Fujita 2018
Fujita 2018
THAIS FUJITA
DISSERTAÇÃO
LONDRINA
2018
THAIS FUJITA
LONDRINA
2018
TERMO DE LICENCIAMENTO
Esta Dissertação está licenciada sob uma Licença Creative Commons atribuição
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Califórnia 94105, USA.
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Pró-reitora de Pesquisa e Pós Graduação
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental
Campus Apucarana e Londrina
TERMO DE APROVAÇÃO
por
THAIS FUJITA
Dissertação de mestrado apresentada no dia 30 de maio de 2018, como requisito parcial para a obtenção
do título de MESTRE EM ENGENHARIA AMBIENTAL pelo Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Ambiental, Câmpus Apucarana e Londrina, Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
A mestranda foi arguida pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após
avaliação da Dissertação, a Banca Examinadora considerou a Dissertação APROVADO. O presente
termo assinado ficará depositado na Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Ambiental – PPGEA.
Agradeço aos meus pais, Rosinéia Fernandes Ferreira e Sérgio Fujita, e meu irmão, que sempre
me amaram e guiaram. Agradeço por acreditarem em mim e dado coragem para perseguir meus
sonhos.
Ao meu namorado, Arthur Aranda Bonato, por estar sempre ao meu lado. Agradeço pelo
companheirismo, incentivo e compreensão por todo esse período e por toda a amizade, amor e
cuidado ao longo do tempo.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Jorge Alberto Martins, pela oportunidade de transformar uma
simples intuição em um plano de vida. Agradeço imensamente pela confiança para realização
desse trabalho, por compartilhar seus conhecimentos e por criar oportunidades extraordinárias.
Ao meu coorientador, Prof. Dr. Marcos Vinicius Bueno de Morais, pelo conhecimento e
experiência oferecidos. Gratidão pelas palavras de encorajamento que sempre me fizeram
persistir um pouco mais e pelas contribuições fundamentais à realização desse trabalho. E,
também, por dividir a família maravilhosa: Viviana, Fabi e Beatriz.
À Profa. Dra. Leila Droprinchinski Martins, pelo acolhimento. Obrigada pelo exemplo de
dedicação e delicadeza nos diversos papéis da vida.
À doce amiga Veronika Brand Sassen, que me mostra como o tempo é sábio. E, por inspirar.
Às amigas que o mestrado me ofereceu: Rafaela Cruz Alves e Daniela Sanches de Almeida, em
especial Marília Moreira de Eiras, que prova diariamente que cordialidade e coerência são
fundamentais ao caráter. Também agradeço minha amiga de sempre, Williane Cristina
Rodrigues.
À Vanessa Cristina dos Santos, amizade que o universo deu – depois de muitas coincidências
inquestionáveis, que sempre me escolta de volta à serenidade e equilíbrio.
Ao José Alberto Fernandez Monteiro, pelo apoio durante a execução desse trabalho,
especialmente pelo encorajamento durante as etapas mais complicadas e, claro, pela amizade.
À ANA – Agência Nacional das Águas, por disponibilizar dados necessários para a realização
do trabalho e apoio financeiro através do projeto intitulado “Detecção do papel de mudanças
climáticas e das condições de uso e ocupação do solo sobre a hidrologia da bacia do rio Paraná”.
À CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Fundação
Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná, pelo apoio
financeiro para execução do mestrado.
Por fim, agradeço a todos que de alguma maneira contribuíram para que este trabalho pudesse
ser realizado.
Muito obrigada!
RESUMO
FUJITA, T. Calibration and Validation of a Hydrological Model for Ivaí River Basin. 128
p. Dissertation (Master degree). Environmental Engineering Master Program (PPGEA),
campus Apucarana/Londrina, Federal University of Technology - Paraná. Londrina, 2018.
Numerical models are widely used to study important issues related to the hydrological cycle,
especially those related to changes in land use and occupation and to climate change.
Hydrological models in particular have proven to be useful tools for policy-making by
managers and decision makers. Thus, the proper representation of the physical processes by a
model is extremely important for the quality of the response-variables of interest in a given
basin. In this sense, this work calibrated and validated the SWAT (Soil Water Assessment Tool)
hydrological model for the Ivai River Basin (IRB). For the calibration and validation, five
fluviometric monitoring stations were used, distributed along the central course of the river.
Based on the indicators proposed in the literature, for the performance evaluation of
hydrological models, the results obtained for the calibration indicate that the SWAT model
adequately simulated monthly flows. Based on the Nash-Sutcliffe efficiency index (NS), four
of the fluviometric stations considered were rated Very Good (NS between 0.86 and 0.89) and
only one with Good index (0.70). The applicability of the model to the IRB was confirmed
through the simulated responses during the validation step, based on a period different from
that used in the calibration. In this case, the five stations were evaluated as Very Good (NS
between 0.81 and 0.86). The calibrated model was also used in the evaluation of flow responses
under different arrangements of rainfall stations. In this case, we considered the calibrated and
validated simulation with the largest number of stations as the control scenario. This procedure
allowed to investigate the impact of the density of stations and their spatial distributions in the
IRB and to evaluate the minimum density of stations to support hydrological simulations with
satisfactory quality. Considering a relative mean square error (RRMSE) of 0.05 as acceptable
in the literature, the results showed that the model is able to satisfactorily represent the IRB
flow with minimum arrangements between 11 and 20 rainfall stations (one rainfall gauge
controls 923.11 km² and 744.44 km², respectively). The difference in the minimum number of
stations is associated to the great spatial variability of the physical and climatic characteristics
of the IRB, which entails different values of RRMSE due to the spatial arrangement of the
stations. Although improvements are still possible, the quality of the simulated flows shows
that the hydrological model using SWAT is perfectly suited for immediate use by managers and
policy makers for the water resources area within the IRB.
Tabela 1 – Sub-bacias do rio Ivaí delimitadas no ArcSWAT. Detalhamento com nome do rio
referente à área de drenagem da bacia, altitude média, máxima e mínima e número de HRUs
que compõem a sub-bacia ......................................................................................................... 37
Tabela 2 – Relação de categorias da classificação MODIS com os códigos correspondentes às
classes do SWAT para a BHRI ................................................................................................. 40
Tabela 3 – Estações fluviométricas no curso principal do rio Ivaí que serviram de pontos de
monitoramento de vazão e, consequentemente, exutórios de cinco sub–bacias da BHRI 52
Tabela 4 – Valores de ALPHA_BF calculados a partir de dados observados de vazão no
software SWAT Bflow. ............................................................................................................ 56
Tabela 5 – Informações gerais sobre o procedimento de calibração das simulações: nome do
parâmetro, intervalo de modificação absolutos do modelo, intervalo de modificação
regionalizado para o sul e sudeste do Brasil baseado nos trabalhos listados em Fonte – Valores
calibrados em aplicações .......................................................................................................... 60
Tabela 6 – Classificações de desempenho geral para as estatísticas recomendadas em
simulações de tempo mensal .................................................................................................... 65
Tabela 7 – Resumo das estações empregadas para interpolação por sub-bacia, combinadas para
a BHRI e a densidade das estações para cada arranjo selecionado........................................... 66
Tabela 8 – Índices de avaliação de incertezas do modelo de cada estação fluviométrica a partir
da captura dos registros de vazão (p-factor) e espessura do envelopamento 95PPU (r-factor).
............................................................................................................................................ 70
Tabela 9 – Índices estatísticos do desempenho da calibração para a simulação de número 129
para a BHRI .............................................................................................................................. 71
Tabela 10 – Magnitude de vazão mensal média simulada, observada e respectivos desvios
padrões para as estações fluviométricas de referência da BHRI. Os valores observados referem-
se à melhor simulação da calibração......................................................................................... 72
Tabela 11 – Lista de parâmetros usados no SWAT-CUP para a modelagem do Ivaí e seus
respectivos valores iniciais de projeto, intervalo de modificação final e modificação final dos
parâmetros referente à melhor simulação. IMR corresponde ao Intervalo de Modificação
Remanescente ........................................................................................................................... 86
Tabela 12 – Índices estatísticos da validação do modelo hidrológico da BHRI...................... 91
Tabela 13 - Magnitude de vazão mensal média simulada, observada e respectivos desvios
padrões para as estações fluviométricas de referência da BHRI. Os valores observados referem-
se à melhor simulação da validação ......................................................................................... 93
Tabela 14 - Relação de AEI e densidades respectivas aos RRMSE da vazão e precipitação.
.......................................................................................................................................... 103
LISTA DE ANEXOS
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 19
2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 22
2.1 Objetivo Geral................................................................................................................... 22
2.2 Objetivos Específicos ........................................................................................................ 22
3 METODOLOGIA ................................................................................................................ 23
3.1 Caracterização da área de estudo ................................................................................... 23
3.1.1 Aspectos físicos ............................................................................................................... 25
3.1.2 Uso e ocupação do solo ............................................................................................................ 30
3.1.3 Aspectos hidrológicos...................................................................................................... 31
3.2 Descrição do modelo SWAT ............................................................................................ 33
3.3 Dados de entrada .............................................................................................................. 35
3.3.1 Dados topográficos .......................................................................................................... 35
3.3.2 Dados pedológicos ........................................................................................................... 38
3.3.3 Dados de cobertura vegetal e uso da terra ....................................................................... 39
3.3.6 Informações climáticas .................................................................................................... 43
3.4 Modificações de entrada do modelo ................................................................................ 49
3.4.1 Operações de uso da água ................................................................................................ 49
3.4.2 Irrigação ........................................................................................................................... 49
3.4.3 Rotação de culturas agrícolas .......................................................................................... 50
3.5 Pontos de amostragem de vazão ...................................................................................... 51
3.6 Calibração do modelo....................................................................................................... 53
3.6.1 Período de simulação ....................................................................................................... 55
3.6.2 Seleção dos parâmetros ................................................................................................... 55
3.6.3 Parametrização e definição dos intervalos de parâmetros ............................................... 59
3.6.4 Análise de sensibilidade .................................................................................................. 61
3.6.5 Calibração semi-automática SUFI-2 ............................................................................... 62
3.6.6 Validação ......................................................................................................................... 63
3.6.7 Avaliação do modelo ........................................................................................................... 63
3.7 Densidade de estações ....................................................................................................... 65
3.7.1 Avaliação das respostas aos arranjos de estações ............................................................ 67
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ...................................................................................... 69
4.1 Avaliação da preliminar de desempenho do SWAT ..................................................... 69
4.2 Índices estatísticos da calibração .................................................................................... 70
4.3 Vazão, desvio padrão e curva de permanência .............................................................. 72
4.3.1 Estação Tereza Cristina ................................................................................................... 73
4.3.2 Estação Ubá do Sul.......................................................................................................... 76
4.3.3 Estação Vila Rica ............................................................................................................. 78
4.3.4 Estação Porto Paraíso do Norte ....................................................................................... 81
4.3.5 Estação Novo Porto Taquara ........................................................................................... 83
4.4 Parâmetros calibrados ..................................................................................................... 86
4.5 Validação ........................................................................................................................... 90
4.6 Avaliação do número de estações na BHRI.................................................................... 94
4.6.1 Vazões das estações virtuais ............................................................................................ 94
4.6.2 Padrão de precipitação das estações virtuais ................................................................... 98
4.6.3 Densidade das estações interpoladas ............................................................................. 102
5 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 104
REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 106
ANEXOS................................................................................................................................ 122
19
1 INTRODUÇÃO
Esses modelos investigam o balanço hídrico local e acumulam o fluxo de água através de uma
rede fluvial construída a partir de informações topográficas (VÖRÖSMARTY et al., 1989). Ao
longo dos anos, alguns modelos passaram a considerar as interações entre os fluxos terrestres
da bacia com as atividades humanas (Limburg Soil Erosin Model, LISEM – DE ROO et al.,
1996; Soil and Water Assessment Tool, SWAT - ARNOLD et al., 1999; Annual Agricultural
Non-Point Source, AnnAGNPS – BINGNER e THEURER, 2005). Posto que, as atividades
humanas modificam significativamente o regime hídrico e não podem ser negligenciadas na
modelagem hidrológica. Para Wada et al. (2017), não ponderar essas influências cria resultados
tendenciosos pela reprodução de condições exclusivamente naturais, que já não imperam na
atual conjuntura.
Independente da escolha do modelo, a precipitação é o principal componente para o
sucesso das simulações e, a representação adequada de sua distribuição é de extrema
importância para a qualidade das respostas aos processos da bacia (SINGH, 1998;
HABERLANDT e KITE, 1998; ARNOLD et al., 1998). Em geral, a variação espacial da
precipitação é mais importante que a variação temporal (ANDRÈASSIAN et al., 2001;
GASSMAN et al., 2007). Inúmeros trabalhos investigam métodos de processamento dos efeitos
da espacialização da precipitação (TUO et al., 2016). Entre eles, destacam-se métodos de
interpolação de registros de estações pluviométricas e pelas estimativas a partir de produtos de
satélites (por exemplo, Tropical Rainfall Measurements Mission, TRMM – HONG et al., 2007;
Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station Data, CHIRPS – SAHA et al.,
2010; Climate Forecast System Reanalysis, CFSR – FUNK el al., 2015).
Apesar dos aspectos hidrológicos da precipitação estarem sob constante investigação,
poucas aplicações discutem eventuais melhorias de representação dos aspectos da distribuição
na modelagem. Além disso, as estimativas da precipitação superficial média da bacia ou o
arranjo de redes de monitoramento usualmente são tratadas à parte da modelagem hidrológica
(CHAPLOT et al., 2005). Bras (1979) e Storm et al. (1988) afirmam que a bacia hidrográfica
se comporta como um filtro e atenua a variabilidade da precipitação. Por esse ângulo,
Andrèassian et al. (2001) afirmam que é coerente que seja feita a caracterização dos efeitos
desses filtros para determinação da melhor quantidade e qualidade de dados de precipitação
necessários para alcançar um certo grau de acurácia nas simulações de vazão.
Nesse sentido, poucos trabalhos investigam a capacidade de representação de redes de
estações pluviométricas em amplas condições climáticas e topográficas. Os estudos indicam,
em geral, que os uso de elevada densidade de estações resultam em melhor estimativa
quantitativa, particularmente em eventos intensos ou de menor escala e que a localização das
21
2 OBJETIVOS
3 METODOLOGIA
O rio Ivaí foi escolhido para o estudo em função de quatro fatores peculiares quando
comparados com outros rios: 1) variabilidade da hidrologia, condicionada pelas propriedades
fisiográficas (geologia, declividade, clima, entre outros); 2) disponibilidade de dados climáticos
e fluviométricos; 3) condição natural do rio sem barramento no curso principal e, 4) pela
importância econômica. A bacia do rio Ivaí destaca-se pelo potencial agrícola decorrente de
solos férteis e bem estruturados (DESTEFANI, 2005), com zonas de alta declividade favorável
a aproveitamentos hidrelétricos (COPEL, 1984a e 1984b), além de se situar sobre áreas de
recarga direta de aquíferos (REBOUÇAS, 1976; CELLIGOI e DUARTE, 2000). Tais aspectos
fazem do Ivaí uma das áreas mais economicamente produtivas do estado do Paraná
(DESTEFANI, 2005).
A Bacia Hidrográfica do rio Ivaí (BHRI) está localizada na região sul do Brasil, entre
22°54’ – 25°34’S e 50°44’ – 53°43’O, ocupando uma área de 36.589 km². O rio Ivaí é afluente
da margem esquerda do curso superior do rio Paraná e encontra-se completamente inserido em
território paranaense (Figura 1). A nascente do rio Ivaí situa-se a mais de 800 m de altitude,
onde o rio dos Patos e São João convergem; segue em direção noroeste e assume orientação
oeste até desaguar no rio Paraná, a aproximadamente 230 m de altitude, em um percurso de 680
km.
24
Figura 2 – a) Mapa de segmentação do rio Ivaí em Superior, Médio e Inferior, e b) Esquema do perfil
longitudinal do curso principal do rio Ivaí e respectivas segmentações e, indicação das estações
fluviométricas.
Segmento Superior: percurso que se estende da nascente do rio dos Patos, passando
pela origem do Ivaí, até a proximidade da estação fluviométrica Vila Rica. O segmento
sofre um desnível abrupto de 150 m nos três primeiros quilômetros (S1), apresentando
25
[Link] Clima
[Link] Solos
O canal do Ivaí apresenta padrão sinuoso com curvas irregulares e quedas abruptas
(SANTOS, 2015). Segundo Destefani (2005), maiores altitudes e fortes declividades favorecem
a rede de drenagem do Segmento Superior da bacia, que apresenta sinuosidade alta com curvas
menos extensas e separadas por curtos trechos retilíneos (Figura 7a). No trecho Médio,
predominado por derrames de lavas basálticas, o solo apresenta grande dureza e baixa
permeabilidade criando uma rede densa e meandrante (Figura 7b), exibindo curvas com maior
raio e em menor número. Já na porção Inferior, ao norte da bacia, as baixas declividades e solos
permeáveis garantem um sistema de drenagem mais aberto e retilíneo (Figura 7c), o rio Ivaí
30
ainda exibe características de canal meandrante, porém o padrão não é ativo, visto que o rio
corre sobre substrato rochoso e dispõe de margens estáveis (DESTEFANI, 2005).
Figura 7 – Ilustração da rede de drenagem do rio Ivaí. a) Trecho superior, alta sinuosidade com curvas
menos extensas e separadas por curtos trechos retilíneos; b) Trecho médio, rede densa e meandrante, e
c) Trecho inferior, sistema de drenagem aberto e retilíneo.
população total do Paraná (IBGE, 2004 apud SEMA, 2010a). Destas pessoas, 75% viviam na
área urbana e 25% na zona rural.
Atualmente, no Segmento Superior da bacia predominam as áreas de reflorestamento e
uso misto com agricultura; no Médio, grandes faixas de agricultura intensiva e, no Segmento
Inferior, ocorre a predominância de pastagens artificiais e campos naturais (SEMA, 2010b).
Neste mesmo segmento, o cultivo de cana de açúcar se desenvolve habilmente sob as
características predominantes da região (DOORENBOS e KASSAM, 2000).
Com o avanço socioeconômico, a vegetação natural que cobria a bacia do rio Ivaí foi
intensamente modificada ao longo dos anos (KUERTEN, 2006). Ainda são detectados
pequenos resquícios de vegetação original, protegidas por áreas ambientais, em uma paisagem
predominantemente agrícola. Ao todo, são sete áreas de preservação ao longo da bacia, sendo
a maior a Área de Proteção Ambiental da Serra da Esperança com aproximadamente 2.605 km²,
próxima a nascente (SEMA, 2009).
Com relação ao regime de vazões, o rio Ivaí não apresenta um período sazonal definido.
Ondas de cheia e estiagem são indeterminadas e assim, o regime de vazões configura-se com
baixa periodicidade (DESTEFANI, 2005). Essa característica é atribuída à pequena capacidade
de armazenamento da bacia em relação ao comprimento do canal, que induz respostas imediatas
de vazão em relação à pluviosidade (SANTOS, 2015).
As séries de vazão do Ivaí, quando analisadas em hidrogramas, mostram picos
pontiagudos e próximos um dos outros. Hidrogramas com essas características referem-se à rios
com vertentes estruturadas com qualidade de rocha e solos impermeáveis (DESTEFANI, 2005).
Desta forma, fazem a precipitação escoar em quantidade e velocidade elevada formando picos
de vazão agudos e de subida rápida que vão até o canal do rio (VILLELA e MATTOS, 1975).
O principal fator que leva a evolução de cheias é o evento extremo de precipitação
(TUCCI, 1997). As cheias podem ser caracterizadas pelas formas que os registros de vazão se
distribuem pelas estações fluviométricas (TUCCI, 2014). No rio Ivaí, os picos se propagam de
montante para a jusante, de uma estação à outra, com aumento da vazão à medida que se
32
aumenta a área de drenagem. Em geral, quando se trata de vazão média, o rio Ivaí apresenta um
regime hidrológico normal (DESTEFANI, 2005).
A BHRI drena as áreas que mais sofreram com o desmatamento no estado do Paraná. A
porção Média e Inferior são as mais desprovidas de vegetação florestal por apresentar
características físicas adequadas para a agricultura, principalmente do tipo mecanizada
(DESTEFANI, 2005). Essa mudança de cobertura da superfície veio acompanhada com a
transição de técnicas de trabalho, por meio da correção do solo e controle da erosão (MEURER
et al, 2010). A vegetação primária ao sul encontra-se mais preservada em razão da cultura do
café não ter se adaptado às regiões de frequentes geadas e interferência do relevo acentuado
(CARAMORI et al., 2001; DESTEFANI, 2005).
A retirada da vegetação original deixa o solo sem proteção acentuando o escoamento
pluvial, que favorece mudanças de vazão quanto à magnitude dos picos de descarga (TUCCI,
2014). Processos como este são acentuados com a introdução de monoculturas como soja e
milho, que anualmente expõe o solo durante a colheita; e no desenvolvimento, essas plantas
desempenham reduzida proteção ao solo por apresentarem menor porte e raiz superficial
(SASAL et al., 2010).
O Soil and Water Assessment Tool (SWAT) (ARNOLD et al., 1999) é regido pelas
equações do balanço hídrico. A simulação da bacia hidrográfica pode ser dividida em duas
principais fases: a primeira corresponde às características do terreno, que controla a quantidade
de água e cargas de sedimento, nutriente e pesticida direcionadas ao canal principal de cada
sub-bacia; a segunda, referente à água ou fase de roteamento, em que o movimento da água,
sedimentos, etc. é considerado através da rede de canais da bacia até o exutório (NEITSCH et
al., 2011).
A diretiva principal por trás do modelo é o equilíbrio hídrico e, para isso, a simulação
deve estar de acordo com o que acontece com a bacia hidrográfica. Portanto, nas simulações do
SWAT, o ciclo hidrológico baseia-se na equação de equilíbrio hídrico descrita pela Equação 1:
t
em que SWt é a quantidade final de água no solo, SW0 é a umidade do solo inicial, t é o
tempo (em dias), Rdia é a quantidade de precipitação, Qsup é a quantidade de escoamento
superficial, Eevap é a quantidade de evapotranspiração, Waera é a quantidade de água que entra
na zona de aeração do perfil do solo, e Qret é a quantidade de retorno do fluxo – sendo todas
informações referentes ao dia i.
O sistema hidrológico das simulações do SWAT contempla quatro componentes
principais: reservatórios superficiais, reservatórios subsuperficiais, reservatórios subterrâneos
de aquíferos rasos e livres e os reservatórios subterrâneos de aquífero profundo. Em conjunto,
os reservatórios contribuem para o escoamento no canal que provém do fluxo lateral a partir do
perfil de solo e do fluxo de retorno do aquífero raso, configurando a vazão de base. O volume
de água que percola dos aquíferos superficiais através do perfil do solo, que representa a recarga
do aquífero raso, e a água que percola para o aquífero profundo não retornam para o sistema
(NEITSCH et al., 2011).
A evaporação é calculada considerando dois processos distintos: a evaporação dos
corpos d’água, solo e das superfícies vegetadas e o processo de transpiração das plantas. Os
procedimentos de separação das parcelas evaporativas são descritos no trabalho de Ritchie
(1972), que considera a evaporação da água no solo por estimativa exponencial da profundidade
34
Por fim, uma vez que o SWAT determina a água acumulada para o canal principal,
proveniente de cada sub-bacia, os volumes são propagados através da rede de drenagem da
bacia hidrográfica até o seu exutório. Processos esses que podem ser baseados em duas
estruturas de comando disponíveis, ambas derivadas do Modelo de Onda Cinemática (CHOW,
et al., 1988): Método da Média Variável (WILLIAMS, 1969) e o Método de Muskingum
(OVERTON, 1966).
Para configuração do modelo, utilizou-se o software ArcGIS 10.4 com a extensão
ArcSWAT, plugin do ArcGIS para executar o SWAT. A configuração do projeto requer mapas
de solo, cobertura de terra e perfil topográfico, assim como, dados climáticos, gestão de recursos
hídricos1; além de dados de vazão para as simulações.
1
Do inglês General Management Variables – GMV, que envolve práticas de operação em gestão da terra e da
água no sistema, como plantação, colheita, aplicação de irrigação, pesticida e nutrientes.
36
Figura 8 – Mapa do modelo digital de elevação da bacia hidrográfica do rio Ivaí com resolução de 90
metros da SRTM.
A partir de cada pixel do MDE são criadas as direções do fluxo da água e a malha de
acumulação. O modelo ajusta um limite para delimitar a área de drenagem, assim como a
inserção de pontos de interesse, em qualquer trecho da rede hidrográfica, para monitoramento
das informações simuladas.
No processo de divisão das sub-bacias a partir do MDE, o limite estabelecido foi 900
km² para que a nascente do rio Ivaí, criada pela malha de acumulação no modelo, coincidisse
com as imagens de satélite. O SWAT adiciona automaticamente os pontos de confluência da
rede hidrográfica (pontos em verde na Figura 9), que passam a representar os exutórios
referentes a cada sub-bacia gerada. Foram criadas 19 sub-bacias e, com a adição de cinco pontos
de monitoramento de vazão (pontos em vermelho e detalhados na Tabela 1), novas áreas foram
criadas, que totalizaram 24 sub-bacias com áreas de 24,08 a 4.416,82 km², distribuídas por 502
HRUs. O detalhamento das sub-bacias encontra-se na Tabela 1.
37
Figura 9 – Esquema das sub-bacias delimitadas pelo SWAT. Pontos em vermelho representam os
pontos de monitoramento de vazão (cinco estações fluviométricas) e em verde os pontos de
confluência da rede hidrográfica.
Tabela 1 – Sub-bacias do rio Ivaí delimitadas no ArcSWAT. Detalhamento com nome do rio referente
à área de drenagem da bacia, altitude média, máxima e mínima e número de HRUs que compõem a
sub-bacia.
Sub- Altitude
Afluentes Área (km²) HRU
bacia Média Mínima Máxima
1 Rio Ivaí 24,08 283,43 232 380 25
2 Rio Bonito 1.228,31 344,46 232 524 21
3 Rio Tapiracuí 932,78 393,70 235 540 18
Ribeirão Tamanduá e Córrego
4 2.188,17 320,31 187 497 22
do 215
Ribeirão Paixão e Ribeirão
5 2.597,81 371,80 230 546 25
Paranavaí
6 Ribeirão Inhuma 598,27 404,73 239 586 24
7 Rio dos Índios 906,13 448,67 253 624 27
8 Ribeirão das Antas 1.217,29 361,98 230 517 22
Ribeirão Paranhos, Rio Ligeiro
9 4.416,82 433,86 236 681 18
e Rio Claro
Ribeirão Keller, Rio Arurão e
10 1.400,62 429,57 268 808 19
Ribeirão Barbacena
11 Rio Ivaí 2,48 326,28 279 377 11
Ribeirão Cambará e Rio da
12 1.042,88 508,95 273 881 22
Bulha
13 Rio Bom 1.631,44 621,94 324 1.192 19
14 Rio Mourão 1.648,85 582,70 284 853 10
38
Sub- Altitude
Afluentes Área (km²) HRU
bacia Média Mínima Máxima
15 Rio Ivaí 436,85 484,54 323 723 32
16 Rio Ivaí 111,65 528,92 357 687 31
17 Rio Alonzo ou do Peixe 2.823,10 667,25 373 1.278 38
18 Rio Curumbataí 3.615,99 600,71 292 1.158 31
Rio do Peixe, Rio Branco, Rio
19 2.991,96 680,58 366 1.109 43
Maria Flora e Rio Borboleta
20 Rio Pitanga 912,65 899,13 453 1.252 35
21 Rio Bonito 618,20 849,61 450 1.205 45
22 Rio Marrecas 1.294,49 959,80 466 1.335 45
23 Ribeirão dos Índios 767,30 715,40 469 1.145 24
24 Rio dos Patos e São João 3.181,46 801,90 480 1.331 46
porém parte dos dados foi replicado de investigações em solos paranaenses (MERCURI
et al., 2009).
Da mesma forma que os dados de solo, as informações de uso da terra também podem
ser inseridas por meio de dados espaciais e tabulares. Estas informações participam da
fundamentação do escoamento e infiltração da água no solo, além do equacionamento da
fisiologia vegetal, crescimento das culturas e à ciclagem de nutrientes (NEITSCH et al., 2011).
Para os dados espaciais foram utilizados os produtos de cobertura do solo do MODIS
(Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que são fornecidos pelo sítio eletrônico da
NASA, no NASA’s Land Processes Distributed Active Archive Center – LP DAAC. A
resolução espacial é de 500 metros (sigla MCD12Q1), com o esquema primário de cobertura
do solo que identifica 17 classes definidas pelo IGBP (International Geosphere-Biosphere
Programme), incluindo 11 classes de vegetação natural, três classes com alterações humanas e
três de áreas não vegetadas (FRIEDL et al., 2010). Dentro dos limites da BHRI, foram
identificadas 10 classes de cobertura do solo (Figura 10).
Figura 10 – Mapa da cobertura do solo adquiridos pelos produtos MODIS. São identificadas 10
classes de cobertura na BHRI.
O SWAT possui 127 categorias de usos da terra que descrevem diversos tipos de cultura
agrícola, feições naturais e coberturas específicas; além de mais 9 categorias distintas de
urbanização diferenciadas pela densidade das edificações (ARROIO Jr, 2016). Dessa forma,
para cada classe identificada no produto MODIS da BHRI, um tipo de classe de uso da terra do
40
Código
Classe SWAT – descrição Descrição
MODIS
00 WATR – Water Água
02 FRSE – Forest Evergreen Floresta Perene Agulhada
04 FRSD – Forest Deciduous Floresta Decídua Latifoliada
05 FRST – Forest Mixed Floresta Mista
06 RNGB – Range-Brush Vegetação Arbustiva Densa
09 RNGE – Range-Grasses Savana Esparsa
10 PAST – Pasture Pastagem
11 WETL – Wetland Área Permanentemente Alagada
12 AGRL – Agriculture Agricultura
13 URML – Residential Med/Low Density Área Urbana
3.3.4 Declividade
2
[Link]
43
entre as camadas (cobertura do solo, tipo de solo e declividade do terreno). Para cada número
de HRU, a rotina calculou o menor valor de aREA, destacado em vermelho na Figura 13.
Valores distantes da linha vermelha do gráfico não refletem a melhor combinação de limiares,
visto que para um mesmo número de HRU, o erro atribuído é superior.
Quanto maior o número de HRUs maior é o processamento computacional necessário
para sustentar as simulações. Baseado nos resultados do topHRU, a BHRI foi segmentada a
partir dos limiares propostos de 5% para a cobertura do solo, 5% para o tipo de solo e 5% para
a declividade, totalizando 502 HRUS, com um valor de aREA de 0,0341; ou seja, 3,41% de
área da bacia modificada. A combinação 5/5/5% está em destaque na intersecção entre as linhas
pontilhadas do gráfico. O número de HRUs criado para cada sub-bacia foi detalhado na Tabela
1.
Figura 13 – Gráfico gerado pela rotina do software R proposta por Strauch et al. (2016). Número de
HRUs e valores de aREA (Relative Error of Aggregation).
vento (m/s) e umidade relativa (%). Estas podem ser incorporadas a partir de registos
observados e produtos de reanálise ou gerados durante as simulações do modelo.
Nos próximos tópicos serão apresentados os mecanismos para caracterização climática
da BHRI para as simulações do SWAT. Os dados de umidade relativa do ar, radiação solar,
temperatura e velocidade do vento foram obtidos a partir do produto de reanálise global. Os
dados de precipitação são oriundos da interpolação de estações convencionais de
monitoramento. E, para preenchimento de eventuais falhas nas séries de dados, foi feito o
complemento com o gerador climático derivado do mesmo produto de reanálise global.
Para contornar os problemas inerentes aos dados climáticos da BHRI, como baixa
resolução espacial e temporal, presença de falhas ou erros aleatórios, foram adotados os dados
do produto de reanálise do CFSR, do inglês Climate Forecast System Reanalysis (SAHA et al.,
2010). A aplicação do CFSR no SWAT garante a continuidade das séries de dados pelo
preenchimento das cinco variáveis climáticas admissíveis pelo modelo.
Os produtos de reanálise do CFSR consistem em previsões horárias geradas pelo
National Weather Services NCEP Global Forecast System, que se apoiam nas redes de estações
meteorológicas no mundo todo e produtos de satélite. O espaçamento de grade horizontal é de
38 km com área de cobertura global; o sistema de gelo superficial e marinho é acoplado ao
sistema atmosfera-oceano-terra para promover melhores estimativas para o período de 1979 até
a presente data (SAHA et al., 2016).
Os dados do CFSR podem ser obtidos através da seção de suporte do laboratório
Computacional and Information Systems da NCAR (National Center for Atmospheric
Research). Porém, as informações são disponibilizadas prontamente no formato dos arquivos
de assimilação do SWAT através do sítio dos desenvolvedores do modelo3
(GLOBALWEATHER, 2017). Nesse sítio, as informações climáticas do CFSR são ofertadas
para o período de 36 anos (1979 a 2014). Para a BHRI, foram empregadas as variáveis
climáticas: umidade relativa do ar, temperatura máxima e mínima, velocidade do vento e
radiação solar entre os anos de 1991 a 2007, totalizando 18 pontos do grid do CFSR para cada
variável.
3
[Link]
45
Apesar do SWAT incluir o seu próprio banco de dados para o gerador climático, o
WXGEN (SHARPLEY e WILLIAMS, 1990) foi desenvolvido apenas para o território dos
Estados Unidos. Além do WXGEN, há inúmeros geradores climáticos disponíveis que se
diferenciam em procedimentos, embora apresentam uma característica em comum: requerem
valores de leituras diárias para calcular as estatísticas mensais que são usadas para gerar os
dados diários faltantes.
O gerador climático, seja para pequenas áreas ou áreas extensas, elabora um conjunto
de dados para cada sub-bacia de forma independente, descritos como segue:
Gerador de precipitação: aplica o modelo de Cadeia de Markov (CARVALHO et al.,
2017) para definir um dia chuvoso ou não a partir da comparação de um número
randomizado (entre 0 e 1) baseado em probabilidades de meses secos e úmidos
identificados nos dados de entrada do SWAT. O SWAT emprega o modelo de criação
de precipitação diária a partir da metodologia proposta por Nicks (1974).
Gerador de temperatura do ar e radiação solar: os dados são criados a partir da
distribuição normal. Uma equação de continuidade também é aplicada para considerar
as variações de dias chuvosos ou secos. Temperatura máxima do ar e radiação solar são
ajustadas a partir da curva normal com tendência decrescente para dias úmidos e;
tendência crescente para as condições secas. Os ajustes são criados para garantir que os
dados gerados de longo prazo concordem com as médias de entrada.
Gerador da velocidade do vento: uma equação exponencial modificada do perfil vertical
é usada para gerar médias diárias de velocidade do vento a partir da média mensal dada.
O SWAT assume que as informações são registradas a 1,7 metros acima do solo
(NEITSCH et al., 2011).
Gerador da umidade relativa: o modelo usa a distribuição triangular para simular a
média diária de umidade relativa a partir de dados mensais. Com a temperatura e
radiação, a umidade relativa é ajustada para considerar os efeitos dos dias secos e
úmidos.
Para incluir novas zonas climática compatíveis com a área do projeto, o ArcSWAT
aceita a importação de estações para o banco de dados do usuário – Weather Generator
(WGEN). Para o projeto da BHRI foram inseridas informações dos produtos de reanálise do
NCEP-CFSR (National Centers for Environmental Predictions – Climate Forecast System
46
Reanalysis). As médias mensais dos dados para o período de 32 anos foram calculadas com
base em Schuol e Abbaspour (2007) e inseridos diretamente no banco de dados.
O emprego do WGEN qualifica-se para a descrição climática e muitas das aplicações
do SWAT que se apoiam na caracterização exclusiva da climatologia por meio do WGEN,
regiões sem rede de detecção climática ou com poucos registros disponíveis (SCHUOL e
ABBASPOUR, 2008; KUO et al., 2007). Entretanto, para a BHRI, o WGEN foi solicitado
apenas nas situações de preenchimentos de dados faltantes para a continuidade das séries de
dados.
[Link] Precipitação
4
[Link]
47
|𝑑𝑜𝑖 |−𝑑
𝜆𝑖 = 𝑛 ,𝑑>0 (3)
∑ 𝑖−1
|𝑑 |−𝑑
𝑜𝑖
48
Figura 14 – a) Ilustração da grade de interpolação das estações disponíveis para a BHRI; b) Destaque
para a grade exclusiva de uma sub–bacia e seu centróide e c) Detalhe dos pixels da grade de
interpolação pelo método IDW.
49
3.4.2 Irrigação
Figura 15 – Mapa dos limites das áreas estratégicas da BHRI identificadas pela SEMA (2010c) e os
limites dos municípios.
As práticas de gestão de culturas agrícolas podem ser definidas pelo usuário, e quando
inseridas, ajudam o modelo a aprimorar a simulação hidrológica, em especial com os processos
associados à evapotranspiração. A rotação de culturas é o crescimento de diferentes lavouras
em sucessão em um mesmo terreno. No SWAT, se refere às mudanças das práticas de gestão
51
de um ano para o outro. Não há limites de números de anos para criação de um ciclo, porém
apenas uma cultura pode crescer por vez.
As operações que controlam o ciclo das plantas, foram adicionadas por meio de
cronogramas na opção de calendário juliano. Dentre as informações necessárias, incluem o
tempo de operação (mês e dia), número de unidades de aquecimento necessárias à maturidade
da planta e a especificação da cobertura do solo para a simulação dentro da HRU. Os processos
da rotação de culturas da BHRI foram resumidos em duas operações pré-definidas do modelo:
Plantação/Começo da temporada de crescimento: operação que inicia o crescimento da
planta. Essa operação pode ser utilizada para designar o tempo de plantação de culturas
agrícolas ou a iniciação de plantas que requer vários anos para atingir a maturidade.
Colheita e operação de morte: essa operação cessa o desenvolvimento da planta na
HRU. A fração remanescente da biomassa da planta é convertida em resíduo sobre a
superfície do solo.
Para criação da rotação de culturas da BHRI foram investigados adaptações e
aprimoramentos de sistemas de rotação do estado do Paraná que consideravam as condições
regionalizadas a partir de características endoclimáticas. A partir do trabalho de Franchini
(2011), foram identificadas as principais culturas e etapas da rotação, de forma a contemplar a
variabilidade de toda a BHRI, o ciclo de rotação dura quatro anos e, a cada 6 meses, inicia-se
uma nova temporada de crescimento. A ordem alterna entre milho e soja, com exceção do
terceiro ano, onde o milho safrinha assume o segundo semestre. O detalhamento da rotina de
rotação está na Tabela A5 dos Anexos.
As informações também são tratadas a nível de HRU, portanto as operações de rotação
de culturas foram aplicadas à classe agricultura de toda bacia (denominada AGRL). Ou seja,
onde se tem superfície de agricultura na bacia, ocorre a operação de rotação e, se repete a cada
quatro anos.
Tabela 3 – Estações fluviométricas no curso principal do rio Ivaí que serviram de pontos de
monitoramento de vazão e, consequentemente, exutórios de cinco sub-bacias da BHRI.
A partir das estações eleitas, a BHRI foi particionada em Alto, Médio e Baixo Ivaí
seguindo a metodologia de segmentação do rio proposta por Destefani (2005), descrita na
subseção 4.1. As estações pluviométricas e suas respectivas áreas de drenagem serviram para
delimitar a segmentação. A área em vermelho da Figura 16 representa o Alto Ivaí, referente à
área de drenagem das estações Tereza Cristina e Ubá do Sul. O Médio Ivaí, em azul, é traçado
a partir da área de drenagem exclusiva às estações Vila Rica e Porto Paraíso do Norte; e em
verde, configura-se o Baixo Ivaí compreendendo a área de drenagem da estação Novo Porto
Taquara e a extensão até o exutório.
Figura 16 – Posicionamento das estações pluviométricas no curso principal do rio Ivaí e divisão da
bacia em três áreas: alto, médio e baixo Ivaí.
amostragem a partir de uma faixa de valores definida pelo usuário (ROUHOLANEJAD et al.,
2012). O fluxograma da Figura 17 mostra o processo adotado de calibração.
As séries de dados de vazão das cinco estações eleitas do rio Ivaí dispõem de um período
de 17 anos de registros diários (1991 – 2007), período suficiente para a divisão entre as etapas
da simulação. Dessa forma, foi decidido empregar três anos de aquecimento (warm up) do
modelo (1991 – 1993), considerado tempo hábil para garantir a operação do ciclo hidrológico
(ARNOLD et al., 2012), e doze anos para a calibração (1994 – 2005) já que este período deve
incluir estações úmidas e secas da bacia. Para validação, foi estabelecido os últimos dois anos
da série, 2006 e 2007.
para o período de calibração (1991 – 2005), resultando nas razões descritas na Tabela 4.
Sendo assim, os fatores foram utilizados como valores fixos para as sub-bacias
respectivas à sua área de drenagem durante a configuração do modelo. Porém, ainda são
objeto de incerteza e por esse motivo serão investigadas na análise de sensibilidade.
GW_DELAY: intervalo de tempo de atraso para recarga do aquífero (dias). A água que
move da menor profundidade do perfil do solo, por percolação ou fluxo de derivação, e
entra na zona vadosa antes de tornar-se recarga de aquífero raso. O atraso entre o
momento que a água sai do perfil do solo e entra no aquífero raso depende da
profundidade do lençol freático e das propriedades hidráulicas das formações
geológicas.
GW_REVAP: coeficiente “revap” de água subterrânea. Refere-se à água que move do
aquífero raso em direção à zona não-saturada. Nos períodos quando o solo sobre o
aquífero está seco, a água na zona capilar (que separa as zonas saturada e não-saturada)
irá evaporar e difundir em direção as camadas superiores (ARNOLD et al., 2012).
Esse processo é significativo em bacias hidrográficas em que a zona saturada é
superficial e não muito longe da superfície de crescimento de plantas com raízes
profundas. E, por esse motivo que a cobertura de vegetação da superfície afeta a
influência do “revap” sobre o balanço hídrico.
Conforme GW_REVAP se aproxima de 0, o movimento da água do aquífero raso para
a zona de crescimento de raízes é limitado. Conforme o valor se aproxima de 1, a taxa
de transferência se aproxima à taxa da evapotranspiração potencial. O valor para o
GW_REVAP deve ficar ente 0,02 e 0,20.
REVAPMN: profundidade limite da água do aquífero raso para que o “revap” ou
percolação do aquífero profundo aconteça. Ou seja, o movimento da água do aquífero
57
OV_N: Valor “n” de Manning para vazão na superfície. A fundamentação do valor “n”
é a mesma do parâmetro CH_N2, porém aqui a rugosidade refere-se à superfície que
recebe água e contribui para o escoamento superficial pela área inclinada. Valores de
coeficiente de rugosidade de Manning para a vazão superficial podem ser encontrados
em Engman (1983). O tempo de concentração da sub-bacia é fortemente influenciada
pela fórmula de Manning, em ambas parcelas de canal (CH_N2) e de superfície (OV_N).
SOL_AWC: capacidade de água disponível na camada do solo. A água disponível na
planta, também conhecida como capacidade de água disponível, é calculada subtraindo
a fração de água presente no ponto de murcha permanente (quando a planta não se
recupera) da capacidade de água disponível do terreno. A capacidade de água disponível
é estimada pela determinação da quantidade de água liberada entre a água in situ (o teor
de água do solo no potencial matricial do solo de -0,033 MPa) e o ponto de murcha
permanente da planta (o teor de água no solo no potencial matricial do solo de -1,5MPa).
Esse parâmetro auxilia na limitação da quantidade de água removida pela evaporação
do solo em condições secas e considera as interações planta-solo. Dessa forma, o SWAT
define o valor máximo de água que pode ser removido a qualquer momento, esse
máximo é 80% da água disponível na planta que cobre a superfície.
Para reconhecer os erros e incertezas do modelo, os parâmetros devem ser avaliados por
intervalos, pois garantem a propagação das incertezas e, na modelagem, reportar as incertezas
é fundamental (ABBASPOUR et al., 2015). A definição dos intervalos também foi baseada na
literatura, porém de forma regionalizada. A otimização dos intervalos foi fundamentada em
aplicações do modelo SWAT em território brasileiro, especificamente em regiões que drenam
à bacia do rio Paraná. O objetivo foi capturar os intervalos de parâmetros com significado físico
para a região, visto que os intervalos de modificação do modelo são explicativos para bacias de
todo território mundial.
O SWAT-CUP admite a agregação de parâmetros com base em especificações de
grupos hidrológicos, tipos de solo e cobertura superficial e, são formuladas da seguinte forma:
x_<parname>.<ext>_<hydrogrp>_<soltex>_<landuse>_<subbsn>
Onde, x_ é o código que indica o tipo de mudança aplicada ao parâmetro. Se substituído
por v_¸o valor do parâmetro existente deve ser substituído pelo valor determinado, enquanto
60
Intervalo de Intervalo de
Fonte – Valores calibrados em
Parâmetro modificação modificação
aplicações
absoluto regionalizado
[1];[2] (0,23 – 0,49); [3] (0,03 –
1 ALPHA_BF.gw 0–1 r ±20% 0,06);[4] (0,004 – 0,11); [5] (0,06);
[6] (0,004)
[2] (45 – 99); [3] (93,23 – 95); [4]
0 – 120
2 GW_DELAY.gw 0 – 500 v (1 – 79); [6] (10 – 120); [7] (10 –
120)
[2] (0,02 – 0,19); [3] (0,03 – 0,07);
3 GW_REVAP.gw 0,02 – 0,2 v 0,02 – 0,1 [4] (0,0392 – 0,0596); [5] (0,1634);
[6] (0,02 – 0,2);
[2] (56,25); [3] (3425 – 3500); [4]
4 [Link] 0 – 500 a –1000 – 1000
(–495 – 975)
[3] (0,03 – 0,1); [4] (0,1183 –
5 RCHRG_DP.gw 0–1 v 0–1
0,5916)
[2] (1,46 – 54,4); [3] (3000 –
6 [Link] 0 – 5000 a –1000 – 2000 3883,33); [4] (–837 – 377); [5]
(2290,54)
[2] (12,6 – 19,6); [3] (0,086); [5]
7 [Link] 0,05 – 24 v 0,05 – 24
(1,2502)
[2] (0,74 – 0,97); [3] (0,75); [5]
8 [Link] 0–1 v 0,65 – 0,85 (0,9449); [4] (0,0673 – 0,4406); [7]
(0,01 – 0,9)
9 [Link] 0–1 v 0–1 [7] (0,25 – 1,0)
10 CH_K2.rte –0,01 – 500 r ±40% [2] (4,84 – 84,7);
61
Intervalo de Intervalo de
Fonte – Valores calibrados em
Parâmetro modificação modificação
aplicações
absoluto regionalizado
[2] (0,1 – 0,29); [5] (0,035); [4]
11 CH_N2.rte –0,01 – 0,3 r ±20%
(0,0721 – 0,1579)
[2] (–19,1% – –2,3%); [3] (–4,50%
12 [Link] 35 – 98 r ±20%
– 4%); [4] (–3% – 3%);
[Link]
13 0 – 100 v 0 – 15 [3] (0 – 15); [5] (2,8058)
(AGRL)
[Link]
14 0 – 100 v 0 – 15 [3] (0 – 15); [5] (2,8058)
(FRSE)
[Link]
15 0 – 100 v 0 – 15 [3] (0 – 15); [5] (2,8058)
(RNGE)
[Link] [3] (0 – 15); [5] (2,8058); [4] (4 –
16 0 – 100 v 0 – 15
(PAST) 14)
17 OV_N.hru 0,01 – 30 r ±30% [3] (–7,67%)
[2] (–29,7% – 32,1%); [4] (0,0011
18 SOL_AWC().sol 0–1 r ±20%
– 0,3945)
[1](Arnold e Allen, 1999); [2] SP (Arroio Junior, 2016); [3] SP (Bressiani, 2016); [4] MG (Monteiro
et al., 2016); [5] SC (Brighenti et al., 2016); [6] MG (Pereira, 2013); [7] DF (Strauch et al., 2013).
No SUFI-2, o objetivo é que o 95PPU seja capaz de envelopar a maioria dos registros
observados e que o envelope seja pequeno. Não existem números exatos que expressam o
melhor valor para os dois fatores. Para o p-factor, admite-se valores superiores a 70% para a
vazão, com um r-factor de 1 (ABBASPOUR et al., 2004; ABBASPOUR et al., 2007).
A operação do SUFI-2 atua através de poucas iterações, usualmente até 5 iterações
(recomenda-se que cada iteração tenha 500 simulações). A cada iteração, em destaque na área
pontilhada da Figura 17, os intervalos dos parâmetros são reduzidos e se aproximam do valor
63
3.6.6 Validação
𝑛 (𝑌𝑜𝑏𝑠 − 𝑌𝑠𝑖𝑚)²
∑𝑖=1
𝑁𝑆𝐸 = 1 − [ 𝑖 𝑖 ] (5)
∑𝑛 (𝑌𝑜𝑏𝑠 − 𝑌𝑜𝑏𝑠𝑚
)²
𝑖=1 𝑖
|𝑏|𝑅² 𝑠𝑒 |𝑏| ≤ 1
𝜙={ (6)
|𝑏|−1𝑅² 𝑠𝑒 |𝑏| > 1
onde, PBIAS é o desvio dos valores simulados (𝑌𝑖 𝑠𝑖𝑚) em relação aos valores observados
(𝑌𝑖𝑜𝑏𝑠), expresso em porcentagem. O PBIAS avalia a tendência média dos dados
simulados para exibir valores subestimados (valores positivos), ou superestimados
(valores negativos) (GUPTA et al., 1999), sendo que 0,0 é o valor ótimo.
O RSR (RMSE – observations standard deviation ratio) representa uma normalização
da raiz do erro quadrático médio com relação ao desvio padrão (SINGH et al., 2014).
Assim, o RSR é calculado como a razão entre o erro quadrático médio (RMSE) e o
desvio padrão dos dados medidos (SDobs) , conforme mostra a Equação 8:
65
O valor de RSR varia do valor ideal 0, erro residual zero, indicando a simulação de um
modelo perfeito.
Tabela 7 – Resumo das estações empregadas para interpolação por sub-bacia, combinadas para a BHRI
e a densidade das estações para cada arranjo selecionado.
n° de estações n° de estações Densidade de estações
empregadas na combinadas para combinadas na BHRI*
interpolação por sub- a BHRI* (km²)
bacia
2 39 2366,94
3 54 1709,46
4 68 1357,51
5 77 1198,84
6 86 1073,38
7 89 1037,20
8 93 992,59
9 98 941,94
10 99 932,43
11 100 923,11
12 106 870,85
13 108 854,73
14 111 831,63
15 112 824,20
16 113 816,91
17 116 795,78
18 118 782,29
19 121 762,90
20 124 744,44
30 128 721,17
40 129 715,58
50 131 704,66
60 132 699,32
70 135 683,78
80 138 668,92
90 140 659,36
100 142 650,07
110 142 650,07
67
O RRMSE é a normalização da raiz do erro quadrático médio com relação aos dados
observados (aqui, com as leituras do modelo controle). Em geral, um menor RRMSE significa
melhor aproximação entre os dados. O RRMSE pode variar entre zero e ∞ (LEE et al., 2008).
Em uma avaliação de modelos empíricos de radiação solar difusa, Despotovic et al. (2016),
considera como excelente RRMSE >10%, bom se 10% < RRMSE < 20%, razoável se 20% <
68
RRMSE < 30% e ruim se > 30%. Em uma aplicação no Chile, Stehr et al. (2008) encontraram
valores de RRMSE para vazão mensal entre 0,30 e 0,82, que somado a outros índices de
desempenho, indicaram resultados satisfatórios para esse estudo.
69
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Primeiramente, o modelo foi avaliado com uma rodada sem calibração. Esta etapa é
importante, pois auxilia na identificação dos componentes hidrológicos da modelagem que
devem receber maior atenção no processo de calibração. A Figura 21 mostra esta simulação,
sendo a estação Novo Porto Taquara, ilustrada na Figura 16, que corresponde à estação do
Baixo Ivaí com maior área de drenagem da BHRI. Nota-se que a vazão simulada (em vermelho)
subestimou diversos picos de vazão observada (destacado com a letra A na Figura 21), e que a
vazão de base também é menor (destaque em B). Em algumas condições de esgotamento da
vazão, nota-se o deslocamento dos valores para a direita (argumento C), assim como há picos
simulados que extrapolam as vazões observadas (argumento D).
Figura 21 – Simulação inicial da vazão da BHRI para a estação Novo Porto Taquara, com a
configuração do modelo SWAT mantida sem a calibração. Comportamentos em destaque: A) vazão
observada superando a simulação; B) subestimativa da vazão prevista em períodos de estiagem
indicando vazão de base menor; C) pequeno deslocamento dos valores simulados para a direita
durante período de recessão da vazão, e D) picos de vazão simulada extrapolando os valores
observados.
As cinco estações fluviométricas do rio Ivaí foram separadas por região (em Alto, Médio
e Baixo Ivaí) e calibradas simultaneamente para retratar o comportamento geral da bacia. Dessa
forma, após 2 iterações de 500 simulações, foi atingida a melhor qualidade de ajuste na
avaliação do modelo calibrado e suas incertezas. A avaliação de desempenho é conduzida pelos
valores de p-factor e r-factor, partindo da função objetivo no SUFI-2 de obter o melhor
intervalo de parâmetros (ver subseção 4.6.5). Os resultados dessa avaliação estão listados na
Tabela 8.
Para o p-factor no Alto Ivaí, o intervalo 95PPU capturou 70 e 73% dos dados observados
para a estação Tereza Cristina e Ubá do Sul, respectivamente. No Médio Ivaí, o índice capturou
67% da totalidade dos dados para a estação Vila Rica e 92% para Porto Paraíso do Norte. Para
Novo Porto Taquara (Baixo Ivaí), estação com maior área de drenagem da BHRI, o índice
alcançado foi de 83%. Em geral, na literatura existente sobre o assunto, recomenda-se alcançar
71
pelo menos 70% dos registros de vazão observada (p-factor de 0,7) combinado ao r-factor
próximo de 1 (ABBASPOUR et al., 2014).
O maior valor de r-factor para a BHRI, que dimensiona a espessura do envelope de
captura de leituras observadas (95PPU), está localizado na estação Porto Paraíso do Norte, no
Médio Ivaí, com valor igual a 1,00. Coincidentemente, o pior desempenho também é do Médio
Ivaí, com 0,49, para a estação Vila Rica (Tabela 8). Este resultado sugere comportamento
divergente de envelopamento em uma mesma região.
A partir do cálculo 95PPU das estações fluviométricas da calibração, é possível avaliar
os índices estatísticos (descritos na subseção 4.6.7) para cada simulação executada dentro da
iteração. Cada simulação gera cinco séries de vazão referentes à cada posto fluviométrico
considerado no modelo. Na Tabela 9, os índices estatísticos referem-se à melhor simulação da
iteração dois: a de número 129.
Tabela 9 – Índices estatísticos do desempenho da calibração para a simulação de número 129 para a
BHRI.
Novo
Porto Paraíso Tereza
Porto Vila Rica Ubá do Sul
do Norte Cristina
Taquara
FLOW_01 FLOW_06 FLOW_11 FLOW_16 FLOW_24
NS 0,87 0,88 0,70 0,86 0,89
R² 0,89 0,88 0,82 0,88 0,90
bR² 0,81 0,81 0,45 0,86 0,78
PBIAS 8,80 -3,90 16,0 6,00 6,70
RSR 0,36 0,35 0,55 0,37 0,33
Índices de avaliação do modelo (ver sub-seção 4.6.7): NS, Valor de eficiência de Nash-Sutcliffe; R²,
coeficiente de determinação; bR², coeficiente de determinação modificado; PBIAS, percentual de viés
e, RSR, normalização da raiz do erro quadrático médio com relação ao desvio padrão.
A eficiência pelo índice de Nash-Sutcliffe do modelo foi considerada Boa (0,65 < NS ≤
0,75) para a estação Vila Rica e, para as demais estações como Muito Boa (0,75 < NS ≤ 1,00)
visto que apresentaram a valores entre 0,86 e 0,89. O coeficiente de determinação entre as
simulações e observações (R²) obteve valores satisfatórios entre 0,82 e 0,90. Para o coeficiente
de determinação modificado (bR²), onde as discrepâncias de magnitude entre os sinais
simulados e observados são consideradas, a estação Vila Rica apresentou valor de 0,45
enquanto as outras estações mantiveram valores muito bons entre 0,78 e 0,86.
72
A tendência média dos registros, avaliada pelo PBIAS, revela valor negativo apenas
para a estação Porto Paraíso do Norte, que aponta 3,9% de desvio nos dados simulados,
indicando a superestimativa da vazão pelo modelo calibrado. Quanto aos valores positivos, que
indicam a subestimação da vazão pelo modelo, em ordem crescente, se obteve: 6,0% para Ubá
do Sul; 6,7% para Tereza Cristina; 8,8% para Novo Porto Taquara, designando classificação de
desempenho Muito Boa (PBIAS < ±10); e, Satisfatória para Vila Rica com 16% do PBIAS (±15
≤ PBIAS < ±25).
Quanto ao RSR, que incorpora o índice de erros dos valores simulados, e por
consequência, quanto mais próximo de 0 melhor é o desempenho do modelo, foram
identificados em ordem crescente: Tereza Cristina com 0,33; Porto Paraíso do Norte
apresentando 0,35; 0,36 para Novo Porto Taquara; 0,37 para Ubá do Sul e, com maior erro,
Vila Rica com 0,55. Mesmo apresentando o maior RSR, o desempenho da estação Vila Rica
ainda é considerado como Bom (0,50 < RSR ≤ 0,60).
Tabela 10 – Magnitude de vazão mensal média simulada, observada e respectivos desvios padrões
para as estações fluviométricas de referência da BHRI. Os valores observados referem-se à melhor
simulação da calibração.
Novo Porto
Tereza
Porto Paraíso do Vila Rica Ubá do Sul
Cristina
Taquara Norte
Vazão Simulada (m³/s) 655,04 625,01 448,14 286,41 80,18
Vazão Observada (m³/s) 717,88 601,39 533,64 304,77 85,94
Desvio Padrão S. (m³/s) 422,62 383,60 306,84 245,06 69,42
Desvio Padrão O. (m³/s) 439,61 393,23 504,30 233,59 75,31
se destacam pelos altos valores de vazão em todas as estações monitoradas. Logo na sequência
são identificados períodos de estiagem para a mesma região durante os anos de 1999 e 2000.
Verifica-se que no fim do ano de 1999 ocorreu uma das maiores estiagens da série histórica. Os
eventos estão associados com os episódios El Niño (1997/1998) e La Niña (1999/2000), que
são caracterizados pela presença de anomalias na temperatura da superfície do Pacífico
Equatorial. Tais anomalias perturbam a circulação global e são capazes de produzir impactos
significativos na precipitação em várias regiões da América do Sul, incluindo a BHRI. Em geral
os estudos têm indicado que a região onde se localiza a BHRI pode ser influenciada por ambas
as fases da oscilação, com impactos tanto positivo (El Niño) quanto negativo (La Niña) na
precipitação (ver Grimm et al., 1998, 2000 e 2004)
A estação Tereza Cristina está localizada em uma região com terreno fortemente
influenciado pela estrutura geológica e apresenta um padrão de drenagem complexo (FUJITA,
2009). Instalada a uma altitude de 424 m, essa estação classifica-se como a mais elevada e com
menor área de drenagem da BHRI: com 3.572 km². Verifica-se que a vazão média observada é
de 85,94 m³/s para a série histórica de 1994 – 2005 e, ao longo desse período, verificou-se o
máximo de 380,20 m³/s em abril de 1998 e mínimo de 9,56 m³/s em março de 2005.
74
Figura 23 – Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) selecionados para a área de
drenagem da estação Tereza Cristina, em cinza. Vazões observada destacada em azul, onde os picos
máximos apresentam-se fora do envelope 95PPU. E, em vermelho, vazão simulada.
Além da análise dos dados e do envelope 95PPU ambas vazões foram avaliadas sob a
perspectiva da Curva de Permanência. Esta curva expressa a relação entre a vazão e a frequência
que essa vazão é igualada ou superada. Existem alguns percentuais de permanência que
despertam maior interesse durante a análise hidrológica. Por exemplo, a vazão para a qual os
fluxos são excedidos 50% do tempo corresponde à vazão mediana, ou Q50. Os valores de Q10 e
Q90 representam a vazão que é superada em 10% e 90% do tempo, respectivamente. O Q90 é
frequentemente usado como um índice de fluxo baixo (ou fluxo mínimo). A razão Q90/Q50
costuma ser usada como um indicador de contribuição do fluxo base (CAISSIE e
75
RABICHAUD, 2009) e Q10/Q50 pode indicar picos de enchentes (GORDON et al., 2004).
Q10/Q90 é usado como um indicador da variabilidade da vazão (RICHARDS, 1989) e Q95
costuma ser utilizada para definir a energia assegurada de uma usina hidrelétrica.
Em geral, as curvas de permanência das estações do rio Ivaí apresentam considerável
curvatura. E o formato da curva reflete condições de escoamento na área da bacia e no canal do
rio. Quanto maior a curvatura (caso da BHRI), maior é a variabilidade do fluxo, podendo indicar
escoamentos oscilatórios com fluxos rápidos e pouca vazão de base (BURT, 1996).
A Curva de Permanência da estação Tereza Cristina é ilustrada na Figura 24. O valor de
Q10 foi 173,05 m³/s para a vazão simulada e 192,52 m³/s para a vazão observada. Para o Q90
simulado e observado, atingiu-se os valores de 7,09 e 18,51 m³/s, respectivamente. Isso indica
que o modelo está com dificuldade em sustentar os valores de fluxo mínimo. O valor de Q50
alcançou 63,55 m³/s na simulação e 61,44 m³/s para a vazão obtida em campo, uma das poucas
ocasiões em que a magnitude da vazão simulada excedeu os registros observados.
Quanto à relação Q90/Q50, que indica a contribuição de base da vazão, obteve-se 0,30 e
0,11 para as vazões observadas e simuladas respectivamente. Para valores próximos de zero, o
rio deixará de fluir nas vazões abaixo de 90% do tempo e, quanto mais próximo de um, menor
é a variabilidade da vazão de base. Partindo dessa informação, verifica-se que o modelo
subestimou a contribuição da água subterrânea para a perenização nesse trecho do rio Ivaí. E
para a razão Q90/Q10, sendo 0,04 para o simulado e 0,09 para o observado, também há
divergência de comportamento entre observado e simulado.
Para a vazão de energia assegurada (Q95), o observado foi 14,45 m³/s, enquanto para a
simulação resultou em 2,31 m³/s. Para essa região, estão previstas duas pequenas centrais
76
hidrelétricas (PCH; ANEEL, 2017), que somadas totalizam 37 MW de potência instalada (PCH
Dois Saltos, 30 MW e PCH São João II, 7 MW). Atualmente, já operam quatro PCHs, com
previsão de repotencialização da estrutura instalada, demandando maior vazão outorgada para
produção de energia elétrica. Percebe-se que a maior diferença normalizada entre as vazões
ocorre exatamente na faixa final da curva de permanência (a partir de 70%), onde as vazões
mínimas são alocadas. Portanto, a capacidade do modelo representar indicadores para efeito de
aproveitamento hidrelétrico, em condições de baixa vazão, ainda precisa ser consideravelmente
melhorada.
Figura 25 – Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) selecionados para a área de
drenagem da estação Ubá do Sul, em cinza. Vazões observada destacada em azul, onde os picos
máximos apresentam-se fora do envelope 95PPU. E, em vermelho, vazão simulada.
O melhor índice bR² (0,86) foi nesta estação, que forneceu, para vazão simulada, a
média de 286,41 m³/s e desvio padrão de 245,06 m³/s. A subestimativa da vazão acontece em
menor intensidade para a estação de Ubá do Sul, visto que o PBIAS recebeu o menor índice
positivo.
Ubá do Sul drena a região de transição de duas unidades hidroestratigráficas da Bacia
Sedimentar do Paraná, o Sistema Aquífero Serra Geral e o Sistema Aquífero Guarani, ambos
foram detalhados na subseção [Link]. A zona de transição implica na manutenção do nível de
base dos rios e impacta nos padrões de descarga entre os dois aquíferos e as zonas de recarga
(LASTORIA et al. 2007), acarretando em grande complexidade das variáveis hidrológicas e
componentes subterrâneos da região.
Quanto à Curva de Permanência, os valores máximos da vazão são bem representados
(Figura 26). A partir de 3%, as vazões simuladas declinam em uma curva côncava enquanto a
observada decai em forma de degraus. Já no segundo cruzamento das curvas, aproximadamente
em 18%, os comportamentos de ambas vazões se assemelham até Q50, quando o modelo volta
a subestimar as vazões. Vazões simuladas de 640,76 e 23,96 m³/s estão associadas a Q10 e Q90,
respectivamente, para valores observados: 600,57 e 83,05 m³/s.
78
Figura 26 – Curva de permanência da vazão simulada (vermelho) e observada (azul) da estação Ubá
do Sul.
Seguindo a mesma análise da estação Tereza Cristina, a razão de Q90/Q50 para Ubá do
Sul também indicou grande divergência entre a simulação e observação, com 0,107 e 0,353,
respectivamente. Ainda que essa razão simulada seja pequena, Collischonn e Fan (2012)
investigaram essa relação para diversas estações fluviométricas em bacias brasileiras e
identificaram valores entre 0,11 e 0,90. Para a relação entre Q90/Q10, que mede a variabilidade
dos registros de vazão dentro da série histórica, o comportamento em Ubá do Sul se assemelha
ao da estação Tereza Cristina.
Com relação a produção de energia hidrelétrica, o Q95 simulado obteve 7,94 m³/s e
observado 69,64 m³/s. A ANEEL (2017) também prevê a construção da PCH Confluência (27
MW) e PCH Covó (5 MW) no rio Marrecas (sub-bacia 23); e em fase de estudo, apenas para o
rio Alonzo (ou do Peixe), seis PCHs são previstas, totalizando 40,85 MW (sub-bacia 17).
Novamente se observa a importância de melhorar o desempenho do modelo para porcentagens
de excedências mais elevadas. A diferença entre o valor de Q95 simulado e observado não
apresentou melhorias na comparação com a estação Tereza Cristina.
A vazão média observada para a estação Vila Rica foi de 533,64 m³/s, com valor
máximo de 2.568,90 m³/s e mínimo de 61,04 m³/s. Para a simulação, a vazão média foi de
448,14 m³/s, vazão máxima de 1.580,09 e mínima de 55,45 m³/s. A simulação da estação Vila
Rica, dentre as estações de monitoramento da BHRI, foi a que mais subestimou a vazão. O
índice PBIAS apresentou o maior valor (16%). Quanto ao Desvio Padrão (DP) da vazão
observada, o valor atingiu 504,3 m³/s enquanto que o DP da vazão simulada não passou de
79
Figura 27 –Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) selecionados para a área de
drenagem da estação Vila Rica, em cinza. Vazões observada destacada em azul, onde os picos
máximos apresentam-se fora do envelope 95PPU. E, em vermelho, vazão simulada.
Na análise da Curva de Permanência da estação Vila Rica (Figura 28) verifica-se que as
vazões superiores a 500 m³/s configuraram a maior discrepância e, para os valores abaixo desse
limiar, foram muito bem representados. A variabilidade da vazão (Q90/Q10) para Vila Rica foi
de 0,14 para a simulação e 0,11 para a observação. Já os picos de enchentes, determinados pela
razão entre Q10/Q50, foram 2,45 para o simulado e 3,24 para o observado. Entre todas as estações
da BHRI, foi em Vila Rica que se constatou a maior divergência entre a simulação e observação
para variabilidade da mediana (Q50) e das vazões máximas (Q90). Dessa forma, conclui-se que
o modelo não conseguiu representar as vazões máximas com qualidade e, apesar das respostas
das sub-bacias retratarem o comportamento físico, a intensidade não foi adequada. Os valores
80
de Q10 para a vazão simulada foi de 886,72 e para a observada 1098,64 m³/s. O valor de Q95 foi
de 94,94 m³/s para a simulação e 88,38 m³/s para a observação.
Figura 28 – Curva de permanência da vazão simulada (vermelho) e observada (azul) da estação Vila
Rica.
Uma provável explicação sobre a dificuldade em simular este ponto é que a área
localizada entre as estações Vila Rica e Ubá do Sul (ver Figura 16) apresenta algumas
peculiaridades que estão diretamente associadas à contribuição de vazão exclusiva deste trecho.
Se consideradas as contribuições a montante de Vila Rica, observa-se que as maiores
contribuições por unidade de área provêm das drenagens entre Ubá do Sul e Vila Rica. Neste
trecho, a contribuição é de cerca de 43% da vazão observada em Vila Rica, enquanto que a área
de drenagem corresponde a cerca de 34% da área de drenagem entre as duas estações. Em Leli
et al. (2017), os autores investigam a taxa de aporte de vazão dos principais afluentes da BHRI,
e concluíram que no trecho Ubá do Sul – Vila Rica o aporte é extremamente elevado (rios Bom
e Bulha com 79,7 m³/s e Corumbataí com 74,6 m³/s). Os mesmos autores concluíram que a
contribuição ao longo do rio Ivaí é majoritariamente derivada dos pequenos tributários. E, para
explicar a anomalia da elevada contribuição da vazão restrita às pequenas áreas, Paiva (2008)
sugere que as sub-bacias dessa região são fortemente influenciadas pela transferência de água
subterrânea devido à distribuição local e concentração de fraturas no solo basáltico. Esse
comportamento pode ser verificado na Figura 28 quando a vazão do rio Ivaí não se esgota, e
pelo Q90/Q50, que apresentou 0,34 para vazões simuladas e 0,36 para vazões observadas,
sugerindo fluxo de base suficiente para a manutenção de rio perene em mais de 90% do tempo.
É a partir desta estação que o modelo consegue representar com melhor qualidade as
vazões de base que contribuem para a característica de perenização do rio Ivaí. Nessa e nas
estações a jusante, as vazões simuladas não se esgotam e acompanham com melhor qualidade
81
o efeito de contribuição dos aquíferos da BHRI. Dessa forma, as vazões mínimas resultantes de
períodos prolongados de estiagem são melhor representadas.
A simulação da estação Porto Paraíso do Norte foi a que apresentou melhor desempenho
nas simulações do SWAT. As sub-bacias drenadas são as de número 6, 7, 9, 10 e 14 e, em
conjunto com as sub-bacias de Vila Rica, constituem o Médio Ivaí. A estação drena 28.427
km², a uma altitude de 250 m e, mediu a vazão média de 601,39 m³/s. O maior pico de vazão
ocorreu em abril de 1998 com 2.212,60 m³/s e a menor vazão, com 135,48 m³/s, foi observada
em maio de 2000.
O índice de eficiência de Nash-Sutcliffe foi 0,88 e o PBIAS negativo, de -3,9%,
indicando a superestimativa das vazões no comportamento geral da simulação. Nota-se que
nessa estação, o envelope 95PPU (Figura 29) supera pela primeira vez os valores máximos
identificados, em especial o do ano de 1998. Ainda sobre o envelope, o índice p-factor atingiu
0,92 indicando que 92% das vazões observadas foram assimiladas pelo modelo, ou seja, os
processos hidrológicos da BHRI na estação Porto Paraíso do Norte foram representados em
quase sua totalidade durante as simulações.
A vazão média da simulação (curva em vermelho, na Figura 29) foi de 625,01 m³/s, com
desvio padrão de 383,60 m³/s – apenas 10 m³/s a menos que o desvio padrão da vazão
observada. A área exclusiva à estação compreende a zona de transição das rochas da Formação
Serra Geral e da Formação Caiuá e apresenta relevo suavemente ondulado (MINEROPAR,
2006). A área também é zona de transição de cobertura do solo, onde os solos férteis das
formações basálticas passam da agricultura para a exploração pecuária do Baixo Ivaí, embora
esta última tem cedido espaço para plantação de cana-de-açúcar nas duas últimas décadas.
Dessa forma, o posicionamento da estação Porto Paraíso do Norte é estratégico para a
delimitação do Médio Ivaí na regionalização dos parâmetros do modelo.
82
Figura 29 – Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) selecionados para a área de
drenagem da estação Porto Paraíso do Norte, em cinza. Vazões observada destacada em azul, onde os
picos máximos apresentam-se fora do envelope 95PPU. E, em vermelho, vazão simulada.
Figura 30 – Curva de permanência da vazão simulada (vermelho) e observada (azul) da estação Porto
Paraíso do Norte.
O Q95, da energia assegurada para hidrelétricas, é de 188,69 m³/s para a vazão simulada
e 196,96 m³/s para a vazão observada (praticamente o dobro da estação a montante, Vila Rica).
Tal como observado já a partir da estação Vila Rica, a calibração do modelo oferece condições
para seu uso na previsão de vazão para uso na produção de eletricidade. Apesar da vazão Q95
exibir grande relevância para empreendimentos hidroelétricos, essa porção do rio ainda pode
ser utilizada para fins de navegação por apresentar margens estáveis e leito profundo (COPEL,
1984a).
na morfologia fluvial pelo aumento da largura do curso central, mudanças nas margens e
transposição da água sobre diques (DESTEFANI, 2005). No trecho mais próximo à foz,
também ocorre a redução da vazão em função da baixa velocidade de fluxo causada pelo
represamento provocado pelo rio Paraná (FUJITA, 2009).
O índice de eficiência NS foi 0,87 para a melhor simulação, que obteve vazão de 655,04
m³/s e desvio padrão de 422,62 m³/s (439,61m³/s para o DP observado). O envelope 95PPU,
em cinza na Figura 31, contemplou 83% dos dados de vazão observada com a espessura de 0,91
(r-factor).
Figura 31 – Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) selecionados para a área de
drenagem da estação Novo Porto Taquara, em cinza. A vazão observada está destacada em azul e a
vazão simulada em vermelho.
Figura 32 – Curva de permanência da vazão simulada (vermelho) e observada (azul) da estação Novo
Porto Taquara.
Figura 33 – Curva de permanência da vazão simulada (vermelho escuro) e observada (azul escuro) da
estação Novo Porto Taquara e vazão simulada (vermelho claro) e observada (azul claro) da estação
Porto Paraíso do Norte.
Mesmo que os valores do ALPHA_BF tenham sido calculados com auxílio do SWAT
Bflow, que estima o fluxo de base e recarga subterrânea a partir dos registros de vazão, o
ALPHA_BF para o Alto Ivaí passou pelo ajuste da calibração. No intervalo de modificação
final (86% do intervalo de modificação inicial), o SWAT-CUP propôs a alteração de -2,7% a
31% dos valores inicias dos parâmetros do Alto Ivaí (Tereza Cristina e Ubá do Sul). Esse
intervalo corresponde à 0,0661 e 0,1234, respectivamente, sendo compatíveis com outros
estudos, como por exemplo, aplicações na fronteira dos estados de São Paulo e Minas Gerais
(Rio Piracicaba/Rio Capivari e Rio Jundiaí em Bressiani, 2016), Minas Gerais (Rio das Mortes
em Monteiro et al., 2016) e Santa Catarina (Rio Negrinho em Brighenti et al., 2016).
Com relação ao parâmetro GW_DELAY, seu valor só pode ser estimado
experimentalmente através da observação da flutuação do nível da água subterrânea nos eventos
de precipitação (RICHARDS et al., 2010). Durante a calibração, o SWAT-CUP estabeleceu
que o tempo de atraso máximo para recarga do aquífero é de 81,072 dias, valores próximos com
o observado na literatura (Rio das Mortes-MG em Monteiro et al., 2016; Rio Pomba-MG em
Pereira, 2013; Rio Santa Maria/Torto-DF em Strauch e Volk, 2013).
O GW_REVAP refere-se à água que se move do aquífero raso em direção à porção não-
saturada. Os valores calibrados estabelecem o intervalo entre 0,001 e 0,083 para toda a bacia e
quanto maior o valor, maior é a taxa de evapotranspiração potencial (NEITSCH et al., 2011).
O intervalo de modificação final do GW_REVAP foi o que mais sofreu redução na aplicação
do SWAT-CUP. Para o intervalo de parâmetros final apenas 23,3% do intervalo inicial foi
empregado para amostragem do Alto Ivaí. Já para o Médio e Alto Ivaí, foram empregados
36,6% e 32,7% respectivamente. Sobre essa perspectiva, entre os parâmetros calibrados para a
BHRI, o GW_REVAP foi o que sofreu maior redução de abrangência para a explicação dos
processos hidrológicos subterrâneos da bacia. O outro parâmetro explicativo do “revap”,
REVAPMN, que determina a profundidade limite da água do aquífero raso em percolar para o
aquífero profundo, não foi sensível para a calibração.
A fração de percolação do aquífero profundo, RCHRG_DP, durante a primeira iteração
pôde variar entre 0 e 1, intervalo proposto por diversas aplicações na bacia do rio Paraná
(PEREIRA, 2003; BRIGHENTI et al., 2016; MONTEIRO et al., 2016; BRESSIANI, 2016).
Na segunda e melhor iteração, o intervalo final variou entre 0,00 e 0,88. Lembrando que os
valores negativos na Tabela 11 indicam subtração do parâmetro da simulação anterior.
O fluxo da água subterrânea ao curso d’água, definido por GWQMN, após a adição do
valor determinado pelo intervalo de calibração ao valor do parâmetro existente (a_, mudança
89
grande maioria do intervalo de modificação final, apenas o intervalo de EPCO não foi
regionalizado.
O parâmetro CN2, número inicial da curva de escoamento SCS para a condição de
umidade II, foi calibrado sob a modificação por multiplicação (r_). Como o parâmetro é
distribuído, as alterações também devem respeitar as características de cada HRU. Dessa forma,
o valor de multiplicação inicial para a calibração foi de ±20%, amplitude adotada por Bressiani
(2016) e sugerido por Abbaspour (2014). O SOL_AWC, capacidade de água disponível no solo,
também foi calibrado com modificações de multiplicação e recebeu a mesma amplitude adotada
para o CN2. A partir da segunda iteração, os intervalos de modificação dos parâmetros foram
reduzidos. As maiores reduções identificadas pela porcentagem do Intervalo de Modificação
Remanescente (IMR) foram para o CN2 do Baixo Ívai (mantendo 56,5% do intervalo inicial) e
de 30,0% para o SOL_AWC do Médio Ivaí.
Lembrando que o estreitamento dos intervalos de modificação dos parâmetros leva a
menores incertezas medidas pelo 95PPU, e que, em equilíbrio com o envelopamento dos dados
observados, fornecem os resultados da calibração pelo SUFI-2. Por maiores que sejam as
porcentagens do IMR, deve-se destacar que os intervalos de parâmetros preliminares à
calibração foram regionalizados com o auxílio de outras aplicações do SWAT na bacia do rio
Paraná e que, durante a calibração, já partiam de intervalos bastante restritos. Com exceção de
EPCO que usou todo o intervalo de abrangência do modelo e, mesmo assim manteve grande
IMR.
4.5 Validação
A validação do modelo calibrado para a BHRI foi executada para os anos de 2006 e
2007, período predominantemente seco, registrando médias mensais menores que a do intervalo
de calibração (1994 – 2005). A limitação do período de validação foi reduzida para beneficiar
a calibração, visto que a seleção de comportamentos atípicos auxilia na compreensão dos
processos hidrológicos da bacia pelos parâmetros calibrados. A Tabela 12 apresenta os índices
estatísticos da validação da BHRI. Os valores em parêntesis referem-se aos índices calibrados.
91
Figura 34 – Envelope de incerteza de 95% dos parâmetros (95PPU) da validação para a área de
drenagem da estação Novo Porto Taquara, em cinza. Vazões observada destacada em azul e, em
vermelho, vazão simulada.
ano. No fim de 2006, o evento de El Niño alcançou a maturidade, prolongando os efeitos até o
início de 2007 (NOAA, 2006).
Tabela 13: Magnitude de vazão mensal média simulada, observada e respectivos desvios padrões para
as estações fluviométricas de referência da BHRI. Os valores observados referem-se à melhor
simulação da validação.
Porto
Novo Porto Ubá do Tereza
Paraíso do Vila Rica
Taquara Sul Cristina
Norte
Vazão Simulada (m³/s) 427,90 399,08 278,70 155,00 43,93
Vazão Observada (m³/s) 481,87 387,47 285,45 176,60 48,91
Desvio Padrão S. (m³/s) 280,05 251,76 188,05 143,13 40,12
Desvio Padrão O. (m³/s) 276,99 238,07 230,06 125,93 42,48
94
A Figura 36 exibe a magnitude das vazões simuladas para cada AEI investigado. Cada
coluna refere-se à uma simulação do SWAT com o respectivo AEI. O segmento da coluna
refere-se ao aporte da vazão medido nas estações de monitoramento, representação garantida
pelo regime hidrológico normal da bacia, que com o acúmulo de área de drenagem, maior é a
contribuição da vazão (DESTEFANI, 2005). Quando comparadas com os valores da simulação
controle (última coluna e linhas de projeção no gráfico), verifica-se que as vazões produzidas
pelos AEI são superestimadas para a grande maioria das simulações, com exceção dos primeiros
cenários das estações Tereza Cristina (arranjos de 2, 3, 5, 8 e 9 estações) e Ubá do Sul (AEI de
2 e 3), o detalhamento encontra-se na Tabela A6 dos Anexos.
Figura 36 – Vazão produzida pelos AEI nas simulações da BHRI. Cada coluna representa uma
estação, e a as faixas representam o valor da vazão da simulação controle (151 estações).
95
Figura 37 –Vazão simulada da estação Tereza Cristina com AEI de 150 estações (em azul) e 4
estações (em laranja).
Para contornar esse problema e avaliar a qualidade das simulações hidrológicas frente
aos diferentes AEI, aplicou-se o erro quadrático médio relativo (RRMSE, ver subseção 4.7.1),
que assume valores positivos entre zero e ∞, onde zero indica completa semelhança entre o
modelo controle e a simulação investigada. A Figura 38 ilustra o RRMSE das simulações nas
estações de vazão para os cenários de precipitação da BHRI. Os 19 primeiros elementos
referem-se à interpolação das estações em passo progressivo unitário, iniciando com 2 unidades.
A partir de 20 estações, o passo de adição é de 10, até que sejam atingidas as 150 estações.
96
Figura 38 – RRMSE da vazão simulada nas estações fluviométricas da BHRI resultantes da aplicação
de estações virtuais sob parâmetros do modelo controle. São apresentados o comportamento para cada
estação fluviométrica de monitoramento para os 33 cenários de arranjos de estações.
Como esperado, o RRMSE da vazão alcançou o seu maior valor nos menores arranjos
para as cinco localidades e, com a adição de estações ao longo do gráfico, o erro se aproxima
de zero até que em 150 o RRMSE assume valores entre 0,0002 e 0,0007 indicando a
equivalência com a simulação controle. Os valores do RRMSE encontram-se na Tabela A7 nos
Anexos. O decaimento da curva indica o aumento da qualidade das simulações com o
incremento no AEI a cada interpolação. Esse resultado foi esperado pela semelhança com outras
investigações de densidade de estações em modelagem hidrológica (ANDRÉASSIAN et al.,
2001; FAURÈS et al., 1995). Esperava-se que maiores concentrações de estações
proporcionariam melhor representação espacial da precipitação e, por consequência, melhores
simulações.
Mesmo que o RRMSE se aproxime de zero, verifica-se que o aprimoramento das
simulações é relativamente lento. Visando a atenuação de erro em uma perspectiva coerente,
visto que redes de monitoramento densas e completas não são comuns, considerou-se um
RRMSE de aproximadamente 0,05 como aceitável. Nessa perspectiva, verifica-se que com
menos de 20 estações é possível atenuar o erro a esse valor, e assim, a Figura 39 detalha os
RRMSE das vazões simuladas para os 19 primeiros AEI.
97
Figura 39 –RRMSE da vazão simulada nas estações fluviométricas da BHRI resultantes da aplicação
de estações virtuais sob parâmetros do modelo controle. São apresentados o comportamento para cada
estação fluviométrica de monitoramento para os 19 primeiros cenários de arranjos de estações.
Figura 40 – Gráfico de dispersão entre o RRMSE da precipitação e o RRMSE da vazão para as cinco
estações de monitoramento.
se aplica a interpolação, o valor nulo é substituído pela fração da precipitação resultante sob
influência das estações vizinhas. A Figura 41 ilustra a porcentagem de dias com precipitação
nula para os arranjos, em cada estação fluviométrica do modelo e para todo o período de
simulação (1991 a 2007 - warm-up, calibração e validação do modelo). Verifica-se que, com
menos estações interpoladas, prevalecem os dias sem chuva (entre 63,63 e 70,16% para Tereza
Cristina e Novo Porto Taquara, respectivamente) e com a adição de estações a cada arranjo, o
total de valores nulos é reduzido a menos de 20% (13,98 para Ubá do Sul e 18,82% para Novo
Porto Taquara).
Figura 41 –Dias sem chuva para as estações de monitoramento da BHRI para os 33 AEI.
Figura 42 – Precipitação máxima superficial das estações de monitoramento da BHRI dos 33 AEI.
As estações Ubá do Sul e Novo Porto Taquara praticamente reduzem seus máximos pela
metade com o aumento dos AEI. A estação Novo Porto Taquara no AEI de 5 estações especifica
o valor de precipitação de 123,30 mm, enquanto que os arranjos de uma estação antes e depois
reportam aproximadamente 129 mm. Em função da grande variabilidade espacial da
precipitação, algumas estimativas na interpolação são capazes de perturbar comportamentos
que aparentam certa previsibilidade. Porém, a estabilidade dos valores só é atingida quando os
efeitos dessas perturbações são reduzidos à pequenas influências pela ponderação dos registros
vizinhos. Ou seja, ao considerar mais estações, captura-se a variabilidade da precipitação e
prevalecem os valores mais representativos.
Quanto à identificação da melhor configuração de AEI na investigação de extremos de
precipitação, constata-se que é possível atingir a linearidade para valores de precipitação
máxima com menos de 20 estações. Porém, este resultado não deve ser generalizado visto que
se refere à precipitação acumulada de apenas um dia. Por exemplo: o dia mais chuvoso entre os
anos 1991 e 2007 na estação Tereza Cristina ocorreu em quatro dias diferentes ao longo dos 10
primeiros AEI. Já as estações Ubá do Sul e Vila Rica mantiveram o mesmo dia por todos os 33
AEI.
Em última análise, investigou-se os RRMSE da precipitação para os 33 AEI nas sub-
bacias do rio Ivaí. As sub-bacias são apresentadas por números na Figura 43, com uma
descrição completa sobre os dados na Tabela 1. A partir dos RRMSE das sub-bacias, foram
criados os diagramas de caixas (ou boxplot). A interpretação se dá pelos quartis e valores
101
extremos. O retângulo é delimitado pelo quartis de 25% e 75% dos dados (Q1 e Q3,
respectivamente). As retas verticais (wiskers) ligam Q1 ao valor mínimo e Q3 ao valor máximo.
Os outliers são os valores discrepantes da série de dados, e são detectados a partir da soma entre
Q3 e 150% da diferença entre o Q3 e Q1. O retângulo, intervalo interquartílico, é a diferença
entre o Q3 e Q1 e mede a variabilidade dos dados.
Figura 43 – Diagrama de blocos do RRMSE para cada uma das sub-bacias da BHRI.
0,05)
RRMSE 9 4 3 2 3
(apróx. (941,94) (1357,51) (1709,46) (2366,94) (1709,46)
0,10)
RRMSE 40 30 40 40 40
(apróx. (715,58) (721,17) (715,58) (715,58) (715,58)
0,10)
Precipitação
RRMSE 20 12 17 16 19
(apróx. (744,44) (870,85) (795,78) (816,91) (762,90)
0,15)
RRMSE 14 6 9 8 8
(apróx. (831,63) (1073,38) (941,94) (992,59) (992,59)
0,20)
Para ambos casos de vazão, são necessárias mais estações a montante que a jusante do
rio. Diferentemente dos padrões de precipitação que, com exceção de Tereza Cristina, não
indicam qualquer padrão. Levando à percepção de que os processos hidrológicos explicativos
da BHRI amortecem as variações de entrada de precipitação do modelo. E que, a modelagem
hidrológica com o SWAT, flexibiliza o número de estações mínimo de representação da
precipitação em regiões diferentes da bacia.
104
5 CONCLUSÃO
Os resultados obtidos nas simulações de vazão mensal para BHRI, indicam que o
modelo SWAT simulou de forma satisfatória as vazões mensais de acordo com especificações
propostas por Moriasi et al. (2007) para a eficiência de Nash-Sutcliffe. Das cinco estações
fluviométricas de monitoramento, quatro se classificaram como Muito Boa (entre 0,86 e 0,89)
e uma, a estação Vila Rica, atingiu o índice Bom (0,70). Diante desses valores, a aplicabilidade
do modelo para a BHRI é confirmada através das respostas simuladas.
Dentre as características particulares da BHRI, o SWAT apresentou maior dificuldade
na representação das vazões mínimas em função da grande complexidade do conjunto de
estruturas subterrâneas, que contribuem aos processos hidrológicos da bacia. Registros e
estudos específicos que caracterizam essas componentes não são comuns e de difícil aferição.
No entanto, o SWAT é estruturado para admitir entradas de água, pelo usuário, para reestruturar
as parcelas de contribuição na equação do balanço hídrico que rege o modelo.
Ainda que o modelo da BHRI possa ser constantemente aperfeiçoado, as vazões
simuladas obtidas neste estudo se mostram adequadas para uso imediato por gestores e
formuladores de políticas para gestão dos recursos hídricos da bacia do Ivaí. A avaliação do
impacto sobre a vazão, que as mudanças que ocorreram na cobertura do solo nas últimas
décadas, representa um exemplo de aplicação imediata do modelo calibrado.
Este trabalho também investigou o desempenho do SWAT sobre diferentes densidades
de estações pluviométricas aplicadas às interpolações. Eventos de precipitação com maior
variabilidade espacial são mais difíceis de simular. Em geral, o modelo com maior densidade
de estações mostrou melhores simulações e maior estabilidade do que com menos estações
consideradas. Porém, a sub-bacia com menor área garantiu ótimos resultados com o menor AEI,
indicando possível habilidade na captura de variabilidade da precipitação a partir de pequenas
áreas.
Os resultados indicaram que a distribuição das estações pode ser variável ao longo da
bacia para um erro mínimo RRMSE de 0,05, quando comparado com o modelo controle. A
estação a montante, Tereza Cristina, necessita de no mínimo uma estação a cada 744,44 km²
para captura da variabilidade da precipitação devido à região com relevo ondulado. Já as
estações a jusante, onde o terreno é menos movimentado, a densidade pode ser menor. Destaca-
se a estação fluviométrica Porto Paraíso do Norte, que precisa de uma estação a cada 923,11
km², por apresentar a maior área de abrangência por estação na BHRI para o mesmo RRMSE.
105
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ANEXOS
Tabela A 5 – Descrição da rotina de rotação de culturas para a BHRI (Adaptado de Franchini, 2011).
A rotação acontece entre as culturas de milho (CORN) e de soja (SOYB). O ciclo se inicia a cada 4
anos até o fim da simulação.
Ano Dia e mês Operação Plantação
1 01/01 Plantação/ começo da temporada de crescimento CORN
1 30/06 Colheita e operação de morte
1 01/07 Plantação/ começo da temporada de crescimento SOYB
1 31/12 Colheita e operação de morte
2 01/01 Plantação/ começo da temporada de crescimento CORN
2 30/06 Colheita e operação de morte
2 01/07 Plantação/ começo da temporada de crescimento SOYB
2 31/12 Colheita e operação de morte
3 01/01 Plantação/ começo da temporada de crescimento CORN
3 30/06 Colheita e operação de morte
3 01/07 Plantação/ começo da temporada de crescimento CORN5
3 31/12 Colheita e operação de morte
4 01/01 Plantação/ começo da temporada de crescimento CORN
4 30/06 Colheita e operação de morte
4 01/07 Plantação/ começo da temporada de crescimento SOYB
4 31/12 Colheita e operação de morte
5
Refere-se ao milho safrinha.
126
Tabela A 6 – Detalhamento da Figura 35, que ilustra a vazão produzida pelos AEI em cada estação
fluviométrica de monitoramento da BHRI.
Porto
Tereza Novo Porto
Ubá do Sul Vila Rica Paraíso do
Cristina Taquara
Norte
2 74.4738 285.9091 459.5838 660.385 699.730
3 77.7732 283.319 457.3185 650.855 684.304
4 80.5054 295.3182 470.1059 664.379 699.484
5 79.1836 296.7565 471.2276 664.503 697.238
6 82.4517 299.7139 473.5995 666.531 699.219
7 80.8658 298.4494 471.8967 661.803 694.032
8 79.9410 297.9355 469.0218 654.389 688.726
9 80.0062 294.1473 465.5281 650.348 684.160
10 81.6767 296.1111 468.3724 653.446 686.826
11 81.6545 295.9537 468.4141 651.908 684.642
12 81.6477 296.3503 468.3938 651.370 683.511
13 81.7387 296.0662 465.8452 648.753 680.209
14 81.5709 295.3587 465.4784 647.839 679.439
15 81.0744 294.0517 463.6703 646.440 677.907
16 81.4953 294.3633 463.8849 646.173 677.453
17 81.7620 293.9307 463.0901 645.483 676.684
18 81.1427 292.9056 462.1665 643.887 674.960
19 81.2594 293.0486 462.0992 644.310 675.080
20 81.2228 293.3115 462.1072 644.002 674.675
30 80.9330 292.8720 459.3750 639.583 669.459
40 80.9810 291.2885 457.2009 636.893 666.378
50 81.0483 291.2726 456.7127 636.119 665.597
60 80.9512 290.5774 455.4116 634.242 663.751
70 80.9017 290.0212 454.4318 633.037 662.676
80 80.7974 289.5921 453.8020 631.990 661.789
90 80.7015 289.1976 452.9163 630.916 660.827
100 80.6233 288.8065 452.1262 629.769 659.766
110 80.5208 288.3280 451.2885 628.784 658.860
120 80.4115 287.9016 450.5785 627.846 657.883
130 80.3404 287.4264 449.7504 626.869 656.932
140 80.2660 286.9663 449.0336 625.970 656.001
150 80.1994 286.4739 448.2332 625.109 655.155
151 80.1861 286.4133 448.1487 625.007 655.054
127
Tabela A 7 – Detalhamento da Figura 36, 37 e 38, que ilustram o RRMSE da vazão simulada nas
estações fluviométricas da BHRI resultantes da aplicação de estações virtuais sob parâmetros do
modelo controle. São apresentados o comportamento para cada estação fluviométrica de
monitoramento para os 33 cenários de arranjos de estações.
Porto
Tereza Novo Porto
Cenário Ubá do Sul Vila Rica Paraíso do
Cristina Taquara
Norte
2 0.328452 0.175915 0.124605 0.115535 0.125810
3 0.199042 0.119023 0.087222 0.082292 0.088132
4 0.169821 0.098476 0.082942 0.083561 0.090017
5 0.154160 0.086127 0.077113 0.078671 0.081966
6 0.139484 0.082712 0.075988 0.078130 0.081201
7 0.109440 0.076405 0.070029 0.069305 0.071667
8 0.107783 0.075026 0.064488 0.058435 0.063007
9 0.102883 0.061895 0.054998 0.049379 0.053320
10 0.094245 0.061280 0.058115 0.053669 0.057436
11 0.075974 0.057747 0.056919 0.050560 0.053794
12 0.077192 0.059029 0.057059 0.049368 0.051631
13 0.066610 0.058511 0.051198 0.045350 0.046873
14 0.065063 0.056367 0.050081 0.043170 0.044755
15 0.057832 0.050828 0.045830 0.040562 0.042310
16 0.058215 0.048631 0.044791 0.039642 0.041147
17 0.057205 0.046882 0.042906 0.038415 0.039803
18 0.051924 0.044104 0.041038 0.035798 0.037030
19 0.050383 0.044206 0.040687 0.036213 0.036923
20 0.050535 0.043446 0.039871 0.035425 0.035927
30 0.041873 0.038530 0.032939 0.027821 0.027698
40 0.037972 0.031276 0.026835 0.022552 0.021972
50 0.031705 0.029698 0.025044 0.020779 0.019857
60 0.025894 0.025828 0.021413 0.017434 0.016508
70 0.021044 0.021890 0.018364 0.015082 0.014215
80 0.016675 0.018119 0.015996 0.013011 0.012293
90 0.013387 0.015441 0.013466 0.011055 0.010499
100 0.010544 0.012697 0.011218 0.009027 0.008641
110 0.007507 0.009975 0.008853 0.007191 0.006935
120 0.005459 0.007678 0.006838 0.005439 0.005215
130 0.003714 0.005012 0.004439 0.003567 0.003475
140 0.002106 0.002754 0.002470 0.001904 0.001827
150 0.000707 0.000434 0.000338 0.000266 0.000312
Tabela A 8 – Detalhamento da Figura 38, que ilustra o RRMSE da precipitação superficial nas áreas
de drenagem das estações de monitoramento da BHRI em comparação com o comportamento da
precipitação do modelo controle. São apresentados os 33 cenários de arranjos de estações.
Tereza Ubá do Sul Vila Rica Porto Novo Porto
Cristina Paraíso do Taquara
Norte
2 0.994955 0.409101 0.387626 0.477099 0.399020
3 0.727450 0.290807 0.323610 0.386255 0.323553
4 0.615380 0.245302 0.300549 0.280759 0.285225
128