1.
Factores de Risco dos Erros Retractivos
Depois do conhecimento e caraterização de cada ametropia é importante perceber de
que modo alguns fatores podem contribuir para o aparecimento das mesmas. Neste
contexto, são designados fatores de risco de um erro refrativo todos os elementos que
possam aumentar a probabilidade de o desenvolver. A idade, o sexo, a personalidade e a
etnia são algumas das causas que podem levar ao aparecimento de um estado refrativo
anómalo (1).
1.1. Idade
Geralmente o erro refrativo mais frequente nos bebés é a hipermetropia. Caso a miopia
esteja presente, grande parte dela é associada à prematuridade, (Borish, 1970). Com o
início da atividade escolar, aos 6 anos, a maioria das crianças com um desenvolvimento
ocular normal, é emetrope ou hipermetrope, só depois, por volta dos 6/8 anos seguintes
é que a miopia pode ganhar um papel relevante e ir progredindo. Irving EL et al.
(Irving, 2019), investigaram a variação e a magnitude da refração ocular média em
relação à idade. O estudo contou com 5933 participantes entre os 0 e 93 anos e
observaram que crianças com menos de 1 ano de idade eram as mais hipermétropes. A
maior magnitude de miopia foi encontrada aos 27 anos de idade e a variabilidade da
refração ocular média aumentou com o aumento da miopia. Quanto ao astigmatismo,
este aumentou gradualmente até aos 60 anos, progredindo a uma taxa mais rápida a
partir desse momento. Assim, a maior magnitude de miopia é encontrada em jovens
adultos e semelhante à prevalência, também a gravidade desta ametropia parece ter
aumentado desde (1).
1.2. Sexo
A relação do sexo com o erro refrativo não está ainda bem definida, ou tão bem
sustentada como a associação à idade, por exemplo. Para este fator encontram-se
variadas opiniões de diferentes autores que se debruçaram sobre o estudo deste possível
vínculo. Uma revisão sistemática metanálise feita por Rudnicka et al (Rudnicka, 2016).,
em 2016, contou com a inclusão de 143 artigos feitos em 2015, com 374 349
participantes dos 1 aos 18 anos de idade. Foi observado que no final da adolescência o
sexo feminino tem 2 vezes mais probabilidade de desenvolver miopia do que o sexo
masculino (1).
No estudo de Parrey MUR et al. (Parrey MUR, 20219), das 966 pessoas envolvidas
com idades entre 16 e 39 anos, houve uma diferença significativa no erro refrativo entre
homens e mulheres. A miopia esteve presente em 4,3% no sexo feminino e a
hipermetropia em 1,7%. Em relação ao sexo masculino verificou-se 2,6% de míopes e
1,6% de hipermetropes. Deste modo, conclui-se, que a miopia continua a ser mais
prevalente nas mulheres que nos homens.
Desta forma, não há ainda uma regra ou uma conexão, que permita explicar de forma
clara a influência que o sexo apresenta perante a incidência de uma ametropia.
1.3. Etnia
A raça é também um fator que pode influenciar na presença de um erro refrativo, no
entanto é difícil a comparação entre etnias principalmente em diferenças áreas
geográficas.
Na revisão sistemática de Rudnicka et al. (Rudnicka, 2016), que contou com 374 349
participantes dos 1 aos 18 anos de idade, verificou-se um aumento da prevalência da
miopia relacionado com a etnia. Os asiáticos do Leste apresentaram a maior prevalência
com um valor de 80%. Por outro lado, aqueles que verificaram uma menor prevalência
foram os africanos com uma taxa de 5,5% (1).
Ainda há investigação que deve ser feita para que se possa tirar devidas conclusões
quanto à prevalência dos erros refrativos nas diferentes culturas. No entanto, é evidente
que estas diferenças existem e que a raça tem um certo poder sobre o desenvolvimento
de ametropias.
1.4. Hereditariedade
Fatores genéticos estão intimamente ligados ao desenvolvimento de um erro refrativo.
Existem vários estudos que confirmam sobre a contribuição da genética no
desenvolvimento das ametropias, nomeadamente o risco de as desenvolver quando os
pais padecem desse erro refrativo. Este facto torna-se mais evidente principalmente na
miopia (1).
Referencias Bibliográficas
1. Alsaif BA, Aljindan MY, Alrammah HM, Almulla MO, Alshahrani SS, 2019.
Refractive errors among Saudi college students and associated risk factors. Clin
Ophthalmol; 13:437-443.