Prescrições SP2
Prescrições SP2
Definições
❖ Compressão do nervo mediano no túnel do carpo
➢ Compressão pelo retináculo dos flexores
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Mononeuropatia por compressão do nervo mediano distal no túnel do carpo
❖ Quadro clínico
➢ Parestesias dolorosas em uma distribuição que inclui o território do nervo mediano
■ 3 primeiros dígitos + metade medial do quarto dedo
■
➢ Os sintomas são tipicamente piores à noite e despertam os pacientes afetando o sono
➢ A dor pode ser localizada no pulso ou envolver a mão inteira
➢ Perda sensorial fixa e fraqueza podem se desenvolver conforme ocorre aumento da gravidade
➢ A dor responde bem ao uso de órteses
➢ Cronicamente pode levar a perda de força de preensão da mão e atrofia do compartimento tenar
■ Fraqueza na pegada de precisão → movimento de pinça
➢ A queixa principal no aspecto motor é a perda de força
➢ O acometimento é bilateral, mas a mão dominante é a primeira a ser acometida
❖ Fatores de risco
➢ Mulheres > 40 anos
➢ Obesidade
➢ Gestação
➢ Hipotireoidismo
Diagnóstico
❖ 1. Feito por meio dos testes clínicos
➢ Dukan → mais sensível e específico
■ 1. Compressão direta do túnel do carpo - que deve levar aos sintomas em 30 segundos
■ 2. O examinador pressiona com os 2 polegares a região do carpo por 30 segundos
■
➢ Phalen
■ 1. Oposição do dorso das mãos - o que leva à compressão do túnel do carpo
● Manter os pulsos em flexão complexa por cerca de 1 minuto
■ 2. A posição deve ser sustentada por 1 minuto
■ 3. Se houver reprodução dos sintomas - dormência ou parestesias, em especial da ponta
dos dedos e da palma - teste positivo
■
➢ Tinel
■ 1. É feito por meio da percussão do nervo examinado
■ 2. Deve reproduzir uma sensação de choque ou formigamento na palma da mão ao longo
do seu trajeto
■ 3. Pode ser utilizado para qualquer síndrome compressiva de nervo periférico
❖ 2. Eletroneuromiografia → não é necessária para o diagnóstico
➢ Pode ser um exame normal no início
➢ Interessante - em casos de aspectos trabalhistas e legais - ou para consideração cirúrgica
❖ 3. Pesquisar doenças que podem estar associadas ao quadro
➢ Hipotireoidismo
Tratamento
❖ 1. Uso de órtese rígida em punho noturna
❖ 2. Encaminhamento para realização de fisioterapia
❖ 3. Realizar repouso relativo do membro afetado
➢ Evitar ao máximo atividades que causem o quadro
❖ Tratamento medicamentoso
➢ Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
➢ Prednisona 20mg
■ 1. Tomar 01 comprimidos 8/8h hoje
■ 2. Tomar 01 cp 12/12h por 3 dias
■ 3. Tomar 01 cp 24/24h por 3 dias
➢ Vitamina B
■ Avaliar a necessidade de reposição
❖ Se refratário ao tratamento medicamentoso após 3 meses
➢ 1. Cirurgia de descompressão do nervo mediano - liberação cirúrgica do retináculo flexor
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Definições e etiologia
❖ Alterações hormonais e físicas que podem contribuir para o desenvolvimento da s. do túnel do carpo
➢ Aumento da retenção de líquidos que ocorre durante a gravidez → inchaço nos tecidos ao redor
do túnel do carpo - comprimindo o nervo mediano
■ Prolactina, estrogênio e progesterona
■ Relaxina promove um afrouxamento de praticamente todos os ligamentos e bainhas
➢ Ocorre aumento de volume sanguíneo
➢ Postura e pesos adicionais
❖ Fatores de risco
➢ Nascimentos múltiplos
➢ Idade > 30 anos
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Mononeuropatia por compressão do nervo mediano distal no túnel do carpo em gestante
Tratamento
❖ Explicar a gestante que os sintomas tendem a desaparecer gradualmente ao longo de um período de
semanas após o parto
❖ 1. Orientar sobre postura adequada
➢ Mantenha uma postura correta ao se sentar, digitar ou realizar qualquer atividade manual
➢ Evitar dobramento excessivo dos pulsos, o que pode agravar a compressão
❖ 2. Realizar intervalos regulares
➢ Faça pausas regulares durante atividades que envolvam as mãos e os pulsos
❖ 3. Realizar exercícios suaves
➢ Exercícios leves de alongamento e fortalecimento das mãos e pulsos
➢ Movimentos circulares, abrir e fechar as mãos e flexionar os dedos podem ajudar a melhorar a
circulação e aliviar a tensão;
❖ 4. Aplicação de ergonomia
➢ Almofadas para apoiar os pulsos ao digitar, e ajuste a altura da cadeira e da mesa para uma
postura adequada;
❖ 5. Alívio do inchaço
➢ Elevar as mãos e pulsos sempre que possível - para ajudar a reduzir por gravidade o inchaço
❖ 6. Realização de fisioterapia
➢ Um fisioterapeuta especializado pode fornecer exercícios específicos e técnicas de alívio para
reduzir os sintomas da síndrome do túnel do carpo;
❖ 7. Acompanhamento médico
➢ Monitorar a progressão da síndrome e ajustar o plano de gerenciamento conforme necessário
❖ 8. Compressões mornas
➢ 15 minutos de 4/4h
❖ Tratamento medicamentoso
➢ 1. Uso de órteses noturnas - talas de punhos
➢ 2. Acupuntura pode ajudar
➢ Tratamentos com injeção local de corticóides só devem ser utilizadas em caso de refratariedade
ao tratamento não medicamentoso
➢ 3. Paracetamol 500 mg, tomar 01 cp 6/6h se dor
❖ Tratamento cirúrgico
➢ Pacientes sintomas moderados ou graves após tratamento conservador refratário
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Definições
❖ Compressão do nervo mediano mais proximal - na região do cotovelo
➢ Ocorre principalmente por compressão do músculo pronador redondo
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Mononeuropatia por compressão do nervo mediano proximal no túnel do carpo
❖ Quadro clínico
➢ Mistura de síndrome do túnel do carpo e compressão no NIV
➢ Costuma ocorrer em pacientes fisicamente ativos - ciclistas profissionais
➢ Os pacientes podem apresentar dor no antebraço + perda sensorial envolvendo o trajeto do nervo
mediano em palma de mão
➢ Perda sensorial sobre a eminência tenar também é típica
➢ Déficit motor
■ Preensão, flexão de punho e pinça
➢ Déficit sensitivo
■ Parestesia na face radial do antebraço e mão
❖ Testes eletrofisiológicos → eletroneuromiografia
➢ Revelam velocidade de condução mais lenta no antebraço - até bloqueio de condução em casos
graves
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Definições
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Mononeuropatia por compressão do nervo ulnar proximal na região do cotovelo
■ Pode causar dormência ou formigamento
■ Dor em antebraço e fraqueza em mãos
❖ Quadro clínico
➢ Os sintomas acometem os dedos 4 e 5 → dedo anelar e mínimo
■ Os sintomas pioram durante a flexão do cotovelo e durante à noite
■ O paciente costuma acordar em razão de formigamento da mão
■ Perda sensorial e parestesias
■
➢ Em casos graves pode haver acometimento motor - paciente apresenta piora na pegada
➢ Dor na região do cotovelo também é comum
➢ Envolvimento dos músculos do antebraço inervados pela ulna leva à fraqueza na flexão dos dedos
e do punho
Diagnóstico
❖ 1. Clínico
➢ Exame físico
■ Dor à palpação ou subluxação do nervo ulnar do cotovelo, ou mesmo sinal de tinel na
topografia do nervo no cotovelo.
■ A reprodução dos sintomas com o cotovelo totalmente fletido também sugere
fortemente o diagnóstico
➢ Sinal de Wartenberg
■ Inabilidade de adução do dedo mínimo - geralmente ocorre tardiamente por fraqueza
muscular
➢ Pode ocorrer atrofia da musculatura intrínseca da mão - com garra dos dedos anular e mínimo
- e perda de força de pinça
■ Sinal de froment → flexão da articulação interfalangiana do polegar tentando
compensar a perda de força do músculo adutor do polegar
❖ 2. Eletroneuromiografia
➢ Mais úteis em casos em que o local de compressão é incerto - ou em casos de suspeita de
polineuropatias ou doenças desmielinizantes
❖ O diagnóstico pode ser confirmado por testes eletrodiagnósticos ou por USG e RM - quando o diagnóstico
clínico for suspeitado
Tratamento
❖ 1. Uso de órteses para imobilização do cotovelo em flexão de 45 a 70°
➢ + Imobilização de punho - para neutralizar a ação do flexor ulnar do carpo
❖ 2. Tratamento medicamentoso
➢ Primeira linha
■ 1. Dipirona 500 mg VO até de 6/6h se dor
➢ Casos refratários ao analgésico
■ 1. Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 5-10 dias
■ 2. Cetoprofeno 25-50 mg 8/8h por 5-10 dias
➢ Em caso de dor crônica refratária
■ 1. Amitriptilina 25 mg VO à noite
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●
➢ 5. Digitopressão subacromial
■ costuma provocar dor focal, especialmente quando associada à bursite secundária.
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Definições
❖ É uma doença atrelada ao envelhecimento e a atividades acima do nível dos ombros e da cabeça
❖ Ocorre inflamação crônica dos tendões do manguito rotador - tendinopatia - que pode evoluir para
ruptura - lesão do manguito rotador
➢ Acomete principalmente pacientes > 40 anos
❖ Atividades causais
➢ Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho - DORT
➢ Trabalhos domésticos
➢ Trabalhos esportivos
Tratamento
❖ O diagnóstico clínico já permite iniciar o tratamento
➢ 1. Analgésicos simples - opioides se necessário
➢ 2. Fisioterapia
■ Com analgesia - ganho de amplitude de movimentos
■ Fortalecimento isométrico
❖ Não fazer
➢ 1. Uso de AINE
■ Por se tratar de uma doença com inflamação crônica
■ E a maioria dos pacientes é idoso - sendo contraindicado
➢ 2. Imobilizar o ombro
■ Pode ocorrer a formação de capsulite adesiva - ombro congelado
❖ Tratamento cirúrgico indicado para casos refratários
➢ Mais de 6 meses de fisioterapia são insuficientes
➢ Descompressão subacromial e reparo dos tendões rompidos
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Definições
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Síndrome do impacto - dor no ombro - compressão do tendão do supraespinhoso na região
acromial ou do subescapular
➢ Causado pela impactação da tuberosidade maior contra o acrômio
■ O que lesa o tendão do músculo supraespinhal - na zona crítica de Codman
❖ Ocorre por inflamação crônica dos tendões do manguito rotador - tendinopatia - que pode evoluir para
ruptura do manguito
❖ Geralmente ocorre uma tendinite do supraespinhoso devido ao atrito e compressão repetitiva do
tendão no estreito espaço entre o arco duro da escápula e a cabeça do úmero
➢ Durante movimentos de levantar o braço, especialmente na flexão → elevação anterior
❖ Etiologias
➢ Trauma agudo
➢ Degeneração biológica do tendão com a idade
➢ Hipovascularização da zona de inserção do tendão supraespinhoso
➢ Fatores mecânicos – como a morfologia do acrômio
➢ Doenças osteomusculares relacionados ao trabalho - DORT
➢ Trabalhos domésticos
➢ Atividades esportivas
❖ Quadro clínico
➢ Dor crônica no ombro, intermitente, que piora com movimento de elevação do membro
superior
➢ Dor na região superior e lateral do ombro com qualquer movimento do braço acima da cabeça →
levantar o braço, empurrar objetos ou deitar por cima do ombro afetado
➢ A dor pode acordar o paciente à noite
■ Aliviando quando o paciente pende o braço ao lado da cama
➢ Há dor durante os movimentos de rotação e abdução e atividades acima do nível dos ombros
➢ Exame físico
■ Não há edema articular
■ Testes direcionados + palpação da musculatura + avaliação de mobilidade e sinais de
edema
❖ Fatores de risco
➢ Idade > 30 anos
➢ Acrômio curvo ou ganchoso
➢ Atividades ou esportes com os braços acima do ombro - voleibol, natação
●
➢ 2. Teste do impacto de Hawkins
■ 1. Partindo de uma posição de flexão anterior com o cotovelo flexionado a 90°
■ 2. O examinador realiza uma rotação interna passiva do membro a ser examinado
■ Teste positivo → quando paciente refere dor local
●
➢ 3. Teste de Yocum
■ 1. O paciente deve apoiar sua mão no ombro contralateral e fazer a elevação do cotovelo
- contra a resistência do examinador
■ Teste positivo → presença de dor
■
➢ Diagnóstico é feito por meio dos testes e confirmado por radiografias - permitem avaliar a
morfologia do acrômio
■ Ou por meio da ressonância magnética - que avalia os tendões do manguito
Diagnóstico
❖ Clínico → anamnese + exame físico
❖ Pode ser solicitado USG para auxílio diagnóstico ou RNM para um diagnóstico mais detalhado
Testes complementares
❖ Utilizados em caso de dúvida diagnóstica, programação cirúrgica ou avaliação de complicações - como
ruptura
❖ 1. Ultrassonografia musculoesquelética de manguito rotador
➢ Avaliação de lesões tendíneas e musculares superficiais
➢ Pode haver tendão heterogêneo, espessado ou rodeado por um halo anecoico - correspondente a
líquido local
➢ Pode haver alterações de rotura parcial ou total de tendão
➢ Acúmulo de líquido no interior da bursa subacromial
❖ 2. Ressonância magnética
Tratamento
❖ Intuito de aliviar a dor e trazer repouso ao tendão inflamado
❖ 1. Exercícios de alongamento pendular do membro superior afetado com peso de 2-4 kg
➢ Contraindicados os movimentos do braço acima da cabeça e de levantar, alcançar, puxar ou
empurrar objetos
❖ 2. Realizar repouso relativo do ombro - por 2 a 3 semanas
➢ Após este período - devem ser iniciados exercícios isométricos e isotônicos da musculatura local
❖ 3. Após o repouso relativo - iniciar fisioterapia
➢ 10 a 20 sessões de fisioterapia de ombro D ou de ombro E conforme quadro
❖ 3. Uso de crioterapia
➢ Bolsas de gelo local por 15-20 minutos 4/4h → durante 1-2 semanas
❖ 5. Terapia medicamentosa
➢ 1. Dipirona 500 mg VO 6/6h se dor
➢ 2. Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
■ Naproxeno 550 mg 1x/dia por 7-10 dias + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas
■ Cetoprofeno 100 mg de 12 em 12 horas + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas por 10 dias
❖ Se dor refratária
➢ Tramadol 50 mg de 6 em 6 horas - Dose máxima: 400 mg
➢ Codeína 30mg - 6/6hs
❖ Adjuvante
➢ Prednisona 20mg - Tomar 03 comprimidos hoje - 2 comprimidos por 3 dias e 1 comprimido por 3
dias.
➢ Ciclobenzaprina 5 a 10 mg 1x/dia antes de dormir
➢ Amitriptilina 25 mg - começa com 25 mg e pode chegar até 100mg/dia 1x/dia se dor crônica
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Definições
❖ Principal complicação da tendinite crônica do manguito rotador
❖ Lesão aguda do tendão cronicamente inflamado pode provocar um rasgo ou rotura do tendão
❖ Epidemiologia
➢ Mais comum > 50 anos → maior fragilidade das fibras tendinosas por conta da idade
➢ Pode ser longitudinal ou transversal - parcial ou completa
➢ Supraespinhoso é o principal - seguido do infraespinhoso
❖ Quadro clínico
➢ Suspeita → história recente de queda sobre o ombro ou movimentos bruscos de força - do tipo
puxar objetos pesados
➢ Exame físico
■ Fraqueza na abdução ou rotação externa do braço
■ Não ser capaz de levantar o braço sem peso é consistente com o diagnóstico de uma
rotura completa
❖ Testes clínicos
➢ 1. Teste de Jobe → supraespinhoso
➢ 1. Paciente realiza uma flexão e abdução de 30° de membros superior e uma rotação interna -
apontando os polegares para o chão - lata vazia
➢ 2. O médico impõe uma resistência com ambas as mãos na altura do cotovelo do paciente e pede
para que ele realize uma flexão contra a resistência
➢ Em caso de inflamação → dor na face ântero-lateral do ombro sem fraqueza
➢ Em caso de rotura → Pode referir fraqueza se o músculo estiver comprometido + dor
■
❖ 4. Teste de Patte
➢ 1. O paciente é instruído a realizar uma abdução do braço a 90° e flexão do cotovelo à 90° +
rotação do braço contra a resistência do médico imposta na altura do punho do paciente →
direcionado para o tendão do músculo infra-espinhoso
➢ Ruptura do manguito rotador → dor na altura do ombro, que poderá descer pela face ântero-
lateral do braço, ou impotência funcional do membro superior
➢
Confirmação diagnóstica
❖ RNM de ombro
❖ ou artro ressonÂncia - exame de maior acurácia
➢ Uso de contraste que penetra no rasgo do tendão
Tratamento
❖ 1. Conservador
➢ Casos em que pode ser adotada
■ 1. Casos de rotura longitudinal parcial, com fraqueza discreta
■ 2. Pacientes idosos sedentários
➢ Intuito de aliviar a dor e trazer repouso ao tendão inflamado
➢ 1. Exercícios de alongamento pendular do membro superior afetado com peso de 2-4 kg
■ Contraindicados os movimentos do braço acima da cabeça e de levantar, alcançar, puxar
ou empurrar objetos
➢ 2. Realizar repouso relativo do ombro - por 2 a 3 semanas
■ Após este período - devem ser iniciados exercícios isométricos e isotônicos da
musculatura local
➢ 3. Após o repouso relativo - iniciar fisioterapia
■ 10 a 20 sessões de fisioterapia de ombro D ou de ombro E conforme quadro
➢ 3. Uso de crioterapia
■ Bolsas de gelo local por 15-20 minutos 4/4h → durante 1-2 semanas
➢ 4. Uso de órteses para estabilização
➢ 5. Terapia medicamentosa
■ 1. Dipirona 500 mg VO 6/6h se dor
■ 2. Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
● Naproxeno 550 mg 1x/dia por 7-10 dias + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas
● Cetoprofeno 100 mg de 12 em 12 horas + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas por 10
dias
❖ 2. Abordagem cirúrgica
➢ Realizada no restante dos casos e nos casos refratários à terapia conservadora
➢ Realiza-se abertura do espaço subacromial e reconstrução do manguito rotador
■ Resultados satisfatórios
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Definições
❖ Compressão do plexo neurovascular em sua passagem pelo desfiladeiro torácico
❖ A compressão geralmente têm origem muscular é causada pelos músculos escalenos anterior e médio
➢ Em 30% dos casos - por uma costela cervical
❖ Quadro clínico
➢ Dor no ombro, associada a parestesia irradiada pelo território das raízes comprimidas
■ Geralmente são raízes baixas - como C8 e T1
➢ O fator causal é alguma posição inadequada em que o paciente ficou - como a posição para se
segurar no ônibus
➢ O paciente pode referir - uma tumoração supraclavicular - associada à costela cervical
❖ Diagnóstico
➢ Feito por meio dos testes clínicos
➢ Teste de adson → manobra dos escalenos
■ Intuito de reproduzir os sintomas e comprovar a compressão do feixe neurovascular
■ 1. Deve-se posicionar-se atrás do paciente e palpar o seu pulso radial
■ 2. Em seguida, pedir que abduza o ombro até 90° e inspire, virando a cabeça para o lado
contralateral ou ipsilateral
■ Diminuição do pulso indica teste positivo
➢ Caso suspeite de uma costela cervical
■ Uma radiografia da região permite fechar o diagnóstico etiológico
■ Geralmente não é necessário - por conta da compressão ser dinâmica e relacionada
musculatura
❖ Tratamento
➢ Tratamento conservador
■ Fisioterapia e alongamento dos escalenos
➢ Quando presente costela cervical
■ Pode ser feita a sua ressecção
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Definição
❖ Doença autolimitada de perda de movimentação ativa e passiva do ombro - bilateral em 30% das vezes
➢ Importante relação com a imobilização da articulação prolongada da articulação do ombro
➢ Ocorre uma proliferação de fibroblastos, levando a produção excessiva de colágenos tipo I e III
❖ Perda gradual dos movimentos ativos e passivos do ombro
➢ A condição também é caracterizada por dor intensa no ombro
❖ Fatores de risco
➢ Diabetes mellitus
➢ Sexo feminino
➢ Maior de 49 anos
➢ Discopatia cervical
➢ Imobilização prolongada
❖ A doença ocorre em 3 fases
➢
❖ Quadro clínico
➢ Dor, seguida de perda de movimentação ativa e passiva, seguida de melhora espontânea
➢ Dor intensa e incômoda à noite + rigidez global progressiva do ombro - incapacidade significativa
❖ Diagnóstico
➢ É suspeitado na fase de dor, mas geralmente confirmado na fase de congelamento
➢ Consideramos a perda de rotação interna como principal indicativo
■ Seria o primeiro movimento a ser perdido - seguido de rotação externa, abdução e flexão
➢ Teste de Apley
■ O paciente normalmente conseguiria levar a mão à região interescapular
■ Na capsulite adesiva - ela fica geralmente restrita à região sacral
❖ Ressonância magnética
➢ Deve demonstrar uma perda de espaço articular
➢ Pode-se associar o uso de contraste para auxiliar
❖ Tratamento
➢ Fisioterapia para ganho de movimentos
➢ Analgesia
➢ Últimos casos → movimentação sob sedação
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BURSITES
Bursa = estrutura semelhante a um saco, cheia de líquido, revestida por uma membrana sinovial que se forma em
fendas entre estruturas móveis no sistema músculo-esquelético.
● Bursas profundas nos tecidos - bursas trocantéricas ou subacromiais → reduzem o atrito dos músculos
conforme eles deslizam uns sobre os outros ou sobre proeminências ósseas.
● Bursas mais superficiais - olecranianas, isquiáticas ou pré-patelares → servem para amortecer o atrito
entre a pele e o osso.
Fisiopatologia
A bursite pode resultar de qualquer uma ou combinação das seguintes causas:
1. Lesão direta ou trauma → geralmente resulta em uma bursite hemorrágica.
2. Pressão prolongada → pode ocorrer após ajoelhar-se ou apoiar-se prolongadamente em uma
estrutura, como o cotovelo.
3. Uso excessivo ou atividade extenuante.
4. Processos induzidos por cristais → bursite gotosa aguda ou na gota tofácea de longa duração.
5. Artrite inflamatória → pode ocorrer em condições como artrite reumatóide ou espondiloartrite (por
exemplo, artrite psoriática).
6. Infecção (bursite séptica) → trânsito transcutâneo de bactérias de lesões penetrantes ou
microtraumas (mais comumente) ou semeadura hematogênica (menos comumente).
Manifestações clínicas
● A suspeita de uma bursite vem do aparecimento de dor bem localizada em um ponto, correspondente a
uma bursa conhecida.
○ É diferenciada da artrite, pois a dor é generalizada pela articulação e piora com seus movimentos,
além de haver sinais de derrame articular.
● Dor e edema, com grau variável de limitação da amplitude de movimento do cotovelo.
Exame físico
● Sinais óbvios de edema e inflamação - processos superficiais → bursite olecraniana, pré-patelar,
infrapatelar ou retrocalcânea.
Diagnóstico
● Usualmente clínico;
● Testes diagnósticos podem ser necessários se houver suspeita de infecção ou doença do cristal com base
no histórico médico inicial e no exame.
○ Punção da bursa para coleta de líquido e contagem celular, coloração GRAM, culturas e pesquisa
de cristais = referência para o diagnóstico.
● Aspiração e análise do fluido bursal: indicações:
○ Descartar a infecção.
■ Líquido insípido não sanguinolento (contagem de glóbulos brancos <500/mm3 ) é uma
característica da bursite não infecciosa e não cristalina.
○ Auxiliar no diagnóstico de um distúrbio microcristalino como a gota.
○ No caso de bursas superficiais, a aspiração do fluido bursal é quase sempre justificada quando há
derrame e sinais de inflamação local, como eritema ou sensibilidade.
Exames complementares:
● RX, USG, RN - normalmente não são necessários, particularmente no caso de bursa superficial, onde os
sinais de inflamação são demonstrados no exame físico.
● A necessidade de exames de imagem na avaliação das síndromes bursais profundas depende de
outros fatores, e muitas vezes não é necessário um diagnóstico anatômico preciso, principalmente na
avaliação inicial.
Tratamento
1. Bursite séptica:
a. Antibióticos para flora cutânea ou direcionados pelos testes microbiológicos do líquido aspirado.
2. Casos não infecciosos:
a. Repouso, gelo e AINH.
b. Uso regular de um AINE não seletivo:
i. Ibuprofeno (600 a 800 mg três vezes ao dia) por 7 dias
ii. Naproxeno (375 mg ou 500 mg duas vezes ao dia)
1. BURSITE SUBACROMIAL
Bursa subacromial → limitada inferiormente pelo tendão do músculo supraespinhoso (do manguito rotador) e
superiormente pelo acrômio e músculo deltóide.
● Secundária à tendinite do manguito rotador (“síndrome do impacto”).
● O paciente refere dor localizada em um ponto do deltóide distando poucos centímetros da borda do
acrômio.
Tratamento
1. AINE, imobilização de curto período com tipoia e, nos casos refratários, infiltração de corticoide no espaço
subacromial.
Bursite olecraniana
processo insidioso por lesão repetitiva, comum em indivíduos que sustentam peso frequentemente sobre os
cotovelos (estudar com os cotovelos apoiados, colocar tapetes).
● Pode ser causada por gota, artrite reumatoide e infecção (bursite séptica), geralmente após trauma com
pequenas abrasões na pele.
Diagnóstico
● Clínico, pela presença de um abaulamento na região olecraniana.
● A cronificação desta bursite é caracterizada pelo espessamento da bursa e redução dos sinais de flogose.
Tratamento
1. Casos não infecciosos → evitar a fricção e a pressão sobre os cotovelos (ex.: não usar os cotovelos para
levantar da cama) e pelo uso de crioterapia e AINE.
a. A resolução dos sintomas ocorre em poucas semanas.
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Definições
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Inflamação da inserção proximal da musculatura extensora do punho
■ Associada a extensão e supinação repetitivas
Diagnóstico
❖ Clínico
➢ Exame físico
■ Dor agravada pela digitopressão local
■ Agravada pelo ato de segurar firme um objeto - levantar uma caneca de café
■ Tem mobilidade preservada e dor agravada pela extensão ou desvio radial do punho
contra resistência
❖ Testes clínicos
➢ 1. Teste de Cozen
■ 1. Com o antebraço pronado e o cotovelo fletido em 90° junto ao corpo - o paciente deve
fazer a extensão do punho contra a resistência
■ Epicondilite lateral → dor no epicôndilo lateral durante a manobra
●
➢ 2. Teste de Mill
■ 1. 1. Com o antebraço pronado e o cotovelo estendido junto ao corpo - o examinador
força o punho em flexão e o paciente é orientado à resistir ao movimento
■ Epicondilite lateral → dor no epicôndilo lateral durante a manobra
❖ Exames complementares → podem auxiliar, mas não são essenciais para diagnóstico
➢ USG
■ Primeiro a ser solicitado
■ Pode ser utilizada para o diagnóstico de epicondilite lateral
■ Regiões focais hipoecogênicas no tendão, calcificações na aponeurose extensora e
roturas tendíneas parciais ou completas
➢ USG doppler colorida
■ Múltiplos vasos sanguíneos na origem extensora do cotovelo dos pacientes.
➢ Ressonância magnética → mais sensível
■ Geralmente solicitado em casos muito refratários
■ Aumento de sinal nas imagens pesadas em T1 e T2 na origem extensora do epicôndilo
lateral, bem como aumento da espessura tendínea nos cotovelos sintomáticos.
■ Alterações de sinais compatíveis com micro rupturas das fibras colágenas e com
proliferação fibrovascular também têm sido relatadas.
●
➢ Radiografia de cotovelo
■ Pode evidenciar em 7% dos casos - calcificação na região de epicôndilo lateral - o que
não altera o tratamento
■ Mais utilizado para exclusão de diagnósticos diferenciais
● Osteoartrite
● Artrite reumatóide
Tratamento
❖ 1. Observação e orientação do paciente sobre o quadro
❖ 2. Encaminhamento para tratamento fisioterápico
➢ Alongamento e fortalecimento da musculatura extensora do antebraço
❖ 3. Uso de órteses - no punho do paciente e na região proximal do antebraço
➢ Cintas elásticas que comprimem a musculatura extensora
❖ 4. Uso de crioterapia
➢ Bolsas de gelo local por 15-20 minutos 4/4h → durante 1-2 semanas
❖ 5. Realizar repouso relativo do membro - 1-2 semanas
❖ 6. Tratamento medicamentoso
➢ 1. Dipirona 500 mg VO 6/6h se dor
➢ 2. Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
■ Naproxeno 550 mg 1x/dia por 7-10 dias + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas
■ Cetoprofeno 100 mg de 12 em 12 horas + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas por 10 dias
➢ 3. Uso tópico
■ Diclofenaco sódico
❖ 7. Tratamento em casos refratários
➢ 1. Encaminhar paciente para ortopedia para realização de infiltração com corticosteroides
■ 40 mg/ml (1 ml) de acetato de metilprednisolona + cloridrato de lidocaína sem
vasoconstritor 1 ml - na bursa subacromial.
❖ 8. Abordagem cirúrgica em casos refratários
➢ Raramente é indicado
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Definições
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Inflamação da musculatura flexora-pronadora na inserção do epicôndilo medial
●
❖ Exames complementares
➢ USG
■ Primeiro a ser solicitado
■ Pode ser utilizada para o diagnóstico de epicondilite medial
■ Regiões focais hipoecogênicas no tendão, calcificações na aponeurose extensora e
roturas tendíneas parciais ou completas
➢ USG doppler colorida
■ Múltiplos vasos sanguíneos na origem extensora do cotovelo dos pacientes.
➢ Ressonância magnética → mais sensível
■ Geralmente solicitado em casos muito refratários
■ Aumento de sinal nas imagens pesadas em T1 e T2 na origem extensora do epicôndilo
medial, bem como aumento da espessura tendínea nos cotovelos sintomáticos.
■ Alterações de sinais compatíveis com micro rupturas das fibras colágenas e com
proliferação fibrovascular também têm sido relatadas.
➢ Radiografia de cotovelo
■ Pode evidenciar em 7% dos casos - calcificação na região de epicôndilo lateral - o que
não altera o tratamento
■ Mais utilizado para exclusão de diagnósticos diferenciais
● Osteoartrite
● Artrite reumatoide
Tratamento
❖ 1. Observação e orientação do paciente sobre o quadro
❖ 2. Encaminhamento para tratamento fisioterápico
➢ Alongamento e fortalecimento da musculatura extensora do antebraço
❖ 3. Uso de órteses - no punho do paciente e na região proximal do antebraço
➢ Cintas elásticas que comprimem a musculatura extensora
❖ 4. Uso de crioterapia
➢ Bolsas de gelo local por 15-20 minutos 4/4h → durante 1-2 semanas
❖ 5. Realizar repouso relativo do membro - 1-2 semanas
❖ 6. Tratamento medicamentoso
➢ 1. Dipirona 500 mg VO 6/6h se dor
➢ 2. Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
■ Naproxeno 550 mg 1x/dia por 7-10 dias + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas
■ Cetoprofeno 100 mg de 12 em 12 horas + dipirona 500 mg de 6 em 6 horas por 10 dias
➢ 3. Uso tópico
■ Diclofenaco sódico
❖ 7. Tratamento em casos refratários
➢ 1. Encaminhar paciente para ortopedia para realização de infiltração com corticosteroides
■ 40 mg/ml (1 ml) de acetato de metilprednisolona + cloridrato de lidocaína sem
vasoconstritor 1 ml - na bursa subacromial.
❖ 8. Abordagem cirúrgica em casos refratários
➢ Raramente é indicado
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Tenossinovite de Quervain
Definição:
Processo inflamatório que acomete a sinóvia e os tendões abdutor longo e extensor curto do polegar, dentro do 1o
compartimento extensor do punho.
Epidemiologia:
● Entre a 5ª e 6ª décadas de vida.
● Mulheres 6 vezes > que nos homens.
● Mulheres gestantes e durante o período de amamentação.
Etiopatogenia:
● O 1o compartimento extensor do punho encontra-se sobre o processo estilóide radial e consiste em um
túnel osteofibroso de cerca de 2 cm de extensão longitudinal. Seu teto é formado pelo ligamento transverso
carpal dorsal, e seu assoalho consiste em um sulco esculpido no processo estiloide radial. Contém os
tendões abdutor longo e extensor curto do polegar, que são acometidos, juntamente com sua membrana
sinovial.
● Atribuída a atividades que exigem abdução repetitiva do polegar, associada a desvio ulnar simultâneo do
punho.
● O tensionamento dos tendões do 1º compartimento extensor do punho, quando realizado de modo
repetitivo, provoca fricção dos tendões no ligamento transverso dorsal do punho, com subsequente edema
e/ou estreitamento do túnel osteofibroso.
● Tendões anômalos e variações anatômicas nos tendões ou em seus envoltórios podem contribuir para o
surgimento da doença, justificando a má resposta ao tratamento não cirúrgico em alguns pacientes.
Manifestações Clínicas
● Dor e edema na borda radial do punho, com início há semanas ou meses.
● A dor é agravada com movimentos do polegar e com o desvio ulnar do punho.
Diagnóstico
● Histórico clínico e exame físico do paciente.
● Pode ser confirmado por meio de USG ou RM do punho, podendo-se inclusive procurar por variações
anatômicas locais.
Tratamento
1. Tratamento não cirúrgico
● Em casos agudos - imobilização temporária do punho e polegar e terapia de mão.
○ Utiliza-se órtese antebraquiopalmar para polegar, posicionando-se o punho em discreta extensão
e o polegar em abdução.
● Infiltração com corticosteróide - índices de sucesso entre 50 e 80% após 2 infiltrações.
○ Casos agudos respondem melhor ao tratamento com infiltração;
○ Em pacientes diabéticos, baixo índice de sucesso é esperado.
● Na gestante ou em mulheres na fase de lactação, o tratamento não cirúrgico é extremamente efetivo,
e a tenossinovite tende a regredir após o período de lactação.
1. Analgésico comum:
Dipirona, 500-1.000 mg VO de 6/6 horas;
2. AINEs:
Cetoprofeno 25-50 mg de 8/8 ou de 6/6 horas, por 5 dias;
3. Infiltração periarticular (casos refratários):
Acetato de metilprednisolona 40 mg + Lidocaína 2% sem
vasoconstritor 1 mL;
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Epidemiologia
● Adulto, meia idade - idoso
Fisiopatologia: Por esforço repetitivo (LER) de flexão e extensão, o atrito do tendão e sua bainha sinovial através do
túnel fibroso pode causar uma tenossinovite. Com o passar do tempo, surge um foco de espessamento do tendão do
flexor superficial, geralmente ao nível da polia A1 (sobre a articulação metacarpofalangeana). Quando o paciente
flexiona o dedo acometido, o tendão fica preso na polia pelo nódulo, mantendo-se em posição de flexão (“gatilho”).
Quadro clínico
● Dor na base do dedo afetado, que pode irradiar para a porção distal e para a palma da mão, e costuma ser
desencadeada pela flexão do dedo.
● Pode sentir e ouvir um estalo, quando então o dedo fica “preso” em posição de flexão da falange média
sobre a falange proximal, lembrando um “gatilho” de revólver.
○ Esta flexão pode ir se desfazendo ao longo de horas.
○ Por vezes, o indivíduo acorda com o dedo flexionado.
Diagnóstico
● Feito pelo exame clínico.
○ A face ventral dos dedos deve ser palpada e, em seguida, é solicitado que o
paciente flexione e estenda os dedos da mão.
● O diagnóstico é confirmado na presença de:
○ (1) dor e/ou abaulamento na base do dedo afetado;
○ (2) dor à extensão passiva ou à flexão isométrica contra resistência;
○ (3) posição do “gatilho” (pode ou não ocorrer durante o exame).
Tratamento
● Conservador:
○ Imobilização do dedo com órteses, crioterapia e/ou AINE para dor.
● A infiltração de corticoide (20 mg de metilprednisolona) é indicada para aliviar a dor refratária e a
deformidade em “gatilho”.
○ Aceita-se até duas infiltrações.
● Após a melhora clínica, são recomendados exercícios de alongamento, em extensão do dedo.
● A cirurgia é reservada para os casos refratários, com a liberação da polia A1. O procedimento também
tem sido bem-sucedido por via percutânea.
1. Grau I: pré-gatilho – dor e edema sobre a polia A1, porém sem bloqueio.
2. Grau II (ativo) – bloqueio presente, e paciente consegue estender o dedo
ativamente.
3. Grau III (passivo) – bloqueio presente, e paciente não consegue estender o dedo
ativamente, necessitando auxílio da outra mão (grau III A) ou incapacidade de
flexionar ativamente (grau III B).
4. Grau IV (contratura) – contratura fixa do dedo, com IFP em flexão.
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Lombalgias
Definições
❖ Diagnóstico sindrômico
➢ Lombalgia - dor abaixo das escápulas e acima da prega glútea
➢ Principais causas
■ Mecânica, inflamatória, infecciosa
❖ Fatores de risco
➢ Mulheres
➢ Gestantes
➢ 40-69 anos
❖ Inclui o território do grande dorsal e de toda a musculatura abaixo dele - até a prega glútea
❖ Pode se irradiar para os membros inferiores - sem se dever a um acometimento do nervo ciático
❖ Lombalgia aguda ou crônica
➢ Lombalgia aguda = dura menos do que seis semanas; - 1 mês e meio
➢ Lombalgia subaguda = entre 6 e 12 semanas. - até 3 meses
➢ Lombalgia crônica = dura mais do que doze semanas. - acima de 3 meses
❖ Etiologias
➢ Primária → idiopática ou inespecífica
■ Lombalgia mecânica - músculo ligamentar e por osteoartrose da coluna
■ Por osteoartrose da coluna
➢ Secundárias
■ Fraturas por insuficiência
■ Estenose do canal e hérnia discal
■ Câncer
■ Espondilite anquilosante
■ Infecções
❖ Quadro clínico
➢ Dor localizada na região lombar - com possível irradiação para membros inferiores - região
posterior da coxa geralmente
■ Normalmente se relaciona a atividades ou esforço físico
■ Melhora com o repouso
■ Obesidade - aumenta a lordose fisiológica e força a musculatura lombar
■ Geralmente há dor à flexoextensão da coluna
➢ Não apresenta características neurológicas
■ Não há queimação, nem sensação de parestesias, não respeita dermátomos e não leva a
déficit motor ou sensitivo
■ Teste de lasegue é negativo - apenas dor na região posterior proximal da coxa
■ Em oposição a dor lombociatalgia - que é irradiada pelo esqueleto apendicular
➢ É autolimitada em 90% dos casos - recuperando entre 4 e 6 semanas
Diagnóstico
❖ Clínico
➢ Exame físico
■ Inspeção: avaliar contraturas, alterações da curvatura
■ Palpação: avaliar dor a palpação da região vertebral
■ Exame neurológico + extensão do MI
❖ Testes especiais
➢ 1. Teste de Lasegue
■ 1. Teste exclusivo para raízes baixas do ciátio - L4 a S1
■ 2. Paciente em decúbito dorsal e o joelho estendido, deve-se fazer a elevação da perna
● Em um ângulo de 30 a 60°,, devem-se reproduzir os sintomas de compressão
radicular → dor neuropática seguido pelo trajeto do dermátomo
● Dor irradiada pela região posterior da coxa, sem característica neuropática
= teste (-) = contratura muscular.
● Intervalo de 30° a 60° - Fora deste intervalo, a dor se associa
principalmente a patologias do quadril.
➢ 2. Teste Patrick-Fabre
■ Utilizado para diferenciar patologias do quadril e patologias sacroilíacas
■ 1. Com o paciente em decúbito dorsal e fazem a forma de 4 com a perna - quadril a ser
examinado abduzido, fletido e rodado externo, com o tornozelo apoiado sobre o joelho
contralateral
■ 2. Faz-se pressão contra o joelho do lado avaliado e a crista ilíaca contralateral, em
direção à maca
■ Doenças do quadril → coxartrose → irá doer na região inguinal do lado do joelho
pressionado
■ Sacroileíte → a dor ocorre apenas na região sacral da crista ilíaca pressionada
●
➢ 3. Teste de Nachlas
■ Testes para raízes que compõem o nervo femoral - L1 a L3
■ 1. Feito com o paciente em decúbito ventral - faz-se flexão do joelho e na sequência, a
extensão do quadril - afastando a coxa da mesa
■ Isso deve reproduzir uma dor neuropática na face anterior da coxa - pelas raízes do
nervo femoral
●
➢ 4. Teste de Schober
■ Teste para espondilite anquilosante - coluna vertebral rígida
■ 1. Com a flexão da coluna - obtém-se uma distensão de pelo menos 6 cm
■ 2. Consiste em fazer uma marcação de 5 cm abaixo da vértebra L5 e 10 centímetros
acima
■ 3. Pede-se que o paciente faça uma flexão e se mede a distância entre os 2 pontos -
deve ser maior do que 21 cm
● Abaixo disso → indicativo de espondilite anquilosante
❖ Critérios
➢ Dor lombar de origem potencialmente radicular
➢ Dor lombar potencialmente associada à doença específica espinhal (tumores, infecção, fratura e
Sd específicas)
➢ Dor lombar inespecífica
❖ Red Flags → selecionar os casos que devem realizar exames de imagem - para excluir causas
secundárias de lombalgia
➢ Persistência (>1 visita ao médico em 30d ou >6 sem de dor)
➢ Idade <20 a >50a
➢ Trauma → Pede RX
➢ Tumor: emagrecimento, dor noturna
➢ Infecção (história ou suspeita): febre, perda de peso
➢ Déficit neurológico
➢ Osteoporose
➢ Cauda equina
➢
➢ Alguns Had flags
■ Idade
■ Cronicidade
■ Tumor
■ Trauma
❖ Se não houverem sinais de alarme → não devemos solicitar radiografia
❖ Exames de imagem
➢ Radiografia de coluna
■ Indicada para avaliação inicial de doenças da coluna - excelente para avaliação de
qualquer acometimento ósseo
■ Solicitar em AP + perfil
➢ Tomografia computadorizada
■ Avaliar padrões de fraturas, lesões tumorais com destruição óssea ou o alinhamento
detalhado entre vértebras
■ Indicação de tomografia → traumas
● Útil para avaliar padrões de fratura, lesões tumorais, destruição óssea
➢ Ressonância magnética
■ Melhor exame para avaliação de partes moles da coluna vertebral
■ Indicação
● Investigação de transtornos de partes moles,
● Lesões ligamentares
● Infiltração tumoral
■ Não é indicada na lombalgia mecânica
❖ Lasegue positivo → compressão radicular
➢ Pacientes jovens → pensar em hérnia discal
➢ Pacientes idosos → pensar em metástases
❖ Se dor é pior à noite e melhora quando anda
➢ Pensar em uma dor de caráter inflamatório
❖ Se não há características de compressão radicular ou dor inflamatória e o paciente é jovem
➢ O diagnóstico é de uma lombalgia mecânica
❖ Idosos podem ter 3 tipos de patologias lombares
➢ Metástases ósseas → quando presentes sinais consumptivos, associado ou não a compressão
radicular
➢ Estenose lombar → se a dor piora ao caminhar e lasegue negativo
➢ Artrose → se houver sintomas meramente mecânicos
Tratamento
❖ Não importa a causa, a lombalgia é tratada sempre da mesma forma
❖ 1. Se dor < 1 mês e ausência de sinais de alarme
➢ 1. Repouso - essencial - restrito há 3 dias - seguido de repouso relativo
■ Após 3 dias de repouso absoluto, o paciente deve voltar às atividades
➢ 2. Atividades físicas e fortalecimento muscular da coluna
■ Atividade aeróbica de baixo impacto, controle do peso e tratamento de dores em geral +
fortalecimento isométrico da musculatura abdominal
● Fortalecimento isométrico do core abdominal estabiliza a coluna, as crises se
tornam menos frequentes, menos intensas e menos duradouras
■ O fortalecimento pode ser feito em academia ou por meio de fisioterapia
➢ 3. Perda de peso
■ Reduz a sobrecarga na coluna - alvo é 5% do peso corporal no prazo de 20 semanas
➢ 4. Tratamento farmacológico → analgesia é essencial para que o paciente consiga seguir com
suas atividades e realizar fortalecimento muscular
■ Dor leve
● Dipirona 500 mg VO, tomar 01 cp 6/6h se dor
● Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
■ Dor moderada
● Dipirona 500 mg VO, tomar 01 cp 6/6h se dor
● Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
● Tramadol 50 mg VO, tomar 01 cp 6/6h se dor
■ Dor grave
● Dipirona 500 mg VO, tomar 01 cp 6/6h se dor
● Ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 7-10 dias
● Metadona 5 mg VO, tomar 01 cp 8/8h se dor ou morfina 10 mg
➢ 5. Se dor crônica
■ 1. Amitriptilina 25 mg 1x ao dia
❖ Critérios para internação do paciente
➢ 1. Casos refratários
➢ 2. Déficit neurológico progressivo
➢ 3. Síndrome da cauda equina
❖