DIREITO PRIVADO
2024.2
UNIDADE IV
SANDRA FOGLIA
Ausência
PLANO DE ENSINO
PREVISÃO
LEGISLATIVA
Código Civil
Arts. 22 a 39
Ausente é a pessoa que desaparece de seu domicílio
sem dar notícia de seu paradeiro e sem deixar um
representante ou procurador para administrar-lhe os
bens.
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem
dela haver notícia, se não houver deixado representante ou
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério
Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador.
Também será nomeado curador quando o ausente
deixar mandatário que não queira ou não possa exercer
ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem
insuficientes.
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se
nomeará curador, quando o ausente deixar
mandatário que não queira ou não possa exercer ou
continuar o mandato, ou se os seus poderes forem
insuficientes.
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os
poderes e obrigações, conforme as circunstâncias,
observando, no que for aplicável, o disposto a
respeito dos tutores e curadores.
A situação do ausente passa por três fases:
1 Na primeira, subsequente ao desaparecimento, o ordenamento jurídico
procura preservar os bens por ele deixados, para a hipótese de seu
eventual retorno. É a fase da curadoria do ausente, em que o curador
cuida de seu patrimônio.
2 Na segunda fase, prolongando-se a ausência, o legislador passa a
preocupar-se com os interesses de seus sucessores, permitindo a
abertura da sucessão provisória.
3 Finalmente, depois de longo período de ausência, é autorizada a
abertura da sucessão definitiva.
A curadoria do ausente fica restrita aos bens, não
produzindo efeitos de ordem pessoal.
Equipara-se à morte (é chamada de “morte
presumida”) somente para o fim de permitir a
abertura da sucessão, mas a esposa do ausente
não é considerada viúva.
Para se casar, terá de promover o divórcio, citando
o ausente por edital, salvo se tratar-se de pessoa
voltada a atividades políticas e tiver sido
promovida a justificação prevista na Lei n. 6.683,
de 28 de agosto de 1979, que concedeu anistia
aos políticos envolvidos na Revolução de 1964.
Comunicada a ausência ao juiz, este determinará
a arrecadação dos bens do ausente e os
entregará à administração do curador nomeado.
A curadoria dos bens do ausente prolonga-se pelo
período de um ano, durante o qual serão publicados
editais “na rede mundial de computadores, no sítio do
tribunal a que estiver vinculado e na plataforma de
editais do Conselho Nacional de Justiça, onde
permanecerá por um ano, ou, não havendo sítio, no
órgão oficial e na imprensa da comarca, durante um
ano, reproduzida de dois em dois meses, anunciando
a arrecadação e chamando o ausente a entrar na
posse de seus bens” (CPC, art. 745).
Decorrido o prazo, sem que o ausente reapareça,
ou se tenha notícia de sua morte, ou se ele deixou
representante ou procurador, e, passando três
anos, poderão os interessados requerer a
abertura da sucessão provisória (CC, art. 26).
Cessa a curadoria:
a) pelo comparecimento do ausente, do seu procurador ou
de quem o represente;
b) pela certeza da morte do ausente;
c) pela sucessão provisória.
A abertura desta, com a partilha dos bens aos herdeiros,
faz cessar, portanto, a curadoria do ausente.
Daí por diante, segue-se o procedimento especial dos
§§ 2º, 3º e 4º do art. 745 do Código de Processo Civil.
DA SUCESSÃO PROVISÓRIA
Estão legitimados para requerer a abertura da sucessão provisória:
a) o cônjuge não separado judicialmente;
b) os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
c) os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
d) os credores de obrigações vencidas e não pagas (CC, art. 27).
DA SUCESSÃO PROVISÓRIA
“A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória
só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada
pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á
à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha
dos bens, como se o ausente fosse falecido” (art. 28).
Os bens serão entregues aos herdeiros, porém em caráter provisório e condicional,
ou seja, desde que prestem garantias da restituição deles, mediante penhores ou
hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos.
Se não o fizerem, não serão imitidos na posse, ficando os respectivos quinhões sob
a administração do curador ou de outro herdeiro designado pelo juiz e que preste
dita garantia.
Porém os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse
dos bens do ausente (art. 30 e parágrafos).
Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou
hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína (art. 31).
O descendente, o ascendente ou o cônjuge que for sucessor provisório do ausente
fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que couberem a este; os outros
sucessores deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos.
Se o ausente aparecer, ficando provado que a ausência foi voluntária e
injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos
(art. 33, parágrafo único).
Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a
posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos,
ficando obrigados a tomar medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens
a seu dono (art. 36).
Cessará a sucessão provisória pelo comparecimento do ausente e converter-se-á
em definitiva:
a) quando houver certeza da morte do ausente;
b) dez anos depois de passada em julgado a sentença de abertura da sucessão
provisória;
c) quando o ausente contar oitenta anos de idade e houverem decorridos cinco
anos das últimas notícias suas (CC, arts. 37 e 38).
Enunciado n. 614 da VIII Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça
Federal:
“Os efeitos patrimoniais da presunção de morte posterior à declaração
da ausência são aplicáveis aos casos do art. 7º, de modo que, se o
presumivelmente morto reaparecer nos dez anos seguintes à abertura
da sucessão, receberá igualmente os bens existentes no estado em que
se acharem”.
DA SUCESSÃO DEFINITIVA
Poderão os interessados, dez anos depois de passada em julgado a
sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória, requerer a
definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
Também pode ser requerida a sucessão definitiva provando-se que o
ausente conta oitenta anos de idade e decorreram cinco anos das
últimas notícias suas.
DA SUCESSÃO DEFINITIVA
Os sucessores deixam de ser provisórios, adquirindo o domínio dos bens, mas
resolúvel, porque se o ausente regressar nos dez anos seguintes à abertura da
sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou
estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados
em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem
recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.
DA SUCESSÃO DEFINITIVA
Se, entretanto, o ausente não regressar nesses dez anos, e nenhum interessado
promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do
Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições,
incorporando-se ao domínio da União, quando situados em território federal (CC, art.
39, parágrafo único).
Estudem!!!
Lei nº 9.610/98
Direito autoral ou direito de autor é um conjunto de prerrogativas conferidas pela Lei nº 9.610/98 à pessoa
fí sica ou jurídica criadora da obra intel ectual , para que el a possa usufruir de quaisquer benefícios morais e
patrimoniais resultantes da exploração de suas criações .
Caro Aluno, o material deste
arquivo revela produção
intelectual, e foi
especificamente elaborado no
Primeiro Semestre do Ano Letivo
de 2025 para supor te de nossas
aulas. O Direito é dinâmico,
sofrendo alterações constantes,
fique atento!
Sandra Foglia