O Processo de Secagem da Resina PET
Introdução
O polietileno tereftalato (PET) é um polímero de grande relevância industrial, utilizado
principalmente em fibras têxteis, filmes e embalagens. Para que a resina apresente boas
propriedades de processamento e desempenho final, é fundamental que o teor de umidade
esteja controlado antes da transformação.
A resina PET é higroscópica, ou seja, possui a capacidade de absorver moléculas de água
do ambiente. Essa característica traz desafios para a indústria, uma vez que a presença de
umidade durante o processamento pode causar hidrólise das cadeias poliméricas, levando
à redução do peso molecular e, consequentemente, à perda de propriedades mecânicas e
de barreira (SOUZA; LIMA, 2022).
Por essa razão, a secagem da resina PET constitui uma etapa essencial antes do
processamento por injeção, extrusão ou sopro, sendo considerada um dos pontos críticos
de controle de qualidade.
Desenvolvimento
1. Importância da secagem
A presença de umidade na resina PET durante o aquecimento no processo de
transformação promove a seguinte reação indesejada de hidrólise:
–O–CH2–CH2–OOC–C6H4–CO–+H2O → HO–CH2–CH2–OH+HOOC–C6H4–
COOH–O–CH₂–CH₂–OOC–C₆H₄–CO– + H₂O \; \rightarrow \; HO–CH₂–CH₂–OH +
HOOC–C₆H₄–COOH–O–CH2–CH2–OOC–C6H4–CO–+H2O→HO–CH2–CH2–
OH+HOOC–C6H4–COOH
Essa reação quebra as cadeias poliméricas, diminuindo o peso molecular e a viscosidade
intrínseca (IV). Como resultado, o produto final pode apresentar:
• Perda de resistência mecânica;
• Redução da transparência (amarelamento do material);
• Baixa resistência a impactos;
• Defeitos de superfície em peças e garrafas.
Portanto, a secagem correta garante que o PET seja processado dentro das especificações
de qualidade e desempenho exigidas.
2. Métodos de secagem
2.1 Secagem em estufas convencionais
Um dos métodos mais utilizados na indústria é a secagem em estufas com ar quente
desumidificado. O processo envolve a passagem de ar seco aquecido através da resina
em pellets, promovendo a remoção gradual da umidade.
As condições típicas são:
• Temperatura: 160–180 °C;
• Tempo de secagem: 4 a 6 horas;
• Ponto de orvalho do ar: até –40 °C.
2.2 Secadores de ar desumidificado (desiccant dryers)
Esse tipo de secador é mais eficiente, pois utiliza torres desumidificadoras com materiais
adsorventes (como sílica gel ou peneiras moleculares) que reduzem a umidade do ar antes
de aquecê-lo. O resultado é um ar de secagem com baixíssimo teor de vapor de água,
garantindo remoção eficaz da umidade da resina.
2.3 Secagem a vácuo
Outra tecnologia utilizada é a secagem em ambiente de vácuo, na qual a pressão reduzida
acelera a evaporação da água dos pellets. Esse método apresenta a vantagem de reduzir o
tempo necessário para alcançar o teor de umidade ideal, sendo especialmente útil em
linhas de alta produtividade (MORAES; GUTIERREZ, 2019).
2.4 Secagem por cristalização prévia
Para PETs amorfos, a secagem em altas temperaturas pode causar aglomeração dos
pellets. Nesse caso, utiliza-se um processo de cristalização prévia, onde os pellets são
aquecidos gradualmente até cerca de 150–160 °C, aumentando seu grau de cristalinidade
antes da secagem principal. Isso evita a fusão e garante um processo mais eficiente.
3. Controle do teor de umidade
O controle da secagem é realizado por meio de análises laboratoriais ou equipamentos de
monitoramento online. O valor ideal de umidade para processamento do PET é de
aproximadamente 30 ppm (partes por milhão) ou menos (FONSECA et al., 2021).
Excessos acima desse limite já comprometem a qualidade da peça final. Por isso, muitas
indústrias implementam rotinas de monitoramento rigoroso do ponto de orvalho do ar de
secagem e da umidade residual nos pellets.
4. Desafios e avanços tecnológicos
Apesar da ampla aplicação dos sistemas tradicionais, a secagem da resina PET envolve
consumo elevado de energia, representando custo significativo para as indústrias de
embalagens e fibras.
Avanços recentes incluem:
• Secadores energicamente eficientes, com recuperação de calor;
• Monitoramento inteligente, utilizando sensores IoT para controle em tempo real;
• Processos híbridos, combinando vácuo e ar desumidificado para reduzir tempo e
custo energético;
• Uso de energias renováveis, como aquecimento solar integrado ao processo
industrial.
Essas inovações buscam aliar eficiência produtiva à sustentabilidade, tema cada vez mais
relevante na cadeia do PET.
Conclusão
A secagem da resina PET é uma etapa fundamental para garantir a qualidade do material
durante o processamento. Devido à sua natureza higroscópica, o PET deve ser submetido
a secagem rigorosa para evitar reações de hidrólise que degradam suas propriedades.
Métodos como secagem em estufas, secadores de ar desumidificado, secagem a vácuo e
cristalização prévia são amplamente utilizados, com escolha dependendo do tipo de resina
e da aplicação final. O controle do teor de umidade, idealmente abaixo de 30 ppm, é
essencial para assegurar desempenho adequado do produto final.
Com os avanços tecnológicos, a tendência é que os processos de secagem sejam cada vez
mais eficientes, integrando sistemas inteligentes de monitoramento e soluções
sustentáveis. Dessa forma, a secagem continuará sendo um elo indispensável na cadeia
de produção e transformação do PET.
Referências
• FONSECA, F. L. R.; PEREIRA, R. S.; ALMEIDA, L. H. Reciclagem de PET:
desafios e oportunidades para o setor de embalagens. Polímeros: Ciência e
Tecnologia, v. 31, n. 2, p. 78-89, 2021.
• MORAES, R. P.; GUTIERREZ, C. C. Síntese e propriedades de poliésteres
aromáticos: uma abordagem sobre o PET. Revista Matéria, v. 24, n. 3, p. 1-12,
2019.
• SILVA, J. A.; MORAES, P. L. Polietileno tereftalato: produção e inovação
tecnológica. Revista Brasileira de Engenharia Química, v. 37, n. 1, p. 45-58,
2020.
• SOUZA, A. C.; LIMA, R. A. Processabilidade e desempenho de garrafas PET:
correlação com a viscosidade intrínseca. Engenharia de Materiais em Foco, v. 11,
n. 4, p. 22-34, 2022.