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Aula 4 - Demência (Saúde Do Idoso)

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DEMÊNCIA

SAÚDE DO IDOSO
A demência está relacionada com o envelhecimento. Quanto mais velho for o paciente,
maiores as chances de desenvolver uma síndrome demencial (mais prevalentes na velhice).
DEFINIÇÃO DE DEMÊNCIA
No latim: de (privação) mens (inteligência)
Considerado como um distúrbio neuro cognitivo. Há desequilíbrio em mais de um domínio
(queixa de memória isolada não é diagnóstico).
É um déficit progressivo na função cognitiva, com maior ênfase na perda de memória
Desse modo, é sempre importante questionar sobre episódios de perda de memória que
implicam na segurança do paciente, como esquecer o fogão ligado, se perder na rua,
dependência financeira (não sabe com o que gastou)
Ocorre uma interferência nas atividades sociais e ocupacionais do paciente
Para seu diagnóstico é necessário descartar outras causas, como delirium (agudo),
esquizofrenia (agitação, alucinação), depressão, déficit cognitivo leve.
Diagnóstico: prejuízo em dois (ou mais) domínios (ex. memória e mais um outro domínio)
DOMÍNIOS QUE PODEM SER ACOMETIDOS

→ Memória (mais comum)


→ Função executiva
→ Habilidades/capacidades visuoespaciais
→ Personalidade
→ Linguagem
MEMÓRIA
Há comprometimento na capacidade de adquirir ou evocar informações recentes
É um domínio muitas vezes relatado pelo familiar ou acompanhante do paciente, já que muitas
vezes ele não percebe a perda de memória (diferente da depressão, que é o paciente quem
relata)
Principais queixas relatadas:
“Meu familiar está muito repetitivo, pergunta várias vezes a mesma coisa”
Esquece eventos e compromissos, como data de aniversário de parente próximo
Esquece o local onde guardou dinheiro, documento

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FUNÇÃO EXECUTIVA
Há comprometimento no raciocínio, comprometimento na realização de tarefas,
comprometimento no planejamento de atividades complexas que requerem várias etapas
Baixa compreensão para situações de risco (deixar fogo e ferro ligados, se perder na rua)

CAPACIDADE VISUESPACIAL
É a capacidade de reconhecer objetos, encontrá-los em seu plano visual, que se encontra
prejudicada
Dificuldade de manusear utensílios e de se vestir

LINGUAGEM
Dificuldade de encontrar e compreender as palavras
Prejuízo em nomear objetos
Há déficit na leitura e escrita (erros ao falar e escrever)
Troca de palavras e comandos

PERSONALIDADE
Alteração do humor, flutuações (de repente o paciente fica triste)
Agitação (fenômeno do alvorecer – presente no período do entardecer)
-Apatia -Comportamentos obsessivos
-Desinteresse -Comportamentos compulsivos/bizarros e
socialmente inaceitáveis
-Isolamento
-Mudança na personalidade
-Perda da empatia
-Desinibição (tirar a roupa)
MEMÓRIA E APRENDIZADO
Queixa de esquecimento
Dificuldade no aprendizado
Paciente não tem vontade de aprender algo novo
Repetição de perguntas
Esquecimento em realizar tarefas
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DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
-Delirium (principal)
-Depressão
-Uso de álcool (etilismo crônico – demência por álcool)
-Amnesias (ocorre somente alteração da memória)
-Doença de Creutzfeldt-Jakob (doença da vaca louca)
-Doença de Parkinson
-Parkinson Plus (condições que parecem a doença de parkinson. Não são comuns)
-Hidrocefalia de pressão normal (acontece alteração no equilíbrio/marcha)
-Coreia de Huntington (distúrbio neurológico progressivo)
AVALIAÇÃO
- MEEM para avaliação da memória e linguagem. Problema: depende da escolaridade.
- MOCA (avaliação visuespacial, capacidade de nomeação, memória, atenção, linguagem,
abstração, evocação tardia e orientação). É mais complexo, exige ainda mais a escolaridade.

- Teste da fluência verbal (pedir para o paciente falar o nome de todos os animais que ele
conseguir em um minuto)

Lorena Felix 3 | 7
- Teste do relógio (avaliação visuespacial). Pedimos para o paciente desenhar um relógio e
marcar “tal” horário.

- Teste neuropsicológico (aplicado por neuropsicólogo), avalia todos os domínios. O problema


é seu custo elevado.
o Como avaliar/rastrear os domínios?
- Memoria a curto prazo/imediata: pedimos para o paciente repetir 3/5 palavras mostradas
previamente.
- Aprendizagem: mostrar uma folha com várias figuras e após certo tempo pedir para que fale
quantas figuras se lembra
- Orientação temporoespacial: onde você está? Sabe o dia, mês em que estamos?
- Linguagem: pedimos para o paciente montar uma frase, nomear um objeto
- Orientação físico-espacial: pedimos para o paciente copiar o desenho de uma forma
geométrica
EXAMES
o Exames laboratoriais:
São solicitados para descartar causas “orgânicas”, reversíveis

→ Dosagem de TSH – descartar hipotireoidismo em pacientes apáticos, depressivos


→ Vitamina B12 – se baixa, é considerada como motivo de diminuição de memória
(investigar se paciente ingere carne vermelha, se faz uso de metformina ou IBP, já que
diminuem a absorção da vitamina)
→ VDRL – descartar sífilis
→ Sorologia para HIV
→ Punção lombar – descartar meningite, encefalopatia herpética

o Exames de imagem:
Também solicitados para descartar causas reversíveis, como sangramento, hidrocefalia de
pressão normal
Ressonância magnética (avaliar se paciente possui próteses – metal, pois é contraindicado)
Tomografia de crânio
Possível achado: esclerose mesial temporal, em que apresenta atrofia hipocampal (sugestivo de
doença de Alzheimer, porém seu diagnóstico é clínico)

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(Não falou dessa imagem em aula)
PREVALÊNCIA DAS DEMÊNCIAS

→ 50-75% é Doença de Alzheimer (diagnóstico de exclusão)


→ 20% Demência Vascular
→ 10-15% Demência por Corpúsculos de Lewy
→ 2% Demência frontotemporal
Pode existir demência mista (vascular + Alzheimer)
TIPOS DE DEMÊNCIA
o DOENÇA DE ALZHEIMER
Principalmente ocorre alteração de memória, linguagem, capacidade visuoespacial. Paciente
pode apresentar delírio e agitação
o FRONTOTEMPORAL
Ocorre mudança de personalidade (principal queixa – “ele não era assim”), disfunção executiva,
hiper-oralidade, capacidade visuoespacial preservada.
Ocorre precocemente, cerca de 10 anos antes do que as demais.
o CORPOS DE LEWY
Presença de alucinações visuais, delírios, sintomas extrapiramidais, sensível a antipsicóticos.
*As síndromes extrapiramidais caracterizam-se pelas alterações do tonus muscular, pela
dificuldade em iniciar movimentos e pela presença de movimentos involuntários.
o VASCULAR
Início rápido, deterioração em degraus, labilidade emocional, afasia proeminente, sinais
piramidais
DOENÇA DE ALZHEIMER - DA
Apesar de existir uma nítida tendência familiar para o desenvolvimento da doença, apenas uma
pequena parcela dos pacientes que apresentam formas familiares da doença tem alterações
genéticas (ou seja, a genética influencia muito pouco do desenvolvimento dessa doença).
Não é porque tem casos na família de DA que você terá obrigatoriamente. Quando a genética
está associada, a manifestação da doença é bem mais cedo.
Quando causa genética, as mutações dos genes são caracterizadas por:
• proteína precursora do amilóide
• pré-senilina 1
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• pré-senilina 2

Os pacientes que apresentam essas formas genéticas de DA geralmente apresentam história


familiar muito evidente de uma demência com herança autossômica dominante e com início
precoce, ou seja, antes dos 65 anos de idade.
A causa mais frequente dessas formas genéticas de DA são as mutações no gene da pré-
senilina 2. Como essas formas da doença são muito raras, os testes genéticos específicos são
realizados apenas eventualmente. É provável que a etiologia da maioria dos casos de DA
seja complexa, e decorrente da interação entre fatores genéticos e ambientais.

o DEFINIÇÃO
A DA é uma doença neurodegenerativa progressiva de causa desconhecida e sem tratamento
etiológico eficaz.
Atualmente há um consenso de que a DA se manifesta de maneira gradual e contínua desde
muitos anos antes que os sintomas clássicos da doença apareçam. Nesse curso podem ser
distinguidos basicamente 3 etapas distintas:

→ 1º. Fase pré-clínica da DA: em que o processo patológico se iniciou, mas não há
sintomas evidentes,
→ 2º. Fase prodrômica da DA: em que o paciente revela os primeiros sintomas da doença,
mas ainda não apresenta demência. Essa fase corresponderia ao CCL causado pela DA,
→ 3º. Fase de demência pela DA: em que o quadro de demência está estabelecido.
Nas fases pré-clínica e prodrômica é possível identificar alguns biomarcadores que sugerem a
instalação do processo patológico típico da DA e que inclui:

→ Alterações nas concentrações de peptídeos amiloides e proteína Tau no líquor


cefalorraquidiano
→ Atrofia dos hipocampos na RM de Crânio
→ Hipometabolismo cortical dos lobos temporais e parietais pelo exame de tomografia por
emissão de pósitrons (PET scan)
→ Deposição de beta amiloide com métodos de PET scan que utilizam ligantes radioativos
específicos que se ligam à proteína amiloide.

o FISIOPATOLOGIA
Caracterizado pela deposição de proteína amiloide no meio extracelular do sistema nervoso
central (diminuindo as sinapses), levando ao aparecimento das “placas senis”, e também pela
formação dos “aglomerados neurofibrilares” no corpo celular e nos prolongamentos dos
neurônios constituídos principalmente pela deposição de proteína Tau.
Essas proteínas podem ser dosadas pela punção de liquor (exame muito caro, inviável)

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o CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
Padrão ouro = Anátomo Patológico (biópsia)
Provável Alzheimer (DSM-5):
• Declínio cognitivo (1 ou mais domínios)
• Interfere em atividades diárias
• Não explicado por delirium ou outra causa
• Início insidioso e gradual em pelo menos 2 domínios. Um dos seguintes: mutação
genética (história familiar ou exame) ou declínio da memória e outro domínio + declínio
progressivo e gradual + sem evidência de etiologia mista
Obs.: os medicamentos utilizados nessa doença não curam, apenas retardam a progressão
o FATOR DE RISCO
-Baixa escolaridade
-Perda auditiva
-Doenças vasculares
-Obesidade
o PREVENÇÃO
-Prática de atividade física regular
-Manutenção do peso corporal adequado
-Baixa ingestão de gorduras
-Atividades de lazer
-Leitura
-Rede social de apoio
-Uso adequado das medicações

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