Lazer e Recreação
Prof. Me. Bruna Solera
Prof. Me. Pollyana Mayara Nunhes
Diretor Geral
Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino e Pós-graduação
Daniel de Lima
Diretor Administrativo
Eduardo Santini
Coordenador NEAD - Núcleo
de Educação a Distância
Jorge Van Dal
Coordenador do Núcleo de Pesquisa
Victor Biazon
UNIFATECIE Unidade 1
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Secretário Acadêmico Centro, Paranavaí-PR
Tiago Pereira da Silva (44) 3045 9898
Projeto Gráfico e Editoração UNIFATECIE Unidade 2
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Fortes, 2177, Centro
Revisão Textual Paranavaí-PR
Kauê Berto (44) 3045 9898
UNIFATECIE Unidade 3
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(44) 3045 9898
UNIFATECIE Unidade 4
FICHA CATALOGRÁFICA BR-376 , km 102,
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFATECIE. Saída para Nova Londrina
Credenciado pela Portaria N.º 527 de 10 de junho de 2020,
publicada no D.O.U. em 15 de junho de 2020.
Paranavaí-PR
Núcleo de Educação a Distância; (44) 3045 9898
SOLERA, Bruna.
NUNHES, Pollyana Mayara.
www.unifatecie.edu.br
Lazer e Recreação.
Bruna. Solera.
Pollyana. Mayara Nunhes.
Paranavaí - PR.: UniFatecie, 2020. 97 p.
As imagens utilizadas neste
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária livro foram obtidas a partir
Zineide Pereira dos Santos. do site ShutterStock
AUTORAS
Prof. Me. Bruna Solera
● Doutoranda em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado
em Educação Física da Universidade Estadual de Maringá e da Universidade
Estadual de Londrina (PEF- UEM/UEL);
● Mestre em Educação Física (PEFE - UEM/UEL);
● Especialista em Educação Especial (Instituto Paranaense de Educação de
Maringá-PR);
● Especialista em Psicomotricidade no Contexto Escolar (Instituto Paranaense de
Educação, Maringá-PR);
● Graduada em Educação Física Bacharelado (Universidade Estadual de Maringá);
● Graduada em Educação Física Licenciatura (Universidade Estadual de Maringá);
● Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física Escolar
(GEEFE) (Universidade Estadual de Maringá);
● Coordenadora e recreadora da empresa de recreação infantil “Recreação Tia
Pink e Cia” de Maringá-PR;
● Coordenadora do curso de Educação Física Licenciatura e Bacharelado, na
modalidade a distância, no Centro Universitário Cidade Verde (UniFCV).
Experiência de atuação profissional na área da recreação, em específico, recrea-
ção em hotéis, parques aquáticos e festas infantis. Estuda a recreação e sua relação com
o planejamento e ética profissional, Educação Física escolar e autonomia.
Link para acesso ao currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4778060448341914
Prof. Me. Pollyana Mayara Nunhes
● Doutoranda em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado
em Educação Física da Universidade Estadual de Maringá e da Universidade
Estadual de Londrina (PEF- UEM/UEL);
● Mestre em Educação Física (PEFE - UEM/UEL);
● Graduada em Educação Física Bacharelado (Universidade Estadual de Maringá);
● Graduanda em Educação Física Licenciatura (Centro Universitário Ingá);
● Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Exercício e Nutrição na saúde
e esporte (GEPENSE) (Universidade Estadual de Maringá);
● Recreadora da empresa de recreação infantil “Recreação Tia Pink e Cia” de
Maringá-PR;
Experiência de atuação profissional na área da recreação, em específico, recreação
em festas infantis e eventos. Estuda a prática de atividade física em população especial.
Link para acesso ao currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4275666861151475
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) à disciplina de “Lazer e Recreação”!
Nesta apostila você irá estudar o lazer e a recreação por meio de diferentes as-
pectos, ou seja, percorreremos o processo histórico dos jogos, brinquedos, brincadeiras e
conhecimentos teóricos e práticos para atuação profissional dos dias de hoje.
Para isso, este material está dividido em quatro unidades, sendo a primeira delas
intitulada de “Introdução ao Lazer e a Recreação”, por meio da qual você será capaz de
responder às perguntas: o que é lazer? O que é recreação? Assim como, irá conhecer
jogos, brinquedos e brincadeiras como instrumentos do lazer e da recreação em espaços
formais e informais.
Na Unidade II, “Recreação: brincando e encantando em diferentes espaços e com
diversas populações”, você conhecerá a recreação a partir do olhar para a escola, para gru-
pos de três anos à terceira idade e em espaços não formais, como recreação em hotelaria,
festa infantil, ônibus, clubes, espaço aquático, hospitais e academias.
Na Unidade III, “Recreador: Quem sou? Como atuar?”, vamos explorar as carac-
terísticas e formação do recreador, assim como verificaremos questões relacionadas ao
planejamento da recreação.
Por fim, na Unidade IV, “Da teoria à prática em recreação”, você estudará a orga-
nização de eventos recreativos e conhecerá diversos jogos e brincadeiras para atuação
profissional na área da recreação.
Caro(a) aluno(a), com esta disciplina e todo o conhecimento contido nela, estamos
dando mais um passo em direção à formação profissional em Educação Física. Espero
que, ao concluir seus estudos você seja capaz de refletir acerca das temáticas abordadas
e atuar autonomamente em espaços formais e informais com a recreação.
Desejamos a você ótimos estudos!
SUMÁRIO
UNIDADE I....................................................................................................... 7
Introdução ao Lazer e a Recreação
UNIDADE II.................................................................................................... 27
Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com
Diversas Populações
UNIDADE III................................................................................................... 52
Recreador: Quem Sou? Como Atuar?
UNIDADE IV................................................................................................... 68
Da Teoria à Prática em Recreação
UNIDADE I
Introdução ao Lazer e a Recreação
Professora Mestre Bruna Solera
Professora Mestre Pollyana Mayara Nunhes
Plano de Estudo:
• Definição e contextualização histórica do lazer;
• Definição e contextualização histórica da recreação;
• Descrição dos jogos, brinquedos e brincadeiras como instrumentos do lazer e da recrea-
ção em espaço formais e informais.
Objetivos de Aprendizagem:
• Conceituar o lazer e a recreação;
• Conhecer o percurso histórico do lazer e da recreação;
• Descrever os jogos, brinquedos e brincadeiras e seu papel no lazer e na recreação em
espaços formais e informais.
7
INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a), seja-vindo à primeira unidade da nossa apostila de “Recreação e
Lazer”!
Você já ouviu falar de lazer e recreação? Talvez sim, talvez não. Mas o fato é que
eles estão presentes em nosso meio desde os primórdios. Imagine os homens das cavernas
participando de jogos e brincadeiras, construindo brinquedos de rochas, ou aproveitando
seu tempo livre contemplando a natureza.
Veja bem, neste período inicial não havia estudiosos para registrar o ocorrido de
forma efetiva, mas sabemos que muitos anos se passaram e o lazer e a recreação perma-
neceram, eles estão presentes em vários espaços da sociedade e vem conquistando, a
cada dia, mais adeptos e pesquisadores interessados em desbravar esse emaranhado de
possibilidades e conhecimentos.
Mas, afinal, o que é o lazer e a recreação?
Nesta etapa você irá conseguir responder tal questionamento, pois iremos estudar
suas definições, assim como verificar o contexto histórico de ambos. Tais conhecimentos
são imprescindíveis para sua formação, pois eles serão a base conceitual para a sua atua-
ção prática.
Além disso, você terá contato com a descrição dos jogos, brinquedos e brinca-
deiras e seu papel no lazer e na recreação em espaços formais e informais. Tal conteúdo
possibilitará entender a diferença entre jogo, brinquedo e brincadeira e o seu uso na escola
e demais ambientes onde o recreador poderá atuar.
Se prepare, iremos iniciar nossa caminhada pelas trilhas da diversão!
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 8
1 LAZER: O QUE É? PROCESSO HISTÓRICO DO LAZER E SUAS TEORIAS
Por vezes, o termo Lazer nos remete a divertimento, descanso, mas o seu signifi-
cado é mais complexo e amplo do que imaginamos. Mesmo com diversos estudos da área,
ainda não há um único conceito definido de lazer que seja aceito universalmente.
Apesar disso, apresentaremos alguns conceitos – por vezes distintos – que são
aceitos por diversos estudiosos (AWAD, 2012). O primeiro deles, é de autoria do sociólogo
Joffre Dumazedier (1973, p. 34),
O lazer é um conjunto de ocupações à quais o indivíduo pode entregar-se de
livre vontade, seja para repousar, seja divertir-se, recrear-se e entreter-se ou
ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua
participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se
ou desembaraçar-se das obrigações, profissionais, familiares e sociais.
O autor ainda apresenta três funções do lazer, são elas, “divertimento, liberação do
tédio; e expressão do poder criativo” (MARINHO; PIMENTEL, 2010, p. 31). Tais informa-
ções produzidas por Dumazedier foram utilizadas como referência no Brasil por anos, no
entanto sofreram críticas, pois, de acordo com Marinho e Pimentel (2010), há dois motivos
principais para isso: 1. Situar o lazer como “conjunto de ocupações”, o que limita o lazer a
prática de alguma atividade, excluindo a possibilidade do ócio, do sujeito optar por fazer
nada em seus momentos de lazer; 2. Colocar o lazer como oposto das necessidades e
obrigações do dia a dia, como exemplo, o trabalho, negligenciando a inserção de ambos –
lazer e trabalho – na sociedade e sua dinâmica.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 9
O segundo conceito pertence a Nelson Carvalho Marcellino (1987, p. 31), o qual
entende o lazer como,
[...] a cultura - compreendida no seu sentido mais amplo - vivenciada (prati-
cada ou fruída) no “tempo disponível”. É fundamental como traço definidor, o
caráter “desinteressado” dessa vivência. Não se busca pelo menos basica-
mente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação.
De acordo com o autor, a disponibilidade de tempo está associada à possibilidade
de opção pela atividade prática ou contemplativa. Além disso, é possível mencionar Gomes
(2004) como uma estudiosa que traz contribuições importantes para a área do lazer. Para
ela, o lazer está associado a uma dimensão cultural que se constrói socialmente a partir do
tempo, espaço-lugar, manifestações culturais e ações. O lazer não é algo isolado.
Para ela, o lazer possui uma dimensão cultural que se forma a partir das experiên-
cias vivenciadas de forma lúdica em um espaço/tempo adquirido pelo sujeito. De acordo
com Marinho e Pimentel (2010), Gomes considera o lazer como cultura vivenciada no tempo
disponível. Já para Awad (2012, p. 22) lazer é aquele que
[...] deve ocorrer enquanto fruto de uma atitude pessoal, em que o indivíduo
deve ter o livre-arbítrio para eleger as diferentes atividades de forma crítica e
criativa, dentro do seu “tempo liberado”, e que estas não estejam determina-
das por obrigações sociais, econômicas, políticas e ideológicas.
Ademais, para o autor, o lazer possui três características, sendo elas, liberdade
para escolha, a busca por um estado de prazer e a espontaneidade. Na mesma lógica, o
autor aponta três funções do lazer: Psicológica – relacionada ao equilíbrio mental –; Social
– elencando a integração e a socialização – e a Terapêutica – associada à manutenção do
estado de saúde.
Com base no exposto, de fato não temos um conceito firmemente estabelecido e
usado por todos os estudiosos de forma inquestionável, o lazer é um fenômeno complexo
e dinâmico. Tal movimento pode ser observado ao longo de sua história.
O surgimento do lazer, assim como sua definição, ainda gera dúvidas e polêmicas.
De acordo com Marinho e Pimentel (2010, p. 26), temos duas formas para pensar a história
do lazer, sendo elas: a) “origem do lazer nas fases antigas da história humana”; b) origem
do lazer atrelado à modernidade como referência.
Neste sentido, em relação à opção “a”, o lazer não poderia estar relacionado com
nenhuma ocupação, sendo ele entendido como um estado em que a atividade possui um
fim em si mesma. Há a utilização da palavra contemplação como exemplo para a se direcio-
nar ao lazer, pois a pessoa que contempla está livre (MARINHO; PIMENTEL, 2010). Para
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 10
Aristóteles, quando se usufrui mal do tempo, esse tempo não pode ser caracterizado como
lazer.
O lazer entendido como diferente, descolado do trabalho como mencionado, vai
desaparecendo ao longo da história, pois se tem a industrialização e avanços da tecnologia.
Hoje, para Marinho e Pimentel (2010), o lazer é medido, com frequência, pelo número de
horas da jornada de trabalho, o que se pode chamar de tempo livre do trabalho. Pode-se
dizer, então, que, no momento livre de obrigações, o sujeito deve ter a liberdade de realizar
o que quiser, sendo seu objetivo o alcance de satisfação pessoal, algo não associado a
atividades cotidianas, como prática de lazer.
Os estudos acerca da temática, de forma sistemática tiveram início apenas em
1900, na Europa e nos EUA. Em 1950, o lazer era entendido como “fenômeno decorrente
das conquistas trabalhistas, materializado na forma de limitação da jornada de trabalho,
das férias e dos fins de semana remunerados” (MARINHO; PIMENTEL, 2010, p. 30). No
Brasil, esse início se deu em 1970, ano no qual a temática do lazer teve maior atenção
dos estudiosos. Em 1980, quando o Dumazedier defende que o lazer nem sempre existiu,
associando-o às características específicas da Revolução Industrial, trazendo, assim, a
definição que mencionamos no início deste tópico.
Ademais, se encontram estudos e contribuições relacionadas ao lazer partindo de
diferentes maneiras, como teorias do lazer e o positivismo, a fenomenologia e o marxismo.
Para conhecimentos sobre isso, o livro Teorias do Lazer, do professor Giuliano Gomes de
Assis Pimentel, é uma excelente opção.
REFLITA
“A frase contemporânea ‘tempo de lazer’ é uma contradição, pois o lazer não tem rela-
ção de adjetivo com o tempo; é um estado de isenção de obrigações. A expressão lazer
tem se convertido na expressão tempo livre, e estas, são, no mundo atual, praticamente,
intercambiáveis”.
Fonte: Marinho e Pimentel (2010, p. 27).
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 11
2 RECREAÇÃO: O QUE É? PROCESSO HISTÓRICO DA RECREAÇÃO: DÁ ORIGEM À
CONTEMPORANEIDADE
Recreação, do latim recreare, significa, de acordo com Awad (2012, p. 26), “recrear,
reproduzir, renovar, fazer novamente”. Para Gouvêa (1967), “Recreação é tudo quanto
diverte e entretém o ser humano e envolve ativa participação. Emprego de energia que
emana de impulso interno, mas também condicionada a estímulo externo”.
A recreação pode acontecer de forma individual ou em grupo, e se materializa
quando há prazer, espontaneidade, liberdade e fim para o próprio sujeito (fim intrínseco).
Sendo assim, atividades que tenham tais características podem ser recreativas. De acordo
com Bueno (2018), a recreação tem como objetivos contribuir com a integração do sujeito
no meio social, com a participação em grupo, com a ocupação do tempo ocioso e a com a
descoberta de habilidades lúdicas.
Você deve estar se perguntando onde entra o lazer em tudo isso. A recreação
não é um componente do lazer (MARINHO; PIMENTEL, 2010), pois ela pode acontecer
em diferentes tempos e lugares – como no trabalho, na igreja –, e também pode ocorrer
durante o lazer – mas isso não é regra. Assim como afirma Awad (2012, p. 26), “a recreação
surge como uma atividade de lazer propiciando formas de experiências lúdicas, na qual o
indivíduo ou grupo participa [...] durante seu tempo livre, por “livre” escolha, pelo prazer e
satisfação”.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 12
De acordo com Gouvêa (1967), a recreação ocorreu em todos os tempos, pois
desde as mais remotas eras, o homem já se dedicava a passatempos, dança e jogos. Na
era primitiva, o homem, ao lutar por sua vida, se recreava a partir de sua satisfação de
expansão da sua capacidade de ação. Encontram-se, ainda, dança e jogos em cerimônias
guerreiras e religiosas. No entanto, é difícil a separação de manifestações de alegria e
prazer da recreação propriamente dita, neste momento de início da humanidade.
Na idade média, Awad e Pimentel (2015) afirmam que a recreação estaria presente
na sociedade pelas atividades da nobreza e organizadas pela figura do bobo da corte.
Essa prática não se restringia aos nobres, os plebeus também participavam de diversões
dirigidas, por exemplo, pela igreja, em eventos chamados de quermesses.
A partir do século XVII, os jogos passaram a ser vistos como um meio prazeroso de
se moralizar as crianças pobres, elas eram deixadas em depósitos infantis. Neste ambiente
havia rigidez do tutor, o que tornava o processo educativo não efetivo. Apesar disso, com o
objetivo de manter a atenção dos menores nas lições básicas, foram elaboradas músicas e
jogos pedagógicos, a união de tais técnicas foi chamada de recreação (MARINHO; PIMEN-
TEL, 2010). Neste momento, as crianças, então, poderiam aprender brincando.
Segundo Marinho e Pimentel (2010), os estados nacionais se preocupavam com
o progresso das cidades, sendo assim, posteriormente, surgiu a Educação Física como
forma de manter sob controle a formação moral e a saúde das crianças. A partir de então, a
recreação foi se direcionando a um passatempo dirigido, em especial as crianças.
Mas foi no final do século XIX, que a recreação, como é chamada, surgiu nos
Estados Unidos. No princípio, ela foi originada devido a necessidade de se englobar, em
apenas um termo, diversas atividades da cultura popular que os departamentos municipais
eram encarregados de organizar, supervisionar e difundir (GOMES, 2008). Assim, tal nome
era direcionado a um “conjunto de novas atividades lúdicas que são dirigidas no sentido de
preencher o tempo livre” (MARINHO; PIMENTEL, 2010, p. 24).
No Brasil, a recreação chegou por meio da educação salesiana, que, por sua vez,
consideravam a recreação como instrumento para a educação (AWAD; PIMENTEL, 2015).
Em 1920, momento da Escola Nova, a educação brasileira conta com o lúdico na educação,
e, assim, se tem a inserção da recreação como disciplina na formação do curso normal,
como dito por Awad e Pimentel (2015). A partir de então inicia-se a publicação de obras
acerca da temática. É importante ressaltar que, nesse momento, a recreação era baseada
em músicas e jogos com objetivos educativos; apesar de não estar restrita à escola, ela
possuía relação de proximidade com esse espaço.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 13
Com isso, é possível notar que a recreação teve sua origem atrelada ao aspecto
educacional, assim como passou por mudanças ao longo da história. Como afirmado por
Awad e Pimentel (2015, p. 16), “a recreação possui uma tradição que é a orientação de
atividades lúdicas, as mais diversas, que sofrem ajustes didáticos e motivacionais conforme
espaço e a especificidade do grupo atendido”.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 14
3 CONHECENDO OS JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS COMO INSTRUMEN-
TOS DO LAZER E DA RECREAÇÃO EM ESPAÇO FORMAIS E INFORMAIS
Você já deve ter ouvido falar em jogos, brinquedos e brincadeiras! Mas o que é
comumente esquecido ou deixado de lado é a diferença entre eles. Vejamos a seguir as
definições desses termos.
O jogo, de acordo com Awad (2012, p. 19), é uma atividade natural do homem,
indispensável para o desenvolvimento infantil. Este é caracterizado pela “[...] presença de
regras acolhidas pelo grupo, buscando no desenrolar da atividade um vencedor”. É por meio
do jogo que a criança terá a possibilidade de se relacionar com o mundo, pois ela viven-
ciará diferentes situações, o que, consequentemente, influenciará no desenvolvimento dos
aspectos físicos, cognitivos e afetivos. Ademais, o jogo pode contribuir com a criatividade,
imaginação, expressividade, cooperação, socialização e outros, que são importantes para
o desenvolvimento do sujeito.
Para Huizinga (2007, p. 10), o jogo “é uma atividade voluntária. Sujeito a ordens,
deixa de ser jogo, podendo no máximo ser uma imitação forçada”. Na medida em que
ele proporciona prazer, se torna uma necessidade para o sujeito. Ademais, para o autor,
o jogo possui algumas características, sendo elas: o fato de ser livre, o “faz de conta”,
ser desinteressado – se situa como atividade temporária com finalidade autônoma, que é
realizada com objetivo de satisfação da própria realização –, o isolamento, a limitação – o
jogo é jogado até que se chegue ao fim dentro de limites de tempo e espaço –, fixação
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 15
como fenômeno cultural, o jogo cria ordem e é ordem - introdução na imperfeição da vida,
a perfeição temporária e limitada, pois quando se quebra uma regra se encerra o jogo.
Para Oliveira et al. (2018), o jogo é marcado pelo prazer e pela imprevisibilidade,
pois não se sabe quem será o vencedor quando se inicia tal prática. Tal característica o
torna divertido. É importante destacar que nem sempre o jogo será espontâneo, mas em
todos haverá o propósito já mencionado, de chegar ao vencedor ou ao empate.
Há uma infinidade de jogos, Caillois (1990) propõe uma forma para classificá-los,
são eles, Agon, Alea, Mimicry e Ilinx.
● Agon (competição): são aqueles jogos que aparecem como competição, é como
se fosse um combate, no qual são criadas condições iguais para competir, seria
uma rivalidade concentrada em uma qualidade, como rapidez, resistência, for-
ça, memória… São exemplos: polo, tênis, futebol. Além disso, essa categoria
ainda engloba jogos nos quais os adversários iniciam a partida com as mesmas
condições, como, xadrez e dama.
● Alea (acaso): são aqueles que, ao contrário do Agon, uma decisão não depende
do jogador, são exemplos, jogos de dados, roleta, cara ou coroa. Nesse tipo de
jogo, o jogador não desenvolve suas habilidades, ele apenas aguarda a sorte e
arrisca apostas.
● Mimicry (imitação ou disfarce): tais jogos pressupõem uma aceitação temporá-
ria. O jogador torna-se um personagem ilusório. Mímica e disfarce caracterizam
esse tipo de jogo. Há apenas uma regra, o ator deve fascinar o espectador.
● Ilinx (vertigem): nessa classe estão os jogos que causam vertigem, como exem-
plo podemos citar o rodopio.
Existe, portanto, uma diferença entre jogo e brincadeira. Você já imagina qual é?
Vamos lá! Basicamente é a existência de um vencedor. Na brincadeira não é possível
encontrarmos um vencedor, pois ela acontece de maneira espontânea e acontece por
tempo indeterminado, até que se tenha motivação suficiente para a prática (CAVALLARI;
ZACHARIAS, 2005).
A brincadeira, então, pode ser compreendida como:
Ação lúdica espontânea e desprovida de regras preestabelecidas que per-
mita que a criança se expresse naturalmente por meio da sua imaginação,
fantasia e uma mistura do faz de conta com a realidade que a cerca em busca
de momentos de diversão que a levem ao estado de prazer, alegria e encan-
tamento, tornando-se essencial para o seu desenvolvimento e construção de
sua identidade social (AWAD, 2012, p. 15).
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 16
A brincadeira pode acontecer de forma individual ou em grupo, com materiais
ou não. De acordo com Awad (2012), ela é marcada principalmente pela capacidade da
criança de atribuir novos sentidos aos objetivos a sua volta, como exemplo: uma espiga de
milho pode se transformar em uma boneca; um lençol, em uma cabana, uma lata, em um
telefone. Nesse sentido, é nas brincadeiras que as crianças aprendem a compartilhar ideias
e objetivos, além de aprender a superar os conflitos e desafios, solucionar os problemas
que surgem, desenvolvendo formas de aprender as normas da sociedade (PERANZONI;
ZANETTI; NEUBAUER, 2013).
Assim como o jogo, existem diferentes categorias de brincadeiras, de acordo com
Kishimoto (2009). São elas:
● Brincadeiras tradicionais infantis: estão ligadas ao folclore, à mentalidade po-
pular. Essa modalidade de brincadeira guarda características de um período
histórico. Por ser de gênero folclórico, possui características de ser anônimas,
tradicionais no cotidiano das pessoas e universal, por exemplo, não há o
conhecimento da origem da amarelinha, das parlendas, sabe-se somente que
é passado por gerações de maneira empírica e que fica, portanto, na memória
das pessoas. Nessa modalidade, as brincadeiras podem permanecer com sua
estrutura ou podem ser alteradas recebendo novas características. Por estar
classificada como experiências que são repassadas, essas brincadeiras conse-
guem garantir o lúdico e a espontaneidade.
● Brincadeira de faz de conta: é também conhecida como simbólica, é a moda-
lidade de brincadeira que deixa em maior evidência situações do imaginário
de quem brinca. Dá início quando a criança consegue se expressar e usar a
linguagem, expressando significados, sentimentos da vida social que vêm de
experiência já adquiridas ao longo dos anos, no ambiente familiar, escolar e
outros círculos de relacionamentos. Dessa forma, essa modalidade tem grande
importância quando pensamos principalmente no desenvolvimento simbólico da
criança, que garante o pensar racional do ser humano. Brincando de faz de
conta, a criança pode, portanto, aprender a criar formas de se expressar.
● Brincadeira de construção: essa modalidade é a responsável por fornecer es-
tímulos relacionados à criatividade e habilidade da criança. As brincadeiras de
construção permitem que a criança construa, transforme e destrua, estimula a
imaginação e o desenvolvimento da criança.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 17
Os jogos e as brincadeiras, apesar de distintos, apresentam características em
comum. Como mencionado por Oliveira et al. (2018), ambos influenciam no desenvolvi-
mento das linguagens, tanto corporais quanto verbais, assim como na forma de utilizar um
objetivo, tendo estimado valor para a formação da criança.
Como jogos e brincadeiras estão interligados, Leão Júnior (2013), elenca possibili-
dades de organizar os jogos e as brincadeiras, são elas:
● Jogos e brincadeiras de integração: são atividades que têm objetivo de integrar
pessoas, para que o grupo conheça as características de todos de uma forma
geral.
● Jogos e brincadeiras interdisciplinares: são atividades que proporciona apren-
dizagem interdisciplinar que podem ser contemplados dentro da escola ou em
diferentes áreas de atuação.
● Jogos e brincadeiras adaptadas: objetivam a inclusão de todos os participantes,
seja com necessidades especiais e/ou deficiências que podem vivenciar dentro
de suas potencialidades e particularidades.
● Jogos e brincadeiras cooperativas: jogos que usam a coletividade para resolver
problemas, privilegiando a diversão como um todo.
● Jogos e brincadeiras competitivas: partem do princípio de haver um grupo ven-
cedor nas inúmeras formas de participar.
● Jogos e brincadeiras de aventura: vivências que proporcionam adrenalina, em
meio terrestre, marítimo ou aéreo.
● Jogos e brincadeiras aquáticas: são jogos e brincadeiras adaptados para o meio
aquáticos ou pensadas para ser realizadas exclusivamente nesse meio.
● Jogos e brincadeiras com músicas: são brincadeiras cantadas e cantigas de
rodas, que combinam movimentos corporais e músicas.
● Jogos e brincadeiras tradicionais: são realizadas a partir da relação entre os
mais velhos e os mais novos, usando da cultura popular de grupos sociais.
● Jogos e brincadeiras contemporâneas: são ligados à tecnologia que se transfor-
ma e avança no ritmo das mudanças tecnológicas.
● Jogos e brincadeiras de improviso: ligados na ação do corpo ao brincar, a partir
do improviso.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 18
Na organização mencionada podemos verificar que tanto os jogos quanto as
brincadeiras podem acontecer com ou sem materiais, dentre eles, o brinquedo pode ser
utilizado como uma possibilidade lúdica.
Há relatos que o brinquedo já está presente na vida do ser humano por muitos anos,
que é, na verdade, até impossível de apontar uma origem exata. Os povos mais antigos, já
usavam brinquedos, como o pião e a bola, que eram de fácil confecção (VON, 2001).
Mas, afinal, o que é o brinquedo? Brinquedo, é o “Objeto ou instrumento utilizado
para o ato de brincar ou jogar, tornando-se parceiro da criança em suas brincadeiras e
jogos, levando à ação, à imagina e à criação” (AWAD, 2012, p. 16). Por exemplo, uma
boneca, que é o brinquedo, permite que a criança, realize inúmeras formas de brincadeira,
como brincar de casinha, de mamãe e filhinha, de professor e aluna na escolinha. De
acordo com Kishimoto (1997), o brinquedo é como um passaporte para o reino mágico de
brincadeiras. O brinquedo é fundamental, pois é por meio dele que a criança se comunica
com o mundo, e pelo brincar consegue expor seus sentimentos e pensamentos.
Dessa forma, o brinquedo pode ser dividido em três grupos (BÖHM, 2015):
● Brinquedos artesanais: são feitos à mão, por exemplo, o bilboquê, arco (bam-
bolê), pipa, entre outros. São de matéria-prima encontradas dentro da própria
casa da criança, que são capazes de estimulá-las em sua criatividade, como,
por exemplo, uma simples caixa de leite que pode virar um carrinho de corrida.
Figura 1 - Exemplo de brinquedo artesanal, bambolê
● Brinquedos industrializados: são encontrados em lojas próprias de brinquedos,
que, em geral são fabricados de plástico ou metal e que chamam a atenção da
criança.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 19
Figura 2 - Exemplo de brinquedo industrializado
● Brinquedos pedagógicos: são feitos de madeira, plástico ou tecido, e contri-
buem para o desenvolvimento da criança como um todo de maneira lúdica e
recreativa.
Figura 3 - Exemplo de brinquedo pedagógico
Após conhecermos os jogos, brincadeiras e brinquedos, vamos compreender como
cada um está presente e exerce influência nos espaços formais e informais de atuação do
profissional em Educação Física.
Desde muito cedo, as crianças são apresentadas a jogos, brinquedos e brincadei-
ras no ambiente educacional, sendo de suma importância, pois possibilita o processo de
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 20
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 21
o desenvolvimento da criança, mesmo que esse não seja o objetivo do momento, que, de
fato, não é quando nos referimos ao lazer como prática livre e desinteressada.
Agora, aluno(a), como aplicar todo esse conhecimento em sua atuação profissio-
nal? Vamos descobrir no decorrer da nossa apostila.
SAIBA MAIS
Você sabia que o lazer é um direito social previsto na Constituição da República Fe-
derativa do Brasil de 1988? O lazer é discutido em 4 artigos da Constituição (6º, 7º,
217º, 227º), sendo considerado um direito básico dos trabalhadores, assim como saúde,
educação, alimentação, moradia, segurança, entre outros, sendo, portanto, responsa-
bilidade do poder público assegurar o acesso ao lazer. Além disso, o lazer é visto como
prioridade na formação de crianças, jovens e adolescentes, sendo de dever da família
e da sociedade.
Fonte: BRASIL (1988).
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 22
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao fim da Unidade I de nossa apostila de Lazer e Recreação e, durante
nossa caminhada, conceituamos o lazer e a recreação, conhecemos seus percursos his-
tóricos e, por fim, falamos de jogos, brinquedos e brincadeiras e seu papel no lazer e na
recreação em espaços formais e informais.
Acerca do lazer, foi possível verificar que sua origem pode estar atrelada tanto a
fases antigas da história humana quanto à modernidade. Ademais, identificamos que não
há um consenso para sua definição, por isso, no estudo do primeiro tópico foram trazidos
diferentes conceitos para que você compreenda a dinâmica e complexidade dos estudos
do lazer, podendo, a partir disso, atuar e transpor tais conhecimentos de forma autônoma
e crítica em sua prática profissional.
Diferente do lazer, a recreação, possui sua origem desde o início dos tempos, na
era primitiva, na qual o homem já se recreava, assim como possui um conceito estabeleci-
do, ou seja, é a atividade que proporciona diversão e entretenimento ao sujeito com ativo
envolvimento. Tal prática pode ser motivada por estímulos internos, por exemplo, “eu quero
participar da recreação, porque me traz prazer” e estímulos externos, “eu quero participar
da recreação, porque meu amigo estará lá”.
Ao chegarmos no último tópico desta unidade, podemos verificar que jogos, brin-
quedos e brincadeiras possuem diferenças entre suas definições. Apesar disso, se asse-
melham e, por vezes, estão atrelados na prática, da mesma forma que contribuem com o
desenvolvimento da criança que brinca, seja no espaço formal ou informal.
Então, aluno(a), concluímos a primeira fase de nossa empreitada acadêmica, em
direção à formação em Educação Física, com foco no Lazer e Recreação. Apesar de seu
caráter de diversão, espontaneidade e liberdade, tais conteúdos são indispensáveis para
construir uma sólida bagagem de conhecimentos da área.
E agora? Qual será o próximo passo? Vamos descobrir na Unidade II.
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 23
LEITURA COMPLEMENTAR
Brinquedos alternativos (sucatas) e a criança
Os brinquedos são utilizados para a ação do brincar, tornando-se parceiros da
criança no processo de imaginação e criação. Muitos dos brinquedos que temos na atuali-
dade, foram construídos há milhares de anos, que serviam como instrumentos de guerra.
Entretanto, nos dias atuais, encontramos inúmeras variedades de brincadeiras de diferentes
formas e funções que estimulam o lúdico e o pedagógico.
Os brinquedos são encontrados sob algumas classificações, como industrializados,
que são comprados em lojas especializadas e artesanais que podem ser criados pelas
próprias crianças acompanhadas dos responsáveis. Nesse sentido, uma vassoura pode
simbolicamente representar um cavalo que pode ser usado em diferentes contextos, a
partir da imaginação da criança.
Todo material alternativo (sucata) pode ser transformado em brinquedos desde que
haja criatividade, imaginação e segurança, por isso, o acompanhamento de um adulto ou
responsável durante a construção do brinquedo é importante. Na intenção estimular pais e
responsáveis, educadores e profissionais da área do lazer, recreação e lúdico, será exposto
a seguir alguns cuidados básicos ao selecionar e limpar os materiais que serão utilizados:
● Limpar e esterilizar os materiais da sucata para evitar contato com ferrugens e
bactérias;
● Evitar selecionar materiais cortantes, como, por exemplo, latinha de refrigerante
aberta, para que não ofereça perigo a integridade da criança;
● Não oferecer material muito pequeno para crianças com idade de zero a 4 anos,
pois eles podem levar à boca.
Por fim, tomando esses cuidados essenciais, ofereça para a criança a oportunidade
e contato com a experiência de confeccionar esses brinquedos alternativos, que são de
baixo custo e podem proporcionar muita diversão e aprendizados.
A seguir, será abordado um exemplo de brinquedo alternativo que é muito conheci-
do pela sociedade: Pé de lata, recomendado para crianças a partir de quatro anos de idade
e busca desenvolver equilíbrio, coordenação motora e noções de alternância.
Para confeccionar este brinquedo será necessário, duas latas vazias de leite em pó
ou de achocolatado, três metros de corda, prego, martelo e materiais para decoração con-
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 24
forme preferência do indivíduo. Para confeccionar, realize dois furos no fundo das latas e
passe a corda por dentro deles e amarre, em seguida faça a decoração. Nessa brincadeira,
a criança deverá segurar as duas pontas da corda e equilibrar os pés, um sobre cada lata.
Para se locomover, deve-se elevar um cordão de cada vez para manter o contato do pé
com a lata. Pode ser colocar para estimular e aumentar o grau de complexidade, obstáculos
durante o percurso.
Fonte: AWAD (2012).
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 25
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Lazer, Recreação e Educação Física
• Autores: Christianne Lucce Gomes Werneck e Helder Ferreira
Isayama
• Editora: Autêntica
• Sinopse: O livro aborda as diferenças entre os termos recreação
e lazer, e como eles estão inseridos dentro da área da Educação
Física. A ideia é também contribuir com o processo de formação do
profissional, pensando em propostas de intervenção qualificada,
auxiliando no trabalho didático de alunos e professores.
LIVRO
• Título: Lazer: Formação e Atuação Profissional
• Autor: Nelson Carvalho Marcellino
• Editora: Papirus
• Sinopse: O livro aborda quatro eixos temáticos: a universidade e
a formação profissional, as diferenças entre os setores público e
privado, a multiplicidade de profissionais e de funções, e a empre-
sa e o lazer.
FILME/VÍDEO
• Documentário: Ócio, Lazer e Tempo Livre
• Ano: 2018
• Sinopse: O documentário em questão, foi produzido pelo SescTv
durante a 15ª edição do Congresso Mundial de Lazer e traz em
50 minutos, ideias e reflexões sobre temas acerca do ócio, lazer
e tempo livre, a partir de concepções de grandes estudiosos do
mundo, que se dedicam a estudar o tema.
• link: https://sesctv.org.br/programas-e-series/documentarios/?-
mediaId=1dd88d71d70d907794b6d7e45cdae2b1
UNIDADE I Introdução ao Lazer e a Recreação 26
UNIDADE II
Recreação: Brincando e Encantando
em Diferentes Espaços e com Diversas
Populações
Professora Mestre Bruna Solera
Professora Mestre Pollyana Mayara Nunhes
Plano de Estudo:
• A recreação em ambiente formal com foco na escola e interdisciplinaridade;
• Recreação com grupos específicos: de três anos a terceira idade;
• Recreação em espaços não formais: hotelaria, festa infantil, ônibus, clubes, espaço aquá-
tico, hospitais e academias.
Objetivos de Aprendizagem:
• Estudar a recreação em ambiente formal com foco na escola e interdisciplinaridade;
• Conhecer a recreação para grupos específicos: de 3 anos a terceira idade;
• Explorar a recreação em espaços não formais: hotelaria, festa infantil, ônibus, clubes,
espaço aquático, hospitais e academias.
27
INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a) à segunda unidade da nossa apostila de Lazer e
Recreação, “Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas
Populações”.
Ao ler o título da nossa unidade, o que você imagina que aprenderá neste mo-
mento? Vamos lá! Na etapa anterior conhecemos o lazer, a recreação, jogos, brinquedos
e brincadeiras, nesta unidade iremos dar prosseguimento ao conteúdo, de forma que você
consiga verificar as características dos sujeitos com os quais trabalhará e dos possíveis
espaços de atuação para o profissional de Educação Física na área da recreação.
Sendo assim, nosso conteúdo está dividido em três momentos. Iniciaremos es-
tudando a recreação em ambiente formal, com foco na escola e na interdisciplinaridade,
em seguida, conheceremos a recreação para grupos de 3 anos a terceira idade e, por fim,
exploraremos a recreação em diferentes espaços, como na hotelaria, festa infantil, ônibus,
clubes, espaços aquáticos, hospitais e academias.
Vamos juntos desvendar tais possibilidades!
Ótimo estudo!
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 28
1 RECREAÇÃO EM AMBIENTE FORMAL: FOCO NA ESCOLA E INTERDISCIPLINARI-
DADE
Caro(a) aluno(a), você já deve ter notado que estamos utilizando o termo ambiente
formal. Pois é, ao mencioná-lo estamos nos referindo à escola. Sendo assim, neste tópico
estudaremos a recreação como possibilidade para a Educação Física na escola e sua
relação com a interdisciplinaridade.
Para adentrarmos em nossa temática específica, questiono a você: o que é a esco-
la? Aliás, pense em uma pergunta ainda mais ampla: o que é a Educação?
De acordo com o Grupo de Trabalho Pedagógico (1991, p. 33),
Educação é uma parte da socialização geral, isto é, aquele setor de intera-
ção conscientes e socialmente regulamentadas, nas quais o jovem, no seu
processo de desenvolvimento, é qualificado a aprender maneiras culturais de
uma sociedade e prosseguir no seu desenvolvimento, e neste processo de
qualificação torna-se uma pessoa independente e responsável.
Frente a essa definição podemos compreender que a educação representa um
campo organizado, planejado, sistematizado e com uma intenção, um propósito, assim
como ela visa sempre o aluno. O aluno é o centro do processo de ensino-aprendizagem.
Sendo assim, ele não deve ser encarado apenas como receptor de conhecimentos, mas
possibilitar ao educando a compreensão de mundo e da realidade social. Uma das formas
de se fazer isso, é por meio da experiência.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 29
A experiência é uma ação pedagógica que possibilita amplos conhecimentos,
transmissões de valores (GRUPO DE TRABALHO PEDAGÓGICO, 1991), desenvolvendo a
capacidade dos alunos de atuar de forma autônoma. Tal experiência é efetivada na escola.
A escola é um espaço onde o aluno terá acesso aos conhecimentos culturais e científicos
historicamente produzidos, não se limitando à mera reprodução destes.
Neste cenário, a Educação Física possui objetivo educacional, distanciando-se da
prática pela prática, do famoso “rola bola”, aproximando-se da formação de indivíduos críti-
cos que possam agir autonomamente para além dos muros da escola. Ou seja, a Educação
Física na escola tem o papel de possibilitar ao aluno conhecer, experimentar, vivenciar,
aprender diferentes práticas corporais, de forma que quando este sujeito encerre seus
estudos na Educação Básica, ele consiga tomar suas próprias decisões fora da escola.
Observe que a Educação Física escolar possui objetivos de formação humana e
não se resume à prática sem intencionalidade, apenas pelo prazer e com fim em si mesma.
Devido a isso, a recreação sofre por ser considerada por alguns como meio de fragmen-
tação ou desvalorização da disciplina na escola, isso se dá, principalmente, no Ensino
Infantil, em que ela é vista com “fim em si mesma e sem a participação articulada e efetiva
do professor” (GOMES-DA-SILVA, 2010, p. 25).
De fato, aluno(a), uma aula apenas de caráter recreativo – sem intencionalidade e
sem objetivo educativo, formativo – pode não contemplar os fins da educação e Educação
Física. É preciso transcender a prática apenas pela diversão no contexto escolar.
Apesar disso, ao utilizarmos a recreação da forma correta, podemos levá-la para
nossas aulas (não como prática recorrente, ou seja, em todas as nossas aulas), pois de
acordo com Awad e Pimentel (2015, p. 121),
As práticas de recreação espontânea e criativa na escola podem conduzir as
crianças para o aprendizado e reflexão quando se considera a tríplice relação:
homem - pessoa em seu contexto social, cultural e afetivo; tempo - período
histórico social em que o indivíduo está inserido e a sua disponibilidade para
a vivência lúdica, e o espaço - ambiente cultural onde ocorrem as manifesta-
ções, sejam estas em escolas públicas ou colégios particulares localizados
em bairros periféricos ou centrais.
Veja, aluno(a), que há uma intencionalidade na utilização da recreação, viabilizan-
do-a, diferente de quando apenas a utilizamos como forma de divertir as crianças. Para
Awad e Pimentel (2015, p. 121),
[...] a intencionalidade da utilização da recreação é fazer com que o próprio
aluno deseje vivenciar práticas e manifestações lúdicas, porém possa pau-
latinamente questioná-la criticamente, procurando superar a função abstrata
que a recreação acaba por diversas vezes assumindo, para que experimente
lucidamente sensações de realização, satisfação e prazer.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 30
Além disso, no espaço formal, podemos e devemos nos utilizar de instrumentos
também usados na recreação, como forma de orientar o processo de ensino-aprendizagem,
ou seja, os jogos, brinquedos e brincadeiras, com o fim de cumprir os objetivos estabeleci-
dos para determinada etapa de ensino, no caso referido, Ensino Infantil.
Há outras opções para se utilizar a recreação além das aulas de Educação Física.
Podemos utilizá-la também em aulas específicas de recreação, como atividade extracurri-
cular e como meio de trabalho da interdisciplinaridade.
As aulas específicas extracurriculares podem ter diferentes objetivos por meio da
recreação, como: desenvolver o aspecto motor, social, cognitivo, criatividade, cooperação,
entre outros que serão contemplados de acordo as atividades desenvolvidas. Aspectos
estes que contribuem com o processo de ensino-aprendizagem durante o horário regular
de aulas, assim como o desenvolvimento do próprio aluno.
Acerca da interdisciplinaridade, precisamos, antes tudo, defini-la. Você sabe o que
significa esse termo? Podemos dizer “que estabelece relações entre duas ou mais discipli-
nas ou ramos de conhecimento” ou “que é comum a duas ou mais disciplinas” (HOUAISS,
2013).
O conceito, chegou ao Brasil por volta dos anos de 1960 e se intensificou a par-
tir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394), de
1996 e com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em 1998. Isso
influenciou o trabalho da escola e professores nos diversos níveis de ensino, de modo
a fazê-los compreender o processo de ensino-aprendizagem de uma maneira sistêmica
(LIMA; AZEVEDO, 2014).
O uso da recreação por meio dos jogos, brinquedos e brincadeiras, em caráter in-
terdisciplinar, surge como uma forma de socialização dos alunos, de estímulo à cooperação
e participação deles. Para isso, o professor deve planejar de modo que aguce o interesse
do aluno, e que tais conteúdos sejam significativos a ele, com objetivo, e que este objetivo
esteja claro, para não cairmos na prática pela prática.
Pensando no ensino da matemática, no modelo tradicional teríamos o professor
passando os exercícios, explicando no quadro e os alunos copiando e respondendo. Nesse
sentido, para unir essa aula com a Educação Física, pode-se pensar em usar o boliche
adaptado, em que os alunos precisam arremessar a bola, acertando no pino que contém
a resposta correta. É uma atividade de caráter interdisciplinar, pois envolve Matemática
e Educação Física e cognitivo (necessita realizar o cálculo mental). Dessa forma, o ensi-
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 31
no-aprendizagem da matemática, que é tão complexo, pode tornar-se prazeroso e eficaz
(WIERTEL, 2016).
O mesmo pode acontecer com as aulas de Educação Física. O professor pode
associar conteúdos, por exemplo, da física nas aulas de Educação Física, relacionando
centro de gravidade com a postura em determinados esportes. Assim como, em específico
com a recreação, pode-se trazer para a prática brincadeiras, como jogo da memória com
peças relacionadas aos conceitos de biologia.
Enfim, há uma infinidade de possibilidades oferecidas para o trabalho interdiscipli-
nar com a recreação por meio dos jogos, brinquedos e brincadeiras. E tais possibilidades
podem ser utilizadas tanto pela Educação Física quanto pelas demais disciplinas. Para
efetivar tal ação, seja por meio da recreação ou não, é necessário o envolvimento de todos
os professores dos componentes curriculares existentes na escola, na construção do pla-
nejamento.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 32
Fonte: as autoras.
2 RECREAÇÃO COM GRUPOS ESPECÍFICOS: DE TRÊS ANOS A TERCEIRA IDADE
Aluno(a), neste tópico você irá conhecer as características dos grupos de três
anos a terceira idade para prática da recreação. Durante a recreação, o que utilizamos
para contemplar as características desta são jogos, brinquedos e brincadeiras. Temos uma
infinidade de possibilidades que vão variar de acordo com a faixa etária que atuaremos.
Optamos por dividir a temática por grupos específicos de acordo com a idade,
sendo eles: crianças de 3 a 4 anos; 5 a 6 anos; 7 a 8 anos; 9 a 10 anos; 11 a 12 anos;
adolescentes; adultos; idosos e pessoas com deficiência.
● Crianças de 3 a 4 anos: nesta idade as crianças estão em processo de desco-
berta, é uma fase que Awad (2012) considera ser a de autoconhecimento. Além
disso, 3 a 4 anos é uma faixa etária que está intimamente ligada a atividades
que envolvem a imaginação. Brincadeiras como caça ao tesouro, em que se tem
como personagem um pirata bonzinho e uma princesa a ser resgata, envolvem
as crianças do começo ao fim. Ademais, as pistas do caça devem ser simples,
de forma que a criança consiga desvendá-las, ou pode-se substituí-las: pode
usar pegadas, glitter que mostrem o caminho até o tesouro. Outra opção é uma
bruxinha que faz uma poção mágica de ingredientes malucos e ao final tudo
isso se transforma em brigadeiro.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 33
Figura 1 - Brincadeira poção mágica
Fonte: as autoras.
Além disso, nesta idade, o recreador precisa de muita energia, pois as crianças po-
dem se distrair facilmente, assim como uma brincadeira programada para durar 30 minutos
pode ser finalizada em 10 minutos. Agilidade, animação e criatividade são essenciais para
lidar com as crianças de 3 a 4 anos.
● Crianças de 5 a 6 anos: fase na qual a criança vai desenvolvendo grandes
movimentos, como andar, correr, trepar e saltar, e são como necessidade para
essas idades. De acordo com Gouvêa (1967), neste momento a imaginação
ainda é viva, podendo a criança confundir muitas vezes o imaginário com o
real. Elas gostam de ouvir histórias, se identificam com os personagens e vivem
intensamente cenas. Não se deve valorizar a competição, deve-se estimular a
cooperação (GOUVÊA, 1967), brincadeiras cantadas são uma ótima opção.
Nesta fase podemos trabalhar com brincadeiras mais elaboradas quando compa-
rada a idade anterior mencionada, agora, o caça ao tesouro pode ter um vilão e para achar
o tesouro, pistas do tipo charadas (simples) podem ser utilizadas. Nesta idade, o recreador,
mesmo que sem fantasia completa, consegue prender a atenção das crianças.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 34
Figura 2 - Caça ao tesouro
Fonte: as autoras.
O recreador que atua com crianças de 5 a 6 anos deve ser dinâmico e sempre
demonstrar empolgação com as atividades. Brincar com as crianças faz toda a diferença
(claro, com responsabilidade e mantendo a atenção em todas as crianças).
● Crianças de 7 a 8 anos: essa idade, é aquela que podemos chamar de “radical”,
pois são crianças que já apresentam pouco medo de personagens, a imagina-
ção já não é sua principal característica. Elas possuem maior condicionamento
físico (AWAD, 2012), gostam de brincadeiras e jogos que tenham uma pitada
de competição. Mas cuidado! Essa competição deve ser suave, de forma que
ambas as equipes tenham possibilidade de vencer. Nessa idade as crianças
adoram brincadeiras em equipe com bola, desafios e grandes jogos (veremos
exemplos de jogos e brincadeiras na Unidade IV).
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 35
Figura 3 - Recreador e sua equipe criando a estratégia para a brincadeira
Fonte: as autoras.
● Crianças de 9 a 10 anos: fase marcada pela competição entre meninos e meni-
nas (AWAD, 2012). Aqui os jogos e brincadeiras ficam mais acirrados, podendo
introduzir até mesmo brincadeiras com terror e disputas entre equipes. Pode-
mos criar várias regras e detalhes para o jogo que as crianças serão capazes
de entender e jogar com efetividade.
Figura 4 - Explicação do jogo com a separação das equipes
Fonte: as autoras.
Nesta idade a participação ativa do recreador durante toda a recreação é indispen-
sável. Você deve ser o parceiro de equipe que ajuda a pensar nas estratégias para os jogos.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 36
● Crianças de 11 a 12 anos: grupo de crianças desta idade já não se conside-
ram mais crianças, não se atraem por brincadeiras simples ou por imaginação.
Gostam de ação, jogos com competição, desafiadores e diferentes. Adoram
videogames, então uma ideia que atrai essa idade são brincadeiras criadas a
partir de jogos do videogame, assim como atividades como escorrega sabão e
jogos de cartas.
Figura 5 - Recreador e sua equipe criando a estratégia para a brincadeira
Fonte: as autoras.
Para as crianças de 9 e 10 anos, o recreador deve participar e motivar as crianças
no envolvimento das atividades. O recreador passivo dificilmente terá sucesso.
● Adolescentes: essa etapa é considerada, por Awad (2012), como fase de transi-
ção entre a infância e a juventude. Os adolescentes sentem vergonha e rebeldia
devido às mudanças físicas. Recreação para adolescentes foca em atividades
de aventura, como sandboard (Figura 5), vertigem e competição. O recreador
que atua com adolescentes precisa procurar estratégias para envolvê-los, assim
como criar um vínculo com eles e participar ativamente das atividades.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 37
Figura 6 - Sandboard em dunas
Fonte: as autoras.
● Adultos: é uma fase mais ativa. Apresentam dificuldade de organização
em grupos, então, antes de iniciar tais atividades, é importante verificar as
potencialidades desses sujeitos. Há aproximação com atividades esportivas e
físicas, jogos de sorte e azar, festas, gincanas, passeios e viagens (AWAD,
2012).
Figura 7 - Adultos em jogos de sorte e azar
Observe, aluno(a), que a recreação para adultos é diferente das demais faixas
etárias. Assim, o recreador também deve assumir outra postura.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 38
● Idosos: para Awad (2012), essa fase é aquela em que há o regresso à Infância,
há necessidade de contar tudo que fizeram, valorizam mais a participação do
que o resultado. Veja, aluno(a), atividades competitivas não são a melhor opção
nessa idade. De acordo com Awad e Pimentel (2015), a recreação atua com
os idosos como forma de adaptação às mudanças e às perdas sociais. Evite
atividades que os mantenha em pé por muito tempo, que envolva velocidade
ou criem desequilíbrio. Idosos valorizam atividades em grupo, e precisam delas,
são exemplos: canto, dança, jogos de baralho, jogos de tabuleiros, cinema e
passeios.
Figura 8 - Atividade dança com idosos
O recreador que atua com idosos deve dar a eles a atenção necessária, tomar os
devidos cuidados e atender às suas necessidades.
● Pessoas com deficiência: as pessoas com deficiência, independentemente
de qual seja, assim como a idade – crianças, adolescentes, adultos – não são
diferentes dos demais grupos, desejando por meio da recreação o prazer e a
diversão. No entanto, é preciso observar que o planejamento do recreador deve
estar estruturado para atender tais sujeitos, assim como os demais.
Pense, caro(a) aluno(a), quais adaptações você deverá utilizar para incluir, por
exemplo, crianças com deficiência física?
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 39
Figura 9 - Criança usuária de cadeira de rodas sendo auxiliada na brincadeira
Vamos lá! Ao planejar a sua recreação pense no espaço físico que será utilizado
para a recreação, nos materiais e possibilidades de participação dessa criança de forma
ativa junto aos demais. Veja que na Figura 9 um amigo está auxiliando a criança com
deficiência, esta pode ser uma estratégia utilizada, assim como o próprio recreador pode
contribuir com isso, caso necessário.
Aluno(a), podemos verificar que cada um dos grupos possui características especí-
ficas e algumas em comum, assim, de acordo com o grupo que o recreador escolher atuar
exigirá um tipo de perfil.
Mas como escolher esse grupo para sua atuação?
Acreditamos, com base em nossa prática, que você deve se identificar com o grupo
e suas características para selecioná-lo. Por exemplo, eu, Prof. Bruna, sempre atuei com
crianças de 4 a 11 anos, pois me identifico com as características desses grupos – imagi-
nação, grandes jogos, o brincar junto com as crianças. Enquanto eu, Prof. Pollyana, gosto
mais de atuar com crianças de 11 a 12 anos e adolescente, que, como vimos anteriormente,
são faixas etárias que compreendem as atividades de maneira rápida e gostam muito de
competição.
O prazer do recreador em atuar deve ser considerado para tal escolha, pois um
recreador desmotivado não conseguirá motivar o seu grupo para a prática dos jogos e
brincadeiras propostos.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 40
Fonte: as autoras.
3 RECREAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS: HOTELARIA, FESTA INFANTIL, ÔNI-
BUS, CLUBES, ESPAÇO AQUÁTICO, HOSPITAIS E ACADEMIAS
Neste tópico iremos explorar a recreação a partir dos diferentes espaços nos quais
ela pode acontecer, e é neles que você, como recreador(a), poderá atuar. Selecionamos os
espaços não formais que seguem: hotelaria, festa infantil, ônibus, clubes, espaço aquático,
hospitais e academias.
3.1 Hoteleira
A recreação em espaços de hotelaria, nada mais é do que a recreação que acon-
tece em hotéis, sendo eles pequenos ou grandes, localizados no litoral ou não. Além disso,
pode ser um hotel fazenda, um hotel com parque aquático ou um resort.
Nestes espaços, o recreador pode ser contratado como freelancer por empresa
terceirizada, pelo próprio local (MIAN, 2015b) ou até mesmo com registro em carteira de
trabalho. A contratação pode ser para todo o ano ou sem fim definido, e para altas tempo-
radas, por exemplo: em hotéis litorais, a alta temporada seria no verão.
A atuação do recreador nesses espaços é, em sua maioria, efetivada por meio do
trabalho em grupo com outros recreadores, ou seja, há uma equipe de recreação. A rotina
varia entre os hotéis, mas em sua maioria ocupam todo o dia (8h às 23h) ou metade do
período (9h às 17, 14h às 22h) quando há troca da equipe de recreadores. Essa rotina
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 41
funciona da mesma forma para finais de semana, então, o recreador em hotéis trabalha de
segunda a segunda, em alguns locais ele possui uma folga por semana e um domingo por
mês.
Sendo assim, a programação para a recreação deve ser feita para todo o dia, uti-
lizando os espaços do hotel, passeios, jogos e brincadeiras que vão variar de acordo com
o grupo que se está atuando. Ademais, ressaltamos que durante o horário de trabalho, os
recreadores usam uniforme próprio para recreação, mas para algumas atividades podem
utilizar fantasias ou outros trajes permitidos pelo espaço.
Figura 10 - Uniforme resort
Fonte: as autoras.
Aluno(a), parece ser uma rotina puxada, certo? Mas o resultado do envolvimento
com os sujeitos é satisfatório.
3.2 Festa Infantil
A recreação em festa infantil pode acontecer em diversos espaços, como buffets,
chácaras, clubes, espaços públicos e na própria casa do aniversariante. Em específico,
nos buffets a atuação do recreador se torna, por vezes, mais limitada aos brinquedos
do espaço, atuando, assim, como monitor (aquele responsável por monitorar as crianças).
Já nos demais locais mencionados, a recreação possui outra característica, o re-
creador tem o papel de brincar com as crianças por meio de jogos e brincadeiras planejadas
com antecedência. Nesse contexto, a contratação geralmente é feita por horas de trabalho.
Você pode ser autônomo, trabalhar para alguma empresa ou ter seu próprio negócio.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 42
Na festa, o recreador pode trabalhar de forma individual, em duplas ou na quantida-
de que achar necessário. Mas, quanto mais crianças, mais recreadores. Indicamos para o
trabalho individual uma festa que tenha no máximo 10 crianças. Acima disso, o ideal seriam
dois recreadores, acima de 35 crianças três recreadores, e assim por diante.
A programação deve ser elaborada de acordo com as horas de trabalho, por exem-
plo, na cidade de Maringá-PR, a maioria das festas que a empresa Tia Pink e Cia. se envol-
ve, tem duração de 3 horas. Sendo assim, nossa organização tem brincadeiras e jogos que
supram todo esse tempo. Além disso, o recreador em festa infantil pode atuar de uniforme
(Figura 11) ou caracterizado. Há profissionais que preferem trabalhar fantasiados de acordo
com o tema da festa, outros de palhaços, ou seja, são inúmeras as possibilidades.
Figura 11 - Uniforme recreação Tia Pink e Cia
Fonte: as autoras.
Aluno(a), em festas infantis a recreação é mais dinâmica do que em hotéis, pois
são poucas horas que o profissional tem para conquistar as crianças e envolvê-las em
todas as atividades.
3.3. Ônibus
Ao nos referirmos à recreação no espaço do ônibus, estamos especificamente
referindo-se aos passeios de turismo e viagens turísticas. Para que a recreação ocorra com
sucesso é preciso saber antecipadamente as características das pessoas que estarão no
espaço e todo o cronograma do passeio.
De acordo com Mian (2015a), as atividades propostas pelo recreador devem atingir
a participação de todos os sujeitos, estando eles, principalmente, sentados (por motivos de
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 43
segurança), sejam eles, crianças, adultos ou idosos. Apesar disso, o recreador ficará em
pé, ele pode usar uniforme da empresa que contratou, assim como microfone e outros
materiais que ache necessário para suas atividades.
Figura 12 - Recreação no ônibus
Fonte: WordPress (2010).
Para o autor, o maior desafio deste tipo de recreação é fazer com que o recreador
seja uma figura interessante, assim como seu trabalho apareça como uma alternativa
atraente para o entretenimento a bordo (MIAN, 2015a). Para isso, há várias possibilidades
de jogos e brincadeiras, como: bingo, sorteios, charadas, piadas, brincadeiras cantadas.
Quem nunca cantou em um ônibus a música do “Quem roubou pão na casa do João”? Caso
você nunca tenha tido contato com ela, segue o link para acesso: https://www.youtube.com/
watch?v=2CyUYlg7Cr8.
3.4 Clubes
A recreação em clubes é direcionada a uma parcela restrita da sociedade, ou seja,
aqueles que são sócios do espaço poderão se envolver com as atividades (SILVA, 2015).
Entre os participantes temos crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Os clubes podem manter o recreador como contrato do espaço para atuar todos
os dias da semana ou pode firmar um contrato para datas e eventos específicos, como
no caso de colônias de férias. A atuação se dá com o uniforme fornecido pelo clube, pela
empresa para qual o profissional presta serviço ou como for instruído. É importante seguir
as normas do local.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 44
Figura 13 - Recreação em clube com crianças
Sobre a programação, ela irá depender da demanda do contrato, pode durar horas,
o dia todo ou uma semana.
3.5 Espaço Aquático
A recreação, independente do espaço, é uma prática que envolve a motivação
dos sujeitos. Quando se trata de espaço aquático, a motivação é ainda maior (VERDIANI,
2015). Apesar disso, esse espaço é um grande desafio, pois envolve cuidados redobrados,
limita algumas atividades, isso devido à profundidade da água e a habilidade de natação
das crianças ou deslocamento no meio aquático.
Ademais, de acordo com Verdiani (2015), o recreador deve estar atento à tempe-
ratura da água, no caso de piscinas a temperatura deve estar entre 28º e 30º graus, para
ser agradável aos envolvidos. Além disso, o recreador deve estar atento aos materiais que
serão utilizados, selecionando aqueles disponíveis no local (hotel, clube, casa) ou que seja
de posse do recreador, e que não ofereçam riscos.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 45
Figura 14 - Escorregador inflável e o recreador fazendo a segurança da criança
Fonte: as autoras.
Por fim, considerar o horário para a recreação é essencial, por exemplo, para crian-
ças o horário do meio para o final da tarde é adequado, assim como final da manhã. Mas,
aluno(a), tenha cuidado, horários em que sol está mais forte devem ser evitados. Ademais,
sempre lembre aos sujeitos o uso do protetor solar.
4.6 Hospitais
O hospital é um espaço de cura ou minimização de sintomas. Quando falamos de
crianças, o espaço pode até parecer sombrio e ter efeitos negativos para os pequeninos,
influenciando em seus aspectos emocionais e psicomotores. Nesse sentido, a recreação
vem para positivar aspectos essenciais por meio do brincar e do brinquedo (WITTIZORE-
CKI; DAMICO; SCHAFF, 2012).
De acordo com Awad (2012, p. 237), a recreação irá “fornecer ao paciente a reto-
mada da alegria, a elevação da autoestima, superar traumas e aflições pessoais”, o que
torna o hospital um espaço mais humanizado.
Neste espaço, geralmente o recreador atua como Clown (Figura 15), e, na maioria
das vezes, pode ser um trabalho voluntário. Pode-se utilizar de diferentes jogos e brinca-
deiras, assim como, música violão e mágicas.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 46
Figura 15 - Clowns no hospital
Fonte: Cenat cursos (2018).
4.7 Academias
A recreação em academias parte da ideia de “com ideias simples, com objetivos
bem definidos diretamente relacionados com o fato saúde, poderemos conseguir resul-
tados de forma prazerosa, tentando apagar a imagem de exercício feito por obrigação”
(OLIVEIRA, 2015, p. 247).
Neste espaço, a recreação ocorre em maior evidência em eventos, como festa
junina, dia das bruxas, dia do amigo, noite do pijama com crianças (OLIVEIRA, 2015).
Além disso, a recreação pode ser utilizada nas aulas com as crianças, em alguns lugares
conhecidas como “personal kids” ou “turmas de kids”, com elas as brincadeiras teriam como
objetivo a prática do exercício físico de maneira lúdica e prazerosa.
Figura 16 - Turma de kids na academia
Fonte: Sportsjob (2018).
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 47
O recreador poderá usar o uniforme da empresa ou o que for direcionado a ele,
podendo trabalhar por horas/aula ou contrato mensal. O trabalho tem duração inferior às
demais, como exemplo, as aulas de “personal kids”, que tem duração máxima de 1h.
Aluno(a), neste tópico, então, vimos quantas possibilidades de espaços para atua-
ção com a recreação nós temos. E, isso não se esgota por aqui, podemos citar ainda
recreação em condomínios, em treinamento empresarial, na natureza e em acampamentos.
SAIBA MAIS
Você sabia que a recreação pode ser considerada um campo de atuação multiprofissio-
nal? Ou seja, pessoas com diferentes formações podem atuar na área, como: profissio-
nais da Educação Física, Pedagogia, Turismo, Hotelaria, Teatro, Dança, entre outras.
Fonte: as autoras.
REFLITA
Será que a recreação não seria uma nova perspectiva de campo de atuação para você?
Essa é uma área que sempre está em busca de novos profissionais! Por isso, pense um
pouco fora da caixinha e vá explorar essa oportunidade.
Fonte: as autoras.
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 48
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Querido(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade da nossa apostila de
Lazer e Recreação. No primeiro tópico abordado pudemos compreender como a recreação
acontece no ambiente formal, com foco na escola, em que a recreação durante a aula de
Educação Física, é praticada de maneira intencional, pode proporcionar aprendizagem e
reflexão aos alunos. A recreação pode ser utilizada também em contexto extracurricular e
de caráter interdisciplinar, em que ambos buscam a efetivação do ensino-aprendizagem.
Após compreender os aspectos voltados à recreação no ambiente formal, você,
aluno(a), teve a possibilidade de conhecer características de grupos específicos para
atuação com a recreação. Destacamos que é necessário estar atento(a) às particularidades
das faixas etárias, para pensarmos o que pode ser aplicado na hora de organizarmos o
planejamento da recreação e atingirmos, com êxito, o nosso objetivo. Além disso, é neces-
sário, aluno(a), refletir a partir das variadas características apresentadas, com qual grupo
você teria mais afinidade para atuar. Lembrando que não é um trabalho fácil, porém muito
prazeroso!
Por fim, o tópico 3 da unidade abordou em quais espaços não formais podemos
atuar e colocar em prática os conhecimentos adquiridos até aqui. Os recreadores que atuam
nesse campo podem ser contratados como freelancer ou registrados, por diversos períodos
de tempo. Também observamos que, embora sejam muitos lugares e muitas possibilidades,
cada um possui características próprias em que o recreador deve se identificar e gostar de
trabalhar. Caso contrário, o trabalho se tornará um fardo.
Concluímos mais uma etapa em busca de novos conhecimentos acerca da Recrea-
ção e Lazer. Vamos com ânimo para próxima unidade, pois nela você poderá se identificar
como futuro recreador.
Até mais!
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 49
LEITURA COMPLEMENTAR
Gestão das colônias de férias
As colônias de férias surgem como uma forma de romper a tensão vivida no coti-
diano escolar, acontecendo, portanto, em período de férias escolares. Para que a colônia
aconteça é necessário um planejamento. Dessa forma, todos os eventos realizados devem
ser voltados a atrair toda a atenção do cliente.
Antes de mais nada, devemos primeiro compreender o que é um evento, que,
segundo Simões (1995), é “um acontecimento criado para alterar a história da relação
organização-público, de acordo com as necessidades observadas” e que, de acordo com
Watt (2004), um bom evento depende de um bom gerenciamento.
Um bom projeto de colônia de férias pode ser oferecido por inúmeras empresas,
desde que essa ofereça espaços adequados para o desenvolvimento das atividades
propostas, ou seja, devem oferecer espaços com possibilidade para o ato de brincar. A
estruturação do projeto deve detalhar tudo o que se pretende fazer, incluindo estratégias,
cronogramas, recursos, custos etc.
Dessa forma, para que o resultado do evento seja positivo e aconteça com êxito, é
necessário pensar na prática e elaboração do projeto. Outro fator determinante é pensar na
programação das atividades que serão oferecidas. Em específico para a colônia de férias,
podemos utilizar atividades de caráter esportivo e jogos de salão, devendo ser priorizadas
atividades como jogos em equipe, pois promovem socialização e integração.
Nesse sentido, a colônia de férias compreende vivência lúdico-recreativas, com
características multidisciplinares na elaboração das atividades propostas durante a progra-
mação e que é uma ótima opção voltada ao público de diversas faixas etárias.
Por fim, possuir conhecimento de um projeto de colônia de férias pode ser um fator
extremamente importante que determinará o sucesso ou fracasso do seu evento, pois sem
pensar detalhadamente em oportunidades, riscos, ameaças, recursos humanos capacita-
dos e treinados, tempo e espaço disponível, pode ser inviável implementar esse tipo de
evento. Assim, o profissional responsável, deve estar atento a todos os detalhes antes,
durante e após a colônia de férias.
Fonte: Holdefer; Gonçalves (2020).
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 50
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Lazer e Recreação: repertório de atividades por fases da
vida
• Autor: Nelson Carvalho Marcellino
• Editora: Papirus
• Sinopse: O livro tem como objetivo principal trazer um repertório
de atividades pensadas e organizadas de acordo com as faixas
etárias, que serão úteis para os profissionais da área, fazendo
passagens pela infância, juventude, idade adulta e a terceira idade.
Essa organização leva em consideração a especificidade de cada
público, pensando nas relações e interesses de cada um. O livro
é organizado em módulos, e que cada um é destinado a uma fase
da vida, contendo introdução e aspectos a serem considerados,
além de fichas com sugestões de atividades, porém, essas ativi-
dades não são unicamente restritas à determinada faixa etária, ou
seja, podem ser utilizadas por outros grupos desde que passe por
adaptações.
LIVRO
• Título: Jogos, recreação e lazer
• Autores: Elisandro Schultz Wittizorecki, Ismael Antônio Bacellar
Schaff, José Geraldo Soares Damico.
• Editora: Intersaberes
• Sinopse: O livro aborda a importância de contemplar o jogo na
agenda do projeto-político-pedagógico da sua instituição, em que
o jogo não é visto apenas como ferramenta, mas também como um
aspecto que contribui para o desenvolvimento da criança, já que o
jogar é uma das manifestações mais antigas da humanidade.
FILME/VÍDEO
• Título: 3 dicas para trabalhar com recreação
• Ano: 2019
• Sinopse: Nesse vídeo o professor Me. Cleber Mena Leão Junior,
aborda algumas dicas destinadas ao profissional que está inician-
do a atuação na área de recreação.
• https://www.youtube.com/watch?v=nTRXoNKsNiM
WEB
• O site do professor Me. Cleber Junior, traz inúmeras conteúdos
sobre recreação.
https://www.cleberjunior.com.br/
UNIDADE II Recreação: Brincando e Encantando em Diferentes Espaços e com Diversas Populações 51
UNIDADE III
Recreador: Quem Sou? Como Atuar?
Professora Mestre Bruna Solera
Professora Mestre Pollyana Mayara Nunhes
Plano de Estudo:
• Profissional da recreação: características e formação;
• Planejamento e a recreação: espontaneidade e comprometimento.
Objetivos de Aprendizagem:
• Identificar as características e discutir a formação do profissional da recreação;
• Conceituar o planejamento relacionando-o com a recreação, associando à
espontaneidade e ao comprometimento.
52
INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a), bem-vindo(a) à Unidade III da nossa apostila de Lazer e Recreação!
Após estudarmos definições, contextos históricos do lazer e da recreação, falar
sobre a recreação na escola, para grupos específicos e em diferentes espaços não formais,
chegamos ao momento de adentrarmos aos conhecimentos acerca das características do
profissional que atua com a recreação e discutir a formação desse sujeito.
Após isso iremos estabelecer relações acerca da presença do planejamento na
recreação. Você pode estar se perguntando, mas a recreação não é tudo aquilo que diverte,
envolvendo os sujeitos de forma ativa, a qual se manifesta de forma espontânea e com
liberdade?
Sim, caro aluno(a) é isso mesmo! Mas para que seu evento tenha sucesso a or-
ganização prévia das ações é algo indispensável. Além disso, traremos relações entre a
espontaneidade e o comprometimento do profissional com a sua área de atuação.
Vamos em frente?
Ótimo estudo!
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 53
Fonte: as autoras.
1 PROFISSIONAL DA RECREAÇÃO: CARACTERÍSTICAS E FORMAÇÃO
Aluno(a), vimos na unidade anterior que, além dos profissionais da Educação Físi-
ca, formados em outras áreas também podem atuar com a recreação. Mas você acha que
qualquer pessoa está apta a isso?
Certamente não! De acordo com Awad (2012), para se ter êxito nessa área, é pre-
ciso que o recreador tenha certas habilidades que serão adquiridas com o passar dos anos
por meio da prática regular e contínua, em sua formação no ensino superior e na formação
continuada (cursos e minicursos na área, pós-graduação lato e stricto sensu). Além disso,
é preciso ainda que você traga consigo, de sua vida, “habilidades e cuidados que são
construídos ao longo da história de vida e personalidade de cada um” (AWAD, 2012, p. 32).
Veja bem, aluno(a), o mencionado por Awad (2012) é fato. Como exemplo para
isso temos a formação da recreadora chamada de Tia Pink (Prof. Bruna Solera), que nesse
momento tem sua própria empresa de recreação em festa infantil “Recreação Tia Pink e
Cia”, na cidade de Maringá-PR. No entanto, até chegar a esse momento, caminhos com
diversas experiências foram percorridos.
A primeira recreação que tive contato foi em um parque aquático chamado Ody
Park Resort Hotel, na cidade de Iguaraçu-PR. A convite de uma amiga, fui para esse espaço
na alta temporada (dezembro a fevereiro), e trabalhei com crianças de 4 a 6 anos. Nesse
momento, descobri que tinha afinidade com a área e que levava “jeito” com isso.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 54
No próximo verão fui selecionada para ser recreadora no Costão do Santinho Re-
sort, em Florianópolis-SC. Quando comparado ao Ody Park, o Costão é gigante, com uma
demanda muito maior de crianças, assim como uma equipe que somava o triplo da equipe
da experiência anterior. Nesse local, trabalhei com crianças de 7 a 11 anos, e foi onde tive
a mais rica experiência em vivências, jogos, brincadeiras, disciplinas, postura, socialização.
Ao total atuei no hotel por 60 dias.
Figura 1 - Experiência Costão do Santinho Resort
Fonte: as autoras.
Após isso, já gostava muito mais da área, então fiz mais duas temporadas de verão
no Salto Bandeirantes, em Santa Fé-PR. É importante destacar que durante esses quatro
anos fui realizando cursos de extensão e especialização. No entanto, chegou um momento,
fim da graduação e início de um emprego mais formal, que limitou minha ida para hotéis
em alta temporada, pois as férias eram curtas. Com o objetivo de ter a recreação em minha
rotina durante todo ano, iniciei a Recreação Tia Pink e Cia., isso aconteceu no ano de 2016,
e estamos até o momento no mercado.
Então, aluno(a), de fato, o ser recreador é algo construído por experiências práticas
e teóricas (estas serão aprofundadas em seguida). Mas como saber se você é ou pode vir
a ser um bom profissional de recreação?
Awad (2012) traz algumas características e habilidades que o sujeito precisa ter
para contemplar as necessidades do mercado de recreação e lazer. Veja o quadro a seguir.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 55
Quadro 1 - Características e habilidades do recreador
Você gosta de recreação e A melhor coisa que existe é sentir prazer naquilo que se
lazer? faz, portanto, procure escolher a função mais compatível
com a sua personalidade, para que possa desenvolvê-la
corretamente.
Você se preocupa em Seja pontual: ninguém gosta de atrasos, portanto não deixe
chegar sempre no horário o outro esperando, procure sempre chegar alguns minutos
marcado? antes do horário marcado.
Você é uma pessoa aten- Procure escutar o que as pessoas lhe falam, suas suges-
ciosa? tões, críticas, elogios. Principalmente quando elas pensam
diferente de você. A divergência nos faz pensar e produzir
mais.
Você se contenta com a Nunca se contente com a primeira ideia que lhe ocorre,
primeira ideia? busque sempre outras, para escolher a melhor.
Você é curioso? Uma pessoa curiosa busca os porquês, as implicações, as
causas, desta forma acaba aprendendo mais e inovando
em suas práticas.
Você tem iniciativa? Não espere que o outro faça sua função por você, peque-
nas atitudes demonstram grande capacidade de achar so-
luções para grandes problemas.
Você tira conclusões pre- Procure rever os chavões criados acerca das pessoas, os
cipitadas em relação às “pré-conceitos” formam uma antipatia gratuita e indeseja-
pessoas? da.
Você se considera uma Busque inovar, fazer coisas diferentes, seja dinâmico e au-
pessoa criativa? dacioso, faça suas ideias saírem do papel.
Você sabe transmitir as Nada mais frustrante que uma pessoa que não consegue
informações de forma cla- transmitir as informações necessárias para o desenvolvi-
ra e objetiva? mento de qualquer atividade. O tom de voz, os gestos, as
palavras escolhidas para falar são imprescindíveis para
uma comunicação clara e objetiva.
Você procura cuidar da A higiene é uma peça fundamental em qualquer área de
sua aparência pessoal? atuação, busque sempre estar arrumado, com os cabelos
penteados, unhas cortadas, perfumado, roupas passadas.
Cuidar da higiene pessoal deve ser um hábito diário.
Você se preocupa com os Não importa a função que você venha a exercer, procu-
resultados? re desenvolvê-la da melhor maneira possível, para colher
bons resultados. Independentemente dos resultados obti-
dos, reveja os pontos negativos e positivos. Numa próxi-
ma situação isso pode fazer a diferença. Ao desenvolver o
seu trabalho com sabedoria e eficácia, as possibilidades de
crescimento profissional serão maiores.
Você procura ser educa- Saber utilizar as “palavras mágicas” – com licença, por fa-
do? vor, muito obrigado e desculpe – faz a diferença em qual-
quer ocasião.
Você se considera uma Pessoas que demonstram estar sempre de bem com a
pessoa alegre? vida, sorridentes, alegres, bem humoradas, sempre são
bem vistas pelos colegas.
Você participa da vida so- Procure participar de todos os acontecimentos que surjam
cial do seu bairro, traba- em sua vida. Participar é ser visto, e quem é visto é lembra-
lho ou mesmo da sua fa- do. Grandes oportunidades de negócios e de vida decor-
mília? rem de convívios sociais e de lazer.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 56
Você se considera uma A organização é fundamental para qualquer pessoa, seja
pessoa organizada no seu no trabalho ou na vida. Ser uma pessoa organizada é criar
trabalho e no seu cotidia- métodos e técnicas que oportunizem agir de forma clara,
no? eficiente e objetiva na realização de ações do dia a dia do
trabalho, com isso, ganhando tempo e minimizando esfor-
ços desnecessários.
Você copia as boas Reproduzir boas ideias significa maior chance de suces-
ideias? so – contudo, não deixe de levar em consideração o tipo
de homem, o tempo e o espaço –, não tenha vergonha de
copiar o que é bom, mas não deixe de citar a fonte, isso é
imprescindível e fundamental.
Você planeja as suas Planejar é antever tudo o que será feito no dia da atividade,
ações? aumentando as possibilidades de sucesso e diminuindo as
probabilidades de falhas, perda de tempo e de dinheiro.
Você gosta de trabalhar Trabalhar com pessoas não é uma tarefa fácil pelas pecu-
com pessoas? liaridades de cada um, entretanto o bom profissional sabe
trabalhar com as diferenças e gosta de estar próximo das
pessoas, independentemente de sua idade, cor, sexo, pro-
fissão, credo...
Você sabe trabalhar em Saber trabalhar em equipe demonstra maturidade, lideran-
equipe? ça e espírito de companheirismo. Num grupo não há um
vencedor ou um perdedor, há vencedores e perdedores.
Você procura atualizar os Busque com frequência revigorar os seus conhecimentos.
seus conhecimentos? Ir em congressos, simpósios, debates, cursos, palestras,
seminários e literaturas específicas da área de recreação
e lazer oportunizam rever e complementar os seus
conhecimentos. Outro fator de grande importância é uma
boa formação acadêmica.
Fonte: Awad (2012).
Quantos itens, não é mesmo? Se identificou com o mencionado no Quadro 1?
Gouvêa (1967) complementa dizendo que o recreador deve participar com alegria
no seu trabalho com a recreação, seja com crianças, jovens ou adultos. É preciso entusias-
mo e boa saúde. Ademais é essencial o conhecimento de atividades, jogos, brincadeiras,
músicas e ter a habilidade para promovê-las de forma adequada ao grupo. É preciso ser
proativo, possuir um raciocínio rápido e percepção aguçada, pois a reação das crianças é,
em sua maioria, imprevisível.
Reparem que o exposto no parágrafo anterior e no Quadro 1 se refere ao próprio
sujeito, isso porque, de acordo com Gouvêa (1967, p. 219), “As experiências universais têm
demonstrado que a orientação das atividades recreativas, e portanto, a ação dos recreado-
res, é mais importante que instalações, equipamento e material adequado”. Assim o sujeito
atuante necessita da formação profissional, como precisa desenvolver “uma base cultural e
conhecimentos teóricos e práticos que lhe garantam êxito na orientação” (GOUVÊA, 1967,
p. 219) do que se propõe a realizar na área da recreação.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 57
Ao encontro do já dito, vamos explorar, agora, as questões relacionadas à formação
profissional, em específico para a atuação com a recreação.
Como sabemos, a recreação e lazer envolvem diversas áreas do conhecimento,
como já mencionado na unidade anterior, temos profissionais de Pedagogia, Turismo,
Hotelaria, Teatro, Dança e também Educação Física, ou seja, é uma área multidisciplinar.
Historicamente a Educação Física é a que mais vem desenvolvendo ações voltadas à
formação do profissional.
Caro(a) aluno(a), apenas um adendo para continuarmos: é importante destacar que
o profissional que atua nessa área não precisa, necessariamente, possuir uma graduação
completa, porém a formação universitária contribui muito para sua qualificação profissional
e melhora no desempenho.
Seguindo, no Brasil, na década de 60, foi aprovada a resolução n. 69, de 6/11/1969,
em que a recreação (utilizava-se apenas esse termo) passou a fazer parte como uma dis-
ciplina do currículo dos cursos de graduação em Educação Física. Mais tarde, na década
de 90, adotou-se a associação entre os termos recreação e lazer, sendo que ainda era
possível encontrar divergência nas nomenclaturas.
A prova de que a Educação Física ainda possui presença significativa na área é
a realização de grandes eventos científicos que são renomados nacionalmente, como o
Encontro Nacional de Recreação e Lazer (ENAREL) e o Congresso Brasileiro de Ciências
do Esporte (CONBRACE) que têm ampla participação de estudantes e profissionais que
estudam a temática recreação.
Mas, afinal, como esses conteúdos são desenvolvidos nos currículos da Educação
Física das instituições de ensino superior? A definição específica de uma disciplina, bem
como a ementa, conteúdo programático, carga horária podem ou não ser iguais para todas
as instituições (ISAYAMA, 2002).
No Brasil, de acordo com Inácio e Filho (2017), existem mais de 1.400 cursos
de Educação Física, e por tal motivo são encontrados vários nomes para disciplinas que
tratam a temática recreação e lazer, como por exemplo, “teorias do lazer e recreação”,
“metodologia do lazer e da recreação”, “recreação e ludicidade”, “teorias dos jogos” entre
outros. Geralmente, essas disciplinas são ofertadas com maior frequência entre o primeiro
e quarto semestre.
Além dessas disciplinas que possuem relação direta com a recreação e lazer,
outras também podem auxiliar na formação do profissional, como, por exemplo, aprendiza-
gem e desenvolvimento motor, educação física adaptada, educação física infantil, Jogos,
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 58
Brinquedos e Brincadeiras, Lúdico e Educação, que trazem conhecimentos que podem ser
aplicados na prática.
Durante o processo de graduação, também podem ser encontrados grupos de
estudos e pesquisas que podem contribuir para a formação do profissional de recreação.
Ao longo desse processo é possível que o aluno também participe de eventos científicos e
encontre muitos cursos de formação voltados a diferentes contextos da recreação.
Após formado, o profissional que procura se aprofundar na área pode encontrar
opções de cursos e especializações que são oferecidas por diversas instituições que
são localizadas por vários estados do Brasil. Também podemos encontrar pós-graduação
Stricto Sensu no exterior. Para conferir outras informações, quais as instituições que
fornecem tais serviços, o site “Clube do Recreador” pode ajudar você.
Mesmo com toda a formação, o profissional precisa estar colocando constantemen-
te esses aprendizados em prática, pois a vivência é indispensável para o aperfeiçoamento
de sua atuação. Além disso, é necessário estar sempre em formação contínua, buscando
novos conhecimentos, pois o mercado de lazer e recreação é amplo e cresce a cada dia.
SAIBA MAIS
Você sabia que na maioria dos locais onde se atua com a recreação, o recreador é cha-
mado de “tio(a)”?
Pois é, isso é verdade. Cada tio ou tia possui um nome, que geralmente é uma versão
divertida do seu próprio nome, apelido ou relacionado a algo com que você se identifica.
Por exemplo, eu me chamo Pollyana, meu nome na recreação é Tia Pompom.
Fonte: as autoras.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 59
2 PLANEJAMENTO E A RECREAÇÃO: ESPONTANEIDADE E COMPROMETIMENTO
Mas por que planejar uma atividade espontânea?
Qual sua resposta a isso, aluno(a)?
Para respondermos a tais inquietudes, precisamos, primeiro, descobrir o que sig-
nifica o planejamento. De acordo com Gandin (1986, p. 18-19), “Planejar é transformar a
realidade numa direção escolhida”, “Planejar é organizar a própria ação”, “Planejar é dar
clareza e precisão à própria ação”. Sendo assim, planejamento é processo de organização
prévia das ações que se pretende efetivar.
Para realizar esse planejamento, segundo Gandin (1986, p. 20), temos que respon-
der a três perguntas:
1. O que queremos alcançar?
2. A que distância estamos daquilo que queremos alcançar?
3. O que faremos concretamente para atingir o objetivado?
Pense sobre isso e, em seguida, vamos responder tais questões:
1. Para essa resposta devemos refletir sobre o objetivo da nossa recreação. Por
exemplo: proporcionar, por meio da recreação, divertimento a todas as crianças
de forma segura.
2. Para responder essa questão, precisamos analisar a realidade e fazer um jul-
gamento dela. Por exemplo: precisamos saber a quantidade de crianças, idade,
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 60
espaço disponível, quais as características de brincadeiras são permitidas
(brincadeiras que sujam? Que molham?).
3. E, por fim, o que faremos? Neste momento fazemos a programação consideran-
do as respostas anteriores. Vamos agir na direção do estabelecido.
Na próxima unidade iremos estruturar uma programação para recreação. Fique
atento(a)!
Seguindo, o fato de planejar não limita as questões imbricadas na recreação, como
a espontaneidade, pelo contrário, maximiza a diversão, pois se tem uma organização pré-
via pronta para ser executada, que foi estruturada pensando em todas as possibilidades e
objetivo do evento ou dia.
Solera et al. (2019) realizou uma pesquisa com 14 recreadores atuantes na área de
recreação de um município do norte do Paraná - Brasil, na qual perguntou a eles como viam
a questão do planejamento em sua prática com a recreação, e 100% dos participantes afir-
maram ser essa organização importante. Em específico os sujeitos mencionaram motivos
para tal resposta, veja que o planejamento
[...] auxilia para a maioria dos sujeitos (35,7%) na organização da recreação,
7,1% acreditam que o planejamento contribui com a praticidade, com dimi-
nuição de erros (7,1%), antecipação de situações (7,1%), sucesso do evento
(7,1%), diminuição de imprevistos (7,1%), permite flexibilidade (7,1%), atingir
os objetivos do cliente (7,1%) e 14,3% citaram ser o planejamento de extrema
importância, sem ressaltar um aspecto em específico (SOLERA et al., 2019,
p. 85).
Aluno(a), com isso foi possível constatar que o planejamento é algo necessário
para o sucesso geral da atuação com a recreação. Além dos motivos mencionados, ele
contribui com a visão de comprometimento do profissional com seu trabalho e reflete na
satisfação de seus clientes (tanto crianças como seus responsáveis).
Para você, como recreador, a próxima recreação pode ser apenas mais um evento,
para a criança pode ser a realização de um sonho, como, por exemplo, a criança que
sempre quis ter em sua festa de aniversário uma equipe proporcionando atividades legais.
Trabalhamos com muito mais que o brincar, as vezes lidamos com os sonhos das crianças,
algo maior, como citado. E sim, aluno(a), isso, de fato, acontece. Em nossa experiência
com a recreação em festa infantil, diversas vezes, as mães nos contactam dizendo que
seu(a) filho(a) está ansioso(a) pela chegada da equipe de recreação. Então, deve-se levar
a sério a tarefa do brincar, efetivando-a com comprometimento.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 61
Esse comprometimento perpassa também pela segurança das crianças, no caso
dos grandes hotéis, nos quais os pais deixam seus filhos com os recreadores o dia todo.
O recreador deve ter atenção e cuidado com todas as crianças, não podemos “perdê-las”!
Com isso, ainda é possível ressaltar a importância do planejamento estar adequado ao
espaço físico e quantidade de crianças envolvidas.
Aluno(a), vimos o quão importante é para o sucesso com a recreação o planejamen-
to e comprometimento profissional. Mas como vamos efetivar esse planejamento? Como
podemos materializá-lo? Veja em seguida um exemplo de quadro que pode ser utilizado
para sua organização durante as recreações.
Figura 2. Quadro para organização da recreação em festa infantil da “Recreação Tia Pink e Cia.”
Fonte: as autoras.
O preenchimento do Quadro 2 é simples e, sem dúvidas, você, em sua atuação
como recreador(a), conseguirá utilizá-lo. Na Unidade IV vamos explicar detalhadamente
como organizar uma recreação.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 62
REFLITA
“A relação de planejamento e recreação ainda é bastante fragilizada, sendo necessário
mais investimento acadêmico da área para o fortalecimento dessa relação” (SOLERA et
al., 2019, p. 86).
Sendo assim, nós, como profissionais da área, devemos nos atentar a tal demanda,
e contribuir com a valorização do recreador frente a sua atuação de qualidade e com
comprometimento.
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
Em 2020, foi divulgado o relatório Jobs of Tomorrow: Mapping Opportunity in the New
Economy, pelo Fórum Econômico Mundial, que elenca profissões emergentes. Foram
96 empregos divididos em 7 grupos. No grupo de profissão da saúde, a Recreação se
encontra em 8º lugar, como sendo uma das profissões do futuro. Se tudo se mantiver
conforme o planejado, a expectativa é de que esses profissionais proporcionem 1,7 mi-
lhão de novos empregos em 2020 — e esse número terá um aumento significativo de
51% para 2,4 milhões de oportunidades até 2022 no mundo todo.
Fonte: Ratchev, Leopold e Zahidi (2020).
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 63
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno (a), no primeiro tópico desta unidade foi abordado a respeito do profis-
sional da recreação, bem como suas características e formações. Trabalhar com recreação
exige habilidades e personalidade específicas e não é tarefa fácil, como muitos imaginam.
Para se tornar um recreador de sucesso, requer uma longa caminhada de vivências
práticas e teóricas, além de certas habilidades (que podem se aprimorar cada vez mais,
conforme você exerce uma prática contínua). Mas onde podemos encontrar essa formação
teórica? Bem, não há necessidade do profissional possuir uma formação completa no en-
sino superior, porém esse é um diferencial que contribuirá com a qualificação profissional.
Após formado, é possível ainda participar de cursos e congressos que sempre trarão novos
conhecimentos.
Por fim, no último tópico, aprendemos qual a importância do planejar e suas relações
com a espontaneidade e comprometimento do profissional. Planejar significa organizar a
ação que se pretende efetivar. Lembremos que planejar não descaracteriza a recreação,
mas é uma possibilidade de garantir a diversão, já que tudo foi pensado anteriormente,
evitando imprevistos e erros, permitindo, assim, o sucesso do evento, de modo a atingir os
objetivos tanto do cliente (responsáveis e crianças) quanto do recreador.
A realização do planejamento também demonstra um comprometimento do recrea-
dor, pois a recreação, muitas vezes, trabalha com realizações de sonhos, devendo, então,
ser levada a sério a tarefa do brincar, sempre lembrando da questão da segurança de
todos, principalmente daqueles que estão sob nossa responsabilidade.
Aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade da apostila de Lazer e Recreação
e assim nos aproximamos de seu fim. Esperamos que, após compreender os aspectos
abordados na Unidade III, você consiga identificar se essa é uma área que você tem ou não
perfil para atuar.
Até mais!
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 64
LEITURA COMPLEMENTAR
Como me aproximar das crianças?
Como estamos falando de recreador, uma das características é conseguir atrair
o público durante a recreação. Assim, quando você é contratado para um evento que já
realizou antes, e você já conhece as crianças, é possível saber o que elas gostam e como
aceitam as atividades propostas. Porém, quando não conhecemos o evento, nem uma
criança, o que devemos fazer?
O professor Cleber Junior Mena Leão explica algumas técnicas que são
chamadas de “rapport”, uma palavra de origem francesa e que não temos tradução na
língua portuguesa. Criar o Rapport é entendido como ganhar confiança, estabelecer
harmonia e cooperação em uma relação. Isso é o que o profissional precisar para
aproximar as pessoas desconhecidas e tornar o evento agradável e divertido.
Os benefícios da técnica se dão por alguns aspectos, como por ser uma maneira
rápida e eficiente de gerar confiança, aumentar as relações interpessoais, aprimorar
o relacionamento, entre outros.
Para utilizar essa técnica, existem alguns elementos que precisamos usar, são eles:
● Ser sorridente: é a chave do Rapport. Assim, por mais que o recreador esteja
sentindo medo, apreensivo, irritado ou nervoso com a situação, deve-se manter
sempre sorridente, pois recreação é alegria, brincadeira e diversão.
● Ser otimista: transmita confiança e demonstre que está no poder da situação.
Um recreador seguro do que está propondo para a criança consegue fortalecer
e ter o aceite por parte dela. Se não houver segurança, certamente as pessoas
poderão não topar participar das atividades.
● Trate o outro pelo nome: se possível memorize o nome das crianças ou, no
mínimo, das pessoas chaves, como o aniversariante, os melhores amigos,
pais/responsáveis, e também das pessoas que estão mais resistindo em não
participar. Isso faz uma grande diferença, quando estamos falando de passar
confiança ao próximo.
● Tenha paciência: saiba ouvir, pois quando alguém fala é porque quer ser escu-
tado. Nesse caso, converse com elas, pois pode ser que no momento você é o
único que está dando atenção para aquilo que ela quer compartilhar.
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 65
Isso gera aproximação.
Mas, como colocar isso em prática? Você pode, primeiro, se espelhar em algum
comportamento da criança, porém isso deve ser feito com sutileza e discrição para que não
acabe irritando a criança.
Vamos aos exemplos práticos:
● Movimentos corporais: escolha um movimento que a criança use constante-
mente e espelhe. Se a pessoa estiver gesticulando muito com os braços, no
momento que você voltar a falar repita os mesmos movimentos.
● Voz: iguale a tonalidade, volume, ritmo, velocidade etc.
● Palavras: use as palavras que ela usa ou/e que coloca ênfase, use também
seus termos preferidos, mesmo que estejam errados, mas é o que interessa
para a criança. Exemplo: “tipo”, “né”, gírias que as crianças sempre utilizam.
● Expressões Faciais: levantar sobrancelhas, apertar os lábios, enrugar o nariz e
concordar mexendo a cabeça enquanto a pessoa fala.
● Posição: fixe seu olhar na mesma altura dos olhos da criança. Ou seja, se for
necessário você se agachar, agache. Nesse momento você está comunicando
que está no mesmo nível dela.
● Assunto: se for em uma festa de aniversário que o tema é Batman, certamente o
aniversariante gosta do Batman. Uma ótima aproximação é falar com ele sobre
o Batman.
Essas são algumas formas de espelhamentos possíveis para serem utilizadas,
certamente há várias outras. Ressaltamos que sempre faça o espelhamento de forma sutil,
para que, assim, a técnica se torne eficaz.
Fonte: Leão Junior (2018).
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 66
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Monitor de Recreação: formação profissional
• Autor: Robson Mian
• Editora: Texto Novo
• Sinopse: O livro é destinado aos atuais e futuros profissionais
da área, que buscam aperfeiçoar a formação. Pode também ser
utilizado por professores e alunos de inúmeros outros cursos,
especialmente os de nível Médio, Técnico, Profissionalizante,
Graduação e Pós-Graduação. O objetivo do autor foi fazer do livro
um referencial inovador na área e uma fonte útil e necessária a
todos os que buscam conhecimentos sobre esse setor profissio-
nal. Para isso, somou à sua experiência de professor e de monitor
de recreação o que encontrou de mais interessante publicado em
artigos, livros e revistas, e adicionou os relatos e experiências de
vários outros profissionais.
FILME/VÍDEO
• Título: O perfil do profissional de Recreação na visão do contra-
tante
• Ano: 2016
• Sinopse: O vídeo realizado durante o 1º Congresso Online de
Recreação e Áreas Afins (CONRECRE) e promovido e disponível
no canal do Centro de Estudo do Lazer, Ludicidade, Educação,
Integração, Recreação e Ócio (CELLEIRO), traz uma entrevista
muito interessante e importante sobre o perfil do profissional de
recreação na visão de empresários que buscam contratar esse
serviço. Ao decorrer da entrevista foi pontuada quais habilidades,
características e diferenciais que eles buscam e valorizam ao con-
tratar o profissional
• https://www.youtube.com/watch?v=6ElM67YSINI
WEB
• O site aborda conteúdos sobre recreação, além de trazer opções
de lugares que podem fornecer especializações, Mestrado e
Doutorado na área.
https://www.clubedosrecreadores.com/sr-pos-graduacoes.php
UNIDADE III Recreador: Quem Sou? Como Atuar 67
UNIDADE IV
Da Teoria à Prática em Recreação
Professora Mestre Bruna Solera
Professora Mestre Pollyana Mayara Nunhes
Plano de Estudo:
• Organização de eventos recreativos;
• Jogos e brincadeiras para a prática do recreador.
Objetivos de Aprendizagem:
• Estudar a organização de eventos recreativos;
• Conhecer jogos e brincadeiras para a prática do recreador.
68
INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a) à nossa última unidade, a Unidade IV da apostila
de Lazer e Recreação, chamada de “Da Teoria à Prática em Recreação”. Neste momento
você terá contato com dois tópicos, sendo eles a organização de eventos recreativos e
variados jogos e brincadeiras para a prática do recreador.
Ao estudarmos a organização de eventos recreativos você terá a oportunidade de
verificar e entender o passo a passo e algumas dicas de como se organizar uma recreação,
desde o planejamento ao dia da festa.
Em seguida, no segundo tópico, referente a jogos e brincadeiras, traremos para
você várias opções de jogos e brincadeiras, sendo eles tradicionais, diferenciados, com
personagens… para enriquecer sua bagagem.
Sendo assim, fique atento(a) a cada detalhe.
Vamos em frente, rumo à organização e variação das práticas recreativas.
Ótimo estudo!
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 69
1 ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS RECREATIVOS: E AGORA O QUE FAZER?
Aluno(a), neste tópico você terá contato com vários apontamentos que fazem parte
da organização de uma recreação, apontamentos estes que te auxiliarão em possíveis
eventos durante sua atuação profissional.
É importante ressaltar que, de acordo com o local em que se vai recrear, você irá
se deparar com uma rotina, normas, horários, públicos variados, mas o que permanece
como essência é a programação, pois em todas há necessidade de elaboração desta com
antecedência (caso você queira ter um evento de sucesso).
O planejamento pode ser realizado para o ano todo, para a temporada de verão ou
inverno, para o mês, para a semana e para o dia. Vamos focar em aspectos para organi-
zação semanal, citando especificamente a recreação em hotéis, e para dia, referindo-nos
a festas infantis. Para isso, dividiremos o conteúdo em dois tópicos, antes da recreação e
durante a recreação.
1.1 Antes da Recreação
O planejamento deve ser realizado antes da recreação, ele pode envolver um
grupo de recreadores, os responsáveis pelas faixas etárias ou coordenadores da empresa
de recreação. Essa responsabilidade varia de acordo com o local em que se está atuando.
Sendo assim, para isso devemos considerar os itens que seguem:
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 70
● Quantidade e idade dos sujeitos: os participantes serão divididos por faixa etá-
ria? Quantas crianças, adolescentes, adultos e idosos teremos em cada grupo?
Qual a idade de todos eles?
● Espaço disponível: qual espaço poderá ser usado para as atividades que serão
realizadas? Por exemplo: piscina, campo, quadra, corredores do hotel, o quintal
de uma casa…
● Materiais necessários: quais materiais serão usados durante a recreação?
Quais materiais estão disponíveis para uso no hotel? Quais materiais estão dis-
poníveis na empresa de recreação em festa infantil? *É importante observar que
em ambos os espaços sempre há a necessidade de adquirir novos materiais.
● Equipe de recreadores: quantos recreadores serão necessários para o dia ou
evento? Quantos recreadores estão disponíveis? Há necessidade de habilida-
des específicas? Apenas tios? Apenas tias?
● Características das brincadeiras: quais tipos de brincadeiras são permitidas?
Pode-se utilizar de brincadeiras com água? Brincadeiras que envolvem mate-
riais que sujam ou mancham (pó colorido, tinta guache).
● Especificidades dos sujeitos: no grupo possui algum sujeito com deficiência?
Qual? Algum participante tem alguma condição diferente? Há necessidade de
cuidados especiais?
Tendo todas essas informações definidas, você poderá montar sua programação.
Em hotéis, a programação varia de acordo com o pacote fechado no local pelos
clientes, em sua maioria são de uma semana. Sendo assim, durante a semana, as ativida-
des não poderão se repetir.
Além disso, a programação acontece durante todo o dia, tendo, geralmente, inter-
valo para almoço e jantar. Aluno(a), essa organização interna também é variável. É impor-
tante adicionar em sua programação atividades mais calmas após o almoço, atividades em
espaço com sombra ou fechados em horários em que o sol está muito forte.
Em hotéis há brincadeiras noturnas, que, como o nome já diz, acontecem durante
a noite e têm, geralmente, duração de 1h a 1h30min. Dependendo da faixa etária, pode-se
utilizar brincadeiras de terror. Já no caso de adultos e idosos poderiam ser festas. A seguir
encontra-se um exemplo de programação para crianças.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 71
Quadro 1 - Exemplo de esquema para programação de recreação em hotéis
Horário Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
9h Encontro Encontro Encontro Encontro Encontro Encontro Encontro
crianças crianças crianças crianças crianças crianças crianças
café da café da café da café da café da café da ma- café da
manhã manhã manhã manhã manhã nhã manhã
10h Atividade I Atividade I Atividade I Atividade I Atividade I Atividade I Atividade I
11h Atividade II Atividade II Atividade II Atividade II Atividade II Atividade II Atividade II
12h Almoço
14h Atividade III Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade
III III III III III III
15h Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade Atividade
IV IV IV IV IV IV IV
16h Café da Café da Café da Café da Café da Café da Café da
tarde tarde tarde tarde tarde tarde tarde
17h Atividade V Atividade V Atividade V Atividade V Atividade V Atividade V Atividade V
18h às Intervalo
20h
20h Jantar
21h Brincadeira Brincadeira Brincadeira Brincadeira Brincadeira Brincadeira Brincadeira
Noturna Noturna Noturna Noturna Noturna Noturna Noturna
Fonte: as autoras.
Aluno(a), os horários de almoço e jantar podem ser com as crianças ou não, depen-
de da regra do hotel, já o café da tarde geralmente acontece junto com os tios, e o horário
de intervalo é o momento em que o recreador se prepara para a noite. Veja o próximo tópico
desta unidade e tente montar uma programação.
Uma opção para os horários de almoço e jantar é criar temas, por exemplo, almoço
do cabelo maluco, jantar do avesso (as crianças irão ao jantar com a roupa no lado avesso).
O que você achou da recreação em hotéis? É maravilhosa, não é? Apesar de apa-
rentar ser cansativa é extremamente gratificante e divertida.
Agora vamos falar da recreação em festa infantil. Diferente da prática recreativa
em hotéis, nas festas, nós temos tempo limitado para brincar, sendo assim, a programação
de cada festa deve sempre possuir algo novo, uma brincadeira diferente, um personagem,
diferentes formas de interação. Então, o planejamento deve ser minuciosamente elaborado,
considerando os itens que já mencionamos.
Verifique qual horário o responsável pela festa planejou para cantar o parabéns. É
sempre interessante deixar brincadeiras que sujam as crianças para depois desta parte.
Segue o modelo de programação preenchido utilizado pela Recreação Tia Pink e Cia.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 72
Figura 1 - Modelo de programação para recreação em festa infantil.
Fonte: as autoras.
Então, aluno(a), além do exposto, você pode sempre incluir em sua organização
uma atividade extra como forma de ter uma carta na manga em casos de imprevistos.
Sendo assim, encerramos as ações realizadas antes da recreação e partiremos
para as ações planejadas durante a recreação.
1.2 Durante a Recreação
Durante a recreação, busca-se efetivar o planejado na etapa anterior. Para isso, in-
dependentemente do espaço, deve-se manter a postura profissional, estar sempre alegre e
disposto(a). Gouvêa (1967) menciona que brincar junto com as crianças torna a brincadeira
ou jogo motivante. Faça isso, mas, ao mesmo tempo, fique atento(a) a tudo que acontece.
Ao chegar no evento, no caso da recreação em festa infantil, você deve observar o
espaço disponível, conferir as condições de segurança, organizar seus materiais e iniciar
a festa. Conte o número de crianças, isso é essencial para evitar problemas. Sempre que
possível refaça essa contagem. Isso se aplica também na recreação em hotéis, onde se
tem um fluxo grande de crianças participando das atividades. Se possível marque com
pulseira as crianças envolvidas e anote em seu caderno caso alguém tenha que sair.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 73
Mantenha uma dinâmica com a sua equipe, distribuindo funções, como exemplo:
um recreador irá organizar os materiais das brincadeiras enquanto o outro a explica. Nos
horários de refeição, se preciso, auxilie as crianças. Sente-se no local determinado para a
equipe de recreação.
Apesar do planejamento, imprevistos podem acontecer, como chuva, a brincadeira
não dar certo, as crianças se cansarem antes do horário planejado, então atue com agili-
dade e resolva a situação naturalmente, de forma que não seja percebida a mudança (se
possível).
Agora vamos conferir os jogos e brincadeiras para sua atuação com a recreação.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 74
Fonte: as autoras.
2 JOGOS E BRINCADEIRAS PARA A PRÁTICA DO RECREADOR
Olá, aluno(a). Enfim chegamos ao último tópico da nossa apostila de Lazer e Re-
creação, aqui vamos conhecer algumas das atividades que você, como recreador(a), pode
utilizar. Para isso dividimos os jogos e brincadeiras por faixas etárias, sendo elas: 3 a 6
anos; 7 a 11 anos; Adolescentes; Adultos e Idosos.
Antes de conhecermos algumas opções de brincadeiras, seguem algumas dicas
para garantir o êxito nas atividades propostas: sempre dê prioridade para as atividades
que envolvam todos os participantes. Além disso, evite filas nas atividades, pois isso pode
causar distração e bagunça. Valorize o trabalho em equipe e a cooperação do grupo.
Vamos conferir as atividades?
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 75
2.1 3 a 6 anos
Figura 2 - Crianças de 3 a 6 anos
Nome: Poção Mágica
Materiais utilizados: 5 ingredientes, balde, chocolate (brigadeiro), colher descar-
tável e roupa de bruxinha.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
Como brincar? Uma bruxinha caiu no aniversário (no caso, o recreador deve
adaptar para o evento em que está sendo realizada a atividade, por exemplo, colônia de
férias, confraternização de empresa etc.) e precisa da ajuda das crianças para encontrar os
ingredientes para sua poção mágica. Então, um(a) recreador(a) será a bruxinha e outro(a)
recreador(a) auxiliará na condução da brincadeira. A bruxinha deve ir pedindo os ingredien-
tes para as crianças (os ingredientes estarão escondidos). Crie nome para os ingredientes
que sejam atrativos e diferentes, por exemplo, cérebro de minhoca, paçoca de barata…
Quando as crianças trouxerem todos os ingredientes, com as palavras mágicas a
poção se transforma em chocolate. Recreador(a), deixa dentro do seu balde (o caldeirão)
uma vasilha tampada com brigadeiro, assim, após a mágica, você a abre e com a colher,
oferece a poção para as crianças experimentarem.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Pega-pega mágico.
Materiais utilizados: Confete, varinha e copos.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 76
Como brincar? Pega-pega com uma varinha mágica, em que quem é pego é
congelado. Para salvar, as crianças devem jogar o pó mágico (confete) sobre os amigos.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Procurando as sete cores do arco-íris.
Materiais utilizados: Sete cores de tinta guache e cartolina ou papel craft.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
Como brincar? Uma busca por sete cores do arco-íris. Os potinhos de tinta estarão
escondidos. Ao encontrá-las, as crianças devem pintar a cor com o dedo em uma cartolina.
Ao final será formado um arco-íris gigante.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Continue o desenho
Materiais utilizados: Sulfite e lápis de cor.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
Como brincar? Um sulfite e lápis serão entregues à primeira pessoa do banco da
frente de cada equipe, que deverá iniciar um desenho. O primeiro jogador fará o desenho,
só que, num tempo mínimo, o(a) recreador(a) pede que passe para o próximo jogador, até
chegar ao último do grupo. O recreador apresentará posteriormente o desenho realizado
pelo grupo.
Fonte: Silva (2015).
Nome: Senhor sapão
Materiais utilizados: Nenhum.
Local: Piscina.
Como brincar? Uma criança será o “senhor sapão” e ficará posicionada de costas
para as demais crianças a cerca de cinco metros de distância delas. O grupo de crianças
deve dizer bem alto “Senhor Sapão, que horas são?” o senhor sapão responde: “3 horas”,
as demais crianças então darão três passos para frente. O senhor sapão pode escolher até
o máximo de 10h, assim as crianças dariam 10 passos. Quando o senhor sapão dizer “meia
noite” todas crianças devem fugir e o senhor sapão tentará pegá-las. Quem for pego será o
senhor sapão na próxima rodada.
Fonte: as autoras.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 77
2.2 7 a 11 anos
Figura 3 - Crianças de 7 a 11 anos
Nome: Vírus
Materiais utilizados: 8 cores de tinta guache e papel.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto. Essa brincadeira faz
bastante sujeira, portanto, priorize os espaços abertos.
Como brincar? 7 cores serão escondidas pelo espaço. A criança deve achá-las,
mas deve, também, fugir do vírus que tentará borrar sua sequência de cores (pode pedir
para a criança realizar no braço ou em algum papel) com a tinta preta. Para se salvar do
vírus (como uma forma de pique), elas podem fazer a dança do besouro (você pode esco-
lher um movimento engraçado, como se deitar de barriga para cima e balançar os braços
e as pernas). Caso o vírus consiga pegá-la, a criança precisa refazer a sequência de cores
desde o início, ou seja, procurar todas as cores novamente.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Explosão da mina.
Materiais utilizados: Duas bombas e dois fósforos (obs.: esses materiais devem
ser somente para representação, para a segurança dos participantes), tinta facial, papel
craft, canetas e estalinhos.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 78
Como brincar? Dois reinos esconderam em seu campo de guerra a bomba e
fósforo. A missão é encontrá-los. Para isso, cada equipe desenhará um mapa com
três possíveis locais em que a bomba e o fósforo poderiam estar escondidos, sendo
dois deles, locais verdadeiros, e um deles em lugar falso. As equipes trocam os mapas e, a
partir do lo-cal desenhado no mapa, iniciam-se as buscas. A equipe que encontrar a
bomba e o fósforo primeiro vence, tendo direito a estourar os estalinhos (o estalinho fica
com os recreadores, assim que a equipe vencer, o recreador distribui os estalinhos e,
juntos, declaram a vitória, jogando os estalinhos no chão).
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Torta na cara
Materiais utilizados: Pratos, colher, chantilly e questões com respostas.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
Como brincar? Separe os participantes em duas filas (se quiserem eles podem es-
colher quem vão enfrentar na disputa). Oriente que eles coloquem as duas mãos na orelha
e faça a pergunta. Ao sinal do recreador, aquele que souber a resposta deve tocar a mão do
recreador ou o local indicado por ele. Quem tocar primeiro tem o direito de responder. Caso
a pessoa acerte a resposta, ela tem o direito de dar a torta na cara do adversário, caso erre
a resposta, o adversário é quem dá a torta na cara dela.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Bandexiga
Materiais utilizados: Baldes ou bacia, bexigas e tinta.
Local: Pode ser realizado em ambiente fechado ou aberto.
Como brincar? Divide-se os participantes em duas equipes iguais, uma para cada
lado da quadra. Depois coloca-se uma bandeirinha (bexigas com água e sujas de tintas,
que ficarão dentro de um balde ou bacia) ao final de cada lado da quadra. O objetivo é cap-
turar todas as bandeiras adversária sem ser pego, quem for pego deverá ficar congelado no
campo adversário, só poderá ficar livre se outro da sua equipe tocar nele. Ganha a equipe
que pegar todas as bandeirinhas adversária primeiro, trazendo-as para seu campo. Ganha
quem congelar todos da equipe adversária primeiro ou, ao final do tempo, a equipe que tiver
conseguido o maior número de bexigas.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 79
Nome: Pega-pega americano
Materiais utilizados: Nenhum
Local: Piscina
Como brincar? Este é um tipo de pega-pega no qual o pegador deve congelar
seus amigos, sendo que estes, ao serem pegos, devem ficar com as pernas afastadas e
os braços para cima. As crianças que não estão congeladas devem mergulhar e passar
por baixo da perna de quem está congelado, conseguindo, assim, a descongelar. Estipule
um tempo de 1 a 2 minutos e troque o pegador. Você pode colocar mais pegadores caso o
grupo de crianças seja grande.
Fonte: as autoras.
2.3 Adolescentes
Figura 4 - Adolescentes
Nome: Ameba.
Materiais utilizados: Bola de pilates.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Brincadeira na qual todos os sujeitos são queimadores, ou seja,
quem pegar a bola tem o direito de queimar alguém, mas, para isso, só pode dar três passos
com a bola na mão. Ao ser queimada, a pessoa deve se sentar (ela pode se locomover, mas
deve fazer isso como uma ameba com as duas mãos e pés no chão) e, para voltar a ser
humano, deve-se tocar em alguém que está de pé ou se juntar com outra ameba ou, ainda,
conseguir pegar a bola.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 80
Nome: Máfia.
Materiais utilizados: Cartas com indicações de cada personagem.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Essa brincadeira possui inúmeras variações. Conte o número de
jogadores, para grupos grandes separe dois assassinos, dois detetives, dois anjos e o
restante são cidadãos, para grupos menores separe um assassino, um detetive, um anjo e
o restante são cidadãos.
Embaralhe e redistribua uma carta para cada jogador. Após isso, começa a narra-
tiva do jogo, da seguinte forma: - Cidade Dorme! (Todos os jogadores fecham os olhos).
Assassinos acordem e escolham quem será eliminado. Os assassinos apontam para algum
jogador e o narrador faz sinal que entendeu e eles voltam a fechar os olhos. Detetives
acordem e escolham quem será investigado. Os detetives apontam para algum jogador e
o narrador faz sinal positivo ou negativo se aquele cidadão é ou não um assassino, depois
os detetives voltam a fechar os olhos. Anjos acordem e escolham quem será salvo essa
noite. Os anjos apontam para algum jogador, caso escolham o mesmo que os assassinos
escolheram nessa noite nenhum jogador morre, depois os anjos voltam a fechar os olhos.
O narrador (recreador) diz: Cidade Acorda! Todos os jogadores abrem os olhos. E, então,
o narrador anuncia: Nesta noite o jogador X foi assassinado. O narrador diz o nome do
jogador, aponta para ele, o jogador vira a sua carta e todos os outros descobrem qual era o
seu papel. Em seguida começa o julgamento!
Os jogadores entram em um curto debate, cada um defende quem acha que é o
assassino e fazem uma votação, o jogador escolhido mostra sua carta e também e sai
do jogo (na próxima rodada as pessoas eliminadas podem ficar com os olhos abertos). O
narrador se pronuncia anunciando o veredito com duas possibilidades: “A cidade condenou
o assassino” ou “A cidade condenou um inocente”. Todos os passos voltam a se repetir.
O jogo termina de duas formas: se todos os assassinos forem descobertos e elimi-
nados do jogo, a cidade vence, se o número de cidadãos for equivalente ao dos assassinos,
a cidade perde e os assassinos ganham o jogo.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 81
Nome: Bandeirinha.
Materiais utilizados: Duas bandeiras, tinta para rosto.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Divide-se os participantes em duas equipes com o mesmo número
de integrantes (use a tinta facial para diferenciar os grupos), cada equipe ocupa um lado
da quadra. Depois coloca-se uma bandeirinha (pode ser um pano colorido) ao final de cada
lado da quadra. O objetivo é capturar a bandeira adversária sem ser pego, quem for pego
deverá ficar congelado no campo adversário, só poderá ficar livre se outro da sua equipe o
salvar. Ganha a equipe que pegar a bandeirinha adversária primeiro, trazendo-a para seu
campo ou quem congelar todos da equipe adversária primeiro.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Queimada.
Materiais utilizados: Bola.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Cada time fica situado em um campo e um dos jogadores de cada
lado deverá ser colocado atrás da linha de fundo do campo adversário. A partida do jogo é
iniciada com o apito do recreador, assim, um jogador do partido a quem coube a bola arre-
messa ao campo adversário com o objetivo de atingir, “queimar”, algum jogador adversário.
Vence a equipe que queimar primeiro todos os jogadores da equipe adversária. Quem for
queimado passa para a equipe adversária.
Fonte: Lopes (2020).
Nome: Polo-aquático.
Materiais utilizados: Gol, bola e tinta facial.
Local: Piscina
Como brincar? Divida os participantes em duas equipes, use a tinta facial para
identificar as equipes. O jogo começa com a bola no centro da piscina e com os jogadores
próximos ao gol do seu time. Quando o recreador autorizar, eles nadam em direção à bola
e o time que conseguir pegar dá início ao ataque. Vence a equipe que fizer o maior número
de gols.
Fonte: Rede do Esporte (2016).
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 82
2.4 Adultos
Figura 5 - Adultos
Nome: Qual a novela?
Materiais utilizados: computador, caixa de som e slides.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Separe os participantes em duas ou mais equipes. O recreador
irá colocar os slides com vinhetas de novelas, mas sem identificá-las. A equipe que souber
qual é a novela, deve correr até a equipe de recreação e dar a resposta. Resposta certa
vale um ponto. Ganha a equipe que finalizar com mais pontos.
Fonte: Recreação Tia Pink e Cia.
Nome: Campeonato de truco.
Materiais utilizados: Baralho.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Jogo tradicional de truco. Para isso o recreador organizará um mini
campeonato. A equipe que chegar à final e conseguir vencer é declarada campeã.
Fonte: as autoras.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 83
Nome: Adivinhe a quantidade de bolinhas.
Materiais utilizados: Pote e bolinhas de gude.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Previamente o recreador deverá colocar as bolinhas dentro de
um pote, quantificando exatamente quantas foram colocadas lá dentro. Os participantes
da atividade podem visualizar e tentar adivinhar quantas bolinhas tem. Ganha aquele que
acertar a quantidade exata ou chegar mais próximo.
Fonte: as autoras.
Nome: Gincana de Busca.
Materiais utilizados: Nenhum.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Separe os participantes em equipes. O recreador solicita aos par-
ticipantes das equipes que busquem, num determinado prazo de tempo, objetos que não
estão de fácil alcance. Por exemplo: as equipes deverão trazer: um batom vermelho, uma
foto 3X4 de um filho, talão de cheque, entre outros. A equipe que conseguir trazer a maior
quantidade de objetos, no tempo permitido, vence a atividade.
Fonte: Awad (2012).
Nome: Biribol.
Materiais utilizados: Bola e rede.
Local: Piscina
Como brincar? O Biribol é conhecido como o vôlei de piscina. Assim, divida o
grupo em duas equipes e inicie o jogo. Você pode seguir as regras oficiais (acesse o site
da Confederação Nacional de Biribol: https://biribol.com.br/sobre-o-biribol/) ou adapta-las.
Fonte: as autoras.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 84
2.5 Idosos
Figura 6 - Idosos
Nome: Bingo.
Materiais utilizados: Globo para bingo, cartelas de bingo, canetas e prêmios.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Jogo de bingo tradicional. O recreador organiza o salão com mesas
e cadeiras. Inicia o jogo de bingo rodando o globo e sorteando as pedras. Você pode utilizar
como forma para vencer: cartela cheia ou para se tornar mais motivante adicionar outras
formas de vencer, como completar a diagonal, vertical.
Fonte: as autoras.
Nome: Rouba monte.
Materiais utilizados: Cartas de baralho.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? A partir de dois jogadores. Após embaralhar cartas, coloca-se oito
dessas cartas na mesa com o número voltado para cima e distribuiremos quatro cartas para
cada jogador. Daremos início sempre pelo jogador da esquerda de quem deu as cartas. O
primeiro a jogar deverá observar se, na mesa, existe alguma carta na sequência da primeira
carta do seu monte.
Se isso ocorrer, juntaremos as duas cartas e começaremos a formar o monte. Se
o jogador não tiver nenhuma carta que se encaixe na sequência da mesa, este deverá
descartar uma carta aleatória da mão e colocá-la na mesa com o número voltado para cima.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 85
Ao terminar de jogar, o segundo jogador repete o processo, porém agora ele deverá
verificar se a carta que está em cima do monte do adversário, casa com a sua. Se isso
ocorrer o jogador deve colocar a sua carta em cima do monte, se apropriando dele.
O jogador que ficar sem as cartas na mão, deve pegar mais 4 cartas do baralho.
Ao finalizarem as cartas do monte e ninguém mais conseguir encaixar as cartas da mesa, o
jogo termina e será declarado vencedor aquele que tiver o maior número de cartas.
Fonte: Oliveira et al. (2018).
Nome: Recolhimento de nomes.
Materiais utilizados: Folhas e canetas.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Contamos com um tempo determinado (este deverá levar em con-
ta o número de participantes, quanto mais participantes maior o tempo), cada participante
de posse de uma caneta e folha deverá coletar a maior quantidade de nomes com data de
aniversário possíveis. No final, vence aquele que coletou a maior quantidade de nomes e
data de aniversários.
Fonte: Lorda (2015).
Nome: Volençol
Materiais utilizados: TNT grande com buraco no meio e bolinhas pequenas.
Local: Pode ser realizado em qualquer espaço aberto ou fechado.
Como brincar? Em grupos, os participantes deverão segurar as bordas do TNT e
com isso tentam fazer com que a bolinha caia no buraco somente mexendo o pano.
Fonte: Silva (2015).
Nome: Hidro Maluca
Materiais utilizados: Caixa de som e microfone.
Local: Piscina
Como brincar? Com sua equipe de recreação monte coreografias de músicas
alegres, conhecidas e, por vezes, engraçadas e realize estas com os idosos dentro da
piscina. Você pode também se caracterizar para isso, o que torna a prática ainda mais
motivante e divertida.
Fonte: as autoras.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 86
Aluno(a), neste tópico trouxemos algumas opções de jogos e brincadeiras para di-
ferentes faixas etárias. É preciso destacar que todo o exposto pode ser adaptado e utilizado
com todas as idades. Assim como podemos alterar regras e adequá-las à participação da
pessoa com deficiência, independentemente de qual seja ela.
SAIBA MAIS
Sempre que planejamos uma recreação, pensamos anteriormente em quais atividades
propor, porém devemos sempre pensar em criar formas de aproximar os participantes,
“quebrar o gelo”, promovendo a integração do grupo, através de situações que permi-
tam a troca de olhares e a fala. Planeje começar a recreação com atividade em que os
participantes tenham que se apresentar, por exemplo, pode-se usar a brincadeira em
que os participantes devem falar o nome, a comida preferida e fazer um movimento. Em
seguida todos devem dar boas-vindas ao colega, dizendo “Oi (falar o nome do amigo)”
e a comida que ele gosta, imitando a dancinha. Essa dinâmica, gera interação e diverti-
mento logo nos primeiros minutos de recreação.
Fonte: Awad (2012).
REFLITA
Durante todo o seu evento, preze sempre pela segurança. Por isso, sempre que possí-
vel previna-se e tenha um kit de primeiros socorros com materiais básicos (ex.: band-
-aid, soro fisiológico). Preste os primeiros socorros e imediatamente solicite atendimento
à vítima.
Fonte: as autoras.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 87
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao momento final da nossa apostila de Lazer e Recreação. Nesta uni-
dade tivemos como objetivo proporcionar a você, aluno(a), conhecimentos acerca da orga-
nização de eventos recreativos e possibilidades de jogos e brincadeiras para sua atuação
prática como recreador.
Não almejamos com esta unidade trazer uma receita de bolo a você, mas sim que
o conteúdo aqui exposto sirva como ponto de partida para suas ações. Isso porque são
infinitas as possibilidades de jogos e brincadeiras, são diversas as particularidades dos
espaços de atuação e são variadas as características dos participantes da recreação.
Mas é preciso destacar que, ao organizarmos nosso evento de recreação ou re-
creação em hotéis, devemos sempre realizar o planejamento com antecedência, conside-
rando quantidade e idade das crianças, materiais disponíveis, quantidade de recreadores,
características da população envolvida. Durante o evento procuramos colocar em prática
tal programação, devemos demonstrar nosso profissionalismo e comprometimento com a
ação, brincando e estando atentos a segurança de todos.
Acerca dos jogos e brincadeiras, tenha sempre em mente que podemos adaptá-los
a todas as faixas etárias, assim como com os diferentes contextos e populações. Aqui
destacamos as pessoas com deficiência, que devem ser incluídas para participarem de
forma ativa.
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 88
LEITURA COMPLEMENTAR
Gincana
Gincana é uma atividade recreativa que é composta por uma variedade de provas
(determinadas, predeterminadas ou surpresas), caracterizadas por regras fixas, que devem
ser cumpridas com eficácia e rapidez. As provas geralmente são compostas de atividades
recreativas, pré-desportivas, esportivas, culturais, filantrópicas, de busca e apreensão ou
uma combinação entre elas que exigem esforços físicos e cognitivos. A cada atividade
cumprida ou vencida são atribuídas pontuações, que na somatória evidencia a equipe
vencedora.
Existem algumas classificações que são necessárias sabermos para organizá-la:
● Quanto aos tipos de gincanas: as gincanas podem ser: internas, são aquelas
que ficarão restritas a um determinado local. Exemplo: dentro de um ginásio
de esportes, praça ou clube. Externas são gincanas realizadas nos limites da
cidade ou mesmo podendo extrapolá-las em alguns casos. Esta é mais atrativa
aos jovens e adultos.
● Quanto à pontuação da gincana: em todas as atividades são atribuídas pontua-
ções.
● Quanto ao percurso: pode ser desenvolvido a pé, de bicicleta, moto carro, em-
barcações etc.
● Quanto à participação: individual, em duplas ou equipes – algumas vezes, é
importante limitar o número de participantes por equipe em cada atividade.
● Quanto ao ganhador: numa gincana sempre se busca um ganhador ou ganha-
dores (individual ou coletivo). Desta forma, faz-se necessário criar um regula-
mento que contenha as normas e regras da gincana, apresentando o critério de
desempate, as condutas a serem seguidas, premiações etc.
● Quanto à equipe organizadora: terá atribuição de planejar, organizar, premiar e
resolver os casos omissos da gincana, sendo composta de:
-- Coordenador(a) geral: têm a responsabilidade de coordenar e resolver os
casos omissos;
-- Narrador(a): responsável em explicar e conduzir as provas. Portanto, deve
estar por dentro de todo o conteúdo da gincana;
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 89
-- Secretário(a): responsável em receber as inscrições das equipes, entregar
o regulamento aos participantes, anotar os pontos conquistados por cada
equipe, fazer a contagem geral das pontuações e a classificação;
-- Fiscal: responsável em acompanhar e fiscalizar, de forma imparcial, a con-
dução das provas. Também se responsabilizará em distribuir e recolher os
materiais necessários nas provas. Sugerimos um fiscal para cada equipe;
-- Fiscal de materiais: responsável em distribuir, coletar e armazenar o ma-
terial utilizado nas provas da gincana.
Fonte: Awad (2012).
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 90
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Recreação e Jogos: atividades para prática diária do re-
creador.
• Autores: Carlos Gomes de Oliveira, Cleber Mena Leão Junior,
Daniele das Neves Baio, Paulo Sérgio Armelin, Anselmo Alexandre
Mendes.
• Editora: Clube de Recreadores
• Sinopse: O livro apresenta 125 atividades divididas entres
jogos de azar, jogos sem materiais, jogos para gincana, jogos
cantados e jogos para pequenos e grandes espaços.
LIVRO
• Título: Planejamento de eventos esportivos e recreativos.
• Autor: Dilson José De Quadros Martins
• Editora: Intersaberes
• Sinopse: Muitas vezes, estar à frente das inúmeras atividades
que envolvem a organização de eventos esportivos e recreativos
pode ser uma tarefa estressante. Contudo, se você estiver entre-
gue à sua função e disposto a promover um clima de alegria e em-
polgação para todos, seu trabalho será imensamente gratificante.
Nestas páginas, vamos discutir sobre os principais elementos com
os quais você precisará lidar nas etapas de planejamento, progra-
mação, gerenciamento e execução desses eventos. Siga conosco
e descubra como construir eventos que sejam únicos, radiantes e
inesquecíveis!
FILME/VÍDEO
• Título: Comando de Silêncio (Pã, Pãrarapã... Pã, Pã)
• Ano: 2015
• Sinopse: O vídeo traz um exemplo muito usado pelos recreado-
res durante a recreação, quando queremos pedir o silêncio das
crianças de uma maneira lúdica. Assista, para você aprender, essa
ferramenta muito legal.
• https://www.youtube.com/watch?v=kK19Nq_dqRQ
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 91
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UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 94
CONCLUSÃO
Olá aluno(a),
Chegamos ao final de nossa apostila de Lazer e Recreação!
Com ela, esperamos ter proporcionado a você, conhecimentos teóricos e práticos
que contribuam com sua formação profissional em Educação Física e, consequentemente,
em sua atuação, seja ela, em espaços formais ou informais.
Durante nossa caminhada pelos enlaces da diversão, passamos por quatro unida-
des, todas elas com conteúdo rico e indispensável. Vamos relembrar?
Na Unidade I, você, aluno(a), teve contato com os conceitos de lazer e recreação,
assim como com seu percurso histórico, além de conhecer mais afundo os jogos, brinque-
dos e brincadeiras e seu papel no lazer e na recreação, tanto na escola quanto fora dela.
Essa unidade foi a base teórica para os próximos conhecimentos, pois não seria possível
avançar sem saber o que, de fato, é o lazer e a recreação.
Na Unidade II abordamos a recreação em diferentes espaços, em específico como
ela se aplica ao ambiente formal e suas possibilidades de interdisciplinaridade e em espa-
ços não formais, como hotéis, festas infantis, ônibus, clubes, espaço aquático, hospitais e
academias. Ademais, vimos as características de grupos específicos que foram divididos
de acordo com sua faixa etária. Aluno(a), nessa unidade buscamos proporcionar o entendi-
mento das possibilidades da recreação.
Em seguida, na Unidade III, em continuidade aos conhecimentos já vistos, tínha-
mos como objetivos identificar quais eram as características do profissional que atua na
recreação, assim como destacamos a necessidade de uma formação profissional para tal.
Aluno(a), você está no caminho certo. Também conceituamos o planejamento e sua relação
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 95
e importância para a efetivação de sucesso da recreação, assim como o planejamento que
você irá utilizar em todos os espaços e para todos os grupos já mencionados.
E, por fim, na Unidade IV, nossos olhares se voltaram com maior foco à prática da
recreação, com isso, estudamos a organização de eventos recreativos e expomos possibi-
lidades de jogos e brincadeiras para grupos específicos. Destaco aqui, que não oferecemos
uma receita de bolo, como mencionado durante a unidade, com isso, buscamos auxiliá-lo(a)
no ponta pé inicial nessa área de atuação tão rica e diversificada.
Então, aluno(a), esperamos termos contribuído com sua formação e despertado
seu interesse pela área de Lazer e Recreação, assim como a curiosidade em saber mais
sobre ela. Saiba que os conhecimentos acerca da temática não se esgotam aqui, então,
leia, explore, estude os materiais extras disponibilizados e outros que possam contribuir
com a ampliação de sua bagagem de saberes.
Desejamos sucesso em sua formação.
Bruna Solera
Pollyana Mayara Nunhes
UNIDADE IV Da Teoria à Prática em Recreação 96