A integralidade em saúde é um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) e
se refere à compreensão de que o ser humano deve ser cuidado em sua totalidade, considerando
não apenas os aspectos biológicos da doença, mas também as dimensões psicológicas, sociais e
culturais que influenciam seu processo de saúde e adoecimento. Esse princípio está diretamente
ligado à universalidade, que garante o acesso de todos aos serviços de saúde, e à equidade, que
busca atender cada indivíduo de acordo com suas necessidades específicas, reduzindo
desigualdades. Assim, a integralidade se apresenta como um complemento essencial: não basta
oferecer acesso universal e justo, é preciso garantir que o cuidado seja completo, contínuo e
adequado à realidade de cada pessoa.
Na prática profissional, a integralidade se manifesta quando o paciente é reconhecido como um ser
biopsicossocial, ou seja, alguém cuja saúde é resultado da interação entre corpo, mente e contexto
social. Isso significa que o profissional de saúde não deve restringir seu olhar apenas ao sintoma
ou à doença, mas deve buscar compreender também a história de vida, os hábitos, as condições
de moradia, a rede de apoio familiar e comunitária, bem como os aspectos emocionais que
atravessam a experiência de adoecer. Essa abordagem amplia as possibilidades de cuidado e
fortalece a relação entre profissional e paciente, tornando-a mais humanizada.
Um exemplo que ilustra a aplicação da integralidade é o de uma paciente com diagnóstico de
diabetes. Se o atendimento fosse restrito apenas à prescrição de medicamentos, o cuidado se
limitaria ao controle clínico da glicemia. No entanto, quando a integralidade é considerada, o
profissional pode investigar outros fatores: dificuldades financeiras para comprar alimentos
adequados, falta de conhecimento sobre nutrição, ausência de apoio familiar e até sentimentos de
ansiedade diante da doença. A partir dessa visão ampliada, além da medicação, podem ser
oferecidas orientações sobre alimentação acessível, encaminhamento para grupos de apoio,
acompanhamento psicológico e visitas domiciliares. Essa abordagem não apenas melhora o
controle da doença, mas também promove qualidade de vida e adesão ao tratamento.
Nesse contexto, o papel do profissional de saúde é essencial, pois ele atua como mediador entre o
conhecimento técnico e as necessidades reais do paciente. Sua função vai além de diagnosticar e
tratar: envolve escuta ativa, empatia, acolhimento e a articulação com outros serviços e
profissionais para garantir um cuidado integral. Ao adotar essa postura, o profissional contribui
para transformar o atendimento em saúde em uma prática mais humanizada, efetiva e justa, capaz
de respeitar a singularidade de cada indivíduo e promover não apenas a cura, mas também o
bem-estar.