Universidade do Oeste de Santa Catarina
Acadêmica: Isadora Padilha Turma: 30NT
Revisão:
➔ Processo é uma união cronológica de procedimentos/atos processuais e cada ato processual é
um procedimento
➔ Processo civil comum (conhecimento): Petição Inicial – Citação – Audiência de
conciliação/mediação – Contestação – Réplica – Audiência de Instrução e Julgamento –
Alegações Finais – Sentença.
➔ No processo comum a citação é pessoal e a intimação é por advogado
➔ Decisão interlocutória atende um pedido de uma das partes, por isso é um título executivo
➔ O processo é de execução e o procedimento é de cumprimento de sentença
Processo de execução
➔ Objetivo: a satisfação de uma prestação líquida, certa, exigível e exequível (direito do credor,
reconhecido pelo título executivo - Art. 783, CPC), mediante atos processuais de sub-rogação
ou coação do devedor
➔ Não existe processo de execução sem título executivo
➔ Execução fundada em título executivo judicial: procedimento de cumprimento de sentença
(art. 513, do CPC)
➔ Execução fundado em título executivo extrajudicial: processo autônomo e unicamente
executivo (art. 784, do CPC)
➔ Partes no processo de Execução
➔ Legitimidade ativa: exequente é detentor do direito (art. 778, CPC)
➔ Legitimidade ativa ordinária originária (art. 778, caput, CPC): coincidência entre as
figuras do credor previsto no título e do exequente no processo de execução
➔ Transmissão do direito (art. 778, §1º, CPC) - podem promover a execução forçada
ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário:
I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte
deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo (sucessão por
causa mortis - espólio e herdeiros)
III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for
transferido por ato entre vivos (sucessão por ato entre vivos - credor originário
cede seu crédito)
IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional (sucessão pelo
pagamento da dívida)
**Nas hipóteses dos incisos II, III e IV não é necessário o consentimento do devedor
➔ Legitimidade passiva: executado é detentor da obrigação (art. 779, CPC)
➔ I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo (devedor originário)
➔ II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor (sucessão por causa mortis
- espólio responde pelas dívidas do falecido; feita a partilha, cada herdeiro
responde por elas dentro das forças da herança)
➔ III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação
resultante do título executivo (sucessão por ato entre vivos)
➔ IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial (fiador garante satisfazer
ao credor a obrigação assumida pelo devedor)
➔ V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito
(garantia real - oferece bem próprio como forma de garantir o adimplemento de
obrigação alheia; garantidor é responsável pela dívida na proporção do bem
oferecido)
➔ VI - o responsável tributário, assim definido em lei
➔ Cumulação de execuções
➔ Art. 780, CPC: “o exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em
títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja
competente o mesmo juízo e idêntico procedimento”
➔ para a cumulação de demanda executiva não importa a espécie de título executivo, mas
sim a natureza da obrigação
➔ Requisitos: 1. mesmas partes; 2. mesma competência; 3. mesma forma (procedimento)
➔ Litisconsórcio
➔ Pluralidade de sujeitos no mesmo polo da relação jurídica processual, pode ser ativo ou
passivo
➔ Litisconsórcio ativo: todos os litisconsortes sejam efetivamente credores do mesmo
executado em relação ao mesmo título
➔ Litisconsórcio passivo: todos os litisconsortes sejam efetivamente devedores do mesmo
exequente em relação ao mesmo título
➔ Competência
➔ Competência territorial relativa: pode ser de escolha das partes (cláusula de eleição de
foro) ou à escolha do exequente (art. 781, CPC):
➔ I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição
constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos;
➔ II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de
qualquer deles;
➔ III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser
proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente;
➔ IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será
proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente;
➔ V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em
que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o
executado.
➔ Elementos cumulativos para o processo de execução
➔ Art. 783, CPC: “A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de
obrigação certa, líquida e exigível.”
➔ Art. 786, CPC: “A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação
certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo.”
➔ Atributos da obrigação no título executivo:
1. Certeza: não recai sobre a existência de crédito em si, mas sim sobre o objeto em
questão ter força executiva;
2. Liquidez: deve exprimir valor devido;
3. Exigibilidade: será exigível quando o credor puder reclamá-la, ou seja, quando
houver inadimplemento por parte do devedor, gerando uma obrigação vencida/um
débito.
Processo de execução de título extrajudicial
➔ Objeto: tem como ÚNICO objeto o título executivo extrajudicial
➔ Título Executivo Extrajudicial: formado por ato de vontade das partes envolvidas na relação
jurídica de direito material - ou de somente uma delas (certidão de dívida ativa)
➔ Os títulos executivos extrajudiciais estão dispostos em rol TAXATIVO no art. 784 CPC:
Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da
debênture e o cheque; União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
II - a escritura pública ou outro documento público Municípios, correspondente aos créditos inscritos na
assinado pelo devedor; forma da lei;
III - o documento particular assinado pelo devedor e por X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou
2 (duas) testemunhas; extraordinárias de condomínio edilício, previstas na
IV - o instrumento de transação referendado pelo respectiva convenção ou aprovadas em assembleia
Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela geral, desde que documentalmente comprovadas;
Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de
por conciliador ou mediador credenciado por tribunal; registro relativa a valores de emolumentos e demais
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados
ou outro direito real de garantia e aquele garantido por nas tabelas estabelecidas em lei;
caução; XI-A - o contrato de contragarantia ou qualquer outro
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; instrumento que materialize o direito de ressarcimento
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; da seguradora contra tomadores de seguro-garantia e
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, seus garantidores;
decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição
acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; expressa, a lei atribuir força executiva.
Observação: por decisão do STJ, o boleto bancário tem força executiva (não é considerado
título executivo)
➔ Art. 784, inciso I, do CPC: Títulos de crédito - Pagamento de quantia certa
➔ O cheque, a nota promissória, a letra de câmbio, a duplicata e a debênture
➔ Cheque: Lei 7.357/85
➔ Ordem de pagamento à vista (único)
➔ Termos importantes:
➔ Emissão - preenchimento do cheque/colocá-lo em circulação
➔ Apresentação - entregar o cheque para desconto/para o banco
➔ Compensação - troca do cheque pelo dinheiro/depósito
➔ Praça - local da agência bancária (município)
➔ Prazo de apresentação:
➔ Mesma praça - 30 dias para a apresentação
➔ Fora da praça - 60 dias para a apresentação
➔ Prazo de execução: 6 meses, a contar do vencimento do prazo de apresentação
★ Todo prazo do direito material (direito antes do processo) é contado em dias
corridos, excluindo o primeiro dia e contando o último dia
★ “O prazo de execução do cheque é de 7 meses de mesma praça e 8 meses se for
fora da praça, a contar da emissão”
➔ Cheque pré-datado: utilizado como forma de pagamento a prazo; inicia-se a
contagem do prazo de apresentação a partir da data pré-datada (respeito do pacto
entre as partes)
➔ Exigibilidade se dá a partir da recusa do banco para a compensação
➔ Nota promissória: Lei Uniforme de Genebra - Decreto 57.663/66
➔ Título de crédito de pagamento futuro (promessa de pagamento)
➔ Garante pagamento entre particulares
➔ Prazo de execução: 3 anos, a contar do vencimento
➔ Nota promissória sem data de vencimento se torna ordem de pagamento à vista
➔ Letra de câmbio: Lei Uniforme de Genebra - Decreto 57.663/66
➔ Título de renda fixa e pagamento futuro emitido por instituição financeira
➔ Prazo de execução: 3 anos, a contar do vencimento
➔ Duplicata: Lei 5.474/68
➔ Título de crédito de pagamento futuro utilizado em relações comerciais e mercantis
➔ Prazo de execução: 3 anos, a contar do vencimento
➔ Debêntures: Lei 6.404/76
➔ Título de crédito de pagamento futuro emitido por grupos empresariais para fins de
investimentos
➔ Prazo de execução: 3 anos, a contar do vencimento
★ Observação: Nos títulos de crédito é 3 anos para executar o título + 2 anos para receber
por meio de procedimento comum ou ação monitória, totalizando 5 anos.
➔ Demais títulos executivos:
➔ Inciso II ao VII e IX ao XII do art. 784, CPC - Prazo de execução de 5 anos (art. 206,
§5º, do CC)
➔ A escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor (art. 784, II,
CPC): A assinatura é exigida somente para outro documento público; em se tratando
de escritura pública a falta de assinatura não retira a sua qualidade de título
➔ O documento particular assinado pelo devedor e por 2 testemunhas (art. 784, III,
CPC): testemunhas instrumentárias
★ Casos excepcionais - possui força executiva mesmo sem as 2 testemunhas:
contrato eletrônico, com assinatura digital (certificação de terceiro
desinteressado - autoridade certificadora); contrato de honorários advocatícios
➔ O contrato de seguro de vida em caso de morte (art. 784, VI, CPC): é preciso que o
evento morte ocorra
➔ A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei (art.
784, IX, CPC): obrigação legal relativa a tributos de crédito à Fazenda Pública;
lavrada a Certidão da Dívida Ativa - CDA, a qual embasa a ação de execução
➔ O crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio
edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde
que documentalmente comprovadas (art. 784, X, CPC): encargos devem estar
previstos na respectiva convenção ou na ata de assembleia geral que aprovou; não é
preciso que o executado tenha participado do ato que aprovou a instituição da
contribuição (obrigação propter rem)
➔ Art. 784, inciso VIII, do CPC: o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de
aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de
condomínio
➔ O próprio contrato de locação é o título executivo
➔ O não cumprimento das obrigações do locatário pode dar ensejo à ação executiva
➔ Prazo de execução de 3 anos (art. 206, §3º, do CC)
➔ Responsabilidade patrimonial
➔ Princípio da patrimonialidade ou realidade: devedor responde com todos os seus bens
presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações
➔ Obrigação é pessoal, mas a responsabilidade é sempre patrimonial
➔ Art. 391, do CC: “pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do
devedor.”
➔ Obrigação tem 2 elementos: a dívida (dever imposto - elemento estático); e a
responsabilidade (sujeição do patrimônio em caso de inadimplemento - elemento
dinâmico)
➔ Regra geral: bens do executado
➔ Hipóteses de responsabilidade sem dívida (terceiro responde pela obrigação) - Art. 790,
do CPC - São sujeitos à execução os bens:
I - do sucessor a título singular, tratando-se de V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à
execução fundada em direito real ou obrigação execução;
reipersecutória; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido
II - do sócio, nos termos da lei; anulada em razão do reconhecimento, em ação
III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; autônoma, de fraude contra credores;
IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em VII - do responsável, nos casos de desconsideração da
que seus bens próprios ou de sua meação personalidade jurídica.
respondem pela dívida;
➔ Art. 833, do CPC: bens protegidos pela lei (impenhoráveis):
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios,
voluntário, não sujeitos à execução; os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou
II - os móveis, os pertences e as utilidades úteis ao exercício da profissão do executado;
domésticas que guarnecem a residência do VI - o seguro de vida;
executado, salvo os de elevado valor ou os que VII - os materiais necessários para obras em andamento,
ultrapassem as necessidades comuns salvo se essas forem penhoradas;
correspondentes a um médio padrão de vida; VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
III - os vestuários, bem como os pertences de uso desde que trabalhada pela família;
pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IX - os recursos públicos recebidos por instituições
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os privadas para aplicação compulsória em educação, saúde
salários, as remunerações, os proventos de ou assistência social;
aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o
montepios, bem como as quantias recebidas por limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos
do devedor e de sua família, os ganhos de por partido político, nos termos da lei;
trabalhador autônomo e os honorários de XII - os créditos oriundos de alienação de unidades
profissional liberal, ressalvado o § 2º ; imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária,
vinculados à execução da obra.
★ Bens inalienáveis: bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial, ou com
cláusula de inalienabilidade
★ Bens de família legal - Art. 1º da Lei 8.009/90: imóvel residencial próprio do casal,
ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida
civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges
ou pelos pais ou filhos que sejam proprietários e nele residam (é impenhorável)
★ Bens de família convencional - Art. 1.711 do CC: Podem os cônjuges, ou a entidade
familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio
para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido
existente ao tempo da instituição (é impenhorável e inalienável)
★ A impenhorabilidade do bem de família não é absoluta, pois é atingida: a) em
indenização trabalhista; b) dívida tributária (tributos originados pelo bem imóvel -
IPTU, contribuição de melhoria e taxa de condomínio); e c) dívida contratual quando o
bem de família for dado como garantia
➔ Fraude à execução e contra credores
➔ Fraude à execução
➔ Alienação ou oneração de bens, a título gratuito ou oneroso, na pendência de ação
judicial; suscitada no processo de execução e gera a ineficácia do negócio jurídico
em relação ao credor
➔ Instituto de direito processual; alegada nos próprios autos da execução; e não exige
requisitos específicos
➔ Os bens alienados ou gravados de ônus real em fraude à execução continuarão
sujeitos à execução, pois tais atos são ineficazes em relação ao exequente
➔ Exercício do contraditório do terceiro adquirente: antes de declarar a fraude, o
terceiro é intimado para opor embargos de terceiros, no prazo de 15 (dias)
➔ Hipóteses - Art. 792, do CPC:
I - quando sobre o bem pender ação fundada em III - quando tiver sido averbado, no registro do bem,
direito real ou com pretensão reipersecutória, desde hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial
que a pendência do processo tenha sido averbada originário do processo onde foi arguida a fraude;
no respectivo registro público, se houver; IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração,
II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à
a pendência do processo de execução, na forma do insolvência;
art. 828; V - nos demais casos expressos em lei.
★ A citação do executado é marco temporal formal de sua ciência acerca da ação que lhe
é proposta
★ Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução
verifica-se a partir da citação da parte cujo patrimônio se busca atingir
★ Se reconhecida a fraude à execução, será afastada a proteção do bem de família
➔ Ônus da prova:
➔ A averbação é critério objetivo e absoluto de ciência erga omnes
➔ A averbação anterior à alienação gera presunção absoluta de fraude à execução
➔ Imcumbe ao credor adotar as medidas a fim de evitar alegação futura de boa-fé
por parte do terceiro adquirente.
➔ Possíveis cenários:
➔ Alienação ocorrida antes de qualquer ação judicial: não configura fraude à
execução, podendo configurar fraude contra credores;
➔ Alienação ocorrida durante a fase de conhecimento ou entre a propositura
da ação e a devida citação, capaz de reduzir o devedor à insolvência:
configura fraude à execução (art. 792, IV, CPC); exequente deve provar que
o executado e o adquirente tinha ciência da ação;
➔ Alienação no curso da execução:
➔ Se o bem disputado for sujeito a registro e o exequente averbar a
pendência da ação no respectivo registro, tendo a alienação ocorrido
após esta averbação, haverá presunção absoluta de fraude à execução
➔ Se o bem for sujeito a registro e o exequente não promover a averbação,
caberá ao exequente o ônus da prova de má-fé do terceiro adquirente
➔ Se o bem não for sujeito a registro, caberá ao terceiro adquirente o ônus
de provar a boa-fé.
➔ Fraude contra credores
➔ Alienação fraudulenta de bens, a título oneroso ou gratuito, por meio do qual o
devedor alienante tem a intenção de, tornando-se insolvente, prejudicar o seu credor
em tempo futuro; há dolo por parte do devedor
➔ Instituto de direito material, alegada em ação de conhecimento específica (ação
pauliana) e exige requisitos específicos
➔ Requisitos: 1. intenção de prejudicar o credor (consilium fraudis); 2. situação de
insolvência gerada pela redução deliberada do patrimônio do devedor (eventus
damni)
➔ Gera a anulação da alienação; sendo assim, reconhecida a nulidade por sentença, o
bem objeto da alienação voltará ao patrimônio do devedor alienante
★ Responsabilidade objetiva do exequente: Princípio da cooperação; parte não deve causar
dano injusto ao seu adversário, o que gera ao exequente uma responsabilidade objetiva,
baseada na teoria do risco-proveito
★ Litigância de má-fé ou atos atentatórios à dignidade da justiça: se uma das partes for
condenada, gera cobrança de multa ou de eventuais indenizações delas decorrentes
(promovidas nos próprios autos do processo de execução)
★ Direito de retenção: um dos sujeitos da relação obrigacional retém o bem a que está em seu
poder, condicionando a sua devolução ao cumpriemento da obrigação; Exemplo:
transportador, uma vez executado o transporte, tem direito de retenção das bagagens de
passageiros, para garantir o pagamento do valor da passagem que ainda não foi paga ao
início ou durante o percurso → Art. 793, CPC: direito de preferência aos bens retidos para
sanar a obrigação
Espécies de execução
➔ Fazer depois
Cumprimento de sentença
➔ Títulos executivos judiciais: Art. 515, CPC - rol taxativo
➔ Decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de
pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa (Art. 515, inciso I, CPC):
Decisão interlocutória, sentença ou acórdão
➔ Decisão homologatória de autocomposição judicial (Art. 515, inciso II, CPC):
Autocomposição admitida mesmo após o trânsito em julgado; Neste caso, a
autocomposição é nos autos e ocorre com o processo em curso
➔ Decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza (Art.
515, inciso III, CPC): Autocomposição feita de forma extrajudicial, sendo ajuizado a
ação comente para homologação judicial
➔ Formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal (Art. 515, inciso IV, CPC):
Formal e certidão de partilha espelham aquilo que ficou definido na ação de inventário
em relação aos direitos de cada herdeiro (Art. 655, CPC)
➔ Crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem
sido aprovados por decisão judicial (Art. 515, inciso V, CPC): Crédito aprovado por
decisão judicial; Exemplo: honorários periciais
➔ Sentença penal condenatória transitada em julgado (Art. 515, inciso VI, CPC):
Obrigação de indenizar o dano causado é um efeito genérico da condenação criminal (art.
91, I, CP)
➔ Sentença arbitral (Art. 515, inciso VII, CPC): Árbitro é juiz de fato e de direito, porém o
órgão arbitral não detém poder de imperium, razão pela qual suas decisões, caso não
sejam cumpridas voluntariamente, devem ser executadas pelo Judiciário (mérito já
estabelecido, não é possível rediscuti-lo)
➔ Sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (Art. 515, inciso
VIII, CPC)
➔ Decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória
pelo Superior Tribunal de Justiça (Art. 515, inciso IX, CPC)
➔ Competência para o cumprimento de sentença: Art. 516, CPC
➔ Regra de competência funcional (absoluta), pois dizem respeito à função exercida pelo
órgão jurisdicional no processo
➔ Nos incisos I e II, a competência para o cumprimento de sentença será do mesmo órgão
onde tramitou o processo de conhecimento
➔ Já no inciso III, afasta-se a competência do órgão onde tramitou a ação de conhecimento,
transferindo-a para juízo cível
➔ A natureza absoluta da competência é flexibilizada pelo parágrafo único, estabelecendo
foros concorrentes às hipóteses dos incisos II e III: a) juízo do atual domicílio do
executado; b) juízo do local onde se encontram os bens sujeitos à execução; ou c) juízo
do local onde deve ser executada a obrigação de fazer ou não fazer
➔ Para o procedimento do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade da
obrigação de prestar alimentos além da flexibilização às regras de competência do
parágrafo único do Art. 516, do CPC, o exequente pode promover o cumprimento da
sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu
domicílio (§9º do art. 528, do CPC )
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença
arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do
atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à
execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não
fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
➔ Legitimidade
➔ Legitimidade ativa
➔ A instauração da fase de cumprimento de sentença pode ou não depender de prévio
requerimento do credor previsto como tal no título executivo judicial
➔ Cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
pagar quantia certa: instauração pelo requerimento do exequente (Art. 513,
§1º, CPC)
➔ Cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
pagar alimentos: instauração pelo requerimento do exequente (Art. 528, CPC)
➔ Cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
pagar quantia certa pela Fazenda Pública: não prevê o prévio requerimento
do exequente, segue formalidade própria (Art. 534, CPC)
➔ Cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
fazer, não fazer ou entrega de coisa: não há exigência quanto ao prévio
requerimento do exequente; possibilidade de atuação oficiosa do juiz (Art. 536,
CPC)
➔ Legitimidade passiva
➔ A legitimidade passiva para o cumprimento de sentença será do devedor indicado no
título executivo judicial
➔ Regras pela intervenção de terceiros: a) na denunciação da lide, procedente o pedido
da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença
também contra o denunciado, nos limites da condenação (art. 128, parágrafo único,
CPC); b) no chamamento ao processo, a sentença de procedência valerá como título
executivo em favor do réu que satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por
inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na
proporção que lhes tocar (art. 132, CPC)
➔ Se na relação jurídica de direito material a obrigação do devedor foi garantida por
fiança, aval, ou ainda se houver outros coobrigados, o cumprimento de sentença
somente pode ser direcionado a tais sujeitos, caso eles tenham integrado a relação
processual na fase de conhecimento (§5, art. 513, CPC)
➔ Intimação do executado
➔ Art 513, §2º, CPC - Instaurada a fase de cumprimento de sentença, o devedor será
intimado para cumprir a obrigação por: a) Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado
constituído nos autos; b) carta com aviso de recebimento, quando representado pela
Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos, salvo quando
sido revel na fase de conhecimento; c) meio eletrônico, quando, no caso §1º do art. 246,
CPC - empresas públicas e privadas, não tiver procurador constituído nos autos; d) edital,
quando citado, tiver sido revel na fase de conhecimento
➔ Art. 513, §3º, CPC - Na hipótese do § 2º, nas modalidades de carta e meio eletrônico,
considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de endereço sem
prévia comunicação ao juízo, seguindo o disposto no parágrafo único do Art. 274, CPC:
Art. 274. Parágrafo único. Presumem-se válidas as intimações dirigidas ao endereço constante dos
autos, ainda que não recebidas pessoalmente pelo interessado, se a modificação temporária ou
definitiva não tiver sido devidamente comunicada ao juízo, fluindo os prazos a partir da juntada aos
autos do comprovante de entrega da correspondência no primitivo endereço.
➔ Regra geral: intimação pelo Diário da Justiça, na pessoa do advogado do executado
➔ Exceção - Súmula 410: No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de
obrigação de fazer ou não fazer a prévia intimação pessoal do devedor constitui condição
necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação
➔ Se o requerimento de cumprimento de sentença for formulado após 1 ano do trânsito em
julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com
AR, observado o disposto no parágrafo único do art. 274 e o §3º do art. 513.
➔ Cumprimento Provisório da Sentença
➔ Antes do trânsito em julgado, o título executivo goza de certa precariedade, pois somente
com o trânsito em julgado é que a decisão, efetivamente, passa a gozar de certeza
➔ Se a decisão ainda não transitou em julgado, e o recurso interposto contra ele não é
dotado de efeito suspensivo, será possível, sob responsabilidade do credor, o
cumprimento de sentença provisório (arts. 520 a 522, CPC), o qual se sujeitará ao regime
disposto no art. 520.
Art. 520. O cumprimento provisório da sentença § 1º No cumprimento provisório da sentença, o executado
impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo poderá apresentar impugnação, se quiser, nos termos do
será realizado da mesma forma que o cumprimento art. 525 .
definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime: § 2º A multa e os honorários a que se refere o § 1º do art.
I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, 523 (não ocorrendo o pagamento voluntário) são devidos
que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os no cumprimento provisório de sentença condenatória ao
danos que o executado haja sofrido; pagamento de quantia certa.
II - fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou § 3º Se o executado comparecer tempestivamente e
anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da
partes ao estado anterior (status quo ante) e liquidando-se multa, o ato não será havido como incompatível com o
eventuais prejuízos nos mesmos autos; recurso por ele interposto.
III - se a sentença objeto de cumprimento provisório for § 4º A restituição ao estado anterior a que se refere o
modificada ou anulada apenas em parte, somente inciso II não implica o desfazimento da transferência de
nesta ficará sem efeito a execução; posse ou da alienação de propriedade ou de outro
IV - o levantamento de depósito em dinheiro e a direito real eventualmente já realizado, ressalvado,
prática de atos que importem transferência de posse ou sempre, o direito à reparação dos prejuízos causados ao
alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos executado.
quais possa resultar grave dano ao executado, dependem § 5º Ao cumprimento provisório de sentença que
de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo reconheça obrigação de fazer, de não fazer ou de dar
juiz e prestada (pelo exequente) nos próprios autos. coisa aplica-se, no que couber, o disposto neste Capítulo
➔ Impugnação ao cumprimento de sentença
➔ Art. 525 do CPC: A impugnação é o instrumento por meio do qual o executado, no
cumprimento de sentença, insurge-se, total ou parcialmente, contra a pretensão executiva
do credor
➔ Garante-se o exercício do contraditório na fase executiva
➔ Tem natureza de incidente processual de defesa e sua apresentação ocorre por simples
petição juntada aos autos
➔ Não é dado ao executado-impugnante rediscutir o mérito, pois as matérias defensivas são,
quase todas, de ordem processual, referentes a pressupostos de existência e validade do
processo
➔ As questões meritórias só podem ser alegadas quando forem supervenientes ao trânsito
em julgado
➔ Admitida no cumprimento de sentença de obrigação de pagar quantia certa, de fazer, não
fazer ou entregar coisa certa (Art. 536, §4º e art. 538, §3º)
➔ Prazo
➔ Transcorrido o prazo para o cumprimento voluntário da obrigação, inicia-se o prazo
de 15 dias úteis para o executado, independente de penhora ou nova intimação,
apresente nos próprios autos sua impugnação (Art. 525 do CPC)
➔ O prazo contar-se-á em dobro nas hipóteses do art. 229 do CPC: Os litisconsortes
que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão
prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou
tribunal, independentemente de requerimento.
➔ Procedimento da impugnação
➔ As regras devem ser, no que couber, as regras relativas aos embargos à execução,
especificamente os arts. 918 e 920 do CPC
➔ Art. 918 do CPC - juiz rejeitará liminarmente: a) quando intempestivos; b) nos
casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do pedido; e c)
manifestamente protelatórios (conduta atentatória à dignidade da justiça)
➔ Não sendo o caso de rejeição liminar, o exequente será intimado para se manifestar
no prazo de 15 dias úteis, e após decorrido o prazo, o juiz julgará a impugnação
➔ A natureza da decisão que julga a impugnação dependerá de seu resultado: a) se o
acolhimento da impugnação gerar extinção do cumprimento, o pronunciamento
judicial será uma sentença; b) em caso de rejeição total ou acolhimento que não gere
a extinção, o pronunciamento será uma decisão interlocutória
➔ Art 525, §1º, CPC - Matérias defensivas:
Art. 525. § 1º Na impugnação, o executado poderá V - excesso de execução (Art. 917, §2º, CPC) ou
alegar: cumulação indevida de execuções (Art 780, CPC);
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da
conhecimento, o processo correu à revelia; execução;
II - ilegitimidade de parte; VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da
III - inexequibilidade do título (não atende os obrigação, como pagamento, novação, compensação,
requisitos legais ou não é líquido) ou transação ou prescrição, desde que supervenientes à
inexigibilidade da obrigação sentença (somente aquela após a formação do título;
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; se ocorrer após a sentença e antes do trânsito, cabe
ao executado alega-lá - Art. 508, CPC)
★I - acolhida a impugnação e reconhecida a falta de citação válida, o título executivo é
desconstituído e o processo volta a fase de conhecimento
★II - Os polos da ação devem espelhar exatamente os polos da relação obrigacional
estabelecida pelo título executivo judicial
★§12º, Art. 525, CPC: Título executivo transitado em julgado que esteja fundado em
lei, ou utilize de interpretação da lei, considerada como inconstitucional pelo STF,
torna a obrigação inexigível
★ V - Art. 917, § 2º, CPC: Há excesso de execução quando: I - o exequente pleiteia
quantia superior à do título; II - ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no
título; III - ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título; IV - o
exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da
prestação do executado; V - o exequente não prova que a condição se realizou.
★§2º, Art. 525, CPC: Suspeição ou impedimento do juiz
★VII - Art. 508: Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas
e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao
acolhimento quanto à rejeição do pedido.
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de pagar quantia certa
➔ No caso de condenação de quantia certa, ou já fixada em liquidação, o cumprimento
definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente
➔ Art. 524, CPC - O requerimento de cumprimento de sentença será instruído com
demonstrativo discriminado e atualização do crédito, a petição deve conter: a) nome
completo e qualificação do exequente e do executado; b) o índice de correção monetária
adotado; c) os juros aplicados e as respectivas taxas; d) o termo inicial e o termo final dos
juros e da correção mon utilizados; e) a periodicidade da capitação de juros, se for o caso;
f) especificação dos eventuais descontos obrigatórios realizados; e g) indicação dos bens
passíveis , sempre que possível
➔ Recebido o requerimento, o juiz, nos termos do art. 523 do CPC, determinará a intimação
do executado para pagar o débito, no prazo de 15 dias úteis, este pronunciamento judicial
é irrecorrível
➔ Se o executado estiver sendo patrocinado pela Defensoria Pública, tal prazo deverá ser
contado em dobro
➔ Se o devedor não efetuar o pagamento voluntário dentro do prazo, o débito será acrescido
de 10% de multa e de 10% de honorários de advogado (Art. 523, §1º, CPC)
➔ Se o executado, no prazo para o cumpriemnto voluntário, efetuar pagamento parcial, a
multa e os honorários incidirão sobre o restante (Art. 523, §2º, CPC)
➔ Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo,
mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação (Art. 523, §3º,
CPC)
➔ Art. 526 do CPC: O devedor poderá comparecer em juízo e pagar o valor que entender
devido, apresentando memória discriminada do cálculo. O credor será ouvido, no prazo
de 5 dias, podendo impugnar o valor depositado. Se o juiz concluir insuficiência do
depósito, a multa e os honorários incidirão sobre a diferença apurada. Se o credor não se
opuser, o juiz declarará satisfeita a obrigação e extinguirá o processo
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de pagar alimentos
➔ Há dois regimes de cumprimento de sentença que se aplicam à obrigação de pagar
alimentos: a) o regime geral - rito da penhora; e b) o regime especial - rito da prisão
➔ Regime geral - rito da penhora
➔ É exceção
➔ Será observado quando: a) o próprio credor requerer (§8º, art. 528, CPC); e b) o
débito alimentar não corresponde às 3 últimas prestações anteriores ao ajuizamento
da execução e as que se vencerem no curso do processo (§7º, art. 528, CPC)
➔ Segue o procedimento de pagar quantia certa (art. 523 e ss, CPC)
➔ Regime especial - rito da prisão
➔ É regra
➔ Seu procedimento é mais célere e as medidas executivas são mais drásticas
➔ Terá início mediante requerimento do alimentando perante o juízo competente
➔ Foros concorrente: a) perante órgão jurisdicional onde tramitou a ação de
conhecimento - regra geral (art. 531, 2º, CPC); b) perante juízo do atual domicílio do
executado ou pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução
(parágrafo único, art. 516, CPC); e c) no juízo de domicílio do exequente (art. 528,
§9º, CPC)
➔ Recebido o requerimento, o juiz mandará intimar o executado pessoalmente para, em
3 dias, pagar o débito, provar que já o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo
(art. 528, CPC)
➔ A justificativa acerca do não pagamento no prazo legal, em regra, é feita mediante
prova documental, mas nada impede que seja feita mediante prova testemunhal,
desde que dentro do prazo de 3 dias
➔ Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade de pagar justificará o
inadimplemento (art. 528, §2º, CPC)
➔ Caso o executado não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente
justificativa de impossibilidade dentro do prazo legal, o juiz mandará protestar o
pronunciamento judicial e decretará a prisão do devedor pelo prazo de 1 a 3 meses
➔ Prisão civil:
➔ é o meio executivo mais drástico que existe no sistema processual civil brasileiro
➔ será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos
comuns (art. 528, §4º, CPC)
➔ transcorrido o prazo fixado, o executado deverá ser posto imediatamente em
liberdade, sem prejuízo de nova decretação da prisão relativamente às parcelas
que se vencerem no curso do processo
➔ as parcelas pretéritas não serão consideradas pagar, pois a prisão é meio de
coerção pessoal, sendo assim o cumprimento da pena não exime o devedor de
pagar os alimentos devidos (art. 528, §5º, CPC)
➔ se o executado pagar a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento
de ordem de prisão, pondo imediatamente em liberdade se o executado estiver
preso, ou se não estiver, revogando o decreto prisional e determinar o imediato
recolhimento do mandado de prisão (art. 528, §6º, CPC)
➔ Técnicas executivas
➔ Há técnicas processuais executivas que podem ser utilizadas em ambos os regimes
➔ Exemplo: retenção da CNH ou passaporte do executado, desconto em folha…
➔ Sempre observado o princípio da proporcionalidade
➔ Desconto em folha de pagamento, rendimentos ou rendas do executado:
Art. 529. Quando o executado for funcionário § 2º O ofício conterá o nome e o número de inscrição
público, militar, diretor ou gerente de empresa ou no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do
empregado sujeito à legislação do trabalho, o executado, a importância a ser descontada
exequente poderá requerer o desconto em folha mensalmente, o tempo de sua duração e a conta na
de pagamento da importância da prestação qual deve ser feito o depósito.
alimentícia. § 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos
§1º Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à vincendos, o débito objeto de execução pode ser
autoridade, à empresa ou ao empregador, descontado dos rendimentos ou rendas do executado,
determinando, sob pena de crime de de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo,
desobediência, o desconto a partir da primeira contanto que, somado à parcela devida, não
remuneração posterior do executado, a contar do ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos
protocolo do ofício. líquidos.
➔ O desconto em folha se refere aos alimento vincendos (pagamento “em dia”) →
desconto ocorre todos os meses na importância da prestação alimentícia fixada
➔ É possível o pagamento dos alimentos vencidos de forma parcelada, mediante
desconto nos rendimentos ou rendas do executado, sem prejuízo do pagamento
dos alimentos vincendos, desde que a soma das parcelas devidas (alimento
vincendo + parcela dos alimentos vencidos) não ultrapasse 50% dos ganhos
líquidos do executado (§3º, art. 529, CPC)
Exemplo: O débito alimentar do executado é de R$10.000,00 (alimentos
vencidos) e o valor da prestação alimentícia é de R$1.000,00 (alimentos
vincendos); o executado possui renda mensal de R$5.000,00. Neste caso será
possível o parcelamento das parcelas vencidas em 10x, resultando em 10x de
R$1.000,00, sem prejuízo à cobrança mensal da prestação alimentícia
vincenda, pois ao descontar os dois valores - parcelas vencidas (R$1.000,00) e
vincendas (R$1.000,00) - soma-se R$2.000,00, não ultrapassando o importe de
50% dos rendimentos do executado
➔ Cumulação de execuções
➔ Embora o art. 780 do CPC aparentemente proíba a cumulação de execuções com
procedimentos diversos, no caso da obrigação alimentar há algumas peculiaridades:
1) a natureza da prestação alimentar exige uma flexibilização das restrições formais
previstas no código; 2) há um único título executivo e o requerimento será
apresentado ao mesmo juízo prolator; 3) as técnicas processuais executivas são
válidas para os dois regimes; 4) o §7º do art. 528 do CPC estabelece que a prisão
civil é decretada apenas em relação às últimas 3 prestações e as que vencerem no
curso do processo, mas não proíbe a cumulação
➔ Sendo assim basta que no mandado de intimação do executado, conste, de forma
expressa e específica, que o executado terá: o prazo de 3 dias para pagar, provar que
fez ou justificar o descumprimento do débito “x” (referente as 3 últimas parcelas
vencidas), sob pena de decretação de prisão civil (art. 528, CPC); e o prazo de 15
dias para cumprir voluntariamente a obrigação referente à dívida “y” (valores
pretéritos), sob pena de 10% de multa e honorários advocatícios (art. 523, §1º, CPC)
➔ Nos casos de quitação parcial, cabe o devedor especificar se o pagamento se refere
aos alimentos pretéritos ou aos alimentos atuais (3 últimas parcelas vencidas)
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda
Pública
➔ A execução ocorrerá, em regra, nos mesmos autos em que o título foi constituído,
mediante instauração da fase de cumprimento de sentença
➔ Procedimento está descrito nos artigos 534 e 535 do CPC:
Art. 534. No cumprimento de sentença que impuser à Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na
Fazenda Pública o dever de pagar quantia certa, o pessoa de seu representante judicial, por carga,
exequente apresentará demonstrativo discriminado e remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no
atualizado do crédito contendo: prazo de 30 (trinta) dias (prazo próprio) e nos
I - o nome completo e o número de inscrição no Cadastro próprios autos, impugnar a execução, podendo
de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa arguir:
Jurídica do exequente; I - falta ou nulidade da citação se, na fase de
II - o índice de correção monetária adotado; conhecimento, o processo correu à revelia;
III - os juros aplicados e as respectivas taxas; II - ilegitimidade de parte;
IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade
correção monetária utilizados; da obrigação;
V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o IV - excesso de execução ou cumulação indevida
caso; de execuções;
VI - a especificação dos eventuais descontos obrigatórios V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da
realizados. execução;
§ 1º Havendo pluralidade de exequentes, cada um deverá VI - qualquer causa modificativa ou extintiva da
apresentar o seu próprio demonstrativo [...] obrigação, como pagamento, novação,
§ 2º A multa (10% de multa e honorários) prevista no § compensação, transação ou prescrição, desde que
1º do art. 523 não se aplica à Fazenda Pública. supervenientes ao trânsito em julgado da sentença.
★ §5º, art. 535, CPC: Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, considera-se
também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou
ato normativo considerado inconstitucional pelo STF, ou fundado em aplicação ou
interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo STS como incompatível com a CF
§7º, art. 535, CPC: A decisão do STF deve ter sido proferida antes do trânsito em
julgado da decisão exequenda
§8º, art. 535, CPC: Se a decisão for proferida após o trânsito em julgado da decisão
exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da
decisão proferida pelo STF
➔ Quando a Fazenda Pública é condenada mediante decisão judicial transitada em julgado,
o pagamento ocorre por meio de expedição de precatórios (art. 100, da CF) ou requisição
de pequeno valor - RPV (estabelecida a quantia considerada “pequeno valor” em cada
plano do ente estatal - federal, estadual, distrital ou municipal)
➔ Não impugnada a execução ou rejeitadas as arguições da executada: a) expedir-se-á, por
intermédio do presidente do tribunal competente, precatório em favor do exequente,
observando-se o disposto na CF; b) por ordem do juiz, dirigida ao procurador que o ente
público foi citado para o processo, de pagamento de obrigação de pequeno valor,
realizado no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da requisição, mediante depósito
na agência de banco oficial mais próxima da residência do exequente (§3º, art. 535, CPC)
➔ Se a impugnação for parcial, a parte não questionada pela executada será, desde logo,
objeto de cumprimento (§4º, art. 535, CPC)
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de fazer, não fazer ou entregar coisa
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de fazer ou não fazer
➔ Se procedente o pedido, o juiz concederá a tutela específica ou determinará
providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente
(art. 497, CPC)
➔ Art. 536, CPC: O juiz poderá, de ofício ou a requerimento do exequente, para a
efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente, determinar medidas necessárias à satisfação do exequente, previstas no
§1º, art 536, CPC: a) imposição de multa (astreinte); b) busca e apreensão; c)
remoção de pessoas e coisas; e d) desfazimento de obras e o impedimento da
atividade nociva, podendo requisitar o auxílio de força policial
➔ Se o executado descumprir injustificadamente a ordem judicial na aplicação de
alguma das medidas previstas, incidirá nas penas de litigância de má-fé, sem prejuízo
de sua responsabilização por crime de desobediência (art. 536, §3º, CPC)
➔ Astreintes
➔ É a multa processual fixada pelo juiz como forma de garantir a efetividade d a
decisão judicial
➔ Art. 537, CPC: A multa independe de requerimento da parte e poderá ser
aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na
fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que
se determine prazo razoável para cumprimento do preceito
➔ A multa deve ter: a) efetividade da tutela prestada (suficientemente persuasiva);
e b) vedação do enriquecimento sem causa do beneficiário;
➔ Sendo assim, é preciso que sejam observadas pelo juiz na fixação da multa
cominatória: a) valor da obrigação e importância do bem jurídico tutelado; b)
tempo para cumprimento (prazo razoável e periodicidade); c) capacidade
econômica e de resistência do devedor; d) possibilidade de adoção de outros
meios pelo magistrado; e e) dever do credor de mitigar o próprio prejuízo (duty
to mitigate de loss)
➔ Súmula 410: A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição
necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer
ou não fazer
➔ É possível a modificação do valor da multa, de ofício ou a requerimento, caso o
juiz verifique: a) se tornou insuficiente ou excessiva; b) o obrigado demonstrou
cumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causa para o
descumprimento
➔ Cumprimento definitivo da sentença de obrigação de entregar coisa
➔ Se procedente o pedido, o juiz concederá a tutela específica e fixará o prazo para o
cumprimento da obrigação (art. 498, CPC)
➔ Em caso de entrega de coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o autor
individualizá-la-á na petição inicial, se lhe couber a escolha, ou, se a escolha couber
ao réu, este entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz (parágrafo único do
art. 498, CPC)
➔ Cabe ao juiz adotar as medidas necessárias para o cumprimento da obrigação,
aplicando, no que couber, os arts. 536 e 537 do CPC, correspondentes a obrigação de
fazer ou não fazer (art. 538, §3º, CPC)
➔ Art. 538, CPC: Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido, será expedido
mandado de busca e apreensão (coisa móvel) ou de imissão da posse (coisa imóvel)
em favor do credor
➔ A existência de benfeitorias deve ser largada na fase de conhecimento, bem como o
direito de retenção de benfeitorias, que deve ser exercido na contestação da fase de
conhecimento (§§ 1º e 2º do art. 538, CPC), sob pena de preclusão
➔ Em ambos os casos, busca-se a obtenção da tutela específica, que é aquela que coincide
com a tutela a que a parte faria jus no plano do direito material, caso não houvesse o
inadimplemento pelo devedor; Caso a tutela específica não seja alcançada, busca-se a
tutela pelo resultado prático equivalente
➔ Ao não cumprir a obrigação específica no plano do direito material, o devedor transfere
ao credor o direito de optar pela: a) tutela específica; b) obtenção do resultado prático
equivalente; e c) conversão da obrigação em perdas e danos
➔ Art. 499, CPC - A obrigação somente será convertida em perdas e danos se: a) o autor o
requerer; ou b) impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado
prático equivalente
➔ Se o juiz verificar que se tornou impossível a obtenção da tutela específica ou do
resultado prático equivalente, poderá de ofício converter a obrigação em perdas e danos,
sem que tal medida configura decisão extra petita
➔ A indenização por perdas e danos não gera prejuízo à multa fixada periodicamente para
compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação (art. 500, CPC)
➔ Constrição e Expropriação Patrimonial
➔ Constrição patrimonial - penhora
➔ Física: feita por oficial de justiça
➔ Virtual: feita pelos sistemas judiciais autorizados na decisão pelo juiz
➔ Bens penhoráveis: Art. 835, CPC
➔ Bens impenhoráveis: Art. 833, CPC
➔ Expropriação patrimonial
➔ Adjudicação: ocorre quando o exequente fica com o bem penhorado como forma de
pagamento; adjudicar é a autorização de propriedade
➔ Alienação particular: ocorre quando o exequente indica terceiro para a aquisição do
bem penhorado; a alienação não pode ser feita por valor menor que o da avaliação; o
executado tem preferência na proposta apresentada pelo terceiro;
➔ Alienação pública - leilão - hasta pública: utilizada quando for frustrada a
adjudicação e a alienação particular; venda pública do bem penhorado realizada pelo
judiciário; o primeiro leilão não pode ter lances menores que o valor da avaliação, já
no segundo leilão, o lance mínimo é de 50% do valor de avaliação; o valor vil
(menor que 50% da avaliação) pode ser aceito, levando-se em consideração as
peculiaridades do bem e sua dificuldade de arrematação, se isto favorecer o
exequente e com sua concordância; do valor arrematado, é descontado as custas
processuais e honorários do leiloeiro
➔ Última fase do cumprimento de sentença, e acontece após a apreciação dos embargos
à execução e da impugnação ao cumprimento de sentença