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Sentença Do Reizon

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS

COMARCA DE LUZIÂNIA

1ª VARA CÍVEL

Av. Sarah Kubitschek, Quadra MOS, Lotes 7A e 7B, Parque JK, Luziânia-GO, Cep. 72.815-450

E-mail: [email protected]

Processo nº: 5152685-95.2025.8.09.0100

Natureza: PROCESSO CÍVEL E DO TRABALHO -> Processo de Conhecimento -> Procedimento de

Conhecimento -> Procedimento Comum Cível

Requerente: Reizon Furtado Brito

Requerido: Estado De Goias

SENTENÇA

(Nos termos do artigo 136 do Código de Normas e Procedimento do Foro Judicial, este ato judicial

servirá automaticamente como instrumento de citação, intimação, ofício, alvará judicial ou outro ato

necessário para seu efetivo cumprimento)

Trata-se de Ação Ordinária com Pedido Liminar ajuizada por REIZON FURTADO BRITO em face

do ESTADO DE GOIÁS e do INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO – IBFC,

qualificados.

Alega o requerente que se inscreveu no Concurso Público nº 02/2024, destinado ao provimento de

vagas para o cargo de Policial Penal da Diretoria-Geral de Polícia Penal da Secretaria de Estado da Segurança

Pública do Estado de Goiás, especificamente para a 3ª/9ª Regional Prisional - Luziânia, sob o número

2416014683.

Narra que, em razão de ser pessoa com deficiência auditiva, inscreveu-se para concorrer às vagas

destinadas a pessoas com deficiência (PCD), conforme laudos médicos que atestam sua condição.

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Expõe que o certame foi estruturado com as seguintes etapas: Prova Objetiva e Prova Discursiva, de

caráter eliminatório e classificatório; Avaliação Médica, de caráter eliminatório; Avaliação de Aptidão Física, de

caráter eliminatório; Avaliação Psicológica, de caráter eliminatório; Avaliação da Vida Pregressa e Investigação

Social, de caráter eliminatório; e Avaliação de Títulos, de caráter classificatório.

Verbera que, ao cumprir os procedimentos exigidos para a apresentação dos exames médicos e da

avaliação biopsicossocial, foi eliminado sob a alegação de que, apesar de ser considerado pessoa com

deficiência, sua condição seria incapacitante para o exercício do cargo.

Argumenta que tal decisão se revela ilegal e discriminatória, pois a jurisprudência consolidada do

Superior Tribunal de Justiça estabelece que a compatibilidade entre a deficiência e as atribuições do cargo deve

ser aferida apenas no estágio probatório, e não previamente por meio de exames médicos abstratos.

Defende que a eliminação viola frontalmente o próprio edital do concurso, especificamente o item

5.10.3, que prevê que a Equipe Multiprofissional deve realizar uma análise individualizada, considerando o tipo e

o grau da deficiência do candidato, as atribuições essenciais do cargo, se há necessidade de adaptações

razoáveis e se a deficiência é compatível com as funções do cargo.

Sustenta que não há qualquer indicação de que a Administração Pública tenha cumprido essa

exigência editalícia, pois não foi realizada qualquer tentativa de adaptação funcional do candidato, nem mesmo

indicadas quais seriam as barreiras intransponíveis que justificassem sua eliminação.

Obtempera que a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,

promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009, estabelece que a administração pública tem o dever de garantir ajustes

e adaptações razoáveis para possibilitar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Informa que a deficiência auditiva é corrigível por meio do uso de aparelho auditivo, conforme os

laudos e exames médicos anexados, não havendo qualquer indicação de que o uso de tal dispositivo

comprometa o desempenho das funções do cargo.

Afirma que a eliminação do candidato é desproporcional e irrazoável, pois impõe uma barreira

artificial ao seu ingresso no serviço público sem fundamento técnico legítimo.

Ressalta que não se discute o enquadramento como deficiência, uma vez que possui laudo e ela já

foi caracterizada pela banca examinadora, sendo o ponto central a eliminação do candidato por suposta

incompatibilidade com o cargo.

Aduz que a exigência de aptidão física e mental para o cargo não pode ser interpretada como um

mecanismo excludente, mas sim de adequação e adaptação, de modo que a deficiência só poderia ser

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considerada intransponível após um período de efetivo exercício da função, dentro do estágio probatório.

Destaca que interpôs recurso administrativo pleiteando a revisão da decisão eliminatória, porém a

Administração Pública permaneceu irredutível.

Requer, em caráter liminar, a imediata suspensão dos efeitos do ato administrativo que o eliminou,

reintegrando-o ao certame para participar das etapas subsequentes, inclusive aquelas que perdeu em

decorrência da eliminação indevida.

Pleiteia, ao final, a procedência total do pedido, para declarar nulo o ato administrativo eliminatório e

garantir sua participação nas demais etapas do concurso, confirmando os termos da medida liminar, além da

condenação dos requeridos ao pagamento das custas e honorários advocatícios.

Recebimento da inicial com deferimento de gratuidade em favor do autor e indeferimento do pedido

liminar (mov. 7).

Contestação do Estado de Goiás (mov. 11).

Defende que o Edital nº 002/2024 foi elaborado em estrita observância aos princípios constitucionais

da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, estabelecendo regras claras e objetivas

para todas as etapas do concurso.

Argumenta que o edital prevê, de forma expressa, a possibilidade de exclusão de candidatos que não

atendam aos requisitos médicos estabelecidos para o cargo de Policial Penal, especificamente no caso da parte

autora, que foi considerada inapta na avaliação médica por não atender aos requisitos de entrega integral dos

exames previstos no edital.

Invoca o disposto no item 9.4.11 do edital, que estabelece a possibilidade da Banca Examinadora

solicitar outros exames de qualquer natureza, além dos previstos, ou repetição de exames, às expensas do

candidato, considerados necessários para esclarecer diagnósticos, vedando ao candidato a reapresentação de

qualquer exame posteriormente à realização da etapa.

Obtempera que o item 9.4.14 do edital determina a eliminação do candidato que for ausente na

avaliação médica, não apresentar qualquer documentação, exames e laudos na avaliação médica, for

considerado inapto conforme condições incapacitantes do edital, ou enviar algum exame ou documento fora do

período estabelecido.

Alega que o edital não prevê a reabertura de prazo para entrega de exames faltantes, mas apenas a

eventual repetição de exames já apresentados tempestivamente ou a solicitação de outros exames de qualquer

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natureza.

Requer, ao final, a extinção do feito com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, inciso I, do

Código de Processo Civil, julgando-se improcedentes os pedidos formulados na inicial.

Contestação do NSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO – IBFC (mov. 19).

Suscita o requerido, em sede preliminar, sua ilegitimidade passiva para figurar no polo passivo da

demanda, alegando que se configura como mero executor das ordens e normas traçadas pelo órgão público

responsável pela realização do certame.

No mérito, narra que o edital estabeleceu regras claras segundo as quais se pautaria a inscrição dos

candidatos no concurso, dispondo que a inscrição implicará o conhecimento e a tácita aceitação das normas e

condições estabelecidas no edital.

Sustenta que ao realizar sua inscrição no concurso, o candidato automaticamente concorda, de

maneira expressa, com todas as normas, condições e exigências estabelecidas no edital, não podendo alegar

desconhecimento das regras como justificativa para o descumprimento de qualquer exigência.

Expõe que os candidatos que concorreram às vagas reservadas para pessoas com deficiência

precisaram passar por avaliação da Equipe Multiprofissional.

Informa que o edital determinou, de forma clara e inequívoca, que seriam eliminados do certame o

candidato cuja deficiência seja incompatível com o exercício do cargo pretendido, estabelecendo três categorias

de resultado: APTO, INAPTO e ELIMINADO.

Verbera que após a análise dos laudos apresentados e da avaliação realizada pela Equipe

Multiprofissional, verificou-se que o candidato se enquadra como pessoa com deficiência auditiva, conforme

previsto na legislação vigente, porém constatou-se que a deficiência auditiva é incompatível com as atribuições

do cargo de Policial Penal.

Afirma que o laudo anexado aponta que o candidato apresenta dificuldades na percepção de

comandos sonoros, na comunicação verbal em ambientes dinâmicos e ruidosos e na rápida interpretação de

sinais de alerta auditivos, fatores essenciais para a atuação segura e eficaz na função.

Defende que a atividade de Policial Penal demanda comunicação clara e imediata, tanto com a

equipe quanto com a população carcerária, especialmente em situações de risco ou emergência, exigindo

elevada capacidade de resposta a estímulos auditivos críticos.

Argumenta que tais requisitos tornam a deficiência incompatível com o pleno exercício da função.
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Ressalta que para concorrer às vagas reservadas a pessoas com deficiência no cargo de Policial

Penal, não basta a comprovação da condição de PCD, sendo necessário que a deficiência apresentada seja

compatível com as atribuições do cargo.

Sustenta que em eventos críticos, como rebeliões e motins, esses profissionais são responsáveis por

intervir diretamente, sendo expostos a cenários de extrema hostilidade e violência, onde a impossibilidade de

perceber determinados estímulos auditivos pode comprometer a capacidade de reação eficaz.

Obtempera que permitir que um candidato cuja deficiência comprometa essas habilidades essenciais

assuma o cargo poderia comprometer não apenas a eficiência do serviço público, mas também colocar em risco

a integridade do próprio candidato.

Defende que a exigência de compatibilidade entre a deficiência e as atribuições da função não é uma

mera formalidade, mas uma necessidade objetiva para assegurar a segurança institucional e o adequado

desempenho das atividades inerentes ao cargo de Policial Penal.

Expõe que o edital foi explícito ao estabelecer os critérios de limitação auditiva considerados

incapacitantes para o certame, adotando-se como valor referencial a limitação auditiva com média aritmética de

41 dB ou mais, aferida por audiograma nas frequências específicas.

Informa que são condições incapacitantes para o exercício do cargo doenças como labirintopatia

grave, otosclerose, otite média crônica e demais enfermidades auditivas que afetem cronicamente o equilíbrio.

Sustenta que os exames e laudos apresentados pelo candidato, tanto na Avaliação Médica quanto na

Avaliação Multiprofissional – PCD, indicaram perda auditiva significativa, configurando incapacidade para o

exercício do cargo pretendido nos termos expressos do edital.

Afirma que o candidato foi considerado INAPTO nas duas etapas, demonstrando a coerência da junta

médica e dos laudos apresentados.

Defende que a eliminação do candidato na etapa de Avaliação Médica e Multiprofissional-PCD foi

fundamentada de acordo com as normas do edital e a legislação vigente, sendo a exigência de compatibilidade

entre a deficiência e as atribuições do cargo essencial para garantir a eficiência do serviço público e a segurança

do próprio candidato.

Invoca o princípio da vinculação ao edital, argumentando que "o edital é a lei do concurso público",

determinando que todos os atos que regem o concurso público ligam-se e devem obediência ao edital.

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Requer, ao final, seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do IBFC, determinando-se a

extinção do processo em face desta ré, ou, subsidiariamente, seja a presente demanda julgada improcedente,

bem como seja revogada a medida liminar pleiteada, além da condenação do autor em custas processuais e

honorários advocatícios.

Deferimento de tutela antecipada recursal, para autorizar que o autor prossiga no concurso público

para o cargo de Polícia Penal do Estado de Goiás (Edital n. 02/2024), na condição de pessoa com deficiência

apta, a fim de participar das demais fases do certame (realização do Teste de Aptidão Física (TAF) e posterior

ingresso no curso de formação), até oportuna reavaliação da

compatibilidade da sua deficiência com as atribuições do cargo, durante o estágio probatório, caso

logre êxito de continuar até lá (mov. 13).

Réplica (mov. 24).

Alega o autor ter sido indevidamente eliminado na fase de avaliação biopsicossocial, mesmo sendo

reconhecido como pessoa com deficiência auditiva bilateral pelas próprias requeridas.

Sustenta que as contestações apresentaram justificativas contraditórias: o Estado de Goiás aponta

ausência de documentação médica integral, enquanto o IBFC fundamenta a exclusão na suposta

incompatibilidade da deficiência com as atribuições do cargo.

Defende que tal divergência revela ausência de motivação válida para o ato administrativo, violando

os princípios da legalidade, motivação e ampla defesa.

Argumenta que não houve avaliação funcional individualizada ou tentativa de adaptação razoável,

contrariando o item 5.10.3 do edital e a jurisprudência consolidada do STJ (Tema 1.097) e STF (Tema 485).

Verbera que a eliminação baseou-se em presunções genéricas sobre limitações auditivas, sem

análise concreta da capacidade funcional com uso de aparelhos auditivos e adaptações cabíveis.

Obtempera que a conduta das requeridas desvirtua a finalidade da política de cotas, transformando

mecanismo de inclusão em instrumento de exclusão antecipada.

Requer a rejeição das contestações, deferimento de produção probatória (perícia médica e expedição

de ofícios) e procedência dos pedidos iniciais para garantir sua reintegração ao certame com observância dos

princípios constitucionais da inclusão e isonomia.

Instadas sobre as provas, a parte autora pede prova pericial, para verificação se eliminação

fundamentou-se em presunções abstratas, sem análise concreta da compatibilidade entre a deficiência auditiva
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do autor e as atribuições do cargo (mov. 29).

Requer, ainda, a expedição de ofícios ao Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação – IBFC, à

Secretaria de Estado da Administração de Goiás e demais órgãos pertinentes, para que apresentem, nos termos

legais: 1. Os critérios objetivos utilizados pela equipe multiprofissional para avaliação de compatibilidade

funcional na etapa biopsicossocial; 2. Cópia integral do laudo de avaliação emitido especificamente no caso do

autor, com detalhamento dos fundamentos técnicos utilizados; 3. Justificativa detalhada para a exclusão do

autor, com a especificação de quais elementos de sua documentação médica foram considerados insuficientes

ou inadequados.

É o relatório.

Decido.

Verifica-se que o feito observou o regramento legal.

Sobre as provas requeridas pela parte demandante, desnecessária a produção, haja vista que os

elementos já constantes dos autos são suficientes para o julgamento da lide.

Como é cediço, o art. 464, §1º do CPC estabelece que o juiz indeferirá a perícia quando a prova do

fato não depender de conhecimento especial de técnico, for desnecessária em vista de outras provas produzidas

ou a verificação for impraticável.

Sobre o tema:

"EMENTA: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA


DE ANULAÇÃO DE QUESTÃO DE CONCURSO PÚBLICO. CERCEAMENTO
DE DEFESA. INOCORRÊNCIA . 1. Na qualidade de destinatário das provas,
tem o juiz a faculdade de determinar as necessárias, ou indeferir as que
reputar inócuas ou prescindíveis ao julgamento da causa, sob o critério do seu
livre convencimento motivado, sem que a conduta implique cerceamento do
direito de defesa (artigos 370 e 371 ambos do CPC). Ademais, existentes, na
espécie, provas suficientes à formação do convencimento do
Julgador.CONCURSO PÚBLICO . ANULAÇÃO DE QUESTÕES. AUSÊNCIA
DE ILEGALIDADE. 2. Só é possível a anulação judicial de questão objetiva de
concurso público em caráter excepcional, no exame da observância aos
princípios da legalidade e da vinculação ao edital, como forma de controle da
legalidade, o que não se vislumbra no caso dos autos . Precedentes do STF
(RE nº 632.853/CE - RG Tema 485), do STJ e deste Tribunal.AUSÊNCIA DE
FATO NOVO. 3 . Apresenta-se imperativo o desprovimento do agravo interno
que não traz em suas razões qualquer argumento novo que justifique a
modificação da decisão questionada.AGRAVO INTERNO CONHECIDO E
DESPROVIDO. DECISÃO MANTIDA. (TJ-GO - Apelação Cível:
52111744920238090051 GOIÂNIA, Relator.: Des(a) . DESEMBARGADORA
SANDRA REGINA TEODORO REIS, 6ª Câmara Cível, Data de Publicação:
(S/R) DJ)"

A condição de deficiência auditiva bilateral do autor já se encontra amplamente comprovada através

dos laudos médicos acostados aos autos, que demonstram perda auditiva mista de grau moderado

bilateralmente.

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Ademais, a questão central do litígio é eminentemente jurídica, consistente na interpretação da

legislação aplicável e na aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, motivação, isonomia e inclusão,

matérias que prescindem de instrução probatória.

Além disso, o edital do concurso, no item 5.10.3, já estabelece os parâmetros para análise

individualizada das pessoas com deficiência, tornando desnecessária a expedição de ofícios para

esclarecimento de critérios já normatizados.

Desse modo, indefiro o pedido de produção de demais provas.

Acerca da legitimidade passiva, a atuação da banca examinadora no concurso é objeto de

impugnação pelo candidato autor.

Há previsão expressa no edital de que o concurso público em questão seria executado em conjunto

pelo IBFC e pela Secretaria de Estado de Administração do Estado de Goiás.

Essa previsão encontra amparo na dicção literal do item 1.1.1 do edital, que assim apresenta:

1.1.1. A instituição responsável pela realização do concurso público será o


Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação – IBFC e a Comissão Especial
do Concurso é formada por membros da Secretaria de Estado da
Administração do Estado de Goiás (SEAD) e da Diretoria-Geral de Polícia
Penal (DGPP), de acordo com a Portaria nº 338/2024.

Destaco ainda que a legitimidade consiste na pertinência subjetiva da demanda. Assim sendo, é certa

a legitimidade passiva da Instituição Organizadora, porquanto responsabilizou-se, em conjunto com a

administração, pela realização e execução do concurso, estando, por consequência lógica, legitimada a corrigir

eventuais ilegalidades perpetradas no curso do certame, respondendo pelas consequências jurídicas e

administrativas daí advindas, conforme entendimento deste tribunal:

"AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO


ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA INAUDITA
ALTERA PARS EM CARÁTER. TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA.
COBRANÇA DE CONTEÚDOS NÃO PREVISTOS EM EDITAL . RECURSOS
ADMINISTRATIVOS NÃO JULGADOS PELA BANCA ORGANIZADORA.
MANUTENÇÃO DA PARTE AGRAVADA NO CERTAME. PRESENÇA DOS
REQUISITOS DO ARTIGO 300 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DA BANCA ORGANIZADORA DO
CERTAME [...] 5. Enquanto entidades responsáveis pela realização do
certame, as bancas examinadoras são partes legítimas para compor o polo
passivo das demandas nas quais se discute questões relativas aos concursos
públicos por elas realizados, de modo que o agravo merece parcial provimento
nesta parte, para o fim de determinar a reinclusão da banca IADES no polo
passivo da lide originária, dada a sua legitimidade passiva ad causam.
AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO
(TJ GO - AI: 00583056520208090000, Relator.: Des(a). ALAN SEBASTIÃO DE
SENA CONCEIÇÃO, Data de Julgamento: 25/05/2020, 5ª Câmara Cível, Data
de Publicação: DJ de 25/05/2020)"

Assim, ao praticar conduta questionada pelo candidato, a banca é legitimada para integrar o polo

passivo.

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Assim, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva.

Passo ao mérito.

As partes divergem, basicamente, sobre três pontos controvertidos:

Contradição insanável entre os fundamentos apresentados pelas requeridas para justificar a

eliminação do autor, sendo que o Estado de Goiás aponta ausência de documentação médica integral,

enquanto o IBFC fundamenta a exclusão na suposta incompatibilidade funcional da deficiência auditiva

com as atribuições do cargo.

momento adequado para aferição da compatibilidade entre a deficiência e as funções do

cargo, divergindo as partes sobre se tal análise deve ocorrer durante as fases eliminatórias do concurso

ou exclusivamente no estágio probatório.

legalidade da eliminação baseada em critérios abstratos constantes do edital, em

contraponto a necessidade constitucional e legal de avaliação individualizada com implementação

de adaptações razoáveis.

O concurso público constitui procedimento administrativo, cabendo à Administração Pública

estabelecer os critérios objetivos para seleção dos candidatos mais aptos ao exercício da função pública.

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema 485 da Repercussão Geral, reconheceu a

possibilidade de controle jurisdicional em concursos públicos, mas limitou tal intervenção às hipóteses de

manifesta ilegalidade, erro material ou violação aos princípios constitucionais.

Na espécie, é necessário verificar se a Administração agiu dentro dos parâmetros legais e editalícios,

ou se ao arrepio da lei, autorizando interferência judicial.

Verifica-se que o Edital n.º 02/2024 estabeleceu critérios para a avaliação de candidatos com

deficiência, especificando no item 9.4.10 as condições incapacitantes para o cargo de Policial Penal.

A perda auditiva bilateral parcial ou total, com média aritmética de 41 dB ou mais, está prevista como

condição incapacitante, refletindo a necessidade técnica de perfeita acuidade auditiva para o desempenho das

funções policiais (pág. 76).

Os exames audiométricos apresentados pelo autor confirmaram a perda auditiva mista de grau

moderado bilateralmente.

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Com efeito, importante ressaltar que a informação é confirmada mediante dois laudos, sendo um

exame audiométrico realizado em 05/12/2024, que mostrou perda auditiva mista de grau moderado

bilateralmente; outro exame de 10/06/2024, que evidenciou perda auditiva condutiva de grau moderado na

orelha direita e perda auditiva neurossensorial de grau moderado na orelha esquerda.

Acerca das atribuições, o cargo de Policial Penal exige capacidades físicas e sensoriais específicas,

considerando as ações de segurança, custódia e ressocialização de pessoas privadas de liberdade.

Nada obstante, o Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que a aferição

da compatibilidade entre a deficiência e as tarefas a serem desempenhadas pelo candidato deverá ser

realizada apenas durante o estágio probatório, conforme precedentes firmados no RMS 1.880/SP, REsp

1.777.802/PE e AgInt nos EDcl nos EDcl no RMS 55.074/MS.

Recordemo-nos que o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas

com Deficiência (CDPD), promulgada pelo Decreto 6.949/2009 e vigente com status de emenda constitucional.

A Convenção prevê o conceito de adaptação razoável, que orienta para a inclusão de pessoas com

deficiência em todo ambiente de trabalho mediante ajustes necessários que não impliquem ônus

desproporcional para as partes, o que deve ser aferido concretamente por meio do exercício da própria atividade

laboral durante o período de estágio probatório.

Ressalte-se que constitui atuação discriminatória a eliminação precoce de candidato com deficiência

aprovado em concurso, afirmada antes do início do exercício das funções inerentes ao cargo em estágio

probatório e tendo por fundamento considerações abstratas acerca da preconcebida incompatibilidade entre as

funções a exercer e a deficiência.

Sublinhe-se que o STJ manifestou o entendimento aqui respaldado em ação que questionava

eliminação em concurso cuja atividade é a mesma buscada pelo autor, a de polícia penal.

ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. ESCRIVÃO DE POLÍCIA. VISÃO MONOCULAR.


PRETENSÃO DE AFASTAR A ELIMINAÇÃO. ACÓRDÃO EM CONFRONTO COM A
JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO. RECURSO
ESPECIAL PROVIDO.

I - Na origem trata-se de ação declaratória de nulidade de ato administrativo com pedido de


antecipação dos efeitos da tutela, em face da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, objetivando
afastar eliminação do Concurso de Escrivão de Polícia, edital EP 1/2013. Na sentença julgou-se o
pedido improcedente. No Tribunal a quo a sentença foi mantida.

II - O Acórdão proferido na Corte de origem contraria a jurisprudência desta Corte no sentido de que,
nos termos do art. 43, § 2º, do Decreto n. 3.298/99 (vigente à época do certame), a compatibilidade
entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato deverá ser aferida apenas durante o
estágio probatório. Nesse sentido: RMS 51.880/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 06/10/2020, DJe 15/10/2020; REsp 1777802/PE, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/2019, DJe 22/04/2019; AgInt no RMS 51.307/SP,
Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 27/11/2017.

III - Agravo em recurso especial conhecido para dar provimento ao recurso especial.
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(AREsp n. 1.972.961/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/11/2022,
DJe de 14/11/2022.)

DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO.


CANDIDATO À VAGA RESERVADA PARA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. VERIFICAÇÃO PRÉVIA
DA COMPATIBILIDADE ENTRE AS ATRIBUIÇÕES DO CARGO E A DEFICIÊNCIA. ELIMINAÇÃO
PRECOCE. IMPOSSIBILIDADE. EXEGESE DO ART. 43, § 2º, DO DECRETO N. 3.298/99.
AFERIÇÃO DA COMPATIBILIDADE APENAS DURANTE O ESTÁGIO PROBATÓRIO.
PREVALÊNCIA DA NORMATIZAÇÃO FEDERAL FRENTE À CONTRÁRIA LEGISLAÇÃO
DOMÉSTICA. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO. ORDEM CONCEDIDA.

1. A concessão de mandado de segurança pressupõe a violação de direito líquido e certo da parte


impetrante, decorrente de ato ilegal ou abusivo de

autoridade, sendo a violação do direito comumente resultante da recusa em se aplicar a lei nos casos
em que ela deve incidir ou da sua equivocada aplicação em hipóteses nas quais ela não tem
incidência.

2. Versam os autos sobre concurso para o cargo de Escrevente Técnico Judiciário do TJ/SP, sendo
que o candidato impetrante, ora recorrente, é pessoa com deficiência, padecendo de miopatia
congênita, distúrbio hereditário responsável pela redução da força muscular que, no caso, lhe impõe
o uso de cadeira de rodas.

3. Tendo sido aprovado nas duas primeiras etapas do certame (provas objetiva e de digitação), foi
submetido à perícia médica, quando os profissionais de saúde averbaram a não compatibilidade da
deficiência do candidato com as atribuições do cargo, o que resultou na sua exclusão da lista de
classificados para as vagas reservadas para pessoas com deficiência, a teor do disposto no art. 3º da
Lei Complementar Estadual n. 683/1992 e nas cláusulas do respectivo edital, sem se considerar as
demais normas que regulam a matéria.

4. Tal veredito médico, entretanto, não se presta a legitimar a imediata exclusão do impetrante da lista
de classificados para as vagas reservadas, uma vez que, nos termos do art. 43, § 2º, do Decreto n.
3.298/99 (vigente à época do certame), a compatibilidade entre as atribuições do cargo e a
deficiência do candidato deverá ser aferida apenas durante o estágio probatório.

5. Assim também pareceu ao douto Subprocurador-Geral da República AURÉLIO VIRGÍLIO VEIGA


RIOS, em cujo opinativo fez assinalar que "A previsão da lei estadual de perícia médica a fim de, não
só atestar a deficiência física arguida, como também aferir a compatibilidade entre o cargo e a
deficiência, contraria o Decreto n. 3.298/99, que, em seu art. 43, § 2º, estabelece 'a equipe
multiprofissional avaliará a compatibilidade entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato
durante o estágio probatório'".

6. A jurisprudência do STJ, em casos a este assemelhados, vem sufragando o entendimento de que a


aferição da compatibilidade entre a deficiência e as tarefas a serem desempenhadas pelo candidato
seja diferida para o período de estágio probatório, nos termos do que preconiza o comando do art.
43, § 2º, do Decreto n. 3.298/99. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.213.386/SP, Rel. Min. NAPOLEÃO
NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 4/2/2019; REsp 1.777.802/PE, Rel. Min. HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 22/4/2019; AgInt no RMS 51.307/SP, Rel. Ministro FRANCISCO
FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe 27/11/2017.

7. Recurso ordinário provido. Ordem concedida.

(RMS n. 51.880/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 6/10/2020, DJe de
15/10/2020.)

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. AGENTE PENITENCIÁRIO


FEDERAL. CANDIDATO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. DESCLASSIFICAÇÃO
DECORRENTE DE DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO EM PERÍCIA MÉDICA. LEI 7.853/1989 E
DECRETO 3.298/1999. OBRIGATORIEDADE DO PODER PÚBLICO DE ASSEGURAR ÀS
PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA O PLENO EXERCÍCIO DE SEUS DIREITOS. EXAME
DE COMPATIBILIDADE QUE DEVE OCORRER DURANTE O ESTÁGIO PROBATÓRIO POR
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL.

1. Preliminarmente, constata-se que não se configura a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de
Processo Civil/2015, uma vez que o Tribunal de origem

julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada.

2. Nos termos da jurisprudência do STJ, em julgamento de processos análogos que procederam ao


exame do disposto na Lei 7.853/1989 e no Decreto 3.298/1999, deve-se observar a obrigatoriedade
do Poder Público de assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus
direitos. Inclui-se a adoção de ações que propiciem sua inserção no serviço público, assegurando-se

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ao candidato aprovado em vaga destinada aos portadores de deficiência física que o exame da
compatibilidade ocorra no desempenho das atribuições do cargo, durante o estágio probatório, e seja
realizada por equipe multiprofissional. A proteção legal conferida a essa categoria de vulneráveis não
é apenas retórica, o que faz com que, sobretudo na hipótese dos autos em que a vaga destina-se a
apoio administrativo, a exclusão prévia do candidato mostre-se descabida.

3. Dessume-se que o acórdão recorrido não está em sintonia com o atual entendimento do STJ,
razão pela qual, no mérito, merece prosperar a irresignação.

4. Recurso Especial provido.

(REsp n. 1.777.802/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/3/2019,
DJe de 22/4/2019.)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. CANDIDATO COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA.


DESCLASSIFICAÇÃO DECORRENTE DE DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO EM EXAME MÉDICO .
LEI 7.853/1989 E DECRETO 3.298/1999. OBRIGATORIEDADE DO PODER PÚBLICO DE
ASSEGURAR ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA O PLENO EXERCÍCIO DE SEUS DIREITOS .
EXAME DE COMPATIBILIDADE QUE DEVE OCORRER DURANTE O ESTÁGIO PROBATÓRIO
POR EQUIPE MULTIPROFISSIONAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Controvérsia que se
restringe à compatibilidade entre a deficiência do impetrante, de natureza auditiva, com as atribuições
do cargo público de Agente Penitenciário (AGEPEN) .2. A jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça entende que a aferição da compatibilidade entre a deficiência e as tarefas a serem
desempenhadas pelo candidato deverá ser aferida apenas durante o estágio probatório (RMS
1.880/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 6/10/2020, DJe de 15/10/2020;
REsp 1.777 .802/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/3/2019, DJe
de 22/4/2019).3. Entendimento que não se altera a despeito da revogação do art. 43, § 2º, do Decreto
3 .298/99 pelo Decreto 9.508/2018, tendo em vista ser o Brasil signatário da Convenção Internacional
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), promulgada pelo Decreto 6.949/2009 e
vigente com "status" de emenda constitucional ( CF/88, art. 5º, § 3º), a qual prevê, dentre outros
conceitos, o da adaptação razoável, que orienta para a inclusão de pessoas com deficiência em todo
ambiente de trabalho mediante ajustes necessários que não impliquem ônus desproporcional ao
empregador, o que deve ser aferido, concretamente, por meio do exercício da própria atividade
laboral, durante o período de estágio probatório .4. Constitui atuação discriminatória a eliminação
precoce de candidato com deficiência aprovado em concurso, afirmada antes do início do
exercício das funções inerentes ao cargo em estágio probatório e tendo por fundamento
considerações abstratas acerca da preconcebida incompatibilidade entre as funções a exercer
e a deficiência, sem que sejam ao menos tentadas modificações e ajustes no ambiente de
trabalho que, porquanto razoáveis, permitam a efetiva inclusão da pessoa com eficiência.5.
Agravo interno a que se nega provimento .

(STJ - AgInt nos EDcl nos EDcl no RMS: 55074 MS 2017/0210483-3, Relator.: Ministro PAULO
SÉRGIO DOMINGUES, Data de Julgamento: 08/04/2024, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de
Publicação: DJe 11/04/2024 – destacou-se)

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO.


ANALISTA DE SISTEMAS INFRAESTRUTURA . PETROBRÁS. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
PRELIMINAR REJEITADA. PERDA AUDITIVA BILATERAL . DEFICIÊNCIA CARACTERIZADA.
CONCORRÊNCIA ÀS VAGAS RESERVADAS AOS CANDIDATOS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA.
POSSIBILIDADE. APELAÇÕES DESPROVIDAS . 1. Na hipótese, discute-se nos autos se o
impetrante teria direito de ser classificado na lista de aprovados para vagas reservadas aos
candidatos com deficiência do concurso público para o cargo de Analista de Sistemas Infraestrutura
da Petrobrás, para o qual foi aprovado. 2. Não há que se falar em ilegitimidade passiva ad causam da
Petrobrás, uma vez que esta é a responsável pela deflagração do certame em questão e posterior
homologação do seu resultado final, bem como pelo provimento dos cargos . Preliminar rejeitada. 3.
A orientação jurisprudencial já sedimentada no âmbito deste egrégio Tribunal é no sentido de que
consideram-se como pessoas portadoras de deficiência auditiva aquelas que tenham perda auditiva
de 41 decibéis ou mais, valendo-se da média das frequências sonoras definidas na legislação.
Precedentes . 4. Em sendo assim, configurada a condição de deficiente auditiva do autor (perda de
audição bilateral superior a 41 dB), afigura-se ilegal, passível de correção o ato administrativo que
não considerou comprovada a condição de deficiente física do promovente, excluindo-o do concurso
público para o cargo de Analista de Sistemas Infraestrutura da Petrobrás. 5. Remessa necessária e
apelações desprovidas . Sentença mantida.

(TRF-1 - (AMS): 10493972520234013400, Relator.: DESEMBARGADOR FEDERAL EDUARDO


FILIPE ALVES MARTINS, Data de Julgamento: 15/05/2024, QUINTA TURMA, Data de Publicação:
PJe 15/05/2024 PAG PJe 15/05/2024 PAG)

No caso em análise, a eliminação do autor baseou-se exclusivamente em juízo abstrato sobre sua

deficiência auditiva, sem que fossem ao menos tentadas modificações e ajustes no ambiente de trabalho que,
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porquanto razoáveis, permitiriam a efetiva inclusão da pessoa com deficiência.

A documentação médica, embora demonstre efetivamente a perda auditiva, comprova que a

deficiência do autor é corrigível mediante uso de aparelho auditivo, não havendo indicação técnica que

comprometa definitivamente o desempenho das funções do cargo.

Ademais, de fato, as contestações apresentadas pelas requeridas evidenciam contradição quanto à

motivação do ato administrativo de eliminação.

Enquanto o Estado de Goiás sustenta que a exclusão decorreu da ausência de entrega integral dos

exames médicos, o IBFC fundamenta a eliminação na incompatibilidade funcional da deficiência com o cargo.

Esta divergência revela ausência de motivação efetiva, clara e unificada, configurando vício insanável

que compromete a legalidade do ato administrativo, notadamente porquanto a motivação deve ser objetiva,

precisa e congruente, permitindo ao administrado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, o que restou

prejudicado pela apresentação de justificativas contraditórias.

Ademais, o item 5.10.3 do Edital n.º 02/2024 estabelece que a equipe multiprofissional deve realizar

análise individualizada considerando o tipo e grau da deficiência, as atribuições do cargo e a possibilidade de

adaptação.

Não há nos autos evidência de que tenha sido realizada tal análise individualizada, tendo a avaliação

se limitado à classificação genérica da deficiência, em flagrante descumprimento das próprias regras editalícias.

Importante sublinhar, ainda, que a eliminação do autor viola frontalmente os princípios constitucionais

da dignidade da pessoa humana, igualdade e inclusão social, consagrados no art. 1º, III, art. 3º, IV, e art. 37, VIII,

da Constituição Federal.

No presente caso, portanto, nota-se as seguintes questões relevantes:

manifesta ilegalidade na ausência de motivação adequada, na adoção de fundamentos

contraditórios e na violação direta à política constitucional de inclusão de pessoas com deficiência.

a eliminação de candidatos portadores de deficiência auditiva em concursos públicos ou

durante o estágio probatório deve ser analisada com base em critérios legais e jurisprudenciais

específicos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm enfatizado que a avaliação da compatibilidade entre a

deficiência e as atribuições do cargo deve ocorrer durante o estágio probatório, e não antes, garantindo

que a eliminação precoce de candidatos com deficiência auditiva seja considerada discriminatória. Além

disso, a jurisprudência tem reconhecido que a eliminação de candidatos com deficiência auditiva sem

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fundamentação adequada ou baseada em critérios genéricos viola princípios constitucionais, como a

razoabilidade e a proporcionalidade

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado por REIZON FURTADO BRITO em

face do ESTADO DE GOIÁS e INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO – IBFC,

extinguindo o feito com análise do mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC, declarando a

nulidade do ato de eliminação do autor do Concurso Público regido pelo Edital n.º 02/2024, por violação

aos princípios da legalidade, motivação e inclusão, bem como à jurisprudência consolidada do Superior

Tribunal de Justiça.

Determino a imediata reintegração do autor ao certame na condição de pessoa com

deficiência apta, devendo participar de todas as fases subsequentes com as adaptações razoáveis

necessárias, sem prejuízo de reanálise da condição durante o estágio probatório.

Condeno os requeridos ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, que fixo

em R$ 3.000,00 (três mil reais), nos termos do art. 85, §§ 2º e 3º, I, do CPC, considerando a complexidade da

matéria e a jurisprudência consolidada.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Havendo a oposição de embargos de declaração, intime-se a parte contrária (embargado) para

apresentar as contrarrazões, no prazo de 05 (cinco) dias.

Após, façam-me os autos conclusos.

Registre-se que embargos de declaração se destinam, especificamente, a corrigir contradição,

omissão, obscuridade e erro material (artigo 1.022, do CPC), não sendo o meio adequado para modificar o

mérito da decisão, de modo que a oposição de eventuais embargos protelatórios será penalizada com a

imposição de multa, consoante previsto no § 2º, do art. 1.026 do CPC.

Na hipótese de interposição de recurso apelação, intime-se a parte contrária para que ofereça

contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias (CPC, art.1.010, § 1º).

Após, remetam-se os autos para apreciação do recurso interposto.

Cumpra-se.

Luziânia - Goiás, data do evento.

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Luciana Vidal Pellegrino Kredens

Juíza de Direito

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