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Lei 9.784-99

A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, regula o processo administrativo na Administração Pública Federal, estabelecendo normas para garantir os direitos dos administrados e a eficiência administrativa. A lei define direitos e deveres dos administrados, além de disposições sobre a tramitação de processos, intimações e instruções. Ela também aborda questões de competência, impedimentos e a forma de atuação dos órgãos administrativos.

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Lei 9.784-99

A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, regula o processo administrativo na Administração Pública Federal, estabelecendo normas para garantir os direitos dos administrados e a eficiência administrativa. A lei define direitos e deveres dos administrados, além de disposições sobre a tramitação de processos, intimações e instruções. Ela também aborda questões de competência, impedimentos e a forma de atuação dos órgãos administrativos.

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Presidência da República

Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 9.784 , DE 29 DE JANEIRO DE 1999.

Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação


DAS DISPOSIÇÕES GERAIS de alegações finais, à produção de provas e à interposição de
recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas
Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o situações de litígio;
processo administrativo no âmbito da Administração XI - proibição de cobrança de despesas processuais,
Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção ressalvadas as previstas em lei;
dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo,
dos fins da Administração. sem prejuízo da atuação dos interessados;
§ 1o Os preceitos desta Lei também se aplicam aos XIII - interpretação da norma administrativa da forma
órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, que melhor garanta o atendimento do fim público a que se
quando no desempenho de função administrativa. dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.
§ 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - órgão - a unidade de atuação integrante da CAPÍTULO II
estrutura da Administração direta e da estrutura da DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS
Administração indireta;
II - entidade - a unidade de atuação dotada de Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos
personalidade jurídica; perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe
III - autoridade - o servidor ou agente público dotado sejam assegurados:
de poder de decisão. I - ser tratado com respeito pelas autoridades e
Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos
outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, e o cumprimento de suas obrigações;
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla II - ter ciência da tramitação dos processos
defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público administrativos em que tenha a condição de interessado, ter
e eficiência. vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão conhecer as decisões proferidas;
observados, entre outros, os critérios de: III - formular alegações e apresentar documentos antes
I - atuação conforme a lei e o Direito; da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a competente;
renúncia total ou parcial de poderes ou competências, IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado,
salvo autorização em lei; salvo quando obrigatória a representação, por força de lei.
III - objetividade no atendimento do interesse público,
vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; CAPÍTULO III
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, DOS DEVERES DO ADMINISTRADO
decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, Art. 4o São deveres do administrado perante a
ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato
Constituição; normativo:
VI - adequação entre meios e fins, vedada a I - expor os fatos conforme a verdade;
imposição de obrigações, restrições e sanções em medida II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento III - não agir de modo temerário;
do interesse público; IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito colaborar para o esclarecimento dos fatos.
que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à CAPÍTULO IV
garantia dos direitos dos administrados; DO INÍCIO DO PROCESSO
IX - adoção de formas simples, suficientes para
propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de
aos direitos dos administrados; ofício ou a pedido de interessado.
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Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser
casos em que for admitida solicitação oral, deve ser publicados no meio oficial.
formulado por escrito e conter os seguintes dados: § 1o O ato de delegação especificará as matérias e
I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, a
II - identificação do interessado ou de quem o duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível,
represente; podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada.
III - domicílio do requerente ou local para § 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo
recebimento de comunicações; pela autoridade delegante.
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e § 3o As decisões adotadas por delegação devem
de seus fundamentos; mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão
V - data e assinatura do requerente ou de seu editadas pelo delegado.
representante. Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por
Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa motivos relevantes devidamente justificados, a avocação
imotivada de recebimento de documentos, devendo o temporária de competência atribuída a órgão
servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de hierarquicamente inferior.
eventuais falhas. Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas
Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão divulgarão publicamente os locais das respectivas sedes e,
elaborar modelos ou formulários padronizados para quando conveniente, a unidade fundacional competente em
assuntos que importem pretensões equivalentes. matéria de interesse especial.
Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o
interessados tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, processo administrativo deverá ser iniciado perante a
poderão ser formulados em um único requerimento, salvo autoridade de menor grau hierárquico para decidir.
preceito legal em contrário.
CAPÍTULO VII
CAPÍTULO V DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO
DOS INTERESSADOS
Art. 18. É impedido de atuar em processo
Art. 9o São legitimados como interessados no administrativo o servidor ou autoridade que:
processo administrativo: I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como II - tenha participado ou venha a participar como perito,
titulares de direitos ou interesses individuais ou no testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem
exercício do direito de representação; quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm terceiro grau;
direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão III - esteja litigando judicial ou administrativamente
a ser adotada; com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.
III - as organizações e associações representativas, no Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em
tocante a direitos e interesses coletivos; impedimento deve comunicar o fato à autoridade
IV - as pessoas ou as associações legalmente competente, abstendo-se de atuar.
constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o
Art. 10. São capazes, para fins de processo impedimento constitui falta grave, para efeitos disciplinares.
administrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada Art. 20. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou
previsão especial em ato normativo próprio. servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com
algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges,
CAPÍTULO VI companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.
DA COMPETÊNCIA Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição
poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo.
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce
pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como CAPÍTULO VIII
própria, salvo os casos de delegação e avocação DA FORMA, TEMPO E LUGAR
legalmente admitidos. DOS ATOS DO PROCESSO
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular
poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte Art. 22. Os atos do processo administrativo não
da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que dependem de forma determinada senão quando a lei
estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, expressamente a exigir.
quando for conveniente, em razão de circunstâncias de § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo e a assinatura da autoridade responsável.
aplica-se à delegação de competência dos órgãos § 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma
colegiados aos respectivos presidentes. somente será exigido quando houver dúvida de
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: autenticidade.
I - a edição de atos de caráter normativo; § 3o A autenticação de documentos exigidos em cópia
II - a decisão de recursos administrativos; poderá ser feita pelo órgão administrativo.
III - as matérias de competência exclusiva do órgão § 4o O processo deverá ter suas páginas numeradas
ou autoridade. seqüencialmente e rubricadas.

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Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos
dias úteis, no horário normal de funcionamento da interessados de propor atuações probatórias.
repartição na qual tramitar o processo. § 1o O órgão competente para a instrução fará constar
Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário dos autos os dados necessários à decisão do processo.
normal os atos já iniciados, cujo adiamento prejudique o § 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos
curso regular do procedimento ou cause dano ao interessados devem realizar-se do modo menos oneroso para
interessado ou à Administração. estes.
Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo
órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos as provas obtidas por meios ilícitos.
administrados que dele participem devem ser praticados no Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto
prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. de interesse geral, o órgão competente poderá, mediante
Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode despacho motivado, abrir período de consulta pública para
ser dilatado até o dobro, mediante comprovada manifestação de terceiros, antes da decisão do pedido, se não
justificação. houver prejuízo para a parte interessada.
Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se § 1o A abertura da consulta pública será objeto de
preferencialmente na sede do órgão, cientificando-se o divulgação pelos meios oficiais, a fim de que pessoas físicas
interessado se outro for o local de realização. ou jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo
para oferecimento de alegações escritas.
CAPÍTULO IX § 2o O comparecimento à consulta pública não confere,
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS por si, a condição de interessado do processo, mas confere o
direito de obter da Administração resposta fundamentada,
Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o que poderá ser comum a todas as alegações
processo administrativo determinará a intimação do substancialmente iguais.
interessado para ciência de decisão ou a efetivação de Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da
diligências. autoridade, diante da relevância da questão, poderá ser
§ 1o A intimação deverá conter: realizada audiência pública para debates sobre a matéria do
I - identificação do intimado e nome do órgão ou processo.
entidade administrativa; Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em
II - finalidade da intimação; matéria relevante, poderão estabelecer outros meios de
III - data, hora e local em que deve comparecer; participação de administrados, diretamente ou por meio de
IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou organizações e associações legalmente reconhecidas.
fazer-se representar; Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e
V - informação da continuidade do processo de outros meios de participação de administrados deverão
independentemente do seu comparecimento; ser apresentados com a indicação do procedimento adotado.
VI - indicação dos fatos e fundamentos legais Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a
pertinentes. audiência de outros órgãos ou entidades administrativas
§ 2o A intimação observará a antecedência mínima de poderá ser realizada em reunião conjunta, com a
três dias úteis quanto à data de comparecimento. participação de titulares ou representantes dos órgãos
§ 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no competentes, lavrando-se a respectiva ata, a ser juntada aos
processo, por via postal com aviso de recebimento, por autos.
telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que
do interessado. tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão
§ 4o No caso de interessados indeterminados, competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta
desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação Lei.
deve ser efetuada por meio de publicação oficial. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e
§ 5o As intimações serão nulas quando feitas sem dados estão registrados em documentos existentes na própria
observância das prescrições legais, mas o comparecimento Administração responsável pelo processo ou em outro órgão
do administrado supre sua falta ou irregularidade. administrativo, o órgão competente para a instrução proverá,
Art. 27. O desatendimento da intimação não importa de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas
o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a cópias.
direito pelo administrado. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres,
será garantido direito de ampla defesa ao interessado. requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações
Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do referentes à matéria objeto do processo.
processo que resultem para o interessado em imposição de § 1o Os elementos probatórios deverão ser
deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos considerados na motivação do relatório e da decisão.
e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão
fundamentada, as provas propostas pelos interessados
CAPÍTULO X quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou
DA INSTRUÇÃO protelatórias.
Art. 39. Quando for necessária a prestação de
Art. 29. As atividades de instrução destinadas a informações ou a apresentação de provas pelos interessados
averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim,
decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do

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mencionando-se data, prazo, forma e condições de
atendimento.
Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação,
poderá o órgão competente, se entender relevante a CAPÍTULO XII
matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de DA MOTIVAÇÃO
proferir a decisão.
Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados,
solicitados ao interessado forem necessários à apreciação com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos,
de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado quando:
pela Administração para a respectiva apresentação I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
implicará arquivamento do processo. II - imponham ou agravem deveres, encargos ou
Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou sanções;
diligência ordenada, com antecedência mínima de três dias III - decidam processos administrativos de concurso ou
úteis, mencionando-se data, hora e local de realização. seleção pública;
Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de
órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo processo licitatório;
máximo de quinze dias, salvo norma especial ou V - decidam recursos administrativos;
comprovada necessidade de maior prazo. VI - decorram de reexame de ofício;
§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a
ser emitido no prazo fixado, o processo não terá questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e
seguimento até a respectiva apresentação, relatórios oficiais;
responsabilizando-se quem der causa ao atraso. VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante convalidação de ato administrativo.
deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá § 1o A motivação deve ser explícita, clara e
ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem congruente, podendo consistir em declaração de
prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no concordância com fundamentos de anteriores pareceres,
atendimento. informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão
Art. 43. Quando por disposição de ato normativo parte integrante do ato.
devam ser previamente obtidos laudos técnicos de órgãos § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza,
administrativos e estes não cumprirem o encargo no prazo pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os
assinalado, o órgão responsável pela instrução deverá fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito
solicitar laudo técnico de outro órgão dotado de ou garantia dos interessados.
qualificação e capacidade técnica equivalentes. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e
Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou
direito de manifestar-se no prazo máximo de dez dias, de termo escrito.
salvo se outro prazo for legalmente fixado.
Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração CAPÍTULO XIII
Pública poderá motivadamente adotar providências DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS
acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado. DE EXTINÇÃO DO PROCESSO
Art. 46. Os interessados têm direito à vista do
processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação
dados e documentos que o integram, ressalvados os dados escrita, desistir total ou parcialmente do pedido formulado
e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.
direito à privacidade, à honra e à imagem. § 1o Havendo vários interessados, a desistência ou
Art. 47. O órgão de instrução que não for competente renúncia atinge somente quem a tenha formulado.
para emitir a decisão final elaborará relatório indicando o § 2o A desistência ou renúncia do interessado,
pedido inicial, o conteúdo das fases do procedimento e conforme o caso, não prejudica o prosseguimento do
formulará proposta de decisão, objetivamente justificada, processo, se a Administração considerar que o interesse
encaminhando o processo à autoridade competente. público assim o exige.
Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o
processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da
CAPÍTULO XI decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
DO DEVER DE DECIDIR superveniente.

Art. 48. A Administração tem o dever de CAPÍTULO XIV


explicitamente emitir decisão nos processos DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO
administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em E CONVALIDAÇÃO
matéria de sua competência.
Art. 49. Concluída a instrução de processo Art. 53. A Administração deve anular seus próprios
administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-
dias para decidir, salvo prorrogação por igual período los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados
expressamente motivada. os direitos adquiridos.
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os

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destinatários decai em cinco anos, contados da data em que autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de
foram praticados, salvo comprovada má-fé. ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso.
§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para
prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro dele conhecer deverá intimar os demais interessados para
pagamento. que, no prazo de cinco dias úteis, apresentem alegações.
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular Art. 63. O recurso não será conhecido quando
qualquer medida de autoridade administrativa que importe interposto:
impugnação à validade do ato. I - fora do prazo;
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não II - perante órgão incompetente;
acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a III - por quem não seja legitimado;
terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis IV - após exaurida a esfera administrativa.
poderão ser convalidados pela própria Administração. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao
recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o
CAPÍTULO XV prazo para recurso.
DO RECURSO ADMINISTRATIVO § 2o O não conhecimento do recurso não impede a
E DA REVISÃO Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não
ocorrida preclusão administrativa.
Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso
em face de razões de legalidade e de mérito. poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou
§ 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua
a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco competência.
dias, o encaminhará à autoridade superior. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste
§ 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este
administrativo independe de caução. deverá ser cientificado para que formule suas alegações
§ 3o Se o recorrente alegar que a decisão antes da decisão.
administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, Art. 64-A. Se o recorrente alegar violação de
caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para
não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou
recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído pela
ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído Lei nº 11.417, de 2006).
pela Lei nº 11.417, de 2006). Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a
Art. 57. O recurso administrativo tramitará no reclamação fundada em violação de enunciado da súmula
máximo por três instâncias administrativas, salvo vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão
disposição legal diversa. competente para o julgamento do recurso, que deverão
Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso adequar as futuras decisões administrativas em casos
administrativo: semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas
I - os titulares de direitos e interesses que forem parte esferas cível, administrativa e penal. (Incluído pela Lei nº
no processo; 11.417, de 2006).
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem Art. 65. Os processos administrativos de que resultem
indiretamente afetados pela decisão recorrida; sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou
III - as organizações e associações representativas, no de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias
tocante a direitos e interesses coletivos; relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou aplicada.
interesses difusos. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá
Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez resultar agravamento da sanção.
dias o prazo para interposição de recurso administrativo,
contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão CAPÍTULO XVI
recorrida. DOS PRAZOS
§ 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso
administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da
trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do
competente. começo e incluindo-se o do vencimento.
§ 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior § 1o Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro
poderá ser prorrogado por igual período, ante justificativa dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não
explícita. houver expediente ou este for encerrado antes da hora
Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de normal.
requerimento no qual o recorrente deverá expor os § 2o Os prazos expressos em dias contam-se de modo
fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os contínuo.
documentos que julgar convenientes. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de
Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia
recurso não tem efeito suspensivo. equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o
Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de último dia do mês.
difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente
comprovado, os prazos processuais não se suspendem.

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CAPÍTULO XVII
DAS SANÇÕES

Art. 68. As sanções, a serem aplicadas por autoridade


competente, terão natureza pecuniária ou consistirão em
obrigação de fazer ou de não fazer, assegurado sempre o
direito de defesa.

CAPÍTULO XVIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 69. Os processos administrativos específicos


continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes
apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.
Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em
qualquer órgão ou instância, os procedimentos
administrativos em que figure como parte ou interessado:
(Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta)
anos; (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental;
(Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
III – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de
2009).
IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose
múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget
(osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome
de imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave,
com base em conclusão da medicina especializada, mesmo
que a doença tenha sido contraída após o início do
processo. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
§ 1o A pessoa interessada na obtenção do benefício,
juntando prova de sua condição, deverá requerê-lo à
autoridade administrativa competente, que determinará as
providências a serem cumpridas. (Incluído pela Lei nº
12.008, de 2009).
§ 2o Deferida a prioridade, os autos receberão
identificação própria que evidencie o regime de tramitação
prioritária. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
§ 3o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de
2009).
§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de
2009).
Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação.

Brasília 29 de janeiro de 1999;


178o da Independência e 111o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Renan Calheiros
Paulo Paiva

Este texto não substitui o publicado no D.O.U.


de 1.2.1999 e Retificado no D.O.U de 11.3.1999

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