O Turismo Cultural No Desenvolvimento de Espaços Rurais: o Caso Das
O Turismo Cultural No Desenvolvimento de Espaços Rurais: o Caso Das
Terras do Demo
Ana Lopes
Resumo
1. Aspectos Introdutórios
4199
de desindustrialização, de desertificação física e humana, para além de uma forte perda
de competitividade face aos espaços urbanos contíguos, impondo-se de uma forma
premente estratégias de desenvolvimento que permitam alterar este quadro de regressão.
Neste sentido, património e turismo são duas realidades que convergem no quotidiano
de vários actores entre os quais se incluem os turistas, as populações dos possíveis
destinos, os agentes económicos, as associações locais e a administração pública local,
responsável pela elaboração e veiculação de políticas relacionadas com a necessidade de
preservar a autenticidade, festas, tradições e demais elementos culturais que, mediante
um processo de valorização e activação, se transformam em recursos político-
patrimoniais (ANICO, 1998).
O turismo enquanto actividade indutora da economia tem sido adoptado como uma
estratégia de desenvolvimento económico e social pelos mais variados argumentos,
4200
tanto mais se os espaços rurais onde se pretende implementar esta prática forem dotados
de mais-valias em termos patrimoniais, aliados a uma imagem de marca subjacente a
estes mesmos espaços.
Os territórios rurais podem beneficiar dos seus recursos endógenos que lhe possibilitam
vantagens competitivas assentes na oferta de produtos e experiências diferentes, com
repercussões ao nível dos territórios e das novas oportunidades de desenvolvimento
territorial. Em territórios onde o turismo é dominado pela existência de elementos
patrimoniais, o impacto no tecido económico pode ser profundo. Em alguns territórios
rurais da Europa Central e Ocidental têm sido desenvolvidos, recentemente, planos
conducentes ao desenvolvimento do turismo patrimonial como forma de promover o
desenvolvimento integrado desses mesmos territórios (BOYD, 2006).
Assim, o presente artigo tem como objectivo aplicar esta discussão a uma área
geográfica concreta, delimitada pela obra Aquiliniana Terras do Demo. Desta forma,
pretendemos caracterizar o território numa perspectiva geográfica contemplando os seus
aspectos físicos e humanos, de modo a traçar um quadro da realidade da área em estudo,
destacando as principais fragilidades e potenciais recursos que poderão ser revitalizados
e aproveitados numa óptica turística.
2. Área de Estudo
Terras do Demo, é título do romance escrito por Aquilino Ribeiro em 1919. Esta
designação não mais deixou de estar ligada a uma área geográfica que se localiza na
Beira Interior portuguesa. Podemos dizer que actualmente corresponde aos concelhos de
Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira e Aguiar da Beira, e parte dos concelhos de
Sernancelhe e Sátão. Segundo MEDEIROS (1981), os sectores do Alto Vouga e do Alto
Paiva, correspondem bem a este quadro. No entanto, para que seja traçado um quadro
geográfico da área haverá a necessidade de tomar como referência a base
administrativa, antes de quaisquer outros elementos. Assim, para o presente trabalho, e
dada a contiguidade geográfica dos territórios, tomaremos a totalidade dos concelhos de
4201
Vila Nova de Paiva, Aguiar da Beira, Sátão, Moimenta da Beira, Penedono e
Sernancelhe (Figura 1).
4202
Diagnosticados os principais aspectos geográficos do meio surge o trabalho de campo,
uma das tarefas mais importantes de um trabalho com estas características. Procedeu-se,
assim, à inventariação e localização dos principais elementos patrimoniais,
disseminados pelo espaço, agrupando-os em três categorias básicas: Património Natural,
Património Construído e Património Cultural.
4203
Figura 2 - Esboço de Localização das Terras do Demo
A primeira é uma superfície de aplanamento bem conservada, que atinge uma rigidez
notável para oriente do Rio Côa. Nos Planaltos Centrais, o traço fundamental do relevo
é a presença de interflúvios aplanados, mas, se exceptuarmos o sector Sudoeste da
Plataforma do Mondego e o Alto Paiva, a topografia é, no seu conjunto, bastante
movimentada, com níveis de aplanamento por vezes exíguos e com altitudes diversas.
As Montanhas Ocidentais são separadas dos Planaltos por degraus tectónicos de
direcção NNE-SSW. São constituídas pelas serras de Montemuro, o Maciço da
Gralheira e a Serra do Caramulo onde os níveis de aplanamento ocupam na maior parte
dos casos espaços muito restritos, ou desapareceram quase por completo devido a uma
vigorosa dissecção (FERREIRA, 1978).
4204
No contexto do território europeu, a paisagem caracteriza-se pelo seu aspecto cultural,
expressão dos diversos recursos naturais existentes, mas também da acção humana
sobre esses mesmos recursos (D’ ABREU, et al. 2004). A paisagem portuguesa
apresenta uma forte diversidade, marcada por um conjunto de factores, naturais e
culturais que em conjunto incutem no território um mosaico paisagístico relevante
(Idem), do qual se salientam e particularizam determinados aspectos únicos apenas
identificáveis a uma escala local ou regional.
Na presente área de estudo podemos destacar duas unidades de paisagem distintas, uma
associada ao Alto Paiva e Alto Vouga, outra às Serras da Lapa e Leomil (Idem).
Estes socalcos ainda hoje se encontram cultivados e mantêm-se com usos agrícolas
intensivos e variados: cereais, pastagens, milho, alguma vinha e árvores de fruto, por
exemplo pomares de maçã de Bravo Esmolfe e os Castanheiros da Lapa, classificados
como de qualidade pelo Ministério da Agricultura (Ibidem, p. 51). Por vezes ao longo
4205
dos vales ou nas encostas, destacam-se inesperados afloramentos rochosos,
normalmente grandes blocos graníticos (Figura 4).
A população transforma-se, pela sua ausência e pelas suas características, num elemento
de fragilidade do território. Importa, por isso, conhecer as suas dinâmicas e entender
quais os traços actuais de transformação demográfica e socio-económica no contexto
regional e local, sobretudo na interpretação das assimetrias espaciais que caracterizam o
modelo actual de ocupação destes territórios.
4206
Seguindo a tendência do interior do país, os concelhos em análise têm sofrido um
decréscimo populacional gradativo ao longo das últimas décadas. Esta perda
populacional resulta fortemente de surtos migratórios. Numa primeira fase até à década
de cinquenta do século XX, fluxos intercontinentais para países como o Brasil e os
Estados Unidos, numa segunda fase a partir da década de sessenta para a Europa em que
países como Suíça, a França e o Luxemburgo se destacam. Paralelamente a estes fluxos
externos, o êxodo rural marca fortemente os movimentos migratórios destes territórios.
Podemos ver a materialização destes comportamentos migratórios na paisagem não só
no que ao despovoamento diz respeito mas também no que se refere às próprias
construções de habitação, que mais não são do que o reflexo da arquitectura dos países
de acolhimento, provocando uma descaracterização das paisagens aquilinianas (Figura
5).
4207
a integram, com maior incidência nos concelhos rurais como os estudados no presente
trabalho (Quadro I).
Total
Ao analisarmos os valores relativos aos totais de população para 2001, verificamos que
os concelhos com maiores quantitativos populacionais absolutos são os concelhos de
Sátão (13144 habitantes) e Moimenta da Beira (11074 habitantes), sendo que Penedono
é o concelho com os valores de população mais reduzidos (3445 habitantes), e cujas
perdas populacionais são mais acentuadas para o período temporal considerado.
No entanto, a partir dos resultados relativos aos totais de população residente para os
concelhos em análise constatamos valores muito reduzidos de população residente,
comparando com os restantes concelhos das respectivas sub-regiões: Moimenta da
Beira, Penedono e Sernancelhe, quando comparado com os valores relativos à Sub-
região do Douro, na qual se enquadram para fins estatísticos, contribuem apenas com o
total de 9%, para o valor total de população da sub-região em questão. Vila Nova de
Paiva, Sátão e Aguiar da Beira representam, em conjunto, sensivelmente 8% do total de
população residente em 2001 da sub-região da qual fazem parte, ou seja Dão-Lafões.
4208
Concluímos então, tratarem-se de concelhos com baixos quantitativos populacionais e
em franco processo de regressão, se atendermos à comparação dos dados relativos ao
Recenseamento Geral da População de 1991 (Figura 6).
Este decréscimo populacional pode ser analisado sob duas perspectivas por um lado
saída de população através de movimentos migratórios, internos e externos; e por outro
lado, a diminuição da população justificada pela elevada taxa de mortalidade, fruto do
envelhecimento populacional acelerado, e a diminuição da taxa de natalidade
directamente relacionada com a diminuição da população.
4209
Esta actividade, assim como todos os processos inerentes ao cultivo das terras são um
dos traços mais característicos destas populações e que particularizam os seus modos de
vida perante os demais, conforme teremos oportunidade de verificar e que entre outros
aspectos se caracterizam ainda pelo seu carácter rudimentar (Figuras 7 e 8).
Por outro lado, a crescente terciarização económica também tem vindo a reflectir-se
nestes espaços. O sector primário tem vindo a decrescer progressivamente desde a
década de 80, com uma descida mais acentuada na década de 90, em todos os concelhos
considerados. Paralelamente à agricultura, a silvicultura e a pecuária eram os sectores
4210
que detinham uma maior percentagem de mão-de-obra activa. O território abundante em
água de regadio, explica a capacidade de produção agrícola, nomeadamente no que diz
respeito ao milho, batata, horticultura e centeio. No entanto, actualmente são poucos os
agricultores cuja exploração agrícola se destina na sua totalidade para o comércio,
(Figura 9).
Segundo BAPTISTA (2001), podemos classificar os espaços rurais tendo em conta dois
indicadores distintos, a densidade rural e a percentagem de população activa que
trabalha na agricultura. Da aplicação destes dois critérios o autor apresentou quatro
classificações possíveis de tipologias para estes territórios: - o rural de baixa densidade
(densidade rural média de 13 habitantes/km2, o rural urbano (densidade rural média de
4211
165 habitantes/km 2), o rural agrícola e o rural da indústria e dos serviços, ambos com
uma densidade média de cerca de 60 habitantes/km2. Segundo esta escala os concelhos
analisados encontram-se classificados como rural agrícola ou rural da indústria e
serviços, onde a agricultura assume um peso preponderante nas freguesias rurais, e os
serviços nas sedes concelhias.
A população não deve ser encarada apenas como um factor de formação, transformação
e conservação da paisagem, mas também como um dos elementos essenciais das
paisagens culturais (agrícolas, industriais, rurais, urbanas e mistas). Assim se por um
lado a paisagem urbana é marcada fortemente pela presença de população (no trabalho
ou lazer) e, não só pelos elementos materiais que foram criados por ela, por outro, a
paisagem dos espaços rurais profundos caracteriza-se pela importância decrescente ou
mesmo pela ausência da população, o que pode dar origem à paisagem de
despovoamento, onde sobressaem as terras incultas, as alfaias e os prédios agrícolas
abandonados (NEJASMIC 1991, citado por ROCA, 2005).
Algumas medidas a tomar nestes territórios poderiam ter como objectivo estimular o
desenvolvimento dos saberes tradicionais, incluindo o artesanato e a culinária, cuja sua
fonte principal de transmissão são os agricultores mais idosos. Pode ser, assim,
incentivada a produção de culturas tradicionais mediterrâneas de elevado valor
comercial como a vinha, a oliveira e as plantas aromáticas/medicinais.
4212
O que acontece frequentemente, e neste caso em concreto, é que dos campos agrícolas
apenas subsistem os muros e as ruínas das casas que serviam de albergue às alfaias
agrícolas ou à criação de gado (Figura 10).
Pese embora a maior parte dos planos de ordenamento do século XX tenham enfatizado
a dinâmica populacional e o desenvolvimento industrial, hoje assistimos ao
aparecimento de um novo paradigma: as propostas de ordenamento estão baseadas no
binómio natureza e cultura como partes integrantes de um conceito único: o património,
inserido no seu contexto físico ou seja no território.
4213
estratégias de promoção e protecção global no seu conjunto, com medidas especiais de
protecção para os considerados elementos relevantes, catalogados no espaço.
A descoberta do património pelos meios rurais tanto pode consistir em descobrir algo
que já existia, mas que tendo deixado de estar integrado nas práticas quotidianas é
redescoberto para novas funções. Traduz-se, sobretudo, na valorização simbólica, em
4214
que se pretende uma reavivação dos elementos e comportamentos esquecidos do
passado e que já dinamizaram os territórios noutras quaisquer circunstâncias
(PEIXOTO, 2002). Mais do que promover o turismo em espaço rural o objectivo passa
pela promoção e divulgação da cultura dos lugares reflectida nos seus modos de vida e
na sua materialização. Embora se promova a fruição do espaço importa também
valorizá-lo pois só assim é alcançado verdadeiramente o objectivo do turismo cultural.
No fundo, valorizar a relação dos indivíduos com o espaço e das comunidades com o
seu património, como elos de integração social, tendo em conta os seus discursos e
linguagens, os diferentes códigos culturais, permitindo o seu reconhecimento e
valorização (Declaração de Caracas, 1992). Esta valorização social do património
conduziu a um crescente número de políticas cujo principal objectivo seria desenvolver
um conjunto de acções no sentido de resgate e activação do património cultural,
protagonizado pelos agentes locais e pelos próprios poderes institucionais.
Desta forma, torna-se urgente inverter este cenário sob pena de, a curto prazo,
assistirmos a processos de despovoamento irreversíveis com consequências ao nível da
desertificação física do solo e da degradação daquilo que são as marcas que o Homem
foi construindo no espaço e que revelam uma cultura de comportamento. Neste sentido,
a valorização endógena e exógena é fundamental, como um princípio e não um fim em
si mesmo, na tentativa de contrariar esta realidade cada vez mais próxima.
4215
poderão funcionar, não apenas como parte integrante do desenvolvimento de um
processo de actividade turística, mas também na própria preservação e recuperação dos
elementos.
4216
Património: Terras do Demo
Formas graníticas
Corredores Rípicolas (fauna e flora)
Flora – Castanheiro da Guerra- Penedono
Eucalipto de Contige – Sátão
Soutos da Lapa.
Técnicas agrícolas;
CULTURAL
4217
Segundo o mesmo autor, mais do que fragmentar e tipificar os elementos patrimoniais
em categorias, que apenas se tornam mais simples por uma questão de organização,
podemos apresentar uma definição aglutinadora dos elementos patrimoniais ou seja, o
conceito de património territorial. Considera-se um conceito mais amplo,
geograficamente mais integrador e paralelamente capaz de fazer entender e interpretar
conjuntamente o valor geográfico e territorial de uma mesma realidade. Representa
nesta perspectiva a concepção de um território como autêntico e diferenciador e
paralelamente elemento capaz de criar uma identidade social, cultural e geográfica a
distintas escalas. Equivale a entender os territórios como uma imagem de marca
específica que projectam e que os singulariza perante os demais; compreender que a
construção do território se apoia em bases e recursos naturais e na actuação dos grupos
humanos sobre o meio e o resultado da sua acção através dos elementos e recursos
culturais, modelando-o; dando-lhe forma e estrutura, personalizando-o, identificando-o
e diferenciando-o dos restantes.
O território cultural deve ter uma estrutura organizativa, capaz de liderar um processo
de desenvolvimento sustentável, encarregue da gestão de uso do património em rede
dedicada à aplicação de uma estratégia interpretativa desse território, cuja elaboração
deve ser o aspecto metodológico central de qualquer projecto de valorização do
património.
O conceito de território cultural pode ser especialmente atractivo numa proposta que
pretenda difundir a ideia de marca de território em diferentes mercados (cultura, lazer,
turismo, gastronomia), ao permitir optimizar o conjunto de serviços e produtos
oferecidos pelo território, possibilitar uma maior competitividade dos agentes
económicos ligados a estes mercados e priorizar o tipo de investimento a ser feito. Para
que isso seja possível, devemos caminhar para um modelo de apresentação do território
relacionado com uma ideia integral de paisagem e que em relação a si próprio, conte
com os seus testemunhos originais (tangíveis ou intangíveis), que utilize as construções
existentes, isto é, lugares da memória.
4218
preservado através das vivências quotidianas, nunca o podemos separar da consciência
responsável e da participação activa das comunidades, sob pena de transformarmos os
territórios em museus convencionais que, devido às características dos elementos, são
vazios de conteúdo e de significado.
A partir destes elementos será possível apostar em roteiros temáticos de acordo com os
elementos existentes ou então roteiros que contemplem as diferentes categorias
patrimoniais. Podemos apresentar um dos muitos exemplos de roteiros (Figura 13)
possíveis de ser implementados nestes espaços
4219
Figura 13 – Roteiro Patrimonial
Este roteiro pretende apenas apresentar a viabilidade deste tipo de estratégias assumindo
os elementos identitários dos territórios em questão. Com anteriormente afirmamos,
iniciativas desta natureza só poderão dar resultados favoráveis caso exista uma
unificação territorial em prol do mesmo objectivo: o desenvolvimento integrado.
4220
Só a partir de um estudo integrado deste território numa perspectiva multidisciplinar se
poderão encontrar estratégias viáveis, conducentes à valorização e à manutenção de
muitas actividades agro-pastoris; à valorização de um vasto espólio patrimonial
construído; dos modos de vida marcadamente rurais factores que de alguma forma
poderiam contribuir para a dinamização destes territórios.
3. ASPECTOS FINAIS
Toda e qualquer intervenção patrimonial deve ser desenvolvida a uma escala local,
promovendo a participação activa de todos os agentes, uma vez que para se alcançar o
verdadeiro desenvolvimento torna-se necessário uma participação articulada e
descentralizada, muito mais ampla que a mera representação patrimonial.
Na conjuntura actual, a distinção do rural não pode ter por base apenas o
desenvolvimento de potencialidades, hoje valorizadas e recriadas no imaginário urbano,
que tendem a reduzi-lo a uma definição de depositário de tradições, culturas e modos de
4221
vida, mas sim investir nessa autenticidade rural mediante apoios e incentivos ao
aproveitamento de recursos naturais e existentes e potencialidades produtivas
(LOURENÇO, 2002)
Os exemplos apresentados ao longo deste trabalho, são apenas alguns dos muitos que
podemos encontrar. Mais do que a valorização de per si, aqui trata-se da valorização de
modos de vida seculares que tendem progressivamente a perder-se uma vez que como já
tivemos oportunidade de apresentar e destacar, a população que se dedica a esta
actividade é cada vez mais envelhecida e a população jovem que existe acaba por sair o
que resulta, em marcas de abandono significativas que mitigam a paisagem e a
transformam por completo em vestígios daquilo que outrora foram. O que torna estes
locais diferentes de muitos outros são as suas características rurais e o facto de haver um
certo sentimento de repulsa face à mudança. Os ritmos de vida são os ritmos das
estações do ano e do próprio cultivo da Terra. Qualquer intervenção patrimonial a
implantar deve ser desenvolvida a uma escala local, promovendo a participação activa
de todos os agentes, uma vez que para se alcançar o verdadeiro desenvolvimento torna-
se necessário uma participação articulada e descentralizada, muito mais ampla que a
mera representação patrimonial.
Apresenta-se urgente inverter este cenário sob pena de, a curto prazo, assistirmos a
processos de despovoamento irreversíveis, com consequências ao nível da
desertificação física do solo O Património deve ser entendido como um legado
intrínseco dos povos e das gentes que lhes adstringem valor. Desta forma, a
“Patrimonização” das marcas sociais no espaço deve tentar contrariar esta realidade,
cada vez mais próxima, (Figura 14).
4222
Desenvolvimento
Sustentável
-PatrimónioNatural
Palneamento -Património Construído
Territorial
-Património Cutural
-Inventariação
-Manutenção
-Delimitação
-Desenvolvimento
-Representação
Referências Bibliográfica
4223
CAVACO, Carminda (1996) - Do Despovoamento Rural ao Desenvolvimento Local,
Programa das Artes e Ofícios Tradicionais, Direcção-Geral do Desenvolvimento
Regional, Lisboa.
4224
NAVARRO, Mª Luz Hernández e ABAD, Helena Giné (2002) – Los parques
Culturales de Aragón: un exemplo pionero en la protección y gestión turística de
espacios culturales e naturales, Universidade de Almeria, Espanha.
OUTRAS FONTES
4225