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DISCIPLINA: GEOGRAFIA 9º ANO PROF: PATRICIA ANDRADE
BRICS: O papel na Nova Ordem Mundial
Você já ouviu falar nos BRICS? A sigla refere-se a um grupo formado por cinco países: Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul. Apesar de apresentarem grandes diferenças culturais, linguísticas e geográficas,
esses países compartilham uma característica importante: todos são considerados nações emergentes, ou seja,
estão em processo de rápido crescimento econômico e ganhando maior influência no cenário mundial. Esses
países reúnem uma grande parte da população mundial – juntos, somam mais de 3 bilhões de pessoas. Também
possuem vastos territórios, riquezas naturais e uma crescente produção industrial e agrícola. Além disso, seus
governos vêm se unindo para defender interesses comuns no comércio, na política internacional e no
desenvolvimento sustentável.
O acrônimo BRIC foi criado em 2001 por um economista do banco de investimentos Goldman Sachs,
como forma de destacar o potencial de crescimento econômico de quatro grandes países emergentes: Brasil,
Rússia, Índia e China. Esse reconhecimento refletia a crescente influência dessas nações no cenário global,
especialmente no início do século XXI. Com o tempo, essa identificação evoluiu para uma iniciativa mais
concreta de cooperação. Assim, surgiu o BRICS — agora com a inclusão da África do Sul — como um grupo
voltado à promoção do desenvolvimento conjunto, da cooperação econômica e do fortalecimento do papel das
economias emergentes nas decisões políticas e financeiras internacionais. Atualmente, o BRICS é composto por
onze países membros: seus cinco membros originais – África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia -, e os seis
novos membros admitidos em 2024-25 – Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e
Irã. O agrupamento foi primeiramente composto por Brasil, Rússia, Índia e China em 2006; a África do Sul
aderiu em 2011. Atualmente, o BRICS é composto por onze membros: os cinco fundadores – África do Sul,
Brasil, China, Índia e Rússia – e os seis países recém-integrados. Essa nova configuração reflete o esforço
contínuo de consolidar o bloco como uma força relevante no cenário internacional, voltada à promoção do
desenvolvimento conjunto, da cooperação econômica e da reformulação da governança global.
Diferente de blocos econômicos tradicionais, como a União Europeia, o BRICS não adota uma estrutura
institucional rígida nem segue regras formais. Em vez disso, funciona como um mecanismo flexível de diálogo
e articulação entre seus membros, o que permite maior autonomia na definição de pautas e prioridades comuns.
Essa aliança entre países com características econômicas e sociais distintas, mas com desafios semelhantes, tem
fortalecido suas economias, estimulado o comércio internacional, impulsionado a inovação e contribuído para o
questionamento das hierarquias estabelecidas no sistema financeiro global. Portanto, compreender o papel do
BRICS é essencial para analisar as transformações em curso na economia mundial e as novas oportunidades
que surgem a partir da maior integração entre esses países emergentes.
Apesar de não funcionar como uma organização formal, como a ONU ou a própria União Europeia, o
BRICS opera como um fórum de cooperação entre seus membros. Anualmente, os líderes dos países que
compõem o grupo se reúnem em cúpulas para debater temas estratégicos, como economia, saúde, segurança,
ciência e tecnologia. Um dos objetivos centrais dessas discussões é buscar maneiras de tornar a economia
global mais equilibrada e menos concentrada nos interesses das nações mais ricas, como os Estados Unidos e os
países da Europa Ocidental.
Nesse contexto de busca por maior autonomia e equidade no cenário internacional, os BRICS vêm
articulando estratégias para fortalecer sua posição global e reduzir a dependência em relação às potências
econômicas tradicionais. Um dos marcos mais relevantes desse esforço foi a criação, em 2014, do Novo Banco
de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco dos BRICS. Com a missão de financiar projetos
de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, o NBD atua não apenas nos países membros do bloco, mas
também em outras nações em desenvolvimento. Essa iniciativa representa uma alternativa concreta às
instituições financeiras tradicionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, cujas
exigências para concessão de crédito costumam ser rigorosas e, muitas vezes, desalinhadas com os interesses
dos países do Sul Global.
O fortalecimento do BRICS tem se refletido em diversos aspectos, entre eles a presidência rotativa do
bloco, exercida anualmente por cada país membro, em ordem alfabética. Em 2025, de 1º de janeiro a 31 de
dezembro, o Brasil assumiu a liderança do grupo, reafirmando seu compromisso com a promoção da
cooperação entre os países em desenvolvimento e a construção de uma ordem internacional mais equilibrada.
Sob a presidência brasileira, ganham destaque as iniciativas voltadas à valorização da cultura como
ferramenta de transformação social e de promoção do desenvolvimento sustentável. Além disso, o país tem
sinalizado uma atuação estratégica ao priorizar temas centrais como a reforma da governança global e o
fortalecimento das alianças entre nações do Sul Global, buscando maior representatividade nos processos de
decisão internacionais. O protagonismo do Brasil no bloco também é evidenciado pela presença de Dilma
Rousseff na presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição financeira do BRICS. Sua
liderança no banco simboliza o engajamento brasileiro na criação de mecanismos mais inclusivos e adequados
às necessidades das economias emergentes, contribuindo para a consolidação de uma nova arquitetura
financeira global.
No entanto, apesar dos avanços e da consolidação de iniciativas como o NBD, os BRICS enfrentam
desafios internos que limitam o pleno aproveitamento de seu potencial coletivo. Problemas estruturais, como a
desigualdade social, a corrupção, crises políticas e questões ambientais, ainda são obstáculos comuns entre os
membros do grupo. Cada país, à sua maneira, convive com dilemas específicos: o Brasil, por exemplo, se
destaca como potência agrícola e possui vastos recursos naturais, mas lida com instabilidade econômica e
desigualdade social. A Índia, com sua vasta população e economia em crescimento, ainda enfrenta altos índices
de pobreza. A China, embora seja a segunda maior economia do mundo, vive tensões comerciais com potências
ocidentais. A Rússia, com forte influência geopolítica, encontra-se envolvida em conflitos que comprometem
suas relações internacionais. Já a África do Sul, rica em recursos minerais, sofre com graves problemas de
infraestrutura e disparidades sociais.
Mesmo com esses obstáculos, o grupo continua a desempenhar um papel importante na política e
economia global. Em um mundo onde as potências tradicionais já não têm o mesmo domínio de antes, os
BRICS representam uma nova força, que busca equilíbrio e maior representação dos países em
desenvolvimento nas decisões internacionais.