A DE5CENTRALIZAC^0
POLITICA NA EUROPA JVIEDIEVAL
QUEM ERAM 05 GERM^NIC05?
Nao se sabe ao certo a origem dos povos germanicos, mas o mais provavel
€ que tenham vindo da Escandinavia e da regiao do Mar Baltico, no norte da
Qual era a principal Europa. Ao entrar em contato com os celtas e os gregos, no sul, adotaram a
diferen€a entre lfngua indo-europeia.
a poder politico Os germanicos se dividiam em varios povos (francos, Iombardos, visigodos,
no auge do lmp6rio anglos, sax5es etc,), que falavam lI'nguas aparentadas. Esses povos nao tinham
Romano e no uma organizagao poli'tica centralizada em torno de urn governante. Eles se or-
periodo medieval? ganizavam em cl5s, agrupamento de pessoas unidas por lagos de parentesco.
Em cada urn desses clas, o pai era a autoridade maxima.
Os povos germanicos tinham uma forte tradigao guerreira. Nos perfodos
de guerra, o chefe era escolhido por uma assembleia para comandar o gru-
po. Caso sal'ssem vitoriosos, dividiam entre eles o butim. As vit6rias tambem
proporcionavam terras para a agricultura e a cria[ao de gado. Com a tempo, a
fun[ao de chefe guerreiro passou a ser hereditaria.
A partir do seculo V, os li'de-
res guerreiros tornaram-se reis.
Porem, como nao possui'am uma
organiza[ao estatal nem insti-
tui¢5es para administrar os ter-
rit6rios, seus domi'nios .tiveram
curta dura¢ao. No seculo seguin-
te, alguns povos germanicos es-
tabeleceram reinos duradouros
(veja o mapa ao lado).
EE2E
Butim: conjunto de bens tomado
do inimigo ap6s a batalha.
Fonte: HILGEMANN, Wemer; KINDER, Hermann.
Atlas historique. Paris: Perrin, 1992. p. 112.
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I.r#l,I. ,T':;,i :; RE A REGIONALIZAC^O D0 PODER
A medida que aumentou o contato entre germanicos e
romanos, antes mesmo da queda de Roma, passou a existir
entre esses povos uma inf luencia reci'proca de costumes e
instituig5es, Os grupos arjstocraticos das duas sociedades,
par exemplo, passaram a ter aspira€6es poli'ticas semelhan-
tes e a ignorar as decis6es do poder central romano, que
estava cada vez mais enfraquecido.
Quando se formaram os primeiros reinos germanicos, no
seculo V, os grupos aristocraticos comecaram a privatizar a
defesa, ou seja, a organizar urn sistema de protegao formado
por grupos armados para garantir a independencia do poder
regional, No Ocidente europeu, o poder poll'tico ficava cada
vez mais descentralizado, ou seja, distribui'do entre as elites
aristocfaticas locais.
0 enfraquecimento do poder real foi acompanhado de urn
acentuado isolamento do Ocidente europeu. As invas5es dos
arabes mu€ulmanos, entre os s€culos VII e VIII, contribui'ram
Coroa de ouro decorativa
adornada com pedras preciosas para reduzir ainda mais o contato dos europeus ocidentais com
clue pertenceu ao rei visjgodo o resto do mundo. Os mugulmanos s6 nao ampliaram suds con-
Recesvinto. Ele governou o
territ6rio da atual Espanha entre quistasnocontinenteporqueforamderrotadospelosexercitos
653 e 672. francos na Batalha de Poitiers, em 732.
F IN0 FRANCO: DE CLdvIS AO TRATAD0 DE VERDUN
[16vis derrota os inimigos De acordo com a tradi[ao,
Carlos Martel derrota os Pepino, a Breve, filho de [arlos Martel,
e imp6e seu domi'nio sabre a rei C16vis converte-se
arabes mu€ulmanos na dep6e a dltimo rei merovrngio e funda
a regiao norte da Galia. ao cristianismo.
Batalha de Poitiers. uma nova dinastia.
Combate entre
francos e arabes
muculmanos
representado
em pintura sobre
lluminura que
pergaminho de representa Pepino,
Jean Le Tavernier, a Breve, recebendo.
secuio xv.
clerigos, seculo xv.
A CR15TIANIZA[^O DO REIN0 FRANCO
0s francos nao apenas comandaram a resistencia contra o avango mu-
€ulmano na Europa; eles tambem lideraram o movimento de cristianiza€ao
dos povos germanicos nas terras conquistadas. Originarios do norte eu-
ropeu, no seculo V os francosja estavam estabelecidos na Galia, onde hoje
se situa a Fran[a, Ali eles fundaram o Reino Franco.
A alianga dos francos com a Igreja crista come-
cou a ser construl'da com C16vis (466-511), o pri-
meiro rei germanico convertido ao cristianismo.
A conversao de C16vis teve uma forfa simb6lica mui-
to grande e serviu de exemplo para outros reis ger-
manicos. Com a apoio da Igreja, os francos conti-
nuaram expandindo os seus doml'nios e conquistan-
do novos adeptos a f€ crista.
Os vl'nculos entre a Igreja e os francos estreita-
ram-se quando o papado solicitou a ajuda de Pepino,
o Breve, para lutar contra os lombardos na Peninsula
It6lica. Pepino os derrotou e entregou as terras da
Italia central ao papa Estevao 11, dando origem aos
Estados Pontificios, Em troca, o papa reconheceu a bof/.smo de C/o'v/.s, iluminura do manuscrito A v/.do de Sfo Deri/.s,
seculo Xlll. C16vis, representado na pia batismal, esta entre
Pepino como rei dos francos e legitimou a dinastia ca-
os bispos da lgreja (a esquerda) e os nobres francos (a direita),
roli'ngia (veja a linha do tempo). que lhe entregam a coroa.
Os acontecimentos dessa linha do tempo
nao foram representados em escala temporal.
Infcio do reinado
.i.,` .
[arlos Magno e coroado
.lit .
Morte de Carlos Magno.
BbJ
i 0 Tratado de Vendun divide as
de Carlos Magno. imperador do imperio i terras do Imperio Carolingio entre
ocidental pelo papa Leao Ill. i os filhos de Carlos Magno.
Iluminura de urn
Miniatura que dos manuscritos
representa Carlos que comp5em
Magno fiscalizando o Evangelho
a construcao de uma de si5o Nledcird
escola palatina, do de Soissons,
manuscrito Grt]ride5 produzido na corte
cr6nicas da FranFa, de Carlos Magno,
secuio xlv. no seculo lx.
13
`&
a IAAPERIO DE CAR105 MAGNO
0 Re;no Franco alcanfou seu apogeu com Carlos Magno (742-814), da di-
nastia carolingia. Filho e sucessor de Pepino, o Breve, Carlos Magno deu
continujdade a poli'tica de expansao territorial de seus antecessores e for-
ta`eceu a vi'ncu`o dos francos com a lgreja ao promover a cristianiza[ao das
terras conquistadas.
Carlos Magno foi coroado imperador do Ocidente pelo papa Leao Ill, em
Roma, na noite de Natal de 800. Com esse gesto, o papa reafirmava a auto-
ridade da Igreja sobre os homens, incluindo os reis, e declarava que o poder
do imperador vinha de Deus. A coroa€ao de Carlos Magno tambem tinha urn
significado poli'tico: a unidade da Igreja e do jmpErjo em torno do jmperador
do Ocidente, descredenciando, portanto, o imperio de Constantinopla.
Com o apoio da Igreja, Carlos Magno promoveu o movimento conhecido
como Renascimento Carolingio. Visando estimular o desenvolvimento cul-
tural no imperio e preparar intelectualmente a clero cristao para orientar
os f i€is, o rei franco fundou escolas nos mosteiros, mos episcopados e uma
no pr6prio palacio real, esta tiltima destinada a formar os administradores
do reino. AI€m disso, encomendou a revisao da primeira Bi'b/i.a traduzida
para o latim, datada do s€culo IV, Foi tambem nesse peri'odo que se desen-
volveu uma caligrafia mais pratica, clara e regular, que hoje chamamos de
cursiva mintiscula.
0 IMPERIO [AROLiNGlo (SECuLOS VllI-IX)
50o;ngTi • REINO `,
i -ANGLO-SAXAO
MAR
DO
NORTE
>..
8
220km ,
BRFTAN-Fl
OCEANO
ATLANT|Co D^
DE C6RDOBA ,
I§:Lne?ndo°a:r:::]°:nMoai;Lc:odo
I Conquistas de Carlos Magno
I Estados tribut6rios
I Area de influencja carolingia
cALiFae
I Dominio bizantino
ABASSIDA
Fonte: DUBy, Georges. Atlas hist6rico mundial.
Barcelona: Larousse, 2010. p. 87.
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fat
A DIVISA0 D0 lMPERlo CAROLfNGlo
0 uso da expressao "Imperio Caroli'ngio" se deve muito mais a forEa da
tradi[ao que a existencia de uma centralizacao poll'tica efetiva no reinado de
[arlos Magno.
Urn dos indi'cios da fragilidade do poder imperial foi o costume germanico,
estimulado por Carlos Magno, de f irmar relaE6es de vassalagem. Per meio
dessa pratica, a rei doava terras ou outros benefl'cios aos seus servidores, que
em troca deviam prestar auxrlio militar ao reino. 0 rei, que doava o benefi'cio,
passava a ser senhor daquele que o recebia, chamado vassalo.
Com o tempo, os vassalos reais estabeleceram rela[5es de vassalagem com
seus dependentes, tornando-se ao mesmo tempo vassalos do rei e senhores
de seus vassalos. Dessa forma, o poder do rei acabou pulverizado nas maos de
muitos senhores.
A descentralizasao poli'tica se aprofundou ap6s a morte de Carlos Magno
e a disputa pelo poder entre seus sucessores. A fragil unidade politica do
imperio se desfez completamente e varios pequenos reinos surgiram (reveja
a linha do tempo).
`'L!iiatura do seculo XV que representa o imperador Carlos Magno.
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