Sentença Do Reizon
Sentença Do Reizon
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PODER JUDICIÁRIO
COMARCA DE LUZIÂNIA
1ª VARA CÍVEL
Av. Sarah Kubitschek, Quadra MOS, Lotes 7A e 7B, Parque JK, Luziânia-GO, Cep. 72.815-450
E-mail: [email protected]
SENTENÇA
(Nos termos do artigo 136 do Código de Normas e Procedimento do Foro Judicial, este ato judicial
servirá automaticamente como instrumento de citação, intimação, ofício, alvará judicial ou outro ato
Trata-se de Ação Ordinária com Pedido Liminar ajuizada por REIZON FURTADO BRITO em face
qualificados.
vagas para o cargo de Policial Penal da Diretoria-Geral de Polícia Penal da Secretaria de Estado da Segurança
Pública do Estado de Goiás, especificamente para a 3ª/9ª Regional Prisional - Luziânia, sob o número
2416014683.
Narra que, em razão de ser pessoa com deficiência auditiva, inscreveu-se para concorrer às vagas
destinadas a pessoas com deficiência (PCD), conforme laudos médicos que atestam sua condição.
Expõe que o certame foi estruturado com as seguintes etapas: Prova Objetiva e Prova Discursiva, de
caráter eliminatório e classificatório; Avaliação Médica, de caráter eliminatório; Avaliação de Aptidão Física, de
caráter eliminatório; Avaliação Psicológica, de caráter eliminatório; Avaliação da Vida Pregressa e Investigação
Verbera que, ao cumprir os procedimentos exigidos para a apresentação dos exames médicos e da
avaliação biopsicossocial, foi eliminado sob a alegação de que, apesar de ser considerado pessoa com
Argumenta que tal decisão se revela ilegal e discriminatória, pois a jurisprudência consolidada do
Superior Tribunal de Justiça estabelece que a compatibilidade entre a deficiência e as atribuições do cargo deve
ser aferida apenas no estágio probatório, e não previamente por meio de exames médicos abstratos.
Defende que a eliminação viola frontalmente o próprio edital do concurso, especificamente o item
5.10.3, que prevê que a Equipe Multiprofissional deve realizar uma análise individualizada, considerando o tipo e
Sustenta que não há qualquer indicação de que a Administração Pública tenha cumprido essa
exigência editalícia, pois não foi realizada qualquer tentativa de adaptação funcional do candidato, nem mesmo
Obtempera que a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009, estabelece que a administração pública tem o dever de garantir ajustes
e adaptações razoáveis para possibilitar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Informa que a deficiência auditiva é corrigível por meio do uso de aparelho auditivo, conforme os
laudos e exames médicos anexados, não havendo qualquer indicação de que o uso de tal dispositivo
Afirma que a eliminação do candidato é desproporcional e irrazoável, pois impõe uma barreira
Ressalta que não se discute o enquadramento como deficiência, uma vez que possui laudo e ela já
foi caracterizada pela banca examinadora, sendo o ponto central a eliminação do candidato por suposta
Aduz que a exigência de aptidão física e mental para o cargo não pode ser interpretada como um
mecanismo excludente, mas sim de adequação e adaptação, de modo que a deficiência só poderia ser
considerada intransponível após um período de efetivo exercício da função, dentro do estágio probatório.
Destaca que interpôs recurso administrativo pleiteando a revisão da decisão eliminatória, porém a
Requer, em caráter liminar, a imediata suspensão dos efeitos do ato administrativo que o eliminou,
reintegrando-o ao certame para participar das etapas subsequentes, inclusive aquelas que perdeu em
Pleiteia, ao final, a procedência total do pedido, para declarar nulo o ato administrativo eliminatório e
garantir sua participação nas demais etapas do concurso, confirmando os termos da medida liminar, além da
Defende que o Edital nº 002/2024 foi elaborado em estrita observância aos princípios constitucionais
Argumenta que o edital prevê, de forma expressa, a possibilidade de exclusão de candidatos que não
atendam aos requisitos médicos estabelecidos para o cargo de Policial Penal, especificamente no caso da parte
autora, que foi considerada inapta na avaliação médica por não atender aos requisitos de entrega integral dos
Invoca o disposto no item 9.4.11 do edital, que estabelece a possibilidade da Banca Examinadora
solicitar outros exames de qualquer natureza, além dos previstos, ou repetição de exames, às expensas do
Obtempera que o item 9.4.14 do edital determina a eliminação do candidato que for ausente na
avaliação médica, não apresentar qualquer documentação, exames e laudos na avaliação médica, for
considerado inapto conforme condições incapacitantes do edital, ou enviar algum exame ou documento fora do
período estabelecido.
Alega que o edital não prevê a reabertura de prazo para entrega de exames faltantes, mas apenas a
natureza.
Requer, ao final, a extinção do feito com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, inciso I, do
Suscita o requerido, em sede preliminar, sua ilegitimidade passiva para figurar no polo passivo da
demanda, alegando que se configura como mero executor das ordens e normas traçadas pelo órgão público
No mérito, narra que o edital estabeleceu regras claras segundo as quais se pautaria a inscrição dos
candidatos no concurso, dispondo que a inscrição implicará o conhecimento e a tácita aceitação das normas e
maneira expressa, com todas as normas, condições e exigências estabelecidas no edital, não podendo alegar
Expõe que os candidatos que concorreram às vagas reservadas para pessoas com deficiência
Informa que o edital determinou, de forma clara e inequívoca, que seriam eliminados do certame o
candidato cuja deficiência seja incompatível com o exercício do cargo pretendido, estabelecendo três categorias
Verbera que após a análise dos laudos apresentados e da avaliação realizada pela Equipe
Multiprofissional, verificou-se que o candidato se enquadra como pessoa com deficiência auditiva, conforme
previsto na legislação vigente, porém constatou-se que a deficiência auditiva é incompatível com as atribuições
Afirma que o laudo anexado aponta que o candidato apresenta dificuldades na percepção de
sinais de alerta auditivos, fatores essenciais para a atuação segura e eficaz na função.
Defende que a atividade de Policial Penal demanda comunicação clara e imediata, tanto com a
equipe quanto com a população carcerária, especialmente em situações de risco ou emergência, exigindo
Argumenta que tais requisitos tornam a deficiência incompatível com o pleno exercício da função.
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Ressalta que para concorrer às vagas reservadas a pessoas com deficiência no cargo de Policial
Penal, não basta a comprovação da condição de PCD, sendo necessário que a deficiência apresentada seja
Sustenta que em eventos críticos, como rebeliões e motins, esses profissionais são responsáveis por
intervir diretamente, sendo expostos a cenários de extrema hostilidade e violência, onde a impossibilidade de
Obtempera que permitir que um candidato cuja deficiência comprometa essas habilidades essenciais
assuma o cargo poderia comprometer não apenas a eficiência do serviço público, mas também colocar em risco
Defende que a exigência de compatibilidade entre a deficiência e as atribuições da função não é uma
mera formalidade, mas uma necessidade objetiva para assegurar a segurança institucional e o adequado
Expõe que o edital foi explícito ao estabelecer os critérios de limitação auditiva considerados
incapacitantes para o certame, adotando-se como valor referencial a limitação auditiva com média aritmética de
Informa que são condições incapacitantes para o exercício do cargo doenças como labirintopatia
grave, otosclerose, otite média crônica e demais enfermidades auditivas que afetem cronicamente o equilíbrio.
Sustenta que os exames e laudos apresentados pelo candidato, tanto na Avaliação Médica quanto na
Avaliação Multiprofissional – PCD, indicaram perda auditiva significativa, configurando incapacidade para o
Afirma que o candidato foi considerado INAPTO nas duas etapas, demonstrando a coerência da junta
fundamentada de acordo com as normas do edital e a legislação vigente, sendo a exigência de compatibilidade
entre a deficiência e as atribuições do cargo essencial para garantir a eficiência do serviço público e a segurança
do próprio candidato.
Invoca o princípio da vinculação ao edital, argumentando que "o edital é a lei do concurso público",
determinando que todos os atos que regem o concurso público ligam-se e devem obediência ao edital.
extinção do processo em face desta ré, ou, subsidiariamente, seja a presente demanda julgada improcedente,
bem como seja revogada a medida liminar pleiteada, além da condenação do autor em custas processuais e
honorários advocatícios.
Deferimento de tutela antecipada recursal, para autorizar que o autor prossiga no concurso público
para o cargo de Polícia Penal do Estado de Goiás (Edital n. 02/2024), na condição de pessoa com deficiência
apta, a fim de participar das demais fases do certame (realização do Teste de Aptidão Física (TAF) e posterior
compatibilidade da sua deficiência com as atribuições do cargo, durante o estágio probatório, caso
Alega o autor ter sido indevidamente eliminado na fase de avaliação biopsicossocial, mesmo sendo
reconhecido como pessoa com deficiência auditiva bilateral pelas próprias requeridas.
Defende que tal divergência revela ausência de motivação válida para o ato administrativo, violando
Argumenta que não houve avaliação funcional individualizada ou tentativa de adaptação razoável,
contrariando o item 5.10.3 do edital e a jurisprudência consolidada do STJ (Tema 1.097) e STF (Tema 485).
Verbera que a eliminação baseou-se em presunções genéricas sobre limitações auditivas, sem
análise concreta da capacidade funcional com uso de aparelhos auditivos e adaptações cabíveis.
Obtempera que a conduta das requeridas desvirtua a finalidade da política de cotas, transformando
Requer a rejeição das contestações, deferimento de produção probatória (perícia médica e expedição
de ofícios) e procedência dos pedidos iniciais para garantir sua reintegração ao certame com observância dos
Instadas sobre as provas, a parte autora pede prova pericial, para verificação se eliminação
fundamentou-se em presunções abstratas, sem análise concreta da compatibilidade entre a deficiência auditiva
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Secretaria de Estado da Administração de Goiás e demais órgãos pertinentes, para que apresentem, nos termos
legais: 1. Os critérios objetivos utilizados pela equipe multiprofissional para avaliação de compatibilidade
funcional na etapa biopsicossocial; 2. Cópia integral do laudo de avaliação emitido especificamente no caso do
autor, com detalhamento dos fundamentos técnicos utilizados; 3. Justificativa detalhada para a exclusão do
autor, com a especificação de quais elementos de sua documentação médica foram considerados insuficientes
ou inadequados.
É o relatório.
Decido.
Sobre as provas requeridas pela parte demandante, desnecessária a produção, haja vista que os
Como é cediço, o art. 464, §1º do CPC estabelece que o juiz indeferirá a perícia quando a prova do
fato não depender de conhecimento especial de técnico, for desnecessária em vista de outras provas produzidas
Sobre o tema:
dos laudos médicos acostados aos autos, que demonstram perda auditiva mista de grau moderado
bilateralmente.
legislação aplicável e na aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, motivação, isonomia e inclusão,
Além disso, o edital do concurso, no item 5.10.3, já estabelece os parâmetros para análise
individualizada das pessoas com deficiência, tornando desnecessária a expedição de ofícios para
Há previsão expressa no edital de que o concurso público em questão seria executado em conjunto
Essa previsão encontra amparo na dicção literal do item 1.1.1 do edital, que assim apresenta:
Destaco ainda que a legitimidade consiste na pertinência subjetiva da demanda. Assim sendo, é certa
administração, pela realização e execução do concurso, estando, por consequência lógica, legitimada a corrigir
Assim, ao praticar conduta questionada pelo candidato, a banca é legitimada para integrar o polo
passivo.
Passo ao mérito.
eliminação do autor, sendo que o Estado de Goiás aponta ausência de documentação médica integral,
cargo, divergindo as partes sobre se tal análise deve ocorrer durante as fases eliminatórias do concurso
de adaptações razoáveis.
estabelecer os critérios objetivos para seleção dos candidatos mais aptos ao exercício da função pública.
possibilidade de controle jurisdicional em concursos públicos, mas limitou tal intervenção às hipóteses de
Na espécie, é necessário verificar se a Administração agiu dentro dos parâmetros legais e editalícios,
Verifica-se que o Edital n.º 02/2024 estabeleceu critérios para a avaliação de candidatos com
deficiência, especificando no item 9.4.10 as condições incapacitantes para o cargo de Policial Penal.
A perda auditiva bilateral parcial ou total, com média aritmética de 41 dB ou mais, está prevista como
condição incapacitante, refletindo a necessidade técnica de perfeita acuidade auditiva para o desempenho das
Os exames audiométricos apresentados pelo autor confirmaram a perda auditiva mista de grau
moderado bilateralmente.
Com efeito, importante ressaltar que a informação é confirmada mediante dois laudos, sendo um
exame audiométrico realizado em 05/12/2024, que mostrou perda auditiva mista de grau moderado
bilateralmente; outro exame de 10/06/2024, que evidenciou perda auditiva condutiva de grau moderado na
Acerca das atribuições, o cargo de Policial Penal exige capacidades físicas e sensoriais específicas,
Nada obstante, o Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que a aferição
da compatibilidade entre a deficiência e as tarefas a serem desempenhadas pelo candidato deverá ser
realizada apenas durante o estágio probatório, conforme precedentes firmados no RMS 1.880/SP, REsp
Recordemo-nos que o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência (CDPD), promulgada pelo Decreto 6.949/2009 e vigente com status de emenda constitucional.
A Convenção prevê o conceito de adaptação razoável, que orienta para a inclusão de pessoas com
deficiência em todo ambiente de trabalho mediante ajustes necessários que não impliquem ônus
desproporcional para as partes, o que deve ser aferido concretamente por meio do exercício da própria atividade
Ressalte-se que constitui atuação discriminatória a eliminação precoce de candidato com deficiência
aprovado em concurso, afirmada antes do início do exercício das funções inerentes ao cargo em estágio
probatório e tendo por fundamento considerações abstratas acerca da preconcebida incompatibilidade entre as
Sublinhe-se que o STJ manifestou o entendimento aqui respaldado em ação que questionava
eliminação em concurso cuja atividade é a mesma buscada pelo autor, a de polícia penal.
II - O Acórdão proferido na Corte de origem contraria a jurisprudência desta Corte no sentido de que,
nos termos do art. 43, § 2º, do Decreto n. 3.298/99 (vigente à época do certame), a compatibilidade
entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato deverá ser aferida apenas durante o
estágio probatório. Nesse sentido: RMS 51.880/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 06/10/2020, DJe 15/10/2020; REsp 1777802/PE, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/2019, DJe 22/04/2019; AgInt no RMS 51.307/SP,
Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 27/11/2017.
III - Agravo em recurso especial conhecido para dar provimento ao recurso especial.
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(AREsp n. 1.972.961/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/11/2022,
DJe de 14/11/2022.)
autoridade, sendo a violação do direito comumente resultante da recusa em se aplicar a lei nos casos
em que ela deve incidir ou da sua equivocada aplicação em hipóteses nas quais ela não tem
incidência.
2. Versam os autos sobre concurso para o cargo de Escrevente Técnico Judiciário do TJ/SP, sendo
que o candidato impetrante, ora recorrente, é pessoa com deficiência, padecendo de miopatia
congênita, distúrbio hereditário responsável pela redução da força muscular que, no caso, lhe impõe
o uso de cadeira de rodas.
3. Tendo sido aprovado nas duas primeiras etapas do certame (provas objetiva e de digitação), foi
submetido à perícia médica, quando os profissionais de saúde averbaram a não compatibilidade da
deficiência do candidato com as atribuições do cargo, o que resultou na sua exclusão da lista de
classificados para as vagas reservadas para pessoas com deficiência, a teor do disposto no art. 3º da
Lei Complementar Estadual n. 683/1992 e nas cláusulas do respectivo edital, sem se considerar as
demais normas que regulam a matéria.
4. Tal veredito médico, entretanto, não se presta a legitimar a imediata exclusão do impetrante da lista
de classificados para as vagas reservadas, uma vez que, nos termos do art. 43, § 2º, do Decreto n.
3.298/99 (vigente à época do certame), a compatibilidade entre as atribuições do cargo e a
deficiência do candidato deverá ser aferida apenas durante o estágio probatório.
(RMS n. 51.880/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 6/10/2020, DJe de
15/10/2020.)
1. Preliminarmente, constata-se que não se configura a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de
Processo Civil/2015, uma vez que o Tribunal de origem
julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada.
3. Dessume-se que o acórdão recorrido não está em sintonia com o atual entendimento do STJ,
razão pela qual, no mérito, merece prosperar a irresignação.
(REsp n. 1.777.802/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/3/2019,
DJe de 22/4/2019.)
(STJ - AgInt nos EDcl nos EDcl no RMS: 55074 MS 2017/0210483-3, Relator.: Ministro PAULO
SÉRGIO DOMINGUES, Data de Julgamento: 08/04/2024, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de
Publicação: DJe 11/04/2024 – destacou-se)
No caso em análise, a eliminação do autor baseou-se exclusivamente em juízo abstrato sobre sua
deficiência auditiva, sem que fossem ao menos tentadas modificações e ajustes no ambiente de trabalho que,
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deficiência do autor é corrigível mediante uso de aparelho auditivo, não havendo indicação técnica que
Enquanto o Estado de Goiás sustenta que a exclusão decorreu da ausência de entrega integral dos
exames médicos, o IBFC fundamenta a eliminação na incompatibilidade funcional da deficiência com o cargo.
Esta divergência revela ausência de motivação efetiva, clara e unificada, configurando vício insanável
que compromete a legalidade do ato administrativo, notadamente porquanto a motivação deve ser objetiva,
precisa e congruente, permitindo ao administrado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, o que restou
Ademais, o item 5.10.3 do Edital n.º 02/2024 estabelece que a equipe multiprofissional deve realizar
adaptação.
Não há nos autos evidência de que tenha sido realizada tal análise individualizada, tendo a avaliação
se limitado à classificação genérica da deficiência, em flagrante descumprimento das próprias regras editalícias.
Importante sublinhar, ainda, que a eliminação do autor viola frontalmente os princípios constitucionais
da dignidade da pessoa humana, igualdade e inclusão social, consagrados no art. 1º, III, art. 3º, IV, e art. 37, VIII,
da Constituição Federal.
durante o estágio probatório deve ser analisada com base em critérios legais e jurisprudenciais
específicos.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm enfatizado que a avaliação da compatibilidade entre a
deficiência e as atribuições do cargo deve ocorrer durante o estágio probatório, e não antes, garantindo
que a eliminação precoce de candidatos com deficiência auditiva seja considerada discriminatória. Além
disso, a jurisprudência tem reconhecido que a eliminação de candidatos com deficiência auditiva sem
razoabilidade e a proporcionalidade
Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado por REIZON FURTADO BRITO em
extinguindo o feito com análise do mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC, declarando a
nulidade do ato de eliminação do autor do Concurso Público regido pelo Edital n.º 02/2024, por violação
aos princípios da legalidade, motivação e inclusão, bem como à jurisprudência consolidada do Superior
Tribunal de Justiça.
deficiência apta, devendo participar de todas as fases subsequentes com as adaptações razoáveis
Condeno os requeridos ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, que fixo
em R$ 3.000,00 (três mil reais), nos termos do art. 85, §§ 2º e 3º, I, do CPC, considerando a complexidade da
omissão, obscuridade e erro material (artigo 1.022, do CPC), não sendo o meio adequado para modificar o
mérito da decisão, de modo que a oposição de eventuais embargos protelatórios será penalizada com a
Na hipótese de interposição de recurso apelação, intime-se a parte contrária para que ofereça
Cumpra-se.
Juíza de Direito