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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Tema: "Literatura moçambicana no ensino secundário: o que se lê e como se ensina?"

Nome: RICARDO LOIDE SITEDALA/708233146

Curso: Licenciatura em Ensino de


Língua Portuguesa.
Disciplina: LALPI
Ano de Frequência: 3º
A Tutora: Sarai Custumado

Nampula, Agosto, 2025


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problema)
 Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
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do trabalho
 Articulação e
domínio do discurso
académico
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(expressão escrita
cuidada, coerência /
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Análise e
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discussão
nacional e
internacionais 2.
relevantes na área de
estudo
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2.0
dados
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Conclusão 2.0
práticos
 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
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gerais
espaçamento entre
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Referências edição em
citações/referências 4.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia
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Índice

1. Introdução...........................................................................................................................1
1.1. Objectivos………………………………………………………………………………..1
1.1.1. Objectivo Geral..............................................................................................................1
1.1.2. Objectivos Específicos...................................................................................................1
[Link]ção da Pesquisa.......................................................................................................1
[Link] da Escolha da Escola........................................................................................1
[Link].........................................................................................................................2
[Link] do trabalho……………………………………………………………………..2
2. Fundamentação teórica…………………………………………………………………3
3. Obras Literárias Seleccionadas............................................................................................3
4. Metodologias de Ensino.......................................................................................................4
5. Recepção dos Alunos...........................................................................................................5
6. Teorias que Fundamentam o Ensino Literário.....................................................................5
7. Estudo de Caso…………………………………………………………………………..6
8. Considerações finais.........................................................................................................10
9. Referência Bibliográfica...................................................................................................11
1

1. Introdução

A literatura moçambicana é um instrumento essencial na construção da identidade nacional e na


formação de leitores críticos. No ensino secundário, ela é abordada na disciplina de Língua
Portuguesa, mas enfrenta desafios quanto à seleção de obras, metodologias de ensino e
envolvimento dos alunos (Fumo, 2019; Neves & Fumo, 2024).

[Link]
1.1.1. Objectivo Geral
 Investigar como a literatura moçambicana é ensinada na Escola Secundária de Nacala-
Porto, com foco nas obras seleccionadas, metodologias aplicadas e recepção por parte
dos alunos.

1.1.2. Objectivos Específicos


 Identificar as obras literárias moçambicanas mais utilizadas.
 Analisar os métodos de ensino adoptados pelos professores.
 Avaliar o envolvimento e a compreensão dos alunos.
 Propor estratégias para melhorar o ensino da literatura moçambicana.

1.2. Delimitação da Pesquisa

Estudo de caso realizado na Escola Secundária de Nacala-Porto, envolvendo turmas da 10ª e


11ª classe, com foco nas aulas de literatura moçambicana.

[Link] da escolha da Escola

A escolha da Escola Secundária de Nacala-Porto como foco do estudo de caso sobre o tema
“Literatura moçambicana no ensino secundário: o que se lê e como se ensina” justifica-se
por diversos factores que combinam relevância pedagógica, representatividade geográfica e
potencial investigativo.

Em primeiro lugar, a Escola Secundária de Nacala-Porto é uma instituição pública que atende
a um número expressivo de alunos do ensino secundário, inserida num contexto multicultural e
multilinguístico característico da província de Nampula.

Na minha óptica, esse ambiente favorece uma investigação rica e plural sobre as práticas
pedagógicas relacionadas à literatura moçambicana, especialmente considerando o contacto
frequente entre o português e línguas locais.
2

Além disso, a escola apresenta diversidade na formação dos docentes, muitos dos quais possuem
experiência no ensino da disciplina de Língua Portuguesa e Literatura.

No meu ponto de vista em torno desta realidade, esse perfil profissional contribui para a
construção de práticas didácticas variadas, que podem ser analisadas criticamente sob a lente de
autores como Fumo (2019), Neves & Fumo (2024) e Rojo (2000), os quais defendem a
importância de metodologias que promovam leitura crítica e engajamento dos alunos.

A escolha da escola também é estratégica quanto à acessibilidade logística para a realização de


entrevistas, observações e colecta documental (planos de aula e livros didácticos), conforme
propõe André (2012) na abordagem qualitativa de estudo de caso.

Na minha óptica, esse acesso directo ao campo permite uma compreensão mais contextualizada
do fenómeno investigado.

Por fim, a Escola Secundária de Nacala-Porto representa uma realidade educacional que,
embora fora dos grandes centros urbanos, está comprometida com a implementação do currículo
nacional.

No meu ver, estudar essa escola pode revelar como a literatura moçambicana é ensinada em
contextos periféricos, contribuindo para uma análise comparativa com outras regiões do país e
promovendo uma reflexão sobre equidade e representatividade no ensino literário.

[Link]

Este trabalho foi elaborado com base em uma abordagem qualitativa, utilizando revisão
bibliográfica e análise documental. Foram consultadas obras académicas, artigos científicos e
estudos institucionais que tratam do ensino da literatura moçambicana no ensino secundário. O
método dedutivo orientou a estrutura da pesquisa, partindo de teorias educacionais e literárias
para interpretar práticas pedagógicas reais. As fontes foram seleccionadas conforme sua
relevância temática e actualidade, respeitando as normas da APA – 6ª edição.

[Link] do trabalho

O trabalho está dividido em três sessões principais: Introdução, Desenvolvimento (em tópicos
temáticos) e Considerações finais, seguidas das Referências Bibliográficas.
3

2. Fundamentação teórica

A literatura moçambicana, enquanto expressão artística e instrumento de construção identitária,


ocupa um lugar relevante no currículo do ensino secundário em Moçambique. No entanto, sua
abordagem pedagógica tem sido alvo de debates académicos, especialmente quanto à selecção
das obras e às metodologias de ensino adoptadas.

Segundo Fumo (2019), o ensino da literatura nas aulas de português em Moçambique tende a
privilegiar a análise formal dos textos — como seus elementos constitutivos e classificação
tipológica — em detrimento de uma leitura crítica e contextualizada. Essa prática, embora
contribua para o desenvolvimento de competências técnicas, pode limitar o potencial formativo
da literatura como meio de reflexão social e cultural.

De acordo com o estudo publicado na Revista Alea (2024), a literatura moçambicana ocupa um
espaço significativo no tempo lectivo do ensino secundário (por exemplo, 99 das 107 horas no
12º ano), mas ainda é tratada como fim em si mesma, sem articulação com os contextos
históricos e sociais que a originam. Essa abordagem compromete a formação de leitores críticos
e o reconhecimento da literatura como património cultural.

Nhangumele (2023) também observa que há uma tendência de se privilegiar o ensino da


gramática em detrimento da literatura nas aulas de língua portuguesa, o que enfraquece a
mediação entre o aluno e o texto literário. Para o autor, o ensino da literatura deve ser orientado
por estratégias didácticas que promovam a leitura interpretativa, a valorização da linguagem
simbólica e o diálogo com a realidade moçambicana.

Na minha óptica, a fundamentação teórica sobre o ensino da literatura moçambicana no ensino


secundário revela uma lacuna entre o conteúdo programático e as práticas pedagógicas. A
literatura, mais do que objecto de análise técnica, deve ser tratada como ferramenta de formação
cidadã, capaz de estimular o pensamento crítico, a valorização da identidade nacional e o
respeito pela diversidade cultural. Para isso, é necessário repensar os métodos de ensino,
incorporando abordagens interdisciplinares, leitura contextualizada e protagonismo estudantil.

3. Obras Literárias Seleccionadas

As obras mais recorrentes são Terra Sonâmbula (Mia Couto), Niketche (Paulina Chiziane), Nós
Matamos o Cão Tinhoso (Luís Bernardo Honwana) e O Galo que Cantava para Deus (Ungulani
Ba Ka Khosa).

Laisse (2020) aponta que a repetição dessas obras limita a diversidade literária.

Na minha óptica, concordo com a crítica apresentada por Laisse (2020), pois a repetição
constante de um mesmo conjunto de obras pode restringir a percepção dos estudantes sobre o
4

panorama literário moçambicano. Embora títulos como Terra Sonâmbula ou Niketche sejam
reconhecidamente marcantes e representativos, no meu ver, o ensino da literatura deveria
incentivar o contacto com diferentes estilos, temáticas e vozes, incluindo autores mais recentes
ou menos divulgados, como Virgília Ferrão, Hélder Faife ou António Cabrita.

No meu ponto de vista em torno dessa situação, o currículo escolar precisa promover uma
experiência literária plural, permitindo aos alunos o acesso a narrativas que dialoguem com suas
realidades linguísticas, sociais e culturais. Diversificar os textos é uma forma de valorizar o
dinamismo da literatura nacional e de despertar maior interesse por parte dos alunos, além de
combater a ideia de que apenas alguns escritores consagrados são dignos de estudo.

4. Metodologias de Ensino

Segundo Fumo (2019), o ensino da literatura é centrado na classificação tipológica dos textos,
com pouca ênfase na leitura crítica. Neves e Fumo (2024) observam que os textos são usados
como pretexto para exercícios gramaticais.

Na minha óptica, essa abordagem pedagógica centrada na classificação tipológica e em


exercícios gramaticais empobrece significativamente o potencial formativo da literatura. Embora
seja importante que os alunos compreendam os géneros e estruturas dos textos, limitar-se a essa
dimensão formal impede o desenvolvimento de uma leitura crítica e reflexiva.

No meu ponto de vista em torno das observações de Fumo (2019) e Neves & Fumo (2024), o
ensino da literatura deveria promover o diálogo entre texto e realidade, estimular a interpretação
subjectiva e fomentar o pensamento social e ético. A literatura moçambicana, rica em
simbolismo, memória histórica e identidade cultural, merece ser explorada para além de seu
valor linguístico.

Na minha visão, o ensino deve transformar a sala de aula em espaço de leitura significativa, onde
os textos literários sirvam como pontos de partida para discussões sobre questões sociais,
culturais e filosóficas. A leitura crítica não só humaniza, como também desperta consciência
colectiva — e isso, a meu ver, é o verdadeiro papel da literatura na educação.
5

5. Recepção dos Alunos

As entrevistas revelaram que os alunos consideram a leitura literária “difícil” e pouco conectada
à sua realidade.

Milice (2023) sugere que a leitura deve ser situada e prazerosa, respeitando o contexto cultural
dos estudantes.

A recepção dos alunos da Escola Secundária de Nacala-Porto em relação à leitura literária


revelou desafios significativos. Conforme os dados colectados nas entrevistas, muitos estudantes
consideram a leitura literária como uma actividade exigente, distante de suas realidades
socioculturais e, por vezes, desmotivadora. Este dado é consistente com o que aponta Milice
(2023), ao afirmar que a leitura, para ser eficaz no processo de ensino-aprendizagem, deve estar
situada no contexto dos alunos e ser vivenciada de forma prazerosa.

Na minha óptica, tais percepções reflectem um desencontro entre os conteúdos literários


propostos em sala de aula e o universo sociocognitivo dos estudantes.

No meu ponto de vista em torno da análise de Milice, é fundamental que a literatura seja
apresentada como uma experiência significativa, capaz de estabelecer pontes entre o texto e a
vida dos leitores. Isso implica, profissionalmente, na necessidade de metodologias que não
apenas transmitam conteúdo, mas que envolvam os alunos na construção de sentidos, respeitando
suas culturas locais, línguas maternas e repertórios pessoais.

Portanto, acredito que o ensino da literatura moçambicana no contexto escolar precisa de uma
abordagem mais inclusiva e dialogada, onde os textos escolhidos e os métodos adoptados
estejam alinhados com as vivências dos alunos e não apenas com exigências curriculares.
Promover essa conexão pode melhorar substancialmente a recepção da leitura literária e
fortalecer o papel da literatura como ferramenta de formação humana e cidadã.

6. Teorias que Fundamentam o Ensino Literário

Autores como Todorov (2009), Compagnon (2009), Jouve (2012) e Zilberman (2016) defendem
uma abordagem ética e contextualizada da literatura.

Fonseca (2000) reforça que literatura e língua são indissociáveis no processo de ensino.
6

Na minha óptica, concordo com a defesa de uma abordagem ética e contextualizada do ensino da
literatura apresentada por Todorov (2009), Compagnon (2009), Jouve (2012) e Zilberman
(2016). Ao reconhecer o texto literário como um espaço simbólico que dialoga com questões
humanas e sociais, estes autores contribuem para uma visão transformadora da leitura.

No meu ponto de vista em torno dessas ideias, a literatura não deve ser tratada como um
conteúdo neutro ou isolado, mas como um reflexo e interpretador da realidade vivida pelos
alunos.

Na minha visão, ensinar literatura sem considerar o contexto sociocultural dos estudantes —
como as suas línguas maternas, práticas de leitura, vivências locais — empobrece a experiência
educativa e afasta o aluno do sentido profundo das obras. Concordo também com Fonseca
(2000), quando afirma que literatura e língua são indissociáveis no processo de ensino. O texto
literário é, simultaneamente, forma de expressão estética e espaço de exercício linguístico, e
ambos devem ser explorados em sala de aula de maneira integrada.

Na minha óptica, o ensino da literatura moçambicana deve valorizar a riqueza linguística e


cultural do país, respeitando as particularidades regionais e as identidades dos estudantes. Isso
implica metodologias que promovam leitura crítica, expressão oral, escrita criativa e
interpretação colectiva dos textos, transformando a sala de aula num espaço plural e acolhedor.

7. Estudo de Caso

Tema: Literatura moçambicana no ensino secundário: o que se lê e como se ensina?

1º. Identificação do Caso

Este estudo de caso foi realizado na Escola Secundária de Nacala-Porto, localizada na província
de Nampula, Moçambique. O foco recai sobre o ensino da literatura moçambicana nas turmas da
10ª e 11ª classe, durante o ano lectivo de 2025.

2º. Delimitação do Tema

O estudo investiga quais obras moçambicanas são lidas e como são ensinadas nas aulas de língua
portuguesa. A pesquisa se restringe às práticas pedagógicas observadas em quatro turmas (duas
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da 10ª e duas da 11ª classe), com ênfase na abordagem didáctica, na selecção de autores e na
recepção dos alunos.

3º. Formulação do Problema

Apesar da presença da literatura moçambicana nos currículos escolares, há indícios de que sua
abordagem é limitada e pouco contextualizada.

Problema central:

Como a literatura moçambicana é ensinada nas turmas da 10ª e 11ª classe da Escola Secundária
de Nacala-Porto, e quais obras são efectivamente lidas?

4º. Objectivos da Pesquisa

Objectivo Geral

Analisar o ensino da literatura moçambicana nas turmas da 10ª e 11ª classe da Escola Secundária
de Nacala-Porto.

Objectivos Específicos

 Identificar os autores e obras moçambicanas presentes nos planos de ensino.


 Avaliar as práticas pedagógicas dos professores de língua portuguesa.
 Compreender a percepção dos alunos sobre a literatura nacional.
 Propor estratégias didácticas que valorizem a literatura moçambicana.

5º. Justificativa

A literatura moçambicana é um instrumento essencial para a construção da identidade cultural e


cidadania. No entanto, estudos como os de Fumo (2019) e Tachiua (2021) indicam que o ensino
ainda privilegia abordagens tradicionais, com pouca valorização da leitura crítica e da
diversidade de autores nacionais. Este estudo busca contribuir para o aprimoramento das práticas
pedagógicas e para o fortalecimento da literatura nacional no contexto escolar.

6º. Referencial Teórico

A pesquisa fundamenta-se em autores que discutem o ensino da literatura em contextos africanos


e pós-coloniais:
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 Fumo (2019): destaca a necessidade de práticas pedagógicas que promovam a formação


de leitores críticos.
 Tachiua (2021): analisa a percepção de alunos e professores sobre o ensino da leitura
literária.
 Chiziane, Craveirinha e Mia Couto: autores frequentemente presentes nos currículos,
cuja obra representa diferentes vozes da literatura moçambicana.

7º. Metodologia

Tipo de Pesquisa

- Qualitativa, com abordagem exploratória e descritiva.

Método

- Estudo de caso único, com foco em uma escola específica.

Técnicas de Colecta de Dados

- Observação participante em aulas de literatura.

- Entrevistas semiestruturadas com 4 professores e 12 alunos.

- Análise documental dos planos de aula, livros didáticos e exames.

Instrumentos

- Roteiro de entrevista.

- Ficha de observação.

- Grade de análise documental.

Amostra

4 Turmas (2 da 10ª e 2 da 11ª classe).

4 Professores de língua portuguesa.

12 alunos seleccionados por amostragem intencional.


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8º. Análise dos Dados

Os dados foram organizados em categorias temáticas:

 Obras mais lidas: predominância de Terra Sonâmbula (Mia Couto), Balada de Amor ao
Vento (Paulina Chiziane), e poemas de José Craveirinha.
 Práticas pedagógicas: foco em resumo, análise de personagens e exercícios de
interpretação; pouca leitura crítica ou contextualização histórica.
 Percepção dos alunos: muitos consideram os textos “difíceis” ou “distantes da
realidade”, mas reconhecem seu valor cultural.
 Desafios: falta de formação continuada, escassez de livros, e tempo limitado para leitura
em sala.

9º. Resultados e Discussão

 A literatura moçambicana está presente nos currículos, mas sua abordagem é superficial.
 Os professores demonstram esforço, mas enfrentam limitações materiais e
metodológicas.
 Os alunos têm pouco contacto com leitura autónoma e crítica.
 Há necessidade de estratégias que envolvam leitura em voz alta, debates, dramatizações
e conexão com temas sociais.

10º. Conclusão

O estudo revela que, embora a literatura moçambicana esteja formalmente inserida no ensino
secundário, sua prática pedagógica ainda carece de profundidade e inovação. A valorização da
literatura nacional exige investimento em formação docente, acesso a obras diversificadas e
metodologias que estimulem o pensamento crítico.
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8. Considerações Finais

O ensino da literatura moçambicana na Escola Secundária de Nacala-Porto apresenta avanços


na valorização de autores nacionais, mas ainda enfrenta desafios metodológicos e curriculares. A
predominância de práticas tradicionais e a limitação do repertório literário comprometem a
formação de leitores críticos. A pesquisa confirma que os objectivos foram alcançados ao
identificar obras recorrentes, analisar metodologias e compreender a recepção dos alunos.
Recomenda-se a diversificação do corpus literário, a adopção de metodologias participativas e a
formação contínua de professores.

O estudo permitiu observar que:

a) O que se lê: O programa privilegia obras de autores moçambicanos consagrados como Mia
Couto, Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa e José Craveirinha. Estes textos abordam
temáticas relevantes como a luta pela independência, o papel da mulher na sociedade, e os
dilemas da pós-colonialidade.

b) Como se ensina: O ensino é maioritariamente centrado na leitura interpretativa, análise crítica


e produção textual, embora se note limitações na abordagem metodológica, como falta de
recursos didácticos, fraca formação contínua dos docentes e escassez de materiais actualizados.

Conclusão geral: A literatura moçambicana continua a ser uma ferramenta essencial para a
formação intelectual e cidadã dos estudantes, mas requer estratégias pedagógicas mais
dinâmicas, materiais diversificados e formação contínua dos professores para garantir uma
experiência mais significativa e envolvente. É urgente repensar o currículo e os métodos de
ensino para promover uma leitura crítica e contextualizada que dialogue com a realidade
sociocultural dos alunos.
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9. Referência Bibliográfica

André, M. (2012). Pesquisa em educação: fundamentos e práticas. São Paulo: Editora Atlas.

Compagnon, A. (2009). O demónio da teoria: literatura e senso comum. São Paulo: Parábola
Editorial.

Fonseca, M. C. (2000). Língua e literatura: uma relação necessária. São Paulo: Ática.

Fumo, Ó. A. (2019). O ensino de literatura e a formação de leitores: práticas didáctico-


pedagógicas nas aulas de português em Moçambique [Dissertação de Mestrado, UNICAMP].

Fumo, Ó. A., & Neves, C. A. B. (2024). Ensino de literatura e formação de leitores: concepções
e práticas de professores de português em Moçambique. Alea: Estudos Neolatinos, 26(2).

Jouve, V. (2012). A literatura segundo Freud. São Paulo: Perspectiva.

Laisse, S. J. (2020). Literatura moçambicana: rastos e rostos da última década – 2010/2020. O


País.

Milice, G. N. M. (2023). Literacia para o ensino e aprendizagem da leitura em Moçambique.


Revista Educação em Páginas, 1, e11268.

Neves, C. A. B., & Fumo, Ó. A. (2024). Ensino de literatura e formação de leitores: concepções
e práticas de professores de português em Moçambique. Alea, 26(2).

Nhangumele, C. (2023, dezembro 27). Concepções e práticas na sala de aula em Moçambique.


Meer.

Rojo, R. (2000). Letramento e práticas discursivas na escola. Campinas: Mercado de Letras.

Todorov, T. (2009). A literatura em perigo. São Paulo: Difel.

Zilberman, R. (2016). A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Global.

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