Inf 0854
Inf 0854
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
DESTAQUE
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Dessa forma, fixa-se a seguinte tese: o abono de permanência, dada sua natureza
remuneratória e permanente, integra a base de incidência das verbas calculadas sobre a remuneração do
servidor público, tais como o adicional de férias e a gratificação natalina (13º salário).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 424/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 790
DESTAQUE
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
O art. 14 do CPC/2015 adotou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, de modo que a lei
processual nova atinge o processo no estágio em que ele se encontra, e não retroage para alcançar os
atos processuais já praticados na vigência da lei revogada (ato jurídico processual perfeito).
Segundo a jurisprudência do STJ, "a aplicação da lei processual nova, como o CPC/2015,
somente pode se dar aos atos processuais futuros e não àqueles já iniciados ou consumados, sob pena de
indevida retroação da lei" (AgInt no AREsp 1.016.711/RJ, rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira
Turma, DJe 5/5/2017).
Desse modo, no que tange à remessa oficial, a regra geral é de que sua regência se afere pela
lei vigente à época da decisão recorrida, no caso a sentença.
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 827
PROCESSO REsp 2.037.787-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 11/6/2025. (Tema 1203).
REsp 2.007.865-SP, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 11/6/2025 (Tema 1203).
REsp 2.050.751-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 11/6/2025 (Tema 1203).
DESTAQUE
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Embora fosse possível a aplicação subsidiária das regras do CPC ao processo de execução
fiscal, parte da jurisprudência resistia ao uso do seguro garantia judicial, sob o argumento de que a
execução fiscal era regida por lei específica. Somente em 2014, com as alterações dadas pela Lei n.
13.043/2014, a Lei de Execuções Fiscais passou a prever expressamente o seguro garantia como forma
válida de garantia da execução fiscal, equiparando-o à fiança bancária.
O Código de Processo Civil de 2015, além de reproduzir o regramento previsto no art. 656, §
2º, do CPC/1973 (atual art. 848, parágrafo único, do CPC/2015), foi além e promoveu a equiparação
expressa dos três institutos. Portanto, com a edição do CPC/2015, o legislador optou por reforçar ainda
mais a importância da fiança bancária e do seguro garantia judicial no âmbito das execuções,
equiparando-os expressamente ao dinheiro para fins de substituição da penhora, desde que o valor do
débito fosse acrescido de 30% (trinta por cento).
Vale ressaltar que as Turmas da Segunda Seção do STJ, embora nos autos de execução de
natureza civil, também já se posicionaram no sentido de que "a fiança bancária e o seguro garantia judicial
produzem os mesmos efeitos jurídicos que o dinheiro para fins de garantir o juízo, não podendo o
exequente rejeitar a indicação, salvo por insuficiência, defeito formal ou inidoneidade da salvaguarda
oferecida" (REsp 1.691.748/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 17/11/2017).
Assim, a fiança bancária e o seguro garantia judicial, além de atenderem ao princípio da menor
onerosidade, produzem os mesmos efeitos jurídicos que depósito em dinheiro, garantindo segurança e
liquidez ao crédito do exequente, em conformidade com o disposto nos arts. 805, 835, § 2º, e 848,
parágrafo único, do CPC /2015, e no art. 9º, II, da Lei n. 6.830/1980.
Essa diretriz normativa justifica, portanto, a aceitação da fiança bancária e do seguro garantia
judicial como formas legítimas de caução para fins de suspensão da exigibilidade do crédito não
tributário, especialmente quando sua utilização se mostra menos onerosa ao devedor do que a constrição
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Quanto ao prazo de vigência da carta fiança e da apólice de seguro, as Turmas que integram a
Primeira Seção do STJ possuem precedentes no sentido de que a fiança bancária e o seguro garantia com
prazo de validade determinado não se prestam à garantia da execução fiscal. Isso porque, diante da longa
duração dos processos judiciais, há o risco de que a garantia perca sua efetividade, considerando a
notória morosidade das execuções fiscais.
Assim, fixa-se a seguinte tese: o oferecimento de fiança bancária ou de seguro garantia, desde
que corresponda ao valor atualizado do débito, acrescido de 30% (trinta por cento), tem o efeito de
suspender a exigibilidade do crédito não tributário, não podendo o credor rejeitá-lo, salvo se demonstrar
insuficiência, defeito formal ou inidoneidade da garantia oferecida.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), art. 7º, II, e art. 9º;
Código de Processo Civil de 1973 (CPC/1973), art. 656;
Código de Processo Civil de 2015 (CPC/15), art. 805, art. 835, § 2º, e art. 848, parágrafo único.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 652
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
DESTAQUE
A implantação em folha de pagamento, para pagamento das parcelas mensais que vão
vencendo após o início do cumprimento da sentença, é executada como se obrigação de fazer fosse. A
obrigação de pagar diferenças remuneratórias ou benefícios previdenciários, por outro lado, é uma
obrigação de pagar quantia certa, mas a legislação e a praxe orientam que a inclusão em folha de
pagamento seja executada como obrigação de fazer, na forma dos arts. 536 e 537 do CPC, art. 16 da Lei n.
10.259/2001 e art. 12 da Lei n. 12.153/2009.
Nesse contexto, o cumprimento de uma obrigação afeta a outra, uma vez que as parcelas
vencidas até a data da inclusão em folha de pagamento são executadas como obrigação de pagar quantia
certa; bem como por no momento da inclusão em folha, deixarem de vencer novas parcelas. Portanto, as
parcelas que vão vencendo até a implantação em folha de pagamento se somam na memória de cálculo
que embasa a execução de pagar quantia certa. Além disso, a apuração do valor mensalmente devido
serve tanto para a definição do que será implantado em folha de pagamento, quanto para a definição do
valor das parcelas vencidas.
Ainda assim, as obrigações têm suficiente independência, de forma que o curso do prazo
prescricional não é suspenso na pendência da implantação em folha de pagamento.
De acordo com o Decreto n. 20.910/1932, a prescrição das dívidas da fazenda pública ocorre
em cinco anos (art. 1º), incluídas nesse prazo as parcelas de caráter remuneratório ou previdenciário (art.
2º), podendo ser interrompida uma única vez (art. 8º) e reiniciando o prazo prescricional após o final do
processo (art. 9º).
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
sendo novamente suspenso pelo requerimento de liquidação (art. 509 do CPC) ou de cumprimento (art.
534 do CPC).
Ademais, não é incomum que exista um intervalo entre o final da fase de conhecimento e início
da liquidação ou do cumprimento de sentença. Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, é
necessário obter os subsídios indispensáveis à elaboração da conta - contracheques, fichas financeiras - e
realizar o cálculo propriamente dito. Isso pode ocorrer extrajudicialmente, mas há previsão que o Juízo
requisite elementos para a elaboração da conta, na forma dos §§ 3º a 5º do art. 524 do CPC.
Desse modo, no intervalo em que essas diligências são realizadas, o prazo prescricional segue
seu curso.
Nesse sentido, incumbe ao devedor, em caso de risco de prescrição, promover, desde logo, a
execução das parcelas vencidas. As parcelas vincendas podem ser incluídas posteriormente na conta, ou
pagas diretamente pela administração. Se entender imprescindível, o magistrado poderá suspender o
cumprimento da obrigação de pagar quantia certa, após o seu início - como o prazo da processo de
cumprimento estará em curso, a prescrição restará suspensa, mas o prazo da prescrição da obrigação de
pagar não se suspende pela pendência da providência administrativa.
Dessa forma, o curso do prazo da prescrição não é suspenso enquanto não proposta a
liquidação ou o cumprimento de sentença quanto à obrigação de pagar quantia certa.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), arts. 509; 524, §§ 3º a 5º; 534; 536; e 537.
Decreto n. 20.910/1932; arts. 1º; 2º; 8º e 9º.
Lei n. 10.259/2001; art. 16.
Lei n. 12.153/2009; art. 12.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 736
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
DESTAQUE
Nas ações que buscam prestações de saúde, a decisão judicial de procedência é condenatória:
ordena o cumprimento de uma obrigação de fornecer a terapêutica (procedimento, medicamento ou
tecnologia) buscada. Trata-se de obrigação de fazer ou de dar coisa incerta - dispensar medicamento,
realizar exame ou intervenção, etc.
Sucessivamente, a lei prevê que a verba deve ser arbitrada com base em percentual sobre o
valor da causa. Entretanto, o § 8º do art. 85 dispõe que, nas causas de valor inestimável, os honorários
serão fixados por apreciação equitativa. É nesse caso que se enquadram as ações que buscam prestações
em saúde do Poder Público. Como visto, o preço da terapêutica não se traduz em proveito econômico ao
postulante. O valor, alto ou baixo, do custo do procedimento, medicamento ou tecnologia buscado é
uma questão importante, mas não é essencial ao conflito sub judice.
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Isso porque, o § 6º-A impede o uso da equidade, "salvo nas hipóteses expressamente previstas
no § 8º deste artigo". Como estamos diante de caso de aplicação do § 8º, essa vedação não se aplica.
Já o § 8º-A, por sua vez, estabelece patamares mínimos para a fixação de honorários
advocatícios por equidade. Os honorários seriam o maior valor entre a recomendação da tabela do
Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil e o limite mínimo estabelecido no §2º. No
entanto, a interpretação do dispositivo em questão permite concluir que ele não incide nas demandas de
saúde. A aplicação do § 8º-A prejudicaria o acesso à jurisdição e oneraria o Estado em área sensível, na
qual os recursos já são insuficientes.
Ademais, em muitas das causas, o valor da prestação buscada é elevado. O autor teria que
avaliar o risco de litigar e, em caso de sucumbência, arcar com os honorários correspondentes. Isso
imporia à pessoa, premida por uma situação de doença grave, a escolha entre litigar contra o Estado,
arriscando a sucumbência que dilapidaria seu patrimônio, ou sofrer com a falta da prestação.
Além disso, o § 8º-A usa dois marcos como piso, os quais são estranhos à administração
pública. Um deles, é o § 2º do art. 85, que não incide na condenação da fazenda pública em honorários,
regida pelo parágrafo seguinte. O outro, a tabela de honorários do Conselho Seccional da OAB, a qual
não se aplica aos advogados públicos e aos defensores públicos, remunerados por subsídio, na forma do
art. 39, § 4º, combinado com art. 135, da CF. Logo, não há sentido em usar esse dispositivo para reger a
fixação da sucumbência nas ações de saúde, quando direcionadas contra o Poder Público.
Do exposto, fixa-se a seguinte tese: Nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a
satisfação do direito à saúde, os honorários advocatícios são fixados por apreciação equitativa, sem
aplicação do art. 85, § 8º-A, do CPC.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), art. 85, §§ 2º, 3º, 4º, III, 6º-A, 8º e 8º-A, art. 291, art. 292, § 2º
Constituição Federal (CF), art. 39, § 4º e art. 135
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
DESTAQUE
Os incentivos fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus devem ser interpretados de forma
extensiva, de modo a concretizar o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, relacionado à
redução das desigualdades sociais e regionais, além de contribuir para a proteção da riqueza ambiental e
cultural própria daquela região.
Mostra-se irrelevante o fato de o negócio se estabelecer entre pessoas situadas na Zona Franca
de Manaus ou de o vendedor estar fora dos limites da referida zona econômica especial, em atenção ao
princípio da isonomia, porquanto a adoção de compreensão diversa aumentaria a carga tributária
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
exatamente dos empreendedores da região - que devem ser beneficiados com os incentivos fiscais -,
desestimulando a economia dentro da própria área.
Tese jurídica fixada: "Não incidem a contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas advindas
da prestação de serviço e da venda de mercadorias nacionais e nacionalizadas a pessoas físicas e jurídicas
no âmbito da Zona Franca de Manaus".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 807
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
DESTAQUE
Nas execuções fiscais fundadas em uma única Certidão de Dívida Ativa, composta por
débitos de exercícios diferentes do mesmo tributo, a determinação da alçada, prevista no art. 34,
caput e § 1º, da Lei n. 6.830/1980, deverá considerar o total da dívida constante do título
executivo.
Na origem, o caso concreto trata de execução fiscal ajuizada pela Fazenda municipal para
cobrança de IPTU referente a exercícios distintos, reunidos em uma única Certidão de Dívida Ativa (CDA).
A sentença de primeiro grau extinguiu o processo sem resolução do mérito, alegando que a certidão era
incompleta. Em segunda instância, a apelação do município não foi conhecida sob o argumento de que o
recurso adequado seria embargos infringentes, conforme o art. 34 da Lei de Execuções Fiscais (LEF), já
que, apesar de o valor total executado ultrapassar o limite de alçada, deveria ser considerada, para fins
recursais, a análise individual de cada crédito tributário.
Ressalte-se que a alçada é aferida com base no valor da causa, o qual, por sua vez, coincide
com o valor da própria execução fiscal, entendido como o montante global da dívida, compreendendo o
tributo monetariamente corrigido, acrescido de multa, juros de mora e demais encargos legais.
A definição entre a prevalência do valor global do título executivo - vale dizer, da soma das
dívidas cobradas - e a consideração isolada de cada débito como critério para aferição da alçada em sede
de execução fiscal decorre de interpretação sistemática da legislação de regência, bem como da
observância de princípios informadores do direito processual civil.
Em um primeiro plano, verifica-se que não há vedação legal à inclusão, em uma única CDA, de
débitos referentes ao mesmo tributo, ainda que correspondam a exercícios fiscais distintos, desde que
atendidos os requisitos legais de validade do título e assegurado à parte executada o pleno exercício do
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
contraditório e da ampla defesa. Ao contrário, a tônica do arcabouço legal apontado é conferir maior
eficiência e racionalidade à propositura das execuções fiscais, permitindo, sempre que possível, a
consolidação dos débitos do contribuinte em um único título executivo, finalidade essa que não se
coaduna com a exegese que considera isoladamente cada exercício fiscal para efeito de aferição do valor
de alçada.
Em outros termos, sendo legítima a reunião de débitos fiscais em uma única Certidão de Dívida
Ativa - da qual se extrai o valor da causa da execução -, não é válido que, em momento posterior, quando
já sentenciado o feito, se pretenda cindir o montante global a pretexto de determinar a espécie recursal
admissível.
Tal unidade é essencial à própria lógica da execução fiscal, estruturada sobre um título líquido,
certo e exigível, atributos esses que não se desfiguram pelo só fato de a demanda executiva englobar
múltiplas cobranças da mesma exação, fracionadas em exercícios distintos.
Isso porque, na hipótese em que a Certidão de Dívida Ativa abarque exercícios fiscais com
valores individuais inferiores/iguais e superiores ao limite da alçada, o executado se veria obrigado a
manejar, de forma simultânea e perante juízos distintos, embargos infringentes e apelação,
respectivamente, situação manifestamente inviável. Portanto, indexar o cálculo da alçada aos montantes
individualizados de cada exercício fiscal relativo ao tributo cobrado promove a insegurança jurídica e
compromete a sistemática da execução fiscal, cuja racionalidade repousa na clareza, previsibilidade e
integridade do título que a embasa.
Fixou-se, por unanimidade, a seguinte tese repetitiva: Nas execuções fiscais fundadas numa
única Certidão de Dívida Ativa, composta por débitos de exercícios diferentes do mesmo tributo, a
determinação da alçada, prevista no art. 34, caput e § 1º, da Lei n. 6.830/1980, deverá considerar o total
da dívida constante do título executivo.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
TEMA Tráfico de drogas. Art. 33, caput e § 1º, da Lei n. 11.343/2006. Pena
de multa. Indulto. Decreto n. 11.846/2023. Impossibilidade. Tema
1336.
DESTAQUE
Com efeito, o art. 1º, I e XVII, do Decreto Presidencial n. 11.846/2023, ao vedar o indulto aos
crimes hediondos e equiparados, inclusive tráfico de drogas, não restringiu a natureza da pena decorrente
dessa condenação, de modo que a vedação abrange inclusive a pena de multa.
Aliás, essa é a compreensão das Turmas criminais que integram a Terceira Seção desta Corte.
Nessa direção: "O Decreto nº 11.846/2023 veda expressamente a concessão do indulto para condenados
por tráfico de drogas, tanto para penas privativas de liberdade quanto para a pena de multa, conforme
interpretação sistemática do art. 1º, incisos I e XVII, que não limita a vedação às penas privativas de
liberdade." (REsp 2.165.758/SP, Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 6/1/2025).
Ressalte-se, no entanto, que tal compreensão não se aplica aos condenados por crime de
tráfico de drogas em que reconhecida a incidência do redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006,
denominado de tráfico de drogas privilegiado, pois essa conduta não figura entre aquelas elencadas no
inciso XVII do art. 1º do decreto em referência, além de que também não se encontra abarcada pelo
inciso I da norma em comento, já que não é equiparada a crime hediondo.
Dessa forma, fixa-se a seguinte tese: O indulto previsto no Decreto n. 11.846/2023 não se
aplica ao condenado por tráfico de drogas na forma do caput e § 1º do art. 33 da Lei de Drogas, vedação
essa que abrange a pena de multa eventualmente cominada, salvo se beneficiado com o redutor especial
(art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006).
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 833
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
A prova obtida por meio de cooperação internacional em matéria penal deve ter como
parâmetro de validade a lei do Estado no qual foi produzida, nos termos do art. 13 da LINDB,
podendo, contudo, não ser admitida no processo em curso no território nacional se o meio de sua
obtenção violar a ordem pública, a soberania nacional e os bons costumes brasileiros.
A prova questionada foi trazida aos autos depois de regular procedimento de cooperação
jurídica internacional por auxílio direto entre os países, estabelecida nos termos do Acordo de
Cooperação Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo
da República Francesa, celebrado em Paris, em 28/5/1998, e promulgado no Brasil por meio do Decreto
n. 3.324/1999.
Embora não aportada aos autos a decisão judicial que teria amparado a coleta da prova, o
cumprimento da medida solicitada foi direcionado a autoridades judiciárias que, por sua vez, conduziram
a diligência para efetiva execução, em observância às normas daquele país.
No caso, não foi apresentada nenhuma prova concreta para afastar a presunção de legalidade
advinda da adoção do procedimento formal para trânsito de provas entre a França e o Brasil. Em
acréscimo, todo o material recebido via cooperação jurídica com autoridade estrangeira foi devidamente
acostado aos autos e disponibilizado às partes, inclusive via link para acesso em nuvem administrada pela
Justiça Federal. Ainda, o acesso às provas digitalizadas foi franqueado de forma adequada à defesa.
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Havendo suspeita de que os dados enviados ao Brasil não seriam os mesmos colhidos na
França, caberia à defesa demonstrar, ainda que indiciariamente, em que se basearia tal suspeita. O
recebimento da documentação probatória por meio de cooperação internacional, a qual se sustenta no
princípio da boa-fé das autoridades envolvidas, reforça ainda mais a fidedignidade da prova.
Assim, a prova colhida na França seguirá as regras lá vigentes. Ainda que tais provas sejam
posteriormente compartilhadas com outro país, as regras legais deste não são aplicáveis retroativamente
à colheita anterior da prova. Mesmo em cooperação jurídica internacional, seguem-se as leis e as regras
do local de produção do ato. Impor as leis e as regras do país requerente aos procedimentos adotados no
país requerido implicaria, em última análise, violar a soberania do país requerido.
Por haver a documentação sido obtida de forma regular no país que se encarregou das
primeiras investigações (França), em obediência à lei local, e posteriormente sido entregue às autoridades
brasileiras para embasar - ou simplesmente complementar - investigações criminais que aqui já estavam
em curso, não existe nenhum impedimento à utilização dessas provas no processo.
Nesse sentido, não é cabível que se pretenda que a Justiça brasileira se debruce a examinar a
legalidade de atos jurídicos internos praticados na República Francesa. As autoridades do país requerente,
inclusive as judiciais, não têm nenhum poder de controle ou de ingerência sobre os atos praticados no
país requerido. Irrelevante, portanto, a alegação de nulidade da prova sob o argumento de que não há
decisão judicial francesa que explique como se deu a operação policial de captura dos dados do SKY ECC
ou que informe os meios de obtenção dessa fonte de prova.
Ademais, o acesso ao conteúdo de conversações do aplicativo SKY ECC, ainda que no Brasil
seja considerado sigiloso, de acordo com as leis locais, não é suficiente para violar a ordem pública ou a
soberania nacional, de que somente se poderia cogitar se a obtenção dessas informações tivesse ocorrido
de modo ilícito na França, o que não ficou inequivocamente demonstrado no caso.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Decreto n. 3.324/1999.
Decreto-Lei 4.657/1942 (LINDB), art. 13.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 7 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
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Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
PROCESSO REsp 2.159.111-RS, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma,
por unanimidade, julgado em 6/5/2025, DJEN 14/5/2025.
DESTAQUE
A inadmissibilidade das provas derivadas das ilícitas, todavia, não se estende a todas as provas
do processo. Tendo em vista o disposto no art. 157, § 1º, parte final, e § 2º, do CPP - que consagram
exceções concebidas também no direito norte-americano - é necessário averiguar (a) se a prova
ilicitamente obtida seria inevitavelmente descoberta de outro modo (inevitable discovery), a partir de
outra linha legítima de investigação, ou (b) se tal prova, embora guarde alguma conexão com a original,
ilícita, não tem relação de total causalidade em relação àquela, pois outra fonte a sustenta (independent
source).
No caso, policiais civis compareceram à residência da acusada para cumprir mandado de busca
domiciliar. Durante a execução do mandado, policiais femininas realizaram revista íntima na acusada. Na
delegacia de polícia e no estabelecimento penal, foram realizadas mais duas revistas íntimas. Nenhuma
prova foi apreendida em decorrência das revistas íntimas. Na residência, por sua vez, apreenderam-se
drogas, dinheiro e pesticidas.
Conforme pontuado pelas instâncias ordinárias, são ilícitas as três revistas íntimas a que foi
submetida, desnecessária e injustificadamente, a acusada, de modo a configurar grave violação à
dignidade da pessoa humana por agentes de Estado.
Entretanto, a despeito da manifesta gravidade da ilicitude das três revistas íntimas, tal ilicitude
não tem por consequência a inadmissibilidade de todas as provas colhidas durante a execução do
mandado de busca domiciliar, em razão da inexistência de nexo de causalidade entre o meio de obtenção
processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/26
Informativo de Jurisprudência n. 854 17 de junho de 2025.
Com efeito, para a definição das provas inadmissíveis em razão da ilicitude dos meios de
obtenção empregados, é necessário, à luz do art. 157, § 1º, do CPP, verificar a existência de nexo de
causalidade entre o meio de obtenção de prova declarado ilícito e as provas produzidas nos autos.
Como reconheceu o Tribunal de origem, nenhuma prova foi apreendida em decorrência das
revistas íntimas - seja daquela realizada incidentalmente à busca domiciliar, seja daquelas realizadas
posteriormente, na delegacia de polícia e no estabelecimento penal. Todas as provas constantes nos
autos foram localizadas durante a busca na residência, de modo que não há nenhum nexo causal entre a
apreensão das provas localizadas na residência e as revistas íntimas declaradas ilícitas.
Além disso, a inexistência de nexo causal entre as revistas íntimas ilícitas e as provas
apreendidas pode ser mais bem evidenciada a partir de um juízo hipotético de eliminação, típico da
apuração da causalidade simples (causa como conditio sine qua non do evento): se as revistas íntimas não
tivessem sido realizadas, ainda assim as provas incriminatórias (as drogas, o dinheiro e os pesticidas)
teriam sido produzidas, pois elas foram encontradas no interior na residência (em decorrência da busca
domiciliar), e não no corpo da acusada (em decorrência das revistas íntimas).
Ademais, mesmo em relação à revista íntima realizada no interior da residência, vale destacar
que, de acordo com o art. 244 do CPP, é admissível a execução de busca pessoal incidental à busca
domiciliar, independentemente de mandado prévio. Todavia, eventual ilegalidade na execução da busca
pessoal incidental não acarreta, por derivação, a ilegalidade de toda a busca domiciliar.
Assim, embora sem ignorar ou mesmo mitigar a gravidade da ilicitude verificada no caso, é
imperativo reconhecer que são admissíveis as provas derivadas da busca domiciliar, pois não derivadas
das revistas íntimas ilícitas, na forma do art. 157, § 1º, do CPP.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
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