Práticas de Fiscal
Práticas de Fiscal
ÍNDICE
1
Apontamos adicionais baseados no livro da professora regente ANA PAULA DOURADO e Guia Prático do IRS.
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CASO 6: irs e irc: capacidade contributiva, coleta mínima e sinais exteriores de riqueza, finalidade do imposto,
confisco, dedutibilidade de gastos ..............................................................................................................26
aula do dia 18 de novembro de 2024: caso prático 7 e 8 ...................................................................................27
caso 7: irs, rendimentos ativos, rendimentos passivos .................................................................................27
caso 8: categoria de rendimentos de irs, gastos empresariais, substituição e responsabilidade tributária ......29
aula do dia 21 de novembro de 2024: irc E CASOS PRÁTICOS ...........................................................................30
IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS COLETIVAS: ...............................................................30
caso prático 9: métodos direitos e métodos indiretos de avaliação ...............................................................32
CASO PRÁTICO 10: irc, normas especiais antiabuso e cláusula geral antiabuso ............................................33
aula do dia 26 de novembro ded 2024: casos práticos – irs e irc........................................................................35
caso prático do irs 1 – ignorar as datas ........................................................................................................35
caso prático do irs 2 – ignorar as datas ........................................................................................................35
caso prático 3 – irc .....................................................................................................................................36
aula do dia 28 de novembro de 2024: continuaçao dos casos e resolução de uma frequência dos anos anteriores.
.....................................................................................................................................................................36
caso prático 2 de irc ...................................................................................................................................36
FREQUENCIA do ano passado ....................................................................................................................37
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AULA DO DIA 24 DE SETEMBRO DE 2024: INTRODUÇÃO – OS TRIBUTOS
• Legislação de Fiscal
• Manual da professora regente
• Manual do Professor Saldanha Sanches
• A nível do IRS: guia prático da professora assistente e o manual de não sei quem
• Impostos: é uma prestação pecuniária, coativa e unilateral, exigida por um ente público, com a finalidade
de obtenção de receita.
o São uma prestação pecuniária e não em espécie – é assim na grande maioria dos Estados.
o Unilateral: não há uma contraprestação pública direta e imediata que servem as necessidades
financeiras gerais.
▪ Devem então, estar sujeitos a reserva de lei (165º/1/i e 103º/2 CRP – exige que a criação
e os elementos essências de cada imposto, o objeto, o sujeito e a quantificação, devem
estar sujeitos a aprovação ou autorização parlamentar) e devem tributar a capacidade
económica (capacidade contributiva), por isso assentam em critérios ad valorem.
o Coativa: é obrigatória
o Não tem caráter sancionatório: não há nenhum intuito de sancionar o sujeito passivo; ou sejam a
finalidade principal ou secundária será sempre a arrecadação de receitas, pois esta arrecadação
é o objetivo principal do sistema fiscal em si.
▪ Contudo, no regime geral das infrações tributárias (REGIT), estabelece-se multas e
coimas pela falta de cumprimento de prestações de natureza contributiva ou declarativa
(p.e. não declarar o IRS), pelo que estaríamos no âmbito do Direito Penal Tributário (e não
do direito fiscal).
o Não Consignação: quando pagamos um imposto, não sabemos para o quê que é direcionado
o Estão sujeitos ao princípio orçamental da universalidade: servem para financiar todas as
despesas. Só noa estamos perante impostos (receitas unilaterais para cobrir despesas
orçamentais gerais) se os montantes cobrados forem afetos à compensação dos prejuízos
causados pela rigidez dos comportamentos que se pretendia orientar (consignação orçamental).
o Quem pode exigir é uma entidade pública (sujeito ativo), nos termos do artigo 18º LGT. Por regra,
os sujeitos ativos são entidades públicas de base territorial, como: o Estado, as Regiões
Autónomas e os Municípios. As restantes entidades públicas são normalmente financiadas
através de taxas ou de contribuições especiais.
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o O IVA é um imposto indireto porque não se sente diretamente na carga tributária, porque o valor
do imposto já está incluso no pagamento do preço total (por exemplo, quando se vai ao café pedir
um pastel de nata e uma água, o preço total é de 3€, onde já se inclui o valor do IVA).
Categorias:
• Impostos Pessoais: varia em função da capacidade contributiva global, ou seja, tem em conta a função
pessoal e familiar do indivíduo. Contudo, não quer dizer que um imposto não possa ter características de
um imposto real.
o IRS.
• Imposto real: incide sobre o valor, indiferentemente sobre a situação pessoal ou familiar do individuo, ou
seja, centram-se na manifestação da riqueza.
o IVA.
Impostos estritamente fiscais VS impostos extrafiscais: A primeira finalidade pode não ser logo a obtenção da
receita (como nos impostos estritamente fiscais) – o nosso TC costuma ter uma ideia mais restritiva de impostos,
do qual não incluiu a extrafiscalidade. No caso dos impostos extrafiscais, o que acontece é que estes têm como
finalidade moldar comportamentos, isto é, dissuadir comportamentos, como os impostos específicos sobre o
tabaco (a função primária não é a obtenção de receita, mas sim uma função de saúde individual). Outro exemplo
é o pagamento de 10 cêntimos pelo saco de plástico do supermercado – esta medida tem uma função primordial
de defesa do meio ambiente e menor produção de plástico.
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▪ O Tribunal Constitucional tem aplicado pouco este princípio, mas introduziu como limite
da a “manifesta desproporcionalidade” – isto significa que os contribuintes não estão
cabalmente protegidos contra abusos de entidades públicas na cobrança de taxas.
• Contribuições especiais
o O professor Sanches dizia que o IMI era mais uma contribuição especial do que um imposto,
porque, na realidade, só têm de pagar o IMI pessoas que são proprietárias de casas ou que são
usufrutuárias.
o Caracterizam-se pelo caráter de sinalagma difuso (bilateralidade com externalidades) e há
algumas contribuições especiais que servem para satisfazer exclusivamente as necessidades
financeiras de um grupo (princípio da consignação).
o Artigo 4º/3 LGT – são equiparadas aos impostos, pelo que estão sujeitas a Reserva de Lei.
o Têm sido, na nossa doutrina, agrupadas em três principais categorias:
▪ Contribuições destinadas a financiarem serviços de interesses difusos que beneficiam
concretamente alguns grupos de destinatários, mas com externalidades positivas.
▪ Contribuições especiais que financiam entidades publicas de base não territorial cuja
atividade beneficia um grupo homogéneo de destinatários – contribuições especiais
parafiscais
▪ Contribuições especiais, com finalidades extrafiscais puras, destinadas a modelar ou
orientar comportamentos (tributos extrafiscais) – neste caso, não se confunde com
impostos quando estivemos perante montantes cobrados afetos à compensação dos
prejuízos causados pela rigidez dos comportamentos que se pretendiam orientar.
• Contribuições Financeiras
O que são os benefícios fiscais? (artigo 2º/1 Estatuto dos Benefícios Fiscais) Os benefícios fiscais são
desagravamentos fiscais que introduzem exceções à incidência tributária e que prosseguem finalidades não
fiscais (extrafiscais). Por serem exceções às normas de incidência, os benefícios fiscais são violações consentidas
do princípio da igualdade pelo que, em regra, devem ter uma duração limitada e corresponder a princípios
materiais legitimadores, superiores aos da igualdade, tais como:
a) Princípio do bem-estar social – é um princípio geral, que deve estar sempre presente como forma de
controlar o arbítrio;
b) Princípio da proporcionalidade em sentido amplo (que abrange o princípio da necessidade, adequação e
proporcionalidade);
c) Princípio do ganho ou do mérito;
Farto dos garridos reclamos e anúncios luminosos na cobertura de prédios lisboetas, que segundo o presidente
da CML desarmonizavam a estética da cidade e afastavam os turistas, o executivo camarário de Lisboa apresentou
à respetiva Assembleia Municipal uma proposta de criação de uma Taxa Especial a incidir sobre todo e qualquer
objeto e estrutura publicitária colocado na cobertura ou telhado dos imóveis sitos nos bairros históricos do
Castelo, Mouraria, Príncipe Real e Chiado. Ainda de acordo com a proposta, o tributo deveria assentar sobre (i) o
valor tributário dos prédios e, sempre que este valor se revele manifestamente desatualizado, (ii) sobre uma
ponderação da média dos rendimentos sujeitos a IRS declarados pelos proprietários desses imóveis. A referida
proposta propunha também a criação de isenções específicas para (i) os imóveis cujo valor patrimonial não
excedesse os € 2.500 e para (ii) as sedes dos partidos políticos.
Quid iuris?
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No presente caso, estamos perante uma taxa, ou seja, uma prestação pecuniária, bilateral e coativa, que “assenta
na prestação concreta de um serviço público, na utilização de um bem do domínio público ou na remoção de um
obstáculo jurídico ao comportamento dos particulares.”, nos termos do artigo 4º/2 da Lei Geral Tributária. Desta
forma, o bem ou o serviço público tem de ser individualizável e presente (nunca poderá referir-se a um bem futuro),
e o tributo não deverá ultrapassar a cobertura dos custos (princípio da proporcionalidade), sendo o montante em
excesso considerado um imposto oculto.
Ora, há que averiguar se a Câmara Municipal de Lisboa tem competência para a aprovação de uma taxa: ao
contrário dos impostos, que estão sujeitos à Reserva de Lei da Assembleia da República, pelo artigo 165º da CRP,
as taxas não se submetem à reserva de lei, pelo que a Câmara poderá aprovar a criação de uma nova taxa, nos
termos do artigo 268º/4 CRP e do artigo 8º do Regime das Autarquias Locais.
Portanto, este tributo assentava no valor tributário dos prédios e sempre que se revele desatualizado, na
ponderação da média dos rendimentos sujeitos a IRS declarados pelos proprietários. Aqui, está-se a ter em conta
elementos que têm a ver com a capacidade contributiva do indivíduo, sendo que na taxa isso não pode ser tido em
consideração – quantum (a taxa tem de ser alheia à capacidade contributiva dos indivíduos, e aquilo que se tem
de considerar é o princípio da equivalência). Por isso, esta taxa poderá ser considerada inconstitucional (orgânica),
pelo artigo 165º/1/i – o órgão que a criou não tinha capacidade, porque estamos verdadeiramente perante um
imposto oculto.
Relativamente à questão de ter sido atribuída uma isenção fiscal (artigo 2º/1 do Estatuto dos Benefícios Fiscais),
existem, no caso, isenções específicas para os imóveis cujo valor patrimonial não excedesse €2500 e para as
sedes dos partidos políticos. As isenções fiscais são desagravamentos fiscais que introduzem exceções à
incidência tributária e que prosseguem finalidades não fiscais (extrafiscais), que estão sujeitos à reserva de lei.
Por serem exceções às normas de incidência, os benefícios fiscais violam o princípio da igualdade. Assim, eles
têm de ser justificados por princípios que se sobreponham à igualdade e, em regra, devem ter duração limitada. A
matéria vem prevista no estatuto dos benefícios sociais. Existem princípios materiais legitimadores dos benefícios
fiscais, que são o princípio do bem-estar social, o princípio da proporcionalidade (em sentido amplo – abrange o
princípio da necessidade) e o princípio do ganho ou do mérito.
No acórdão do Tribunal Constitucional 177/2010, o TC alterou a sua posição relativamente às taxas pressuporem
a existência de um bem público ou semipúblico, e afirmou que taxas sobre a remoção de obstáculos jurídicos não
são inconstitucionais, desde que estes tutelem interesses públicos. Portanto, só os anúncios visíveis por quem
circula nos espaços públicos é que podem ser tributados através de taxas. Logo, pela jurisprudência consolidada,
considerar-se-ia como uma taxa. A professora Ana Paula Dourado defende que: se esta nova jurisprudência do TC
é correta em termos de princípio, cabe também dizer que a insegurança jurídica para o contribuinte aumenta
muito, dado que nem a reserva de lei nem o princípio da cobertura de custos está a ser aplicado ao controlo da
constitucionalidade das taxas.
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AULA DO DIA 01 DE OUTUBRO DE 2024: RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA
Dentro do sujeito passivo temos o contribuinte, o substituto tributário e o substituído – isto é importante,
porque acarreta consigo responsabilidade tributária, nos termos do artigo 28º, que opera por retenção na fonte,
que pode apresentar duas vertentes: com conta de imposto devido a final: todos os meses é feita uma
“antecipação” do imposto; ou a título definitivo: o imposto é recolhido e já não há necessidade de se declarar no
IRS (não se costuma fazer porque vai aumentar o IRS).
➢ Contribuinte: é o sujeito passivo obrigado por lei a pagar tributos ou outros encargos legais a estes
associados;
➢ Substituto tributário: é um sujeito passivo que, por imposição da lei, está obrigado a cumprir prestações
materiais e formais da obrigação tributária em lugar do contribuinte. Este último, é o substituído.
o No nosso ordenamento, a substituição tributária é efetivada, fundamentalmente, através do
dever de retenção na fonte (artigo 20º/2 LGT), a título definitivo ou por conta, por ocasião de um
pagamento a outra pessoa, e do dever de entrega dos montantes retidos ao tesouro público.
o A entrega de tributo por parte do substituto ao fisco, sem ter existido a necessária retenção do
mesmo, confere direito de regresso por parte do substituto em relação ao substituído, a exercer
nos termos da lei civil.
Segundo o artigo 36º/1 LGT, a relação jurídica tributária constitui-se com o facto tributário, isto é, o preenchimento
fático dos pressupostos legais, com a subsunção do facto à lei. O facto tributário é o objeto do tributo e um dos
elementos do Tatbestand sistemático, e tal como os restantes elementos, ele tem de estar previsto na lei – esta
sujeição a reserva de lei (103º/2 CRP) significa uma aplicação vinculada por parte da administração tributária e
dos tribunais. Como a RJT nasce do preenchimento sucessivo do Tatbestand sistemático, os elementos essenciais
da relação jurídica não podem ser alterados por vontade das partes (princípio da indisponibilidade do imposto).
A RJT extingue-se através da cobrança que assume as modalidades de pagamento voluntário ou coercivo (artigo
78º CPPT e 40º LGT), por caducidade da liquidação (artigo 45º LGT) ou prescrição da dívida tributária (artigo 49º
LGT):
✓ Pagamento Voluntário: Notificada a liquidação, a forma comum de extinção da relação jurídica tributária
é o pagamento voluntário, dentro do prazo e segundo as demais regras definidas em cada Código de
imposto.
o Não obstante, a falta de pagamento dentro do prazo legal não implica necessária e
imediatamente a cobrança coerciva. Para que este seja desencadeada, é preciso:
✓ Pagamento Coercivo: Um título executivo: certidão de dívida ou outro título enunciado no artigo 162º
CPPT. A certidão de divida é extraída findo o prazo legal de pagamento voluntário, e contem todos os
elementos identificadores necessários à cobrança da divida (88º CPPT). A cobrança coerciva está
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associada à execução do património do sujeito passivo (processo de execução fiscal), ou seja, à penhora
e alienação dos bens apreendidos (a execução fiscal materializa-se com a penhora).
✓ Caducidade: a notificação da liquidação é necessária para tornar a divida de imposto certa e exigível. O
poder de liquidação caduca se a notificação da mesma não ocorrer oi não for válida, dentro do prazo
determinado na lei (o prazo regra da caducidade do poder de liquidar é fixado nos 4 anos, pelo artigo 45º/1
LGT, mas há vários prazos especiais previstos no próprio artigo 45º).
✓ Prescrição: a formação da divida tributária apos a liquidação validamente notificada faz correr o prazo de
pagamento voluntário e também o prazo de prescrição (é o limite temporal para a possibilidade de
cobrança da divida por parte da administração tributária). O prazo começa a contar a partir do momento
em que tem lugar o facto tributário, e quando atingido o limite do prazo, a prescrição abrange a divida,
juros compensatórios e juros de mora.
o A finalidade da prescrição é, a par da caducidade, atingir a segurança e paz jurídicas.
A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA:
O responsável tributário é o sujeito passivo que violou deveres
legais e a quem é exigido, na sequência dessa violação, o Artigos Importantes Nesta Matéria: 21º,
pagamento de uma dívida tributária de outrem (sujeito passivo 22º, 23º, 24º, 25º, 26, 27º, 28º LGT
originário) não atempadamente paga (artigo 22º/4 LGT). Ao
contrário do que pretende o artigo 22º/2 LGT, a exigência do pagamento da dívida ao sujeito passivo “originário”
(ou seja, ao contribuinte) não corresponde à figura da responsabilidade tributária, mas ao cumprimento da
obrigação de imposto.
No nosso regime, sempre que a legislação não estabeleça expressamente uma responsabilidade solidária entre
os sujeitos passivos, a responsabilidade é subsidiária. O que significa isto?
Em regra, quando os pressupostos da responsabilidade tributária se verifiquem em relação a mais de uma pessoa,
todas são solidariamente responsáveis pelo cumprimento da divida tributária. A responsabilidade abrange toda a
divida tributária, os juros, multas e demais encargos legais.
• Artigo 25º LGT: respondem apenas os bens a este afeto, mas, em caso de falência por causa relacionada
com a atividade do seu titular, responderão todos os seus bens, salvo se ele provar que o princípio da
separação patrimonial foi devidamente observado na sua gestão - avaliação da culpa funcional.
• Artigo 26º LGT: os liquidários das sociedades podem ser responsáveis tributários, a título pessoal e
solidário, se, em caso de liquidação de qualquer sociedade, não começaram por satisfazer as dividas
tributárias. Todavia, esta responsabilidade fica excluída em caso de dividas da sociedade que gozem de
preferência sobre as dividas tributárias.
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• Artigo 27º LGT: os gestores de bens ou direitos de não residentes sem estabelecimento estável em
território portugueses são solidariamente responsáveis a estes e entre si por todas as contribuições e
impostos do não residente relativos ao exercício do seu cargo.
• No caso do 28º/1 LGT, o que acontece é que se considera que a responsabilidade recorre pelo substituto
porque o substituído não tinha como saber se foi ou não entregue ao Estado – porque os montantes já
tinham sido retidos (não há distinção entre imposto devido a final e a título definitivo) E é por isto que o
substituto tributário é considerado um sujeito passivo.
• Já no artigo 28º/2 LGT, temos os casos em que não há retenção na fonte por importo devido a final, o
substituído recebeu a mais do que deveria ter recebido – subsidiariamente o substituto tributário poderá
ter de cumprir, a caso do substituído não ter rendimentos suficientes, porque rinha deveres que não
cumpriu.
• No artigo 28º/ 3 LGT, temos as situações em que a retenção foi parcial, pelo que não há a distinção entre
qual retenção foi – no entanto, não responde às questões de retenção na fonte a título definitivo, quando
não há retenção e se te entrega o valor total (ou seja, o salário é 100 e devia-se retirar 28; mas deu-se os
100); há uma aplicação extensiva para os casos em que não se entrega nada e responsabiliza-se o
substituto.
• Artigo 24º - a responsabilidade dos corpos sociais e responsáveis técnicos de sociedades de
responsabilidade limitada, cooperativas e empresas públicas é um caso específico de responsabilidade
do substituto tributário. analise na próxima aula.
NOTAS EM AULA:
• Responsabilidade subsidiária: recai sob o substituído, pelo 22º/2 LGT, efetivando-se pela reversão do
processo de execução (23º/1 e 2 LGT) – desdobramento da responsabilidade.
• Forma como se tributa os residentes e os não residentes:
o A residência é um critério para determinar a forma como vamos ser tributados – quando se
qualifica como residente fiscal em PT é tributada pelo seu rendimento comum global
(rendimentos que se aufere em Portugal e fora de Portugal – ainda que não haja tributação
simultânea em dois países sobre o mesmo rendimento).
▪ Relação de conexão intimida e próxima com o território português.
o Se se for não residente (artigo 15º CIRS), só se é tributado em Portugal pelos rendimentos aqui
auferido.
• O domicílio fiscal é onde se cumpre as obrigações.
• O representante fiscal é um sujeito passivo.
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AULA DO DIA 03 DE OUTUBRO DE 2024: CASO 2 E ANÁLISE DO ARTIGO 24º LGT
O ARTIGO 24º:
• 24º/1/a: exemplo – o gerente A está em funções no mês de outubro e, normalmente, controla dos
pagamentos dos salários e os montantes reditos e entregues. Há pagamentos de ordenados onde há
retenção, mas não há entrega do IRS – logo, é um caso do 28º, sendo o único responsável a empresa
(notificada pela AT). Mas, acontece que tem uma fundada insuficiência de bens penhoráveis, nos termos
do artigo 23º, ou seja, a empresa não tem dinheiro/bens penhoráveis/créditos a receber de terceiros, pelo
que há um desdobramento da responsabilidade do administrador e gerente. No entanto, o gerente A deixa
de estar em funções no dia 3 de novembro, sendo que, o prazo legal do pagamento à AT é o dia 20 de
novembro. Sucede que, o gerente A estava em exercício de funções quando ocorreu a divida (nasce no
momento do pagamento do ordenado), mas já não estava em funções à data final do pagamento da dívida.
Contudo, poderá ser chamado a responder, porque estava em exercício de funções no momento da divida
– há aqui um pressuposto de culpa funcional (o ónus da prova ocorre pela AT).
• 24º/1/b: presunção de culpa do gestor. É o caso em que se está em funções quando termina o prazo legal
do pagamento: logo, no mesmo anterior, o gestor B poderia ser responsabilizado porque estava em
funções no dia 20. Ou seja, responsabiliza-se quem não estava em funções no momento de nascimento
da dívida, mas está em funções quando decorre o prazo de pagamento da dívida.
• 24º/2: responsabilidade do ROC e órgãos de fiscalização de pessoas coletivas
Deolinda Nunes, gerente da empresa “Lagoas e Mares, Lda”, com sede em Faro, está muito apreensiva
relativamente aos meses de setembro e outubro, já que a empresa suportou um valor elevado de juros para
financiar a sua sucursal em Loulé e pagou diversas coimas por infrações cometidas no trânsito com as viaturas da
empresa. Nesse período, o departamento financeiro da empresa não efetuou sequer as retenções na fonte aos
trabalhadores da empresa em relação aos seus salários. E, por outro lado, em face das graves dificuldades
financeiras da empresa, não foram entregues as quotizações dos trabalhadores para a Segurança Social.
Quid iuris?
Primeiramente, há que identificar e classificar a relação tributária em apreço: nos termos do artigo 18/1º LGT, o
sujeito ativo é a entidade de direito público titular do direito de exigir o cumprimento das obrigações tributárias,
que, neste caso, seria a Segurança Social e o Estado; no que respeita ao sujeito passivo, segundo o artigo 18º/2
LGT, este é a pessoa singular ou coletiva, património ou organização de facto ou de direito que está vinculado ao
cumprimento da prestação tributária, seja como contribuinte direto, substituto ou responsável – no caso, estamos
perante uma situação de substituição tributária (18º/3 LGT), isto é, o sujeito passivo, por imposição legal, está
obrigado a cumprir prestações materiais e formais da obrigação tributária em lugar do contribuinte (artigo 20º/1
LGT). Ou seja, o substituto é a sociedade e os substituídos são os trabalhadores (artigo 95º do Código do IRS).
A substituição tributária é efetivada através do dever de retenção na fonte do tributo (artigo 20º/2 LGT), a título
definitivo ou por conta, por ocasião de um pagamento a outra pessoa, e do dever de entrega dos montantes retidos
ao tesouro público. Ora, não se efetuou as retenções na fonte aos trabalhadores da empresa em relação aos seus
salários, pelo que se deve averiguar a responsabilidade tributária – o responsável tributário é o sujeito passivo que
violou deveres legais e a quem é exigido o pagamento de uma dívida tributária de outrem (sujeito passivo originário)
não atempadamente paga (artigo 22º/4 LGT).
Em casos de substituição tributária, temos de nos reger pelo artigo 28º/2 LGT: quando o tributo não tenha sido
retido, cabe ao substituído a obrigação de pagar o tributo não retido, e ao substituto a responsabilidade
subsidiária, ficando este ainda sujeito aos juros compensatórios devidos desde o termo do prazo de entrega até
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ao termo do prazo para apresentação da declaração pelo responsável originário ou até à data da entrega do
imposto retido, se anterior – os trabalhadores têm responsabilidade originária e, caso estes não consigam pagar,
a responsabilidade tributária desdobra-se para a empresa2, caso a empresa não consiga, nos termos do artigo 23º
LGT, a responsabilidade recai sobre o departamento financeiro (reversão à execução). Segundo a professora Ana
Paula Dourado, este regime deve-se ao facto de o substituído ser o contribuinte e este ter recebido o seu
rendimento bruto, uma vez que não foi objeto de retenção na fonte. Cabe, portanto, ao contribuinte satisfazer a
obrigação de imposto. Todavia, no caso de a administração tributária verificar que o património do substituído
inexistente ou insuficiente para pagar toda a dívida tributária, nos termos dos artigos 23º/2 da LGT e 153º/2 do
Código de Procedimento e de Processo tributário, o substituto será responsável subsidiário, pois violou o seu
dever de retenção.
Ademais, há que analisar ainda a responsabilidade dos corpos sociais e responsáveis técnicos de sociedades de
responsabilidade limitada, cooperativas e empresas públicas, regulada no artigo 24º LGT. Os gestores de pessoas
coletivas são subsidiariamente responsáveis em relação a estas e solidariamente entre si pelas dívidas tributárias
cujo facto constitutivo se tenha verificado no período em que exerceram o cargo – este caso insere-se no 24º/1/a.
Existe aqui uma presunção de culpa, sendo que a culpa de que trata este artigo não se relaciona com nenhum
juízo de mérito do gestor, mas com uma culpa funcional: cumpriu ou não os deveres tributários e tinha ou não
competência legal ou factual para tal. Além disso, na averiguação da culpa funcional, deve-se ter em conta o erro
desculpável, o estado de necessidade, a situação de impossibilidade absoluta ou o consentimento da instituição
credora.
2
Responsabilidade subsidiária e juros compensatórios.
3
Poder tributário originário (AR, Governo)
4
Poder tributário derivado (AR, AL)
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o A vertente material, no sentido das exigências de densificação da lei fiscal quanto aos elementos
essências de imposto (103º/2), garantido um princípio da legalidade substancial ou princípio da
tipicidade fiscal.
o Um princípio de preferência ou precedência de lei (103º/3) e a consagração de um direito de
resistência à tributação que viole a CRP ou a lei.
o Alem destas disposições há ainda o artigo 2º CRP que caracteriza a Républica portuguesa como
um Estado de Direito Democrático e o artigo 3º/2 que subordina o Estado à CRP e se funda na
legalidade democrática.
• Direito de resistência: os contribuintes, em caso de impostos inconstitucionais, retroativos ou cuja
liquidação e cobrança não se faça nos termos da lei, podem apresentar direito de resistência (forma de
autotutela de direitos, pelo que apresenta carater subsidiário e excecional). Portanto, só se pode recorrer
ao direito de resistência quando se frustrarem todos os controles internos do Estado ou em situações de
impossibilidade de recurso atempada para evitar a lesão de direitos (é a última ratio).
• Reserva de Lei Fiscal: é justificada traves de preocupações garantista. A função garantista está associada
à previsibilidade e calculabilidade da obrigação de impostos e dos seus elementos essenciais e assim
também à segurança jurídica, a reserva de lei fiscal nunca foi observada até à CRP de 1976, ainda que
estivesse constitucionalmente prevista. Ademais, o princípio democrático também justifica a reserva de
lei fiscal.
Visando aproveitar o crescente afluxo de turistas ao país, o Governo cria, através de decreto-lei simples, uma “Taxa
sobre Turismo de Luxo”, que incide sobre o preço das refeições e das estadias, respetivamente, em restaurantes
e estabelecimentos hoteleiros de luxo.
i. define os critérios para a classificação de restaurantes e estabelecimentos hoteleiros como “de luxo”,
para efeitos da “Taxa sobre Turismo de Luxo”; e
ii. isenta da aludida taxa as refeições em restaurantes que se revistam de “manifesto interesse para a
preservação do património gastronómico português”.
Na ordem jurídica portuguesa vigora o princípio da legalidade, que tem como um dos seus objetivos a reserva de
lei, que incluiu a criação de impostos e o regime geral das taxas e demais contribuições financeiras a favor das
entidades públicas (165º/1/i e 103º/2). Contudo, apesar de ser da competência legislativa da Assembleia da
República, esta pode delegá-la ao Governo, nos termos do artigo 165º/1/i e 165º/2 CRP – lei de autorização
legislativa.
Ora, a criação de taxas não compreende a reserva legislativa do parlamento pelo que, em princípio, o Governo
poderia aprová-la, através de decreto-lei simples.
Contudo, haveria que analisar se estamos verdadeiramente perante uma taxa, ou se estamos perante um imposto:
caso se trate de um imposto, o Governo só poderia legislar se estivesse dentro do âmbito de uma autorização
legislativa por parte da Assembleia da República. Portanto, há que analisar os elementos das taxas:
• têm de apresentar caráter sinalagmático ou bilateral, dentro dos três tipos de situações previstas no artigo
4º/2 LGT:
o contrapartida pela utilização de serviços públicos;
o contrapartida pela utilização de um bem publico;
o remoção de um obstáculo jurídico ao exercício de uma atividade por parte dos particulares – é
aqui que se insere a bilateralidade deste tipo de taxas de turismo de luxo;
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• Têm de se tratar de bens ou serviços individualizáveis;
• Respeitar o princípio da cobertura de custos ou da equivalência: tem de haver uma equivalência entre o
que se paga e o que se recebe em troca – uma proporcionalidade do custo e do bem, porque as taxas não
podem ter uma natureza manifestamente desproporcional;
Contudo, há aqui uma valoração ad valorem, porque só quem poderia aceder a esta bem seria quem tivesse maior
capacidade contributiva, pelo que estaríamos perante um imposto oculto, pelo que impostos são matéria de
reserva relativa da AR, havendo aqui uma inconstitucionalidade orgânica, pois não há lei de autorização legislativa
nos termos do artigo 165º/2. Ora, foi violado o princípio da legalidade na sua vertente formal, devido à
desconsideração da reserva de lei por inexistência de lei de autorização legislativa (o princípio da legalidade em
sentido material, exige que os elementos essenciais do imposto sejam definidos e densificados por lei formal).
Relativamente ao ponto i): o princípio da legalidade fiscal exige que todas as leis em sentido formal seja
suficientemente determinadas de modo que os particulares possam entender e prever as atuações da
administração tributária (acórdão 233/94). Considera-se uma lei como indeterminada “quando o conjunto de
argumentos legais disponíveis é insuficiente para justificar os resultados a que se chega”.
Contudo, o princípio da legalidade fiscal não impede as remissões expressas da lei formal para regulamento ou
decreto-lei não autorizado que desenvolvam aspetos estritamente técnicos do regime – estas remissões são
aconselháveis para que a lei fiscal possa exercer eficazmente a sua função de garantia. Foi esta a posição adotada
pelo Tribunal Constitucional no acórdão 236/01, pelo que se se estiver apenas a desenvolver aspetos técnicos não
há uma violação do princípio da legalidade, pelo que não se impede as remissões expressas da lei formal para
outro ato legislativo que os densifique a nível técnico.
Segundo a professora regente Ana Paula Dourado, estas remissões são aconselháveis para que a lei fiscal possa
exercer eficazmente a sua função de garantia.
Ora, este critério fazia parte da incidência objetiva (tempo, espaço, quantitativo e matéria), pelo que deveria então
estar na lei (decreto-lei autorizado), e não na portaria (serve só para concretizar) – há uma inconstitucionalidade
orgânica e material, porque há uma violação do órgão competente e do conteúdo da norma, respetivamente, por
violação do 165º e do 103º.
Relativamente ao ponto ii): estamos perante um benefício fiscal, que, segundo o disposto no artigo 2º/1, do
Estatuto dos Benefícios Fiscais, são medidas de caráter excecional instituídas para tutela dos interesses públicos
extrafiscais relevantes, que sejam superiores aos da própria tributação que impedem, que estão submetidos à
reserva de lei (artigo 103º/2) por serem uma violação consentida do princípio da igualdade.
Assim, tendo a portaria definido uma isenção, é patente que existe nova violação do princípio da tipicidade e
consequente inconstitucionalidade material e orgânica. Ademais, a própria justificação das isenções fiscais
parece não estar bem concretizada, pelo que não se perceber quais são os restaurantes que estão isentos.
O Princípio da Legalidade exige que haja uma logica de previsibilidade e clareza – os contribuintes têm de
conseguir traçar a sua conduta fiscal (segurança jurídica).
Após a outorga, por parte da Assembleia da República, de uma lei de autorização legislativa, onde se permitia ao
Governo «tributar em IRS todos os rendimentos pessoais que decorram de uma relação de trabalho
dependente», é aprovado um decreto-lei que prevê:
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1. – As prestações a que o trabalhador tenha direito por efeito da lei ou do contrato de trabalho, assim como
as despesas cujo encargo a entidade patronal assuma no predominante interesse daquele, serão
tributadas em IRS.
2. – O valor tributável das prestações e despesas a que se refere o número anterior será o seu valor nominal
ou, na falta deste, o valor mais próximo das condições normais de mercado.
3. – As despesas do n.º 1 não serão dedutíveis para efeitos do apuramento do lucro tributável em IRC e,
acaso se mostrem excessivas, serão tributadas autonomamente à taxa de 42%.
4. – Será fixada, por Portaria, a lista das prestações a que referem os [Link] 1, 2 e 3, bem como os critérios
concretos para apuramento do seu valor.
5. – São isentados do pagamento do imposto os trabalhadores da construção naval.»
O Governo aprovou finalmente o decreto-lei que procede à alteração do imposto sobre a detenção de imóveis,
pondo termo à imensa fraude que se tinha instalado no sector da construção civil.
O imposto passa a ser calculado de acordo com o “valor objetivo” de cada imóvel, um valor a fixar pelos serviços
de finanças atendendo à sua “localização”, “equipamentos” e “antiguidade”, bem como a “outros fatores
relevantes” que a lei em si mesma não especifica. Por portaria do Ministro das Finanças haver-se-ia de precisar
melhor estes elementos e o peso relativo de cada um no cálculo do valor tributável.
Ao valor assim determinado aplicar-se-ia uma taxa única de 2% nas grandes cidades, podendo, fora delas,
oscilar a taxa entre os 0,8% e 1%, consoante deliberação das assembleias municipais, uma solução que a
Federação dos Municípios Portugueses sustenta ser inconstitucional por comprimir em demasia a autonomia
financeira local.
A proposta da Federação era antes a de que na generalidade dos municípios a taxa pudesse oscilar entre os 0,5%
e os 5% e que por deliberação das assembleias municipais se pudessem isentar de imposto todos os imóveis
situados em “zonas degradadas”, tal como os próprios municípios as definissem.
Quid iuris?
De acordo com a reserva relativa de competência legislativa da Assembleia da República, consagrada no artigo
165º/1/i CRP, a AR dispõe de poder legislativo em matéria fiscal, podendo delegá-lo ao Governo através de uma
lei de autorização legislativa. Tratando-se o IRS de um imposto, o Governo só poderia legislar através de um
Decreto-Lei autorizado (198º CRP).
Nos termos do artigo 165º/2 CRP, a lei de autorização legislativa deve definir o objeto, sentido, extensão e duração
da autorização concedida ao Governo, de forma a evitar os “cheques em branco”, por referência aos elementos
do artigo 103º/2 CRP (a autorização legislativa deve ser suficientemente detalhada quanto aos elementos
mencionados no 165º/2 de forma a que o Parlamento possa tomar conhecimento e dar o sue acordo político sobre
todos os elementos essenciais dos impostos, benefícios fiscais e das garantias dos contribuintes). Portanto,
analisa-se os âmbitos da autorização:
• Objeto: refere-se ao conteúdo sobre o qual se pode legislar. Neste caso, o Governo pode legislar sobre a
tributação em IRS dos rendimentos pessoais.
• Extensão: estabelece-se os limites sobre os quais o Governo pode legislar- neste caso, corresponde â
tributação em IRS dos rendimentos pessoais que decorram de uma relação de trabalho dependente.
• Sentido: tem de ser definido com base no 103º/2 CRP – não houve menção, pelo que estaríamos perante
uma violação do princípio da legalidade (inconstitucionalidade material da lei de autorização legislativa).
• Duração: não há menção à duração da autorização.
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Relativamente à alínea a):
➢ aqui, para além da tributação relativamente ao rendimento (a prestação) do trabalhador, que seria válida
tendo em conta o objeto e a extensão da autorização legislativa, pretende-se igualmente tributar as
despesas cujo encargo a entidade patronal assuma no predominante interesse do trabalhador, que
extravasa o âmbito definido pela autorização legislativa, pelo que estaríamos perante uma
inconstitucionalidade material por violação do princípio da legalidade (103º).
o NOTA: as despesas podem estar sujeitas a tributação, mas, neste caso, estava fora do escopo da
lei de autorização legislativa.
➢ Ademais, realça-se o aparente vazio da expressão “predominante interesse”, já que os particulares não
conseguem entender e prever as atuações da administração tributária – violação do princípio da
tipicidade (que salvaguarda a segurança e a certeza jurídica).
No que respeita à alínea b): em causa temos o elemento da incidência do imposto (artigo 103º/2). Segundo a
professora Ana Paula Dourado, tem de ser interpretada em sentido amplo, abrangendo o an (sujeito passivo e
objeto) e o quantum (quantificação/taxa).
• Valor Nominal: conceito indeterminado, mas determinável, pelo que não se apresenta nenhum problema.
• Valor mais próximo do valor de mercado: parece que não é possível conhecer com previsibilidade e
segurança jurídica os termos quantitativos do facto tributário – violação do artigo 103º CRP.
No que toca à alínea c) O artigo 23º IRC determina os gastos recorridos para obtenção do grupo da empresa. Neste
caso, o que importa referir é que, ao legislar sobre o IRC, o DL autorizado parece extravasar o objeto da autorização
concedida, pelo que existe uma inconstitucionalidade material e orgânica.
Para mais, as despesas excessivas são um conceito indeterminado que não é possível determinar, pelo que
teríamos uma violação do 103º/2 CRP.
Em relação à alínea d): estamos perante a matéria da determinação da matéria tributável e quantificação. A
remissão per si não é inconstitucional quando estão em casa questões de conteúdo técnico. No entanto, aqui a
portaria está a fixar os critérios para o apuramento do valor (o quantum, que tem de estar sempre em lei ou decreto-
lei autorizado) – inconstitucionalidade.
Acerca da alínea e): Esta isenção constitui um benefício fiscal, isto é, um desagravamento que exceciona a
incidência tributária e que prossegue finalidades extrafiscais (uma violação consentida ao princípio da igualdade).
Segundo o disposto no art 2º/1, do Estatuto dos Benefícios Fiscais, são medidas de caráter excecional instituídas
para tutela dos interesses públicos extrafiscais relevantes, que sejam superiores aos da própria tributação que
impedem.
Assim, eles têm de ser justificados por princípios que se sobreponham à igualdade e, em regra, devem ter duração
limitada. Existem princípios materiais legitimadores dos benefícios fiscais, que são o princípio do bem-estar
social, o princípio da proporcionalidade (em sentido amplo – abrange o princípio da necessidade) e o princípio do
ganho ou do mérito.
➢ Vertente material: sobrepõem-se à igualdade? não parece estar em causa um interesse público
extrafiscal relevante, pelo que haveria uma violação do princípio da igualdade, desencadeando uma
inconstitucionalidade material.
o Para tal, teria de haver uma justificação legal, que não há.
➢ Vertente Formal: nos termos do disposto nos artigos 103º/2 e 165º/1/i) CRP, os impostos são criados por
uma lei que determina os benefícios fiscais, havendo reserva de lei. Ora, a autorização legislativa não
previa qualquer criação de isenções fiscais, desencadeando uma inconstitucionalidade orgânica.
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Questão do imposto dos imóveis:
Estamos perante um âmbito da reserva de lei do artigo 165º/1/i CRP, pelo que o Governo só poderia legislar na
alçada de uma lei de autorização por parte do Parlamento, que densificasse os elementos requeridos no número
2 do mesmo artigo, mas que não ocorreu.
Quanto aos conceitos a determinar por portaria – estamos perante aspetos relativos à quantificação do imposto
(incidência objetiva). Nesse sentido, serão regras materiais porque são elementos constitutivos do tipo tributário
de cuja concretização factual deriva a obrigação de imposto e o seu montante. A indeterminação na definição dos
critérios viola o princípio da legalidade – nenhum ato regulamentar pode definir critérios que não sejam meramente
técnicos.
Questão da taxa:
A taxa é um elemento essencial do imposto, estando no IMI que a taxa pode oscilar entre X e X – deve constar de
lei ou decreto-lei autorizado, mas os municípios, ao abrigo do 238º/4 CRP, tem poder tributário derivado (pelo que
podem estabelecer a taxa dentro do limite mínimo e máximo).
A proposta da federação da uma margem muito ampla, pelo que coloca em causa o princípio da
proporcionalidade. !!!!!!!!ARTIGO 112º/7 CIMI!!!!!!!!!!!!!!!!!
O conceito de prédios degradados ou zonas degradas têm de constar de lei ou decreto-lei autorizado, não pode
ser desenvolvido pelas autarquias locais.
Em relação aos benefícios, os Municípios podem conceder benefícios fiscais relativamente a impostos próprios,
mas tem de obedecer aos requisitos do artigo 16º da Lei das Finanças Locais, não podendo ter duração superior
a 5 anos, devendo ser devidamente justificados e fundamentados e ter em vista a tutela de interesses públicos, o
que não ocorreu neste caso.
O Direito Fiscal, tal qual nos outros ramos de direitos, a regra é de que a lei nova se aplica para o futuro. O artigo
103º CRP estabelece que ninguém pode pagar impostos que têm natureza retroativa; enquanto o artigo 12º LGT
refere os tributos com natureza retroativa.
• Retroatividade autêntica: Quando estamos a falar dos impostos de obrigação única (IVA, retenção na
fonte em sentido definitivo): o facto tributário nasce o produz todos os seus efeitos num dete4mrinado
período (esgota-se num período). Por exemplo, vamos ao café e pagamos 23% IVA e amanhã sai uma lei
a aumentar o IVA para 25% a contar do início do ano – não é possível. O mesmo acontece com os impostos
periódicos (IRS).
o O Tribunal Constitucional entende que estes casos são completamente proibidos, porque encara
a proibição da retroatividade como uma regra e não como um princípio (como a professora ANA
PAULA DOURADO e a professora SÓNIA REIS defendem) – os princípios são bases a seguir e não
são expurgados do sistema jurídico. Contudo, o próprio TC já se veio a contradizer no acórdão
135/2012 em que veio dizer que uma situação de retroatividade autêntica devia ser sujeita ao
teste da confiança.
o O contribuinte não pode ser surpreendido com alterações fiscais abruptas e que não consiga
prever.
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• Retroatividade inautêntica ou retrospetividade5: o TC entende que não está no escopo do 103º, pelo que
é admissível à luz da constituição. Temos um facto tributário que nasce ao abrigo da lei antiga, mas que
só irá produzir os seus efeitos quando temos outra lei em vigor. Por exemplo, em outubro aumentar-se os
escalões do IRS a contar do início do ano, retroagindo os efeitos a 1 de janeiro.
o Enquanto na autêntica temos uma lei que olha para o passado e atua diretamente para o
passado; na inautêntica temos uma lei nova que olha para uma situação do passado e produz os
efeitos para o futuro (ainda está em formação – o facto tributário só se dá por consumado no
futuro).
o A jurisprudência tem considerado estas situações como admissíveis, mas que, ainda assim,
devem ser sujeitas ao teste da proteção da confiança.
O artigo 103º/3 determina que são proibidos impostos retroativos, sendo que não lei não temos a definição de
impostos, mas a doutrina faz uma tripartição entre impostos, taxas e contribuições. De facto, o escopo da
Constituição é unicamente aos impostos, não proibindo os outros tributos retroativos. Por exemplo, e se, agora,
se aumentasse as propinas da faculdade com efeitos a 1 de janeiro? O Tribunal Constitucional tem considerado
que para os demais tributos, devemos recorrer ao artigo 2º da CRP: a retroatividade é a vertente negativa da
segurança jurídica, porque estamos a aprovar leis que vão ter efeitos nefastos para o contribuinte no passado.
No entanto, em 2021, a LGT6 veio dizer que são proibidos os contributos de natureza retroativa; até 2021, a redação
era similar à Constituição, pelo que não havia problema tendo as duas leis o mesmo sentido. Então, como conciliar
a Constituição e a LGT? Apesar de podermos usar o artigo 2º, a segurança jurídica é um conceito mais abstrato,
pelo que o que está em causa é o que fazer ao artigo 12º.
O que é o teste do princípio da proteção da confiança? Não é um princípio de direito fiscal, mas sim um princípio
transversal de Direito aplicado ao direito fiscal. Portanto, a questão que se coloca é saber ate que ponto um
individuo contava com uma alteração legal e essa alteração não pode ser superada/afastada por motivos de
interesse público. O tribunal constitucional veio concretizar estes critérios:
O Tribunal Constitucional considera que o princípio da proteção da confiança sede perante o interesse público.
Em 2010, quando ocorreu a crise financeira, o FMI quis aumentar os impostos (para garantir que recebe o dinheiro
que emprestou de volta): foram aumentadas as taxas dos escalões do IRS e taxas especificas de retenção da fonte
aos trabalhadores; mas, a Lei foi sujeita a fiscalização, sendo que o Tribunal disse:
Estamos perante retroatividade inautêntica, pelo que não é proibido pela interpretação que o TC faz à luz do artigo
103º; contudo, como estamos em situação de crise económica, temos de sujeitar esta norma ao princípio da proteção
da confiança, pelo que o contribuinte deveria estar a contar com a alteração, considerando que o Governo informou
que iria alterar as taxas de IRS, sendo a lesão não tao elevada porque o aumento não é assim tao grande. estamos
perante interesse publico? Sim, porque estamos numa situação de grave crise económica, sendo preciso a
intervenção do FMI, pelo que o Governo pode fazer uso da sua capacidade. Ou seja, há um motivo de interesse publico
5
A professora ANA PAULA DOURADO, considera as duas nomenclaturas como sinónimos. Há doutrina que discorda, incluindo a professora
assistente SÓNIA REIS.
6
Não é uma lei de valor reforçado, mas deveria ter valor reforçado porque desenvolve os conceitos da Constituição Fiscal.
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e bem-estar das finanças públicas que deve prevalecer. Portanto, considerou-se que a norma passava o teste da
proteção da confiança.
Existiram vários votos de vencido, que clamavam pelo artigo 12º/2 LGT. O tribunal constitucional tem afastado
este artigo, porque faz prevalecer a sua interpretação do 103º. Significa que o 12º/2 torna-se letra morta
(professora assistente: ou tiramos o 12º/2 ou o adaptamos às dificuldades com que nos deparamos,
nomeadamente a nível das deduções específicas e à coleta).
A professora regente ANA PAULA DOURADO não concorda com o referido no acórdão 395/2017, que afirma que
nas leis interpretativas há uma expectativa legítima quanto a uma interpretação correta.
Todavia, cabe aos tribunais decidir se uma lei interpretativa é verdadeiramente interpretativa ou inovadora. Neste
último caso, não poderá ser retroativa.
O Governo, na sequência da grave crise financeira, e tendo em vista cumprir as obrigações de redução do défice
público, propõe, no dia 1 de abril de 2024, à Assembleia da República, as seguintes medidas legislativas:
1. Aumentar a taxa do IVA para 25% com efeitos a partir do dia 1 de maio de 2024;
Em primeiro lugar, do artigo 103º/3 da CRP resulta que no Direito Fiscal existe o princípio de que a lei nova só se
aplica para o futuro, sendo proibida a retroatividade da lei fiscal, ou seja, a aplicação da lei fiscal a factos
passados.
Quanto ao IVA, o sujeito passivo não corresponde ao consumidor final, sendo que para o consumidor é um imposto
de obrigação única, enquanto para o sujeito passivo é um facto tributário de formação sucessiva. Como é
suportado pelo consumidor final, considera-se que a lei nova não pode colocar em causa o imposto já pago pelo
consumidor final.
Neste caso, como os 25% se aplicam apenas a partir de maio, não existiria problema em relação ao princípio da
proibição da retroatividade, na medida em que só se iria aplicar aos factos tributários futuros (ou seja, até 30 de
abril paga-se a taxa anterior e a partir de dia 1 de maio paga-se os 25%).
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2. Aumentar a taxa máxima de IRS para as duas categorias mais elevadas em 5% com efeitos nos
rendimentos pessoais de 2024;
O IRS é um imposto periódico, e verifica-se, neste caso, um aumento da taxa aplicada. Apenas a retrospetividade
ou retroatividade inautêntica é admissível face ao artigo 103º/3 da CRP, sendo que o TC apenas considera
admissível a retrospetividade: aquelas situações em que a lei é aplicada a factos passados, mas cujos efeitos
ainda perduram no presente, como sucede quando a lei é aprovada até ao final do ano a que corresponde o
imposto. Assim sendo, a lei seria aplicável a todo o ano fiscal em curso, a 2024. Temos de verificar se a
retrospetividade é admissível neste caso. O TC, para analisar esta questão, baseia-se no princípio da confiança,
como se verifica no acórdão 399/2010. Segundo o TC, para que o princípio da proteção da confiança seja tutelado,
na ponderação da eventual inconstitucionalidade de normas dotadas de retroatividade inautêntica ou
retrospetividade, é necessário que se reúnam dois pressupostos essenciais e cumulativos:
i. A afetação de expetativas, em sentido desfavorável, a qual será inadmissível quando constitua uma
mutuação da ordem jurídica com que, razoavelmente, os destinatários das normas dela constante não
possam contar;
ii. E quando a alteração não for ditada pela necessidade de salvaguardar direitos ou interesses
constitucionalmente protegidos que devam considerar-se prevalecentes.
i. É necessário que o Estado tenha encetado comportamentos capazes de gerar nas contribuintes
expetativas de continuidade;
ii. Tais expetativas devem ser legítimas, justificadas e fundadas em boas razões;
iii. Os privados devem ter feito planos de vida tendo em conta a perspetiva de continuidade do
comportamento estadual
iv. Por último, é ainda necessário que não ocorram razões de interesse público que justifiquem, em
ponderação, a não continuidade do comportamento que gerou a situação de expetativa.
Portanto, temos 3 hipóteses: aplicação da lei a todo o ano em curso e em que o facto tributário conclui-se no dia
31/12; Aplicação da nova lei em 2024; Aplicação fracionada;
3. Aumentar a taxa de IRC para 27% para os rendimentos das pessoas coletivas com efeitos no lucro
tributável de 2024, e agravando a tributação autónoma das despesas com veículos automóveis para 60%;
O aumento das taxas de tributação autónoma são sucessões de factos tributários de obrigação única (nasce e
extingue-se num determinado momento no tempo – pelo que não é relevante o ano ou o período fiscal), pelo que
a lei nova só poderá ser aplicada aos factos tributários que ocorram apos a sua entrada em vigor, sob pena de a lei
ser retroatividade e, consequentemente, inconstitucional. Neste caso, estamos perante a violação do 103º/3. O
TC já considerou que o aumento da taxa em si é uma situação de confisco, também ferida por
inconstitucionalidade.
Aqui, estamos perante uma retroatividade autêntica, tendo em conta que a lei nova será aplicada a um facto com
início e inteiramente decorrido ao abrigo da Lei Antiga (ou seja, já esgotou todos os seus efeitos em 2023 – entre 1
de janeiro a 31 de dezembro). Imposto de obrigação sucessiva.
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Tratando-se de retroatividade autêntica, estamos perante uma inconstitucionalidade ao abrigo do artigo 103º/3
CRP (entendimento do TC).
5. Eliminar, com efeitos ao dia 1 de janeiro de 2023, os benefícios fiscais relativos à contratação de jovens
desempregados;
Aquilo que se verifica é a eliminação de benefícios fiscais, com retroatividade em relação ao ano anterior. Trata-
se de saber se um benefício fiscal concedido num determinado momento pode ser alterado por uma lei que se
aplique apenas depois da sua entrada em vigor, mas que abranja os sujeitos passivos a que se esteja a aplicar o
benefício.
Esta temática afasta-se de alguma forma do 103º/3, porque este reporta-se a impostos retroativos e não a
benefícios fiscais. Ao falar-se de direito económico-fiscal, não há que aplicar o 103º/3 nos mesmos termos
aplicados aos impostos. Há autores que entendem os BF como elementos dos impostos e, estando sujeitos a
reserva de lei, considera que se deve aplicar o 103º/3, pelo que neste caso estaríamos numa situação de
retroatividade autêntica.
Contudo, quando falamos de BF, é preciso perceber o tipo de BF com o qual nos confrontamos: ou seja, se
tivermos um que não é balizado no tempo, o contribuinte não pode esperar ad eternum que o BF seja imutável.
Portanto, uma alteração de um BF que não esteja balizado é muito mais compreensível e aceitável (lesa menos a
confiança) do que um BF que esteja determinado no tempo. Aqui, a lesão da expectativa do contribuinte é muito
maior, porque o contribuinte pauta a sua conduta para obter o benefício fiscal.
As alterações fiscais, a existiram, tem de ser alterações que não possam lesar em demasia: pelo que tem de haver
este balanço entre um benefício geral e abstrato sem nenhuma determinação temporal e um benefício
determinado temporalmente.
A tributação de mais-valias mobiliárias foi tópico de discussão no seio da jurisprudência, sendo que foi tópico de
discussão foi a questão de haver mudanças na incidência temporal entre as duas leis que regulavam o assunto
(segundo a Lei 1/2010, o rendimento obtido de ações tidas por mais de 12 meses não era tributado, enquanto pela
Lei 15/2010, passaria a tributação, sem aplicação da lei no tempo) – por isso, a AT começou logo de imediato a
emitir liquidações adicionais, o que gerou problemas, violando as expectativas legítimas do contribuinte. Houve
recurso ao CAAD, sendo que o tribunal arbitral emitiu decisões distintas.
Assim, o STA, com o acórdão 5/2017 firmou jurisprudência consolidada – a tributação de mais valias-mobiliárias
é única, porque o facto tributário nasce e morre quando a mais-valia é obtida, fundamentando esta decisão com
o artigo 10º/3 + 10º/4 do CIRC
Assim, como o facto tributário nasce e cessa no momento de aquisição, acaba por TAMBÉM versar sobre factos
que já perduraram no tempo, pelo que a norma está ferida de retroatividade autêntica, nos termos do
artigo 103º/3 da CRP
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AULA DO DIA 22 DE OUTUBRO DE 2024: CONT . CASO 5
NOTAS:
❖ A introdução de normas transitórias é uma das formas de resolver problemas de aplicação da lei no
tempo.
❖ Podemos não ter problemas de retroatividade, mas sim problemas de frustração das expectativas
legitimas dos contribuintes no sistema fiscal – isto também são problemas, mesmo que a lei não tenha
nada de ilegal ou inconstitucional.
o Nestes casos, os tribunais alemães têm decidido que estes problemas são inconstitucionais por
violação do princíp0io da segurança e das legitimas expectativas dos contribuintes.
o Fazer valer o princípio da proporcionalidade numa análise casuística.
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o A dedução é fixa7, mas se o montante das contribuições obrigatórias para os regimes de proteção
social e para os subsistemas de saúde for superior ao montante fixado na lei, a dedução legal é
igual ao montante total dessas contribuições.
➢ Categoria B: rendimentos das atividades comerciais e industriais, agrícolas, silvícolas e pecuárias; ou
seja, refere-se aos rendimentos empresariais e profissionais (trabalho independente). Inclui-se ainda a
prestação de serviços por conta própria, de propriedade intelectual ou industrial, etc. São os
rendimentos por contra própria – Artigos 3º e 28º a 29º CIRS
o Consagra um princípio de atração: os rendimentos de capitais, prediais e outros incrementos
patrimoniais, se imputáveis a atividades empresariais ou profissionais, integram a categoria B. o
titular de rendimentos prediais pode optar por ser tributado na categoria B.
o Há dois regimes para o rendimento líquido:
▪ Regime simplificado: para os sujeitos passivos que não tenham optado pela
contabilidade organizada e não tenham ultrapassado o montante anual líquido de
200 000€. Assim, a matéria tributável é apurada através de quoficientes previstos para
diferentes atividades da categoria.
▪ Regime de contabilidade organizada: aplicam-se as regras do IRC para determinar o lucro
tributável, mas com algumas adaptações.
➢ Categoria E: rendimentos de capital – Artigos 5º e 40º a 40º-B CIRS;
o São frutos de vantagens económicas. A lei não reconhece deduções específicas.
➢ Categoria F: rendimentos prediais (rendas dos prédios rústicos, urbanos e mistos pagos ou colocados à
disposição dos respetivos titulares) – Artigos 8º e 41º CIRS;
o São dedutíveis as despesas de manutenção e conservação que incumbam ao sujeito passivo, por
ele sejam suportadas e se encontrem documentalmente provadas, bem como o IMI e o imposto
selo que incidem sobre o valor dos prédios ou parte de prédios cujo rendimento seja objeto de
tributação no ano fiscal.
➢ Categoria G: incrementos patrimoniais – é considerada uma categoria residual – Artigos 9º e 10º e 42º a
52º CIRS;
o Os principais rendimentos que vamos encontrar são as manifestações de fortuna (acrescimento
patrimoniais não justificados) e as mais-valias, imobiliárias ou mobiliárias:
▪ Imobiliárias tem 3 regimes de tributação (artigo 10º)
• Exclusão:
o Exemplo: DE habitação própria e permanente PARA habitação própria e
permanente. O valor da venda da habitação tem de ser investido na
totalidade para a aquisição de outra casa (se vendi por 500, tenho de
usar os 500); é preciso viver na casa durante 2 anos antes de proceder à
venda da casa. O reinvestimento tem de ser feito no prazo de 3 anos para
a frente ou 2 anos para trás (por exemplo, ainda não consegui vender a
casa, mas já comprei outra para ser a minha habitação própria e
permanente)
• Tributação considerando em metade do seu valor e sujeita a englobamento
obrigatório
o Exemplo: vendo a minha habitação própria e permanente e arrendo
outra casa OU Exemplo: vendo a minha casa de férias e compro outra
casa de férias OU Exemplo: vendo a minha casa de férias e não compro
nada
7
Aqui, estamos a falar da determinação do rendimento líquido de cada categoria, que é dado pelas deduções específicas dessa mesma
categoria.
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▪ Ou seja, comprei uma casa por 200 e vendi por 500. A mais-valia
é de 300. Logo, está sujeito a tributação 150, mas como está
sujeito a englobamento obrigatório, vai se juntar aqui
rendimentos de trabalho. 8 , por exemplo 30. Fica então 180.
APLICAR TAXA DO 68º CIRS A ESTES 180.
• Exclusão por via das disposições transitórias do CIRS (artigo 5º - cláusula de
salvaguarda para proteger as legitimas expectativas dos contribuintes)
o Exemplo: quem tinha adquirido casas antes de 1 de janeiro de 1999, não
seria tributado. Quem comprou casa por 200 em 1989 e vai vender em
2024 por 500, a mais-valia de 300 nunca vai ser tributada.
▪ Mobiliárias: artigo 72º CRIS – taxa de tributação de 28% com exceção de micro, pequenas
e medias empresas em que a mais-valia é considerada em metade do seu valor, sujeita
a uma taxa de 28%.
• Exemplo: comprou-se as ações por 200 e [Link] por 500. A mais valia é 300.
Se for uma empresa normal é 300x28%. Nas micro, pequenas e medias
empresas é 150x28%
o Mas 150x28% é a mesma coisa de 300x14%.
➢ Categoria H: rendimentos de pensões (aposentação, reforma, velhice, invalidez, sobrevivência, de
alimentos, prestações a cargo de seguradoras, fundos de pensões, etc.) – Artigos 11º e 53º a 54º CIRS;
o São tributados de acordo com os artigos 98º e seguintes, para o caso de residentes; para o caso
dos não residentes, temos de ir ao artigo 71º.
o No artigo 12º temos uma delimitação negativa de incidência: há rendimento que não estão
sujeitos a IRS, nomeadamente os prémios literários, científicos, etc. (não deixam de ser
rendimentos, simplesmente não são sujeitos a tributação).
Para além destas regras de incidência, existem exclusões de tributação (ou considera-se que devem ficar de fora,
como, por exemplo, pensões e indemnizações do cumprimento militar; ou com objetivos extrafiscais, como
bolsas ou prémios desportivos).
O IRS não é um imposto único e progressivo (104º/1 CRP). É, antes, um imposto dual que combina a tributação
sobre rendimentos obrigatoriamente englobados (artigo 22º CIRS) e sujeitos a progressividade com uma
tributação não sujeita a englobamento obrigatório de outros rendimentos (artigo 71º e 72º CIRS). Os rendimentos
de capitais obtidos em território português pro residentes estão, em regra, sujeitos a retenção na fonte a título
definitivo, a não ser que os titulares desses rendimentos exerçam uma opção de englobamento (71º CRIS).
Atualmente, a regra é que mesmo as pessoas casadas devem entregar separadamente; mas na prática optasse
por entregar em conjunto, porque como se aplica o coeficiente conjugal baixa-se a tributação. O que é tributado
não são as pessoas individualmente, mas sim o agregado familiar, onde se pode reduzir os gastos com saúde e
educação.
Os sujeitos passivos do IRS são as pessoas singulares residentes em território português ou as que não sendo
residentes aqui obtenham rendimentos, pelo artigo 13º/1 CIRS a conjugar com o artigo 16º CIRS e, em caso dos
não residentes, com o artigo 18º CIRS. Mas qual é o conceito de residência? Este conceito tem evoluído devido à
entrada na União Europeia e consequente livre circulação de pessoas e para atrair residentes temporários
qualificados. Assim, os trabalhadores transfronteiriços são tratados como residentes se obtiverem a maior parte
8
Porque também estão sujeitos a englobamento obrigatório.
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do seu rendimento em território português. Portanto, para saber o conceito de residente, há que analisar o artigo
16º CIRS:
• Permanecer em território nacional durante 183 dias seguidos ou interpolados – critério da presença
territorial ou territorialidade
o Não há forma de controlar isto, porque a declaração da residência é algo considerado feito de
boa-fé; ao contrário do que sucede em Espanha.
• Se, no final do ano, tiver cá uma habitação própria e permanente.
• Número 6, 7 e 8: clausula especial anti abuso – quando um nacional português for ser residente para um
território estrangeiro, onde existe um regime fiscal mais favorável, é considerado residente em Portugal
durante esse ano e os próximos 4 anos, exceto se comprovar que a mudança se deu a razoes atendíveis.
o O objetivo é evitar que o sujeito altere a sua residência fiscal somente para fugir ao pagamento de
certos impostos.
Artigo 15º/1: critério da residência – se formos residentes, é para declarar o rendimento obtido ca e no estrangeiro,
para não haver dupla tributação há mecanismos no artigo 81º - deduções à coleta.
Artigo 15º/2: como são tributados os não residentes: são tributados pelos rendimentos que auferem em Portugal
(princípio da territorialidade), a única exceção está no artigo 17º/a.
De acordo com a Lei 82-E/2014, de 31 de dezembro, o IRS é um imposto apurado individualmente, mesmo quando
exista agregado familiar. Sendo um imposto pessoal com finalidades redistributivas, pelo que o parâmetro de
comparação deve ser a capacidade contributiva individual. Todavia, o legislador permitiu a opção pela tributação
conjunta aos casos em que há agregado familiar (ou seja, o imposto é devido pela soma dos rendimentos das
pessoas que o constituam, [Link] como sujeitos passivos aquelas a quem incumbe a sua direção).
O artigo 17º-A é uma exceção ao artigo 15º/2: um não residente que seja residente de um Estado-Membro pode
optar por ser tributado em Portugal, de acordo com as regras pensadas para os residentes – isto é pensado para
os trabalhadores transfronteiriços.
• Foi incluída na nossa legislação em virtude de um acórdão do TJUE – Shumarker: era um professor alemão,
que vivia na Alemanha, mas trabalhava em França, logo o seu salário era pago por uma escola francesa,
mas as regras de tributação alemã era mais pesadas do que as francesas, então aas regras violava a livre
circulação de pessoas e capitais.
Artigo 22º: englobamento. Há rendimentos que estão sujeitos a englobamento obrigatório, isto significa que se
soma os rendimentos. Quando vamos, no final do ano, fazer o apuramento do IRS, olhamos para o rendimento
bruto de cada categoria, fazemos as deduções específicas e depois englobamos o rendimento que der, se for
sujeito a englobamento. Depois aplicámos as taxas do artigo 68º
Artigo 72º: taxas para o rendimento obtido no final do ano, dependem do tipo de rendimento e não
necessariamente se foi obtido dentro ou fora do tribunal
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CLÁUSULAS ESPECIAIS ANTI-ABUSO DO IRS:
O Código do IRS estabelece várias cláusulas especiais anti abuso que têm como objetivo evitar a elisão fiscal, ou
seja, a prática de atos ou negócios lícitos que a lei fiscal qualifica como não sendo conformes a substância da
realidade económica, em situações concretas. Há que elencar os exemplos mais relevantes:
• Artigo 16º/6 CIRS: aqui, a lei determina que ainda se devem considerar residentes em território português
as pessoas que mudarem a sua residência fiscal para paraísos fiscais, no ano em que se verifique esta
mudança e nos quatro anos subsequentes.
o O objetivo é evitar que uma pessoa transfira a sua residência para um paraíso fiscal apenas com
o intuito de obter vantagens fiscais, nomeadamente ficar sujeito a uma tributação mais reduzida.
o Há aqui ainda uma presunção ilidível: a pessoa deve provar que transferiu a sua residência por
motivos profissionais, e assim afasta-se esta ficção de residência em Portugal.
• Artigo 71º/17 CIRS: por sua vez, nesta cláusula, a lei determina que estão sujeitos a uma taxa liberatória
de 35% os rendimentos obtidos por entidades que estejam domiciliadas em paraísos fiscais e os
rendimentos pagos aos respetivos titulares, residentes em território português, por entidades também
domiciliadas em paraísos fiscais.
o Nesta norma, estabelece-se uma alíquota de tributação agravada, subjacente à ideia de que os
rendimentos obtidos por residentes em paraísos fiscais e os rendimentos devidos por entidades
residentes em paraísos fiscais não serão sujeitos a tributação (ou terão uma muito reduzida).
• Artigo 72º/18 CIRS: em semelhança com a norma anterior, esta estabelece uma taxa autónoma de 35%
para os rendimentos de capitais devidos por entidades estabelecidas em paraísos fiscais, para o saldo
positivos de mais-valias e menos-valias relativas a entidades em paraísos fiscais, e para as mais-valias de
entidades estabelecidas em paraísos fiscais.
o O objetivo desta cláusula é o estabelecimento de uma tributação mais agravada, em
consequência de não estarem sujeitos a tributação ou, ainda que tenham sido sujeitos, esta
tenha sido reduzida no Estado onde foi pago.
• Artigo 73º/6 CIRS: estamos perante uma taxa de 35% para as despesas pagas a residentes fora do
território português, e aí exista um regime fiscal claramente mais favorável, salvo se se puder provar que
as operações foram efetivamente realizadas e não tem um caráter anormal ou um montante exagerado.
o Neste último caso, estamos em sede de tributação autónoma, em que se estabelece uma
alíquota de tributação mais agravada e uma presunção ilidível. Assim, se se demonstrar que as
despesas incorridas foram efetivamente realizadas e não têm um caráter anormal ou um
montante exagerado, [Link] a sujeição a tributação autónoma.
Estes passos são realizados para cada rendimento de cada pessoa, individualmente.
4. Quanto às deduções à coleta, deve sempre existir alguma coisa a falar das despesas, pelo que é para
analisar separadamente.
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CASO 6: IRS E IRC: CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, COLETA MÍNIMA E SINAIS EXTERIORES DE
RIQUEZA, FINALIDADE DO IMPOSTO, CONFISCO, DEDUTIBILIDADE DE GASTOS
Por entre mais uma “crise das instituições democráticas”, a Assembleia da República aprova um novo pacote de
medidas de luta contra a fraude e a evasão fiscais.
Antes do mais, todas as empresas passam a estar sujeitas a uma coleta mínima no valor anual de mil euros, a
aplicar já relativamente ao ano em curso e independentemente dos lucros que resultem da sua atividade. Trata-se
de uma medida com um propósito elementar de moralização a que se soma a eliminação de todos os benefícios
fiscais relativos a cooperativas, fundações e instituições de utilidade pública, dados os abusos que nesta matéria
têm vindo a ser constatados pela Administração.
Depois, estabelece-se que sempre que os contribuintes singulares possuam determinados sinais exteriores de
riqueza se presuma, para efeitos de IRS, que são titulares de um determinado rendimento, a menos que façam
prova do contrário. A tabela a usar para o cálculo deste rendimento presumido é a seguinte:
Enfim, por modo a reforçar a moralização do sistema, determina-se que todos os rendimentos provenientes de
práticas ilícitas fiquem sujeitos a uma taxa agravada de IRS ou de IRC de 60% e que as despesas suportadas com
práticas ilícitas não sejam dedutíveis ao rendimento de empresas e profissionais.
Quid iuris?
Em primeiro lugar, cabe referir que a AR tem competência para a criação de impostos, nos termos do artigo
165º/1/i da CRP, tendo de densificar os seus elementos, conforme resulta do artigo 103º/2 da CRP, à luz do
princípio da legalidade (sentido formal) e do princípio da tipicidade (princípio da legalidade em sentido material).
Assim, teria competência para efetuar estas alterações.
Quanto à coletiva mínima em si mesma, acaba por ser uma violação ao princípio da tributação de acordo com o
rendimento real, que entramos no 104º/2 CRP. Sobre a medida ser aplicada já no ano em curso, suscita uma
questão de retroatividade inautêntica, não é uma questão de retroatividade autêntica: não viola o artigo 103º/1,
mas há que suscitar o teste da proteção da confiança: parece que o interesse publico não pode prevalecer, mas
sim a proteção da confiança do contribuinte – a crise das instituições não é suficientemente forte para violar a
proteção da confiança. Ou seja, apesar de ser uma situação de retrospetividade, não passa o crive da proteção da
confiança pelo será inconstitucional pelo artigo 2º CRP.
Quanto aos benefícios fiscais, a sua eliminação pode ser discutida constitucionalmente: deve haver justificação
e fundamentação. Há para defender nos dois sentidos
Sinal exterior de riqueza: artigo 1º/1→ artigo 9/1/d, que remete para o 89-A – é considerado um acréscimo
patrimonial não justificado, a menos que o contribuinte faça prova (p.e. a pessoa recebe o salário mínimo mas
herdou uma casa de 6000000, tem de justificar que foi herança) – método indireto de apuramento do rendimento.
Está sujeito a IRS, nos termos do artigo 72º/17 – taxa especial de 60% - nestes casos, não se entende que há
confisco, porque como não se consegue determinar a origem do dinheiro, considera-se que há uma situação de
fraude ou evasão fiscal, assim, não sendo a origem do dinheiro licita permite a aplicação destas taxas especiais
elevadas.
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Sobre o último parágrafo, os rendimentos ilícitos, tanto a IRS COMO IRC, são tributáveis, pelo 1º. Sendo ilícitos
admite-se a taxa de 60. 23º-A/1/d. CIRC
Despesa ilícita é sempre tida como uma despesa não documentada, pelo que está sujeita a TRIBUTAÇAO
AUTONOMA, 88º/1/A CIRC.
i) O salário dele e os rendimentos que ela obtém enquanto advogada. Contudo, relativamente a este
último rendimento, houve que contar com variadas despesas;
ii) Juros de um depósito a prazo e dividendos de ações da ‘PT’ que compraram há alguns anos;
iii) Uma pequena mais-valia relativamente a algumas das ações, que venderam.
Contudo, a vida não é fácil. Foram elevadas as despesas de saúde e de educação dos três filhos, e ainda tiveram
a seu cargo o pai de António, que vive com eles e recebe apenas a pensão mínima. Quid iuris?
De acordo com o disposto no artigo 104º/1 CRP, o IRS é um imposto sobre o rendimento (artigo 4º LGT – incide
sobre a capacidade contributiva das pessoas singulares revelada através do rendimento), pessoal, (já que
considera elementos diferenciadores entre os sujeitos passivos, como a já referida capacidade contributiva),
progressivo (aumenta-se o nível de tributação do contribuinte tendo em conta o aumento do seu rendimento
coletável) e único (por se proceder a uma tributação de todos os tipos de rendimento do sujeito), considerando as
necessidades e os rendimentos do agregado familiar em questão – neste caso, temos como agregado familiar o
António, a Maria, os seus três filhos, e o pai de António.
Existindo agregado familiar, como é o caso, o imposto é devido pelo conjunto de rendimentos das pessoas que o
constituem, considerando-se como sujeitos passivos aqueles a quem incumbe a sua direção (artigo 13º/2) –
falamos, então, de António e Maria (al. a)), enquanto cônjuges. Em relação aos três filhos do casal, o nº 5, al. a)
refere que estes se consideram dependentes, não sujeitos a tributação autónoma, por se presumir serem menores
de idade (nº 6).
Não havendo referência no enunciado, considera-se que António e Maria são sujeitos passivos residentes em
território nacional, nos termos do artigo 13º e 16º CIRS.
Há que passar, então, para a analise individual dos rendimentos de António e de Maria.
• ANTÓNIO
SALÁRIO: em relação ao salário, estão em causa os rendimentos do trabalho dependente, integrados na categoria
A, nos termos do artigo 1º/1 e 2º/2 cirs, estando sujeito a retenção nas fontes nos termos do artigo 99º/1/a e 99-e
cirs, considerando a sua situação familiar.
Assim, o rendimento líquido tributável é determinado nos termos do artigo 25º/1/a (não há informações que
permitam a aplicação das restantes alíneas).
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• MARIA
SALÁRIO: por ser advogada, ou seja, por prestar serviços de caráter técnico, podemos enquadrar os rendimentos
de Maria na Categoria B, prevista no artigo 1º/1 e 3º/1/b (profissional liberal nos termos do artigo 151º e da portaria
1101/2001, categoria 6010).
A determinação da matéria coletável terá de ser feita de acordo com o previsto no art 28º, CIRS, mais
concretamente, nos termos da alínea a), uma vez que Maria parece não ter ultrapassado no período de tributação
imediatamente anterior um montante anual ilíquido de rendimentos desta categoria de 200.000€ (e também
porque não optou pela determinação dos rendimentos com base na contabilidade – nº3 e nº1/a). Há aqui um
coeficiente de 75% - apenas de considera este % o rendimento sujeito a tributação, os restantes ficciona-se que
foram despesa, exatamente por ser uma atividade a título independente.
Relativamente às “variadas despesas” relativas ao rendimento de Maria, cumpre refira o artigo 33º/1 CIRS, onde
são referidos encargos não dedutíveis para determinar o rendimento da referida categoria. Não são aplicáveis as
alíquotas dos artigos 71º e 72º CIRS.
Tanto os juros, no termos do 1º/1, 5º/1, 5º/2/b e 4, como os dividendos das ações (1º/1, 5º/1 e 5º/2/h) enquadram-
se nos rendimentos de categoria E.
Estes ficam sujeitos a tributação desde o momento em que se vencem, são colocados à disposição do seu titular,
são liquidados ou desde a data do apuramento do respetivo quantitativo (art 7º/1, CIRS). Não se reconhecem
deduções específicas para os rendimentos de capitais, pelo que o rendimento bruto corresponde ao rendimento
tributável. Neste caso, os rendimentos de capitais obtidos em território português estão sujeitos a retenção na
fonte a título definitivo, à taxa liberatória de 28% (art 71º/1/a), CIRS), podendo ser englobados (nº8).
E SE FOSSE NUM BANCO EM FRANÇA: Para o caso de serem não residentes, teríamos de recorrer ao artigo
72º/1/d, porque não existiria retenção na fonte, por não ser tributado em Portugal – mas teríamos de acionar a
dedução à coleta que encontramos no artigo 81º/1
SE FOSSE NUM BANCO NUM PARAÍSO FISCAL: taxa de 35% nos termos do artigo 71º/18 CIRS. – cláusula especial
anti abuso, para evitar a fraude e a evasão fiscal.
Quanto às mais-valias decorrentes da venda de ações, trata-se de um rendimento de categoria G, nos termos do
artigo 1º/1 e 9º/1/a. As mais-valias constam do artigo 10º, e, as decorrentes da venda de ações consta do 10º/1/b,
que diz respeito à alienação onerosa de partes sociais e de outros valores mobiliários.
Não se reconhecem deduções específicas para os incrementos patrimoniais, exceto quanto às mais-valias (art
42º, CIRS). Relativamente ao valor dos rendimentos destas, por força do art 43º/1, CIRS, corresponde ao saldo
apurado entre as mais-valias e as menos-valias realizadas no mesmo ano.
Neste caso, o saldo positivo entre as mais-valias e as menos-valias é tributado à taxa autónoma de 28% (art
73º/1/c), CIRS). Assim, não pode existir englobamento, conforme previsto no art 22º/3/b), CIRS.
Caso estivéssemos perante a alienação de ações de uma pequena empresa não cotadas no mercado
regulamentado ou não regulamento da bolsa de valores, haveria que equacionar o artigo 43º/3: o saldo é
considerado em 50% do seu valor.
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• DESPESAS COM SAÚDE E COM EDUCAÇÃO:
Nos termos das alíneas c) e d) do nº1 do art 78º, CIRS, à coleta são efetuadas deduções relativas às despesas de
saúde e de educação, pela ordem indicada no art 78º/1, CIRS (nº3), sendo que, se forem superiores ao imposto
devido, conferem direito ao reembolso da diferença.
Ora, de acordo com o previsto no art 78º/5, CIRS, estas deduções só se aplicam aos sujeitos passivos residentes
em território português – como vimos anteriormente, a propósito dos arts 13º/1 e 16º, CIRS, tanto António, como
Maria são sujeitos passivos de IRS; no entanto, a hipótese não nos fornece informações suficientes para sabermos
se residem em Portugal (mas presumimos que sim). O nº7 do art 70º acrescenta que a soma destas duas
deduções à coleta não pode exceder, por agregado familiar, e, no caso de tributação conjunta (que também
poderia ser o caso, como suscitámos em momento anterior), após aplicação do divisor previsto no art 69º, os
limites constantes das alíneas desse preceito.
• PAI DE ANTÓNIO
Observando os arts 1º/1 e 11º, CIRS e considerando as circunstâncias da hipótese, a pensão do pai de António
enquadra-se na alínea a) do nº1 do art 11º, CIRS – são prestações devidas a título de pensões de aposentação ou
de reforma, velhice, invalidez ou sobrevivência, bem como outras de idêntica natureza. Com efeito, os
rendimentos apurados pelo pai de António enquadram-se na categoria H.
Consideramos que vive em economia comum com o filho – 78-A/1/c – há uma dedução de 520 euros pro
ascendente. Como só há um ascendente nestas condições há uma dedução extra de 110 euros, do número 2 da
alínea b (ou seja, não há mais irmãos a cuidar dele, só há um filho). pelo que no total temos uma dedução de 630
euros. significa que não tem os montantes necessários.
Joaquim, administrador de uma empresa de contabilidade, utilizava para uso pessoal um carro que a sua entidade
já patronal, a sociedade Átila & Irmãos, lhe havia disponibilizado, bem como recebia subsídio de almoço e subsídio
de residência. A entidade patronal pagou ainda uma viagem de férias ao Dubai a Joaquim e a toda a sua família.
Contudo, e na sequência da epidemia que se abateu sobre o País e estando a Átila & Irmãos com dificuldades
financeiras, decidiu deixar de entregar os montantes retidos aos seus funcionários aquando do pagamento dos
salários junto das Autoridades Fiscais Portuguesas.
Quid iuris?
Neste caso, estamos perante o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares. A tributação do IRS é
organizada por categorias, nos termos do artigo 1º, que correspondem a vários tipos de rendimentos.
Classificando Joaquim, este será sujeito passivo, nos termos do artigo 13º/1, e residente, pelo artigo 16º/1.
Relativamente ao salário: estamos perante um rendimento da categoria A, pelo 1º/1 e pelo 2º/3/a CIRS. Vamos ao
99º, está sujeito a retenção na fonte a título mensal de acordo com a situação familiar e pessoal do trabalhador.
Uma vez apurados todos, há direito à dedução à coleta do artigo 25º CIRS
Já no que concerne ao uso da viatura: vamos assumir que há acordo escrito entre a empresa e o trabalhador que
permite o uso do veículo, já que não está mencionado no caso prático – portanto, estaríamos perante um
rendimento da categoria A. Uma vez que se trata da utilização de um veículo, teríamos de analisar o regime do
artigo 24º, que diz respeito aos rendimentos em espécie. Existe um número específico para automóveis – o nº5,
que determina o rendimento anual corresponde ao produto de 0,75% do seu valor de mercado, reportado a 1 de
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janeiro do ano em causa, pelo número de meses de utilização da mesma. Quanto ao pagamento, não se verifica
retenção na fonte, pela exceção do artigo 99º/1/a. Dedução à coleta do artigo 25º
Para mais, em questão do subsídio de almoço: Mais uma vez, trata-se de um rendimento de categoria A, nos
termos do artigo 1º e 2º/3/b/2. Deste ponto resulta que tem de exceder o limite legal estabelecido ou exceder em
60% sempre que o respetivo subsídio seja atribuído em vales refeição. Estaria sujeito a englobamento, nos termos
do artigo 22º. A taxa aplicável seria determinada pelo artigo 68º, pela tabela dele constante. Existira retenção na
fonte, uma vez que o subsídio é em dinheiro – artigos 98º/1 e 99º/1/a.
Quanto ao subsídio de residência, é um rendimento de categoria A, nos termos do artigo 1º/1 e 2º/3/b/4. É em
espécie, pelo que teríamos de voltar a aplicar o artigo 24º/2.
Sobre a viagem de férias: trata-se de um rendimento de categoria A, portanto, de trabalho dependente, nos termos
do artigo 1º e 2º/3/b/6. Equivalência pecuniária. Rendimento em espécie 24 – não há regra específica, pelo que se
aplica o 24º/1 na logica sucessiva, utiliza-se a alínea b.
Por fim, quando à questão de não entrega dos rendimentos: segundo o artigo 28º/1 – recai sobre a sociedade. nos
termos do artigo 24º os administradores ou gestores podem ser responsáveis subsidiários, nos termos da alínea
a, nos casos em que a empresa não tem como pagar a divida, devido a um dever geral de diligencia (insuficiência
de bens penhoráveis do 22, vai ao 23 e depois 24 – lógica que culpa funcional no exercício das funções).
Há que ter em conta o artigo 23, que determina o conceito de gasto fiscalmente dedutível:
• Artigo 23º/1 CIRC: É fiscalmente dedutível o gasto que seja incorrido para a obtenção de lucro. Este
conceito muito amplo, pelo que a doutrina e jurisprudência tem continuado, e bem, a recorrer aos
conceitos de:
a. Indispensabilidade
b. Essencialidade
c. Business propost test: o custo incorrido tem ou não tem a ver com a atividade desenvolvida pela
empresa?
i. Ex: uma loja de plantas pode ter à frente um jardim bonito, com várias plantas e flores.
Este gasto é dedutível.
ii. Mas, se fosse uma empresa de camiões, o jardim já não seria dedutível, ou seria
discutível, porque o custo não teve a ver com a atividade desenvolvida
• Artigo 23º/2 CIRC: Lista exemplificativa de custos fiscalmente dedutíveis: como se trata de uma lista
exemplificativa, significa que existem outros custos que podem ser fiscalmente dedutíveis, têm é de cair
na cláusula geral do número 1.
• Artigo 23º-A: a lista aqui apresentada dos gastos que não são fiscalmente dedutíveis é taxativa. Fazer
remissao ao 88º -
9
Esta aula foi de duas horas, para repor as aulas que perdemos quando a professora teve de faltar.
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a. Há que ter, igualmente, atenção às regras de tributação autónoma. Nem sempre os custos que
não são dedutíveis estão sujeitos a tributação autónoma, mas há uns que estão.
O CIRS estabelece 4 cláusulas especiais anti abuso10 (clausulas que visam evitar o abuso, fraude e evasão fiscais)
– são consideradas especiais porque têm em conta situações específicas:
10
Podemos aplicar duas clausulas ao mesmo tempo no mesmo caso. Não tem de ser só uma.
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• Artigo 67º: Regra geral: as despesas que não são fiscalmente dedutíveis estão sujeitas a tributação
autónoma, mas nem sempre é assim – caso das coimas por excesso de velocidade, não são fiscalmente
dedutíveis e não estão sujeitas a tributação autónoma.
A sociedade anónima H, que vende veículos automóveis, recebeu a visita de uma equipa de inspeção tributária. A
equipa fez as seguintes correções ao balanço fiscal, que apresentava este ano um resultado líquido positivo de 10
milhões de euros e um valor bruto de vendas de 100 milhões de euros:
• desconsideração, como custo, das multas pagas por contra-ordenação rodoviária, no valor de 50 mil
euros;
• desconsideração, como custo, das rendas pagas ao senhorio no valor de 500 mil euros, por não existir
fatura, mas um mero recibo;
• desconsideração de uma despesa de 1 milhão de euros, apenas identificada por um talão justificativo que
dizia “luvas e subornos”;
• tributação autónoma a 50% das verbas por “luvas e subornos”
• desconsideração de 50 mil euros em almoços e jantares suportados pela sociedade, relativos à
representação da empresa junto de clientes e fornecedores, por ser considerado um valor excessivo.
A equipa de inspecção defende ainda a desconsideração da contabilidade por (a) ser inviável em face do número
de correcções detectadas, (b) por haver sociedades concorrente no mesmo sector de actividade a facturar 50%
mais do que a sociedade H e (c) por ter ocorrido uma redução em 35% do volume de receitas face ao ano anterior.
Por conseguinte, a equipa decidiu-se pela aplicação de uma margem de 30% sobre o valor bruto das vendas
registado em empresas concorrentes nesse ano – que se situavam, em média, em 200 milhões de euros. Apurou-
se, assim, um resultado líquido de 60 milhões e a subsequente liquidação de IRC no valor de 12 milhões de euros.
Quid iuris?
NOTA: VER SEMPRE SE HÁ TRIBUTAÇAO AUTÓNOMA, MESMO QUE SEJAM OU NÃO DEDUZÍVEIS.
Este caso diz respeito ao IRC. O IRC, nos termos do artigo 1º do CIRC, é incide sobre os rendimentos obtidos,
mesmo quando provenientes de atos ilícitos, no período de tributação, pelos respetivos sujeitos passivos. A
sociedade anónima H, presumindo que se situava em Portugal, seria sujeito passivo de IRC, nos termos do artigo
2º/1/a do CIRC.
No que diz respeito às multas pagas por contraordenações rodoviárias: não são tidas como encargos dedutíveis
para efeitos fiscais, nos termos do artigo 23º-A/1/e. Não há tributação autónoma, nos termos do artigo 88º.
Já relativamente às rendas pagas ao senhorio: estão previstas como gastos dedutíveis, nos termos do artigo
23º/2/d. Segundo o nº3, os gastos dedutíveis devem estar comprovados documentalmente, independentemente
da natureza ou suporto dos documentos utilizados para esse efeito, o que, neste caso, faria com que o facto de
ter um mero recibo e não fatura fosse irrelevante. Teria de obedecer aos requisitos do nº4. Existia ainda a obrigação
do 23º/6. O 23º/4 – depende quem é o senhorio – pode estar obrigado à emissão de faturas, onde não basta um
mero recebido. Se for uma pessoa singular que não tem atividade aberta para efeitos de IVA neste âmbito pode
emitir um mero recebido o custo tem de estar documentado.
No que toca às despesas com luvas e subornos: trata-se de uma despesa ilícita, nos termos do artigo 23º-A/1/d.
Seria tributado por tributação autónoma, nos termos do 88º/1/a, a uma taxa de 50%. O artigo 88º só fala em
despesa não documentadas, mas uma despesa ilícita é por natureza não documentada – entendimento da
jurisprudência da doutrina.
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Para a questão dos jantares: artigo 23/1 – não esta proibido por via do 23-a que é taxativo, nem está elencado no
23/2, portanto, há que ir pelo número 1, e perceber se foi para obter de lucro ou não – cumpre business propst
teste? É um custo indispensável para a atividade da empresa? Não vai de encontro com o BPT – não é fiscalmente
dedutível, o custo ser excessivo ou não releva para este efeito (podiam ser só 10 euros, não importa) – a
administração tributária não tem poderes ou capacidade para dizer que um custo não fiscalmente dedutível
porque o valor é excessivo só o pode dizer porque 1 tga no 23-a ou se por força do 23/1 a contrário o custo não
passar o BPT (NÃO TEM A VER COM A ATIVIDADE REALIZADA PELA EMPRESA). Aqui, tínhamos que analisar sobre
3 prismas: o custo era fiscalmente dedutível? Está sujeito a tributação? Determinar que não tem a ver com o valor
excessivo o que ele não é ou é dedutível – isto não é critério. 88º/7 – está sujeito a tributação autónoma.
Rendas pagas ao senhorio: estão previstas como gastos dedutíveis, nos termos do artigo 23º/2/d. Segundo o nº3,
os gastos dedutíveis devem estar comprovados documentalmente, independentemente da natureza ou suporto
dos documentos utilizados para esse efeito, o que, neste caso, faria com que o facto de ter um mero recibo e não
fatura fosse irrelevante. Teria de obedecer aos requisitos do nº4. Existia ainda a obrigação do 23º/6.
Últimos dois parágrafos: estamos a falar de apuramento de lucro tributável que se apura através a liquidação
direta/automática – verifica-se, com a declaração do contribuinte, qual o valor de imposto a pagar ou a receber.
No âmbito de uma inspeção a desconsideração da contabilidade pelo B e C – como é que se está a apurar o lucro
tributário? aqui temos um método indireto – há que ir a LGT pelo 57 CIRC. Assim, o lucro tributável é obtido por
métodos indiretos 87º/1/c LGT
CASO PRÁTICO 10: IRC, NORMAS ESPECIAIS ANTIABUSO E CLÁUSULA GERAL ANTIABUSO
A sociedade anónima X prevê apresentar um resultado líquido do exercício positivo de 200 milhões de euros este
ano, pretendendo ainda distribuir o máximo do lucro possível aos cinco sócios.
Face à possibilidade de se ver confrontada com uma elevada coleta de IRC, além do IRS dos respetivos sócios pela
distribuição de dividendos, a sociedade X resolve consultar um Técnico Oficial de Contas (TOC), conhecido do
sócio.
O TOC fez uma análise fiscal da situação e apresenta uma proposta de poupança fiscal, onde se pode ler:
Sem qualquer intervenção, a carga fiscal global ascenderia a 46 milhões de euros em IRC (23% x 200
milhões) e a cerca de 77 milhões de euros em IRS (aprox. 53% x [200 milhões – 50 milhões]).
• Pagamento de 50 milhões de Euros a uma sociedade situada na República de Vanuatu, por prestação de
serviços de consultoria geral, criando assim custos;
• Venda à sociedade Z – que é detida em 55% pela empresa X – ao valor de mercado, de ações que detém
na sociedade Y, gerando uma menos-valia mobiliária de 50 milhões;
• Compra de maquinaria industrial pelo dobro do seu preço de mercado à sociedade Z, permitindo assim
deduzir uma quota de amortização de 25 milhões de euros já este ano;
• Compra de joias para as mulheres dos 3 administradores, no valor de 50 milhões de euros, deduzindo
assim o respetivo valor em IRC e evitando a tributação dos administradores em IRS;
• Compra aos sócios de parte das ações que estes têm na própria sociedade, pagando esta pelas ações
próprias o valor de 150 milhões de euros. A sociedade comprometer-se-á, ainda, a revender as mesmas
aos sócios pelo valor de mil euros ainda este ano, enquanto os sócios financiarão gratuitamente a
sociedade em 150 milhões de euros neste e no próximo ano.
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Os administradores da sociedade não sabem o que pensar de tudo isto, enquanto o Revisor Oficial de Contas
(ROC) da sociedade, por seu lado, não está minimamente convencido com a análise. Em particular, o ROC acha
que a proposta não vai resultar e que vai trazer até mais encargos em IRS e IRC do que se nada se fizesse.
Este caso diz respeito ao IRC. O IRC, nos termos do artigo 1º do CIRC, é incide sobre os rendimentos obtidos,
mesmo quando provenientes de atos ilícitos, no período de tributação, pelos respetivos sujeitos passivos. A
sociedade anónima X, presumindo que se situava em Portugal, seria sujeito passivo de IRC, nos termos do artigo
2º/1/a do CIRC
Lucros ao socio: 5/2/h – categoria E do IRS. É a distribuição de dividendos aos sócios. Isto são tributados pelo
71º/1/a CIRS a uma taxa liberatória de 28% e pode ser englobados pelo 71º/9 CIRS.
Dinheiro para a sociedade em vanuatu: clausula especial anti abuso do 23º-A/1/r, que tem a regra da não
dedutibilidade – ou seja, o custo não é dedutível. Mas há uma exceção, pode ser abatível se o serviço foi
efetivamente prestado e o montante não seja anormal ou exagerado. Há a indicação que é para criar custo, logo
não tem substancia jurídica - assim!!!!!!! Como as condições são cumulativas, e não há efetivamente operação,
significa que se mantém a regra da NÃO dedutibilidade. Estão sujeitos a tributação autónoma à taxa de 35%, pelo
88º/8 CIRC.
Podem-se aplicar aqui duas clausulas especiais anti abuso? Não da para aplicar o 66 porque não temos nenhuma
indicação que a entidade portuguesa tem 25 ou mais da entidade sediada no paraíso fiscal.
Venda à sociedade Z: está em valor de mercado, logo não se pode aplicar o 63º CIRC (SO FUNCIONA QUNAOD
HÁ PREÇOS MAIS ELEVADOS OU MAIS BAIXOS). Temos de aplicar a clausula geral anti abuso do 38º/2 LGT –
quando aplicamos a cláusula geral, esta reporta-se a situações que são celebrados negócios absolutamente
lícitos, legais, validos, mas que só são celebrados para obteve ruma vantagem fiscal que, de outro modo, não seria
obtida – nestes casos, a venda foi feita ao valor de mercado, mas gerou uma menos-valia muito elevada. Uma
menos valia é um custo fiscalmente dedutível, ou seja, vai poder deduzi la ao seu lucro – esta operação que é
absolutamente valida (venda de ações), mas os foi feita com o intuito de te ruma menos valia para ser dedutível
aos ganhos da empresa – INEFICACIA DO NEGOCIOS JURÍDICO.
A aplicabilidade do 38/2 levanta muitas questões, porque levanta 3 ou 4 problemas que levam todos ao mesmo:
prova. Como é que prova que a operação só foi realizada com o intuito de obter uma determina vantagem fiscal –
isto é muito difícil de provar, as empresas podem vender as ações mais baixas ou mais altas do que compraram.
DIFICULDADE NO ANIMUS.
Compra de maquinaria industrial: há um problema de preços de transferência – aplicamos o 63º CIRC – há uma
operação entre uma entidade relacionada entre si que praticam preços não normais no mercado. Sendo o dobro
do preço de mercado, nestes cenários, o que acontece é que aplicamos o número 9, fazendo um ajustamento ao
lucro tributário.
Compra de joias: não entra no 23 nem no 23-A pelo que temos de seguir a logica do BPT. Não tem nada a ver com
o exercício da atividade da empresa. Sobre o IRS: artigo 2º/3/b – regalias CATEGORIA A – pq é dado a um membro
do agregado familiar.
Compra de ações próprios: clausula geral anti abuso do artigo 38º/ LGT.
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AULA DO DIA 26 DE NOVEMBRO DED 2024: CASOS PRÁTICOS – IRS E IRC
Para a frequência, olhar com especial atenção para os artigos 23º, 23-A, 23-A/1/r, 63º, 66º, 67º e 88º CIRC e 38/2
LGT.
Após seis anos a viver na Bélgica, Ana decide voltar para Portugal, tendo sido contratada, em 2019, como um alto
quadro dirigente de uma empresa portuguesa que disponibilizou uma habitação para Ana e para a sua família. Ana
aproveitou para arrendar a habitação que tinha na Bélgica, tendo recebido rendas no montante de € 15.000.
Assim, no ano de 2019, Ana auferiu rendimentos no montante de € 75.000 do seu trabalho como alto quadro
dirigente da empresa. Recebeu igualmente dividendos de ações que detinha na Amorim e Associados e que
pretendia vender. O seu marido, Lucas, está desempregado e os seus filhos menores estudam no Liceu Francês
em Lisboa.
Quid iuris?
• Como a Ana tinha decidido voltar para PT, assumimos que era cá tributada por ser residente.
• Salário: rendimento da categoria A, rendimento de trabalho dependente. Artigo 1º e artigo 2º/1/a - sujeito
a retenção na fonte de acordo com o 98,99º/1/a/primeira parte. Está sujeito às deduções específicas do
artigo 25ºCIRS.
• Categoria A, artigo ?, não está sujeito a retenção da fonte do 99º/1/a. A dedução específica do 25 é sobre
todos os rendimentos da categoria A, não sobre eles individualmente.
• Arrendar a casa da Bélgica; categoria F, artigo 8º - provem do estrangeiro- taxa de tributação autónoma no
valor de 28%. Embora seja residente fiscal ca, será que pode pagar impostos nos dois países? CA TEM
SEMPRE DE SUPORTAR 28% – Crédito de imposto – o valor que suportou no estrangeiro vai ser reduzido
ao valor que suporta cá. Artigo 41º - não está sujeito a englobamento obrigatório 22º/3/b, mas dá para
meter pelo 22º/3 e 22º/5.
• Dividendos: categoria E, artigo 5º/1/h – sujeitos a taxa especial do 71º/1/a. Englobamento não obrigatório,
ma sé possível submeter pelo 22º/1, 22/2, 71º/9
• Marido: não é sujeito passivo para efeito do IRS, e pode integrar o agregado familiar – tributação conjunta
ou individual, pode-se optar. A regra é tributação individual, mas pode optar-se pela tributação conjunta
que pode diminuir a taxa de tributação aplicável (pelo coeficiente conjugal).
• Filhos: agregado familiar 13º/4 e 5. Despesas dedutíveis à coleta pelo artigo 78º/b.
Domingos, reformado da Polícia Judiciária, farto de estar em casa decidiu iniciar uma nova actividade. Assim
sendo, aproveitou uma oportunidade que surgiu no ano de 2019 e celebrou um contrato com um hotel nas
Seychelles para passar a desempenhar as funções de diretor de segurança do hotel.
A sua mulher Maria que trabalhava na empresa Galvão&Pereira foi despedida em Dezembro de 2019, sendo que
decidiu acompanhar Domingos nesta nova aventura, mas partindo apenas para as Seychelles em 2020.
No ano de 2019, Domingos e Maria arrendaram a sua casa de férias em São Martinho do Porto e venderam as ações
que tinham comprado na Guimarães&Associados.
Quid iuris?
• Até partir para a Seychelles: categoria h – reformado. Artigo 11º IRCS – e artigo 98º e seguintes devido à
retenção na fonte a título mensal.
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• Celebra o contrato e vai trabalhar para lá: deixa de ser ca residente. Contudo é um paraíso fiscal – 16º/6
CIRS: ANO EM QUE TRANSFEREM A RESIDENCIA E NOS QUATRO ANOS SUBSEQUENTES – podemos
afastar a presunção, porque há uma razão atendível, ele foi mesmo trabalhar não foi para la só para pagar
menos impostos (clausula fiscal anti abuso) – é considerado como não residente fiscal em Portugal
• Maria: em 2019 ela recebeu rendimento da categoria A – trabalho dependente. Etc.
• Arrendamento da casa: categoria f, 8/1 e 2 – taxa de tributação autónoma de 28%. Dedução do 41,
englobamento facultativo.
• Venda das ações: incremento patrimonial – mais-valia. Taxa de tributação autónoma de 28 do 72.
Deduções do 43/1, englobamento facultativo. CONTUDO, pode ser uma pequena ou medica empresa, há
o 43º/3 da mais valia ser considerada em metade do seu valor.
A empresa ABCD, que se dedica à criação de gado, está a ser objecto de uma inspecção por parte da Autoridade
Tributária que verificou que a empresa apresenta um conjunto de encargos que não se encontram documentados.
A Autoridade Tributária verificou ainda que foram oferecidas carteiras de pele às mulheres dos administradores da
empresa e que a empresa deduziu na respectiva contabilidade os encargos não documentados. Constatou-se,
igualmente, que a sociedade ABCD celebrou contratos de prestação de serviços de consultoria com várias
empresas portuguesas suas participadas, por 800 milhões de euros.
Quid iuris?
Não documentar: 23-A/1 – custo que não é fiscalmente dedutível. Artigo 88º/1 – sujeição da tributação autónoma
a uma taxa de 80%.
Carteiras de pele: não é o 23-A nem no 23, então vai para o 23º/1 a contrário (clausula geral), submeter ao BPT –
não tem nada a ver com a atividade de criação de gado – não é um custo fiscalmente dedutível. CONTUDO, estas
carteiras podem configurar um rendimento para os administradores: rendimento em espécie.
Frequência 1h30 com 30min de tolerância. Ver bem a retroatividade e a responsabilidade tributária, rendimentos
do irs. Ver bem os artigos da tributação autónoma e afins.
Imagine que a sociedade Garcia &Videira, que se dedica à actividade turística, foi fiscalizada pela Autoridade
Tributária, que verificou o seguinte:
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A sociedade acordou vender as referidas acções aos sócios pelo montante de € 500 no ano de 2014, enquanto
que os sócios financiariam gratuitamente a sociedade em € 300.000,00 em 2013 e 2014.
Quid iuris?
• Aplicar o 23-a/1/r – regra da não dedutibilidade exceto se se demonstrar que o montante não é anormal e
que a operação foi efetivamente realizada. Montante exagerado – logo mantem-se a regra da não
dedutibilidade
• Custo fiscalmente dedutível: 23/1 a contrario – BPT – a compra de carros e joias não configura como um
custo essencial à atividade da empresa, como tal, não é fiscalmente dedutível.
• Contudo, como se oferecem carros e joias, [Link] considerar que estamos perante um rendimento da
categoria A – vantagens ou regalias aos membros de agregado familiar – rendimento em espécie que tem
de ter uma equivalência pecuniária, nos termos do 24º/1.
• Panfletos: aplicação das regras dos preços de transferência como é adquiro pelo triplo, há que ir ao 63º/9
• Ações: elisão fiscal – 38º/2 LGT – clausula geral anti abuso.
• Venda das ações ao sócios: clausula geral anti abuso do 38º/2 – operação totalmente legal, sem qualquer
ilegalidade subjacente, mas o negocio jurídico só foi realizado para obter uma vantagem fiscal que de
outra forma não seria obtida.
GRUPO I
Administradora:
• Artigo 12º-a: rendimentos categoria a e b são apenas tributados me metade do seu valor. CAOS
PENSADO PARA OS RESIDENTES NÃO HABITUAIS, MAS O REGIME FOI REVOGADO.
• Artigo 2º/3 IRS – 98º e seguintes
o Este rendimento e os restantes da categoria A pode beneficiar das deduções epsecificas do
artigo 25
Carro: categoria A se houver acordo escrito entre o trbalahador e a mepresa. Artigo 24/5 rendimentos em espécie
que precisa de euivalencia pecuniáreia. Sem acordo escrito não é rendimento do trabalhador. 88º/6 IRC – NÃO
THA TRIBUTÇAOA AUTOINOMA SE HÁ ACORDO, SE NOA HÁ ACORDO 88º/3 E HÁ TRIBUTAÇAO
Subsidio de reisdencia: categoria a, somado ao salaroo base e, conjuntamente com este, sujeito a retenção na
fonte nso termos do 98 e seguintes.
Bónus anual: categoria a- remuneração acessória. Sujeito a retenção da fonte nos temros do 98 e ss.
Todos os rendimentos da categoria a, uma vez somados, bebenfiicam da deuçao especifica do artigo 25 – noa +e
cada um inidivudlamente é ao bolo total dos rendimentos da categoria a
Tributação autnoma 88º 15 ou 16 – valor do 55 mil euros, tem de cumprir os requisitiooos NÃO APANHEI BEM
ESTA PARTE Aaaaaa
Venda das casa e compra da outra: venda de casa de férias não da para aplicar o 10º/5!!!!! Aqui, categoria G,
esta mais valia imobiliária, do 10,1,a é sujeita a tirbutaçao em metade do seu valor 43/2 – somamos o valor aos
outros e esta sujeito a taxas gerais do 68
LUCROS DAS SOCIEDADES: categoria e, sujeito a retenção da fonte a titulo definitivo a taxa de 28% com
possibilidade de opção pelo englobamento. Aritgo 22.
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Ilhas – tudo igual, mas rendimento do 72º - taxa de autonoma de 35% pq há paraiso fiscla noa há opção pelo
englobamento . já que vem d eum PF
Contrato de ps: 23º-a/i/r o gasto não é fiscalmente dedutivle exceto se se provar que a operçaoa foi feita e
omonetnante não é anormal ou exagerado – o custo da sociedade est+a sujeito a tirbutçaoa utonoma a 35% 88/8
IRC
Prejuízos da sociedade: clausila especial anti abuso operçaoe sde fusão 73/10 CIRC – fusões entre sociedades
pdoem operar por incoporaçao, normalmente, para efeitos fiscais, a sociedad eincoroportante pod deduzir
prjeuizos da outra – tem de ter razoes economicamente validas (organização empresarial, p.e.) ISTO NÃO SAI
Novos investimentos: rendimento da categoria g, aritgo 9 que remete para o artigo 10/1/b, tributação à taxa de
28%, nos temros do artigo 72/1/c com possibilidade de opççao pelo ENGLOBAMENTO . como não sabemos a
dimensão da sociedade, há que considerar caso seja uma pequne aou media empreça. 43/3 considerada em
metade do seu valor.
GRUPO II
Assumimos que há autorização legislativa com todos os requisitos do 165 CRP !!!!!!!!!!!!!!!!!
Taxa municipal de proteção civil: é uma contribuição especial e não uma taxa.
Diminuinçao IRS : norma deosneradora, o 103/3 o que pertence é proibiri o capamento de impsotos, aqui não há
direito de resistência, não se esta a ferir a segurnala justiidca do contribuintex – estas normas devem ser aceites.
MARTIM: ARTIGO 28º/211 LGT, o primeiro repsondsvel é smepr eo trabalhador, se este não pode rpagar há
repsonsabiliudad eusbsidriairia da empresa – sabia que tinha de cumprir. 24º/3 desdobramos para o Martim pq a
ordem vem diretamente dele
Contrubiçoes da SS: 28º/1- na retneçao ma snoa há entrega. Os trbalahdore snao tem como saber. MAS aqui há
que ir ao 23 – se a empresa tive ruma fundadada insuficinencia de bes penhoráveis, há desocbrçaoa da
responsabilidade para os amdinsitradores e gferente.s 24/1/a
Os jantares: dedutibilidade do custo – aqui, temos de ir ao 23º/1 a contrario – BPT. TRIBUTAÇAO AUTNOMA 88º/7
– TAXA DE 10%
11
Retneçao na fonte por conta de imposto devido a final – quando não há isto, aplicamos o numero 2 do aritgo
28!!!!!!
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