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Juventude

Lígia Rocha Cavalcante Feitosa


Raquel de Barros Pinto Miguel

Os termos “juventude”, “adolescência”, “puberdade”, “pré-


adolescência” podem ser compreendidos a partir de diversas
concepções e caracterizações para nomear esta fase da vida. Por
conta disso, muitas são as questões levantadas ao se iniciar estudos
e reflexões sobre esse tema, a saber: será a juventude uma fase, um
momento na vida de uma pessoa? Todos passam por este
momento? Será ela uma etapa natural do desenvolvimento?
Existem diferenças entre estes conceitos?
Inicialmente, importa destacar que a discussão acerca da
juventude implica também na compreensão da adolescência. Na
produção de estudos atinentes à ciência do desenvolvimento
humano, por exemplo, por um lado tem-se concepções teóricas que
exploram a periodização dos ciclos do desenvolvimento por meio
de eventos bem delimitados acerca da adolescência e da juventude;
e de outro, há estudos que conferem maior visibilidade às
dimensões qualitativas e socioculturais das trajetórias dos sujeitos
(Carneiro; Sampaio, 2021). Contudo, ainda são encontradas na
produção científica resquícios de uma concepção de adolescência
centrada na referência da adultez, provocando frequentemente
conflitos intergeracionais (Abramovay et al., 2021).
A denominação adolescência é privilegiada pela psicologia,
psicanálise e pedagogia, estando relacionada a mudanças na
personalidade, na mente ou no comportamento, enfocando,
geralmente, a singularidade do sujeito (Matheus, 2002; Groppo,
2000). Caberia à Sociologia e à História a preferência pelo uso do

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termo “juventude”, valorizando o contexto ao qual o sujeito
pertence, fazendo uma leitura do âmbito coletivo. Desta forma, a
adolescência estaria relacionada a questões individuais, enquanto
a juventude retrataria uma manifestação coletiva, problematizando
a ordem social.
Entretanto, Matheus (2002, p. 83), traz a seguinte reflexão:

[...] se o fenômeno individual é, desde o princípio, social, a distinção entre


ambos passa a depender sobretudo da perspectiva em que determinado
fenômeno é analisado, mais do que de uma questão quantitativa de quantos
indivíduos ele abarca. [...] Falar em adolescência ou juventude torna-se
assim, mais uma questão do referencial teórico com o qual se trabalha do
que uma distinção estrita do campo do individual frente ao coletivo.

Partindo de uma visão de ser humano “[...] como ser social,


como sujeito histórico, produto do contexto social no qual se insere
e, concomitantemente, produtor desse mesmo contexto” (Zanella,
1995, p.188), seria totalmente incoerente conceber a ideia de
juventude como uma fase da vida, naturalizada e universal. Fala-
se aqui de construção de juventudes no plural, para marcar o olhar
a respeito dessa categoria, considerando as diversidades,
particularidades e peculiaridades do que atualmente é chamado de
juventude ou adolescência.
Na produção científica brasileira, as juventudes têm sido
estudadas por diferentes áreas do conhecimento. A Sociologia, a
Antropologia e a Psicologia, em especial, abordam a condição
juvenil a partir de contextos diversos. Tais abordagens anunciam
as juventudes como sujeitos de natureza relacional e dialógica e
atravessadas por contextos e experiências que são construídas ao
longo da vida (Dias; Feitosa; Hostensky, 2021).
Mais especificamente, na Psicologia, tradicionalmente, os
estudos envolvendo as juventudes foram desenvolvidos sob a
perspectiva da psicologia do desenvolvimento (Dessen; Costa
Júnior, 2005). Por muito tempo, os jovens foram interpretados pelo
fenômeno das crises que os acometem nesse ciclo da vida. Para
Dessen e Costa Júnior (2005), essa concepção tem sido questionada

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para dar espaço aos estudos sobre juventudes a partir do modelo
do desenvolvimento contínuo.
Para Machado e Lopes de Oliveira (2019), as juventudes podem
ser compreendidas a partir das trajetórias centradas em processos
permanentes de reconstrução. Esses processos revelam as
possibilidades de transformação que os jovens experienciam, bem
como a construção de vivências e a criação de horizontes de futuro
ao longo do seu desenvolvimento. Essa compreensão permite
analisar as juventudes sob a perspectiva de que eles são agentes de
seu desenvolvimento e são constituídos pelas nuances das relações
socioculturais. Nesse sentido, o jovem pode ser conhecido como um
sujeito que transita e experimenta transformações por meio de
vivências não lineares entre o passado e o presente e, assim, obter
recursos para prospectar possibilidades de futuro.
Portanto, em linhas gerais, pode-se dizer que a juventude é
construída historicamente não sendo, portanto, uma fase natural do
desenvolvimento, devendo ser compreendida inserida no processo
histórico de sua constituição. Sabe-se, entretanto, que a sociedade
moderna “destaca e significa” algumas marcas para identificar a
adolescência (Kahhale, 2003; Ozella, 2002), entre elas estão as
mudanças corporais e as modificações no desenvolvimento
cognitivo. Porém, é importante considerar que aquilo que é visto em
determinada sociedade como natural ou normal, só o é porque assim
foi significado num determinado contexto histórico. Obviamente,
durante a puberdade existe um corpo em desenvolvimento,
caracterizado por certas modificações corporais, mas estas recebem
significados construídos pelos sujeitos. Ou seja, as características
atribuídas aos jovens surgem nas relações sociais, são históricas,
sofrendo modificações ou sendo reforçadas de acordo com as
condições materiais, culturais e sociais de tal contexto.
À luz da perspectiva histórico-cultural, a visualização da
totalidade é fundamental para a compreensão de qualquer fato.
Os fenômenos humanos devem ser estudados levando-se em
conta seu processo de transformação e mudança, seu aspecto
histórico. “[...], [deve-se] focalizar o particular como instância da

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totalidade social, procurando compreender os sujeitos envolvidos
e, por seu intermédio, compreender também o contexto” (Freitas,
2002, p.26). Com a juventude não poderia ser diferente. A
totalidade social é constitutiva da juventude, sem as condições
sociais que constroem uma determinada juventude, esta poderia
não existir ou poderia não ser a mesma caracterizada pela
sociedade moderna. Entre essas condições sociais, pode-se citar
algumas que servem como diferenciadores das diversas
juventudes em cena na contemporaneidade: gênero, classe, raça,
religião, contexto urbano ou rural.
Nessa direção, o sociólogo Antonio Groppo (2000) entende a
juventude como uma categoria social, uma representação
sociocultural e uma situação social, tendo sido elaborada por
grupos sociais para significar comportamentos e atitudes
atribuídos a essa categoria. Para esse autor, a categoria social
juventude apresenta importância primordial para o entendimento
das sociedades modernas. A naturalização e universalidade da
juventude, bem como a existência de faixas etárias, fazem parte da
criação sociocultural da modernidade. “Essa criação surge ao lado
ou em conjunto com outras categorias sociais essenciais, como
estruturas e estratificações sociais, relações de gênero, relações
étnicas e outras, bem como junto a fenômenos históricos cruciais,
como o capitalismo, o imperialismo, o ‘ocidentalismo’ etc.”
(Groppo, 2000, p.27).
A modernidade constrói uma visão da infância e da juventude
como períodos perigosos e frágeis da vida, estando estes expostos
a todos os males. Tal concepção incentiva a vigilância e isolamento
de crianças e jovens, justificando a intervenção constante de
instituições na vida destas pessoas.
Diante desse contexto, mesmo com a possibilidade de ser
utilizada a adolescência como sinônimo de juventude, pode-se
tecer algumas diferenciações de base teórico-conceitual. Ao
entender que a adolescência usualmente vem associada a uma
noção universalizante de desenvolvimento que limita as
percepções sobre o sujeito, defende-se, portanto, a ampliação e a

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reconfiguração dessa concepção a partir dos estudos que envolvem
a juventude. Para isso, importa destacar a concepção de que o uso
desse termo não se remete apenas a um período de transição que
se limita a determinada faixa etária. Pelo contrário, é uma categoria
mais ampla e diversa que engloba modos de viver que estão
associados a marcadores sociais da diferença, como classe, raça,
gênero, entre outros (Costa; Lacerda Junior, 2018).

Referências

ABRAMOVAY, M.; FIGUEIREDO, E. et al. Juventudes, vivências e


resistências. In: ABRAMOVAY, M. (org.). Juventudes, educação e
violências: Articulações e controvérsias. Brasília, DF: Flacso, 2021.
CARNEIRO, A. S. C.; SAMPAIO, S. M. R. Transição para a vida
adulta em famílias de origem popular: O que muda com a entrada
dos jovens na universidade?. In: MARINHO-ARAUJO, C. M.;
DUGNANI, L. A. (org.). Psicologia escolar na educação superior.
Campinas: Alínea, 2021.
COSTA, M. O.; LACERDA, J. F. Concepções de juventude e o
trabalho do psicólogo escolar: Apontamentos e desafios.
Amazônica - Revista de Psicopedagogia, Psicologia Escolar e
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DESSEN, M. A.; COSTA JÚNIOR, A. L. A ciência do
desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2005.
DIAS, S. D.; FEITOSA, L. R. C.; HOSTENSKY, E. L. Concepções de
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Politécnico Gaya, Portugal, 2021. Disponível em: http://hdl.
handle.net/10400.26/37477/.
FREITAS, M. T. A. A abordagem sócio-histórica como orientadora da
pesquisa qualitativa. Cadernos de Pesquisa, 116, 21 – 39, 2002.
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KAHHALE, E. M. S. P. Gravidez na adolescência: orientação
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