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Parte Do Conteúdo de Contabilidade Pública

O documento aborda a Contabilidade Geral e Pública, destacando suas definições, objetivos e principais elementos, como demonstrações financeiras e o sistema contabilístico angolano. A Contabilidade Geral foca no patrimônio das entidades privadas, enquanto a Contabilidade Pública se aplica à administração pública, evidenciando receitas, despesas e patrimônio público. O texto também menciona os princípios e normas que regem a Contabilidade Pública em Angola, incluindo a importância do Orçamento Geral de Estado.
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Parte Do Conteúdo de Contabilidade Pública

O documento aborda a Contabilidade Geral e Pública, destacando suas definições, objetivos e principais elementos, como demonstrações financeiras e o sistema contabilístico angolano. A Contabilidade Geral foca no patrimônio das entidades privadas, enquanto a Contabilidade Pública se aplica à administração pública, evidenciando receitas, despesas e patrimônio público. O texto também menciona os princípios e normas que regem a Contabilidade Pública em Angola, incluindo a importância do Orçamento Geral de Estado.
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Instituto Superior Politécnico Privado Walinga Do Moxico

Aprovado Pelo Conselho de Ministros Aos 19 De Maio De 2017


Decreto Presidencial 132/2017 De 19 De Junho De 2019
Departamento De Ciências Económicas E Empresariais

Curso: Contabilidade e Finanças

Material de apoio: Contabilidade Pública

Ano académico: 2024/2025

Luena, 2024

Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc.


1. Contabilidade Geral vs Contabilidade Pública

1.1. Elementos de Contabilidade Geral

1.1.1. Contabilidade Geral - Conceito, objecto de estudo e objectivo da contabilidade

A Contabilidade nasce da necessidade de se escriturar e monitorizar os factos relacionado com o


patrimónios das entidades. Assim, a Contabilidade é entendida como a ciência, conhecida também
como, a técnica ou arte, que estuda, interpreta e regista os factos que afectam o património de uma
entidade (Lopes, et al, 2019).

O presente conceito, embora genérico é bastante associado ao da Contabilidade Geral, também


conhecida como Contabilidade Financeira pois, esta, se ocupa do registo dos factos patrimoniais das
entidades privadas. Assim sendo, a Contabilidade Geral tem como objecto de estudo o património
das entidades privadas (de propriedade de cada empresa), definido como o conjunto de bens, direitos
e de obrigações.

Assim, o facto da Contabilidade Geral ocupar-se pelo estudo do património de propriedade privada,
ela tem como objectivo, e segundo o PGCA1, fornecer um conjunto de informações financeiras úteis
sobre a posição financeira, desempenho e alteração na posição financeira a um conjunto de
utilizadores externos e internos nos seus processos de tomada de decisões.

Ainda segundo a Estrutura Conceptual do IASB2 de Março de 2018, a Contabilidade Financeira tem
como objectivo fornecer um conjunto de informações financeiras sobre a entidade que relata e que
sejam úteis a um conjunto de utilizadores, dos quais se destacam os investidores, os mutuantes e
outros credores existentes ou potenciais nos seus processos de tomada de decisões sobre o
fornecimento de recurso à entidade. Todavia essas decisões são tomadas com base a um conjunto de
mapas financeiros, os quais são denominadas de demonstrações financeiras.

1.1.2. Demonstrações financeiras

As demonstrações financeiras são uma forma particular de relatórios financeiros que fornecem
informações financeiras que sejam úteis aos utilizadores para avaliarem as perspectivas futuras de
entradas líquidas de caixa a entidade e a administração dos recursos económicos pela entidade.

Desta feita, no processo de elaboração das demonstrações financeiras, segundo o PGCA e o IASB, é
necessário ter em conta os pressupostos fundamentais como:

1
Plano Geral de Contabilidade Angolano aprovado mediante o Decreto-lei 82/01.
2
International Accounting Standards Boards (IASB), anterior International Accounting Standards Committee (IASC), é
o órgão internacional harmonizador e normalizador da contabilidade a nível do mundo responsável pela emissão das
anteriores International Accounting Standards (IAS) e das actuais International Financial Reporting Standards (IFRS).
Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 1
• Princípio da continuidade, este estabelece que as demonstrações financeiras são normalmente
elaboradas neste pressuposto, isto é, não há intenção de liquidar a entidade, mas se for esse o
caso a entidade deve divulgar esse facto nas suas demonstrações financeiras e preparar as
mesmas na base de liquidação.
• Princípio do acréscimo ou da especialização do exercício, este estabelece que as transações e
outros acontecimentos devem ser registado nas demonstrações financeiras do período que
dizem respeito e não quando caixa e seus equivalentes são recebidos ou pagos.

Assim os principais mapas financeiros da Contabilidade Geral ou Financeira, previsto no PGCA, são:

a. o balanço: esta demonstração contabilística destina-se a apresentação quantitativa e qualitativa


em uma determinada data a posição patrimonial e financeira de uma dada entidade;
b. a demonstração dos resultados: este mapa contabilístico é destinado à apresentação dos
resultados de uma entidade em um dado período;
c. a demonstração de alteração nos capitais próprios: este mapa contabilístico é destinado a
apresentar as alterações nos capitais que não tenham origem em transações de capital ou
distribuições de resultados aos acionistas; e por fim
d. a demonstração de fluxos de caixas: esta demonstração contabilística é destinada a evidenciar
como foi gerado e utilizado os meios monetários do período.

1.2. Contabilidade Pública.


1.2.1. Contabilidade Pública - campo de aplicação; conceito; objecto de estudo e sua variação
e; objectivos.
Em função da necessidade de ser pôr cobro à execução orçamental dos Estado, surge o que é hoje
denominada de Contabilidade Pública. Assim sendo, a contabilidade aplicada à administração pública
denomina-se Contabilidade Pública.

No caso de Angola, e segundo o artº. 43º da LQOGE Lei 15/10, de 14 de Julho, estabelece que a
Contabilidade Pública deve evidênciar perante o Estado ou a Autarquia, toda a situação dos agentes
públicos que arrecadam receitas, efectuem despesas, produzem bens ou serviços, executem obras ou
serviços, guardem ou administrem bens a ele pertencentes ou confiados. Assim a Contabilidade
Pública é de aplicação a Administração Central e Local do Estado, a Administração Autárquica, incluindo
os Fundos e Serviços Autónomos, as Instituições sem fins lucrativos financiadas maioritariamente pelo Estado
e a Segurança Social.

Assim sendo, a Contabilidade Pública é definida como o ramo da contabilidade que regista e controla
o património público, evidenciando as suas variações e os consequentes resultados, inclusive sociais,

Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 2


decorrentes dos actos e factos de natureza orçamentária, financeira e patrimonial nas entidades da
Administração Pública (Instituto de Formação e Desenvolvimento, 20113).

Ainda Azevedo, Lima e Lima (2004, p.87), definem a Contabilidade Pública como o ramo da
Contabilidade que aplica na administração pública as técnicas de registo dos actos e factos
administrativos, apurando resultados e elaborando relatórios periódicos, tendo em conta as normas
de direito financeiro, os princípios gerais de finanças públicas e os princípios de Contabilidade.

Desta feita, a Contabilidade Pública tem como objecto de estudo o património público, pois, como
nos lembra Bezerra Filho (2006, p.132), o objecto da Contabilidade pública é o património público,
excepto os bens públicos de uso comum, como praças, estradas, ruas, etc.

Logo entende-se por património público ao conjunto de bens e direitos, tangíveis ou intangíveis,
onerosos ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades
do sector público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente
à prestação de serviços públicos ou à exploração económica por entidades do sector público e suas
obrigações.

Todavia, o património pode ser observado sob a forma qualitativa e quantitativa. O património sob
forma qualitativa corresponde a composição do respectivo património, isto é, o conjunto de bens
direitos e obrigações que compõem o património de uma entidade, neste caso, pública. Já o
património sob a forma quantitativa refere se ao valor do respectivo património, isto é, quanto está
avaliado cada um dos componentes do respectivo património.

No entanto, o património público, e como apresentado acima, é constituído por um conjunto de bens
e direito do Estado, os quais são chamados de activo e; um conjunto de obrigações do Estado, os
quais são chamados de passivos. Entretanto, da comparação entre os activos e os passivos de uma
dada Entidade Pública, podemos obter a situação líquida que podem ser:

a) Situação Líquida positiva - quando a soma dos activos é superior à soma dos passivos;
b) Situação Líquida nula - quando a soma dos activos é igual aos dos passivos; e
c) Situação Líquida negativa - quando a soma dos activos é inferior à soma dos passivos.

Apesar do objecto de estudo da Contabilidade Pública ser o património público, formado por bens,
direitos e obrigações do Estado, ela (a Contabilidade Pública) não se limita a evidenciar as alterações
verificadas no património. Porém, os registos contabilísticos contemplam, ainda, a execução
orçamentária da receita e da despesa e se estendem a situações que não afetam de imediato o

3
(Desenvolvimento, 2011)
Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 3
património, mas que potencialmente possam vir a afetá-lo, como é o caso da assinatura de contratos,
o aval, a fiança, etc.

Desta feita, a Contabilidade Pública aplicada à administração pública tem como objectivo fornecer
informações actualizadas e exactas:

Ø à administração para subsidiar as decisões dos gestores;


Ø aos órgãos de controlo interno e externo, para o cumprimento da legislação; e
Ø às instituições governamentais e particulares, para fins estatísticos ou de interesse dessas
instituições.

1.2.2. Sistemas contabilístico aplicado à Contabilidade Pública

Entende-se por sistema contabilístico a forma como está organizada a contabilidade e os elementos
que dele fazem parte. Desta feita, e segundo o art. 2º da Lei 36/09 de 12 de Agosto que aprova e
regulamenta o sistema contabilístico angolano, quanto a organização, este estabelece que o Sistema
Contabilístico do Estado é integrado por órgãos Fundamentais, Instrumentos Fundamentais e
Produtos Fundamentais. (Finaças, 2009)
Assim, e segundo o art. 3º da Lei 36/09, são órgãos fundamentais a Direcção Nacional da
Contabilidade, como os órgãos Centrais e Sectoriais. E os órgãos Sectoriais são aquelas Unidades
Orçamentais as quais são atribuidas a responsabilidade pela gestão orçamental, financeira e
patrimonial dos órgãos de Soberania, da Administração Central e Local do Estado, dos Institutos
Públicos, dos serviços e fundos Autónomos e a Segurança Social.
Ainda segundo o art. 4º da Lei 36/09, são Instrumentos Fundamentais os seguintes:
a) o Plano de Contas do Estado e as tabelas diversas, que permitem, mediante o método das
partidas dobradas, efectuar os registos contabilísticos dos factos orçamentais, financeiros e
patrimoniais;
b) a plantaforma informática, denominada Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado
(SIGFE), que possibilita em tempo real e de forma integrada e em segurança o registo
contabilístico e o controlo da execução orçamental, financeira e patrimonial do Estado; e
c) os livros contabilísticos (diário e razão) nos quais são compilados os registos contabilísticos
sobre a execução orçamental, financeira e patrimonial do Estado.
Finalmente, os Produtos Fundamentais, e segundo o art. 5º da Lei 36/09, são:
a) as demonstrações financeiras;
b) os balancetes;
c) os relatórios de execução orçamental e financeira;

Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 4


d) a Conta Geral do Estado a ser submetida ao Tribunal de Conta e à Assembeleia Nacional,
nos termos da lei; e
e) os relatórios para a gestão.
Entretanto, como descrito anteriormente, e segundo o art. 45º da LQOGE, o registo na Contabilidade
Pública é efectuado de tal modo que evidencie os factos ligados a administração orçamental,
financeira e patrimonial, o que pressupõe efectuar o registo em dois sistemas:
I. Sistema de escrituração orçamental, este é efectuado com base ao critério de caixa; e
II. Sistema de escrituração patrimonial, este é efectuado tendo em conta o princípio do
acréscimo, ou seja, segundo o princípio de especialização do exercício.
Todavia, o Estado angolano dispõe do Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE),
que é o instrumento que visa assegurar a dinâmica e a eficácia da execução financeira descentralizada
do OGE (art. 1º do decreto n 73/01). No entanto, para efeito de registo contabilístico e no SIGFE, e
segundo o art. 2º do DP nº 1/17, são utilizados, entre outros, os documentos seguintes:
• DAR – Documento de Arrecadação de Receita, utilizado para arrecadação de receitas;
• GR – Guia de Recebimento, utilizado para o depósito de outras receitas, cauções e devolução
de recursos;
• Bordereau Bancário, utilizado para a entrada de recursos provenientes de financiamento
interno;
• NRF – Necessidades de Recursos Financeiros, utilizado para solicitar à Direcção Nacional do
Tesouro a real necessidade de recursos financeiros;
• OT - Ordem de Transferência, utilizado pela Direcção Nacional do Tesouro para transferir
recursos financeiros;
• OS – Ordem de Saque, utilizado para efectuar pagamentos em nome do Estado;
• NCD – Nota de Cabimentação de Despesa, utilizado para identificar a classificação
orçamental e a importância de cada despesas a efectuar em nome do Estado;
• NACD – Nota de Anulação de Cabimentação de Despesa, utlizado para anular a cabimentação
processada.
Contudo o sistema contabilístico angolano tem a função de permitir, orientar, registar e controlar, a
execução orçamental, financeira e patrimonial do Estado.

1.2.2.1. Princípios, normas e métodos aplicado à Contabilidade Pública

A Contabilidade Pública angolana, como descrito no ponto anterior, é regulamentada através do


Decreto nº 36/09 que aprova o Regulamento do Sistema Contabilístico do Estado e o Plano de Contas
do Estado (PCE).
Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 5
Assim sendo e segundo o nº 4 do art. 13º do citado Decreto, este estabelece que a escrituração
contabilística deve obedecer, a quando da execução orçamental, o princípio da especialização, no
qual as receitas e as despesas são incluidas no apuramento do resultado do período que ocorrem,
independentemente da data de recebimento ou de pagamento.
Ainda segundo o citado Decreto, nos nº 1 e 3 do art. 17º, este estabelece que as informações
produzidas pela Contabilidade Pública devem demonstrar com clareza a situação de todos os agentes
públicos que arrecadem receitas, efectuem despesas, produzem bens, executem obras ou serviços,
guardem ou administrem bens pertecentes ao Estado. Para isso a informação produzida deve reunir
as características da fiabilidade, tempestividade, compreensibilidade e comparabilidade.
v A característica da fiabilidade, esta estabelece que as informações contabilísticas produzidas
devem ser verdadeiras e consistentes;
v A característica da tempestividade refere-se à oportunidade ou o prazo de validade da
informação contabilistica, isto é, quando se torna disponivel aos utilizadores;
v A característica da compreensão diz respeito a clareza e a objectividade com que a informação
contabilística é divulgada; e
v A característica da comparabilidade, esta estabelece que as informações contabilísticas
possam ser comparadas entre períodos e entidades.
Finalmente, e segundo o Decreto nº 36/09, no capitulo III, normas de Contabilidade Pública, no nº 1
do art. 13º e no art. 46º da LQOGE, estes estabelecem que as operações orçamentais, financeiras e
patrimoniais devem ser efectuadas pelo método das partidas dobradas, tendo em conta o Plano de
Contas do Estado, de forma a evidenciar a situação dos bens, direitos, obrigações e o património
líquido.

2. O Orçamento Geral de Estado como fonte de registo da Contabilidade Pública


2.1. Noções gerais sobre o OGE
2.1.1. Conceito de OGE
O Estado, normalmente, procura satisfazer as necessidades colectivas mediante a realização de
despesas públicas, e para esse feito tem de arrecadar receitas que permitam cobrir as despesas. O
documento onde é expresso essa intenção, e com a periodicidade de um ano, denomina-se orçamento.

O OGE representa uma previsão, em regra anual, das despesas a realizar pelo Estado e os processos
de as cobrir, incluindo a autorização concedida à Administração Financeira para cobrar as receitas e
realizar as despesas e, limita os poderes financeiros da Administração em cada período (Nunes, 2019).

Ainda segundo no nº 1 do art. 3º da lei nº 15\10, o OGE é descrito como o instrumento programático
aprovado por lei específica de que se serve a administração do Estado e a administração Autárquica,

Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 6


incluindo os correspondentes Fundos e Serviços Autónomos, as Instituições sem fins lucrativo
financiadas maioritáriamente pelo Estado e a Segurança Social, para gerir os recursos públicos de
acordo com os princípios da unidade, universalidade, anualidade e publicidade. Assim, o OGE:

Engloba as receitas e as despesas do Estado, incluindo as das Instituições sem Fins


Lucrativo financiadas maioritariamente pelo Estado, as dos Serviços e Fundos Autónomos e
da Segurança Social.
Representa um documento único, entendido como uma previsão, em regra anual, das
despesas a realizar pelo Estado e a cobertura das mesmas.
Inclui uma autorização concedida à Administração Financeira para cobrar receitas e realizar
despesas, ou seja, limita os poderes financeiros da Administração Pública em cada período
anual.
Logo, o OGE:
Expressa uma intenção e uma política pública;
Estabelece um contrato entre o Estado e outros Organismos;
Tem força de Lei, pois é aprovado pela Assembleia Nacional (art. 161º da
Constituição);
Autoriza a realização de despesa para objectivos específicos;
Limita e restringe a despesa;
Estabelece restrições na utilização dos recursos do Estado.
2.1.2. Classificação orçamental
A classificação orçamental refere-se a forma como pode ser apresentado o orçamento. Assim temos:

Classificação orgânica - segundo a orgânica governamental esta pode ser apresentada por
ministérios, secretarias de Estado, governos provinciais, etc.

Classificação económica - distingue receitas e despesas correntes e de capital.

Classificação funcional - esta pode ser apresentada em funções gerais de soberania, funções
sociais, económicas, outras, etc.

2.1.3. Princípios orçamentais


Os princípios orçamentais são os elementos a ter em conta a quando da elaboração do orçamento.
Assim para o caso de Angola esses princípios têm respaldo no nº 2 do art. 104º da Constituição de
2010, os quais são apresentados de modo abragente na Lei Quadro do Orçamento Geral do Estado
(LQOGE), Lei nº 15/10, de 14 de Julho, a qual estabelece os princípios como o da anualidade, da
plenitude, da discriminação, do equilíbrio e da publicidade.

Walinga, elaborado por Eurico Chicundico, MSc. 7


O princípio da anualidade: segundo o art. 4º da Lei nº 15/10, o OGE é anual, coincidindo com o
ano civil, isto é, implica uma votação e aprovação do mesmo, em cada ano, por parte da Assembleia
Nacional.
O princípio da plenitude ou integridade: este princípio compreende o da unidade e o da
universalidade. Logo, o art 5º da Lei nº 15/10 estabelece que, o OGE é unitário e compreende todas
as despesas e receitas de todos os Fundos e Serviços Autónomos, Instituições sem fins lucrativos
financiadas maioritariamente pelo Estado e a Segurança Social.
O princípio da discriminação orçamental: este princípio respeita a forma como se inscrevem as
receitas e as despesas no orçamento tendo em conta o princípio da especificação, da não compensação
e da não Consignação:
O princípio da especificação - este estabelece que cada despesa e receita devem ficar
individualizada, isto é, as receitas são descritas de acordo com a classificação económica e
por fonte de recurso e as despesas são fixadas segundo uma classificação institucional,
funcional-programática e económica (art. 9º e 12º Lei nº 15/10).
O princípio da não compensação - este estabelece que as receitas e as despesas devem ficar
inscritas no OGE em valores brutos e não líquidos, ou seja, sem considerar a perspectiva de
qualquer eventual compensação ou desconto a ser obtido durante a sua execução (nº 5 do art.
8º e 5º da Lei nº 15/10).
O princípio da não consignação - este princípio está previsto na alinea b) do art. 21º da Lei
nº 15/10, a qual estabelece que “não devem existir receitas que fiquem afectas à realização de
despesas em concreto”, ou seja, as receitas deverão incorporar um “bolo” a partir do qual serão
pagas todas as despesas.
O princípio da publicidade: este princípio vem implícito no nº 1 do art. 3º da Lei nº 15/10, o qual
faz menção da necessidade da sua publicidade, pois trata-se de um documento de utilidade publica.
O princípio de equilíbrio: este princípio está previsto no art. 7 da Lei nº 15/10, o qual estabelece
que o orçamento deve prever os recursos necessários para cobrir todas as despesas. Todavia o
princípio de equilíbrio pode ser de dois tipos:
1. Equilíbrio formal: é quando o total das despesas são iguais ao total das receitas; e
2. Equilíbrio corrente: este princípio é cumprido quando o total das receitas correntes são
iguais ao total das despesas correntes. Assim o equilíbrio corrente deve existir “salvo se a
conjuntura do período a que se refere o orçamento justificadamente o não permitir” (nº 3 do
art. 7º da Lei nº 15/10).
Entretanto, na observação do princípio do equilíbrio há necessidade de se ter em conta os seguintes
aspectos:

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a) Despesa Corrente Primária - que é considerada a despesa originária do Estado, isto é, a
diferença entre as despesas corrente e Juros e de Financiamento (nalguns casos também
subtraindo as medidas temporárias, quando estas existam); e
b) O saldo Corrente Primário (Saldo Primário) - que é a diferença entre as Receitas Corrente e
as Despesa Corrente Primária. Logo deve-se observar a “Regra de Ouro”, que consiste em
existir sempre Superavit no Saldo Corrente.

Contudo, a respeito do princípio do equilíbrio, e de uma forma resumida, temos a tabela abaixo:
Princípio do equilíbrio
Equilíbrio Formal Total das Receitas = Total das Despesas

Equilíbrio Corrente Total de Receitas Correntes = Total de Despesas Correntes

Despesa Corrente Primária = Despesas Corrente - Juros de Finaciamento


Saldo Corrente Primário (Saldo Primário) = Receitas Correntes - Despesas Correntes Primária

2.1.4. Regras de execução orçamental


Os órgão da Administração Central e Local do Estado, incluindo os orgãos de soberania dependentes
do OGE devem, a quando da execução orçamental, observar rigorosamente os critérios de gestão em
vigor para que seja assegurada a racional aplicação dos recursos públicos disponíveis visando a
satisfação das necessidades colectivas.

Assim, o orçamento como o documento de previsão, geralmente anual, das despesas a realizar e das
receitas a arrecadar para as cobrir, a quando da sua execução, é necessário ter se em conta algumas
regas básicas, quer na execução da receita como da despesa.

Todavia, a execução do OGE obedece ao princípio da legalidade formal do ponto de vista financeiro.
Assim quanto a receita temos as regras básicas seguintes:

Nenhuma receita pode ser cobrada pelo Estado, mesmo que seja legal, sem que, cumulativamente:

- Tenha sido objecto de inscrição orçamental;

- Esteja adequadamente classificada no orçamento;

- Exista deliberação do órgão adequado, estabelecendo, nos termos da Lei, as taxas a cobrar,
as tarifas, os preços das prestações de serviços públicos, os impostos, etc.

No entanto a liquidação e a cobrança de receita pode ser efectuada para além dos valores previstos
no orçamento.

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No que diz respeito a execução da despesa, e segundo o art 6º da DP nº 1/17, o art 30 da LQOGE e o
art. 9º da lei que aprova o OGE de 2020, nenhuma despesa pode ser autorizada ou paga sem que,
cumulativamente:

a) o facto gerador da obrigação da despesa respeite as normas aplicaves; e

b) a despesa esteja previamente inscrita no OGE, tenha cabimento na progamação financeira,


esteja adequadamente classificada e satisfaça os princípios da economia, eficiência e eficácia.

Na execução da despesa, ainda a necessidade de ter em conta a figura das cativações, que é um
instrumento de gestão que serve para limitar a despesa de uma determinada rubrica orçamental, isto
é, para suprir eventuais insuficiência na arrecadação das receitas.

De sublinhar que, segundo o art. 67º da LQOGE, a inobservancia das regras de execução orçamental
pode incorrer os seus autores em responsabilidade administrativa, civil e criminal, nos termos da lei.

Ainda a quando da execução orçamental a que ter em contas os créditos orçamentais que são um dos
tipos de alteração orçamental. Assim, segundo o art 26º da LQOGE, podem ser de dois tipos:

1. Crédito inicial: quando instituido pela Lei orçamental; e


2. Crédito adicional: consiste na autorização de despesas não previstas ou insuficientes no
orçamento e, esta pode ser:
a) Suplementares, quando se destinam ao reforço de dotação orçamental;
b) Especiais, quando destinado a atender despesas para os quais não haja dotação
orçamental específica na Lei Orçamental.
c) Extraordinárias, quando destinados a atender despesas urgentes e imprevistas,
decorrentes de guerra, perturbação interna ou calamidade pública.
Os créditos suplementares e especiais, segundo o art. 27º da LQOGE, são autorizado por decreto
presidencial, e a Lei Orçamental pode prever autorização ao Presidente da República para abrir os
créditos suplementares. Já para o caso dos créditos extraordinários, o presidente deve dar a conhecer
a Assembleia Nacional.

2.2. Receita Pública – Conceito; Classificação da receita pública; Receita efectiva e não
efectivas; Receita extraorçamentária; Etapas ou fases da receita pública e forma de registo
contabilístico

2.2.1. Conceito de receita pública


As receitas públicas por representarem o principal instrumento para a prossecução do interesse
público, e por ser uma das mais importantes componentes da actividade financeira do Estado e das

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demais entidades públicas, está sujeita a legislação vigente sobre as finanças públicas e o direito
financeiro.
Assim, entende-se por receita pública a qualquer recurso obtido durante um dado período financeiro,
mediante o qual o sujeito público pode satisfazer as necessidades públicas. Logo, e segundo art. 8º da
LQOGE, constituem receitas orçamentárias todas as receitas públicas, cuja titularidade é o Estado ou
a Autarquia, assim como as dos õrgão que dele dependem, inclusivel as relativas a serviços e fundos
autónomos, bem como as doações e as de operações de crédito.
2.2.2. Classificação da receita pública
A classificação da receita pública refere-se a forma como são observadas e apresentadas no plano
orçamental. Assim, segundo o art. 9º da lei nº 15/10, Lei Quadro do Orçamento Geral do Estado,
estabelece que as receitas obedecem à duas classificações: a económica e a por fonte de recurso.
I. A classificação económica da receita corresponde a forma como são geradas as receitas, e
estas são agrupadas em receitas correntes e de capital.
Assim, são receitas correntes aqueles que proveem da actividade corrente do Estado, como
são o casos das receitas tributárias, patrimoniais, de serviço, assim como as transferências
recebidas para atender quaisquer despesas, diga se despesas correntes (nº 2 do art. 10º
LQOGE). Já as receitas de capital são as provenientes da realização de recursos financeiros
através de operações de créditos e da conversão em espécie de bens e de direitos duradouros,
bem como os saldos não comprometidos de exercícios anteriores.
II. A classificação da receitas por fonte de recursos, segundo o art. 11º da LQOGE, é aquela que
estabelece a necessidade da sua identificação quanto a sua origem e destino da receita. Logo,
quanto a sua origem, estas podem ser:
a) Receita ordinária do tesouro ou da autarquia;
b) Receitas próprias;
c) receitas de doações;
d) receitas de financeamento; e
quanto ao destino, estas podem ser:
a) Receita ordinária do tesouro ou da autarquia quando livre de qualquer restrição;
b) Receitas consignadas, quando afectadas a um determinado fim.

Independentemente das classificações da receita, acima apresentadas, estas ainda, quanto a sua
entrada nos cofres do Estado, podem ser de dois tipos, as chamadas receitas efectivas e as não
efectivas.

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2.2.3. Receita efectiva e não efectivas
As receita por serem o conjunto de meios monetários que entram na Conta Única do Tesouro, elas
podem ser reembolsáveis e/ou não reembolsáveis. Logo estas podem ser receita efectiva ou não
efectiva, respectivamente.

Assim as receitas efectivas são aquelas que aumentam o património ou riqueza do estado, e não
geram qualquer encargo, como são os caso dos impostos, as taxas, as contribuições e, em alguns casos
as doações.

Por outro, as receitas não efectivas, também chamadas de receitas por mutação patrimonial, são
aquelas que representam um aumento do patrimóno monetário do Estado, ou seja, são aquelas
receitas que aumentam os valores monetários nos cofres do Estado e, simultanêamente, aumentam
o passivo, ou seja, a obrigatoriedade da sua devolução. São exemplos das receitas não efectivas os
créditos e empréstimos de médio e longo prazo.

2.2.4. Receita extraorçamentária


No que respeitas as receitas inscritas no orçamento de Estado, como comummente é apresentado no
orçamento de Angola sob a classificação económica ou por fonte de recurso, estas (as receitas) ainda
quanto a sua ocorrência podem ser sob a forma de receita extraorçamental.

Assim, as receitas extraorçamentais são entendidas com aquelas receitas que qualitativamente não se
repetem em todos os ciclos orçamentais e que não constam da OGE e que corresponde entrada de
caixa ou crédito e que o estado tem a obrigação de devolver. Assim são exemplos desta:

Serviço da dívida a apagar; operação de crédito para antecipar receitas; depósitos diversos
reembolsáveis; valores em poder de Agentes Financeiros e outras entidades; salários não reclamados,
resto a pagar (quando está na programação financeira); valores transitórios como cauções, depósitos
judiciários, IVA a recuperar, etc.

2.2.5. Etapas ou fases da receita pública


As receitas como o elemento que permite o Estado materializar a sua política, através da realização
de despesas públicas, para a efectivação da mesma, é necessário percorrer um conjunto de etapas
para a sua concretização como receita do Estado.

Desta feita, e após a aprovação da correspondente receita através da lei do orçamento de cada
exercício económico e na qual é apresentada a previsão de arrecadação da respectiva receita publica,
são ainda etapas para a sua materialização as seguintes:

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a) a liquidação que é a fase que consiste na emissão do documento que servirá de base de
cobrança, e na qual é especificado o tipo de receita e a forma de pagamento. Porém, e segundo
o art. 10º do Decreto Presidencial nº 223/18 de 14 de Setembro, que regulamenta o sistema de
arrecadação de receitas públicas, estabelece que o documento de cobrança é o instrumento
usado para a liquidação, pagamento e arrecadação de receitas, e este documento é
disponiblizado ao contribuinte no momeento da liquidação do imposto, taxa, contribuição,
multa, ou outras receitas públicas.
b) a cobrança é a fase que corresponde a entrada efectiva dos meios monetários nos cofres do
Estado. E segundo o art. 16º do Decreto Presidencial nº 223/18 de 14 de Setembro, que
regulamenta o sistema de arrecadação de receitas públicas, este estabelece que a arrecadação
da receita pública da-se como o pagamento, mediante a Referência Única de Pagamento do
Estado (RUPE), que é obtido através da nota de liquidação.

2.3 Despesa Pública – Conceito; Classificação da despesa pública; Despesa efectiva e não
efectiva; Despesa extraorçamentária; Etapas da despesa pública e forma de registo
contabilístico

2.3.1. Conceito de despesa pública


O Estado na prossecução do interesse público, que consiste na satisfação das necessidades da
colectividade, socorre-se de um instrumento (orçamento) de intervensão na vida dos munícipes,
através da realização de despesas públicas.
Face a isso, as despesas públicas são entendidas como o gasto de dinheiro ou o dispêndio de bens
por parte de entes públicos para criar ou adquirir bens susceptiveis de satisfazerem as necessidades
da colectividade.
Assim, e segundo o art. 12º da LQOGE, as despesas orçamenetais são todas as despesas públicas
cometidas ao Estado ou à Autarquia, bem como aos organismo que dele dependem, inclusive aos
Fundos e Serviços Autónomos, as Instituições sem fins lucrativos financiada maioritariamente pelos
poderes públicos e a Segurança Social.

2.3.2. Classificação da despesa pública


A classificação da despesa refere-se a forma como esta é apresentada no orçamento. Logo, e segundo
o art.º 13º da LQOGE, as despesas podem ser apresentadas conforme as classificações seguintes:
a) Classificação institucional;
b) Classificação funcional-programática; e
c) Classificação económica.
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A classificação institucional engloba o conjunto das unidades orçamentais e respectivos órgão
dependentes (art 14º da LQOGE). Desta feita, entende-se como unidade orçamental o órgão do
Estado, da Autarquia, ou o conjunto de órgãos, ou de serviços da Administração do Estado ou
Administração Autárquica, fundos e serviços autónomos, instituições sem fins lucrativos financiadas
maioritariamente pelos poderes públicos e a segurança social a quem forem consignadas dotações
orçamentais próprias.
A classificação funcional-programática, esta visa vincular a despesa orçamental a acções, aos
objectivos e às metas, observado, para esse feito, as opções de política económica (art 15º da
LQOGE). Esta classificação, ainda, compreende três níveis de agregação:
a) por função, que corresponde ao mais elevado nivel de agregação da acção gorvernamental,
nos diferentes sectores, sendo também subdividida em sub funções. São exemplo desta as
funções de soberania, sociais, como saúde, educação, etc.
b) por programa, é através desta classificação que se estabelece os produtos finais que concorrem
para solução dos problemas sociais e podem ser detalhado em sub-programas.
c) por actividade ou projecto, onde a primeira (actividades) que corresponde as acções que se
realiza de modo contínuo e permanente e que se relacionam com a manutenção e operações
dos órgão das unidades orçamentais. Já a segundo (projecto), são as acções limitadas no
tempo, associada a metas, que concorrem para a expansão ou o aperfeçoamento dos encargos
que integram as unidades orçamentais.
Finalmente, a classificação económica da despesa, assim como da receita, compreende a duas
categorias, nomeadamente a despesa corrente e de capital.
Assim as despesas correntes são aquelas destinadas à manutenção ou operacionalização de serviços
anteriormente criados, bem como as transferência realizadas com igual propósito (nº 2 do art. 16º
LQOGE). Já as despesas de capital são aquelas destinadas a formação ou aquisição de activos
permanentes, à amortização da divida, à concessão de financiamentos ou à constituição de reservas,
bem como as transferências realizadas com igual propósito.
Todavia, para além da classificação da despesa acima apresentada, estas ainda podem ser, quanto a
sua realização, efectivas ou não efectivas.
2.3.2.1.Despesa efectiva e não efectiva
No processo de execução do orçamento é possivel identificarmos um conjunto de despesas que
dininuem ou não o património do Estado.
Assim as despesas que representem uma diminuição do património monetário do Estado são as
chamadas despesas efectivas, como são a título de exemplo as despesas com o pessoal, juros da
divida. Por outra, quando as despesa não diminuem o património do Estado, são chamadas de

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despesas não efectiva. Assim, são exemplo de despesas não efectivas os investimentos, amortização
da divida, etc.

2.3.2.2. Despesa extraorçamentária


Como apresentado anteriormente a respeito da receita pública, no caso da despesa pública, esta
também ocorre, a quando da execução do respectivo orçamento, aquilo que normalmente é designado
de despesa extra-orçamental.
Desta feita, a despesa extra-orçamental é descrita como aquela que qualitativamente não se repete em
todos os ciclos orçamentais e que não consta do OGE, compreendendo a saída de numerário
decorrente do pagamento de receitas extraorçamentárias. Assim exemplo de despesa extraorçamental
temos: as devoluções de depósitos, de cauções, pagamento de restos a pagar, pagamento de dívidas
de antecipação de receitas, quaisquer saída de dinheiro para pagamento de recursos transitórios, etc.

2.3.3. Etapas ou fases da execução da despesa pública


As etapas da despesa pública corresponde as diversas fases ou estágios desde a inscrição da dotação
no orçamento aprovado pela lei orçamental pela autoridade competente, a emissão da nota de
cabimento, que consiste em se deduzir da dotação orçamental a parecela necessária para a realização
da despesa aprovada e que de igual modo assegura ao fornecedor o fornecimento do bem ou a
prestação do serviços correspondente (art. 31º LQOGE), até a:
a) liquidação da despesa - que corresponde a verificação do direito do credor com base nos
titulos e documentos comprovativo do respetivo crédito que, normalmente, é feita mediante a
apresentação do contrato e a respectiva factura (art. 32º LQOGE); e
b) pagamento da despesa - que é a liquidação do crédito (divida). Geralmente é feita mediante
uma ordem de saque (art. 33º LQOGE).

2.4. Dívida Pública - conceito; classificação no prazo e na espécie; contabilização e envolvimento


com controlo na estrutura de despesas e nos orçamentos de períodos futuros
Normalmente, os estados para fazerem face as insuficiências de recursos para a prossecução do
interesse público socorrem-se de um instrumento designado de crédito público, os quais geram as
chamadas dívidas pública.

Desta feita e segundo o art 2º da Lei 1/14 de 6 de Fevereiro, Lei do Regime Jurídico de Emissão e
Gestão da Divida Pública Directa e Indrecta, define como divida pública o cunjunto das situações
passivas que resultam para o Estado do recurso ao crédito público e que pode ser directa ou indirecta.

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Ainda segundo o mesmo artigo, define como dívida pública directa aquela em que o Estado ou outro
ente público é o devedor efectivo de determinadas quantias monetárias, pela qual responde as suas
receitas. Já a dívida pública indirecta é aquela em que o Estado ou outro ente público responde
subsidiariamente pela divida de terceiro.

Assim, o endividamento público não é uma matéria de pouca importância, como afirma Nunes,
(2019), pois trata-se de um indicador que permite medir a saúde financeira de qualquer país.

As dívidas públicas em Angola podem assumir a forma de obrigações do tesouro, bilhetes do tesouro,
certificado de poupança, e notas permissórias, certificados especiais de divida publica, nº 3 do art.º
11º. Ainda segundo o nº 3 do art. 71º da LQOGE estabelece que a divida pública angolana interna e
externa não de exceder a 60% do Produto Interno Bruto.

2.4.1. Classificação no prazo e na espécie


Quanto a classificação no prazo a divida pode ser consolidada ou fundada e flutuante (art. 57º e 53º
LQOGE, art.º LRGEGDPI). Assim a dívida fundada são as obrigações assumida em um determinado
período orçamental e que deve e são pagas à posterior, em um período superior a um ano, as quais
destinam-se a satisfação de necessidades permanentes.

As dívidas flutuantes, estas correspondem as obrigações de curto prazo, as quais são pagas no mesmo
exercício em que são contraídas, ou no ano seguinte, mas com recurso do exercício que diz respeito
ao exercício em que foi contraído. São dívidas que visão satisfazer necessidades momentâneas de
tesouraria. São exemplos desta, os Bilhetes do Tesouro.

Quanto a espécie a dívida é classificada em principal e acessória. Assim, entendendo-se por dívida
principal as contraídas devido a operações de crédito que foram praticadas no seu interesse principal
ou até exclusivo do estado.

A acessória é aquela que o Estado aparece como acessório, como o garante de outro sujeito público
ou privado. Exemplo o aval do Estado.

3. Principais relatórios contabilísticos


Os relatórios contabilístico normalmente são elaborados com a periodicidade de um ano, ou seja,
segundo o art 36º da LQOGE, estabelece que o exercício financeiro coincide com o ano civil. Assim
as demonstrações financeiras segundo o nº 1 do art 18º do Decreto nº 36/09 estabelece que se
consideram demonstrações financeiras os demonstrativos da receita prevista e da despesa autorizada
(balanço orçamental), o balanço financeiro e o patrimonial e a demonstração das variações
patrimoniais.

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3.1. Inventário: conceito; finalidades; fases do inventário; instrumentos para controlo da
movimentação de bens públicos.
Segundo o art 55º da LQOGE, o inventário é o controlo feito mediante levantamento dos bens e dos
títulos representativos de crédito, que têm por base o inventário analítico, estruturado segundo o
responsável pela guarda.
3.2. Balanços Públicos
Os balanças públicos, este podem ser de três tipos e uma demonstração das variações patrimoniais,
que constituem as demonstrações financeiras no âmbito da Contabilidade Pública. Tas demonstrações
financeiras são expostos na sequência

i. Balanço orçamentário – este e segundo o art.º 59º da LQOGE, é a demonstração da receita


prevista e a despesa autorizada, em confronto com a realizada, evidenciado, para efeito a
diferença resultante desta comparação. Assim em termos de estrutura temos:

ii. Balanço financeiro - este e conforme o art.º 60º da LQOGE, é a demonstração da receita e
da despesa orçamental, bem como os pagamentos e recebimentos de natureza extra-
orçamental, conjugadas com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior e os que
se transferem para o exercício seguinte.

iii. Balanço patrimonial – este e segundo o art.º 61º da LQOGE, evidencia os activos, passivos,
subdivididos em circulante, realizavel e/ou exigivel a longo prazo e patrimonio líquido

iv. demonstração das variações patrimoniais - esta demonstração, segundo o art.º 62º, destina-
se a evidenciar as mutações verificadas no património, bem como o apuramento do resultado
doexercício.

4. Contabilidade Publica como instumento de controlo orçamental: conceito e fundamentação


do controlo interno e externo

O controlo e fiscalização orçamental, financeiro e patrimonial, segundo o art.º 63º da LQOGE, é feito
pela administração do Estado e dos órgão que dele dependem, esta é exercida pela Assembeleia
Nacional e pelo Tribunal de Contas a nivel do controlo externo, e pelo Presidente da República,
através de seus órgão especializados, a nivel do controlo interno.
Segundo o art 22º a direcção Nacional de Contabilidade ( acompanhas as actividades de execução do
orçamento) e a Inspecção Nacional das Finanças (inspeciona e fiscaliza).

Accountability

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Qualidade da pessoa ou entidade que explica e justifica a terceiros as suas acções e se
responsabiliza pelas consequências dos actos praticados.
Em última instância, representa a Prestação de Contas e o “dar-se conta” a alguém que possui a
capacidade de auditar e de identificar as operações e actos que impliquem a responsabilidade
individual e organizacional, ou seja, a transparência.

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Bibliografia

Desenvolvimento, I. –I. (2011). Manual de Finanças Públicas e Gestão Orçamenta. London: Heron Dawson &
Sawyer, London.

Finaças, M. d. (2009). Lei 36/09 de 12 de Agosto - Lei que aprova e regulamenta o sistema contabilístico
angolano. Diário da República de Angola .

Finanças, M. d. (2010). nº 15/10, Lei Quadro do Orçamento Geral do Estado. Diário da República de Angola.

Finanças, M. d. (2014). Lei 1/14 - Lei do Regime Jurídico de Emisão e Gestão da Divida Pública Directa e
Indrecta. Diário da Republica de Angola.

Lopes, C. R., Malaquias, R., Oliveira, D., Pires, J. R., & Claro, B. (2019). Manual de Contabilidade e Finanças
para não financeiros. Escolar Editora.

Nacional, A. (2010). Constituição de Angola. Luanda: Assembeleia Nacional.

Nunes, E. R. (2019). Lições de Finanças Públicas e de Direito Financeiro. Viseu: AGuerra, Artes Gráficas.

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