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Apostila Módulo IV Aula 1

O documento aborda o curso básico sobre aproveitamento energético de biogás de aterro sanitário, focando nas máquinas térmicas e suas tecnologias de conversão. Ele explora a evolução histórica das máquinas térmicas, princípios de termodinâmica, e detalha turbinas a gás e a vapor, incluindo suas aplicações e ciclos termodinâmicos. O conteúdo é estruturado em módulos e aulas, proporcionando uma visão abrangente sobre o tema.
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CURSO BÁSICO SOBRE APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DE BIOGÁS DE ATERRO SANITÁRIO

Módulo IV - Tecnologias de Conversão Energética do Biogás


Aula 1 – Máquinas Térmicas

Proponente e Cooperadas
Executoras

CURSO BÁSICO SOBRE


APROVEITAMENTO
ENERGÉTICO DE BIOGÁS
DE ATERRO SANITÁRIO
MÓDULO IV: Tecnologias de Conversão
Energéticas do Biogás

AULA 1: Máquinas Térmicas -


Turbinas a Gás e a Vapor

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Aula 1 – Máquinas Térmicas

Sumário
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 3

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS MÁQUINAS TÉRMICAS ......................................................... 4

3. PRINCÍPIOS DE TERMODINÂMICA ..................................................................................... 11

3.1. Modelagem simplificada das máquinas térmicas ............................................................ 11

3.2. Transformações Termodinâmicas ................................................................................... 14

3.2.1. Transformação Isobárica ......................................................................................... 14

3.2.2. Transformação isométrica ....................................................................................... 15

3.2.3. Transformação isotérmica ....................................................................................... 16

3.2.4. Transformação adiabática ....................................................................................... 18

3.2.5. Transformação politrópica ....................................................................................... 19

3.3. Entalpia e Entropia ......................................................................................................... 20

4. TURBINAS A GÁS E A VAPOR ............................................................................................. 22

4.1. Equipamentos Operando no Ciclo Brayton ..................................................................... 22

4.1.1. Turbinas a gás aeroderivadas.................................................................................. 24

4.1.2. Turbinas a gás industriais ........................................................................................ 25

4.1.3. Microturbinas a gás ................................................................................................. 26

4.2. Tipos e Configurações de Turbinas e Microturbinas ....................................................... 27

4.2.1. Turbinas de um único eixo ....................................................................................... 27

4.2.1. Turbinas de vários eixos .......................................................................................... 27

4.3. Caldeiras e Turbinas a Vapor ......................................................................................... 29

4.3.1. Ciclo de Rankine simples teórico ............................................................................. 29

4.3.2. Ciclo a vapor com superaquecimento ...................................................................... 31

4.3.3. Ciclo a vapor com Reaquecimento .......................................................................... 32

4.3.4. Ciclo a vapor com Regeneração .............................................................................. 33

4.3.1. Ciclos combinados................................................................................................... 34

4.4. Ciclos Frigoríficos ........................................................................................................... 35

4.4.1. Compressão mecânica de vapores .......................................................................... 35

4.4.2. Ciclo frigorífico por absorção ................................................................................... 37

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1. INTRODUÇÃO
O assunto principal dessa aula serão as máquinas térmicas. Será feito um breve relato
como e quando essas máquinas surgiram e como foi a sua evolução histórica ao longo do tempo.
Após isso serão mostrados quais são os principais equipamentos utilizados na conversão
energética do biogás de aterros.

Também serão vistos alguns princípios básicos de Termodinâmica que serão essenciais
para a compreensão do funcionamento dessas máquinas que operam com o calor. Tendo em
mente esses princípios depois disso serão apresentados e analisados diversos tipos de ciclos
termodinâmicos que são muito usados para o aquecimento, geração de energia e em sistemas de
refrigeração.

É bom que se faça a definição do que são máquinas térmicas procurando distingui-las dos
aparelhos térmicos. As máquinas térmicas são concebidas para transformar a energia térmica em
energia mecânica. Elas fazem isso aproveitando a energia térmica que é proveniente de uma
fonte de calor em uma temperatura mais elevada, transformando uma parte dessa energia em
trabalho mecânico e rejeitando a parcela restante da energia térmica para uma outra fonte que se
encontra em uma temperatura mais baixa. Os motores de combustão interna nos automóveis e
caminhões são exemplos comuns de máquinas térmicas. Os aparelhos térmicos, por sua vez, não
têm como objetivo a produção de energia mecânica, esses equipamentos operam apenas com
transformações ou transporte de energia térmica de um ponto para outro não se envolvendo com
a energia mecânica. O chuveiro elétrico e o trocador de calor são dois exemplos de aparelhos
térmicos.

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2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS MÁQUINAS TÉRMICAS


A história do desenvolvimento humano está marcada por várias de descobertas e
invenções. A comunicação em um nível mais complexo, o fogo, as primeiras ferramentas, as
pinturas, a escrita são exemplos de algumas delas. O ser humano sempre foi curioso e criativo,
certamente por isso foi evoluindo.

Depois de um longo período de experimentações o homem primitivo consegui dominar as


técnicas do plantio e das colheitas e ele deixou de ser um nômade caçador e virou um agricultor
estabelecendo moradias mais permanentes. E fato foi de extrema importância no desenvolvimento
das máquinas e mecanismos. Isso porque eles observaram que as plantas quando irrigadas
produziam bem mais e em quase todas as épocas do ano. Mas isso exigia o transporte de muita
água, que normalmente fica acumulada nos locais mais baixos, para os pontos mais altos e
encostas onde estavam as plantações.

Foi essa necessidade de transporte de água que pressionou os inventores primitivos a


desenvolver os primeiros mecanismos e máquinas, sistemas primitivos para o bombeamento de
água para ser usada na irrigação das lavouras. Eles eram compostos por alavancas, correias,
caçambas e potes movimentados pelo esforço de uma ou mais pessoas, manualmente ou com os
pés. Depois disso, com a domesticação de outras espécies, foram introduzidas máquinas
acionadas por meio da tração animal. A evolução seguinte dos sistemas de bombeamento foi a
utilização da energia disponível nas quedas d‟água e no vento.

Assim as bombas e sistemas de bombeamento foram as primeiras máquinas que se tem


notícia. Eram dispositivos ainda muito rudimentares que operavam segundo transformações de
energia mecânica apenas.

As máquinas térmicas demoraram ainda muito tempo para surgir. A primeira referência
histórica de uma dessas máquinas remonta somente à Grécia Antiga. Era um pequeno pombo de
madeira que voava por algumas centenas de metros. Para o acionamento era usado o vapor
d‟água pressurizado. Credita-se esse invento a Archytas de Tarentum, 428 – 347 AC, matemático
contemporâneo dos filósofos Platão e Pitágoras.

Passaram-se quase quatro séculos para que esse assunto fosse novamente abordado por
Heron de Alexandria, 10 – 80 DC. Ele destacou-se na Grécia da sua época como sábio
engenheiro e grande matemático. Em geometria desenvolveu a fórmula da área do triângulo a
partir das medidas dos seus lados. Também foi um renomado inventor da antiguidade, foi ele que
concebeu a dioptra, um instrumento de medidas precursor do teodolito, projetou o primeiro
dispositivo acionado pelo vento, uma espécie de órgão musical. Inventou seringas, bombas contra
incêndios e autômatos mecânicos e criou mecanismos para automatizar a abertura e fechamento
de portas nos templos de Alexandria. Um dos seus inventos mais peculiares é de um equipamento

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automático para venda com moedas. Foi Heron que construiu o protótipo da primeira máquina
térmica rotativa. Tratava-se do aeolipile uma pequena turbina de ação em forma de esfera que era
colocada em movimento pelo escape do vapor produzido por uma pequena caldeira. Notem que
isso aconteceu cerca de mil e setecentos anos antes da Revolução Industrial do século XVIII.

Figura 2.1 – a) Pombo de Archytas b) Aeolipile de Heron

A próxima menção às máquinas térmicas deu-se somente em 1629 com a publicação do


Le Machine, um volume que reunia sessenta a e três xilogravuras de Giovanni Branca (1571 –
1645). Nesse trabalho estavam mostrados diversos protótipos e invenções mecânicas diferentes,
entre elas a de uma roda com palhetas que era acionada por um jato de vapor. Nos seus
desenhos essa roda, na realidade uma turbina a vapor, era usada para movimentar pilões,
máquinas de moer, elevar água e serrar madeira. Pode-se dizer que a inovação de Branca foi dar
uma aplicação mais prática para a aeolipile de Hero, no entanto, ela não teve influência sobre as
invenções posteriores que utilizaram o vapor.

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Figura 2.2 – a) Turbina de Branca b) Guincho de Papin

Na sequência da evolução das máquinas térmicas deve ser citado o francês Denis Papin
(1647 – 1712) que criou a marmita de Papin em 1679, na realidade uma autoclave, ou mais
simplesmente, uma panela de pressão em tamanho maior. Para possibilitar uma operação mais
segura do seu equipamento ele desenvolveu e construiu a válvula de segurança com contrapeso,
que é extensamente empregada até os dias de hoje. Ele também inventou uma espécie de
guincho elevador utilizando um conjunto de cilindro e pistão acionados a vapor. Esse seu
mecanismo foi depois melhorado e adaptado e muito utilizado pelos inventores que vieram
posteriormente.

Naquela época, no final do século XVII e início do século XVIII a mineração subterrânea de
carvão e dos metais estava se desenvolvendo com muita rapidez, impulsionada pela demanda da
Revolução Comercial. Um dos maiores problemas encontrados pelos mineiros daquela época
eram as infiltrações e inundações de água. Os trabalhadores utilizavam vários métodos diferentes
para resolver o problema de drenagem, desde bombas acionadas por rodas d‟água e moinhos de
vento até equipes de homens carregando baldes ou animais puxando carroças com tonéis. Mas
nenhum desses arranjos era conveniente, pois não havia espaço interno suficiente para a
construção de rampas mais suaves para a subida de animais e as bombas existentes tinham
pouca capacidade de sucção e de elevação.

Em 1698, Thomas Savery (1650 – 1715) era um engenheiro militar e inventor inglês. Foi
ele que desenvolveu um novo sistema movido a vapor para máquina para bombear água para fora
das minas e resolver o problema de drenagem que tanto atrapalhava a atividade dos mineiros.
Esse equipamento não possuía cilindros ou pistões e as únicas partes móveis eram as válvulas. A
máquina consistia de dois reservatórios que podiam ser cheios com vapor proveniente de uma
caldeira. Esses reservatórios se enchiam de água por meio do vácuo produzido pela condensação
do vapor. Depois disso essa água era expulsa para fora pela pressão exercida pelo vapor. No
entanto, ele não podia elevar a água de minas muito profundas pelas limitações da pressão do
vapor e das conexões existentes na época. Para isso tinham que ser instaladas várias máquinas
em série. Como a sucção da bomba era realizada pela atmosférica, a altura de sucção era da
ordem de dez metros no máximo, exigindo que o equipamento fosse instalado no interior das
minas. Isso implicava em levar o combustível até níveis inferiores e depois retirar os gases de
combustão para fora. Outras grandes desvantagens dessa máquina eram a baixa eficiência e a
sua tendência em causar explosões. Mesmo assim, devido ao sucesso que ela teve, a bomba de
Savery foi batizada de Miner‟s Friend.

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Figura 2.3 – a) Bomba de Savery b) Bomba de Newcomen

Thomas Newcomen (1664 – 1729) nasceu também na Inglaterra, Desde a sua infância ele
se interessou por desmontar e montar as coisas. Depois de adulto se tornou um excelente
mecânico de manutenção e, segundo consta, tinha muita habilidade na construção de peças
forjadas. Quando Newcomen soube da bomba de Savery ficou muitíssimo e curioso e, usando a
influência de seus parentes e dos conhecidos da igreja que frequentava, acabou conseguindo ser
contratado como serralheiro na oficina de Thomas Savery. Usando de todos os seus
conhecimentos em pouco tempo Newcomen já estava trabalhando em melhorias no projeto de
Savery. Depois de dez anos, em 1712, obteve a patente da máquina atmosférica. Essa invenção
era composta por uma caldeira e um conjunto de cilindro e um pistão que era acionado pelo
vapor. Uma haste conectava o pistão a uma alavanca que movimentava a única parte do
equipamento que ficava no interior da mina, uma bomba d‟água do tipo aspirante premente. Assim
era possível retirar a água a mais de cinquenta metros de profundidade de forma contínua. Além
disso, usando corrediças, alavancas e gatilhos, Newcomen conseguiu automatizar o
funcionamento da sua bomba.

A máquina atmosférica de Newcomen era muito superior, a eficiência melhorou muito


quando comparada a bomba de Savery, passou de cerca de 0,15% para pouco mais de 0,5%.
Mas ainda era um equipamento muito pesado, caro e que consumia muito combustível.

Em 1763, James Watt, um mecânico fabricante de instrumentos de Greenock, na Escócia,


foi chamado para reparar uma das máquinas de Newcomen, pertencente à universidade de
Glasgow. Durante esse trabalho, Watt reparou que a condensação do vapor dentro do cilindro
também resfriava desnecessariamente o corpo de toda a máquina, e pensou em vários tipos de
melhoramentos que poderiam torná-la muito mais eficiente em termos energéticos. Assim, ele
adicionou uma câmara de condensação separada evitando as perdas de energia por causa do
resfriamento do cilindro para a condensação do vapor. Após isso, associou-se a John Roebuck,
que o ajudou financeiramente na construção de protótipo e foram feitos mais alguns

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melhoramentos. Depois disso junto com Matthew Boulton, dono de uma firma de engenharia,
comprou a parte de Roebuck e deu início à construção das máquinas do seu projeto.

Figura 2.4 – a) Bomba de Watt de 1769 b) Máquina de Watt, 1780

Durante os anos seguintes eles produziram e comercializaram muitas dessas máquinas


para serem empregadas como bombas nas indústrias de mineração. Mas James Watt continuou a
experimentar e inovar e, por volta de 1780, introduziu as válvulas de corrediça, os pistões de
duplo efeito e o sistema de biela e manivela e construiu a máquina de vapor de movimento
rotativo. Com isso o rendimento das suas máquinas chegou próximo de 3,5 %. Enquanto em seu
invento anterior, com sua ação de movimento alternativo para cima e para baixo, era ideal para
bombeamento e drenar minas, este novo motor a vapor poderia ser usado para acionar uma
variedade muito grande de tipos de máquinas.
James Watt e seus sócios foram rápidos em antever a importância desta nova invenção, e
em 1783 eles começaram a vender esse novo tipo de máquina a vapor para ser utilizada em
tecelagens, moinhos, fábricas de papel e em embarcações. Para se ter uma ideia das
quantidades envolvidas até o ano de 1800 haviam em torno de 500 máquinas de Watt nas minas
e fábricas de toda Europa, no entanto, somente no ano de 1824 foram fabricadas cerca de 1200
máquinas a vapor. Essas novas tecnologias contribuíram decisivamente para o avanço da
Revolução Industrial. Como uma homenagem às suas contribuições científicas, o sobrenome de
James Watt usado para denominar a unidade de potência do Sistema Internacional de Unidades.
Foi nessa época que importantes cientistas e estudiosos como James Prescott Joule,
Rudolf Clausius, William Thomson e James Clerk Maxwell lançaram as bases teóricas para a

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compreensão e sistematização dos fenômenos da Termodinâmica, que antes eram tratados


somente de forma empírica e sem uma abordagem mais formal e exata.

Daí em diante a evolução se deu de forma exponencial, pois foram introduzidas melhorias
nas técnicas de fabricação e de usinagem, foram introduzidas ligas metálicas mais resistentes e
as máquinas a vapor tiveram o seu auge. No entanto, paralelamente a esses acontecimentos
estava surgindo uma outra revolução, alguns sujeitos começaram a extrair do solo um tipo de óleo
chamado petróleo.

Esse óleo depois de refinado fornecia uma grande variedade de produtos como
lubrificantes, combustível para lampiões, parafina, remédios entre outros. Por volta de 1850
alguns inventores começaram a adaptar máquinas a vapor para usar esses derivados do petróleo
como combustível. E assim, em 1876 com Nikolaus August Otto, surgiram os primeiros motores a
centelha. Alguns anos depois, em 1893, Rudolf Diesel apresenta o motor por ignição por
compressão.

Figura 2.5 – a) Motor criado por Ott em 1876 b) Motor patenteado por Diesel em 1983

Os motores se popularizaram muito pela sua leveza, pouca manutenção e facilidade de


operação, quando comparados com as máquinas a vapor. E o desenvolvimento dessas máquinas
não parou mais. Foram introduzidos novos materiais, mais leves, mais resistentes aos esforços e
ao calor, foram feitas melhorias no sistema de alimentação de combustível, estão sendo usados
sistemas de turbo alimentação e controles de eletrônicos para a ignição.

Atualmente, estão sendo propostas e testadas modificações no sistema de comando das


válvulas de admissão e de escape. Em vez dos tradicionais eixos de cames e balancins estão
sendo empregadas válvulas com acionamento eletrohidráulico ou eletropneumático e com
comando eletrônico independente para cada cilindro do motor. Desse modo é possível ajustar os
tempos de abertura e fechamento dessas válvulas otimizando o funcionamento, melhorando os
rendimentos e diminuindo a emissão de poluentes.

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Saiba mais...
Procurem mais informações na Internet. Existem disponíveis
muitos filmes e animações contando sobre o funcionamento e a
evolução das máquinas térmicas.
Muito bom proveito e boa diversão...

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3. PRINCÍPIOS DE TERMODINÂMICA

A Termodinâmica (do grego therme, que significa calor e dynamis que significa potência) é
um dos vários ramos da Física. O conceito fundamental dessa ciência é a noção de energia, e que
pode ser associada a todo e qualquer evento observável. Em função disso, a Termodinâmica é
utilizada para a análise dos processos em todos os campos da Ciência e estende suas fronteiras
de forma muito ampla. É ela que estuda as causas e os efeitos de mudanças na temperatura,
pressão e volume das substâncias e fluidos presentes em todos sistemas físicos.
Para facilitar, pode-se entender o calor como sendo a “energia térmica” em trânsito e que a
dinâmica é algo que se relaciona com o "movimento". Resumindo, podemos dizer que essa
ciência estuda como a energia térmica se transforma e cria o movimento. A Termodinâmica como
uma ciência aplicada surgiu nos meados do século XVII com a necessidade de se melhorar o
rendimento das primeiras máquinas a vapor.
Ela é uma ferramenta essencial para a compreensão do funcionamento das máquinas
térmicas. É a Termodinâmica que permite a análise dos efeitos sofridos pelos fluidos de trabalho
durante as várias transformações ou processos e também a identificação das necessidades
energéticas desses processos.
Neste texto tão resumido e no pouco tempo disponível não há pretensão de se aprofundar
nesse estudo, mas de apenas mostrar os princípios teóricos básicos suficientes para entender os
processos termodinâmicos que acontecem nas máquinas térmicas.
Por isso, em um primeiro momento, durante o estudo das máquinas térmicas, será usada
uma abordagem do tipo “caixa preta”, ou seja, os equipamentos serão analisados como sistemas
simples com apenas três fluxos energéticos: uma entrada de energia, neste caso proveniente do
combustível, uma saída da energia útil e outra saída de energia que engloba todas as perdas e
ineficiências.

3.1. Modelagem simplificada das máquinas térmicas


As máquinas térmicas são concebidas para transformar a energia térmica em energia
mecânica. Elas fazem isso aproveitando a energia térmica que é proveniente de uma fonte de
calor em uma temperatura mais elevada, transformando uma parte dessa energia em trabalho
mecânico e rejeitando a parcela restante da energia térmica para uma outra fonte que se encontra
em uma temperatura mais baixa. Os motores de combustão interna nos automóveis e dos
caminhões, as turbinas dos aviões e as turbinas a vapor das centrais de geração de energia
elétrica são alguns exemplos de máquinas térmicas. A Figura 4.9 mostra um modelo dessas
máquinas térmicas.

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Fonte Qh Máquina W
quente térmica
.
Qc

Fonte
fria

Figura 3.1 - Modelo usado para representar as máquinas térmicas.

Os aparelhos térmicos, por sua vez, não têm como objetivo a produção de energia
mecânica, esses equipamentos operam apenas com transformações ou transporte de energia
térmica de um ponto para outro não se envolvendo com a energia mecânica. Os aquecedores
elétricos, as caldeiras e os trocadores de calor são alguns exemplos comuns de aparelhos
térmicos.

Como em qualquer situação física, nesse modelo a Primeira Lei da Termodinâmica


também tem que ser respeitada, ou seja: a somatória dos fluxos energéticos que entram no
sistema deve ser igual a somatória dos fluxos energéticos que saem do sistema.

∑ ∑

Para o modelo em questão, então:


̇ ̇ ̇

A Segunda Lei da Termodinâmica também tem que ser atendida. Essa lei afirma que, nas
máquinas térmicas, é impossível transformar integralmente todo calor em trabalho útil. Então
pode-se assegurar que sempre as expressões abaixo serão verdadeiras.
̇
̇ ̇

E com base nessas duas Leis pode-se definir um rendimento térmico para essas
máquinas. Este rendimento é determinado pela relação entre o que desejamos obter, o trabalho
mecânico, como o que se gasta para isso, isto é, com a energia térmica consumida que é
proveniente da fonte quente. Esse cálculo pode ser feito usando as duas equações mostradas a
seguir:
̇
̇

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̇
̇

Exemplo 1)
Determinado fabricante afirma que um equipamento da sua linha é capaz de aquecer 7,2 m3 de
água elevando a sua temperatura de 25 para 50 °C, em um intervalor de 2,0 horas, consumindo
40 kg de um combustível com um poder calorífico de 25 MJ/kg. Isso é possível? Qual o
rendimento desse equipamento? Quais são as perdas?
Primeiramente determina-se a potência que é necessária para o aquecimento da água:
( )
̇

̇
Depois calcula-se a potência consumida na forma do combustível

̇
O rendimento é calculado pela relação entre essas duas potências

As perdas são determinadas subtraindo-se a potência necessário da potência consumida.


̇
̇
Sim, isso é possível, pois o equipamento opera com um rendimento de aproximadamente 75,35
%, que é menor que 100 %.

Exemplo 2)
Qual o rendimento térmico de um motor a combustão interna que consome 600 kg/h de biogás
que tem um poder calorífico igual a 20 MJ/kg sabendo-se que ele gera uma potência de eixo igual
a 1,40 MW. Qual é a potência perdida?
A potência consumida é igual a:

̇
Então o rendimento é de

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E a potência perdida é igual a


̇
̇

3.2. Transformações Termodinâmicas


As transformações termodinâmicas podem ser observadas usando um aparato bem
simples. Considera-se inicialmente uma certa quantidade de gás dentro de um cilindro com um
pistão móvel. Ao se comprimir o gás, a agitação das moléculas deve aumentar e isso certamente
deve acarretar aquecimento e aumento da pressão. Esse fenômeno pode ser facilmente
constatado, por exemplo, em uma dessas bombas manuais que são usadas para encher pneus de
bicicleta. Verificamos, nesse caso, que a pressão, o volume e a temperatura sofreram variação
nos seus valores. Quando, pelo menos, duas dessas grandezas sofrem variação, diz-se que o gás
passou por uma transformação.
Essas transformações são fundamentais para o estudo da termodinâmica, pois todos os
processos que ocorrem no interior das máquinas térmicas podem ser substituídos por uma ou por
uma sucessão dessas transformações.
As transformações termodinâmicas abordadas serão as isobáricas, as isométricas e as
isotérmicas. Serão vistas ainda as transformações adiabáticas e as politrópicas.
Em todas essas transformações considera-se que não ocorram mudanças da fase do gás
e que elas estão distantes de regiões onde acontecem anomalias no comportamento desse gás.
Além disso, o aparato usado na experiência é perfeito, ou seja, o pistão desliza no interior do
cilindro totalmente sem atrito, sem nenhum vazamento algum e as paredes desse conjunto são
completamente permeáveis ou impermeáveis ao calor, conforme o caso que se deseja.

3.2.1. Transformação Isobárica


Quando se deseja manter a pressão invariável com a temperatura, o volume do recipiente
deverá aumentar ou diminuir de tamanho conforme o aumento ou diminuição da temperatura.
Uma transformação cuja temperatura e volume variam enquanto a pressão é mentida constante é
chamada de transformação isobárica. O raciocínio acima foi confirmado por Gay-Lussac (1770 –
1840), que enunciou a seguinte lei “ Mantendo-se constante a pressão de uma determinada
massa de gás, o seu volume varia diretamente com a temperatura absoluta”.
A lei de Gay-Lussac é dada pela expressão
V1 / T1  V2 / T2  V3 / T3  V / T  cons tan te

Em um gráfico V x T, como na Erro! Fonte de referência não encontrada.,a


transformação isobárica é representada por uma linha reta. Em experimentos de laboratório com

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precisão é possível determinar o valor correspondente à temperatura do zero absoluto, onde o


volume seria nulo, pela extrapolação dessa reta.

Volume
V
= constante
T

Temperatura
Figura 3.2 - Processo isobárico de compressão em um diagrama V x T.

3.2.2. Transformação isométrica


Nessa transformação o volume é que tem um valor constante. A transformação isométrica
também denominada de isovolumétrica. Não é difícil raciocinar que, para um recipiente de volume
constante, quando existe um aumento da temperatura verifica-se também um aumento da
pressão. A confirmação experimental desse fato foi feita pelo físico Charles (1678 – 1740), que
enunciou a lei: “ Mantendo-se constante o volume de uma determinada massa de gás, sua
pressão varia diretamente com a temperatura”.
Essa lei pode ser dada pela expressão a seguir:
p1 / T1  p2 / T2  p3 / T3  p /T  cons tan te

A representação gráfica dessa transformação em um diagrama V x T é uma reta paralela


ao eixo horizontal.
Volume

p
= constante
T

Temperatura

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Figura 3.3 - Processo isométrico de compressão em um diagrama V x T.

3.2.3. Transformação isotérmica


Ao se comprimir um gás, pode-se aplicar um resfriamento no recipiente onde ele está
sendo comprimido, de forma que a temperatura se mantenha constante. Vice-versa, se o gás se
expande, deve se usar um aquecimento. Esse tipo de transformação foi estudado pelo cientista
inglês Robert Boyle (1627 – 1691), que formulou o seguinte enunciado, conhecido por Lei de
Boyle: “Mantendo-se constante a temperatura de um determinado gás, o seu volume e pressão
variam inversamente”.
Isso significa que, se diminuirmos o volume a pressão aumentará e, se aumentarmos o
volume, a pressão diminuirá, de modo que para cada temperatura o produto da pressão pelo
volume se mantém constante, ou seja:
p1 V1  p2 V2  p3 V3  pV  cons tan te

Em um diagrama P x V essa transformação é representada por uma hipérbole equilátera


que é denominada isoterma do gás. A representação de transformações isotérmicas em diferentes
temperaturas resulta em uma família de curvas de mesmo aspecto, porém, deslocadas no sentido
da reta que é a bissetriz dos eixos coordenados.
Pressão

p V = constante

T2 T2 > T1

T1

Volume
Figura 3.4 - Processo isotérmico de compressão em um diagrama P x V.

Um gás que obedece rigorosamente às três leis citadas acima, sob quaisquer condições
de pressão e temperatura, é denominado de gás perfeito ou gás ideal. Em caso contrário o gás é
chamado de gás real ou de gás comum.

Usando as transformações mostradas anteriormente é possível deduzir uma equação que


engloba as três variáveis envolvidas. Para isso considera-se uma determinada massa de um gás

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perfeito que sofra as transformações do estado A para B e do estado B para C, como mostrado na
figura a seguir. De A para B o gás passa por uma transformação isotérmica e a Lei de Boyle é
válida. De B para C a transformação é isométrica e vale a Lei de Charles.

C
p2
p1 A
T2
p0 B
T1
V1 V2 V
Figura 3.5 - Processo isotérmico (A  B) e isométrico (B  C) em um diagrama P x V.

Para as transformações AB e BC pode-se escrever:


p1 V1  p 0 V2 (a)

p0 p2 p 2 T1
 ou p0  (b)
T1 T2 T2
Levando ( b ) em ( a ) resulta:
p 2 T1
p1 V1  V2
T2
p1 V1 p 2 V2

T1 T2

Essa expressão foi proposta por inicialmente por Émile Clapeyron (1799 – 1864) e deu
origem a Equação dos Gases Perfeitos.
A partir de observações experimentais foi estabelecido que o comportamento p  V  T
de uma certa massa m de um gás poderia ser dado pela seguinte equação de estado:
pV
 mR
T

Onde R é uma constante que depende da natureza molecular do gás. Verifica-se que
muitos gases apresentam, na prática, um comportamento similar, especialmente quando
submetidos a baixas pressões e temperaturas próximas do ambiente ou mais elevadas. Pode-se
dizer também que, de um modo geral, os gases de menor número de átomos por molécula ou
menor complexidade estrutural molecular costumam apresentar menores desvios com relação aos
resultados previstos por essa equação.

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A expressão anterior pode ser modificada, dividindo o volume pela massa, ou seja,
transformando o volume correspondente a massa m do gás em volume específico.
pv
 R
T

A constante R é conhecida como constante universal dos gases perfeitos e vale:


R = 8 ,3143 kJ/(kmol.K)

E a constante particular do gás e R é determinada a partir da constante universal dos

gases R e da massa molecular do gás M W usando-se a expressão seguinte:

R
R
MW
Exemplo 3)
Usando as expressões acima determinar a massa específica do ar a uma de temperatura de 300
K quando ele está submetido a uma pressão igual a 1,0 bar. Sabe-se que massa molecular do ar
é 28,967 kg/kmol.

Solução:

Usando-se a equação 2.16 e sabendo-se que R  R / M W , efetuamos os seguintes


cálculos:
R  R / MW
R  8,3143 / 28,967
R  0,287 kJ / kg K

v  RT / p
v  0,287 . 103 . 300 / ( 1,0 . 105 )
v  0,8611 m3 / kg

  1/ v
  1,1613 kg / m3
A massa específica do ar a 300 K e 1,0 bar é de 1,1613 kg / m3.

3.2.4. Transformação adiabática


Na transformação adiabática de um gás perfeito o sistema é isolado e não troca calor com
o ambiente. Admite-se que a relação entre os calores específicos a pressão constante e a volume
constante se mantenha inalterada, ou seja:

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Cp
k  constante
Cv
Então é possível demonstrar que tal processo obedece a uma equação da forma
pv k  constante

Com base nessa expressão e na equação dos gases perfeitos, podem ser estabelecidas
relações entre as propriedades p, v e T do gás em dois pontos quaisquer 1 e 2 ao longo de um
processo ideal adiabático:

k
p 2  v1 
 
p1  v 2 
k 1
T2  p 2  k
 
T1  p1 
k 1
T2  v1 
 
T1  v 2 

Para os gases diatômicos o valor de k é igual a 1,4 e esse valor também pode ser usado
para o ar na maior parte dos casos onde não se exige muita precisão.

3.2.5. Transformação politrópica


Admitindo-se que exista uma proporção entre o calor e o trabalho que são trocados ao
longo da compressão de um gás perfeito é possível demonstrar que o processo assim efetuado
obedecerá a uma equação do tipo

O processo em questão é denominado politrópico e pode ser situado em relação ao


processo adiabático através de análise da expressão acima.
Tratando-se de um processo de compressão resfriado e n  k ; para o caso de um
processo de compressão com aquecimento e n  k . As duas situações são mostradas na Figura
3.6.
A representação politrópica pode ser considerada como uma forma genérica para os
processos ideais de compressão, da qual o processo adiabático vem a ser uma versão particular.
E assim sendo, as expressões anteriormente estabelecidas para processos adiabáticos, valem
também para processos politrópicos, substituindo-se k por n .

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p n<k n>k
n=1 n=k

Figura 3.6 - Representações da curva


pv n  constante .

Nessa figura ainda é apresentada uma curva para a qual n=1, e nesse caso a equação
resultante é caracterizando um processo isotérmico desenvolvido por um gás
perfeito.
Usando-se as equações dos gases perfeitos e a expressões que governam essas
transformações é possível determinar as propriedades dos gases ao longo de todos processos
que ocorrem durante o funcionamento dos motores e das turbinas a gás.
Logicamente, os valores encontrados não serão exatos em virtude das aproximações que
são feitas. Caso seja necessária maior precisão, podem ser usados métodos e equações mais
apuradas que consideram a variação das propriedades dos gases com as mudanças das
condições funcionamento.
No entanto, isso não pode ser feito para o caso dos ciclos em os fluidos de trabalho
passam por mudanças de estado, como é o caso dos ciclos a vapor. Para esses ciclos devem ser
usadas tabelas com as propriedades termodinâmicas ou então equações mais complexas, que
conseguem representar com exatidão o comportamento desses fluidos.

3.3. Entalpia e Entropia


É necessário compreender, mesmo que seja de forma simplificada qual é o significado
prático dessas duas grandezas. Primeiramente é importante ressaltar que elas são duas
grandezas físicas que podem caracterizar uma substância. Como qualquer outra característica
física, elas podem variar de acordo com as condições das outras grandezas. De modo semelhante
ao peso específico ou a viscosidade de uma determinada substância que se modifica conforme
mudamos a temperatura.
Neste texto, por simplificação, será entendido que a entalpia é uma grandeza que
representa o conteúdo energético total de uma determinada substância. Assim, a entalpia engloba
a parcela do calor e a parcela do trabalho. A primeira parcela depende da energia interna dessa
substância e a segunda parte tem a ver com a pressão e volume ocupado por essa substância.

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A entropia será compreendida como uma grandeza física que serve como indicador da
eficiência de um determinado processo ou transformação termodinâmica de uma substância onde
estão envolvidos calor e trabalho. Quando um processo se realiza perfeitamente e completamente
sem perdas, a entropia da substância permanece inalterada e constante. Esse processo recebe a
denominação de transformação isentrópica. Esse tipo de transformação só é possível em teoria,
pois em todas transformações práticas reais existem perdas e ineficiências que tem como
consequência um aumento da entropia.

Saiba mais...
Procure conhecer mais e se aprofundar nessa matéria. Vocês vão
achar muita informação e novidades sobre a Termodinâmica. Essa
parte da Física é muito interessante.
O saber não ocupa espaço...

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4. TURBINAS A GÁS E A VAPOR


As turbinas a gás e a vapor são muito empregadas nas centrais termelétricas para a
geração de eletricidade, para acionamento de bombas e compressores no setor do petróleo, para
mover as moendas na indústria sucroalcooleira, entre outras muitas aplicações. O biogás
produzido nos aterros também pode utilizado como combustível para esses equipamentos, mas
por enquanto isso ainda não é comum em nosso país.

4.1. Equipamentos Operando no Ciclo Brayton


As turbinas a gás são máquinas térmicas de fluxo do tipo rotativo. Na realidade trata-se de
um conjunto de equipamentos formados por um compressor de ar, uma ou mais câmaras de
combustão e a turbina a gás propriamente dita. A Figura 4.1 mostra um esquema com a
disposição desses equipamentos.
combustível

CÂMARA DE
COMBUSTÃO

COMPRESSOR TURBINA

ar do gases de
ambiente escape

Figura 4.1 – Esquema de uma turbina a gás de ciclo Brayton simples.

Essas máquinas térmicas foram inicialmente desenvolvidas para serem usadas como meio
de propulsão na aviação militar e depois passaram a ser usadas em aviões comerciais. As
turbinas a gás se destacam pela alta densidade de potência, isto é, concentram muita potência em
um equipamento de pouco peso. Como equipamentos empregados para geração de energia
elétrica as turbinas a gás estão concorrendo com os motores alternativos, na faixa das potências
mais elevadas, acima de 1,0 MW.
O princípio de funcionamento das turbinas a gás é conhecido a bastante tempo, pois em
1791 John Barber já havia patenteado um modelo e no ano de 1870 George Brayton descreveu o
ciclo termodinâmico para a operação dessa máquina. No entanto, devido a limitações tecnológicas
e de materiais as turbinas só se tornaram viáveis por volta de 1940, quando o rendimento dos
compressores melhorou e foram desenvolvidas ligas metálicas mais resistentes ao calor.
O engenheiros e especialistas fazem as análises termodinâmicas desse tipo de ciclo
considerando, para simplificação, que o fluido de trabalho seja o ar e usando o equacionamento
padrão, ou seja, tratando o fluido como um gás perfeito. Isso é aproximadamente verdadeiro para

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o compressor, mas para a turbina esse fluido é na realidade uma mistura de ar com os gases de
combustão resultantes da queima do combustível. Como a proporção do ar em relação aos gases
é muito grande, considerar o fluido como sendo somente ar acarreta em um erro tolerável.
Quando é exigida mais precisão existem equações que consideram a presença desses gases e
seus desvios de comportamento em relação aos gases perfeitos.
O ciclo Brayton simples utilizado nas turbinas a gás é composto por quatro processos
termodinâmicos. Incialmente o ar captado do ambiente tem sua pressão elevada por meio de uma
compressão adiabática isentrópica. Depois disso esse ar comprimido é injetado nas câmaras de
combustão onde ele é misturado com o combustível onde, em um processo a pressão constante,
se dá a queima. Em seguida esse ar em alta pressão e temperatura é direcionado para a turbina
onde ele se expande e cede parte da sua energia, que é transformada em energia mecânica.
Finalmente o ar é devolvido ao ambiente, completando o ciclo e rejeitando o restante de calor que
não foi convertido em trabalho. Como pode ser visto nos gráficos da Figura 4.2 e da Figura 4.3.

Figura 4.2 – Diagrama P x V teórico de um ciclo Brayton simples.

Figura 4.3 – Diagrama T x S teórico de um ciclo Brayton simples.

Esses processos termodinâmicos podem ser identificados nessas figuras da seguinte


forma:
1 – 2 Compressão isentrópica adiabática feita pelo compressor
2 – 3 Aquecimento a pressão constante na câmara de combustão
3 – 4 Expansão isentrópica adiabática realizada na turbina a gás

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4 – 1 Rejeição de calor para o meio ambiente em pressão constante

Uma característica relevante neste ciclo é que o compressor necessita cerca de 40 a 80%
da potência produzida pela turbina.

4.1.1. Turbinas a gás aeroderivadas


As turbinas a gás são muito usadas na propulsão de aviões e helicópteros. Isso se dá em
virtude da sua relação peso/potência em comparação com outras máquinas térmicas. Isso é muito
vantajoso, pois a redução do peso das aeronaves resulta em mais eficiência e capacidade
transporte de carga. Por esses motivos surgiu uma indústria especializada para atender a
demanda desse mercado. Por causa da produção seriada e das inúmeras melhorias tecnológicas
os custos desses equipamentos caíram ao longo do tempo. Por isso essas turbinas foram
adaptadas para o uso estacionário, recebendo o nome de turbinas aeroderivadas. Atualmente
essas máquinas são empregadas com muito sucesso para acionamento de bombas e geradores
elétricos. A Figura 4.4 mostra uma turbina a gás do tipo aeroderivada sendo montada no interior
de uma indústria.

Figura 4.4 – Turbina aeroderivada GE LM 2500 sendo instalada.

Normalmente elas são entregues pelos fabricantes já pré-montadas sobre uma carreta
rodoviária ou dentro de conteiner, com ou sem isolamento acústico, bastando fazer as conexões
de alimentação do combustível e da energia elétrica produzida, conforme pode ser visto na Figura
4.5.

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Figura 4.5 – Turbina aeroderivada instalada sobre carreta rodoviária.

4.1.2. Turbinas a gás industriais


Também existem as turbinas a gás que são especialmente projetadas para o uso industrial,
denominadas de turbinas heavy duty. Nessa situação, diferentemente das turbinas de uso
aeronáutico, o principal objetivo não é mais a redução do peso ou a economia de espaço. Essas
turbinas se caracterizam pelos elevados rendimentos e vida útil mais longa.
Dessa forma as carcaças dessas máquinas podem ser mais reforçadas e pesadas e por
isso podem operar com maiores taxas de compressão melhorando assim o rendimento térmico.
As câmaras de combustão são normalmente em menor número, uma ou duas, sendo instaladas
na vertical ou na horizontal, separadas da máquina, ou então, em maior número, seis ou mais,
dispostas radialmente como nas turbinas aeroderivadas. Na Figura 4.6 está mostrado o eixo com
os rotores de uma turbina industrial de grande porte sendo montada no fabricante.

Figura 4.6 – Rotor de uma turbina a gás do tipo industrial

A Figura 4.7 contém um esquema das instalações de um turbo gerador industrial


mostrando a turbina em corte e os seus diversos componentes.

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Figura 4.7 – Esquema da instalação de um turbo gerador industrial.

4.1.3. Microturbinas a gás


As microturbinas são normalmente equipamentos com pequenas dimensões, compostos
por compressor, câmara de combustão, turbina e um gerador eléctrico, com uma potência total
disponível não superior a 250 kW. A maioria das microturbinas disponíveis no mercado têm como
principal objetivo a geração de energia elétrica mas podem também operar em cogeração com a
inserção de mais alguns acessórios.
As maiores vantagens das microturbinas são a durabilidade, projeto compacto com baixo
custo, instalação modular e manutenção simplificada, operam com pressão mais baixa e por isso
são mais leves. A eficiência térmica chega até 33 %. Além das baixas potências, essas máquinas
se caracterizam pelos seguintes pontos:
 Projeto compacto e concebido para aplicações comerciais
 Trabalham em altas rotações, na faixa de 30.000 a 120.000 rpm
 Geram em corrente contínua e usam inversores para transformação em corrente alternada
 Dispensam caixa de redução de velocidade, turbina e gerador são conectados diretamente
 Normalmente empregam recuperadores de calor para melhoria da eficiência

A Figura 4.8 mostra uma central térmica onde são estão instaladas oito microturbinas com
uma potência elétrica de 30 kW cada uma. A unidade opera usando como combustível o biogás
produzido por um aterro sanitário localizado em Thieulloy, na França.

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Figura 4.8 – Central termelétrica usando microturbinas a biogás.

4.2. Tipos e Configurações de Turbinas e Microturbinas


As turbinas e as microturbinas a gás podem ser instaladas e montadas de formas muito
diversas, variando de acordo com os usos a que se destinam. Aos conjuntos das turbinas ainda
podem ser acrescentados trocadores e recuperadores de calor, resfriadores intermediários e
câmaras de combustão adicionais para aumentar a potência e melhorar a eficiência.

4.2.1. Turbinas de um único eixo


O projeto com apenas um eixo é mais usado nas turbinas industriais para as aplicações de
geração de energia elétrica, onde as cargas e as rotações são constantes. Nesse tipo de turbina o
compressor e a turbina de potência operam na mesma rotação

4.2.1. Turbinas de vários eixos


As turbinas de vários eixos são empregadas onde as cargas e as rotações são variáveis.
Um ou dois conjuntos compressor e turbina geram gases quentes que são posteriormente usados
em uma turbina de potência independente, denominada de turbina livre. Desse modo, cada
compressor é acionado pela sua respectiva turbina. Como os conjuntos são mecanicamente
independentes, eles podem operar em rotações diferentes, obtendo sempre o melhor rendimento
mesmo quando operando com vazões diferentes da nominal do equipamento. A Tabela 4.1
contém algumas das diversas formas de montagem das turbinas a gás.

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Tabela 4.1 – Algumas configurações utilizadas para as turbinas a gás (Lora e Nascimento – 2004)

Um eixo Dois eixos Três eixos

C T
Sem turbina livre

C T
C T
C T
C T
C T
a) b) c)

C T
Com turbina livre

C T
C T
C T TP
C T TP
Gerador de gás
C T TP
Gerador de gás

Gerador de gás
d) e)
f)

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4.3. Caldeiras e Turbinas a Vapor


As turbinas a vapor são extensamente utilizadas para a geração de energia elétrica. Elas
estão instaladas na maioria das centrais térmicas convencionais, nucleares, nas centrais de
cogeração e nas centrais térmicas que empregam ciclos combinados. Essas turbinas operam
sempre associadas com caldeiras que são projetadas para produzir vapor superaquecido e em
altas pressões.
Essas caldeiras podem ser alimentadas com diversos combustíveis tais como os derivados
de petróleo, carvão mineral, gás natural, resíduos sólidos, biomassa entre outros. No entanto, o
seu uso com biogás de aterros sanitários viabiliza-se somente em alguns casos muito particulares
e nas aplicações de maior porte, pois as centrais que utilizam as turbinas a vapor exigem
instalações bem mais complexas e que tem um custo de implantação mais elevado.

4.3.1. Ciclo de Rankine simples teórico


O ciclo de Rankine simples teórico para produção de potência é apresentado somente de
forma didática, pois na prática ele não é empregado devido aos problemas técnicos que surgem
ao se operar nos estágios finais da expansão do vapor no interior da turbina com uma quantidade
muito elevada de umidade.
Esse ciclo é composto por quatro equipamentos principais: bomba d‟água, caldeira, turbina
e o condensador. Como está mostrado na Figura 4.9, a seguir.

Caldeira Turbina
4

5
3

Condensador
2

Bomba

Figura 4.9 - Esquema de ciclo de Rankine simples teórico.

Como o próprio nome indica as transformações que ocorrem nesse ciclo são consideradas
teóricas, pois existem desvios e perdas que, por enquanto, não serão considerados. Na primeira
delas o fluido de trabalho, a água, é pressurizado por meio de uma bomba d‟água, passando por
uma transformação isentrópica, ou seja, com entropia constante, sem perdas.
Depois dessa compressão esse fluido é introduzido na caldeira e, a uma pressão
constante e com a adição de calor do combustível, ele é aquecido e vaporizado. Em seguida esse
fluido na forma de vapor é enviado para uma turbina onde passa por uma expansão, também

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isentrópica, e onde uma parcela de sua energia é convertida em trabalho mecânico. Finalmente
esse fluido é inteiramente transformado para a forma líquida, quando ele rejeita no condensador,
também a pressão constante, mais uma parcela de energia para a meio ambiente.
Isso também pode ser visualizado na Figura 4.10 que apresenta um gráfico que tem no
eixo vertical as temperaturas e no eixo horizontal as entropias

3 4

1 5

S
Figura 4.10 - Gráfico T x S para um ciclo de Rankine simples teórico.

Os valores das diversas grandezas em cada um dos pontos desses ciclos podem ser
obtidos usando-se as tabelas de vapor d‟água, que estão disponíveis na literatura especializada
em Termodinâmica ou então usando equações especiais que simulam o comportamento do vapor
d‟água com bastante precisão
Atualmente essas equações podem ser implementadas utilizando suplementos que são
adicionados às planilhas eletrônicas comuns. Esse recurso foi adotado nesse texto para
determinar os valores numéricos dos exemplos que seguem.

Exemplo 4)
Ciclo de Rankine simples teórico
Pressão da caldeira 32 bar
Pressão no condensador 0,08 bar
Temperatura do vapor 237,46 °C
Temperatura de condensação 41,51 °C
Rendimento térmico do ciclo 32,30 %
Título do vapor na saída da turbina 73,82 %

Nesse tipo de ciclo observa-se que o título do vapor na saída da turbina tem valores abaixo
de 85 %. Isso é proibitivo para a operação pelos problemas técnicos causados pela erosão das
gotículas de água nas pás das turbinas.

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4.3.2. Ciclo a vapor com superaquecimento


O problema da elevada umidade nos estágios finais da turbina na prática é contornado
usando-se vapor superaquecido e vez de vapor saturado. Além disso, isso eleva o rendimento
térmico do ciclo, já que durante a passagem pela caldeira o calor é entregue ao fluido de trabalho
em uma temperatura média mais elevada. A Figura 4.11 mostra como é o esquema de um ciclo
de Rankine com superaquecimento.

Caldeira Turbina
5
4

6
3

Condensador
2

Bomba

Figura 4.11 - Esquema de ciclo de Rankine teórico com superaquecimento.

5
3
4

1 6

S
Figura 4.12 - Ciclo de Rankine teórico com superaquecimento.

Exemplo 5)
Ciclo de Rankine teórico com superaquecimento
Pressão da caldeira 32 bar
Temperatura do vapor 400 °C
Pressão no condensador 0,08 bar
Rendimento térmico do ciclo 35,06 %
Título do vapor na saída da turbina 82,48 %

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4.3.3. Ciclo a vapor com Reaquecimento


O ciclo com reaquecimento é outra forma para elevar o rendimento e para melhorar o título
do vapor na saída da turbina. Em um determinado ponto da expansão é feito um desvio e o vapor
retorna para a caldeira onde ele é reaquecido, normalmente a uma temperatura igual ou próxima
da temperatura do vapor superaquecido. Esse vapor reaquecido completa a sua expansão na
turbina realizando mais uma parcela de trabalho. O esquema desse ciclo

Caldeira Turbina
5
4

8
3
7
Condensador
2

Bomba

Figura 4.13 – Esquema de um ciclo de Rankine teórico com reaquecimento.

5 7

3
4 6

1 8

S
Figura 4.14 - Ciclo de Rankine teórico com reaquecimento.

Exemplo 6)
Ciclo de Rankine teórico com reaquecimento
Pressão da caldeira 32 bar
Temperatura do vapor 400 °C
Pressão reaquecimento 9,0 bar
Pressão no condensador 0,08 bar
Rendimento térmico do ciclo 36,23 %
Título do vapor na saída da turbina 90,70 %

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4.3.4. Ciclo a vapor com Regeneração


O rendimento do ciclo de Rankine também pode ser melhorado com sangrias de parte do
vapor que está passando pela expansão na turbina. Esse vapor é usado em aquecedores
empregados no aumento da temperatura da água de alimentação da caldeira. A Figura 4.15
mostra o esquema de um ciclo regenerativo com aquecedor do tipo aberto ou de mistura.
Também podem ser acrescentados a esse ciclo um ou mais aquecedores do tipo fechado.

Caldeira Turbina
5
4

6
7
3

Aquecedor Condensador
2'
2

1 1'

Bomba 2 Bomba 1

Figura 4.15 – Esquema de um ciclo de Rankine teórico regenerativo com aquecedor aberto.

5
3
2 4
1 6
2'
1' 7

S
Figura 4.16 – Ciclo de Rankine teórico com regeneração.

Exemplo 7)
Ciclo de Rankine teórico regenerativo
Pressão da caldeira 32 bar
Temperatura do vapor 400 °C
Pressão sangria de vapor 4,0 bar
Pressão no condensador 0,08 bar
Rendimento térmico do ciclo 37,02 %
Título do vapor na saída da turbina 82,48 %

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4.3.1. Ciclos combinados


A Segunda Lei da Termodinâmica afirma que, ao converterem calor em trabalho, as
máquinas térmicas sempre têm que rejeitar uma parcela desse calor. No entanto, não há
nenhuma lei que nos impeça de utilizar esse calor rejeitado. Essa é a ideia dos ciclos combinados.
Nestes sistemas são acoplados dois ciclos termodinâmicos de maneira que o calor rejeitado seja
empregado como fonte de energia para outro ciclo que opera em patamares de temperatura mais
baixos. Com isso é possível alcançar rendimentos térmicos globais da ordem de até 65%
Podem ser feitas diversas combinações. As mais comuns são as turbinas a gás como
acionadores primários e turbinas a vapor como acionadores secundários, conforme mostrado na
Figura 4.17. Em vez de turbinas a gás também podem ser usados motores alternativos.

Caldeira Turbina a vapor


5
4

Câmara de combustão

6
a b c d 3

Condensador
2
Compressor Turbina a gás
1

Bomba

Figura 4.17 – Esquema de uma central térmica com ciclo combinado.

A Figura 4.18 mostra um diagrama com esses dois ciclos acoplados. Notem que as
transformações foram representadas como sendo reais, não isentrópicas, e que as perdas de
carga também foram consideradas. O calor rejeitado no ciclo da turbina a gás, trecho „d a‟, é
usado por uma caldeira de recuperação para geração de vapor, trecho „1 2 3 4 5‟.
c
T

d
5

b 3
4

2
6
a 1

S
Figura 4.18 – Ciclos da turbina a gás e da turbina a vapor em uma central de ciclo combinado.

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4.4. Ciclos Frigoríficos


Os ciclos frigoríficos foram desenvolvidos e são empregados para atender as diversas
necessidades de refrigeração que são encontradas para a conservação dos alimentos, nos
processos industriais, para os sistemas de climatização e de ar condicionado, entre outras.
Esses ciclos frigoríficos atuam como bombas de calor, invertendo o que seria o fluxo
natural da energia térmica, isto é, o calor passando naturalmente da fonte mais quente para a
fonte mais fria. Então, para que aconteça o inverso, é necessário que se faça dispêndio de
energia, de uma fonte externa, acionando a máquina térmica frigorífica.
Essas máquinas podem operar segundo diversos princípios físicos sendo que os mais
empregados na prática são os utilizam a compressão mecânica de vapores e os que empregam
os ciclos de absorção.

4.4.1. Compressão mecânica de vapores


A característica desses ciclos termodinâmicos de refrigeração é a utilização do trabalho
mecânico como fonte de energia externa. Ele é usado para acionar máquinas que fazem a
compressão de um fluido frigorífico especial. Este, por sua vez, é empregado como o meio de
transporte da energia térmica de um local que está em temperatura mais baixa para outro com
temperatura mais alta. Para o acionamento de dessas máquinas são normalmente empregados
motores elétricos. No entanto, também podem ser usados motores alternativos de combustão
interna, turbinas a gás, entre outros.
Um ciclo frigorífico de compressão de vapores é composto basicamente pelos seguintes
equipamentos: compressor, condensador, um mecanismo ou válvula de expansão e um
evaporador. Eles são dispostos e interligados como mostrado no esquema da Figura 4.19.

Calor rejeitado

3 2
Condensador

Válvula de
expansão
Alta pressão
Baixa pressão Compressor

Energia mecânica
Líquido Vapor ou gás

Evaporador
4 1

Carga de frio

Figura 4.19 – Esquema de um ciclo frigorífico de compressão mecânica de vapores.

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Para facilitar a compreensão, esse esquema pode ser dividido por duas linhas. Acima da
linha horizontal está a parte que opera em alta pressão e abaixo dessa linha está a parte de
pressão baixa pressão. No lado esquerdo da linha vertical o fluido está no estado líquido e ao lado
direito dessa linha vertical o fluido está na forma de vapor ou de gás.
Ao percorrer esse ciclo o fluído frigorífico passa pelos seguintes processos:

1–2 Compressão isentrópica


2–3 Condensação em pressão constante com rejeição de calor
3–4 Expansão realizada sob entalpia constante
4–1 Evaporação em pressão constante com adição de calor

Como os processos de condensação e de evaporação são realizados em pressões


constantes e a expansão também é feita sob uma entalpia constante, é usual fazer a visualização
dos ciclos de refrigeração usando-se gráficos do tipo P x h (pressão por entalpia). Dessa forma, a
pressão de condensação e a pressão de evaporação são representadas por duas linhas retas
horizontais e a expansão é mostrada como uma linha reta na vertical. Os valores da energia
térmica absorvida no evaporador, da energia mecânica consumida durante a compressão e da
energia térmica rejeitada no condensador podem ser determinados diretamente pelos valores
lidos no eixo horizontal. Um gráfico desse tipo pode ser visto na Figura 4.20.

P
condensação
3 2
expansão

o
ssã
pre
com

4 1
evaporação

Figura 4.20 – Ciclo frigorífico de compressão mecânica de vapores.

Os fluidos frigoríficos são escolhidos de acordo com as suas propriedades tecnológicas e


termodinâmicas de modo que, para as temperaturas de evaporação e de condensação desejadas,
as pressões de operação sejam adequadas. Os fluídos frigoríficos mais usados em ciclos de
compressão de vapores são a amônia e os hidrocarbonetos halogenados do tipo R134. Mas
também podem ser usados como fluidos refrigerantes o dióxido de carbono, os gases como o
etano e o butano, o cloreto de metil e o vapor d‟água.

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4.4.2. Ciclo frigorífico por absorção


Os ciclos de refrigeração por absorção também foram concebidos para atender as
demandas técnicas da refrigeração. A diferença é a forma como eles operam, em vez de usarem
trabalho como fonte de energia externa, eles usam o calor. Nesses ciclos o compressor mecânico
é substituído por um subconjunto constituído por um tanque de absorção, uma bomba hidráulica,
um gerador de vapor e uma válvula de expansão, conforme pode ser visto na Figura 4.21. Os
demais componentes são idênticos ao que são usados nos sistemas de compressão.

Calor rejeitado

3 2 Energia térmica
Condensador

Válvula de
Gerador de vapor
expansão
Alta pressão Válvula de
Bomba
Baixa pressão expansão

Tanque de absorção
Líquido Vapor ou gás

Evaporador
4 1

Carga de frio

Figura 4.21 – Ciclo frigorífico de absorção.

O fluido frigorífico e absorvedor são escolhidos conforme a temperatura de que se deseja


no evaporador, o importante é que eles tenham uma grande afinidade para que se misturem
facilmente. Para uso em ar condicionado normalmente o fluido frigorífico é a água e como
absorvedor utiliza-se o brometo de lítio, para aplicações que exigem temperaturas de evaporação
mais baixas adota-se a amônia como fluido frigorífico e água trabalha substância absorvedora.
O equipamento funciona da seguinte forma: Como nos sistemas anteriores de compressão
mecânica, ao escoar pelo evaporador e absorver calor o fluido frigorífico passa do estado de
líquido para o estado de vapor. Esse vapor é enviado para um tanque de absorção onde ele se
dissolve em uma solução absorvedora. Essa solução, com alta concentração de fluido frigorífico, é
bombeada para o gerador de vapor.
Nesse outro tanque essa mistura é aquecida por meio do calor da fonte externa e, em
razão do aumento da temperatura, o fluido frigorífico evapora e se separa da solução
absorvedora. Essa solução, agora com baixa concentração, é devolvida para o tanque absorção
passando através da válvula de expansão. O fluído frigorífico que foi separado na forma de vapor
é então encaminhado para o condensador. Desse ponto em diante os sistemas de absorção e os
de compressão de vapor operam de forma idêntica.
A grande vantagem dos ciclos de refrigeração por absorção é que eles podem usar como
fonte de energia calores residuais, com baixa temperatura, por exemplo, a água quente resultante

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do arrefecimento de motores de combustão ou de compressores. Elas também podem usar vapor


de baixa pressão produzido em caldeiras comuns. Além disso, as máquinas de absorção são
constituídas apenas por trocadores de calor e uma bomba centrífuga comum, com poucas partes
móveis e que operam de forma silenciosa e com longa vida útil.

Saiba mais...
Entenda melhor como os ciclos termodinâmicos funcionam
acessando as apresentações dessa aula.

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Questões de Fixação

1- Qual a diferença entre as máquinas térmicas e os aparelhos térmicos ?

2- Qual foi a necessidade pressionou o surgimento das primeiras bombas hidráulicas?

3- Seria correto dizer que as primeiras máquinas térmicas foram as turbinas a vapor ?

4- Porque os motores e as turbinas a gás podem ser analisadas de forma semelhante ?

5- Quais os principais componentes de um ciclo Rankine simples ?

6- Qual é a problema que é causado pela umidade nos estágios finais das turbinas ?

7- Qual a(s) soluções que podem ser empregada(s) para melhorar o ciclo de Rankine ?

8- Que tipo de ciclo utiliza aquecedores para a água de alimentação da caldeira ?

9- Qual é a diferença entre um ciclo combinado e o ciclo que utiliza cogeração ?

10- Como é feito o acoplamento térmico entre um ciclo a gás e um ciclo a vapor ?

11- Porque temos que gastar energia para produzir frio ?

12- È possível produzir frio usando uma fonte de calor ?

13- Faça a associação correta do equipamento com o processo


A- Processo isentálpico ( ) Evaporador
B- É um processo isentrópico ( ) Compressor
C- Recebe a carga de frio ( ) Condensador
D- Rejeita calor para o ambiente ( ) Válvula de expansão

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REFERÊNCIAS

LORA, E.E.S., NASCIMENTO, M.A.R. (coordenadores). Geração Termelétrica – Planejamento,


Projeto e Operação, Rio de Janeiro, Editora Interciência, 2004, 1ª Edição, dois volumes, 1296
páginas.

VAN WYLEN, G.J., SONNTAG, R.E. Fundamentos da Termodinâmica Clássica, São Paulo,
Editora Edgard Blucher Ltda., 1976, 2ª Edição, um volume, 565 páginas.

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MOTOR CICLO OTTO – <http://www.mspc.eng.br/termo/termod0520.shtml>. Acesso em 26 jan.


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MOTOR CICLO DIESEL – <http://www.mspc.eng.br/termo/termod0525.shtml>. Acesso em 26 jan.


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