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Sistema de Pagamento

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1 SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO

O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), é o conjunto de entidades e sistemas que


atuam para realizar as transferências de recursos do SFN. Em outras palavras, o SPB é a
infraestrutura que proporciona a liquidação e a custódia de recursos no Brasil.
E como o SPB é a infraestrutura do mercado financeiro, as entidades que o compõem
recebem o nome de entidades operadoras de Infraestruturas do Mercado Financeiro (IMF).
IMF - São as entidades operadoras de Infraestruturas do Mercado Financeiro.

Além das IMF, responsáveis pelos sistemas que compõem o SPB, também fazem parte dele
as instituições financeiras, as instituições de pagamento e os arranjos de pagamento.

Diante de um assunto tão sensível para a sociedade, coube ao Banco Central do Brasil
zelar pelo bom funcionamento do sistema, exercendo vigilância contínua das IMF, embora
ele também participe de forma bem ativa e direta, como você verá.
Então, até aqui, temos:
▶ Banco Central;
▶ IMFs;
▶ Instituições de pagamento;
▶ Arranjos de pagamento.

1.1 Sistemas de Pagamentos: visão geral


1.1.1 Formas de liquidação

Os bancos comerciais e algumas outras instituições financeiras possuem uma conta no


Banco Central chamada reservas bancárias.
É como se fosse a conta-corrente dessas instituições: quando o banco “A” transfere dinheiro
para o banco “B”, ele transfere dinheiro de sua conta de reservas bancárias para a conta de
reservas bancárias do banco “B”. É por isso que dizemos que o Banco Central é o “banco
dos bancos”.
Por isso, podemos dizer que as liquidações – termo utilizado para se referir à realização de
uma operação – ocorrem em “moeda de banco comercial” ou em “moeda de banco central”.
Dessa forma, há três principais tipos de sistemas de liquidação:
► Liquidação diferida líquida (LDL)
► Liquidação bruta em tempo real (LBTR)
► Híbrido
O sistema LBTR (Liquidação Bruta em Tempo Real) é mais simples de entender: nele, cada
liquidação é feita pelo seu valor bruto, e naquele instante, não sendo acumulada ao longo
do tempo (como ocorre no LDL).

Um exemplo seria o seguinte: Imagine que, em decorrência das operações realizadas por
seus clientes, o banco “A” precisa pagar R$20.000 para o banco “B”, que precisa pagar
R$35.000 para o banco “C”, que precisa pagar R$30.000 para o banco “A”.
1.2 Estrutura do Sistema de Pagamentos Brasileiro

O SPB passou por uma grande reestruturação em 2002, com a criação do Sistema de
Transferência de Reservas (STR), e novamente em 2013, com o surgimento das instituições
de pagamentos e dos arranjos de pagamentos. Por fim, tivemos o Pix em 2020.

Na reforma de 2002, segundo Ornelas, os principais avanços foram:

a) Monitoramento, em tempo real, do saldo de cada conta Reservas Bancárias e Conta de


Liquidação, não sendo admitido saldo devedor em qualquer momento;
b) Oferta de empréstimo ponte diário sem cobrança de juros (redesconto intradia), mediante
operações de compra, pelo Banco Central, de títulos públicos federais dos bancos, que
deverão recomprar os títulos do Banco Central no próprio dia, registrando-se em tempo real
o resultado financeiro na conta Reservas Bancárias;
c) Sistema Selic passou a liquidar operações com títulos públicos federais em tempo real;
d) Implantação de sistema que processa ordens de transferência eletrônica de fundos entre
bancos, inclusive as por conta de clientes, criando alternativa segura aos cheques e DOC1
para a realização de pagamentos de grande valor (TED);
e) Criação, pelo setor privado, de rede de telecomunicações dedicada exclusivamente ao
sistema financeiro e operada sob rígidos padrões de segurança e confiabilidade definidos
pelo Banco Central;
f) Assunção do risco privado pelo setor privado, com a definição de regras mais rígidas para
as câmaras de compensação privadas, que passaram a adotar adequados mecanismos de
gerenciamento de riscos, como o estabelecimento de limites para os bancos com base no
recebimento prévio de garantias.
g) Adoção de mecanismo indutor à oferta, pelos bancos, de novos produtos à clientela, que
permitissem a migração dos pagamentos de valor maior do que R$ 5 mil, antes realizados
por cheques e DOC, para instrumentos de pagamento eletrônicos adequadamente
estruturados (TED).
Portanto, atualmente, compõem o SPB o Tesouro Nacional, o Banco Central do Brasil e as
demais IMFs, e as instituições e arranjos de pagamentos.
Na função de vigilância, cabe ao BC assegurar que as IMF em operação no Brasil sejam
administradas consistentemente com os objetivos de interesse público, mantendo a
estabilidade financeira e reduzindo o risco sistêmico.

Sobre o SPB e as IMF


Seu funcionamento adequado é essencial para a estabilidade financeira e condição
necessária para salvaguardar os canais de transmissão da política monetária. Assim,
cumpre ao BC atuar no sentido de promover sua solidez, seu normal funcionamento e seu
contínuo aperfeiçoamento.
No caso dos pagamentos de varejo, o BC direciona suas ações no sentido de
promover a interoperabilidade, a inovação, a solidez, a eficiência, a competição, o acesso
não discriminatório aos serviços e às infraestruturas, o atendimento às necessidades dos
usuários finais e a inclusão financeira.
Banco Central do Brasil

De um lado, temos os sistemas que transferem fundos (dinheiro, moeda nacional), e do


outro lado temos os sistemas que transferem outros tipos de ativos, como ações, títulos
públicos e moeda estrangeira.
Vamos investigar os principais desses sistemas, dos quais o STR é,certamente, aquele que
merece destaque. E por falar em STR, antes de detalhar esse sistema, cabe
compreendermos mais sobre o papel do Banco Central no SPB.
Além da vigilância e da regulação do SPB, o BC também atua como operador e provedor de
serviços de liquidação. Nesse papel, o BC opera o Sistema de Transferência de Reservas
(STR) e o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), além do Pix, que é assunto
para adiante.
O STR é um sistema de transferência de fundos e o Selic é um sistema de liquidação de
operações com títulos públicos.
Como vigilante, cabe ao BC assegurar que as IMF em operação no Brasil sejam
administradas consistentemente com os objetivos de interesse público, mantendo a
estabilidade financeira e reduzindo o risco sistêmico.
Como regulador, o BC atua no sentido de converter as políticas estabelecidas em regras a
serem aplicadas às IMF, além de adequar o arcabouço normativo brasileiro, quando
relevante, ao que recomendam os organismos internacionais concernentes.

1.2.1 Sistemas de transferência de fundos

Para compreendemos o funcionamento dos componentes do sistema de transferências de


fundos, convém conhecermos os instrumentos utilizados para transferir fundos, ou seja, os
meios
de transferência de fundos, que são:
Cheque: é um documento, normalmente impresso como um formulário, que consiste em
uma ordem de pagamento ao banco emitida pelo titular de uma conta em nome de um
favorecido. Do ponto de vista legal, é uma ordem de pagamento à vista.
Boleto: se você não sabe o que é um boleto, parabéns! rsrs Também chamado “bloqueto”,
trata-se de um registro de dívidas em cobrança decorrentes de transações comerciais ou
financeiras.
DOC (descontinuado em 2023): abreviação de Documento de Ordem de Crédito, era uma
ordem de transferência interbancária (de um banco para outro) de fundos em monta inferior
a R$5.000. A liquidação dos DOCs ocorria em D+1, ou seja, no dia útil seguinte à ordem.
Com essas limitações, fica mais óbvio o motivo pelo qual foi descontinuado.
TED: a Transferência Eletrônica Disponível também é uma ordem. As principais diferenças
em relação ao extinto DOC são que a TED não possui valor máximo e, desde 2016, não
possui também valor mínimo. Além disso, DOC e TED se diferenciam pela forma de
liquidação e pelo sistema em que transitam, algo que ficará claro adiante.
Cartão: esse você também conhece. São instrumentos que servem para realizar
pagamentos, e existem nas modalidades crédito, débito e pré-pagos.
Pix: bom, temos um capítulo para falar apenas sobre isso, dado o destaque do edital.

[Link] STR - Sistema de transferência de reservas

Instituído em 2002, por meio da Circular BCB nº 3.100/2002, o STR é o núcleo do SPB. É
nele onde ocorrem as liquidações finais de todas as obrigações financeiras do Brasil.
Forte isso, né? Mas é exatamente assim que o BCB define, e é o que ocorre na prática,
afinal, é no STR que todos os demais sistemas liquidam suas operações, inclusive aquelas
com câmbio, títulos e valores mobiliários. Até os Pix, em última análise, são liquidados lá no
SRT, porque é no STR onde os bancos e maiores instituições do país têm conta.
Ele funciona como um sistema do tipo LBTR (liquidação bruta em tempo real), ou seja,
processa transação por transação, no momento em que elas são enviadas. Essas
transações são processadas por lançamentos nas contas que os participantes possuem no
Banco Central – o banco dos bancos.
Essas contas podem ser de dois tipos:
Conta de Reservas Bancárias;
Conta de Liquidação.
A conta de Reservas Bancárias é obrigatória para bancos comerciais, bancos múltiplos com
carteira comercial e para a Caixa Econômica Federal, e facultativa para bancos de
investimento, bancos de câmbio, bancos de desenvolvimento e bancos múltiplos sem
carteira comercial.
A Conta de Liquidação é obrigatória para câmaras prestadores de serviço de
compensação e liquidação sistemicamente importantes (vistos adiante) e opcional para
aqueles que não são sistemicamente importante, bem como para as instituições de
pagamento e outras instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central.
No STR, são processados TED, DOC, cheque e boleto, mas apenas aqueles superiores ao
chamado Valor de Referência para Liquidação Bilateral (VRLB), diferente para cada tipo de
instrumento. Valores inferiores ao VRLB são processados em outros sistemas, com
liquidação diferida líquida ou híbrida.
As transferências de fundos no STR são irrevogáveis, isto é, não é possível “cancelar” uma
operação. A forma de “desfazer” uma transação é por meio de outra transação no sentido
contrário. Além disso, para garantir a solidez do sistema, no STR não há possibilidade de
lançamentos a descoberto (não se admite saldo negativo). Não aprofundaremos os demais
sistemas, pois acredito que já fizemos o bastante nesse sentido.
A exceção, é claro fica por conta do Sistema de Pagamentos Instantâneos, que precisamos
conhecer bem.

[Link] Sistemas de Liquidação de Operações de TVMs, Derivativos e Câmbio

Enquanto os sistemas de transferência de fundos liquidam, bem... fundos, que são


obrigações monetárias (dinheiro), os sistemas que veremos agora tratam de obrigações não
monetárias, como títulos públicos, ações, contratos de crédito, moedas estrangeiras, entre
outros.
De forma prática, quando você transfere dinheiro para alguém, você estará fazendo uso de
um sistema de transferência de fundos, mas quando você compra ações de uma empresa
ou títulos públicos, você estará usando um sistema de liquidação de operações com títulos,
valores mobiliários, derivativos e câmbio. São esses sistemas que transferem a titularidade
do vendedor para o comprador, e mantém os registros relacionados.
Na prática, essas operações envolves, quase sempre, os dois tipos de sistema: você paga
com dinheiro pelas ações que compra. Veremos os principais sistemas: Selic, Cetip e C3.

Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia

Operado pelo Banco Central do Brasil, o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –


Selic –é o sistema em que se efetua a custódia e se registram as transações com Títulos
Públicos Federais (TPFs), que são promessas de pagamento, em forma escritural, emitidas
pelo governo do Brasil, representado pelo Tesouro Nacional. Quando emite um título, o
governo torna-se devedor; quem compra o título financia o governo.
Nesse sentido, o Selic é responsável pela custódia e por registrar e processar emissão,
resgate e pagamento de juros dos TPFs, operando em Liquidação Bruta em Tempo Real
(LBTR), enquanto a liquidação de fundos correspondentes a essas operações ocorre por
meio da interligação do
Selic ao STR. Se os recursos não estiverem disponíveis, o STR rejeita a operação e,
posteriormente, o Selic.

B3 - Cetip
O Sistema de Registro, de Compensação, de Liquidação e Custódia da Cetip S.A. –
também conhecido como Mercados Organizados (Cetip) ou, simplesmente, Cetip – é o
principal depositário de títulos privados de renda fixa, mas também de títulos públicos
estaduais e municipais alguns títulos bem específicos representativos de dívida do Tesouro
Nacional, como o Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS), e os títulos da
dívida agrária (TDA).

Em 2017, ocorreu a fusão entre Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo
(BM&FBovespa) e a CETIP, dando origem a uma nova empresa que, chamada de B3
(estilizado como [B]³), em referência às letras iniciais de Brasil, Bolsa, Balcão.
Portanto, nas provas de concursos anteriores, ao invés de B3, aparecem os
nomes das antigas instituições.

CIP - C3 Registradora
A C3, uma câmara registradora de ativos operada pela CIP, tem a função de registrar
operações envolvendo cessão ou bloqueio de contratos de crédito.
CESSÃO DE CRÉDITO
Para você entender como funciona e para que serve a C3, vou explicar em que
consiste a cessão de cré[Link] que você pegue um empréstimo de R$100.000 do
Banco Natale S.A. (a juros amigáveis, não se preocupe). Isso significa que o Banco Natale
tem um direito de receber esse valor, e certamente ele fez você assinar um instrumento
de crédito.
Como esse instrumento é do banco, ele decide vender esse direito para a Cia.
Securitizadora Reis por, digamos, R$90.000. O banco fez isso porque ele se livrou do risco
de você dar calote e embolsou o valor. Agora, quando você pagar o empréstimo, o banco
tem que repassar para a securitizadora.
Mas o que impede o Banco Natale de vender esse título (que ele já vendeu!) e o direito
correspondente para outra instituição? Ou pior: para várias instituições!?
O que impede é que a operação entre o banco e a Securitizadora Reis foi
registrada na C3. Se o banco tentar vender de novo, o comprador em potencial
vai consultar a registradora e descobrir que o título já foi cedido.

Portanto, a câmara evita que um mesmo contrato seja cedido mais de uma vez pela mesma
instituição financeira. Ela também registra bloqueios em contratos que não foram cedidos,
mas dados em garantia. Assim, o mesmo contrato não é dado como garantia mais de uma
vez simultaneamente. A CIP também tem parceria com o INSS para manutenção de uma
base de dados com os contratos de crédito consignado.
2 ARRANJOS DE PAGAMENTO

Normalmente, os livros e conteúdos sobre o assunto começam a falar de arranjos de


pagamento (ou arranjos de pagamentos, tanto faz) com seu conceito definido em lei.

ARRANJO DE PAGAMENTO
Conjunto de regras e procedimentos que disciplina a prestação de determinado
serviço de pagamento ao público aceito por mais de um recebedor, mediante acesso direto
pelos usuários finais, pagadores e recebedores.

Temos, de forma introdutória, que existem arranjos de pagamento por trás de cada um
destes exemplos a seguir:
▶ compras com cartões de crédito, débito e pré-pago, sejam em moeda nacional ou em
moeda estrangeira;
▶ transferência de recursos, como TED;
▶ pagamentos instantâneos (Pix);
▶ cheques; e
▶ boletos.

E por falar em envolvidos nos arranjos de pagamento, apresento agora os principais:


► Usuários: pessoas em geral que fazer uso do arranjo para realizar pagamentos e
recebimentos.
► Instituidor de Arranjo de Pagamento: pessoa jurídica responsável pelo arranjo de
pagamento e, quando for o caso, pelo uso da marca associada ao arranjo de pagamento.
O Banco Central, por exemplo, é o instituidor do Pix, Ted e Boleto.
► Instituição de Pagamento (IP): pessoa jurídica que, aderindo a um ou mais arranjos de
pagamento, tenha como atividade principal ou acessória, a prestação de serviços de
pagamentos.

Os serviços de pagamento incluem:


a. disponibilizar serviço de aporte ou saque de recursos mantidos em conta de pagamento;
b. executar ou facilitar a instrução de pagamento relacionada a determinado serviço de
pagamento, inclusive transferência originada de ou destinada a conta de pagamento;
c. gerir conta de pagamento;
d. emitir instrumento de pagamento;
e. credenciar a aceitação de instrumento de pagamento;
f. executar remessa de fundos;
g. converter moeda física ou escritural em moeda eletrônica, ou vice-versa,
h. credenciar a aceitação ou gerir o uso de moeda eletrônica; e
i. outras atividades relacionadas à prestação de serviço de pagamento, designadas pelo
Banco Central do Brasil;

Vamos aprofundar os conceitos mais importantes.


Começando pelas Contas de Pagamento. Elas são praticamente contas correntes, daquelas
que você abre em um banco comercial qualquer. A propósito, do ponto de vista do usuário,
ela pode funcionar exatamente da mesma forma: para fazer depósitos e ter um saldo com o
qual podem
ser feitos pagamentos de contas, transferências, compras com cartão de débito...
Mas as diferenças, do ponto de vista regulatório, são muito importantes! Vou listá-las e
depois a gente esquematiza tudo, ok?
Para começar, o dinheiro que você deposita na sua conta corrente pode ser utilizado pelo
banco para realizar empréstimos, justamente a essência da atividade bancária.
A conta de pagamento não dá essa possibilidade para a instituição de pagamento. Se
você abrir uma conta de pagamento na Nu Pagamentos, por exemplo, a instituição não
pode usar seu dinheiro para emprestar a outros clientes.
Tanto o saldo da conta corrente quanto o saldo da conta de pagamento podem ser
utilizadas para realizar transações, ou seja, as dois servem como meio de pagamento
(moeda). Mas aí vem outra diferença: o saldo das contas correntes é conhecido como
moeda escritural, enquanto o saldo das contas de pagamento é moeda eletrônica, pois trata
de recursos armazenados em
dispositivo ou sistema eletrônico. Essa diferença é importante para fins de regulação – ou
apenas para cair na prova.
Nosso próximo conceito é o de Instrumento de Pagamento. É bem simples, na verdade,
porque você possivelmente tem um na sua carteira: o cartão (débito ou crédito) é o
instrumento de pagamento mais tradicional. Atualmente, smartphones, relógios e pulseiras
também são usados
como instrumentos de pagamentos.
Acho que você já pegou a ideia, mas de forma mais geral, podemos definir instrumentos de
pagamentos como “dispositivo ou conjunto de procedimentos, acordados entre o usuário
final e seu prestador de serviço de pagamento, utilizados para iniciar uma transação de
pagamento”

Espero que essa transação tenha feito você refletir que o instrumento (cartão, por exemplo)
apenas inicia a transação de pagamento. A “mágica” - que envolve as verificações de
segurança, integração com o banco e liquidação da operação - ocorre depois que você
utiliza o instrumento de pagamento.
Agora que conhecemos os principais conceitos, podemos prosseguir, aprofundando as
próprias Instituições de Pagamentos (IP).

2.1 Instituição de Pagamento (IP)

Uma IP é uma instituição não financeira, constituída como sociedade limitada ou anônima
(Ltda. ou S.A.) que executa serviços de pagamento.
Um Exemplos reais são: Nubank (Nu Pagamentos), PagSeguro, PicPay e Mercado Pago.
O fato de ser não financeira indica que elas não praticam intermediação financeira: afinal,
os valores arrecadados nas contas de pagamentos são utilizados apenas para pagamentos
do próprio “dono” daquele saldo; diferente dos bancos, que usam os depósitos para realizar
operações ativas como empréstimos ou financiamentos.
Além disso, as IP não podem conceder empréstimos!
“Mas professor, tenho conta em uma IP que fica me oferecendo empréstimo!”
Bom, veja o tema “correspondente bancário”, adiante. Na prática, a IP está apenas
oferecendo o empréstimo, mas não é ela que vai conceder. No caso da Nubank, por
exemplo, existe a Nu Financeira, empresa do grupo que é instituição financeira e pode
conceder empréstimos. A Picpay e a Pagseguro têm bancos em seus grupos. E por aí vai...
Mas, em uma questão, pode
marcar que a IP não pode conceder empréstimo.
Executar serviços de pagamentos as caracteriza, mas note que não é exclusividade das IP.
Algumas Instituições Financeiras podem também ofertam serviços de pagamento. A
propósito, ambas se submetem à supervisão do Banco Central do Brasil: instituições
financeiras e instituições de pagamento.

Essencialmente, uma IP possibilita que seus clientes façam e recebam pagamentos,


independentemente de terem relacionamento direto com bancos ou instituições financeiras.
Isso ocorre por meio de instrumentos de pagamento (celular ou cartão) que se integram aos
arranjos de pagamento e às contas de pagamento.

2.2 Regulação e Supervisão

Já comentamos que as IP e os arranjos de pagamento se submetem à supervisão e à


regulação do Banco Central do Brasil, por determinação legal, conforme diretrizes
estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Portanto, a autarquia deve assegurar que as infraestruturas e os arranjos de pagamento
operados no Brasil sejam administrados consistentemente com os objetivos de interesse
público, mantendo a estabilidade financeira e reduzindo o risco sistêmico.

Vou expor o que, de acordo com a lei, cabe ao BCB:


I. disciplinar os arranjos de pagamento;
II. disciplinar a constituição, o funcionamento e a fiscalização das instituições de
pagamento, bem como a descontinuidade na prestação de seus serviços;
III. limitar o objeto social de instituições de pagamento;
IV. autorizar a instituição de arranjos de pagamento no País;
V. autorizar constituição, funcionamento, transferência de controle, fusão, cisão e
incorporação de instituição de pagamento, inclusive quando envolver participação de
pessoa física ou jurídica não residente;
VI. estabelecer condições e autorizar a posse e o exercício de cargos em órgãos
estatutários e contratuais em instituição de pagamento;
VII. exercer vigilância sobre os arranjos de pagamento e aplicar as sanções cabíveis;
VIII. supervisionar as instituições de pagamento e aplicar as sanções cabíveis;
IX. adotar medidas preventivas, com o objetivo de assegurar solidez, eficiência e regular
funcionamento dos arranjos de pagamento e das instituições de pagamento, podendo,
inclusive:
a. estabelecer limites operacionais mínimos;
b. fixar regras de operação, de gerenciamento de riscos, de controles internos e de
governança, inclusive quanto ao controle societário e aos mecanismos para assegurar a
autonomia deliberativa dos órgãos de direção e de controle; e
c. limitar ou suspender a venda de produtos, a prestação de serviços de pagamento e a
utilização de modalidades operacionais;
X. adotar medidas para promover competição, inclusão financeira e transparência na
prestação de serviços de pagamentos;
XI. cancelar, de ofício ou a pedido, as autorizações;
XII. coordenar e controlar os arranjos de pagamento e as atividades das instituições de
pagamento;
XIII. disciplinar a cobrança de tarifas, comissões e qualquer outra forma de remuneração
referentes a serviços de pagamento, inclusive entre integrantes do mesmo arranjo de
pagamento; e
XIV. dispor sobre as formas de aplicação dos recursos registrados em conta de pagamento.

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