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Capitulo 4

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CAPÍTULO 4

OPERAÇÕES DEFENSIVAS
ARTIGO I
GENERALIDADES

4-1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

a. As operações defensivas são situações temporárias adotada por uma


força até que se possa tomar ou retomar a ofensiva.
b. Serão realizadas para ganhar tempo, economizar forças em uma área,
impedir o acesso do inimigo a uma determinada região, destruir forças inimigas
canalizadas para uma área e proteger ou cobrir a manobra de uma força
amiga.
c. A missão da infantaria, na defensiva, é deter o inimigo pelo fogo à frente da
posição, repelir o seu assalto pelo combate aproximado e destruí-lo ou expulsá-
lo pelo contra-ataque, caso ele consiga penetrar na posição.
d. O defensor deve aproveitar toda oportunidade para obter a iniciativa,
selecionando a área de combate, forçando o inimigo a reagir conforme o plano
defensivo, explorando as vulnerabilidades do inimigo por meio de ações ofensivas
e contra-atacando as forças inimigas que tenham obtido sucesso.

4-2. TIPOS DE OPERAÇÕES DEFENSIVAS

a. Defesa em posição – operação realizada para deter a progressão do


inimigo, em uma área previamente organizada, resistindo a um ataque inimigo
ou destruindo suas forças.
b. Movimento retrógrado – movimento tático para a retaguarda, de forma
organizada, a m de se evitar um combate decisivo, sob condições desfavoráveis,
que possa comprometer a integridade da força.

4-3. FUNDAMENTOS DA DEFENSIVA

a. Os fundamentos da defensiva são usados para assegurar o máximo


de coordenação entre o dispositivo da tropa, as características do terreno e a
aplicação da potência de fogo.
b. Os fundamentos da defensiva são:
1) utilização adequada do terreno;
2) máximo emprego de ações ofensivas;
3) apoio mútuo;

4-1
4) defesa em todas as direções;
5) defesa em profundidade;
6) dispersão;
7) segurança;
8) integração e coordenação das medidas defensivas;
9) flexibilidade;
10) utilização judiciosa do tempo disponível.

ARTIGO II
DEFESA DE ÁREA

4-4. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

a. A defesa em posição compreende as seguintes formas de manobra: a


defesa de área e a defesa móvel.
b. A defesa de área é adotada para manter uma determinada área, cuja
posse é assegurada pelo emprego da maioria de meios em primeiro escalão, a
m de resistir a um ataque inimigo.
c. A defesa móvel é empregada a partir do escalão divisão de exército com a
nalidade de destruir as forças inimigas, canalizadas para uma região favorável
no interior da posição defensiva, por meio de um potente contra-ataque realizado
por forças blindadas.
d. O pelotão de fuzileiros pode participar de ambas as formas de manobra,
enquadrado pela companhia de fuzileiros, em operações defensivas realizadas
por escalões superiores.

4-5. MEDIDAS DE PLANEJAMENTO

a. Organização da Defesa
1) A defesa é escalonada em três áreas: área de segurança, área de
defesa avançada (ADA) e área de reserva. A posição defensiva é composta pela
área de defesa avançada e pela área de reserva. O pelotão de fuzileiros pode
ser empregado em qualquer das três áreas citadas.

4-2
Fig 4-1. Escalonamento da defesa do batalhão

2) Área de segurança
a) A área de segurança está localizada entre o limite anterior da área
de defesa avançada (LAADA) e a posição dos elementos de segurança. As for-
ças que guarnecem esta área constituem o escalão de segurança.
b) A missão do escalão de segurança é dar o alerta oportuno da apro-
ximação do inimigo, retardar e desorganizar sua progressão, impedir a observa-
ção terrestre e os fogos diretos sobre a ADA, iludir o inimigo quanto à verdadeira
localização do LAADA e realizar ações de contrarreconhecimento.
c) O escalão de segurança possui a seguinte composição:
(1) Força de cobertura (F Cob) – elemento de segurança lançado,
normalmente, pelo exército de campanha, para proporcionar tempo para a
preparação da posição defensiva, por meio de uma ação retardadora, cerca de
80 a 120 Km à frente do LAADA;
(2) Postos Avançados Gerais (PAG) – elemento de segurança da
divisão de exército, estabelecido cerca de 8 a 12 Km à frente do LAADA; e
(3) Postos Avançados de Combate (P Avç C) – elemento de
segurança da brigada, estabelecido cerca de 800 a 2000 m à frente do LAADA.
(4) Elementos de segurança aproximada – consistem em postos de
vigia/escuta e patrulhas de ligação, lançados até 500 m à frente do LAADA.
3) Área de defesa avançada
a) A área de defesa avançada está localizada entre o LAADA e a reta-
guarda dos elementos em primeiro escalão.
4-3
b) A missão dos elementos da ADA é deter o inimigo pelo fogo à frente
da posição e repelir o seu assalto pelo combate aproximado.
4) Área de reserva
a) A área de reserva está localizada entre a retaguarda dos elementos
em primeiro escalão e a retaguarda do escalão considerado.
b) A missão da reserva é aprofundar a defesa, limitando as penetra-
ções inimigas; realizar contra-ataques e reforçar ou substituir os elementos da
ADA.
b. Medidas de Coordenação e Controle
1) Limite anterior da área de defesa avançada (LAADA) – linha balizada
pela orla anterior dos núcleos de defesa de primeiro escalão (traçado real). A
localização geral do LAADA, normalmente denida em acidentes nítidos do
terreno, indica a área a ser defendida e proporciona exibilidade para um melhor
aproveitamento do terreno.
2) Zona de ação – área de responsabilidade, normalmente denida por
limites, atribuída a uma peça de manobra a partir do escalão companhia de
fuzileiros. Ao pelotão de fuzileiros é atribuída uma parte da zona de ação da
companhia, denindo-se uma frente de defesa para o pelotão.
3) Limites – estendem-se à frente e à retaguarda do LAADA, a m de
delimitar a área de responsabilidade da companhia. Normalmente, não são
usados limites entre os pelotões.
4) Pontos limites – marcados sobre os limites laterais para indicar o
traçado geral do LAADA e a linha dos P Avç C, denindo onde os elementos
vizinhos devem coordenar seus fogos e dispositivos defensivos.
5) Zona de reunião – área onde uma tropa se reúne a m de se preparar
para o cumprimento de uma determinada missão. Na defesa, a partir do escalão
batalhão, é comum o estabelecimento de zonas de reunião para os elementos
em reserva.
6) Posições de aprofundamento – núcleos de defesa localizados na área
de reserva para a continuação do combate defensivo em profundidade.

4-4
Fig 4-2. Medidas de coordenação e controle na defesa

c. Medidas Defensivas
1) Segurança aproximada
a) O sistema de segurança aproximada é estabelecido pelas compa-
nhias de fuzileiros da ADA, consistindo em postos de vigia/escuta e patrulhas de
ligação, lançados até 500 metros à frente do LAADA.
b) Normalmente, a companhia determina que cada pelotão de fuzileiros
em primeiro escalão destaque um posto de vigia/escuta à frente de sua posição,
composto por dois a quatro homens. Em princípio, os vigias são substituídos de
duas em duas horas e deverão estar em dupla à noite. Meios de comunicações
devem ligar o posto ao pelotão.
c) O posto de vigia (diurno) se localiza cerca de 400 metros à frente do
LAADA. Sua missão é dar o alerta da aproximação de tropas inimigas, sem se
engajar pelo fogo, exceto para sua autodefesa.
d) O posto de escuta, estabelecido à noite, tem sua localização recu-
ada para cerca de 200 metros à frente do LAADA. Tal posicionamento coincide
com a provável linha de desenvolvimento dos ataques noturnos inimigos.
e) A companhia lança, ainda, patrulhas de ligação, no valor esquadra,
para estabelecer contato com os postos de vigia/escuta e cobrir os intervalos e
ancos da posição defensiva da subunidade. Normalmente, isso é encargo do
pelotão reserva.
f) Além da segurança aproximada, à frente do LAADA, cada grupo de
4-5
combate ou guarnição de arma de apoio deve manter, permanentemente, na
posição da fração, um vigia local em situação de alerta.

Fig 4-3. Medidas de segurança aproximada

2) Apoio de Fogo
a) Classicação dos Fogos na Defensiva
(1) Fogos longínquos – planejados para bater o inimigo o mais longe
possível a m de retardar a sua progressão, sendo constituídos, normalmente,
pelos fogos dos postos avançados de combate e dos morteiros e artilharia.
(2) Fogos defensivos aproximados – planejados para desorganizar
o ataque inimigo, antes do assalto, sendo constituídos pelos fogos da ADA e
desencadeados a partir de linhas de acionamento, que coincidem com o alcance
de utilização de cada armamento, observando as limitações topotáticas impostas
pelo terreno.
(3) Fogos de proteção nal – planejados para repelir o assalto
inimigo, sendo constituídos pelos fogos da ADA e desencadeados a partir da linha
de proteção nal (LPF), que coincide com a posição de assalto inimiga (cerca de
100 a 200 metros à frente do LAADA). A artilharia e os morteiros desencadeiam
as suas barragens.
(4) Fogos no interior da posição – planejados para limitar as possíveis
penetrações inimigas e apoiar os nossos contra-ataques, sendo desencadeados
no interior dos núcleos de defesa e de seus intervalos.

4-6
Fig 4-4. Fogos na defensiva

b) Planejamento do Apoio de Fogo do Pelotão


(1) Na defesa, é o fogo que detém o inimigo. Posições de tiro de
armas de apoio do batalhão e da companhia podem ser desdobradas no interior
do núcleo de defesa do pelotão. Cabe ao comandante do pelotão coordenar o
posicionamento de tais peças com o seu dispositivo defensivo.
(2) A unidade de tiro das metralhadoras é a peça, devendo ser
empregadas aos pares para obter o desejável cruzamento de fogos. Podem
ocupar posições de tiro distintas e receber setores de tiro diferentes.
(3) As metralhadoras do grupo de apoio devem, em princípio, ser
posicionadas nos intervalos dos grupos de combate. Condições especiais do
terreno podem impor a localização das peças no interior dos núcleos dos grupos
de combate.
(4) A direção principal de tiro das metralhadoras, coincidente com a
LPF, deve permitir o cruzamento de fogos à frente do núcleo de defesa do pelotão,
priorizando o bloqueio da via de acesso. Em razão do alcance de utilização das
metralhadoras, seus fogos permitirão, ainda, bater secundariamente os intervalos
entre os pelotões da ADA. As metralhadoras do pelotão reserva têm a missão de
bater os intervalos e ancos dos núcleos de defesa da ADA.
(5) A peça de morteiro leve ocupa uma posição de tiro no interior
do núcleo de defesa do pelotão. A posição deve proporcionar segurança para
a peça e, se possível, um itinerário desenado para o remuniciamento. Deve,
ainda, permitir a observação e o controle do tiro pelo chefe de peça.

4-7
(6) São planejadas concentrações de morteiro leve com referência
em acidentes do terreno que constituam locais favoráveis ao desdobramento
de tropas e armas coletivas inimigas ou que constituam regiões de passagem
obrigatória.
(7) O comandante do pelotão pode, também, solicitar apoio de
fogo de morteiros e artilharia à companhia, a m de complementar os fogos do
pelotão.

Fig 4-5. Posicionamento das metralhadoras

c) Defesa Anticarro do Pelotão


(1) O pelotão dispõe de armas anticarro orgânicas (lança-rojões),
distribuídas aos grupos de combate. Pode receber, também, armas anticarro em
reforço da companhia (canhões sem recuo).
(2) Deve planejar o emprego dos canhões sem recuo de modo a
bater as vias de acesso favoráveis à progressão dos carros de combate inimigos,
atribuindo a cada peça um setor e uma direção principal de tiro.
(3) Os lança-rojões devem ser, em princípio, posicionados nas
extremidades dos grupos de combate a m de anquear os carros inimigos que
ataquem suas posições.

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Fig 4-6. Posicionamento dos lança-rojões

3) Construção de Obstáculos
a) O pelotão constrói os obstáculos de proteção local, que consistem
em redes de arame, lançadas de 40 a 100 metros dos abrigos, ao redor do
seu núcleo de defesa. Pode, ainda, lançar redes suplementares, interligando
as redes de proteção local dos pelotões. A infantaria emprega, normalmente, a
concertina e a cerca de quatro os.
b) As redes táticas de arame, integrantes da barreira de cobertura ime-
diata, construída pela engenharia, devem ser batidas pelos fogos de proteção
nal das metralhadoras dos pelotões da ADA.
c) Tropas de infantaria podem auxiliar a engenharia na construção de
parcela dos obstáculos do plano de barreiras, normalmente aqueles de menor
complexidade técnica e que não exigem pessoal ou material especializados.

4-9
Fig 4-7. Posicionamento dos obstáculos

4-6. EXECUÇÃO DA OPERAÇÃO

a. Preparação da Posição Defensiva


1) Após a emissão da ordem de defesa, o pelotão ocupa uma posição de
espera, coberta e abrigada, no dispositivo de alto-guardado e nas proximidades
da posição defensiva. Em seguida, é realizado o reconhecimento da posição
pelo comandante do pelotão, acompanhado de seus comandantes de grupo
subordinados e de um guia por fração, com a nalidade de assinalar no terreno
as extremidades da frente do pelotão, bem como dos grupos de combate,
estabelecendo os intervalos entre eles.
2) Denidas as posições de cada grupo, os guias retornam para a posição
de espera e conduzem a tropa até os locais determinados, onde os Cmt GC
xarão a posição exata de cada toca de seus grupos.
3) O pelotão de fuzileiros, ao preparar um núcleo de defesa, adota a
formação tática em linha, ocupando sicamente uma frente de 400 metros.
Dispõe seus grupos de combate lado a lado, intervalados de 50 a 100 metros
entre si. Cada grupo de combate ocupa uma frente de 70 a 100 metros.
4) O intervalo entre os abrigos varia conforme o terreno. Em áreas limpas,
o intervalo entre as tocas individuais é de 10 metros e entre as tocas duplas é
de 20 metros. Em terreno sujo, as distâncias são reduzidas à metade, ou seja, 5
a 10 metros, respectivamente, o que provoca a diminuição da frente do pelotão.
Sempre que possível devem ser preparadas tocas duplas, porque inuem
diretamente no moral dos homens.
5) A frente de defesa do pelotão é maior do que a frente ocupada, porque

4-10
é batida por seus fogos. Normalmente, a frente defendida pelo pelotão é de 900
metros. O comandante do pelotão designa a cada grupo de combate um setor
de tiro na linha de acionamento do fuzil (600 m - tiro de fração). Os setores dos
GC devem ser parcialmente sobrepostos nas extremidades. O comandante de
grupo, por sua vez, designa um setor de tiro especíco para cada homem na LPF
(100 a 200 m - tiro individual).

Fig 4-8. Núcleo de defesa do pelotão

6) O pelotão, além das posições principais, prepara posições


suplementares nos ancos e na retaguarda, observando o princípio da defesa
em todas as direções. À medida que o tempo permitir, devem ser preparadas
sapas de ligação para proporcionar itinerários desenados entre as posições
principais e suplementares. A profundidade do núcleo de defesa do pelotão varia
de 50 a 200 metros.
7) As metralhadoras, quando colocadas nos intervalos dos grupos de
combate, não causam acréscimo na frente ocupada pelo pelotão. Se posicionadas
no interior do núcleo de um grupo de combate, provocarão um aumento de 25
metros na frente do GC.
8) Os abrigos devem ser preparados na crista militar do acidente capital,
onde se localiza o núcleo de defesa do pelotão, evitando-se, ao máximo, os
ângulos mortos proporcionados por dobras do terreno. A rasância das armas de
tiro tenso é fundamental para o sucesso da defesa.

4-11
Fig 4-9. Rasância das armas de tiro tenso

9) O comandante do pelotão posiciona-se onde melhor possa conduzir a defesa.


Normalmente, ocupa um posto de observação, que também funciona como posto de
comando, no interior do núcleo de defesa do pelotão.
10) O comandante do pelotão consolida todos os dados da preparação da
sua posição defensiva em um único documento, denominado roteiro do pelotão. Cada
comandante de grupo também confecciona um roteiro. Cada roteiro é elaborado em
duas vias, sendo uma delas entregue ao comandante imediato. O roteiro do pelotão ou
do grupo deve conter as seguintes informações:
a) missão do pelotão ou do grupo;
b) composição do pelotão ou do grupo;
c) medidas de segurança;
d) prioridade dos trabalhos de OT;
e) comunicações (rádio, o, senhas e sinais convencionados);
f) apoio logístico (suprimento classe I, III, V e água, saúde, pessoal, entre
outros);
g) setores de tiro dos grupos ou dos homens (pontos de referência); e
h) esboço da frente de defesa com o plano de fogos do pelotão ou do grupo.
11) O comandante do pelotão deve estabelecer uma prioridade para os trabalhos
de organização do terreno, que são executados de maneira contínua e constantemente
melhorados até a forticação da posição. A seguir, é apresentada uma sequência, como
exemplo:
a) estabelecimento da segurança aproximada e local;
b) instalação das armas de apoio;
c) limpeza dos campos de tiro;
d) estabelecimento das comunicações;
e) preparação das posições principais (abrigos e espaldões);
f) construção dos obstáculos; e
g) preparação das posições de muda e suplementares.

4-12
b. Condução do Combate Defensivo
1) Inicialmente, o inimigo atinge as posições do escalão de segurança,
sendo, então, retardado sucessivamente em cada posição. Os elementos da
posição defensiva são alertados sobre a aproximação das forças inimigas.
2) Quando o inimigo aborda a posição dos postos avançados de combate,
sua progressão é retardada pelos fogos longínquos realizados pelos elementos
dos P Avç C e pela artilharia e morteiros que, normalmente, ocupam posições
provisórias à frente do LAADA. Mediante ordem, os P Avç C retraem e são
acolhidos pelos elementos da ADA.
3) Na iminência do ataque adversário, são realizados os fogos de contra-
preparação pela artilharia e morteiros contra as posições de ataque e os postos
de observação inimigos, dentre outros alvos compensadores.
4) Ao desencadear seu ataque, as forças inimigas são submetidas aos
fogos defensivos aproximados da área de defesa avançada, que incluem todo
o armamento disponível. A infantaria tenta, a todo custo, deter a progressão
inimiga pelo fogo. A artilharia e os morteiros realizam concentrações sobre
alvos inimigos, já as armas anticarro buscam destruir os carros de combate e as
metralhadoras atiram contra a tropa inimiga em progressão e contra armas de
apoio dessa tropa.
5) Os elementos do pelotão de fuzileiros desencadeiam seus fogos
defensivos aproximados a partir da linha de acionamento do fuzil (600 metros),
realizando o tiro de fração, dentro do setor de tiro do grupo de combate, conduzido
a voz pelo comandante do GC, e utilizando o setor frontal do abrigo. As armas de
apoio do pelotão desencadeiam seus fogos a partir de suas respectivas linhas
de acionamento.

Fig 4-10. Setores do abrigo

4-13
6) Caso as forças inimigas consigam se aproximar para o assalto sobre a
posição defensiva, são realizados os fogos de proteção nal. A infantaria, então,
repele o assalto inimigo pelo combate aproximado. A artilharia e os morteiros
realizam suas barragens sobre as vias de acesso adversárias, as armas anticarro
atiram nas laterais dos carros de combate, e as metralhadoras apontam para
a LPF, erguendo um muro de fogos contra as formações de assalto inimigas.
Normalmente, os fogos de proteção nal são desencadeados mediante um sinal
convencionado (fumígenos ou pirotécnicos).
7) Os elementos do pelotão de fuzileiros desencadeiam seus fogos de
proteção nal a partir da LPF (100 a 200 metros), realizando o tiro individual,
dentro do setor de tiro de cada homem, e utilizando o setor oblíquo do abrigo sob
a proteção do parapeito.

Fig 4-11. Fogos de proteção nal dos fuzileiros

8) Ao ser ameaçado por um desbordamento, o comandante do pelotão


deve reajustar o seu dispositivo, deslocando homens da frente menos pressionada
para posições suplementares no anco ameaçado. Se possível, deve empregar
frações constituídas, valor esquadra ou grupo de combate.
9) Se o ataque inimigo for detido à frente da posição, seguido do seu
retraimento, o pelotão realiza a sua reorganização após o combate, por meio
do remuniciamento das frações e da evacuação das baixas, informando, de
imediato, a situação do pelotão ao comandante da companhia.
10) Caso o inimigo logre êxito no seu ataque e penetre no núcleo de
defesa, o comandante do pelotão deve envidar todos os esforços para limitar
a penetração inimiga, solicitando apoio de fogo à companhia e mantendo suas
posições até a realização do contra-ataque para o restabelecimento do LAADA.
Somente retrairá, como último recurso, mediante ordem do comandante da
subunidade.
4-14
c. O Pelotão nos Postos Avançados de Combate
1) O pelotão de fuzileiros pode receber a missão de constituir os postos
avançados de combate ou integrá-los como parte de uma força maior. São,
normalmente, instalados entre 800 e 2.000 metros do LAADA, constituindo o
elemento de segurança da brigada.
2) Sua missão principal é dar o alerta oportuno da aproximação das forças
inimigas e impedir a observação terrestre e os fogos diretos sobre a ADA. Dentro
de suas possibilidades, busca retardar e desorganizar a progressão do inimigo,
e iludi-lo quanto à verdadeira localização do LAADA.
3) Em qualquer caso, cumprirá sua missão por meio do estabelecimento
de postos de vigilância, em dispositivo linear, cujo efetivo varia de uma esquadra
até um pelotão de fuzileiros. Os postos de vigilância organizam núcleos de defesa
na crista topográca dos acidentes capitais que proporcionem boa observação e
bons campos de tiro em profundidade, sobre as vias de aproximação das forças
inimigas.
4) Os postos avançados de combate estabelecem, também, a sua
segurança aproximada, empregando vigias e patrulhas de ligação à frente, nos
ancos e à retaguarda da posição. Cada posto deve selecionar e reconhecer
o seu itinerário de retraimento, em princípio, por caminhos desenados, até o
acolhimento na ADA.
5) A conduta consiste em alertar os elementos da ADA sobre a aproximação
do inimigo e engajá-lo pelo fogo, o mais longe possível, buscando retardá-lo e
desorganizá-lo. Ao ser ameaçado por um desbordamento ou por um engajamento
pelo combate aproximado, o posto deve retrair. A decisão do retraimento é do
comandante do batalhão ou da brigada, podendo ser delegada ao comandante
dos postos avançados de combate.

Fig 4-12. O pelotão de fuzileiros nos postos avançados de combate


4-15
d. O Pelotão Reserva da Companhia
1) O pelotão de fuzileiros pode constituir a reserva da companhia de
fuzileiros, desdobrada na área de defesa avançada do batalhão. A preparação de
sua posição defensiva é similar a de um pelotão em primeiro escalão no LAADA
e visa a dar profundidade ao dispositivo defensivo da companhia, bloqueando as
vias de acesso inimigas ao interior da posição.
2) O pelotão reserva se localiza de 200 a 500 metros à retaguarda
dos pelotões de primeiro escalão, preparando uma ou mais posições de
aprofundamento, conforme as condições do terreno relativas às vias de acesso.
3) Se forem organizadas duas ou mais posições de aprofundamento, o
pelotão ocupa o núcleo que barra a melhor via de acesso do inimigo, cando em
condições de ocupar as outras posições, desde que haja itinerários desenados
para o seu deslocamento. Não havendo itinerários desenados entre as posições,
o pelotão pode ser dividido, ocupando-as simultaneamente, mas preservando a
integridade tática dos grupos de combate.
4) O pelotão reserva da companhia possui as seguintes missões:
a) preparar as posições de aprofundamento da companhia;
b) limitar as penetrações inimigas nos núcleos do LAADA;
c) excepcionalmente, realizar contra-ataque para restabelecimento do
LAADA;
d) reforçar os pelotões de primeiro escalão, mediante ordem;
e) estabelecer os postos avançados de combate, quando determina-
do;
f ) lançar as patrulhas de ligação, no âmbito da subunidade;
g) apoiar pelo fogo os pelotões de primeiro escalão; e
h) cobrir os ancos e intervalos dos pelotões de primeiro escalão.

Fig 4-13. O pelotão reserva da companhia


4-16
e. O Pelotão nas Operações de SEGAR
1) As operações de segurança da área de retaguarda (SEGAR)
compreendem as ações relativas ao controle de danos (CD) e à defesa da área
de retaguarda (DEFAR). O pelotão de fuzileiros pode participar das operações
de SEGAR, normalmente em ações de defesa da área de retaguarda.
2) A DEFAR visa a neutralizar as incursões inimigas e as ações de
guerrilheiros inltrados contra as instalações localizadas à retaguarda da posição
defensiva.
3) O pelotão, realizando ações de DEFAR em uma determinada região
na retaguarda, deve estabelecer postos de vigilância em acidentes capitais que
proporcionem ampla observação em todas as direções e realizar patrulhamento
nos principais eixos e nas áreas favoráveis ao homizio de elementos inimigos
inltrados. Poderá, ainda, estabelecer PBCE e(ou) PSE.
4) Uma vez localizada uma tropa inimiga na retaguarda, a patrulha deve
engajá-la ou, em caso de poder de combate insuciente, acionar a reserva da
força de DEFAR.
f. O Pelotão no Retardamento na ADA
1) O planejamento defensivo, em situação ideal, busca bloquear cada
via de acesso inimiga, valor companhia, com um pelotão, adotando o grau de
resistência “defender”. Porém, em frentes amplas ou sob condições especiais
de terreno, o batalhão pode adotar outros graus de resistência: “retardar” ou
“vigiar”.
2) O grau de resistência “retardar” é, normalmente, aplicado em duas ou
mais vias de acesso inimigas, onde se deseja economizar meios, desde que haja
condições favoráveis ao retardamento e boas condições para o retraimento.
3) O pelotão de fuzileiros, com o grau de resistência “retardar”, deve
bloquear cada via de acesso inimiga, valor companhia, com, pelo menos, um
grupo de combate. O pelotão de fuzileiros pode retardar uma frente de até 1.500
metros, o que corresponde a três vias de acesso de companhia. O grupo de
combate não aumenta a sua frente ocupada, mantendo o intervalo normal entre
as tocas.
4) A missão do pelotão é, em princípio, barrar a progressão inimiga à frente
de sua posição, combatendo pelo fogo. Em caso de ameaça de engajamento pelo
combate aproximado ou de desbordamento, o pelotão deve solicitar permissão
para retrair, evitando um combate decisivo.

4-17
Fig 4-14. O pelotão no retardamento na ADA

g. O Pelotão na Vigilância na ADA


1) O grau de resistência “vigiar” é, normalmente, aplicado em regiões
do terreno consideradas como áreas passivas (matas densas, pântanos, etc),
desfavoráveis ao desenvolvimento de forças inimigas, em formação tática
dispersa, mas favoráveis como faixas de inltração para o atacante.
2) O pelotão de fuzileiros, com o grau de resistência “vigiar”, deve
estabelecer uma série de postos de vigilância complementados por patrulhas. O
pelotão de fuzileiros pode vigiar uma frente de até 3.000 metros. Normalmente,
cada posto de vigilância deve ser mobiliado por, pelo menos, uma esquadra.
3) A missão do pelotão é detectar a presença do inimigo. Quando
pressionado, o pelotão deve retrair, mantendo permanente contato com o inimigo
até ser acolhido por outras forças de defesa em profundidade. O pelotão somente
engaja o inimigo pelo fogo para sua autodefesa.

4-18
Fig 4-15. O pelotão na vigilância na ADA

ARTIGO III
RETRAIMENTO

4-7. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

a. O movimento retrógrado compreende as seguintes formas de manobra: a


ação retardadora, o retraimento e a retirada.
b. A ação retardadora é empregada por uma força para trocar espaço por
tempo, inigindo o máximo de baixas e retardamento ao inimigo, sem se engajar
decisivamente em combate. Pode ser realizada em uma única posição, em
posições sucessivas ou em posições alternadas.
c. O retraimento é empregado por uma força engajada para romper o
contato com o inimigo, podendo ser realizado sem ou sob pressão. O retraimento
sem pressão depende, basicamente, do sigilo da operação, enquanto que o
retraimento sob pressão depende da mobilidade e da potência de fogo da tropa
que o executa.
d. O retraimento pode ser diurno ou noturno. Preferencialmente, será
executado à noite, pois facilita a dissimulação, proporciona maior liberdade de
ação e reduz a eciência dos fogos e da observação do inimigo.
e. A retirada é um movimento ordenado para longe do inimigo, realizado
por uma força desengajada, a m de evitar um combate decisivo sob condições
desfavoráveis. O dispositivo de uma tropa em retirada é semelhante ao da
marcha para o combate, com prioridade de meios para a força de proteção de
retaguarda.

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f. O pelotão de fuzileiros pode participar de todas as formas de manobra
citadas, enquadrado pela companhia de fuzileiros, em movimentos retrógrados
realizados por escalões superiores.

4-8. MEDIDAS DE PLANEJAMENTO

a. Organização das Forças


1) Retraimento sem Pressão
a) O pelotão, ao executar um retraimento sem pressão, se organiza
em grosso e destacamento de contato. O destacamento de contato tem por mis-
são cobrir o retraimento do grosso, permanecendo em posição e mantendo a
sionomia da frente.
b) O destacamento de contato do pelotão de fuzileiros é, normalmente,
composto por um grupo de combate, reforçado por uma peça de metralhadora.
c) Em princípio, o destacamento de contato é constituído pelo grupo de
combate, que ocupa a posição central no dispositivo do pelotão.
2) Retraimento sob Pressão
a) O pelotão, ao executar um retraimento sob pressão, se organiza
em grosso e força de segurança. A força de segurança tem por missão cobrir o
retraimento do grosso e retardar o inimigo.
b) A força de segurança do pelotão de fuzileiros é, normalmente, com-
posta por um grupo de combate.
c) Em princípio, a força de segurança é constituída pelo grupo de com-
bate que ocupa a posição central no dispositivo do pelotão.
b. Medidas de Coordenação e Controle
1) Linhas de controle – servem para balizar posições de tropas, como a
força de segurança do escalão superior, os postos avançados de combate e o
LAADA da nova posição defensiva a ser ocupada, além de acidentes nítidos no
terreno de interesse para a coordenação do movimento.
2) Hora do retraimento – momento de início do movimento para a
retaguarda.
3) Zona de reunião – no retraimento sem pressão, a zona de reunião
do pelotão deve ser localizada imediatamente à retaguarda de seu núcleo de
defesa. No retraimento sob pressão, a zona de reunião do pelotão é estabelecida
à retaguarda da força de segurança da companhia, neste caso, o pelotão
reserva.
4) Itinerário de retirada – estabelecido para a companhia, a partir de
sua zona de reunião, a m de orientar o movimento para a retaguarda, onde
são designados: o ponto inicial, o ponto de embarque, os postos de controle de
trânsito e o ponto de liberação.
c. Sequência do Retraimento
1) O movimento do pelotão para a retaguarda deve, conforme o tipo de
retraimento, obedecer às seguintes sequências:
a) retraimento sem Pressão:
(1) grupo de apoio;
(2) grupos de combate dos ancos; e
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(3) destacamento de contato (GC de centro).
b) retraimento sob Pressão
(1) grupos de combate dos ancos;
(2) grupo de apoio; e
(3) força de segurança (GC de centro).
2) O adjunto deve se deslocar com a primeira fração para organizar o
dispositivo e conferir o efetivo do pelotão na zona de reunião. O comandante do
pelotão coordena as ações das frações e somente se desloca após o retraimento
do grosso do pelotão.

4-9. EXECUÇÃO DA OPERAÇÃO

a. Retraimento sem Pressão


1) Antes do retraimento, o comandante do pelotão deve conduzir um
reconhecimento, se possível diurno, dos itinerários de retraimento até as zonas
de reunião do pelotão e da companhia, acompanhado de seus comandantes de
fração.
2) Na hora determinada, as frações iniciam o movimento para a retaguarda,
até a zona de reunião do pelotão, de acordo com a seqüência estabelecida para
o retraimento. O destacamento de contato permanece em posição, mantendo a
sionomia da frente.
3) O grupo de combate que constitui o destacamento de contato deve
ser redistribuído para ocupar toda a frente do núcleo de defesa, simulando a
presença de todo o pelotão e mantendo o uxo de mensagens rádio e os fogos.
4) É fundamental uma rigorosa disciplina de luzes e ruídos para a
manutenção do sigilo. Na zona de reunião, o adjunto confere o efetivo das
frações e organiza o dispositivo, acusando o pronto para o prosseguimento ao
comandante do pelotão.

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Fig 4-16. O pelotão no retraimento sem pressão

5) Em seguida, o pelotão se desloca em direção à zona de reunião da


companhia. A formação tática usual, à noite, é em coluna por um.
6) O destacamento de contato do pelotão, enquadrado por seu
correspondente da companhia, somente inicia o seu retraimento, mediante ordem
ou hora determinada, ainda durante a noite, após o grosso ter sido acolhido pela
força de segurança do escalão superior.
b. Retraimento sob Pressão
1) Durante a preparação da posição defensiva, é desejável que o pelotão
realize ensaios de retraimento sob pressão. As zonas de reunião do pelotão e
da companhia devem ser reconhecidas pelo comandante do pelotão e de suas
frações subordinadas.
2) Mediante ordem, o pelotão inicia o seu retraimento de acordo com a
sequência estabelecida. Inicialmente, os grupos de combate dos ancos retraem
pelo fogo e movimento de suas respectivas esquadras, apoiados pelos fogos do
grupo de apoio e da força de segurança do pelotão (GC de centro). O emprego
de fumígenos se revela muito importante para criar condições favoráveis de
desengajamento.
3) Os fuzileiros executam lanços para a retaguarda, ocupando abrigos
sucessivamente e apoiando pelo fogo o movimento dos demais integrantes do
grupo de combate. Esta progressão por lanços para a retaguarda só termina após
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o desenamento em relação às vistas e os fogos do inimigo, com o acolhimento
do grupo de combate pela força de segurança da companhia, constituída por seu
pelotão reserva. Em seguida, ocorre o retraimento do grupo de apoio, igualmente
por lanços.
4) O grupo de combate de centro, em princípio, deve constituir a força
de segurança do pelotão, mantendo-se em posição e assumindo toda a frente
de defesa do pelotão para cobrir o retraimento dos demais grupos. A força de
segurança do pelotão só deve retrair após o acolhimento das demais frações
pelo pelotão reserva da companhia.
5) Todas as frações, após serem acolhidas, se deslocam para a zona de
reunião do pelotão, onde o adjunto confere o efetivo e organiza o dispositivo,
acusando o pronto para o prosseguimento ao comandante do pelotão. Na
sequência, o pelotão se desloca em direção à zona de reunião da companhia.

Fig 4-17. O pelotão no retraimento sob pressão

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