidar dele é cuidar da saúde, da
memória e da identidade. Compreendê-lo é reconhecer a beleza e a complexidade de um dos
sentidos mais subestimados, mas essenciais, da condição humana.