Fisiopatologia 2
Fisiopatologia 2
Hemostasia
tromboplastina tecidual (fator IIIa), o qual induz a via
extrínseca e, consequentemente, a via comum,
A formação de trombos, que envolve o processo de transformando protrombina em trombina e o fibrinogênio
coagulação sanguínea e a atividade plaquetária, em fibrina, formando o coágulo.
associa-se a três componentes (tríade de Virchow):
LESÃO ENDOTELIAL - hipertensão arterial sistêmica,
tabagismo, dislipidemia, RI, anticoncepcional oral,
trauma, endotoxina bacteriana, citocinas inflamatórias
FLUXO SANGUÍNEO ANORMAL / ESTASE
SANGUÍNEA - como em longos períodos de imobilidade,
obesidade
HIPERCOAGULABILIDADE - como na síndrome
metabólica (fatores de coagulação são ativados mesmo
sem lesão vascular)
TROMBOEMBOLISMO PULMONAR
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é a obstrução
aguda da circulação arterial pulmonar pela instalação
de coágulos sanguíneos, com redução ou cessação
do fluxo de sangue para a área afetada.
É consequência de um trombo formado no sistema
venoso profundo (TVP), que se desprendeu e alcançou
as câmaras cardíacas direitas e posteriormente o
pulmão. Em aproximadamente 10% dos casos a embolia
RELAÇÃO ENTRE NEOPLASIAS E TROMBOSE pulmonar manifesta-se como morte súbita.
Pacientes com neoplasias têm associação frequente
com fenômenos trombóticos. Qualquer neoplasia, por
favorecer estímulo pró-trombótico, aumenta o risco de
A hemostasia é um processo fisiológico que
trombose venosa profunda - principalmente tumores do
mantém a fluidez necessária do sangue, ou seja,
pâncreas, pulmão, mama e trato genitourinário. Isso
mantém o fluxo contínuo, sem haver extravasamento
porque baseia-se na tríade de Virchow:
de sangue pelos vasos ou obstrução do fluxo pela
1 - Lesão endotelial: o próprio desenvolvimento tumoral presença de trombos.
e até mesmo o tratamento quimioterápico por si, podem Quando um vaso é seccionado ou rompido, a
promover lesão tecidual vascular ativando a agregação hemostasia é obtida por meio de: (1) espasmo vascular;
plaquetária e a cascata de coagulação. (2) formação de um tampão plaquetário; (3) formação de
2 - Estase venosa / fluxo sanguíneo irregular: no um coágulo sanguíneo, como resultado da coagulação
tumor, para seu desenvolvimento, ocorre o do sangue; e (4) crescimento final de tecido fibroso, para
desenvolvimento de angiogênese, pela liberação de fechar permanentemente a ruptura no vaso.
fatores de crescimento (VEGF). No entanto, são
formados vasos frágeis, sujeitos a um fluxo sanguíneo O mecanismo hemostático inclui 3 processos:
irregular com risco de formação de microtrombos que ● Hemostasia primária = tampão plaquetário
podem alcançar a circulação periférica. ● Hemostasia secundária = coagulação
Além disso, são liberadas citocinas inflamatórias que ● Fibrinólise
inibem o sistema fibrinolítico, diminuindo a atividade da
proteína C, impedindo a inibição do PAI-1, e isso impede Os componentes da hemostasia são: espasmo
a dissolução da rede de fibrina. vascular, plaquetas, proteínas da coagulação,
anticoagulantes naturais, sistema fibrinolítico.
3 - Hipercoagulabilidade: as células neoplásicas têm
propriedades pró-trombóticas que levam à
hipercoagulabilidade, pois há liberação de citocinas
inflamatórias que estimulam a liberação da
Uma lesão vascular pode ocorrer por trauma direto no Quando temos hemorragias em vasos maiores, só o
vaso, liberação de citocinas, ruptura de placa de tampão plaquetário não dá conta de estancá-la Assim, a
ateroma, entre outros fatores. própria plaqueta e o vaso lesado começam a liberar
A lesão do vaso provoca inicialmente um fatores que ativam fatores de coagulação: são 11
vasoespasmo estimulado pela dor e pela contração da proteínas plasmáticas, a maioria sintetizadas no fígado,
musculatura lisa e vasoconstrição local com liberação de que existem normalmente na circulação em sua
serotonina, histamina e adrenalina, isso facilita a adesão forma inativa. Quando esses fatores são ativados, eles
plaquetária no local. precipitam e formam uma substância formada fibrina,
Como há lesão do endotélio, o colágeno é exposto, e que forma o coágulo.
isso estimula a adesão plaquetária ao colágeno, por Um complexo de substâncias ativadas, denominado
meio do Fator de Von Willebrand: este fator tem a ativador da protrombina, é formado por uma complexa
função de promover uma ponte entre o endotélio lesado cascata de reações químicas em resposta à ruptura ou
e a plaqueta aderida. ao dano do vaso sanguíneo: o ativador da protrombina
Após a adesão, as plaquetas mudam sua catalisa a conversão da protrombina em trombina.
conformação, tornando-se ativadas. As plaquetas A trombina atua como enzima, convertendo o
ativadas liberam grânulos de tromboxano A2 e fibrinogênio (proteína produzida pelo fígado liberada na
adenosina difosfato (ADP), que estimulam a agregação circulação na forma líquida) em fibras de fibrina, que
de mais plaquetas e sua ativação. Esta agregação formam um emaranhado de plaquetas, células
plaquetária, entre uma plaqueta e outra, ocorre através sanguíneas e plasma para formar o coágulo.
do receptor de superfície, uma glicoproteína GP IIb/IIa.
No fim desta hemostasia primária, após os processos
de adesão, ativação e agregação plaquetária, está
formado o tampão plaquetário.
DISTÚRBIOS DA COAGULAÇÃO
● Tempo de protrombina e Atividade de protrombina
● Tempo de tromboplastina parcial ativado
● Tempo de trombina
● Fatores de coagulação específicos
DISTÚRBIOS DA FIBRINÓLISE
● D-Dímero
Choque
cateter central no átrio direito, para verificar a saturação
venosa de oxigênio, que é de 70-75%.
Choque é definido como uma incapacidade do Ou seja: a extração de oxigênio (quantidade de
sistema circulatório em fornecer oxigênio e oxigênio extraída pelos tecidos), em condições normais,
nutrientes aos tecidos de forma a atender às suas é de 20-25%.
necessidades metabólicas.
➔ Assim, a saturação venosa de oxigênio (quanto resta
de oxigênio na hemoglobina, após passar pelos
tecidos), indica o consumo de oxigênio pelos tecidos.
É necessário termos um fluxo sanguíneo adequado E, se menor de 60%, indica uma diminuição da oferta
chegando aos capilares para realizar a perfusão tecidual. e/ou aumento da demanda de oxigênio.
Para ter a adequada perfusão, é necessário ter uma
pressão sanguínea adequada perfundindo os capilares. EM CONDIÇÕES NORMAIS
Sempre que tivermos uma hipoperfusão tecidual, Saturação venosa central de oxigênio (SVCO2) > 70%
teremos menos sangue chegando aos capilares. Dessa Pressão de oxigênio (pO2) = 40 mmHg
maneira haverá queda da pressão dos capilares Pressão do gás carbônico < 45 mmHg
(redução da pressão de enchimento capilar), decorrendo
em desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio NO CHOQUE
e nutrientes, além de acúmulo de produtos metabólicos Saturação venosa central de oxigênio (SVCO2) < 70%
de excreção celular pela insuficiência de sua remoção. Pressão de oxigênio (pO2) < 40 mmHg
Pressão do gás carbônico > 45 mmHg]
HIPOPERFUSÃO TECIDUAL Se os tecidos estão consumindo muito O2, por
↓ consequência estão formando muito CO2. Dessa
FLUXO SANGUÍNEO INADEQUADO PARA SUPRIR AS maneira, junto com a redução da pressão de 02, teremos
NECESSIDADES CELULARES aumento da pressão de CO2 no sangue venoso
↓
REDUÇÃO DA PRESSÃO DE ENCHIMENTO CAPILAR
↓
A análise destes 3 fatores é uma das maneiras
DESEQUILÍBRIO ENTRE A OFERTA E A DEMANDA DE maneiras de identificar laboratorialmente o choque
OXIGÊNIO E NUTRIENTES circulatório.
E
ACÚMULO DE PRODUTOS METABÓLICOS DE EXCREÇÃO DÉBITO CARDÍACO (DC)
CELULAR PELA INSUFICIÊNCIA NA SUA REMOÇÃO O débito cardíaco é o volume de sangue ejetado pelo
coração a cada minuto. Ele depende de 3 fatores: pré
OFERTA DE OXIGÊNIO (DO2) carga, pós carga, inotropismo
A oferta de oxigênio, também chamada de “delivery” de
oxigênio, é a quantidade de oxigênio ofertada para os PRÉ-CARGA (antes da contração) - é a tensão na
tecidos por minuto. Esta quantidade depende parede do ventrículo esquerdo no momento
diretamente do débito cardíaco (DC) e do conteúdo imediatamente anterior à contração.
arterial de oxigênio (CaO2). A pré carga é influenciada pela volemia/retorno venoso
e pela complacência ventricular (capacidade do
DO2 = DC x CaO2 ventrículo esquerdo de acomodar volume).
Hemorragia - o ácido lático causa lesão endotelial, com A perfusão tecidual inadequada leva à acidose
consequente liberação de tromboplastina e agregação metabólica detectada através de gasometria ou, mais
de hemácias, formando microcoágulos que consomem precocemente, através da elevação dos níveis séricos de
os fatores de coagulação na microvasculatura lactato. Esta situação é potencialmente deletéria, pois
(coagulação intravascular) e o paciente começa a ter promove diminuição da contratilidade cardíaca, do índice
hemorragias por falta dos fatores de coagulação. cardíaco e da responsividade vascular periférica.
Ainda devido à má perfusão, haverá maior extração de
MECANISMOS DE ADAPTAÇÃO oxigênio pelos tecidos, o que promove redução da
No choque, ocorre queda da pressão arterial, ativando saturação venosa de oxigênio.
alguns mecanismos de adaptação: E devido ao baixo débito cardíaco, haverá redução do
fluxo sanguíneo renal, levando à oligúria e também
ATIVAÇÃO DO SISTEMA RENINA - ANGIOTENSINA - podendo ocorrer lesão renal aguda (com aumento de
ALDOSTERONA: o aumento da aldosterona provoca ureia e creatinina no sangue).
retenção de sódio e água, visando elevar a volemia, e
consequentemente o débito, aumentando a pressão
arterial.
Os exames complementares usados para diagnóstico e
LIBERAÇÃO DE VASOPRESSINA: a queda da PA acompanhamento do choque são:
provoca redução do volume que chega ao átrio direito, ● Estado ácido/básico: dosagem de lactato e
levando à liberação de vasopressina, que retém sódio e eletrólitos
água, elevando a volemia. ● Gasometria sanguínea
● Hemograma (hematócrito, hemoglobina, eritrograma,
LIBERAÇÃO DE GLICOCORTICÓIDES: a queda da PA leucograma)
estimula a glândula hipófise a liberar ACTH, hormônio ● Pressão venosa central
que estimula a liberação de glicocorticóides (como o ● Cateter de Swan-Ganz: - possui 3 pontas, que ficam
cortisol) pela glândula adrenal, os quais potencializam na artéria pulmonar, átrio direito e veia jugular. Ele é
ação da noradrenalina. capaz de calcular débito cardíaco.
● Exames pertinentes ao diagnóstico da causa básica
LIBERAÇÃO DE ADRENALINA: a queda da PA ativa do choque
barorreceptores, levando ao aumento do tônus simpático
com liberação de adrenalina, a qual causa: taquicardia
(sinal clínico mais valioso no choque) e vasoconstrição,
na tentativa de elevar a pressão arterial.
O tratamento consiste em tratar/remover a causa O choque cardiogênico é caracterizado por uma má
básica do choque e manter a perfusão tecidual, por perfusão tecidual como resultado do baixo débito
meio da administração de: cardíaco devido a uma patologia cardíaca.
● Fluídos Causas principais: Doenças valvares, Infarto agudo do
● Medicamentos vasopressores miocárdio (falência da bomba cardíaca ocasionada pela
● Medicamentos inotrópicos (aumentam a força de necrose da parede celular).
contração do coração)
A hidratação adequada (30 mL/Kg/h) é essencial para MECANISMO FISIOPATOLÓGICO
resgatar a volemia e assim melhorar o débito cardíaco e, No infarto agudo do miocárdio, há falÊncia da bomba
portanto, melhorar a perfusão tecidual cessando o ciclo cardíaca ocasionada pela necrose da parede celular,
vicioso que se instala durante o choque: má perfusão → assim, o músculo cardíaco perde sua força de contração
lesão celular → depressão miocárdica e dos demais (inotropismo), diminuindo o débito cardíaco. O organismo
órgãos vitais → mais choque. tenta compensar essa queda do débito ativando o
sistema nervoso simpático, que realiza:
METAS ● Taquicardia
As metas do tratamento são: ● Vasoconstrição
● Clínica: melhora do nível de consciência, retorno
da diurese, normalização da frequência cardíaca DC - reduzido
● Pressão arterial sistólica (PAS) > 90 mmHg PAM - normal ou reduzida
● Pressão arterial média (PAM) > 65 mmHg Rp - elevada
● Débito urinário > 0,5 mL/kg/h
● Lactato < 2 mmol/L No choque cardiogênico, o débito cardíaco está
● Saturação venosa de oxigênio (SVO2) >= 70% reduzido. O ideal é realizar vasodilatação, para reduzir a
pós carga, diminuindo a sobrecarga no coração e
Todos estes parâmetros devem ser checados a cada 6 melhorando o débito. O problema é que a vasodilatação
horas. diminui a resistência periférica e, consequentemente,
reduz também a pressão arterial.
Assim, só realiza vasodilatação se a pressão arterial
estiver maior que 90 mmHg.
O choque pode ser classificado em: hipovolêmico,
cardiogênico, distributivo e obstrutivo.
DC - normal ou reduzido
PAM - normal ou reduzida
Rp - diminuída
CASO 4
Paciente de 70 anos com histórico de revascularização
CASO 1 miocárdica há 20 dias. Chega ao hospital com:
Paciente jovem, sofreu acidente de moto e perdeu ● Cansaço
bastante sangue devido à laceração no abdome. ● Falta de ar
Ele apresenta: ● Taquicardia
● Palidez ● Sudorese
● Taquicardia ● Tempo de enchimento capilar alargado
● Sudorese fria ● Midríase
● Sede ● Lúcida e orientada no tempo e espaço
● Pupilas midriáticas ● Leve redução da diurese
● Extremidades frias
● Sonolência/confusão mental Diagnóstico: choque obstrutivo.
● Oligúria É comum, em casos de revascularização, que algum
● Lactato ascendente vaso não feche adequadamente e fique sangrando.
● Plaquetas baixas Assim, com o tempo, pode ocorrer acúmulo de sangue
● TGO e TGP elevados no pericárdio, levando ao tamponamento cardíaco: por
● Tempo de enchimento capilar alargado estar cheio de sangue, a pressão no pericárdio aumenta
e não permite que o coração se expanda (relaxe)
Diagnóstico: choque hipovolêmico (devido hemorragia) adequadamente durante a diástole, levando então a uma
Hemorragias levam à redução do volume sanguíneo redução do débito cardíaco e ao choque.
(volemia), reduzindo o débito cardíaco e
consequentemente a pressão arterial. Devido à
hipotensão, ocorre hipoperfusão tecidual, levando ao CASO 5
choque. Paciente de 50 anos, relata ter sido atacado por
enxame de abelha. Chega à emergência com:
● Rebaixamento do nível de consciência
CASO 2 (inconsciente)
Paciente de 60 anos, com relato de dor no peito, ● Taquicardia
histórico de tabagismo, diabetes e cansaço excessivo. ● Palidez
Chega à emergência com: ● Tempo de enchimento capilar alargado
● Confusão mental ● Hipotermia
● Taquicardia
● Sudorese fria Diagnóstico: choque distributivo (choque anafilático).
● Midríase As picadas de abelha levam a uma reação alérgica,
● Palidez com grande produção de histamina, que provoca
● Lactato alto vasodilatação generalizada. Dessa maneira, não há
● Oligúria pressão sanguínea suficiente para perfundir os tecidos,
levando a hipoperfusão (choque).
Diagnóstico: choque cardiogênico (infarto agudo do
miocárdio)
CASO 3
Paciente de 60 anos, relata falta de apetite, confusão
mental, anuria, febre e cheiro forte na urina.
Chega ao hospital com:
● Taquicardia
● Sudorese
● Febre
● Confusão mental
● Agitação
● Tempo de enchimento capilar alargado
Distúrbios Hidroeletrolíticos
respiratória (elimina o CO2). Se o bicarbonato estiver
muito alto, caracterizando uma alcalose metabólica, e
O potássio (K+) é um íon intracelular, cuja que não consiga ser revertida por outros meios, o
concentração é de 110 mmol/L no líquido intracelular organismo busca íons hidrogênio nas células para
(dentro das células) e 3,5-5,0 mmol/L no sangue. neutralizar o bicarbonato (tamponamento celular).
Este íon é adquirido por meio da dieta, principalmente Assim, a célula fica menos positiva, possibilitando a
em alimentos que se desenvolvem no solo, e na banana. entrada de potássio, levando à redução deste íon na
E é perdido principalmente pelo filtrado urinário, mas corrente sanguínea.
também pode ser eliminado pelos líquidos intestinais ● Vômitos e diarreia
(vômitos, diarreia), dreno cirúrgico, pós-operatório (há ● Hiperaldosteronismo
lesão das células, e o potássio sai da célula). ● Uso de diuréticos de alça (furosemida) e
➔ A entrada de potássio na célula é controlada pela corticóides
insulina e pelas catecolaminas (principalmente a
adrenalina). Diariamente, obtém-se 50 a 150 mmol de potássio por
dia, por meio da dieta. E uma excreção/perda normal de
sódio consiste em: perda de 50mmol na urina e 5mmol
nas fezes.
A hipocalemia é caracterizada por: concentração de
potássio no sangue abaixo de 3,5 mEq/L. É a HIPOCALEMIA POR VÔMITOS
anormalidade hidroeletrolítica mais comum na prática Quando a pessoa vomita, acaba pedindo 10 mmol de
clínica, estando presente em 20% dos pacientes potássio.
hospitalizados.
As alterações da hipocalcemia dependem de: HIPOCALEMIA POR PERDAS GASTROINTESTINAIS
● Velocidade de instalação: redução da entrada (via Em uma diarreia, por exemplo, o organismo acaba
oral ou endovenosa), aumento da captação celular ou perdendo 50 mmol de potássio, sendo que em condições
aumento das perdas urinárias normais a perda por esta via é de apenas 5 mmol.
● Alterações concomitantes de outros eletrólitos: Ao perder 50 mmol, a perda pelas fezes se iguala à
cálcio, sódio, magnésio perda pela urina, levando a uma grave hipocalemia.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
No início, a hiponatremia pode ser assintomática, e
com a progressão da queda de concentração, pode
tornar-se sintomática.
Nesta situação de alcalose, o organismo busca íons
hidrogênio nas células e a célula fica menos positiva,
possibilitando a entrada de potássio, levando à redução deste
CASO 1 íon na corrente sanguínea e caracterizando uma hipocalemia
Júlia, 23 anos, avaliada por sonolência e confusão mental. (potássio = 2,9 mEq/L).
Refere que há 2 semanas vem usando furosemida por conta Esta condição foi corrigida com reposição de potássio via
própria para emagrecer e alguns dias apresenta astenia endovenosa, e monitoração eletrocardiográfica para verificar
crescente. possíveis arritmias.
O exame físico evidencia PA 90X40 mmHg, pulso = 105 ppm.
Exames laboratoriais:
● Glicemia = 94 mg/dL CASO 3
● Sódio = 133 mmol/L (VR 135 a 148 mmol/L) Raul, 25 anos, vem à consulta devido a constante elevação
● Potássio = 3,1 mmol/L (VR 3,5 a 5,0 mmol/L) da pressão arterial sistêmica. A pressão arterial em repetidas
● Creatinina = 1,1 mg/dL medidas está maior que 160x98mmHg mesmo fazendo uso de
● Cloro 95 mmol/L (VR 95 a 105 mmol/L) diurético tiazídico.
● Dosagem de potássio 3,0 mEq/L.
Gasometria arterial
● pH = 7,47 (7,35-7,45) Solicitado teste do captopril: administram-se 50 mg de
● pa02 = 98 mmHg (85-100 mmHg) captopril oral após o paciente ter permanecido sentado ou em
● paCO2 = 41 mmHg (35-45 mmHg) pé por pelo menos 1 hora. Deve-se dosar Renina e
● HC03 = 33 mmol/L (22-26 mmol/L) Aldosterona nos tempos 0, 60 e 120 minutos. O teste é
● SatO2 = 96% (95-100%) considerado positivo se não houver queda > 30% da
● BE +9 (-2 a +2) Aldosterona sérica ou se ela permanecer > 12 ng/dL.
Paciente foi orientada a não usar essa medicação. Diurético ● Resultado: Aldosterona 15 ng/dL (teste positivo)
de alça suspenso, hidratação e uso de xarope de KCL (1 colher Constatado Hiperaldosteronismo primário, uso de medicação
de chá = 50 a 60 mEq de potássio). anti-hipertensiva (antagonista de aldosterona) para controle da
PA.
INTERPRETAÇÃO Para tratamento clínico da hiperplasia, recomenda-se
A paciente estava utilizando furosemida, um medicamento espironolactona, 50 a 300 mg/dia, desde que bem tolerada.
diurético de alça, que aumenta a excreção renal de potássio. Cura da HA com a cirurgia é observada em 35-60% dos
Assim, levou a um quadro de hipocalemia (Potássio 3,1 pacientes.
mmol/L).
Além disso, verifica-se que pelo pH 7,47, a paciente está em INTERPRETAÇÃO
alcalose metabólica: o organismo busca íons hidrogênio nas Na primeira dosagem de potássio (3,0 mEq/L), verifica-se
células para reverter esta alcalose. (tamponamento celular). que o paciente está em hipocalemia.
Assim, a célula fica menos positiva, possibilitando a entrada de E com o teste do captopril positivo, constata-se que o
potássio, levando à redução deste íon na corrente sanguínea, o paciente possui hiperaldosteronismo primário: secreção
que também contribui para o quadro de hipocalemia. aumentada de aldosterona, que provoca aumento da
reabsorção de sódio e a secreção de potássio. O paciente fica
hipertenso, devido à retenção de sódio e consequente
CASO 2 elevação da volemia. E fica com hipocalemia pois aumenta a
Paciente sexo masculino, 22 anos, é admitido no PS com excreção de potássio na urina.
poliúria, desidratação, náuseas e hálito cetônico.
● Glicose 305 mg/dL,
● Sódio = 135 mEq/L (136-148 mEq/L), CASO 4
● Potássio = 3,9 mEq/L (3,5-5,0 mEq/L), Mulher, 41 anos, portadora de insuficiência renal crônica, faz
● pH 7,1 (7,35-7,45) e hemodiálise 3 vezes por semana e procura o hospital com
● HC03 =11 mmol/L (22-26). quadros de parestesias musculares, após ter faltado na última
sessão de diálise.
Após reidratação, insulina regular EV e bicarbonato de sódio
8,4% EV, o paciente passa a apresentar fraqueza generalizada, Exames laboratoriais:
hipoventilação e arritmia avaliada pelo ECG e potássio=2,9 ● Sódio = 135 mEg/L (135 a 148 mmol/L)
mEq/L. ● Potássio = 7,4 mEq/L (3,5 - 5,0 mEq/L)
● pH = 7,32 (7,35 a 7,45)
Administração por via endovenosa junto com soro fisiológico
● paCO2 = 30 mmHg (35 a 45 mmHg)
de reposição de potássio controlada por dosagem de potássio
● C03 =16 mEa/L (22 a 26 mmol/L)
no soro (10 mEq em 1L de salina, diluir e introduzir lentamente)
e ECG. Tratamento:
- Diálise
INTERPRETAÇÃO - Gluconato de cálcio 10% (ação em 1 a 5 minutos, duração 15
O paciente apresentava hálito cetônico, que, associado à a 30 minutos), antagoniza toxicidade cardíaca e neuromuscular
dosagem de glicose=305 mg/dL, indica uma hiperglicemia. - Solução polarizante: glicose e insulina (1 UI de insulina R
Além disso, verifica-se que pelo pH 7,1, o paciente está em para cada 5g de glicose, início da ação 15 a 20 minutos,
acidose metabólica (cetoacidose diabética). duração 4-6h)
Foi administrado insulina regular endovenosa para corrigir a - 50 mL de bicarbonato de sódio 8,4% (início da ação 30-60
hiperglicemia, e bicarbonato de sódio 8,4% endovenoso para minutos)
corrigir a acidose metabólica. No entanto, esta dose de - Poliestirenosulfonato de cálcio 20 g (Sorcal®) (início em 1
bicarbonato é muito alta, e levou a uma alcalose metabólica. hora, duração 4-6 horas), resina de troca, via oral ou via retal.
INTERPRETAÇÃO
A paciente possui insuficiência renal crônica, ou seja, não CASO 7
realiza a excreção urinária de forma adequada. Nos exames Mulher de 40 anos, hipertensa, em uso de hidroclorotiazida 25
laboratoriais, verifica-se que está com hipercalemia mg, enalapril 10 mg, metformina 500 mg, apresenta vômitos
(potássio=7,4 mEq/L), e em acidose metabólica (pH=7,32). intensos e diarreia com muco e sangue, febre, perda de peso
A acidose ocorre pois os rins não reabsorvem potássio, há 3 dias.
excretando-o na urina, tornando o sangue mais ácido: sangue Regular estado geral, desidratada, descorada, PA 80x50
fica com grande quantidade de íons hidrogênio, e o organismo mmHg, FC 120 bpm, FR 32 irpm, abdome doloroso e ruídos
promove a troca de hidrogênio pelo potássio (que estava aéreos aumentados.
dentro da célula), aumentando a quantidade de potássio no Exames laboratoriais:
plasma, caracterizando uma hipercalemia. ● Sódio = 130 mEq/L (135 a 148 mmol/L)
A hipercalemia também ocorre pelo funcionamento deficiente ● Potássio = 2,7 mEq/L (3,5 - 5,0 mEq/L)
dos rins. ● Creatinina = 1,4 mg/dL (0,4 - 1,3 mg/dL)
CASO 5 INTERPRETAÇÃO
Mulher, 41 anos, hipertensa em uso de enalapril e atenolol, A paciente está apresentando vômitos, diarreia e febre.
iniciou exercícios físicos mais intensos com objetivo de perder Estes fenômenos provocam perda de íons e de água, levando
peso, procura o hospital com quadro de parestesias em braços à hipocalemia (potássio=2,7 mEq/L) e hiponatremia hipotônica
e pernas. (sódio=130 mEq/L - visto que está perdendo simultaneamente
Exames laboratoriais: sódio e água).
● Sódio = 139 mEq/L (135 a 148 mmol/L)
● Potássio = 5,7 mEq/L (3,5 - 5,0 mEq/L)
● Creatinina = 1,0 mg/dL (0,4 - 1,3 mg/dL) CASO 8
Houve reavaliação da medicação, substituir atenolol por Júlia, 23 anos, avaliada por sonolência e confusão mental.
diurético tiazídico e recomendação de acompanhamento Refere que há 2 semanas vem usando furosemida por conta
adequado para atividade física (CK total). própria para emagrecer e alguns dias apresenta astenia
crescente.
INTERPRETAÇÃO O exame físico evidencia PA 90X40 mmHg, pulso = 105 ppm.
A paciente está em hipercalemia (potássio=5,7 mEq/L), Exames laboratoriais:
devido ao uso de enalapril e atenolol. ● Glicemia = 94 mg/dL
O enalapril é um IECA, que inibe a enzima conversora de ● Sódio = 133 mmol/L (VR 135 a 148 mmol/L)
angiotensina, reduzindo a formação de angiotensina II e ● Potássio = 3,1 mmol/L (VR 3,5 a 5,0 mmol/L)
consequentemente de aldosterona (eliminando sódio e retendo ● Creatinina = 1,1 mg/dL
potássio). Gasometria arterial
E o atenolol é um beta bloqueador, cujo mecanismo é reduzir ● pH = 7,47 (7,35-7,45)
a ação da adrenalina, que é o neurotransmissor que coloca o ● paO2 = 98 mmHg (85-100 mmHg)
potássio para o interior da célula. Assim, o potássio fica ● paCO2 = 41 mmHg (35-45 mmHg)
concentrado no plasma, contribuindo também para a ● HC03 = 33 mmol/L (22-26 mmol/L)
hipercalemia. ● SatO2 = 96% (95-100%)
CASO 6 INTERPRETAÇÃO
Homem, 61 anos, hipertenso e diabético, chega a Unidade A paciente está em hiponatremia (sódio=133 mmol/L),
de Emergência com queixa de fraqueza generalizada. Faz uso provavelmente pelo uso da furosemida, um diurético de alça
de metformina, atenolol e captopril, com controle eficaz da que atua na porção ascendente espessa da alça de henle do
glicemia e da PA. néfron, inibindo o transporte simporte: não ocorre reabsorção
Exame físico: PA 110x60 mmHg, FC 60 bpm. de sódio, sendo eliminado demasiadamente pela urina e
Exames laboratoriais: reduzindo seus níveis no sangue.
● Sódio = 139 mEq/L (135 a 148 mmol/L)
● Potássio = 6,2 mEq/L (3,5 - 5,0 mEq/L)
● Creatinina = 1,3 mg/dL (0,4 - 1,3 mg/dL)
CASO 9
Paciente masculino, 59 anos, apresentou por várias vezes
Uso de insulina e soro glicosado com controle de dextro e
quadro de mal estar geral, anorexia, náuseas, no momento
reavaliação da medicação, substituindo atenolol por diurético
vômitos com estrias de sangue, levando-o a procurar o médico.
tiazídico.
Usuário crônico de álcool há anos.
Observa-se icterícia 2+/4+ e dor no quadrante inferior direito.
INTERPRETAÇÃO
No exame físico observa-se quadro de ascite e presença de
O paciente está em hipercalemia (potássio=6,2 mEq/L),
vasos superficiais bastante dilatados próximo à região
devido ao uso de atenolol (beta bloqueador) e captopril (IECA).
umbilical.
O captopril é um IECA, que inibe a enzima conversora de
angiotensina, reduzindo a formação de angiotensina II e Exames laboratoriais:
consequentemente de aldosterona (eliminando sódio e retendo ● Bilirrubina direta: 3,6 mg/dL (VR: 0,1 -0,4 mg/dL)
potássio). ● Bilirrubina indireta: 6,6 mg/dL (VR: 0,4-0,8 mg/dL)
E o atenolol é um beta bloqueador, cujo mecanismo é reduzir ● Bilirrubina total: 10,2 mg/dL (VR: 0,4 -1,2 mg/dL)
a ação da adrenalina, que é o neurotransmissor que coloca o ● TGO ou AST: 350 U/L (VR: até 40 U/L);
potássio para o interior da célula. Assim, o potássio fica ● TGP ou ALT: 100 U/L (VR: até 40 U/L),
concentrado no plasma, contribuindo também para a ● Fosfatase alcalina: 195 U/L (VR: 50-115U/L);
hipercalemia. ● GGT: 65 U/L (VR: 15-25U/L).
● Albumina = 2,1 g/dL (3,5 a 5 g/dL)
● TP = 32s (TP controle = 12 s)
● Atividade de Protrombina = 30% (70-100%).
● Sódio = 133 mmol/L.(135-148 mmol/L)
INTERPRETAÇÃO
O paciente apresenta uma hiponatremia hipotônica
hipervolêmica (sódio=133 mmol/L): quadro de diluição dos
níveis de sódio plasmático por retenção hídrica, comum em
quadros edematosos.
Este quadro edematoso, no paciente, está ocorrendo
provavelmente por uma cirrose hepática, pois há sinais e
sintomas sugestivos deste quadro como: uso crônico de álcool,
icterícia, ascite, vasos superficiais bastante dilatador próximo à
região umbilical (hipertensão portal).
FISIOPATOLOGIA
Cistite e Pielonefrite
PROTEÍNAS - não deve apresentar-se proteína na urina
saudável, pois elas não são filtradas, se houver, pode ser
O exame de urina tipo 1, também chamado exame de por lesão renal que fez com que ela fosse filtrada,
urina de rotina e EAS (Elementos Anormais e produto de formação durante a passagem da urina nos
Sedimento), é extremamente útil para o diagnóstico e túbulos renais. Proteinúria é um indicador de lesão renal
monitoramento de doenças renais e do trato urinário, e se constitui em fator de risco independente para a sua
e também para a detecção de doenças sistêmicas e progressão.
metabólicas não diretamente relacionadas com o rim. ➔ Nos quadros de doença renal crônica e síndrome
A amostra de urina ideal é a primeira da manhã, do nefrótica, há alteração da membrana de filtração
jato médio (e não inicial), sendo realizada após uma glomerular, que permite a filtração de proteínas e
rigorosa higiene da região genital. detecção de proteinúria.
Analisa-se o aspecto e a cor da urina e posteriormente
utiliza-se uma tira reagente e microscópio para analisar a SUBSTÂNCIAS REDUTORAS - Em circunstâncias
urina (ou por método automatizado). normais, praticamente toda a glicose filtrada nos
glomérulos é reabsorvida pelas células dos túbulos
contornados proximais e a pesquisa de glicose na urina
ANÁLISE FÍSICA pelos métodos habituais é negativa.
ASPECTO - A urina normal é clara e transparente. No quadro de diabetes mellitus, ocorre glicosúria,
COR - A cor da urina varia do amarelo-claro ao âmbar. visto que há uma hiperglicemia tão intensa que supera o
Cores rósea, vermelha ou castanha podem indicar limiar renal de reabsorção (160 a 180 mg/dL).
presença de sangue. Além disso, glicosúria na ausência de hiperglicemia
(chamada glicosúria renal) é decorrente de distúrbio na
Urina âmbar-escura sugere níveis elevados de urobilina
reabsorção tubular renal da glicose, o que ocorre, por
ou bilirrubina, enquanto urinas com cores amarelo vivo, exemplo, em quadros de infecção grave.
verde ou mesmo azul podem indicar a presença de
medicamentos, como antissépticos e vitaminas. Urina CORPOS CETÔNICOS - Quando a quantidade de
marrom-escura é vista quando substâncias do tipo carboidratos disponível for inferior às necessidades
porfirina, melanina ou ácido homogentísico estão energéticas do indivíduo, ocorre o catabolismo dos
ácidos graxos como fonte alternativa de energia. Essa
presentes em concentrações elevadas.
metabolização é incompleta e gera, como subprodutos,
DENSIDADE - O túbulo renal normal é capaz de modular os chamados corpos cetônicos.
o volume de líquido a ser reabsorvido a partir do filtrado A cetonúria ocorre no jejum prolongado, em dietas
glomerular, poupando ou não água, dependendo das para redução de peso, em estados febris, após
necessidades imediatas do organismo. Os valores da exercícios físicos intensos, em temperaturas muito
baixas e, principalmente, no diabete melito, doença em
densidade urinária no indivíduo normal dependem do
que ocorre alteração do metabolismo dos carboidratos.
equilíbrio entre a ingestão hídrica e as perdas.
HEMOGLOBINA - Presença de hemoglobina na urina é
EXAME BIOQUÍMICO importante e deve ser relacionada à observação do
exame dos elementos figurados da urina, mas pode
pH
ocorrer hemoglobinúria sem a presença de grande
LEUCÓCITO ESTERASE - Os leucócitos granulócitos número de hemácias íntegras, em decorrência, por
contêm enzimas que catalisam a hidrólise dos ésteres, exemplo, de hemólise intravascular.
denominadas esterases, e essas enzimas são liberadas
quando ocorre degeneração celular. Sua pesquisa na BILIRRUBINA - detectada quando há aumento da
urina busca auxiliar na avaliação de leucocitúria. bilirrubina conjugada no sangue (sendo importante na
suspeita de doenças hepáticas)
NITRITO - A urina contém quantidades variáveis de Na doença obstrutiva biliar, por exemplo, a bilirrubina
nitratos resultantes do metabolismo habitual. Algumas conjugada não é excretada e reflui para o sangue. Como
bactérias, principalmente, as Gram-negativas (como ela é solúvel no plasma e filtrada pelos glomérulos
Escherichia coli), são capazes de reduzir os nitratos em renais, à medida que sua concentração aumenta no
nitritos, tornando sua presença indicativa de processo sangue, ocorre aumento da excreção renal. Como a
infeccioso. bilirrubina não chega no intestino, a produção de
urobilinogênio é reduzida e, muitas vezes, sua pesquisa
na urina é negativa.
Na doença hemolítica há aumento acentuado na
produção da bilirrubina não conjugada, gerando grande
quantidade de bilirrubina conjugada, que é produzida e
lançada no intestino, aumentando a produção de
urobilinogênio. Há aumento da reabsorção intestinal de DIFERENÇAS ANATÔMICAS ENTRE OS SEXOS
urobilinogênio, elevando o nível sanguíneo e a excreção A cistite é mais comum em mulheres do que em
renal. Não ocorre excreção urinária de bilirrubina, uma homens, devido à anatomia desfavorável das mulheres,
vez que a fração aumentada é a não conjugada, não que possuem a uretra mais próxima do anus,
solúvel e circula ligada às proteínas, sendo, portanto, favorecendo contaminação com bactérias da flora do
não filtrável. trato gastrointestinal, que ascendem pela uretra até a
bexiga, levando a cistite. Além disso, a própria flora
UROBILINOGÊNIO - fisiologicamente, uma pequena vaginal também pode contaminar a uretra.
quantidade de urobilinogênio (produto da degradação da Já homens, possuem essa distância maior, e além
bilirrubina) é observada na urina, dando sua coloração disso, o semen passa também pela uretra, possuindo o
amarelada. líquido prostático que é rico em imunoglobulinas,
conferindo maior proteção.
Em meninos crianças, pode acontecer infecção de
trato urinário devido a falta da higienização do prepúcio,
que praticamente recobre a uretra.
URINA TIPO 1
Na pielonefrite, o exame de urina tipo I apresenta-se
com:
● Leucocitúria acentuada - na pielonefrite o número
Pielonefrite é um processo inflamatório que afeta os de leucócitos é muito maior que na cistite, devido à
túbulos, o interstício e a pelve renal. gravidade
A principal causa da pielonefrite é a obstrução do fluxo ● Hematúria isomórfica (em 50% dos casos)
urinário, pois esta obstrução pode fazer com que a urina ● Nitrito positivo - visto que a principal etiologia é a
acumulada favoreça uma contaminação por bactéria gram negativa E. Coli
microrganismos, causando primariamente uma cistite, ● pH menos ácido - fisiologicamente, o rim excreta
que pode ascender pelos ureteres e atingir o parênquima hidrogênio para manter o equilíbrio ácido-básico do
renal, levando à pielonefrite. Esta patologia pode levar a sangue, fazendo com que o pH da urina seja ácido.
sepse e insuficiência renal aguda. Na infecção urinária, por conta do metabolismo
bacteriano, com presença de compostos
DIFERENCIANDO CISTITE E PIELONEFRITE nitrogenados, pode haver uma urina com pH mais
As duas patologias podem ser diferenciadas, alcalino.
inicialmente, pela história do paciente: ● Cilindros leucocitários - A estase urinária irrita as
células tubulares, que passam a se desintegrar,
CISTITE PIELONEFRITE liberando proteínas, que irão formar cilindros. Estes
cilindros podem aglomerar leucócitos , formando
Disúria Disúria cilindros leucocitários. Estão presentes apenas na
Polaciúria Polaciúria pielonefrite, e não está presente na cistite, pois são
Hematúria Hematúria
formados nos túbulos no interior dos rins, e possuem
Micção de urgência Micção de urgência
Dor lombar (ângulo
esse formato cilíndrico por se formarem ali.
costovertebral)
Febre/calafrios A conduta é realizar urocultura para descobrir qual o
Náuseas/vômitos agente etiológico da infecção, e antibiograma, para
Giordano positivo identificar a quais antibióticos a bactéria é sensível.
Em quadros de pielonefrite complicada, deve ser
solicitado também a hemocultura, para se investigar
HEMOGRAMA septicemia, e uréia plasmática, para identificar se há
Na pielonefrite, o hemograma do paciente apresenta prejuízo da taxa de filtração glomerular e risco de
leucocitose com desvio à esquerda. desenvolvimento de síndrome urêmica.
Isso ocorre pois em processos infecciosos agudos
ocorre uma leucocitose às custas do aumento dos
neutrófilos. Essa neutrofilia pode se apresentar com
desvio à esquerda, ou seja, há presença de células
jovens na corrente sanguínea, como os bastonetes e
seus precursores (metamielócito, mielócito e
promielócito).
TRATAMENTO
O tratamento das ITUs pode ser realizado de forma
ambulatorial ou hospitalar. Para decidir entre um ou
outro, deve-se analisar os seguintes pontos: