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Diablo

Francisco Antônio de Sales foi um político brasileiro nascido em 1863 e falecido em 1933, que se destacou como advogado, juiz, deputado estadual, prefeito de Belo Horizonte e presidente de Minas Gerais. Durante seu governo, ele implementou reformas financeiras e organizou o Primeiro Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Minas. Também atuou como Ministro da Fazenda e senador, rompendo com o Partido Republicano Mineiro em 1912 para se retirar da vida pública.

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Francisco Antônio de Sales foi um político brasileiro nascido em 1863 e falecido em 1933, que se destacou como advogado, juiz, deputado estadual, prefeito de Belo Horizonte e presidente de Minas Gerais. Durante seu governo, ele implementou reformas financeiras e organizou o Primeiro Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Minas. Também atuou como Ministro da Fazenda e senador, rompendo com o Partido Republicano Mineiro em 1912 para se retirar da vida pública.

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Francisco Antônio de Sales (Lavras, 20 de janeiro de 1863 — Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1933) foi

um político brasileiro.[1]

Vida

Filho de Firmino Antônio de Sales, fazendeiro e tenente-coronel da Guarda Nacional, e de Ana Cândido
de Sales.

Estudou no seminário de Mariana e formou-se em direito na Faculdade de Direto de São Paulo, em 1886.
Iniciou a vida profissional como advogado, depois foi juiz municipal em Lima Duarte (1891). Foi deputado
estadual e secretário de finanças no governo de Crispim Jacques Bias Fortes.

Foi prefeito de Belo Horizonte e presidente do Estado de Minas Gerais (1902). No seu governo
reequilibrou as finanças públicas, apoiou o "Primeiro Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de
Minas", reorganizou a imprensa oficial do estado e conseguiu, com os estados vizinhos, uma composição
que pusesse fim à "guerra fiscal" e aos choques tributários que ocorriam na época.

Durante o governo de Hermes da Fonseca foi Ministro da Fazenda, de 15 de novembro de 1910 a 9 de


maio de 1913. Neste período tentou sem sucesso reduzir a distância que a moeda nacional se colocava
em relação à libra inglesa.

Ocupou a cadeira de senador durante a República Velha (1900 e 1906 a 1911). Rompeu com o Partido
Republicano Mineiro (PRM) em 1912, retirando-se para a vida privada.

Ver também

Senado Federal do Brasil

Lista de senadores do Brasil

Referências

Minas Gerais. Francisco Antônio de Salles.


Precedido por

Venceslau Brás Pereira Gomes Prefeito de Belo Horizonte

1899 Sucedido por

Bernardo Pinto Monteiro

Precedido por

Joaquim Cândido da Costa Sena Presidente de Minas Gerais

1902 — 1906 Sucedido por

João Pinheiro da Silva

Precedido por

José Leopoldo de Bulhões Jardim Ministro da Fazenda do Brasil

1910 — 1913 Sucedido por

Rivadávia da Cunha Correia

[Expandir]vde

Governadores de Minas Gerais Minas Gerais (1889–2025)

[Expandir]vde

Ministros da Fazenda do Brasil (1822–2025)

[Expandir]vde

Gabinete do presidente Hermes da Fonseca (1910–1914)

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Fazenda do BrasilGovernadores de Minas GeraisSenadores do Brasil por Minas GeraisDeputados
estaduais de Minas GeraisPrefeitos de Belo HorizonteNaturais de Lavras

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Este texto é disponibilizado nos termos da licença Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-
SA 4.0) da Creative Commons; pode estarSenador por Minas Gerais

Período 25 de maio de 1927[2]

a 24 de outubro de 1930

12.º Presidente de Minas Gerais

Período 7 de setembro de 1918

a 7 de setembro de 1922[3]

Antecessor(a) Delfim Moreira

Sucessor(a) Raul Soares de Moura

Secretário de Finanças de Minas Gerais

Período 7 de setembro de 1909[4]

a 7 de setembro de 1914[5]

Deputado Estadual de Minas Gerais

Período 1907 a 1909

Dados pessoais

Nome completoArtur da Silva Bernardes

Nascimento 8 de agosto de 1875

Santa Rita do Turvo,[a] Província de Minas Gerais, Império do Brasil

Morte 23 de março de 1955 (79 anos)

Rio de Janeiro, Distrito Federal

Alma mater Faculdade de Direito de São Paulo


Cônjuge Clélia Vaz de Melo (1903–1955)

Filhos(as) 8

Lista

Partido PRM (c. 1904–1937)

UDN (1945)

PR (1945–1955)

ReligiãoCatolicismo

Profissão Advogado, jornalista, fazendeiro

Assinatura Assinatura de Artur Bernardes

Artur da Silva Bernardes[b] (Viçosa, 8 de agosto de 1875 – Rio de Janeiro, 23 de março de 1955) foi um
advogado e político brasileiro. Foi o 12.º presidente de Minas Gerais de 1918 a 1922 e o 12.º presidente
do Brasil entre 15 de novembro de 1922 e 15 de novembro de 1926. Seu período na administração
nacional foi de crise da Primeira República e vigência quase ininterrupta do estado de sítio. Na sua longa
carreira política, de 1905 até sua morte, ele foi o principal líder do Partido Republicano Mineiro (PRM) de
1918–1922 até a extinção da agremiação, e fundador e líder do Partido Republicano (PR). Sua ideologia,
o "bernardismo", era identificada pelo cravo vermelho.

Como presidente (governador) de Minas Gerais, fundou a atual Universidade Federal de Viçosa e
impediu o investidor americano Percival Farquhar de explorar as jazidas de minério de ferro de Itabira,
cultivando uma imagem de nacionalista e municipalista. Candidato situacionista e "café com leite" na
eleição presidencial de 1922, foi alvo de cartas falsas e uma tentativa de golpe para impedir sua posse, a
Revolta dos 18 do Forte. Sua administração foi impopular nas cidades, especialmente no Rio de Janeiro,
[c] e a partir de julho de 1924 foi atacada por conspirações e revoltas armadas de militares tenentistas.

Os partidos dominantes em dois estados que se opuseram à sua candidatura, o Rio de Janeiro e a Bahia,
foram derrubados sob pressão federal.[d] Outro, o Rio Grande do Sul, enfrentou a Revolução de 1923, na
qual o governo federal intermediou a paz. Sua recusa a qualquer anistia e uso da polícia política (a 4.ª
Delegacia Auxiliar),[e] censura à imprensa[6] e repressão a militantes operários, especialmente os
anarquistas,[7] são exemplos de sua atitude intransigente com a oposição.[8] Centenas de militares e
civis morreram no bombardeio de São Paulo e colônia penal de Clevelândia.[f]

A administração também aprovou algumas leis trabalhistas, aplicou uma política econômica de
austeridade e contração monetária, combatendo a inflação e a desvalorização da moeda, retirou o Brasil
da Liga das Nações, realizou uma reforma constitucional centralizadora, a única da Constituição de 1891,
[g] e reaproximou o Estado da Igreja Católica. Fora da Presidência, participou das revoluções de 1930 e
1932 e viu o PRM reduzido a uma facção minoritária em Minas Gerais. Nos seus últimos anos, participou
da Campanha do Petróleo. Homem austero e reservado,[h] foi idolatrado pelos seguidores e odiado
pelos inimigos.[9]

Família e primeiros anos

Casa da família Bernardes em Viçosa

Artur da Silva Bernardes nasceu em 8 de agosto de 1875 na Vila de Santa Rita do Turvo, atual Viçosa,[10]
conforme reconhecido nos livros de história. Este local de nascimento é disputado no município de
Cipotânea, onde se afirma que o futuro presidente teria nascido no local, então parte de Alto Rio Doce, e
mudado para Viçosa, uma cidade já constituída, aos 5 anos de idade.[11] Ele era o quarto dos nove
filhos[i] de Antônio da Silva Bernardes[j] e Maria Aniceta Bernardes.[k][12] Um de seus irmãos, Olegário,
viria a ser ministro do Tribunal de Contas da União, deputado estadual no Rio de Janeiro e prefeito de
Teresópolis.[13]

Sua mãe descendia dos Vieira de Sousa, uma das famílias da nobreza do café da Zona da Mata Mineira, e
seu pai, um português de Castanheira de Pera, coronel da Guarda Nacional e solicitador nas comarcas de
Alto Rio Doce, Piranga e Viçosa. Nesta última ele foi o primeiro advogado provisionado e depois
promotor de justiça.[14][15] Conforme algumas biografias, Antônio Bernardes não cursou mais que a
escola primária em Portugal.[16] Esta família era rica o suficiente para financiar a educação do filho, mas
não pertencia ao grupo político local.[17]

Bernardes (indicado pela seta) entre os alunos do Colégio do Caraça

A educação famíliar rígida foi complementada pelo tradicional Colégio do Caraça,[18][19] onde foi
matriculado para estudos secundários em fins de 1887, aos 12 anos de idade. O Caraça era um dos
educandários mais prestigiados do país.[20] Gilberto Freire chamou-o de "casarão triste nas
montanhas". O controle de horários, restrição de visitas, vigilância e punições deixavam sua marca nos
filhos da elite mineira.[21] Os professores viviam em claustro e penitência e "a palmatória passava de
aula em aula, de salão em salão, de recreio em recreio, nivelando a todos com o seu avassalador
domínio".[18]
Esta experiência permitiu a Bernardes "valorizar o poder disciplinar como formador de mentes e corpos
para a nação",[21] além de fixar sua religiosidade católica para o resto da vida, enquanto muitos de seus
contemporâneos flertaram com o positivismo e evolucionismo.[20] Uma biografia favorável no Instituto
Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do qual Bernardes é patrono de uma cadeira, afirma que os
ensinamentos no Caraça "muito influíram na sua formação moral, religiosa e pública: o zelo pela causa
pública, o escrúpulo na distribuição do dinheiro do governo, o espírito de disciplina, de ordem e de
economia".[12] No outro extremo o livro antibernardista Terra Desumana (1926), de Assis
Chateaubriand, argumentou que o colégio incutiu no jovem Bernardes uma personalidade autoritária,
mais interessada na letra da lei do que nos sentimentos humanos.[18]

Em fins de 1889 sua família não teve mais condições de mantê-lo no Caraça devido ao abalo da abolição
da escravatura na economia cafeeira.[20] A solução veio por seu cunhado José da Graça Sousa Pereira,
sócio da firma Pena e Graça, onde ele conseguiu emprego. Esta firma do distrito viçosense de Coimbra
intermediava o comércio de café entre produtores e exportadores, expondo Bernardes ao mundo rural.
Esta experiência continuou no seu emprego seguinte, na firma Adriano Teles, em Visconde do Rio
Branco, onde ele chegou aos 18 anos, em 1894, à posição de guarda-livros (contador). O cargo era o mais
alto que um empregado poderia alcançar[22][23] e dava acesso a informações confidenciais, provando
que ele era um empregado de confiança. Sua vida em Rio Branco o expôs à problemática da
modernização das técnicas agrícolas, pois o grupo empresarial propagandeava os produtos brasileiros no
exterior.[24]

Direito e jornalismo

Corpo discente do Instituto de Ciências e Letras em 1899; Bernardes, professor de português e latim,
está na quinta coluna

Com sua família em melhor condição financeira, pôde ao final de 1894 matricular-se no Externato do
Ginásio Mineiro em Ouro Preto, aproveitando um decreto do governo estadual que abria matrículas
avulsas. Ali estudou para os exames preparatórios (equivalentes ao vestibular) enquanto morava numa
pensão e trabalhava em vários jornais e brevemente como estafeta dos Correios e Telégrafos. Por
influência do pai e do Caraça, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito, inicialmente como aluno
ouvinte, em 1896, antes de passar nos exames e entrar no segundo ano em 1897.[23][14]

Como estudante do Direito, fez amizade com seu colega e futuro aliado político Raul Soares de Moura,
além de conhecer outras figuras de futura relevância política, como Fernando de Melo Viana e José
Vieira Marques. A política nacional repercutia muito em Ouro Preto, então capital de Minas Gerais. Em
março de 1897 Bernardes se voluntariou ao Batalhão Patriótico Bias Fortes, no contexto da Guerra de
Canudos, mas a unidade nunca saiu para a luta. O aniversário da Abolição foi comemorado com a criação
do jornal Academia, do qual ele foi redator.[25][26][27]

Admirava Floriano Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894. Os seguidores radicais de Floriano
consideravam-se os defensores da República e apreciavam a mão forte do presidente ao esmagar a
Revolta da Armada. Detestavam as intromissões estrangeiras ocorridas na ilha de Trindade, brevemente
ocupada pelos britânicos, e no contestado franco-brasileiro no Amapá.[27]

No ano seguinte a Faculdade de Direito foi transferida para a Cidade de Minas, atual Belo Horizonte, mas
Bernardes, Raul Soares e outros preferiram a transferência à Faculdade de Direito de São Paulo. A nova
capital estadual, "onde havia de se sentir o cheiro de barro e tinta fresca", não se comparava ao conforto
de Ouro Preto, ainda mais para um estudante que vivia do próprio trabalho.[28] E São Paulo oferecia
oportunidades muito melhores na vida pública; a única alternativa para a elite política com formação em
Direito era a Faculdade de Direito do Recife.[25][26] Dos doze presidentes da Primeira República, sete
tiveram diplomas da Faculdade paulista.[29]

Em São Paulo, sustentou-se como revisor do Correio Paulistano, fiel no Cartório de Notas do pai do
senador Álvaro de Carvalho e professor de português e latim no Instituto de Ciências e Letras de São
Paulo.[30] Bernardes e Raul Soares fizeram amizade com mais um mineiro na Faculdade, Arduíno Bolívar,
e possivelmente integraram uma sociedade secreta acadêmica, a Bucha. Nas férias, o contato era
mantido através de cartas, e num desses períodos, em 1899, Bernardes ganhou fama defendendo um
réu no foro criminal de Viçosa. O acusador era seu pai. Ao receber o título de bacharel em Ciências
Jurídicas e Sociais, em dezembro de 1900, ele optou pela carreira na advocacia. Prestigiado entre os
colegas, foi escolhido para o discurso de encerramento. Chegando a Viçosa, foi recebido com uma
manifestação na estação ferroviária e um baile.[30][25] O título de bacharel em Direito elevou seu status
social. A comarca tinha poucos advogados diplomados, e seus companheiros de profissão tinham forte
presença no Estado republicano, pois intermediavam os interesses públicos e privados.[31]

Aos 25 anos, ainda em 1900, ele abriu um escritório em Viçosa. Pouco depois seu pai exonerou-se do
cargo de promotor de justiça para evitar o conflito de interesse com a carreira do filho. Os dois anos
seguintes foram de viagens constantes às comarcas vizinhas. Além da advocacia, Bernardes passou a
trabalhar no semanário Cidade de Viçosa, de propriedade de um chefe político local, o senador Carlos
Vaz de Melo,[32] líder de diretórios e correligionários locais do Partido Republicano Mineiro (PRM), o
único no estado.[33] O PRM representava os interesses do sul mineiro e da Zona da Mata,[34] e Viçosa
era um município de significativa produção agrícola na Mata, embora não fosse um dos maiores na
região.[35] O interesse de Bernardes pela política era visível. Desde sua época acadêmica, o Cidade de
Viçosa apresentava-o como membro da elite local e representante de valores burgueses, e ele publicou
diversos artigos no periódico,[36] entre eles uma matéria sobre a revisão da Constituição em 1901.[37]

Casamento e filhos

A família em 1932: Clélia Bernardes senta ao centro, tendo seu marido em pé á direita na foto

A paixão por Clélia Vaz de Melo, filha de Carlos Vaz de Melo, abriu as portas ao mundo político quando o
senador autorizou o casamento, que ocorreu em 15 de julho de 1903. Artur Bernardes agora era o
herdeiro político do sogro.[17] O namoro já durava uma década, mas Carlos não permitiu o casamento
antes do final do curso.[38] O casal teve oito filhos: Clélia, Artur, Maria da Conceição, Dhalia, Rita, Sylvia,
Geraldo e Maria de Pompeia.[39] Destes, Artur Bernardes Filho seguiu na carreira do pai e foi deputado
federal, constituinte, senador e vice-governador de Minas Gerais, chegando à posição de ministro da
Indústria e Comércio em 1961.[40]

Os Vaz de Melo-Bernardes tornaram-se um dos grupos familiares que dominavam, com certa
estabilidade, as zonas, regiões, distritos eleitorais ou municípios de Minas Gerais.[41] A parentela a pelo
menos um outro político pode ser observada em 51,7% de uma amostra de 511 políticos mineiros entre
1891 e 1930, conforme um estudo biográfico coletivo de Amílcar Vianna Martins Filho. Bernardes era
também muito típico da classe política mineira por seu bacharelado em Direito, compartilhado com
61,6% da amostra. 17,6% tiveram ensino secundário no Caraça.[42]

As propriedades rurais da família foram diretamente beneficiadas por algumas das decisões fiscais,
orçamentárias e tributárias elogiadas no Cidade de Viçosa, como a redução dos preços na Estrada de
Ferro Leopoldina.[43] Artur Bernardes apareceu no Almanaque Laemmert de 1907 como fazendeiro da
região de Viçosa,[44] e ao longo da vida foi cafeicultor e diretor-proprietário de uma usina de açúcar em
Ponte Nova.[45] Minas Gerais era uma sociedade agrária, mas a educação e a profissão liberal (a
advocacia) tinham relações mais diretas com a carreira política.[42]

Ascensão política

Vereador

A participação nas eleições não foi imediata, e Bernardes recusou uma oferta do sogro para apoiar uma
candidatura a deputado federal. Em vez disso, Vaz de Melo designou seu genro para recepcionar o
Presidente do Estado (governador) Francisco Sales e outros políticos. Bernardes gradualmente fez
contatos e demonstrou sua retórica.[46] Em 1904 ele concorreu a vereador especial pelo distrito
viçosense de Teixeiras. Apesar de suas declarações prévias sobre a reforma da Constituição, em outubro
ele alegou no Cidade de Viçosa que não desejava cargos eletivos e só figurou na chapa do PRM em
última hora, "cedendo às ordens de amigos do Distrito".[47]

Em 19 de novembro os 52 eleitores do Distrito o elegeram por unanimidade. Carlos Vaz de Melo morreu
três dias depois, e em janeiro Bernardes sucedeu-o na direção do Cidade de Viçosa, que passou a cobrir
temas extramunicipais e sustentar as opiniões políticas do vereador. No primeiro dia do ano ele publicou
mais uma defesa de reforma da Constituição, prometendo que "dará esta folha encarniçado e impiedoso
combate à ideia, propugnada por alguns, de nada se alterar nessa lei fundamental". Esta ambição seria
concretizada duas décadas depois, quando ele assumiu a Presidência.[48][49] O programa apresentado
no artigo era de valorização do município e defesa dos interesses da lavoura, comércio e indústria.[50]
Outros artigos discutiam os problemas da cafeicultura local e alternativas de produção, representando os
interesses dos produtores e comerciantes.[51] Seu discurso era compatível ao do presidente do Estado
João Pinheiro, cujas pautas incluíam o incentivo à educação e à policultura.[52]

Em junho de 1905 ele foi nomeado coronel da Guarda Nacional, o que legitimava seu poder local e
conferia honras e regalias.[53] Eleito presidente da Câmara Municipal no mês seguinte, preferiu
permanecer na vice-presidência. No ano seguinte ele foi novamente eleito, aceitou e foi investido como
agente executivo, equivalente a prefeito.[54] O agente executivo era escolhido pela Câmara.[55] Num
Congresso de Municipalidades em Leopoldina, em outubro de 1907, foi convidado pelo deputado
Ribeiro Junqueira para discursar em nome dos chefes do Executivo na região.[56][54]

Esta rápida ascensão não foi aceita por todos os veteranos; José Teotônio Pacheco, chefe político
viçosense e antigo aliado de Vaz de Melo, rompeu suas ligações com Bernardes e liderou a oposição
municipal. Os "bernardistas" e "pachequistas" disputaram o poder em Viçosa por uma década. Na
eleição de um vereador em 1906 e na renovação de toda a Câmara no final do ano seguinte, os
bernardistas ganharam com pequena margem de votos.[56][57] O Cidade de Viçosa acusava os
pachequistas e seu jornal A Reação de falta de patriotismo e republicanismo.[58] Bernardes
correspondia-se com João Pinheiro, jurando seu apoio e fazendo diversos pedidos para Viçosa.[59]

Deputado e Secretário de Finanças


Bernardes ao centro, entre dois outros deputados estaduais, em 1907

O prestígio do sogro falecido ainda foi suficiente para que Bernardes fosse incluído na lista de candidatos
a deputado estadual pelo PRM e eleito pela segunda circunscrição em março de 1907. Na Câmara
estadual, foi eleito secretário da mesa em 1907 e 1908, discursou sobre os problemas da agricultura e
ajudou a aprovar a reforma tributária de João Pinheiro. Este último posicionamento facilitou sua
indicação à concorrência para deputado federal em 1909.[44][54] Os candidatos à bancada federal
mineira eram coronéis ou intelectuais, ambos escolhidos pelo presidente do Estado e a Comissão
Executiva do PRM, a "Tarasca", composta em sua maioria de políticos do sul mineiro. O partido
orgulhava-se de promover a carreira de jovens talentos.[60] Seu domínio era elitista e centralizado,
controlando as nomeações políticas, pressionando a imprensa, cooptando grupos de pressão e
garantindo seus votos através do coronelismo, o voto de cabresto e a fraude.[61] Ser escolhido como
candidato do PRM era equivalente a ser eleito.[17]

Francisco Bernardino Rodrigues Silva, advogado de Juiz de Fora e ocupante passado da vaga, concorreu
como independente contra Bernardes, com o apoio dos pachequistas de Viçosa. Em janeiro de 1909 ele
conseguiu mais votos do que o rival, mas uma Comissão de Reconhecimento de Poderes cassou 2 552
votos de Bernardes em Viçosa e 3 339 de Bernardino em Juiz de Fora. Sob ordens do PRM, a Câmara
aprovou a decisão e Bernardes foi diplomado com mais de mil votos acima do concorrente. Segundo
Afonso Arinos de Melo Franco, o PRM confirmou Bernardes por ser ele "um jovem e enérgico chefe",
"experimentado comandante do oficialismo em uma das mais duras lutas municipais da Zona da Mata".
[62][54]

Retrato como secretário de Finanças em 1913

Neste primeiro período na Câmara federal, Bernardes não teve destaque nem participou das comissões
técnicas. Sua maior realização foi em Viçosa, onde garantiu ao presidenciável Hermes da Fonseca a
maioria dos votos na eleição de 1910.[62][54]

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