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Alfandega Mnggphy

Este trabalho investiga o papel morfológico de 'o, a, os, as' na frase, focando na sua função e contribuição para a clareza da comunicação entre alunos da 10ª classe da Escola Secundária de Mucumbura. A pesquisa destaca a importância da morfologia na compreensão da língua portuguesa e busca analisar como esses artigos definidos influenciam a estrutura e o significado das frases. O estudo visa melhorar a competência linguística dos alunos, promovendo uma comunicação escrita e falada mais precisa.
Direitos autorais
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Alfandega Mnggphy

Este trabalho investiga o papel morfológico de 'o, a, os, as' na frase, focando na sua função e contribuição para a clareza da comunicação entre alunos da 10ª classe da Escola Secundária de Mucumbura. A pesquisa destaca a importância da morfologia na compreensão da língua portuguesa e busca analisar como esses artigos definidos influenciam a estrutura e o significado das frases. O estudo visa melhorar a competência linguística dos alunos, promovendo uma comunicação escrita e falada mais precisa.
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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Ensino à Distância


Curso de Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

Tema: O papel morfológico de “o, a, os, as” na frase: Caso dos alunos da 10 a classe da
Escola Secundária de Mucumbura, 2023 – 2024, Distrito de Mágoè.

Alfândega Ricardo Tendecai

Tete, Agosto de 2025

i
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Curso de Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

Tema: O papel morfológico de “o, a, os, as” na frase: Caso dos alunos da 10 a classe
da Escola Secundária de Mucumbura, 2023 – 2024, Distrito de Mágoè.

Alfândega Ricardo Tendecai, No 708210064

Monografia apresentada ao Instituto de


Ensino à Distância da Universidade
Católica de Moçambique como requisito
parcial para a obtenção do grau académico
de Licenciatura em Ensino de Português.

Orientado por dr.: António João Baptista

Tete, Agosto de 2025

ii
Índice
Declaração de honra ............................................................................................................................. iv
Agradecimentos ..................................................................................................................................... v
Dedicatória ............................................................................................................................................ vi
Índice de tabelas .................................................................................................................................. vii
Resumo…………………………………………………………………………………………..viii

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1


1. Breve introdução ............................................................................................................................... 1
1.1 Problematização .............................................................................................................................. 2
1.2 Delimitação do estudo .................................................................................................................... 2
1.3 Justificativa da escolha do tema ..................................................................................................... 3
1.4 Relevância do tema ......................................................................................................................... 3
1.5 Objectivos ........................................................................................................................................ 3
1.5.1 Objectivo geral: ............................................................................................................................ 4
1.5.2 Objectivos específicos: ................................................................................................................ 4
1.6 Dificuldades encontradas................................................................................................................ 4
1.7 Questões de pesquisa ...................................................................................................................... 4
1.8 Aspectos éticos ................................................................................................................................ 5
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 6
2.1 Conceitos de palavra e frase ........................................................................................................... 6
2.1.1 Palavra .......................................................................................................................................... 6
2.1.2 Frase .............................................................................................................................................. 6
2.2 Morfologia ....................................................................................................................................... 7
2.3 Artigos ............................................................................................................................................. 9
2.4 Pronomes ....................................................................................................................................... 11
2.4.1 Caracterização dos pronomes .................................................................................................... 12
2.4.2 Pronomes demonstrativos.......................................................................................................... 13

iii
2.5 As preposições .............................................................................................................................. 14
2.5.1 O sistema das preposições espaciais ......................................................................................... 15
2.5.2 As preposições locativas e as preposições direccionais .......................................................... 15
2.5.3 As preposições direccionais a e para ........................................................................................ 16
CAPÍTULO III: METODOLOGIA DO TRABALHO..................................................................... 17
3.1 Classificação da pesquisa ............................................................................................................. 17
3.1.1 Quanto aos procedimentos técnicos.......................................................................................... 17
3.1.2 Quanto aos Objectivos ............................................................................................................... 17
3.1.3 Quanto à abordagem .................................................................................................................. 18
3.1.4 Quanto à escolha do objecto de estudo..................................................................................... 18
3.2 Universo e Amostra da pesquisa .................................................................................................. 18
3.3 Técnicas de colecta de dados ....................................................................................................... 19
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS..................................................... 20
4.1.1 Dados recolhidos por entrevistas dos alunos ........................................................................... 20
4.1.2 Dados recolhidos por entrevistas dos professores ................................................................... 21
4.1.3 Dados recolhidos por questionário aos alunos ......................................................................... 21
CAPÍTULO V: DISCUSSÃO DOS RESULTADOS....................................................................... 24
5.1 Análise morfológica ...................................................................................................................... 27
5.2 Estratégias de ensino para a compreensão da morfologia nos alunos ....................................... 28
CAPÍTULO VI: CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ............................................................... 29
6.1 Conclusão ...................................................................................................................................... 29
6.2 Recomendações ............................................................................................................................. 29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................... 30
ANEEXOS........................................................................................................................................... 32
APÊNDICES ....................................................................................................................................... 34

iv
Declaração de honra

Eu, Alfândega Ricardo Tendecai, declaro por minha honra que esta monografia nunca foi
apresentada para a obtenção de qualquer grau académico e que a mesma, é o resultado do meu
trabalho individual, estando desta maneira indicadas ao longo do texto e nas referências
bibliográficas todas as fontes utilizadas.

Tete, ____ Agosto de 2025

O estudante:
___________________________________
(Alfândega Ricardo Tendecai)

O supervisor:

_________________________________

(dr: António João Baptista)

iv
Agradecimentos
Antes porém, agradeço a Deus pela dádiva da vida, por tudo que Ele fez e tem feito por mim dia
pós-dia.
Em segundo lugar, os meus agradecimentos vão para à minha mulher Alda Rafael que sempre
esteve comigo em todos momentos da gestão financeira, aos meus filhos que aceitaram passar
momentos críticos por dar prioridade aos meus estudos, o meu muito obrigado.
Os agradecimentos vão igualmente a todos os professores do curso de Licenciatura de Língua
Portuguesa e de forma especial ao meu estimado supervisor dr. António João Baptista, que
sempre foi extremamente paciente e incansável, excelente guia e amigo para mim. Foi ele que
ensinou-me a elaborar uma monografia, a honrar compromissos, a ser pontual e íntegro no
trabalho académico.
Agradeço aos meus queridos amigos, Castigo Samuel Mereque, Eutério António Zangado, Alzira
Manuel Gonçalo, Ana Maria Guerra e a todos os meus colegas que participaram comigo nessa
caminhada pelo apoio e dedicação.

v
Dedicatória

A dedicatória vai para à minha mulher Alda Rafael.

Aos meus filhos: Hélcio, Priscila, Periclécia, e Heloísa.

vi
Índice de tabelas

Tabela 1 – Variação de artigos definidos em género e número………………………..……9


Tabela 2 – Emprego dos artigos definidos………………………………………………..….10
Tabela 3 – Pronomes variáveis e invariáveis…………………………………………. ……. 13
Tabela 4 – Amostra de alunos e professores ……………………………………………...….19
Tabela 5: Questões e respostas de entrevista dos alunos……………………………………..20
Tabela 6: Questões e respostas de entrevista dos professores………………………..………21

vii
Resumo

Este trabalho investiga o papel morfológico de “o, a, os, as” na frase – Caso dos alunos da 10ª
classe da Escola Secundária de Mucumbura 2023 – 2024. Entretanto, a análise focará na função
em que essas classes gramaticais desempenham na frase e sua contribuição para a clareza e
precisão da frase.
Importa frisar que a Morfologia estuda a estrutura, a formação e a classificação das palavras. Sua
importância na língua portuguesa reside em sua capacidade de descrever as unidades mínimas de
significado (morfemas) e como elas se combinam para formar palavras, revelando as relações
entre elas e contribuindo para a compreensão da sintaxe e do significado das frases. É preciso
lembrar que as classes de palavras que compõem a morfologia portuguesa são: substantivo,
artigo, adjectivo, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
Dentro dessas classes de palavras, vamos neste trabalho conhecer o lugar que ocupa “o, a, os, as”
na frase.
Vulgarmente, muitos consideram como artigos definidos as expressões “o, a, os, as” visto que o
uso frequente destas, especifica o género e o número dos substantivos e, a sua posição na frase
depende da sua função sintáctica: eles sempre antecedem o substantivo que determinam. A
posição do artigo é fixa em relação ao substantivo, não havendo variação significativa em sua
colocação na frase.
Mas também, além de artigos definidos, podem desempenhar outras funções dependendo do
contexto da frase, podendo valer como pronomes e como preposição.

Palavras-chave: Artigos, Pronomes e Preposição.

viii
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

1. Breve introdução
A morfologia estuda a estrutura interna das palavras e sua classificação em categorias gramaticais
(substantivos, verbos, adjectivos, etc.). Na frase, as palavras se comportam de acordo com sua
função sintáctica (sujeito, predicado, objecto, etc.) e sua relação com outras palavras.
Importa salientar que a análise morfológica de uma frase envolve identificar a classe gramatical
de cada palavra e como essa classe contribui para o significado e a estrutura da frase.
Todavia, o papel morfológico de “o, a, os, as” é crucial, pois essas classes gramaticais por um
lado especificam o substantivo a que se referem, contextualizando-o dentro da frase. Eles indicam
se o substantivo é singular ou plural e, dependendo do contexto, podem até mesmo influenciar a
interpretação semântica da frase; por outro lado, podem substituir o nome e no caso de a pode
ligar os dois termos da oração numa frase, valendo como uma preposição.
Pretende-se com este trabalho compreender a função morfológica de “o, a, os, as” nas frases
produzidas pelo professor bem como pelos alunos da Escola Secundária de Mucumbura,
indicando a sua estrutura e importância para a interpretação do significado. Após a compreensão
dos termos na frase, far-se-á a análise morfológica das frases em diferentes contextos.
Vale salientar que a temática foca na análise morfológica de palavras específicas em uma frase,
extraída de um contexto específico (alunos da 10ª classe). Isso permite uma investigação
detalhada da estrutura interna das palavras, suas classes gramaticais e como elas se combinam
para formar significado. A análise morfológica é fundamental para a compreensão da gramática e
para o desenvolvimento da escrita correcta e precisa nos alunos.
O trabalho, apresenta seis (6) capítulos nomeadamente: (i) a introdução, (ii) a revisão da
literatura, (iii) a metodologia de pesquisa, (iv) apresentação e análise de dados; (v) a discussão
dos resultados e, (vi) a conclusão e recomendações.

1
1.1 Problematização
Compreender o papel morfológico de “o, a, os, as” na frase em português é fundamental para a
construção de frases gramaticalmente correctas e para a clareza da comunicação.
Na actualidade, temos notado muitos alunos a enfrentar dificuldades em classificar palavras
morfologicamente, prática esta que cria deficiência nos alunos actuais no concernente à
classificação morfológica.
Aprofundando mais, verificamos que diversos factores contribuem para a dificuldade de alguns
alunos em classificar correctamente palavras quanto à morfologia, sendo que destacamos: a falta
de familiaridade com a estrutura da língua portuguesa, incluindo a análise sintáctica e semântica
das palavras; a abordagem pedagógica utilizada pelo professor, a metodologia de ensino,
qualidade dos materiais didácticos, dificuldades de aprendizagem, falta de atenção e motivação.
Porém, com vista a apurarmos a veracidade destas situações, formulamos a seguinte pergunta de
partida:
 Qual o papel morfológico de (‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’) nas frases produzidas pelos alunos da
10ª classe da escola secundária de Mucumbura, 2023 – 2024?

1.2 Delimitação do estudo


O presente estudo trata sobre o papel morfológico de “o, a, os, as” na frase: Caso dos alunos da
10a classe da Escola Secundária de Mucumbura, 2023 – 2024, Distrito de Mágoè.
O estudo sobre o papel morfológico de “o, a, os, as” abrange todos os alunos da 10 a classe e vai
ser desenvolvido no período da tarde. Os dados serão colectados por meio de observação,
entrevista e questionário e serão analisados através de método qualitativo.
O estudo contribui para o desenvolvimento da competência linguística dos alunos e os resultados
do estudo do papel morfológico de “o, a, os, as” em alunos da 10a classe do ensino secundário,
servirão para aprimorar a compreensão da gramática portuguesa e a capacidade de escrita e
leitura.
No entanto, compreender a função desses termos na construção de frases e na definição de género
e número dos substantivos é fundamental para uma comunicação escrita e falada mais precisa e
eficaz. A análise morfológica contribui para o desenvolvimento de habilidades linguísticas mais
sofisticadas, essenciais para o sucesso académico e profissional.

2
1.3 Justificativa da escolha do tema
A escolha deste tema foi por interesse pessoal que tanto inspirei-me na morfologia das palavras
do português, e que a mesma, justifica-se pela importância do estudo da morfologia para a
compreensão da língua portuguesa. As classes gramaticais “o, a, os, as” são elementos essenciais
da estrutura frásica, e sua análise contribui para o desenvolvimento da competência linguística
dos alunos. A frase escolhida serve como um exemplo prático para a aplicação dos conceitos
morfológicos.

1.4 Relevância do tema


A relevância do tema “o papel morfológico de ‘o, a, os, as’ na frase” para alunos da 10ª classe da
Escola Secundária de Mucumbura reside na sua contribuição para o desenvolvimento de
habilidades linguísticas essenciais.
Relevância académica: A compreensão da morfologia, o estudo da forma das palavras e como
elas se combinam para formar frases, é fundamental para a escrita e leitura eficazes.
A análise da função de ‘o, a, os, as’ na frase permite uma compreensão mais profunda da sintaxe
e da semântica da língua portuguesa. Dominar o uso de ‘o, a, os, as’ contribui para a produção de
textos mais coesos, coerentes e gramaticalmente correctos. Isso é crucial para o sucesso
académico, pois a escrita é uma ferramenta fundamental em todas as disciplinas.
Relevância para os alunos: Para os alunos, o estudo aprofunda o conhecimento gramatical,
melhorando a capacidade de análise sintáctica e a escrita. A compreensão do papel morfológico
dessas palavras permite uma maior precisão e clareza na comunicação escrita e oral.
Relevância para o pesquisador: Para o pesquisador, a pesquisa pode gerar novas perspectivas
sobre a aquisição e o uso da língua portuguesa, contribuindo para o avanço da linguística aplicada
à educação. Os resultados podem informar o desenvolvimento de materiais didácticos mais
eficazes.

1.5 Objectivos
Libâneo (2013) discursa sobre a importância dos objectivos, citando que “a prática educacional
tem por finalidade alcançar os objectivos sistematizados propostos pelo docente e que tais
objectivos educacionais têm por propósito desenvolver as demais qualidades que os indivíduos
possuem”, (p.132).
3
1.5.1 Objectivo geral:
 Analisar o papel morfológico de “o, a, os, as” na frase, identificando sua função
gramatical.

1.5.2 Objectivos específicos:


 Descrever a função gramatical de “o, a, os, as” na frase;
 Analisar a contribuição semântica de “o, a, os, as” para a compreensão da frase;
 Avaliar a importância do uso correcto de “o, a, os, as” para a clareza da comunicação.

1.6 Dificuldades encontradas


Durante a realização de qualquer pesquisa, sempre existe algumas dificuldades encaradas ao
longo do trabalho e, este, não foge a regra. Sendo assim, algumas das dificuldades constituem:
 Assinatura tardia da credencial por parte do Director da Escola devido ausências
motivadas por assegurar por um lado o cargo de chefe do posto em que o Director
Adjunto da Escola recusava assinar e dizia para aguardar o director.
 Insuficiência de tempo para entrevistar todos os alunos e observar a aula de todos numa
turma.
 O maior domínio da língua local para alunos nativos faz com que estes, em alguns casos
tenham dificuldades em compreender a Língua portuguesa, fracassando desta maneira a
aprendizagem destes.
 À precisão na definição da função gramatical de “o, a, os, as” em um contexto específico
por parte dos alunos.

1.7 Questões de pesquisa


 Qual a função gramatical de “o, a, os, as” na frase?
 Qual a contribuição semântica de “o, a, os, as” para a compreensão da frase?
 O uso correcto de “o, a, os, as” na frase, influencia na clareza da comunicação? Como?

4
1.8 Aspectos éticos
A ética surge no momento em que nós percebemos quais as consequências que nossos a ctos
poderão causar para as outras pessoas e a sociedade, ou até para nós mesmos. Esses actos podem
ser bons ou ruins e isso é o que vai determinar se o nosso comportamento é verdadeiramente
ético, conforme os nossos valores e princípios.
Dubrin (2003) define a ética como “ [...] as escolhas morais que uma pessoa faz e o que essa
pessoa deveria fazer”, (p.69) é quando transformamos nossos valores em acção.
Todavia, inerente a este aspecto, levou-se em consideração marcar presença no local de trabalho
de forma pontual e assídua através da apresentação da credencial emitida pelo IED.
Outro aspecto considerado foi o uso de todas informações de forma fidedigna e que estas,
asseguradas pela citação dos autores de onde os dados foram extraídos.
De forma a assegurar as questões éticas, optamos por anonimato das fontes, pedido de permissão
do acesso as fontes e a confidencialidade das informações através da codificação dos dados como
apresentados na análise e interpretação dos resultados.

5
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA
Neste capítulo procede-se a revisão da literatura que, constitui a base fundamental deste presente
trabalho. Esta, aborda cinco (5) capítulos nomeadamente: (i) conceitos de palavra e frase, (ii)
morfologia, (iii) artigos, (iv) pronomes e (v) preposições.
De referir que na primeira abordagem trazemos autores como Câmara Jr. (2002), Cunha & Cintra
(2010), Infante (2001), Azeredo (2004) e Perini (2004).
Na segunda abordagem: Desu (2009), Rosa (2000), Cegalla (2008), Ilari & Basso (2006). O autor
Sarmento (2005) e (2009) apenas trata sobre artigos. Na quarta abordagem, Ribeiro et all (2010),
Pinto & Lopes (2014), Raposo et all (2013), Cunha & Cintra (2014) e (2008), Queixote (2013) e
Bechara (2004) e, na última abordagem, temos os autores Matos et all (2013), Cunha & Cintra
(2005) e (1999), e Raposo et all (2013).
Começamos pelo conceito de palavra e frase, seguida da morfologia, artigos, pronomes e
preposições respectivamente.

2.1 Conceitos de palavra e frase

2.1.1 Palavra
O conceito de palavra é muito debatido nos estudos linguísticos de diferentes áreas. Embora
todos os falantes consigam reconhecer palavras da sua língua, a definição desse termo não
apresenta essa mesma facilidade. O facto é que os conceitos de palavra a que chegamos em geral
parecem incompletos.
Câmara Jr. (2002), o introdutor do conceito de formas dependentes na língua, define palavra
como vocábulo com significação externa concentrada no radical, ou seja, constituída de
semantema.
Nas gramáticas tradicionais, constam definições para palavra ou vocábulo como: “unidades de
som e significado, menores que a frase e maiores que o fonema” (Cunha & Cintra, 2010, p.89).
Muitas pessoas, informalmente, definem palavra como “uma unidade portadora de significado”.
De facto, a palavra carrega um significado, mas não só ela: toda unidade linguística transmite
significado, desde o morfema até a sentença.

2.1.2 Frase
6
Inerente ao termo frase, Infante (2001) define – o pelo seu propósito comunicativo, ou seja, “pela
sua capacidade de, num intercâmbio linguístico, ser capaz de transmitir um conteúdo satisfatório
para a situação que é utilizada”, (p. 412).
Entretanto, de acordo Azeredo (2004) costumamos entender por frase “a menor enunciação
verbal suficiente para a expressão de um acto comunicativo, seja ela uma interjeição, seja um
período”, (p. 66).
Nas demais obras, o conceito de frase não é dado directamente, ou é dado por citação de outro
autor. Neste caso, especificamente, nas duas obras em que isso ocorre, as duas fazem,
coincidentemente, a mesma referência a Mattoso Câmara.
Nicola e Infante (2001) definem-a como uma “unidade de comunicação linguística, caracterizada,
como tal, do ponto de vista comunicativo – por ter um propósito definido e ser suficiente para
defini-lo, e do ponto de vista fonético – por uma entonação, que lhe assinala nitidamente o
começo e o fim”, (p. 243).
No mesmo fio de pensamento, Perini (2004) afirma que esta é “a unidade de comunicação
linguística, caracterizada”…] do ponto de vista comunicativo – “por ter um propósito definido e
ser suficiente para defini-lo” –, e do ponto de vista fonético – “por uma entoação”…+ que lhe
assinala nitidamente o começo e o fim (p. 61).

2.2 Morfologia
Especificamente dentro de Língua Portuguesa, Deus (2009) assevera que:

Morfologia é a parte da gramática que estuda as classes e as formas das palavras, os seus
paradigmas de flexão e os processos de formação de novos vocábulos e dentro da
linguística é uma disciplina que descreve e analisa a estrutura interna das palavras, bem
como os processos de formação e variação de palavras.

Ainda dentro da Linguística, no nível de análise morfológica são encontradas duas unidades
formais: a palavra e o morfema.
Segundo Rosa (2000), “o termo forma pode ser tomado, num sentido amplo, como sinónimo de
plano de expressão, em oposição a plano de conteúdo”, (p.15).
Nesse caso, a forma compreende dois níveis de realização: os sons, destituídos de significados,
mas que se combinam e formam unidades com significado; e as palavras, as quais, por sua vez,
têm regras próprias de combinação para a composição de unidades maiores.

7
Na Língua Portuguesa as palavras são classificadas de acordo com o papel que exercem dentro da
frase. Nela, há dez classes de palavras, classificação que acontece de acordo com as funções
exercidas nas orações.
As seis primeiras são variáveis, ou seja, flexionam-se em género, número, etc. e as quatro últimas
são invariáveis (Cegalla, 2008).
Qualquer vocábulo em língua portuguesa vai ter de estar inserido em uma dessas dez classes de
palavras, que são: substantivo, artigo, adjectivo, verbo, advérbio, pronome, numeral, conjunção,
preposição, interjeição.
Segundo Ilari e Basso (2006), “o estudo das classes de palavras nos dá a constatação de que há
em toda língua, conjuntos numerosos de palavras que possuem as mesmas propriedades
morfológicas e sintácticas e, portanto, podem ser descritas da mesma maneira”, (p.108).
Com relação à formação de palavras, a morfologia pode ser flexional ou derivacional.
Todavia, “enquanto a primeira diz respeito a flexão de género e número a segunda estuda os
processos de formação de palavras que se baseiam na aplicação de prefixos e sufixos às raízes
previamente disponíveis na língua”, (Ibidem, p. 103).
No entanto, o profissional que escolhe o curso de especialização em Língua Portuguesa, muito
provavelmente actua na área de educação e tanto por isso precisa conhecer profundamente as
divisões da gramática como morfologia, semântica e sintaxe, dentre outras, não para aplicá -la na
sala de aula de acordo com a gramática tradicional, mas para ter embasamento ao mediar o
conhecimento do seu aluno e ajudá-lo a desenvolver as competências de fala e escrita, tornando o
processo ensino-aprendizagem além de efectivo, agradável.
Falamos inicialmente sobre a morfologia derivacional e flexional. Esse é outro ponto importante
dentro da morfologia e diz respeito ao processo de formação da palavra, que pode acontecer por
derivação ou composição.
Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra
já existente, chamada primitiva, sendo vários os tipos de derivação. Já a composição é o processo
que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais.
Existem dois tipos de composição de palavras: justaposição e aglutinação (SOPORTUGUES,
2009).
No entanto, as explicações anteriores deixam bem claro a importância do estudo da estrutura da
palavra visando sua função semântica, e sendo o professor, um mediador em todo processo de
8
construção do conhecimento do aluno, dominando o conteúdo e tendo estímulos para ensinar seus
alunos, o sucesso no processo ensino-aprendizagem tende a acontecer de maneira prazerosa.

2.3 Artigos
Os artigos representam a classe de palavras que precedem o substantivo de forma que
determinam seu número (singular ou plural) e seu género (feminino ou masculino).
Dessa maneira, “os artigos representam elementos essenciais na construção das frases, visto que
mantêm a coesão no texto e ainda, destacam algumas de suas particularidades”, (Sarmento, 2005,
p.145).
Os artigos são classificados em: Artigos definidos (o, a, os, as) e Artigos indefinidos (um, uma,
uns, umas).

Artigos Definidos (o, a, os, as): são palavras que determinam o substantivo de forma precisa. Os
artigos definidos, como o próprio nome indica, definem ou individualizam os substantivos, seja
uma pessoa, objecto ou lugar.
Artigos Indefinidos (um, uma, uns, umas): são termos que determinam o substantivo de forma
imprecisa.
Porém, segundo as definições apresentadas acima, os artigos definidos são o epicentro do nosso
estudo. Eis a tabela abaixo:

Tabela 1 – Variação de artigos definidos em género e número


Artigo definido Género Número
o masculino singular
a feminino singular
os masculino plural
as feminino plural
Fonte: o autor (2025)

Exemplos:
- O garoto foi jantar na casa dos pais;
- Ganhamos a bicicleta que esperávamos;
9
- Luísa aproveitou para rever os amigos;
- As meninas foram viajar.
Em todos os exemplos, podemos notar a precisão de tais pessoas ou objectos pelo emprego
correcto do artigo definido. Isso porque ele determina de maneira exacta o substantivo em
questão: o garoto, a bicicleta, os amigos e as meninas.
Assim, fica claro que o artigo definido indica de modo particular o substantivo já conhecido.
Note que estes estão presentes no texto ou no pensamento do locutor (emissor, autor) ou do
interlocutor (receptor, ouvinte), (Sarmento, 2009).

Tabela 2 – Emprego dos artigos definidos


A utilização dos artigos na frase deve seguir as regras gramaticais, é assim que abaixo,
apresentamos as regras a seguir no emprego dos artigos:
Regras dos Artigos Exemplos
Os artigos sempre devem concordar com a menina – as meninas;
substantivo em género (masculino e feminino) o garoto – os garotos;
e número (singular e plural).
Os artigos podem ser combinados com O texto é dedicado aos pais.
preposições. Vou à escola todas as manhãs.
ao/aos (a+ o/os) Ganhamos muitos presentes da Inês.
à/às (a+ a/as) Os móveis eram dos nossos avós.
da/das (de+ a/as) O colar está nas coisas da Sónia.
do/dos (de+ o/os) Encontramos o anel no corredor.
na/nas (em+ a/as)
no/nos (em+ o/os)
De acordo com sua posição na frase, os artigos O andar de Elisa é muito sensual. (o verbo
podem transformar qualquer tipo de palavra em “andar” transforma-se em substantivo);
substantivo, independentemente de sua classe O vermelho de seus olhos indicou sua tristeza.
gramatical. (o adjectivo “vermelho” transforma-se em
substantivo)
Os artigos definidos podem ser empregados A alma é imortal. (refere-se ao conjunto de

10
com o intuito de indicar um conjunto de seres almas);
ou uma espécie inteira. Dessa forma, o artigo é A goiaba é muito rica em vitamina C. (faz
empregado no singular, entretanto, faz referência à todas as goiabas)
referência a uma pluralidade de seres.
Adaptado pelo autor (2025)

2.4 Pronomes
Etimologicamente, o termo pronome deriva do latim ‘pronomen’ que significa (‘pro’ = na vez de,
e ‘nomen’ = nome), logo, “pronome é a palavra que se emprega em vez de um nome”, (DILP,
2009, p.1340) ou “pronome pode ser a palavra que é usada anaforicamente, substitui ou remete
para o nome, adjectivo, sintagma, frase empregados no mesmo enunciado ou em enunciados
anteriores”, (DLPC, 2001, p.2980).
O pronome também pode ser uma classe de palavra variável, por vezes, em género e número, ou
pessoa, género e número, ou ainda, “em caso”, (Ribeiro et all, 2010, p.203) que serve para
substituir as pessoas que são três: “a primeira, a que fala (eu e nós), a segunda, com quem se fala
(tu e vós) e a terceira de quem se fala (ele, ela, eles e elas) ”, (António Houaiss et all, 2003,
p.2994).
Consequentemente, pronome pode ser uma palavra que representa um nome, um termo usado
com a função de um nome, um adjectivo ou toda uma oração que a segue ou a antecede; “tipo de
sintagma nominal que não possui interpretação referencial própria, recebendo-a da situação ou de
um outro sintagma nominal”, (Ibidem, p. 2994).
O conceito de pronomes pessoais varia de gramática para gramática, ou seja, de autor para autor,
por exemplo, “na Gramática do Português Moderno, os pronomes pessoais são aqueles que
indicam as pessoas referenciadas na fala, bem como o número gramatical”, (Pinto & Lopes,
2014, p.139). .
Na Gramática Tradicional, o pronome oblíquo pode ser considerado qualquer forma do pronome
pessoal à excepção do que desempenha a função de sujeito.
Assim, o pronome oblíquo subdivide-se por átono que seria a sílaba que não tem acento tónico;
“sem som; enfraquecido, debilitado”. Considera-se átono: junto do verbo, clíticos, sem sílaba
tónica.

11
E pronome pessoal tónico: “com sílaba tónica, podendo estar afastado do verbo”, (Cunha &
Cinta, 2014, pp.352-354).
Existem ainda muitos gramáticos que consideram, para além dos complementos directos e
indirectos, também o complemento oblíquo.

2.4.1 Caracterização dos pronomes


De acordo com Queixote (2013), “os pronomes pessoais podem ser distinguidos pela função que
desempenham na oração, podendo ser rectos (sujeito) e oblíquos (complemento directos,
complemento indirectos, complemento circunstancial ou agente da passiva) e pela acentuação
(átono e tónico) ”, (p.100).
Sendo assim, existem várias formas de se descrever os pronomes pessoais.
Assim, Cunha e Cintra (2014) “referem que os pronomes pessoais podem caracterizar-se em três
perspectivas”, (pp. 354-355):
 Por denotarem as três pessoas gramaticais, isto é, por terem a capacidade de indicar no
discurso:
a) Quem fala…1ª Pessoa: eu (singular), nós (plural)
b) Com quem se fala…2ª Pessoa: tu, você (singular), vós, vocês (plural)
c) De quem se fala…3ª Pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural)
 II. Por poderem representar, quando na 3.ª pessoa, uma forma nominal anteriormente
expressa. Exemplo:
a) O António e o Jody são irmãos [(Eles são irmãos – eles, substitui António e Jody)].
b) Levantaram Dona Rosária [(Levantaram-na – na, substitui Dona Rosária)].
 III. Por variarem de forma, segundo:
a) A função que desempenham na oração;
b) Acentuação que nela recebem.
Entretanto, é notório verificar nas formas acusativa e dativa dos pronomes a combinação nas
contracções mo, ma, mos, mas oriundas da adição entre as formas (me + o, a, os, as), to, ta, tos,
tas, (te + o, a, os, as) e lho, lha, lhos, lhas (lhe ou lhes + o, a, os, as).
Um fenómeno que os gramáticos designam por apócope do pronome dativo nas 1ª e 2ª pessoas do
plural, “associada ao pronome acusativo por meio de hífen as formas no-lo, no-la, no-los, no-las,
vo-lo, vo-la, vo-los, vo-las”, (idem).
12
Consequentemente, quanto à acentuação, os autores afirmam que os pronomes nos casos
nominativos e oblíquos são tónicos; nos casos acusativos e dativos são átonos. Dessa forma eles
podem ser:
 Nominativos
Exemplo: eu, tu, ele…;
 Pronomes oblíquos átonos
Exemplo: me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes;
 Pronomes oblíquos tónicos
Exemplo: mim, comigo, ti, contigo, nós, connosco, vós, convosco, ele, ela, eles, elas.

2.4.2 Pronomes demonstrativos


Cunha e Cintra (2008) afirmam que, “os pronomes demonstrativos situam a pessoa ou à coisa
designada relativamente às pessoas gramaticais, e ainda podendo situá-las no espaço e no tempo”,
(p.342).
Ainda para esses autores, os pronomes demonstrativos são caracterizados fundamentalmente pela
sua função deíctica, anafórica, ou catafórica.
Para Bechara (2004), os pronomes demonstrativos “indicam a posição dos seres em relação às
pessoas do discurso. Essa localização pode ser no tempo, no espaço ou no discurso”, (p.167).
Estes, apresentam duas formas: variáveis e invariáveis, conforme a tabela abaixo.

Tabela 3 – Pronomes variáveis e invariáveis


Formas variáveis
Singular Plural
Masculino Masculino
este, esse, aquele estes, esses, aqueles
Feminino Feminino
esta, essa, aquela estas, essas, aquelas
Formas invariáveis (neutras)
isto, isso, aquilo
Fonte: o autor (2025)

13
Além disso, todos os demonstrativos se contraem com as preposições de e em, dando origem às
formas:
 Preposição de – deste (s), desta (s), disto, desse (s), dessa (s), disso, daquele (s), daquela
(s), daquilo.
 Preposição em – neste (s), nesta (s), nisto, nesse (s), nessa (s), nisso, naquele (s), naquela
(s), naquilo.
Igualmente os pronomes demonstrativos aquele (s), aquela (s) e aquilo também se contraem com
a preposição a, dando origem às formas: àquele (s), àquela (s), àquilo.

2.5 As preposições
Não é fácil encontrar uma definição consensual sobre a noção de preposição.
Alguns gramáticos, como Cunha e Cintra (2005), por exemplo, preferem usar uma definição
relacional, ao afirmarem que as “preposições são palavras invariáveis que relacionam dois termos
de uma oração, de tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado ou completado
pelo segundo (consequente) ”, (p.551) como em:
- Vou a Maputo.

Na mesma linha de Cunha e Cintra (1999) encontramos a gramática de Matos et all (2013), ao
explicar que “a preposição é uma palavra invariável que relaciona dois termos de uma oração”,
(p.34).
Vista desta forma, esta definição parece-nos que não prevê que uma preposição possa introduzir
uma oração. Ou seja, que a relação entre as palavras não se situa, apenas, a nível de orações,
como também podem acontecer a nível inter-oracional, como em:
(a). Até que eles decidam, fico ansiosa.
(b). Para que tudo ocorresse bem, houve muito trabalho.

Raposo et all (2013) usam uma definição funcional, afirmando que as preposições “são palavras
invariáveis e geralmente monossilábicas, cuja função consiste em estabelecer uma relação
sintáctica e semântica entre expressões”, isto é, “ligam os termos da oração”, (p.1497) e dão o
seguinte exemplo:
- O Pedro voltou para o seu escritório tarde.
14
- Vieram à festa vários amigos do meu irmão.
- Eu fiquei contente com o seu comportamento.
- A reunião realizou-se paralelamente ao encontro.

2.5.1 O sistema das preposições espaciais


Segundo Raposo et all (2013), “as preposições simples com valor espacial básico são a, de, em,
para e por”, (p.1541).
Estas preposições relacionam uma entidade com um lugar no qual se encontra, ou do qual ou para
o qual se move. Nas palavras destes autores, são estas preposições que possuem um sentido mais
geral no domínio espacial, na medida em que podem ser usadas independentemente da concepção
do espaço como uma superfície ou como um volume, e independentemente da orientação do
movimento. Refira-se que são estas as preposições que, igualmente, co-ocorrem com os verbos
de movimento e de espaços.

2.5.2 As preposições locativas e as preposições direccionais


Apesar de termos referenciado anteriormente que há 5 preposições básicas — a, de, em, para e
por —, não quer isso significar que elas possuam o mesmo comportamento. A preposição em,
por exemplo, opõe-se às restantes preposições por representar uma localização espacial estática
de uma entidade, no lugar que ocupa. Por sua vez, as preposições a, de, para e por representam
um movimento direccional dinâmico, perspectivado de forma diferente, de acordo com o tipo de
preposição.
E, as preposições que indicam um movimento direccional dinâmico são chamadas preposições
direccionais. Estas preposições podem marcar o lugar de origem do movimento (de), o lugar final
do movimento (a) e (para) e um lugar intermediário de trajecto entre o lugar de origem e o lugar
final (por), como atestam as frases que se seguem:
(a) Estou em Maputo a gozar as minhas férias.
(b) Regressei de Tete ontem.
(c) Vou a Londres no próximo mês.
(d) Vou trabalhar para Tete para o ano.
(e) Passei pelo mercado, quando ia à Escola.

15
2.5.3 As preposições direccionais a e para
As preposições a e para são ambas direccionais e marcam um constituinte com o valor de
destino. A preposição a é usada, geralmente, em português para marcar deslocações curtas a um
lugar. Nessa deslocação pressupõe-se um regresso rápido ao lugar de origem, como em:
- Vou ao mercado. - Vou a escola.

Já a preposição para é usada para marcar deslocações de duração longa ou extensa ou, ainda,
quando não há qualquer previsão de regresso breve ao lugar de origem, como em:
- Vou viver para Tete.

Estamos aqui a tentar dizer que, a preposição a não pode ser usada com o valor estável em vez de
para. Portanto, se quisermos exprimir, com o verbo ir, por exemplo, a noção de uma viagem
duradoura ou sem regresso rápido só podemos usar a preposição para. Lembre-se, no entanto,
que a preposição para pode também ter um valor estático, sobretudo, na linguagem coloquial, em
circunstâncias em que não se pretende, exactamente, o lugar, como em:
- O Paulo vive lá para a zona de Missawa.

16
CAPÍTULO III: METODOLOGIA DO TRABALHO
Neste capítulo do trabalho, vamos apresentar os procedimentos metodológicos, usados para a sua
caracterização.
Porém, um trabalho de investigação tem uma metodologia própria que deve ser apresentada de
forma ordenada, levando à aquisição de resultados. A pertinência de um método deve ser
avaliada à luz do objecto da pesquisa. Ela depende do seu contexto de utilização, dos objectivos
determinados para a pesquisa e, mais globalmente, da questão a ser tratada.

3.1 Classificação da pesquisa

3.1.1 Quanto aos procedimentos técnicos


Quanto aos procedimentos técnicos, a presente pesquisa é bibliográfica. É com base desta técnica
que o pesquisador conseguiu trazer os contornos da matéria na revisão da literatura.
Porém, a pesquisa bibliográfica, considerada uma fonte de colecta de dados secundária, pode ser
definida como: contribuições culturais ou científicas realizadas no passado sobre um determinado
assunto, tema ou problema que possa ser estudado (Lakatos & Marconi, 2001; Cervo & Bervian,
2002).
Para Lakatos e Marconi (2001, p. 183), a pesquisa bibliográfica:

“[...] abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado, desde
publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses,
materiais cartográficos, etc. [...] e sua finalidade é colocar o pesquisador em contacto
directo com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto [...] ”.

3.1.2 Quanto aos Objectivos


O presente estudo, quanto aos objectivos, trata de uma pesquisa exploratória. Neste caso, o
objectivo do pesquisador baseou-se em explorar as ideias dos alunos com vista a medir o nível de
capacidade dos mesmos em relação à matéria em estudo.
Este tipo de pesquisa tem como objectivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com
vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses.
A grande maioria dessa pesquisa envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com
pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e (c) análise de exemplos
que estimulem a compreensão (Gil, 2007).
17
3.1.3 Quanto à abordagem
Quanto à abordagem, a pesquisa é qualitativa. Esta, é entendida, por alguns autores, como uma
“expressão genérica”. Isso significa, por um lado, que ela compreende actividades ou
investigação que podem ser denominadas específicas.
Assim, a pesquisa qualitativa, segundo Bogdan e Biklen (2003) envolve a obtenção de dados
descritivos, obtidos no contacto directo do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o
processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes.

3.1.4 Quanto à escolha do objecto de estudo


Quanto à escolha do objecto de estudo, trata-se de um estudo de caso que, segundo Yin (2001), o
estudo de caso “é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo dos factos e objectos de
investigação, permitindo um amplo e pormenorizado conhecimento da realidade e dos fenómenos
pesquisados” (p.33).
“Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenómeno contemporâneo
dentro do seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e o
contexto não estão claramente definidos” (Ibidem, p.33).

3.2 Universo e Amostra da pesquisa


População (ou universo da pesquisa) é a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas
características definidas para um determinado estudo.
De acordo com Gil (2012), “amostra é um subconjunto do universo ou da população, por meio do
qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população” (p.90).
A amostra pode ser probabilística e não-probabilística. Assim, optámos neste estudo por fazer
uma amostra não-probabilístico acidental. Este tipo de amostra implica que a sua composição
seja feita por pessoas que vão aparecendo por acaso. Não foi exactamente o que aconteceu. O que
fizemos foi uma petição de um grupo de estudantes, previamente seleccionado de forma aleatória.
Assim sendo, o universo do nosso trabalho vai englobar trezentos e dezassete (317) estudantes,
isto é, todos os estudantes da 10ª classe da Escola Secundária de Mucumbura, do curso diurno e
dois (2) professores da Língua Portuguesa. E a nossa amostra é de cinquenta e seis (56) alunos da
10ª classe e dois (2) professores da escola em estudo.
18
Tabela 4 – Amostra de alunos e professores
Elementos da pesquisa H M HM Técnicas de colecta de dados
Alunos 26 30 56
Professores 2 2 Entrevista, Observação e
Total 28 30 58 Questionário
Fonte: O autor (2025)

3.3 Técnicas de colecta de dados


As técnicas de recolha de dados consistem em colocar um conjunto de inquiridos, geralmente
representativos de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social,
profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões
humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um
acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse aos
investigadores.
No entanto, o presente estudo foi feito através de três técnicas: a entrevista semi-estruturada, a
observação directa e o questionário.
 A entrevista semi-estruturada – “inclui perguntas fechadas e directas e um número
pequeno de perguntas abertas, dando liberdade ao entrevistado”, (Cervo & Bervian, 2002,
p.27).
 A observação directa – “é caracterizada pela observação em que o pesquisador tem
acesso directo ao fenómeno a ser observado”, (Ibidem, p.27).
Para esses autores, a observação é vital para o estudo da realidade e de suas leis. Sem ela, o
estudo seria reduzido a “ [...] à simples conjectura e simples adivinhação”.
 Questionário – os questionários são formados de uma série de questões que serão
submetidas a um determinado grupo de pessoas a fim de se obter informações específicas
sobre um determinado assunto (Fachin, 2006).
Para o presente estudo, usamos as questões preferenciais. Estas, buscam avaliar a opinião de
alguma condição ou circunstância que tem relação com a problemática da pesquisa.

19
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS
Neste capítulo são apresentados os dados recolhidos da entrevista pelos alunos e professores; do
questionário somente pelos alunos e da observação de todos, dados estes que serviram de base
para o desenvolvimento deste trabalho.
Vale salientar que foram inquiridos por entrevista vinte e oito (28) alunos onde responderam três
perguntas objectivas e para os dois (2) professores, responderam duas perguntas objectivas e
mesmo número de perguntas subjectivas; e, por questionário, vinte e oito (28) alunos, onde estes,
indicaram e descreveram o papel morfológico dos termos em estudo e posteriormente fizeram a
análise morfológica da frase. De referir que os alunos executaram o questionário por meio de
fichas que foram distribuídas aos mesmos.
A selecção para os alunos foi aleatória. A observação consistiu em observar atentamente o
ambiente dos alunos quanto à assimilação da matéria em estudo, à sua fluidez e eficácia, bem
como a aula apresentada pelos professores.
O estudo levou três dias para a sua execução, onde no primeiro dia apenas foi o de observação do
ambiente escolar e dos alunos e da entrevista dos envolvidos na pesquisa, nos dois últimos dias
foram de resolução de exercícios de forma a avaliá-los.

4.1.1 Dados recolhidos por entrevistas dos alunos

Tabela 5: Questões e respostas de entrevista dos alunos


Questões Respondentes Respostas
28 SIM
1. Já ouviu falar da Morfologia? NÃO
15 SIM conheço
2. Conhece as classes de palavra? 3 NÃO conheço
10 Conheço POUCO
3. Usa as classes de palavra na sua 21 SIM uso
comunicação diária? 3 NÃO uso
4 Uso POUCO
Fonte: O autor (2025)
Conforme os dados apresentados acima, apesar de todos inquiridos responderem que já ouviram
falar da morfologia, nem todos que conhecem as classes de palavras mas afirmamos que os
mesmos, usam-as na sua comunicação diária, e os que responderam que usam pouco, ora não

20
usam, é por falta de conhecimento dessas classes visto que durante a comunicação diária, são
várias classes empregues na fala de um indivíduo.

4.1.2 Dados recolhidos por entrevistas dos professores

Tabela 6: Questões e respostas de entrevista dos professores


Questões Respondentes
1. Muitos reconhecem os termos “o, a, os, as” 1: Apesar de serem artigos, podem
como artigos definidos. Para o senhor desempenhar outras funções como pronomes
professor, qual a sua posição no que tange ao pessoais do caso oblíquo e somente o “a”
papel morfológico desses termos? como preposição.

2: Podem servir como pronomes


demonstrativos quando ligados ao que e de.
2. Os termos “o, a, os, as” tem alguma 1: SIM NÃO
contribuição semântica para a compreensão da
frase? 2: SIM NÃO

3. O uso correcto dos termos em estudo na 1: SIM NÃO


frase, pode influenciar na clareza da
comunicação?
2: SIM NÃO

4. Como é que o uso de “o, a, os, as” 1: o uso de “o, a, os, as garante a clareza,
adequadamente pode tornar clara a evitando assim, interpretações erradas.
comunicação? 2: A concordância de “o, a, os, as” na frase é
importante para uma comunicação eficaz, pois
a omissão destes, pode dificultar a
compreensão da mensagem.
Fonte: O autor (2025)
Quando indagamos aos professores sobre o uso dos termos “o, a, os, as”, este deram seu
contributo afirmando que os termos desempenham várias funções, não apenas como artigos,
como também pronomes pessoais do caso oblíquo, pronomes demonstrativos e somente para (a)
como uma preposição. Asseguram igualmente que os termos em estudo, tem alguma contribuição
semântica, desde que o uso correcto destes influencie na clareza da comunicação.

4.1.3 Dados recolhidos por questionário aos alunos

21
Como dissemos antes, que no questionário foram abrangidos vinte e oito (28) alunos e, destes,
apenas oito (8) é que responderam correctamente conforme ilustram os dados abaixo:

Porém, os restantes vinte (20) alunos, responderam erradamente conforme os seguintes


resultados:

22
Todavia, notamos que existem sérios problemas por parte dos alunos na identificação correcta
das classes de palavra e na análise morfológica das mesmas. Referente aos problemas, os alunos
dizem não ter uma conexão profunda com a matéria o que constituem novidades para eles e, do
princípio eles já estudaram os termos nas classes anteriores somente como artigos definidos. Para
os professores, alegam maior causa a falta de biblioteca que disponibilize materiais didácticos
adequados à matéria em estudo. Para mim como pesquisador notei que o problema surge pela
falta da familiaridade com a estrutura da Língua portuguesa e pela falta da explicação teórica
clara, isto é, o professor não apresenta conceitos básicos de morfologia, como as diferentes
classes de palavras (substantivos, verbos, adjectivos, advérbios) de forma clara e acessível,
usando exemplos do quotidiano para facilitar a compreensão nos alunos.

23
CAPÍTULO V: DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Neste capítulo vamos confrontar os dados colectados no capítulo anterior e, começamos pelos
dados de observação, de seguida, dados de entrevista dos alunos e professores e finalmente, do
questionário dos alunos.
Segundo Cervo e Bervian (2002), sobre a observação, afirmam que “é quando o pesquisador tem
acesso directo ao fenómeno a ser observado” (p.27).
Neste caso, observamos directamente o ambiente dos alunos na sala de aula, os planos dos
professores e o decurso das actividades programadas para o dia. Antes, fez-se uma petição aos
professores para que pudessem planificar aulas de exercício sobre a morfologia das palavras onde
no primeiro dia observamos o ambiente dos alunos e fizemos a entrevista sobre a matéria em
estudo.
Do princípio os alunos mostravam timidez por verem dois professores na mesma sala, mas
quando o professor tranquilizou a eles de modo que não tivessem medo e que estivessem a
vontade, estes, estiveram num ambiente normal e começaram a participar normalmente nas
actividades.
Como dissemos antes que foram inquiridos vinte e oito (28) alunos por entrevista e estes, todos
responderam em unânime que já ouviram falar de morfologia. Mas quando os perguntamos sobre
a noção das classes de palavras, começou a surgir disparidade das respostas, porém, quinze (15)
alunos responderam que sim conhecem as classes de palavra, dez (10) alunos responderam que
conhecem pouco e três (3) alunos que não conhecem as classes de palavras.
Já sobre o uso das classes de palavras, vinte e um (21) alunos usam no seu dia-a-dia, quatro (4)
alunos usam mas não muito e três (3) alunos não usam. De referir que os que responderam que
usam pouco e não usam, responderam por falta da noção das classes de palavra visto que na
nossa comunicação diária usamos muitas classes de palavras em diferentes contextos linguísticos
durante o dia.
Quando indagámos aos professores sobre o papel morfológico de “o, a, os, as” na frase, um
respondeu que os termos a negrito, além de artigos definidos, podem desempenhar outras funções
como pronomes pessoais do caso oblíquo e somente o “(a)” como preposição e, o outro disse que
os termos podem servir como pronomes demonstrativos dependendo do contexto.

24
No entanto, evocando Sarmento (2005) diz que “os artigos representam a classe de palavras que
precedem o substantivo de forma que determinem seu número (singular ou plural) e seu género
(feminino ou masculino) ”, (p.145).
Assim, os artigos Definidos (o, a, os, as) determinam o substantivo de forma precisa.
 (A) Emília canta muito bem;
 (O) João come batata;
 (Os) meninos brincam com (as) irmãs.
De acordo com os exemplos, vimos que as palavras que determinas o substantivo são a, o, os, as
respectivamente.

Cunha e Cintra (2013) explicam que “a preposição é uma palavra invariável que relaciona dois
termos de uma oração de tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado ou
completado pelo segundo”, (p.551).
 Eles apontaram (a) mim como culpado;
 O professor felicitou (a) todos na reunião;
 Vou (a) escola.
Aqui, vimos a palavra (a) na sua totalidade relaciona dois termos da oração nas frases expostas.

Segundo Bechara (2004), os pronomes demonstrativos “indicam a posição dos seres em relação
às pessoas do discurso e, essa localização pode ser no tempo, no espaço ou no discurso”, (p.167).
 (Os) que roubam são punidos [(aqueles) que roubam são punidos];
 (O) que fizeste para mim não gostei [(aquilo) que fizeste para mim não gostei];
 (As) de Nampula são tradicionais [(aquelas) de Nampula são tradicionais.

O pronome igualmente pode ser uma classe de palavra variável, por vezes, em género e número,
ou pessoa, género e número, ou ainda, “em caso”, (Ribeiro et all, 2010, p.203) que serve para
substituir as pessoas que são três: “a primeira, a que fala (eu e nós), a segunda, com quem se fala
(tu e vós) e a terceira de quem se fala (ele, ela, eles e elas) ”, (António Houaiss et all, 2003,
p.2994).

25
Sendo assim, quando os termos (ele/ela, eles/elas) referirem-se a terceira pessoa do discurso, a
pessoa de quem se fala, substituídos por o, a, os, as ligados ao verbo na frase, são designados por
pronome pessoal do caso oblíquo.
 O João bateu a Manuel (O João bateu-a);
 Vi o Jacob ontem na praia (Vi-o ontem na praia);
 O professor expulsou os indisciplinados para fora e convidou as crianças para cantar (O
professor expulsou-os para fora e convidou-as para cantar);

Sobre a contribuição semântica de “o, a, os, as” para a compreensão da frase, todos os
professores estiveram de acordo em responder que os termos, dão sentido a frase.
Acrescentando, os termos “o, a, os, as” geram a precisão do significado, a coesão textual, pois
sem esses termos, a frase pode perder a clareza.
Os professores afirmaram que o uso correcto de “o, a, os, as” adequadamente, pode tornar clara a
comunicação gerando desta maneira a clareza, evitando assim interpretações erradas. A omissão
dos termos em estudo, pode gerar a ambiguidade e dificultar a compreensão da mensagem.
Sobre os questionários, Fachin (2006) assegura que são formados de uma série de questões que
serão submetidas a um determinado grupo de pessoas a fim de se obter informações específicas
sobre um determinado assunto.
No entanto, no que se refere ao papel morfológico dos termos “o, a, os, as”, constatámos sérios
problemas nos alunos da Escola Secundária de Mucumbura.
Os problemas surgem devido vários factores: a falta de práticas e conhecimentos sobre as classes
de palavra, falta de interesse e motivação, dificuldades de aprendizagem, etc.
Segundo Rosa (2000), “Morfologia tem por objecto de estudo, as palavras dentro da nossa
Língua, as quais são agrupadas em classes gramaticais ou classes de palavras”, (p.15).
Todavia, o que notámos nos alunos da Escola Secundária de Mucumbura sobre o papel
morfológico dos termos em estudo, estes, apresentavam maior foco nos artigos definidos em
qualquer frase que tivesse o, a, os, as, isto é, não olhavam para o contexto em que os termos
estiverem inseridos.
Para aqueles alunos, os termos o, a, os, as são conhecidos por eles desde as classes anteriores
como artigos definidos. Porém, poucos alunos que tinham noção dos termos em pertencerem a
outras classes como preposição, pronomes demonstrativos e pronome pessoal do caso oblíquo.
26
5.1 Análise morfológica
A análise morfológica é o estudo de cada uma das palavras de uma frase, visando a sua classe, ou
seja, independentemente da análise da frase, (Cegalla, 2008).
Neste item, dos vinte e oito (28) alunos inquiridos para a análise morfológica da frase, apenas
oito (8) alunos é que fizeram uma análise completa e certa de toda a frase. Os restantes fizeram
mas com alguns problemas conforme ilustramos no capítulo IV.
Neste caso, foi necessário rever as classes de palavra durante a aula e ampliar o número de
exercícios sobre a análise morfológica das frases. Após a revisão e reforço das classes de palavra
repetidamente, vimos que houve uma mudança por parte dos alunos e a maioria deles
conseguiram fazer a análise morfológica correctamente.
E, como não bastasse, achamos fundamental fazer entender aos alunos que as palavras o, a, os,
as, dependendo do contexto em que elas estiverem inseridas, podem até desempenhar quatro
papéis gramaticais diferentes pertencendo assim até quatro classes gramaticais. Elas podem ser
artigo definido, pronome pessoal oblíquo, pronome demonstrativo e preposição apenas (a).
De acordo com a definição feita anteriormente, são artigos definidos quando no contexto
linguístico elas estiverem ligadas a um substantivo para especificar, determinar este substantivo.
 (A) boneca da Júlia é bonita.
 (O) José está doente.
Neste caso, as palavras (A) e (O) antecedem os substantivos boneca e José para especificar,
determinar a boneca, o José de que se fala.
As palavras “o, a, os, as”, funcionam como pronome pessoal oblíquo quando elas se referirem
no contexto linguístico a uma pessoa do discurso ou objecto do discurso. Estruturalmente como
pronomes oblíquos, estas palavras virão ligadas ao verbo funcionando como complemento verbal,
como paciente da acção verbal.
 Bati-os na cabeça.
 Feri-as com a faca.
“O, a, os, as” funcionam como pronomes demonstrativos quando elas equivalerem na frase à
aqueles, aquela, aquilo, ou outros pronomes demonstrativos. No contexto linguístico, estarão
ligados sempre à palavra que – um pronome relativo ou à preposição de.
 (Os) que chumbaram são pouco dedicados.
27
 (Os) de Namicopo são agitados.
Para completar, a palavra a apenas funciona como uma preposição se no contexto linguístico ela
for exigida por um verbo ou pronome de modo que o verbo ou pronome se conecte com o seu
complemento.
 O professor deu bofetada (a) todos;
 O João escolheu (a) mim como padrinho dele.

5.2 Estratégias de ensino para a compreensão da morfologia nos alunos


Várias estratégias podem ser usadas pelo professor para garantir maior compreensão da
morfologia (classes de palavras) nos alunos tais como:
 Actividades práticas e exercícios – é fundamental propor actividades que envolvam a
identificação e classificação de palavras, como exercícios de completar frases, análise de
textos e jogos de classificação de palavras. Essas actividades ajudam os alunos a aplicar o
conhecimento teórico de forma prática.
 Revisão e reforço constante – revisar periodicamente os conceitos de morfologia,
reforçando o aprendizado com actividades de fixação, debates e correcções de exercícios,
para consolidar o domínio das classes de palavras.
 Utilização de recursos multimédia – o uso de vídeos, apresentações, jogos digitais e
outros recursos tecnológicos pode tornar o ensino mais dinâmico e atractivo, ajudando os
alunos a fixar melhor os conceitos.
 Estimular a produção de textos – incentivar os alunos a escreverem textos variados,
onde possam aplicar as classes de palavras aprendidas, promovendo uma prática contínua
e contextualizada.
Seguindo essas estratégias, o professor cria um ambiente de aprendizagem mais eficaz,
promovendo o entendimento e o domínio da morfologia pelos alunos.

28
CAPÍTULO VI: CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
6.1 Conclusão
A morfologia estuda a estrutura interna das palavras, analisando seus morfemas (raízes, prefixos,
sufixos, etc.). Essa análise permite aos alunos compreenderem a formação de novas palavras, a
relação entre elas e o significado que cada elemento morfológico contribui.
Todavia, a implementação de conteúdos sobre análise morfológica nas escolas para os alunos é
crucial para o desenvolvimento da competência linguística. A gramática, e mais especificamente
a morfologia, desempenha um papel fundamental no ensino secundário, contribuindo para a
compreensão da estrutura da língua e a produção textual eficiente.
Entretanto, a análise morfológica dos termos “o, a, os, as” na frase “Caso dos alunos da 10ª
classe da Escola Secundária de Mucumbura” demonstra a importância desses elementos para a
clareza e precisão da comunicação. O uso correcto desses termos contribui para a construção de
frases bem formadas e para a compreensão adequada do significado.
O conhecimento morfológico é essencial para a leitura crítica e a escrita eficaz. Ao entender a
estrutura das palavras, os alunos conseguem interpretar textos com maior precisão, identificar
nuances de significado e produzir textos mais ricos e elaborados. A capacidade de analisar a
estrutura das palavras também auxilia na compreensão da etimologia e na ampliação do
vocabulário.
Assim, é preciso saber que a pertinência da morfologia no ensino secundário reside na sua
contribuição para o desenvolvimento de habilidades essenciais para a vida académica e
profissional. Dominar a morfologia facilita a compreensão de textos complexos, a produção de
textos claros e concisos e a comunicação eficaz em diferentes contextos. A falta de conhecimento
morfológico pode levar a dificuldades na interpretação e produção textual, comprometendo o
desempenho escolar e profissional.

6.2 Recomendações
 Recomenda-se aos professores que incluam actividades de análise morfológica em suas
aulas, utilizando exemplos práticos e contextualizados.
 Aos alunos, recomenda-se a prática constante da leitura e da escrita, para aprimorar a
compreensão e o uso correcto dos artigos definidos, das preposições, dos pronomes e em
geral de todas as classes gramaticais.
29
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31
ANEEXOS
Anexo 1: Credencial

32
Anexo 2: Imagens da Escola Secundária de Mucumbura

Alunos da Escola Secundária de Mucumbura em aula

33
APÊNDICES

34
Universidade Católica de Moçambique
Centro de Ensino a Distância
Curso de Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

Apêndices I
Guião de entrevista
 Aos alunos

1. Já ouviu falar da Morfologia?


SIM NÃO
2. Conhece as classes de palavra?
SIM NÃO POUCO
3. Usa as classes de palavra na sua comunicação diária?
SIM NÃO POUCO

 Aos professores
1. Muitos reconhecem os termos “o, a, os, as” como artigos definidos. Para o senhor
professor, qual a sua posição no que tange ao papel morfológico desses
termos?_______________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
2. Os termos “o, a, os, as” tem alguma contribuição semântica para a compreensão da frase?
SIM NÃO
3.O uso correcto dos termos em estudo na frase, pode influenciar na clareza da comunicação?
SIM NÃO
4. Como é que o uso de “o, a, os, as” adequadamente pode tornar clara a comunicação?
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

35
Universidade Católica de Moçambique
Centro de Ensino a Distância
Curso de Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

Apêndices II
Questionário aos alunos

I. Das frases que se seguem, diga e descreva o papel morfológico dos termos
sublinhados.

Q1. O João desejou felicidades a mim.

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

Q2. Os que estudam, passam de classe.

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______________________________________________________________________________

Q3. Meu irmão ofereceu-os as máquinas.


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______________________________________________________________________________
Q4. As meninas de Tete gingam, mas as de Nampula não.

______________________________________________________________________________
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______________________________________________________________________________

II. Faz a análise morfológica da frase abaixo.


Meu irmão ofereceu-os as máquinas.
______________________________________________________________________________
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