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Contabilidade

A contabilidade é uma ciência social que registra e controla a riqueza e operações mercantis, com a finalidade de fornecer informações precisas sobre a situação patrimonial e financeira para a tomada de decisões. Ela utiliza técnicas como escrituração, elaboração de demonstrações contábeis e auditoria, e é regulamentada por leis específicas no Brasil. A contabilidade se aplica a diferentes tipos de entidades, incluindo empresas com fins lucrativos e organizações sem fins lucrativos, e é essencial para usuários internos e externos que dependem de informações financeiras para suas decisões.

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Gisleine Soares
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Contabilidade

A contabilidade é uma ciência social que registra e controla a riqueza e operações mercantis, com a finalidade de fornecer informações precisas sobre a situação patrimonial e financeira para a tomada de decisões. Ela utiliza técnicas como escrituração, elaboração de demonstrações contábeis e auditoria, e é regulamentada por leis específicas no Brasil. A contabilidade se aplica a diferentes tipos de entidades, incluindo empresas com fins lucrativos e organizações sem fins lucrativos, e é essencial para usuários internos e externos que dependem de informações financeiras para suas decisões.

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Definição e Origem da Contabilidade:

A contabilidade e uma ciência social que surgiu com a necessidade de registrar e controlar riqueza e
operações mercantis.

Sua função e captar, escriturar e interpretar fatos que afetam o patrimônio de pessoas e entidades.

Definição oficial (1º Congresso Brasileiro de Contabilidade - 1924):

▪ Ciencia que estuda e pratica funçoes de orientaçao, controle e registro dos atos e
fatos economicos de uma administraçao.

o Definição do IPECAFI:

▪ Sistema de informaçao que fornece analises e relatorios economicos, financeiros e


de produtividade para tomada de decisões.

▪ Finalidade da Contabilidade:

o Fornecer informaçoes precisas sobre a situaçao patrimonial e financeira para a tomada de


decisoes.

▪ Contabilidade como Sistema de Informação:

o Processo: fatos relevantes sao registrados, trabalhados e transformados em informaçoes


economicas, financeiras e de produtividade.

o Função principal: Prover informações financeiras para tomada de decisões, como as


analises feitas por investidores.

▪ Demonstrações Contábeis:

o As informaçoes contabeis sao apresentadas em demonstrações contábeis (ou financeiras),


que mostram a saúde econômica de uma empresa ou entidade.

o Exemplo: As grandes empresas publicam suas demonstraçoes financeiras para que


investidores e o publico possam avaliar seus resultados.

▪ Técnica da Escrituração Contábil:

o Escrituração: Tecnica que organiza e registra fatos contábeis (eventos que alteram o
patrimonio) em livros ou fichas.

o Esses registros servem de base para a elaboração das demonstrações contábeis.

▪ Divisões da Contabilidade:

o Contabilidade Teórica: Foca no estudo dos princípios e teorias da contabilidade.

o Contabilidade Prática: Preocupa-se com o registro de fatos contábeis em livros


apropriados.

▪ Objeto de Estudo da Contabilidade:

o O patrimônio: Conjunto de bens, direitos e obrigaçoes de uma entidade.

▪ Campo de Aplicação da Contabilidade:

o A contabilidade aplica-se as aziendas, ou seja, entidades com patrimônio organizado.

o As aziendas podem ser:

1. Azienda econômica: Empresas com fins lucrativos.

2. Azienda econômico-social: Associaçoes que nao distribuem lucro, mas utilizam sobras líquidas para
outros fins.

3. Azienda social: Entidades sem fins lucrativos, como Uniao, Estados e Municípios.
▪ Entidade que Reporta:

o A entidade que reporta e responsavel por elaborar as demonstrações contábeis.

o Pode ser uma entidade unica ou parte de uma maior (como um setor específico de uma empresa),
ou ate mesmo um grupo economico.

Usuários das Demonstrações Contábeis:

As demonstraçoes contabeis sao preparadas para atender usuários internos e externos, que podem ser
divididos conforme seu nível de envolvimento com a entidade:

Usuários Internos:

• Alta e Média Gerência: Monitoram desempenho e tomam decisoes estrategicas.

• Conselho de Administração: Supervisionam atividades e cumprimento de objetivos.

• Acionistas Controladores: Monitoram retorno de investimentos.

Usuários Externos:

• Investidores: Avaliam a viabilidade de comprar, manter ou vender açoes.

• Credores: Analisam a capacidade de pagamento da empresa.

• Fornecedores: Avaliam a capacidade de pagamento para concessao de credito.

• Clientes: Verificam a continuidade da empresa para contratos de longo prazo.

• Empregados: Avaliam a estabilidade e lucratividade da empresa.

• Governo: Utilizam para fiscalizaçao e formulaçao de políticas fiscais.

• Público em Geral: Analisam o impacto economico da empresa.

Usuários Primários:

• Investidores e Credores: Nao tem poder de exigir informaçoes diretas, analisando relatorios
financeiros para decisoes.

Funções da Contabilidade:

• Função Administrativa: Controle do patrimonio (estoques, tributos, salarios, disponibilidades


financeiras).

• Função Econômica: Apuraçao do resultado do exercício (lucro ou prejuízo

Credibilidade das Informações Contábeis:

Para que as informaçoes contabeis sejam confiaveis e seguras, e necessario que as demonstraçoes financeiras
sejam validadas por diversos mecanismos:

• Contador: O responsavel por assinar as demonstraçoes contabeis, garantindo sua veracidade e


conformidade com as normas.

• Auditoria Externa: Empresas de auditoria sao contratadas para verificar as demonstraçoes contabeis
e confirmar sua adequação as regras contabeis aplicaveis, garantindo que refletem corretamente a
situaçao financeira da entidade.
Técnicas Contábeis

A contabilidade utiliza quatro principais técnicas para o controle e analise do patrimonio:

▪ Escrituração:

Registro de todos os eventos que alteram o patrimonio da empresa.

▪ Elaboração das Demonstrações Contábeis:

As empresas devem preparar e publicar demonstraçoes financeiras ao final de cada exercício social.

▪ Auditoria:

Verifica a precisao e conformidade dos registros contabeis. Existem tres tipos principais de auditoria:

o Auditoria Interna: Realizada por funcionarios da propria empresa.

o Auditoria Independente: Feita por auditores externos, registrada na Comissao de Valores


Mobiliarios (CVM) para companhias abertas.

o Auditoria Fiscal: Conduzida por orgaos governamentais, como a Receita Federal.

▪ Análise das Demonstrações Contábeis:


o Avalia a saude financeira da empresa apos a auditoria.
o Usada por investidores, credores e gestores para tomada de decisoes.

7. Base Legal da Contabilidade

A contabilidade no Brasil e regulamentada pela Lei 6.404/76, conhecida como Lei das Sociedades por Açoes.
Para o estudo e pratica contabil, e fundamental o conhecimento dos artigos 175 a 204 desta lei, que estabelecem
as normas para as demonstraçoes contabeis, auditoria e a estrutura das empresas.

8. Convergência Internacional das Normas Contábeis

Com a globalizaçao da economia, a convergência das normas contábeis tornou-se uma necessidade. O Brasil
adotou essa pratica com as Leis 11.638/2007 e 11.941/2009, que alinharam as normas nacionais aos padrões
internacionais. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e o responsavel pela emissao das normas no
Brasil, em conformidade com as praticas internacionais.

Princípio da Entidade

Na contabilidade estabelece a separação total entre o patrimônio da empresa e o patrimônio dos sócios ou
proprietários. Isso significa que, apos a constituiçao de uma empresa, ela se torna uma pessoa jurídica
autônoma, distinta dos seus socios, com direitos e obrigaçoes proprios.

Pontos principais:
• Autonomia da Pessoa Jurídica: A empresa e considerada um ente economico independente. Assim,
seus bens, direitos e obrigaçoes nao se misturam com os bens pessoais dos socios.

• Capital Social: Para que a entidade comece a operar, os socios precisam investir um valor inicial,
chamado de capital social. Esse montante e essencial para dar "vida propria" a empresa e possibilitar
suas atividades.

Exemplo prático:

Se dois socios criam uma empresa para vender produtos, os bens da empresa (como estoque e dinheiro) sao
separados dos bens pessoais dos socios (como imoveis e contas pessoais). O dinheiro que eles colocam na
empresa, o capital social, sera usado pela entidade de forma autonoma.

Esse princípio garante que as finanças da empresa sejam claramente diferenciadas das finanças pessoais dos
socios, evitando confusoes e possibilitando uma melhor gestao e controle contabil.

Atos e Fatos Contábeis

• Atos Contábeis: Eventos que nao alteram imediatamente o patrimonio, como a assinatura de
contratos ou acordos futuros. Sao registrados em contas de compensaçao ou notas explicativas.

• Fatos Contábeis: Eventos que provocam variaçoes no patrimonio e sao registrados diretamente nas
contas patrimoniais (ativo, passivo, patrimonio líquido) ou contas de resultado (receitas, despesas).

Variações no Patrimônio Líquido

Tipos de Variações:

o Entradas e Saídas de Capital: Integralizaçoes e retiradas de capital pelos socios.

o Resultado do Exercício: Lucro (receitas > despesas) ou prejuízo (despesas > receitas

Conceitos Contábeis:

• Receitas: Aumentos nos ativos ou diminuiçoes nos passivos que resultam da venda de mercadorias,
prestaçao de serviços ou ganhos financeiros (aumentam o Patrimonio Líquido).

• Despesas: Consumo de bens ou serviços, que geralmente visa gerar receitas (diminuem o Patrimonio
Líquido).

Contas Contábeis:

• Contas Patrimoniais: Representam bens, direitos, obrigaçoes e patrimonio líquido da entidade. Ex:
Conta caixa, fornecedores, capital social. Essas contas mostram a posiçao patrimonial estatica.

• Contas de Resultado: Representam receitas e despesas, e mostram a performance da entidade


durante o período. Ex: Receita de vendas, despesas operacionais. Essas contas tem um carater
dinamico e sao usadas para apurar lucro ou prejuízo.

Classificação quanto à Natureza:

▪ Contas Devedoras: Aumentam com debitos e diminuem com creditos (ex.: ativo, despesas).
▪ Contas Credoras: Aumentam com creditos e diminuem com debitos (ex.: passivo, receitas).

Resumo das Naturezas e Efeitos:

• Ativo: Debito aumenta, Credito diminui.

• Passivo: Credito aumenta, Debito diminui.

• Patrimônio Líquido: Credito aumenta, Debito diminui.

• Receitas: Credito aumenta, Debito diminui.

• Despesas: Debito aumenta, Credito diminui.


Contas Retificadoras: Contas retificadoras tem a funçao de ajustar ou corrigir os saldos das contas principais,
apresentando natureza contraria ao grupo ao qual pertencem.

Características:

• Contas Retificadoras do Ativo: Natureza credora, diminui o saldo (ex.: Depreciaçao Acumulada).

• Contas Retificadoras do Passivo e Patrimônio Líquido: Natureza devedora, aumenta o saldo (ex.:
Descontos Concedidos).

Apresentação: No balanço patrimonial, as contas retificadoras aparecem com saldo negativo, entre parenteses,
para indicar que diminuem o saldo do grupo ao qual pertencem.

Contas Analíticas e Sintéticas

Contas Sintéticas: Resumem informaçoes de varias contas analíticas (ex.: Estoque de Mercadorias).

Contas Analíticas: Detalham informaçoes específicas (ex.: Produto A, Produto B).

Funções e Estrutura das Contas

Razonetes e Contas:

• Razonete: Representaçao grafica das contas contabeis em formato de "T", mostrando debitos e
creditos. Cada conta tem um lado para debitos e outro para creditos.

o Exemplo: Conta Caixa

Plano de Contas

O Plano de Contas e um conjunto organizado de todas as contas usadas por uma entidade para uniformizar os
registros contabeis. Ele varia conforme o tipo e a complexidade da entidade, como uma industria de calçados e
um supermercado, que terao planos de contas diferentes.

1. Componentes do Plano de Contas

• Elenco de Contas: Lista de todas as contas utilizadas, incluindo seus nomes e codigos.
• Manual de Contas: Documento que detalha cada conta, sua funçao, funcionamento e documentos que
a suportam.

• Modelos de Demonstrações Contábeis: Exemplos padronizados de como apresentar as informaçoes


financeiras.

2. Formalidades da Escrituração Contábil

De acordo com a ITG 2000 (R1):

• Deve ser feita em idioma e moeda nacional.

• Seguir a forma contabil.

• Registrar em ordem cronologica.

• Nao deve ter espaços em branco, rasuras ou emendas.

• Baseada em documentos de origem externa ou interna, ou evidencias de fatos contabeis.

Método das Partidas Dobradas

O Método das Partidas Dobradas (ou metodo veneziano) e a tecnica contabil que estabelece que para cada
entrada no patrimonio, ha uma origem correspondente. Cada transaçao e registrada de forma que os debitos e
creditos se igualem, garantindo o equilíbrio contabil.

1. Lançamentos Contábeis

• Débito: Aumenta o saldo das contas de ativo e despesas; diminui o saldo das contas de passivo e
receitas.

• Crédito: Aumenta o saldo das contas de passivo e receitas; diminui o saldo das contas de ativo e
despesas.

2. Representação das Contas

As contas sao representadas graficamente por um “T” chamado razonete:

• Lado do Débito (esquerdo): Aumenta contas de ativo e despesas.

• Lado do Crédito (direito): Aumenta contas de passivo e receitas

Elementos Essenciais de um Lançamento

De acordo com a ITG 2000 (R1), um lançamento contabil deve conter:

1. Data do Registro: Data em que o fato contabil ocorreu.

2. Conta Devedora: Conta que esta sendo debitada.

3. Conta Credora: Conta que esta sendo creditada.

4. Histórico: Descriçao ou codigo que representa a essencia economica da transaçao.

5. Valor do Registro: Valor associado ao lançamento.

6. Identificação do Lançamento: Informaçao que permita identificar de forma unica todos os registros
de um mesmo lançamento.

Fórmulas do Lançamento

Os lançamentos contabeis seguem o metodo das partidas dobradas, onde o total de debitos deve igualar o total
de creditos. Existem diferentes formulas para diferentes configuraçoes de lançamentos:

▪ 1ª Fórmula (1 Débito e 1 Crédito)


▪ 2ª Fórmula (1 Débito e 2 Créditos)
▪ 3ª Fórmula (2 Débitos e 1 Crédito)
▪ 4ª Fórmula (2 Débitos e 2 Créditos)
Retificação de Lançamento Contábil

A retificaçao pode ser feita por:

1. Estorno: Lançamento inverso que anula o lançamento incorreto.

2. Transferência: Regulariza a conta indevidamente debitada ou creditada, movendo o valor para a conta
correta.

3. Complementação: Adiciona ou reduz o valor registrado anteriormente, conhecido como estorno


parcial se reduzir o valor.

4. Ressalva: Correçao feita antes do termino do lançamento, utilizando palavras como “digo” ou “ou
melhor”.

o Observação: Menos comum atualmente, mais usada em escrituraçao manual.

Tipos de Fatos Contábeis

Fatos Permutativos: Trocam bens sem alterar o valor do patrimonio.

Fatos Modificativos: Alteram o valor do patrimonio líquido.

Fatos Mistos: Combinam aspectos permutativos e modificativos.

Insubsistências e Superveniências

1. Superveniências Ativas: Eventos ou circunstancias que aumentam o patrimonio inesperadamente.

• Exemplo: Recebimento de uma doaçao ou herança nao antecipada, ou um ganho inesperado de


investimento.

2. Superveniências Passivas: Eventos ou circunstancias que diminuem a situaçao líquida


inesperadamente.

• Exemplo: Perda inesperada devido a um acidente ou um passivo imprevisto.

3. Insubsistências Ativas: Situaçoes em que passivos (dívidas ou obrigaçoes) deixam de existir, gerando
uma receita ou benefício para a entidade.

• Exemplo: Cancelamento de uma dívida que nao precisa mais ser paga ou perdao de uma
obrigaçao.

4. Insubsistências Passivas: Situaçoes em que ativos (bens ou direitos) deixam de existir, resultando na
diminuiçao do patrimonio.

• Exemplo: Perda ou deterioraçao de um bem que reduz o valor total dos ativos.

Regime de Caixa vs Regime de Competência:

• Regime de Caixa: Reconhece receitas/despesas com a movimentaçao de dinheiro.

• Regime de Competência: Reconhece receitas/despesas no momento do fato gerador.

Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76)

A Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) estabelece as demonstraçoes contabeis obrigatorias que as
companhias devem elaborar ao fim de cada exercício social. Essas demonstraçoes devem refletir com clareza a
situaçao do patrimonio e as mutaçoes ocorridas durante o exercício.

Demonstrações Contábeis Obrigatórias pela Lei 6.404/76:


1. Balanço Patrimonial (art. 176, I): apresenta a posiçao financeira da empresa em determinado
momento.

2. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (art. 176, II): detalha os lucros ou prejuízos
acumulados ao longo do tempo.

3. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) (art. 176, III): mostra o desempenho operacional
da companhia.

4. Demonstração dos Fluxos de Caixa (art. 176, IV): introduzida pela Lei nº 11.638/07, evidencia as
entradas e saídas de caixa. Companhias fechadas com patrimonio líquido inferior a R$ 2.000.000,00
estao dispensadas de sua elaboraçao.

5. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) (art. 176, V): exigida para companhias abertas, reflete a
riqueza gerada pela empresa.

Pontos importantes da Lei 6.404/76:

• Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) pode ser incluída na Demonstraçao das
Mutaçoes do Patrimonio Líquido (DMPL) para companhias abertas.

• A DMPL nao e obrigatoria pela Lei 6.404/76, mas passou a ser considerada obrigatoria apos a
introduçao do CPC 26 (Apresentaçao das Demonstraçoes Contabeis).

• A Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) nao e mais obrigatoria desde as


mudanças trazidas pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09, mas ainda pode ser utilizada.

• A Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), que apresenta receitas e despesas que nao afetam
o resultado do exercício, tambem nao esta prevista na Lei 6.404/76, mas e exigida pelo CPC 26.

Demonstrações Contábeis Obrigatórias segundo o CPC 26:

O CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis, que se alinha as normas internacionais, traz algumas
diferenças em relaçao a Lei 6.404/76. O conjunto completo de demonstraçoes contabeis exigido pelo CPC 26
inclui:

1. Balanço Patrimonial;

2. Demonstração do Resultado do Período;

3. Demonstração do Resultado Abrangente;

4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;

5. Demonstração dos Fluxos de Caixa;

6. Notas Explicativas (que nao sao demonstraçoes contabeis, mas compoem o conjunto);

7. Demonstração do Valor Adicionado (DVA), caso exigida por lei ou regulador.

Regime de Competência:

As demonstraçoes contabeis, conforme o regime de competência, devem refletir receitas e despesas no período
em que ocorrem, independentemente de pagamento ou recebimento. A unica exceçao e a Demonstração dos
Fluxos de Caixa, que segue o regime de caixa.

Comparação entre Lei 6.404/76 e CPC 26:

• A Lei 6.404/76 estabelece um conjunto basico de demonstraçoes, enquanto o CPC 26 amplia esse
conjunto, com a inclusao da Demonstração do Resultado Abrangente e o detalhamento das Notas
Explicativas.

• A aplicaçao do CPC 26 e obrigatoria em contextos internacionais ou quando requisitado pela legislaçao


específica de cada país.
Estrutura do Balanço Patrimonial

O balanço patrimonial e organizado em dois grandes grupos: Ativo e Passivo, com suas respectivas subdivisoes.
Alem disso, e incluído o Patrimônio Líquido, que reflete os recursos proprios da empresa.

1. Ativo:

O ativo representa os bens e direitos que a empresa possui, ou seja, os recursos controlados pela entidade que
podem gerar benefícios economicos futuros. E dividido em:

• Ativo Circulante: Sao os bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro ou realizados no curto
prazo (ate 12 meses apos a data do balanço).

• Ativo Não Circulante: Sao os bens e direitos que a empresa espera converter em dinheiro ou realizar
apos o longo prazo (superior a 12 meses). Divide-se em:

o Realizável a Longo Prazo: Creditos e direitos a receber apos o proximo exercício social (ex.:
financiamentos a longo prazo).

o Investimentos: Participaçoes societarias ou outros investimentos em empresas, alem de


aplicaçoes financeiras de longo prazo.

o Imobilizado: Bens tangíveis que a empresa utiliza para a produçao de bens e serviços, como
terrenos, edifícios, maquinas e equipamentos. Esses itens estao sujeitos a depreciaçao, exceto
terrenos.

o Intangível: Bens intangíveis, como marcas, patentes, direitos autorais e goodwill (fundo de
comercio).

2. Passivo:

O passivo compreende as obrigaçoes da empresa, ou seja, as dívidas e compromissos que devem ser pagos. E
subdividido em:

• Passivo Circulante: Sao as obrigaçoes que precisam ser liquidadas no curto prazo, dentro do exercício
social seguinte

• Passivo Não Circulante: Refere-se as obrigaçoes de longo prazo, aquelas cujo vencimento sera apos o
período de 12 meses.

3. Patrimônio Líquido:

O patrimonio líquido reflete a diferença entre o total do ativo e o total do passivo, ou seja, e o valor residual dos
ativos da empresa depois de subtraídas suas obrigaçoes. Ele representa os recursos proprios dos socios ou
acionistas. Seus principais componentes sao:

• Capital Social: Recursos inicialmente investidos pelos socios ou acionistas.

• Reservas de Capital: Valores recebidos pelos acionistas que nao representam lucro, como premios de
emissao de açoes.

• Reservas de Lucros: Parte dos lucros acumulados que nao foram distribuídos aos acionistas e sao
retidos na empresa para investimentos futuros ou reservas obrigatorias (como a reserva legal).

• Ajustes de Avaliação Patrimonial: Ajustes decorrentes da avaliaçao de certos ativos e passivos a valor
justo, conforme exigido pelas normas contabeis.

• Lucros ou Prejuízos Acumulados: Resultados que ainda nao foram distribuídos aos acionistas ou
transferidos para reservas.

Características do Balanço Patrimonial

Estático:

• Reflete a posiçao financeira da empresa em uma data específica, sem mostrar movimentaçoes durante
o período.
Exercício Social:

• Período de 1 ano para o qual as demonstraçoes sao feitas. Normalmente coincide com o ano civil, mas
pode variar.

Publicação e Comparabilidade:

• Deve ser publicado anualmente com dados comparativos do exercício anterior para permitir analise e
comparaçao.

Periodicidade:

• Obrigatorio apresentar anualmente, mas muitas empresas, especialmente as de capital aberto,


divulgam balanços com maior frequencia.

Agregação de Contas:

• Contas semelhantes podem ser agrupadas, mas designaçoes genericas sao proibidas para garantir
clareza e transparencia.

Destinação de Lucros

No encerramento do exercício social, o lucro apurado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)


precisa ser destinado. A destinaçao dos lucros e uma decisao dos administradores da empresa, que propoem o
que sera feito com o resultado, e essa proposta e aprovada pela assembleia-geral, que ocorre ate 4 meses apos
o termino do exercício social. Parte do lucro e destinada ao pagamento de dividendos aos acionistas, que
representam a remuneraçao do capital investido na empresa.

Notas Explicativas

As notas explicativas tem a funçao de esclarecer e detalhar as informaçoes apresentadas nas demonstraçoes
contabeis. Elas fornecem contexto adicional, ajudam a entender a base de mensuraçao dos valores apresentados
e as políticas contabeis adotadas pela entidade.

Conteúdo: Incluem informaçoes sobre:

• Políticas contábeis adotadas pela empresa.

• Critérios de avaliação de ativos e passivos.

• Eventos subsequentes que ocorreram apos a data do balanço.

• Contingências e compromissos nao registrados diretamente nas demonstraçoes financeiras.

• Detalhamento de contas e transações significativas, como operaçoes com partes relacionadas e


emprestimos.

• Riscos financeiros e gestão de riscos.

Quadros Analíticos

Fornecem uma visao detalhada de certos componentes das demonstraçoes contabeis, ajudando a compreender
a evoluçao e a natureza das contas.

• Podem incluir:

o Análise de contas a pagar e a receber.

o Detalhamento de investimentos e seus resultados.

o Segmentação de receitas e despesas.

Assinatura das Demonstrações Contábeis

• Responsáveis: As demonstraçoes devem ser assinadas pelos administradores e por contabilistas


habilitados (tecnicos ou bachareis em contabilidade).
• Objetivo: Garantir a conformidade com as normas contabeis e a precisao das informaçoes.

Companhias Abertas

• Auditoria Independente: Companhias abertas devem ser auditadas por auditores independentes
registrados na CVM, garantindo imparcialidade e conformidade com as normas.

• Normas da CVM: Companhias abertas devem seguir normas adicionais estabelecidas pela CVM.

Conflito entre Lei das SAs e Pronunciamentos Contábeis

• Prioridade dos CPCs: Em caso de conflito, os Pronunciamentos Contabeis (CPCs) prevalecem sobre a
Lei das SAs.

Ativo

• Definição: Recurso economico presente controlado pela entidade, resultante de eventos passados,
com potencial para gerar benefícios economicos futuros.

• Características:

o Controle: O ativo deve ser controlado pela entidade, nao necessariamente ter propriedade
legal.

o Benefícios Econômicos: Deve ter potencial para gerar fluxos de caixa ou outros benefícios
economicos.

o Eventos Passados: Deve resultar de eventos que ja ocorreram.

Reconhecimento de Ativos

• Condições:

o Probabilidade de Benefícios: E necessario que benefícios futuros sejam provaveis.

o Mensuração: O valor ou custo do ativo deve ser mensuravel com precisao.

o Exclusões: Gastos nao atendem a esses criterios e devem ser registrados como despesas.

Passivo

• Definição: Obrigaçao presente da entidade de transferir um recurso economico, resultante de eventos


passados.

• Características:

o Obrigação Presente: Deve ser uma responsabilidade atual, nao uma previsao futura.

o Transferência de Recurso: A obrigaçao deve exigir a transferencia de recursos economicos


para terceiros.

o Eventos Passados: Deve derivar de eventos que ja ocorreram.

Patrimônio Líquido

• Conceito Geral: O Patrimonio Líquido e o valor residual dos ativos da empresa apos a deduçao dos
passivos. Representa o capital proprio ou o “dinheiro dos socios” aplicado na empresa.

• Definição segundo o CPC 00: E a “participaçao residual nos ativos da entidade apos a deduçao de
todos os seus passivos.”

• Cálculo:

o Patrimonio Líquido = Ativos Totais - Passivos Totais.

• Visão Financeira:
o Indicador de Solvência: O Patrimonio Líquido e um indicador importante da capacidade da
empresa de cobrir suas obrigaçoes e sustentar suas operaçoes a longo prazo.

o Impacto nas Decisões: Um Patrimonio Líquido positivo sugere que a empresa possui mais
ativos do que passivos, o que pode atrair investidores e credores. Um Patrimonio Líquido
negativo pode sinalizar problemas financeiros e potenciais dificuldades para a empresa.

Controle de Estoque

Definição (CPC 16):

Os estoques sao definidos como ativos que:

• (a) Sao mantidos para venda no curso normal dos negocios.

• (b) Estao em processo de produção para venda.

• (c) Sao materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produçao


ou na prestaçao de serviços.

Métodos de Controle de Estoque:

1. Inventário Periódico: o controle dos estoques e feito por meio de uma contagem física dos bens em
estoque em um ponto específico no tempo, geralmente ao final do período contabil.

o Contabilização:

▪ Conta Mista Mercadorias:

▪ Lançamentos:

▪ Débito: Registra o estoque inicial e as compras efetuadas


durante o período.

▪ Crédito: Registra as vendas realizadas.

▪ Cálculo do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV):

▪ Resultado com Mercadorias: Tambem chamado de Lucro Bruto ou


Prejuízo Bruto, e calculado subtraindo o CMV da receita líquida de vendas.
Este valor e evidenciado na Demonstraçao do Resultado do Exercício
(DRE).

▪ Conta Desdobrada:

▪ Descrição: Usa tres contas separadas para um controle mais detalhado:

1. Mercadorias: Registra o saldo do estoque inicial. Seu saldo permanece constante durante o ano.

2. Compras: Registra todas as compras de mercadorias feitas durante o ano.

3. Vendas: Registra todas as vendas realizadas durante o ano.

▪ Lançamentos Adicionais: Devem ser incluídos lançamentos para


devoluçoes, abatimentos, fretes e seguros, que afetam o valor das compras
e vendas.

▪ Cálculo do Resultado com Mercadorias: E similar ao da conta unica, mas


detalhado atraves das contas desdobradas.

o Aspectos Importantes:
▪ CMV e Resultado com Mercadorias: Sao fundamentais para avaliar a performance
operacional da empresa e o impacto das mercadorias vendidas no lucro bruto.

2. Inventário Permanente: o controle dos estoques e feito de forma contínua. Cada entrada e saída de
mercadorias e registrada em tempo real, permitindo que o saldo do estoque e o Custo das Mercadorias
Vendidas (CMV) estejam sempre atualizados.

▪ Vantagens: Oferece informaçoes mais precisas e atualizadas sobre o estoque e o


CMV. Facilita o monitoramento contínuo e a gestao de inventario.

o Contabilização:

▪ Lançamentos Diários: Cada operaçao de compra ou venda e registrada, e o saldo


do estoque e ajustado imediatamente.

▪ Cálculo do CMV: E calculado continuamente com base nas transaçoes registradas,


refletindo o impacto imediato das compras e vendas no custo das mercadorias.

Observações Importantes:

• Gastos Adicionais:

o Custos relacionados à aquisição de mercadorias como fretes, seguros e outros encargos


sao adicionados ao custo do estoque e nao sao contabilizados como despesas operacionais.
Estes custos sao incorporados ao valor do estoque e afetam o CMV quando as mercadorias
sao vendidas.

• Importância do CMV e Resultado com Mercadorias:

o O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e crucial para a determinaçao do lucro bruto e
fornece uma visao detalhada da eficiencia das operaçoes de compra e venda da empresa.

o O Resultado com Mercadorias e uma medida crítica de desempenho e e utilizado para avaliar
a rentabilidade das operaçoes da empresa.

Métodos de Avaliação de Estoque

1. PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai)

• Sigla em Inglês: FIFO (First In, First Out)

• Descrição: As mercadorias compradas primeiro sao as primeiras a serem vendidas.

• Exemplo Prático:

o Compras:

▪ 10 unidades a R$10 (total: R$100)

▪ 20 unidades a R$12 (total: R$240)

o Venda de 15 unidades:

▪ 10 unidades a R$10 = R$100

▪ 5 unidades a R$12 = R$60

o Custo das 15 unidades vendidas: R$160

o Estoque Final: 15 unidades a R$12 = R$180

2. UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai)

• Sigla em Inglês: LIFO (Last In, First Out)

• Descrição: As mercadorias mais recentemente adquiridas sao as primeiras a serem vendidas.

• Exemplo Prático:
o Compras:

▪ 10 unidades a R$10 (total: R$100)

▪ 20 unidades a R$12 (total: R$240)

o Venda de 15 unidades:

▪ 15 unidades a R$12 = R$180

o Custo das 15 unidades vendidas: R$180

o Estoque Final: 10 unidades a R$10 = R$100

3. Preço Médio

• Descrição: O custo das mercadorias e calculado com base em um custo medio ponderado.

• Cálculo do Custo Médio:

o Total de Compras:

▪ 10 unidades a R$10 = R$100

▪ 20 unidades a R$12 = R$240

▪ Total: R$340

o Total de Unidades: 30

o Custo Médio por Unidade: R$340 / 30 = R$11,33

• Venda de 15 unidades:

o Custo das 15 unidades: 15 x R$11,33 = R$170

o Estoque Final: 15 unidades a R$11,33 = R$170

4. Custo Específico

• Descrição: Cada item do estoque e avaliado com seu custo específico.

• Exemplo Prático:

o Carros no Estoque:

▪ 3 carros comprados ha 6 meses a R$20.000 cada

▪ 6 carros comprados na ultima semana a R$22.000 cada

▪ 1 carro usado aceito como parte de pagamento a R$12.000

o Venda de 4 veículos:

▪ 1 carro de R$20.000

▪ 2 carros de R$22.000 cada

▪ 1 carro usado de R$12.000

▪ Custo Atribuído: Custo específico de cada item vendido.

5. Método do Varejo

• Descrição: Utilizado por empresas com grande volume de itens e alta rotatividade, como
supermercados. Calcula o custo dos estoques a partir do preço de venda e margem.

• Cálculo:

o Margem de Preço: Exemplo, custo multiplicado por 1,5 para determinar o preço de venda.
o Estoque Final: Calculado dividindo o preço de venda dos itens em estoque pela margem para
determinar o custo.

Operações com Mercadorias e Tributação

1. Tributação e Recuperabilidade

Tributos Recuperáveis (Não Cumulativos): que podem ser compensados com valores devidos em outras
operaçoes, evitando a incidencia de imposto sobre imposto.

• Exemplo Prático:

o Compra: Mercadorias adquiridas por R$ 1.000, com tributaçao de 15% (R$ 150). O valor
pago de tributo e recuperavel.

o Venda: Mercadorias vendidas por R$ 2.000, com tributaçao de 20% (R$ 400). O tributo a
pagar sera a diferença entre o tributo da saída e o tributo da entrada: R$ 400 - R$ 150 = R$
250.

• O credito fiscal acumulado na compra pode ser descontado do imposto devido na venda, reduzindo o
valor a ser pago ao fisco.

Tributos Cumulativos (Não Recuperáveis): Tributos que nao permitem compensaçao e sao aplicados
integralmente em cada operaçao.

• Exemplo Prático:

o Compra e Venda: Se uma empresa compra mercadorias e paga um tributo de 15%, e na venda
o tributo e de 20%, a empresa deve pagar o valor total do tributo de saída, sem descontar o
valor pago na compra.

• O imposto e calculado em cada etapa da operaçao sem a possibilidade de compensaçao, resultando em


uma carga tributaria mais elevada.

2. Principais Tributos Incidentes em Operações com Mercadorias

IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados):

• Natureza: Federal, aplicado sobre produtos industrializados.

• Características: Imposto "por fora"; o valor do imposto e adicionado ao preço do produto.

• Cálculo Exemplo:

o Preço Base: R$ 100

o Alíquota do IPI: 10%

o Valor do IPI: R$ 10

o Preço Final: R$ 100 (preço base) + R$ 10 (IPI) = R$ 110

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços):

• Natureza: Estadual, aplicado sobre a circulaçao de mercadorias e alguns serviços.

• Características: Imposto "por dentro"; o valor do imposto esta incluído no preço do produto.

• Cálculo Exemplo:

o Preço Base: R$ 100

o Alíquota do ICMS: 10%

o Preço com ICMS Incluído: R$ 100 (preço base) ja inclui o ICMS, portanto o valor da nota
fiscal e R$ 100.

PIS (Programa de Integração Social):


• Natureza: Federal, destinado ao financiamento da seguridade social.

• Características: Tributo "por dentro"; o valor do imposto esta incluído no preço do produto.

• Alíquotas:

o Cumulativa: 0,65%

o Não Cumulativa: 1,65%

• Cálculo Exemplo:

o Preço Base: R$ 100

o Alíquota Cumulativa do PIS: 0,65%

o Valor do PIS Cumulativo: R$ 0,65 (incluso no preço final)

COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social):

• Natureza: Federal, para a seguridade social.

• Características: Tributo "por dentro"; o valor do imposto esta incluído no preço do produto.

• Alíquotas:

o Cumulativa: 3,0%

o Não Cumulativa: 7,6%

• Cálculo Exemplo:

o Preço Base: R$ 100

o Alíquota Cumulativa do COFINS: 3,0%

o Valor do COFINS Cumulativo: R$ 3,00 (incluso no preço final)

3. Cálculo dos Tributos

IPI (Imposto por Fora):

• Cálculo Detalhado:

o Preço da Mercadoria: R$ 100

o Alíquota do IPI: 10%

o Valor do IPI: 10% de R$ 100 = R$ 10

o Preço Final (com IPI): R$ 100 (preço base) + R$ 10 (IPI) = R$ 110

o O IPI e adicionado ao preço base da mercadoria.

ICMS (Imposto por Dentro):

• Cálculo Detalhado:

o Preço da Mercadoria: R$ 100

o Alíquota do ICMS: 10%

o O ICMS esta incluído no preço da mercadoria. Para encontrar o valor do ICMS incluído no
preço, usa-se a formula:

▪ Valor do ICMS: Preço Base x (Alíquota / (1 + Alíquota))

▪ Exemplo: R$ 100 x (10% / 1.10) = R$ 9,09


▪ O preço base da mercadoria e R$ 90,91 e o ICMS incluso e R$ 9,09, totalizando R$
100.

Resumo dos Tributos

• ICMS: Imposto "por dentro"; ja incluído no preço.

• PIS: Tributo "por dentro";

o Cumulativo: 0,65%

o Não Cumulativo: 1,65%

• COFINS: Tributo "por dentro";

o Cumulativo: 3,0%

o Não Cumulativo: 7,6%

• IPI: Imposto "por fora"; adicionado ao preço base.

Quadro Resumo – Tributos

Avaliação de Estoques Segundo o CPC 16

1. Conceito Geral

Os estoques compreendem itens mantidos para venda no curso normal dos negocios, materiais em processo de
produçao, e insumos para prestaçao de serviços. A avaliaçao dos estoques e regulada pelo Pronunciamento CPC
16, que orienta como medir e registrar o valor dos estoques de maneira apropriada no balanço patrimonial.

2. Mensuração dos Estoques

Os estoques devem ser mensurados pelo menor valor entre o custo e o valor realizavel líquido.

Valor Realizável Líquido (VRL): E o preço estimado de venda dos estoques no curso normal dos negocios,
descontados:

1. Custos Estimados para a Conclusão: Gastos necessarios para finalizar a produçao ou


preparar o estoque para a venda.

2. Gastos Estimados Necessários para a Venda: Inclui despesas adicionais como comissoes e
custos de transporte para entrega.

3. Custos do Estoque

Custo de Aquisição:

• Compreende:

1. Preço de Compra: Valor pago pela mercadoria.

2. Impostos de Importação e Outros Tributos: Inclui todos os tributos que nao sao
recuperaveis junto ao fisco.

3. Custos Diretos: Transporte, seguro, manuseio, e outros diretamente atribuíveis a aquisiçao


de produtos, materiais e serviços..

• Exclusões:
o Descontos Comerciais e Abatimentos: Devem ser deduzidos do custo de aquisiçao.

Custos de Transformação:

• Incluem todos os gastos necessarios para transformar a materia-prima em produto acabado, como mao
de obra direta e custos indiretos de fabricaçao.

Custos Adicionais:

• Fretes: Se o custo do transporte e pago pelo comprador, deve ser incluído no custo do estoque. Se o
frete e por conta e risco do vendedor, nao ha impacto no custo do estoque do comprador.

Avaliação Segundo a Lei 6.404/76

Critérios de Avaliação do Ativo (Art. 183):

• Custo ou Valor de Mercado: Os estoques sao avaliados pelo custo de aquisiçao ou produçao, ou pelo
valor de mercado, deduzido de provisao para ajustar ao menor valor, quando o valor de mercado for
inferior ao custo.

Valor de Mercado:

• Definição: Preço que seria recebido pela venda do ativo ou preço que seria pago para transferir um
passivo em uma transaçao nao forçada entre participantes do mercado na data de mensuraçao. O valor
de mercado e o preço justo de venda.

Diferenças Entre CPC 16 e Lei 6.404/76

• CPC 16: Define a mensuraçao dos estoques pelo menor valor entre o custo e o valor realizavel líquido.
O VRL e o preço estimado de venda, ajustado pelos custos necessarios para completar e vender o
estoque.

• Lei 6.404/76: Estabelece que os estoques devem ser avaliados pelo custo de aquisiçao ou produçao,
ou pelo valor de mercado, dos dois o menor. Esta lei enfatiza a necessidade de ajustar o custo para
refletir o valor de mercado quando este for inferior.

Resumo:

• CPC 16: Avaliaçao pelo menor valor entre custo e valor realizavel líquido.

• Lei 6.404/76: Avaliaçao pelo custo ou valor de mercado, o menor dos dois.

Estoque de Produtos Acabados (Fabricação Própria)

Custos de Produção:

• Inclusão de Custos: Os custos dos produtos acabados devem incluir todos os custos relacionados a
produçao. Isso abrange:

o Custos Diretos:

▪ Materiais Diretos: Todos os materiais que sao incorporados diretamente ao


produto.

▪ Mão de Obra Direta: Salarios e encargos sociais dos trabalhadores que estao
diretamente envolvidos na produçao.

o Custos Indiretos:

▪ Custos Fixos: Custos como aluguel da fabrica, depreciaçao de maquinas e


equipamentos, e custos de utilidades (agua, eletricidade) necessarios para a
operaçao da fabrica.

▪ Custos Variáveis: Custos que variam com o volume de produçao, como materias-
primas e energia.

• Alocação de Custos Fixos Indiretos:


o Capacidade Normal de Produção: A alocaçao dos custos fixos indiretos deve considerar a
capacidade normal de produçao. As perdas normais de produçao sao incluídas nos custos de
produçao, enquanto as perdas excepcionais sao tratadas como despesas no resultado do
período.

o Princípio da Capacidade Normal: O custo fixo e alocado com base na produçao esperada
em condiçoes normais. Se a produçao for menor que a capacidade normal, o custo fixo por
unidade aumenta.

Construção de Ativo Qualificável (CPC 20):

• Definição de Ativo Qualificável: Ativo que requer um período substancial para ficar pronto para uso
ou venda. Inclui estoques, imobilizado, ativo intangível, entre outros.

• Custos de Empréstimos:

o Incorporação ao Custo do Ativo: Custos de emprestimos relacionados a construçao de


ativos qualificaveis sao incorporados ao custo do ativo.

o Reconhecimento de Despesas: Outros custos de emprestimos sao reconhecidos como


despesas no período em que sao incorridos.

Estoque de Matérias-Primas

Registro e Custo:

• Valor Original: O estoque de materias-primas deve ser registrado pelo valor original de aquisiçao.
Inclui:

o Preço de Compra: Valor pago ao fornecedor.

o Impostos de Importação e Tributos: Custos nao recuperaveis relacionados a aquisiçao.

o Custos Diretos: Custos de transporte, seguro, manuseio, entre outros, diretamente


relacionados a aquisiçao.

• Financiamento e Juros:

o Compra a Prazo: Juros e despesas financeiras relacionados a compras a prazo nao devem ser
incluídos no custo do estoque, exceto para ativos qualificaveis.

o Variação Cambial: Para estoques importados, variaçoes cambiais ate a entrada no


estabelecimento devem ser incluídas no custo. Apos a entrada, variaçoes cambiais sao
apropriadas como despesas financeiras.

Avaliação dos Estoques Segundo a Lei das S.A. (Lei 6.404/76)

Critérios de Avaliação:

• Custo ou Valor de Mercado:

o Custo de Aquisição ou Produção: Os estoques devem ser avaliados pelo menor valor entre
o custo de aquisiçao ou produçao e o valor de mercado.

o Valor de Mercado: O valor justo, que e o preço que seria recebido pela venda do ativo ou
pago pela transferencia do passivo, em uma transaçao nao forçada.

o Provisão para Ajuste: Se o valor de mercado e inferior ao custo, deve-se fazer uma provisao
para ajustar o valor dos estoques.

Exemplo Prático:

• Matéria-Prima X:

o Custo: R$ 10,00 por unidade.

o Preço de Reposição: R$ 8,00.


o Ajuste: Se a mercadoria acabada (produto final) for vendida por um preço superior ao custo,
nao ha necessidade de ajustar o valor da materia-prima. Caso contrario, o estoque deve ser
ajustado para o preço de reposiçao.

Estoque de Mercadorias Fungíveis

Definição e Avaliação:

• Mercadorias Fungíveis: Sao commodities como soja, cafe, etc., que possuem uma cotaçao de mercado.

• Valor de Mercado: Estes estoques podem ser avaliados pelo valor de mercado (cotaçao da bolsa), que
e geralmente aceito pela tecnica contabil.

• Cotação da Bolsa: Como as mercadorias fungíveis possuem cotaçao na bolsa de mercadorias, elas sao
avaliadas pelo preço corrente na bolsa, eliminando a necessidade de negociaçao direta.

5. Juros na Compra de Estoques

Reconhecimento dos Encargos:

• Juros e Encargos: Em geral, os juros e encargos financeiros associados a compra de estoques sao
reconhecidos como despesas, exceto quando relacionados a ativos qualificaveis, onde os juros podem
ser incorporados ao custo dos estoques.

Resumo

• Estoque de Produtos Acabados: Inclui todos os custos de produçao diretos e indiretos, alocados com
base na capacidade normal de produçao. Custos de emprestimos para ativos qualificaveis sao incluídos
no custo do estoque.

• Estoque de Matérias-Primas: Registrado pelo valor original, incluindo todos os custos diretamente
relacionados. Juros e variaçoes cambiais sao tratados conforme regras específicas.

• Lei das S.A. (6.404/76): Avaliaçao pelo menor valor entre custo e valor de mercado, com ajustes
necessarios se o valor de mercado for inferior.

• Mercadorias Fungíveis: Avaliadas pelo valor de mercado conforme a cotaçao na bolsa.

• Juros na Compra de Estoques: Reconhecidos como despesas, exceto para ativos qualificaveis.

ATIVO NÃO CIRCULANTE

O ativo não circulante e composto por quatro subgrupos principais:

1. Realizável a Longo Prazo

Definição

• Composto por direitos que serao realizados apos o termino do exercício social subsequente.

• Regido pelo artigo 179, inciso II da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades por Açoes).

Características

1. Prazo de Realização:

o Direitos a serem realizados após o término do exercício seguinte.

o Exemplo: Se o exercício social termina em 31/12/20x0, os direitos a serem recebidos em


20x2 ou posteriormente sao classificados aqui.

2. Natureza dos Direitos:

o Direitos Reais: Exemplos incluem bens físicos como animais em criaçao ou bens que exigem
um longo período de produçao.
o Direitos Pessoais: Exemplos incluem duplicatas a receber (direitos que a empresa tem a
receber de clientes).

3. Operações com Pessoas Ligadas à Entidade:

o Inclui direitos derivados de operaçoes com sociedades coligadas, controladas, diretores,


acionistas ou participantes no lucro.

o Essas operaçoes devem ser não usuais para serem classificadas como realizaveis a longo
prazo.

4. Exemplo Prático:

o Um diretor de uma empresa recebe um empréstimo com prazo de 10 meses para pagar
dívidas pessoais (nao usual). Esse direito e classificado como ativo não circulante realizável
a longo prazo, mesmo que o prazo seja inferior a um ano.

2. Investimentos

Definição

• Sao as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza que


nao se classificam no ativo circulante ou realizavel a longo prazo e nao se destinam a manutençao das
atividades da empresa.

• Regido pelo artigo 179, inciso III da Lei 6.404/76.

Características

1. Participações Permanentes:

o Investimentos com caráter permanente, cujo objetivo e manter a participaçao a longo


prazo, geralmente para fins estrategicos, como sinergia ou expansao.

o Exemplo: A Petrobras adquire participaçao de 50% em um bloco exploratorio de petroleo na


Namíbia com o objetivo de ampliar sua atuaçao.

2. Direitos de Qualquer Natureza:

o Direitos que nao se enquadram no ativo circulante nem no realizavel a longo prazo, mas que
possuem caráter de permanência.

o Exemplo: Obras de arte, terrenos mantidos para aluguel, imoveis que nao se destinam as
atividades operacionais da empresa.

3. Não se Destinam à Manutenção da Atividade da Empresa:

o Ativos comprados com o intuito de serem usados nas operaçoes da empresa nao sao
classificados como investimentos, mas sim no imobilizado.

o Exemplo: Um terreno adquirido para a construçao de uma sede administrativa sera


classificado como ativo imobilizado, nao como investimento.

4. Avaliação de Investimentos:

o Segundo a Lei 6.404, os investimentos podem ser avaliados por:

▪ Custo.

▪ Método da Equivalência Patrimonial (MEP).

o De acordo com as normas internacionais (CPCs), alem do MEP e do custo, os investimentos


podem ser avaliados pelo valor justo.

5. Distinção entre Investimentos Permanentes e Especulativos:


o Investimentos permanentes: Participaçoes mantidas com intuito de expandir a atuaçao ou
obter sinergias (como o exemplo da Petrobras).

o Investimentos especulativos: Visam lucro rapido com a valorizaçao do ativo e sao


classificados no ativo circulante ou realizável a longo prazo.

o Exemplo de investimento especulativo: Compra de açoes de uma startup de tecnologia com


vencimento em 6 meses para obter lucro com a valorizaçao.

3. Imobilizado

Definição

• Composto por bens tangíveis que a empresa utiliza em suas operaçoes e que possuem vida útil longa.

Características

1. Bens Tangíveis:

o Incluem ativos físicos, como:

▪ Máquinas.

▪ Veículos.

▪ Imóveis.

▪ Equipamentos utilizados nas atividades operacionais.

2. Uso nas Operações da Empresa:

o O imobilizado refere-se a ativos essenciais para a realizaçao das atividades da empresa.

3. Exemplo:

o Um edifício onde a empresa realiza suas operaçoes ou um maquinario usado na produçao.

4. Intangível

Definição

• Ativos não físicos, mas que tem valor economico significativo para a empresa.

Características

1. Ativos Sem Forma Física:

o Incluem ativos que nao podem ser tocados, mas que tem valor economico.

o Exemplos:

▪ Marcas.

▪ Patentes.

▪ Direitos autorais.

▪ Softwares desenvolvidos internamente.

2. Uso nas Operações:

o Ativos intangíveis sao frequentemente essenciais para o sucesso de empresas em setores de


tecnologia e inovaçao.

3. Amortização:
o Esses ativos costumam ser amortizados ao longo do tempo, a medida que seu valor vai sendo
consumido nas operaçoes da empresa.

Método de Custo - Avaliação de Investimentos (Lei 6.404/76)

Definição Geral

O método de custo avalia investimentos pelo valor de aquisiçao, ajustado para perdas provaveis quando estas
forem comprovadas como permanentes. E um metodo utilizado principalmente para avaliar participaçoes
societarias e ativos financeiros nao classificados como coligadas ou controladas.

Critérios de Avaliação (Art. 183, Lei 6.404/76)

1. Custo de Aquisição:

o O valor inicial do investimento e registrado pelo custo de aquisição.

o Exemplo: Se uma empresa adquire títulos ou açoes de outra por R$ 50.000, esse valor sera
registrado como o custo de aquisiçao.

2. Provisão para Perdas Prováveis:

o Se houver perdas permanentes no valor do investimento, a empresa deve registrar uma


provisao para essas perdas.

o Exemplo: Se os títulos adquiridos por R$ 50.000 sofrem uma perda permanente de 10%, a
empresa ajusta o valor do investimento, registrando uma provisao de R$ 5.000. O valor
ajustado do investimento sera de R$ 45.000.

o Cálculo:

▪ Custo de aquisiçao: R$ 50.000

▪ (-) Provisao para perdas: R$ 5.000

▪ Valor ajustado: R$ 45.000

3. Ajuste para Redução ao Valor de Mercado:

o Se o valor de mercado do investimento for inferior ao custo de aquisiçao, a empresa deve


ajustar o valor contabil do ativo.

o Este ajuste deve ser feito apenas quando o valor de mercado e comprovadamente inferior de
forma permanente.

4. Provisão:

o Embora o termo "provisao" seja usado no Art. 183, tecnicamente, provisoes referem-se a
passivos com prazo ou valores incertos. Nesse contexto, "provisao" esta sendo usada para
ajustar o valor dos ativos (em vez de passivos).

Tratamento dos Dividendos no Método de Custo

1. Dividendos Distribuídos:

o Quando uma empresa investida distribui dividendos aos acionistas, o valor e registrado
como receita no momento em que a distribuiçao de lucros e formalizada,
independentemente de quando o lucro foi gerado.

o Exemplo: A empresa investidora reconhece o valor distribuído como receita de dividendos


no momento em que a empresa investida formaliza a distribuiçao dos lucros.

2. Dividendos Recebidos em até 6 Meses da Aquisição do Investimento:


o De acordo com a legislaçao tributaria (Regulamento do Imposto de Renda), dividendos
distribuídos dentro de 6 meses apos a aquisiçao do investimento sao considerados como
recuperação de parte do investimento, e nao como receita.

o Esses dividendos nao afetam o resultado e devem ser contabilizados como uma redução do
valor do investimento.

o Exemplo:

▪ Aquisição de investimento: R$ 1.000,00

▪ Dividendos declarados (R$ 100,00) dentro de 6 meses:

▪ D – Dividendos a receber (Ativo circulante) 100,00

▪ C – Investimentos avaliados pelo metodo de custo (Investimentos) 100,00

o Neste caso, o valor do investimento sera reduzido de R$ 1.000,00 para R$ 900,00, sem
impactar a conta de resultado.

3. Dividendos Recebidos Após 6 Meses da Aquisição:

o Dividendos distribuídos apos 6 meses ou sem acordo de distribuiçao no momento da


aquisiçao sao considerados receitas e afetam o resultado.

o Exemplo:

▪ Dividendos declarados (R$ 200,00) após 6 meses:

▪ D – Dividendos a receber (Ativo circulante) 200,00

▪ C – Receita de dividendos (Outras receitas operacionais) 200,00

o Neste caso, os dividendos sao registrados como receita e impactam diretamente o resultado.

Perdas Permanentes no Valor do Investimento

1. Perdas Consideradas Permanentes:

o Se houver perda no valor do investimento que seja considerada permanente, a empresa deve
registrar uma despesa com perda e reduzir o valor do investimento.

o Exemplo:

▪ Perda de R$ 300,00 considerada permanente:

▪ D – Despesa com perda em investimentos (Resultado) 300,00

▪ C – Ajuste para perdas permanentes – Invest. Custos (Retificaçao do ativo)


300,00

o Esse ajuste e registrado em uma conta retificadora do ativo, que reduz o valor contabil do
investimento.

Principais Lançamentos Contábeis no Método de Custo

1. Aquisição de Investimento:

o Lançamento:

▪ D – Investimentos avaliados pelo metodo de custo (Ativo nao circulante –


Investimentos) 1.000,00

▪ C – Caixa (Ativo circulante) 1.000,00

2. Dividendos Declarados Dentro de 6 Meses:


o Lançamento:

▪ D – Dividendos a receber (Ativo circulante) 100,00

▪ C – Investimentos avaliados pelo metodo de custo (Investimentos) 100,00

3. Dividendos Declarados Após 6 Meses:

o Lançamento:

▪ D – Dividendos a receber (Ativo circulante) 200,00

▪ C – Receita de dividendos (Outras receitas operacionais) 200,00

4. Perda Permanente no Investimento:

o Lançamento:

▪ D – Despesa com perda em investimentos (Resultado) 300,00

▪ C – Ajuste para perdas permanentes – Invest. Custos (Retificaçao do ativo) 300,00

Método da Equivalência Patrimonial (MEP)

E uma tecnica contabil que reconhece, no balanço da investidora, as variaçoes no patrimonio líquido (PL) da
investida, independentemente da distribuiçao de dividendos. A investidora registra, em seus demonstrativos
financeiros, a sua participaçao proporcional nos resultados da investida a medida que esses ocorrem. O MEP e
aplicado a investimentos em controladas e coligadas, conforme estabelecido na Lei 6.404/76, atualizada pela
Lei nº 11.941/2009.

Aspectos Fundamentais:

1. Objetivo:

O MEP visa garantir que o valor do investimento registrado no balanço da investidora reflita com precisao o valor
patrimonial da investida. Ao usar esse metodo, a investidora reconhece qualquer alteraçao no patrimonio líquido
da investida em suas proprias demonstraçoes financeiras.

2. Aplicação:

• Controladas: Sao sociedades em que a investidora detem o controle, direta ou indiretamente, com
poder de decisao sobre suas políticas financeiras e operacionais.

• Coligadas: Sao aquelas em que a investidora possui influencia significativa, geralmente quando detem
entre 20% e 50% das açoes com direito a voto.

O MEP difere do metodo de custo, onde o investimento e registrado pelo valor de aquisiçao e as variaçoes
patrimoniais da investida so afetam a investidora quando ha distribuiçao de dividendos. No MEP, a investidora
reconhece diretamente as variaçoes no patrimonio líquido da investida.

3. Base Legal:

• Lei 6.404/76, Art. 248: Exige a avaliaçao pelo MEP para investimentos em coligadas, controladas ou
outras sociedades do mesmo grupo.

• CPC 18 (R2): Estabelece os princípios contabeis e orienta a contabilizaçao pelo MEP. Segundo o CPC, o
investimento e inicialmente registrado ao custo, sendo posteriormente ajustado pelas alteraçoes no
patrimonio líquido da investida.

Cálculo da Equivalência Patrimonial:

O calculo da equivalencia patrimonial e baseado na participaçao percentual da investidora sobre o patrimonio


líquido da investida. Qualquer alteraçao nesse patrimonio (seja lucro, prejuízo, reserva de lucros ou distribuiçao
de dividendos) gera um ajuste correspondente no valor do investimento registrado pela investidora.
Exemplo Detalhado:

1. Constituição da Investida:

o Data: 31/12/X1

o Investida: Cia ABC

o Capital Social: R$ 100.000

o Participação da KLS (investidora): 90% (R$ 90.000)

Contabilização na KLS:

o D – Investimento avaliado pelo MEP – Cia ABC R$ 90.000

o C – Caixa R$ 90.000

O investimento de KLS e registrado pelo custo de aquisiçao, ou seja, 90% do capital social da investida.

Balanço Patrimonial da Cia ABC (Investida):

o Ativo: R$ 100.000

o Patrimonio Líquido (PL): R$ 100.000

o Participação da KLS: R$ 90.000 (90% do PL)

2. 31/12/X2: Prejuízo:

o Resultado da ABC: Prejuízo de R$ 40.000

o Novo PL da ABC: R$ 60.000 (Capital Social de R$ 100.000 menos prejuízo de R$ 40.000)

Valor do investimento ajustado da KLS:

o 90% do PL da ABC: 90% x R$ 60.000 = R$ 54.000

o Comparação: Valor registrado (R$ 90.000) menos valor ajustado (R$ 54.000) = R$ 36.000
de perda.

Contabilização na KLS:

o D – Perdas com MEP (Resultado): R$ 36.000

o C – Investimento avaliado pelo MEP: R$ 36.000

Agora, o valor do investimento de KLS em ABC passa a ser R$ 54.000, refletindo 90% do novo PL da investida.

3. 31/12/X3: Lucro:

o Resultado da ABC: Lucro de R$ 10.000 (usado para abater parte dos prejuízos acumulados)

o Novo PL da ABC: R$ 70.000

Valor do investimento ajustado da KLS:

o 90% do PL da ABC: 90% x R$ 70.000 = R$ 63.000

o Comparação: Valor registrado (R$ 54.000) menos valor ajustado (R$ 63.000) = R$ 9.000 de
ganho.

Contabilização na KLS:

o D – Investimento avaliado pelo MEP: R$ 9.000

o C – Ganho com Equivalência Patrimonial: R$ 9.000

4. 31/12/X4: Lucro sem distribuição de dividendos:

o Resultado da ABC: Lucro de R$ 50.000


o O lucro foi destinado para abater os prejuízos acumulados e para constituir reservas de
lucros.

o Novo PL da ABC: R$ 120.000 (Capital Social de R$ 100.000 + Reservas de Lucros de R$


20.000)

Valor do investimento ajustado da KLS:

o 90% do PL da ABC: 90% x R$ 120.000 = R$ 108.000

o Comparação: Valor registrado (R$ 63.000) menos valor ajustado (R$ 108.000) = R$ 45.000
de ganho.

Contabilização na KLS:

o D – Investimento avaliado pelo MEP: R$ 45.000

o C – Ganho com Equivalência Patrimonial: R$ 45.000

5. 31/12/X5: Lucro com distribuição de dividendos:

o Resultado da ABC: Lucro de R$ 30.000

o Dividendos distribuídos: R$ 20.000

o Reservas de Lucros: R$ 10.000

o Novo PL da ABC: R$ 150.000 (Capital Social de R$ 100.000 + Reservas de Lucros de R$ 30.000


+ Lucros Acumulados de R$ 30.000)

Valor do investimento ajustado da KLS antes da distribuição de dividendos:

o 90% do PL da ABC: 90% x R$ 150.000 = R$ 135.000

Apos a distribuiçao de dividendos, o PL da ABC cai para R$ 130.000, resultando em um novo ajuste:

o 90% do PL da ABC: 90% x R$ 130.000 = R$ 117.000

Contabilização na KLS:

o D – Dividendos a Receber (R$ 20.000 x 90%): R$ 18.000

o C – Investimento avaliado pelo MEP: R$ 18.000

Com a contabilizaçao dos dividendos, o valor do investimento da KLS cai para R$ 117.000, refletindo a
distribuiçao dos dividendos pela investida.

Conceito de Controle

• Controle: O poder de governar políticas financeiras e operacionais de uma entidade para obter
benefícios de suas atividades.

• Definição de Controle (CPC 18): o controle e definido como o poder de governar as políticas
financeiras e operacionais de uma entidade de forma a obter benefícios de suas atividades

• Lei 6.404/76 (Lei das S.A.):

o Controle ocorre quando uma empresa (controladora) tem preponderancia nas deliberaçoes
sociais e poder de eleger a maioria dos administradores.

o Art. 243 § 2º: Controle direto ou indireto por meio de outras controladas.

• Ações Ordinárias e Preferenciais:

o Ações Ordinárias: Concedem direito a voto e, portanto, controle.

o Ações Preferenciais: Nao dao direito a voto, mas oferecem privilegios economicos (maior
dividendo ou prioridade no reembolso do capital).
o Limite de açoes preferenciais sem direito a voto: 50% do total.

Conceito de Coligação

• Coligada: Sociedade onde a investidora exerce influencia significativa, sem controla-la.

• Lei 6.404/76:

o Art. 243 § 1º: Coligadas sao aquelas onde a investidora tem influencia significativa.

o Art. 243 § 4º: Influencia significativa ocorre quando a investidora participa das decisoes
financeiras e operacionais, sem controle total.

o Presunção de influência significativa: Quando a investidora possui 20% ou mais do capital


votante da investida, salvo prova em contrario.

• CPC 18 - Formas de Evidenciar Influência Significativa:

1. Representaçao no conselho de administraçao ou diretoria.

2. Participaçao em processos de elaboraçao de políticas (ex: decisoes sobre dividendos).

3. Operaçoes materiais entre investidor e investida.

4. Intercambio de diretores ou gerentes.

5. Fornecimento de informaçoes tecnicas essenciais.

Aquisição de Investimentos em Coligadas ou Controladas

Ao adquirir uma participaçao societaria, o valor pago pela investida pode diferir do valor contabil registrado.
Isso ocorre porque o valor de compra pode refletir fatores como expectativa de lucratividade futura ou variaçoes
no valor dos ativos. Essa diferença e representada pelos conceitos de Mais Valia e Goodwill.

Mais Valia

A Mais Valia e a diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos líquidos da investida. O valor justo
e o preço de mercado que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferencia de um passivo em
uma transaçao voluntaria.

Exemplo de Cálculo:

• Valor justo dos ativos líquidos da investida: R$ 80.000

• Valor contábil dos ativos líquidos: R$ 70.000

• Mais Valia: R$ 80.000 - R$ 70.000 = R$ 10.000

Goodwill

O Goodwill, tambem conhecido como ágio por expectativa de rentabilidade futura, e a diferença entre o valor
pago pela participaçao na investida e o valor justo dos seus ativos líquidos. Representa a expectativa de
benefícios economicos futuros que nao estao refletidos no valor justo dos ativos.

Exemplo de Cálculo:

• Valor pago pela participaçao na investida: R$ 100.000

• Valor justo dos ativos líquidos: R$ 80.000

• Goodwill: R$ 100.000 - R$ 80.000 = R$ 20.000

Compra Vantajosa

Se o valor pago pela participaçao for inferior ao valor justo dos ativos líquidos, ocorre uma compra vantajosa,
que e registrada como uma receita no resultado do período.

Exemplo de Cálculo:
• Valor justo dos ativos líquidos: R$ 80.000

• Valor pago: R$ 78.000

• Compra Vantajosa: R$ 78.000 - R$ 80.000 = - R$ 2.000 (Goodwill Negativo)

Demonstrações Contábeis: Individual e Consolidada

As aquisiçoes de controladas e coligadas sao apresentadas de maneira diferente nas demonstrações


individuais e nas demonstrações consolidadas.

Demonstrações Individuais

Nas demonstraçoes individuais da controladora, os investimentos sao registrados em subcontas no ativo nao
circulante (investimentos), conforme mostrado abaixo:

• D – Investimento controlada XYZ – Valor patrimonial: R$ 70.000

• D – Investimento controlada XYZ – Mais Valia: R$ 10.000

• D – Investimento controlada XYZ – Goodwill: R$ 20.000

• C – Caixa/bancos: R$ 100.000

Demonstrações Consolidadas

Nas demonstraçoes consolidadas, a Mais Valia e incorporada ao ativo correspondente que lhe deu origem,
enquanto o Goodwill e classificado no ativo intangível. A Mais Valia sera realizada conforme o ativo for sendo
consumido (por exemplo, atraves de depreciaçao), e o Goodwill nao e amortizado, mas deve passar por testes
de recuperabilidade para verificar se ainda ha benefícios economicos futuros.

Exemplo de Consolidação

Imagine que a empresa Alfa adquiriu participaçao em Beta. No balanço individual de Alfa, a Mais Valia e o
Goodwill sao registrados separadamente no investimento. No balanço consolidado:

• A Mais Valia e agregada ao ativo relacionado (por exemplo, imobilizado), e

• O Goodwill e transferido para o ativo intangível.

Se o valor pago pela investida for inferior ao valor justo, a compra vantajosa sera registrada como receita
imediatamente.

Métodos de Avaliação dos Investimentos Permanentes

1. Lei 6.404/76

• Método da Equivalência Patrimonial (MEP):

o Aplicavel a:

▪ Coligadas

▪ Controladas

▪ Sociedades sob controle comum

▪ Sociedades do mesmo grupo

o Avaliaçao baseada na participaçao proporcional no patrimonio líquido da investida.

• Método do Custo:

o Aplicavel a investimentos que nao se enquadram nos criterios para o MEP.

o Valor contabilizado baseado no custo de aquisiçao.


2. Normas Internacionais (CPCs)

• Método da Equivalência Patrimonial (MEP):

o Similar ao MEP da Lei 6.404/76.

o Usado para:

▪ Coligadas

▪ Controladas

▪ Sociedades em conjunto

• Método do Valor Justo:

o Aplicado quando o valor justo pode ser mensurado com confiança.

o De acordo com o CPC 48 – Instrumentos Financeiros:

▪ Todos os investimentos em instrumentos patrimoniais devem ser mensurados ao


valor justo.

▪ Exceçoes: Se o valor justo nao puder ser obtido ou for irrelevante.

• Método do Custo:

o Metodo residual.

o Utilizado quando o valor justo nao pode ser mensurado de forma confiavel.

o Aplicado a investimentos em sociedades cujas açoes nao sao negociadas publicamente ou


cujo valor justo nao e disponível.

Diferenças Entre a Lei 6.404/76 e Normas Internacionais

• Lei 6.404/76:

o MEP: Principal para investimentos em coligadas e controladas.

o Custo: Metodo predominante para outros investimentos permanentes.

• Normas Internacionais (CPCs):

o MEP: Usado de forma similar a Lei 6.404/76 para certas categorias de investimentos.

o Valor Justo: Preferido quando o valor pode ser determinado de forma confiavel.

o Custo: Metodo de ultimo recurso, utilizado apenas quando o valor justo nao pode ser
mensurado.

Propriedade Para Investimento

1. Definição e Classificação (CPC 28)

• Propriedade Para Investimento:

o Inclui terrenos e edifícios mantidos:

▪ Para auferir aluguel

▪ Para valorizaçao do capital

▪ Ou ambos

o Nao utilizada para:

▪ Produçao de bens ou serviços

▪ Finalidades administrativas
o Pode ser mantida por:

▪ Proprietario

▪ Arrendatario em arrendamento financeiro

2. Diferença de Classificação

• Propriedade Para Investimento:

o Classificaçao: Ativo nao circulante – investimentos.

o Exemplo: Terreno mantido para valorizaçao ou edifício arrendado.

• Ativo Imobilizado (CPC 27):

o Classificaçao: Ativo nao circulante – imobilizado.

o Utilizado para:

▪ Produçao de mercadorias ou serviços

▪ Aluguel como parte da operaçao da empresa

o Exemplo: Imovel usado para produçao ou para administraçao da empresa.

3. Interpretação e Aplicação

• Propriedade Mista:

o Se uma propriedade e usada para investimento e para atividades da empresa:

▪ Classificação Separada: Se as partes podem ser vendidas ou arrendadas


separadamente.

▪ Classificação Única: Se a parte usada para atividades e insignificante, a


propriedade e classificada como propriedade para investimento.

• Diferença de Aluguel:

o Propriedade Para Investimento: O aluguel e o objetivo principal.

o Ativo Imobilizado: O aluguel e um meio de auxiliar a atividade principal da empresa.

Aspectos Relevantes Para Provas

• Métodos de Avaliação:

o Conhecimento detalhado dos metodos (MEP, valor justo e custo).

o Compreensao das normas internacionais em comparaçao com a Lei 6.404/76.

• Propriedade Para Investimento:

o Definiçao clara e criterios de classificaçao.

o Distinçao entre propriedades para investimento e ativos imobilizados.

• Interpretação dos CPCs:

o Aplicaçao pratica das regras para avaliaçao e classificaçao.

o Compreensao dos princípios para propriedades mistas e aluguel.

1. Ativo Não Circulante Imobilizado

1.1. Definição e Classificação

• Lei 6.404/76 (Art. 179, IV):


o Inclui bens corporeos destinados a manutençao das atividades da companhia.

o Abrange tambem direitos que transferem benefícios, riscos e controle dos bens.

• CPC 27:

o Definição:

▪ Ativo tangível mantido para uso na produçao de mercadorias ou serviços, para


aluguel a terceiros, ou para fins administrativos.

▪ Deve ser utilizado por mais de um período.

o Exemplos:

▪ Terrenos

▪ Edificaçoes

▪ Maquinas e equipamentos

▪ Moveis e utensílios

▪ Veículos

1.2. Arrendamento (Leasing)

• Tipos de Arrendamento:

o Operacional: Arrendamento onde o arrendador mantem a maioria dos riscos e benefícios do


ativo.

o Financeiro: Arrendamento onde o arrendatario assume os riscos e benefícios principais do


ativo.

• Mudança com CPC 06 (Revisão 2):

o Desde 2019, o arrendamento operacional deve ser contabilizado como um ativo e um passivo
no balanço patrimonial.

o O ativo e depreciado e o passivo e reconhecido como uma obrigaçao de pagamento.

o Motivos da Mudança:

▪ Melhorar a comparabilidade das demonstraçoes financeiras.

▪ Evitar manipulaçoes e garantir que todos os ativos e passivos sejam refletidos nas
demonstraçoes financeiras.

2. Ativo Não Circulante Intangível

2.1. Definição e Classificação

• Lei 6.404/76 (Art. 179, VI):

o Inclui direitos sobre bens incorporeos destinados a manutençao da companhia, como fundo
de comercio adquirido.

• CPC 04:

o Definição:

▪ Ativo nao monetario identificavel sem substancia física.

o Exemplos:

▪ Marcas e patentes

▪ Fundo de comercio (goodwill)


▪ Direitos de exploraçao de serviços publicos

▪ Licenças e franquias

2.2. Classificação e Reconhecimento

• Intangível:

o Características:

▪ Sem substancia física.

▪ Identificavel e separavel da entidade.

▪ Gerador de benefícios economicos futuros.

o Exemplos:

▪ Software

▪ Patentes

▪ Direitos autorais

▪ Listas de clientes

• Goodwill (Fundo de Comércio Adquirido):

o Definição:

▪ Excesso pago acima do valor de mercado dos ativos líquidos adquiridos em uma
combinaçao de negocios.

▪ Representa o valor pago pela expectativa de rentabilidade futura.

o Exemplo:

▪ Se uma empresa e avaliada em $100.000 e e comprada por $120.000, o goodwill e


$20.000.

2.3. Reconhecimento e Avaliação

• Ativos Intangíveis Adquiridos:

o Reconhecimento:

▪ Se comprados externamente, sao reconhecidos como ativos intangíveis.

▪ O goodwill resultante de uma aquisiçao deve ser registrado e avaliado conforme as


normas contabeis.

• Ativos Intangíveis Internos:

o Despesas:

▪ Gasto com a geraçao interna de ativos intangíveis e geralmente reconhecido como


despesa quando incorrido.

Resumo

• Ativo Imobilizado: Inclui bens tangíveis usados para a operaçao da empresa e arrendamentos que
transferem benefícios e riscos.

• Ativo Intangível: Inclui bens incorporeos como marcas, patentes e goodwill, que nao tem substancia
física, mas sao identificaveis e geram benefícios economicos futuros.

Esses topicos fornecem uma visao clara e detalhada sobre a classificaçao e reconhecimento dos ativos nao
circulantes imobilizados e intangíveis, conforme as normas contabeis e legais vigentes.
Imobilizado

1. Definição e Classificação

• Lei 6.404/76 (Art. 179, IV):

o Ativo Imobilizado: Direitos sobre bens corporeos destinados a manutençao das atividades
da empresa ou exercidos com essa finalidade.

o Inclusão: Bens que transferem a empresa os benefícios, riscos e controle desses bens.

• CPC 27:

o Definição:

▪ Item tangível mantido para uso na produçao de mercadorias ou serviços, para


aluguel a terceiros, ou para fins administrativos.

▪ Deve ser utilizado por mais de um período contabil.

o Exemplos:

▪ Terrenos: Sem depreciaçao, mantidos para uso na empresa ou para valorizaçao.

▪ Edificações: Predios e construçoes utilizadas nas operaçoes da empresa.

▪ Máquinas e Equipamentos: Utilizados na produçao ou fornecimento de


mercadorias e serviços.

▪ Móveis e Utensílios: Mobiliario e equipamentos menores utilizados nas atividades


da empresa.

▪ Veículos: Automoveis, caminhoes e outros veículos utilizados pela empresa.

2. Arrendamento (Leasing)

• Tipos de Arrendamento:

o Operacional:

▪ Arrendamento onde o arrendador mantem a maioria dos riscos e benefícios


associados ao ativo.

▪ O arrendatario registra apenas as despesas com arrendamento.

o Financeiro:

▪ Arrendamento onde o arrendatario assume os principais riscos e benefícios


associados ao ativo.

▪ O arrendatario reconhece o ativo e o passivo no balanço patrimonial.

• Mudanças com CPC 06 (Revisão 2):

o Reconhecimento de Arrendamento Operacional:

▪ O arrendatario deve reconhecer o ativo arrendado e um passivo correspondente.

▪ O ativo arrendado e depreciado e o passivo e amortizado ao longo do prazo do


arrendamento.

▪ Objetivo: Refletir melhor a realidade economica dos arrendamentos e melhorar a


comparabilidade entre empresas.

o Impactos:
▪ Melhoria na transparencia das demonstraçoes financeiras.

▪ Reduçao da possibilidade de manipulaçao e aumento da consistencia na


contabilizaçao dos arrendamentos.

3. Depreciação e Avaliação

• Depreciação:

o Métodos:

▪ Linear: Valor depreciaçao igual ao longo da vida util do ativo.

▪ Soma dos Dígitos dos Anos: Depreciaçao maior nos primeiros anos.

▪ Unidades Produzidas: Baseada na produçao real ou uso do ativo.

o Reavaliação:

▪ Ativos podem ser reavaliados para refletir seu valor justo, conforme as normas e
políticas contabeis da empresa.

• Vida Útil e Valor Residual:

o Vida Útil: Período durante o qual o ativo e esperado ser usado.

o Valor Residual: Valor estimado que o ativo tera ao final de sua vida util.

Intangível

1. Definição e Classificação

• Lei 6.404/76 (Art. 179, VI):

o Ativo Intangível: Direitos sobre bens incorporeos destinados a manutençao da companhia,


como fundo de comercio adquirido.

• CPC 04:

o Definição:

▪ Ativo nao monetario identificavel sem substancia física.

o Características:

▪ Identificável: Pode ser separado da entidade e vendido ou transferido.

▪ Sem Substância Física: Nao possui forma física tangível.

▪ Gerador de Benefícios Econômicos Futuros: Contribui para a geraçao de receita


ou reduçao de custos.

2. Exemplos de Ativos Intangíveis

• Marcas e Patentes:

o Marcas: Nome, logotipo ou símbolo usado para identificar produtos ou serviços.

o Patentes: Direitos exclusivos sobre invençoes.

• Fundo de Comércio (Goodwill):

o Definição:
▪ Valor pago acima do valor justo dos ativos líquidos adquiridos em uma combinaçao
de negocios.

▪ Reflete a expectativa de ganhos futuros e sinergias esperadas.

o Exemplo:

▪ Compra de empresa por $120.000, enquanto o valor justo dos ativos e $100.000; o
goodwill e $20.000.

• Licenças e Franquias:

o Licenças: Permissoes para realizar certas atividades, como direitos sobre software.

o Franquias: Direitos de operar um negocio sob um nome ou sistema de negocios estabelecido.

3. Reconhecimento e Avaliação

• Ativos Intangíveis Adquiridos:

o Reconhecimento:

▪ Se adquiridos externamente, sao reconhecidos como ativos intangíveis.

▪ Exemplo: Compra de patente ou software.

• Ativos Intangíveis Internos:

o Gastos:

▪ Custos de desenvolvimento interno sao geralmente reconhecidos como despesas.

▪ Exceção: Custos diretamente atribuíveis ao desenvolvimento de um ativo intangível


que atenda a criterios específicos podem ser capitalizados.

• Combinação de Negócios:

o Goodwill:

▪ Reconhecido como um ativo intangível na aquisiçao de outra empresa.

▪ Avaliado anualmente para verificar se ha necessidade de ajuste por impairment


(reduçao ao valor recuperavel).

4. Impairment (Perda por Redução ao Valor Recuperável)

• Testes:

o Goodwill: Deve ser testado anualmente para verificar se o valor contabil excede o valor
recuperavel.

o Outros Intangíveis: Avaliados sempre que houver indicaçoes de que o ativo pode estar
desvalorizado.

Ativo Permanente Diferido

1. Definição e Histórico

• Redação Anterior da Lei 6.404/76:

o Classificação:

▪ Ativo Diferido: Incluía despesas e gastos que contribuíam para o aumento do


resultado de mais de um exercício social e nao eram apenas reduçao de custos ou
acrescimo na eficiencia operacional.
o Exemplos de Contas:

▪ Gastos com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

▪ Gastos com reorganizaçao societaria.

▪ Gastos com reestruturaçao.

▪ Gastos pre-operacionais.

2. Condições para Classificação como diferido

• Gastos com Reestruturação:

1. Contribuição para o aumento do resultado: Deve contribuir para o aumento dos resultados
de dois ou mais exercícios.

2. Não redução de custos ou aumento de eficiência: Nao deve ser apenas uma reduçao de
custos ou aumento da eficiencia operacional.

3. Alterações Legais e Extinção

• Lei 11.941/09 e MP 449:

o Extinção do Ativo Diferido: A partir dessas modificaçoes, o ativo diferido foi extinto.

o CPC 13:

▪ Orienta que os saldos existentes no ativo diferido devem ser alocados a outros
grupos no balanço patrimonial ou mantidos ate sua completa amortizaçao.

▪ Caso nao seja possível a alocaçao, os saldos podem ser baixados diretamente para a
conta de lucros ou prejuízos acumulados.

• Art. 299-A da Lei 11.941/09:

o Saldo Existente em 31 de Dezembro de 2008: Pode permanecer no ativo diferido se nao


puder ser alocado a outro grupo de contas ate sua completa amortizaçao.

o Teste de Recuperabilidade: A conta deve ser sujeita a analise sobre a recuperaçao, conforme
o § 3º do art. 183 da Lei 6.404/76.

4. Amortização do Ativo Diferido

• Conceito de Amortização:

o Definição: Processo de reduçao periodica do valor contabil do ativo.

o Diferença de Empréstimos: Nao esta relacionado com emprestimos ou calculos financeiros,


mas sim com a reduçao gradual do ativo.

• Lançamentos Contábeis para Amortização:

o Amortização:

▪ Débito (D): Despesa com amortizaçao (Despesas)

▪ Crédito (C): Amortizaçao acumulada (Conta redutora do ativo diferido)

o Baixa com Contrapartida na Conta de Lucros Acumulados:

▪ Débito (D): Lucros acumulados (Patrimonio Líquido)

▪ Crédito (C): Ativo diferido (Ativo)


IMOBILIZADO SEGUNDO A LEI 6.404/76 E CPC 27

Definição e Classificação do Ativo Imobilizado

1. Lei 6.404/76

• Art. 178:

o No balanço patrimonial, as contas sao classificadas para facilitar o conhecimento e a analise


da situaçao financeira.

o Ativo Não Circulante: Inclui as categorias:

▪ Ativo realizavel a longo prazo

▪ Investimentos

▪ Imobilizado

▪ Intangível (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)

• Art. 179:

o Ativo Imobilizado: Compreende os direitos sobre bens corporeos destinados a manutençao


das atividades da companhia ou exercidos com essa finalidade.

o Características:

▪ Bens Corpóreos: Incluem terrenos, edificaçoes, maquinas, equipamentos, moveis e


utensílios, veículos.

▪ Propriedade: Inclui tambem bens adquiridos atraves de operaçoes que transferem


os benefícios, riscos e controle desses bens para a companhia.

2. CPC 27

• Definição:

o O ativo imobilizado e um item tangível que:

▪ (a) E mantido para uso na produçao, fornecimento de mercadorias ou serviços, para


aluguel a terceiros, ou para fins administrativos.

▪ (b) Se espera utilizar por mais de um período.

Arrendamento (Leasing)

1. Tipos de Leasing

• Operacional:

o Características: Nao transfere substancialmente todos os riscos e benefícios associados a


propriedade do ativo.

o Contabilização: Arrendatario registra o arrendamento como despesa ao longo do período do


contrato.

• Financeiro:

o Características: Transfere substancialmente todos os riscos e benefícios associados a


propriedade do ativo.

o Contabilização: Arrendatario reconhece o ativo e a obrigaçao correspondente no balanço.

2. Revisão CPC 06 (Revisão 14)

• Para o Arrendatário:
o Reconhecimento: O ativo arrendado e reconhecido no balanço, e a despesa e composta pela
depreciaçao e pela despesa financeira do contrato.

• Definições:

o Arrendatário: Entidade que obtem o direito de usar o ativo.

o Arrendador: Entidade que fornece o direito de usar o ativo.

Custo do Ativo Imobilizado

1. Critérios de Avaliação

• Lei 6.404/76 - Art. 183:

o Critério de Avaliação:

▪ Os direitos classificados no imobilizado sao avaliados pelo custo de aquisiçao,


menos a depreciaçao, amortizaçao ou exaustao.

• CPC 27 - Reconhecimento Inicial:

o Custo de um Item do Ativo Imobilizado:

▪ (a) Preço de aquisiçao, incluindo impostos de importaçao e nao recuperaveis, apos


deduçao de descontos.

▪ (b) Custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condiçao


necessarias para o funcionamento pretendido.

▪ (c) Estimativa inicial dos custos de desmontagem, remoçao e restauraçao do local.

2. Exemplos de Custos Diretamente Atribuíveis:

• Benefícios a empregados.

• Preparaçao do local.

• Frete e manuseio.

• Instalaçao e montagem.

• Testes de funcionamento, apos deduçao de receitas líquidas provenientes de venda de amostras.

• Honorarios profissionais.

3. Custos Não Incluídos:

• Custos de abertura de nova instalaçao.

• Custos de introduçao de novos produtos ou serviços.

• Custos de transferencia de atividades.

• Custos administrativos e indiretos.

Mensuração Subsequente

1. Depreciação, Amortização e Exaustão

• Lei 6.404/76 - Art. 183, § 2º:

o Depreciação: Perda do valor dos bens físicos por desgaste, uso, açao da natureza ou
obsolescencia.

o Amortização: Perda do valor dos direitos com existencia ou exercício de duraçao limitada,
ou bens de uso por prazo legal ou contratualmente limitado.
o Exaustão: Perda do valor dos recursos minerais ou florestais aplicados na exploraçao.

• CPC 27 - Teste de Recuperabilidade:

o Análise Periódica:

▪ Registrar perdas de valor se o ativo nao gerar resultados suficientes.

▪ Revisar e ajustar a vida util economica estimada e os criterios para depreciaçao,


amortizaçao e exaustao.

2. Cálculo de Depreciação, Amortização e Exaustão:

• Depreciação:

o Métodos: Linear, saldo decrescente, unidades produzidas, entre outros.

o Critérios: Vida util estimada e valor residual.

• Amortização:

o Métodos: Linear, metodo dos juros compostos, entre outros.

o Critérios: Vida util estimada dos direitos intangíveis.

• Exaustão:

o Métodos: Baseados na quantidade extraída e no valor do recurso mineral ou florestal.

o Critérios: Vida util estimada e quantidade disponível.

Gastos de Capital vs. Gastos do Período

1. Gastos de Capital

• Definição:

o Sao os gastos que aumentam o valor ou a vida util de um ativo imobilizado ou melhoram suas
características.

o Beneficiam mais de um exercício social.

• Reconhecimento Contábil:

o Devem ser capitalizados e adicionados ao custo do ativo imobilizado.

o Sao depreciados ou amortizados ao longo da vida util do ativo.

• Critérios de Reconhecimento:

o O gasto deve atender aos criterios de reconhecimento de um ativo, ou seja, aumentar o valor
do ativo e gerar benefícios futuros.

• Exemplos:

o Custo de Aquisição: Preço de compra do ativo, incluindo impostos e taxas.

o Custo de Instalação e Montagem: Despesas necessarias para colocar o ativo em operaçao.

o Melhorias: Modificaçoes que aumentam a capacidade produtiva ou prolongam a vida util do


ativo.

2. Gastos do Período (Despesas)

• Definição:

o Sao gastos que mantem o ativo em condiçoes de operaçao, sem aumentar seu valor ou vida
util.
o Beneficiam apenas o exercício em que ocorrem.

• Reconhecimento Contábil:

o Devem ser reconhecidos como despesas no resultado do período.

o Nao sao capitalizados e nao afetam o valor do ativo imobilizado.

• Critérios de Reconhecimento:

o Nao geram benefícios economicos futuros significativos.

• Exemplos:

o Manutenção Regular: Reparos e ajustes que mantem o ativo funcionando corretamente.

o Custos de Pequenas Peças: Substituiçoes de peças pequenas e de baixo valor.

Conceito segundo o CPC 27

• Manutenção Periódica:

o Custos com manutençao periodica sao despesas e nao sao adicionados ao valor do ativo.

o Inclui custos com mao-de-obra e materiais consumíveis.

• Substituição de Componentes:

o Custos de peças substituídas podem ser capitalizados se atenderem aos criterios de


reconhecimento.

• Inspeções Regulares:

o Custos de inspeçoes importantes podem ser capitalizados se envolvem substituiçoes


significativas.

Divisão do Imobilizado

1. Bens em Operação

• Descrição: Ativos que estao efetivamente em uso nas operaçoes principais da empresa.

• Classificação:

o Terrenos: Usados para operaçoes (ex: fabricas).

o Máquinas e Equipamentos: Utilizados no processo produtivo.

o Veículos: Utilizados diretamente nas atividades.

2. Imobilizado em Andamento

• Descrição: Ativos que estao em fase de construçao, instalaçao ou desenvolvimento e ainda nao estao
em operaçao.

• Exemplos:

o Prédios em Construção: Imoveis ainda nao concluídos.

o Equipamentos em Instalação: Maquinas e ferramentas que ainda estao sendo instaladas e


testadas.

Outros Critérios de Segregação

• Geográfica: Classificaçao por localizaçao dos ativos (e.g., filiais).

• Segmento Econômico: Separaçao conforme o setor de atuaçao da empresa.

• Função ou Departamento: Classificaçao conforme o uso interno (e.g., administrativo, produçao).


• Exigências Fiscais: Segregaçao conforme requisitos legais e fiscais específicos.

Conteúdo das Contas do Imobilizado

1. Terrenos

• Descrição: Registra terrenos usados nas operaçoes da empresa.

• Classificação:

o Ativo Imobilizado: Terrenos utilizados para atividades da empresa.

o Investimentos: Terrenos adquiridos para valorizaçao ou futuros projetos, ainda nao em uso.

2. Máquinas, Aparelhos e Equipamentos

• Descrição:

o Bens corporeos usados na produçao ou no processo operacional da empresa.

• Classificação:

o Inclui maquinas industriais, ferramentas e equipamentos de produçao.

3. Equipamentos de Processamento Eletrônico de Dados e Sistemas Aplicativos

• Hardware:

o Incluído no ativo imobilizado.

• Software:

o Ativo Imobilizado: Software essencial para operaçao do hardware (e.g., sistemas


operacionais).

o Ativo Intangível: Software independente do hardware (e.g., software de gestao).

4. Móveis e Utensílios

• Descrição:

o Itens como mesas, cadeiras e estantes usados nas atividades da empresa.

• Classificação:

o Registrados no ativo imobilizado se usados na operaçao da empresa.

5. Veículos

• Descrição:

o Veículos sob controle da empresa.

• Classificação:

o Imobilizado: Veículos para transporte geral.

o Equipamentos: Veículos utilizados diretamente na produçao.

6. Peças e Conjuntos de Reposição

• Descrição:

o Peças destinadas a substituiçao em maquinas e equipamentos.

• Classificação:

o Registradas no ativo imobilizado se forem parte essencial para a operaçao.


7. Imobilizado Biológico

• Descrição: Animais e plantas vivos mantidos para produçao, que terao uso por mais de um período.

• Exemplos:

o Gado reprodutor, plantaçoes de cafe.

8. Benfeitorias em Imóveis de Terceiros

• Descrição: Melhorias em imoveis alugados.

• Classificação:

o Prazo Indeterminado ou Maior que Vida Útil: Depreciaçao ao longo da vida util da
benfeitoria.

o Prazo Determinado Menor que Vida Útil: Amortizaçao pelo prazo do contrato.

Imobilizados em Andamento

1. Construções em Andamento

o Definição: Projetos de construçao que ainda nao foram concluídos e nao estao em uso.

o Classificação: Sao registrados como "Imobilizado em Andamento" ate a conclusao. Nao sao
depreciados ate que estejam prontos para uso.

2. Bens em Uso na Fase de Implantação

o Definição: Equipamentos e instalaçoes que estao sendo instalados e preparados para


operaçao, mas ainda nao estao plenamente operacionais.

o Classificação: Mantidos em "Imobilizado em Andamento" ate que estejam prontos para uso
e funcionamento.

3. Importações em Andamento

o Definição: Bens adquiridos do exterior que ainda nao foram recebidos ou que estao em
processo de liberaçao na alfandega.

o Classificação: Registrados em "Imobilizado em Andamento" ate a chegada e a conclusao do


processo de importaçao.

4. Adiantamento a Fornecedores de Imobilizado

o Definição: Pagamentos antecipados a fornecedores para a aquisiçao de bens do ativo


imobilizado.

o Classificação: Classificados no ativo imobilizado ate que os bens sejam entregues. Apos a
entrega, sao reclassificados para as contas de imobilizado correspondentes.

Critério de Avaliação do Ativo Imobilizado

1. Custo de Aquisição

o Definição: Inclui todos os custos diretamente atribuíveis a aquisiçao do ativo, como compra,
transporte, montagem e instalaçao.

o Exclusões: Nao inclui custos futuros de manutençao e operaçao.

2. Depreciação, Amortização e Exaustão

o Depreciação: Reduçao do valor de ativos físicos, calculada e registrada ao longo do tempo.

o Amortização: Similar a depreciaçao, mas aplicada a ativos intangíveis.

o Exaustão: Aplicada a recursos naturais, como minerais e petroleo.


3. Ajuste por Redução ao Valor Recuperável (Impairment)

o Definição: Ajustes realizados quando o valor contabil do ativo excede seu valor recuperavel.

o Avaliação: Requer a comparaçao entre o valor contabil e o valor recuperavel (maior entre o
valor justo menos custos de venda e o valor em uso).

4. Deemed Cost (Custo Atribuído)

o Definição: Valor justo atribuído a um ativo no momento da adoçao inicial dos


Pronunciamentos Contabeis, para corrigir diferenças entre o valor contabil e o valor justo.

o Aplicação: Utilizado quando ativos estao subavaliados ou superavaliados.

5. Exemplo de Contabilização do Deemed Cost

o Se o valor justo de um ativo e R$ 250.000 e o custo historico e R$ 100.000:

▪ Debito: Ativo Imobilizado R$ 150.000

▪ Credito: Ajuste de Avaliaçao Patrimonial (Patrimonio Líquido) R$ 150.000

Depreciação

1. Definição e Registro

o Lei 6.404/76: Estabelece que a depreciaçao deve refletir a perda de valor dos ativos
imobilizados.

o Encargos de Depreciação: Despesas do exercício que sao lançadas na conta de despesa e


zeradas no final do período.

o Depreciação Acumulada: Conta retificadora do ativo que acumula a depreciaçao registrada


durante a vida util do ativo.

2. Início da Depreciação

o Regra Geral: Inicia-se quando o ativo esta pronto para uso. Para simplificaçao em provas,
considere:

▪ Pronto ate o dia 15: deprecia o mes inteiro.

▪ Pronto apos o dia 15: deprecia a partir do mes seguinte.

3. Métodos de Depreciação

o Método da Linha Reta:

▪ Cálculo: Valor depreciavel dividido pela vida util estimada.

▪ Fórmula: (Valor de aquisiçao - Valor residual) / Vida util.

o Método da Soma dos Dígitos:

▪ Cálculo: Soma dos dígitos da vida util e aplicados decrescentemente.

▪ Fórmula: (Vida util restante / Soma dos dígitos) x Valor depreciavel.

o Método das Unidades Produzidas:

▪ Cálculo: Depreciaçao baseada na produçao efetiva em relaçao a capacidade total.

▪ Fórmula: (Produçao efetiva / Capacidade total) x Valor depreciavel.

o Método das Horas de Trabalho:

▪ Cálculo: Depreciaçao baseada nas horas efetivas trabalhadas em relaçao ao total


estimado.

▪ Fórmula: (Horas trabalhadas / Total estimado de horas) x Valor depreciavel.


4. Estimativa Contábil vs. Critério Fiscal

o Estimativa Contábil: Baseia-se na melhor estimativa tecnica para a vida util dos ativos.

o Critério Fiscal: Prazos e taxas estabelecidos pela Receita Federal para efeitos de imposto de
renda.

5. Taxas Permitidas pelo Fisco

o Veículos: 20% ao ano (5 anos).

o Máquinas e Equipamentos: 10% ao ano (10 anos).

o Móveis e Utensílios: 10% ao ano (10 anos).

o Imóveis: 4% ao ano (25 anos).

o Tratores: 25% ao ano (4 anos).

Depreciação de Bens Usados

1. Regulamento do IR (Decreto nº 9.580/2018)

o Art. 322: Regras para a depreciaçao de bens usados:

▪ I - Metade da Vida Útil do Bem Novo:

▪ Calcula-se a vida util do bem novo e divide-se por dois.

▪ Exemplo: Se a vida util do bem novo e de 10 anos, a metade e 5 anos.

▪ II - Tempo de Vida Útil Restante:

▪ Calcula-se a vida util restante do bem usado, a partir da primeira


instalaçao ou uso.

▪ Exemplo: Se um bem usado tem 6 anos de uso e a vida util total e de 10


anos, o tempo restante e 4 anos.

2. Exemplos de Cálculo da Depreciação de Bens Usados

o Máquina 1:

▪ Vida Útil Restante: 10 anos - 1 ano = 9 anos.

▪ Metade da Vida Útil do Bem Novo: 10 anos / 2 = 5 anos.

▪ Decisão: A depreciaçao sera em 9 anos (maior prazo).

o Máquina 2:

▪ Vida Útil Restante: 10 anos - 6 anos = 4 anos.

▪ Metade da Vida Útil do Bem Novo: 10 anos / 2 = 5 anos.

▪ Decisão: A depreciaçao sera em 5 anos (maior prazo).

Depreciação Acelerada

1. Aplicação da Depreciação Acelerada

o Regra Geral: Permite uma depreciaçao mais rapida para ativos usados em turnos de trabalho
mais extensos.

o Objetivo: Refletir o desgaste e a reduçao de valor devido ao uso intensivo.

2. Cenários de Aplicação

o Uso em Turnos Duplos ou Mais: Ativos usados em dois ou mais turnos podem ser
depreciados de forma acelerada para refletir o maior desgaste.
CPC 27 – Ativo Imobilizado

1. Depreciação de Componentes Significativos

o Regra Geral: Componentes significativos de um ativo devem ser depreciados separadamente


se o custo individual for relevante.

o Exemplos:

▪ Aeronave: Depreciaçao separada para a estrutura e os motores.

▪ Equipamentos de Arrendamento: Componentes relacionados a condiçoes


favoraveis ou desfavoraveis do contrato.

2. Método de Depreciação de Componentes

o Componentes com Vida Útil e Método de Depreciação Igual: Podem ser agrupados.

o Remanescente do Item: O restante do ativo pode ser depreciado com uma tecnica
aproximada, se nao for significativo individualmente.

3. Exemplo Prático de Depreciação

o Aeronave e Motor:

▪ Custo Total da Aeronave: R$ 1.200.000.

▪ Custo do Motor: R$ 200.000 (incluído no custo total).

▪ Vida Útil do Motor: 5 anos.

▪ Vida Útil da Aeronave (sem motor): 10 anos.

o Cálculo da Depreciação Anual:

▪ Motor: R$ 200.000 / 5 anos = R$ 40.000 por ano.

▪ Aeronave (sem motor): R$ 1.000.000 / 10 anos = R$ 100.000 por ano.

▪ Despesa Total de Depreciação: R$ 140.000 por ano.

4. Contabilização da Depreciação e Troca do Motor

o Contabilização Anual:

▪ Débito: Despesa de Depreciaçao (Resultado) R$ 140.000.

▪ Crédito: Depreciaçao Acumulada – Motor R$ 40.000.

▪ Crédito: Depreciaçao Acumulada – Aeronave R$ 100.000.

o Troca do Motor no 5º Ano:

▪ Baixa do Motor Antigo:

▪ Débito: Depreciaçao Acumulada R$ 200.000.

▪ Crédito: Motor R$ 200.000.

▪ Capitalização do Novo Motor:

▪ Débito: Motor (Ativo) R$ 280.000.

▪ Crédito: Caixa ou Bancos R$ 280.000.

o Depreciação do Novo Motor:

▪ A partir do 6º Ano: Início da depreciaçao com base na nova vida util.


Alteração da Vida Útil do Imobilizado

Revisão da Vida Útil e Valor Residual (CPC 27)

• Revisão Anual (Art. 51)

o Objetivo: Garantir que o valor residual e a vida util do ativo estejam atualizados e reflitam as
condiçoes reais de uso e benefícios economicos esperados.

o Procedimento: Avaliaçao deve ocorrer ao final de cada exercício.

o Mudança de Estimativa Contábil: Se houver diferença em relaçao as estimativas anteriores,


deve ser registrada como uma mudança de estimativa contabil conforme o CPC 23.

o Aplicação Prospectiva: As mudanças afetam o período corrente e os períodos futuros, sem


alterar valores ja contabilizados.

• Vida Útil e Valor Residual

o Vida Útil: Período durante o qual o ativo e esperado ser utilizavel pela entidade.

o Valor Residual: Valor estimado que se espera obter do ativo ao final de sua vida util, líquido
dos custos de venda.

Método da Reavaliação

Métodos de Mensuração (CPC 27)

• Método de Custo

o Descrição: Ativo e apresentado ao custo historico, menos a depreciaçao acumulada e perdas


por recuperabilidade.

o Exemplo: Se um ativo foi adquirido por R$ 100.000 e a depreciaçao acumulada e R$ 30.000,


o valor contabil e R$ 70.000.

• Método de Reavaliação

o Descrição: O ativo pode ser reavaliado pelo seu valor justo na data da reavaliaçao.

o Aplicação Legal: No Brasil, a reavaliaçao nao e permitida atualmente. Contudo, e importante


conhecer as normas internacionais para provas.

Reavaliação de Classe

• Classe de Ativo Imobilizado

o Definição: Agrupamento de ativos com características semelhantes.

o Exemplos de Classes: Terrenos, edifícios, maquinas, veículos.

o Regra: Se um ativo e reavaliado, toda a classe de ativos a qual pertence deve ser reavaliada.

Contabilização da Reavaliação

• Aumento do Valor Contábil

o Contabilização:

▪ Débito: Ativo Imobilizado (pelo valor do aumento).

▪ Crédito: Reserva de Reavaliaçao (no Patrimonio Líquido).

o Exemplo: Se o valor contabil aumenta de R$ 100.000 para R$ 120.000:

▪ Lançamento: D - Ativo Imobilizado R$ 20.000; C - Reserva de Reavaliaçao R$


20.000.

• Reversão de Reavaliação
o Quando Reverter: Se o aumento de valor reverte uma reavaliaçao anterior que foi lançada
no resultado.

o Contabilização:

▪ Débito: Ativo Imobilizado (pelo valor do aumento).

▪ Crédito: Receita - Reversao de Ajuste de Reavaliaçao.

o Exemplo: Se o valor contabil reverte de R$ 120.000 para R$ 100.000:

▪ Lançamento: D - Ativo Imobilizado R$ 20.000; C - Receita - Reversao de Ajuste de


Reavaliaçao R$ 20.000.

• Diminuição do Valor Contábil

o Quando Reduzir: Se a reavaliaçao mostra um valor inferior ao valor contabil atual.

o Contabilização:

▪ Se houver saldo de Reserva de Reavaliaçao: Utilizar primeiro essa reserva.

▪ Lançamento: D - Reserva de Reavaliaçao; C - Ativo Imobilizado.

▪ Se nao houver saldo de Reserva de Reavaliaçao: A reduçao deve ser lançada


diretamente no resultado.

▪ Lançamento: D - Despesa com Ajuste a Valor de Mercado; C - Ativo


Imobilizado.

o Exemplo: Se o valor contabil diminui de R$ 100.000 para R$ 90.000:

▪ Lançamento: D - Despesa com Ajuste a Valor de Mercado R$ 10.000; C - Ativo


Imobilizado R$ 10.000.

▪ Se houver Reserva de Reavaliaçao: D - Reserva de Reavaliaçao R$ 10.000; C - Ativo


Imobilizado R$ 10.000.

Redução ao Valor Recuperável de Ativos

Objetivo e Requisitos (Lei 11.638/2007 e CPC 01)

• Objetivo: Garantir que os ativos nao estejam registrados por um valor superior ao valor que se espera
recuperar.

• Teste de Recuperabilidade:

o Método: Comparar o valor contabil com o valor recuperavel (maior entre o valor justo menos
custos de venda e o valor em uso).

o Ajuste para Perda por Desvalorização: Se o valor contabil exceder o valor recuperavel,
reconhecer uma perda.

Alcance do CPC 01

• Aplicação: Ao ajustar perdas por desvalorizaçao para ativos imobilizados e intangíveis.

• Exclusões:

o Estoques (CPC 16).

o Ativos de contrato (CPC 47).

o Ativos fiscais diferidos (CPC 32).

o Benefícios a empregados (CPC 33).

o Ativos financeiros (CPC 38).


o Propriedade para investimento (CPC 28).

o Ativos biologicos (CPC 29).

o Ativos nao circulantes mantidos para venda (CPC 31).

Procedimento

• Valor Recuperável: Determinado pelo valor de venda ou pelo valor em uso.

• Registro: Se o valor contabil do ativo e maior que o valor recuperavel, ajustar o valor contabil para o
valor recuperavel e reconhecer a perda.

Teste de Recuperabilidade

Valor Recuperável

• Definição: E o maior valor entre o valor justo líquido de venda e o valor em uso.

o Valor Justo Líquido de Venda:

▪ Definição: Preço estimado que seria recebido pela venda do ativo, menos os custos
diretamente atribuíveis a venda.

▪ Cálculo:

▪ Valor de Venda: Preço estimado no mercado.

▪ Despesas de Venda: Custos relacionados a venda (ex.: fretes, comissoes).

▪ Fórmula: Valor Justo Líquido de Venda = Valor de Venda - Despesas de


Venda.

▪ Exemplo: Se uma maquina pode ser vendida por R$ 600.000 e as despesas de venda
sao R$ 200.000, o valor justo líquido de venda e R$ 400.000.

o Valor em Uso:

▪ Definição: Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados provenientes do


uso contínuo do ativo.

▪ Cálculo:

▪ Entradas de Caixa: Receita futura esperada com a utilizaçao do ativo.

▪ Saídas de Caixa: Custos relacionados as receitas (ex.: manutençao, custos


operacionais).

▪ Fórmula: Valor em Uso = Entradas de Caixa - Saídas de Caixa.

▪ Desconto: Aplicar a taxa de desconto apropriada para trazer os fluxos


futuros a valor presente.

▪ Exemplo: Se a maquina gera R$ 1.000.000 em entradas e R$ 400.000 em


saídas, e a taxa de desconto e de 5%, o valor em uso deve ser calculado
considerando o valor presente desses fluxos futuros.

Perda por Desvalorização

• Definição: Montante pelo qual o valor contabil de um ativo excede seu valor recuperavel.

o Cálculo:

▪ Fórmula: Perda por Desvalorizaçao = Valor Contabil - Valor Recuperavel.

▪ Exemplo: Se o valor contabil e R$ 800.000 e o valor recuperavel e R$ 600.000, a


perda por desvalorizaçao e R$ 200.000.

o Contabilização:
▪ Débito: Despesa com perda por desvalorizaçao (R$ 200.000).

▪ Crédito: Ajuste ao valor recuperavel (R$ 200.000).

Passos Detalhados para o Cálculo do Valor Recuperável

1. Encontrar o Valor Contábil:

o Cálculo:

▪ Valor de Aquisição: Preço inicial do ativo.

▪ Depreciação Acumulada: Valor total da depreciaçao acumulada.

▪ Amortização Acumulada: Valor total da amortizaçao acumulada.

▪ Exaustão Acumulada: Valor total da exaustao acumulada.

▪ Fórmula: Valor Contabil = Valor de Aquisiçao - Depreciaçao Acumulada -


Amortizaçao Acumulada - Exaustao Acumulada.

2. Encontrar o Valor Recuperável:

o Valor Justo Líquido de Venda:

▪ Cálculo: Estimativa de preço de mercado menos despesas para venda.

o Valor em Uso:

▪ Fórmula: Valor em Uso = ∑(Fluxos de Caixa Esperados / (1+i)^n), onde iii e a taxa
de desconto e nnn e o período.

▪ Nota: Se o valor de venda ao final da vida util ja esta incluído no valor em uso, nao
adicione novamente.

3. Comparar Valores:

o Valor Contábil > Valor Recuperável:

▪ Ação: Reduzir o valor contabil para o valor recuperavel.

▪ Registro Contábil:

▪ Débito: Despesa com perda por desvalorizaçao.

▪ Crédito: Ajuste ao valor recuperavel.

o Valor Contábil ≤ Valor Recuperável:

▪ Ação: Nenhuma açao necessaria, mantendo o valor contabil como esta.

Cuidado com Exceções e Casos Especiais

• Valor de Venda ao Final da Vida Útil:

o Se o valor de venda ao final da vida util esta incluído no valor em uso, nao o adicione
novamente no calculo do valor em uso.

• Diferenças em Regras:

o Certifique-se de entender as regras específicas para diferentes tipos de ativos e situaçoes


contabeis.
Periodicidade do Teste de Impairment

1. Avaliação Regular de Ativos

• Frequência de Avaliação:

o Final do Período de Reporte: A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte
(exercício social) se ha indicaçoes de que um ativo possa ter sofrido desvalorizaçao.

• Ação Requerida:

o Indícios de Desvalorização: Se houver indícios, a entidade deve estimar o valor recuperavel


do ativo.

o Ausência de Indícios: Se nao houver indícios, o teste formal de recuperabilidade nao e


necessario.

2. Ativos com Teste Formal Obrigatório

• Tipos de Ativos:

o Goodwill:

▪ Definição: Agio pago por expectativa de rentabilidade futura em combinaçao de


negocios.

o Intangível com Vida Indefinida:

▪ Definição: Ativos intangíveis sem uma vida util definida.

o Intangível Não Disponível para Uso:

▪ Definição: Ativos intangíveis que ainda nao estao em uso.

• Razão para Exceção:

o Características dos Ativos: Esses ativos nao sofrem depreciaçao ou amortizaçao e, portanto,
nao diminuem de valor ao longo do tempo, ao contrario dos ativos com vida util definida.

3. Procedimentos de Teste Anual

• Ativos Intangíveis com Vida Útil Indefinida e Não Disponíveis para Uso:

o Teste Anual: Deve ser realizado pelo menos uma vez por ano para avaliar a reduçao ao valor
recuperavel.

o Período do Teste: O teste pode ser realizado a qualquer momento durante o ano, mas deve
ser consistente ano apos ano.

o Se Reconhecidos no Ano Corrente: Teste deve ser feito antes do fim do ano corrente.

• Goodwill:

o Teste Anual: Deve ser realizado anualmente, conforme os criterios específicos estabelecidos
para combinaçoes de negocios.

4. Reversão de Perda por Desvalorização

• Condições para Reversão:

o Aumento no Valor Recuperável: Se o valor recuperavel de um ativo aumentar em exercícios


subsequentes, a perda registrada anteriormente deve ser revertida.

• Registro da Reversão:

o Reconhecimento da Receita: A reversao deve ser registrada como receita.

o Limite de Reversão: A reversao nao pode exceder o valor contabil do ativo antes do
reconhecimento da perda.
5. Aspectos de Depreciação e Valor Residual

• Valor Residual:

o Definição: Valor estimado que um ativo pode alcançar ao final de sua vida util.

o Implicação para Depreciação: A depreciaçao e reconhecida mesmo que o valor justo do


ativo exceda o valor contabil. Se o valor residual exceder o valor contabil, a depreciaçao e
suspensa.

• Valor Depreciável:

o Cálculo: Valor depreciavel e calculado como o valor de aquisiçao menos o valor residual.

o Prática: O valor residual frequentemente e considerado imaterial e nao significativo para o


calculo da depreciaçao, especialmente para ativos que sao desmantelados ao final da vida util,
como algumas maquinas de produçao.

Reparo e Conservação de Bens

Gastos com Limpeza, Manutenção e Conservação

• Classificação Contábil:

o Despesas Operacionais: Sao tratadas como despesas no exercício em que ocorrem.

▪ Exemplos: Limpeza de equipamentos, manutençao preventiva, serviços de


conservaçao.

o Contabilização: Essas despesas nao sao capitalizadas, ou seja, nao aumentam o valor do ativo
imobilizado.

Substituição de Peças

• Modalidades de Substituição:

1. Manutenção Periódica:

▪ Características: Realizada para prevenir falhas e garantir a segurança.

▪ Classificação: Os custos sao capitalizados se as peças aumentarem a vida util do


ativo ou seu valor. Caso contrario, sao despesas.

2. Quebra ou Avaria:

▪ Características: Realizada quando ha falhas ou danos inesperados.

▪ Classificação: Se as peças substituídas aumentarem a vida util ou o valor do ativo,


sao capitalizadas. Se apenas restauram o ativo ao seu estado anterior, sao despesas.

• Classificação Contábil:

o Ativação de Peças: Peças que sao integradas e aumentam a capacidade ou a vida util do ativo
devem ser ativadas no ativo imobilizado.

o Baixa das Peças Substituídas: As peças substituídas devem ser baixadas do imobilizado,
ajustando o valor contabil do ativo.

Casos Específicos

1. Peças de Uso Específico e Vida Útil Comum:

o Definição: Peças que sao necessarias para a operaçao contínua do equipamento principal.

o Classificação: Devem ser adicionadas ao valor do ativo imobilizado e depreciadas junto com
o equipamento principal.

2. Peças e Material de Consumo e Manutenção:


o Definição: Itens de baixa durabilidade, como oleo e graxas.

o Classificação: Mantidos no ativo circulante e apropriados ao custo ou resultado conforme


sao utilizados.

Amortização

Conceito e Aplicação

• Definição:

o Amortização: Reduz o valor dos ativos imobilizados e intangíveis ao longo do tempo.

o Itens Aplicáveis: Principalmente ativos intangíveis e benfeitorias em propriedades de


terceiros.

Vida Útil e Métodos de Amortização

• Vida Útil:

o Definição: Período durante o qual a entidade espera utilizar o ativo ou o numero de unidades
produzidas.

o Valor Residual: Se existir, deve ser subtraído do valor a ser amortizado.

• Métodos de Amortização:

1. Método Linear (Linha Reta):

▪ Características: Distribui o custo de forma igual ao longo da vida util do ativo.

2. Método dos Saldos Decrescentes:

▪ Características: Amortizaçao mais intensa nos primeiros anos. Utiliza uma taxa de
amortizaçao aplicada ao valor contabil reduzido.

3. Método das Unidades Produzidas:

▪ Características: Baseia-se na quantidade de produçao ou uso do ativo.

• Escolha do Método:

o Critério: Deve refletir o padrao de consumo dos benefícios economicos do ativo e ser aplicado
de forma consistente entre períodos.

Reconhecimento e Inclusão no Valor Contábil

• Reconhecimento no Resultado:

o Geral: A despesa de amortizaçao e normalmente reconhecida no resultado do período.

o Exceção: Pode ser incluída no custo de outro ativo se for absorvida na produçao ou
desenvolvimento de outros ativos (por exemplo, estoques).

Considerações Especiais sobre Amortização

• Método Baseado na Receita:

o Presunção Geral: Nao e apropriado usar a receita gerada como base para amortizaçao,
devido a falta de correlaçao direta.

o Exceções:

▪ Contratos Específicos: Se o contrato estabelece a receita como um fator limitante,


a amortizaçao pode ser baseada na receita, desde que o contrato defina um valor
fixo total.
• Fatores Limitantes:

o Definição: O metodo de amortizaçao pode ser baseado em tempo, unidades produzidas ou


receita, dependendo do contrato ou da natureza do ativo.

Exaustão: Conceitos e Cálculo

1. Conceito de Exaustão

• Definição:

o A exaustao refere-se a diminuiçao do valor dos recursos naturais, como minerais e florestais,
devido a exploraçao.

o Aplicavel a recursos minerais e florestais e bens usados na sua exploraçao.

• Regulamentação:

o Lei 6.404/76 (Lei das S.A.):

▪ Art. 183, § 2º: Estabelece que a exaustao deve ser registrada para recursos minerais
e florestais ou bens aplicados na exploraçao desses recursos.

o Lei nº 11.941/2009: Atualiza a redaçao para refletir a diminuiçao do valor dos ativos devido
a exploraçao.

2. Cálculo da Exaustão

• Método de Cálculo:

o Base: Quantidade total disponível (possança) e a quantidade extraída no período.

o Percentual de Exaustão =

o Valor da Exaustão = Percentual de Exaustao × Custo Total do Recurso

• Exemplo de Cálculo:

o Dados: Mina adquirida por R$ 10.000.000 com possança de 10.000 toneladas.

o Extração: 800 toneladas no primeiro ano.

o Cálculo:

▪ Percentual de Exaustao =

▪ Valor da Exaustao = R$ 10.000.000 × 8% = R$ 800.000

• Contabilização:

o Débito: Custo do minerio extraído (Ativo) R$ 800.000

o Crédito: Exaustao acumulada (Reduçao do Ativo) R$ 800.000

o Nota: O custo e inicialmente registrado em estoque e depois transferido para a conta de


exaustao.

3. Exaustão e Depreciação

• Bens Aplicados na Exploração:

o Recursos Minerais e Florestais: A exaustao e calculada com base na quantidade extraída.

o Bens Tangíveis (Equipamentos):


▪ Se a vida util do bem e menor que o tempo de exploraçao, a depreciaçao e calculada
com base na exaustao.

▪ Se o tempo de exploraçao e menor que a vida util do bem, a depreciaçao e feita com
base na vida util do bem.

• Exemplo de Depreciação:

o Caminhão para mineração: Vida util de 10 anos.

o Se a mina operará por menos de 10 anos:

▪ Exaustao do primeiro ano = 12%

▪ Depreciaçao do caminhao = 12% do valor do caminhao no primeiro ano.

o Se a mina operará por mais de 10 anos ou indefinidamente:

▪ Depreciaçao = Baseada na vida util de 10 anos.

4. Classificação de Recursos e Direitos

• Recursos Propriedade da Empresa:

o Jazidas e Recursos Naturais: Classificados no Ativo Imobilizado se a empresa possui a


propriedade.

• Direitos de Exploração:

o Intangível: Se a empresa adquire apenas os direitos de exploraçao (nao a propriedade), e


classificado como Ativo Intangível.

o Amortização ou Exaustão:

▪ Fatores Limitantes: Tempo de exploraçao, quantidade extraída, ou receita gerada.

5. Recursos Florestais

• Classificação e Depreciação:

o Recursos Renováveis (Ex.: plantaçao de cafe):

▪ Depreciaçao baseada na vida util do recurso, calculada anualmente.

▪ Exemplo: Plantaçao de cafe com vida util de 20 anos, depreciada em 5% ao ano.

o Recursos Exauríveis (Ex.: madeira para corte):

▪ Exaustao calculada com base na quantidade extraída.

▪ Exemplo: Plantaçao com possança de 10 toneladas, extraçao de 1 tonelada no


primeiro ano resulta em 10% de exaustao.

6. Direitos de Exploração de Floresta

• Classificação e Tratamento Contábil:

o Contrato Indeterminado: Exaustao aplicada.

o Prazo Determinado Maior que o Recurso: Exaustao aplicada durante o período do


contrato.

o Prazo Determinado Menor que o Recurso: Amortizaçao baseada no prazo do contrato, pois
o recurso nao sera totalmente explorado.

7. Considerações Adicionais

• Jazidas Inesgotáveis: Como aguas minerais, nao sofrem exaustao.


• Direitos Adquiridos: Dependem do tipo de contrato (determinado ou indeterminado) e da forma
como a exploraçao sera realizada.

PASSIVO

1. Conceito Geral de Passivo

• O passivo em contabilidade corresponde as obrigaçoes que a entidade (empresa) possui perante


terceiros.

• Representa dívidas ou compromissos futuros que demandam a transferencia de recursos economicos.

• Resulta de eventos ja ocorridos e tem o potencial de causar a saída de recursos que gerariam benefícios
economicos para a empresa.

2. Definição do CPC 00 (R2)

• O CPC 00 (R2) define o passivo como:

o "Obrigações apresentadas pela entidade de transferir um recurso econômico como


resultado de eventos passados."

• Para que algo seja considerado passivo, e necessario:

1. Obrigação Presente:

▪ O passivo representa uma obrigaçao que a entidade não pode evitar de forma
pratica.

▪ Exemplo: Se a empresa tem um contrato ou uma dívida formal com vencimento, e


uma obrigaçao que ela precisa honrar.

▪ Não são passivos: Previsoes de gastos futuros que ainda nao se tornaram
obrigaçoes presentes.
Exemplo: A previsao de troca de motores de uma aeronave dentro de 2 anos nao e
passivo, pois a empresa pode decidir vender o aviao e nao realizar o gasto.

2. Transferência de Recurso Econômico:

▪ Deve haver o potencial de a empresa transferir um recurso econômico (dinheiro,


bens, ou outros ativos) para outra parte como resultado do passivo.

3. Evento Passado:

▪ O passivo surge a partir de eventos já ocorridos.

▪ Exemplo: Mesmo que o pagamento aconteça no futuro, a obrigaçao ja existe porque


o evento que deu origem a dívida ja ocorreu.

3. Passivo Circulante e Não Circulante (Lei 6.404/76)

• A Lei 6.404/76, que regula as sociedades por açoes no Brasil, faz uma distinçao entre:

1. Passivo Circulante:

▪ Obrigaçoes que devem ser pagas no exercício seguinte (ou dentro de 12 meses).

▪ Exemplo: Fornecedores a pagar, impostos a recolher, dívidas de curto prazo,


salarios, duplicatas a pagar.

▪ Inclui, ainda, financiamentos que vencerao dentro desse período.

2. Passivo Não Circulante:


▪ Sao as obrigaçoes cujo vencimento ocorre em um prazo superior a 12 meses.

▪ Exemplo: Financiamentos de longo prazo, provisoes para riscos trabalhistas ou


fiscais, emprestimos a longo prazo.

▪ A separaçao entre circulante e nao circulante tem como marco temporal o


encerramento do exercício social, ou seja, a data do balanço.

4. Critérios para Classificação de Passivo Circulante e Não Circulante (CPC 26)

• O Pronunciamento Técnico CPC 26 traz criterios adicionais para classificar passivos como circulantes
ou nao circulantes:

1. Passivo Circulante: Deve ser classificado como tal quando:

▪ Liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade.

▪ Destinado à negociação no curto prazo.

▪ Liquidado dentro de 12 meses apos a data do balanço.

▪ A entidade não tem direito incondicional de adiar o pagamento do passivo por


mais de 12 meses apos a data do balanço.

2. Passivo Não Circulante:

▪ Todas as obrigaçoes que não se enquadram nos criterios acima sao classificadas
como passivo nao circulante.

▪ Esses passivos podem ser, por exemplo, dívidas a longo prazo, financiamentos com
vencimento alem de 12 meses, ou obrigaçoes que a empresa pode postergar o
pagamento por mais de 12 meses.

5. Exemplos de Obrigações que Compõem o Passivo

• Passivo Circulante:

o Impostos a pagar.

o Salarios a pagar.

o Provisoes para contingencias de curto prazo.

o Duplicatas a pagar.

o Fornecedores.

o FGTS a recolher.

o ICMS a pagar.

• Passivo Não Circulante:

o Financiamentos de longo prazo.

o Emprestimos bancarios com vencimento em mais de 12 meses.

o Provisoes para contingencias trabalhistas ou fiscais de longo prazo.

o Dívidas a longo prazo relacionadas a aquisiçao de ativos nao circulantes.

Empréstimos de Curto Prazo no Passivo Não Circulante

• Quando uma entidade possui um emprestimo com vencimento em curto prazo, a regra geral e
classifica-lo no passivo circulante.
• Contudo, a classificaçao no passivo não circulante pode ocorrer se:

1. Capacidade Unilateral de Prorrogação: A entidade tem o direito unilateral (sem a


necessidade de aprovaçao do credor) de prorrogar o vencimento do emprestimo para alem
de 12 meses.

▪ Exemplo: A empresa pode, por contrato, estender o vencimento sem depender da


aprovaçao do banco ou do credor.

2. Expectativa de Prorrogação: E muito provável que a empresa exerça essa opçao de


prorrogaçao. A simples possibilidade nao e suficiente para mudar a classificaçao, deve haver
uma expectativa clara de que a prorrogaçao ocorrera.

▪ A prorrogaçao precisa ser consistente com o comportamento e as intençoes da


entidade.

• Importante:

o A entidade precisa controlar totalmente a decisão de prorrogar o emprestimo.

o Se houver alguma condição que dependa da aceitaçao do credor, o emprestimo deve ser
mantido como circulante.

Exemplos:

• Prorrogação Unilateral: Se a empresa tem a possibilidade de prorrogar o pagamento de uma dívida


bancaria de curto prazo por mais de 12 meses, e e provavel que ela o faça, essa dívida deve ser
classificada como passivo não circulante.

• Prorrogação Condicionada: Se a prorrogaçao depende da aprovação do credor, o emprestimo


permanece classificado como circulante, mesmo que a empresa queira prorrogar o prazo.

Empréstimos de Longo Prazo no Passivo Circulante (Quebra de Covenant)

• O item 74 do CPC 26 trata de situaçoes em que um empréstimo de longo prazo pode ser
reclassificado como passivo circulante.

o Ocorre quando ha uma quebra de covenant, que sao clausulas contratuais que a empresa
deve respeitar para manter as condiçoes do emprestimo.

o Covenants comuns incluem:

▪ Manter um índice de endividamento abaixo de um certo limite.

▪ Garantir uma determinada cobertura de juros.

▪ Cumprir certos parametros financeiros ou operacionais.

Quando o Empréstimo de Longo Prazo é Reclassificado como Circulante?

1. Quebra de Covenant: Se, ao termino do período de reporte, a entidade quebrar um covenant (nao
cumprir uma clausula contratual), o credor pode exigir o pagamento antecipado do emprestimo.

o Consequência: O emprestimo passa a ser classificado como circulante, ja que, na data do


balanço, a empresa perdeu o direito incondicional de manter o passivo como de longo prazo.

2. Momento da Quebra:

o A quebra pode ocorrer ao final do exercício ou ate mesmo antes, tornando a dívida vencida
e pagavel imediatamente.

o Mesmo que a negociaçao para manter o emprestimo como longo prazo ocorra apos a data do
balanço, o emprestimo deve ser classificado como circulante.
3. Acordo com o Credor Após a Data do Balanço:

o Mesmo que o credor concorde em nao exigir o pagamento imediato apos a data do balanço,
o emprestimo não volta a ser classificado como não circulante. O motivo e que, na data
de encerramento, a empresa nao tinha o direito incondicional de adiar o pagamento.

4. Direito Incondicional de Adiar a Liquidação:

o A empresa so pode classificar um emprestimo de longo prazo como nao circulante se, na data
do balanço, ela tiver o direito incondicional de adiar o pagamento por pelo menos 12
meses.

o Se esse direito nao existe por causa da quebra de um covenant, o passivo deve ser
reclassificado como circulante.

Exemplos:

• Quebra de Covenant de Índice de Endividamento: Se a empresa ultrapassa um limite de


endividamento previsto no contrato de um emprestimo de longo prazo, o credor pode exigir o
pagamento imediato. Nesse caso, o emprestimo deve ser reclassificado como circulante, mesmo que a
empresa renegocie posteriormente.

• Concordância Posterior do Credor: Se, apos a data do balanço, o credor decide nao exigir o
pagamento antecipado, isso não altera a classificaçao do passivo como circulante. O criterio e baseado
na situação na data do balanço, nao em decisoes posteriores.

Fatores Determinantes para a Classificação

• A classificaçao de um passivo de financiamento como circulante ou não circulante depende de:

1. Prazos de Vencimento: Passivos com vencimento em ate 12 meses sao classificados como
circulantes. Passivos com vencimento superior a 12 meses sao nao circulantes, a menos que
haja outros fatores (como covenants).

2. Prorrogação Unilateral: Se a empresa pode, de forma unilateral, prorrogar o vencimento


para mais de 12 meses, o passivo pode ser classificado como não circulante.

3. Adimplência/Inadimplência: A situaçao de adimplência ou inadimplência afeta a


classificaçao. Quebras de covenant podem reclassificar passivos de longo prazo como
circulantes.

Classificação de Acordo com o Ciclo Operacional

1. Definição de Ciclo Operacional

• O ciclo operacional e o tempo necessario para completar todas as etapas de produçao e vendas,
variando de acordo com o tipo de negocio.

o Empresas Industriais:

▪ Inclui etapas como:

1. Compra de materia-prima.

2. Processamento e produçao do produto.

3. Venda do produto acabado.

4. Recebimento do pagamento.

o Empresas Comerciais:

▪ O ciclo e baseado no tempo entre:

1. Aquisiçao de mercadorias.
2. Venda das mercadorias.

3. Recebimento dos valores das vendas.

2. Classificação de Ativos e Passivos

• O artigo 179 da Lei das SAs estabelece que, quando o ciclo operacional e maior que o exercício social
(12 meses), a classificaçao de ativos e passivos deve se basear no prazo do ciclo operacional.

o Ativos que serao realizados ou consumidos dentro do ciclo sao classificados como
circulantes.

o Passivos que vencem durante o ciclo operacional devem tambem ser classificados como
circulantes.

3. Exemplos Práticos

• Se uma empresa industrial tem um ciclo operacional de 18 meses, todos os ativos e passivos
relacionados a esse ciclo sao classificados como circulantes, independentemente do prazo de 12 meses
do exercício social.

• Uma empresa comercial com um ciclo de 6 meses tera suas obrigaçoes e recebimentos classificados de
acordo com esse ciclo.

Resultado de Exercícios Futuros e Receitas Diferidas

1. Extinção do REF

• O Resultado de Exercícios Futuros (REF) foi extinto pela MP 449 e pela Lei 11.941/2009.

• Com a extinçao, as contas que antes eram classificadas como REF devem ser reclassificadas como
receitas diferidas.

2. Definição de Receitas Diferidas

• Receitas Diferidas sao valores que a empresa ja recebeu, mas que ainda nao podem ser reconhecidos
como receita devido ao regime de competencia.

• Representam uma obrigação da empresa de prestar serviços ou entregar bens no futuro.

3. Contabilização das Receitas Diferidas

• Exemplo pratico: Aluguéis Recebidos Antecipadamente.

o Situação: Uma empresa recebe R$ 24.000 de aluguel por um imovel por 2 anos, pagos
antecipadamente.

3.1. Se o Contrato Prever Devolução

• A contabilizaçao inicial e:

o Débito: Caixa (Ativo) – R$ 24.000.

o Crédito: Aluguel Recebido Antecipadamente (Passivo) – R$ 24.000.

• Mensalmente, ao reconhecer a receita:

o Débito: Aluguel Recebido Antecipadamente (Passivo) – R$ 1.000.

o Crédito: Receita de Aluguel (Resultado) – R$ 1.000.

3.2. Se o Contrato Não Prever Devolução

• A contabilizaçao inicial e a mesma, mas:


o Em vez de aluguel recebido antecipadamente, utiliza-se a conta de receita diferida no
passivo não circulante.

• Mensalmente, a receita e reconhecida conforme a passagem do tempo, mas a conta de passivo e de


receita diferida, nao de devoluçao.

3. Classificação de Receitas Diferidas

1. Passivo Não Circulante

• As receitas diferidas sao classificadas no passivo não circulante porque, apesar de ja terem sido
recebidas, a receita ainda nao pode ser reconhecida.

o Isso se da pelo regime de competencia, que determina que a receita deve ser reconhecida
quando os serviços sao prestados, nao quando o pagamento e recebido.

2. Diferença entre Passivo Circulante e Não Circulante

• Passivo Circulante: Refere-se a obrigaçoes que precisam ser pagas ou liquidadas em um prazo menor
que 12 meses.

• Receitas Diferidas no Passivo Não Circulante: Nao representam uma obrigaçao de pagamento, mas
sim um reconhecimento futuro da receita. Elas nao sao passivos que implicam uma saída de recursos,
mas sim uma expectativa de realizaçao de receita.

Folha de Pagamentos: Elaboração e Contabilização

1. Importância da Folha de Pagamento

• Definição: Registro de todos os valores a serem pagos aos empregados, incluindo salarios e encargos.

• Impacto: Afeta diretamente o passivo da empresa e a apuraçao de resultados.

2. Registro e Contabilização dos Salários

2.1. Lançamento Mensal (Provisionado)

• Contabilização do salário:

o Débito: Despesa com Salarios (Resultado) – R$ 5.000,00

o Crédito: Salarios a Pagar (Passivo) – R$ 5.000,00

• Objetivo: Reconhecer a despesa no mes em que ela e incorrida, seguindo o regime de competencia.

2.2. Pagamento Imediato

• Lançamento no ato do pagamento:

o Débito: Despesa com Salarios – R$ 5.000,00

o Crédito: Caixa/Bancos – R$ 5.000,00

• Quando ocorre: Quando a empresa efetua o pagamento do salario aos funcionarios.

3. Encargos Trabalhistas

3.1. Tipos de Encargos

• Encargos do Empregador: Responsabilidade da empresa, devem ser registrados como despesa.

• Encargos do Empregado: Descontos que a empresa realiza do salario do empregado e repassa ao


governo.

3.2. Exemplos de Encargos


• FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço): 8% do salario do empregado.

• INSS Patronal: 20% do valor da folha de pagamento.

• INSS Retido: Percentual que varia de 7,5% a 14%, depende do salario do empregado.

4. Cálculo e Contabilização dos Encargos

4.1. Exemplo de Cálculo do INSS

• Salário: R$ 1.212,00

• INSS Retido: 7,5% de R$ 1.212,00 = R$ 90,90

• Lançamento:

o Débito: Despesa de Salario – R$ 1.212,00

o Crédito: INSS Retido a Recolher (Passivo) – R$ 90,90

o Crédito: Salarios a Pagar (Passivo) – R$ 1.121,10

4.2. Pagamento do Salário

• Lançamento:

o Débito: Salarios a Pagar – R$ 1.121,10

o Crédito: Caixa – R$ 1.121,10

4.3. Recolhimento do INSS

• Lançamento:

o Débito: INSS Retido a Recolher – R$ 90,90

o Crédito: Caixa – R$ 90,90

5. Provisões para Férias e 13º Salário

5.1. Provisão para Férias

• Reconhecimento: 1/12 do salario por mes deve ser provisionado.

• Cálculo das Férias Proporcionais: Em caso de demissao, proporcional ao tempo trabalhado.

• Contabilização:

o Débito: Custo de Mao de Obra (Produçao) ou Despesa Administrativa (Escritorio) – valor


calculado

o Crédito: Provisao de Ferias (Passivo Circulante) – valor calculado

5.2. Provisão para 13º Salário

• Semelhante à Provisão de Férias: 1/12 do salario deve ser provisionado mensalmente.

• Contabilização:

o Débito: Custo/Despesa – valor calculado

o Crédito: Provisao de 13º Salario (Passivo Circulante) – valor calculado

6. Salário Mínimo e Vale Transporte

6.1. Salário Mínimo

• Importância: Conhecer valores recentes e fundamental para calculos.


• Valores:

o 2023: R$ 1.302,00

o 2022: R$ 1.212,00

o 2021: R$ 1.100,00

6.2. Vale Transporte

• Funcionamento: A empresa paga o transporte e desconta 6% do salario do funcionario.

• Cálculo do Desconto:

o Exemplo: Funcionario gasta R$ 260,00, salario de R$ 2.000,00

▪ Desconto: 6% de R$ 2.000,00 = R$ 120,00

▪ Despesa da empresa: R$ 260,00 - R$ 120,00 = R$ 140,00

Provisões, Passivo Contingente e Ativo Contingente conforme o CPC 25

1. Definições Importantes

• Provisão: Passivo de prazo ou valor incertos, reconhecido quando ha uma obrigaçao presente e e
provavel a saída de recursos. Exemplo: multas a pagar.

• Passivo “Normal”: Obrigaçao presente, derivada de eventos passados, cuja liquidaçao resulta em saída
de recursos. Exemplo: dívidas com fornecedores.

• Passivo Contingente:

o Definição:

▪ (a) Obrigaçao possível de eventos passados, confirmada apenas por eventos futuros
incertos.

▪ (b) Obrigaçao presente nao reconhecida porque:

▪ (i) Nao e provavel a saída de recursos.

▪ (ii) O valor nao pode ser mensurado com confiabilidade.

o Exemplo: Uma multa que pode nao ser paga.

• Ativo Contingente: Ativo possível que resulta de eventos passados, confirmados por eventos futuros
incertos. Não é contabilizado. Exemplo: restituiçao de tributos.

2. Eventos que Criam Obrigações

• Obrigação Legal: Deriva de contratos, legislaçao ou açoes legais.

• Obrigação Não Formalizada: Baseada em praticas passadas ou declaraçoes que criam expectativas
validas.

3. Diferenças entre Provisões e Passivos Contingentes

• Provisões: Reconhecidas como passivo, devido a probabilidade de saída de recursos.

• Passivos Contingentes: Nao sao reconhecidos, pois a saída de recursos e apenas possível, e nao
provavel.

4. Reconhecimento das Provisões

• Uma provisao deve ser reconhecida quando:

o Ha uma obrigaçao presente resultante de evento passado.


o E provavel a saída de recursos.

o O valor pode ser estimado de forma confiavel.

5. Lançamentos Contábeis

• Para constituir uma provisão:

o Débito: Despesa com provisao (exemplo: R$ 10.000.000,00)

o Crédito: Provisoes tributarias (passivo)

• Para reverter uma provisão:

o Reconhecimento da reversao deve ser feito conforme a situaçao reavaliada.

6. Reavaliação Anual

• Provisoes devem ser reavaliadas a cada data de balanço. Se a obrigaçao deixar de ser provavel, deve ser
revertida.

7. Exemplos Práticos

• Passivo Contingente: Contaminaçao ambiental em um país sem legislaçao específica, divulgada em


notas explicativas.

• Ativo Contingente: Açao para reaver tributo pago a maior, nao contabilizado ate que a certeza do
recebimento seja maior.

8. Diretrizes de Divulgação

• Passivos contingentes e ativos contingentes devem ser divulgados em notas explicativas, com exceçao
de possibilidades remotas.

Debêntures

1. Definição de Debêntures

• Conceito Geral: Títulos de dívida emitidos por companhias que oferecem aos investidores um direito
de credito.

• Base Legal: Regido pela Lei das Sociedades por Açoes (Lei 6404/76), especialmente no artigo 52.

2. Características das Debêntures

• Credor vs. Proprietário: Debenturistas sao credores da companhia, ao contrario dos acionistas, que
sao proprietarios.

• Custo do Capital: Geralmente apresentam custo financeiro mais baixo do que emprestimos bancarios.

• Planejamento Financeiro: A companhia pode planejar seu fluxo de caixa de acordo com os termos
estabelecidos na emissao.

3. Escritura de Emissão

• Conteúdo: Detalha as condiçoes da emissao, como montante, taxas de juros, prazos de resgate, e
possibilidade de conversao em açoes.

• Importância: Fundamental para transparencia e segurança dos investidores.

4. Tipos de Debêntures

• Debêntures Simples: Sem clausulas especiais.

• Debêntures Conversíveis: Podem ser convertidas em açoes da companhia.

• Debêntures Perpétuas: Nao tem vencimento, sendo pagas apenas em caso de inadimplencia ou
dissoluçao da empresa.
5. Custos com Emissão de Debêntures

• Gastos Necessários:

o Elaboração de Documentação: Prospectos, relatorios e outros documentos legais.

o Consultorias: Honorarios de advogados, contadores e consultores financeiros.

• Tratamento Contábil: Classificados como custos de transaçao, apropriados ao longo do tempo na


contabilidade.

6. Aspectos Contábeis

• Registros de Juros:

o Contabilização de Juros: Juros acumulados sao apropriados ao resultado como despesas


financeiras.

o Lançamentos Contábeis:

▪ D: Despesas Financeiras (Resultado)

▪ C: Juros e Participaçoes (Passivo)

7. Prêmios na Emissão de Debêntures

• Emissão com Prêmio: Quando o valor recebido e superior ao nominal, refletindo expectativas
positivas do mercado.

• Tratamento Contábil:

o Reconhecimento Inicial:

▪ D: Caixa

▪ C: Debentures a pagar

▪ C: Premio a amortizar (Passivo)

o Apropriação ao Resultado:

▪ D: Premio a amortizar (Passivo)

▪ C: Despesas Financeiras (Resultado)

• Efeito no Custo Financeiro: Representa uma reduçao nas despesas financeiras, e nao uma receita.

8. Reserva Específica de Prêmio

• Finalidade: Proteger a empresa de incidencia de IR sobre os premios, permitindo sua utilizaçao para
compensaçao de prejuízos ou aumento de capital.

• Constituição:

o D: Lucros Acumulados

o C: Reserva Específica – premio de debentures

• Restrições: O saldo so pode ser utilizado conforme as normas contabeis, evitando distribuiçao de
dividendos sem pagamento de impostos.

9. Deságio na Emissão de Debêntures

• Definição: Quando as debentures sao emitidas abaixo do valor nominal, oferecendo uma oportunidade
de retorno maior ao investidor.

• Contabilização:

o Lançamento Inicial:
▪ D: Caixa

▪ D: Desagio a apropriar (Retificadora do passivo)

▪ C: Debentures a resgatar

o Apropriação ao Resultado:

▪ D: Despesas Financeiras (Resultado)

▪ C: Desagio a apropriar (Retificadora do passivo)

10. Vantagens e Desvantagens das Debêntures

• Vantagens:

o Acesso a capital com custos menores.

o Flexibilidade nas condiçoes de pagamento e prazos.

o Possibilidade de atrair investidores com rendimentos fixos.

• Desvantagens:

o Risco de endividamento excessivo.

o Exposiçao a flutuaçoes nas taxas de juros.

o Necessidade de cumprimento das obrigaçoes de pagamento, mesmo em situaçoes financeiras


adversas.

Critérios de Avaliação do Passivo

Base Legal

• Artigo 184 da Lei 6404/76: Define como os elementos do passivo devem ser avaliados.

Critérios Específicos

1. Obrigações, Encargos e Riscos

o Avaliação: Computados pelo valor atualizado ate a data do balanço.

o Inclui: Imposto sobre a Renda a pagar baseado no resultado do exercício.

2. Obrigações em Moeda Estrangeira

o Conversão: Convertidas em moeda nacional a taxa de cambio vigente na data do balanço.

3. Obrigações do Passivo Não Circulante

o Ajuste: Devem ser ajustadas ao seu valor presente.

o Outras Obrigações: Ajustadas quando houver efeito relevante.

Exemplo Prático

• Compra de Máquina:

o Valor Total: R$ 60.000, pago em 5 parcelas anuais de R$ 12.000 com juros de 10% ao ano.

• Contabilização:

o Máquinas (Ativo): R$ 45.489 (valor presente).

o Encargos Financeiros a Transcorrer (Retificadora do Passivo): R$ 14.511.

o Financiamentos (Passivo): R$ 60.000.


Cálculo do Valor Presente

• Método:

o Dividir cada parcela pelo fator de desconto correspondente.

• Cálculo Detalhado:

o 1ª parcela: R$ 12.000 / 1,1 = R$ 10.909,09

o 2ª parcela: R$ 12.000 / 1,21 = R$ 9.917,36

o 3ª parcela: R$ 12.000 / 1,331 = R$ 9.015,78

o 4ª parcela: R$ 12.000 / 1,4641 = R$ 8.196,16

o 5ª parcela: R$ 12.000 / 1,6105 = R$ 7.451,06

• Total: R$ 45.489,44 (valor presente das parcelas).

Registro Contábil

• A maquina e registrada no ativo pelo valor presente, excluindo encargos financeiros.

• Encargos a Transcorrer: Apropriados ao resultado como despesas financeiras.

Planilha de Controle

• Exemplo de Pagamento:

o Ano 1: R$ 45.489, juros de R$ 4.549, pagamento de R$ 12.000, saldo de R$ 38.038.

o Ano 2: R$ 38.038, juros de R$ 3.804, saldo de R$ 29.842.

o Continua ate o quinto ano, resultando em um saldo final proximo de zero (considerando
arredondamento).

Operações diversas

Ajuste a Valor Presente (AVP)

1. Definição

• Conceito: O ajuste a valor presente consiste em atualizar valores futuros para refletirem seu
equivalente em termos monetarios atuais.

• Objetivo: Eliminar a superavaliaçao de ativos e passivos que ocorre quando se utilizam valores
nominais.

2. Contexto

• Compras e Vendas a Prazo: Incluem juros e encargos financeiros que refletem a remuneraçao do
capital a longo prazo.

• Impacto na Contabilidade: O uso de valores nominais pode dificultar a analise do desempenho


financeiro real da empresa.

3. Base Legal

• Lei 11.638/07: Incorpora o ajuste a valor presente na Lei 6.404/76.


o Art. 183: Estabelece que ativos de longo prazo devem ser ajustados.

o Art. 184: Determina que obrigaçoes do passivo nao circulante devem ser ajustadas.

4. Esquema de Ajuste

• Classificação dos Elementos:

o Ativo Não Circulante: Sempre ajustados a valor presente.

o Ativo Circulante: Ajustados somente se houver efeito relevante.

o Passivo Não Circulante: Sempre ajustados a valor presente.

o Passivo Circulante: Ajustados somente se houver efeito relevante.

5. Objetivos do AVP

• Evitar Superavaliação: Garantir que os balanços financeiros representem valores reais e apropriados.

• Diferenciação de Resultados: Separar resultados operacionais dos resultados financeiros (juros e


encargos).

6. Exemplos de Aplicação

• Compra de Mercadorias:

o Total: R$ 150.000,00.

o Encargos: R$ 25.000,00.

o Cálculo do Valor Presente: R$ 150.000,00 - R$ 25.000,00 = R$ 125.000,00.

7. Contabilização Prática

• Exemplo de Equipamento:

o Compra à Vista:

▪ D – Imobilizado (equipamento): R$ 100.000

▪ C – Caixa/bancos: R$ 100.000

o Compra a Prazo (sem AVP):

▪ D – Imobilizado (equipamento): R$ 120.000

▪ C – Fornecedores (passivo): R$ 120.000

o Compra a Prazo (com AVP):

▪ D – Imobilizado (equipamento): R$ 100.000

▪ D – Encargos a transcorrer (retificadora do passivo): R$ 20.000

▪ C – Fornecedores (passivo): R$ 120.000

8. Mensuração Contábil

• Reconhecimento Inicial: O ajuste deve ser feito no momento da contabilizaçao inicial de ativos e
passivos.

• Manutenção do Valor: O valor ajustado nao muda, a menos que haja uma renegociaçao.

9. Valor Presente vs. Valor Justo

• Diferença:

o Valor Presente: Refere-se ao custo de aquisiçao calculado considerando taxas e prazos.


o Valor Justo: E o preço pelo qual um ativo pode ser vendido entre partes independentes, em
condiçoes normais de mercado.

10. Exemplo de Contabilização do AVP

• Venda a Prazo:

o Valor da Venda: R$ 50.000 (recebido apos 24 meses).

o Taxa de Juros: 2% ao mes.

o Cálculo do Valor Presente: R$ 50.000 / (1,02^24) = R$ 31.086.

• Contabilização:

o No Momento Inicial:

▪ D – Contas a Receber (RLP): R$ 50.000

▪ C – Ajuste a VP (ANC): R$ 18.914

▪ C – Receita de Vendas: R$ 31.086

o Mensal:

▪ D – Ajuste a VP (RLP): R$ 622 (para juros)

▪ C – Receita de Financiamento de Vendas: R$ 622

11. Cálculo de Juros

• Cálculo Mensal:

o Mes 1: R$ 31.086 x 0,02 = R$ 622.

o Mes 2: R$ 31.708 x 0,02 = R$ 634.

12. Alteração da Taxa de Juros

• Manutenção da Taxa: A taxa de juros definida no início da operaçao permanece ate o final, a menos
que haja renegociaçao.

Vendas a Prazo e Emissão de Duplicatas

• Definição de Duplicata:

o Título de credito que documenta a obrigaçao de pagamento por vendas.

o Regida pela Lei 5.474/1968.

o E um título causal, vinculado a transaçao comercial.

• Contabilização da Venda:

o Reconhecimento da Receita:

▪ A receita e reconhecida no momento da entrega da mercadoria, independente do


recebimento.

o Lançamentos Contábeis:

▪ Registro da Venda:

▪ D – Clientes/Duplicatas a Receber: R$ 1.000,00

▪ C – Receita de Vendas: R$ 1.000,00

▪ Baixa no Estoque:

▪ D – Custo da Mercadoria Vendida: R$ 700,00


▪ C – Estoque: R$ 700,00

▪ Recebimento:

▪ D – Caixa/Bancos: R$ 1.000,00

▪ C – Clientes/Duplicatas a Receber: R$ 1.000,00

Desconto de Duplicatas

• Conceito:

o A empresa pode descontar duplicatas para antecipar o recebimento, recebendo o valor menos
os juros cobrados pelo banco.

• Lançamentos Contábeis:

o Exemplo de Desconto:

▪ Duplicata de R$ 1.000,00 com encargos de R$ 100,00.

▪ Registro:

▪ D – Bancos Conta Movimento: R$ 900,00

▪ D – Encargos Financeiros a Transcorrer: R$ 100,00

▪ C – Duplicatas Descontadas: R$ 1.000,00

• Encargos Financeiros:

o Reconhecimento de Juros:

▪ Lançamento mensal dos juros, conforme o período de competencia.

Empréstimos e Financiamentos

1. Contabilização do Empréstimo

• Registro no Recebimento:

o A contabilizaçao e feita na data em que os recursos sao efetivamente recebidos pela empresa.

▪ Exemplo Prático:

▪ Contratação: 01.01.X1

▪ Recebimento: 05.01.X1

▪ Registro Contábil: Somente em 05.01.X1.

• Vários Recebimentos:

o Se o contrato preve multiplos recebimentos:

▪ Data e Valor:

▪ R$ 5.000,00 em 01.02.X1

▪ R$ 5.000,00 em 01.03.X1

▪ R$ 5.000,00 em 01.04.X1

▪ Registro Contábil: Em cada data de recebimento, conforme os valores entram.


2. Encargos Financeiros a Transcorrer

• Definição:

o Refere-se a diferença entre o valor total da obrigaçao (a pagar) e o montante líquido recebido
(captaçao do emprestimo).

o Exemplo:

▪ Recebido: R$ 10.000,00

▪ Total a Pagar: R$ 12.000,00

▪ Encargos a Transcorrer: R$ 2.000,00 (R$ 12.000,00 - R$ 10.000,00).

3. Custos de Transação

• Definição:

o Sao os custos incorridos diretamente para a obtençao de um emprestimo, que seriam


evitados caso a transaçao nao ocorresse.

• Classificação:

o Custos Incrementais: Nao existem sem a transaçao.

• Exemplos de Custos de Transação:

o Elaboraçao de prospectos e relatorios

o Honorarios de profissionais (advogados, contadores, auditores)

o Gastos com publicidade (incluindo road-shows)

o Taxas e comissoes

o Custos de registro e transferencia

• O que Não Inclui:

o Agios/desagios, despesas financeiras ou custos administrativos.

4. Despesas Financeiras

• Definição:

o Representam o onus pago ou a pagar referente ao recurso emprestado, considerando fatores


como tempo, risco e inflaçao.

• Componentes das Despesas Financeiras:

o Juros pagos ou a pagar

o Atualizaçao monetaria

o Variaçao cambial

• O que Não Inclui:

o Taxas, descontos, premios, e despesas administrativas.

5. Encargos Financeiros

• Definição:

o A soma das despesas financeiras, custos de transaçao e outros encargos que resultam na
diferença entre os valores recebidos e a pagar.

• Registro Contábil:
o Sempre que o total de juros for conhecido na apropriaçao do emprestimo, devem ser
registrados como encargos financeiros a transcorrer.

• Regime de Competência:

o Encargos financeiros devem ser apropriados de acordo com o regime de competencia,


garantindo que despesas relacionadas a captaçao de recursos sejam reconhecidas no período
correto.

6. Ativos Qualificáveis

• Definição:

o Ativos que exigem tempo significativo para estarem prontos para o uso previsto.

• Tratamento dos Juros:

o Juros relacionados a construçao ou aquisiçao de ativos qualificaveis sao capitalizados e


adicionados ao custo do ativo em vez de serem reconhecidos como despesa no resultado.

• Exemplo de Lançamento Contábil:

o Caso: Construçao de um navio.

▪ Juros embutidos: R$ 50.000,00.

▪ Lançamento:

▪ D – Ativos em construçao – encargos financeiros: R$ 50.000,00

▪ C – Financiamentos a pagar: R$ 50.000,00

Operações com Cheque: Recebimento e Pagamento

Nas operaçoes com cheques, e importante diferenciar o recebimento do pagamento.

1. Recebimento em Cheque:

o O cheque recebido pela empresa e registrado no ativo, ou seja, na conta caixa (tesouraria),
que reflete a entrada de recursos financeiros. Essa pratica e essencial para controlar os
valores recebidos que ainda nao foram liquidados.

2. Pagamento em Cheque:

o Ao pagar com cheque, o registro contabil e diferente do recebimento. O pagamento nao afeta
diretamente o caixa da empresa, mas sim a conta Bancos Conta Movimento, que representa
os valores que saem da conta bancaria. Isso evita confusao entre o que esta disponível em
caixa físico e o saldo bancario.

Essa diferença entre o recebimento e o pagamento em cheque e uma pegadinha comum em provas contabeis,
pois induz o candidato a pensar que ambas as operaçoes sao tratadas da mesma maneira.

Empréstimos e Financiamentos

Os emprestimos podem ser recebidos de diversas formas, e a contabilizaçao deve seguir o princípio do regime
de competência. Vamos considerar algumas situaçoes:

1. Recebimento de Empréstimo:

o A contabilizaçao de um emprestimo so ocorre quando a empresa recebe os recursos


efetivamente, e nao no momento da assinatura do contrato. Isso significa que se uma empresa
assina um contrato de emprestimo em 01.01.X1 no valor de R$ 15.000,00, mas so recebe os
recursos em 05.01.X1, a entrada do dinheiro sera registrada apenas nesta data, refletindo
corretamente o momento em que o ativo (dinheiro) entra no caixa da empresa.

o Parcelamento: Se o emprestimo for recebido em parcelas, como no exemplo em que a


empresa recebe R$ 5.000,00 em 01.02.X1, outros R$ 5.000,00 em 01.03.X1, e mais R$
5.000,00 em 01.04.X1, cada parcela deve ser registrada na contabilidade no respectivo mes,
ajustando o passivo conforme o pagamento for se aproximando.

2. Encargos Financeiros a Transcorrer:

o Ao tomar um emprestimo, e comum que o valor a ser pago ao final do contrato seja maior que
o valor recebido inicialmente. Essa diferença entre o valor recebido e o valor total a pagar ao
final do contrato e chamada de encargos financeiros a transcorrer.

o Exemplo: Se a empresa toma um emprestimo de R$ 10.000,00 e devera pagar R$ 12.000,00


ao final, a diferença de R$ 2.000,00 e contabilizada como encargos financeiros a
transcorrer. Esse valor representa as despesas futuras com juros e outros custos
relacionados ao financiamento, que devem ser apropriados ao longo do tempo conforme o
regime de competência, ou seja, conforme o benefício financeiro do emprestimo for sendo
utilizado.

Contabilização dos Encargos Financeiros

Os encargos financeiros sao compostos por juros, custos de transação, prêmios, descontos, ágios e deságios.
A principal funçao dos encargos financeiros e refletir as despesas associadas a captaçao de recursos
emprestados. O CPC

Agora vou detalhar cada aspecto de forma ainda mais completa, cobrindo todas as nuances do tema, com foco
nas areas mais exploradas em provas e na pratica contabil.

Operações com Cheque: Recebimento e Pagamento

A contabilizaçao de cheques envolve tratamentos específicos, e as pegadinhas nas provas geralmente giram em
torno da diferença entre recebimento e pagamento de cheques.

1. Recebimento em Cheque:

o Quando uma empresa recebe um cheque de um cliente ou qualquer outra parte, este valor e
contabilizado como uma entrada na conta caixa (tesouraria). O recebimento via cheque e
tratado como dinheiro disponível, mesmo que o cheque nao tenha sido compensado ainda.

o Exemplo de lançamento:

▪ D – Caixa (Ativo)

▪ C – Receita ou Conta a Receber (Dependendo da Origem)

o E importante notar que o valor so impacta a conta "bancos" quando o cheque e efetivamente
compensado, mas o registro inicial se da como se o valor ja estivesse disponível na tesouraria.

2. Pagamento em Cheque:

o Ao contrario do recebimento, o pagamento em cheque nao afeta diretamente a conta caixa,


mas sim a conta bancos conta movimento, que representa o saldo em bancos.

o Exemplo de lançamento:

▪ D – Fornecedor ou Despesa (Dependendo do Motivo do Pagamento)

▪ C – Bancos Conta Movimento (Ativo)

Empréstimos e Financiamentos

A contabilizaçao dos emprestimos e financiamentos e um dos temas mais cobrados em provas de contabilidade,
especialmente quando envolvem apropriaçao de encargos financeiros, variaçoes monetarias e cambiais.
1. Recebimento do Empréstimo:

o A contabilizaçao do emprestimo deve ocorrer no momento do recebimento dos recursos,


e nao no momento da assinatura do contrato. Isso significa que, se a empresa assina um
contrato de emprestimo no dia 01.01.X1, mas so recebe os recursos em 05.01.X1, o registro
contabil ocorrera apenas na data do recebimento.

o Exemplo de lançamento:

▪ D – Bancos Conta Movimento (Ativo)

▪ C – Empréstimos a Pagar (Passivo)

2. Recebimento Parcelado:

o Se o contrato preve o recebimento de parcelas em datas futuras, a contabilizaçao sera feita


conforme cada parcela e recebida. Suponha um contrato de emprestimo em que a empresa
recebera R$ 5.000,00 em 01.02.X1, R$ 5.000,00 em 01.03.X1 e R$ 5.000,00 em 01.04.X1. O
registro deve ser feito conforme o valor de cada parcela entra no caixa da empresa.

o Exemplo de lançamento (para cada parcela):

▪ D – Bancos Conta Movimento (Ativo)

▪ C – Empréstimos a Pagar (Passivo)

3. Encargos Financeiros a Transcorrer:

o Quando a empresa recebe um valor inferior ao que devera pagar no futuro, a diferença entre
o valor recebido e o valor total a pagar e registrada como encargos financeiros a
transcorrer.

o Exemplo: Se a empresa recebe R$ 10.000,00 e devera pagar R$ 12.000,00 ao final do contrato,


os R$ 2.000,00 sao considerados encargos financeiros a transcorrer.

o Exemplo de lançamento (no momento do recebimento):

▪ D – Bancos Conta Movimento (Ativo)

▪ C – Empréstimos a Pagar (Passivo)

▪ D – Encargos Financeiros a Transcorrer (Ativo Diferido)

▪ C – Empréstimos a Pagar (Passivo)

o Esses encargos financeiros incluem juros, custos de transação (como taxas bancarias,
comissao de corretagem, etc.), e qualquer despesa relacionada a obtençao do emprestimo.
Esse valor deve ser apropriado ao longo do tempo conforme o regime de competencia,
registrando-se como despesa financeira nos períodos futuros a medida que os encargos se
vencem.

Contabilização dos Encargos Financeiros

Os encargos financeiros sao um conjunto de despesas relacionadas a captaçao de recursos e sao compostos por
varios elementos, tais como:

1. Juros: O custo mais evidente de um emprestimo, representando o valor adicional que a empresa deve
pagar ao financiador por ter utilizado o capital emprestado.

2. Custos de Transação: Conforme o CPC 08 (R1), os custos de transaçao sao aqueles diretamente
atribuíveis à captação do empréstimo. Incluem despesas incrementais que nao existiriam se a
operaçao nao tivesse sido realizada.

o Exemplos:

▪ Gastos com elaboração de prospectos;


▪ Remuneração de serviços profissionais de terceiros (advogados, contadores,
auditores);

▪ Publicidade (incluindo road-shows);

▪ Taxas e comissões bancárias;

▪ Custos de transferência e registro.

o Exemplo de lançamento para apropriaçao de encargos financeiros:

▪ D – Despesa Financeira (Resultado)

▪ C – Encargos Financeiros a Transcorrer (Ativo Diferido)

3. Prêmios, Descontos, Ágios e Deságios: Sao variaçoes no valor nominal da dívida em relaçao ao valor
efetivamente recebido. Um agio representa um valor adicional pago no momento do resgate da dívida,
enquanto um desagio indica um desconto concedido sobre o valor de face da dívida.

4. Tratamento Diferenciado para Ativos Qualificáveis: Em certos casos, os encargos financeiros nao
devem ser lançados como despesa, mas sim incorporados ao custo de um ativo, se este for qualificável,
ou seja, se demandar um tempo substancial para estar pronto para uso ou venda.

o Exemplo: Uma empresa que esta construindo um grande navio que demanda tempo e
recursos de financiamento lançara os encargos financeiros diretamente no ativo em
construçao.

o Exemplo de lançamento:

▪ D – Ativo em Construção – Encargos Financeiros (ANC)

▪ C – Financiamentos a Pagar (Passivo)

Variações Monetárias

1. Conceito de Variação Monetária

• Atualizaçao de valores de dívidas ou creditos em funçao da perda de poder aquisitivo da moeda.

• Indexada a índices de inflaçao, como o IPCA, ou taxas como a Selic.

• Nao e considerada um encargo financeiro (como juros ou taxas), mas sim uma correçao monetaria para
manter o valor real da obrigaçao ou credito.

2. Diferença entre Variação Monetária e Encargos Financeiros

• Encargos financeiros:

o Compreendem juros e despesas diretamente ligadas a obtençao de capital, como taxas


bancarias e comissoes.

o Representam o custo de financiamento de uma dívida.

• Variação monetária:

o Refere-se a correçao do valor do principal da dívida, ajustando-a para refletir a inflaçao ou


outro índice de correçao acordado entre as partes.

3. Reconhecimento Contábil da Variação Monetária

• O reconhecimento ocorre diretamente na conta de emprestimos ou financiamentos sem necessidade


de subclassificaçao.

• O registro da variaçao monetaria e feito por meio de lançamentos contabeis no resultado da empresa.

o Variação Monetária Passiva (Despesa): ocorre quando ha aumento no valor da dívida.


▪ Débito: Variaçao Monetaria Passiva (Despesas no Resultado).

▪ Crédito: Emprestimos/Financiamentos a Pagar.

o Variação Monetária Ativa (Receita): ocorre quando ha diminuiçao do valor da dívida.

▪ Débito: Emprestimos/Financiamentos a Pagar.

▪ Crédito: Variaçao Monetaria Ativa (Receita no Resultado).

4. Exemplo de Variação Monetária

• Empresa contrai um emprestimo de R$ 1.000.000,00 corrigido pelo IPCA.

o O IPCA acumulado ao longo do ano e de 10%, elevando o saldo da dívida para R$


1.100.000,00.

o Contabilização:

▪ Débito: Variaçao Monetaria Passiva – Despesa R$ 100.000,00.

▪ Crédito: Emprestimos a Pagar R$ 100.000,00.

5. Considerações Finais sobre Variação Monetária

• E essencial distinguir a variaçao monetaria de encargos financeiros, pois, enquanto os encargos


refletem o custo de captaçao de recursos, a variaçao monetaria ajusta a dívida de acordo com a inflaçao
ou outro índice acordado.

• A variaçao monetaria deve ser contabilizada diretamente na conta que registra a dívida ou credito, sem
subdivisoes, simplificando a escrituraçao contabil.

Variação Cambial

1. Conceito de Variação Cambial

• Refere-se a alteraçao no valor de uma moeda estrangeira em relaçao a moeda nacional, ocorrendo
principalmente quando empresas possuem operaçoes financeiras ou comerciais denominadas em
moeda estrangeira.

• A variaçao cambial pode resultar em ganhos ou perdas financeiras dependendo das flutuaçoes da taxa
de cambio.

2. Definições Importantes

• Taxa de câmbio: Relaçao entre duas moedas (ex.: Real e Dolar).

• Variação cambial: Diferença de valor resultante da conversao de uma moeda estrangeira para moeda
local em diferentes datas.

3. Operações sujeitas a Variação Cambial

• Passivos: Emprestimos, financiamentos e fornecedores em moeda estrangeira.

• Ativos: Disponibilidades (dinheiro em caixa ou bancos estrangeiros), contas a receber e estoques


adquiridos do exterior.

4. Contabilização da Variação Cambial

A variaçao cambial pode ser positiva (receita) ou negativa (despesa) e deve ser refletida no resultado do
exercício.

• Variação Cambial Positiva (Receita):

o Débito: Disponibilidades ou Passivos em Moeda Estrangeira.


o Crédito: Variaçao Cambial Positiva – Receita Financeira.

• Variação Cambial Negativa (Despesa):

o Débito: Variaçao Cambial Negativa – Despesa Financeira.

o Crédito: Disponibilidades ou Passivos em Moeda Estrangeira.

5. Exemplo de Disponibilidades em Moeda Estrangeira

• Saldo em dolar de $10.000,00 inicialmente registrado a uma taxa de cambio de R$4,00 (R$40.000,00).

• Nova taxa de cambio em R$4,50, elevando o saldo para R$45.000,00, gerando uma variaçao cambial
positiva de R$5.000,00.

o Contabilização:

▪ Débito: Disponibilidades em Moeda Estrangeira R$5.000,00.

▪ Crédito: Variaçao Cambial Positiva – Receita Financeira R$5.000,00.

• Se a taxa de cambio cai para R$4,30, o saldo se reduz para R$43.000,00, resultando em uma variaçao
cambial negativa de R$2.000,00.

o Contabilização:

▪ Débito: Variaçao Cambial Negativa – Despesa Financeira R$2.000,00.

▪ Crédito: Disponibilidades em Moeda Estrangeira R$2.000,00.

6. Passivos em Moeda Estrangeira

• A empresa deve converter as obrigaçoes em moeda estrangeira para a moeda nacional a taxa de cambio
em vigor no momento do fechamento do balanço.

• Exemplo:

o Empresa contrai emprestimo de $1.000.000,00 a uma taxa de cambio de R$4,00, resultando


em uma dívida de R$4.000.000,00.

o No fechamento do exercício, a taxa de cambio passa para R$5,00, elevando a dívida para
R$5.000.000,00, com uma variaçao cambial negativa de R$1.000.000,00.

▪ Contabilização:

▪ Débito: Variaçao Cambial Negativa – Despesa Financeira R$1.000.000,00.

▪ Crédito: Emprestimos no Exterior a Pagar R$1.000.000,00.

7. Considerações sobre Ativos Adquiridos em Moeda Estrangeira

• Na aquisiçao de ativos, como estoques e imobilizados, a variaçao cambial entre o momento da saída do
bem do exterior e sua chegada a empresa deve ser incorporada ao custo de aquisiçao.

o Apos esse período, as variaçoes cambiais subsequentes nao afetam mais o valor dos ativos,
apenas os passivos associados.

• Exemplo:

o Aquisiçao de estoque no valor de $100.000,00 a uma taxa de cambio de R$2,00, totalizando


R$200.000,00.

o No recebimento, a taxa de cambio aumenta para R$3,00, ajustando o custo do estoque para
R$300.000,00.
Aspectos Legais e Normativos

1. Base Legal:

• Lei 6404/76 – Critérios de Avaliação do Passivo (Art. 184):

o As obrigaçoes em moeda estrangeira devem ser convertidas em moeda nacional a taxa de


cambio vigente na data de fechamento do balanço patrimonial.

2. Normas Contábeis

• O tratamento contabil das variaçoes monetarias e cambiais segue as normas contabeis brasileiras, que
indicam a forma de registro e mensuraçao dessas variaçoes.

Despesas e Receitas Financeiras

1. Definição Geral

• Despesas financeiras sao gastos incorridos pela empresa em decorrencia de operaçoes financeiras,
como juros de emprestimos, comissoes bancarias, e variaçoes cambiais desfavoraveis. Representam
saídas de recursos e impactam diretamente o resultado da empresa, reduzindo o lucro líquido.

• Receitas financeiras sao os ganhos obtidos por meio de aplicaçoes financeiras, juros ativos sobre
credito concedido ou variaçoes cambiais favoraveis. Essas receitas aumentam o resultado da empresa,
elevando seu lucro.

As receitas e despesas financeiras precisam ser separadamente contabilizadas para um controle claro dos
ganhos e gastos relacionados as atividades financeiras, facilitando a analise e auditoria contabil.

2. Principais Contas de Receita Financeira

2.1. Descontos Obtidos

• Definição: Sao vantagens financeiras obtidas pela empresa em funçao de pagamentos antecipados a
fornecedores ou credores. Normalmente sao chamados de "descontos condicionais" ou "descontos
financeiros".

• Importância: Representa uma economia nas operaçoes, ja que a empresa reduz o valor de uma
obrigaçao ao quitar antes do vencimento. Esses descontos aumentam o resultado financeiro da
empresa.

• Exemplo de contabilização:

o Suponha que uma empresa tenha uma duplicata de R$ 1.000,00 a pagar, mas, por efetuar o
pagamento 30 dias antes do vencimento, obtem um desconto de 10%.

Lançamento contábil:

o D – Duplicatas a pagar (passivo): R$ 1.000,00

o C – Receitas financeiras (resultado): R$ 100,00

o C – Bancos (ativo): R$ 900,00

2.2. Juros Ativos (Juros Recebidos ou Auferidos)

• Definição: Sao juros que a empresa recebe por conceder credito a terceiros ou por atraso no
pagamento de duplicatas. Esses juros remuneram o capital da empresa utilizado por terceiros.

• Exemplo de contabilização:

o Imagine que um cliente deve R$ 5.000,00 a empresa, com vencimento em 31.01.X1, mas so
paga em 31.03.X1. O contrato estipula juros de 10% ao mes sobre o valor devido. Apos dois
meses de atraso, os juros acumulados sao de R$ 1.000,00.
Lançamento contábil:

o D – Bancos (ativo): R$ 6.000,00

o C – Duplicatas a receber (ativo): R$ 5.000,00

o C – Juros ativos (resultado): R$ 1.000,00

2.3. Receitas sobre Investimentos Temporários

• Definição: Sao os rendimentos obtidos em aplicaçoes financeiras temporarias, como Certificados de


Deposito Bancario (CDB), Letras de Cambio, ou Fundos de Investimento de Curto Prazo. Essas receitas
decorrem do uso eficiente do capital da empresa em aplicaçoes que geram rendimentos financeiros.

• Exemplo de contabilização:

o Uma empresa aplica R$ 100.000,00 em um CDB que rende 2% ao mes, obtendo um


rendimento de R$ 2.000,00 no mes.

Lançamento contábil:

o D – Bancos (ativo): R$ 2.000,00

o C – Receitas de Investimentos Temporários (resultado): R$ 2.000,00

2.4. Aluguéis Ativos

• Definição: Sao valores recebidos pela empresa por alugar imoveis ou equipamentos a terceiros. Esses
alugueis representam uma receita financeira para a empresa e sao registrados periodicamente no
momento do recebimento.

• Exemplo de contabilização:

o Uma empresa aluga um galpao industrial por R$ 50.000,00 mensais.

Lançamento contábil:

o D – Bancos (ativo): R$ 50.000,00

o C – Aluguéis Ativos (resultado): R$ 50.000,00

2.5. Variação Cambial Ativa

• Definição: Representa os ganhos obtidos pela empresa devido a valorizaçao da moeda estrangeira em
transaçoes realizadas em moeda diferente da moeda local. Esses ganhos surgem quando a empresa
converte ativos em moeda estrangeira e a taxa de cambio aumenta.

• Exemplo de contabilização:

o Uma empresa possui US$ 100.000,00 em caixa, e inicialmente a taxa de cambio era de R$ 4,00
por dolar. Apos a valorizaçao do dolar para R$ 4,50, o valor em reais do saldo de caixa
aumentou para R$ 450.000,00, gerando um ganho de R$ 50.000,00.

Lançamento contábil:

o D – Caixa (ativo): R$ 50.000,00

o C – Variação Cambial Ativa (resultado): R$ 50.000,00

3. Principais Contas de Despesa Financeira

3.1. Juros Passivos

• Definição: Sao os juros que a empresa paga em emprestimos, financiamentos, ou outras obrigaçoes
financeiras. Esses juros representam um custo de capital e afetam o resultado financeiro da empresa.

• Exemplo de contabilização:
o A empresa paga R$ 5.000,00 de juros sobre um financiamento bancario.

Lançamento contábil:

o D – Juros Passivos (resultado): R$ 5.000,00

o C – Bancos (ativo): R$ 5.000,00

3.2. Descontos Concedidos

• Definição: Sao descontos oferecidos pela empresa a seus clientes em razao de pagamentos
antecipados. Tambem chamados de "descontos condicionais", sao contabilizados como despesas
financeiras, uma vez que representam uma reduçao na receita originalmente prevista.

• Exemplo de contabilização:

o A empresa concede um desconto de R$ 200,00 em uma venda de R$ 1.000,00, em razao de


pagamento antecipado.

Lançamento contábil:

o D – Desconto Concedido (resultado): R$ 200,00

o C – Duplicatas a Receber (ativo): R$ 1.000,00

o D – Bancos (ativo): R$ 800,00

3.3. Comissões Passivas e Despesas Bancárias

• Definição: Sao os valores cobrados por bancos e instituiçoes financeiras por serviços prestados, como
tarifas bancarias, comissoes sobre operaçoes de credito, e outros custos financeiros que nao estao
diretamente relacionados a emprestimos ou financiamentos.

• Exemplo de contabilização:

o A empresa paga R$ 300,00 de tarifas bancarias mensais.

Lançamento contábil:

o D – Despesas Bancárias (resultado): R$ 300,00

o C – Bancos (ativo): R$ 300,00

3.4. Variação Cambial Passiva

• Definição: Sao as perdas financeiras que ocorrem quando a taxa de cambio varia desfavoravelmente
para a empresa. Isso pode ocorrer quando ha um aumento no valor de uma dívida em moeda
estrangeira.

• Exemplo de contabilização:

o A empresa possui uma dívida de US$ 100.000,00, inicialmente registrada a R$ 4,00 por dolar,
totalizando R$ 400.000,00. Apos a desvalorizaçao da moeda local, a taxa de cambio sobe para
R$ 4,50, e o valor da dívida aumenta para R$ 450.000,00, gerando uma perda de R$ 50.000,00.

Lançamento contábil:

o D – Variação Cambial Passiva (resultado): R$ 50.000,00

o C – Empréstimos a Pagar (passivo): R$ 50.000,00


4. Juros sobre Capital Próprio (JSCP)

4.1. Definição

• O JSCP e uma forma de remuneraçao dos socios ou acionistas, representando uma alternativa aos
dividendos.

• Contabilização: Deve ser registrado como destinaçao de lucro diretamente em "Lucros Acumulados",
sem transitar pelo resultado do exercício, conforme Deliberaçao CVM 683/2012 e a ICPC 08 (R1).

4.2. Tratamento Fiscal

• Para efeitos fiscais, o JSCP e tratado como despesa financeira dedutível do lucro tributavel, permitindo
que a empresa deduza o valor do calculo do Imposto de Renda.

• Exemplo de contabilização:

o D – Lucros Acumulados (patrimônio líquido): Valor do JSCP

o C – JSCP a pagar (passivo): Valor do JSCP

5. Depósitos Judiciais

5.1. Definição

• Depósitos Judiciais sao valores depositados em juízo para garantir o cumprimento de uma obrigaçao
em litígio.

5.2. Contabilização

• Quando a empresa deposita um valor por determinaçao judicial, o montante e transferido da conta de
banco para a conta de deposito judicial.

o Exemplo de lançamento:

▪ D – Depósitos Judiciais (ativo): R$ 2.000.000,00

▪ C – Bancos (ativo): R$ 2.000.000,00

5.3. Após a Decisão Judicial

• Se a decisao for favorável à empresa, o valor depositado e devolvido e as obrigaçoes relacionadas sao
extintas:

o D – Bancos (ativo): Valor do deposito

o C – Depósitos Judiciais (ativo): Valor do deposito

o D – Obrigações Tributárias a Pagar (passivo): Valor da obrigaçao

o C – Reversão de Despesas com Multas Tributárias (resultado): Valor da obrigaçao

• Se a decisao for desfavorável à empresa, o valor do deposito e utilizado para quitar a obrigaçao:

o D – Obrigações Tributárias a Pagar (passivo): Valor da obrigaçao

o C – Depósitos Judiciais (ativo): Valor do deposito


1. Juros Pré-Fixados e Contabilização

Conceito:

Numa aplicaçao pre-fixada, a taxa de juros e exigida no momento da contrataçao, ou seja, a empresa sabe desde
o início quanto recebera ao final do período. Essa previsibilidade exige o reconhecimento dos rendimentos de
forma parcelada ao longo do tempo, evitando distorçoes no resultado do período.

Tratamento Contábil – Detalhamento:

Nas aplicaçoes pre-fixadas, o total dos rendimentos a receber e reconhecido na conta de "juros ativos a
transcorrer" (ou "rendimentos a apropriar"), que e uma conta redutora do ativo financeiro. Isso reflete o fato
de que a empresa ainda nao apropriou esses juros no resultado, mas ja tem o direito de recebe -los no futuro.

Exemplo Prático Completo:

• A empresa KLS realiza uma aplicaçao de R$ 10.000,00 a uma taxa pre -fixada de 10% ao ano, por 5
meses. No final, recebera R$ 11.000,00 (R$ 10.000,00 de principal + R$ 1.000,00 de juros).

Lançamento Inicial no Momento da Aplicação:

1. D – Aplicações Financeiras (Ativo): R$ 11.000,00


(Valor que sera resgatado no futuro, incluindo principal e juros futuros)

2. C – Juros Ativos a Transcorrer (Conta Redutora do Ativo): R$ 1.000,00


(Montante de juros que sera protegido ao longo dos 5 meses)

3. C – Banco (Ativo Circulante): R$ 10.000,00


(Saída de caixa relativa ao valor aplicado)

Reconhecimento Mensal dos Juros (Apropriação):

Apropriaçao dos rendimentos financeiros a medida que o tempo passa, proporcionalmente ao período. Supondo
uma apropriaçao mensal, teremos:

• R$ 1.000,00 (total de juros) ÷ 5 meses = R$ 200,00/mês

Todo mes, o valor de R$ 200,00 sera transferido da conta "Juros Ativos a Transcorrer" para o resultado, da
seguinte forma:

1. D – Juros Ativos a Transcorrer: R$ 200,00


(Baixa do valor correspondente aos juros protegidos)

2. C – Receitas Financeiras (Resultado): R$ 200,00


(Reconhecimento dos juros no resultado como receita financeira)

Ao Final do Período (Resgate da Aplicação):

Apos o período de 5 meses, a conta de juros ativos a transcorrer tera sido totalmente comprometida, e o saldo
final de R$ 11.000,00 sera transferido para a conta bancaria da empresa.

1. D – Banco (Ativo Circulante): R$ 11.000,00


(Valor resgatado da aplicaçao)

2. C – Aplicações Financeiras (Ativo): R$ 11.000,00


(Baixa do ativo correspondente ao resgate da aplicaçao)

Tratamento Fiscal:

• Regime de competência : Os rendimentos sao resilientes mes a mes, conforme o prazo da aplicaçao.

• Regime de caixa : A tributaçao sobre os rendimentos ocorre apenas no momento do resgate da


aplicaçao, conforme a tabela regressiva do imposto de renda para aplicaçoes financeiras.
2. Juros Pós-Fixados e Contabilização

Conceito:

As aplicaçoes financeiras pos-fixadas nao tem uma taxa de juros definida no momento da aplicaçao. O
rendimento depende de um indexador, como a taxa SELIC ou o CDI . Isso faz com que a contabilizaçao dos
rendimentos seja feita apenas a medida que esses juros se tornem conhecidos, diferentemente dos pre -fixados,
onde ja se sabe o valor dos rendimentos no início.

Detalhamento Técnico:

Nas aplicaçoes pos-fixadas, a contabilidade nao permite rendimentos no início da aplicaçao, uma vez que o valor
dos juros e incerto. Em cada período (normalmente mensal), os rendimentos sao ajustados de acordo com a
variaçao do indexador.

Exemplo Prático Completo:

• A empresa KLS faz uma aplicaçao de R$ 10.000,00 atrelada ao CDI, por 5 meses.

Lançamento Inicial no Momento da Aplicação:

1. D – Aplicações Financeiras (Ativo): R$ 10.000,00


(Valor aplicado)

2. C – Banco (Ativo Circulante): R$ 10.000,00


(Saída de caixa relativa ao valor aplicado)

Apropriação Mensal com Base no CDI:

Suponha que, ao final do primeiro mes, o CDI fosse de 0,8%. A aplicaçao rendeu R$ 80,00 (R$ 10.000,00 × 0,8%).

1. D – Aplicações Financeiras (Ativo): R$ 80,00


(Aumento do saldo da aplicaçao devido aos rendimentos)

2. C – Receitas Financeiras (Resultado): R$ 80,00


(Reconhecimento dos rendimentos sem resultado)

Esse procedimento sera repetido mensalmente, de acordo com a variaçao do CDI, ate o resgate da aplicaçao.

Resgate após 5 meses:

Suponha que os rendimentos totais ao final do período sejam de R$ 450,00. O saldo final da aplicaçao sera de R$
10.450,00.

1. D – Banco (Ativo Circulante): R$ 10.450,00


(Valor resgatado da aplicaçao)

2. C – Aplicações Financeiras (Ativo): R$ 10.450,00


(Baixa do ativo correspondente ao resgate da aplicaçao)

Tratamento Fiscal:

A tributaçao segue a tabela regressiva do imposto de renda para aplicaçoes financeiras. No resgate, incide IR
sobre os rendimentos, conforme o tempo da aplicaçao:

• Ate 180 dias: 22,5%

• De 181 a 360 dias: 20%

• De 361 a 720 dias: 17,5%

• Acima de 720 dias: 15%


3. Encargos Financeiros e CPC 08

Detalhamento:

O CPC 08 trata especificamente da apropriaçao de encargos financeiros a apropriar , que sao custos
adicionais, alem dos juros, associados a emprestimos e financiamentos. Isso inclui comissões, prêmios, taxas
de corretagem, custos de captação e outros encargos financeiros que ocorrem no momento da contrataçao da
dívida.

Tratamento Contábil:

Esses encargos sao registrados inicialmente como redutores do valor captado, ou seja, sao subtraídos do valor
nominal da dívida, e esperados ao longo do período do emprestimo.

Exemplo Prático:

• A empresa KLS contrai um emprestimo de R$ 100.000,00. No entanto, devido a taxas de envio e


corretagem, o valor líquido recebido e de R$ 95.000,00. A diferença de R$ 5.000,00 representa os
encargos financeiros, que serao protegidos ao longo do prazo do emprestimo.

Contabilização Inicial:

1. D – Banco (Ativo Circulante): R$ 95.000,00


(Valor líquido recebido)

2. D – Encargos Financeiros a Apropriar (Conta Redutora de Passivo): R$ 5.000,00


(Encargos apropriar)

3. C – Empréstimos a Pagar (Passivo Circulante ou Não Circulante): R$ 100.000,00


(Valor nominal da dívida)

Apropriação Mensal dos Encargos:

Os R$ 5.000,00 de encargos serao protegidos ao longo do tempo, de acordo com o prazo do emprestimo. Supondo
que o emprestimo seja de 5 meses:

• R$ 5.000,00 ÷ 5 meses = R$ 1.000,00/mês

A cada mes, a empresa apropria R$ 1.000,00 como despesa financeira:

1. D – Despesa Financeira (Resultado): R$ 1.000,00

2. C – Encargos Financeiros a Apropriar: R$ 1.000,00

4. Ativos Financeiros e CPC 48

Mudanças com o CPC 48:

O CPC 48 dinamica uma abordagem mais complexa para a classificação e mensuração dos investimentos
financeiros . As empresas agora devem avaliar tanto o modelo de negócios quanto as características dos
fluxos de caixa contratuais para determinar a classificaçao de um ativo financeiro.

Mensuração ao Custo Amortizado:

Ativos fechados com o objetivo de **receber fluxos de caixa contr

atuais** (exclusivamente pagamento de principal e juros) sao mensurados ao custo amortizado . Exemplo:
títulos de dívida.

Mensuração ao Valor Justo por Outros Resultados Abrangentes (VJORA):

Quando a gestao da empresa envolve tanto a captaçao de fluxos de caixa quanto a venda de ativos, estes sao
classificados como VJORA . Exemplo: investimentos que podem ser vendidos antes do vencimento.
Mensuração ao Valor Justo por Meio do Resultado (VJPR):

Ativos adquiridos com fins especulativos ou cujos fluxos de caixa nao sao limitados a principal e juros, como
açoes, sao mensurados a valor justo por meio do resultado . Exemplo: açoes negociadas em bolsa.

Exemplos:

1. Títulos de dívida de longo prazo: mensurados ao custo amortizado , caso a empresa os mantenha
atualizados ate o vencimento.

2. Ações especulativas: mensuradas ao valor justo por meio do resultado .

Arrendamentos

1. Definições Fundamentais

• Arrendamento: Um contrato entre o arrendador (proprietario do ativo) e o arrendatario (usuario do


ativo) que permite ao arrendatario usar um ativo em troca de pagamentos regulares.

• Ativo Subjacente: O bem que esta sendo arrendado, como imoveis, maquinas, veículos, etc.

• Valor Justo: O preço que o ativo poderia ser vendido no mercado, levando em consideraçao sua
condiçao e demanda.

2. Tipos de Arrendamentos

• Arrendamento Financeiro:

o Transfere substancialmente todos os riscos e benefícios relacionados a propriedade do ativo.

o O arrendatario registra o ativo em seu balanço patrimonial e deprecia ao longo do tempo.

o Exemplos: Arrendamento de equipamentos pesados, aeronaves.

• Arrendamento Operacional:

o Nao transfere substancialmente todos os riscos e benefícios.

o Normalmente tratado como despesa em resultados, e nao e reconhecido no balanço.

o Exemplos: Aluguel de escritorio, locaçao de veículos.

3. Princípios Contábeis

3.1 Reconhecimento Inicial

• Todos os arrendamentos devem ser reconhecidos no balanço patrimonial, exceto:

o Arrendamentos de curto prazo (ate 12 meses).

o Arrendamentos de baixo valor (ex.: computadores, pequenos equipamentos).

3.2 Mensuração do Ativo e Passivo

• Ativo de Direito de Uso:

o Inicialmente medido ao custo, que inclui:

▪ Valor presente dos pagamentos de arrendamento futuros.

▪ Pagamentos realizados na data do início do arrendamento.

▪ Custos diretos iniciais.

▪ Estimativas de custos com restauraçao do ativo.

• Passivo de Arrendamento:
o Reconhecido na mesma data do ativo, medido como o valor presente dos pagamentos futuros,
descontados a uma taxa de juros implícita ou, se nao disponível, a taxa incremental de
emprestimo do arrendatario.

3.3 Mensuração Subsequente

• Ativo de Direito de Uso:

o Depreciado ao longo do período do arrendamento ou da vida util do ativo, o que for menor.

o O metodo de depreciaçao pode ser linear ou baseado no uso.

• Passivo de Arrendamento:

o Reduzido conforme os pagamentos de arrendamento sao feitos.

o Reconhecera despesas de juros ao longo do período.

4. Exemplos Práticos de Contabilização

Exemplo 1: Arrendamento Financeiro

• Condições do Arrendamento:

o Ativo: Maquina no valor de $100.000.

o Pagamentos anuais de $25.000 durante 5 anos.

o Taxa de juros implícita: 5%.

Reconhecimento Inicial:

• Ativo de Direito de Uso: $100.000.

• Passivo de Arrendamento: $100.000.

Mensuração Subsequentemente:

• Pagamento do primeiro ano:

o D – Despesa de Juros: $5.000.

o D – Passivo de Arrendamento: $20.000.

o C – Caixa: $25.000.

• Depreciaçao anual: $20.000 ($100.000/5 anos).

Exemplo 2: Arrendamento Operacional

• Condições do Arrendamento:

o Aluguel de escritorio: $10.000 por ano durante 3 anos.

Reconhecimento:

• O arrendamento nao e registrado no balanço.

• A despesa e reconhecida linearmente:

o D – Despesa de Aluguel: $10.000.

o C – Caixa: $10.000.

5. Considerações

• A norma IFRS 16 exige que todos os arrendamentos sejam tratados de forma semelhante, melhorando
a transparencia financeira.
• A contabilizaçao correta dos arrendamentos impacta diretamente a avaliaçao da solvencia e liquidez
da empresa, bem como suas metricas financeiras.

Conciliação Contábil

Definição e Objetivos

• Conciliação Contábil: Processo de verificaçao e validaçao dos saldos contabeis, assegurando que
reflitam corretamente as transaçoes e a situaçao financeira da empresa.

• Objetivos:

o Confirmar a precisao dos saldos.

o Identificar e corrigir erros.

o Garantir que todos os lançamentos estejam adequadamente documentados.

Etapas da Conciliação Contábil

1. Coleta de Dados:

o Extraçao do balancete ou balanço preliminar.

o Reuniao de todos os documentos relevantes (faturas, recibos, contratos).

2. Listagem de Lançamentos:

o Relacionar cada lançamento na conta a ser conciliada, incluindo datas, valores e descriçoes.

3. Comparação com Documentos:

o Confrontar os lançamentos contabeis com documentos de suporte.

o Verificar se todas as receitas e despesas foram lançadas.

4. Identificação de Divergências:

o Identificar diferenças entre o saldo contabil e os documentos.

o Exemplos de divergencias:

▪ Lançamentos nao registrados.

▪ Erros de calculo.

▪ Duplicidade de lançamentos.

5. Correções:

o Realizar os ajustes necessarios nas contas contabeis.

o Documentar as correçoes feitas e as razoes para cada ajuste.

6. Validação Final:

o Revisar os saldos corrigidos para garantir que todos os erros foram resolvidos.

o Manter um historico de conciliaçoes para futuras auditorias.

Conciliação Bancária

Definição e Objetivos

• Conciliação Bancária: Comparaçao entre o saldo das contas contabeis da empresa e o extrato
bancario, visando identificar e explicar as diferenças.

• Objetivos:
o Confirmar a precisao dos registros financeiros.

o Garantir que todos os transaçoes bancarias foram registradas corretamente.

o Identificar possíveis fraudes ou erros.

Etapas da Conciliação Bancária

1. Obtenção do Extrato Bancário:

o Extrair o extrato bancario do período que se deseja conciliar.

2. Comparação Inicial:

o Comparar o saldo inicial do extrato bancario com o saldo contabil inicial.

3. Identificação de Diferenças:

o Do Extrato para o Razão:

▪ Despesas bancarias nao registradas (ex: tarifas, juros).

▪ Depositos nao contabilizados (ex: valores recebidos e depositados).

▪ Cheques devolvidos por falta de fundos.

o Do Razão para o Extrato:

▪ Cheques emitidos e nao compensados (ex: pagamentos feitos, mas nao


apresentados).

▪ Depositos pendentes (ex: valores que levam alguns dias para serem creditados).

4. Análise das Diferenças:

o Analisar cada diferença identificada, buscando entender a razao de sua existencia.

o Manter registro das explicaçoes e justificativas para cada discrepancia.

5. Ajustes Necessários:

o Realizar ajustes contabeis para resolver as discrepancias identificadas.

o Documentar todos os ajustes feitos e as razoes para isso.

6. Validação Final:

o Apos as correçoes, validar novamente os saldos contabeis e o extrato bancario.

o Gerar um relatorio final da conciliaçao, detalhando os processos e ajustes realizados.

Exemplos Práticos

• Despesas Bancárias: Um banco cobra uma tarifa de R$ 50,00 no extrato, mas a empresa nao registrou
essa despesa em sua contabilidade. A conciliaçao identificara essa diferença, permitindo que a empresa
lance a despesa.

• Cheques Não Compensados: Se a empresa emitiu um cheque de R$ 200,00 para um fornecedor que
ainda nao foi apresentado ao banco, essa diferença deve ser registrada na conciliaçao, e o cheque deve
permanecer na contabilidade ate sua compensaçao.

Importância da Conciliação

• Controle Financeiro: A conciliaçao regular ajuda a manter um controle financeiro eficaz, evitando
surpresas financeiras e facilitando a tomada de decisoes.

• Transparência: Promove transparencia e confiabilidade nos registros financeiros, essencial para


auditorias e relatorios fiscais.
• Detecção de Fraudes: Ajuda a identificar possíveis fraudes ou irregularidades nas transaçoes.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO: CONCEITO E ESTRUTURA

Definição e Importância: O patrimonio líquido (PL) e a parte residual dos ativos de uma entidade apos a
deduçao de todos os passivos. Ele e crucial para entender a solvencia e a viabilidade financeira de uma empresa,
refletindo o valor que realmente pertence aos acionistas.

Base Legal: A composiçao e apresentaçao do PL sao regulamentadas pela Lei 6.404/76, que estabelece normas
contabeis e requisitos de transparencia para as companhias.

Estrutura do Patrimônio Líquido: Conforme a Lei 11.638/07 e 11.941/09, o patrimonio líquido e dividido nas
seguintes contas:

1. Capital Social:

o Definição: Montante comprometido pelos acionistas ou socios para a constituiçao da


empresa.

o Classificação:

▪ Capital Social Integralizado: Parte do capital que ja foi totalmente realizada pelos
socios.

▪ Capital Social a Realizar: Parte subscrita, mas ainda nao integralizada, que
representa uma promessa de aporte.

o Exemplo de Lançamentos:

▪ Constituição da Sociedade:

▪ Lançamento quando a empresa inicia com R$ 100.000,00 em dinheiro:

▪ D – Caixa 100.000

▪ C – Capital Social 100.000

▪ Aporte Parcial:

▪ Lançamento se apenas R$ 50.000,00 forem depositados inicialmente:

▪ D – Caixa 50.000

▪ D – Capital Social a Realizar 50.000

▪ C – Capital Social 100.000

2. Reservas de Capital:

o Conceito: Valores que nao transitam pelo resultado da empresa e nao sao considerados
receitas.

o Classificação: Incluem:

▪ Contribuições acima do valor nominal: Quando o socio paga mais do que o valor
nominal da açao.

▪ Produtos da venda de partes beneficiárias: Títulos emitidos sem valor nominal


que conferem participaçao nos lucros.

▪ Bônus de subscrição: Títulos que permitem aos acionistas subscrever novas açoes.

o Legislação: As doaçoes e subvençoes para investimento, assim como premios de emissao de


debentures, nao sao mais considerados reservas de capital, devendo ser registrados como
receitas.

3. Ajustes de Avaliação Patrimonial:


o Definição: Sao ajustes nos valores de ativos e passivos, refletindo mudanças em seu valor
justo. Esses ajustes podem ocorrer devido a reavaliaçoes de ativos ou perdas, impactando
diretamente o patrimonio líquido.

4. Reservas de Lucros:

o Conceito: Lucros acumulados ao longo do tempo que podem ser retidos para reinvestimento
ou distribuídos aos acionistas como dividendos.

o Classificação: Incluem reservas estatutarias (destinadas a finalidades específicas), reservas


para contingencias e reservas de lucros a distribuir.

5. Ações em Tesouraria:

o Definição: Açoes adquiridas pela propria empresa, que sao mantidas em seu patrimonio
líquido e representam uma diminuiçao do capital proprio. Elas podem ser reemitidas ou
canceladas.

6. Prejuízos Acumulados:

o Definição: Perdas que nao foram compensadas por lucros anteriores. Esses prejuízos
impactam negativamente o patrimonio líquido e a capacidade de distribuiçao de dividendos.

Requisitos para Constituição da Companhia: Segundo a Lei 6.404/76, a constituiçao de uma companhia
envolve:

1. Subscrição: Necessaria a subscriçao de todas as açoes por pelo menos duas pessoas.

2. Realização Mínima: A entrada mínima de 10% do valor das açoes deve ser feita em dinheiro.

3. Depósito Bancário: O capital realizado em dinheiro deve ser depositado em banco autorizado.

Gastos na Emissão de Ações: Os custos relacionados a emissao de açoes, como honorarios e prospectos, nao
sao mais considerados despesas do exercício, mas sim reduzem o valor obtido do capital social ou sao alocados
na reserva de capital.

Utilização das Reservas de Capital: As reservas de capital tem usos restritos, conforme a Lei 6.404/76:

1. Absorção de prejuízos: Para cobrir perdas que excedem os lucros acumulados.

2. Resgate de ações: Para a recompra de açoes emitidas.

3. Incorporação ao capital social: Para aumentar o capital social da empresa.

4. Pagamento de dividendos: Exclusivamente a açoes preferenciais.

Reserva de Ágio na Emissão de Ações:

Definição de Ágio

• Ágio: Diferença entre o valor nominal de uma açao e o valor pago pelo subscritor. O agio e a quantia
paga a mais pelo acionista ao adquirir açoes.

Valor Nominal e Capital Social

• O capital social e o valor total que a empresa tem dividido em açoes, definido pelo estatuto social.

• Valor Nominal: Cada açao possui um valor pre-definido (valor nominal) que e a parte do capital social
correspondente a ela. Açoes podem ser emitidas sem valor nominal, mas com um valor de referencia.

Cálculo do Ágio

• Se o valor nominal de uma açao e R$ 10, e o acionista paga R$ 12, o agio e R$ 2. Este valor de agio e
registrado em uma conta de reserva de capital.
Partes Beneficiárias

• Partes Beneficiárias: Títulos criados pela companhia que conferem direito a participaçao nos lucros,
mas nao sao parte do capital social.

o Emissão: Exclusiva para companhias fechadas.

o Direitos: Nao conferem direito de voto ou participaçao na administraçao.

Bônus de Subscrição

• Bônus de Subscrição: Títulos que permitem aos seus detentores subscrever novas açoes da empresa.

o Emissão: Pode ser feita sem o direito de preferencia dos acionistas antigos, em certas
condiçoes.

Doações e Subvenções

• Doações Governamentais: Antes eram tratadas como reservas de capital, mas agora sao consideradas
receitas que transitam pelo resultado, podendo ser registradas em reservas de lucros posteriormente.

Prêmio na Emissão de Debêntures

• Debêntures: Títulos de dívida emitidos para captar recursos.

o Prêmio: Se as debentures sao emitidas por um valor superior ao seu nominal, o valor extra e
considerado um premio.

o Contabilização: Antes, era tratado como reserva de capital; agora, e apropriado ao resultado
como receita.

Implicações Fiscais

• A empresa pode optar por constituir uma reserva específica de premio de debentures para evitar a
tributaçao pelo Imposto de Renda. Caso contrario, o premio sera tributado.

Contabilização

• Alienação de Partes Beneficiárias: Se vendidas, contabiliza-se a entrada no caixa e registra-se na


reserva de capital.

• Resgate: O resgate das partes beneficiarias e contabilizado como uma saída de caixa e reduçao da
reserva de capital.

Ajuste de Avaliação Patrimonial

1. Definição e Contexto

• Transição de Reserva de Reavaliação: Antes das alteraçoes na Lei das S.A, existia a conta "reserva de
reavaliaçao", que foi substituída pelo "ajuste de avaliaçao patrimonial". Essa mudança nao e apenas
semantica, pois introduz diferenças significativas na contabilidade.

• Reavaliação vs. Ajuste de Avaliação:

o A reavaliaçao se aplicava somente a bens tangíveis do ativo permanente e tinha como objetivo
aumentar esses valores.

o O ajuste de avaliaçao patrimonial pode tanto aumentar quanto reduzir os valores de ativos e
passivos, refletindo uma avaliaçao a valor justo.

2. Regulamentação

• Artigo 183, § 3º: Estabelece que os ajustes de avaliaçao patrimonial sao contrapartidas de aumentos
ou diminuiçoes de valor atribuídos a elementos do ativo e passivo, nao computados no resultado do
exercício conforme o regime de competencia. Essa avaliaçao pode ser necessaria por normas da
Comissao de Valores Mobiliarios (CVM).

3. Aplicação no Balanço Patrimonial

• Exibição no Patrimônio Líquido: O ajuste de avaliaçao patrimonial e classificado no patrimonio


líquido e representa variaçoes em ativos e passivos que nao afetam o resultado imediato da empresa.

Ações em Tesouraria

1. Conceito

• Definição: Açoes em tesouraria sao açoes adquiridas pela propria empresa. Elas sao consideradas
como uma transaçao de capital entre a empresa e seus socios e sao redutoras do patrimonio líquido.

2. Legislação Pertinente

• Artigo 30 da Lei 6.404/76: Proíbe que a companhia negocie suas proprias açoes, exceto em casos
específicos como resgates e reembolsos. A compra de açoes para manter em tesouraria deve respeitar
certas condiçoes, como nao causar diminuiçao do capital social.

3. Transações Permitidas

• Aquisição de Ações: E permitida a aquisiçao ate o limite do saldo de lucros ou reservas (exceto a legal),
desde que nao resulte em diminuiçao do capital social.

• Alienação: A alienaçao das açoes adquiridas gera contabilidade específica. Se houver ganho, ele e
registrado como reserva de capital. Se houver perda, esta e descontada da reserva que originou a
compra.

4. Implicações da Aquisição

• Custos de Transação: Os custos incorridos na aquisiçao de açoes em tesouraria sao tratados como
parte do custo de aquisiçao, afetando o patrimonio líquido, mas nao o resultado da empresa.

• Direitos das Ações em Tesouraria: Enquanto mantidas em tesouraria, as açoes nao conferem direitos
a dividendos ou voto.

5. Contabilidade

• Reconhecimento em Balanço: As açoes em tesouraria devem ser apresentadas no balanço como


deduçao do patrimonio líquido, especificando a origem dos recursos aplicados na sua aquisiçao.
Qualquer resultado da alienaçao deve ser calculado pelo custo medio ponderado e contabilizado
adequadamente.

Reservas de Lucros

Definição e Objetivo

Reservas de lucros sao parcelas dos lucros nao distribuídos aos acionistas, mantidas pela empresa para
reinvestimento ou proteçao do capital social. Elas tem o proposito de preservar o Patrimonio Líquido e
possibilitar investimentos futuros ou garantir a estabilidade financeira da empresa.

Base Legal

A formaçao de reservas de lucros e regulamentada pela Lei das Sociedades por Açoes (Lei 6.404/76), conforme
o Art. 182, §4º, que classifica como reservas as contas constituídas pela apropriaçao dos lucros.

Processo de Apuração e Destinação de Lucros

1. Fechamento do Exercício: Ao fim do exercício, receitas e despesas sao zeradas, resultando em lucro
ou prejuízo que e transferido para o Patrimonio Líquido (PL).

2. Destinações Possíveis:
o Distribuição aos acionistas.

o Aumento do Capital Social.

o Reservas de Lucros, conforme a legislaçao e necessidade da empresa.

Mudanças Legislativas Importantes

• A conta de "lucros ou prejuízos acumulados" foi renomeada para "prejuízos acumulados", obrigando
uma destinaçao para lucros apurados.

Tipos de Reservas de Lucros

1. Reserva Legal:

o Base de Cálculo: 5% do lucro líquido do exercício, ate um limite de 20% do capital social
(Art. 193).

o Finalidade: Assegurar a integridade do capital social, utilizavel somente para compensar


prejuízos ou aumento de capital.

o Limite Opcional: A reserva legal pode ser suspensa quando, somada as reservas de capital,
ultrapassar 30% do capital social.

2. Reservas Estatutárias:

o Definição: Criadas conforme previsao no estatuto da empresa.

o Condições: Devem especificar a finalidade, criterios para determinaçao da parcela a ser


destinada e limite maximo.

3. Reservas para Contingências:

o Objetivo: Proteger o capital social contra perdas futuras estimaveis, por exemplo, por
desastres naturais.

o Constituição: Pode ser proposta pela administraçao e aprovada em assembleia (Art. 195).

o Reversibilidade: A reserva e revertida quando as razoes que justificaram sua constituiçao


deixam de existir.

4. Reservas de Incentivos Fiscais:

o Natureza: Formadas a partir de doaçoes e subvençoes governamentais, agora registradas


como receita.

o Tratamento Contábil: Parte do lucro líquido pode ser destinada a reserva, que pode ser
excluída da base de calculo de dividendos (Art. 195-A).

5. Reservas de Lucros a Realizar:

o Objetivo: Impedir a distribuiçao de dividendos sobre lucros que ainda nao foram realizados
em caixa.

o Utilização: Pode ser usada apenas para pagamento de dividendos ou absorçao de prejuízos.

6. Reserva Especial para Dividendos Obrigatórios Não Distribuídos:

o Contexto: Se a empresa nao puder pagar dividendos por questoes financeiras, o lucro nao
distribuído e registrado como reserva especial (Art. 202, §4º e §5º).

o Condição: Esses lucros devem ser pagos assim que a situaçao financeira permitir.

Limites para Reservas

• O total das reservas, exceto para contingencias, incentivos fiscais e lucros a realizar, nao deve exceder
o capital social (Art. 199). Quando esse limite e alcançado, a assembleia deve deliberar sobre a
aplicaçao do excesso em integralizaçao, aumento de capital ou distribuiçao de dividendos.
Condições para Constituição de Reservas

• A reserva legal e a unica obrigatoria.

• As reservas estatutárias devem ser claramente definidas no estatuto e ter criterios específicos para
sua constituiçao.

Distinções Importantes

• Reserva para Contingências: Destinada a perdas futuras, nao impacta o resultado, e uma conta do PL.

• Provisão para Contingências: Relaciona-se a perdas ja ocorridas e e registrada no passivo,


impactando o resultado.

Exemplo Prático

Suponha que uma empresa tenha um lucro total de R$ 300.000, sendo R$ 100.000 de vendas a curto prazo
(recebimento em 2016) e R$ 200.000 de vendas a longo prazo (recebimento em 2017). Com dividendos
obrigatorios de R$ 150.000 a pagar, a empresa poderia constituir uma reserva de lucros a realizar de R$ 50.000
para cobrir a diferença de recursos.

Reserva de Prêmio na Emissão de Debêntures

Conceito

A Reserva de Prêmio na Emissão de Debêntures surge quando o preço de emissao das debentures e superior
ao seu valor nominal. Essa diferença e registrada como uma reserva de capital e reflete a atratividade do título
devido a características como taxas de juros, garantias e outras vantagens oferecidas aos investidores.

Exemplo Prático

1. Emissão: Uma empresa emite 10.000 debentures com valor nominal de R$ 1,00 cada, totalizando R$
10.000,00. No entanto, os investidores pagam R$ 1,50 por debenture, arrecadando R$ 15.000,00.

2. Lançamentos Contábeis:

o D - Caixa: R$ 15.000,00 (Ativo)

o C - Debentures a resgatar: R$ 10.000,00 (Passivo Nao Circulante)

o C - Receitas recebidas antecipadamente: R$ 5.000,00 (Passivo Nao Circulante - Receitas


diferidas)

3. Resgate: O resgate das debentures esta programado para 10 anos. Para contabilizar o premio recebido
anualmente, considerando juros simples para simplificaçao:

o Valor apropriado ao resultado: R$ 500,00 por ano.

o Lançamento Anual:

▪ D - Receitas recebidas antecipadamente: R$ 500,00 (Passivo Nao Circulante -


Receitas diferidas)

▪ C - Despesas Financeiras: R$ 500,00 (Resultado)

Observações

• O metodo correto a ser utilizado e o método exponencial (juros compostos), pois reflete melhor a
realidade financeira.

• A redução da despesa financeira e essencial, pois o premio diminui o custo associado a emissao da
debenture.

• A constituiçao de uma reserva específica de premios pode evitar a tributaçao pelo Imposto de Renda
(IR) segundo a Lei 11.941/09, mas isso e opcional.
Reserva de Retenção de Lucros

Finalidade

A Reserva de Retenção de Lucros visa financiar projetos de investimento. Essa reserva nao deve afetar os
dividendos obrigatorios a serem pagos aos acionistas.

Requisitos

1. Orçamento de Capital: A empresa deve elaborar um orçamento de capital que detalhe todas as fontes
e aplicaçoes de capital. Esse orçamento deve ser aprovado pela Assembleia de acionistas.

2. Prazo: O orçamento pode ter um prazo de ate cinco anos, com possibilidade de extensao em caso de
execuçao de projetos de investimento de longo prazo.

Lucros ou Prejuízos Acumulados

Retenção de Lucros

Apos as reformas contabeis, a retençao injustificada de lucros nao e mais permitida. Portanto, a conta de lucros
acumulados deve ser eliminada do Balanço Patrimonial ao final do exercício.

Uso Temporário

A conta de lucros acumulados pode ser utilizada temporariamente antes do fechamento do balanço, permitindo
a distribuiçao de lucros para diferentes finalidades, como reservas e dividendos.

Absorção de Prejuízos

Conforme a Lei 6.404/76, os prejuízos devem ser absorvidos na seguinte ordem:

1. Lucros acumulados

2. Reservas de lucros

3. Reserva legal

Dividendos Obrigatórios

Definição

Os dividendos sao a forma de remuneraçao dos acionistas. O estatuto social da empresa determina a
porcentagem dos lucros que deve ser distribuída.

Distribuição

• Estatuto Social: Se o estatuto nao especificar um percentual, aplica-se a regra do art. 202, que
estabelece que os dividendos obrigatorios correspondem a 50% do lucro líquido ajustado.

• Base de Cálculo Ajustada: O calculo e feito da seguinte maneira:

Dividendos = 50% × (Lucro líquido − Reserva legal − Reserva para contingencias +


Reversao de reservas para contingencias − Reserva de incentivos fiscais (facultativo) −
Reserva de premio na emissao de debentures (facultativo))

Tratamento dos Dividendos

1. Dividendos Obrigatórios:

o Contabilização: Devem ser registrados no passivo na data do fechamento das demonstraçoes


contabeis.

o Lançamento:

▪ D - Lucros acumulados: (Passivo)

▪ C - Dividendos a pagar: (Passivo)

2. Dividendos Adicionais:
o Declarados Após o Período Contábil: Nao sao contabilizados, apenas mencionados em Nota
Explicativa.

o Declarados Antes do Período Contábil: Permanecem no Patrimonio Líquido ate aprovaçao


pela Assembleia, apos o que sao transferidos para o Passivo.

Adiantamento para Aumento de Capital

Quando um socio fornece um adiantamento para aumento de capital, essa quantia e classificada como passivo
exigível. Contudo, se nao houver expectativa de restituiçao, pode ser reclassificada como Patrimônio Líquido.

Notas Explicativas

As notas explicativas sao uma parte crucial das demonstraçoes financeiras e devem incluir:

• Informaçoes sobre a base de preparaçao das demonstraçoes financeiras e praticas contabeis


específicas.

• Divulgaçao de informaçoes relevantes que nao estao apresentadas em outras partes das
demonstraçoes.

• Detalhes sobre criterios de avaliaçao de ativos, investimentos em outras sociedades, ajustes de


exercícios anteriores e eventos subsequentes que possam impactar a situaçao financeira.

Principais Mudanças das Leis 11.638/2007 e 11.941/2009

Lei 11.638/2007

• Eliminaçao da obrigatoriedade da demonstraçao de origens e aplicaçoes de recursos.

• Introduçao da demonstraçao de fluxos de caixa para todas as companhias com patrimonio líquido
superior a R$ 2 milhoes.

• Mudanças na estrutura do ativo e do passivo.

Lei 11.941/2009

• Reorganizaçao das classificaçoes de ativos e passivos, incluindo a extinçao do diferido.

• Introduçao de novos conceitos contabeis e praticas para sociedades de grande porte, promovendo uma
maior transparencia nas demonstraçoes financeiras.

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

1. Conceito

• Definição: A DRE e um relatorio contabil que evidencia o desempenho financeiro da entidade,


apresentando o resultado de suas operaçoes ao longo de um período específico.

• Finalidade: Facilitar a analise da lucratividade, eficiencia operacional e viabilidade da empresa.

2. Características

• Dinâmica: Reflete a movimentaçao de receitas e despesas de forma contínua.

• Lucro e Prejuízo:

o Lucro: Resulta da diferença positiva entre receitas e despesas.

o Prejuízo: Ocorre quando as despesas superam as receitas.

3. Regime de Competência

• Princípio Contábil: Reconhece receitas e despesas no momento em que ocorrem, independentemente


do recebimento ou pagamento.

• Base Legal: Lei 6.404/76, Art. 177:


o Exige que as entidades mantenham registros que respeitem o regime de competencia e
metodos contabeis consistentes ao longo do tempo.

4. Objetivo da DRE

• Avaliação de Resultados: Determinar o resultado (lucro ou prejuízo) da entidade no período contabil.

• Integração ao Patrimônio Líquido: O resultado do exercício e incorporado ao patrimonio líquido,


impactando a situaçao financeira da empresa.

5. Estrutura da DRE

6. Exemplo Prático
7. Transferência do Lucro para Patrimônio Líquido

• Lançamento Contábil:

o Débito: Lucro Líquido R$ 50

o Crédito: Lucros Acumulados R$ 50

• Efeito: As contas da DRE sao zeradas, e o lucro e transferido para o patrimonio líquido.

8. Legislação e Normas

• Lei 6.404/76 - Artigo 187:

o Discrimina a necessidade de apresentar detalhadamente:

▪ Receita bruta.

▪ Deduçoes das vendas.

▪ Custo das mercadorias/serviços vendidos.

▪ Lucro bruto.

▪ Despesas operacionais.

▪ Resultado operacional e antes do imposto de renda.

▪ Lucro ou prejuízo líquido.

9. Definições de Receita e Despesa (CPC 00)

• Receitas:

o Aumentos nos Ativos: Aumentos de caixa ou direitos a receber.

o Reduções nos Passivos: Diminuiçao de obrigaçoes.

o Impacto no Patrimônio Líquido: Aumento do patrimonio líquido, exceto contribuiçoes de


socios.

• Despesas:

o Diminuições nos Ativos: Gastos que reduzem caixa ou ativos.

o Aumentos nos Passivos: Aumentos de obrigaçoes.

o Impacto no Patrimônio Líquido: Reduçao do patrimonio líquido, exceto distribuiçoes a


socios.

10. Exemplos Adicionais


• Receita de Aluguel:

o Um inquilino paga R$ 1.000,00 mensais.

o Aumento de ativo e reduçao de passivo, considerando a dívida do inquilino.

• Redução de Passivo:

o Proposta de aluguel em troca da reduçao de uma dívida.

o Registro contabil reflete a diminuiçao de passivos e aumento de receitas.

11. Importância da DRE

• Tomada de Decisão: Fornece informaçoes essenciais para investidores, credores e gestores sobre a
lucratividade e saude financeira da empresa.

• Planejamento e Controle: Ajuda no planejamento orçamentario e controle de despesas.

12. Análise da DRE

• Índices Financeiros:

o Margem de Lucro: Lucro líquido dividido pela receita líquida.

o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE): Lucro líquido dividido pelo patrimonio líquido
total.

• Tendências: A analise de DRE ao longo de períodos ajuda a identificar tendencias de receita, despesa
e lucro.

Definição de Despesas

1. Conceito:

o Despesas sao movimentos financeiros que reduzem o ativo ou aumentam o passivo, levando
a diminuiçao do patrimonio líquido.

o Exceçao: Distribuiçoes a acionistas, como dividendos, nao sao consideradas despesas.

2. Classificação das Despesas:

o Reduções nos Ativos:

▪ Exemplo: Pagamento de tributos (ICMS).

▪ A despesa com ICMS reduz a conta de caixa ou aumenta um passivo (ICMS a


recolher).

o Aumentos nos Passivos:

▪ Quando a empresa assume obrigaçoes tributarias (como ICMS), isso aumenta seus
passivos e diminui o patrimonio líquido.

o Contabilização:

▪ Quando se lança a despesa:

▪ D – ICMS sobre vendas (despesa) XX,XX

▪ C – ICMS a recolher (passivo) XX,XX

▪ No pagamento:

▪ D – ICMS sobre vendas (despesa) XX,XX

▪ C – Caixa (ativo) XX,XX

3. Impacto no Patrimônio Líquido:


o O reconhecimento de uma despesa reduz o patrimonio líquido, exceto quando se trata de
distribuiçao de dividendos.

ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO SEGUNDO A LEI 6.404/76

Receita Bruta de Vendas

1. Conceito e Legislação

o Receita Bruta: Total das vendas antes de quaisquer deduçoes, incluindo impostos.

o Regulamentação:

▪ Lei 6.404/76: Define como a receita bruta deve ser apresentada e registrada.

▪ Importancia do reconhecimento correto para a transparencia financeira.

2. Valor da Receita Bruta

o CPC 47: Especifica que a receita deve refletir a contraprestaçao esperada em troca de bens
ou serviços.

o Reconhecimento:
▪ A receita deve ser reconhecida no momento da entrega dos bens ou prestaçao dos
serviços.

▪ Mensuraçao pelo valor da contraprestaçao a receber.

3. Componentes da Receita Bruta

o Devolução de Vendas:

▪ Registra todas as devoluçoes feitas no exercício.

▪ As devoluçoes de exercícios anteriores sao tratadas como despesas operacionais.

▪ Importância: Impacta diretamente na receita líquida e, consequentemente, no


lucro.

o Abatimento Sobre Vendas:

▪ Diminuiçao do valor a receber devido a problemas de qualidade, quantidade ou


transporte.

▪ A concessao e feita apos a emissao da nota fiscal, nao afetando a base de calculo de
impostos.

4. Descontos Incondicionais e Condicionais

o Descontos Incondicionais:

▪ Exemplo: 10% de desconto para pagamento ate 30 dias antes do vencimento.

▪ Tratamento: Classificado como despesa operacional, nao reduz a receita bruta.

o Descontos Condicionais:

▪ Descontos oferecidos sob condiçao, como pagamento antecipado.

▪ Classificados como despesas financeiras, nao impactam a receita bruta.

5. Tributos Sobre Vendas

o Principais Tributos:

▪ ICMS: Imposto sobre Circulaçao de Mercadorias e Serviços.

▪ ISS: Imposto sobre Serviços.

▪ PIS e COFINS: Contribuiçoes para a Seguridade Social.

o IPI:

▪ Nao e considerado deduçao da receita bruta; e tratado como imposto "por fora".

▪ Impacto na demonstraçao do resultado e no calculo de receita líquida.

6. Ajuste a Valor Presente (AVP)

o Definição: Ajustar valores futuros a termos monetarios atuais, considerando juros e


encargos.

o Objetivo: Eliminar a superavaliaçao das operaçoes a prazo.


o Contabilização:

▪ Legislação Tributária: Ajuste e uma conta redutora da receita bruta.

▪ CPC 12: A receita e reconhecida pelo valor presente, mas o ajuste nao e uma despesa
inicial.

7. Deduções da Receita Bruta

o Exemplos de deduçoes:

▪ Devoluções e Cancelamentos: Impactam a receita líquida.

▪ Abatimentos: Reduçoes de preços pos-venda.

▪ Descontos: Incondicionais e condicionais.

▪ Tributos sobre Vendas: ICMS, PIS, COFINS e ISS.

▪ Ajuste a Valor Presente: Consideraçoes variam conforme a abordagem contabil


adotada.

8. Cálculo da Receita Líquida de Vendas

o Receita Bruta - Deduçoes = Receita Líquida.

o Importância: Fornece uma visao clara do desempenho operacional da empresa.

9. Custo da Mercadoria Vendida (CMV)

o Fórmula: CMV = Estoque Inicial + Compras Líquidas - Estoque Final.

o Componentes do Custo:

▪ Preço de Compra: Custo total para adquirir o produto.

▪ Impostos Não Recuperáveis: ICMS e outros tributos que nao podem ser
recuperados.

▪ Custos Adicionais: Transporte, seguro e manuseio.

10. Cálculo de Compras Líquidas

o Exemplo:

▪ Compras Brutas: R$ 20.000,00.

▪ Menos ICMS: R$ 3.000,00.

▪ Menos Descontos Incondicionais: R$ 1.000,00.

▪ Menos Abatimentos: R$ 1.000,00.

▪ Mais Frete: R$ 1.000,00.

▪ Mais Seguro: R$ 500,00.

▪ Total Compras Líquidas: R$ 16.500,00.

11. Apuração do CMV

o Cálculo Detalhado:

▪ Estoque Inicial: R$ 10.000,00.

▪ Compras Líquidas: R$ 16.500,00.

▪ Estoque Final: R$ 5.000,00.

▪ CMV = R$ 10.000,00 + R$ 16.500,00 - R$ 5.000,00 = R$ 21.500,00.


12. Lucro Bruto

o Definição: Receita Líquida - Custo da Mercadoria Vendida.

o Importância: Reflete a eficiencia da empresa em gerar lucro a partir de suas vendas.

Despesas Operacionais

Custos que a empresa incorre para gerar receita e operar de maneira eficiente, divididos entre vendas,
administraçao e outros custos relacionados.

1. Aspectos Legais e Normativos

• Lei 6.404/76:

o A lei determina que as empresas devem apresentar suas despesas operacionais na DRE, sem
distinçao explícita entre operacionais e nao operacionais.

• Normas Contábeis: As praticas contabeis devem seguir as normas da Comissao de Valores Mobiliarios
(CVM) e as diretrizes do Comite de Pronunciamentos Contabeis (CPC).

2. Classificação das Despesas Operacionais

• 2.1. Despesas de Vendas:

o Natureza: Diretas e variaveis, relacionadas a promoçao e comercializaçao.

o Exemplos Adicionais:

▪ Custos de feiras e eventos.

▪ Propagandas em mídias digitais e tradicionais.

▪ Treinamentos da equipe de vendas.

• 2.2. Despesas Gerais e Administrativas:

o Natureza: Fixas e indiretas, relacionadas a gestao e suporte.

o Exemplos Adicionais:

▪ Custos com softwares de gestao e sistemas de informaçao.

▪ Despesas com serviços de limpeza e manutençao de escritorios.

▪ Gastos com viagens e reunioes da alta administraçao.

• 2.3. Despesas com Tributos:

o Especificidade: Podem variar conforme a legislaçao local e a atividade da empresa.

o Exemplos Adicionais:

▪ Taxas de fiscalizaçao e regulamentaçao.

▪ Contribuiçoes para o INSS e outras obrigaçoes sociais (exceto IR e CSLL).

• 2.4. Despesas com Provisões:

o Tipo: Estimativas de perdas potenciais.

o Exemplos Adicionais:

▪ Provisoes para reclamaçoes trabalhistas.

▪ Provisoes para perdas com creditos de clientes em dificuldades financeiras.

• 2.5. Despesas e Receitas Financeiras:

o Especificidade: Distinçao clara entre custos e receitas relacionadas a atividades financeiras.


o Exemplos Adicionais:

▪ Despesas com taxas de antecipaçao de recebíveis.

▪ Receitas de aplicaçoes financeiras a curto prazo.

3. Demonstração do Resultado (DRE) - Exemplos Detalhados

• Forma de Apresentação:

o Modo 1: Listagem das despesas financeiras subtraídas das receitas financeiras.

o Modo 2: Apresentaçao do resultado financeiro líquido, detalhando separadamente cada


componente.

• Impacto no Resultado: Como cada categoria de despesa afeta o lucro líquido da empresa.

4. Outras Receitas e Despesas

• Definição: Ganhos e perdas que nao estao relacionados as operaçoes principais da empresa.

• Exemplos Detalhados:

o Lucros ou prejuízos na venda de ativos fixos (ex.: maquinas, veículos).

o Ganhos ou perdas com vendas de investimentos de longo prazo.

• Tratamento Contábil: Como classificar esses itens na DRE e seu impacto fiscal.

Apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social

1. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL)

o Definição: Tributo sobre o lucro das empresas, com alíquota de 9% (15% para instituiçoes
financeiras).

o Base de Cálculo: Lucro ajustado, considerando compensaçoes de base negativa ate 30%.

2. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)

o Regimes de Apuração:

▪ Lucro Presumido: Para receitas ate R$ 78 milhoes. Imposto calculado


trimestralmente com alíquotas de 15% e adicional de 10% sobre lucro que exceder
R$ 60 mil.

▪ Lucro Real: Lucro líquido ajustado, incluindo adiçoes e exclusoes. A base de calculo
e ajustada por elementos como receitas nao tributaveis e multas.

Prejuízo Acumulado

Definição: Prejuízo contabilizado que pode ser utilizado para reduzir a base de calculo do IR.

Regra: Apenas 30% do lucro real do período pode ser compensado.

Exemplo:

• Lucro do exercício: R$ 12.000.


• Prejuízo acumulado: R$ 10.000.

• Base de calculo para IR: R$ 8.400 (apos compensaçao).

Participações Estatutárias

Definição e Regulamentação

• Base Legal: Regido pela Lei das SAs (Lei 6.404/76).

• Artigo 187: Trata da discriminaçao das participaçoes na demonstraçao do resultado do exercício


(DRE).

• Artigo 190: Define a ordem das participaçoes (debenturistas, empregados, administradores, partes
beneficiarias).

Ordem de Dedução das Participações

1. Resultado após o Imposto de Renda (IR): A participaçao e calculada sobre o lucro remanescente.

2. Participações a Deduzir:

o Debenturistas

o Empregados

o Administradores

o Partes beneficiarias

o Fundo de assistencia/previdencia a empregados

3. Importância da Ordem: Cada participaçao reduz a base de calculo da proxima.

Cálculo do Lucro Líquido do Exercício

• Apos a deduçao das participaçoes, chega-se ao lucro líquido do exercício.

• Lucro Líquido por Ação:

Transferência do Resultado para o Patrimônio Líquido

• O lucro ou prejuízo do exercício e transferido para a conta de lucros ou prejuízos acumulados.

• Limitações:

o A conta de lucros acumulados nao pode ser utilizada para retençao injustificada de lucros.

o A conta de prejuízos acumulados pode persistir e tem saldo devedor.

Demonstração do Resultado conforme o CPC 26

1. Introdução

• O Pronunciamento Tecnico CPC nº 26 (R1) trata da apresentaçao das demonstraçoes contabeis.

• A entidade deve apresentar:

o Demonstração do Resultado do Período (DRE)

o Demonstração do Resultado Abrangente do Período (DRA)


2. Conceito de Resultado Abrangente

• Resultado Abrangente Total:

o Refere-se as alteraçoes no Patrimonio Líquido, excluindo transaçoes com socios.

o Dividido em:

▪ Resultados de receita e despesa (da DRE)

▪ Outros Resultados Abrangentes (nao abordados neste contexto)

3. Estrutura da DRE

• Itens obrigatórios na DRE:

o Receitas (incluindo receita de juros pelo metodo de juros efetivos)

o Ganhos e perdas de desreconhecimento de ativos financeiros

o Custos de financiamento

o Perdas por reduçao ao valor recuperavel

o Resultados de empresas investidas (metodo da equivalencia patrimonial)

o Tributos sobre o lucro

o Resultado de operaçoes descontinuadas

• Rubricas adicionais conforme a Lei 6.404/76:

o Custo dos produtos/serviços vendidos

o Lucro bruto

o Despesas operacionais

o Resultado antes do imposto de renda

o Participaçoes (debentures, empregados, administradores, etc.)

o Lucro ou prejuízo líquido do exercício

4. Comparação entre CPC 26 e Lei 6.404/76

• Diferenciação na Apresentação:

o A Lei 6.404/76 começa pela receita bruta; o CPC 26 usa a receita líquida.

o Separação de receitas e despesas financeiras no CPC 26 para evidenciar melhor os


resultados operacionais.
5. Estrutura Comparativa

6. Principais Diferenças

• Receita Bruta vs. Receita Líquida:

o A Lei 6.404/76 requer a apresentaçao da receita bruta, enquanto o CPC 26 começa com a
receita líquida.

• Resultado Financeiro:

o O CPC 26 separa despesas e receitas financeiras do resultado operacional, permitindo uma


analise mais clara das operaçoes.

Resultado das Operações Descontinuadas

1. Definição de Operações Descontinuadas

• Componente da Entidade:

o Refere-se a uma linha de negocio ou area geografica que foi alienada ou esta classificada como
mantida para venda.

• Objetivo:

o Proporcionar clareza sobre o impacto financeiro de decisoes estrategicas, como vendas de


ativos significativos.

2. Exemplos Práticos

• Venda de uma Fábrica:

o A venda de uma unidade de produçao nao e uma pratica recorrente; o impacto financeiro e
significativo, mas nao e representativo das operaçoes normais.

• Vendas Esporádicas:

o Eventos como a venda de uma subsidiaria ou unidade de negocios que nao fazem parte da
operaçao regular da empresa.

3. Critérios para Classificação

• Conforme o CPC 31:

o Importância: Representa uma linha separada de negocios.

o Plano Coordenado: Parte de um plano para vender uma area de operaçoes significativa.

o Controladas para Revenda: Adquiridas com a intençao explícita de serem vendidas.


4. Diferenças em Relação a Vendas Normais

• Vendas Normais de Ativos:

o Nao sao consideradas descontinuadas se a empresa tem a intençao de substituir o ativo (ex:
venda de um caminhao com intençao de compra de outro).

• Operações Descontinuadas vs. Itens Extraordinários:

o Itens extraordinarios nao devem ser considerados; a classificaçao deve focar na continuidade
ou descontinuidade da operaçao.

5. Requisitos de Divulgação

• Transparência nas Demonstrações:

o Itens materiais devem ser revelados separadamente na demonstraçao do resultado.

• Circunstâncias que Justificam a Divulgação:

o Reduçoes nos estoques e ativos, reestruturaçoes, baixas de ativos, unidades descontinuadas,


e litígios.

6. Materialidade

• Conceito:

o Uma informaçao e considerada material se a sua omissao ou distorçao pode afetar as decisoes
dos usuarios dos relatorios financeiros.

• Relevância:

o A materialidade ajuda a garantir que as informaçoes mais críticas para os investidores e


outras partes interessadas sejam claramente apresentadas.

7. Apresentação das Despesas

• Método da Função:

o Classificaçao por funçao (custo dos produtos vendidos, despesas administrativas, etc.).

o Permite uma analise mais relevante, mas pode envolver complexidade nas alocaçoes de
despesas.

• Método da Natureza:

o Agrupa as despesas de acordo com sua natureza (ex: depreciaçoes, custos com materiais).

o Facilita a apresentaçao, mas pode ser menos informativo sobre a eficiencia operacional.

8. Exemplos de Itens a Serem Divulgados

• Baixas e Reestruturações:

o Exemplo: Quando uma empresa encerra uma unidade que nao esta mais alinhada com sua
estrategia de negocios.

• Vendas de Unidades:

o Exemplo: Venda de uma divisao que representa uma parte significativa da receita ou ativos.

9. Importância da Apresentação Clara

• Transparência Financeira:

o Informaçoes claras e bem apresentadas ajudam a manter a confiança dos investidores.

• Facilidade de Análise:
o A apresentaçao estruturada das operaçoes descontinuadas e das despesas auxilia na analise
de desempenho e na tomada de decisoes.

10. Normas e Regulamentações

• CPC 26:

o Nao impoe um modelo rígido, permitindo a flexibilidade de apresentaçao conforme a


relevancia dos itens.

• Artigos da Lei 6.404/76:

o Fornece diretrizes adicionais sobre como os resultados devem ser apresentados nas
demonstraçoes contabeis.

Princípios de Contabilidade

1. Princípio da Entidade

o A entidade e distinta de seus proprietarios; suas operaçoes e resultados sao registrados


separadamente.

2. Princípio da Continuidade

o Presume-se que a entidade continuara em funcionamento no futuro proximo, a menos que


haja evidencias em contrario.

3. Princípio da Oportunidade

o Reconhecimento das receitas e despesas no período em que ocorrem, independente do


recebimento ou pagamento.

4. Princípio do Registro pelo Valor Original

o Os ativos e passivos devem ser registrados pelo seu custo de aquisiçao, considerando o valor
original das transaçoes.

5. Princípio da Competência

o As receitas e despesas devem ser reconhecidas no período em que ocorrem, permitindo uma
melhor correspondencia entre receitas e despesas.

6. Princípio da Prudência

o Deve-se evitar a superavaliaçao de ativos e receitas e a subavaliaçao de passivos e despesas,


assegurando uma abordagem conservadora.

ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATORIO FINANCEIRO

1. Definição

• A Estrutura Conceitual estabelece os conceitos fundamentais para a elaboraçao e apresentaçao de


demonstraçoes contabeis destinadas a usuarios externos.

2. Objetivo Central

• Criar um relatório financeiro para fins gerais, que forneça informaçoes uteis para a tomada de
decisoes por investidores, credores e outros stakeholders.

3. Finalidade da Estrutura Conceitual

• Auxiliar no Desenvolvimento de Normas:

o Base para a elaboraçao das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS).

o Garante consistencia nos conceitos utilizados.


• Apoio aos Preparadores:

o Ajuda os preparadores a desenvolver políticas contabeis quando nao ha normas específicas


aplicaveis.

o Orienta em situaçoes onde existe escolha de política contabil.

• Facilitar a Compreensão:

o Auxilia todas as partes interessadas na interpretaçao dos pronunciamentos contabeis.

4. Histórico

• Adoção pelo CPC:

o Desde 2008, o Comite de Pronunciamentos Contabeis (CPC) adota a Estrutura do IASB para
desenvolver seus Pronunciamentos Tecnicos.

• Revisões:

o A versao revisada foi emitida em março de 2018 (CPC 00 R2).

o As revisoes nao alteram automaticamente os pronunciamentos existentes.

5. Estrutura do CPC 00 (R2)

• A Estrutura Conceitual e organizada em oito capítulos:

1. Objetivo do Relatório Financeiro para Fins Gerais

2. Características Qualitativas de Informações Financeiras Úteis

3. Demonstrações Contábeis e a Entidade que Reporta

4. Elementos das Demonstrações Contábeis

5. Reconhecimento e Desreconhecimento

6. Mensuração

7. Apresentação e Divulgação

8. Conceitos de Capital e Manutenção de Capital

6. Capítulo 1 - Objetivo do Relatório Financeiro para Fins Gerais

• Objetivo Principal:

o Fornecer informaçoes financeiras uteis para:

▪ Investidores (decisoes de compra, venda ou manutençao de açoes).

▪ Credores (decisoes sobre concessao ou liquidaçao de emprestimos).

• Utilidade e Limitações:

o Os relatorios financeiros nao determinam diretamente o valor da entidade, mas fornecem


dados que ajudam na estimativa desse valor.

7. Necessidade de Informação

• Informações Relevantes para Decisões:

o Recursos economicos da entidade (Ativos).

o Reivindicaçoes contra a entidade (Passivos e Patrimonio Líquido).

o Eficiencia e eficacia da administraçao.

• Importância da Confiança nos Relatórios:


o Usuarios externos muitas vezes nao tem acesso a informaçoes diretas e confiam nos
relatorios financeiros para obter dados essenciais.

8. Diversidade de Usuários

• Principais Usuários:

o Investidores e credores sao os principais destinatarios dos relatorios financeiros para fins
gerais.

• Outras Partes Interessadas:

o Reguladores e membros do publico podem achar os relatorios uteis, embora nao sejam o foco
principal.

9. Estimativas e Julgamentos

• Natureza das Informações:

o Relatorios financeiros sao baseados em estimativas, julgamentos e modelos, nao em


representaçoes exatas.

10. Relevância das Informações

• Tipo de Informações Fornecidas:

o Posição Financeira:

▪ Fornecida principalmente pelo Balanço Patrimonial.

▪ Ajuda a identificar a liquidez e solvencia da empresa.

o Mudanças nos Recursos:

▪ Analisadas por meio da Demonstraçao do Resultado.

▪ Essencial para avaliar a performance da administraçao e prever retornos futuros.

Desempenho Financeiro Refletido pela Contabilização pelo Regime de Competência

1. Regime de Competência

• Definição: Reflete efeitos de transaçoes e eventos no período em que ocorrem, independentemente de


pagamentos e recebimentos em caixa.

• Importância:

o Fornece uma base mais robusta para avaliaçao do desempenho financeiro.

o Melhora a compreensao dos recursos economicos e reivindicaçoes da entidade.

2. Comparação com Fluxos de Caixa

• Fluxos de Caixa:

o Informaçoes sobre recebimentos e pagamentos ajudam a avaliar a capacidade de gerar caixa


no futuro.

o Indicadores de liquidez e solvencia (ex.: emprestimos, distribuiçao de dividendos).

• Mudanças de Recursos:

o Mudanças podem ocorrer nao apenas por desempenho financeiro, mas tambem por
capitalizaçoes ou emissao de açoes.
3. Características Qualitativas das Informações Financeiras

1. Características Fundamentais

• Relevância

o Definição: Capacidade de influenciar as decisoes dos usuarios ao fornecer informaçoes que


possam impactar suas escolhas.

o Aspectos:

▪ Valor preditivo: Ajuda na previsao de resultados futuros.

▪ Valor confirmatorio: Oferece feedback sobre avaliaçoes anteriores.

▪ Materialidade: Um aspecto da relevancia; a informaçao e considerada material se


sua omissao ou distorçao pode influenciar as decisoes dos usuarios.

• Representação Fidedigna

o Definição: A informaçao deve refletir de forma precisa e completa a realidade economica.

o Atributos:

▪ Completa: Inclui todas as informaçoes necessarias.

▪ Neutra: Livre de vies ou seleçao tendenciosa.

▪ Livre de erros: Apresenta informaçoes corretas e confiaveis.

2. Características de Melhoria

• Comparabilidade

o Definição: Permite que os usuarios identifiquem e compreendam similaridades e diferenças


entre informaçoes financeiras de diferentes entidades ou períodos.

o Importância: Facilita a tomada de decisao, permitindo analises mais informadas entre


alternativas.

• Capacidade de Verificação

o Definição: As informaçoes devem ser verificaveis por diferentes observadores


independentes, assegurando a fidedignidade da representaçao.

o Formas de Verificação:

▪ Direta: Verificaçao atraves de observaçao direta.

▪ Indireta: Verificaçao de dados de entrada e recalculo de resultados.

• Tempestividade

o Definição: As informaçoes devem estar disponíveis em tempo util para que possam
influenciar decisoes.

o Considerações: Quanto mais antiga a informaçao, menos util ela tende a ser; no entanto,
algumas informaçoes podem manter sua relevancia por períodos mais longos.

• Compreensibilidade

o Definição: A informaçao deve ser apresentada de forma clara e concisa, facilitando a


compreensao por parte dos usuarios.

o Desafios: Informaçoes sobre fenomenos complexos podem exigir consultas externas para
uma interpretaçao correta, mas a inclusao de tais informaçoes e crucial para evitar distorçoes.
Restrição de Custo na Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro Útil

• Importância do Custo:

o O custo e uma restriçao generalizada para a apresentaçao de informaçoes financeiras.

o E crucial que os custos de elaboraçao e divulgaçao sejam justificados pelos benefícios


decorrentes da apresentaçao das informaçoes.

• Tipos de Custos e Benefícios:

o Custos associados a geraçao de informaçoes.

o Avaliaçao da relaçao custo-benefício e necessaria por orgaos normatizadores e entidades que


elaboram demonstraçoes.

• Decisão sobre Divulgação:

o Se o custo de divulgar uma informaçao supera o benefício, a divulgaçao pode ser


reconsiderada.

o Necessidade de avaliar a relevancia e utilidade das informaçoes.

Demonstrações Contábeis e a Entidade que Reporta

• Objetivo das Demonstrações Contábeis:

o Fornecer informaçoes sobre ativos, passivos, patrimonio líquido, receitas e despesas.

o Auxiliar na avaliaçao de fluxos de entrada de caixa futuros e na gestao de recursos.

• Informações Fornecidas:

o Balanço Patrimonial: Reconhecimento de ativos, passivos e patrimonio líquido.

o Demonstração do Resultado: Reconhecimento de receitas e despesas.

o Outras Demonstrações e Notas Explicativas:

▪ Informaçoes sobre ativos e passivos reconhecidos e nao reconhecidos.

▪ Fluxos de caixa e contribuiçoes de detentores de direitos sobre o patrimonio.

• Comparabilidade das Demonstrações:

o Informaçoes comparativas do período anterior para ajudar na identificaçao de mudanças e


tendencias.

3. Informações Prospectivas

• Inclusão nas Demonstrações Contábeis:

o Informaçoes sobre transaçoes futuras podem ser incluídas se referirem a ativos, passivos ou
patrimonio da entidade.

o Exemplo: estimativas de fluxo de caixa futuro para avaliaçao de ativos imobilizados.

• Limitação:

o Normalmente, as demonstraçoes nao incluem expectativas ou estrategias futuras da


administraçao.

4. Eventos Subsequentes

• Informações Após o Período de Relatório:

o Inclusao de informaçoes relevantes sobre eventos que ocorreram apos o fechamento do


período, conforme o CPC 24.
5. Premissa de Continuidade Operacional

• Continuidade Presumida:

o Demonstraçoes sao geralmente elaboradas sob a suposiçao de que a entidade continuara em


operaçao.

o Caso contrario, as demonstraçoes devem ser elaboradas com base em criterios diferentes.

• Impacto na Avaliação de Ativos e Passivos:

o Avaliaçao de ativos e passivos baseada em continuidade versus liquidaçao.

6. Entidade Que Reporta

• Definição:

o Entidade responsavel pela elaboraçao das demonstraçoes contabeis, podendo ser uma unica
entidade ou um conjunto de entidades.

• Demonstrações Consolidadas e Não Consolidadas:

o Demonstraçoes consolidadas incluem os resultados de todas as entidades controladas.

o Demonstraçoes nao consolidadas referem-se apenas a entidade controladora.

Demonstrações Contábeis Consolidadas e Não Consolidadas

1. Conceito Geral

• Demonstrações Consolidadas: Apresentam informaçoes financeiras da controladora e suas


controladas como uma unica entidade.

• Demonstrações Não Consolidadas: Focam apenas nas informaçoes financeiras da controladora.

2. Importância das Demonstrações Consolidadas

• Avaliação de Fluxos de Caixa: Permitem avaliar os futuros fluxos de entrada de caixa da controladora,
incluindo recebimentos de suas controladas.

• Informação Unificada: Fornecem uma visao holística da situaçao financeira da entidade como um
todo.

3. Diferenciação entre Consolidadas e Não Consolidadas

• Objetivo das Consolidadas: Nao fornecem informaçoes separadas de controladas; e voltada para a
visao total da entidade.

• Objetivo das Não Consolidadas: Fornecem informaçoes sobre a controladora apenas, uteis para
investidores e credores.

4. Utilidade das Demonstrações Não Consolidadas

• Reivindicações Limitadas: Credores da controladora nao tem reivindicaçao direta sobre as


controladas.

• Distribuições: Em algumas jurisdiçoes, os valores distribuíveis dependem das reservas da


controladora.

5. Informações Adicionais nas Demonstrações Não Consolidadas

• Notas Explicativas: Podem incluir informaçoes sobre ativos e passivos da controladora.

• Limitação: As informaçoes nao sao suficientes para atender completamente as necessidades dos
investidores e credores.
6. Elaboração das Demonstrações

• Obrigações e Escolhas: A controladora pode ser obrigada a elaborar ambas as demonstraçoes ou


optar por faze-lo.

7. Elementos das Demonstrações Contábeis

• Ativos: Recursos economicos controlados pela entidade, com potencial de gerar benefícios futuros.

• Passivos: Obrigaçoes de transferir recursos economicos, resultantes de eventos passados.

• Patrimônio Líquido: Diferença entre ativos e passivos, representando o capital proprio da entidade.

Bases de Mensuração

1. Custo Histórico:

o Definição:

▪ Fornece informaçoes monetarias sobre ativos e passivos, baseando-se no preço de


transaçao ou eventos que os originaram.

o Características:

▪ Nao reflete mudanças nos valores, exceto em casos de reduçao ao valor recuperavel.

▪ Custo de ativo: Valor dos custos na aquisiçao ou criaçao, incluindo contraprestaçao


e custos de transaçao.

▪ Custo de passivo: Valor da contraprestaçao recebida menos custos de transaçao.

o Uso Comum:

▪ Normalmente adotado na preparaçao das demonstraçoes contabeis, combinado


com outras bases.

2. Valor Atual:

o Definição:

▪ Reflete condiçoes atualizadas na data de mensuraçao.

o Características:

▪ Inclui mudanças em estimativas de fluxos de caixa desde a ultima mensuraçao.

o Subcategorias:

▪ Valor Justo:

▪ Preço que seria recebido pela venda de ativo ou pago pela transferencia de
passivo em transaçao ordenada.

▪ Reflete as expectativas de participantes do mercado.

▪ Determinado por observaçao em mercado ativo ou tecnicas de


mensuraçao.

▪ Valor em Uso:

▪ Valor presente dos fluxos de caixa que a entidade espera obter do uso do
ativo.

▪ Valor de Cumprimento:
▪ Valor presente do caixa ou recursos que a entidade espera transferir para
cumprir a obrigaçao.

3. Custo Corrente:

o Definição:

▪ Custo de um ativo equivalente na data de mensuraçao.

o Características:

▪ Inclui contraprestaçao que seria paga na data de mensuraçao mais custos de


transaçao.

o Custo Corrente de Passivo:

▪ Contraprestaçao recebida menos custos de transaçao.

Mensuração do Patrimônio Líquido

• Definição:

o O valor contabil total do patrimonio líquido e a diferença entre o total dos ativos reconhecidos
e o total dos passivos reconhecidos.

• Considerações:

o O valor contabil total nao corresponde ao valor de mercado total dos direitos sobre o
patrimonio.

APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO

1. Comunicação de Informações

• A entidade reporta informaçoes sobre:

o Ativos

o Passivos

o Patrimônio Líquido

o Receitas

o Despesas

• Importância da Comunicação:

o Aumenta a relevancia das informaçoes.

o Contribui para uma representaçao fidedigna.

o Melhora a compreensibilidade e comparabilidade.

2. Classificação

• Definição: Organizaçao de itens contabeis com base em características comuns para divulgaçao.

• Critérios de Classificação:

o Natureza do item.

o Papel (funçao) nas atividades da entidade.

o Forma de mensuraçao.

• Exemplo: Classificaçao de ativos em circulantes e nao circulantes.

3. Compensação
• Definição: Agrupamento de ativo e passivo em um unico valor líquido.

• Exemplo: ICMS a recuperar e ICMS a recolher.

• Nota: Geralmente nao e adequada, usada em casos pontuais.

4. Demonstração do Resultado e Demonstração do Resultado Abrangente

• Demonstração do Resultado: Fonte principal de informaçoes sobre desempenho financeiro.

o Todas as receitas e despesas sao incluídas, exceto em circunstancias excepcionais.

• Demonstração do Resultado Abrangente:

o Inclui receitas ou despesas de mudanças no valor corrente de ativos ou passivos, quando mais
relevante.

o Exemplo: Instrumentos financeiros avaliados a valor justo.

5. Agregação

• Definição: Soma de ativos, passivos, patrimonio líquido, receitas ou despesas com características
compartilhadas.

• Vantagens:

o Facilita a utilidade das informaçoes.

• Desvantagens:

o Pode ocultar informaçoes relevantes se a agregaçao for excessiva.

CONCEITOS DE CAPITAL E MANUTENÇÃO DE CAPITAL

1. Conceitos de Capital

• Conceito Financeiro:

o Capital como ativo líquido ou patrimonio líquido.

• Conceito Físico:

o Capital como capacidade produtiva da entidade.

2. Seleção do Conceito de Capital

• Baseada nas necessidades dos usuarios das demonstraçoes contabeis.

o Interesse no Capital Financeiro: Manutençao do capital nominal ou poder de compra.

o Interesse no Capital Físico: Capacidade operacional da entidade.

3. Manutenção de Capital

• Definições:

o Manutenção do Capital Financeiro:

▪ Lucro considerado auferido se o montante financeiro no fim do período exceder o


do início.

o Manutenção do Capital Físico:

▪ Lucro considerado auferido se a capacidade produtiva no fim do período exceder a


do início.

4. Relação entre Capital e Lucro


• O conceito de manutençao de capital e essencial para distinguir entre retorno sobre o capital e
recuperaçao do capital.

• Lucro:

o Montante remanescente apos deduzir despesas do resultado.

o Se despesas excederem receitas, resulta em prejuízo.

Redução ao Valor Recuperável de Ativos

Conceito Geral

• Definição: Ativos nao podem ser registrados na contabilidade por valores superiores aos benefícios
economicos esperados (venda ou uso).

• Importância: A analise de recuperabilidade e crucial para evitar sobreavaliaçao de ativos.

Legislação

• Lei 11.638/2007:

o Introduz o teste de recuperabilidade (impairment test) para ativos imobilizados e intangíveis.

o Art. 183: obriga a analise periodica de recuperaçao de valores de ativos.

Objetivo do Teste de Recuperabilidade

• Garantir que ativos estejam contabilizados por valores que nao excedam seus valores de recuperaçao.

• Reconhecer perdas quando o valor contabil exceder o valor recuperavel.

Abrangência do CPC 01

• Aplicação: Este Pronunciamento e aplicavel a todos os ativos, exceto:

o Estoques (CPC 16)

o Ativos de contrato (CPC 47)

o Ativos fiscais diferidos (CPC 32)

o Ativos de benefícios a empregados (CPC 33)

o Ativos financeiros (conforme CPCs aplicaveis)

o Propriedades para investimento (CPC 28)

o Ativos biologicos (CPC 29)

o Custos de aquisiçao diferidos e ativos intangíveis de seguros (CPC 11)

o Ativos nao circulantes mantidos para venda (CPC 31)

Definições Importantes

• Valor Recuperável: Maior valor entre o valor justo líquido de venda e o valor em uso.

• Valor em Uso: Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados de um ativo.

• Valor Justo: Preço que seria recebido pela venda de um ativo em uma transaçao nao forçada.

Cálculo do Valor Recuperável

1. Determinação do Valor Contábil:

o Valor de aquisiçao

o Menos depreciaçao, amortizaçao e exaustao.


o Formula:

2. Cálculo do Valor Recuperável:

o Valor Justo Líquido de Despesas de Venda:

▪ Valor pelo qual o ativo pode ser vendido, descontando despesas de venda.

o Valor em Uso:

▪ Fluxos de caixa esperados trazidos a valor presente.

▪ Formula:

3. Comparação:

o Valor Contábil vs. Valor Recuperável:

▪ Se o valor contabil e maior que o valor recuperavel: reconhecimento de perda.

▪ Se o valor contabil e menor: nao ha ajuste necessario.

Procedimentos de Ajuste

• Reconhecimento de Perda: Ajuste necessario quando o valor contabil excede o valor recuperavel.

• Reversão de Ajuste: Procedimentos para reverter perdas quando houver recuperaçao do valor.

Periodicidade de Realização do Impairment Test

1. Avaliação Periódica

• A entidade deve avaliar, ao fim de cada período de reporte:

o Se ha indícios de que um ativo pode ter sofrido desvalorizaçao.

o Se houver indícios, a entidade deve estimar o valor recuperavel do ativo.

• Se nao houver indícios, a estimativa formal esta dispensada.

2. Ativos com Avaliação Formal Necessária

• Goodwill: Deve ser avaliado anualmente ou sempre que houver indícios de desvalorizaçao.

• Intangíveis com Vida Indefinida: Avaliaçao formal obrigatoria, independentemente de indícios.

• Intangíveis Não Utilizados: Avaliaçao obrigatoria, mesmo sem indícios.

3. Reversão de Perdas

• Perda Reconhecida: Se houve perda por recuperabilidade em um exercício anterior, e no exercício


subsequente houver aumento do valor recuperavel, a entidade deve reverter essa perda.

• Limite de Reversão: O valor revertido nao pode exceder o valor contabil do ativo antes do
reconhecimento da perda.

4. Identificação de Desvalorização

• Condição de Desvalorização: A desvalorizaçao ocorre quando o valor contabil do ativo excede seu
valor recuperavel.

• Fatores Indicadores:
o A entidade deve considerar indicadores externos e internos.

5. Indicadores Externos

• Valor do Ativo: Diminuiçao significativa do valor do ativo alem do esperado devido ao uso normal.

• Mudanças Adversas: Alteraçoes no ambiente de mercado, tecnologico ou legal que afetam a entidade.

• Taxas de Juros: Aumento das taxas de juros que pode diminuir o valor recuperavel.

• Valor de Mercado: Valor contabil do patrimonio líquido maior que o valor de mercado das açoes da
entidade.

6. Indicadores Internos

• Obsolescência ou Dano: Evidencias de obsolescencia ou dano físico ao ativo.

• Mudanças Operacionais: Mudanças na forma de utilizaçao do ativo, como inatividade ou


reestruturaçao.

• Desempenho Econômico: Relatorios internos indicando desempenho abaixo do esperado.

7. Procedimentos de Avaliação

• Estimativa Formal: Se ha indícios de desvalorizaçao, uma estimativa formal do valor recuperavel deve
ser realizada.

• Condições de Continuidade: Se mantida certeza razoavel de que o valor recuperavel e maior que o
valor contabil, nao ha necessidade de nova avaliaçao.

8. Revisão de Assumptions

• Revisão Necessária: A indicaçao de desvalorizaçao pode requerer revisao da vida util remanescente,
metodos de depreciaçao, amortizaçao e valor residual, mesmo se nao for necessario reconhecer uma
desvalorizaçao.

Mensuração do Valor Recuperável

1. Definição de Valor Recuperável

• Valor Recuperável: Maior valor entre:

o Valor Líquido de Despesas de Venda: Valor que se espera receber na venda do ativo,
deduzidas despesas.

o Valor de Uso: Valor presente dos fluxos de caixa futuros que o ativo pode gerar.

2. Condição de Avaliação

• Se qualquer um dos valores (valor líquido de despesas de venda ou valor de uso) exceder o valor
contabil do ativo, nao ha desvalorizaçao.

• Apenas calcular o valor de uso se o valor líquido de despesas de venda for menor que o valor contabil.

3. Exemplificação

• Exemplo:

o Valor contabil: R$ 100.000

o Valor líquido de despesas de venda: R$ 130.000

o Resultado: Nao e necessario calcular o valor em uso, pois o valor líquido ja supera o valor
contabil.

4. Cálculo do Valor Líquido de Despesas de Venda

• Deduçoes a serem consideradas:


o Despesas legais.

o Tributos.

o Despesas de remoçao do ativo.

o Gastos diretos para colocar o ativo em condiçao de venda.

• Exclusões:

o Despesas com demissao e reorganizaçao nao sao consideradas despesas incrementais.

5. Cálculo do Valor de Uso

• Definição: Valor gerado pela utilizaçao do ativo, ajustado a valor presente.

• Passos:

o Estimar futuras entradas e saídas de caixa.

o Aplicar uma taxa de desconto adequada.

6. Bases para Estimativas de Fluxos de Caixa Futuros

• Critérios:

o Estimativas devem ser razoaveis e baseadas em analise economica.

o Período maximo de 5 anos para previsoes (exceto justificativas para períodos mais longos).

o Excluir fluxos de caixa de reestruturaçoes futuras.

7. Projeções

• Baseadas em orçamentos e previsoes financeiras:

o Fluxos de caixa em condiçoes atuais do ativo.

o Considerar entradas e saídas necessarias para gerar caixa.

8. Reconhecimento de Perda por Desvalorização

• Condição: Valor recuperavel inferior ao valor contabil.

• Ação: Reduzir o valor contabil ao valor recuperavel, reconhecendo a perda.

• Contabilidade:

o Reconhecer no resultado do exercício, exceto se o ativo for reavaliado.

9. Perda por Recuperabilidade de Ativos Reavaliados

• Se o valor recuperavel for inferior ao valor contabil, o ativo deve ser reduzido ao valor recuperavel.

• Tratamento:

o Reconhecer perdas em outros resultados abrangentes se o ativo foi reavaliado.

10. Identificação da Unidade Geradora de Caixa

• Critérios:

o Estimar o valor recuperavel individualmente.

o Se nao for possível, determinar pela unidade geradora de caixa.

• Exemplo de Unidade Geradora: Grupo de ativos que gera entradas de caixa independentemente.

11. Valor Recuperável e Valor Contábil de uma Unidade Geradora de Caixa


• Cálculo do Valor Recuperável: Maior entre valor líquido de venda e valor de uso.

• Cálculo do Valor Contábil: Inclui apenas ativos que geram entradas de caixa.

12. Considerações sobre Passivos

• Passivos devem ser considerados se necessarios para a comparaçao entre valor contabil e valor
recuperavel.

• Na venda, considerar passivos que o comprador assumiria.

13. Resumo dos Procedimentos

• Mensuraçao do valor recuperavel envolve avaliaçao criteriosa e metodica.

• Cada ativo deve ser tratado conforme suas características e condiçoes economicas.

Reversão da perda por desvalorização

1. Avaliação da Reversão

• Periodicidade: A entidade deve avaliar ao final de cada período de reporte se a perda por
desvalorizaçao reconhecida anteriormente para um ativo (exceto goodwill) pode ter diminuído ou
deixado de existir.

• Estimativa do Valor Recuperável: Se houver indicaçao de reversao, a entidade deve estimar o valor
recuperavel do ativo.

2. Indicações de Reversão

2.1 Fontes Externas de Informação

• Aumento do Valor de Mercado:

o Indicaçao observavel de aumento significativo no valor de mercado do ativo.

• Mudanças Favoráveis no Ambiente:

o Mudanças tecnologicas, de mercado, economicas ou legais que afetem positivamente o


ambiente em que a entidade opera.

• Diminuição das Taxas de Juros:

o Queda nas taxas de juros de mercado, o que pode impactar a taxa de desconto e aumentar o
valor recuperavel do ativo.

2.2 Fontes Internas de Informação

• Mudanças na Utilização do Ativo:

o Mudanças significativas na extensao ou na forma de utilizaçao do ativo que podem aumentar


seu desempenho.

• Desempenho Econômico:

o Evidencias de relatorios internos que indicam que o desempenho do ativo e ou sera melhor
que o esperado.

3. Ajustes Necessários

• Revisão de Estimativas:

o Se a perda por desvalorizaçao pode ter diminuído, pode ser necessario revisar a vida util
remanescente, metodo de depreciaçao ou amortizaçao do ativo.

4. Condições para Reversão

• Mudança nas Estimativas:


o A reversao da perda so e permitida se houver mudança nas estimativas utilizadas para
determinar o valor recuperavel apos a ultima desvalorizaçao.

• Limitação do Valor Contábil:

o A reversao nao pode elevar o valor contabil do ativo acima de seu valor original.

5. Reconhecimento da Reversão

• Registro no Resultado:

o A reversao deve ser reconhecida como receita no resultado ou como reversao da reserva de
reavaliaçao se o ativo foi reavaliado.

• Ajuste na Depreciação:

o Apos a reversao, a despesa de depreciaçao, amortizaçao ou exaustao deve ser ajustada,


considerando o valor contabil revisado.

Divulgações Necessárias

A entidade deve divulgar para cada classe de ativos:

• Montante das Perdas:

o O valor das perdas por desvalorizaçao reconhecido no resultado do período e a linha da


demonstraçao do resultado correspondente.

• Montante das Reversões:

o O valor das reversoes de perdas reconhecidas no resultado do período e a linha


correspondente.

• Perdas em Outros Resultados Abrangentes:

o Montante das perdas por desvalorizaçao de ativos reavaliados e suas reversoes, reconhecidas
em outros resultados abrangentes durante o período.

Ativo intangível

CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL

1. Conceito de Ativo Intangível

• Ativos intangíveis sao aqueles sem existencia física.

• Exemplos: direitos de exploraçao de serviços publicos (concessoes), marcas, patentes, fundo de


comercio adquirido.

• Legalmente regulado pela Lei 6.404/76 (com alteraçoes pela Lei 11.638/2007).

2. Classificação no Balanço Patrimonial

• Subgrupo criado pela Lei 11.638/2007.

• Os ativos intangíveis fazem parte do Ativo Não Circulante.

• Separaçao dos ativos corporeos (imobilizado) e incorporeos (intangível).

• Goodwill:

o Balanço individual: grupo de Investimentos.

o Balanço consolidado: grupo de Ativo Intangível.

3. Objetivo do CPC 04

• Definir o tratamento contabil de ativos intangíveis nao cobertos por outros pronunciamentos.
• Estabelecer criterios para o reconhecimento de ativos intangíveis.

• Orientar sobre a mensuraçao e divulgaçao de ativos intangíveis.

4. Alcance do Pronunciamento

• Aplica-se a contabilizaçao de ativos intangíveis, exceto em casos cobertos por outros pronunciamentos.

• Exclusões:

o Ativos financeiros (CPC 39).

o Recursos minerais (CPC 34).

o Estoques (CPC 16).

o Tributos sobre o lucro (CPC 32).

o Arrendamentos de ativos intangíveis (CPC 06).

o Benefícios a empregados (CPC 33).

o Goodwill (CPC 15).

o Contratos de seguro (CPC 11).

o Ativos mantidos para venda (CPC 31).

o Receita de contratos com clientes (CPC 47).

• Para ativos nao cobertos por normas específicas, aplica-se o CPC 04.

5. Critérios de Reconhecimento de Ativos Intangíveis

• Um ativo intangível deve ser reconhecido se, e somente se:

1. Provável geração de benefícios econômicos futuros.

2. Custo do ativo pode ser mensurado de forma confiável.

6. Avaliação Inicial

• O ativo intangível deve ser mensurado inicialmente ao custo.

• Inclui preço de compra e custos diretamente atribuíveis (taxas legais, testes, instalaçao).

7. Mensuração Após o Reconhecimento

• Duas opçoes de mensuraçao:

1. Modelo do Custo: ativo mantido ao custo menos amortizaçao e perdas por desvalorizaçao
acumuladas.

2. Modelo da Reavaliação: ativo e avaliado pelo valor justo, menos amortizaçao e perdas
acumuladas (aplicavel somente quando o valor justo pode ser determinado).

8. Vida Útil do Ativo Intangível

• Vida útil definida:

o Amortizaçao com base no padrao de consumo de benefícios economicos.

o Se nao puder ser determinado, usar metodo linear.

• Vida útil indefinida:

o Nao e amortizado, mas deve ser testado anualmente para verificar perda por desvalorizaçao.
9. Amortização

• Começa quando o ativo esta disponível para uso.

• Período e metodo de amortizaçao revisados, no mínimo, anualmente.

10. Perda por Desvalorização (Impairment)

• Teste de impairment deve ser realizado sempre que houver indicaçao de que o ativo intangível sofreu
perda de valor.

• Para ativos intangíveis com vida util indefinida ou ainda nao disponíveis para uso, o teste deve ser feito
anualmente.

11. Desreconhecimento de Ativos Intangíveis

• O ativo intangível deve ser desreconhecido quando:

1. Vendido ou alienado.

2. Nao sao mais esperados benefícios economicos de seu uso ou alienaçao.

• O ganho ou perda com o desreconhecimento deve ser reconhecido no resultado do período.

12. Divulgação

• As demonstraçoes financeiras devem divulgar:

o Vida util ou taxa de amortizaçao.

o Metodo de amortizaçao utilizado.

o Valor contabil bruto e a amortizaçao acumulada.

o Reconciliaçao do valor contabil no início e fim do período.

• Para ativos com vida util indefinida, a justificativa dessa indefiniçao deve ser claramente divulgada.

• As perdas por desvalorizaçao e reversoes tambem precisam ser divulgadas.

13. Ativos Internamente Gerados

• Pesquisas: gastos com pesquisa nao podem ser reconhecidos como ativos intangíveis.

• Desenvolvimento: pode ser reconhecido como intangível se atender aos seguintes criterios:

1. Viabilidade tecnica para completar o ativo.

2. Intençao de completar e usar ou vender o ativo.

3. Capacidade de uso ou venda.

4. Forma de gerar benefícios economicos futuros.

5. Recursos disponíveis para completar o desenvolvimento.

6. Capacidade de mensurar de forma confiavel os custos incorridos.

14. Diferenças entre Ativo Imobilizado e Ativo Intangível

• Se um ativo contem elementos tangíveis e intangíveis, deve-se avaliar qual componente e mais
significativo para definir a classificaçao.

• Exemplo:

o Software essencial para funcionamento de uma maquina: classificado como imobilizado.

o Software de gestao empresarial: classificado como intangível.


Amortização

• Definição: Alocaçao sistematica do valor amortizavel de um ativo intangível ao longo de sua vida util.

• Contabilização:

o Lançamento:

▪ D – Despesa com amortizaçao (despesa)

▪ C – Amortizaçao acumulada (conta retificadora do ativo)

Ativo

• Definição: Recurso economico presente controlado pela entidade, resultante de eventos passados.

• Recurso Econômico: Direito que tem o potencial de produzir benefícios economicos.

Valor Contábil

• Definição: Valor pelo qual um ativo e reconhecido no balanço patrimonial apos deduçoes.

• Cálculo:

o Valor do ativo – Amortizaçao acumulada – Perda por desvalorizaçao.

o Exemplo: se compramos um intangível no valor de R$ 100, a amortizaçao acumulada e R$ 10


e a perda por desvalorizaçao e R$ 5.

▪ Valor do intangível: R$ 100

▪ Amortizaçao acumulada: R$ 10

▪ Perda por desvalorizaçao: R$ 5

▪ Valor contábil: R$ 100 - R$ 10 - R$ 5 = R$ 85

Custo

• Definição: Montante pago em caixa ou equivalente, ou valor justo dado para adquirir um ativo.

• Formas de Custo:

o Pago: Valor efetivamente desembolsado.

o Valor Justo: Valor de mercado na data de aquisiçao.

o Valor Atribuído: Valor conforme disposiçoes de outros pronunciamentos contabeis.

Valor Amortizável

• Definição: Custo de um ativo menos o valor residual.

• Exemplo: Por exemplo, um ativo intangível com valor de R$ 1.000.000,00, amortizavel em 10 anos,
com valor residual de R$ 100.000,00.

o Valor de aquisiçao: R$ 1.000.000,00

o Valor residual: R$ 100.000,00

o Cálculo do valor amortizável:

▪ R$ 1.000.000,00 - R$ 100.000,00 = R$ 900.000,00

Ativo Intangível

• Definição: Ativo nao monetario identificavel sem substancia física.

• Exemplos: Softwares, patentes, marcas, direitos autorais.


Ativo Monetário vs. Não Monetário

• Ativo Monetário: Representado por dinheiro ou direitos a serem recebidos em dinheiro.

• Ativo Não Monetário: Nao e representado por dinheiro; inclui bens como estoque, imobilizado e
intangíveis.

Valor Residual

• Definição: Valor estimado que uma entidade obteria com a venda do ativo apos deduzir despesas
estimadas de venda.

• Condições: Considera a idade e as condiçoes esperadas para o fim da vida util do ativo.

Identificabilidade do Ativo Intangível

• Critérios:

o Identificável: Deve ser separavel ou resultar de direitos legais.

o Controlável: A entidade deve ter o poder de obter benefícios economicos futuros.

o Gerador de Benefícios Futuros: Deve gerar benefícios economicos futuros.

Goodwill

• Definição: Excesso de preço pago em uma compra sobre o valor de mercado dos ativos líquidos da
entidade.

• Exemplo:

o Valor de mercado da empresa: R$ 100.000

o Preço pago: R$ 120.000

o Goodwill: R$ 20.000 (nao identificavel individualmente).

Importância dos Critérios

• Itens que nao atendem aos criterios de ativo intangível devem ser reconhecidos como despesas no
momento da aquisiçao ou geraçao interna.

1. Critérios para Reconhecimento de Intangíveis

• Um intangível sera reconhecido se:

o Não Monetário: Deve ser identificavel e sem substancia física.

o Identificável: Deve ser separavel ou resultar de direitos legais.

o Controlável: A entidade deve ter o poder de obter benefícios economicos futuros.

o Gerador de Benefícios Futuros: A expectativa de benefícios economicos deve ser provavel.

2. Gasto Subsequente e Reconhecimento

• Manutenção vs. Aumento:

o A maioria dos gastos subsequentes visa manter os benefícios futuros e nao atende a definiçao
de intangível.

• Reconhecimento como Despesa:

o Gastos com marcas, títulos, logomarcas, e listas de clientes sao reconhecidos como despesas
quando incorridos.

• Condições para Reconhecimento:

o Os benefícios futuros devem ser provaveis e os custos devem ser estimados com segurança.
Aquisição Separada de Intangíveis

• Expectativa de Benefícios:

o O preço reflete a expectativa de benefícios futuros, mesmo com incerteza.

• Custo do Intangível:

o Inclui:

▪ Preço de compra

▪ Impostos de importaçao

▪ Impostos nao recuperaveis

▪ Custos diretamente atribuíveis (ex: testes, honorarios profissionais).

o Exclusões:

▪ Custos com propaganda, promoçao, treinamento e custos administrativos.

1. Reconhecimento de Custos

• O reconhecimento de custos cessa quando o ativo esta operacional.

• Exemplo:

o Gastos para colocar um software em uso sao contabilizados como parte do custo do
intangível.

Fundo de Comércio Adquirido (Goodwill)

• Definição: Valor pago a mais na aquisiçao de uma empresa, alem do valor justo dos ativos líquidos.

• Classificação:

1. Mais Valia: Diferença entre o valor justo e o valor contabil dos ativos líquidos.

2. Goodwill: Diferença entre o preço pago e o valor justo.

• Exemplo de Contabilização:

o Aquisiçao de Cia B por R$ 12.000:

▪ Valor justo dos ativos identificaveis: R$ 10.000

▪ Goodwill: R$ 2.000

Demonstrações Patrimoniais

• Balanço Patrimonial Individual:

o Apresenta participaçoes em controladas e coligadas.

• Balanço Consolidado:

o Considera a empresa e suas controladas como um unico grupo.

• Eliminação da Mais Valia:

o No balanço consolidado, a mais valia e eliminada contra os ativos e passivos que a originaram.

Teste de Recuperabilidade

• Goodwill nao e amortizado, mas deve passar por um teste de recuperabilidade.

• Avalia a expectativa de benefícios economicos atraves do conjunto investimento + goodwill.


Aquisição no Contexto de Combinação de Negócios

1. Definição de Combinação de Negócios

• Conceito: Transaçoes onde um adquirente obtem controle de uma ou mais atividades empresariais.

• Exemplo: Compra do estabelecimento empresarial da empresa Y pela empresa X.

2. Custo de Ativo Intangível

• Valor Justo: O custo de um ativo intangível adquirido e o seu valor justo na data de aquisiçao.

• Expectativa de Benefícios: O valor justo reflete as expectativas sobre a geraçao de benefícios


economicos futuros.

3. Mensuração do Valor Justo

• Critérios de Mensuração:

o Ativos Separáveis: Se um ativo intangível pode ser separado de outros bens, seu valor justo
pode ser mensurado com segurança.

o Exemplo de Separabilidade: Marca de agua mineral que pode ser vendida separadamente.

• Cenários de Mensuração:

o Mercado Ativo: Valor justo e o preço cotado.

o Sem Mercado Ativo: Baseia-se no que a entidade estaria disposta a pagar em uma negociaçao
informada.

4. Ativos em Conjunto

• Reconhecimento de Ativos: Ativos intangíveis que nao podem ser medidos separadamente devem ser
reconhecidos em conjunto.

• Exemplo: Título de revista que nao pode ser separado da base de dados de assinantes.

5. Goodwill

• Definição de Goodwill: Excesso de preço pago pela compra de um empreendimento sobre o valor de
mercado dos ativos líquidos.

• Goodwill Gerado Internamente:

o Não Reconhecido: Goodwill gerado internamente nao deve ser reconhecido como ativo.

o Justificativa: Falta de mensuraçao independente e de identificaçao do recurso.

Ativos Intangíveis Gerados Internamente

• Desafios de Reconhecimento:

o Dificuldades em avaliar se um ativo gerara benefícios futuros.

o Dificuldade em determinar o custo com segurança.

o Dificuldade em separar o ativo do goodwill e das operaçoes normais.

Fases da Geração de Ativos Intangíveis

1. Fase de Pesquisa

• Reconhecimento: Nenhum ativo intangível deve ser reconhecido.

• Tratamento Contábil: Gastos reconhecidos como despesa quando incorridos.

• Atividades de Pesquisa:
o Obtençao de novo conhecimento.

o Busca de alternativas para produtos ou processos.

o Avaliaçao e seleçao de aplicaçoes de resultados.

2. Fase de Desenvolvimento

• Reconhecimento: Um ativo intangível deve ser reconhecido se:

o Viabilidade Técnica: Capacidade de concluir o ativo intangível para uso ou venda.

o Intenção: Intençao clara de usa-lo ou vende-lo.

o Capacidade de Uso: Capacidade de usar ou vender o ativo.

o Geração de Benefícios: Clareza sobre como o ativo gerara benefícios futuros.

o Disponibilidade de Recursos: Recursos tecnicos e financeiros disponíveis.

o Mensuração de Custos: Capacidade de mensurar com segurança os gastos atribuíveis.

Exemplos de Atividades de Desenvolvimento

• Projeto e construçao de prototipos.

• Teste de modelos pre-produçao.

• Desenvolvimento de ferramentas que utilizem nova tecnologia.

3. Itens Não Reconhecíveis

• Ativos Intangíveis Não Reconhecidos: Marcas, títulos de publicaçoes e listas de clientes gerados
internamente nao devem ser reconhecidos como ativos.

• Justificativa: Estes itens nao podem ser separados dos custos do desenvolvimento do negocio como
um todo.

Custo de Ativo Intangível Gerado Internamente

1. Reconhecimento Inicial

• Condições para Reconhecimento:

o Benefícios Econômicos: E provavel que o ativo traga benefícios economicos futuros.

o Mensuração Segura: O custo do ativo deve ser mensuravel com segurança.

o Cumprimento de Requisitos: Atender aos requisitos do item 57, que inclui viabilidade
tecnica, intençao de uso ou venda, capacidade de gerar benefícios, e disponibilidade de
recursos.

2. Componentes do Custo

• Custos Diretos Atribuíveis:

o Materiais e Serviços:

▪ Custos de insumos e serviços consumidos na criaçao do ativo.

o Benefícios a Empregados:

▪ Salarios, encargos e outros benefícios relacionados ao pessoal envolvido na criaçao


do ativo.

o Taxas de Registro:

▪ Custos legais e de registro necessarios para garantir direitos sobre o ativo.


o Amortização de Patentes e Licenças:

▪ Custos associados a patentes e licenças utilizadas no processo de desenvolvimento.

3. Reconhecimento de Despesa

• Regra Geral:

o Gastos sao reconhecidos como despesa no momento em que sao incorridos.

• Exceções:

1. Quando os gastos sao considerados custos do ativo.

2. Em combinaçoes de negocios, se nao puderem ser identificados como ativos, sao incorporados ao
goodwill.

4. Exemplificação do Goodwill

• Definição: O goodwill representa a diferença entre o valor pago por uma empresa e o valor justo de
seus ativos líquidos identificaveis.

• Exemplo:

o Se uma empresa avaliada em $100.000 e adquirida por $120.000, o goodwill seria $20.000,
que inclui capital intelectual, marca, e clientela.

5. Despesa Não Reconhecida como Ativo

• Regra Importante:

o Gastos reconhecidos como despesa nao podem ser reclassificados como custo de ativo
intangível em períodos futuros.

6. Mensuração Após Reconhecimento

• Mensuração Subsequente:

o Lei 6.404/76:

▪ Ativos intangíveis devem ser avaliados pelo custo, menos a amortizaçao acumulada.

▪ Requer analise periodica para registrar perdas de valor e revisar vida util.

7. Método de Custo

• Apresentação Contábil:

o O ativo deve ser apresentado ao custo, deduzido de amortizaçoes acumuladas e perdas por
desvalorizaçao.

8. Vida Útil

• Classificação:

o Definida: Tem um período previsível para a geraçao de benefícios e deve ser amortizada.

o Indefinida: Nao tem um período previsível; nao deve ser amortizada, mas precisa passar por
testes anuais de recuperabilidade.

9. Fatores que Influenciam a Vida Útil

• Econômicos: Determinam por quanto tempo a entidade recebera benefícios economicos.

• Legais: Restriçoes legais podem limitar o controle sobre os benefícios.

10. Ativo Intangível com Vida Útil Definida

• Amortização:
o O valor amortizavel deve ser apropriado sistematicamente ao longo da vida util.

o Início: Quando o ativo esta disponível para uso.

o Cessação: Ao ser classificado como mantido para venda ou quando baixado.

11. Métodos de Amortização

• Vários Métodos:

o Linear (Linha Reta): Amortizaçao uniforme ao longo da vida util.

o Saldos Decrescentes: Amortizaçao maior nos primeiros períodos.

o Unidades Produzidas: Baseada na produçao efetiva do ativo.

• Critério de Seleção: O metodo deve refletir o padrao de consumo dos benefícios economicos
esperados e ser aplicado de maneira consistente.

12. Ativo Intangível com Vida Útil Indefinida

• Tratamento Contábil:

o Nao deve ser amortizado, mas deve ser testado anualmente quanto a recuperabilidade.

o Mudanças na avaliaçao de vida util devem ser tratadas como mudanças de estimativa
contabil.

13. Exemplo de Vida Útil Indefinida

• Autorização de Rota de Linhas Aéreas:

o Condições de Renovação: Autorizaçao renovavel a cada cinco anos com custo mínimo.

o Tratamento: Se a empresa tem historico de renovaçao e intençao de manter a rota


indefinidamente, e considerada com vida util indefinida, nao sendo amortizada.

14. Teste de Recuperabilidade

• Necessidade de Teste: Ativos com vida util indefinida devem passar por testes anuais, mesmo sem
indícios de perda.

• Critérios de Avaliação: Verificar se o valor contabil do ativo supera seu valor recuperavel.

Amortização de Ativos Intangíveis

• Definição: A amortizaçao e o processo contabil que aloca o custo de um ativo intangível ao longo de
sua vida util.

1. CPC 04 e a Amortização Baseada em Receita

• Item 98A:

o Presunção refutável: O metodo de amortizaçao baseado na receita gerada por um ativo


intangível nao e considerado apropriado na maioria das situaçoes.

o Justificativa: A receita pode ser influenciada por fatores externos que nao refletem
diretamente o uso do ativo.

2. Fatores que Influenciam a Receita

• Variáveis Impactantes:

o Insumos e processos: Outros recursos necessarios para gerar receita.

o Atividades de venda: Estrategias de marketing e vendas que podem afetar a receita.

o Mudanças nos volumes e preços de venda: Variaçoes na demanda e na concorrencia.


o Efeitos da inflação: Aumento nos preços que nao afetam o consumo do ativo intangível.

3. Exceções à Regra Geral

• Circunstâncias que permitem exceções:

o Mensuração de receitas: Quando a receita e uma medida direta do ativo.

o Correlação alta: Quando existe uma relaçao demonstravel entre a receita gerada e o
consumo do ativo.

4. Fatores Limitantes e Escolha do Método de Amortização

• Item 98B:

o Identificação do fator limitante: Pode incluir tempo, unidades produzidas ou receita total.

o Exemplo prático: Um contrato de concessao pode especificar como base de amortizaçao:

▪ Tempo: Amortizaçao ao longo de anos.

▪ Unidades produzidas: Amortizaçao baseada na quantidade de produtos gerados.

▪ Receita esperada: Amortizaçao baseada na receita gerada pelos serviços


prestados.

5. Base de Amortização Quando o Fator Limitante é Receita

• Item 98C:

o Limite de receita como base: Quando o contrato estabelece um teto de receita.

o Exemplos:

▪ Concessão de mina: Receita total gerada ate um limite fixo (ex: R$ 2 bilhoes).

▪ Estrada com pedágio: Amortizaçao ate atingir um limite acumulado de pedagios


(ex: R$ 100 milhoes).

6. Métodos de Mensuração de Ativos Intangíveis

• Método de Custo:

o Descrição: Apresentaçao do ativo ao custo, menos amortizaçao acumulada e perdas.

o Diretrizes: Incluir todos os gastos diretamente atribuíveis ao ativo.

• Método de Reavaliação (nao mais permitido no Brasil):

o Descrição: Permite a apresentaçao do ativo pelo valor justo apos a reavaliaçao.

o Tratamento de aumentos: Aumento creditado na conta de outros resultados abrangentes.

o Tratamento de diminuições: Lançadas no resultado, a menos que haja reserva de


reavaliaçao disponível.

Teste de Recuperabilidade

• CPC 01:

o Avaliação anual: Verificaçao de desvalorizaçoes em ativos ao final de cada período de


reporte.

o Indicações de desvalorização: Se existirem, a empresa deve estimar o valor recuperavel do


ativo.

• Ativos com teste formal obrigatório:

o Goodwill: Agio pago por expectativa de rentabilidade futura.


o Intangíveis com vida útil indefinida: Ativos que nao sofrem amortizaçao regular.

o Intangíveis não disponíveis para uso: Ativos que ainda nao foram utilizados
operacionalmente.

1. Justificativa para Testes Especiais

• Risco de superavaliação: Ativos sem amortizaçao (goodwill e intangíveis indefinidos) podem


permanecer com valores contabeis elevados.

• Exigências do CPC:

o Teste anual para ativos: Avaliaçao de valor contabil versus valor recuperavel,
independentemente de indícios de perda.

Baixa e Alienação de Ativos Intangíveis

• Condições para baixa:

o Alienação: Quando o ativo e vendido.

o Falta de expectativa de benefícios: Quando nao ha mais expectativa de geraçao de receitas.

• Cálculo de Ganhos e Perdas:

o Fórmula: Ganho = Valor líquido de alienaçao - Valor contabil do ativo.

o Tratamento contábil: Ganhos reconhecidos como outras receitas, nao como receita de
venda.

Provisões, passivos e ativos contingentes

1. Objetivos do CPC 25

• Definir criterios para o reconhecimento, mensuraçao e divulgaçao de provisoes, passivos e ativos


contingentes.

Provisões

Definição

Provisoes sao passivos reconhecidos para cobrir obrigaçoes presentes que resultam de eventos passados, cuja
liquidaçao requer a saída de recursos, sendo razoavelmente estimaveis.

Critérios para Reconhecimento

Para que uma provisao seja reconhecida, e necessario:

• Obrigação Presente: Deve haver uma obrigaçao legal ou nao legal. A entidade deve ter uma
expectativa de que a obrigaçao sera cumprida, mesmo que nao haja um contrato formal.

• Probabilidade de Saída de Recursos: A probabilidade de que a entidade tenha que pagar a obrigaçao
deve ser superior a 50%. Isso envolve uma analise qualitativa e quantitativa dos riscos envolvidos.

• Estimativa Confiável: O valor da provisao deve ser mensuravel. Se a estimativa for muito incerta, a
provisao nao deve ser reconhecida, embora a situaçao deva ser divulgada como passivo contingente.

Mensuração

• Valor Presente: As provisoes devem ser mensuradas ao valor presente das despesas esperadas para
liquidar a obrigaçao. Para isso, e utilizada uma taxa de desconto apropriada.

• Revisão Periódica: As provisoes devem ser revisadas em cada data de relatorio e ajustadas conforme
necessario, com base em novas informaçoes ou mudanças nas circunstancias.
Exemplo

Uma empresa reconhece uma provisao para pagamentos de indenizaçao a funcionarios no caso de demissao em
massa, considerando o numero esperado de demissoes e o valor medio das indenizaçoes.

Passivos Contingentes

Definição

Passivos contingentes sao obrigaçoes possíveis que surgem de eventos passados e cuja existencia sera
confirmada apenas pela ocorrencia de um ou mais eventos futuros incertos.

Reconhecimento

• Não Reconhecidos nas Demonstrações Financeiras: Passivos contingentes nao devem ser
reconhecidos nas demonstraçoes financeiras, exceto se a probabilidade de uma saída de recursos for
considerada remota.

• Divulgação: Devem ser divulgados em notas explicativas se:

o A probabilidade de que a obrigaçao se materialize for alta.

o O montante da obrigaçao puder ser estimado de forma confiavel.

Exemplo

Um litígio em andamento pode resultar em uma obrigaçao, mas como o desfecho e incerto, a empresa
apenas divulga a situaçao nas notas, informando que um julgamento desfavoravel poderia resultar em uma
obrigaçao, mas sem reconhecer um passivo.

Ativos Contingentes

Definição

Ativos contingentes sao ativos possíveis que surgem de eventos passados e cuja realizaçao sera confirmada
apenas pela ocorrencia de um ou mais eventos futuros incertos.

Reconhecimento

• Não Reconhecidos nas Demonstrações Financeiras: Assim como os passivos contingentes, os ativos
contingentes nao devem ser reconhecidos, mas devem ser divulgados se a probabilidade de realizaçao
do ativo for alta.

• Divulgação: Devem ser divulgados em notas explicativas, especialmente quando se espera que a
realizaçao seja mais provavel.

Exemplo

Uma empresa que esta processando outra por indenizaçao, e a expectativa e de que ganhara a açao, deve divulgar
essa expectativa nas notas, mas nao pode reconhecer um ativo ate que a indenizaçao seja recebida.

Considerações Práticas

• Impacto nas Demonstrações Financeiras: Provisoes impactam diretamente o resultado e o passivo


total da empresa, enquanto passivos e ativos contingentes influenciam a percepçao de risco e a saude
financeira da entidade.

• Princípios de Transparência: A divulgaçao de passivos e ativos contingentes e fundamental para a


transparencia, permitindo que os usuarios das demonstraçoes financeiras entendam os riscos e
potenciais obrigaçoes da empresa.

• Atualizações e Alterações: As provisoes devem ser ajustadas sempre que houver novas informaçoes
que afetem a estimativa do valor ou a probabilidade de pagamento. Isso deve ser documentado e
explicado nas notas.
Objetivo e Considerações Gerais sobre as Demonstrações Financeiras (CPC 26)

Objetivo do CPC 26

• O objetivo principal do CPC 26 e definir a base para a apresentaçao das demonstraçoes contabeis,
assegurando a comparabilidade entre as demonstraçoes de períodos anteriores da mesma entidade e
entre diferentes entidades. Isso e fundamental para a transpare ncia e confiança nas informaçoes
financeiras.

Componentes das Demonstrações Contábeis

1. Balanço Patrimonial:

o Apresenta a posiçao patrimonial e financeira da entidade em um determinado momento,


detalhando ativos, passivos e patrimonio líquido.

2. Demonstração do Resultado (DRE):

o Reflete o desempenho da entidade durante um período específico, mostrando as receitas e


despesas, e resultando no lucro ou prejuízo.

3. Demonstração do Resultado Abrangente:

o Complementa a DRE ao incluir outros itens de receita ou despesa que nao sao reconhecidos
na DRE, como ajustes de avaliaçao de ativos e passivos.

4. Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC):

o Apresenta as entradas e saídas de caixa da entidade durante um período, mostrando como as


operaçoes, investimentos e financiamentos impactam a liquidez.

Objetivos Específicos

• As demonstraçoes contabeis tem o objetivo de:

o Fornecer informaçoes uteis para investidores, credores, reguladores e outros interessados.

o Mostrar a capacidade da administraçao em gerir a entidade e prestar contas sobre os recursos


recebidos e utilizados.

o Oferecer uma visao clara sobre a saude financeira, desempenho e fluxos de caixa da entidade.

Premissa da Continuidade Operacional

• As demonstraçoes devem ser elaboradas sob a suposiçao de continuidade operacional, a menos que a
administraçao tenha intençao de liquidar a entidade ou cesse suas operaçoes.

• Se existirem incertezas relevantes que possam afetar essa premissa, devem ser divulgadas nas notas
explicativas. Essa informaçao e crítica, especialmente em períodos de crises economicas, como a
pandemia de COVID-19.

Regime de Competência

• A entidade deve utilizar o regime de competencia para elaborar suas demonstraçoes, reconhecendo
receitas e despesas no período em que ocorrem, independentemente do recebimento ou pagamento
em dinheiro.

• A DFC e uma exceçao, sendo preparada com base no regime de caixa, que considera o fluxo de caixa
real.

Materialidade e Agregação

• Cada classe relevante de itens semelhantes deve ser apresentada separadamente nas demonstraçoes
contabeis, permitindo uma analise clara e detalhada.
• Itens imateriais podem ser agrupados, desde que isso nao comprometa a transparencia. O CPC orienta
que, se um item nao for material individualmente, ele deve ser agregado a outros itens, facilitando a
compreensao sem sobrecarregar as demonstraçoes.

• A compensaçao entre ativos e passivos, e entre receitas e despesas, e geralmente proibida, a menos que
exigido por normas específicas. Isso evita confusoes sobre a verdadeira situaçao financeira da entidade.

Periodicidade e Comparabilidade

• As demonstraçoes contabeis devem ser apresentadas pelo menos anualmente, com informaçoes
comparativas do período anterior, permitindo a avaliaçao das tendencias ao longo do tempo.

• Se a data de encerramento do exercício mudar, a entidade deve explicar o motivo e informar que os
montantes apresentados nao sao inteiramente comparaveis.

Divulgação de Informações

• As entidades devem garantir que todas as informaçoes significativas sejam divulgadas, nao apenas nas
demonstraçoes, mas tambem nas notas explicativas, permitindo aos usuarios uma compreensao
abrangente da situaçao financeira e dos resultados da entidade.

Conjunto Completo das Demonstrações Contábeis

• Importância: Fundamental para provas e concursos; frequentemente cobrado em questoes.

1. Componentes do Conjunto Completo

1. Balanço Patrimonial:

o Definição: Mostra a situaçao financeira da entidade ao final do período.

o Elementos: Ativos, passivos e patrimonio líquido.

2. Demonstração do Resultado do Período (DRE):

o Definição: Resume as receitas e despesas do período.

o Objetivo: Mostrar lucro ou prejuízo.

3. Demonstração do Resultado Abrangente:

o Definição: Inclui itens de ganho ou perda que nao sao reconhecidos na DRE.

o Exemplos: Variaçoes em valor justo de investimentos.

4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL):

o Definição: Demonstra as alteraçoes no patrimonio líquido ao longo do período.

o Elementos: Aportes de capital, lucros retidos, reservas.

5. Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC):

o Definição: Reflete as entradas e saídas de caixa do período.

o Classificações: Atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

6. Notas Explicativas:

o Definição: Contem informaçoes adicionais sobre políticas contabeis e esclarecimentos.

o Objetivo: Ajudar a entender as demonstraçoes.

7. Informações Comparativas:

o Definição: Dados do período anterior, permitindo comparaçao.

o Importância: Proporciona contexto e analise de tendencias.


8. Balanço Patrimonial do Início do Período:

o Situação: Necessario quando aplicadas políticas contabeis retrospectivamente ou


reclassificaçoes.

9. Demonstração do Valor Adicionado (DVA):

o Definição: Apresenta a riqueza criada pela entidade.

o Exigência: Necessaria para companhias abertas ou quando reguladores exigem.

2. Comparação com a Lei 6.404/76 (Lei das SAs)

• Diferenças Chave:

o Demonstração do Resultado Abrangente: Nao mencionada na Lei das SAs.

o DLPA: Opcional na Lei, pode estar na DMPL, enquanto CPC 26 obriga a DMPL sem mencionar
a DLPA.

3. Considerações Gerais

• Representação Adequada: As demonstraçoes devem refletir fielmente a posiçao financeira,


desempenho e fluxos de caixa.

• Pronunciamentos Técnicos: A aplicaçao correta resulta em representaçoes apropriadas.

• Exceções Raras: Em situaçoes raras onde a conformidade com um requisito e enganosa, a entidade
pode optar por nao aplica-lo.

4. Exigências de Divulgação

Se a entidade nao aplicar um requisito de um pronunciamento tecnico, deve divulgar:

1. Conclusão de Apropriação: As demonstraçoes apresentam a posiçao financeira de forma apropriada.

2. Aplicação de Pronunciamentos: Indicar que aplicou, exceto o requisito específico nao aplicado.

3. Detalhamento da Exceção:

o Título do pronunciamento nao aplicado.

o Natureza da exceçao.

o Razao da nao aplicaçao ser apropriada.

4. Impacto Financeiro: Mostrar o efeito da nao aplicaçao nas demonstraçoes, se tivesse sido cumprido.
Identificação das Demonstrações Contábeis

• Clareza na Apresentação:

o Demonstraçoes contabeis devem ser claramente identificadas.

o Devem ser distinguidas de outras informaçoes no mesmo documento (ex: Relatorio da


Administraçao).

1. Informações Necessárias nas Demonstrações

• Identificação da Entidade:

o Nome da entidade e quaisquer alteraçoes desde o exercício anterior.

• Tipo de Demonstração:

o Indicar se se refere a uma entidade individual ou a um grupo de entidades.

• Data de Encerramento:

o Data que marca o termino do período de reporte.

• Moeda de Apresentação:

o Moeda utilizada, conforme o CPC 02 (ex: real, dolar).

• Nível de Arredondamento:

o Informaçao sobre o arredondamento utilizado (ex: em milhoes ou bilhoes).

Informações no Balanço Patrimonial

1. Divulgação Geral

• Rubricas Adicionais:

o Devem ser divulgadas rubricas que reflitam adequadamente as operaçoes da entidade,


classificadas conforme a natureza dos itens.

2. Detalhes sobre Capital Social

• Para Cada Classe de Ações:

o (a) Quantidade de Ações Autorizadas:

▪ Total de açoes que a empresa esta autorizada a emitir.

o (b) Quantidade de Ações Subscritas:

▪ (i) Açoes integralizadas: Açoes ja compradas e pagas.

▪ (ii) Açoes subscritas mas nao integralizadas: Açoes que foram comprometidas mas
ainda nao pagas.

o (c) Valor Nominal por Ação:

▪ Indicar o valor nominal ou afirmar que as açoes nao tem valor nominal.

o (d) Conciliação de Ações:

▪ Mostrar as mudanças na quantidade de açoes em circulaçao entre o início e o fim do


período.

o (e) Direitos, Preferências e Restrições:

▪ Detalhar os direitos associados a cada classe de açoes, incluindo:

▪ Restriçoes na distribuiçao de dividendos.


▪ Restriçoes no reembolso de capital.

o (f) Ações em Tesouraria:

▪ Informar sobre açoes mantidas pela propria empresa ou por subsidiarias.

o (g) Ações Reservadas para Emissão:

▪ Açoes disponíveis para emissao em funçao de opçoes e contratos, incluindo prazos


e montantes.

3. Reservas no Patrimônio Líquido

• Descrição das Reservas:

o Explicar a natureza e a finalidade de cada reserva no patrimonio líquido, como:

▪ Reserva legal.

▪ Reserva de lucros.

▪ Reserva estatutaria.

Demonstração do Resultado e Demonstração do Resultado Abrangente

1. Componentes da Demonstração do Resultado (DRE)

2. Demonstração do Resultado Abrangente (DRA)

• Componentes:

o (a) Resultado do Período:

▪ Detalhar o resultado líquido atribuível:

▪ A socios da controladora.

▪ A participaçao de nao controladores.

o (b) Outros Resultados Abrangentes:

▪ Resultados que nao afetam diretamente o resultado líquido, como:

▪ Ajustes de reavaliaçao de ativos.


▪ Variaçoes de ativos financeiros reconhecidos em outros resultados
abrangentes.

o (c) Total do Resultado Abrangente do Período:

▪ Soma do resultado líquido e de outros resultados abrangentes, apresentando o


impacto total sobre o patrimonio líquido.

Alterações no Patrimônio Líquido

• Mutações do Patrimônio Líquido:

o Evidenciar alteraçoes devido a:

▪ Integralizaçao de capital por socios.

▪ Resultados abrangentes totais.

▪ Distribuiçoes de dividendos.

Principais Pontos de Atenção na DRE

• Início a partir da Receita Líquida:

o A DRE deve começar com a receita líquida, com explicaçoes sobre a receita bruta em notas.

• Separação de Resultados Operacionais e Financeiros:

o Resultados operacionais devem ser separados das receitas e despesas financeiras,


evidenciando a performance operacional.

• Resultados de Operações Descontinuadas:

o Informaçoes sobre vendas de divisoes ou produtos que nao existirao mais no futuro,
apresentadas separadamente.

• Modelo Flexível de DRE:

o O CPC 26 permite personalizaçoes conforme a relevancia dos itens apresentados, podendo


incluir novas rubricas.

• Divulgação de Itens Materiais:

o Itens significativos de receitas e despesas devem ser destacados separadamente para


transparencia.

• Não Obrigatoriedade de um Modelo Rígido:

o A estrutura da DRE pode ser adaptada as necessidades da entidade, considerando a natureza


e a funçao dos componentes das receitas e despesas.

Formas de Apresentação das Despesas

A analise das despesas de uma entidade pode ser feita com base na sua natureza ou na sua função, conforme
permitido legalmente. A escolha do metodo deve proporcionar informaçoes confiaveis e relevantes, respeitando
as normativas vigentes.

1. Natureza das Despesas

• Método: As despesas sao agrupadas na demonstraçao do resultado segundo sua natureza (ex.:
depreciaçoes, compras de materiais, transporte, benefícios aos empregados, publicidade).

• Características:
o Nao ha realocaçao entre funçoes.

o Simplicidade na aplicaçao, pois nao requer alocaçao de gastos.

o Exemplo: Em vez de dividir a depreciaçao entre maquinas e escritorio, apresenta-se o total


da depreciaçao.

2. Função da Despesa

• Método: Classifica as despesas de acordo com sua funçao, como custos dos produtos vendidos,
despesas de distribuiçao ou administrativas.

• Características:

o A entidade deve divulgar separadamente o custo dos produtos e serviços vendidos.

o Este metodo pode fornecer informaçoes mais relevantes, mas requer alocaçao que pode ser
arbitraria e sujeita a julgamento.

o As despesas sao apresentadas por setor, como CMV (custo das mercadorias vendidas) e
despesas administrativas.

Legislação Brasileira

• Lei 6.404/76:

o Induz empresas a utilizarem o metodo da funçao para a apresentaçao de despesas.

o Proporciona um marco regulatorio claro.

• CPC 26:

o Nao proíbe o uso do metodo da natureza, mas nao menciona a obrigatoriedade de um metodo
específico.

o Afirma que a escolha entre os metodos deve considerar fatores historicos, setoriais e da
natureza da entidade.

Considerações para Provas

• Foco na Legislação:

o Tenha em mente que a Lei 6.404/76 incentiva o metodo da funçao.

• Flexibilidade da Escolha:

o Entenda que a escolha do metodo depende do contexto da entidade, de suas características e


necessidades específicas.

• Importância da Compreensão:

o Demonstre conhecimento sobre ambos os metodos e suas implicaçoes na analise financeira.

Demonstração dos Resultados Abrangentes (DRA)

1. Definição e Contexto

• Resultado Abrangente:

o Refere-se a mudança no patrimonio líquido de uma entidade durante um período.

o Inclui transaçoes e eventos que nao resultam de interaçoes com os socios como proprietarios.
2. Estrutura:

Descrição dos Componentes

1. Lucro Líquido do Exercício: Valor apurado na Demonstraçao do Resultado do Exercício (DRE).

2. Outros Resultados Abrangentes:

• Ajustes de Conversão do Período: Refere-se a ajustes devido a variaçoes cambiais e monetarias que
afetam ativos e passivos em moeda estrangeira.

• Ajustes de Avaliação Patrimonial: Inclui reavaliaçoes de ativos e perdas por impairment, que podem
influenciar o valor contabil dos ativos.

• Ganhos e Perdas em Investimentos: Refere-se a ajustes em investimentos avaliados pelo valor justo.

• Impostos sobre Outros Resultados Abrangentes: Impostos que incidem sobre os itens de resultados
abrangentes.

• Outros Ajustes: Inclui quaisquer outros ajustes relevantes que nao foram especificados
anteriormente.

2. Total dos Outros Resultados Abrangentes: Soma de todos os itens apresentados na seçao de outros
resultados abrangentes.

3. Resultado Abrangente Total: Soma do Lucro Líquido do Exercício com o Total dos Outros Resultados
Abrangentes.

3. Normas de Apresentação

• Vedação de Inclusão:
o A DRA nao pode ser apenas uma seçao da DMPL (Demonstraçao das Mutaçoes do Patrimonio
Líquido).

• Apresentação Separada:

o A DRA deve ser apresentada como uma demonstraçao independente da DRE.

4. Flexibilidade na Apresentação

• Conforme o CPC 26:

o Permissao para apresentaçao em uma unica demonstraçao:

▪ Seções:

1. Resultado do Período.

2. Outros Resultados Abrangentes.

o Opção de Apresentação Separada:

▪ A DRE deve ser apresentada primeiro, seguida pela DRA.

5. Legislação Brasileira

• Exigências Legais:

o A DRE deve ser apresentada separadamente, conforme a legislaçao societaria.

o Proibiçao de apresentar uma unica demonstraçao que combine a DRE e a DRA.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)

1. Objetivo da DMPL

• Finalidade: Mostrar as alteraçoes no patrimonio líquido de uma entidade durante um período


específico.

• Importância: Refletir a evoluçao do capital da empresa e a transparencia nas transaçoes com os


proprietarios.

2. Componentes a serem apresentados

• Resultado Abrangente do Período:

o Separação de Montantes:

▪ Total atribuível aos proprietarios da controladora.

▪ Montante correspondente a participaçao de nao controladores (minority interests).

• Efeitos das Alterações nas Políticas Contábeis:

o Reconhecimento de correçoes de erros, conforme as diretrizes do Pronunciamento Tecnico


CPC 23.

• Conciliação de Saldos:

o Para cada componente do patrimonio líquido, mostrar:

▪ Saldo Inicial: Montante no início do período.

▪ Resultado Líquido: Contribuiçao do lucro ou prejuízo do exercício.

▪ Outros Resultados Abrangentes:

▪ Ajustes de conversao.

▪ Ajustes de avaliaçao patrimonial.


▪ Transações com Proprietários:

▪ Integralizaçoes de capital (aumento de capital social).

▪ Distribuiçoes (dividendos pagos).

▪ Modificaçoes nas participaçoes em controladas (sem perda de controle).

3. Estrutura do Patrimônio Líquido

• Componentes do Patrimônio Líquido:

o Capital Social: Total de investimentos feitos pelos socios.

o Reservas de Capital: Reservas criadas por meio de operaçoes específicas.

o Ajustes de Avaliação Patrimonial: Reavaliaçao de ativos e passivos.

o Reservas de Lucros: Lucros retidos para reinvestimento ou reserva.

o Ações ou Quotas em Tesouraria: Açoes compradas de volta pela empresa.

o Prejuízos Acumulados: Resultados negativos acumulados.

o Lucros Acumulados: Lucros retidos e nao distribuídos.

o Outras Contas: Seguindo as exigencias dos Pronunciamentos do CPC.

4. Modelo de Apresentação da DMPL

Descrição dos Componentes

• Saldos Iniciais: Montantes de cada conta no início do período.

• Aumentos de Capital: Integralizaçoes de capital, como novos investimentos dos socios.


• Resultado Líquido: Lucro ou prejuízo do exercício.

• Outros Resultados Abrangentes: Itens que afetam o patrimonio líquido, como ajustes de conversao
e avaliaçoes.

• Distribuições (Dividendos): Montantes pagos aos acionistas durante o período.

• Saldos Finais: Montantes de cada conta ao final do período, calculados somando ou subtraindo as
movimentaçoes do saldo inicial.

Observações

• A DMPL deve refletir claramente as mudanças em cada componente do patrimonio líquido.

• E importante garantir que o saldo final de cada componente corresponda a movimentaçao e que a soma
total do patrimonio líquido esteja correta.

Notas Explicativas

• Informações que Devem Ser Apresentadas:

o Base para a elaboraçao das demonstraçoes contabeis.

o Políticas contabeis específicas utilizadas (conforme itens 117 a 124 do CPC).

o Informaçao adicional relevante que nao foi apresentada nas demonstraçoes.

• Divulgação de Políticas Contábeis:

o Base(s) de Mensuração: Metodos utilizados na avaliaçao de ativos e passivos.

o Outras Políticas Relevantes: Informaçoes que ajudem na compreensao das demonstraçoes.

• Divulgação de Pressupostos e Incertezas:

o Informar sobre pressupostos utilizados nas estimativas.

o Detalhar fontes de incerteza que possam impactar significativamente os valores contabeis.

• Dividendos:

o Montante de Dividendos Propostos: Valores propostos mas nao reconhecidos.

o Dividendos Preferenciais Cumulativos: Informaçoes sobre dividendos nao reconhecidos.

• Informações Adicionais sobre a Entidade:

o Domicílio e forma jurídica da entidade.

o Descriçao das operaçoes e principais atividades da entidade.

o Nome da entidade controladora e informaçoes sobre a duraçao da entidade se for constituída


por tempo determinado.

Apresentação das Notas

• Formato das Notas: As notas explicativas devem ser apresentadas de forma sistematica, podendo ser
agrupadas em seçoes para facilitar a consulta.

• Referências Cruzadas: Cada item das demonstraçoes contabeis deve ter referencia cruzada com as
notas explicativas para melhor entendimento.

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