Metamodelo
ELIMINAÇÃO
Como reconhecer:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador.
2) Identificar os verbos e os adjetivos que modificam substantivos.
3) Determinar se os verbos ou adjetivos podem ocorrer em uma frase mais completa, ou
seja, que contenha mais argumentos ou locuções nominais do que a original.
Exemplos:
Tenho medo (Tenho medo de pessoas).
Você está emocionado (Você está emocionado por estar aqui).
Você sempre fala como se estivesse com raiva (Você sempre fala comigo como se
estivesse com raiva de alguém).
A comunicação é difícil para mim (Minha comunicação com você quanto às minhas
esperanças é difícil para mim)
A fuga não adianta (Minha fuga de casa de nada me adianta).
Não gosto de gente confusa (Não gosto de gente que é confusa para comigo a
respeito do que elas querem).
Você sempre apresenta exemplos estúpidos (Você sempre me apresenta exemplos
que para mim são estúpidos).
Pessoas moralistas me “torram” a paciência (Pessoas que são moralistas a respeito
de drogas me “torram” a paciência).
A carta infeliz me surpreendeu (A carta que me fez infeliz surpreendeu-me).
O preço opressivo dos alimentos me perturba (O preço dos alimentos que me deixa
oprimido me perturba).
Desafiando eliminações (Quem? Que?):
Sinto-me feliz (Feliz com quem / quê?).
Este exercício é chato (Chato para quem?).
Não sei o que fazer (o que fazer com respeito a quem / quê?).
Falei com um homem que estava aborrecido (Falou sobre o quê? Aborrecido com
quem/ quê?).
A comunicação é difícil para mim (comunicação de quê? Com quem?).
Você sempre apresenta exemplos estúpidos (apresenta exemplos a quem? Quem acha
que os exemplos são estúpidos?).
Pessoas farisaicas me enfurecem (Farisaicas a respeito de que?).
O preço opressivo dos alimentos me perturba (Quem fica oprimido?).
Casos Especiais de Eliminação
I) Envolvendo comparativos e superlativos:
Exemplos: “Ela é melhor para mim (melhor comparada a quê?)”. “Ela é a melhor para
mim (melhor em relação a quê?)”.
Desafiando comparativos e superlativos:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador em busca de comparativos e superlativos.
2) No caso de comparativos, verificar se ambos os termos da comparação estão presentes.
No caso de superlativos, verificar se o conjunto de referência está presente.
3) Recuperar o material eliminado fazendo perguntas. Usa-se a forma: adjetivo +
comparado ao que? Ou adjetivo + do que o quê? Para comparativos e adjetivo + em
relação a quê? para superlativos (exemplos: mais engraçado do que o quê? Mais agressivo
comparado ao quê? A mais difícil em relação a quê?).
II) Envolvendo advérbios:
Exemplos: “Obviamente, meus pais não gostam de mim”. “Meus pais obviamente não
gostam de mim”. Podem ser parafraseados por estruturas como: “É óbvio que meus pais
não gostam de mim”.
Reconhecendo e desafiando eliminações com advérbios:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador em busca de advérbios (-mente).
2) Fazer o teste da paráfrase, eliminando o sufixo -mente do advérbio e colocando-o à
frente da nova estrutura. Acrescentar a palavra é à frente do advérbio e indagar se a nova
estrutura superficial significa a mesma coisa que a estrutura superficial do explorador. Se a
nova frase é sinônima da original isso significa que houve eliminação.
3) Se o teste da paráfrase funcionar, examinar a nova estrutura superficial, utilizando os
métodos normais para recuperação de material eliminado.
Exemplos: “Infelizmente, você se esqueceu de me telefonar no meu aniversário. = É infeliz
que você se esqueceu de me telefonar no meu aniversário”. Conclui-se que houve
eliminação, pois o advérbio se derivou de um verbo da estrutura profunda do explorador.
“Rapidamente abandonei a discussão ≠ É rápido que abandonei a discussão”. O advérbio
não se derivou de um verbo da estrutura profunda do explorador.
III) Envolvendo operadores modais: generalizações que o explorador criou em seu
modelo de mundo utilizando-se de operadores modais de necessidade (ter que, necessário,
dever) e de possibilidade (não possível, impossível, poder, não poder, capaz, incapaz).
Exemplos com operadores modais de necessidade: “Tenho que levar em consideração os
sentimentos de outras pessoas”. “Tem-se que levar em consideração os sentimentos de
outras pessoas”. “É necessário levar em consideração os sentimentos de outras pessoas”.
Seguem a fórmula: É necessário que O¹, senão O² (O- oração).
Exemplos com operadores modais de possibilidade: “Não é possível amar mais de uma
pessoa a um só tempo”. “Ninguém consegue amar mais de uma pessoa a um só tempo”.
“Não se consegue amar mais de uma pessoa a um só tempo”. “Não se pode amar mais de
uma pessoa a um só tempo”. “Ninguém consegue amar mais de uma pessoa a um só
tempo”. Seguem a fórmula: O¹ impede O² de ser possível (O¹ é a parte eliminada).
Desafiando eliminações que envolvem operadores modais:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador em busca de operadores modais.
2)
a) Se estão presentes operadores modais de necessidade, utilizar uma forma de pergunta
que indague pela conseqüência ou resultados eliminados de se deixar de fazer aquilo que a
estrutura superficial do explorador alega ser necessário (Ou o que acontecerá? O que
aconteceria se você deixasse de O¹?).
Exemplo: “O que aconteceria se você deixasse de levar em consideração os sentimentos de
outras pessoas?”.
b) Se estão presentes operadores modais de possibilidade, utilizar uma forma de pergunta
que indague pelo material eliminado que torna impossível aquilo que a estrutura superficial
do explorador alega ser impossível (O que torna O² impossível? O que lhe dificulta O²? O
que o bloqueia a O²? O que o impede de O²?).
Exemplos: “O que torna impossível o seu amor por mais de uma pessoa?”. “O que lhe
dificulta amar mais de uma pessoa a um só tempo?”. “O que o bloqueia a amar mais de
uma pessoa a um só tempo?”. “O que o impede de amar mais de uma pessoa a um só
tempo?”.
DISTORÇÃO –NOMINALIZAÇÕES
Como reconhecer:
1) Ouvir a estrutura superficial apresentada pelo explorador.
2) Para cada um dos elementos da estrutura superficial que não sejam uma palavra-processo
ou verbo, indagar-se de si mesmo se a mesma descreve algum evento que seja na realidade
um processo em andamento no mundo, ou se há algum verbo que se assemelhe sonora /
visualmente a essa palavra-processo, com significado aproximado.
3) Testar para ver se a palavra-evento se ajusta à lacuna na estrutura sintática, um _____ em
andamento (uma forma mais fácil de fazer isso é ver se a palavra-evento é um substantivo
abstrato, se for, terá havido nominalização, ou seja, transformação de um verbo em
substantivo).
Exemplos: “Lamento minha decisão de voltar para casa (Lamento estar decidindo voltar
para casa)”. “Meu divórcio é doloroso (Minha mulher e eu nos divorciando é doloroso)”.
“Meu terror nos bloqueia (O estarmos aterrorizados nos está bloqueando)”. “Sua percepção
está seriamente danificada (A maneira pela qual você está percebendo está seriamente
danificada)”. “Minha confusão tem uma tendência a não me dar alívio (meu estar confuso
tende a impedir-me de me sentir aliviado”. “Tenho medo tanto de sua irritação como de seu
auxílio (Tenho medo tanto da maneira como você se irrita comigo como da maneira como
me auxilia)”. “Suas intuições são notáveis (O modo pelo qual ele intui aquilo que ele intui é
notável)”.
Desafiando nominalizações: ex. “A decisão de voltar para casa me aborrece (Há algum
modo pelo qual você possa imaginar modificar sua decisão? Ou, O que o impede de
modificar sua decisão? Ou, O que aconteceria se você reconsiderasse e decidisse não voltar
para casa?)”.
Desafiando nominalizações que também contêm eliminações: exemplos. “A decisão de
voltar para casa me aborrece (Quem está decidindo retornar a casa?)”. “Minha dor é
opressiva (Seu sentir Dor a respeito de quem / que está oprimindo a quem?)”. “Tenho
esperanças (Pelo que você está esperando?)”. “As crenças de meu filho me preocupam (Em
que seu filho acredita que o preocupa?)”. “Suas suspeitas preconceituosas me irritam (O
que / De quem é que você está suspeitando?)”.
GENERALIZAÇÃO
Como reconhecer: Verificar a existência de índices referenciais para substantivos e
palavras-evento; verificar a existência de verbos e palavras-processo completamente
especificados.
Índices Referenciais:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador, identificando cada palavra-processo.
2) Para cada uma destas, indagar se ela seleciona uma pessoa ou coisa específicas no
mundo.
3) Desafiar a estrutura perguntando (Quem, especificamente? Que, especificamente?).
Exemplos: “Ninguém presta atenção ao que eu digo (Quem, especificamente? O que,
especificamente, você diz?)”. “Eu sempre evito as situações em que eu não me sinto à
vontade (Que situações, especificamente?)”. “É-nos doloroso vê-la neste estado, sabe
(Quem especificamente tem dor? Quem, especificamente, é nós? Que estado,
especificamente? Quem, especificamente, sabe?)”. “Todo o mundo se sente assim, algumas
vezes (Quem, especificamente? Assim como, especificamente? Quando,
especificamente?)”.
Obs. Há casos especiais de certas palavras que não têm índice referencial, são os
qualificadores universais: todo, cada, qualquer, nunca, em lugar algum, nenhum, nem um,
nada. Há uma forma específica de desafiá-los.
Desafiando generalizações:
a) Enfatizando a natureza universal da alegação feita pela estrutura superficial
Explorador: “É impossível confiar em alguém”.
Guia: “É sempre impossível alguém confiar em alguém?”.
b) Perguntando ao explorador se este já teve uma experiência que contradiga sua
própria generalização
Explorador: “É impossível confiar em alguém”.
Guia: “Você já teve a experiência de confiar em alguém?” Ou, “Você já confiou em
alguém?”.
c) Perguntando ao explorador se este pode imaginar uma experiência que
contradissesse a generalização
Explorador: “É impossível confiar em alguém”.
Guia: “Você pode imaginar alguma circunstância em que você pudesse confiar em
alguém?” Ou, “Você pode fantasiar uma situação em que você pudesse confiar em
alguém?”.
Uma vez que o explorador tenha êxito em imaginar ou fantasiar uma situação que
contradiga a generalização, o guia pode assisti-lo na abertura desta parte do seu modelo, por
meio de perguntar qual é a diferença entre a experiência e a fantasia dele, ou o que o
impede de realizar a fantasia.
d) Caso o explorador seja incapaz de fantasiar uma experiência que contradiga sua
generalização, o guia pode escolher pesquisar seus próprios modelos para encontrar um
caso no qual tenha tido uma experiência que contradiga a generalização do explorador. Se o
guia puder encontrar alguma de suas próprias experiências que seja bastante comum para
que o explorador também a possa ter tido, aquele pode perguntar se essa experiência
contradiz a generalização deste.
Explorador: “É impossível confiar em alguém”.
Guia: “Você alguma vez já foi já foi ao médico (ou dentista, andou de ônibus ou táxi ou
avião, ou...)?”.
Uma vez que o explorador admita que teve uma experiência que contradiz sua
generalização, ele religou sua representação a sua experiência e o guia é capaz de explorar,
juntamente com ele, as diferenças.
e) Determinando o que torna a generalização possível ou impossível (esta técnica é
descrita na seção sobre operadores modais de necessidade)
Explorador: “É impossível confiar em alguém”.
Guia: “O que o impede de confiar em alguém?” Ou, “O que aconteceria se você confiasse
em alguém?”.
Formas especiais de generalização
I) Generalização a respeito de outra pessoa
Para desafiar este tipo de estrutura deve-se permutar os índices referenciais e perguntar ao
explorador, conforme os exemplos abaixo:
Explorador: “Meu marido está sempre discutindo comigo”.
Guia: “Você sempre discute com seu marido?”.
Explorador: “Meu marido nunca sorri para mim”.
Guia: “Você nunca sorri para seu marido?”.
II) Generalizações da forma X ou Y
Explorador: “Tenho que cuidar das outras pessoas”.
Guia: “Ou o que acontecerá?”.
Explorador: “Ou elas não gostarão de mim”.
Assim, a generalização completa é:
Tenho que cuidar das outras pessoas ou elas não gostarão de mim.
=
Se eu não cuido das pessoas, elas não irão gostar de mim.
Pode-se desafiar este tipo de estrutura pela introdução de negativas em ambos os membros
da generalização e apresentar ao explorador a estrutura superficial resultante:
Se você cuidar das outras pessoas, elas irão gostar de você?
O Guia pode utilizar esta técnica reversiva em combinação com outras técnicas; por
exemplo, algumas das discutidas sobre operadores modais ou quantificadores universais,
obtendo o desafio à estrutura superficial:
Se você cuidar das outras pessoas, elas irão gostar de você (necessariamente /
sempre)?
III) Generalização Complexa – Equivalência
Envolvem estruturas superficiais que são equivalentes no modelo do explorador.
Tipicamente, ele diz uma destas estruturas superficiais, faz uma pausa, e a seguir diz a
segunda. Exemplo: “Meu marido nunca me aprecia... meu marido nunca sorri para mim”.
O procedimento para desafiar generalizações complexas é o seguinte:
1) Verificar se as duas estruturas superficiais são mesmo equivalentes no modelo do
explorador (O fato de seu marido jamais sorrir para você significa que ele não a aprecia?).
2)
a) Se o explorador nega a equivalência, o guia poderá continuar perguntando (Então como
você realmente sabe que seu marido não a aprecia?).
b)Se o explorador reconhece a equivalência, o guia aplica a técnica de permuta de índice
referencial (O fato de você jamais sorrir para seu marido significa que você não o
aprecia?).
3) Tipicamente, o explorador nega a equivalência quando ele é o sujeito ativo do processo.
A partir daí pode-se explorar a diferença entre as situações, aquela em que a equivalência se
mantém e aquela em que não o faz. Contudo, se o explorador aceitar a nova generalização
pode-se utilizar as opções usuais para desafiá-la.
Exemplo:
E: Meu marido nunca me aprecia... Meu marido nunca sorri para mim.
G: O fato de seu marido jamais sorrir para você significa que ele não a aprecia?
E: Sim, é isso!
G: O fato de você jamais sorrir para seu marido significa que você não o aprecia?
E: Não, isso não é a mesma coisa.
G: Qual é a diferença?
IV) Generalização de verbos não-completamente especificados
Minha mão me feriu (o ferimento pode ser físico ou psicológico).
Minha irmã me chutou (está especificado implicitamente que foi com o pé, mas não se sabe
onde o falante foi chutado, ou com que pé a irmã o chutou).
Minha amiga tocou-me a face com os lábios (a maneira pela qual a amiga realizou o
contato é especificada e o também o é a parte do corpo do falante em que se realizou o
contato. Falta, contudo, dados quanto à duração do contato, a brutalidade ou delicadeza
com que este foi realizado).
Desafiando verbos não-especificados:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador, identificando as palavras-processo ou
verbos;
2) Perguntar-se se a imagem apresentada pelo verbo, na frase, está bastante clara para você
visualizar a seqüência real dos eventos que estão sendo descritos.
3) Se o guia acha que a imagem que obteve do verbo e das palavras e locuções que o
acompanham na estrutura superficial do explorador não está clara o bastante para que
visualize a seqüência real dos eventos que estão sendo descritos, então deve pedir um verbo
mais completamente especificado. A pergunta disponível ao guia para esclarecer a imagem
pobremente definida é:
Como, especificamente, X (verbo) Y?
Onde X = o sujeito do verbo não completamente especificado e Y = o verbo não
completamente especificado + o restante da estrutura superficial do explorador.
Exemplo:
Explorador: Susan feriu-me.
Guia: Como, especificamente, Susan feriu você?
PRESSUPOSIÇÕES
São um reflexo lingüístico do processo de distorção.
Exemplo: Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso quanto meu marido.
Para que esta frase seja verdadeira, a seguinte pressuposição também tem que ser
verdadeira: Meu marido é preguiçoso.
Reconhecendo pressuposições:
1) Ouvir a estrutura superficial do explorador em busca de palavras-processo ou verbo
principal – chamemos a esta frase A;
2) Criar uma nova estrutura superficial pela introdução da palavra negativa junto ao verbo
principal na estrutura superficial do explorador – chamemos a esta frase B;
3) Perguntar-se o que tem que ser verdade tanto para A como para B fazerem sentido.
Exemplo:
Frase A: Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso quanto meu marido.
Frase B: Não Tenho medo de que meu filho esteja ficando tão preguiçoso quanto meu
marido.
Assim, tanto para que a frase A como a frase B façam sentido é necessário que seja
verdadeira a seguinte pressuposição: Meu marido é preguiçoso.
Desafiando pressuposições:
O guia pode apresentar ao explorador a pressuposição diretamente implícita em sua
estrutura superficial original. Ao fazer isso, ele pode pedir ao explorador para explorar esta
pressuposição, utilizando as outras condições de boa estruturação em terapia.
Assim, tendo como exemplo a estrutura apresentada acima, pode o guia perguntar à
exploradora como, especificamente, seu marido é preguiçoso. A exploradora responde com
outra estrutura superficial que o guia avalia quanto à boa estruturação em terapia.
O guia pode decidir aceitar a pressuposição e aplicar a condição de bem estruturada em
terapia à estrutura superficial original do paciente, pedindo para especificar o verbo,
recuperar o material eliminado, etc.
MÁ-ESTRUTURAÇÃO SEMÂNTICA
I) Causa e Efeito
Esta classe de estruturas superficiais semanticamente mal-estruturadas envolve a crença,
por parte do falante, de que uma pessoa (ou conjunto de circunstâncias) pode desempenhar
algum ato que necessariamente faça com que outra pessoa experimente alguma emoção ou
estado interior. Tipicamente, a pessoa que experimenta esta emoção ou estado interior é
retratada como não tendo escolha para responder da maneira por que o faz. Por exemplo, o
explorador diz:
Minha mulher me faz sentir irritado.
Seu riso distrai minha atenção.
Ela me deprime.
Para reconhecer este tipo de estrutura utiliza-se o teste da paráfrase, exemplos:
Ela me deprime = Ela me faz sentir deprimido.
Você me aborrece = Você me faz sentir aborrecido.
Se a estrutura superficial original do explorador e a nova significam a mesma coisa, então
há má estruturação semântica.
Meu marido gosta de mim ≠ Meu marido me faz sentir querida.
Os policiais me seguem ≠ Os policiais me fazem sentir seguido.
Nos casos acima não há má-estruturação semântica.
Uma outra forma de Estruturas superficiais desta classe, que ocorre com freqüência, é:
Estou triste pelo fato de você ter esquecido nosso aniversário.
Estou triste já que você esqueceu nosso aniversário.
Estou triste porque você esqueceu nosso aniversário.
Novamente, estas três estruturas superficiais podem ser parafraseadas pela estrutura
superficial:
O seu esquecimento do nosso aniversário faz-me sentir triste.
Novamente, aplica-se o teste da paráfrase. Especificamente, se a estrutura superficial do
explorador pode ser parafraseada por uma frase de forma geral, ela é semanticamente mal-
estruturada. Contudo, há uma exceção:
Estou feliz por estar indo ao México = Minha ida ao México me faz feliz (Não é
semanticamente mal-estruturada, pois ambos os substantivos têm o mesmo índice
referencial, ou seja “EU”).
Causativas implícitas
Adotam a forma X mas Y (Ex: Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente).
Nestes casos, o explorador relata o que é uma conexão causal necessária em seu modelo de
mundo.
Enfrentando causativas implícitas (há várias formas de fazê-lo)
a) Aceitando a relação causa-efeito e indagando se é sempre assim. Exemplo:
Guia: Não quero me zangar, mas ela está sempre me culpando.
Explorador: Você sempre fica zangado quando ela o culpa?
b) Aceitando a relação causa-efeito e pedindo ao explorador para especificar de forma mais
completa esta relação de Causativa Implícita. À estrutura superficial do explorador acima, o
guia pode responder: Como, especificamente, o fato de ela o culpar o faz ficar zangado?
c) Desafiando a relação causa-efeito. Uma forma direta de se fazer isto é realimentar uma
estrutura superficial que inverta a relação. Exemplos:
Explorador: Não quero me zangar, mas ela está sempre me culpando.
Guia: Então, se ela não o culpasse, você não ficaria zangado, é verdade?
Explorador: Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente.
Guia: Então, se seu pai não estivesse doente, você sairia de casa, certo?
d) Fortalecendo as generalizações do explorador a respeito da Causativa Implícita pela
inserção do operador modal de necessidade na estrutura superficial do mesmo quando a
realimentamos, pedindo-lhe para constatá-la ou desafiá-la. Por exemplo:
Explorador: Eu quero sair de casa, mas meu pai está doente.
Guia: Você está dizendo que o fato de seu pai estar doente necessariamente o impede de
sair de casa?
O explorador obstará, com freqüência, esta estrutura superficial, já que ela alega
ostensivamente que os dois eventos, X e Y, estão necessariamente ligados. Se o explorador
protesta aqui, o caminho está aberto para ele e o guia explorarem como isso não é
necessariamente assim. Se o explorador aceita a versão fortalecida (com necessariamente),
o caminho está aberto para explorar como essa conexão causal necessária funciona na
realidade, indagando por mais detalhes específicos sobre essa conexão. Esta técnica
funciona particularmente bem em conjunção com as opções a) e b) descritas acima.
II) Leitura de Mente
Esta classe de estruturas superficiais semanticamente mal-estruturadas envolve a crença,
por parte do falante, de que uma pessoa pode saber o que outra está pensando e sentindo,
sem uma comunicação direta por parte da segunda pessoa. Por exemplo:
Todo o mundo no grupo acha que estou tomando muito tempo do grupo.
Se ela me amasse, faria sempre aquilo que eu gostaria que ela fizesse.
Estou decepcionado que você não tenha levado meus sentimentos em consideração.
Desafiando casos de má-estruturação semântica
Estes dois casos de má-estruturação semântica: Causa e Efeito e Leitura de Mente, podem
ser tratados da mesma forma pelo guia. As estruturas superficiais destas formas são
semanticamente mal-estruturadas, até que o processo pelo qual elas alegam ser verdadeiras
torne-se explícito e as estruturas superficiais que representam este processo sejam elas
mesmas bem-estruturadas em terapia. O Guia indaga por uma explicitação do processo
implicado pelas estruturas superficiais destas duas classes, essencialmente, por meio da
pergunta como?. Da mesma forma que antes, na seção sobre verbos não completamente
especificados, o guia somente se satisfaz quando tem uma imagem claramente definida do
processo em descrição. Este processo poderia ser levado a efeito da seguinte maneira:
E: Henry me faz ficar irritada.
G: Como, especificamente, Henry a faz ficar irritada?
E: Ele nunca leva em consideração os meus sentimentos.
G: Que sentimentos, especificamente?(Ou, Como você sabe que ele nunca leva seus
sentimentos em consideração?).
E: Porque ele fica na rua até tarde todas as noites.
G: O fato de Henry ficar na rua até tarde todas as noites a faz ficar zangada?(Ou, O fato
de Henry ficar na rua até tarde todas as noites significa que ele jamais leva em
consideração seus sentimentos?).