0% acharam este documento útil (0 voto)
21 visualizações28 páginas

Top 1

O documento introduz os conceitos fundamentais de raciocínio lógico e lógica, destacando sua importância na programação de computadores. Explora a lógica aristotélica e matemática, incluindo operações lógicas como negação, conjunção e disjunção, além de discutir a diferença entre linguagem natural e artificial. O entendimento desses princípios é essencial para a resolução de problemas em diversas áreas, incluindo ciência da computação.

Enviado por

JulySilva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
21 visualizações28 páginas

Top 1

O documento introduz os conceitos fundamentais de raciocínio lógico e lógica, destacando sua importância na programação de computadores. Explora a lógica aristotélica e matemática, incluindo operações lógicas como negação, conjunção e disjunção, além de discutir a diferença entre linguagem natural e artificial. O entendimento desses princípios é essencial para a resolução de problemas em diversas áreas, incluindo ciência da computação.

Enviado por

JulySilva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Tópico 01

Introdução à programação de computadores

Raciocínio Lógico

1. Introdução
Alunos, toda a programação de computadores parte de uma compreensão sólida das
bases do raciocínio lógico. Tal raciocínio é usado não só para decidir o melhor
algoritmo, mas também para “traduzir” as ideias do mundo real para o mundo
virtual. Aqui aprenderemos juntos sobre tudo aquilo que servirá de base para esse
novo mundo em que estamos adentrando!

Utilizaremos a lógica e o raciocínio lógico para enxergar a conexão entre a linguagem


natural e a linguagem artificial e, por fim, aprenderemos a identificar, nas questões
do dia a dia, as frases e sentenças, que usaremos nessa conexão, e suas características
particulares.

Daqui para a frente, temos todo um universo de linguagens para aprender, e entre
todas elas existe uma conexão: o Raciocínio Lógico. Vamos embarcar nessa
jornada juntos, para fortalecer nossas bases.

2. Introdução à lógica e ao raciocínio lógico


Vamos começar o nosso estudo com a seguinte reflexão


TODO SER HUMANO É MORTAL.
PELÉ É SER HUMANO.
LOGO, PELÉ É MORTAL.

Bom, isso é raciocínio lógico, no qual os dois primeiros enunciados são as premissas e
o último a conclusão. Dizendo sistematicamente, o raciocínio lógico gira em torno da
capacidade de resolução de problemas a partir das informações dadas em
determinado contexto.

O raciocínio é uma faculdade cognitiva complexa e essencial, que opera tanto de


forma lógica quanto discursiva. Ele desempenha um papel crucial na organização e
interpretação de informações diversas, sejam elas visuais, verbais ou numéricas. Ao
partir de premissas estabelecidas, o raciocínio visa conduzir a mente em direção a
conclusões fundamentadas e coerentes. OK, e o que é lógica? Bom, ela é um dos
campos da filosofia e é considerada uma disciplina introdutória para qualquer estudo
filosófico.

Os estudos da lógica foram iniciados por Aristóteles, na Grécia Antiga, e por isso
também é chamada de lógica aristotélica ou lógica clássica. Aristóteles percebeu que a
maior distinção entre o ser humano e os demais animais é a linguagem e que há uma
estrutura linguística a ser obedecida, para que os enunciados tenham sentido.

Segundo a filósofa Maria Lucia de Arruda e Aranha, “para Aristóteles, a lógica é a


ciência da demonstração”. Voltando ao texto lá do começo do capítulo:


TODO SER HUMANO É MORTAL. (Premissa)
PELÉ É SER HUMANO. (Premissa)
LOGO, PELÉ É MORTAL. (Conclusão)

Esse texto contém uma inferência, que é um encadeamento de proposições –


verdadeiras ou falsas.
“Chama-se de proposição todo o conjunto de palavras ou símbolos que exprimem
um pensamento de sentido completo. As proposições transmitem pensamentos,
isto é, afirmam fatos ou exprimem juízos que formamos a respeito de
determinados entes”

(Alencar Filho, 2006, p. 11).

No nosso trecho, as duas primeiras proposições são premissas, ou seja, contém


informações, com boas razões para se aceitar a terceira proposição, ou conclusão, de
que Pelé é mortal.

3. Lógica Aristotélica
Aristóteles descobriu em seus estudos que todo conhecimento válido emitido por
enunciados deve respeitar três princípios básicos, que são:

I) Princípio da identidade: diz que “tudo é idêntico a si mesmo”, ou seja, todo


enunciado escrito sob a forma lógica “A é A” será sempre verdadeiro, haja vista ser
tautológico– valor lógico sempre verdadeiro –, tal qual nas frases “Todos os
cachorros são cachorros”, “Todos os homens são homens” etc.

II) Princípio de não contradição: denominado por alguns simplesmente como


princípio da contradição, afirma que duas proposições contraditórias não podem ser
ambas verdadeiras. Se for verdadeira que “alguns seres humanos não são bons”, é
falso que “todos os seres humanos são bons”.

III) Princípio do terceiro excluído: é a terceira das três leis clássicas do


pensamento. Ele afirma que qualquer proposição ou é verdadeira, ou a sua negação é
verdadeira, não havendo meio termo.

Os silogismos são a máxima da lógica aristotélica. Silogismo é uma estrutura de


dedução, baseada em premissas e tem uma conclusão. Uma estrutura dedutiva deve
apresentar uma premissa maior, uma premissa menor e, a partir delas, a conclusão.

Novamente, no nosso exemplo, temos:


TODO SER HUMANO É MORTAL. (Premissa Maior)

PELÉ É SER HUMANO. (Premissa Menor)

LOGO, PELÉ É MORTAL. (Conclusão)


Você sabia que existem outros tipos de lógica que vão além da lógica
aristotélica? A lógica dialética é um exemplo observado desde tempos
remotos. Um exemplo é a famosa frase de Heráclito: “Nenhum homem pode
banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois na segunda vez o rio já não é o
mesmo, nem tão pouco o homem!”. Foi formalizada mais tarde, a partir de
pensadores como Hegel e Marx. A lógica dialética tem como foco o
movimento e a contradição. No entanto, essa lógica é bem menos usada no
mundo computacional, uma vez que geralmente nos preocupamos com uma
“foto” do momento atual.

Após obtermos um conhecimento introdutório sobre a Lógica Aristotélica, seus


princípios fundamentais, e tomar conhecimento da existência de outras formas de
lógica que transcendem a abordagem aristotélica, é hora de explorarmos a Lógica
Matemática que desempenha um papel significativo na computação e será acionada
constantemente ao longo de todo o curso.

4. Lógica Matemática
Em tempos mais atuais, o filósofo e matemático alemão Frege deu nova cara à lógica,
ao unir elementos matemáticos e linguísticos para a compreensão de enunciados. A
lógica matemática, introduzida por Frege, possibilitou o aprofundamento na
programação e, por sua vez, forneceu bases para a criação da informática e dos
computadores. Um aliado no estudo da lógica matemática são as tabelas verdade.
Essas tabelas possibilitam o entendimento formal de enunciados linguísticos e de
proposições matemáticas. Na tabela verdade, ou tabela de verdade, são colocados os
valores de cada proposição e, de acordo com os conectivos presentes, chegamos ao
valor lógico final.


Bem, antes de passar para as tabelas, devemos entender o que significam os
símbolos e conectivos que utilizamos nelas e que também serão usados ao
longo do capítulo e dos exercícios:

“p” e “q” são apenas exemplos que podem representar ações ou objetos
ou, pensando em enunciados, podem ser sujeito e predicado. ou sujeito e
verbo.

“~” é o símbolo da negação. Ele tem a função de negar uma afirmação.

”∧“ é o símbolo da conjunção. Ele tem a função de juntar dois elementos.


Equivalendo, na língua portuguesa ao conectivo ”e“. Esse símbolo passa a
ideia de adição e de formação de conjuntos.

”∨“ é o símbolo da disjunção. Ele permite a ideia de dissolução de


conjuntos e de alternância. Na língua portuguesa, esse conectivo equivale
a ”ou“.

“→” é o símbolo condicional. Ele implica uma condição. Para que algo
aconteça, é necessário algo anterior. Equivale na língua portuguesa a “se
então”.

“↔” é o símbolo de bicondicional. Ele passa a ideia de uma dupla condição


para a formação da proposição. Na língua portuguesa, equivale a “se e
somente se”.

“V” e “F” significam apenas se a fórmula ou o enunciado é Verdadeiro ou


Falso. (Souza, 2008.)
As operações feitas a partir de proposições são chamadas de operações lógicas. Esse
tipo de operação segue as regras do chamado cálculo proposicional. As operações
fundamentais são negação, conjunção, disjunção, condicional e bicondicional, vistas
logo a seguir:

Operação de Negação – Esta operação representa o valor lógico oposto de uma


dada proposição. Dessa forma, quando a proposição é verdadeira, a não proposição
será falsa.

p ~𝑝

V F

F V

Agora que vimos os tipos de operações de negação, vamos ao seguinte caso.


Qual a negação da frase: “Minha filha estuda muito.”?

Solução: Minha filha NÃO estuda muito.

Operação de Conjunção – É utilizada quando existe o conectivo “e” entre as


proposições. Essa operação será verdadeira quando todas as proposições forem
verdadeiras (se, e somente se).

p q 𝑝 ∧𝑞

V V V

V F F

F V F

F F F
Vamos a um exemplo de operação do tipo conjunção


Sendo p: 5 + 4 = 9 e q: 4 + 13 = 12, qual valor lógico de p Λ q?

Observação: A expressão “p Λ q” é lida como “p E q”, indicando a conjunção


(E) lógica entre as proposições p e q.

Solução: A primeira proposição é verdadeira (V), mas a segunda é falsa (F).


Portanto, o valor lógico de p e q será falso, pois esse operador só é verdadeiro
quando ambas as sentenças forem verdadeiras.

Operação de Disjunção Inclusiva (ou simplesmente Disjunção) – Nesta


operação, o resultado será verdadeiro quando pelo menos uma das proposições for
verdadeira. Portanto, um resultado será considerado falso somente quando todas as
proposições forem negativas. A utilização da disjunção ocorre quando há a presença
do operador lógico “ou” entre as proposições.

p q 𝑝 ∨𝑞

V V V

V F V

F V V

F F F


Supondo que seu pai, um cara legal, vendo seu esforço e seu estudo, te faz tal
promessa: “eu te darei um carro ou uma moto”. Quais seriam as soluções
possíveis?
Solução: Ganhando um dos presentes, a solução já será verdadeira, a
promessa já valeu. Então, vamos lá. Se seu pai estiver em boa situação
financeira, te dará um carro e uma moto.

Te darei um carro Te darei uma moto Te darei um carro ou uma moto

p q 𝑝 ∨𝑞

V V V

Ou: Ele te dará um carro. Logo, cumpriu a promessa e te deu um presente.

Te darei um carro Te darei uma moto Te darei um carro ou uma moto

p q 𝑝 ∨𝑞

V F V

Ou: Ele te dará uma moto. Logo, também cumpriu a promessa e te deu um
presente.

Te darei um carro Te darei uma moto Te darei um carro ou uma moto

p q 𝑝 ∨𝑞

F V V

Ou: Seu pai esqueceu o presente. Logo, toda disjunção terá sido falsa.

Te darei um carro Te darei uma moto Te darei um carro ou uma moto

p q 𝑝 ∨𝑞

F F F
Toda a disjunção (a promessa do seu pai) só será falsa se as duas partes
forem descumpridas.

Operação Disjunção Exclusiva – Esta operação é realizada quando a proposição


utiliza o termo “Ou…OU”, diferente do conectivo “Ou” da Disjunção Inclusiva. O
resultado só será verdadeiro (V) quando apenas uma das variáveis envolvidas for V. A
representação simbólica é dada por “p ⊻ q“, e se lê como ”ou p ou q“.

p q 𝑝⊻𝑞

V V F

V F V

F V V

F F F

Operação Condicional – Esta operação é realizada quando a proposição utiliza o


conectivo “se… então…”. Assim, p -> q significa “se p, então q”. O resultado dessa
operação só será falso quando a primeira proposição for verdadeira e a consequente
for falsa.

p q 𝑝→𝑞

V V V

V F F

F V V

F F V

OBS.: É importante ressaltar que uma operação condicional não significa que uma
proposição é a consequência da outra, e o que estamos tratando é apenas de relações
entre valores lógicos.

Exemplo 1: Qual o resultado da proposição “Se um minuto tem 36 segundos,
então, uma hora tem 60 minutos”?
Solução: Sabemos que um minuto não tem 36 segundos, logo, essa
proposição é falsa. Também sabemos que uma hora tem 60 minutos, logo,
essa proposição é verdadeira. Assim, o resultado será verdadeiro, uma vez
que o operador condicional é falso apenas quando a primeira afirmação é
verdadeira e a segunda é falsa, o que não ocorre neste exemplo.

Exemplo 2: Qual o resultado da proposição “Se todos os gatos são animais,


então todos os animais são gatos”?

Solução: Analisando essa proposição, sabemos que a primeira parte da


proposição é verdadeira, pois todos os gatos são de fato animais. No entanto,
a segunda parte da proposição é falsa, já que nem todos os animais são gatos.
Existem muitas outras espécies de animais além dos gatos. Dessa forma, o
resultado será falso, pois a primeira parte é verdadeira e a segunda parte é
falsa.

Operação Bicondicional – indica uma proposição do tipo “… se e somente se…”.


Portanto,

𝑝 ↔ 𝑞 significa “p se e somente se q”, ou seja, p é condição necessária e suficiente


para q.

p q 𝑝↔𝑞

V V V

V F F

F V F

F F V

Qual o resultado da proposição “3*0 = 2 se e somente se 2 + 5 = 3”?
Solução: A primeira igualdade é falsa (F), pois 3*0 = 0, e a segunda também
é falsa (F) 2 + 5 = 7. Dessa maneira, como ambas são falsas

((F)↔ (F)), o valor lógico da proposição é verdadeiro.

Após aprender sobre lógica matemática e suas operações fundamentais – negação,


conjunção, disjunção inclusiva, disjunção exclusiva e operação bicondicional –
percebemos sua importância crucial em uma variedade de disciplinas e aplicações
práticas. Esses conceitos são essenciais para transformar declarações, combinar e
avaliar a veracidade de proposições, bem como estabelecer relações de equivalência
entre elas. Compreender e aplicar essas operações fortalece o raciocínio lógico e é
fundamental para a solução de problemas em áreas como ciência da computação,
matemática, filosofia e engenharia. Agora, vamos explorar a diferença entre
linguagem natural e linguagem artificial, para compreender como esses princípios se
aplicam em contextos de comunicação e programação.

5. Linguagem natural X linguagem artificial


Segundo o dicionário de termos linguísticos, o conceito de língua artificial opõe-se ao
de língua natural. Enquanto a língua natural é a linguagem desenvolvida
naturalmente pelo ser humano e se reproduz espontaneamente no interior de uma
comunidade, uma língua artificial é aquela que foi construída, tem seus significados
altamente padronizados e é utilizada em domínios científicos e tecnológicos.


A linguagem natural utilizamos cotidianamente e nos permite simbolizar,
isto é, representar o real por signos e de compreender o signo como
representante do real.
A linguagem artificial é aquela usada pela internet, libras, álgebra, tabela
periódica, entre outros. A linguagem artificial tem seus significados
altamente padronizados, é simbólica e elaborada para desempenhar funções
específicas.
(Cintra; Tálamo; Lara; Kobashi, 2002).

Processamento de linguagem natural

No final do século retrasado, após os estudos das propriedades semânticas da


linguagem natural, propôs-se que todo pensamento lógico poderia ser descrito em
forma de símbolos e que seriam manipulados por meio de regras. Dessa forma, seria
possível construir uma linguagem artificial livre de ambiguidades e dos problemas da
linguagem natural. As ciências computacionais advindas da primeira metade do
século XX seguem, de certa forma, essa tendência analítica.

O matemático inglês Alan Turing demonstrou que qualquer função matemática,


descrita por meio de uma formalização, poderia ser executada em uma máquina

“A Máquina de Turing […] é universalmente conhecida e aceita como


formalização de algoritmos. Trata-se de um mecanismo simples que formaliza a
ideia de uma pessoa que realiza cálculos. Lembra em muito, os computadores
atuais, embora tenha sido proposta anos antes do primeiro computador digital”.

(Divério; Menezes, 2008, p. 83).


Essa concepção de representação dos processos mentais humanos por máquinas
marca o início dos estudos da “Inteligência Artificial”, cuja base é modelo matemático
de Alan Turing, conhecido como Máquina de Turing, proposta em 1936.

A máquina de Turing é uma invenção automática capaz de manipular símbolos em


uma fita, de acordo com uma série de regras para guardar informação, exatamente
como os computadores fazem hoje.

Durante a II Guerra Mundial, Turing desenvolveu um sistema chamado “bombe”,


para traduzir textos secretos alemães, gerados por máquinas de criptografia
chamadas de “Enigma”. A bombe traduzia comunicações codificadas pela Enigma,
transformando-as em uma mensagem verdadeira e compreensível (Fontoura,
Fiocruz).

A computação desempenhou um papel crucial durante a II Guerra Mundial,


revolucionando estratégias militares e contribuindo significativamente para o esforço
de guerra. Para entender melhor como a computação influenciou essa época histórica
e suas consequências, assista ao vídeo seguinte, que explora de forma detalhada essa
fascinante interseção entre tecnologia e conflito global.


A Computação e a Segunda Guerra Mundial
O vídeo mostra como Alan Turing, por meio de sua genialidade, não apenas
revolucionou a computação, mas moldou o curso da história ao estabelecer os
fundamentos da ciência da computação e da inteligência artificial. Sua contribuição,
que incluiu a concepção da máquina de Turing e seu trabalho crucial durante a II
Guerra Mundial, não só pavimentou o caminho para o desenvolvimento de
tecnologias modernas, mas também exemplificou como a perseverança e a mente
curiosa podem desencadear uma revolução que deixou marcas na história.

Para explorar ainda mais o poder de raciocínio lógico, você pode experimentar um
simulador de Máquina de Turing, uma máquina teórica simples capaz de calcular
qualquer função matemática. Confira o simulador clicando aqui.

6. Proposição Simples
Dois tipos de proposições serão discutidos daqui em diante.

Proposições simples.

Proposições compostas.

No entanto, antes de diferenciá-las, precisamos descobrir o que elas têm em comum.


Ambas são PROPOSIÇÕES!
Proposição
Vamos consultar o dicionário para uma compreensão mais aprofundada:

Proposição:

– Ato de apresentar, submeter a exame ou deliberação; propositura ou proposta.


– Aquilo que é proposto; propositura, proposta ou sugestão.
– No contexto matemático, trata-se do enunciado de uma verdade matemática que
pode ser provada, também conhecido como teorema.
– No âmbito lógico, representa a expressão de um julgamento que pode ser
considerado falso ou verdadeiro.

Observa-se que o significado de proposição, no campo da lógica, é “Expressão de um


juízo que pode ser considerado falso ou verdadeiro”.

Analisemos as seguintes expressões:

Unicórnios não existem.

Quantos anos você tem?

Nem aqui nem na China.

Estude bastante!

Proponho mais igualdade.

Estamos acostumadas(os) com todos os tipos de expressões apresentadas no quadro.


No entanto, nos interessamos por aquelas que possam ser classificadas como
VERDADEIRAS ou FALSAS. Elas são conhecidas como sentenças DECLARATIVAS.


Quais das expressões anteriormente citadas são DECLARATIVAS?
Solução: Apenas a primeira. As outras ficariam sem sentido em uma resposta
de Verdadeiro/Falso.
Qual seria, então, a diferença entre uma expressão DECLARATIVA e outra
PROPOSITIVA?


A PROPOSIÇÃO é uma expressão declarativa que respeita os três princípios
básicos da lógica Aristotélica (item 3).

Relembrando a lógica aristotélica:

Princípio da identidade.

Princípio da não contradição.

Princípio do terceiro excluído.

Vamos testar nossos conhecimentos?


Todas as expressões a seguir são declarativas. Cite quais delas são
PROPOSIÇÕES:
a) Estou vivo e meu corpo está morto.
b) Esta frase é falsa.
c) Somos poeiras de estrelas.
Solução:
a) Fere o princípio da não contradição (não é proposição).
b) Fere o princípio do terceiro excluído (não é proposição).
c) É uma proposição.

Perceba que, até o momento, não fizemos distinção entre proposições simples e
proposições compostas. Porém, uma vez que tenhamos compreendido a definição de
proposição, vamos ao próximo passo: O QUE É PROPOSIÇÃO SIMPLES?

Definição de Proposição Simples


Uma proposição simples é UMA afirmação que pode ser avaliada como verdadeira ou
falsa, mas não ambas.

Exemplo: Vinicius gosta de cachorros.

Vamos testar se você entendeu?


Diga quais das opções abaixo são proposições simples:
a) Marina anda de bicicleta.
b) Brittany comprou uma guitarra que é azul.
c) Júlia afirma: sou mentirosa!
d) Eu gosto de praia e de rio.

Solução:
a) Proposição simples – apenas uma declaração.
b) Proposição simples – repare que o trecho “que é azul” é apenas uma
qualificação do objeto direto “guitarra”. A declaração é que “Brittany
comprou uma guitarra”.
c) Não é proposição – fere o princípio da não contradição de Aristóteles.
d) É uma proposição, mas não é simples – a frase pode ser entendida como
<Eu gosto de praia> e <Eu gosto de rio>. Então, são duas declarações.

Nem sempre é fácil identificar, certo? Vamos recorrer à matemática para encontrar
algumas regras importantes.
Proposição simples na teoria de conjuntos
Vamos definir, na teoria de conjuntos, a seguinte proposição simples: Vinicius gosta
de cachorros. Vamos analisar a imagem que segue:

Proposição simples em análise de conjuntos.

Observe que existe um universo e dois conjuntos na imagem anterior:

Universo U, formado por todas as pessoas.

Conjunto A, formado por todas as pessoas que gostam de cachorros.

Conjunto Ac (complemento de A), formado por todas as outras pessoas (que não
gostam de cachorros).
Vinicius só pode “caber” dentro de um dos conjuntos do universo U (A ou Ac ). Para
ele, existem duas opções. Se a sentença Vinicius gosta de cachorros é verdadeira
ou falsa, não importa! Ambas as alternativas (V ou F) colocam Vinicius em um (e
apenas um) dos conjuntos.

Vamos analisar outros exemplos anteriores? Você ver como ficou mais fácil definir.

Proposição: Brittany comprou uma guitarra que é azul.

Universo U, formado por todas as pessoas.

Conjunto A, formado por todas as pessoas que compraram uma guitarra azul.
Obs.: A característica azul qualifica o conjunto A, não é uma opção diferente de
conjunto para a Brittany se encaixar.

Conjunto (complemento de A), formado por todas as outras pessoas (que não
compraram uma guitarra azul).

Repare como, matematicamente, podemos observar problemas diferentes da mesma


forma!
Proposição simples em análise de conjuntos.

Vamos tentar uma terceira?

Proposição: Eu gosto de praia e de rio.


Exemplo de análise se é uma proposição simples –
Conjuntos

Observe que agora temos três conjuntos:

Universo U, formado por todas as pessoas.

Conjunto A, formado por todas as pessoas que gostam de praia.

Conjunto C, formado por todas as pessoas que gostam de rio.

Conjunto D, formado por todas as pessoas que não gostam nem de praia nem de
rio.

Interseção B, formada por todas as pessoas que gostam de praia e de rio.

Observando o exemplo, por meio da teoria de conjuntos, fica óbvia a diferença entre o
que é proposição simples e o que não é, certo? Então, vamos à próxima classe.

7. Proposições Compostas
Se você está pensando que “proposição composta é quando há mais de uma
declaração na mesma sentença”, VOCÊ ACERTOU!
No dia a dia, frequentemente fazemos sequências de declarações com o objetivo de
criar uma ideia mais complexa. No mundo da lógica, não poderia ser diferente.

Em geral a definição dada é PROPOSIÇÃO COMPOSTA: proposições simples


interligadas por meio de conectivos (e/ou).

Aqui existe uma polêmica sobre a definição, uma vez que a definição apresentada
engloba aquelas proposições cujos universos são diferentes. Exemplo: amanhã é
sábado, e eu gosto de chocolate. Perceba que temos o Universo dos dias da semana (7
Conjuntos – segunda a domingo) e o Universo das pessoas (2 Conjuntos – as que
gostam de chocolate e as que não gostam).

Assim, alguns grupos definem como sendo duas proposições simples sem formar
uma proposição composta e outros grupos definem como duas proposições simples
que formam uma proposição composta. Para os casos de concursos, é importante
analisar historicamente como a banca avalia essa questão.

No entanto, para uso no campo da lógica computacional, é importante definir o


conceito como uma proposição composta, mesmo quando os universos das
proposições simples são diferentes. Ficará mais fácil entender o motivo mais para
frente.

Agora perceba que as proposições compostas não são formadas apenas por
proposições simples, mas também por conectivos.

Conectivo “e”
Existem duas formas de observar o conectivo “e”: por meio de uma interseção de
conjuntos em um mesmo universo e por meio da análise da verdade em dois
universos separados.

Complicou, não é? Voltemos aos conjuntos então!

Interseção de conjuntos em um mesmo universo

Você se lembra do caso “eu gosto de praia e de rio”? Bom, esta é uma interseção de
conjuntos de um mesmo universo, produzida pelo conectivo “e”.

Proposição Composta em análise de Conjuntos


– Conectivo “e”.

Universo U, formado por todas as pessoas.

Conjunto A, formado por todas as pessoas que gostam de praia.

Conjunto C, formado por todas as pessoas que gostam de rio.

A interseção B é o resultado produzido pelo conectivo “e”.

Análise da verdade em dois universos separados.

Exemplo: Aquele cachorro é marrom, e eu gosto de samba.


Proposição composta em análise de conjuntos – conectivo “e” segundo caso.

Universo U1, formado por todos os cachorros.

Conjunto A, formado por todas os cachorros marrons.

Conjunto Ac, formado por todas os outros cachorros.

Universo U2, formado por todas as pessoas.

Conjunto B, formado por todas as pessoas que gostam de samba.

Conjunto Bc, formado por todas as outras pessoas.

Perceba que, desta vez, as análises são feitas separadamente. Não há interseção
possível entre os dois conjuntos, uma vez que fazem parte de universos diferentes.

Portanto, a sentença é verdadeira se for verdadeira para as duas declarações.


Conectivo “ou”
Quando usado apenas como conectivo na sentença, devemos observar quantas vezes
é usado.

Se o “ou” conecta x declarações, mas a sentença tem x-1, “ou” sendo utilizados como
conectivo, ele traz o sentido de inclusão.

Ex.: Juliana viajou de carro ou de avião ou de ônibus.

Perceba que temos três declarações e apenas dois “ou”. Vamos observar as
declarações:

Juliana viajou de carro.

Juliana viajou de avião.

Juliana viajou de ônibus.

No caso do conectivo “ou”, basta que uma ou mais declarações sejam verdadeiras.
Que Juliana tenha viajado em pelo menos um desses três meios transportes. Ou seja,
basta que ela esteja em um ou mais grupos.
Proposição composta em análise de conjuntos – conectivo
“ou”.

Se o “ou” conecta x declarações, e a sentença tem x “ou” sendo utilizados como


conectivos, ele traz o sentido de exclusão.

Ex.: Juliana viajou ou de carro ou de avião ou de ônibus.

Perceba que, no caso, o “ou” aparece três vezes conectando três declarações, dando
a ideia de exclusão.

Portanto, para a sentença ser considerada verdadeira, Juliana tem de viajar com um
(e apenas um) transporte, ou seja, estar em apenas um dos conjuntos A, B ou C.

Para o caso do conectivo “ou”, não importa se os conjuntos observados fazem parte
do mesmo universo ou de universos diferentes, a análise é sempre a mesma.

8. Conclusão
Este tópico procurou mostrar alguns conceitos de lógica e raciocínio lógico,
principalmente aqueles mais usados no universo da programação de computadores.

Buscamos aprender conceitos e regras sobre a linguagem que utilizamos no dia a dia
e sobre a linguagem artificial. A partir desses conceitos, alcançamos a habilidade de
identificar aspectos importantes no universo das linguagens que as conectam como
um todo.

Assim, procuramos fundamentar as bases da compreensão de um tópico importante


que será utilizado por você para sempre daqui para frente nesse nosso novo mundo
da programação de computadores.

9. Referências
ALENCAR FILHO, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2006
e edições anteriores.

CINTRA, A.M.M.; TÁLAMO, M.F.G.M.; LARA, M.L.G.; KOBASHI, N.Y. Linguagem.


In: ___. Para entender a linguagem documentária. São Paulo: Polis, p.9-31.

DIVÉRIO, T. A.; MENEZES, P. B. Teoria da computação: Maquinas Universais e


Computabilidade. Porto Alegre: Bookman. Instituto de informática da UFRGS,
2008.

FONTOURA, Paula Renata. INVIVO FIOCRUZ. Alan Turing, o pai da computação.


Disponível em:> [Link]
computacao/#:~:text=Turing%20foi%20um%20incr%C3%ADvel%20matem%C3%A
1tico,considerado%20uma%20doen%C3%A7a%20na%20Inglaterra.>

PORFÍRIO, Francisco. “O que é lógica?”; Brasil Escola. Disponível em:


[Link]

SOUZA, João Nunes. Lógica para Ciência da Computação: uma introdução concisa.
Elsevier Ed. Ltda. Rio de Janeiro. 208.

YouTube. [Link]ódio 04 – A Computação e a Segunda Guerra Mundial

Parabéns, esta aula foi concluída!

O que achou do conteúdo estudado?


Péssimo Ruim Normal Bom Excelente

Deixe aqui seu comentário

Mínimo de caracteres: 0/150

Enviar

Você também pode gostar