0% acharam este documento útil (0 voto)
39 visualizações10 páginas

Período Intertestamentário

Enviado por

nadnakedna
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
39 visualizações10 páginas

Período Intertestamentário

Enviado por

nadnakedna
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Período Intertestamentário, também conhecido como Período de Silêncio, aquele

intervalo de aproximadamente 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento. Embora


Deus não tenha levantado profetas durante esse tempo, muito aconteceu historicamente,
politicamente e religiosamente, preparando o caminho para a chegada do Messias.

1. O QUE FOI O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO?

• É o intervalo entre Malaquias (último livro do AT) e o nascimento de Jesus em


Mateus.
• Abrange cerca de 400 anos de “silêncio profético”, ou seja, Deus não enviou
nenhum profeta reconhecido por Israel nesse tempo.
• Porém, esse período não foi um tempo inativo: houve mudanças profundas
culturais, políticas e religiosas que prepararam o cenário para o Novo Testamento.

2. CONTEXTO HISTÓRICO: AS QUATRO GRANDES DOMINAÇÕES

a) DOMÍNIO PERSA (538–331 a.C.)

• Começa com o edito de Ciro, permitindo que os judeus retornem do exílio.


• Reconstrução do Templo e dos muros de Jerusalém (Neemias, Esdras).
• Relativa liberdade religiosa, mas sem independência política.

b) DOMÍNIO GREGO – ALEXANDRE E OS SELÊUCIDAS (331–164 a.C.)

• Alexandre, o Grande, conquista o mundo e espalha a cultura grega (helenismo).


• Após sua morte, o império é dividido. A Palestina fica sob:
o Ptolomeus (Egito): governo tolerante.
o Selêucidas (Síria): governo opressor.
• Surge a Septuaginta (tradução do AT para o grego) no Egito, importante para os
judeus da diáspora.
• Sob o rei selêucida Antíoco IV Epifânio, os judeus sofrem intensa perseguição:
o Proibição da Lei, sacrifícios de porcos no Templo, culto a Zeus no altar.
o Isso gera a revolta dos Macabeus.
c) PERÍODO HASMONEU (164–63 a.C.)

• Revolta dos Macabeus (liderados por Judas Macabeu) conquista independência


temporária.
• Surge a dinastia hasmoneia, com governantes judeus misturando poder político e
sacerdotal.
• Cresce a corrupção e a tensão interna entre grupos religiosos.
• Grupos como os fariseus e saduceus ganham força.

d) DOMÍNIO ROMANO (63 a.C. em diante)

• O general romano Pompeu conquista Jerusalém.


• Impõe controle romano sobre a Judeia.
• Surgem os herodianos (como Herodes, o Grande).
• A tensão social e religiosa aumenta.
• Judeus esperavam um Messias libertador, político e guerreiro.

3. DESENVOLVIMENTOS RELIGIOSOS E CULTURAIS

a) SINAGOGAS

• Surgem como centros de culto, estudo e reunião durante o exílio.


• Têm papel crucial na propagação da Lei e da fé judaica na diáspora.

b) NOVOS GRUPOS RELIGIOSOS

Grupo Características principais


Fariseus Valorizam a Lei, tradição oral, crêem na ressurreição. Influência popular.
Saduceus Elite sacerdotal, negam ressurreição, ligados ao Templo.
Essênios Separatistas, viviam no deserto. Provável origem dos Manuscritos do Mar Morto.
Zelotes Grupo revolucionário, queriam a libertação de Roma à força.

c) ESPERANÇA MESSIÂNICA

• A opressão romana aumenta o desejo por um Messias libertador.


• Muitos esperavam um rei como Davi que expulsasse os inimigos.
• Essa expectativa política dificultou o reconhecimento de Jesus como Messias
sofredor.
4. SIMBOLOGIA E CONEXÕES COM CRISTO

Preparação do caminho

• O período intertestamentário preparou o cenário perfeito para a vinda de Jesus:


o Unificação linguística (grego como língua comum).
o Estradas romanas facilitavam a pregação.
o Judeus espalhados por várias nações — a mensagem do Evangelho alcança
todos os povos.

Tipos e sombras

• O silêncio de Deus lembra o período antes da criação (Gn 1:2) — Jesus vem como a
Palavra que rompe o caos e o silêncio (Jo 1:1).
• Os Macabeus libertadores prefiguram um tipo de Messias, mas são temporários.
Jesus é o verdadeiro libertador eterno.
• O Templo profanado e restaurado aponta para o corpo de Cristo, que seria
destruído e ressuscitado (Jo 2:19).

5. PRINCIPAIS LIÇÕES DO PERÍODO

1. Mesmo em silêncio, Deus está agindo.


2. Deus prepara o cenário antes de agir de forma visível.
3. A fidelidade em tempos difíceis gera esperança e transformação futura.
4. As expectativas humanas sobre o Messias podem ofuscar o entendimento do plano
divino.
5. A história revela que Cristo veio na plenitude dos tempos (Gálatas 4:4).

6. SUGESTÃO DE DIVISÃO PARA UMA APRESENTAÇÃO EM GRUPO

Pessoa 1 – Panorama histórico

• Domínio Persa, Grego, Hasmoneu e Romano.


• Revolta dos Macabeus e as transformações políticas.

Pessoa 2 – Aspectos religiosos

• Formação dos grupos judaicos (fariseus, saduceus, essênios, zelotes).


• Papel das sinagogas e surgimento da Septuaginta.
Pessoa 3 – Conexões com o Novo Testamento

• Expectativa messiânica.
• Símbolos que apontam para Cristo.

ESTUDO APROFUNDADO: A QUEDA DOS REINOS DE ISRAEL E JUDÁ

1. CONTEXTO GERAL: A DIVISÃO DO REINO

Após a morte do rei Salomão (~931 a.C.), o reino unificado de Israel se divide por causa da
insatisfação das tribos do norte com a política opressiva de impostos e trabalho forçado de
Roboão, filho de Salomão (1 Reis 12).

• Reino do Norte (Israel): 10 tribos (capital: Samaria) – primeiro rei: Jeroboão I


• Reino do Sul (Judá): 2 tribos (Judá e Benjamim) – capital: Jerusalém – primeiro rei:
Roboão

2. A QUEDA DO REINO DO NORTE – ISRAEL

a) Motivos espirituais

• Idolatria institucionalizada: Jeroboão cria dois bezerros de ouro em Dã e Betel (1


Reis 12:26-30).
• Sincretismo religioso: mistura da fé em Deus com práticas pagãs.
• Rejeição dos profetas: Deus enviou profetas como Elias, Eliseu, Amós e Oséias para
advertir o povo. Eles não se arrependeram.

Destaques:

• Amós 5:21-24 – Deus rejeita as festas religiosas vazias e exige justiça.


• Oséias 4:6 – "O meu povo foi destruído por falta de conhecimento."
b) Degeneração política

• 19 reis governaram Israel – nenhum foi considerado bom aos olhos de Deus.
• Instabilidade política e golpes de estado frequentes.

c) Queda militar

• Ano da queda: 722 a.C.


• Invasores: Império Assírio, sob o rei Salmaneser V e, depois, Sargão II.
• O rei Oséias tentou fazer aliança com o Egito e parou de pagar tributo à Assíria →
traição punida com invasão (2 Reis 17).

d) Consequência

• A população foi deportada para outras regiões assírias.


• Povos estrangeiros foram trazidos para habitar a terra → surgem os samaritanos
(mistura de culturas e religiões).
• Fim definitivo do reino do norte.

3. A QUEDA DO REINO DO SUL – JUDÁ

a) Aspecto espiritual

• Judá teve reis bons e maus, mas no geral, foi se corrompendo com o tempo:
o Bons: Ezequias, Josias
o Maus: Manassés (um dos piores), Jeoaquim, Zedequias
• Prática de idolatria, injustiça social, corrupção no templo, falsa segurança
religiosa.
• Profetas de destaque: Isaías, Jeremias, Miqueias, Habacuque, Sofonias

Destaques:

• Jeremias 2:13 – "Duas maldades cometeu o meu povo: a mim me deixaram..."


• Jeremias 7:4 – Falsa confiança no Templo: "O templo do Senhor... mas praticam
injustiça!"

b) Advertência profética

• Jeremias prega 40 anos sem ser ouvido.


• Apelos ao arrependimento ignorados.
c) Queda militar

• Invasão pela Babilônia (Império Neobabilônico sob Nabucodonosor II)


o 605 a.C. – 1ª deportação (Daniel e jovens nobres levados)
o 597 a.C. – 2ª deportação (Rei Joaquim, Ezequiel e outros levados)
o 586 a.C. – Destruição de Jerusalém e do Templo. Rei Zedequias é capturado
(2 Reis 25)

d) Consequência

• Cativeiro na Babilônia por 70 anos (Jeremias 25:11-12; 29:10)


• A terra ficou desolada. Apenas um "remanescente pobre" ficou (2 Reis 25:12)
• A elite, sacerdotes e príncipes foram levados

4. TEOLOGIA DA QUEDA

a) Deus é justo e santo

• Ele não tolera o pecado, mesmo do "seu povo escolhido"


• A aliança com Israel incluía bênçãos e maldições (Deuteronômio 28)

b) Remanescente fiel

• Mesmo em meio ao julgamento, Deus preserva um povo fiel


• A promessa messiânica continua viva (Isaías 11, Jeremias 23)

c) Propósito do exílio

• Corrigir, purificar e restaurar o povo


• Ensinar que a verdadeira segurança está em Deus, não em templos ou reis

5. LIÇÕES PRÁTICAS PARA HOJE

• Fidelidade a Deus exige mais do que religiosidade exterior


• Devemos ouvir as advertências de Deus (por Sua Palavra, líderes e acontecimentos)
• A desobediência tem consequências sérias
• Deus sempre oferece oportunidade de arrependimento antes do juízo

LINHA DO TEMPO SIMPLIFICADA

Evento Data aproximada Referência


Divisão do Reino ~931 a.C. 1 Reis 12
Queda de Israel 722 a.C. 2 Reis 17
1ª deportação de Judá 605 a.C. Daniel 1
2ª deportação 597 a.C. 2 Reis 24
Destruição de Jerusalém 586 a.C. 2 Reis 25
Retorno do exílio (Ciro da Pérsia) 538 a.C. Esdras 1

SIMBOLOGIA E ELEMENTOS CRISTOCÊNTRICOS NA QUEDA DOS REINOS

1. O PECADO DO POVO E A NECESSIDADE DE UM SALVADOR

Símbolo: A idolatria e corrupção moral do povo mostram que mesmo o povo escolhido falha
continuamente.

Aponta para Cristo:

• A Lei não é suficiente para transformar o coração (Rm 8:3).


• Cristo é o único que cumpre perfeitamente a vontade de Deus (Hb 4:15).
• Mostra a necessidade de um Mediador perfeito entre Deus e os homens (1 Tm 2:5).

Jeremias 17:9 – “Enganoso é o coração mais do que todas as coisas...”


Romanos 3:23 – “Todos pecaram...”

2. O TEMPLO DESTRUÍDO E A PROMESSA DE UM TEMPLO MAIOR

Símbolo: A destruição do Templo em Jerusalém (586 a.C.) marcou o fim do centro da


adoração tradicional.
Aponta para Cristo:

• Jesus é o verdadeiro Templo, onde Deus habita (João 2:19-21).


• Com Ele, a adoração não é mais centrada num lugar físico, mas em espírito e verdade
(João 4:23-24).

João 2:19 – “Destruí este templo, e em três dias o levantarei...”

3. A PROMESSA DE UM REI JUSTO

Símbolo: O fracasso dos reis de Israel e Judá mostra que nenhum rei humano foi capaz de
liderar com justiça.

Aponta para Cristo:

• Jesus é o Rei perfeito da linhagem de Davi (Mt 1:1).


• Jeremias profetiza a vinda de um Rei justo, chamado “Senhor, Justiça Nossa”.

Jeremias 23:5-6 – “Levantarei a Davi um Renovo justo... e este será o seu nome: Senhor,
Justiça Nossa.”

4. O REMANESCENTE FIEL

Símbolo: Nem todo o povo foi destruído ou perdido. Deus sempre preservou um
remanescente.

Aponta para Cristo:

• O remanescente aponta para aqueles que seriam salvos pela fé em Cristo, tanto
judeus quanto gentios (Rm 9:27, Rm 11:5).
• Jesus é a base desse novo povo, fiel e purificado.

Isaías 10:20-21 – “O remanescente voltará... ao Deus forte.”


5. AS PROFECIAS DO EXÍLIO SOBRE RESTAURAÇÃO

Símbolo: Mesmo em meio ao exílio, os profetas falam de perdão, restauração e uma nova
aliança.

Aponta para Cristo:

• Jeremias profetiza uma nova aliança escrita no coração, não em tábuas (Jr 31:31-34),
cumprida em Cristo (Hb 8:6-13).
• A restauração do povo representa a salvação que Cristo traria.

Jeremias 31:31 – “Farei uma nova aliança com a casa de Israel...”

6. O EXÍLIO COMO FIGURA DO PECADO E A VOLTA COMO REDENÇÃO

Símbolo: O exílio na Babilônia é uma imagem do afastamento espiritual do homem de Deus.

Aponta para Cristo:

• Em Cristo, o povo é “repatriado” espiritualmente: do cativeiro do pecado para a


liberdade da graça.
• O retorno a Jerusalém (Esdras e Neemias) prefigura o retorno à comunhão com Deus
através de Jesus.

Efésios 2:13 – “Agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados
pelo sangue de Cristo.”

7. OS PROFETAS COMO TIPOS DE CRISTO

Símbolo: Profetas como Jeremias e Ezequiel intercedem, choram e anunciam a justiça de


Deus.

Aponta para Cristo:

• Jesus também chorou por Jerusalém (Lc 19:41).


• Como Jeremias, Jesus foi rejeitado por seu povo, mas anunciou graça e juízo.
• Ele é o profeta maior, que revela Deus plenamente (Hb 1:1-2).
Lucas 13:34 – “Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes quis eu ajuntar teus filhos...”

Você também pode gostar